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Ciça Camargo -

Luciano          Muito bem, mais um LíderCast. Eu não vou mais falar que é um prazer etc e tal porque toda vez eu falo isso, então já virou carne de vaca, mas hoje a coisa é bem interessante porque eu já estou caçando essa figura aqui faz tempo, mas o cara decidiu morar no interior, lá nas montanha, passar uma vida de contemplação, onde ele passa o dia trancado, ouvindo música e trazer o cara para cá é complicado, mas pintou um final de semana aqui, então é um prazer tê-lo aqui e aquelas três perguntas fundamentais do LíderCast que você tem que prestar muita atenção. Atenção: seu nome, sua idade e o que é que você faz?

Leo                 Meu nome é Leo Lopes, eu tenho 42 anos e eu sou produtor de mídia, ou podcaster em tempo integral.

Luciano          Podcaster com boca cheia.

Leo                 Podcaster. Até um tempo atrás eu não falava isso não.

Luciano          Então está ficando bom, porque agora quando você fala podcaster, ainda mais na mídia que nós estamos usando aqui, você não precisa explicar o que é.

Leo                 Exatamente.

Luciano          Que o difícil é isso: pode o quê? Mas estamos lá. Conheço o Leo, sei lá quanto tempo faz, faz bastante tempo, a gente já…

Leo                 6, 8 anos mais ou menos?

Luciano          Por aí, a gente se trombou aí também logo no começo de ambos os podcasts, eu acho que eu já tinha uns 2, 3 anos de Café Brasil quando a gente se conheceu e aí a vida levou cada um para o seu lado, fomos tocando a vida e eu estava caçando o Leo porque o Leo tem uma história de empreendedorismo que é daquela que a gente gosta de trazer porque não é o cara que já ficou bilionário, ficará, não ficou…

Leo                 Deus te ouça.

Luciano          … então é uma característica minha aqui, eu faço questão, do Café Brasil e também do LíderCast, eu não quero trazer aqui o bilionário para falar o seguinte, esse aqui era um fodido, se arrebentou a vida inteira, ficou rico, veja como ele está bem e se ele está bem você pode ficar também, não é essa a ideia aqui, a ideia do LíderCast é o seguinte, gente que está fazendo acontecer e não me importa se você está rico, se ganhou dinheiro ou não, mas me importa o seguinte, você acorda de manhã com tesão para fazer acontecer, é isso que eu quero discutir, especialmente no teu caso, porque você tem esse processo todo um processo de escolha, de mudança de carreira e tudo mais que acho que é muito rico e muita gente que escuta a gente aqui vai ter os insights legais aqui. Vou começar do começo, o Leo nasceu aonde?

Leo                 Nasci em Serra Negra, interior de São Paulo.

Luciano          Aha, então é por isso que o cara voltou para as montanha, ah que coisa boa.

Leo                 Voltei para a minha terra depois de 20 anos, no final de 2012 eu voltei para lá.

Luciano          Voltou, seu pai era o quê? Sua mãe era o quê?

Leo                 Meu pai, ele é contador de formação, durante muitos anos ele foi gerente de hotelaria, trabalhou em escritório de contabilidade, ele, a vida inteira foi professor de matérias ligadas à contabilidade na Escola de Comércio que tinha lá na cidade, hoje em dia não tem mais e a minha mãe sempre foi comerciante, então eu me lembro da minha infância, eles  tinham uma loja e dividiam, meu pai dividia o tempo entre dar aula e cuidar da  loja e minha mãe cuidava da loja em tempo integral.

Luciano          Já tinha um empreendedorismo rolando ali.

Leo                 É, tinha mas assim, aquela coisa de interior, porque eles tocavam a  loja  porque lá é uma cidade aonde você tem o turismo de hotelaria, basicamente quem tem comércio local, toca o próprio negócio ou então vai seguir carreira no serviço público, na prefeitura ou em algum banco, então não tinha muita opção e eles optaram por abrir um negócio que depois acabou falindo e enfim, foram tocar a vida de outra forma.

Luciano          Serra Negra para quem não sabe é uma cidade pequena que está no caminho de Minas Gerais, de São Paulo para Minas Gerais, fica nas montanhas, uma região montanhosa e ela é muito atraente porque lá estão os hotéis onde o pessoal no frio, os paulista, a paulistada no frio vai para lá para subir, ficar no alto da montanha, comprar malhas, comprar peças de roupa de frio e tudo mais, não é?

Leo                 É, diferente do turismo de Campos do Jordão, por exemplo, que é um turismo muito de gastronomia e tal, quem vai para Serra Negra vai exatamente porque está no sul de Minas ali, está há 15, 20 quilômetros de Monte Sião, que é a primeira cidade do sul de Minas e ali se consegue comprar roupa de lã, de tricô, crochê e tal muito barato e é uma cidade que tem um custo muito baixo, então você pode ficar ali um final de semana gastando pouco, fazer boas comprar e também comer um pouquinho.

Luciano          O moleque cresce em Serra Negra, querendo ser o que quando crescesse?

Leo                 Então, eu sempre quis ser algo ligado à comunicação, sempre fui apaixonado por rádio, a minha brincadeira preferida com meu amigo de infância, meu melhor amigo, sempre foi imitar os humoristas da televisão, emular o rádio, fazer programa de rádio com dois gravadorzinhos assim de fica cassete e tal, mas de carreira mesmo eu queria seguir a parte de computação, porque rádio não via, nunca tive uma referência de futuro financeiro disso e também estava longe de qualquer coisa de escola, de formação disso, uma cidade do interior que tinha só uma rádio AM aonde as mesmas pessoas trabalharam lá a vida inteira, então nunca tive  abertura nisso, mas na verdade eu acabei seguindo uma carreira totalmente diferente que eu saí da minha cidade com 18 anos para ser sacerdote e… foi…

Luciano          Você está entendendo como é a riqueza…

Leo                 … a mudança se deu… eu fiz vestibular para ciências da computação, análise de sistemas, quando eu me formei no colégio, no ensino médio em 1992 e 91 na verdade eu me formei, não passei na faculdade, não tinha dinheiro para pagar um cursinho durante o ano de 92 e eu era membro, sou até hoje membro da igreja messiânica que é uma religião de origem japonesa e eu me dedicava como líder de jovens a dar assistência religiosa para as pessoas, a fazer atividades de juventude dentro mesmo da unidade, viajava para Campinas e tal…

Luciano          No final aqui vou te pedir um johrei, por favor.

Leo                 Opa, com todo o prazer, nossa, vai ser uma honra johrei que é a atividade, o carro chefe, digamos assim, da igreja messiânica, a grande característica exatamente que é esse ato de transmitir uma energia espiritual através das mãos, então eu, durante o ano de 92, como não tinha dinheiro para fazer cursinho vestibular e meus pais passavam por uma situação muito complicada tanto financeiramente quanto psicologicamente de muito conflito, de muita dívida e tudo mais, meu pai tinha construído uma casa com dinheiro de agiotagem e estava devendo até a terceira geração para os agiotas e nomes saindo no edital do jornal da cidade, sendo intimado a ir para fórum e tudo mais, então era um conflito muito grande, a igreja messiânica serviu de conforto nesse momento, eu encontrei ali um caminho, uma alternativa de paz…

Luciano          Com 18 anos?

Leo                 … com 14 anos, 14 para 15…. 16 anos nessa época eu tinha e aí eu era o único membro da família que tinha sido autorizado a me tornar membro pelo responsável e aí eu fazia isso, então nisso eu vi um caminho porque começou a ter uma mudança de vida positiva devagar, mais gradual com os meus pais e aí a gente, eu ajudei meu pai na campanha para prefeito, ele era chefe de… como é que fala? Comitê eleitoral do candidato a prefeito que era pai de um amigo meu de infância, estava se candidatando, segunda candidatura e aí eu meio que fiz uma promessa, assim, eu e Deus conversando, falei se esse cara ganhar e meu pai tiver um cargo bom na prefeitura, ele vai passar a poder andar pelas próprias pernas de novo, porque nessa altura o dinheiro que eu ganhava, ele ajudava muito em casa e eu não tinha como sair para nada, nem para a faculdade, nem para lugar nenhum…

Luciano          Você ganhava dinheiro com o quê?

Leo                 Eu ganhava dinheiro como… eu era auxiliar de escritório, comecei a trabalhar com 12 anos  como auxiliar de escritório, meio período, ganhava meio  salário, com 14… 16 eu tive meu primeiro emprego de carteira assinada como office boy de um hotel e esse dinheiro ajudava em casa, as despesas de uma família que estava desestruturada financeiramente…

Luciano          Deixa eu aproveitar o insight que você está me dando, acho que 99,8% das pessoas que vem conversar comigo aqui no LíderCast, começaram a trabalhar com 12, 13, 14 anos.

Leo                 É, eu comecei com 12.

Luciano          E se você imaginar que se você botar teu filho para trabalhar com 12 anos você vai preso.

Leo                 Então, eu tenho um filho de 15 anos hoje que só está fazendo alguma coisa profissionalmente porque ele meio que hoje está seguindo esse caminho que eu hoje faço de seguir alternativamente, porque eu não posso colocar ele para começar como eu comecei, por exemplo, porque a lei não permite, então…

Luciano          Senão você vai preso.

Leo                 … eu não posso ensinar ele a ganhar o próprio dinheiro desde cedo…

Luciano          É impressionante.

Leo                 … porque a lei impede que isso aconteça.

Luciano          Mas vamos lá, você estava indo lá, eu quero saber o chamado divino, como é que foi?

Leo                 O que aconteceu foi o seguinte, o prefeito ganhou e convidou meu pai para ser chefe de gabinete dele, aí isso foi no dia 3 de outubro de 1992, quando foi no dia 7 de outubro de 1992, uma segunda feira, eu estava de mala e cuia na igreja em Campinas para ser pré seminarista e seguir o meu caminho sacerdotal.

Luciano          E na igreja, na….

Leo                 Na messiânica…

Luciano          … na messiânica, eu não sabia que tinha uma carreira como sacerdote.

Leo                 Tem uma carreira como sacerdote, você pode se tornar seminarista a partir de 18 anos e aí você vai estudar, tem todo um programa, você vai estudar japonês que é a língua da onde o fundador nasceu, da origem e vai estudar… quando eu comecei mudou o programa,  então passou a ter um programa de faculdade e aí eu passei a estudar história das civilizações, a história das religiões fisiologia, filosofia, sociologia, inglês, espanhol, japonês obviamente, então eu entrei para o seminário…

Luciano          Você tem uma formação mais teológica…

Leo                 No seminário sim, a formação foi bem para o lado teológico, mas principalmente nos idiomas porque eu sempre gostei muito, fui o primeiro da turma no japonês e aí depois de dois anos estudando, primeiro ano no Rio de Janeiro, segundo ano em São Paulo, aí eu ganhei a bolsa, em 95 emparquei para o Japão…

Luciano          E foi para lá para continuar estudo do japonês, quer dizer, você fala japonês fluentemente.

Leo                 Eu sou tradutor e intérprete de japonês desde 1997.

Luciano          Como é que fala “bom dia, boa tarde e boa noite, bem vindo ao Café Brasil” em japonês?

Leo                 Bom dia, boa tarde e boa noite… como é que eu vou falar tudo junto, não é?

Ele fala em japonês.

Luciano          Que maravilha, isso vai virar vinheta.

Leo                 Depois eu gravo melhor para você poder fazer, para o Lalá poder ter material.

Luciano          Legal.

Leo                 E aí eu fui, fui para o Japão, fiquei lá os primeiros onze meses, foi uma experiência impagável…

Luciano          Estudando?

Leo                 … estudando…

Luciano          Você ficou estudando.

Leo                 … sim, a gente foi, a gente tinha toda a estrutura, obviamente bancada pela igreja, desde a passagem e tudo, lugar para ficar, moradia, tinha uma ajuda de custo mensal e lá a gente peregrinou pelos solos sagrados, pelos locais históricos do fundador e tudo mais e como eu era assim, tinha um bom rendimento no idioma, eu fui convidado, minha turma voltou para o Brasil, voltamos ao Brasil em dezembro de 95 e eu já com o compromisso de, em abril de 96, voltar dessa vez para ficar em Nagoya um ano matriculado, aí sim, numa escola de japonês para tirar o último nível da proficiência e aí conseguir então me profissionalizar e aí eu aceitei…

Luciano          Aí pintou então nesse momento diante de você a ideia de uma carreira como professor de japonês ou como o quê?

