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Ciça Camargo -

Luciano          Muito bem, mais um LíderCast, esse aqui eu vou começar citando Paulo Coelho, Paulo Coelho, que uma vez falou uma frase, eu não  me lembro bem como era a frase, mas o conceito dela era o seguinte: quando você tem um propósito, quando você esta definindo o teu caminho, quando você tem claramente para onde você quer ir, o universo conspira a teu favor, então as coisas começam a acontecer e você fala: mas de onde veio, como é que pode? Como é que a gente se cruza e tem tudo a ver com essa conversa nossa de hoje aqui, ao longo do tempo vocês vão entender porque, o meu convidado aqui hoje eu nem sei como ele veio parar aqui, nós vamos descobrir agora como é que foi, mas eu vou já direto ao assunto, são três as perguntas de abertura do programa, que são fundamentais, presta atenção para não errar, eu preciso saber seu nome, sua idade e o que é que você faz.

Lucas             Meu nome é Lucas Mendes, eu tenho 30 anos e hoje eu sou diretor da Wework aqui no Brasil.

Luciano          Diretor da Wework no Brasil. Então vamos lá. Como é que você veio parar aqui, Lucas?

Lucas             Bom, eu acho que o Pulo Coelho escreveu muita coisa, umas melhores e umas piores, mas esse elemento de sorte, eu acho que ele foi um elemento que me ajudou bastante, desde o dia que eu estava num avião, num voo Belo Horizonte-São Paulo e despressurizou e eu imaginei que ali a sorte acabaria, com direito a todo tipo de filme de terror e um trauma terrível que eu adoro viajar, mas toda vez que eu entro no avião eu acabo lembrando disso, mas enfim, escapei dessa, até uma série de encontros e pessoas que eu conheci que acabaram me trazendo para o Wework, a empresa muito legal e que eu acho que impacta muito a vida das pessoas, a gente vai poder explicar um pouquinho aqui.

Luciano          Vamos, vamos nessa.

Lucas             Você nasceu, bom, com esse sotaque carioca só pode ter vindo de Trás-os-Montes, como é que é?

Luciano          Eu sou de BH, óbvio, lá em Belo Horizonte tem um programa de rádio que eles perguntavam para o pessoal de futebol, seu nome, seu bairro, então é Lucas, do bairro Luxemburgo que eu morei a vida inteira.

Luciano          E aí, tua família, o que que era? Teu pai fazia o que? Tua mãe?

Lucas             Meu pai, ele é médico e meu avô era juiz, assim, era uma pessoa super rigorosa, é o pai do meu pai, então eu lembro de eu criança assim, ele tinha um carro do tribunal lá, mas que nenhum filho ou neto podia entrar, eu achava aquilo ali meio estranho, como assim o carro não é dele? Não, o carro é do tribunal, no carro meu vocês andam, do tribunal vocês não andam, uma pessoa super restrita e a mistura dele com a minha mãe, que é uma pessoa do norte de Minas, super engajadora, tem muita iniciativa e é uma super mãe, acho que tem uma coisa muito interessante lá em casa, são os opostos ali que se atraem, então meu pai é mais intelectual, minha mãe é mais energia assim.

Luciano          Norte de Minas onde?

Lucas             Ela é de Pedra Azul. Ali quase na Bahia, onde mãe é mainha e pai é painho.

Luciano          Você quer que eu te conte uma história com Pedra Azul ou não?

Lucas             Por favor.

Luciano          Como é o nome da sua mãe?

Lucas             Minha mãe chama Eveline Ruas Mendes.

Luciano          Eveline Ruas Mendes, olha só. Eu em 1977, eu me formei na universidade, peguei meu diploma e antes de cair na vida para trabalhar, eu peguei dois amigos que eu tinha na universidade, a gente falou o seguinte, nós vamos fazer uma viagem, vamos pegar um carro e vamos sair de São Paulo e vamos para Fortaleza e a única coisa que a gente sabe é que a gente vai chegar em Fortaleza, no meio do caminho nós não temos a menor ideia do que vai acontecer. E a gente começou a dirigir, pegamos um belíssimo Passat e no Passat da época e fomos de Passat os três subindo pela BR116 e a gente ia e parava, passava um lugar, que legal, parava. Chegamos no norte de Minas, no fim do mundo, tinha um restaurantezinho, um postinho com um restaurantezinho na beira da estrada, a gente parou, entrou ali e o cara era um paulista que estava lá, que tinha sido professor de um dos dois que estavam comigo e o cara recebeu a gente super bem, a gente almoçou com ele e ele disse vocês tem que conhecer aqui a cidadezinha do lado que chama Pedra Azul e vamos lá, eu vou apresentar vocês para o pessoal, a gente entrou e foi para Pedra Azul e paramos em Pedra Azul. Da nossa viagem 15 dias foi em Pedra Azul, eu voltei a  Pedra Azul outra vez, eu quase me engatei com uma mineirinha de Pedra Azul, de ficar na época apaixonado, quase que eu casei com uma moça de Pedra Azul e não foi esse caminho que o destino seguiu, mas Pedra Azul mora no meu coração, até hoje eu me lembro, a temporada que nós passamos lá foi fantástica, eu estou falando de 77 e depois, se não me engano, 79, as duas vezes que eu fui para lá. Na verdade naquela nossa viagem nós subimos, paramos em Pedra Azul, na volta nós paramos em Porto Seguro, entramos por Pedra Azul de novo, ficamos lá mais um pouco e depois eu voltei para lá de ônibus, ou seja, Pedra Azul mora no meu coração.

Lucas             Somos dois, minha infância eu ia lá duas vezes por ano, pelo menos, para curtir a fazenda lá e foi um lugar muito especial para mim que eu tive contato com coisas que acho que formaram muito o meu caráter, a primeira era come essa coisa de natureza, bicho, cavalo, então sempre gostei de estar em ambientes fora e ir para a fazenda acordar cedo, ordenhar vaca, era uma fazenda pequena. E a segunda é, em última análise, um contato próximo com pobreza, eu depois estive em vários lugares do mundo, mas pobreza é tudo igual, riqueza difere um pouco, mas pobreza, em particular, a pobreza rural que você via ali perto, é o estado mínimo ali do ser humano, vivendo numa casinha pequena e com seus bichinhos e ali no…

Luciano          Para quem não conhece, aquilo é o norte de Minas, que é o sul da Bahia e é um lugar complicado, durante muito tempo aquilo foi meio esquecido, hoje deve estar muito melhor, eu nunca mais fui para lá, mas eu vi, outro dia entrei para ver as fotos como é que estava lá, como é que a cidade andou…

Lucas             É ali…

Luciano          Pedra Azul é linda.

Lucas             … melhora devagarzinho, mas parece um pouco parado no tempo, mas isso não é só no Brasil, quando você vai no interior lá da França, tem algumas cidades lá que parece que está parada no tempo também, mas mantem ali um certo romantismo, mas só para fechar o ponto assim, eu lembro um episódio uma vez que a gente estava andando a cavalo e parou na casa de uma família e ali todo mundo trabalha desde novo e eu lembro a reflexão, na época, 2002, 2003, uma reflexão de uma sábia mãe: falando não, agora está bom, porque cada filho novo a gente ganha mais um dinheirinho, então tinha antes esse negócio de não ter filho, agora a gente tem que ter mais filho, porque além de botar a gente para trabalhar, a gente ganha um dinheirinho, então eu via aquilo ali e ficava, com o tempo ficou muito na minha cabeça como é que as pessoas respondem à incentivos, independente de estudo ou de qualquer outra coisa…

Luciano          É o estado perpetuando a pobreza.

Lucas             … exato e por outro lado assim, a dificuldade também tem de conseguir mexer nesse tipo de lugar, são tantos problemas, tão complexos que conseguir criar alguma coisa que você gere renda de maneira sustentável para essas regiões é um desafio enorme, mas enfim, para mim marcou muito ter contato, jogar bola com gente de classe completamente diferente e ter amigos desde pequeno que era gente que eu encontrava duas vezes por ano, filhos ai dos fazendeiros, dos fazendeiros não, dos entre aspas, peões da fazenda ali.

Luciano          Está lá um lugar para você, uma hora, olhar para aquilo lá e falar deixa eu ir lá dar um jeitinho ali.

Lucas             Então, eu tenho minhas ideias, infelizmente é mais longe chegar lá do quem em Dubai, eu acho, porque aquela estrada horrível, mas sem dúvida é um lugar para voltar e conseguir gerar impacto.

Luciano          Pô que legal, então para encerrar nosso capítulo Pedra Azul, eu vou deixar um abraço aqui saudoso para os Botelho Xavier, fala para a sua mãe dos Botelho Xavier, são todos os Botelho Xavier, toda  a turma lá.

Lucas             Claro que eu conheço, são primos, lá todo mundo é primo, então a gente tem um monte de primo da turma dos Botelho lá, acabando a conversa aqui eu vou ligar para a minha mãe para contar.

Luciano          Me hospedei na casa deles, me receberam, receberam a nós, três paulistas, mas de coração aberto, foi muito legal, aqueles almoços com a turma, a família inteira, foi fantástico, um momento que ficou marcado. Mas vamos voltar então ao nosso dia a dia aqui, vamos lá. Olha que coisa, não falei que o universo conspira? E aí, você pega e resolve que vai ser o que quando crescer?

