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Ciça Camargo -

Luciano          Muito bem, mais um LíderCast começando. Deixa eu ver como é que eu apresento esse aqui. Essa figura aqui eu conheci ao vivo durante o Epicentro 2016, quando eu fui lá como todo ano eu vou e os caras me apresentaram, só que antes de eu conhece-lo pessoalmente, a gente entrou num grupo. Formou-se um grupo dos palestrantes e naquele grupo aparece esse sujeito aqui com um bom humor irritante, o tempo inteiro fazendo piada e mandando coisas, mas era um negócio assim que eu falei esse cara é muito bobo, que monte de bobagem, deve ser um chato de galocha, que pentelho e ali depois eu conheci ele ao vivo, vi a apresentação dele na hora lá e pude entender que esse bom humor é irritante, na verdade não era uma armação que ele tinha feito ali ou uma forma de encher o saco dos outros, esse é a matéria prima do trabalho dele, a matéria prima da vida dele e foi muito legal ver a apresentação, tanto foi legal que a gente acabou continuando a conversar ali um pouco até que surgiu a chance de ter essa gravação. Então, eu não quis perder a chance de trazer um cara aqui que trabalha com uma matéria prima como essa, que é o bom humor, sem ser um cara de stand up comedy que está por aí fazendo palhaçada na televisão, etc e tal. Há três perguntas básicas do programa, que são aquelas que quem escuta já conhece, mas que são fundamentais: seu nome, sua idade e o que é que você faz?

Roberto          Roberto Caruso, 52 anos com shape de 40 e eu trabalho com humor com propósito, exatamente é isso, sem ser muita palhaçada, é o humor a serviço de alguma coisa maior.

Luciano          Humor com propósito. Isso é interessante, vamos falar bastante disso aí. Vou explorar você um pouquinho aqui nos próximos minutos, quero começar com a tua origem, você veio de onde, nasceu aonde, Caruso?

Roberto          Olha, eu nasci aqui em São Paulo mesmo, eu brinco que quando eu estava na escola eu falava assim, me perguntavam onde você nasceu? Nasci na cama do hospital Matarazzo, que nem existe mais, nasci em São Paulo, meus pais são italianos, genuínos italianos, mas que se casaram aqui no Brasil, eu sempre morei em São Paulo, só agora que já há uns 10 anos eu acabei saindo da loucura de São Paulo, mas estou perto.

Luciano          O que você ia ser quando crescesse?

Roberto          Então olha, eu quando eu ficava pensando o que que eu ia ser, eu achava que eu ia ser caminhoneiro, eu adorava  ver os caminhões e muito assim, coincidentemente ou não, eu acabei fazendo dos meus melhores trabalhos, dos meus melhores cases na minha vida, foi com uma indústria de caminhão.

Luciano          De caminhão. Legal. Mas isso era aquele sonho de moleque ainda, muito criança e tudo mais que você, você se admira com todas as coisas, você vai evoluindo, vai estudando, etc e tal e quando resolve encontrar um… seguir um caminho, termina o seu colegial… você fez colegial, fez tudo?

Roberto          Fiz, fiz tudo certinho.

Luciano          Terminou o colegial, foi cursar o que?

Roberto          Fui cursar publicidade e propaganda…

Luciano          Publicidade e propaganda.

Roberto          Comunicação, meu sonho era trabalhar numa grande agência de publicidade, ser um criador.

Luciano          Você já tinha a manha de ser o cara que agitava, o moleque que era espontâneo e tudo mais ou não?

Roberto          Até os 7 anos, Luciano, eu era bem quietinho, mas depois dos 8, 9 aí eu comecei realmente a ficar da pá virada e aí não  parou mais.

Luciano          Normalmente é o contrário, não é?

Roberto          Pois é, na verdade assim, diz que o moleque é muito assim, radiante no comecinho, muito arteiro, não que eu não fiz arte, eu fiz muita arte também, mas dos 7 para cima virou uma chavinha, aí eu pirei geral e aí eu sempre fui assim esse meio brincalhão, sempre fiquei no meio das pessoas, gostava de brincar, de dar risada, sempre foi nesse estilo.

Luciano          Você já parou para pensar o que pode ter sido a chavinha? Mudaram você de escola, mudou de ambiente, aconteceu alguma coisa na tua vida que…?

Roberto          Olha, eu vou te falar uma coisa, eu não consigo hoje imaginar o que foi, eu sei que olhando para o meu passado, como toda família tem as suas questões, mas eu tive uma vó muito divertida, a minha avó era muito divertida, ela era muito engraçada, imagina uma napolitana fazendo curso de inglês, era meu, já era uma comédia, então assim, todo domingo a família italiana, aquela coisa de juntar as pessoas, era super divertido, enfim, e eu era o caçula de toda a família, eu era, no meio de cinco mulheres, eu era o último ali que era o zoeiro, mas era divertido, agora a chavinha, o que virou, eu não sei, acho que foi ir para a Disney, com 7 anos eu fui para a Disney, acho que eu pirei.

Luciano          Tem gente que acha ruim isso até hoje, eu escuto barbaridades de gente, que absurdo aquilo lá, é gente que não tem a menor ideia do que está perdendo, que olha, se eu puder ir à Disney até o último dia da minha vida, eu faço questão de ir para a Disney para virar criança, para virar criança outra vez, mas vamos lá, a gente vai mergulhar um pouco mais nisso aí. Muito bem, você vai fazer publicidade e propaganda.

Roberto          Fui fazer publicidade e propaganda e eu estagiei numa grande agência, pode falar?

Luciano          Pode.

Roberto          Estagiei, tenho muito orgulho de ter estagiado lá, foi a DPZ e na DPZ eu entrei como estagiário e assim, eu já tinha um fusquinha, aí eu ia de fusquinha, mas eu não ganhava nada no estágio e aí comecei a estagiar, estagiei com algumas empresas que eram clientes deles…

Luciano          Que ano era isso?

Roberto          Isso foi, eu tinha o que? Uns 19, foi em 1983 por aí, mais ou menos.

Luciano          A DPZ ainda era a DPZ.

Roberto          Era a DPZ.

Luciano          Duailibi, Petit e Zaragoza.

Roberto          Duailibi, Petit e Zaragoza e assim, era muito bem acolhido por eles, mas assim, meu estágio acho que na história da DPZ foi um dos mais longos e sem remuneração, eu comecei a ir de fusca, depois eu ia de ônibus e no finalzinho eu comecei a ir a pé, saía da Alameda Lorena e atravessava todo o Jardim Europa para chegar na DPZ.

Luciano          Tua vida é toda ao contrário.

Roberto          Pois é viu.

Luciano          As pessoas começam a pé, depois ônibus, depois de carro, você inverteu também?

Roberto          Eu vou ao contrário, mas tem uma coisa legal que eu vou te contar, Luciano, que é assim, eu podia ter todos os motivos para me sentir frustrado de não ter conseguido ser registrado, ser realmente absorvido pela DPZ, só que foi muito legal porque eu tive contato com todas as áreas da publicidade, isso fortaleceu ainda mais o fato de eu querer trabalhar com criação e quando eu vi que não ia rolar, aí eu falei bom, o que eu vou fazer? E aí um cara que até hoje eu sou muito grato, Almir Soares, que é um cara que está no mercado ainda, o que ele fez? Ele trabalhava na área de relações públicas e junto com a área de jornalismo dentro da DPZ, vinha para o Brasil um grande evento que se chamava “Itália Viva”, três meses de vários shows, veio Dario Fo, Franca Rame, pessoal, tanto que o Dario Fo faleceu no ano passado, ele fazia o “Barbeiro de Sevilha”, então assim, vieram para cá e eles falaram olha Caruso, a gente vai te apresentar para o Consulado Italiano, bom, para encurtar a história, para não ficar muito comprido, eu era o intérprete oficial do Consulado italiano para com os artistas, então eu viajei para o Rio de Janeiro e eram as entrevistas…

Luciano          Já não mais como DPZ.

Roberto          … não era mais DPZ.

Luciano          Então vamos voltar na DPZ que eu tenho uma questão aqui, 19 anos, trabalhando…

Roberto          Já tinha mais, era mais, era uns 20.

Luciano          … piorou então, pior ainda, 20 anos, entre aspas, vou fazer aquele gestinho idiota, entre aspas, trabalhando na DPZ, nada menos do que DPZ que era o nome naquela época, sem ganhar nada e de repente… quanto tempo você ficou lá?

Roberto          Fiquei seis meses.

Luciano          Seis meses.

Roberto          Só tirei, na verdade foram cinco meses, quando chegou uma hora que eu vi que não ia dar mesmo…

Luciano          Esse é o ponto que eu quero chegar, quando você investe cinco meses ali, 20 anos, está dentro da DPZ, quer dizer, aquele é o sonho de todo moleque de propaganda na época e você uma hora para e faz uma avaliação e fala, esse negócio não vai dar, eu vou ter que partir para outra, como é que foi esse momento, que momento era esse? Quando é que você acordou e falou, não vai dar?