Leo                 Não, como sacerdote mesmo, porque aí eu poderia fazer, eu poderia servir, por exemplo, na formação de outros seminaristas, eu poderia fazer difusão em outros países, porque eu falava inglês, japonês e espanhol, então o mundo  era o limite, não  é? Aí ei fiquei mais 1 ano  no Japão…

Luciano          Que idade você tinha?

Leo                 … eu tinha 21 anos.

Luciano          21 anos.

Leo                 20 para 21 anos…

Luciano          Então, com 20 anos, deve ter sido por aí, o molequinho sai de Serra Negra…

Leo                 Eu saí com 18.

Luciano          … sai de Serra Negra e desembarca no Japão.

Leo                 É, dois anos depois eu cheguei  no Japão.

Luciano          Mas de qualquer forma, molequinho de Serra Negra desembarca no Japão e toma um choque, como é que foi aquilo?

Leo                 Não, não foi choque nenhum, sabe, porque eu já falava o idioma, então assim, a gente já foi durante dois anos aclimatado à cultura japonesa, aqui em São Paulo, e nós estamos gravando em São Paulo, por isso eu digo aqui, frequentava a Liberdade, frequentava restaurantes japoneses, karaokês e a casa dos reverendos e tal, então a gente já estava, durante dois anos, meio que absorvendo a cultura, então cheguei lá, foi a realização de um sonho sim, mas não teve choque nenhum, pelo contrário, durante seis meses no primeiro ano eu fiquei morando na casa dos japoneses, durante seis meses eu morei em dezoito cidades diferentes, passava três, quatro dias em uma cidade, ia para outra, ficava mais três, quatro dias, então foi uma experiência fantástica assim.

Luciano          E numa idade fenomenal, porque a tese que eu tenho é que a tua vida se solidifica, na tua cabeça entre os 20 e 30, é quando é seu buraco negro, que você assimila aquilo tudo.

Leo                 Para mim foi fantástico porque foi a oportunidade que eu tive de nessa idade absorver valores que eu iria levar pela vida inteira, independente da carreira que eu fosse seguir que é o que está acontecendo hoje, então esses valores, eles regem a minha vida, os valores que eu aprendi e também a visão espiritualista das coisas, isso tudo me move, então independente de eu não ser mais sacerdote de carreira, eu sou ainda sacerdote, meu título sacerdotal ninguém me tira, então a minha convicção de fé ninguém me tira e isso é o que me move, é aquilo que está na base, no alicerce da minha formação.

Luciano          Muito bem, então você que está acostumado a ouvir o Radiofobia e que ouve o cara falando das tetinha aquela putaria toda que acontece lá, saiba que esse sujeito…

Leo                 Não é tanto vai.

Luciano          … saiba que é um sacerdote que está do outro lado lá, então você por favor, respeite.

Leo                 Respeite as minhas tetas, por favor.

Luciano          Exatamente. E aí a volta? Voltou ao Brasil.

Leo                 Então, aí eu não voltei para o Brasil, eu fui para o Sri Lanka…

Luciano          Cacilda…

Leo                 Eu estava para voltar para o Brasil e um sensei falou para mim olha, você já está terminando seu curso, se você quiser voltar para o Brasil beleza, mas se você quiser, eu tenho seis meses para você de estágio no Sri Lanka, fazer a difusão pioneira lá, você topa? Eu falei não. Me devolvam para o Brasil, eu já tinha uma aliança de compromisso com minha atual esposa, na época a gente já namorava e eu queria voltar e aí ele brigou comigo, falou que eu não tinha coragem de encarar as coisas, não sei o quê e tal e eu acabei depois reconhecendo que seria uma experiência também que eu não poderia ter em outro momento da vida e fui e realmente, não me arrependo um segundo de ter ido, fiquei seis meses lá, terminei a minha formação sacerdotal lá e quando eu voltei para o Brasil, em outubro de 97, eu já era ministro, já não era mais seminarista. Já tinha feito a minha prova, já tinha passado, já tinha recebido o grau sacerdotal e já estava pronto para encarar uma missão no Brasil e aí, aí vem uma história toda de mais oito anos dentro da messiânica, onde eu fui lotado em Belém do Pará, fiquei cinco anos, o meu filho mais velho… casei nesse meio tempo, minha esposa é do Rio, a gente foi morar em Belém, em 2000 a gente casou, em 2001 nasceu o meu filho mais velho, em Belém. Em 2002 eu fui transferido de volta para São Paulo, para o departamento internacional da messiânica para me preparar para ir morar em outro país e aí, quando eu já estava com esposa e filho, fiquei três meses na Bolívia sozinho, deixei eles em São Paulo e essa foi uma experiência muito boa também para eu saber que eu não queria ir para lugar mais nenhum no mundo sozinho, ou eu levava a minha família junto ou eu não ia mais. Aí a direção me oferece para que eu fosse assumir na Costa Rica e eu deveria ficar lá dez meses sozinho, aí eu disse não e aí houve um desgaste natural e um ano depois eu me desliguei, como profissão e aí fui fazer aquilo que eu sabia até então, que era tradução japonês, inglês, fui buscar trabalho  nisso, a formação que eu tive no Japão não tem equivalência acadêmica do Brasil, então aqui para todos os efeitos eu tinha só ensino médio completo e aí fui tentar bater na porta de empresas para, enfim, voltar para a sociedade, procurar, com toda a experiência de doze anos de vida que eu tive, mas recomeçando uma carreira totalmente diferente.

Luciano          Que idade você tinha?

Leo                 Ai eu já tinha 30 anos.

Luciano          E um filho.

Leo                 E um filho e a esposa… não, um filho e a esposa já para ter o segundo, grávida do segundo filho.

Luciano          Vamos explorar um pouquinho essa ruptura, quer dizer, você botou um investimento aí dos 18 anos trinta e?

Leo                 Aos 30. 12 anos.

Luciano          Dos 18 aos 30, 12 anos de investimento em cima de uma carreira e não é o investimento pouco, porque não é só o tempo, você viajou, você foi, você se preparou, eu não consigo encontrar alguém que possa fazer investimento maior do que aprender japonês ou chinês, porque deve ser uma loucura e de repente cai uma ficha e você se vê diante de um momento e tomar uma decisão, fala eu acho que não é isso que eu quero para mim ,como é  que é essa coisa, essa luz surge na Bolívia? Surge onde, como é que você trabalha esse conflito?

Leo                 Então, na verdade eu mesmo durante esse período, esses 12 anos que eu passei na messiânica, eu nunca deixei de ser showman, sabe, eu sempre fui mais artista do que qualquer coisa, artista no sentido de gostar de um microfone, gostar de palco, gostar de luz, eu sempre gostei disso, desde moleque, três anos, tinha um gravadorzinho, a minha brincadeira preferida era ficar imitando Silvo Santos, cantando música do Dudu França, Roberto Leal, Guilherme Arantes, eu tenho essas gravações até hoje em k7, então  eu sempre gostei disso, então mesmo lá, ah  precisa de um mestre de cerimônia para um casamento, ah precisa de alguém para cantar num coral, ah precisa de alguma coisa, alguém que vá dar uma entrevista na televisão, eu sempre estava lá no meio, até um congresso internacional de jovens eu apresentei para cinquenta mil pessoas, no meio da juventude eu era o tiozão que estava no meio ali fazendo imitação, brincando e tudo mais. Então o sensei falou para mim isso uma vez, falou Leandro a sua… você cresceu mais do que a casca pode suportar, então veio um próprio direcionamento da direção falando assim, talvez você seja mais útil na sociedade, pela sua característica, do que aqui dentro, porque existe uma certa forma dessa careia e você sempre tem uma aura, uma expansividade que não é aquela coisa certinha, arrisca, da disciplina, direitinho e tal, então veio um convite assim, olha talvez você seja mais útil na sociedade e aí não fui eu que pedi para sair, entendeu? Houve esse acordo, digamos assim, que confesso tirou um peso de toneladas dos meus ombros sabe, porque eu não estava feliz, sinceramente, aquela…  que religioso é meio tipo militar assim, você está numa careira militar, aí o teu general te transfere para a linha de frente, sei lá da onde, se você falar não é insubordinação, você tem que ir e  ainda que você tenha um entre aspas, um pistolão ali que você consiga chorar para ele, não vá, meio que começa a haver um desgaste nesse relacionamento, então para mim foi um processo de renovação, foi um processo de eu não perdi a minha fé em momento nenhum, não perdi o meu grau sacerdotal em momento nenhum, os meus valores em momento nenhum e encarei como um desafio, então vamos  provar para mim mesmo que existe vida fora dessas quatro paredes e foi o que eu fiz.

Luciano          Que interessante isso aí, você… isso tem um lance de generosidade, da organização de onde você estava que é surpreendente, porque os caras devem olhar para isso aí e falar olha o tamanho do investimento que nós fizemos nesse cara e agora a gente abre mão desse cara, quer dizer, é um grau de generosidade que não é comum você encontrar, porque isso aí para criar mal estar, para criar atritos é dois pitaco…

Leo                 Aconteceu com muitos amigos meus que também passaram por um processo desse e que no caso deles acabou sendo extremamente traumatizante sabe e pessoas que sei lá, foram convidadas a servir na sociedade e que depois acabaram se revoltando e movendo ação judicial e o cacete a quatro tal, então nunca foi o meu caso, eu sempre encarei como o chamado, agora estou sendo chamado para um outro lado, então vamos ver o que esse lado tem para mim.

Luciano          Vamos mudar o propósito então, muito bem. E aí? Aí você faz o quê? Pega o seu diploma de japonês e vou trabalhar…

Leo                 E vou bater nas portas das empresas, eu fiz um currículo e fui correr atrás, peguei uma parte do dinheiro do fundo de garantia e investi num curso de tradução para dublagem e legendagem…

Luciano          Você tinha CLT lá?

Leo                 Tinha CLT.

Luciano          É mesmo é?

Leo                 É, na messiânica todo mundo tem, quem é funcionário, ministro de carreira tem CLT, tem fundo de garantia, tem tudo direitinho e recolhia, tinha imposto e renda todo mês como sacerdote ou membro de organização religiosa, alguma coisa assim.

Luciano          Quando você chegava no hotel para se hospedar e botava aquela fichinha, estava escrito profissão, você escrevia o quê?

Leo                 Religioso.

Luciano          Religioso.

Leo                 É.

Luciano          Interessante.

Leo                 Naquela época era religioso.

Luciano          Muito bem, mas vamos lá, vamos continuar aqui, aí você.

Leo                 Aí então, aí assim, o que eu sabia fazer? Falar japonês, inglês e espanhol, enfim, sempre fui muito bem articulado e tal, mas como formação era o que eu tinha e aí eu fiz o currículo e fui bater na porta das empresas, só que a paixão pelo rádio meio que renasceu, então eu procurei o e-mail do Marcos Aguena, que é o Japa, que foi do Pânico, sabia que ele já dava aula numa escola de rádio, sabia que para ser radialista depois de 1978 você teria que ter uma formação acadêmica, ainda que seja um curso técnico mas reconhecido pelo MEC, tirar o registro profissional na DRT tudo direitinho e eu mandei um e-mail para o Japa e me apresentei, olha eu sou Leo, fulano  de tal falo japonês, quero estudar rádio, você pode me direcionar? Ele me convidou para ir para o Pânico na Jovem Pan para ser ouvinte robert lá, ouvinte artista para participar um dia do Pânico lá  ao vivo com eles, falou ah você fala japonês com a Sabrina, faz umas brincadeiras e tal e eu fui, participei lá de uma edição do Pânico, brinquei lá, fiquei lá…

Luciano          Pausa. De repente você está entrando dentro do estúdio do Pânico na Jovem Pan que é mais ou menos o equivalente a uma… aquilo talvez seja uma capela sistina para quem é um católico fervoroso, a meca era e você de repente está entrando dentro do estúdio, não só do estúdio vazio mas com a turma do Pânico ali dentro e aquilo era o estúdio que você cansou de ouvir, onde você ouvia o Djalma Jorge, a turma toda lá, como é que foi aquele  momento em que você…

Leo                 Foi assustador e mágico ao mesmo tempo, porque quem gosta de rádio, quem gosta de locução e tal, não pode sentir o cheiro do revestimento acústico que arrepia assim a pele, o isolamento, a porta grossa que nem a gente está aqui agora no estúdio, isso aqui para a gente se der um travesseirinho a gente deita aqui e dorme confortavelmente, então eu não era desse meio, mas eu sempre fui apaixonado por isso, então de repente eu estava ali, sem acreditar no que estava acontecendo e foi mágico assim, foi nossa, que legal e conversar com essas pessoas, eu já não era um moleque, eu já tinha 30, quase 31 anos…

Luciano          Sim, mas era fã do programa e ouvia direto aquilo.