Lucas             Então, eu moleque assim, eu gostava de sei lá, uma área de política, mas eu desde criança eu gostava de ser representante de sala, lembro uma vez no colégio que eu estudei, teve um congresso de filosofia para criança, e daí eu fui eleito lá para participar de um congresso de filosofia e minha primeira apresentação usando, na época não era nem Power Point, era aquelas lâminas que você refletia, então…

Luciano          Transparências.

Lucas             … e enfim, e na escola sempre eu gostava de mexer com essas coisas, fui mexer com grêmio, movimento estudantil, me lembro de uma passagem fenomenal num encontro da União dos Estudantes Secundaristas, que o pessoal da UJS me chamou para pegar um ônibus e ir para Brasília e eu perguntei: Por quê? Porque é de graça, você tem que ir. Falei é, esse é o tipo de gente para ficar longe, porque naquele momento você está mobilizando pessoas porque você tem que ir e é de graça, tem alguma coisa errada, mas enfim, eu queria, eu gostava de fazer coisas acontecer assim, gostava de organizar festa, organizar debate, eu lembro que com 15 anos a gente chamou o, na época desconhecido, Olavo de Carvalho para ir dar uma palestra para os pais do Pitágoras e num cinema que não podia fumar, mas a gente falou para o dono do cinema: para o Olavo vir ele tem que fumar, e o cara falou tudo bem, eu gosto do Olavo, deixa ele lá. Na época ninguém conhecia o Olavo…

Luciano          Que ano?

Lucas             … cerca de 2002…

Luciano          2002?

Lucas             … é, e ele foi lá, obviamente fumou e um dos alunos falou ó, levantou a mão e falou, doutor Olavo o senhor está falando aí de filosofia, mas como é que você está fumando num lugar com uma placa enorme, e aí pronto, o Olavo também não era dos mais educados com esse tipo de pergunta, entrou nuns três bate bocas lá e eu confesso que foi super divertido, desde então eu não sigo muito mais o Olavo, acho que foi por um caminho um pouco radical a meu ver, mas ter tido contato com aquilo ali muito novo e com pensamentos diversos, ele colocou na mesma mesa um cara que lutava contra a ditadura do lado do Olavo, felizmente eles não se bateram, mas a ideia de levar conhecimento e gente interessante para o público nosso lá no colégio foi muito legal e eu até hoje acho que boa parte dos melhores amigos são do colégio ali do ensino médio, eu só estudei em um colégio e eu corto cabelo sempre que eu vou para Belo Horizonte em frente a esse colégio para matar a saudade.

Luciano          Então Lucas, fala uma coisa para mim aqui, deixa eu entender um negócio, a tua sala de aula devia ter o quê? 40 alunos, 50 alunos e nem todos tinham esse drive de agitar, de fazer acontecer e de se preocupar de ir à frente, de abrir caminhos e de mobilizar para que a comunidade ganhe com aquilo que você está fazendo, de onde vem esse espírito aí?

Lucas             Acho que da minha mãe, ela que organizava casamento, sempre que a gente ia para Pedra Azul, todo junho era uma festa junina e um casamento, alguém tinha que casar, mas eu assim, olhando para trás acho que um pouco isso, eu me sentia muito bem perto de outras pessoas e fazendo coisas que eu achava legal, que era desde o esporte, sempre coletivo até festa, essas coisas tipo palestra e eu gostava disso e eu acho que assim, até sendo bem transparente, eu me sentia bem com as pessoas vindo me procurar pra falar pô, e aí o que vocês estão pensando em fazer, eu gostava daquilo, de me sentir relevante na vida das outras pessoas, então na escola foi um pouco isso e aí depois, para escolher um curso, eu imaginei que eu ia fazer filosofia, aí depois falei não, isso aí é muito estudo e pouca ação, preciso misturar. Acabei indo fazer direito, até hoje eu não entendo muito bem porquê, mas eu acho que era um, sei lá, meu avô tinha sido juiz, aquela história, você é novo ali também, buscando um pouco talvez de aprovação da própria família, num vestibular que eu achava que o nível era difícil, então que ia ter muita gente inteligente e eu ficava naquela, eu quero ficar perto de gente inteligente, então acabei fazendo direito, indo estudar lá na UFMG, foi um lugar fantástico também, onde tive diversas experiências e tenho um profundo carinho e depois que eu formei, junto com alguns ex alunos, a gente até criou uma associação lá para ajudar os alunos da UFMG a estudar fora do Brasil oportunidades que eu tive que me mudaram muito, que a gente tenta perpetuar isso.

Luciano          Que legal, que bom saber. Você se formou em…

Lucas             Direito.

Luciano          … e pegou diploma de direito.

Lucas             Peguei, mas eu era um aluno meio exótico lá, porque eu queria no início mexer com centro acadêmico, depois grupo de estudos e a gente começou a participar de competições internacionais, era o tipo de um júri simulado com universidades de fora e acabei indo fazer meu estágio na ONU e fiquei meia hora discutindo com a coordenadora do curso porque eu devia validar um estágio que não era exatamente em direito e ela acabou validando, eu expliquei lá os diversos ganhos que tinha, como é que foi conseguir, como é que eu podia ajudar outros alunos a fazerem isso também.

Luciano          Então, como é que se consegue um estágio na ONU? Lá em Nova York?

Lucas             Lá em Genebra.

Luciano          Em Genebra? Como é que se faz?

Lucas             Bastante sorte também, mas primeiro assim, poder do exemplo, eu não fui o primeiro na faculdade que fez isso, eu lembro de um xará meu, que hoje virou embaixador, que chama Lucas também e ele é diplomata, logo virou embaixador, mas ele foi fazer um estágio na OEA e ele era de uma família super carente assim do ponto de vista não tinha recurso para isso, ele fez um crowdfunding, na época não era na internet, mas juntou a cidade inteira deu um pouco de dinheiro para ele ir estudar lá, trabalhar de graça em Washington e eu vi aquela história, eu conhecia ele, quando ele voltou falei como assim que você arrumou isso? E aí com a internet, acesso basicamente tem um site, tem todos os estágios da ONU listados, aí eu peguei aquilo, devia ter uns cem, falei ah, eu gostava na época de estudar coisas que tinham a ver com o meio ambiente e tal, olhei um pouco para essa área e comércio internacional, que eram as áreas que eu gostava.

Luciano          Que ano é isso?

Lucas             Isso era 2007.

Luciano          2007.

Lucas             Aí eu fui, apliquei para uns quatro ou cinco, em meio ambiente, um era no Quênia, o outro em Genebra, o outro em Washington e comércio, um em Washington e um em Genebra.

Luciano          Já dominava o inglês?

Lucas             Sim, já falava inglês e…

Luciano          Estudando aonde?

Lucas             … e… bom, eu estudei no colégio, mas eu queria ter feito aqueles intercâmbios do ensino médio, mas lá em casa não tinha nem, eu acho que condições financeiras e minha mãe, acho que um pouco de medo de eu ficar drogado, ela via alguns casos da galera que voltava, foi para a Nova Zelândia e voltou com uma tatuagem, aquilo ali já era assim o fim do mundo, então assim que eu formei eu falei, eu  quero ir trabalhar nos EUA, eu fui ser garçom e nem garçom, pusher,  é o sub-garçom, o carinha que recolhe o lixo e trabalhar depois numa estação de esqui, para mim foi uma experiência incrível, foi um…

Luciano          Quanto tempo?

Lucas             … Vermont, fiquei lá cinco meses e quateo meses lá e depois um mês viajando. Vermont é um lugar espetacular assim e na época eu até li o livro do Tocqueville lá, “Democracia na América” e eu vivi aquilo, eu lembro de participar de conselhos políticos, que era quase uma reunião de condomínio da cidade e eu sugeri colocar lata de lixo na rua porque lá não tinha pedestre, era só os imigrantes que andavam a pé, o resto não tinha carro, e o pessoal não, pois bem, vamos colocar sim, então para mim foi uma experiência assim, mais do que de inglês, porque na verdade eu até morava com vários latinos lá, claramente não era um programa para gente que estava ali, ensino superior no Brasil, todo mundo que estava trabalhando comigo ali era gente, enfim, a gente fazia trabalhos menos qualificados, mas foi muito legal viver com essa turma lá, aprendi espanhol em casa, que eu morava com o pessoal do Peru e tinha que falar inglês, então consegui melhorar bastante, eu acho, no inglês, mas acho que o principal não foi nem isso, o principal foi a primeira vez que eu trabalhei mesmo e trabalhava às vezes em dois lugares, às vezes dava 16, 18 horas por dia, mas eu achava quilo ali fantástico e no final do mês eu ganhava três mil dólares, eu acho que demorou uns dez anos para eu voltar, pensar em ganhar três mil dólares, eu olhava, não é possível, como que é as coisas, você trabalha, você ganha dinheiro, o negócio era uma clara relação e todo mundo, as garçonetes iam viajar em Bahamas, eu comecei a ver que de alguma maneira a sociedade modelo capitalista poderia ter acesso para a massa de bens que no Brasil eram muito restritos, imagina, quem no Brasil vai para Bahamas? Milionários e lá as garçonetes que trabalhavam comigo ganhavam um pouco mais que eu, tinham condição de fazer essas coisas e eu fiquei fascinado assim, tanto a experiência de pela primeira vez na vida trabalhar muito, me virar, fazer tudo sozinho, quanto pela experiência de estar num lugar que eu achava que, politicamente, era um berço de um tipo de sistema que funcionava super bem, onde a comunidade cuidava do lugar acima de tudo, como era pequenininho e tal, tinha muito esse senso de comunidade, das pessoas se ajudarem, um lugar que marcou muito e óbvio, me ajudou a depois conseguir esse estágio na ONU, porque eu já falava inglês, eu já tinha tido essa experiência, mas eu só consegui o estágio porque tinha um projeto na Bahia que precisava de alguém que falava português, então na época eu tinha 21 anos, certamente não era o mais qualificado dos candidatos, mas como ninguém do Brasil sabia disso eu me candidatei e eu era o único que falava português, então na época tinha tido uma mudança no governo da Bahia e eles não estavam entendendo porque o Banco do Brasil não queria mais patrocinar o projeto, acho que esse foi o motivo, tentar explicar para os gringos como é o Brasil e como é que as coisas funcionavam, acabou que lá eu trabalhei com diversos projetos, mas a minha sorte foi essa, a gente abriu um hotel escola na costa dos Coqueiros, ali perto de Salvador, depois que eu saí da ONU eu fui inaugurar esse hotel, fantástico, está lá até hoje, é o lugar que o pessoal treina para trabalhar com hotelaria…

Luciano          É um baita problema lá, a mão de obra de hotelaria, norte e nordeste, é complicado.

