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Ciça Camargo -

Luciano          Mais um LíderCast, você que fica aí curioso para saber como é que eu encontro as pessoas que vêm falar comigo, como é que funciona. Tem várias formas, essa aqui é uma forma que não é a mais comum, mas aconteceu assim, ele me manda um e-mail: Luciano, eu li teu livro, achei muito legal, estou pensando em escrever um livro, queria trocar uma ideia contigo para saber como é que faz para lançar livro e tudo e aí nessa de pô quem é você? O que é que você faz? Estamos aqui os dois gravando um LíderCast. Três perguntas fundamentais de início do programa, seu nome, sua idade e  o que é que você faz?

Marcio            Marcio Appel, tenho 38 anos e eu sou empresário, administrador de empresas e atleta.

Luciano          Atleta. Legal. Você nasceu aonde?

Marcio            Campos do Jordão.

Luciano          Ó, Campos do Jordão, que beleza.

Marcio            Minha mãe era veterinária na época e eu e meu irmão nascemos em Campos do Jordão.

Luciano          Você tem hoje, você está tocando uma empresa que muita gente vai conhecer quando a gente chegar e falar nela, mas me conta uma história aí, você nasceu em Campos do Jordão, qual era a ideia? Queria ser o quê? Aliás, o que seus pais eram? Faziam o que na época?

Marcio            Então, a nossa empresa começou em 1955 com meu avô e daí depois meu avô morreu, minha mãe era muito nova ainda, 17 anos, ela tocou até com 17 anos por um ano a empresa,  mas o  sonho dela era ser veterinária…

Luciano          Que empresa que é?

Marcio            … a Bom Sabor, então na época ainda era outro nome, Canopac Embalagens, a gente começou embalando medicamentos e parte alimentícia e tudo é hoje a Bom Sabor ela tem um portfólio de produtos em sachês, sal, açúcar, katchup, mostarda, parte de mini potes, geleia, manteiguinha…

Luciano          Toda vez que você vai num hotel, quando você vai tomar seu café da manhã no hotel, você pega o seu pãozinho e aí tem aquela embalagenzinha com melzinho, outra com a geleia de morango, geleia de laranja, etc e tal, muito prazer, Bom Sabor.

Marcio            É isso aí, meus amigos falam pô, depois que eu te conheci é horrível, onde eu vou parece que você está me perseguindo, falei bom sinal, estamos vendendo. E daí minha mãe, o sonho dela era ser veterinária, virou veterinária, falou vou para o cidade do interior, vida tranquila, foi morar em Campos do Jordão e exerceu a profissão aí por torno de 10 anos até que ela, a empresa tinha uma filial em São Paulo e minha mãe veio para fechar a filial, minha mãe estava recém separada do meu pai, eu era recém nascido e ele veio fechar essa filial e resolveu tocar e a empresa está aí até hoje.

Luciano          Ela vem para fechar. E aí?

Marcio            E daí a parte burocrática, recém separada, com dois filhos pequenos e os funcionários, ela olhando alguns funcionários, pô Inês, não acredito, de repente a gente consegue recuperar e ela virou para, na época, minha… a irmã dela, minha tia e a minha avó: posso tentar tocar? Quem sabe. E tocou e foi recuperando, estava sucateada, cheia de dívida e tudo e foi recuperando devagarinho e…

Luciano          Sozinha, sem marido.

Marcio            … sozinha, sem marido, sem nada, super apertado, lembro que a gente não tinha nem mesa no  nosso apartamento, era uma madeirite com livro em cima…

Luciano          Era você e ela?

Marcio            … eu,  ela e meu irmão, que é três anos mais velho que eu, mas eu era recém nascido, eu tinha meses, meu irmão 3, 4 anos e ela tocou e nunca mais exerceu a veterinária, virou uma empresária de sucesso que foi o meu grande exemplo aí…

Luciano          Você teve um padrasto?

Marcio            Tive. Aí depois quando eu tinha 5, 6 anos ela casou de novo e até hoje meu padrasto é meu paizão.

Luciano          Que legal. Que legal. E aí, você moleque e tudo, quero ser o que quando crescer?

Marcio            Ah eu sempre gostei muito de esporte, então eu sempre sonhei, vou ser jogador de futebol, vou competir na olimpíada, fiz judô, fiz natação, coisa que a garotada toda faz, só que a família, a gente tem uma paixão enorme por cavalo, então é uma paixão que eu acho até por isso que minha mãe virou veterinária, que ela também apaixonada por animais e por cavalos, só que seria uma tradição no hipismo, mas a minha mãe sempre incentivou eu e meu irmão a praticar hipismo e eu fiz desde novo, mas nunca sem nenhum talento assim, eu acho que eu fiz judô não deu certo, fiz tênis, natação, nunca fui muito bem, no hipismo eu fiz também, nunca nada com grandes resultados…

Luciano          Mas virou só curtição.

Marcio            … mas é curtição, meu hobbie que eu faço desde novo.

Luciano          E você foi estudar o quê?

Marcio            Daí eu, com 18, 19 anos ainda tinha uma esperança de repente levar esse lado de esportista e tudo, mas não tinha futuro e eu fui fazer administração de empresas, então, formado na PUC em administração de empresas, depois fiz MBA também em administração, então…

Luciano          E foi trabalhar na…

Marcio            … fui trabalhar na Bom Sabor, da família.

Luciano          Onde você hoje faz o quê?

Marcio            Então, eu trabalhei em algumas áreas da empresa, desde a produção e administrativo e tudo mais e nos últimos 12 anos eu estou na área comercial e a empresa cresceu bastante de lá para cá.

Luciano          É uma coisa interessante, porque era uma empresa de embalagem? Nasceu como empresa de embalagem e depois num determinado momento vira uma empresa alimentícia, a partir do exercício de embalar coisas para os outros. Fala um pouquinho dessa transição, quem enxerga isso? Sua mãe?

Marcio            Meu avô morreu, minha mãe, quando ela retomou a empresa, ela embalava para terceiros, então a gente fazia sachê de cosmético para grandes empresas, Nívea, Avon, de alimentos, açúcar para a União, palito da Gina, adoçante da Finn e a gente embalava para terceiros e o começo dos anos 80 e começo dos anos 90, a gente embalou muito aquela cartela de ficha telefônica, não sei se você lembra, quem tem menos de 30 anos não vai saber nem o que é…

Luciano          Aquela compridinha.

Marcio            … é, exatamente e daí era o principal business da empresa até que surgiu o cartão e aí ia acabar o que representava aí quase 70% do faturamento da empresa e minha mãe resolveu mudar, falou ah, quero fazer um negócio novo, não quero mais depender de poucos clientes, de um mercado, quero ter minha linha própria e daí ela criou a Bom Sabor. Então a empresa tem 60 anos, mas a Bom Sabor tem 20 e começamos portfólio de quatro, cinco produtos, o pessoal nem sabia direito o que era sachê na época e tudo e criamos um modelo de vendas por telefone, então isso aí começou a crescer, a utilização do sachê começou a pulverizar e a gente foi aumentando o portfólio, hoje a empresa tem mais de sessenta produtos em sachês, tudo o que você imagina, lançamos esse ano o sal rosa do Himalaia, no ano passado vinagre balsâmico, açúcar orgânico, mascavo…

Luciano          Tudo com a marca Bom Sabor…

Marcio            … Bom Sabor…

Luciano          … mas você também embala para clientes teus?

Marcio            … sim, daí a gente criou a marca própria de clientes, então grandes redes, Outback, Viena, América, Girafa’s, Hotéis Ibis, Sofitel, Sheraton, Companhias aéreas, TAM, Azul, então a gente faz com a marca do cliente também…

Luciano          Pô, que legal.

Marcio            … e hoje estamos como líder de mercado, a empresa está…. não está fácil para ninguém nessa crise toda, mas estamos passando bem.

Luciano          Você não vende para consumidor final?

Marcio            Não, então a gente… onde tem alimentação fora de casa, então tem onde um restaurante, uma lanchonete, um hotel, uma cafeteria, pizzaria, hospital, avião, onde o pessoal come fora de casa, a gente serve.

Luciano          Você é be to be então?

Marcio            Be to be.

Luciano          Be to be, você não é be to see, não lida com consumidor final, mas me comentou que fez uma experiência agora de lançar um site para começar a vender, quer dizer, hoje eu consigo comprar o teu sachê como indivíduo entrando no teu e-commerce?

Marcio            É,  eu acho que no futuro vai ter muito mais consumo aí para pessoa física, então a gente lançou um e-commerce, fazer meu merchandising aqui, a lojabomsabor.com.br, então, por exemplo, tem muita pessoa que tem restrição de consumo de sal, então o sachê, ele vem na medida certa, um grama, então o médico fala, você pode um grama em cada refeição, então a pessoa anda com o sachê no bolso. Quem mora sozinho, às vezes compra um pote de geleia e estraga no meio, então pode comprar geleinhas ali individuais, o açúcar e outros produtos, então tem crescido bastante também.

Luciano          Interessante isso aí. Mas então, você não veio aqui por causa da Bom Sabor, na verdade a gente bateu um papo porque ele queria que eu desse algumas dicas para ele sobre um livro, como é que a gente faz para lançar um livro no Brasil. Qualquer dia eu vou fazer um LíderCast de mim comigo mesmo, entendeu? Conversando sobre lançar livro no Brasil, ai que loucura que é isso aí. Mas a gente bateu um papo ali, a pergunta que eu fiz para ele eu vou repetir aqui agora, o que é? É livro do que? Qual é a história que você tem para contar? E aí vamos lá, me conta a história que você tem para contar.