Leo                 … sim, com certeza, Emílio e todo mundo que passou pela jovem  Pan desde sempre, então era a realização de um sonho conhecer ao mesmo tempo, sabe, o Japa, o Emílio, o Ceará, o Bola, todo mundo que estava ali, pessoas que lidam com isso no dia a dia que eram pessoas tão distantes e de repente, claro que foi um dia só, foi uma visita, mas foi mágico sair de um ambiente de terno e gravata dentro de uma unidade religiosa para no dia seguinte estar no, talvez num dos estúdios de rádio mais importantes do Brasil…

Luciano          Estou sentado onde as coisas acontecem.

Leo                 … onde as coisas acontecem.

Luciano          É assim?

Leo                 É e aí eu senti o seguinte, eu olhei o Emílio do outro lado da cadeira e falei do Djalma Jorge, conversei e tudo mais, falei assim desde os 11 anos eu sempre sonhei sentar nessa cadeira que você está hoje, aí ele levantou e falou assim, então senta, senta aqui, o microfone é seu, estava no intervalo, aí ele falou senta aqui, sente a técnica, sente aqui a mesa de som e tal, aí tem aquele eletrovoice, RE 20, aquele braço articulado, que não difere disso que a gente está fazendo aqui agora e ali foi o momento que eu voltei a ter meus 10, 11 anos assim num passe de mágica e aí eu falei assim, eu quero agora realizar o sonho de ser radialista, eu ainda vou fazer isso, eu posso não trabalhar com isso durante a vida, mas eu não quero morrer sem ter um carimbo duma DRT na minha carteira de trabalho.

Luciano          Você vê que legal como essa coisa se desenrola, quer dizer, a partir daquele momento que você bota na tua cabeça eu preciso fazer alguma coisa para buscar me aproximar dessa coisa do rádio, vou fazer um curso, encontro o e-mail do Japa que eu não conheço, me apresento do nada, o Japa me chama e de repente eu estou sentado na cadeira do Emílio no Pânico, quer dizer, nada disso aconteceu por acaso, isso foi construído, embora você não tivesse  a  menor ideia que isso podia acontecer.

Leo                 Não, e nesse mesmo dia aconteceu a mágica maior ainda, porque isso foi só o começo, no mesmo dia que eu fui para o Pânico, acabou o Pânico, o Japa falou assim Leo, você está tranquilo aí e tal? Falei estou, super, estou desempregado, batendo em porta. Então vou te levar no estúdio de uma web rádio que eu tenho um programa lá, é uma web rádio feita aqui no Brasil voltada para os brasileiros que moram no Japão, chama Rádio Fênix, vamos lá que a minha produtora fica na porta da frente da Rádio Fênix, eu vou te apresentar para o Nilson para você conhecer lá. Aí não  foi só um estúdio de rádio. Uma hora depois eu estava dentro do estúdio da então maior web rádio  do Brasil naquele momento, que fazia programação profissional, direção artística do Ricardo San que era da Rádio Transamérica há mais de 20 anos, que é primo do Nilson Nil e o Japa falou ó, essa aqui é a Rádio Fênix, é uma web rádio com uma estrutura de rádio, a diferença é que em vez de transmitir aqui via transmissor de onda para o FM e para o AM a gente está transmitindo via internet para o Japão principalmente, mas é ouvida no mundo inteiro e esse aqui é o Nilson, Nilson esse aqui é o Leo, o Leo sonha fazer rádio, ele fala japonês, você fala  japonês? Falei falo. Você teria coragem ou enfim, encararia o desafio de fazer uma versão em japonês para a Festa do Apê do Latino que está bombando nas rádios para a gente botar no nosso programa de humor e tal? Falei: agora. Então espera um pouco, pega um computador aqui para ele, bota a música aqui, e eu escrevendo a música em japonês, em meia hora saiu a letra em japonês …

Luciano          Você não está pensando que você vai sair daqui sem cantar um pedacinho…

Leo                 Não, o Lalá bota na técnica, não, eu canto claro, porque eu voltei dois dias lá depois para cantar a música…

Luciano          Mostra.

Leo                 (canta)… eu fiz a música em japonês, eles contrataram  um produtor para fazer a versão, então a versão que o Lalá talvez coloque ou não no programa, ela tem chamicen da abertura, essa música acabou entrando no CD As Melhores da Rádio Fênix alguns meses depois e vendeu 10 mil cópias no Japão, se você vai hoje em qualquer karaokê japonês e coloca lá você consegue cantar a música,  aí os caras falaram assim nossa, começa a vir aqui, o Nilson falou você está desempregado? Eu tenho uma produtora de vídeo, vem aqui, vai aprender a mexer com editor, com software, você quer fazer escola de rádio? O Japa, eu dou aula na Rádio Oficina…

Luciano          Você estava morando onde?

Leo                 Eu estava morando na época na Vila Mariana…

Luciano          Você tinha vindo para São Paulo então?

Leo                 …  eu já tinha vindo para São Paulo em 2002…

Luciano          Pela messiânica.

Leo                 … pela messiânica, quando eu fui transferido de Belém para o departamento internacional, fica ali na Rio Grande, ficava ali na Rio Grande, ali perto do Colégio Vila Mariana ali, não é Colégio Vila Mariana, mas enfim… como é que chama o colégio ali? Esqueci, Cristo Rei, enfim e aí eu em 2002, 2003, 2004 fui para a Bolívia 2003, 2005, janeiro, eu me desliguei, começo de fevereiro era esse  dia que eu estava lá, tipo uma semana depois do desligamento eu já estava dentro da Rádio Fênix.

Luciano          Quer dizer, essa coisa toda que você acabou e me contar acontece em uma semana pelas mãos de um cara que você nunca tinha visto na tua vida?

Leo                 Em um dia, no mesmo dia.

Luciano          Entre você mandar o e-mail, Japa, meu nome é Leo, eu quero te conhecer… quer dizer, isso tudo numa semana?

Leo                 E gravar a música, foi uma semana…

Luciano          Uma semana, mas pelas mãos de um cara que você nunca tinha visto na sua vida e você consegui o e-mail dele não sei onde…

Leo                 Não, o e-mail dele tinha no site da Jovem Pan, sei lá, enfim eu fucei e aí consegui o e-mail.

Luciano          Alô, você que está nos ouvindo agora e está preocupado em saber o que faz da vida, tem um insight interessante aqui que o Leo está dando para nós, tira a bunda da cadeira, entendeu? Olha só, ele achou um e-mail de um cara que ele nunca vou na vida num site e escreve para o cara e uma semana depois está com essa loucura toda dentro do Pânico, conhecendo os caras todos e gravando…

Leo                 Eu dei muita sorte porque ele é um cara muito legal, muito legal. E depois que eu fiz essa música lá, a gente brincando, na verdade nesse meio tempo entre eu escrever a letra da música e voltar para cantar a música, o Nilson falou, vai na Rádio oficina que vai ter agora no sábado um workshop livre para ver, ele serve meio como um teste vocacional para quem quer fazer o curso de locução, é um curso que tem duração de  11 meses, 10 meses, 11 meses, primeiro eles exigem que passe por esse workshop, depois eles falam ó, você tem realmente uma aptidão e tal, se você quiser você pode se matricular no curso e aí eu fui, fiz, só que o curso custava sei lá, onze pau, doze pau (sic) sabe, mil e pouco  por mês, onze meses, eu não tinha essa grana e aí voltei lá, eu já estava começando  a ir todo dia lá na produtora para estagiar…

Luciano          Mas também não tinha um emprego.

Leo                 … também não tinha, então…

Luciano          E estava casado…

Leo                 … estava casado com…

Luciano          … filho…

Leo                 … e esperando  o segundo, para nascer…

Luciano          … e tinha que pagar a comida em casa…

Leo                 … tinha que pagar…

Luciano          E aí?

Leo                 … aí então voltei lá para o Nilson, lá na produtora, era o único caminho que eu tinha a fazer do que ficar batendo nos bancos japoneses, nas empresas na Av. Paulista para pedir emprego tendo ensino médio completo porque meu curso não tinha validade nenhuma, aqui não tem equivalência acadêmica, aí eu meio que apostei nesse caminho e fui, aí o Nilson falou assim Leo, você fez lá o teste? Falei é, me ligaram, disseram que eu fui bem sucedido, que eu passei e tal. E quando você vai se matricular. Falei não vou. Mas como assim? Eu não tenho dinheiro para pagar doze mil por ano para o curso. Ele falou assim ah, é porque você não está ganhando. Falei então. O seguro desemprego vai até quando? Falei mais uns quatro meses, mas é um valor pequeno, eu tenho eu sustentar lá em casa. Ele falou bom…. Então, passou um dia, passou dois ele falou Leo, porque você não volta lá na rádio oficina e pergunta para eles, eu sou, já fiz lá também, sou amigo do Ciro Cesar, pergunta se não tem um desconto, se eles não fazem um descontinho para você. Falei não Nil, já falou que não tem. Vai lá, vai lá, pergunta se não tem um desconto. Aí falei está bom, fui. Cheguei na secretaria falei sou Leo Lopes, fiz aqui o teste, passei, queria me matricular mas, tem um desconto para mim? Falou assim, você é Leandro Lopes, CPF… Falei sou, não mas o seu curso já está pago. Falei como assim? Eu não paguei nada. Falou assim não, o Nilson veio aqui e deixou 11 cheques para você até o fim do ano, teu curso já está pago, ele veio aqui fez o cheque todo mês, está aqui tudo pré datado até o fim do ano, começa segunda feira agora, sete horas da noite…

Luciano          Quanto tempo fazia que você tinha conhecido o Nilson?

Leo                 … duas semanas.

Luciano          Pelas mãos do japonês que você nunca viu na tua vida.

Leo                 Pelas mãos do Japa. Exato.

Luciano          Muito bem.

Leo                 E aí eu comecei a fazer o curso de rádio.

Luciano          Que sorte você tem não é Leo?

Leo                 É sorte mesmo, muita sorte. Eu sou um cara sortudo.

Luciano          E aí?

Leo                 Aí eu fiz, só que assim, o Nilson obviamente que ele me fez isso e eu estou estagiando lá, então não podia esperar um pagamento, falei olha, eu preciso de grana para poder trabalhar e aí eu comecei a deixar currículo, espalhar currículo e tal e pela messiânica eu tinha muito contato com entidades e pessoas ligadas à comunidade japonesa, um desses currículos fui parar nas mãos da JAICA, que é a agência internacional de cooperação do governo japonês e aí eles falaram que tinha uma missão do governo japonês, que é um grupo de técnicos que iria ficar durante dois, quase três anos lotados na prefeitura de São Bernardo do Campo para fazer um estudo de melhoramento ambiental da bacia hidrográfica da represa Billings e que eles estavam procurando alguém que fosse intérprete para ser intérprete do líder da missão full time e que também liderasse uma equipe de tradutores do material técnico que esse estudo fosse gerar e aí a JAICA entrou em contato comigo e perguntou se eu me interessaria em mandar uma proposta, eu estava fazendo a rádio oficina a noite, estagiando na produtora do Nilson de manhã, mas não estava ganhando dinheiro, era o último mês do seguro desemprego e eu sinceramente eu não queria que desse certo porque eu achava que o rádio ali fosse o caminho, fiz uma proposta absurda, cobrei 400 reais por dia de trabalho, eles aceitaram a proposta, aí de repente eu tinha 8 mil reais por mês, começando duas semanas depois e o curso de rádio  a noite e…

Luciano          O estágio…

Leo                 … e o estágio de manhã, que aí eu tive que negociar com o Nilson porque eu já não poderia mais ficar no estágio quando começasse a missão, que aí seria full time, mas aí a gente negociou que eu prestaria serviço pra ele como tradutor e locutor e tudo mais e de final de semana eu iria continuar estagiando  lá com ele na rádio e aí de repente as coisas aconteceram nesse sentido e fiquei nessa missão lá até o final do projeto, onze meses de estudo, recebi o meu DRT, fiz a bancada em fevereiro, exatamente um ano depois, na verdade um pouquinho mais, mas foi dois dias depois para não ser mentiroso, eu estava na delegacia regional do trabalho em São Paulo com a minha carteira assinada, com meu DRT  27885/SP, locutor de rádio.