Lucas             Para os dois lados, porque as pessoas não queriam trabalhar o ano inteiro, então a empresa, lembro do Iberostar, falando nisso, eles investiam um dinheiro, um treinamento e a pessoa, em seis meses, queria sair, então consegui tentar criar algum diálogo ali entre uma multinacional e a cultura local ali que não necessariamente trabalhar o ano inteiro é o que deixaria a pessoa mais feliz, então não era um desafio simples, mas felizmente aquilo ali foi uma oportunidade de gerar renda de novo num lugar que lembrava Pedra Azul, mas com a vantagem que lá é maravilhoso, Lauro de Freitas, aquela região ali tem praias incríveis, mas enfim, a ideia de como que você gerava renda ali integrando essas pessoas numa rede internacional, bem ou mal, metade dos turistas que vão para lá são estrangeiros, então, e eu tenho isso como convicção no meu trabalho atual tem muito isso, que é: não tem país que se desenvolve sem se conectar com o mundo, essa  ideia de ilha que tem aqui um pouco no Brasil de protecionismo, a gente fala uma língua que ninguém fala, mora num lugar que é no mínimo 10 horas de avião de qualquer lugar do mundo…

Luciano          E estamos de um lado tem o oceano, do outro lado tem uma floresta.

Lucas             … exato, então a gente é o país mais isolado do mundo, os países comparáveis com o Brasil, que seria Argentina, África do Sul, Nova Zelândia, Austrália, ou falam inglês ou espanhol ou então foram partes nos casos dos países britânicos de uma comunidade que já era integrada desde o início, então o Brasil é de fato o fim do mundo, o Ferran Adria até fala que a última fronteira gastronômica do mundo é a Amazônia, então aqui é literalmente o fim do mundo e para a gente parar de ser fim do mundo a gente tem que se integrar e eu vivi isso desde essa época com esse projeto lá na ONU, tinha um pedaço aqui na Bahia.

Luciano          Deixa eu explorar um pouquinho isso aí que é legal, você ter essa visão  aí, quando você fala da questão do Brasil ser essa ilha, é interessante aqui, a gente está, nos somos o único país de língua portuguesa dentro de uma região onde todos os vizinhos falam o mesmo idioma, com suas variações, mas é o espanhol que todo mundo fala e nós não falamos e nós não temos nenhuma troca com esses vizinhos aí em termos culturais, porque aqui toca-se Lady Gaga o dia inteiro e você não tem a menor ideia de quem é que está tocando na Argentina, na Colômbia, no Chile, quer dizer, não há troca. Você vai para a Europa, a Europa é uma loucura, está todo mundo se cruzando ali, os EUA domina todo lugar e aqui no Brasil nós temos muito mais conexão com a cultura norte americana do que a cultura dos vizinhos da gente, isso é um baita problema, porque a gente até para ganhar escala, as coisas do Brasil que podiam ganhar escala em termos de Sul América tem um baita problema de não conseguir essa troca e a gente resiste à troca. Quando entra alguma coisa em espanhol aqui, pô não é tão… pô não é tão legal quanto é o norte americano e os gringos sabendo disso com cinema, tomando conta do mundo, a gente acabou virando uma cultura… Eu trabalhei durante muito tempo numa multinacional norte americana e durante um bom tempo cabia. Eu até tenho uma história interessante, uma vez um fabricante de caminhões veio para o Brasil e tinha que decidir onde é que ele ia instalar uma fábrica nova de caminhões, se era no Brasil, se era na Índia, se era na China, era Brasil, Índia e China, um dos três lugares ia receber a fábrica de caminhões e me convidaram para fazer uma apresentação para o board dessa empresa, então de repente eu chego lá para fazer uma apresentação chamada “Doing business in Brasil” e ali eu contava para os caras o que é fazer negócio no Brasil, eu usava na apresentação um paralelo com uma escola de samba, mostrando para eles que escola de samba é um negócio, é um business seríssimo, não é festa na rua e quando eu contei para eles o que era, mostrando para eles o que era e a forma como o brasileiro é motivado e tudo mais, os gringos não tinham a menor ideia do que era aquilo, mas quando chegou na hora de fechar o negócio que eu cheguei para eles e falei bom, a decisão de vocês de onde estará a fábrica é o seguinte, eu vou contar para vocês o que a gente come, então eu botei Brasil, Índia e China e fui colocando, o que se come na China? Tipo de comida chinesa, o que se come na Índia e quando chegou no Brasil eu botei um Bic Mac, no Brasil a gente come Big Mac, a cultura brasileira está muito mais perto de vocês do que qualquer outra e foi muito engraçado, chegou no final os caras, que pena que nós não podemos levar tua apresentação para Wall Street, foi muito legal, mas deixou muito claro para mim, como a gente está próximo de um país que culturalmente tem muito pouco a ver conosco e como nós estamos distante dos vizinhos aqui e não há intenção de se aproximar.

Lucas             Essa questão dos vizinhos, vamos falar aqui um exemplo da música, a gente aqui no Brasil não escuta lá o reggaeton, que vai, ia para toda a América Latina, inclusive, aí um parêntesis rápido, o meu amigo apresentou a você o Hugo, ele gosta muito de reggaeton e a gente aprendeu o reggaeton viajando junto ali pelas Américas e hoje no grupo e amigos todo mundo gosta, mas é muito por uma questão de que a gente viajou, mas o Brasil, musicalmente tem uma identidade própria, uma identidade aliás fantástica e reconhecida e pensada no resto no mundo, mas é só um exemplo que a gente é pouco integrado com o resto da América Latina e às vezes quando você está na África ou nos EUA parece que você está mais em casa do que quando você vai do lado aqui, mas dito isso assim, para um estrangeiro a América latina é muito parecida, as cidades têm os mesmos problemas, os desafios, o populismo crônico, as coisas acontecem mais ou menos em ondas, então quando você tira um pouco a visão começa a olhar para um correspondente de uma imprensa internacional, mesmo para qualquer pessoa que está de fora, você sim pode ver isso como região e do ponto de vista de negócio isso pode ser uma grande oportunidade, então se o Brasil sozinho são só 200 milhões de pessoas, comparado com a Índia ou com a China é muito pouca gente, a América Latina, conjuntamente, a gente está falando de quê? Quase 500 milhões de pessoas se somar tudo ali e aí sim é uma característica muito diferente da China ou da Índia, porque essas populações estão urbanizadas, na grande maioria estão em cidades, o que favorece muito a economia de serviço e a renda per capta aqui, nessa região vai, em termos de América Latina é quatro, cinco vezes o que a gente tem na Índia ou na China e mais que isso, os horários muito parecidos com os do EUA e culturalmente muito mais próximas. Então, apesar da gente brasileiro não se ver muito como parte da América Latina, os estrangeiros veem e para o empreendedor que consegue captar, eu falo isso bastante com os empreendedores que são amigos meus, isso é uma grande oportunidade de levantar dinheiro, porque você sai daquela lógica que está só no Brasil e começa a partir para uma lógica de dois brasis e meio vai, que é o tamanho da América Latina e aí fica um mercado muito mais interessante para se levantar dinheiro, para fazer negócio e para conseguir uma escala no futuro, quem sabe até global, mas enfim, pensar na América Latina como um todo é uma coisa que o Brasil acho que tem um caminho aí para…

Luciano          É, tem que desideologizar essa conversa e aí a coisa muda de figura.

Lucas             Exatamente.

Luciano          Mas, meu amigo, e aí, você está lá na ONU, na Bahia, está tudo bem, tudo maravilhoso, como é que é?

Lucas             Aí eu tive a chance de ficar na ONU, depois…

Luciano          Só uma dica… você trabalhou na ONU no Brasil?