Marcio            Então eu acho que tudo isso que eu contei até agora, muito bacana, muito orgulho aí disso tudo, mas como eu comentei, desde criança eu tinha esse sonho de um dia ser um esportista, ir  para uma olimpíada, futebol logo eu já vi que não era minha praia, então esse sonho de ser jogador morreu logo cedo, mas eu sempre tive o hipismo como hobbie ali, minha válvula de escape, competindo como amador e sem qualquer relevância aí de resultado até pouco tempo atrás e eu assisti a olimpíada de Londres na televisão…

Luciano          Que ano foi?

Marcio            … 2012, então, final de julho de 2012 estou lá, minha esposa grávida do meu segundo filho, 8 meses, barrigona ali…

Luciano          Você com que idade?

Marcio            …eu com 32… 33 anos, então imaginar que até os 33 era realmente essa vida agitada de empresário e finais de semana podendo ter o esporte e eu olhei…

Luciano          Só deixa eu expressar uma coisa aqui, você não tinha nenhuma perspectiva com esporte até então? Você fazia por curtição? Vou lá, participo de uma brincadeira ganhou, deu; não deu também dane-se, você não tinha nenhum tipo de fissura que vou me preparar, não, você  estava lá para curtir.

Marcio            É, quando mais novo até tentei, mas não tive, nunca me classifiquei entre os seis primeiros de nenhum campeonato paulista ou brasileiro, nunca, então não tinha… a peneira ali parou comigo mesmo.

Luciano          Você fazia o que no hipismo?

Marcio            Salto, em pista em três modalidades, a mais famosa o salto, o Rodrigo Pessoa, o Dôda, o Brasil tem uma boa tradição e sempre fiz ela, só que o hipismo tem três modalidades, o salto, o adestramento, que é uma coreografia que você ganha nota com o cavalo, tem que fazer os movimentos e o CCE, que é o concurso completo de equitação que é um triátlon a cavalo, você tem, com o mesmo cavalo, fazer as três modalidades, salto, adestramento e cross country e eu nunca vi, nunca tinha visto uma prova de CCE na minha vida, eu não sabia nem as regras. Estava vendo a prova na televisão, ele é considerado perigoso o cross country, alguns acidentes feios, o cavalo pode bater num tronco, numa cerca e virar ou alguma coisa assim e olhando a olimpíada eu vi a neta da rainha competindo no CCE eu falei ah, se a neta da rainha compete, não pode ser tão perigoso assim e eu falei ah, na hora me deu um clic, eu falei eu vou fazer CCE e eu vou para a próxima olimpíada, pus isso na minha cabeça, não sei nem porque…

Luciano          Então vamos lá, 33 anos, faltando quatro anos para a próxima olimpíada, você olha para o negócio que você nunca tinha feito, embora você tivesse fazendo hipismo, mas não era a tua praia e resolve que vai começar a fazer negócio para ir parar na olimpíada. Deixa eu dar uma pausa aqui para fazer umas perguntas para você aqui. Na minha cabeça, quando você fala em hipismo, para mim o atleta é o cavalo, entendeu, o atleta é o cavalo, você fala eu sou um atleta, é aquela mesma coisa, automobilismo, eu sou atleta. O que você faz? Eu piloto automóvel. Pô cara, isso não é atleta. Hipismo, o atleta é o cavalo, como é que é essa relação, você, o cavalo, esse conjunto, que na verdade não é um cara em cima de um cavalo, é um conjunto. Como é que funciona isso?

Marcio            Eu acho que isso que faz o esporte ser tão charmoso e ter um complexo, diferente dos outros, que a raquete é a raquete, a bola é a bola, a quadra é a quadra. O seu cavalo, um dia ele está cansado, um dia ele está indisposto, pode estar indisposto e você aprende a saber lidar com seu cavalo da melhor maneira,  não tenho dúvida que o cavalo é o grande atleta, ele que é toda a potência física, preparação,  o cavalo, ele é a grande estrela, só que o cavaleiro, que nem hoje em dia o piloto, se  ele não estiver muito bem condicionado para uma alta performance, é fundamental, mas não tem necessidade de ter aptidões físicas muito grandes, até por isso que uma vantagem do hipismo, talvez em quase todas as  outras modalidades, eu com 33 anos, se eu fosse… eu já estaria em final de carreira e  no hipismo você tem uma chance de competir até uma idade mais avançada.

Luciano          Você falou um negócio interessante na hora do almoço ali que você comentou que você chamou a atenção, eu não estava muito aí não, a gente ia competir mas eu, se bobeasse,  eu derrubava o obstáculo. Pô, quem derruba o obstáculo é o cavalo, não é você e você falou não, eu derrubava o obstáculo.

Marcio            Mas é incrível, o cavaleiro, ele conduz totalmente o cavalo, então claro que um cavalo de alta qualidade… o automobilismo pode ser um parâmetro, mas então se o piloto errar, ele vai bater no muro, vai rodar. O cavaleiro é o piloto do cavalo com muito mais complexidade, é um ser vivo e tem muitas variáveis que o cavaleiro que coordena o ritmo, a distância, o equilíbrio, tudo isso é o cavaleiro, ele tenta dar a condição ideal para o cavalo fazer a parte dele, condição ideal para ele ir lá e não derrubar o obstáculo, por exemplo, se eu quiser, de propósito, eu consigo fazer o cavalo derrubar  vários obstáculos numa pista, claro que nunca é esse o objetivo, então você tenta criar as condições ideais para ele saltar da melhor maneira possível e o treinamento todo que você faz para ele chegar e ir evoluindo, são anos de parceria e treinamento.

Luciano          Interessante. Mas aí você bota na cabeça essa história. Você contou para alguém?

Marcio            Eu tinha um pouco de vergonha de contar, um pouco de você é maluco, vai fazer CCE, é perigoso, meus amigos. Eu nunca tinha visto uma prova de CCE ao vivo na minha vida, eu não sabia as regras do CCE, mas eu tinha um cavalo, na época, que eu achava que ele podia se dar bem no CCE, é um cavalo que eu domei e ele não estava mais indo tão bem no salto. Eu falei, de repente esse cavalo vai dar bem nessa modalidade, que é um cavalo corajoso, eu achava que ele podia dar certo e fui de cabeça e talvez o fato de eu ter contado para muita gente, eu já falava assim, eu quero fazer CCE e eu  quero ir para a olimpíada do Rio, talvez isso, eu pus uma pressão em mim, algo que talvez foi bom, porque era um prazo muito curto, quatro anos para você, uma modalidade que você nem conhece, fazendo uma analogia era como se eu fosse um cara que gosta de correr no final de semana aí, participar de alguma competição no  final de semana, amador e o cara fala não, daqui a quatro anos eu vou para a olimpíada de triatlo, é um pouco meio isso, o cara que não pedalava, não nadava, então eu tive que aprender essas duas modalidades que eu praticamente não sabia nada.

Luciano          E aí, como começa uma loucura dessa?

Marcio            Uma coisa que foi, apesar de eu ter essa vida bem normal, eu sempre gostei demais de literatura, de grandes atletas, grandes técnicos, grandes líderes, eu acho que eu já li de todos os grandes tenistas do mundo, Nadal, Federer, Guga, Sampras, Agassi, do pessoal do vôlei, futebol, gosto demais, Michael Jordan, Oscar, Giba e eu sempre tentei entender o que esses caras têm em comum, qual é a receita, o que esses caras viram? E o que todo mundo fala, que não é o talento que faz chegar lá, isso foi o Oscar, que fui  a uma palestra dele uma vez, nunca esqueço e ele fala, não é mão santa, é mão treinada e eu falei pô, preciso treinar, preciso aprender, preciso melhorar e eu tentei colocar em mim mesmo todos esses princípios que eu li nesses caras e….

Luciano          Não é um mindset fixo? É um mindset variável.

Marcio            Exatamente, eu falei pô, posso melhorar, eu posso fazer e me deu essa… era um sonho tão grande e que uma olimpíada no Brasil, primeira vez, talvez não sei quando pode… com certeza eu não  vou estar competindo se tiver um dia próximo, então é um negócio tão especial e eu falei eu vou fazer tudo o que eu li, o que eu acho que eu aprendi em todos esses livros e palestras que eu já assisti, eu vou colocar em mim mesmo, então do tipo ah vou sair da zona de conforto, eu que nunca gostei de acordar tão cedo, acordava mais cedo para malhar, minha alimentação mudou drasticamente, peguei um preparador físico e mental que foi o Renato Cobra, filho do Nuno Cobra que transformou muita coisa aí na minha vida, foi bem responsável também por esse objetivo, administração do tempo, eu mantinha dois filhos pequenos, um recém nascido, vida de casado, empresário, a gente aí com mais de trezentos funcionários na empresa, com demandas fortes lá e no meio de tudo isso tentar me preparar do zero para chegar numa olimpíada.