Roberto          Eu vou revelar para você e para quem está ouvindo a gente, aquele papo do QI, do quem indica, naquela época era uma grande realidade, eu lembro que uma menina que ela era da família de algum dos donos da Sadia, veio fazer um estágio, em três meses ela estava com a carteira assinada e contratada, então aí eu falei cara, a história é verdadeira, nada contra ela ser contratada, mas claro que tinha todo um valor político aí por trás, então eu falei bom, paciência e nessa época foi quando alguns amigos meus, em julho, eles falaram, a gente vai de carro até Trancoso, vamos lá para Bahia, eu falei assim, quer vir com a gente? Falei ah cara. Aí tinha um casaco de couro que eu tinha ganhado da minha avó, já que não cabia mais em mim, que eu estava mais fortinho, minha irmã estava de olho no casaco, vendi o casaco para ela e fui para…

Luciano          Pegou o dinheiro e foi para lá.

Roberto          … fui para Porto Seguro, Trancoso e fiquei lá um mês, voltei mas aí assim, liguei lá para a DPZ, falaram não, volta aí, ainda voltei e fiquei mais dois meses lá.

Luciano          Sim, para ter certeza que não ia rolar mesmo.

Roberto          Para ter certeza que não ia rolar nada, Luciano.

Luciano          É, os insights interessantes aqui são alguns, um deles muito legal que é o seguinte, com 20 anos, com 19 anos, você tem tempo de errar à vontade, então se você chegar e falar o seguinte, não vai dar, vou mandar isso tudo para a merda e vou para Trancoso, dá tempo de fazer. Você não pode fazer uma loucura dessa aos 40 ou 50 anos, não dá mais. É complicado. Mas jovem você pode fazer e depois retomar, mas vamos á, você vira o intérprete do italiano trabalhando para o Consulado.

Roberto          Para o Consulado, eu acompanhava alguns artistas, então assim, quando era especificamente o Dario Fo e a Franca Rame, que era os principais, eu ia nas entrevistas aí eu ajudava a traduzir o que eles estavam falando, depois acompanhei uma, toda uma amostra de quadros, fiz toda a viagem São Paulo, acompanhando para realmente saber que ia ser tudo entregue, então assim, fui eu com duas equipes, dois caminhões, tanto que a gente teve um problema no transporte, um caminhão quebrou, aí logo veio outro caminhão, a gente fez toda a mudança das obras de arte, que eu nunca tinha visto como transportava…

Luciano          O que você fazia ali?

Roberto          … eu era o, naquele momento, eu estava sendo curador daquela mostra que ia sair de São Paulo e ia para o Rio de Janeiro e eu nunca vou esquecer que assim, eu sempre gostei muito bem de tratar as pessoas, eu sempre tratei as pessoas como e gostaria de ser tratado e nunca vou esquecer que eu tinha vinte caras, que eram os peões que carregavam esses quadros, que tinham tomado cuidado, a gente no final do trabalho, tudo deu certo, todo mundo lá no Porcão, do Rio de Janeiro, oferecendo um jantar para eles, então assim, tem momento que ficaram muito marcados.

Luciano          Você, nesse momento, quem perguntasse para você o que você era, você diria, eu estou produtor, eu estou curador, alguns meses anteriores você diria eu estou tradutor, não é? Quer dizer, você não tinha encontrado ainda o…

Roberto          É, alguns meses antes eu faria, eu sou publiciotário.

Luciano          … estou publiciotário, você não tinha encontrado ainda o teu caminho, você estava tateando, o que viesse era lucro?

Roberto          O que viesse era lucro.

Luciano          Vai, vamos lá, quero chegar no paiaço.

Roberto          É, é o seguinte, antes de eu entrar nesse estágio, eu já tinha trabalhado um pouco em acampamento de férias, que esse é o meu grande legado, são os 10 anos que eu trabalhei com crianças e adolescentes, então assim, eu dava muita vasão, eu fui acampante, fui monitor de acampamento durante 10 anos, fui papai noel durante 20 anos, mas aí, quando eu realmente me formei, quando eu acabei a faculdade, daí eu fui tentar o publicitário, mas eu não tinha achado, porque eu começava a olhar para o mercado e na época, nessa época, Luciano, começavam a nascer as agências de promoção e aí assim, não tinha espaço na publicidade, realmente era muito complicado para quem estava formado sair e trabalhar em algum lugar ganhando alguma coisa decente.

Luciano          Deixa eu dar um depoimento. Eu passei um réveillon num desses hotéis legais lá no Rio Grande do Norte, Bahia, não me lembro onde foi, foi num desses hotéis legais, estava lá, estava lá minha filha pequenininha, devia ter 5, 6 anos uma coisa assim e lá no hotel tinha o esquema dos monitores para cuidar da molecada e aquela bagunça para lá e para cá e teve um monitor que acabou virando amigo dela e ela amiga dele, o cara era uma figura, era um barato o monitor e o cara virou amigo da gente, amigo dela, mas assim de ir no quarto bater na porta, vamos lá, é hora de ir e ia para a bagunça e bagunçava, esse cara marcou minha filha para o resto da vida dela, entendeu? Pelo carinho daqueles cinco dias que nós ficamos ali e tem muita gente que desdenha disso, quando vê, o que você faz? Eu sou monitor da molecada e você olha para isso e desdenha, que que é um monitor? O poder que esses caras têm de fazer a cabeça da molecada, de influenciar, de marcar para o resto da vida, naquele momento que você está, você tem um hd vazio naquela molecada, o que você joga ali, eles vão pegar aquilo lá e vão assimilar e o monitor tem esse poder de ser o cara, esse cara vira o ídolo daquela molecada.

Roberto          Eu vou te contar um caso então, exatamente o que você falou, quando eu comecei a trabalhar com acampamento de férias, você acaba ganhando amizade com as pessoas que estão trabalhando com você e aí uma amiga minha que também era monitora, a gente resolvei abrir a nossa primeira empresa, que era “Pic Pic”, a “Pic Pic” era uma dupla que ia para os aniversários e fazia atividade, as mesmas atividades do acampamento, fazia na festa e um dia eu vou lembrar bem, a gente estava na região ali da Pompeia, aí a gente estava num prédio, tinha marcado, era um aniversário de 8 anos, tinha umas trinta, quarenta crianças e só íamos nós dois, eu e esse amiga minha, eu cheguei um pouco antes, ela estava atrasada, já comecei a tocar fogo na galera e comecei a fazer as brincadeiras e reunir toda a criançada e tal e tinha uma vozinha que estava lá só olhando…

Luciano          Uma vovó.

Roberto          … uma vovó, lá quietinha, só olhando o movimento e a molecada correndo tudo numa boa, de repente chegou a minha amiga, aí ela veio e ela me rendeu, ela falou assim, Carusão, dá uma descansada agora, deixa que eu toco, passei para ela as brincadeiras que eu estava fazendo e fui tomar uma água, no que eu fui tomar uma água a vovozinha colou em mim, ela chegou e falou assim, olhou para mim, eu falei oi, boa noite e tal, ela olhou para mim e falou assim: você tinha que ser político. Aí na hora eu gelei, falei como assim, político? É, esses são os seus futuros eleitores. Olha só onde é que tá. E o pai da criança, Luciano, esse foi o que mais me impressionou foi isso, o pai da criança chegou para mim também, veio oferecer alguma coisa e falou assim: eu estou abismado com o teu poder de gestão dessas crianças, como é que você faz? Eu sozinho com meu filho não consigo ás vezes lidar com isso. Falei assim olha, primeira coisa, lidar com os filhos dos outros é diferente do que você lidar com seu próprio filho, apesar que eu ainda não era pai, mas aí a segunda foi: você gosta de brincar? Porque se você gosta de brincar, o seu filho vai brincar com você, mas se você não gosta de brincar e você é simplesmente pega um desenhinho dele, olha e fala assim: ah que bonitinho, aquele monte de rabisco, então não vai rolar…

Luciano          E tem um terceiro ponto aí, você estava paramentado? Você estava vestido de que?

Roberto          … eu estava, eu não estava tão paramentado, mas eu estava fazendo, nesse momento, um jogo que é o jogo do vampiro e eu estava com uma capa preta, então eu era o vampiro mór, aí não tem como.

Luciano          A questão dos ritos e mitos, a importância da farda que você bota naquela hora e essa farda constrói o personagem que é diferente de tudo aquilo que a molecada vê, quer dizer, a molecada chega lá, olha aquilo tudo e vê um palhaço no meio, vê um mágico, vê uma menina vestida de bolha, vê um cara vestido de jacaré, aquilo voou.

Roberto          Abriu a porta da imaginação.

Luciano          Acabou, já foi, que é o que a gente vai perdendo lá na frente, lá na frente vão enfiar um terno e uma gravata em você e acabou a festa.

Roberto          Acabou a festa.

Luciano          Muito bem, vamos lá, vamos lá…

Roberto          O palhaço.

Luciano          … eu quero ver como…

Roberto          Você quer chegar no palhaço?

Luciano          … quero ver como é que você chegou lá, vai lá.