Lucas             … não, em Genebra, mas com um dos projetos relacionados ao Brasil, então eu estava em Genebra, ali tem um café na ONU que é maravilhoso, você fica vendo lá, acontecimentos históricos lá, o palácio lá, tudo isso e eu confesso que eu fiquei um pouco tentado a ficar lá porque aquela vida ali para mim era um negócio deslumbrante, mas eu acabei voltando. Eu queria estudar na França, eu queria, por motivos pessoais na época também, voltar e eu tinha um negócio também que eu, desde aquela época, para mim ficou claro que eu podia morar fora várias vezes, mas eu precisava ajudar a Pedra Azul lá, eu precisava ter impacto no Brasil, então ali eu já tinha morado fora duas vezes, eu gostava, eu queria ainda fazer um monte de coisa fora do Brasil, mas eu falava pô, tem para fazer tanta coisa no Brasil, tem que tentar conectar esse país com o mundo, não dá para eu abandonar e ficar aqui tomando meu cafezinho no Lac Leman lá em Genebra. Então aí eu voltei, continuei estudando, aí na UFMG tinha um programa fantástico assim que um primo meu tinha participado de você poder estudar seis meses em alguma universidade fora do Brasil eu fui estudar na França depois de tomar bomba nos dois exames de francês, eu finalmente passei e fui estudar na Sorbonne lá em Paris, que foi também outra experiência fantástica porque toda aquela vibe de Paris e protesto o tempo inteiro e por outro lado a França, desde aquela época, já vivendo com contradições, até aonde o sistema, eles se orgulhavam tanto, tinha fôlego e …

Luciano          2009?

Lucas             … isso era em 2009 e na época felizmente a Europa não tinha muito essa preocupação que tem hoje com terrorismo e foi a chance de eu conhecer a Europa como um todo assim, que estudando na Europa, aquela coisa do Erasmo, você poder morar em várias cidades, conhecer gente, o Ryanair ali, aquela companhia que nos dava voo de 5 euros, foi experiência fantástica de estudo e de ver como que eles levavam o estudo muito mais a sério também, isso foi uma coisa bastante chocante assim, por mais que lá fizesse menos matérias, o nível de dedicação para cada matéria era bem maior e enfim… e também tem uma coisa que acontece que eu acho que é legal, quando você entra numa escola boa, famosa, internacional, você começa a ver que todo mundo que está lá é de carne e osso, não tem nenhum gênio lá, tem lá a estátua do Victor Hugo, da turma que estudou lá, mas na boa, eu até brincava, agora está decadente que até eu eles estão aceitando, mas no fundo você está lá, é gente de carne e osso, não tem nenhum super homem e você ganha uma confiança assim de ah, consegui entrar num lugar que é difícil mas…

Luciano          E de repente você saca que a dedicação, a entrega que acaba fazendo a diferença.

Lucas             … botar uma energia ali e lidar com o fracasso, nesse caso eu tomei duas reprovações em exame de francês e eu era bom aluno, eu raramente, eu não me lembrava de ter tomado bomba em muita coisa na vida e dessas duas vezes eu lembro exatamente dos dois dias de eu tendo que chegar em casa e uma vergonha de virar para os meus pais e falar: não passei, então foram momentos difíceis de eu digerir, mas é aquele negócio, na hora que você não passou não adianta chorar, então por exemplo, eu queria ter isso, estudar na França antes de eu ir fazer o estágio na ONU, mas eu só descobri o estágio na ONU porque quando eu tomei pau na prova de francês eu falei, não vou ficar o verão aqui no Brasil nem a pau, preciso arrumar alguma coisa para fazer porque três meses de férias é muito tempo e foi aí que eu arrumei as outras oportunidades, então desde ali, olhando para trás….

Luciano          Você está com uma experiência legal, internacional inclusive, lidando com culturas totalmente diferentes do Brasil e você falou uma coisa que me chamou a atenção, quer dizer, esse nível de dedicação, mesmo fazendo uma ou outra matéria você tem que mergulhar nela profundamente e quando você compara com esse “nas coxas” do Brasil que aqui é tudo meio feito, a gente implementa, bota e faz meia boca, faz meio feito, como é que é a tua visão depois de você experimentar tudo isso lá fora e quando você olha para o Brasil aqui e olha e fala meu, olha o tamanho do nó que nós temos que desfazer. Só para complementar aqui, não é a questão do país ser uma país pobre, não é uma questão de não ter dinheiro, não é uma questão de não ter gente capaz, não é uma questão da gente ser de segunda categoria, onde é que pega quando você olha hoje?

Lucas             Eu acho que assim, valorizar e dedicar o estudo, em Minas Gerais não tem tanto japonês, mas aqui em São Paulo que tem mais você consegue ver uma clara conexão de famílias que valorizam o estudo, aquelas famílias orientais, isso certamente influencia na vida das crianças e depois… e lá em casa sempre valorizou muito e eu acabo felizmente tive uma cultura de disciplina, de ter que estudar e tal, mas aí olhando como um todo, o fato de ir para outros países estudar, o nível de dedicação que as pessoas colocavam com aquilo, tanto é que em inglês as pessoas quando falam estudos, eles falam “i have work on this paper” então é a mesma palavra que a gente usa para trabalho, é estudo e aí aqui tem até aquela piada, você só estuda, você também trabalha? Então assim, uma visão errada do que é estudo e que aqui, infelizmente, esses nossos heróis, acho que a gente tem poucos heróis que é aquele cara que conseguiu estudar muito, quer dizer, não é que a gente tem pouco, a gente valoriza pouco as pessoas que conseguiram ir bem na vida em função do estudo e fica sempre imaginando que ah, vai ter um próximo Silvio Santos, o cara conseguiu negociar, o mundo mudou, o mundo hoje cada vez é mais intensivo em conhecimento, a gente deveria valorizar essa turma que foi estudar aqui ou fora e conseguiu criar coisas incríveis, o Brasil tem no DNA, brasileiros do Facebook, do Instagran, de uma série de outras coisas interessantíssimas e essa turma estudou pra caramba para conseguir participar dessas coisas, então eu acho que é o estudo como valor assim que é uma diferença, mas que eu vejo, felizmente assim, de novo, cada vez mais que o Brasil se internacionaliza, que os estudantes têm chance de ver a realidade lá de fora e o nível de cobrança, eu volto para cá até constrangido com o que as universidades aqui o quão lenientes elas são com essa questão de compromisso e dedicação, acho que é muito tranquilo.

Luciano          Minha esperança é essa nova onda de garotada que nem você, que está indo para cá porque a minha geração falhou, a minha e a que veio antes de mim criou isso que está aí, criou esse Brasil que está aqui, quando o pessoal mete a boca eu falo, você já parou para pensar que o congresso que nós temos aí hoje é o melhor que nós conseguimos fazer?

Lucas             Mas eu discordo um pouco que a geração sua espalhou, aliás, quando eu estava na entrevista minha para entrar no Itaú, eu falei com a diretora jurídica que é uma pessoa que eu gosto muito, a Cláudia Politanski, hoje cuida de um monte de áreas lá, que na verdade eu acho que a geração sua, ela talvez tenha falhado em algumas coisas, mas ela deu um presente para a nossa geração que foi a primeira geração globalizada do Brasil. Então, por uma série de motivos que foi conseguir tirar o regime militar, bem ou mal adotar, desde a eleição do Collor uma agenda que ainda que do jeito brasileiro é uma agenda de abertura ao mundo, imaginar no início da década de 90 o Brasil não tinha nem cartão de crédito, não tinha nada, então a nossa geração só conseguiu estudar fora e participar do mundo, porque a geração de vocês semeou um terreno de um país que é pelo menos politicamente estável e que economicamente, com seis desafios, muita coisa acaba funcionando aqui, é um lugar que sempre recebeu muito investimento estrangeiro, então eu acho que assim, não conseguiu terminar o trabalho, mas eu acho que conseguiu sim acertar o Brasil, o Brasil hoje é um país muito mais pronto para a globalização, eu não imagino o Brasil tão pronto se a gente tivesse até hoje num regime que além de não ser democrático, era um regime ultra protecionista, o regime militar no Brasil ele não era igual, vai lá, o do Chile, que era o regime aberto ao mundo, é um regime que olhava para dentro do próprio país e criou, infelizmente, uma relação direta do brasileiro, que o brasileiro acha que o capitalismo é isso, que o capitalismo é olhar para dentro e não é isso.

Luciano          O que você está dizendo para mim aqui que quem salvou o Brasil foi Fernando Collor de Mello.

Lucas             Não vou dizer que foi só ele.

Luciano          Olha, a alternativa era Collor ou Lula, se o Lula tivesse vencido naquela época, com aquela loucura que era…

Lucas             Não vou fazer esse exercício, mas bem ou mal o Collor, o Itamar, o Fernando Henrique, todos eles tiveram políticas que abriram o Brasil para o mundo e o próprio Lula, no início também, ele aproveitou o boom das commodities, depois entrou numa rota de olhar para dentro e o regime Geisel, completamente démodé e provado errado e aí deu no que deu, mas enfim, vamos recuperar esse tempo perdido, mas independente do que fez o governo, eu acho que o ponto central é que a sociedade do Brasil foi se abrindo, eu acho que aqui a gente sempre olha para o país como se o país fosse marionete do governo e eu até pela experiência lá em Vermont, para mim é cada vez mais claro que quem comanda o país é a sociedade, a sociedade civil organizada, é ela que vai impor as pautas ao governo e…

Luciano          Desde que ela tenha consciência de que ela tem esse poder, a gente não chegou nesse nível ainda não.

Lucas             … ainda estamos longe disso, mas nunca tive com tanta esperança, eu acho que recentemente… vou dar um exemplo bobo aqui, o pessoal acha que foi o Haddad que deixou a Paulista fechada no domingo, tem ONG pedindo isso tem 15 anos, então óbvio, vou reconhecer o mérito que ele encampou essa pauta, mas foi a sociedade civil que provocou isso e agora mudou o prefeito, o prefeito nem cogita em mexer nisso porque virou um patrimônio dos paulistanos usarem aquele espaço público, então aqui no Brasil acho que aos poucos a sociedade civil está vendo que ela sim tem esse poder e está vendo que o estado não  é a solução para tudo, o estado, ele vai resolver algumas coisas e outras ele vai atrapalhar e enfim, isso é uma coisa, um movimento óbvio que é devagar, não é uma coisa retilínea e vale para tudo, os empresários estão sentindo também no dever de fazer alguma coisa, a sociedade civil organizada e alguns políticos conseguirem ler isso bem, eu acho que vamos ser premiados no futuro aí.