Luciano          Um ano depois daquele e-mail que você mandou para o Japa.

Leo                 Exatamente, um ano depois do e-mail que eu mandei para o Japa e aí o Nilson falou Leo, tirou o DRT? Falei acabei de pegar. Pois então você começa, seu horário na rádio começa sexta feira dez horas da noite, vai lá tirar foto porque vai botar já teu nome no site, anunciar que tem locutor novo e aí eu tinha recém chegado de Serra Negra, passei o carnaval raspei o cabelo, que eu nunca tinha raspado o cabelo na vida, para comemorar o DRT e eu tirei foto careca para o site e aí acabei tendo que ficar careca por um ano e meio para poder fazer a mesma imagem que tinha na foto lá e aí comecei como radialista e continuei nesse trabalho da missão, mas assim, na web rádio de final de semana, que não tinha uma remuneração para eu seguir só essa carreira, então eu estava ali estagiando e me aprimorando como radialista…

Luciano          Guardadas as proporções você era o Emílio ali, você estava sentado atrás da…só na frente do microfone ou estava pilotando já?

Leo                 Não, e ali era mais punk ainda, porque não tinha só a mesa para operar, diferente de uma rádio tradicional aonde a programação musical é feita por um programador. Lá na Rádio Fênix e no caso a rádio que eu fui trabalhar que era uma co-irmã da Fênix, que era a  Rádio Banzai, que só tocava música oriental, você falava com os ouvintes via chat, eles pediam a música, você programava a música, a fila de acordo com o pedido dos ouvintes, interagia com eles no chat, botava a rádio para funcionar e ainda ficava interagindo com eles ali, você era o locutor, operador, DJ, técnica, tudo ao mesmo tempo ali.

Luciano          Então, para quem não sabe como é eu funciona isso, é tudo ao mesmo tempo agora com o microfone na tua frente, então a tua cabeça tem que estar a milhão, porque você tem que falar no microfone, sabendo que você está falando no microfone, enquanto está pensando na música que vai começar, ou na que está terminando, que botão você vai apertar, é uma loucura porque tem que ter um polvo aquilo, tem mil braços para poder fazer a coisa andar e não tem outro jeito de fazer isso funcionar a não ser praticando obsessivamente, até pegar as manhas de como é que funciona. Bom, está aí explicado um pouco da raiz do que vem a ser o Radiofobia um pouco mais à frente. Bom e ali você ficou e?

Leo                 Então ali eu fiquei até o momento que acabou a missão lá do governo japonês, eu pude ajudar meu pai muito nesse período, que meu pai continuava com aqueles problemas de muitos anos, então boa parte do que eu ganhei nesse projeto foi para resolver problemas do meu pai, então eu não consegui fazer um pé de meia, não consegui juntar dinheiro para comprar um carro, um apartamento, nada disso, mas graças a Deus consegui pelo menos ajudar ele a se livrar um pouco desses problemas e aí acabou a missão, falei bom, agora preciso de outro trabalho, preciso de outro emprego. Tinha feito o piloto já do Radiofobia para o rádio, porque o Radiofobia nasceu dentro da escola de rádio para ser um programa de humor para o rádio, a gente tinha uma matéria cha…

Luciano          Com esse nome?

Leo                 … Radiofobia, é então, a gente tinha uma matéria lá que era direito, direito no rádio, então aí o professor Nilo, doutor Nilo que era nosso professor falou olha, vocês, como trabalho final da minha matéria eu vou dar uma matéria de jornal verídica para cada um, vocês vão ter que fazer um programa de uma hora de duração comentando essa matéria aplicando tudo aquilo que eu ensinei, ou seja, fale e não vá preso, fale e não seja processado, utilize os ensinamentos do direito do rádio para que você não seja processado, nem a emissora, mas os temas são polêmicos, então já se preparem porque vocês vão ter dificuldade nisso e aí para mim, eu fui escolhido como um dos três líderes de equipe, caiu a notícia de um rapaz que tinha se masturbado na fila do caixa eletrônico e sujado o vestido da senhora que estava na frente dele, dentro de uma agência de um banco e o banco estava sendo processado pela senhora por conta do que esse cara fez, ou seja, como dar essa notícia num programa de rádio falando sobre esse assunto, discutindo durante uma hora…

Luciano          Sem ferir…

Leo                 … sem ferir a legislação. Aí eu falei gente, quem são os mais retardados dessa turma aqui? Aí escolhi a meia dúzia dos caras mais desequilibrados que tinha na minha turma de rádio, falei não consigo pensar em outra maneira de falar desse assunto se não for de forma bem humorada, se não for um programa de humor e eu tenho certeza que quem ouvir esse programa depois dele ir ao ar, vai ficar com tanto medo do rádio que nunca mais vai querer ouvir, esse cara vai ficar com Radiofobia e aí nasceu o  nome, desse programa e aí a gente criou os personagens, eu fiz as imitações, fiz umas vinhetinhas, aí um lá interpretou o doutor Armando Dedão, proctologista; o outro interpretou Carlos Facim que é um ator conhecido aí dos comerciais, gente  boníssima, interpretou uma senhora que era líder do movimento para pompoarismo na terceira idade, sabe a gente criou os personagens malucos, o host do programa, tipo pânico mesmo, falamos sobre isso…

Luciano          Foi uma esquete, vocês montaram…

Leo                 …foi, é tipo… a gente emulou um programa de humor, a gente criou um programa de humor de uma edição única e fizemos e brincamos e tiramos nota 10 e nos divertimos muito e eu falei gente, esse nome, alguém vai querer? Porque se não eu vou guardar para mim, eu vou fazer um piloto, um dia eu vou ter um programa chamado Radiofobia, não Leo, imagina, pega aí tal, não sei o que tem e guardei essa ideia para um dia fazer um programa de rádio, durante o período que eu estava na missão e trabalhando na rádio Banzai, eu fiz alguns pilotos de rádio e levei para algumas emissoras, o Japa me apresentou para o Beto Hora, porque o Japa, ele é o meu “padinho”, eu chamo ele de “padinho” até hoje, até ele se tornou o meu anjo da guarda, me apresentou para o Beto Hora, me apresentou para o Domênico Gato, me apresentou para outras pessoas de rádio, eu fiz o piloto, levei, mas assim, era um piloto para o FM, então era um piloto que se adaptava àquilo que talvez o FM exigisse como linguagem, porque tem toda a questão de vender, tem toda a questão do rádio que a primeira coisa que te perguntam é como é que eu vou botar grana nesse programa aqui, quem que iria investir nisso.

Luciano          Tem limitações, Leo, tem um negócio interessante aí, você sabe que o Café Brasil vai ao ar em 30 rádios pelo Brasil e a principal ainda é a Mundial aqui em São Paulo, então ele vai ao ar bastante na Mundial e eu gravo o programa aqui, levo para casa, escuto, corrijo o programa, ouço o programa 5, 6, 7 vezes até para pegar a embocadura onde é que está precisando melhorar e tudo mais e quando chegava o domingo, na hora de ouvir na rádio, eu botei para ouvir duas ou três vezes e eu detestei o que eu ouvi ali, eu curtia o podcast muito, legal, esse programa ficou legal, quando ia ao ar na rádio, eu ligava o rádio e ouvia, eu tomava um balde d’água a começar pela qualidade do som que vinha da rádio ali, mas era outra história, eu falei é que nem tomar café na xicrinha ou no copo, você bota café para mim num copo, não é mais café, é outra coisa, mas é o mesmo líquido, não adiante, se não vier na xicrinha, é diferente do copo. Se eu vou tomar vinho em casa, eu vou pegar o meu copo, minha mulher não se conforma, eu vu lá, busco o meu copo e ponho vinho no meu copo, se eu trocar de copo e botar no outro copo, o vinho fica diferente. Comigo no podcast é exatamente igual e aí me bateu essa coisa de falar como o rádio é diferente do podcast, embora seja, entre aspas, a mesma coisa que o podcast, porque é tudo igual, o processo é todo igual, o cara…

Leo                 A linguagem é a mesma, muda só a mídia.

Luciano          … mas a hora que o bicho sai e bate no ouvido, para você ter uma ideia, eu nunca mais ouvi e eu faço questão de não ouvir para não me brochar com o Café Brasil no rádio.

Leo                 Então, eu, como tinha essa coisa, esse… não é glamour, mas eu tinha essa hipnose do rádio e tinha acabado de me tornar locutor, realizei um sonho…

Luciano          Você não tinha experimentado o podcast ainda.

Leo                 … não conhecia, nunca tinha ouvido falar, isso já era 2007, 2006, 2007. Obviamente que eu bati nas emissoras, levei os pilotinhos e tal e isso nunca teve aceitação nenhuma, hoje eu agradeço a Deus por isso não ter acontecido porque o rádio que eu queria fazer, não é o rádio que está aí, eu sou um cara que tem toda aminha influência vem do rádio AM, os grandes comunicadores, aqueles que falam ao pé do ouvido com o ouvinte: olá, você aí ouvinte do LíderCast que está ouvindo a gente aqui agora, o que você  está fazendo agora? Amigo, amiga, seja você quem for, bom dia, boa tarde, boa noite. Olá galera, e aí pessoal? Não tem pessoal, eu não conheço ninguém que ouça rádio de turma, então a minha linguagem sempre foi essa linguagem do Zé Betio, do Gil Gomes, do Eli Correia, do Afanásio, do Paulo Barbosa e de outros tantos comunicadores que estão cada vez mais perdendo seu espaço porque o rádio hoje em dia é outra coisa  totalmente diferente e hoje eu sei que eu não seria feliz no rádio se eu estivesse no ar, porque eu estaria tendo que me adaptar a uma mídia que não é o que eu queria fazer, mas enfim, depois eu acabei descobrindo no podcast essa alternativa, então o piloto não deu certo, acabou lá o projeto e aí eu fui chamado para trabalhar na Toyota, como relações públicas especificamente para a comunidade japonesa e também para ajudar como ghost writer, assim ajudar a revisão dos spits do presidente na época e aí eu entrei para a Toyota do Brasil…

Luciano          E aí você é apresentado ao grande…

Leo                 … ao mundo corporativo…

Luciano          … à comédia corporativa…

Leo                 … foi a primeira vez que eu tive que encarar e eu descobri que eu sou um ator fenomenal, porque eu tive que passar por entrevistas que utilizavam uns jargões de RP e de marketing e de comunicação, que hoje, obviamente que eu sei do que se trata tudo isso, mas a primeira vez que eu ouvi os termos, branding, cape i, roy, seja lá o que for sabe, essas coisas do “marquetês”, do “comuniquês” e do “relaçõespubliquês”, eu falei não, imagina, claro, joguei um “sambarilove” até porque eu não tenho curso superior aqui no Brasil e ninguém é contratado para uma empresa como a Toyota para trabalhar nem como estagiário sem curso superior, eu ganhei a vaga na entrevista, porque pegaram e falaram assim, o senhor vai fazer uma entrevista agora, passei pelo gestor, ele aprovou; passei pelo coordenador japonês, ele aprovou. Ah mas ele vai lidar com o presidente, o presidente é japonês. Então ele tem que passar pelo presidente também…

Luciano          Em japonês tudo isso?

Leo                 … tudo em japonês. Aí me levaram para o presidente, aí o presidente na época, o sr. Raseb, falou assim ah você que está fazendo avaliação e tal? Então eu vou fazer um teste aqui com você, você me responde por favor, está bom? “Tá”. Aí ele escreveu três ideogramas num papel, numa folha em branco, aí falou assim: o que está escrito aqui em cada um deles? Ai eu falei… três ideogramas não, três djukogo, são palavras formadas por dois ou mais kanjis. Aí estava escrito três djukogos, eu falei esse aqui está escrito shinkai. E o segundo? É shinkai também. E o terceiro? Eu falei é shinkai. Como assim? Ei falei é shinkai, shinkai, shinkai. A mesma leitura? Falei a mesma leitura, muda um pouquinho a entonação mas a leitura é a mesma. O que muda? Falei muda o significado. O que tem de  diferente? Falei esse aqui significa renovação, evolução. Esse daqui tem mais a ver com profundidade e esse daqui tem a ver com quando as coisas mudam, altera de uma coisa para outra. Aí ele virou para o gestor e falou assim: pode contratar o menino…

Luciano          Esse é o cara.