Roberto          Bom, então assim, se prepara porque assim, vou procurar ser bem sucinto, mas é o seguinte: enquanto eu fazia então esse desenvolvimento todo no acampamento de férias, eu comecei a fazer teatro, já fazia teatro de praça, teatro amador, comecei a fazer, mas assim, era de uma forma um pouco desprovida de muita responsabilidade, em cima do teatro. O que aconteceu? Eu trabalhando, eu trabalhava numa rede de hotéis que não existe mais, ou se existe, enfim, era uma rede de hotéis que tem no interior de São Paulo e aí lá eu comecei a fazer mais a monitoria, só que eu comecei a desenvolver alguns personagens, mas sem a pretensão de virar ator, alguma coisa assim, quando eu, nessa mesma empresa, eles tinham tanto hotel de lazer como hotel executivo e aí eu queria incrementar o meu salário aí eu falei olha, fora as férias, será que eu posso trabalhar na área executiva? Aí comecei a trabalhar na parte mais séria do hotel e aí eu fui para hotelaria, aí eu trabalhei no, o que já não existe mais aqui, o Crowne Plaza, que era na Frei Caneca, fui executivo de conta, então eu cuidava dos clientes, etc e tal, mas não tinha muito para onde subir, porque a minha gerente era muito legal, eu subi de cargo, chama Tássia ela, aí o que aconteceu? Um amigo meu, que trabalhava também comigo, ele saiu do hotel, foi para a Companhia Suzano e lá abriu uma vaga e eu fui trabalhar lá…

Luciano          Na Companhia Suzano.

Roberto          … na Companhia Suzano…

Luciano          Lá no hotel você tinha carteira assinada?

Roberto          Tinha carteira assinada.

Luciano          Foi a primeira vez que você assinou a carteira?

Roberto          Na primeira vez, eu tenho que falar, a primeira vez foi com meu pai, de office boy no escritório dele, se você não foi boy e se você não teve fusca, você não viveu a vida, tem que ter sido boy um pouco.

Luciano          Office boy

Roberto          Office boy

Luciano          Na minha época tinha o contínuo, que era o office boy mais velho, ele era contínuo.

Roberto          Tinha a escala dos office boy e aí assim, quando eu fui para a Suzano, fiquei dez meses lá só, trabalhava em feiras, tive chefes fantásticos, era um trabalho muito bacana, mas eu não aguentava ficar entre quatro paredes e aí no  meio dessa, enquanto isso eu fazia teatro, eu fiz teatro durante três anos com a Miriam Muniz, nossa querida Miriam  Muniz, que é do Teatro de Arena, eu nunca vou esquecer que ela, no terceiro ano que eu finalizei com ela, ela no final do espetáculo para a família etc, depois de todo mundo ir embora, ela sentava o pessoal no teatro e começava a falar para cada um alguma coisa sobre o que era o desenvolvimento dessa pessoa e chegou na minha vez ela olhou para mim e falou assim: Caruso, eu nunca mais quero te ver aqui. Aí eu gelei, falei por quê? Ela falou assim: você já está pronto, você precisa agora ir trabalhar, vai trabalhar, vai trabalhar com Juca de Oliveira, vai trabalhar, entendeu, com Paulo Autran, vai dar um jeito de trabalhar, mas aqui curso, chega. Então eu fiquei numa dúvida, aí acho que a gente começou, eu comecei a tatear o que poderia vir a ser meu propósito.

Luciano          Que idade você tinha?

Roberto          Aí eu já tinha 25 anos, 26 anos, por aí, estava solteiro, dividia apartamento com um amigo meu que também fazia teatro e aí eu conheci um cara, eu fui fazer um curso com um cara, que é o Fernando Vieira, Fernando Vieira que hoje é casado com a Suzi Rego e o Fernando, ele fez um curso de Commedia Dell’Arte na Itália e um curso que eu fiz com ele, ele depois deu uma  apostila para a gente e lá estava no Curriculum dele Commedia Dell’Arte, Reggio Emilia, Itália, aí eu fui fuçar um pouco, fui perguntar para ele, ele falou Caruso, é fantástico o trabalho. Bom, moral da história, 1993 vendi o carro que eu tinha, que era um Scortzinho que eu tinha comprado do meu pai, larguei o apartamento, coloquei outra pessoa para não zoar o meu amigo e aí fui embora, juntei, vendi, fui para a Itália com a cara e a coragem, minha namorada teve que entender na época, fui para fazer um curso de três meses, intensivo, era de segunda a sexta, das 9 às 6 da tarde, teatro, teatro, teatro, fui estudar Commedia Dell’Arte, lá chama Escola Internacional do Ato Cômico, então a gente passa por desde a antiga Roma até Chaplin, Irmãos Marx e aí foi fantástico e aí, quando acabou o curso, eu estava pilhado e aí eu fui morar em Bologna, com um amigo meu, olha só como as coisas acontecem, estou morando em Bologna, aí esse amigo meu conhecia um grupo de saltimbancos italianos, que eles viajavam pela Itália fazendo shows pelas cidadezinhas e ganhavam uma graninha das prefeituras, eles foram para Bologna e eles iam fazer, olha só, eles iam fazer uma ação na Praça de Bologna para uma farmácia de manipulação, então era tipo uns walking dead distribuindo uns panfletos, fazendo uma performance para o pessoal poder conhecer a farmácia. Bom, fiz o trabalho com eles, me convidaram o italiano eu falo fluente porque meus pais italianos, a gente só falava italiano, chegou no final, vamos comemorar, comer uma pizza, aí os caras viraram para mim e falaram assim: brasiliano, você não quer viajar com a gente? Falei mas como assim? A gente vai sair daqui, vai para Roma, de Roma vamos até Rimini, lá na Sicilia…

Luciano          Rimini, meu sonho.

Roberto          … aí, Luciano, aí a coisa começou a pegar, porque eu comecei, tô fora do meu país, não tinha algo que me ligasse mais, claro, tinha minha namorada, mas assim, eu falei cara, estou diante de uma oportunidade, eu tinha ainda uns vauchers, falei quer saber? Vou nessa. Foram cinco meses viajando pela Itália…

Luciano          Com um grupo de saltimbancos.

Roberto          … com um grupo de saltimbancos e aí, meu amigo, um dia eu dormia numa casa de alguém, um dia eu dormia… assim, tem um filme que chama “A Viagem do Capitão Fracassa” que conta essa coisa dos andarilhos e da Commedia Dell’Arte, eu acho que eu vivi um pouco isso numa época um pouquinho mais moderna,  mas quando eu cheguei perto de Catanzaro, onde meu primo mora, daí eu falei galera, meu dinheiro acabou, porque eu não ganhava nada, eu só fui para viver isso, aí fiquei lá mais uns dois meses, aí acabou o dinheiro mesmo, aí eu voltei para o Brasil. Quando eu voltei para o Brasil o que você faz? Você vai rever seu último emprego, aí fui lá na companhia Suzano, encontrei a Vera, minha chefe, isso já fazia o quê? Dois anos mais ou menos que eu tinha saído do Brasil, aí ela falou para mim assim: e aí? Quer voltar? Eu falei não vai dar, Vera, eu vivi uma experiência muito bacana, aí ela me apresentou uma empresa que tinha feito performance para eles numa bienal, aí eu fui lá, fiz a ficha como ator e dali para a frente eu não parei mais de trabalhar, imagina, eu estava assim, com quase um ano de só teatro todo dia, eu voltei sarado, eu era chamado para todos os trabalhos, aí comecei a ganhar grana, comecei a ganhar grana e meu pai não entendia nada, porque eu voltei para a casa dos meus pais…

Luciano          Esse é um ponto que eu queria dar um break aqui para perguntar para você, papai e mamãe querem o filho médico…

Roberto          Advogado…

Luciano          … advogado…

Roberto          … administrador…

Luciano          … e aí o cara volta, ela pergunta o que você é, você fala eu sou ator. Como é que foi chegar em casa e falar pai, senta aí que eu tenho um negócio para contar…

Roberto          É, primeiro que meu pai …

Luciano          … como é que você saiu do armário para o seu pai e para a sua mãe? Vamos lá.

Roberto          … é verdade, meu pai assim, acho que ele sofreu um pouco, porque ele falou meu único filho homem e assim, ter esse estigma do ator, ele saiu do armário, eu falei assim olha, eu tenho bons amigos marceneiros, então eu falo para fazer um armário bem fundo para eu demorar para sair, mas assim, o que eu falei para o meu pai foi assim, quando eu voltei, meu pai, ele ficou muito contrariado com o fato de eu largar tudo para ir para a Itália, mas ao mesmo tempo eu acho que ele imaginou, ele sabia que eu estava fazendo aquilo de coração, eu queria fazer porque era a minha vontade, era  o meu desejo e depois de um ano que eu voltei. Só para você entender como foi a reação deles, porque meu pai sempre foi um cara mais calado mas muito, ele nunca falou o que eu deveria fazer, para mim e para as minhas irmãs ele foi bem claro, procure escolher uma profissão mais próxima do que você gosta de fazer, tanto que eu escolhi comunicação porque eu gosto de falar, deu para perceber, e aí o que aconteceu? Eu voltei, comecei a trabalhar com essa empresa, comecei a ganhar grana e aí um dia um amigo meu que eu fiz lá nessa companhia, ele falou Caruso, dá par você me substituir num trabalho? Eu falei claro. É final de semana, são dois dias etc, é que eu já falo há um tempo o trabalho, bom, eu falei onde é? Não então a gente se encontra no Habib’s da Francisco Morato, falei beleza, encontrei, falei e aí, onde que é? Ele falou não, é um pouquinho mais longe. Aí pegamos o ônibus e fomos. Cara, uma concessionária da Volkswagen no final da Francisco Morato, quase na Regis Bitencourt, tinha essas concessionária lá, era de palhaço, na concessionária, vou encurtar a história, eu substituí ele aquele dia e daquele dia ele não voltou mais, eu fiquei dois anos direto, todo final de semana trabalhando de palhaço e lá eu…