Luciano          Vamos…

Lucas             Vamos torcer, eu sou otimista, você vê.

Luciano          Eu estou de olho nessas ondas dessa moçada nova que vem aí para mudar, vamos lá. Muito bem, vamos chegar agora no nosso ponto que acabou nos juntando aqui nessa conversa aqui. Aí você vai trabalhar no Itaú?

Lucas             É e aí com esse discurso lá que a geração tinha feito um bom trabalho e agora era a nossa vez, eu entrei lá e uma grande escola, toda vez que eu vejo no noticiário coisa de problema e tal, o nome do Itaú não está lá e não é à toa assim, as pessoas ali, Pedro, Roberto, eles no fundo, os bancos são das famílias e eles não queriam pessoas que já nasceram com picas, entre aspas aqui, entre aspas não, literalmente ricas e eles com uma relação direta com os pais de querer dar orgulho e não vergonha, então…

Luciano          Quando você fala Pedro você fala no…

Lucas             … Pedro Moreira Salles e o Roberto Setubal e muito clara essa ideia de que não iam fazer qualquer coisa para ganhar dinheiro e o Pedro, em particular, uma visão de gestão de pessoas que eu não conhecia, eu achava que o banco era aquele negócio, máquina de dinheiro e desde o primeiro dia eu entendi ali que não é isso, que o ponto central ali era como é que você atrai gente boa para fazer coisa que vai, de fato, fazer a diferença, então para mim ali foi uma grande escola, a ponto de eu ficar confortável lá em 2013 junto com um grupo já amigos de propor um modelo do banco para aproximar de startups, de novo, não era nenhum excepcionalismo meu, tinham vários bancos que estavam fazendo isso e eu fiz isso com vários colegas lá do Itaú. E na hora que a gente propôs isso a gente viu que outras áreas do banco também estavam olhando para modelos de como é que uma grande empresa trabalhava com startup e o banco acho que conseguiu juntar todo mundo ali para acabar criando o Cubo que eu acho que foi um grande acerto, em breve eu acho que vai virar case de escola de negócio, porque não tem nenhuma empresa que não era de tecnologia que conseguiu se integrar tanto nesse meio, tão rápido igual aconteceu com o Itaú, o Itaú, por causa desse projeto, em pouco tempo ele já é uma empresa que as startups olham para querer trabalhar junto, mudou completamente a visão do banco e o Itaú não é o Google, o Itaú não é o Facebook, o Itaú criou um modelo ali que junto com outras empresas e junto com um fundo de investimento de venture  capt to care a red point e etc, conseguiu fazer parte de um ecossistema empreendedor e ajudar até o Brasil vou dizer assim, a virar um negócio novo, juntar gente boa no mesmo lugar, então acho que ali foi um grande… foi muito bom para o banco, foi bom para a cidade de São Paulo ter um lugar igual ao Cubo, a gente recebia na época várias escolas, Chicago, Harvard…

Luciano          Deixa eu explorar um negócio aqui antes de você… o Cubo é um case interessante para a gente falar um pouco mais dele aqui, mas antes disso eu quero fazer uma provocação com você, você está lá na Genebra, ONU, olhando para o Brasil, vendo que o Brasil tem que mudar, etc e tal e você vem para cá e vai trabalhar dentro de um banco, uma entidade que pertence a pessoas interessadas em explorar o povo, ganhar dinheiro, em liquidar com tudo, em se reunir no escuro e tomar conta do país, esses sanguessugas, o problema do Brasil é o problema do banco, o juro está alto, esses caras só pensam em ganhar dinheiro, o dinheiro não está na produção e todos os problemas do Brasil são culpa dos bancos e você é cooptado por esse ambiente a ponto de chegar aqui e ter o desplante de falar bem de banqueiro. Vai. Está feita a provocação.

Lucas             Pois é, como que foi? Eu trabalhava em Brasília, no CADE da época, eu morava numa casa que não tinha geladeira, para o espanto da minha mãe e dormia num colchão de ar, fiquei seis meses nessa situação bastante precária de funcionário público nessas condições e um dia eu estava lendo numa revista da Economist, uma propaganda do Itaú, Global Latino America Bank, pô nunca vi propaganda de empresa brasileira na Economist, achei aquilo ali fantástico e eu estava de saco cheio com gente, em particular da casa civil na época, usando email @gov para ficar fazendo política, isso era 2010 na eleição do Serra com a Dilma e aí eu vi aquela propaganda eu falei pô, legal isso aqui, não é governo, que você tem em tese 200 milhões, mas tem 50 milhões de clientes, é muita gente…

Luciano          Você estava trabalhando aonde?

Lucas             … no CADE, no ministério da justiça…

Luciano          No CADE, você foi um funcionário público então?

Lucas             … é, eu tive seis meses ali, eu comecei fazendo estágio, depois continuei assessor da presidência lá, era o Arthur Badin que era o presidente, foi também uma experiência fantástica assim para ver que tem gente muito boa no setor público brasileiro. Ali no CADE tinha muita gente boa e não só, em vários outros setores da burocracia federal, gente boa querendo crescer, não é só gente, entre aspas, mamando, tinha isso também, mas conheci muita gente boa e mudei um pouco minha visão até de que era setor público, mas o ponto ali foi que individualmente eu não queria gastar minha energia trabalhando, entre aspas, para um governo que eu não acreditava, umas ideias eu não acreditava e o jeito que fazia política, a mistura de… quando eu ficava bravo com o @gov era porque o @gov é institucional, você não pode mandar uma propaganda da Dilma contra o Serra nome mail @gov, ainda que você fosse um fanático pela Dilma e aquilo me incomodou muito e eu falei cansei, quero um negócio mais animado e longe disso aqui, aí acabei vindo por causa dessa propaganda fiz inscrição no programa e fui lá trabalhar para banqueiros e assim, de novo, se você tirar um pouco a visão só do Brasil, o setor bancário no Brasil ele é um dos mais envolvidos do mundo, ele, óbvio, como eu trabalhei no ramo de defesa da concorrência tem um problema de concentração e são muito poucos bancos, seria melhor que tivesse mais, mas enfim, ele foi uma das coisas que deu certo no Brasil, no Brasil teve algumas coisas que deram certo, o setor bancário deu certo, avião deu certo, agricultura deu certo e assim, e foi legal ter participado desse Brasil que estava dando certo apesar dessa visão de que ah, banqueiro é isso, banqueiro é aquilo, eu conheci muita gente boa lá e tenho profunda admiração pelos fundadores lá do banco, acho que são famílias ali que ao longo do tempo construíram empresas, inclusive de ambição internacional.

Luciano          É injusta essa imagem que faz os…

Lucas             É, é injusta e ela tem a ver com a nossa cultura de querer botar a responsabilidade nos outros, então quando você tem um problema você vai falar: é culpa do banqueiro que me cobrou muito juro, eu acho que aqui no Brasil, por uma série de motivos o crédito é caro, um deles é que tem pouco banco, falta concorrência e espero que a SINTEX ajude um pouco a botar um pouco de pressão, mas o motivo maior é que tem um estado gigante que toma o dinheiro, 70% do dinheiro que poderia ir para a população vai para o governo e aí o que sobra, as pessoas se matam para conseguir ter algum crédito, então acho que é um problema estrutural de endividamento público que acaba refletindo no crédito de todo mundo e quando você trabalha dentro do banco, você também começa a ver que o banco vai muito além de só ser banco, então o próprio, essas instituições apoiaram uma série de inciativas em cultura, tem as fundações de educação e depois do próprio Cubo, então eu acho que é injusta e é fácil, é botar a culpa nos outros ao invés de olhar para si.

Luciano          Então vamos lá, você está lá dentro e você faz uma viagem e tromba com o conceito fantástico lá fora que acaba criando essa ideia do Cubo, como é que foi? O que foi? Que conceito foi esse?

Lucas             Eu assim, vendo, lendo coisas de mídia estrangeira e depois quando eu tive uma oportunidade de visitar lá em São Francisco, eu fiquei impressionado com o nível de integração que tinha das empresas locais com as startups, as empresas de tecnologia mesmo, Google, Facebook, era uma coisa que funcionava muito bem junto, essas empresas investiam, compravam e aí, individualmente, eu achei aquilo ali muito interessante e voltei correndo, falei a gente tem que fazer alguma coisa numa visão mínima e aí foi essa história de conseguir juntar aí um grupo de pessoas, de amigos, que a gente gostava desse assunto de empreendedorismo, trabalhava lá no banco e aí era esse sentimento duplo, a gente queria empreender por um lado e o outro lado a gente também não queria sair do banco e aí a gente tentou juntar um pouco e propor coisas lá dentro e acabaram levando por esse caminho e acabou que foi muito legal, que a gente foi conhecendo várias pessoas, por exemplo: eu era da área do jurídico e as outras pessoas eram de área de negócio, mas com o tempo a gente foi conhecendo gente de tecnologia e outras áreas do banco que também estavam querendo fazer uma coisa muito parecida e aí acabou que o Cubo foi juntar um pouco toda essa turma que queria fazer algo diferente e se aliar a excelentes parceiros, igual eu já falei, como o fundo lá…

Luciano          A visão, deixa eu ver se eu entendo a visão dessa história aí, é aproveitar uma estrutura que você tem, gigantesca, financeira, de organização e criar um ambiente onde você possa atrair as pessoas que tem ideias legais e dar a elas uma condição mínima para elas poderem crescer com essas ideias. É isso?