Leo                 … pode contratar  que não conheço nenhum ocidental até hoje que eu tenha perguntado e que tenha me respondido isso daqui.

Luciano          Olha o insight legal, eu escrevi um texto há um tempo, essa história que você conta aí é perfeito, eu preciso até usar isso em palestra, que aquela questão do conceito do empenho e do desempenho. Empenho o que é? Empenho é o tempo que você gasta pondo para dentro o teu repertório, um corredor, um corredor que vai disputar uma corrida na final da olimpíada, a vida dele é empenho, ele passa a vida treinando, empenhando e treina e chega um dia que ele tem que entregar o desempenho, que é a hora que ele pega aquilo tudo que ele empenhou e bota para fora e a gente inconscientemente passa a vida fazendo isso, quer dizer, você empenhou um monte para aprender o japonês para chegar nesse momento exato em que te exigem o desempenho e você tira lá do fundo e joga, é como se fosse um violinista que vai dar um concerto, aquilo é o momento mágico do concerto, o momento que o cara está no palco, o momento daquela entrega, acontece ali e o cara olha, mas como é que você sabia disso? Bom, eu sabia porque eu estudei “pra” cacete.

Leo                 Eu posso nunca ter… por isso que assim, na hora de explicar o significado, eu não sabia exatamente a tradução de cada uma das expressões, mas por saber o significado dos ideogramas, eu interpretei cada um deles e aí eu dei a diferença.

Luciano          Que é uma coisa que talvez nunca mais você vai precisar fazer na sua vida…

Leo                 Provavelmente não.

Luciano          … nunca mais.

Leo                 Provavelmente, de lá para cá eu nunca precisei.

Luciano          No momento chave que você não tinha margem para chutar, se você chutasse você tinha dançado e foi só para aquele momento, quer dizer, o empenho que você fez ao longo da sua vida é para aquele momento único e ali tem uma virada na tua vida e muda a tua história toda…

Leo                 E sabe que é interessante, que eu nunca teria conhecido o podcast se eu não tivesse entrado para o mundo corporativo, porque foi a infelicidade que me motivou…

Luciano          A procurar uma alternativa.

Leo                 …  é, porque depois de ter ficado lá durante um ano, um ano e pouco, eu tive certeza que não era o que eu queria para mim, primeiro que nunca tinha sido, eu nunca tinha vislumbrado isso, mas aí eu falei gente, essa disputa aí horizontal, essa disputa por poder, essa coisa do…sabe… como é que eu posso tirar vantagem e tal, falei isso vai de encontro com toda a formação de caráter que eu tive, aquela lá da messiânica, os valores,  aquilo tudo, não bate, eu não consigo. Ah mas você tem que aprender porque tem que ser assim e tal, você tem que ser duas caras. Eu falei não, não vale a pena, não estou feliz, eu quero fazer rádio, ainda dá tempo, sabe, ainda dá tempo, mas eu não posso entrar para uma emissora para começar como o menino de 17 anos começa, porque ele  vai fazer madrugada, ele vai fazer folga, ele vai ganhar oitocentos reais por mês, eu tenho mulher e dois filhos para sustentar, 32 anos nas costas, não dá, como é que eu vou fazer? Falei já sei, vou fazer dublagem, adoro, sempre gostei disso. Mas eu preciso fazer teatro. Puta, então vou correr atrás de um curso de teatro, aonde que tem curso de teatro? Tem no Tablado, no Rio, tem não sei aonde, tem uma escola que fica ali perto do Shopping Eldorado, não sei o quê, eu vou fazer e aí eu comecei a correr atrás disso e aí eu descobri um cara que eu me identifiquei com a história dele porque eu ouvi uma entrevista dele para um cara chamado Almir Marques, de uma rádio que era a Rádio de Rio do Sul, em Santa Catarina e ele deu entrevista, ele é um dublador, Guilherme Brigs o nome desse cara, quem diria que eu iria me identificar tanto com a história desse cara que se tornou um ator sem nunca ter estudado teatro por ser artista e aí eu falei eu quero conhecer mais quem é esse Guilherme Brigs, eu quero saber mais sobre ele, comecei a correr atrás de coisas a respeito dele e aí eu encontrei  um programa chamado “NerdCast, 94 Max traga minha capa”, com Guilherme Brigs e esse foi o primeiro podcast que eu escutei na vida.

Luciano          Quer dizer, você nem sabia o que era, você estava…

Leo                 Eu queria coisas sobre o Brigs…

Luciano          Estava no Google, era Google na época, deixa eu ver o que tem aqui e ele puxa o Nerdcast.

Leo                 Aí no Brigs, eu peguei e baixei, aí ouvi  o programa, 2008 Nerdcast já estava com dois anos, quase três anos que estava  no ar e aí eu ouvi mais ainda me identifiquei com a história do Brigs, só que aí veio e falei o que é esse negócio aqui? É um programa de rádio, puta mas está na internet, como é que é isso? Ah você assina o feed, na época tinha o Google Reader, que era o flick que todo mundo ficou órfão dele quando ele acabou. Falei posso assinar quando tiver o novo episódio ele me avisa que tem o novo episódio… Espera um pouco, mas essa linguagem é linguagem de rádio, não existe diferença entre o Radiofobia que eu queria fazer no rádio e isso daqui, olha só, os caras usam trilha sonora, ah que safadinho, botou um efeitinho aqui para esconder que ele mudou de trilha, olha cortou, aqui tem um corte de respiração… espera um pouco, eu consigo fazer esse aqui também, ai comecei a ouvir primeiro, seis meses quase eu ouvi todos os Nerdcast que eu pude, no rádio do meu carro, eram quatro horas por dia no trânsito, eu queimava em CD 10 episódio num CD, ouvia no meu carro, meu parabrisa  pesava de tanto CD que tinha de Nerdcast lá até que chegou o momento que eu falei assim, do Nerdcast eu descobri outros programas e eu vi que existia um universo chamado podcast e que era uma mídia de áudio, basicamente, porque na época já tinha Youtube e vídeocast era uma coisa que não estava…. não pegou vídeocast, todo mundo foi para o Youtube, falei então espera um pouco, eu posso fazer isso também, aí chamei o meu amigo de infância que brincava de rádio, de Djalma Jorge comigo lá em Serra Negra, com fita k7 e tal, imitando Viva o Gordo, Chico Total, aquela coisa toda, Tatá e Escova, Perdidos na Noite. Falei Queça, que hoje é padrinho do meu filho mais novo,  meu melhor amigo da vida inteira, falei lembra aquela brincadeira que a gente fazia quando tinha 11 anos? Lembro. Vamos fazer pela internet? Eu aqui em São Paulo, em São Bernardo, você aí em Serra Negra, a gente se fala por Skype, eu já tenho uma mesinha de som aqui, que eu já tinha uma mezsinha, um microfone que eu fazia locução freela quando pediam alguma coisa, locução em japonês, às vezes um voice over para um documentário, prestava um serviço assim, o Arnelas que também é ministro da messiânica, um locutor também conhecidíssimo no mercado, vira e mexe me arrumava um freela para fazer e tal, para ganhar uma graninha. Falei eu tenho a técnica para fazer aqui, vamos fazer? A gente fala por Skype, entrevista as pessoas, fala “aquelas abobrinha” que a gente falava quando era moleque e aí tirei o nome do Radiofobia da gaveta, com formato totalmente diferente do que era para o rádio, mas era para resgatar essa brincadeira de infância com o Queça, agora via podcast que eu tinha acabado de descobrir que eu podia fazer.

Luciano          Sem ter ideia de o que isso ia dar.

Leo                 Eu só queria resgatar…

Luciano          Vou curtir para ver o que dá, uma curtição.

Leo                 … porque eu e ele, a gente, melhor amigo da vida inteira, a gente nunca perdeu a amizade, mas a gente ficou distante durante muitos anos, então a chance de poder estar de novo com ele, duas vezes por mês, falando abobrinha e transformar essa nossa brincadeira num negócio que poderia ser ouvido por outras pessoas, se expressar ali, era o que a gente queria fazer só. Ele gostou da ideia, fiz alguns testes de gravação, me satisfiz com a qualidade sonora, porque eu sempre fui muito chato para esse negócio de qualidade de som, quando eu vi que estava bom, convidei quem para o primeiro programa? O Japa, claro. Ele aceitou, a gente gravou e aí a gente gravou na segunda feira de carnaval de 2009, quando foi primeiro de março de 2009 foi publicado o primeiro episódio do Radiofobia e aí eu voltei…. ainda lá trabalhando no mundo corporativo, isso passou a ser uma muleta, um hobbie para mim, uma válvula de escape…

Luciano          Era o esquema Clark Kent – Super Homem. De dia você Clark Kent e a noite, o fim de semana, você é o Super Homem.

Leo                 Exatamente com dois filhos para dar atenção, com mulher, passando quatro horas por dia dentro do carro, voltava para a casa, saia de casa cedo, os filhos ainda estavam dormindo, chegava em casa a noite, os filhos já estavam dormindo, dava um beijo lá, dava a “bença” para eles, tomava um banho, sentava na sala uma hora, uma hora e meia editando, produzindo, gravando e tal para soltar dois programas por mês e virou a minha válvula de escape, para aquele  mundo corporativo que eu não  tinha como sair dali, porque eu precisava sustentar a minha família.

Luciano          Quanto tempo durou isso?

Leo                 Durou o quê?

Luciano          Esse processo de você ir construindo o Radiofobia e ao mesmo tempo continuar na Toyota.

Leo                 Então, eu assim.. chegou o momento  que eu não aguentei mais e pedi demissão da Toyota, fiz um acordo com eles lá, na verdade, consegui que eles me demitissem, graças a Deus por onde eu passei eu sempre fui muito benquisto, muito querido, então eu consegui que eles me demitissem, de boa total, para poder pegar um fundo de garantia gordo, de quatro anos de Toyota e me ajudou muito nesse momento, mas eu pedi demissão da Toyota para assumir como gerente de comunicação da Editora JBC, que era algo que eu senti que ia me dar mais satisfação porque eu ia lidar com mangá, ia lidar com literatura, com entretenimento, coisas mais próximas daquilo que realmente eu gostaria de fazer e aí eu fui, em 2011, saí da Toyota  e fui para a JBC para trabalhar como gerente de  comunicação, mas aí o Radiofobia já tinha dois anos, então…

Luciano          Como hobbie

Leo                 … com hobbie, mas assim, os 17 primeiros programas, eu fiz o que a gente está fazendo aqui agora, eu gravei o papo, o que eu faço hoje para os meus clientes, gravo o papo, depois corta, edita a voz, coloca música, finaliza. Eu falei mas não é isso que eu quero fazer, porque imagina, se eu tivesse lá na cadeira do Emílio, eu não ia estar fazendo isso, eu ia estar fazendo ao vivo, bota a música aqui, deu errado? Deu errado acabou, falou besteira, falou besteira, acabou, o tesão do rádio é fazer o negócio funcionar ao vivo, então a partir do programa 18 eu fiz um teste, fiz uma gambiarra fenomenal botando dois computadores na mesinha de som, tentando tirar o eco que voltava do Skype e tal, achei um jeito de fazer ele ao vivo, aí nasceu a “Ténica”, nasceu a minha válvula de escape que é 100% inspirada no Djalma Jorge e no Lalá Moreira, que foi a nossa verdadeira técnica nos anos 90 lá com o Tutinha, que era a minha válvula de escape, enquanto eu xingo a Ténica eu estou procurando a trilha certa aqui para colocar e se deu errado eu brigo com ela e aí eu comecei a fazer o programa ao vivo, aí as pessoas começaram a ouvir, espera aí, o que que é essa Radiofobia, quem é esse cara? O cara faz ao vivo? Não pode ser, ao vivo? Ele bota trilha em tempo real? Não edita? Não, é tudo feito ali ao mesmo tempo. Mas espera um pouco, como é que é isso? Quer vir dar uma palestra aqui na Campus Party para falar sobre isso? Quer vir aqui fazer isso ao vivo aqui num evento do Youpix para mostrar para a gente como é que faz? E aí comecei mesmo como hobbie, a ser chamado para mostrar esse diferencial nos eventos de mídias sociais, então quando eu entrei na JBC eu já era conhecido nesse meio de podcast, já tinha muitos amigos, o programa já estava indo para o terceiro, para o quarto ano já no ar e eu já estava sendo chamado para compartilhar essa experiência.