Luciano          Na concessionária…

Roberto          … na concessionária e lá eu desenvolvi o meu maior laboratório de vendas bem humorado, acho que ali era a fagulha do humor com propósito que eu só vim entender depois de mais de dez anos. Mas aí quando eu comecei a trabalhar e meu pai viu que depois de dois anos, quer dizer, depois de um ano mais ou menos, ele tinha me ajudado a comprar um carro, porque eu precisava de um carro, em um ano, um ano e meio mais ou menos eu vendi esse carro, eu comprei um carro zero, com dinheiro de palhaço e devolvi o dinheiro para o meu pai e aí achava que ia virar o rei dos palhaços das concessionárias, porque a minha cabeça empreendedora é essa, vou enfiar em cada concessionária, vou colocar um palhaço, mas quando eu chegava para os meus amigos, meus amigos do teatro, eu falei assim e aí, tem um lance muito bacana para você ganhar uma grana legal, tranquilo, fácil, o que é? Palhaço de concessionária. Não, eu quero fazer Shakespeare, eu quero fazer Molière, eu quero fazer.. e  aí eu falei está bom, vou ficar só eu aqui mesmo e aí meu pai, aí eu chego na hora do meu pai, o que meu pai falou? Porque meu pai quando eu voltei da Itália ele não falou nada, mas depois desse um ano e meio, dois que ele viu que eu estava fazendo o que eu gostava, que eu não tinha saído do armário e que eu estava feliz, um dia a gente, a gente sempre sentava de noite para conversar, ele sentou comigo e alou assim: eu tenho duas coisas para te falar, uma boa e uma ruim. Eu falei começa com a ruim pai. Ele falou assim: eu nunca achei que meu único filho homem fosse virar artista. Falei pô pai, não é tão ruim assim, não é? Eu falei qual é a boa? Ele falou assim: é que você teve coragem de ir atrás do teu sonho e fazer ele virar uma realidade e aí só de falar eu já embargo, porque foi muito forte para mim, então meu pai, tudo o que ele teve de receio, mesmo eu não fui um bom aluno na escola porque eu achava que tinha muita coisa que a gente estudava que não tinha a ver, toda a minha demora para as coisas acontecerem, mas ele viu que assim, tinha um talento ali, tinha um talento.

Luciano          Afinal de contas esse moleque vai dar certo.

Roberto          É tão bizarro isso porque assim, eu criei um personagem que é a Dra. Vavá, que é uma sexopsicoterapeuta, para dar vasão, falando em sair do armário, você faz um personagem mulher, aí beleza, nunca vou esquecer esse personagem especificamente, nasceu de um telegrama animado para uma amiga minha que tinha um casal, eles iam fazer um chá bar de despedida e aí na ideia falei ah, vamos fazer uma doutora, uma sexopsicoterapêuta que vai ver se tem afinidade entre os dois, no dia que eu estava preparando, eu levava cama de campanha para fazer uma cena, enfim, nesse dia que eu ia fazer o trabalho, um casal que fazia tempo que não vinha em casa, veio jantar, enquanto eles estavam na mesa, eu estava no corre-corre, pega as coisas, leva para o carro, coloca no porta mala etc e tal e aí acabei de arrumar e eu fui me preparar, dei boa noite e tal, fui me preparar e sai montado, saí, quer dizer, então eu passei pela sala pela última vez como Roberto Caruso e voltei como Dra. Vavá, poderosa…

Luciano          Aquela que eu conheci no Epicentro?

Roberto          … não, aquela é a Fofis Fofinha, mas é parecida, mais peito, o avental, salto alto. Imagina a cena do amigo do meu pai olhando uma traveca atravessando a sala e meu pai sorridente falando: bom trabalho filho. Porra, no mínimo acho que o cara achava que ia me achar lá na República do Líbano, então assim, essa virada do meu pai, para mim foi muito importante.

Luciano          Que legal. Deixa eu pescar um negócio interessante aqui que você falou, palhaço de concessionária. Como é que eu vou falar isso aqui de uma forma… não é para ser ofensivo, eu quero falar da forma como a coisa realmente é, palhaço de concessionária, advogado de porta de cadeia, auxiliar de pedreiro, entendeu? São os níveis mais baixos de uma profissão, então você tem, olha eu tenho o palhaço mór do Cirque du Soleil, deve ser o… é o cúmulo do palhacismo mundial e lá embaixo tem o palhaço do farol de  carro e de concessionária, que é lá embaixo, é o nível lá embaixo e você fala isso para mim com o olho brilhando, com a boca espumando, dá para ver o tesão com que você fala eu trabalhei dois anos como palhaço de concessionária e foi muito bom. Muita gente acharia isso humilhante, quer dizer, é uma humilhação, seu filho faz o que? É palhaço de concessionária. Meu Deus do céu, deixa isso aí escondido aqui porque vou ser palhaço de concessionária. Como é que você tratou, como é que você trata isso, como é que alguém que vai atuar numa posição desse nível assim, tem que enxergar para fazer com que isso seja uma coisa que lhe orgulhe e que dê o brilho do olho que você está tendo quando fala para mim aqui?

Roberto          Eu acho…

Luciano          Tá bom, amar o que faz, tá, isso é… tira fora, eu quero saber o que é.

Roberto          Não, eu acho assim, é antes do palhaço, na verdade acho que não é o palhaço, o palhaço é uma forma de expressar, uma forma de se expressar, tanto que eu digo que se eu hoje eu tenho criados nesses vinte anos de carreira, eu tenho cinquenta e cinco personagens que eu chamo de entidades e eu empresto meu corpo, minha voz para que eles tenham vida. Mas, se eu não tivesse exercitado isso, Luciano, talvez eu tivesse algum problema mesmo, porque eu acho que o que a gente se relaciona com as pessoas, as pessoas escolhem o que elas querem ver no outro, se eu quero ver a coisa boa na pessoa, eu vejo a coisa boa, se eu quero ver a coisa ruim, então assim, o palhaço em si da concessionária, o que a gente vê hoje aí, são pessoas que, entre aspas, falam ah não tive oportunidade, então eu vou lá, sobrou isso, vou ganhar cinquenta reais para ficar o dia inteiro aqui na frente ou então dentro de uma cabeça de Mickey ou de urso, que você não aguenta ficar vinte minutos no sol que você pode morrer, e aí eu acho que assim, o que eu fiz foi não ter vergonha de fazer aquilo que eu estava fazendo porque…

Luciano          E fazer o máximo

Roberto          … era bom e fazer o melhor que eu podia, claro que eu vou te contar uma coisa, claro, tinham vantagens? Tinham, porque assim, um palhaço que falava três línguas, que tinha curso universitário, não que o curso universitário, mas querendo ou não, eu tinha uma…

Luciano          Tinha uma bagagem, que da um repertório, claro.

Roberto          … tinha uma bagagem que melhorava…

Luciano          Você chegou a ver um vídeo que tem, tem um vídeo na internet que mostra o sujeito vestido de urso polar tirando foto com as crianças…

Roberto          … ah com as crianças…

Luciano          … você viu aquilo? Eu vou tentar achar o link para botar no programa aqui, eu não consegui tirar o olho daquilo de ver o que era aquilo? Era um cara vestido de urso polar batendo foto com as crianças, mas o gestual dele, que eu fico arrepiado, o tesão do cara fazer aquilo, o cara é um gênio, ele é genial naquilo que ele fazia, você olha e fala meu, esse cara aqui é um puta de um profissional, fazendo papel de urso, tirando foto numa loja e você vê que o cara está dando o melhor dele ali, quer dizer, não importa, ai eu sou assistente de pedreiro, eu vou ser o melhor assistente de pedreiro da face da terra, palhaço de concessionária é, eu seria o melhor palhaço de concessionária e o melhor significa o seguinte, eu vou estudar isso aqui, eu vou encarar como treinamento, isso aqui é minha escola, eu estou aprendendo, puta oportunidade que eu estou aqui, porque você não tem backup, você está sozinho, você não tem técnicos mexendo em som, luz,  é você e você, sem holofote, sem palco, você está no meio da concessionária, você tem que fazer graça, tem que atrair os caras, tem que não se inoportuno, tem que lidar com gente que você não sabe a reação que vai ter, então aquilo deve ter te dado uma escola inigualável.

