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Ciça Camargo -

Luciano          Muito bem, de volta ao LíderCast. Mais um programa, esse aqui é curioso. O sujeito que está na minha frente eu nunca tinha visto ao vivo e o encontrei assim pela primeira vez, cara a cara, faz 20 minutos, 30 minutos, mas é o cara que você chega assim dá a mão e abraça o cara, fala meu, esse é meu irmão, impossível ficar indiferente, é uma simpatia, uma grande figura, cuja história eu já conheço há bastante tempo porque vai lá numa época que eu era diretor de comunicação na Dana e a gente fazia uma série de ações, algumas delas a gente passou pela área em que ele atua e ele chega aqui também com uma indicação de um ouvinte, o Josef Dana que está ali também vendo. É a segunda recomendação bala que ele traz para mim. Eu tenho três perguntas aqui que são as perguntas iniciais do programa, que são as mais difíceis de todas, então você se concentre por favor, eu quero saber qual é o seu nome,  sua idade e  o que é que você faz.

Geraldo          Meu nome é Geraldo Rufino, eu tenho 57 anos e eu sou sucateiro.

Luciano          Sucateiro, esse é o grande Geraldo. Muita gente já conhece o Geraldo. O Geraldo acabou entrando numa daquelas fases da vida em que ele deixa de ser o cara que faz acontecer para ser o cara que inspira as pessoas, então todo mundo quer ouvir a história dele e sem contar que é uma figura simpaticíssima e nós vamos trocar uma ideia aqui. Geraldo, isso aqui é um bate papo, não é uma entrevista, então ás vezes eu vou entrar aqui com meus pitacos e você dá os seus pitacos, como é papo de caipira, você sabe que vai longe.

Geraldo          Olha, a sua energia é tão boa que a hora que você chega aqui, se não fosse um bate papo, virava.

Luciano          Já virou, falta só a branquinha aqui para a gente ficar redondo. Mas vamos lá, vamos voltar lá atrás, eu vou… muita gente acho que já te conhece, mas eu vou querer repisar um pouquinho, você vem de onde? Você é caipira de onde?

Geraldo          Eu sou caipira de Campos Altos, eu vim para São Paulo com 4 anos, sou mineiro.

Luciano          Mineiro, Campos Altos, Minas, você veio para São Paulo com 4 anos, quem que veio? Pai e mãe puxando vocês?

Geraldo          Papai, mamãe e papai com oito irmãos, morador da roça, perdeu a roça numa geada e o que sobrou pôs dentro de um saco e veio embora.

Luciano          Nós estamos falando em 1960?

Geraldo          Bom, eu tenho 57, eu vim com 4, há 53 anos.

Luciano          53 anos, faz tempo isso aí. E aí, me conta o começo como é que foi, perderam tudo, vieram com uma mão na frente, outra atrás, como migrante, para tentar a sorte na “capitar”.

Geraldo          Então, e aí como todo mundo que chega nessa cidade maravilhosa, sempre tem um cantinho e aí nesse cantinho você tem opção de não fazer nada e ir para a marginalidade ou de fazer, sair de manhã e ir buscar fazer a diferença. Nós optamos pelo plano A.

Luciano          Quem é “nós”?

Geraldo          Eu, mamãe, papai, meus irmãos, todos nós saímos de manhã já procurando fazer alguma coisa e aí nós achávamos tudo para fazer, papai foi ser servente de pedreiro, minhas irmãs foram ser domésticas, mamãe era diarista e nós, à tarde, quando a mamãe voltava do trabalho, fazíamos feira, já viu um cara que faz feira no final de feira? Por que no final de feira? Porque não precisa pagar.

Luciano          O xepa, é o xepa.

Geraldo          Final de feira e final CEASA, você volta para a casa abastecido com tudo que tem de bom, porque o Brasil é fantástico em agricultura, então assim, tudo que tem de bom você leva da feira de graça, a diferença é que em vez de jogar no lixo, eles doam para a gente, a gente levava aquilo embora, então ou seja, nós não passamos mal.

Luciano          Geraldo, com 4 anos, 5 anos, 6 anos, isso é uma baita diversão, isso é uma festa…

Geraldo          Sim.

Luciano          … isso é uma grande festa…

Geraldo          Sim… até porque a barriguinha estava sempre cheia.

Luciano          Então, quando é que você teve consciência de que você, eu não sei onde é que vocês moravam, estavam morando na periferia era isso? O que era, era uma favela? Como é que era?

Geraldo          Olha, eles chamam de comunidade, é favela.

Luciano          Era uma favela. Quando é que bateu em você a consciência de que eu vivo numa favela e isto aqui é diferente daquele outro mundo que está ali do outro lado do rio, onde as pessoas tem coisas, tem riquezas, tem dinheiros e eu sou um excluído daquela realidade, nós vamos comentar como é que você ultrapassou essa barreira,  eu quero saber o seguinte: que momento que bate aquela consciência e você que fala pô, eu estou do lado de cá e aquele povo todo está do lado de lá, quando é que isso acontece com você?