Luciano          Tem que ser muito doido. Deixa eu te explorar mais um pouquinho aí, tudo isso que você está citando aí exige uma série de mudanças e disciplina, uma série de coisas que a gente normalmente não… para você fazer tem que ter uma motivação brutal  e eu não entendo, o que acontece naquele momento que você está vendo a televisão e acende a luz, para te dar uma motivação a ponto de você começar a acordar cedo, quer dizer, não havia, ninguém estava te empurrando a fazer isso, não era um problema que você precisava fazer se não você ia morrer, vou fazer para ficar rico, não era nada  disso. Nasceu uma ideia de que eu vou e me parece uma coisa tão tênue, é o sonho que surgiu, uma ideia de que eu vou e me parece uma coisa tão tênue, se você falasse para mim o seguinte nasci sonhando com isso, a vida inteira eu sonhei com isso e surgiu o momento, eu consigo entender, agora não, esse negócio estava guardado num canto, de repente, aos 33 anos… Como é que é? Que força é essa que te empurra, você era um cara disciplinado? Altamente disciplinado ao ponto de vou fazer…

Marcio            Eu sou um cara um pouco disciplinado, não demais, não era altamente disciplinado, eu não sei direito. A minha mãe faleceu em 2009 e ela sempre acreditou que eu podia atingir a alta performance, mesmo sendo empresário. Quando eu falei que eu tinha 18 anos e ela ah você é profissional, de repente você trabalhar na empresa, e ela falou ah, eu acho que dá para você fazer os dois, por que não fazer? Porque você gosta do hipismo e quem sabe? Eu acho que dá para ter uma alta performance, mas realmente eu não era nada talentoso e…

Luciano          E não passou pela cabeça dela que o maluco do filho dela ia querer, quando falava em alta performance, era performance de olimpíada, que cá entre nós,  eu vou quebrar o clima aqui se não, quando a gente fala de olimpíada, para nós que assistimos aqui de fora, gente que pega e olha de fora fala assim pô legal, grande festa, grande momento, o pessoal do mundo inteiro vai lá e etc e tal, não passa pela cabeça do ser humano comum, ou normal, o que significa índice olímpico, quer dizer, para chegar lá, o que é chegar lá? Não é ser bom, eu sou bom, eu sou campeão, eu ganho as coisas aqui no meu estado, chegar no nível de olimpíada e quando você fala que tem uma linha de corte ali que é um negócio brutal, quer dizer, porque eu estou falando isso para você? Você comentou bastante que você leu meu livro do Everest, você achou muito legal ali, tem muitos paralelos com o que você acabou conquistando e a grande sacada do meu livro do Everest é o seguinte, eu não fui para o topo da montanha, eu fui para o campo base, eu fui até o acampamento que fica no pé da montanha, eu não fui para o topo, tem um monte de gente que vai para subir até o topo, mas para mim eu defini que a minha conquista era o campo base do Everest e eu tinha que chegar até o acampamento base, para mim aquilo era o meu momento de ganho. Quando a gente fala de olimpíada, nós estamos falando de topo, entendeu? É lá, o negócio é lá em cima e me parece que se você não dedica uma vida inteira para isso, você não chega lá e você está sentado na minha frente aqui me dizendo que você ia dedicar quatro anos para conseguir chegar até lá. Você tinha consciência do grau de dificuldade para isso? De quão difícil seria você atingir um índice capaz de te botar na olimpíada, ou deixa eu completar só essa pergunta aqui, ou essa área em que você atuava é mais fácil? Como não tinha nada, ninguém faz nada é mais fácil chegar lá? Como é que era isso?

Marcio            Não, eu tinha noção, para mim olimpíada é um negócio tão mágico assim, eu vejo na televisão, quando é época de olimpíada, a minha vida toda, eu acordo de madrugada para ver qualquer brasileiro jogar tênis de mesa, vai ter qualquer modalidade, eu sou maluco por olimpíada e principalmente nessa época, então acompanho, gosto, leio jornal de esportes, sempre que eu posso, então é algo tão grandioso que era um sonho que eu acho que estava adormecido, mas estava lá ainda e que eu enxerguei, talvez eu falei esse negócio da minha mãe que puta, veio um estalo, vai, tenta. E para tentar eu tinha que sair demais da zona de conforto, para mim com algumas lições de tudo isso, sair da zona de conforto, acordar mais cedo e malhar e treinar e se dedicar e eu falei são quatro anos, o Renato falava muito, se você mirar as estrelas, pode acertar a nuvem, então podia não ir para a olimpíada, a chance de eu não ir era muito maior do que a chance de ir, mas se der desse errado essa, eu ia ser um ótimo cavaleiro amador em vez de um mediano cavaleiro amador, ou ia ter oportunidade de competir outras provas preparatórias que foram realmente experiências bem bacanas, então foi bem puxado, eu tive que…

Luciano          Isso é legal, quer dizer, você botou na tua cabeça que se desse errado você saia ganhando, ainda que desse errado, você saia ganhando.

Marcio            … então o lado ruim, claro, poxa, com a família, minha esposa acho que não ficou muito feliz muitos momentos disso, finais de semana que você realmente vai treinar e você abre mão de algumas coisas, mas eu realmente, no fundo, eu acreditava,  sabia que  a chance era pequena, mas acreditava e talvez não para 2016, de repente para 2020, mas o foco todo para 2016. Olimpíada é o maior evento do planeta, o maior evento do ser humano em todo o mundo é a olimpíada e para quem gosta de esporte é um significado muito especial.

Luciano          Como é que você começa esse teu plano, você falou o seguinte olha, era uma categoria que o Brasil não tem tradição nenhuma nela.

Marcio            Então, o Brasil é muito bom no salto, já trouxe medalhas olímpicas, Dôda, Rodrigo Pessoa e outros grandes cavaleiros. No adestramento o Brasil não tem tradição e está devagarinho começando e o CCE o Brasil participava, era sempre o último lugar nas olimpíadas praticamente, em várias, mas estava ali, mas sempre totalmente coadjuvante e eu comecei…

Luciano          Só um time aqui. Perspectiva de medalha, em algum momento isso veio na tua cabeça, ou o seguinte não, a minha meta é participar de uma olimpíada, não é ganhar uma medalha numa olimpíada. Você trabalhou isso na cabeça?

Marcio            … eu trabalhei isso e realmente são coisas diferentes, você por uma meta de participar e uma meta de ganhar medalha é diferente. Individualmente eu nunca acreditei, não era minha meta uma medalha individual, mas a gente fez um time, começou nesse meio do processo e tudo, a gente acreditou que o time  poderia ganhar uma medalha e eu achava  que eu  poderia ajudar esse time a ganhar uma medalha e isso deu uma motivação a mais, mas realmente é diferente a meta da medalha é algo, eu acho que só tem uma coisa a mais do que ser um atleta olímpico, é ser um medalhista olímpico.

Luciano          Que é o topo do Everest.

Marcio            Aí é o cume dos cumes. Mas é sensacional.

Luciano          E aí, como é que é o processo anda, você comentou que você vai experimentar pela primeira vez, deixa eu ver como é que funciona esse negócio aqui e aí? Entrou num mundo que não tinha nada a ver com o teu, tem teoria envolvida nisso? Você foi ler alguma coisa para aprender? Como é que é?

Marcio            Como eu falei, eu tentei extrair tudo o que eu li de todos esses caras, só que eu falei vou por em mim essa… Sai da zona de conforto. Uma outra coisa: eu tinha duas horas por dia para treinar, enquanto todos os atletas ali, que estão tendo objetivo olímpico é de 6 a 8 horas por dia, então já partia muito atrás de todo mundo e daí eu desenvolvi o negócio que a gente chama de prática disciplinada. Tem gente que faz a mesma coisa todo o dia nas empresas e tudo mais e você não melhora, o que você faz? Eu digito isso, eu rodo uma máquina assim, eu escrevo assado e não melhora, eu saí não eu tenho duas horas para melhorar e para melhorar é uma  prática disciplinada, então tem um instrutor de olhando, me filmava, sabia o que eu tinha que melhorar, anotava, então eu tinha, em duas horas, eu tenho certeza que eu rendia muito mais do que quem estava oito horas. Não é o tempo que você está fazendo, mas o quanto você está fazendo focado em melhorar, então eu tinha duas horas por quatro anos, isso aí dá mais de duas mil horas de prática disciplinada. À noite, enquanto minha esposa via novela, eu ficava vendo vídeos de adestramento para entender, ficava vendo cursos online de adestramento ou tentava essa parte teórica, conhecer, que eu não sabia nem a regra, então essa parte da prática disciplinada, gestão do tempo, eu tive que fazer demais, conciliar tudo isso e essa mente, que vai demais esse trabalho que eu sou agradecido ao Renato Cobra, que é o filho do Nuno Cobra, essa parte da mente de campeão, isso é algo que me transformou e que eu fui colocando em prática. A primeira coisa da mente do campeão é você acreditar, se você não se vê lá, não acreditar que você pode isso, você não vai então, primeiro passo é você se ver lá e depois tem várias técnicas que a gente foi desenvolvendo, então eu acho que eu fui colocando em prática e fui aprendendo e fui melhorando e sentindo essa evolução no dia a dia e apesar de ser uma modalidade bem diferente, eu aproveitei um pouco essa experiência que eu tive da outra modalidade, por exemplo, teve um livro que eu li do Sam Walton, que criou o Walmart, ele só foi ter sucesso com o Walmart aos 40 anos, ele quebrou não sei quantos mercadinhos, ele fez. Não é que ele deu errado, na verdade tudo aquilo lá serviu de lição para depois ele criar o Walmart com o sucesso que foi, o Roberto Marinho com 60 anos criar a Globo, então eu acho que tudo que eu fiz, que eu dei errado, que eu fui mal, que não sei o quê, foi que de uma maneira indireta me dando um pouquinho de bagagem para eu fazer  certo depois com 34, 35 anos.