Lucas             É isso e aí todo mundo ganha assim, porque por um lado as ideias podem ser aplicadas para dentro do banco, então sei lá, tinha uma empresa lá do Cubo que fazia reconhecimento facial, poderia usar aquilo para melhorar a segurança, para fazer controle de acesso ou não…

Luciano          Fala do Cubo, você está falando do Cubo aqui, a turma não sabe o que é o Cubo. O que é o Cubo?

Lucas             O Cubo é um hub para empreendedores que fica aqui na Vila Olímpia, é um prédio em São Paulo que tem ali mais ou menos 300 pessoas, 50 empresas e essas empresas estão lá se desenvolvendo, criando coisas novas, são empresas de alto impacto que foram selecionadas por um fundo de investimento para trabalhar naquele espaço e aí o ponto, retornando pá pergunta anterior é, essa turma vai estar lá para se conectar e tentar gerar negócio, pode ser que gere negócio para o banco, pode ser que não gere, pode ser que gere negócio até para um concorrente do banco e faz parte, nesse mundo de… e você vai se juntar, cooperar para crescer, não está olhando muito aquela visão de ah fulano de tal vai ser a empresa que vai dar certo, você não sabe, lá tem várias empresas, umas vão dar certo, outras não vão, as que derem certo, eventualmente podem até trabalhar com o banco, mas se isso não acontecer tudo bem, porque você ajudou a empresa a dar certo e ajudou o banco a se reinventar também, olhar para isso de uma maneira diferente.

Luciano          Quer dizer, você não tem lá dentro um escritório de advocacia, uma padaria tradicional, um cara que está fazendo uma fábrica de garrafa d’água, você vai ter lá dentro gente que está com conceitos de quebrar tudo que está aí, inventar coisa nova, dá um exemplo de coisas que tem lá dentro.

Lucas             Bom, tem…

Luciano          Você falou de uma de reconhecimento facial.

Lucas             … sim, vou falar, tem gente, por exemplo, que cuida de advocacia, não tem um escritório, mas tem um cara lá que criou um software para poder ajudar o trabalho de produção de contratos de advogado, então ao invés de o advogado ter que redigir o contrato inteiro, o software basicamente faz isso para ele, ele consegue gastar o tempo na parte mais estratégica do contrato e outros empreendedores, por exemplo, criaram um curso de programação que pode durar de um fim de semana até dois meses, isso as pessoas vão conseguir aprender a programar que é uma habilidade importantíssima do século XXI em muito pouco tempo, então são empresas fazendo coisas assim de alto impacto que é o público lá do Cubo.

Luciano          A Camila, que esteve aqui…

Lucas             Exatamente.

Luciano          … eu não sei em que ordem que está os capítulos aqui, mas ou você já ouviu ou vai ouvir a Camila contando a história do empreendimento dela que nasce dentro do Cubo, graças ao Cubo.

Lucas             E é uma alegria enorme ver a trajetória que ela está seguindo.

Luciano          Sim. Como é que faz para vender um projeto doido desse dentro de uma instituição como um banco? Por mais que você fale olha, o Itaú tem uma visão diferenciada, mas aquilo é um banco, como é que você chega lá numa reunião com aqueles senhores de terno e gravata preocupados em dar resultado e você entra de camiseta…

Lucas             Não, na época eu entrava de terno e gravata, hoje eu estou de camiseta aqui, bom, acho que assim, consistência, a mensagem que a gente estava fazendo ali, a gente pegou estudos do mundo inteiro e mostrou que tinha muito banco fazendo isso também nos EUA e tal, então não era uma invencionice de meia dúzia de garotos…

Luciano          Mais uma coisa importante, Lucas, ninguém pediu, não é que te encomendaram, por favor, me monte um projeto, você decidiu que aquilo podia ser uma boa ideia? E comprou a briga de convencer o banco a fazer aquilo?

Lucas             Primeiro a gente foi em quem gostava mais, então por exemplo, a própria Cláudia lá que era uma executiva que eu conhecia desde que eu entrei, foi a primeira pessoa que a gente falou, a Cláudia vai me escutar, ela gosta de mim, então eu vou ganhar ali meus 20 minutos e aí uns 20 minutos com ela, se essa ideia for legal ela vai chamar alguém e assim foi o que aconteceu, ela junto com a Leila que era outra executiva do jurídico foram nos apresentando para um monte de gente e aí, é óbvio que demora, é uma empresa grande, você conhece bem, já trabalhou em multinacional, tem muitos meios de decisão, eu até brinco que é um jogo de dez podem falar não e parece que ninguém pode falar sim e aí a cada vez que você ia derrubando um não o negócio ia ganhando corpo e eles vendo também concorrentes, empresas no Brasil na época a Abril fez um projeto parecido, cada notícia que saía na imprensa que alguém estava fazendo algo parecido, a gente ia lá e cutucava, então foi um processo de amadurecimento vai, da instituição, dos executivos até que o executivo de tecnologia, que é o Ricardo Guerra, de fato assumiu o projeto, falou vamos fazer e aí quando tem um executivo importante que pega para fazer, o negócio de fato deslanchou.

Luciano          E não era que vocês estavam copiando alguma coisa que tinha aqui? Não, vocês estavam trazendo uma concepção…

Lucas             É, a gente tentou copiar um monte de coisa e juntou e acabou virando uma jabuticaba do bem, que hoje é um projeto que é copiado mundo afora, mas sim, a gente tentou misturar elementos que a gente achou que davam certo em outros lugares do mundo, igual por exemplo, ter um espaço físico era importante, mas a gente acabou usando o modelo um pouco diferente, eu acho que deu certo.

Luciano          O Cubo é uma ONG?

Lucas             É.

Luciano          O que é aquilo lá?

Lucas             É uma associação, como se fosse, sei lá, o Itaú Cultural só que o foco dessa associação é ajudar o ecossistema empreendedor aqui no Brasil e primeiro com esse prédio na Vila Olímpia e depois ajudando mais digitalmente também outros.

Luciano          Como é que funciona o processo lá. Eu tenho uma ideia maluca, eu marco uma reunião com alguém lá e apresento a ideia, é isso?

Lucas             É isso e aí você vai passar por várias conversas, se tiver espaço ou se sua ideia maluca tiver mostrando que ela tem uma atração, porque a gente lá não pegava ideia, já pegava empresa que tinha alguma…

Luciano          Já estava andando de alguma forma

Lucas             … que de alguma maneira pudesse vender alguma coisa para alguém, ou tivesse quase lá e aí acelerava essa empresa no sentido não de aceleração de startup, mas conectando com várias outras pessoas, empresas que pudessem ajudar e é isso, não tem um edital, você vai ter que pedir para alguém te indicar, ou empreendedor, ou de alguma maneira ter a cara de pau de ir lá e como é um prédio, você pode simplesmente aparecer lá que alguém vai te escutar.

Luciano          Sim, que legal. E aí, você vê aquela coisa sair do zero, tem aquela satisfação de um dia ver aquele prédio sendo inaugurado, as coisas acontecendo e aí?

Lucas             E aí que de fato uma satisfação enorme o dia na inauguração do prédio, pensar que o negócio que foi um e-mail, um power point virou um prédio, foi muito legal mas é…

Luciano          Quanto tempo levou entre o e-mail e o prédio?

Lucas             … dois anos, mas aí já passou, então está lá o prédio, então não adianta, na verdade, passou, o prédio está lá, depois eu tinha que fazer o prédio funcionar, foi outra etapa e no meio do caminho surgiu a ideia de querer fazer esse prédio maior no sentido de a gente está conseguindo impactar 300, igual eu acho que você já teve a sensação que o podcast podia impactar mais gente, a gente lá queria ter a sensação de impactar mais e aí a gente tentou se aliar, na minha cabeça, a uma empresa que fazia muito bem, que é essa Wework, que eu conhecia desde a época lá do bentchmark do Cubo, tinha uma visão de pô, será que a gente não consegue fazer um negócio com esses caras para eles nos ajudarem, a gente ganhar escala? E aí no meio dessas conversas, acabou que apareceu, essa empresa estava vindo para o Brasil e falou, o cara que cuidava do Brasil acabou virando secretário do Dória, o Paulo Webel e ele que me convidou, ele falou eu vou sair, mas essa empresa é muito legal, acho que você poderia assumir o meu lugar, enfim.

Luciano          Isso é recente então?

Lucas             Isso é agora, foi em novembro, dezembro do ano passado, 2016. E aí eu fiquei numa situação bastante incômoda e pessoalmente falando porque eu não queria sair do Cubo, eu via como um filho, mas eu ponderei bem que ali eu já tinha feito alguma coisa e não tinha claro uma expansão em grande escala e do lado da Wework, eu conversei com meu chefe lá, o Patrício Fucs que é o red da Latam e é um projeto maluco no sentido de querer criar um negócio enorme em muito pouco tempo e aquilo ali mexeu muito comigo, eu bem ou mal, eu trabalhei em governo, em banco, eu não tive muita exposição a risco, eu queria me expor mais a risco, então eu acho que foi o elemento central da decisão de mudar, eu quero ir para um negócio que, beleza, não voou ganhar dinheiro agora mas se o negócio der tudo certo, a gente vai ter um puta de um impacto, vai ganhar dinheiro também e aí e vi nele essa plataforma de fazer isso, então conversando com ele eu animei mudar, é claro que sempre de portas abertas com a turma lá do banco e com muito orgulho, o que a gente fez lá, o Wework, se por um lado o Cubo é só para empreendedor de alto impacto, o Wework é uma comunidade mais aberta que vai poder, tanto alguma empresa que já deu certo, saiu do Cubo ir para lá, quanto qualquer outra empresa de advocacia, contabilidade, mas os dois mantem muito essa ideia da comunidade, que as pessoas que estão juntas ali vão se ajudar a crescer os seus negócios e a ter um ambiente legal para trabalhar.