Roberto          Luciano, olha, eu falo que o maior laboratório na minha vida foi essa concessionária, eu até hoje eu sou grato ao Edu que assim que me chamou um dia para substituir, porque ele fazia o trabalho para ganhar uma grana, para mim aquilo virou… eu não ia lá para ganhar, claro, eu recebia lá um cachê, mas era um grande laboratório, tanto que eu só consegui, essa é a melhor da história, tinha um cara que é o Wilson Antunes, que é o Lelé, o palhaço Lelé, ele é muito, ele não tem um nariz, ele tem uma quilha, se ele nadar numa praia em Miami de costas, o cara vai começar a gritar: Tubarão! Ele é muito bom com as crianças, muito bom, ele tem uma aura que é assim, a criança atrai, então a gente era uma dupla, então assim, quando a gente estava na concessionária, por exemplo, se você hoje pega qualquer casal que tem uma criança de 5 a 8 anos, ou até mais, 10, entra numa concessionária no final de semana, não vai dar quinze minutos ele vai começar, vamos embora papai, vamos embora mamãe, que a gente fazia? A venda de um carro, ela precisa de tempo, é que nem um bolo, tem que ir lá e tem que esquentar, então o que acontecia? Chegava lá, a gente com muito tato, você falou uma coisa muito legal, assim, o tempo, a distância, o ser oportuno, não ser inoportuno, porque a pior coisa é você ficar rendido a um ator, é o ator que acha que está abafando e ele está simplesmente te deixando numa situação desagradável, e aí o que ele fazia? A gente conseguia atrair a criança, a criança ia para um ateliezinho que gente montou lá, a gente puxou barbante num lugar, papel, nós compramos uns lápis de cera, a criança ficava três horas brincando lá com a gente, enquanto isso o casal estava lá. Em dois anos, eu também tive, aí vem um gatilho, acho que aprendi com meu pai, eu comecei a perceber que o palhaço, ele interferia diretamente nesse momento de tempo que a pessoa ficava e isso melhorava a venda, eu comecei a anotar todos os carros que eram vendidos onde a gente interferia, porque eu que ia mostrar o carro, eu vinha com uns dólares gigantes falando: ó, se precisar de empréstimo eu te empresto, não cobro nada e tal, eu brincava dentro do contexto dos vendedores, tanto que chegou uma hora que os vendedores, eles já sabiam que eu ia pegar o cliente na porta e ia levar para a mesa dele, e aí já tinha todo um jeito bacana e tinha gente que voltava no final, mesmo depois de comprar carro, voltava no final de semana para brincar com a gente, então foi muito sucesso ali, mas aí o que foi legal foi que assim, eu fui anotando, fui anotando e aí um dia eu falei para o Lelé: Lelé, hoje nós vamos dar o nosso golpe de Minerva, depois de um ano e meio mais ou menos, a gente entrou na sala do gerente, estava todo mundo, estava o dono da concessionária, eu falei assim,  é o seguinte, a gente veio aqui para negociar o nosso cachê, aí eu falei a gente quer tanto, era quase o dobro do que a gente ganhava por dia e era um salário legal que a gente tirava só de final de semana…

Luciano          Quando foi isso? Quanto tempo faz?

Roberto          … isso foi.. ah isso já faz uns 15 anos…

Luciano          15 anos.

Roberto          … 15 anos, só sei que o que aconteceu? O dono da concessionária, o seu Luís, que era o dono das concessionárias, ele tinha na Casa Verde também, ele ficou lá só de canto ouvindo eu falando com os gerentes, não mas pô, você está parecendo… um dos palhaços e aí chegou e eu falei assim, mas por que a gente vai aumentar tanto? Falei assim, pelo seguinte, puxei um papel, eu não tinha computador ainda na época, falei assim olha, porque no último ano a gente vendeu esse, esse e esse carro, a gente interferiu na venda disso, que pelo que a gente viu nas tabelas de preço, que estavam no carro, a gente ajudou a fazer um faturamento de tanto e a percentual do nosso trabalho é 0,000001%, você não acha que a gente merece? O dono da concessionária começou a rir, falou assim, onde é que vocês arrumaram esse palhaço para fazer cálculo e aí eu falei olha, se vocês derem aumento, escreva o que eu estou falando, esse dinheiro vai voltar para vocês, e dito e feito, Luciano, depois de dois anos, eu fui guardando dinheiro, eu comprei uma Parati zero, completa, do que? Da concessionária, então quer dizer, a gente às vezes não tem…

Luciano          Lição da história: se você é dono de concessionária, não contrate o palhaço que fale três idiomas, que tenha feito universidade…

Roberto          É isso aí.

Luciano          … porque ele vai fazer conta.

Roberto          Ele vai fazer conta, é verdade.

Luciano          Muito bem, vamos lá, na sequência o que aconteceu? Você decide montar seu próprio negócio, como é que foi?

Roberto          Abri. Depois da experiência da Itália e ainda trabalhando com essa empresa, comecei a trabalhar com outras agências e aí eu comecei a ver, poxa vida, mas assim, eu já tenho meu trabalho, eu crio os personagens, por que não eu montar meu próprio negócio? E assim tudo começou com meu grande amigo, que hoje eu vou jantar com ele, Osvaldo Gonçalves, que é um ator fantástico, eu falo que ele é o multihomem do teatro, ele é cenografista, ele é ator, ele é figurinista, o cara tem várias habilidades e aí foi o primeiro trabalho que eu chamei ele para fazer comigo, a gente fez o trabalho para o Bradesco, era um trabalho do Bradesco American Express, alguma coisa do cartão e a gente fez um trabalho muito bacana e o pessoal adorou e aí começou o boca a boca e esse boca a boca durou assim, perdurou por quase oito anos consecutivos onde a “Comediantes Dell’arte” nasceu, era uma empresa de entretenimento corporativo, fiz trabalho para as principais empresas nacionais e multinacionais…

Luciano          Você e ele.

Roberto          … não, eu, ele e assim, no final, nos áureos tempos, vou falar, da Comediantes, eu tinha pelo menos uns sessenta atores cadastrados, eu tinha trinta que sempre estavam rodando, teve ator que comprou carro, teve ator que comprou apartamento, tinha trabalho pra caramba, conheci um cara de sonorização, o Miguel, da Micsom, onze anos consecutivos, ele fala que assim, se o empreendimento dele cresceu muito, foi devido à Comediantes Dell’arte, então assim, eu fico muito orgulhoso de ter feito, de ter construído a Comediantes Dell’arte.

Luciano          Legal. Deixa eu te perguntar uma coisa aqui, até surgir a Comediantes Dell’arte você era um alone ranger, você é um lobo solitário, era você se armando, indo lá, vendendo, pintando e etc e tal. Quando você, esse podcast aqui é sobre liderança e empreendedorismo, então eu quero agora entrar nesse ponto aqui, quando você decide criar uma empresa você deixa de ser o artista, que vai lá se virar e fazer arte, para além de ser o artista, ser o gestor de uma empresa e aí o bicho começa a pegar…

Roberto          E pegou.

Luciano          É, então, vamos falar um pouquinho disso?

Roberto          Então, eu acho que assim, hoje quando eu ouço falar de empreendedorismo, Luciano, eu tenho muitas dúvidas sobre o que eu ouço, sobre empreendedorismo, porque é assim, alguém um dia lança uma ideia e aí aquela ideia, ela começa a ser copiada, replicada, replicada, replicada e você sabe que tudo o que é replicado, começa a perder uma qualidade, é como a febre do coach, porque hoje eu brinco, eu falo assim, hoje qualquer cartão de visita que eu pego de alguma pessoa, tem lá embaixo escrito coach, nada contra os coach’s, mas assim, para quem realmente conhece, estudou e sabe um pouco da história de onde surgiu os coach, que não é uma coisa de hoje, é uma coisa de muito tempo atrás, eu falo: os formatos estão muito superficiais, eu acho que assim, existe a superficialidade, no meu caso, no meu caso  quando eu comecei a ter mais pessoas, eu saí, como você falou, do protagonismo como artista e aí eu comecei a virar o gestor da arte de outros, eu escrevia e criava personagens usando o ensinamento da Commedia Dell’Arte, porque a Commedia Dell’Arte, só fazendo um parêntesis, ela não tem texto escrito e você decora, ela tem estereótipos, as figuras do zanni, do dottore, dos enamorados e aí você sabe  o contexto da história e ala olha, a história é essa o conflito é esse e aí vai, você é o dottore, você é o zanni, então assim, é improviso, improviso, improviso, improviso, então fica muito mais genuíno, fica realista, fica uma coisa… e eu uso muito isso hoje, mas eu comecei a passar isso para os atores.

Luciano          Então, mas enquanto você escreve, dirige e etc e tal, você continua sendo um artista, você é o artista, não é?

Roberto          Sim, mas eu já não tinha mais os holofotes.

Luciano          Pois é, mas eu estou preocupado com os detalhes sórdidos do ser empreendedor, na verdade, que é ter que ir no banco, ter que negociar empréstimo com o gerente, tem que pagar o salário dos caras no dia quinze, ter que entrar na sua casa  um sujeito aos prantos porque o filho está doente e ele não tem dinheiro para comprar… e aí você de repente fala meu, eu estava tão legal eu bolando meu novo texto da minha nova comédia, eu fui parar isso aqui para ver se o saldo no banco está vermelho ou está azul.

Roberto          É então assim, quando começou a Comediantes, foi tudo muito lindo e eu assim, eu vivi, eu nunca entendi direito o que quer dizer o tal do oceano azul, porque que cor o outro tem? Tem oceano verde? Tem o verde, mas lilás, amarelo, enfim, então assim, eu vivi uma coisa, Luciano, que eu não falo isso de forma pedante, mas eu falo de uma forma muito tranquila, eu fiquei seis anos sem olhar para a minha conta bancária, porque assim, eu não podia prospectar, eu fiquei seis anos sem fazer prospecção, porque o volume era tão grande de demanda que tinha e eu acho que eu me acomodei um pouco a essa questão de que era a bola da vez, o trabalho era bem reconhecido…

Luciano          Eu entendo perfeitamente o que você está dizendo.