Luciano          Você vê que coisa, como a vida da gente é um negócio interessante, eu fiz um programa há um tempo no Café Brasil chamado “Serendipidade” que ele fala dessa palavra que existe em inglês, em português ela é muito pouco usada que ela fala dessa coisa, você está buscando uma coisa, encontra outra fantástica que não era exatamente aquilo que você estava buscando, mas que estava dentro do teu escopo e tudo mais. Eu estou lançando essa semana aqui agora o conteúdo de junho do Café Brasil Premium e o livro, cuja sinopse eu estou lançando, é o livro “Mindset”, que foi lançado há algum tempo e que fala exatamente do que você está falando para mim, o mindset fixo, o mindset flexível e essa coisa de você tratar essas derrotas todas como aprendizado, eu tenho, não precisa nem ser necessariamente derrota, mas eu entro numa empresa para trabalhar na função mais simples da empresa, eu sou o zé mané, eu estou lá embaixo, tem gente que olha aquilo como uma situação humilhante, quer sair daquilo a qualquer momento e tem gente que olha aquilo e fala, é aqui que eu vou pegar as manhas e cada  vez que eu subir um degrau, eu vou pegando as manhas até o dia que quando eu chegar a ser o CEO da empresa, tudo aquilo que eu aprendi lá embaixo é o que vai me embasar aqui para conhecer a empresa até o final. Acho que isso faz parte da mente do campeão, quer dizer, usar a cada derrota que eu fizer é uma lição de que alguma coisa que eu fiz de errado é alguma coisa que eu uso para aprender.

Marcio            Essa parte do mindset, eu fui agora lendo, estou lendo esse livro agora por coincidência, mas eu descobri que é o que eu desenvolvi nesse período, esse trabalho do Renato Cobra, ele faz a gente desenvolver aptidões físicas e equilíbrio e coisa que você vai melhorando, que você não acreditava. Então para mim eu era aquilo e está bom, só que você começa… você nunca fez flexão, você não faz flexão,  a primeira vez vai fazer três, quatro, meia dúzia e não vai aguentar mais, depois você vai repetir,  você vai conseguir fazer um pouco mais, vai repetir vai fazer um pouco mais, de repente você está fazendo vinte, você está fazendo trinta, você fala pô, posso melhorar e isso em qualquer coisa na nossa vida, então eu coloquei isso muito para mim, falei poxa, se eu posso melhorar e chegar nesse nível olímpico, o que eu preciso? E fui tentando ter esse conhecimento e aprendendo, mas eu não tinha esse mindset flexível, eu acho que eu fui aprender ele, então isso que eu achei bacana e que de repente eu vou poder passar um pouquinho dessa experiência para os outros.

Luciano          Eu imagino que esse teu treinamento, essa tua preparação e tudo, você participou de vários campeonatos, várias competições e tudo mais. Teve um momento em que deu estalo que você falou acho que vai dar? Acho que eu vou conseguir?

Marcio            Não foi fácil, primeiro eu tentei levar meus cavalos do salto para o CCE, menos seis meses, mancaram, não aguentaram, eu não tinha mais nem cavalo, então além de sair da minha zona de conforto, também meus amigos falavam você vai lá todo dia, eu não ia nem competir, não via mais, isso realmente num primeiro momento foi muito pior do que eu imaginava, mas devagarinho essa persistência eu acho que a mente do campeão, essa persistência, resiliência, ela é fundamental.

Luciano          Quer dizer que cavalo é que nem bike é? Tem bike para cross, bike para competição, cavalo é igual, você tem que achar o cavalo…

Márcio            O cavalo, são mundos totalmente diferente, o cavalo de três tambores é totalmente diferente do cavalo de adestramento, que é diferente do cavalo de salto que é diferente do cavalo de CCE, que é diferente de trocada do enduro, então cada modalidade tem sua característica do cavalo, tem então, por exemplo, cavalo de corrida é diferente do cavalo de CCE, resumidamente ele é uma mistura de cavalo de corrida com cavalo de salto, porque ele tem que ter a velocidade e a resistência com essa aptidão de salto.

Luciano          E você tem que achar o cavalo e falar é com esse que eu vou até o fim? Não é que vou treinar nesse cavalo para depois pegar o outro?

Marcio            E o que eu acho, além disso, você pode ser o melhor cavaleiro do mundo, se você não tiver um cavalo e achar um cavalo desse, é praticamente achar um jogador de futebol, ou você vai gastar muito dinheiro, que não era o meu caso ou você tenta achar em cavalos jovens, promissores, um que podem chegar na olimpíada, mas eu posso falar, de cada dez mil cavalos que nascem, se um chegar na olimpíada é muito, então tive que garimpar esses cavalos, procurar, lembro que cheguei a experimentar cinquenta cavalos para escolher um e esse um não passou no exame veterinário, um negócio bem difícil, então isso faz parte do processo, você achar ele, claro que você pode ter, eu cheguei no final, consegui ter dois cavalos com índice para ir para a olimpíada, mas é muito difícil.

Luciano          E aí? Me conta de novo, aquele momento que  deu o  estalo, acho que vai dar.

Marcio            Então o que eu fiz? Eu fiz a meta de frente para trás na verdade, eu vi o que eu precisava estar daqui a quatro anos, em julho de 2016, o nível que eu precisava estar, e eu fiz isso, então vou competir entre os principiantes por seis meses, eu vou subir de nível e eu fui colocando objetivos, claro que se um deles eu não conseguisse já não dava mais tempo e eu fui conseguindo e por a olimpíada ser no Brasil teve um investimento grande do comitê olímpico, da confederação e a gente contratou, o Brasil contratou o melhor técnico do mundo, o Pelé do hipismo, Mark Todd que foi o técnico do Brasil no CCE…

Luciano          De onde esse cara é?

Marcio            … ele é da Nova Zelândia, mora há muitos anos na Inglaterra e é o maior cavaleiro, foi considerado pela federação internacional o atleta do século XX, o cavaleiro do século XX entre todas as modalidades, ele é o Pelé literalmente, o Federer, o Michael Jordan, ele é a mesma proporção para o hipismo e ele fez, a confederação fez um trabalho legal, ele vinha para o Brasil umas quatro vezes por ano, dava clínicas, treinava e eu estava começando a participar dessas clínicas e tinha dez, eles convocavam a cada três meses, dez cavaleiros que iam se preparar para a olimpíada e isso era móvel, o cara estava  indo mal ou o cavalo machucava, ele saia e entrava outro.

Luciano          Quantos iam chegar lá?

Marcio            Quatro

Luciano          Quatro

Marcio            Então, mas tinha uma long list ali de dez e o pessoal da fila de  espera, da reserva e eu em 2014 eu fui no segundo semestre de 2014, convocado para entrar nesses dez, que foi o primeiro grande salto, poxa o cara está me olhando ele conhece esse tanto, daí realmente que eu vi que meu histórico…

Luciano          Como é que essa notícia chega para você?

Marcio            … realmente foi uma convocação oficial…

Luciano          Mas tipo assim, você está, de repente do nada pinta um telefonema, chega uma carta…

Marcio            … foi um e-mail, um e-mail da confederação, convocação dos dez atletas…

Luciano          Você sabia que viria esse e-mail?

Márcio            … sabia então vinha a cada X meses, acho que era a cada três meses eles renovavam a lista e no dia que eu vi esse e-mail meu nome estava no meio,  nossa foi uma alegria enorme, mas eu sabia que eu era o décimo ali, então ainda tinha que melhorar muito, mas dizia que eu já estava entre os dez mais cotados, mas para ser um dos quatro primeiros era outra história. E eu segui melhorando, em 2015 que eu acho que foi a minha grande virada mesmo, daí eu realmente entrei para valer e..

Luciano          O que significa entrar para valer?

Marcio            … eu acho que eu era coadjuvante, que não  tinha ainda resultados tão expressivos, em 2015 acho que foi… teve dois eventos, foram incríveis e que eu fui vice campeão brasileiro, profissional entre todos os profissionais. Juntamente teve o evento teste no Rio de Janeiro para a Olimpíada, que foi uma mini olimpíada ali que foi um negócio super bacana, glamuroso, o mundo inteiro olhando e eu fiquei em segundo lugar também nessa competição eu acho que ali eu, puta… poxa eu tenho chance mesmo. Mas eu ainda me vi ali tanto que teve o pan-americano, eu não fui convocado para o pan-americano em 2015, tinha uma certa esperança mas não fui, mas eu me vi ali já em sétimo, sexto, talvez dos dez que estavam, isso claro que subjetivo e tive bastante resultado e acho que outro grande sonho que aconteceu foi quando terminou a temporada de 2015 e eu consegui ficar entre os cem do ranking mundial, terminei o ano em octogésimo oitavo do ranking mundial, acho que os grandes esportistas têm alguns sonhos na vida, um deles é ficar entre os 100 do ranking mundial.

Luciano          Quer dizer, o cara que três anos antes era um amador sem nenhum tipo de expectativa, está entre os cem do mundo em três anos? Mas dá para fazer isso em três anos? Sem enlouquecer?

Marcio            Difícil. Às vezes essa ficha não cai muito ainda.

Luciano          Porque quando você dá essa perspectiva muda um pouco a história, que quando você está dizendo para mim pô, fiquei entre os melhores do Brasil e tudo sabendo que era uma categoria que no Brasil não é muito disputada, que nem todo mundo tem, você estava lá no metier, você conhecia os caras, tinha o cavalo lá, “tá” bom, chegamos ali entre os melhores do Brasil e tudo mais, agora, quando você bota que é centésimo do mundo, você está disputando com os caras que estão treinando isso a vida inteira.