Geraldo          Olha, eu vou te falar uma coisa que, de coração, primeira vez que eu ouço essa pergunta e eu nunca pensei nisso.

Luciano          É hora de pensar, você está no Líder Cast, meu amigo. Aqui as perguntas são assim.

Geraldo          Olha, eu estava lá, eu vou até refletir sobre isso, eu não sentia que tinha diferença, eu achava que era tudo a mesma coisa e eu ficava lá, eu trabalhava no aterro sanitário, eu sobrevivia, eu não tinha problema, tudo que eu tinha a referência do que eu tinha para mim estava de bom tamanho, o que eu achava no lixão era melhor do que eu tinha condição, papai tinha condição de dar, então eu entendia que eu já estava no lucro e quando eu catava latinha, aquilo era uma fonte, era  uma oportunidade de você ser empreendedor com 10 anos, eu era maravilhado com aquilo. Então assim, eu já era empreendedor, eu não entendia que eu estava numa favela e que tinha o lado de cá ou o lado de lá do bairro, da rua, eu entendia que eu era empreendedor e que eu tinha chance de ganhar algum dinheiro e eu fazia isso todos os dias o tempo todo, então a minha referência era muito simples, então tudo o que eu fizesse somaria, eu procurava somar, quando nós entramos aqui, você me perguntou, eu comentei com você que quando as pessoas me perguntam qual é a diferença daquela época para agora, eu disse para você agora há pouco que muda  o tamanho da lata, eu reciclava latinha e agora reciclo ônibus e caminhão, mudou o tamanho da lata, mas eu realmente não vejo muito essa diferença do que era e como é que é estar lá, estar aqui, estar aonde, na minha cabeça eu sempre estive de bem com a vida, então não fazia diferença estar no lixão, era tudo de bom,  eu nunca comi um sorvete tão gostoso quanto aquele que sobrava no mercado, eles jogavam fora e eu catava lá…

Luciano          Que coisa. Seus irmãos tem esse espírito também?

Geraldo          Olha, meus irmãos não tiveram tanto sucesso assim na parte material, mas todos são bem sucedidos, não cresceram absurdamente, mas são bem sucedidos, meus sobrinhos também, eu tenho uma família de pessoas bem sucedidas.

Luciano          Eu digo essa visão, essa tua visão.

Geraldo          Agora, a visão, o jeito de olhar, infelizmente tem alguns deles que ainda sentem falta, ainda tem o lamento, ainda tem coisa que eles entendem que poderia ser diferente e tal, nem todos praticam a mesma gratidão, eu tenho gratidão e pronto desde sempre, tipo assim, eu era feliz da vida e era muito agradecido porque o dia começava e eu conseguia ajudar o papai, isso para mim era fantástico.

Luciano          Geraldo, negro, pobre, anos 70.

Geraldo          Primeiro lugar, ok, primeiro lugar, ano, não faz diferença que eu não sabia ler, então o ano que era não fazia diferença. Pobre, também não faz diferença, porque para quem veio de Minas de trem, comendo farinha, dormiu na estação e dormiu em porão até conseguir um barraquinho um pouco melhor para morar, daqui a pouco eu estava no lixão reciclando latinha, eu tinha dinheiro para ir para o baile em final de semana, então eu já não era tão pobre, então essa referência de pobreza, qualquer coisa que eu fizesse era melhor do que o meu inicio, então eu entendia que eu estava ficando rico, então nunca me judiou. Negro, ser negro eu nunca vi isso, eu nunca senti diferença, porque toda vez que eu olhava para o espelho, eu me achava lindo e as pessoas, eu nunca olhei assim, eu nunca achei que isso fosse um problema, ao contrário, eu sou apaixonado por mim, eu acho que isso é um privilégio, então eu realmente não tem essa carga negativa, eu não sofri, eu nunca sofri por nada disso em fase nenhuma, em período nenhum, porque eu entendo o seguinte, que essa parte de tudo o que você falou tem um pouco a ver com preconceito, então assim, negro, pobre, então, eu acho que isso tem muito a ver com o que deixam por na sua cabeça, você passa a acreditar naquilo e daqui a pouco você acha que você é. Nós somos ricos, nós somos brasileiros, um país de oportunidade, país do empreendedorismo, um país fantástico, eu não precisava roubar, não precisava fazer nada, eu achava o que comer no resto do CEASA e da feira e eu comia muito bem, o que eu comia antes é o que eu como hoje, a diferença é que a hora que serve eu não sei de onde vem e aqui já vem pronto, não faz diferença, nós somos privilegiados, o brasileiro é privilegiado, então eu acho que eu sempre usufruí desse privilégio, eu não acho que o lamento ajuda ninguém e na minha cabeça eu trabalhava no lixão, mas eu só trabalhava lá, eu não carrego lixo na cabeça, então eu achava que essa coisa, achava não, eu acho que racismo, esses preconceito de pobre, de A, de B, de ser isso, tudo quanto é coisa que inventam depende muito do jeito que a pessoa está pensando, se você pensa que aquilo é verdade, se você acredita naquilo, infelizmente aquilo vai acabar absorvendo, vai acabar influenciando você, se você entende que aquilo não vai fazer diferença, que você é maior que aquilo, que você é um ser humano privilegiado e que você tem saúde ainda por cima e que o dia começou e que você teve a oportunidade de mais um dia, cara isso é muito pouco para te fazer diferença, então isso nunca me fez diferença, não faz hoje, não posso falar pelos outros, mas eu nunca sofri com isso não.