Roberto          … mas …

Luciano          Enquanto está entrando…

Roberto          … enquanto está entrando você não está nem aí…

Luciano          … “vambora”

Roberto          … “vambora”, só que tudo isso que você falou aconteceu, ah o ator que chega e fala pô, eu tenho que ganhar mais. Eu falei mas por quê? Porque meu filho, porque a família. E lidar com os atores é como lidar com qualquer… em qualquer empresa você tem atores, porque assim, eu duvido e eu desafio qualquer empreendedor que tiver ouvindo a gente me falar se realmente as pessoas, quando estão dentro da empresa, elas estão genuinamente o que elas são, elas não são, elas  mascaram, elas  vestem uma roupa de trabalho e etc e tal. Eu tive que administrar egos, tive que administrar uma série de coisas e eu tinha uma estrutura, não era muito grande, mas eu tinha um produtor, tinha um produtor fixo, dois produtores freela, secretária, assistente, etc e tal, contas que começaram, não era mais só o palhaço, não, é contas, então assim, eu sabia que todo o mês tinha aquilo para pagar e o mercado começou a ter as suas reviravoltas e aí eu tive que ir dançando conforme a música, só que isso realmente chegou uma hora que eu cansei, eu já não estava, primeiro que eu cansei porque eu não estava mais só brincando e ganhando o meu dinheiro, eu estava cuidando para que outros ganhassem também o dinheiro e aí chegou uma hora que assim, eu cansei mesmo, depois de quase dez anos, eu falei não estou curtindo mais. Em 2003 eu quase quebrei,  na verdade eu quebrei positivamente, não levei ninguém para o…. eu fiquei devendo dois mil reais para a minha empresa, mas assim, eu nunca quis buscar empréstimo, não fui buscar isso porque acho que eu ia me afundar e aí eu mandei todo mundo embora, fiz um trato, falei olha, minha irmã trabalhava comigo também, paguei todo mundo, ninguém saiu ileso, uma vez eu ouvi isso de uma pessoa, quebra mas não leva os outros para buraco junto com você, quebra sozinho, paguei todo mundo e fiquei dois anos ralando para levantar de novo a Comediantes…

Luciano          Sozinho.

Roberto          … me adaptando, só ficou a minha grande parceira, Conceição, que assim, que foi de extrema ajuda, ela ficou comigo quase oito anos, foi uma parceiraça e aí quando quebrou só ficou ela, consegui me levantar, mas eu vou te contar, em final de dois anos eu estava estressadíssimo e aí eu falei  para o pessoal, pessoal, vou viajar e aí fui embora. Eu tinha uma grana, viajei 40 dias na Europa, fiz uns trabalhos por lá mesmo, comecei a escrever, mas eu comecei a perceber que aquele negócio já não fazia mais os meus olhos brilharem e eu tive a  oportunidade de fazer a última convenção do comandante Rolim e eu nunca vou esquecer que numa palestra, ele virou para todo mundo, quando ele comprou onde foi o Asas de um Sonho, eu fui quando era simplesmente a Companhia de Tratores Brasileiro que estava dizimada,  não tinha nada, não existia esses  hangares e tal, ele chegou numa palestra, ele falou assim: o verdadeiro empreendedor  tem que ter coragem para um dia matar seu próprio negócio, aí aquilo ficou na minha cabeça e eu falei assim bom, se a gente olhar para a história da águia, quarenta anos, quebra bico, tira pena, tira unha para poder viver mais outros trinta, eu estava naquele momento, eu entrei num momento de ruptura, aí você pergunta, poxa, mas uma coisa tão bacana, tão alegre? Mas alguma coisa não estava mais vibrando e eu acho, hoje eu tenho certeza, que era a fruta amadurecendo,  eu fazia humor, eu tinha a ideia, achava que realmente o trabalho que se fazia mudava as atitudes das pessoas nas empresas, que descontraía,  mas eu só via aquele modelinho da empresa que põe o cara lá 365 dias para trabalhar, trinta dias de férias e acho que é um trabalho escravo pago e aí eu vi que não mudava nada, eu falei bom, se não muda nada, por que eu estou fazendo? E foi aí que eu entrei na minha.. entre aspas agora, eu vou fazer as orelhinhas, crise existencial…

Luciano          Que idade você tinha?

Roberto          … aí eu já tinha, isso foi em dois mil e… essa crise que deu foi em 2010, 2011, eu já tinha…

Luciano          Quarenta e pancada.

Roberto          … 46 anos.

Luciano          Legal, você está contando aqui o resultado de um processo de amadurecimento, um processo em que você atinge acho que o máximo do que podia atingir naquele modo que você tinha, quer dizer, para ser diferente daquilo você tinha que aumentar o tamanho, tinha que triplicar e aí os problemas aumentam, a liberdade termina e você fez aquilo que muita gente faz, eu fiz isso também, chegou uma hora eu parei, falei bom, daqui deu, agora eu vou sair de dentro da casca e vou virar outra coisa. Pinta então o humor com propósito.

Roberto          E aí pinta o humor com propósito com a ajuda de, eu falo que são os mentores, eu falo os amigos empresários, eu fiz muitos amigos empresários, pessoas que trabalhavam em empresas e assim, todo o trabalho que a gente fez para todas as empresas, criou-se sempre um relacionamento muito afetivo, porque a gente estava nas convenções das empresas e a gente fazia a parte mais gostosa, que era o quê? Divertir, então a gente era a cereja do bolo mesmo, então eu fiz vários amigos, que eu tenho até hoje e muitos deles foram realmente mentores, até hoje são pessoas que eu troco informação, bom, um cara que você conhece que eu às vezes troco figurinha, Eduardo Carmelo, que também era ator, grande Carmelo, então é um cara que assim, é eu ligar para ele eu falo Carmelo, preciso falar com você, eu vou lá, a gente vai na padoca, conversa, então ele é um cara que eu admiro, eu sigo…

Luciano          O Carmelo é aquele cara que você chega para ele e fala assim meu, me deixa ser seu amigo?

Roberto          E ele tem essa doçura, ele é um cara muito bacana, então assim, ele, o Wagner, um outro cara que, um cara que era empresário, tinha agência, quebrou, se levantou de novo, então um cara muito, sabe, ponderado, minha esposa me ajudou muito nos últimos anos, esposa a gente às vezes não ouve que a gente fala não, não é isso, mas também sempre me apoiou muito, ainda mais.

Luciano          Mas aí então você volta e se eu conheço um pouco o sistema como é que funciona, você volta e fala bom, eu não quero mais ter uma empresa com cinquenta e cinco caras, eu não quero mais ter que administrar, isso deve ter vindo na sua cabeça, não quero mais isso, meu modelo não é mais esse, meu modelo será outro e você tem que desenhar um modelo  para um negócio que de certa forma ele, eu não vou dizer que está batido, é um negócio que tem oferta de montão, entendeu? Palhaço para evento de montão, empresa para fazer monitoria, isso tem de montão hoje, isso é o que mais tem por ai e você vem para voltar para esse mercado e trazer algo novo e aí? Qual foi o processo?

Roberto          Então, nessa crise toda aí, assim, seria me invalidar demais jogar o humor, porque não tem como, humor, na verdade, ele é uma coisa que está em mim, é do meu DNA, eu chamo de DNH porque tem humor, mas o que eu percebi, foi que assim, eu podia simplesmente falar “tá” bom, o sonho acabou e aí podia criar outra coisa, bom, eu sempre gostei de cozinhar, minha mãe, há uns anos, ela falava para mim: Roberto, vai fazer outra coisa, vai cozinhar, aquele molho de tomate, vende, o pesto que você faz, vende…

Luciano          Você podia ser um chef Caruso…

Roberto          Chef Caruso de cozinha…

Luciano          … com um programa de televisão hoje, ensinando os “nego” a cozinhar…

Roberto          … ah mas essa surpresa para você que eu vou te contar, você não vai acreditar onde a gente vai chegar, está só começando, porque é o seguinte, aí veio essa crise, eu conheci algumas pessoas da Rede Ubuntu, não sei se você conhece o Eduardo Sedental, é um cara que era da Johnson, daí ele saiu também porque não aguentava mais e aí eu comecei a me aproximar, algumas pessoas que eu conhecia estavam dentro desse trabalho e tinha um trabalho que eles não fazem mais, mas faziam, que chamava “aceleradora de propósito”, se você tem uma ideia na cabeça venha com a gente, a gente fez um trabalho e lá eu tive a  possibilidade de, nesse período de três meses, junto com outras pessoas também com um desconforto de querer achar um novo propósito, a gente começou a trabalhar e era um programa muito bacana, vinham profissionais de várias áreas contar para a gente quais eram as demandas, quais eram as tendências e aí começou a formar. Aí a gente tinha uma lição de casa, criar um projeto, saí de lá com nosso projeto para acontecer e aí surgiu o primeiro nome da Humor com Propósito, era o que te diverte? Só que era assim ukit diverte, aí eu comecei a fazer a pesquisa, o que as pessoas entendiam por ukit diverte, aí veio de tudo, ah é festinha de animação? Ah é carrinho de algodão doce e pipoca? É loja de brinquedo? Aí eu falei gente, não vai colar. Aí assim, aí eu comecei, falei poxa, espera aí, propósito, humor, daí deu aquele “tchan” Humor com Propósito, falei gente não precisa, é humor com propósito, primeiro que quando você fala alguma coisa para a pessoa, ela busca, vamos falar da PNE, o neurológico, você vai buscar o primeiro arquivo para te falar, o que é humor? O que é propósito? E as pessoas tinham um certo choque, como assim humor e propósito? Porque humor a gente está acostumado a ver isso, stand up, etc e tal, só que com propósito, então é assim, o meu grande propósito é usar a linguagem do humor para você realmente atingir e solucionar, não vamos falar solucionar, mas resolver as questões que estão mais inerentes aí e no mundo corporativo, em vários, não só no corporativo, nos hospitais, nas faculdades, em todo lugar, na família, o que mais a gente tem são questões comportamentais, então assim, gente, para a minha, eu falo que meu mantra é, humor é o melhor estado emocional para você conquistar equilíbrio e sucesso na vida.