Marcio            E o CCE no mundo é uma modalidade muito forte, nos EUA ele tem mais federados do que o próprio… do que o salto, é um esporte muito grande, tem uma competição na Inglaterra que é o segundo evento esportivo com maior público pagante no mundo, só perde para as 500 milhas de Indianápolis, ano passado deu 400 mil pagantes para assistir, passa na televisão ao vivo uma prova de hipismo de CCE, na Inglaterra, então essa cultura no mundo é muito forte, tem países, Alemanha, Austrália, Nova Zelândia, Inglaterra, França, EUA, Canadá, é uma cultura gigantesca, o Brasil, infelizmente, não tem essa cultura, essa estrutura, mas lá fora,  então, essa realização do octogésimo oitavo do mundo foi incrível, quem joga tênis ou acompanha tênis, um tenista que chegou a ser um 100 do mundo é incrível.

Luciano          E aí? Chegamos às vésperas da convocação, está chegando a convocação, eu imagino que é o seguinte, quando você conseguiu esse número do oitenta e oito você estava em 2015, faltava quanto para a convocação?

Márcio            Então acabou a temporada 2015. Então o recomeço da temporada ali em fevereiro/março, então faltavam quatro meses para a Olimpíada, mas quatro, cinco meses de competição para a olimpíada, quando saiu o oitenta e oito do mundo ainda era em torno de seis meses.

Luciano          Você tinha se licenciado da empresa, alguma coisa assim ou não? Você estava naquela história das duas horas por dia?

Marcio            Duas horas por dia, eu realmente me licenciei faltando em torno de dois meses para a olimpíada, que daí realmente eu desliguei tudo, ainda tinha viagens, mas trabalhar por Skype, e-mail, WhatsApp, eu estava totalmente ligado ao que eu acabei desenvolvendo de estar conectado nas duas coisas e daí eu começo 16, estava caminhando bem, eu era o único brasileiro que tinha dois cavalos com índice, consegui o índice olímpico no final de 2015, que já é super difícil e daí eu, em uma semana praticamente, tinha acabado, os cavalos iam viajar, todos os cavalos que tinham chance da olimpíada, a gente ia viajar para treinar nos EUA e na Inglaterra, na véspera de viajar um dos meus cavalos tinha uma doença que não passava na barreira para entrar nos EUA e não pôde viajar e ficou para trás e praticamente já era com ele, o outro cavalo chegou nos EUA, nos primeiros dias de treino ele machucou, o veterinário olhou e  falou ó, seis meses pelo menos para esse cavalo se recuperar, foi a pior semana da minha vida, eu acho.

Luciano          Você já tinha sido convocado para a olimpíada?

Marcio            Não, ainda estava aqueles dez, os dez lá que tinham…

Luciano          Você estava entre os dez e aí você perde os dois cavalos. E aí? O que faz?

Marcio            … aí realmente eu chorei demais, eu poxa, então tem esse lado, acho que qualquer esporte, da lesão e de outros problemas que podem acontecer e eu em uma semana perdi praticamente os dois cavalos e foi aí que entrou um extra nisso tudo, que eu não acreditava até lá, que é essa parte mais espiritual, então me aconselhei, uma pessoa me aconselhou bastante e…

Luciano          Espera, isso não vai passar batido de jeito nenhum, vamos lá, você vai me dizer que foi a reza que fez você curar o cavalo, que história é essa? Me explica um pouco melhor essa história porque isso tem um componente aí que faz parte desse jogo, que é aquele imponderável, mas você está dizendo para mim que você foi conscientemente buscar esse tipo de apoio. Como é que é?

Marcio            Minha esposa já tinha esse conselheiro, conselheiro espiritual…

Luciano          O que é? Um padre, um pastor?

Marcio            … não, é um ex cara de uma igreja messiânica, ele realmente virou um coach espiritual ali, mas não é… você pode ser de qualquer religião e ele dá esse coach espiritual até para esportista, para empresário também, ele fala poxa, se você fizer as coisas tendo a vontade de Deus, fazendo o bem para os outros, então o que ele falou muito para mim? Qual o seu objetivo? Se for ir para a olimpíada, você não vai para olimpíada. Se for fazer seus cavalos felizes, se for tentar trazer coisa boa para as outras pessoas, sua chance aumenta demais, então ele foi levando para esse lado que eu não tinha…

Luciano          Ele ajudou você a refinar o propósito, é isso? Você tinha o teu propósito.

Marcio            … o propósito, exatamente.

Luciano          Você tem alguma religião, você seguia alguma coisa?

Marcio            Eu sou protestante, mas nunca frequentei igreja nem nada, minha esposa é católica, acabei virando mais esse lado católico, mas não tinha nada e falei, não tinha mais nada a perder, então é agradecer, essa parte de gratidão, então minha cela eu coloco “amor e gratidão” e carinho, cuidado com o cavalo, vai lá e vê o bem estar dele e ele falou muito, qual é o seu propósito? Se o propósito for para o seu ego, ah eu vou porque quero…

Luciano          Eu vou mostrar que eu sou o fodão. Eu sou o fodão.

Marcio            … eu sou o fodão, eu vou para a olimpíada. Mas você vai para quê? E daí ficou esse propósito, puta de tentar primeiro fazer o bem dos meus cavalos e depois uma coisa que eu trouxesse alegria para outras pessoas, ou ensinamento para outras pessoas e talvez essa ideia do livro, de escrever tudo isso, pô não pode ficar para mim só essa lição e talvez… se for já um espelho para os meus filhos, já valeu a pena. E eu continuei, não desisti, normalmente todo mundo desistiria desse cavalo que ficou no Brasil, fiz tratamento com três veterinários diferentes, não tem jeito, não melhora, o tratamento é pesado…

Luciano          O que ficou doente, o que tinha a doença?

Marcio            Um ficou doente, é uma doença de carrapato que não tem problema nenhum, um monte de cavalo no Brasil tem, mas é uma barreira que não entra nos EUA e você faz o tratamento que você gostaria, diminuir o índice para ele entrar e esse cavalo, exatamente na última semana possível que ainda daria tempo de ele viajar, na última, passou  isso daquele dia da viagem inicial, cerca de três meses e esse cavalo conseguiu embarcar no último, nos 48 do segundo tempo e o cavalo que estava na, que já tinha viajado teve essa lesão, começou a recuperar com menos de três meses o que os veterinários falavam que era de seis meses até um ano e eu sei que eu cheguei na prova final ali, no finalzinho e com os dois cavalos podendo competir de novo.

Luciano          Deixa eu pensar uma coisa aqui, quero explorar mais isso com você porque é fascinante essa história toda aí. Puta problema ás vésperas do negócio e você é um cavalo doente e um cavalo machucado, não é que seu tiver dinheiro eu consertoa o cavalo, não, não adianta, o cavalo está com uma lesão, a lesão vai levar o tempo que ela tiver e a gente nunca sabe o que pode acontecer ali, quer dizer, não era questão de se eu arrumar dinheiro eu resolvo o problema. Não era uma questão de é só trocar o cavalo. Você estava com um problema ali que tinha uma indefinição, estava totalmente fora do teu alcance e o que é que você fez ali, você foi buscar um alívio espiritual, quer dizer, é aquela história do eu vou pensar na minha mente para que o meu cavalo se cure, isso é muito louco não é, eu não vou curar meu cavalo porque eu estou pensando bem aqui e tem gente que diz que vai, que funciona e eu já ouvi até gente falando de física quântica para explicar como é que essa coisa funciona e no teu caso acabou que deu certo e pelo que você fala, você coloca isso dentro de uma perspectiva de cara, o fato de eu ter ido buscar essa ajuda espiritual ajudou que essas coisas acontecessem, embora eu seja um cara que não acreditasse nunca nisso.

Marcio            Eu acho que quem já teve alguém doente na família sabe um pouco o que é isso, acho que a gente daí vira realmente religioso e pede qualquer ajuda e claro que eu tentei procurar os veterinários que pudessem me ajudar, tentei fazer as terapias que eu pudesse fazer e não desisti, realmente acho que o normal seria desistir, então fui tentando fazer os tratamentos que podiam e dentro dessa minha cabeça, se eu sou merecedor, se eu chegar num objetivo desse, eles vão melhorar e foi um princípio que eu comecei a usar para mim, eu tatuei no meu braço, não tinha uma tatuagem, tatuei “amor e gratidão” no meu braço e hoje essa parte da gratidão eu levo muito e esse pensamento de se o seu propósito é, mesmo na empresa, o meu propósito é ganhar lucro, isso claro, qualquer empresa precisa disso, mas se eu tenho meus consumidores felizes, satisfeitos, que consomem um bom produto, um lanche melhor, uma estadia melhor num hotel, esse é o propósito da nossa empresa e daí fica muito mais forte do que ah eu  quero vender sachê e quero lucrar tanto, então essa parte do propósito faz muita diferença, eu acho.

Luciano          Muito bem, cavalos de volta, você estava aonde? Estava na Europa?

Márcio            Na Inglaterra.

Luciano          Está na Inglaterra e lá vai acontecer a seleção que vai tirar os quatro, não é? Como é que era isso? Era uma prova, uma grande prova?

Marcio            Foi uma grande prova, era uma prova com os 40 melhores do mundo e que o Brasil conseguiu colocar os cavaleiros por convite, a gente conseguiu colocar lá…

Luciano          Quantos cavaleiros?