Luciano          Então, explica o Wework para mim imaginando que eu não tenho a menor ideia do que é que você está falando, o que é o Wework? É um prédio em algum lugar? O que é isso?

Lucas             Quando a gene faz entrevista lá, a gente pede para explicar o Wework para a avó e dependendo de como é que foi a pessoa passa ou não. Bom, o Wework é uma comunidade que se manifesta, ou através de prédios, então hoje tem mais de 150 prédios ao redor do mundo, em São Paulo vai abrir o primeiro prédio em julho de2017 e nesse prédio você vai ter lá 1000 pessoas trabalhando em diversas empresas e essas pessoas vão ter tanto acesso a essa comunidade global de 150 prédios espalhados pelo mundo, quanto um acesso diferenciado entre elas, então a ideia é que entre as pessoas que trabalham no mesmo prédio, essas pessoas gerem negócio entre sí e consigam crescer, tudo isso num ambiente muito bonito, um ambiente que seja inspirador, que o desenho do ambiente físico é feito para as pessoas se encontrarem, tomarem café, tem as salas de reunião que inspiram criatividade, então a ideia do Wework é exatamente essa, são vários prédios para onde uma comunidade se monta e aí as pessoas interagem dentro do prédio ou entre prédios por meio de um aplicativo.

Luciano          Qual é a diferença da Wework para uma empresa do cowork que está por aí? Cowork é o seguinte, você vai para um ambiente, você precisa montar teu negócio, você não tem escritório, você não tem coisa nenhuma e tem que ter um lugar para trabalhar, você pode escolher várias empresas que estão por aí que oferecem o cowork, que você vai trabalhar junto com um monte de gente num lugar, vai ter uma mesinha, você vai ter computador, tem ali acesso, tem telefone, tem uma pancada de coisa, você paga uma mensalidade e usa aquilo como sendo seu ambiente de trabalho, compartilhando com mais um monte de gente, então do teu lado vai ter um sujeito fazendo um negócio que não vai ter nada a ver com o teu, mas os dois estão trabalhando ali, tem uma sala de reunião, esse é o modelo normal do cowork, não é?

Lucas             É e é um modelo fantástico, o Wework, eu acho que ele acrescenta para isso, acho que três elementos, o primeiro de mobilidade, então mobilidade dentro e fora da cidade, por que isso? Porque quando você vira membro de um Wework, você pode trabalhar em qualquer um do mundo, então vamos supor, em Nova York tem 30, aqui em São Paulo, em menos de um ano, a gente vai ter uma dezena de unidades, então a pessoa pode trabalhar da Paulista, Vila Olímpia, da Faria Lima, de Pinheiros, do Centro, enfim, citei aqui exemplo ilustrativo, mas a ideia é que a pessoa poderia usar melhor o tempo, que ela não vai precisar ficar no trânsito e ao redor do mundo, então você está em Nova York, São Francisco, Paris, você pode usar também esse ambiente, então você tem esse elemento de mobilidade, o segundo, talvez eu devesse ter falado em primeiro, porque é o mais importante, é tudo feito lá para que as pessoas gerem negócio entre si, então tem coworks que fazem isso outros que não fazem, a gente eu acho que faz isso muito bem, inclusive a meta do time que cuida do prédio, quantos negócios eles conseguem gerar entre as pessoas que estão ali e como a gente faz isso? Cria uma série de eventos, uma série de atividades para as pessoas, acaba que forçadamente se se encontrarem, então o desenho do prédio é feito porque a área de café é uma área comum, então a pessoa encontra a outra no cafezinho, ou para uma cerveja, então tem café e cerveja de graça por quê? Para gerar negócio e você cria uma série de eventos para isso, então essa é uma diferença importantíssima e a última, que também é super legal é que como a empresa tem escala global e já recebeu uma série de investimentos, vale aí perto de 18 bilhões de dólares, ela faz muito investimento nos próprios membros, então a gente tem lá um prêmio que chama Creators Award e distribui mais de 20 milhões de dólares para quem está fazendo a diferença, então não é só aquela casa que o pessoal está lá, não, a empresa está junto com os membros, se os membros crescem a Wework cresce e vale para uma empresa pequena e vale para uma empresa enorme, a gente tem cliente que tem três mil posições com a gente, tem pessoa que está lá sozinha.

Luciano          É, depois a gente vai dar o link aqui, mas eu vou colocar na descrição dessa, na transcrição desse programa aqui, o vídeo que eu assisti do local, realmente é, como é que é? Como é que falam os gaúchos? É de cair os piá do bolso, é uma coisa assim.

Lucas             Toda vez que você entra no Wework a primeira vez, você nunca esquece, porque o lugar tem uma energia, além de ser muito bonito, tem uma energia muito legal.

Luciano          Não, é muito legal sim e o que eu vi ali, o volume de gente envolvida, isso não começou no Brasil ainda, você está nesse momento organizando para inaugurar em junho o primeiro local que vai ser na Av. Paulista?

Lucas             Em 1° de julho, mas começou no Soho, em Nova York e aí na América Latina hoje já tem no México, vai abrir na Argentina, depois aqui no Brasil e Colômbia e Peru e um motivo que eu tenho muito gosto de participar da Wework, aí você vai ver que conecta com a minha trajetória, é que eu acho que a gente vai conseguir conectar o Brasil, os empreendedores brasileiros ao resto do mundo, hoje a Wework tem 100 mil membros espalhados pelo mundo e cada membro brasileiro que entrar vai ter acesso a um aplicativo que você pode fazer negócio com chinês, indiano, todo mundo on line, em tempo real, então de alguma forma eu acho que a gente vai estar contribuindo para o Brasil estar mais dentro do mundo, para os empreendedores brasileiros que são ambiciosos, que queiram fazer coisas de alto impacto, eles vão ter uma plataforma para se expandir, seja primeiro para a América Latina, igual a gente falou um pouquinho aqui e depois, se for um negócio de  altíssimo impacto, quem sabe para o resto do mundo.

Luciano          Vocês estão criando um templo do empreendedorismo e o Leandro Karnal vai gostar muito de ouvir isso aí, porque ele está dizendo que o empreendedorismo é uma nova religião, virou uma questão de fé e vocês estão criando um templo onde a coisa vai…

Lucas             É uma analogia, eu acho que muito adequada assim, porque essa história de comunidade… nada no ser humano tem mais a ver com comunidade do que religião e não existe religião sem templo, então o problema do ateísmo inclusive é esse, eles tinham que arrumar um templo dos ateus para eles se encontrarem, enquanto eles não fizerem isso, eles não vão dar muito certo, mas o ponto é que a ideia das pessoas que acreditarem em uma coisa que é maior que elas e poderem se encontrar fisicamente para compartilhar o momento, seja de um culto ou do que quer que seja, isso está no DNA do ser humano e agora o Wework não é só a gente, mas tem outras empresas fazendo coisas legais, parecidas, é que eu acho que tenta entender um pouco o que é isso do ponto de vista do ser humano e aplicar isso para os negócios. Então as pessoas vão estar num lugar que elas gostam, que elas vão encontrar um monte de gente interessante, que acreditam em coisas parecidas e isso não depende se a pessoa é de uma empresa grande, uma empresa pequena, o ponto… e se ela é nova, o pessoal ah isso é coisa de milênio, não coisa de milênio, é coisa de quem acha que participar disso se energiza, o cara vai sair de lá feliz, tem a ver com o futuro do trabalho no sentido de trabalho não é mais aquela coisa de que a origem da palavra trabalho, que é tortura, não é isso, trabalho é uma coisa que você tem que se realizar, você fica muito tempo trabalhando para fazer um negócio que você não gosta, então nesse sentido sim, eu acho que é o templo dos empreendedores, um templo para quem acha que trabalhar pode ser legal e que o que estiver fazendo faz sentido, então acho que é bem nessa linha e é um templo global, diferentemente de outros templos, a gente não tem nenhuma isenção fiscal, enfim, a gente tem elementos legais de conexão, mas fazendo uma coisa do bem, juntando um monte de gente bacana num lugar.

Luciano          Você não acha que para você, para um negócio desse funcionar, as pessoas que estão lá dentro tem que ter um quê de generosidade e de.. porque eu estou imaginando o seguinte aqui, você está saindo de um projeto em que você tem uma empresa estanque no seu prédio, em um determinado lugar, todo mundo num cubículo, todo mundo trancado ali e não se conecta com mais nada do que está em volta, é a minha empresa, meus segredos, meu negócio, fica quieto, não conta para ninguém por que se não o concorrente vem e mata a gente e agora você  está propondo o seguinte:  desfaz essa coisa toda aí e vem para um lugar onde você vai sentar com um monte de gente, inclusive concorrentes seus e vai botar na mês tuas angústias, tuas ideias e essas pessoas vão estar vendo a coisa acontecer ai e vão estar acompanhando ao vivo. Você não acha que tem um lance ai de exigir um nível de transparência qe vai precisar de uma mudança cultural do brasileiro?