Luciano          Eu tenho, a minha tese e eu uso muito, eu faço minhas palestras cheio de humor e tudo mais, porque minha tese é a seguinte, a pessoa abriu um sorriso, você enfia a mão embaixo e no coração dela, não tem como, é impossível você abrir um sorriso e não abrir o coração junto, então se tem uma forma de você botar uma ideia na cabeça da pessoa é fazendo com que ela dê um sorriso, então para mim, humor é uma arma e ela pode ser mortal, porque você pode usar isso para coisas do mal inclusive. Deixa eu te perguntar uma coisa aqui: como é que você faz para o teu trabalho ser valorizado? Como é que você faz? Eu vou pagar um palhaço para ir fazer palhaçada, olha ponto que eu quero chegar, existem clientes, existem clientes, tem clientes que sabem muito bem o que querem e que vão entender o teu propósito e falar cara, vem cá, eu vou usar você na direção de algo que eu estou buscando e tem cliente que vai falar o seguinte, eu tenho meu vendedor lá, eu queria fazer uma motivação neles, o cara não tem a menor ideia do que ele quer, ele não sabe o que ele quer, ele quer ver os caras dando risada, então qualquer coisa que ele levar ali, isso acontece comigo em palestra, tem um cara que vem, senta comigo e a gente desenha o evento, a palestra e tem outro que chega para mim e fala, eu tenho uma hora e meia entre o jantar e a premiação, enfia alguma coisa para motivar a minha equipe, é brochante quando isso acontece. Esse cara que quer uma hora e meia, ele compra onde tiver, o mais barato, esse que quer fazer acontecer, esse paga pela inteligência da coisa, ele vai te olhar não como palhaço, mas como o cara que vai fazer meu evento crescer etc e tal. Como é que você faz para lidar com essas diferenças e para ser um cara que tem que ensinar para esse brucutu aqui o valor do trabalho que você faz?

Roberto          É assim, você falou uma coisa certa, hoje assim, as pessoas que me contratam Luciano, geralmente são as pessoas que elas tem poder de decisão, porque eu já ouvi, por exemplo, quando eu passo, eu faço um orçamento e já falo, os preços que eu aplico não são preços exorbitantes, são preços super plausíveis, eu falo que são econômicos pelo resultado, porque perdura, é aquela coisa, você que é palestrante também você sabe, quando você faz uma palestra, a pessoa, ela grava aquilo porque tem uma história, porque tem uma inteligência, exatamente isso.

Luciano          Meu lance é o seguinte, eu quero fazer uma palestra quando eu encontrar com você daqui a dez anos, eu vou te perguntar o nome da palestra, você não lembra, eu pergunto o assunto da palestra, você tem uma vaga ideia, mas você vai me contar cinco ou seis coisas de conceitos que foram passados lá, que você nunca mais esqueceu, entendeu? Então quando eu consigo isso e a gente consegue, para mim é um baita sucesso, dez anos depois o cara lembrou de mim, lembrou dos conceitos, não importa que ão lembra o nome da palestra, mas os conceitos ficaram gravados  e o cara usou isso para o resto da vida.

Roberto          É, mas é isso, tanto que assim, eu tenho pessoas que, pô, faz vinte anos nessa praia, que quando eu encontro, às vezes sem querer, numa outra empresa, eles lembram, é exatamente o que você falou, então assim, tudo bem, massageou o ego, não é isso, eu entendo hoje de uma forma acho que mais madura que o meu trabalho, assim, eu realmente estou a serviço das pessoas, isso eu não tenho dúvida, eu estou a serviço de pessoas, se eu ajudo uma pessoa a ela despertar alguma coisa que vai melhorar a  vida dela, mas pelas próprias mãos, aí eu estou feliz sabe, porque assim, claro que a gente é ovacionado, tem gente que vai e te bajula, tudo bem, isso faz parte também, mas aquela coisa de subiu à cabeça, o estrelismo, essas coisas, tudo bem, a gente respeita, agora, esse cliente que ele valoriza, então assim, eu tenho clientes que, claro, é o que você falou, já até me conhecem, como é que eu percebo quando tem isso? Eu passo para ele um orçamento, ele não mexe uma vírgula, ele sabe o que ele está comprando, ele sabe o valor que tem.  Esse outro, quando ouve falar em humor com propósito, ele não tem a cultura, eu tenho que acolher também, eu não posso julgar ele, então eu procuro mostrar para ele o diferencial e hoje eu tenho  que usar as ferramentas que estão até mais legais, a tecnologia, então hoje eu estou em processo de edição de vários vídeos porque os vídeos, eles rapidamente, eles mostram para a pessoa o que é, não tem que ficar a dúvida, tanto que hoje eu tenho um site, mas o site eu já estou revendo ele, não quero mais site, quero simplesmente ter um vídeo, olha o humor com propósito é isso e no vídeo você vai, em breve você vai assistir, não sou eu que falo, você vê o que acontece, tem o depoimento das  pessoas que contrataram e aí pronto…

Luciano          Quer levar para o seu negócio?

Roberto          Sabe, eu também entendi que quando você faz muita coisa, isso é um toque, eu tenho uma síndrome, é a síndrome da criação, eu estou sempre com a cabeça pronta para criar, mas eu percebi, não só eu percebi, mas muitos me falaram, menos, o próprio Eduardo Carmelo falou assim: Caruso, uma coisa só: uma coisa, duas coisas, três no máximo está ótimo, tem muito trabalho para fazer, então assim, não adianta sair atirando para todo lado, faz bem aquilo que você faz…

Luciano          Foca no caminho.

Roberto          … foca no caminho, então assim, eu acho que eu tenho dois papeis hoje: um, de mostrar para, não só os empresários, mas por exemplo, a gente tem um gap muito grande dentro da área da saúde, a gente tem um problema seríssimo com a rede de profissionais da saúde, porque eles não são assistidos comportamentalmente, emocionalmente, como deveriam, e eu não  consigo entender administração da área da saúde porque é o seguinte… vou contar um caso rápido, minha mãe foi hospitalizada, não faz muito tempo e aí a enfermeira vem para dar o remédio para ela naquela hora, o que acontece? Ela bate na porta, ela entra e ela fala assim: olá dona Henrica, bom dia, tudo bem com a senhora?(gritando), mas nesse tom, eu estava sentado, daí minha mãe olhou para mim, eu olhei para ela, não entendi nada e ela de novo entrou e falou assim, tudo bem com a senhora? Aí eu virei e falei assim: desculpa, posso te falar uma coisa? Minha mãe não é surda. Só que aí, depois conversando com a enfermeira, pessoas com mais de 80 anos, você meio que protocolo, você chega já falando mais alto porque a probabilidade da pessoa ter perda de audição, então chega uma hora que assim, quando começa a ficar muito pasteurizado, todo mundo é “caixinha do tratado igual” aí o negócio começa a pegar, então eu hoje tenho essa missão de ser claro com o cliente que não tem o conhecimento, procurar mostrar para ele, isso não vai querer dizer que ele vai entender, porque eu já ouvi gerente de produto que chegou para mim e falou assim, poxa, mas a tua palestra que você vai fazer num dia é mais do que meu salário, aí eu só pude falar, se você não está feliz com o seu trabalho, eu acho que você deve reavaliar a tua vida e buscar outra coisa. Então hoje tem um desafio sim, eu desafio, a Humor com Propósito, criou-se a Humor com Propósito em 2016, então eu estou com um recém nascido na mão, mas com uma energia de um ranger, um Thor da  vida, então assim, tem muito trabalho para ser feito, a comunicação tem que ser muito legal e é isso, são essas conversas que nem com você, que nem o Epicentro, foi legal, Edmour, o Edmour Saiani, eu fiquei muito feliz e relembrando o Epicentro, obrigado de novo Jordão, fazer um jabazinho para ele, que para mim ele é um rottweiler , ele é um rottweiler, entendeu? Mas assim, quando eu terminei a palestra no Epicentro, primeiro que assim, eu não imaginava que pudesse mexer tanto com o público, porque foi aquilo que você falou, você chega no coração com sorriso, é muito legal e aí veio você, o Edmour Saiani e o Jaison, que vieram na coxia e aí eu fiquei extremamente, só de falar me emociona, porque eu falei, tocou e acho que é isso que a gente tem, acho que se a gente pode tocara as pessoas para que elas possam dar um salto ou ganhar mais resiliência, ou ganhar mais paz na vida delas…