Marcio            … entraram, nessa época estavam entre seis, na verdade entre cinco, na verdade já tinha seis mas estava afunilando, eu já sentia que eu estava entre os seis naquela época e teve essa grande prova e eu fui bem, fui médio no primeiro dia do adestramento, fui muito bem no salto e quando eu fui no cross country eu falei agora se eu zerar eu estou dentro, eu vou lá e eu caio do cavalo na última seletiva, a última chance, falei nossa, caí do meu primeiro cavalo, que é esse que está lá doente no Brasil e eu falo poxa, eu tenho que pelo menos mostrar que foi um acidente de percurso, acontece, acho que os melhores pilotos têm um dia ruim e com meu outro cavalo eu fui bem e daí a convocação ia  ser no dia seguinte, isso era dia 10 de julho… então, na véspera da olimpíada, faltando vinte dias para os cavalos viajarem para o Brasil e o técnico chamou todo mundo para convocar, eu achava, primeiro ele fez os exames nos cavalos e apesar do meu cavalo que machucado ter melhorado muito, ele achou que o Cal não estava 100%, então ele descartou esse cavalo que eu tinha ido bem na prova, só me sobrou o outro que eu tinha caído e na hora de convocar ele convocou três e falou a última vaga eu não sei ainda, estou na dúvida…

Luciano          Puta que sofrimento.

Marcio            … ele falou a data limite é dia 18 e eu vou esperar a data limite, eu quero ver mais um treino seu e tinha o outro cavaleiro competindo comigo, vou ver os treinos, que ele não tinha ido bem na parte de salto e eu tinha caído no cross, eu quero ver o arcio treinando no cross, ele treinando no salto, vocês vão fazer um treinamento intensivo de adestramento, eu vou ver vocês fazerem uma reprise de adestramento da olimpíada e vou convocar no domingo que vem. Essa foi a semana mais punk de pressão de todas e realmente fizemos esse treino, eu fui bem no treino de cross, eu acho que o outro foi bem no treino de salto, fizemos esse intensivo de adestramento e chegou o grande dia. Para você dormir essa semana… uma vida ali decidindo no último treino e isso tudo é trabalho mental, é gigante. E eu fiz esse treino, fui bem, não vi como foi o outro, foi uma simulação de uma prova mesmo, com o técnico avaliando. Acabou o treino ele chama a gente lá, agora eu preciso decidir, Marcio você está convocado e o outro vai ser o reserva, falei nossa, eu chorava e chorava e liguei, era quatro horas da manhã no Brasil para minha esposa, minha família, fiquei maluco.

Luciano          Consegui. Estou na olimpíada. E aí? Aí voltou para o Brasil faltava um mês, não deu muito tempo…

Marcio            Não, faltavam doze dias para os cavalos virem para o Brasil, era menos de duas semanas, faltava duas semanas para começar a olimpíada e quando tive essa notícia, daí realmente foi um alívio gigante.

Luciano          Como é que é essa última fase da preparação, depois volta para o Brasil, os cavalos vêm para cá, aí os cavalos entram numa quarentena, alguma coisa assim que não pode mexer mais, o que é?

Marcio            Tinha duas estratégias, um, tentar vir antes e aclimatar os cavalos no Brasil e tudo, mas que não foi essa estratégia. A outra estratégia era competir na Inglaterra com os melhores para tentar elevar o nível, estar do lado do técnico e chegava na véspera, os cavalos chegaram faltando cinco dias  para começar a olimpíada, então não tinha, vem de avião, só que é um treino muito puxado, maior chance de lesão ainda são às vésperas dessas grandes competições, você faz os treinos mais fortes, mais puxados e tinha ainda esse receio de que pudesse acontecer alguma coisa, graças a Deus não  aconteceu e os cavalos vêm de avião e eu realmente acreditei que  eu estava quando o cavalo chegou e eu pisei na vila olímpica.

Luciano          Isso era a pergunta que eu ia fazer agora, agora eu quero recriar esse momento. Eu tinha essa dúvida se era na vila olímpica, se era lá que você ficava, quer dizer era lá, você ficou na vila olímpica, hospedado com os caras lá, a turma toda. Como é que é isso? Como é que é, de repente aquela coisa que você admirou a vida inteira, que você sempre sonhou e de repente você está cruzando o portão dentro da vila olímpica não como um visitante, mas como um competidor de olimpíada, como é que foi esse momento?

Marcio            Eu falo que eu vivi duas olimpíadas, a primeira é esse lado de cá, estou pisando na vila olímpica, estou recebendo o uniforme, o crachá, a credencial, entrar é um negócio de sonho, não pode entrar a imprensa não podia entrar lá, eram 10 mil atletas do mundo inteiro, só os 10 mil atletas, técnicos… Então é algo realmente exclusivo pensar no mundo, 400 brasileiros e foi muito especial, então eu curti cada segundo lá dentro. Eu fiz uma postagem nas redes sociais quando eu realmente entrei, uma mensagem bem bacana, até hoje minha postagem mais curtida, mais realmente foi um momento especial e só agradecer todo mundo que me ajudou, você não chega lá sozinho, isso é algo bem bacana  de falar, bastante gente me ajudou. E a outra coisa é o lado da sua competição, então teve esse lado de viver a olimpíada e o lado de você estar ali na sua competição que foi sensacional também.

Luciano          Bom, daqui para a frente é detalhe, porque para mim você chegou lá, cheguei, o objetivo era estar na olimpíada e você foi e fez, então você conquistou o teu Everest, estava feito lá. Se saísse de lá com bom resultado, isso seria lucro, porque para mim já estava resolvido lá, mas aí você de repente entrou para competir com os melhores caras do mundo, vocês foram bem? A equipe brasileira foi bem?

Márcio            Então foi, outra coisa foi interessante, os outros três que estavam na equipe eram bem experientes, os outros já tinham experiência olímpica,  eu era o único estreante…

Luciano          Teve alguém que ficou de fora? O Dôda?

Marcio            O Rodrigo Pessoa ele…

Luciano          Foi uma surpresa ele ter ficado de fora?

Marcio            Ele não foi convocado, na verdade, no salto, então você pensar que o Rodrigo Pessoa não foi para a olimpíada e eu fui, o Cielo, maior nadador não classificou para a olimpíada e eu estou aqui? É algo incrível e eu era o…eu não tinha ainda toda essa  experiência para… mas eu estava confiante e o técnico decide a ordem de entrada, qual é o primeiro, então ele me usou um pouco quase como se fosse aquele coelho. Ó o Márcio vai ser o primeiro, se alguma coisa tem que dar errado vai dar com ele e os outros tem mais chance, porque tem um descarte na equipe e eu arrisco dizer que eu fui um dos primeiros brasileiros a entrar na olimpíada, eu competi no primeiro dia, perto das 10 horas da manhã e entrar num estádio lotado e o adestramento que era a primeira competição, tem uma característica de um silêncio absoluto, tem que ser mais silêncio que tênis, que golfe, que o cavalo realmente tem que estar super concentrado, a hora que eu entro  no estádio, o momento, a galera vai á loucura, 10 mil pessoas: Brasil!!! Os técnicos não acreditavam, punham a mão na cabeça e eu não tinha o que fazer, eu respirei fundo e falei vou curtir esse momento, meu cavalo, se eu transmitir esse nervosismo, isso tudo… e eu entrei na pista, a hora que eu entro na pista: a galera Brasil! no meio no meio do reprise, é algo, numa prova oficial de adestramento você não pode comer pipoca perto que atrapalha e acabei tendo um desempenho legal no adestramento, claro que era a minha fase ali mais fraca das três, mas foi surpreendente até meu desempenho e daí vinha o cross country que foi considerado o cross country mais difícil, pelo menos das últimas cinco olimpíadas, tem gente falando que o cross country foi o mais difícil…

Luciano          Pelo nível dos competidores?

Marcio            … pelo nível dos obstáculos e eu era no começo, fui um dos primeiros, eu tinha uma dúvida ali na prova e fiquei olhando, isso no dia seguinte e entra o número um, eliminado. Número dois caiu. Número três tomou dois refugos. O número quatro não terminava. Um negócio de maluco assim, eu parei de olhar, falei vou fazer a minha, então super difícil mesmo, poucos estavam conseguindo terminar a prova e eu acabei terminando, claro que não fiquei entre os primeiros ali, mas foi incrível e a equipe virou para o último dia, a gente em sexto lugar, ainda com chance de medalha, mas acabou que no último dia um cavaleiro brasileiro acabou caindo no salto e então por um lado minha participação foi bem importante, eu não fui  o descarte e a gente terminou em sétimo na frente de EUA, Canadá, primeiro país das Américas, grandes potências…

Luciano          Melhor colocação do Brasil na história.

Marcio            … então foi o melhor pontuação do Brasil, uma colocação super importante, claro que sem ver aquele sonho poxa, a gente chegou a acreditar na medalha e eu individualmente, de 68 ei fiquei em 38°, então pensar 38° do  mundo, é incrível.