Luciano          A marca Radiofobia…

Leo                 Começou a…

Luciano          … aparecer com força na podosfera.

Leo                 … aí que começou a aparecer tipo assim: ah a Radiofobia, Leo-Radiofobia, por quê? Porque sem ele aquilo lá não acontece, outra pessoa conseguiria editar, obviamente, mas ali é o meu feeling, é a minha espontaneidade, o meu improviso e tudo, então assim, eu não vislumbrava que isso poderia ser um negócio, achava que isso…

Luciano          Dá uma pausa antes de entrar no negócio, eu queria trocar essa ideia com você aqui que é interessante, a gente até falou um pouquinho sobre isso na hora do almoço, você estava todo cheio de dedos, porra eu não posso falar muito isso aí em público, a gente pode falar entre nós aqui, mas eu não posso em público dizer que a alma desse negócio aqui sou eu porque como eu não tem outro, vai ter outro que pode chegar aqui e fazer tudo o que eu faço, do jeito que eu faço, mas Leo é o Leo, não vai ter outro Leo. Eu quero trazer essa coisa desse componente da arte para isso que nós fazemos aqui, no meu caso é a mesma coisa, quer dizer, pô, tudo o que nós estamos vendo em volta aqui o dinheiro compra, eu consigo montar um estúdio desse aqui, tudo isso a gente faz, o software é igual para todo mundo, redigir, tudo isso existe para qualquer pessoa, na hora de montar aparece a arte, que é aquela história de fazer o pudim, todo mundo faz pudim, agora tem umas madames aí que a hora que faz, o pudim da minha mãe, o que é que tem esse pudim, é da minha mãe e alguma coisa ela faz lá que aquele pudim é imbatível, que é a tal da arte, quando você bota a arte ali dentro e aquilo faz uma diferença. Então muitos ouvintes, eles não conseguem entender o que é isso, mas eles percebem, eu estou ouvindo um programa aqui, o que tem de tão maluco nesse programa? No fim não tem nada demais, mas tem, tem alguma coisa ali que é esse componente da arte que entra ali, então quando o Leo fala aí dessa questão toda de ele fazer o negócio ao vivo, que ele está com todo o equipamento ligado, botou o rack, ele está gravando e o que acontecer ali está definitivamente gravado para ir ao ar, quando você leva para o cúmulo, que você ainda tem um jogo que você vai botar no  ar daqui a logo mais, ainda dá tempo de corrigir a grande cagada lá, mas num programa de rádio tipo o Pânico, foi para o ar foi, não tem o que fazer, não há mais retorno. Tem uma adrenalina naquela hora, na hora de botar o play, aquele frio na barriga porque aí começou e eu não tenho dúvida nenhuma que essa adrenalina é o gatilho dessa arte…

Leo                 Sim, mas é isso que me move.

Luciano          … eu vou até exagerar um pouco que eu acho que naquele momento que você aperta aquele play, você vira um autista, você é um autista, assim como o Messi é um autista que a hora que apitou ele bota a bola no pé, sai da frente…

Leo                 Nada mais que está em volta vai te chamar a atenção…

Luciano          … o mundo desapareceu, sumiu e aqui sou eu com a minha arte e aí vão acontecer coisas que eu não fazia ideia que podiam acontecer. Em certa medida acontece comigo aqui na hora de fazer o Café Brasil, nós temos um trabalho um pouco diferente do seu, é parecido em certa medida, mas ele é diferente porque tem uma pausa, trabalha, volta, refaz aquilo tudo, mas acontecem coisas que a gente não faz ideia, eu venho com o programa mais ou menos na cabeça, quando senta aqui, na hora que ligou, deu o frio na barriga… pau…  Eu não acho que isso seja diferente de um artista que sobe no palco para cantar e fazer uma baita de uma performance no palco lá, não acho que isso seja diferente de um ator que sobe no palco e vai fazer, quer dizer, aquela coisa de estar na hora de acontecer e a adrenalina vem e aí junta aquilo tudo, teu preparo, o tempo todo de experiência que você fez ali, o fato de você montar a estrutura com a tua cara, quer dizer, a minha máquina, os meus botões, é o meu jeito de fazer e aquilo gera um produto que se não é o Leo, não dá para fazer igual, entendeu? Dá para fazer alguma coisa parecida, mas igual não vai sair nunca.

Leo                 É, eu nesse período, é assim, eu confesso que lá no meu fundinho do meu coração eu tinha uma esperança de que talvez o jogo virasse em algum momento, porque eu sempre fui uma pessoa muito intensa, eu sofri muito com isso, ainda hoje eu sofro, eu me empenho demais nas coisas que eu faço, eu me entrego demais sabe, eu sou bocó de tudo, porque eu não consigo ficar medindo prós e contras, se acho que aquilo ali vai, eu caio de cabeça de uma maneira tão grande que às vezes eu não vejo que a piscina não tem água e eu caio e bato com a cabeça no fundo e aí falo putz, mas o impulso era tão grande que eu acabo indo, então…

Luciano          Que não tem nada a ver com a cultura japonesa.

Leo                 … não, nesse aspecto não, mas eu sou latino, eu não sou japonês, então…

Luciano          O japonês ensaia 10 anos, toma a decisão e não para mais, o brasileiro toma a decisão agora e depois vai consertar 10 anos.

Leo                 … então, mas aí é que está, uma vez eu dei uma entrevista no centenário de imigração japonesa, que é um fato curioso porque descobriram que eu era um ocidental que tinha incorporado aspectos da cultura japonesa, foram pedir patrocínio na Toyota, a Toyota não tinha dinheiro para dar o patrocínio, mas descobriram que eu poderia dar um testemunho, ser um entrevistado desse documentário e pediram para me entrevistar, contar minha história de vida, meu relacionamento com o Japão e tal e aí eu aceitei e essa entrevista foi feita dentro na nave da igreja messiânica de onde eu tinha saído havia quatro anos, autorizado pelo reverendo que tinha pedido para eu me dispensar dizendo que eu seria mais útil na sociedade e tinha uma equipe de televisão me entrevistando dentro da nave da igreja messiânica e eu pude ver do lado de fora do vidro o olhar de orgulho dele e quando eu saí ele me abraçou e falou assim: não falei? Sabe, então eu absorvi aspectos da cultura japonesa mas, não para me tornar um japonês, eu cumpro meus horários à risca, isso é coisa de Japão, que eu aprendi, que eu não tinha…

Luciano          Disciplina.

Leo                 … cumpro meus horários à risca, a minha palavra para mim vale por um documento escrito, então se eu falei que vou fazer, eu vou fazer, você pode até exigir a minha assinatura, mas nem esquenta a cabeça, porque se eu falei que eu vou fazer, eu vou fazer, se alguma coisa fere os meus valores, não adianta tentar me convencer do contrário, porque eu não vou compactuar com isso, então esses aspectos eu absorvi sabe, mas eu sou sangue latino, italiano, português e espanhol aqui, tudo misturado, então eu pago um boi para não entrar numa briga, mas se eu entro eu pago uma boiada para não sair dela, aquele cara que defende os amigos entrando de voadora…

Luciano          É paixão, não é?

Leo                 … então isso eu confesso que lá em algum momento eu tinha essa vontade, porque mesmo na JBC eu não estava feliz, porque tem o mundo corporativo tem isso e a carreira CLT tem esse negócio de você tem uma lei para cumprir, você tem um horário para entrar, você tem um horário para sair, você tem essa coisa sabe, ou segue ou não segue, é my way or the highway, você não tem o que fazer, tem que cumprir, a lei não existe para ser discutida para nós, como diz o Emílio, afegãos médios, a lei existe para ser cumprida, não para ser discutida, quem discute é o poder legislativo lá e eu não estava feliz, então eu que já tinha um relacionamento com pessoas de internet, de mídia e tal, comecei a mandar alguns e-mails assim gente, vocês me conhecem, eu estou aqui e tal, mas eu estou em busca de novas oportunidades, se alguém souber de alguma coisa que seja ligada à parte de comunicação, à parte de produção, eu estou apto a tentar, mais uma vez, mudar de carreira, fazer aquilo que eu faço e tal. Isso foi ao longo do  ano de 2012, a gente tinha feiro aquela CuboGeek dentro da Campus Party que foi um negócio que deu uma “paudurescência” impressionante de saber que você conseguiria mobilizar, você estava junto com a gente lá, você sabe o que a gente fez acontecer ali, então tinha dentro de mim uma esperança de que isso um dia poderia ser algo principal…

Luciano          Um business.

Leo                 … poderia ser algo principal…

Luciano          Um negócio, teu podcast como um negócio.

Leo                 … é se não o meu negócio, mas eu poderia trabalhar junto com alguém que fizesse isso, eu não pensava em empreender, essa visão eu nunca tive de ah, eu vou me tornar dono do meu próprio negócio, não, eu estava falando com meus amigos infeliz, pedindo oportunidades de trabalho e foi nesse meio que sem ter a menor ideia de que isso um dia pudesse acontecer, veio o convite do Jovem Nerd para que eu assumisse a edição do podcast deles lá do Nerdcast…

Luciano          Teve uma sondagem, alguma coisa assim ou não? Pintou um e-mail Leo quero falar contigo?

Leo                 Então, um ano antes a gente fez uma brincadeira da Campus Party que foi na Campus Party de 2011 que foi aquela coisa da maratona podquestal, eu, Tato e Mauri fizemos na bancada 12 horas ao vivo e todo mundo que vinha ligava o microfone e fazia tudo em tempo real, aí o Jovem Nerd que naquela época ainda podia se dar ao luxo de frequentar a bancada lá embaixo junto com o pessoal, falou assim gente, eu preciso gravar os e-mails do Nerdcast dessa semana, naquela eles viravam a noite de quinta para sexta editando, ele falou eu vou ter que gravar, mas eu vou ter que editar, vou ter que botar música, eu posso gravar aqui nessa brincadeira de vocês? Vocês tem como gravar para mim, depois me manda o áudio eu só insiro e publico no programa? Ah claro, com certeza. E aí foi lá numa determinada hora e ele foi lá à noite e a gente botou musiquinha, fui lá eu fazer ao vivo musiquinha entrando tal e ele muito bem, estamos aqui para mais uma leitura de e-mails, agora ao vivo, sobe música, desce música, chegou uma hora que ele falou assim gente do céu, eu queria aprender a fazer isso, eu não quero mais editar, me ensina a fazer isso pelo amor de Deus, eu vou ficar mal acostumado e tal e aí foi uma primeira chance que eu tive de mostrar o que eu sabia fazer. Nesse meio tempo eles me chamaram para captar um áudio que eles participaram de um evento no Youpix, que fizeram uma mesa com o Sérgio Mallandro, uma entrevista com o Peréio, então vira e mexe, a gente fez amizade e vira e mexe… e o CuboGeek que foi o que acabou, um ano depois, porque eles foram chamados, o Jovem Nerd…

Luciano          Para quem está ouvindo a gente, o CuboGeek foi uma ação que aconteceu durante uma Campus Party que foi…

Leo                 Em 2012.

Luciano          … aquele evento gigantesco aqui em São Paulo, lá no Parque Anhembi, onde a turma do podcast conseguiu construir um cubo mesmo, é um cubo mesmo que era um estúdio…

Leo                 Era um cubo retangular, mas era um cubo.

Luciano          … era um estúdio montado dentro da feira e ali dentro a turma entrava e gravava e botava no ar o podcast ali em tempo real e então foi um grande acontecimento.

Leo                 É, o Internei, a Bia e o Bob que eram os curadores de conteúdo procuraram o Jovem Nerd e falaram olha, a gente tem um patrocinador que quer investir em um estúdio, alguma coisa assim e tal e a gente queria que vocês, a curadoria de vocês tocasse, aí o Jovem Nerd falou olha, eu não consigo fazer mas eu tenho alguém do meu círculo de amizade que consegue e aí falou comigo, com o Tato e com o Mauri, Tato e Mauri que são da Rede Geek, parceiraços ele falou vocês três não querem assumir isso? A gente assina mas vocês administram, fazem a programação, uma noite, um horário toda noite a gente vai lá para fazer o Nerdcast live e vocês administram isso e a gente administrou, fizemos e foi aquilo que é a história que todo mundo sabe, quem eventualmente quiser saber mais eu deixo alguns links que você pode colocar no post, que tem os vídeos no Youtube que mostram com foi, inclusive com a sua participação lá no nosso tutorial, podcast tutorial que a gente falou sobre produção, que você foi lá conversar com a gente, a gente entrevistou você.