Luciano          E mesmo que não deem o salto, o fato de você ter dado uma mexidinha ali, ajuda a quebrar um pouco. Eu estou fazendo fisioterapia, aliás eu vou ter que terminar aqui para ir para a fisioterapia e eu chego na fisioterapia, deito lá, o cara pega meu joelho e começa a puxar o joelho, e fica puxando meu joelho, falo meu, todo dia ele fala, o que você está fazendo? Estou soltando as juntas, estou soltando as coisas porque fica tudo travado e as pessoas ficam travadas e se você consegue subir num palco e fazer com que elas se destravem durante alguns minutos, aquilo é como uma seção de fisioterapia, que você vai relaxar para a tua vida e aí vem os insights que é a coisa mais fantástica, eu falo para os caras, eu terminei de fazer minha palestra aqui que você amou e eu falei noventa minutos de obviedades. Tudo o que eu falei você já ouviu, tudo o que eu falei você já sabe, você já leu isso aqui. É, mas desse jeito eu não tinha visto. Entendeu? Com esse ângulo que você mostrou não tinha visto, isso me deu uma sacada e isso eu trago para o programa e para tudo aquilo que eu faço. Olha, vamos caminhar aqui para os nossos finalmentes, eu quero te fazer uma provocação aqui: humor, humor, me fala um pouquinho do humor, esse teu bom humor insuportável, entendeu? Com a mensagem que entra no celular, é insuportável, o texto é insuportável, cada hora imitando um treco, estou aqui na marginal de Pinheiros num congestionamento de sessenta quilômetros, que maravilha! Agora vou botar para ouvir aqui, escutem comigo. É insuportável, o que é isso? É combustível para a sua vida?

Roberto          É combustível, na verdade eu acho que quando eu fiz a história na Itália, Lu, eu comecei a perceber que tudo o que a gente vê a cada instante, você pode criar em cima, você pode, você tira alguma coisa bacana e eu sou assim, se você falar assim, do que você se alimenta além da comida normal? Eu me alimento da situação do cotidiano, a situação do cotidiano é riquíssima, tudo o que acontece às vezes eu vejo uma mulher atravessando com um carrinho na rua e aí eu vejo  uma situação acontece, ou vejo uma pessoa que está dentro do carro e aquilo vai me dando alguns insights e aquilo me alimenta, me dá combustível, eu preciso estar com pessoas. As pessoas são meu grande combustível, eu gosto muito de trabalhar o humor imediato, é o humor não preparado, não tem texto, é o humor… e aí…

Luciano          Commedia Dell’Arte

Roberto          É, e aí é que eu quero te contar que foi o grande, para a gente chegar no final, mas para contar para o pessoal, eu tenho um cliente que se tornou um grande  amigo e esse cliente a gente fazia, durante cinco anos, eu fiz sempre um encontro de distribuidores dele e a gente ia para os litorais, ia para Angra, ia para o litoral norte, ia para Juqueí e sempre com esses distribuidores. A partir de um determinado momento, ele começou a fazer viagens internacionais com um número menor de distribuidores, sempre aquela coisa de metas, etc e tal, mas meu, viagem internacional, então ia para a França, ia para a Itália e tal, um belo dia eu fui jantar com ele e aí a gente conversando eu falei assim, poxa vida você não faz mais evento no Brasil, você não me contrata mais, mas brincando, aí ele falou não, ele me explicou, olha, viajar para a Europa ou para outro país é mais bacana, você colocar na ponta do lápis vale mais a pena, dá mais resultado, enfim, ele me contou, me justificou porque funcionava, aí  eu joguei na mesa, falei assim bom,  se você me levar para uma viagem dessa e pagar todas as  minhas contas e eu não tiver que colocar a mão no bolso, eu vou de graça para você e faço um trabalho, aí ele olhou para mim e falou assim: você está falando sério? Falei tô, eu estava com meu cunhado, aí ele repetiu, ele falou assim: você está falando sério? Falei sim, isso foi em outubro, de 2016, falei não, aí sabe aquela coisa de dar a mão, corta aqui, está bom. Final do ano mandei os e-mails de feliz natal, feliz ano novo e mandei um para ele, brinquei, falei e aí, está de pé a viagem? Não teve retorno, não voltou e tal. Dia 10 de janeiro eu recebo um WhatsApp dele: e aí Caruso, seu passaporte está e ordem? Falei oi? Como assim? Falou não, nós vamos viajar e tua passagem está sendo emitida, você esqueceu que a gente tinha combinado? Falei pô, te mandei e-mail. Bom, enfim, expliquei. Moral da história: em três, quatro dias eu consegui tirar um passaporte, renovei meu passaporte brasileiro, viajei com um grupo de quarenta pessoas, fomos para a região de Val D’Aosta na Itália, na divisa com a Suíça e a França…

Luciano          Logo na Itália.

Roberto          … logo na Itália, e eu levei dez entidades comigo e todo dia eu entrava numa delas e aí tanto que no Face eu comecei a jogar alguns highlights e vai nascer agora e quem organizou essa viagem é um vizinho seu aqui, que é a Academia Gastronômica que fica aqui perto da Pavão, e aí ele organizou essa viagem e hoje mesmo, antes de vir para cá, tive uma reunião com ele porque vai nascer em breve as viagens enogastrocômicas, ele adorou a ideia, adorou a ideia e está assim, eu queria internacionalizar o trabalho e a ideia agora é levar grupos empresariais, as empresas que estão interessadas em motivar, fazer o mesmo trabalho só que com um trabalho inteligente, bem humorado, então assim, vai ter prazer, vai ter sabor, saberes, conhecimento, cultura e diversão, então é…

Luciano          Viagem gastrocômica.

Roberto          … gastrocômica, é mais um produto que vai nascer e tem outra coisa, mas eu vou deixar para o próximo, porque eu vou contar depois que você desligar aqui.

Luciano          Quem quiser conhecer o teu trabalho, como é que chega em você?

Roberto          Então, quem quiser conhecer o meu trabalho assim, fala direto comigo porque assim, hoje eu tenho uma pessoa, tenho um avatar, que é o Cesar Almeida, o avatar Cesar Almeida que faz toda a parte de conexão com as empresas, mas você pode entrar no site, no humorcomproposito.com.br ou então você pode escrever para mim, pode escrever…

Luciano          Facebook, tem face?

Roberto          … Facebook tem a página Humor com Propósito, lá você vai ver todos os filmes, os vídeos que tem, o canal do Youtube ainda vai ser lançado oficialmente, tem já algumas coisas, é só procurar também, é só procurar também Roberto Caruso – Humor com Propósito…

Luciano          Você dá o e-mail?

Roberto          … Instagran, e-mail tem o meu direto que é [email protected] e tem o esse daqui todo mundo gosta desse e-mail, que é o [email protected]. Agora o celular também vou dar porque esse celular é WhatsApp é 011 94100-6808, liga para mim que eu te convido para um café com biscoito.

Luciano          Esse é o maior jabá já feito no Líder Cast, desse tamanho nunca teve, tinha que ser o teu o primeiro. Grande Caruso, olha, parabéns pelo trabalho que você está fazendo, eu estava lá, eu estava no palco, aliás, na plateia, eu assisti você caracterizado, eu vi as entidades se formando, vi cada uma delas, admiro de montão essa capacidade que você tem de… você não, o ator tem de se caracterizar incorporar aquilo, não sair do tipo, porque você não consegue, não dá para conversar com o Caruso, você vai conversar é o personagem que está ali e isso desperta o lado da criança, então se você não consegue ver graça nisso, se você não consegue se emocionar quando vê o palhaço, é porque teu lado criança já morreu, já ficou trancado lá, então quem tem ainda um pouco de criança dentro de si não tem como não ser tocado por alguém que vem com um trabalho que eu acho que é mais do que nobre, eu acho que é um trabalho assim que é um talento que eu até invejo, não faço como você faz, faço de um outro lado todo, mas invejo de montão essa capacidade de incorporar e fazer a graça e fazer esse humor, por favor, continue sendo insuportavelmente bem humorado.

Roberto          Luciano obrigado, obrigado a quem está ouvindo também o podcast, é um prazer estar aqui no Café Brasil e assim, eu nessas últimas palavras eu convido, se por acaso alguém está ouvindo e sentiu vibrar alguma coisa dentro da criança, não deixa ela morrer, porque ela nunca vai morrer, ela nunca vai morrer, ela talvez tenha crescido um pouco mas acho que vale a pena você abrir esse zíper do adulto, tirar, desafrouxar a gravata, você pôr o chinelinho, sabe, você brincar, rolar na grama, talvez você não tenha com quem brincar, então liga para mim, liga para o Lu assim a gente ajuda você. Valeu Lu, obrigado.

Luciano          Um abraço

Transcrição: Mari Camargo