Luciano          Que legal, que história fantástica. E aí? Chega no final da  olimpíada, termina essa loucura toda, imagino que você deve ter história que não acaba mais para contar, não dá para contar tudo aqui, mas eu queria entender como é aquele momento em que você… como é que é aquele final, eu quero saber a reação, terminou, esse terminou para você foi um “ufa, acabou” ou então não, subi um degrau, daqui para cima, como é que foi aquele…

Marcio            Teve o pós, os primeiros dias é incrível a repercussão, é incrível, homenagens e convites, é algo… até ontem, eu recebi ontem uma homenagem da confederação brasileira, foi super bacana, então você muda, você vira um atleta olímpico, então você tem um sobrenome, você tem alguma grande realização, você vira um atleta olímpico, talvez como você, o cara que foi para o Everest, então faz parte do meu… é um atleta olímpico, no Brasil, na história em 100 anos de olimpíada, foram 2 mil brasileiros que chegaram numa olimpíada em toda essa história, então isso foi muito bacana, mas teve um lado que parou, cheguei no objetivo, foi esquisito, falei e agora? O que eu faço? Acabou a olimpíada e até o Renato falou, é um pouquinho a síndrome do astronauta, o cara que sempre sonhou em voar pra o espaço, virar um astronauta, virou e a hora que ele volta ele vai fazer o quê?

Luciano          Vai contar para as pessoas. Vou contar para as pessoas o que eu fiz.

Marcio            Mas eu falo que teve algumas semanas, talvez meses que me deu um vazio um pouquinho, falei poxa, preciso acordar cedo para malhar, preciso fazer aquilo, não sei, eu fiquei meio assim sem saber o que eu ia fazer e foi aí que me lembrei da minha missão, falei poxa, não fiz essa história para mim, não foi para o meu ego, eu quero deixar alguma lição disso tudo e eu pensei em duas coisas: um, eu vou aplicar esses princípios que eu coloquei no esporte, para mim como empresário, então falei pô, se eu melhorei tudo isso no esporte,  eu posso virar um executivo, um administrador nível olímpico, quem sabe? E comecei realmente a me desenvolver, não parei, estou treinando, estou competindo, diminuí um pouquinho o ritmo disso, mas estou sonhando já com a próxima olimpíada…

Luciano          Com a próxima olimpíada.

Marcio            … mas comecei a aplicar isso na empresa, estou lendo livros de finanças e nos últimos seis meses eu posso dizer que o resultado da empresa praticamente dobrou, então um pouco desses princípios, claro meu irmão junto e outras pessoas ajudando, então é um princípio que eu estou colocando para mim e que eu falei poxa, eu quero divulgar isso e quem sabe  escrever ainda um livro e ninguém melhor que quem já fez, já chegou lá e pedi essa ajuda aí para o Luciano, você aí para me dar um pouquinho de dica.

Luciano          Que interessante, você é um exemplo acabado da porra do mindset que eu acabei de fazer o sumário e eu ficava procurando exemplo no livro, deixa eu ver, o cara esta na minha frente aqui, um cara que falou vamos falar um pouquinho disso aí que eu acho que é legal, tem uma lição interessante aí, a base desse sumário aí é a diferenciação que ela coloca, a autora, ali entre o mindset fixo e o mindset de crescimento que no meu sumário eu tirei crescimento, eu botei mindset variável, é o fixo e o flexível e na cabeça dela o mindset fixo e eu usei isso como exemplo lá. O mindset fixo é o Romário, ele não gosta de treinar, ele não quer saber de porra nenhuma, ele vai para a putaria, dia seguinte de manhã ele vai, acaba com o jogo e volta, então o que é isso? É uma Gisele Bundchen que nasce maravilhosa, lindíssima e ela falou, isso é interessante, é um dom, é um talento, mas é um baita problema porque quando você fixa a tua vida em cima do mindset fixo, isso te cria limitações gigantescas até de como se comportar no dia a dia porque, ela falou, para um cara que tem o mindset fixo, o fracasso é um problema e o esforço também é, porque se eu sou um cara que acredito que  eu sou um cara super talentoso e tenho que me esforçar para fazer alguma coisa, significa que eu não tenho tanto talento assim, então ela faz esse jogo e ela pula para um mindset flexível e diz o seguinte, o mindset flexível é aquele cara que acredita que é o esforço que faz ele chegar lá, então se um tem um dom que Deus lhe deu, nasci linda, maravilhosa e virei modelo,  porque nasci linda e maravilhosa, a outra diz o seguinte  não, eu posso me tornar modelo sem ser linda maravilhosa, se eu me esforçar em  X, Y, Z. Ela faz uma diferenciação muito grande, ela coloca de forma clara lá que a grande mudança que nós precisamos fazer é sair do fixo e ir para o variável e ela coloca isso em termos de liderança na empresa, é muito legal, tem uns insights ali que são maravilhosos, até do tipo de elogio que você deve fazer para o teu filho, como elogiar seu filho sem ser no fixo e sendo no variável e você coloca isso de uma forma muito clara, quer dizer, você tinha uma familiaridade com o esporte que você estava praticando, desde criança você fazia, etc e tal, mas você nunca foi o gênio, você não era o gênio, não era o centauro, não nasceu centauro não e você foi exatamente para esse outro lado em que eu vou me esforçar a ponto de procurar, não vou para uma academia, mas eu vou procurar um cara que quando você fala  do Cobra, do Renato Cobra, o que é esse cara? Esse cara é um coach de condicionamento físico e mental no nível de o pai dele trabalhar com o Ayrton Senna, que te coloca numa outra perspectiva, esse cara não te passa um treino físico na academia, esse cara te questiona uma porrada de coisas para botar na tua cabeça de que acho que dá para ir um pouco além e num determinado momento quando tudo passa, dá errado, você vai buscar um coach de outro jeito que é na área espiritual, quer dizer, isso abre um universo de opções para que está muito além dos cursinhos que a gente faz de treinamento da empresa, é muito além disso, eu acho que para atingir isso tem que realmente ter a mentalidade de campeão.

Marcio            Essa parte, coincidência, eu comecei a ler esse livro e eu acho que ele explica muito desse processo, é um livro incrível e é onde as pessoas se dividem nisso, eu sou assim, moralmente a gente cresce, estuda, alguns fazem faculdade, começa a trabalhar e se manter e para, ganha um pouquinho de experiência, mas o mindset flexível é não, posso melhorar, posso crescer, posso aprender e é o que, talvez isso, a grande explicação dos livros todos que eu li dos grandes atletas e tudo, alguns nascem mais talentosos, mas o Romário, ele é exceção, que o cara realmente é um gênio, mas a maioria…

Luciano          Se não se aplicar…

Marcio            … se não se aplicar, você tem o Adriano que talvez fosse tão bom quanto o Romário…

Luciano          Eu tinha um exemplo bom que eu acabei não usando lá porque eu falei a molecada nova não vai nem lembrar, o exemplo que eu botava eu botava Romário e Zico. Romário e Zico. O Zico, um talento gigantesco, mas o Zico era um molequinho mirradinho, era nada, o Zico era um cocozinho e ele faz um trabalho físico, eu me lembro, eu queria achar essa foto, me lembro perfeitamente, uma revista antiga, acho que uma Manchete, super antiga que mostra o Zico no início de carreira, as duas fotos, ele começando e ele do lado depois do trabalho físico que ele fez, o bicho ficou forte, coxa grossa, aumentou essa capacidade física dele e aí aquele talento daquele menino franzino virou… que é o que eu acho que vai acontecer com o Romário… com o Neymar, o Neymar sai com aquelas canelinhas finas para virar um monstro lá na frente, quer dizer, mesmo tendo um talento, se ele não se aplicar para desenvolver aquilo ele não chega no nível de ser o melhor do mundo.

Marcio            Fala muito disso no livro do Bernardinho, ele fala o esforço, ele sempre ressalta que o esforço é mais importante que o talento, mas se a pessoa tem o talento e o esforço, vira o fenômeno, então acho que o Neymar acho que é uma cara que é assim, tinha tudo para se acomodar e ele está evoluindo, dedicado, Pelé, sem dúvida, o Oscar é um cara que não tinha todo esse talento e desenvolveu, o Senna eu acho que tinha o talento e desenvolveu, então, mas eu acho que resumidamente só o talento é certeza que não resolve para grande a maioria.

Luciano          A menos que seja o talento que é inexplicável, aquela coisa inexplicável.

Marcio            Mas mesmo isso daí, entra um outro livro, os outliers, mesmo esses caras no começo, eles não eram tudo isso.

Luciano          Malcom Gladwel.

Márcio            Agora o autor eu não estou… fala das 10 mil horas de treinamento, ele fala para atingir altíssima performance exige pelo menos 10 mil horas, talvez eu tive um pouco das 10 mil horas enquanto eu estava lá caindo, indo mal no hipismo, mas ele fala, os Beatles quando começaram não eram tudo isso, o Bill Gates não manjava tanto, então esses caras todos foram se desenvolvendo.

Luciano          O exemplo que ela dá no livro, é interessante, que ela usa o exemplo do Thomas Alva Edson que é considerado um dos maiores inventores da história e ela fala pô, ele era um moleque igual aos outros moleques, só que quando chegou numa época da juventude, quando a molecada ia se dedicar a coisas de jovens, ele estava viajando pelas cidadezinhas do interior aprendendo sobre telégrafo e o moleque foi e se entregou tanto a isso que ele acabou virando o demônio em cima dessas coisas por essa dedicação, Malcom Gladwel, Outliers, exatamente, Fora de Série é o nome do livro.

Marcio            É outro livro que eu já tinha lido também, então eu coloquei na prática, eu acho que eu acreditei nisso… falou muito o livro do Bernardinho, quando ele ganhou a primeira olimpíada, o mundial, e agora? Agora vamos acordar uma hora mais cedo e começar a treinar uma hora mais cedo que os outros não vão chegar na gente, então é suor mesmo.