Luciano          Em meio a uma tempestade inesquecível.

Leo                 Nossa, aquela chuva que a gente fez, ainda não caiu o programa e a gente tem isso lá no longínquo ano de 2012.

Luciano          Leo, business. Podcast como um business. Muito bem, o pessoal te convida e você fala opa, lá vou eu…

Leo                 Não, eu falo não…

Luciano          Você diz não.

Leo                 … não, primeiro momento eu falo não, porque eu achava que eu tivesse que fazer em paralelo com o meu trabalho e eu já tinha o Radiofobia que eu mal tinha tempo para fazer mesmo sendo ao vivo e tudo e aí no primeiro momento eu neguei, porque imaginei o trabalho que aquilo fosse dar e eu falei que não, mas ele falou não querido, você não está entendendo, quanto é que você ganha aí hoje aonde você trabalha na editora? Eu falei ah, eu ganho X por mês, ele falou então, Nerdcast tem um por semana, eu vou te pagar tanto por programa, vezes quatro ou vezes cinco, dependendo da semana, acho que cobre o que você ganha aí, não cobre? Eu falei opa, espera aí, agora a coisa mudou de figura, ele falou não, não estou te sugerindo um extra, eu estou te sugerindo uma oportunidade de montar um negócio seu, você faz o Nerdcast uma vez por semana, supondo que você leve aí, sei lá, metade da sua semana útil para fazer um programa, o resto, a outra metade da semana útil você faz o que você quiser, se empenha no seu programa, enfim, aí cria, sei lá, vai ganhar dinheiro de outro jeito também, mas entregando o nosso, a gente não está querendo contratar você, a gente está querendo que a sua empresa, que eu já tinha uma empresa aberta, uma pessoa jurídica, preste serviço para a nossa empresa Pazos e Ottoni Ltda., é uma relação entre pessoas jurídicas e aí como que você vai direcionar o seu negócio você faça o que você quiser, aí puxa, aí o que se vislumbrou não foi uma proposta de emprego, foi uma oportunidade de mudança…

Luciano          Montar seu próprio negócio.

Leo                 … é e aí eu fiquei meio barata tonta assim, porque eu nunca tinha pensado nessa possibilidade.

Luciano          Você já estava em Serra Negra?

Leo                 Não, não…

Luciano          Você estava em São Paulo ainda.

Leo                 Eu morava em São Bernardo e trabalhava na JBC que fica ali no Metrô Santa Cruz, ali perto.

Luciano          E aí surge diante de você uma possibilidade de fazer uma mudança radical na sua vida…

Leo                 É, pela terceira vez.

Luciano          … mergulhar de cabeça naquilo que você ama fazer, o que eu acho curioso nessa história toda é que você vislumbra um business, vou comparar comigo, eu vislumbro o podcast como um business, como um produtor de conteúdo para podcasts, você cria um business como uma máquina de edição de podcasts, editando o conteúdo, quer dizer, nós dois estamos no mesmo segmento, a minha visão foi uma outra, não passa pela minha cabeça de ganhar dinheiro editando e para você isso fica muito claro a ponto de você olhar e falar aqui há um caminho para poder fazer aquilo que eu já faço hoje, que eu amo fazer, prestar serviço para outros e ampliar isso de uma forma a montar um grande negócio, que se eu não estiver errado, talvez seja o primeiro negócio 100% podquestal no Brasil?

Leo                 Sim

Luciano          Não porque o Jovem Nerd não é, o jovem Nerd é um conglomerado de coisas,

Leo                 É uma holding praticamente…

Luciano          site, o podcast é um dos canais aí…

Leo                 … ainda é o principal…

Luciano          Mas é um canal e não é tudo o que eles fazem ali. Se você for no B9 também, é uma agência, é outra história. Você nasce como, isso aqui é um negócio de podcasts, o que você faz? Podcast. Mais o que? Podcast. Num mercado que ainda não sabe direito o que é e aí, como é que você pensou isso tudo aí?

Leo                 Então, num primeiro momento eu criei como nome fantasia a Radiofobia Podcast e Multimídia, pensando exatamente na possibilidade de um dia ter outras cestas para botar os meus ovos que não fosse só o podcast então poder fazer também vídeo institucional, qualquer coisa nesse sentido, não necessariamente podcast, identidade visual, site, logo e branding e tudo mais, já deixei isso bem claro num primeiro momento, mas lógico que essa marca que até então já estava consolidada que é a minha imagem pessoal ligada ao podcast e a partir do momento que foi anunciado depois de 3 meses que o Nerdcast já não vinha mais sendo editado por eles, porque foi uma estratégia que a gente criou lá, eles falaram assim, a partir de amanhã quem vai editar é o Leo, nego ia achar defeito por mais igual que fosse, então a gente fez o quê? Eu editei 10 programas e ninguém… não foi avisado que era eu que estava fazendo, no décimo primeiro eles anunciaram que a gente terceirizou a edição e o Leo já está. Ah mas…  Não, então, esse aqui já é o décimo primeiro programa que ele faz, então se ninguém reclamou até  agora, não reclamem mais porque ninguém achou diferença nenhuma, eles falaram nós continuamos aprovando todos os processos, mas não há diferença, nós fazíamos o que ele faz.

Luciano          Você vê que interessante, isso é uma preocupação que nenhuma mídia tem, só o podcast, porque tem uma paixão envolvida, o ouvinte  é um apaixonado, o cara que faz é apaixonado, você mexe num negócio no dia seguinte vem todo mundo, aquela gritaria, se é um programa de rádio…

Leo                 Mudou o produtor…

Luciano          … que produtor, que… televisão, que mudou, ninguém está nem aí para ninguém, no podcast cuidado porque vai haver um impacto.

Leo                 … eles tiveram cuidado especial porque o Nerdcast foi onde tudo começou, o site existia desde 2004, mas só quando o Nerdcast nasceu em 2006 é que eles começaram a ter uma projeção maior e tudo o que veio depois, a loja, os livros e os negócios, tudo veio como frutos de sementes que foram plantadas no podcast. Então com a anuência deles, obviamente, com o incentivo deles, e eu aprendi muito observando o lado empreendedor dos dois também, comecei a estudar, fui me qualificar para isso.

Luciano          Quero fazer um LíderCast com os dois, você precisa me ajudar a trazer os dois aqui…

Leo                 Vamos, com certeza.

Luciano          …eu não sei se cabe aqui, cabe?

Leo                 Não sei…

Luciano          Cabe aqui dentro?

Leo                 Talvez se não couber aqui, nós temos outros estúdios ainda a gente pode ir fazer, tem agora o estúdio parceiro da Radiofobia aqui em São Paulo que a gente pode levar eles lá também, vamos.

Luciano          Tem uma história de empreendedorismo deles dois ali que é muito legal.

Leo                 Vamos fazer com certeza.

Luciano          Mas aí você monta o… aí você bota na cabeça que vai nascer o meu próprio business, saio da empresa.

Leo                 Ah aí foi um passo de coragem porque assim, eu até então eu sempre, como eu falei, eu sempre fui muito pé no chão, então eu não teria coragem de falar ah vou me aventurar, vou largar tudo, vou fazer, não, o meu pai sempre falou…

Luciano          Aos trinta e?

Leo                 … 38…

Luciano          38 anos.

Leo                 … já a  esposa grávida do terceiro filho e aí, só que aí eu falei para ela, meu bem não é agora, mas trocar o certo pelo duvidoso, esse contrato com o Jovem Nerd ele é algo que ele vai durar o tempo que existir Nerdcast ou até eu fazer uma cagada homérica que perca a amizade dos dois, mas em não acontecendo nenhum dos dois, é algo que vai continuar por muitos e muitos anos, eu falei e já cobre o que eu ganho aqui, quer dizer, a gente não vai ter impacto financeiro num primeiro momento, como não preciso mais fisicamente estar aqui em São Paulo, a gente pode ir para perto de uma das duas famílias, ou a dela no Rio, ou a minha em Serra Negra e aí por razões óbvias de segurança e tudo mais a gente optou pelo interior,  por custo de vida e tudo, ela estava grávida, nosso filho ia nascer em alguns meses, então lá teria o apoio lado a lado da minha irmã, do meu pai, então a gente resolveu mudar para Serra Negra e eu falei agora vai dar oportunidade de eu trabalhar em casa, eu estou ali do seu lado, posso ajudar você a desenvolver o seu próprio negócio também,  que ela queria abrir uma empresa de confeitaria e panificação, vou poder ajudar a criar o crescimento do pequenininho agora, que está vindo depois de 12 anos de diferença dele para o mais velho, ter o pai em casa o dia todo vai ajudar nesse sentido também e ai a gente resolveu, então, a encarar, eu durante umas 3, 4, um mês mais ou menos eu já estava editando o Nerdcast e meio que virei noite, não dormi direito, ainda na JBC, cumprindo aviso prévio aquela coisa toda, indo para Serra Negra procurando apartamento e tal. E o resumo da ópera: a proposta do Jovem Nerd chegou em setembro, em agosto, eu comecei a editar o Nerdcast  no dia 12 de setembro de 2012, quando foi 15 de dezembro de 2012, eu já estava mudando para o meu apartamento em Serra Negra e recomeçando a vida lá e aí foi um trabalho de construir, aí começou a luta, como que eu vou fazer um business focado em podcast? Como que eu vou convencer empresas e pessoas de que é uma mídia que vale a pena ser investida, que é uma  excelente alternativa para as estratégias consagradas de comunicação e marketing que uma empresa possa ter, porque o meu foco não seria em publicidade, meu foco seria em vender a produção ou a edição e também a consultoria que é ensinar as  pessoas a fazerem por conta própria, dar treinamento para quem quisesse aprender, como eu já tinha meu curso online, então dar o treinamento, assim como o livro também, para que as  pessoas  pudessem fazer por conta própria, então aí eu comecei a pensar em algo que pudesse abraçar várias etapas da produção do podcast, oferecendo serviços ou parciais, dentro da necessidade de cada um, ou mesmo uma solução completa do 0.

Luciano          Pois é, mas aí Leo é um só…

Leo                 É, sou só eu.

Luciano          … seu tempo, suas horas são limitadas, como é que faz?

Leo                 Então, aí foi o que inevitavelmente aconteceu que o Nerdcast me tomava, num primeiro momento exatamente aquilo que eu tinha pensado, metade da semana útil, começou a surgir outros programas para fazer também e quando eu fui ver, o meu tempo livre, o meu tempo já tinha se esgotado e eu virei o gargalo do meu próprio negócio assim, eu não consigo fazer mais do que eu conseguiria fazer, só se eu dormisse bem menos ou não comesse, sei lá, qualquer coisa assim, aí então falei agora preciso absorver e treinar pessoas que façam como eu faria e estabelecer um processo, ferramentas de controle desse processo, criar um padrão de qualidade e um processo onde me permita revisar e checar as etapas para que quando seja entregue um programa ainda que editado por um colaborador da minha empresa, ele saia com a minha assinatura, com meu selo de qualidade e aí que eu comecei a absorver editores para trabalhar comigo.

Luciano          E aí o interessante é que quem imagina que o Leo montou uma casa com quatro salas e edição e tem lá trabalhando, entrando as 8 e saindo às 18, 14 moleques com ele lá, não é assim, o negócio é totalmente virtual, você acabou agregando em torno de você uma série de profissionais, então o case mais interessante era o Thiago Miro, o Thiago está lá em Olinda e é o cara que abraçou junto com você esse desafio…

Leo                 É, no primeiro momento quem começou a trabalhar comigo foi o Viváqua, eu ofereci para ele o nosso segundo cliente que foi o Tecnoblog, o Tecnocast, o podcast lá do Tecnoblog, do Thiago Mobilon, o Viváqua editou por  alguns meses, mas depois ele abraçou um projeto diferente e pediu para não fazer mais e  aí  no lugar dele veio o Caio Corraíne que assumiu o Tecnocast e está com o Tecnocast até hoje, mas o Caio já tinha outros projetos que o tempo dele também já estava quase todo ocupado com esse, então quando surgiu o terceiro cliente, aí eu tive que procurar um terceiro editor e aí, na verdade, o Thiago Miro eu chamei na época que eu estava terminando de compilar o meu livro, fazendo o rascunho do meu livro e o boneco do livro e aí eu precisava de uma ajuda para fazer tabelas e  figuras e tudo mais e tal e aí ele, eu falei com ele e aí absorvi ele na equipe, ele me ajudou nesse processo, a próxima edição que surgiu eu já passei para ele e aí  o tempo livre dele, como ele não fazia nada a não ser já algumas coisas de podcast por conta própria, ele tinha mais tempo para absorver mais projetos, quando esgotou o tempo dele, aí veio mais um editor e quando veio um outro projeto que bateu o tempo com esse outro editor, aí veio o quinto editor para trabalhar com a gente, assim foi crescendo.