Lucas             É eu acho que tem uma questão cultural, mas o brasileiro, para mim, se eu compara com o resto do mundo ele já é diferente do resto, já é um tipo de gente que gosta muito mais de compartilhar do que outros, os ambientes de trabalho eles hoje foram desenhados pensando, sei lá, no modelo fordista de produção, então uma fábrica industrial parece muito com aquela coisa de um monte de gente sentado um do lado do outro, cada um faz alguma coisa e esse modelo talvez funcionava na época que precisava de gente trabalhando na indústria, hoje em dia é o robô que faz isso e a gente continua mantendo esse modelo, mas esse modelo não funciona, os lugares mais criativos do mundo, igual lá no Vale do Silício, Tel Aviv e etc, essas pessoas compartilham e criam coisas novas, vai sempre ter concorrência, mas concorrência muito mais na capacidade de executar e de atender bem o cliente do que na ideia genial, isso acho que não…. ideia não serve para nada, ideia você precisa conseguir executar o plano bem feito, juntar gente boa, acho que cada vez mais as pessoas estão vendo isso, mas essa questão de confidencialidade, a pessoa vai querer trocar ou não, o modelo que o Wework funciona, ele tem um espaço de compartilhado, mas ele também tem as salas individuais, então a pessoa, no fundo ela tem a opção de entrar num espaço compartilhado ou de ficar um pouco mais reservado, ainda que sempre com vidro, então não tem como você ficar exatamente isolado, mas você tem aí modelos que podem ir um pouco mais privados e modelos de mais compartilhado e durante o dia é normal você ficar um pedaço talvez mais sozinho e outro pedaço interagindo com a turma.

Luciano          Eu escrevi um artigo um tempo atrás chamado “Solidão Empresarial”, onde eu falava de uma doença que aflige os empreendedores e aí não é empreendedor dono da própria empresa, pode ser numa grande empresa onde você de repente tem o presidente da empresa e ele se vê sozinho, você tem o dono do empreendimento que se vê sozinho, sou um empreendedor, tenho eu tomar uma decisão e eu estou sozinho, aí eu pego e telefono para um amigo meu que tem outra empresa, para tentar que ele me ajude a tomar alguma decisão e é isso que eu digo, é a solidão empresarial, o momento que eu tenho que tomar minhas decisões e não tenho a quem recorrer e vai ter que ser por minha conta e de repente você traz uma proposta onde eu tenho uma chance de olhar para a mesa do lado e ver um sujeito que já passou por aquilo que eu passei e virar para ele e falar: fulano, escuta uma coisinha aqui só, ou eu levanto aqui, atravesso uma porta de do outro lado tem um cara que já vivenciou aquilo tudo que eu passei disposto a me receber a contar para mim aquilo que aconteceu, tudo ao meu alcance sem ter que agendar, sem ter que… esse é o conceito?

Lucas             Exato, eu vi isso acontecendo lá no Cubo, os fundadores trocando ideia e isso me deu muita confiança que no Wework isso acontece em larguíssima escala, então tanto entre os fundadores quanto também… às vezes tem um advogado na porta da frente que ele tem uma dúvida, estou com um problema trabalhista aqui, alguém já teve esse problema? Seja o advogado, seja outra empresa, no fundo você ia tentar perguntar isso para alguém, só que talvez você ia perguntar para um amigo, para a família e eles não iam conseguir te ajudar muito, até você explicara o que é, então é poder compartilhar com gente que já passou por aquele momento sem dúvida eu acho que é um valor enorme que esse tipo de comunidade, esse tipo de modelo de trabalho traz e tanto é que as pessoas que entram nesse tipo de modelo de trabalho, para sair depois é dificílimo, porque como que você volta para ficar trancado num cubículo depois de participar disso.?… Então é um negócio meio viciante no sentido de, você vai querer continuar compartilhando.

Luciano          Isso está acontecendo em diversos segmentos, uma experiência, você como indivíduo, se você entrar, estou com um problema aqui, eu vou no meu Facebook, boto o problema lá e de repente tem 40 caras, espera aí que eu já sei como é que funciona, então esse conceito, o conceito dos grupos de discussão, o grupo que eu botei agora, confraria do Café Brasil, é uma festa, eu entro lá, boto uma pergunta, na hora, tem até um case que aconteceu logo no começo do grupo, nós estamos ali com 300 membros, um deles chegou e falou o seguinte, vendi um apartamento, tenho 200 mil reais na mão, aplico aonde? E durante dois dias aquele grupo virou uma consultoria financeira porque tinha cinco ou sei caras lá dentro que são do ramo e que entram lá e começam a discutir entre si qual é o melhor destino que eu posso dar ao meu dinheiro e você tem uma aula de aplicação financeira que não teria em lugar nenhum e ali tudo concentrado dentro de um grupo do Telegram, então esse conceito dessa troca é que você está trazendo para cá, eu acho isso fantástico, eu estou imaginando isso aplicado a nível de estado, o estado brasileiro aplicar, resolver isso, você vai para Brasília e consegue ali com aquele mundo de gente que você tem lá, com aqueles ministérios, trabalhando com os silos separados, você já pensou?

Lucas             Já e assim o Wework tem projetos muito legais, por exemplo, em Detroit que é uma cidade, um dos maiores desafios de se recuperar, de junto com o poder público e empreendedores locais, reinventar uma região da cidade ali com um prédio, então eu espero que em breve a gente consiga fazer isso aqui no Brasil, seja no centro de São Paulo, seja em algumas outras regiões e do ponto de vista de mentalidade, porque o poder público vai começar a ver isso como uma grande oportunidade de resolver problema do cidadão e tem várias startups, empresas que estão olhando para isso também, acho que isso faz parte dessa revolução da sociedade civil que está acontecendo no Brasil de empurrar o poder público para fazer isso e é o que eu falei, eu tenho certeza que alguns políticos vão ver isso, não vão ser muitos, mas os que forem vendo isso, a gente tem que ajudar e a sociedade eu acho que vai premiar eles, porque no fundo a sociedade, ela não tem esse nível de ideologia, eu acho, que a gente imagina, as pessoas querem ver os seus problemas resolvidos, seja a nível local da prefeitura, seja a nível federal, questões, sei lá, de previdência, saúde. Essas soluções novas, elas não são de ideologia A ou B, elas são soluções novas, criativa e vão endereçar problemas reais, então eu acho que no setor público tem, sem dúvida, um enorme espaço para ter muito mais cooperação e o estado ser mais eficiente, mais divertido para quem trabalha lá e, principalmente, melhor para o cidadão.

Luciano          Você vê que interessante, através do conceito de empreendedorismo, nós estamos propondo uma revisão do conceito de democracia, quer dizer, eu consigo ampliar a participação na sociedade através da visão do empreendedorismo, então meu caro amigo Leandro Karnal, é religião sim senhor e ainda bem que é, eu diria que é usando os conceitos bons daquilo que se entende como religião, a gente, talvez a partir dessa ideia de gente disposta a fazer acontecer se juntando e derrubando as barreiras e mudando essa história aqui.

Lucas             E protagonistas, não é Luciano, eu acho que assim, o ponto central da religião é que a gente vende uma tradição que o protagonista é sempre o estado, e o outro, a gente que tem que ser protagonista como sociedade civil, como empreendedor e aí sim eu acho que é uma religião que vai ter profundo impacto em como é que as coisas funcionam no Brasil, porque vai tirar a visão de vitimização e partir para a visão de protagonista que eu acho que é a maneira de a gente conseguir melhorar como sociedade, ficar mais justo, mais democrático e repartir melhor essa riqueza que a gente tem aqui também.

Luciano          Que história excelente, eu espero realmente ser convidado para essa inauguração, quero estar lá na inauguração e vou fazer força para estar perto de vocês aí, porque eu acho que tem um caminho muito legal aí que não tem mais volta, o que você falou, depois que o cara experimenta isso, voltar para o tradicional é praticamente impossível e faz parte dessa nova onda da garotada que vem aí que eu acho que vai derrubar todas essas barreiras.

Lucas             Muito obrigado por abrir o canal, a oportunidade, como você me falou mais cedo aqui, esse é um canal de tentar transmitir conhecimento, fazer com que as pessoas pensem coisas novas e conte comigo e não só comigo, com essa plataforma do Wework, vai ter um monte de gente brilhante para poder envolver essa comunidade toda que você já tem aí entre os seus ouvintes e seguidores para a gente poder fazer muita coisa junto, foi um enorme prazer, me diverti bastante aqui na conversa também.

Luciano          Me dá os contatos ai, quem quiser saber do que está acontecendo, como é que acha você, como é que descobre onde estão as coisas, como é que é?

Lucas             Bom, o Wework, no site nosso wework.com, tem lá os endereços nossos na Paulista, em breve a gente vai colocar outros que a gente vai ter em São Paulo, com telefone também e para quem quiser falar direto comigo meu Linkedin é Lucas Mendes de Freitas Teixeira, acho que é super fácil de conectar, se não [email protected].

Luciano          Muito bom. E um abraço ao pessoal de Pedra Azul viu?

Lucas             Pois é, como diria o Paulinho Pedra Azul… Bem-te-vi.

Luciano          É isso aí. Grande abraço.

Lucas             Obrigado.

Transcrição: Mari Camargo