Luciano          Era uma discussão que eu tive, eu fiz uma palestra do Everest para a seleção brasileira de futebol, conheci lá o… isso foi na copa de 2004, em 2006, desculpe, mas eu fiz a palestra em 2004 e ali estava me assistindo o Ronaldo fenômeno no auge, Zagalo, Parreira e tudo mais e eu olhando aquilo e depois eu pensei, como é que você motiva um sujeito que ganha 150 milhões de dólares por ano, que  é o bola de ouro, é o melhor do mundo,  entra em campo, arrebenta e você fala, vai começar uma nova competição, você tem que motivar de novo um cara nesse nível, que deve ser mais ou menos como  entrar numa olimpíada e você pegar pela frente um medalhista que já ganhou 4, 5, 6 medalhas e falar vamos começar de novo? Vamos outra vez provar para o mundo que você é bom, que você é o melhor de todos?

Marcio            Um exemplo que você acabou de comentar, o Rodrigo Pessoa, ele é um gênio do cavalo, ganhou olimpíada, medalha de ouro, ganhou três campeonatos mundiais, ganhou três copas do mundo, campeonato mundial, pan-americano, o cara é um gênio e acho que uma hora ele perdeu um pouquinho essa motivação, já natural desses super grandes atletas e o resultado, não classificou para essa olimpíada, por mais talentoso, claro que tem um lado de cavalo também, como a gente comentou, ele não estava com bons cavalos naquele momento, mas é… esses gênios ainda se manter com essa motivação…

Luciano          Isso está no livro, ela fala, chegar lá é uma coisa, ela dá exemplo do Mike Tison, fala esses caras chegam no topo  não se mantêm lá e uma coisa importante que está no livro ali também, tem um professor que diz o seguinte:  toda vez que você vê um atleta que ganha, ganha, ganha, ganha, um time, que ganha, ganha, ganha, bota na tua cabeça, o que faz  esses caras ganharem desse jeito é o caráter deles, não é o talento, o talento levou eles até lá, agora o que mantém os caras lá em cima é o  caráter, mas ai você fala pô, mas como assim, ele explica, fala olha, é muito fácil, se você olhar para o Mike Tison e ver como ele caiu, dá vários exemplos, Lance Armstrong e tudo mais, você fala ah caiu porque tinha problemas pessoais, sim, mas você acha que os outros que ficaram em cima não tem também? Todo mundo tem problemas pessoais, mas o que mantem o cara lá no alto é o caráter desse cara e aí deixa de ser a questão de eu estar com meus músculos bons, de eu estar bem treinado ou não, porque você está falando de uma coisa mental, que é o estado do mindset, é o tal do mindset.

Marcio            Sensacional o que ela fala que dá para você mudar um seu mindset, então eu nasci com esse mindset sou assim, não, você muda, isso que é fantástico.

Luciano          E ela fala que o mindset é algo que está na tua cabeça e se você mudar determinados hábitos e tudo mais, você muda sumário eu começo traduzindo a palavra mindset, falo tem várias formas de você, mindset o estado mental etc e tal mas nenhum tradução que eu vi diz exatamente o que é esse que ela está dizendo no livro, então o que é? Mindset não é simplesmente o estado mental, como ela coloca no livro, mindset é o instrumento, eu posso mexer nesse estado mental ou é o estado mental que eu consigo me colocar e que faz eu ter sucesso lá na frente ou não e não é aquela história do se pensar positivo.. não, inclusive eu começo falando que eu comecei a ler o livro já com a cara feia porque a hora que ela começou falei lá vem aquela  babaquice de novo de que se você.. não, ela fala nada disso, ela fala o que  eu vou falar aqui é o  seguinte, há uma importância muito grande em você ter esse teu estado mental muito bem elaborado e a partir dele poder fazer alguma coisa acontecer, uma porrada de gente vai quebrar a cara, alguns vão conseguir, mas pode ter certeza, o cara que conseguiu foi aquele que botou o mindset de campeão e tudo mais.

Marcio            O que eu coloco muito para mim ainda foi metas assim, falo poxa, eu trabalhei demais, então tinha essa grande meta: olimpíada.  E dai eu dividi isso em várias submetas, eu acho quando a gente tem uma meta grandes ou menores, qual eram minhas metas menores, então eu tinha que começar a malhar, então meta de começar a malhar, meta de perder peso, meta de começar a classificar nas categorias iniciantes, meta de me alimentar melhor, então você começa a definir metas porque você nunca dá esse passo, ninguém fala vou para a olimpíada, então na verdade eu não cheguei na olimpíada ali, eu fui alcançando várias metas pequenas, intermediárias que somando todas me levaram até lá.

Luciano          E o legal disso é que quando você pega uma meta pequena dessa aí que não é uma coisa absurda, quando você conquista você dá uma injeção de ânimo, porque isso tudo é um auto… você se auto motiva nas pequeninas coisas e quando você soma todas elas você  está chegando.

Marcio            Você quer perder vinte quilos? É muito difícil, mas põe uma meta de perder três…

Luciano          Você está falando para mim isso.

Marcio            … põe uma meta de perder três, põe uma meta… pô cheguei… vou perder mais três. O Nuno Cobra escreve no livro dele, alguém eu vai correr uma maratona não está correndo 42 quilômetros, ele está correndo 1 quilômetro 42 vezes, é diferente, a sua cabeça.

Luciano          É que nem escalar o Everest. E os caras botam isso claro.

Marcio            Sobe, desce, vai…

Luciano          Mas um ponto, os caras que estão lá em cima, eles falam, chega um momento tal que eles estão num nível de esforço físico e mental tão grande, que a única coisa que se passa na cabeça dele é dar o próximo passo, eu falei, eu preciso de um passo, mais um, mais um… pô o cara chegou lá em cima e fala a minha vida se limita a dar um passo de trinta centímetros e  aí depois…

Marcio            O mais incrível deles é que muitas vezes sobe, desce para se adaptar, isso é incrível, você ter que saber que vai ter que recuar.

Luciano          Voltar atrás e o teu voltar atrás encarado como uma estratégia. Eu na minha palestra inclusive eu boto um momento lá que eu falo para os caras, eu paro e falo, olha aqui ó, vamos pensar no Brasil, o que aconteceu, os últimos três anos, o PIB brasileiro caiu 10%, foi um terror, nós estamos nessa recessão horrorosa e tudo, alguém aí já parou para pensar que esse pode ser que esse pode ser o momento do recuo do alpinista? Eu volto para me aclimatar melhor, para ficar mais forte e retornar mais rápido e mais acima, então se isso aqui é um recuo, alguns estão desistindo recuaram porque não conseguem e outros estão aproveitando eu tiveram que recuar para arrumar a casa, pra se preparar melhor, a hora que o bicho melhorar, quem se preparou vai adiante, quer dizer, é encarar essa volta atrás não como uma derrota, um fracasso, mas como um recuo estratégico para se preparar.

Marcio            É, a crise é isso. Se a gente aprender fazer as lições, o dever de casa, é incrível.

Luciano          Muito bem, eu acho que olha, foi interessantíssima essa história aqui porque não é sempre que eu posso estar diante de um campeão olímpico, acho que é o primeiro olímpico que eu conheço, não campeão olímpico porque você não ganhou medalha ainda, mas talvez leve uma agora na próxima, eu imagino o trabalho que deu e acho espetacular você me contar uma história que você consegue sair do zero para a olimpíada, em quatro anos, se eu contar aí fora ninguém vai acreditar, com duas horas por dia, tem que ser brasileiro para fazer essas coisas, se eu contar isso para um gringo, o gringo vai dizer é impossível, aí chega o brasileiro lá e faz. Como é que a gente, se quiser conhecer teu trabalho, quiser saber tua história, você montou um blog, você está com uma página no Face, como é que é?

Marcio            Então eu tenho no Facebook, Marcio Appel, se por Marcio Appel hipismo no Google…

Luciano          Como é que escreve o Appel?

Marcio            … ele soletra. Então é Marcio Appel nas mídias sociais, então por no Google vai encontrar bastante coisa minha, da empresa bomsabor.com.br ou lojabomsabor.com.br.

Luciano          E dentro de algum tempo nas melhores livrarias… Já tem o nome do livro ou ainda não? Já pensou nele ou não?

Marcio            Eu estou pensando, mas ainda estamos guardando aqui e talvez uma última reflexão e tudo, o que aconteceu nesses quatro anos passa muito rápido, mas minha esposa sempre falava Marcio, e se você não chegar? Você vai ficar tão frustrado. Falei não, primeiro o que a gente falou, vou melhorar, a pior das opções é essa e curtir o caminho, não pode ser só feliz quem chegou no ponto, no cume do Everest, nesse período eu curti demais meus filhos, tive altos e baixos e tudo, então isso, curtir o caminho foi uma lição até que eu aprendi durante o caminho, mas é sensacional.

Luciano          Legal, meu amigo, muito obrigado, bem vindo, espero que você tenha muito para ensinar para a gente aí, que esse livro apareça rapidamente.

Marcio            Luciano, agradeço demais, vim te procurar, a gente se conheceu numa palestra, eu te conheci numa palestra sua que você me presenteou com seu livro e seu livro foi super inspirador, então acho que minha olimpíada foi o meu Everest, então te admiro pra caramba, seu trabalho e nessa parte aí de livro e outras coisas, tenho muito que aprender com você.

Luciano          Bem vindo a esse mundo. Um abraço

Márcio            Obrigado.

                                                                                   Transcrição: Mari Camargo