Luciano          Hoje tem um grupo de cinco editores, mais…

Leo                 Comigo somos cinco. Cinco editores contando comigo, mais um editor de vídeo, mais um designer.

Luciano          Quantos podcast vocês estão editando? Quantos clientes você tem hoje?

Leo                 A gente tem fixos, entre doze, doze clientes agora, porque um contrato agora a gente está renegociando, a gente tem doze clientes fixos, com contrato que vão até o final de 2017, muitos que vêm esporadicamente pedindo coisas pontuais, são serviços que a gente entrega aí ao longo de um mês, a gente não chega nem a elaborar um contrato, porque é uma coisa muito rápida e o nosso designer tem também resolvido muita coisa, a gente está agora prestando serviço nisso, de branding para podcasts, de identidade visual, ensinando as pessoas a trabalharem a marca de uma maneira mais inteligente, então somos hoje sete profissionais na empresa trabalhando, que a gente entrega hoje, vai, uma média de 50 podcasts por mês, 50 episódios de podcast por mês.

Luciano          Virou uma fábrica, que coisa fantástica.

Leo                 E é uma linha de produção mesmo.

Luciano          Quanto tempo faz isso?

Leo                 O quê?

Luciano          Desde o momento em que você sai da empresa e aí mergulha de cabeça nisso.

Leo                 Agora em setembro vai fazer cinco anos.

Luciano          Quer dizer, em cinco anos você saiu do lobo solitário para montar esse projeto que tem uma escalabilidade gigantesca, porque você pode agregar mais gente na medida em que for necessário.

Leo                 Foi o meu grande desafio pensar, porque como que o negócio vai crescer se vai ficar na minha mão, eu como lobo solitário que nem você falou agora, tenho as mesmas 24 horas que todo mundo, a necessidade de descanso e alimentação e de exercício e de laser que todo mundo tem também, uma família, esposa, três filhos que também demandam a atenção, a minha atenção, então o formato que eu acabei, na verdade eu não inventei a roda, na verdade eu peguei o formato de uma produtora ou de uma agência e trouxe esse formato para entro da minha empresa, então  a minha empresa ela nada mais é do que uma produtora, na prática é uma produtora.

Luciano          Mas é um pouco mais radical do que uma produtora, porque continua sendo uma sala da tua casa…

Leo                 Sim, é uma produtora…

Luciano          … é a partir ali da tua sala, da tua casa que eu acho que esse é o desenho que todo mundo sonha ter, eu quero trabalhar com aquilo que eu amo fazer na salinha da minha casa e a partir daqui eu gerencio essa constelação.

Leo                 A gente até brincou agora, chegando aqui para gravar o LíderCast que você se mudou aqui para um prédio que fica a 60 metros da casa aonde fica o estúdio e na subida eu brinquei dizendo para você que eu tinha ganhado, que o meu escritório fica a 12 passos da minha cama, então é realidade e eu tenho  perigos também no meu caminho que são peças de Lego, são Hot Wheels, coisas que podem aleijar um cidadão, entendeu? Furar um pneu em definitivo.

Luciano          Leo, a gente está partindo para o nosso encerramento aqui. Você assistiu esse mundo da podosfera se desenvolver ao longo dos últimos 10 anos, você viu de toda a forma, você começou a ver como um cara que ouvia podcast lá no começo experimentou fazer podcast, quer dizer, viu surgir e morrer um monte de podcasts e está agora num momento interessante quando você se torna esse ruby de produção de podcasts aí. O que você tem a dizer desse mercado aí, ele funciona por ondas, você está vendo ele profissionalizar, o futuro é brilhante, o que está rolando?

Leo                 Eu visualizo um futuro promissor para o podcast como mídia, mas ele nunca vai ser o meio de transmissão podcasting que é o que faz de um programa um podcast, na verdade a gente não pode confundir o produto pelo meio, porque você está ouvindo aí agora o LíderCast. O LíderCast , ele só é um podcast porque você recebe ele no teu feed, por mais que você queira ouvir no browse ou tenha opções que o Luciano Pires te proporciona,  ele só é um podcast porque ele é compartilhado via podcasting, se você coloca ele nas tantas emissoras que o Café Brasil está Brasil afora, por exemplo, ele é um programa de rádio, então o produto é uma coisa, o meio é outra. O meio podcasting, ele vai existir enquanto existir internet, pode ser que futuramente o feed seja algo mais prático do que é hoje, mas isso nunca vai deixar de ser algo de nicho, nunca vi ser tão popular quanto rádio, quanto televisão, porque sempre vai ter uma certa curva de aprendizado para você ouvir, um certo esforço por parte do ouvinte para você poder ouvir, o caminho, o contrário é que está crescendo cada vez mais, o vislumbre dos produtores ou de pessoas que queiram utilizar esse meio, de que ele é muito mais prático e eficiente do que eles imaginavam, então tem cases de clientes nossos que a gente está fazendo a produção completa deles, que agora no ano passado eles ganharam o prêmio de marketing do Marketing Latino América da empresa pelo projeto de podcast que eles criaram, isso gerou uma motivação interna, sabe que a gente já está produzindo…

Luciano          Os caras estão enxergando, não é Leo?

Leo                 … a gente já está produzindo podcast para eles em língua espanhola, para sucursal do Peru.

Luciano          Os caras estão enxergando, quer dizer, em vez de eu ir lá e pagar para a Folha de São Paulo, para alugar um espacinho nela, para falar para os leitores dela que eu não sei muito bem quem são, que são dela, os caras estão vislumbrando a oportunidade de falar para a sua própria audiência em vez de eu juntar, eu vou botar um anúncio lá no Gugu Liberato para 7 milhões de pessoas e pegar meia dúzia lá dentro, não sei quantas eu vou pegar, eu consigo fazer uma coisa que vai específica para uma audiência que eu desejo e chego até ela de forma direcionada, é tudo muito menor, eu costumo dizer é tudo inho, não é ão sabe, quanto milhão custa fazer para botar num programão? Não, é quanto inho custa para fazer inho mas que vai pegar na alma daqueles 1000, 2000, 3000 caras que são os caras que interessam para a gente fazer.

Leo                 Por isso que é bom que o podcast, muita gente fala ah mas o podcast nunca vai deixar de ser nicho, como se  fosse um defeito, não não não, isso é uma característica positiva do podcast, porque você imagina o Luciano Pires empresário, ele tem o LíderCast, o LíderCast tem um objetivo, você imagina o LíderCast tocando no boteco ali na Liberdade, entendeu? Poderia até estar, mas ninguém estaria prestando atenção porque não é o público alvo, então é bom que seja de nicho porque o fato de ser de nicho permite que determinada empresa, ou marca, ou produto, ou serviço atinja exatamente quem é o seu público, não é mídia de massa e nunca vai ser, graças a Deus, a gente não quer que seja isso.

Luciano          E como uma via de duas mãos, porque bate e volta.

Leo                 Exato. Que é a grande diferença da internet que por exemplo agora o rádio está começando a descobrir,  você vê as  emissoras de rádio que estão á frente, são aquelas que estão interagindo com o ouvinte, como? Via cartinha do ouvinte? Via rádio escuta? Não, via WhatsApp, via Telegram, via ferramentas online, você manda o áudio, você manda sua participação. Lembra que lá na época que só tinha mato aqui na internet, a gente pedia para os ouvintes mandarem mensagem de voz e tinha que ensinar como é que gravava? Olha como a gente é velho, hoje em dia qualquer um manda uma mensagem pelo grupo do Telegram, do Café Brasil ou da Confraria, ou do Premium ou do LíderCast e você simplesmente achou legal aquilo ali, você manda para o Lalá e fala Lalá, joga para mim no programa, está aqui, bota direto, então as facilidades que a internet faz com que o podcast seja esse canal de duas vias, de vai e volta, de mão dupla, é  algo que eu não consigo ainda vislumbrar outra ferramenta, pode ser que surja no futuro sim, mas hoje o podcast é uma excelente ferramenta para isso e uma coisa que para as empresas é interessante, é que o custo de produção é muito baixo.

Luciano          Eu falo isso para eles, falo vocês não fazem ideia do que é em termos de custo, de flexibilidade, de capacidade de penetração, de capacidade de você poder ir fazer uma coisa dirigida, eu consigo definir um grupo, montar um produto para aquele grupo e com uma pequena modificação atingir o segundo grupo ali em questão de horas, quer dizer, cai por terra…

Leo                 Você sabe um conflito que eu passo? Eu passo pelo seguinte conflito: vem uma multinacional e me pede uma proposta, eu sei quanto custa aquilo porque o custo, a precificação é fácil, precificar é saber quanto que você gasta de tempo, de esforço, de conhecimento adquirido para poder produzir aquilo ali, você faz o somatório disso você sabe quanto custa sua hora de trabalho, quantas horas de trabalho eu vou levar para produzir esse episódio? X. Esse é o meu preço. Muito bem. Qual é a dúvida? É que às vezes você corre o risco de apresentar uma proposta para uma empresa que está acostumada a lidar com milhões e ela vai olhar aquilo ali…

Luciano          Vai olhar o inho.

Leo                 É e vai falar assim, como assim só custa isso? Humm acho bom a gente fazer aquele vídeo lá que custa 1500 o minuto porque… entendeu? Ou às vezes você corre o risco, para um outro tipo de perfil, apresentar uma proposta e falar assim nossa, mas é tudo isso? Sendo que não é, a diferença é exatamente do ponto de vista de para quem você está apresentando isso, para uma pessoa que faz como hobbie, ás vezes, sei lá, 500 reais é um absurdo de caro, às vezes para uma empresa… Gente, espera aí, não justifica, isso aqui é 0,00001% do meu budget para mídia na semana.. entendeu? Então é um desafio fazer isso de uma maneira justa que a gente possa receber o justo pelo nosso trabalho, remunerar o justo para quem trabalha para a gente e ao mesmo tempo tornar isso viável, mas é o desafio gostoso  desse lado de estar criando um negócio do 0, entendeu?

Luciano          Exatamente, de desbravar um mercado que a gente sabe que existe, ele está aí, tem um modelo lá fora que funciona em outra cultura que não é a nossa aqui e que cabe à gente desbravar isso aí, então você tem feito um trabalho fantástico, hoje não dá para falar non Brasil de podcast sem lembrar do Leo como o cara que ensina, o cara que tem as aulas, o cara que está preocupado em produzir e que criou um negócio a partir do zero aí com o tamanho que está atingindo aí, então meu caro, eu vejo de longe, eu acompanho desde que você era gordo eu acompanho essa história, entendeu? É um prazer gigantesco estar aí contigo.

Leo                 Não precisa mentir para o seu ouvinte falar que vê de longe porque a gente é íntimo, a gente é mais próximo do que ele imagina.

Luciano          Mas vem de longe. Eu te acompanho há muito tempo.

Leo                 Agora a gente está junto ai numa empreitada que vai dar um trabalho.

Luciano          Eu não vou falar aqui porque senão a gente vai… mas é a Abipode Associação Brasileira de Podcasters que a gente vai tentar levantá-la de novo e botar ela para acontecer, mas isso é um capítulo para outro momento. Quem quiser encontrar o Leo?

Leo                 radiofobia.com.br é o nosso site, lá você vai cair num portal que direciona para três serviços diferentes, a empresa, o portal dos podcasts e o meu site que é o do curso de podcast, então um tem o meu lado como empresário, prestador de serviço, o outro como homem de mídia e o outro como instrutor e professor. Então radiofobia.com.br é onde você encontra tudo lá e lá tem os Twitter, os Facebook, Linkedin, instagram, está tudo lá.

Luciano          Zuckerberg que se cuide. Um abraço.

Transcrição: Mari Camargo