Luciano          Mas sabe que eu estou te cutucando pelo seguinte aqui, é evidente que a gente te conhece, você nunca tinha me visto, a hora que eu desci você já abriu um sorriso maior que a tua boca, maior que a boca o sorriso cai fora da boca do bicho, já me deu um baita abraço e tudo mais, você sente ali que é o seguinte, você tem uma belíssima de uma armadura emocional muito bem construída, eu estou descobrindo que ela foi construída lá atrás, quando você era aquele molequinho, então isso que você coloca para mim aqui está muito claro, você tem uma armadura em torno de você que te impediu de tornar negativas essas pressões todas. Quando eu te falei dos anos 70,era uma época brava no Brasil anos 70 era bravo, hoje em dia já está muito mais, existe uma consciência muito maior sobre sermos iguais, tratar igual e tudo mais que é muito mais, como é que eu vou  dizer o seguinte? Quando eu falo isso os caras acham ruim. Não é que é perfeito, é que está melhor do que era há trinta ou quarenta anos, eu diria hoje em dia é mais fácil a gente conseguir se dar bem no Brasil vindo de camadas muito inferiores do que era nos anos 70, que era muito mais trancado, então para mim está claro isso, você construiu uma armadura lá atrás, acho que grande parte do teu sucesso é o fato de você olhar esse lado brilhante, então eu já estou melhor do que eu era ontem, para mim está bom e amanhã eu serei melhor do que eu sou hoje e assim eu vou melhorando e a tua visão é sempre positiva e para a frente.

Geraldo          Você falou de anos 70, eu só lembro de uma coisa nos anos 70 que tem a ver com a cor, do Pelé…

Luciano          Pelé, copa do mundo.

Geraldo          … para que você vai olhar para baixo, você pode olhar para cima, se você olhar para cima, você vai lembrar da copa do mundo, daquele time fantástico e do Pelé, vai lembrar cor, lembra que tinha o Pelé, agora para que você vai lembrar de outra coisa? Olha na África a situação é difícil. Como assim difícil? Não lá é diferente. Diferente como? Na África só tem desgraça. Não, a hora que eu olho para a África, eu lembro do Mandela, do petróleo, das minas de diamante, e tem outros problemas sociais como tem no mundo todo.

Luciano          Me conta um pouco como é que você então sai dessa…  Você acabou de dizer para mim que você não sabia ler nem escrever.

Geraldo          Graças a Deus.

Luciano          Quando é que você entrou numa escola para aprender a ler e escrever? Com que idade?

Geraldo          Vou explicar para você porque graças a Deus: eu consegui empreender dos 9 aos 13 com sucesso, nos 13 eu tive um insucesso e fiquei sem dinheiro…

Luciano          O que era esse sucesso dos 9 aos 13, catar latinha?

Geraldo          … é catando latinha eu consegui montar um mini depósito e vender para o depósito maior. Eu tinha meu primeiro negócio, juntando dinheiro eu consegui montar um campo de futebol, montar um cineminha em casa, que eu fazia seção da tarde e cobrava ingresso e vendia pipoca e arroz doce.

Luciano          Como é que se ganha dinheiro com campo de futebol?

Geraldo          Cobrando para jogar.

Luciano          Você alugava? Você montou um campo para alugar.

Geraldo          Eu tenho… todo mundo tem o futebol, o brasileiro tem o futebol no sangue, aquela molecada toda da comunidade queria jogar no campo gramado, com trave bonitinha, com rede, com direito à flâmula e direito a usar uniforme. O uniforme era meu, a trave era minha, o campo era meu e as flâmulas também e eu controlava o campeonato, você quer jogar, você paga. Eu ganhava dinheiro fornecendo tudo isso e a molecada pagava o que podia, o que cada um podia para jogar e eu era o tesoureiro do time  por acaso e diretor também, então eu tocava, eu ganhava dinheiro no campo de futebol, terminava o jogo, com a torcida e tudo mais, tinha um boteco, o boteco também era meu, eu tinha 13 anos. Eu quebrei a primeira vez, eu tinha 11, mas eu quebrei só financeiramente, eu guardava o dinheiro enterrado. Por algum motivo limparam o terreno, as latinhas sumiram, com essa latinha que começou e fiz outra coisa, por isso que eu falo que brasileiro é empreendedor de natureza, ele é empreendedor nato, Brasil é muito bom nisso e aí nós fomos empreendendo e fazendo outras coisas e sempre ganhava dinheiro, é muito fácil ganhar dinheiro, as pessoas têm mania de achar que ganhar dinheiro é difícil, você pegue uma panela velha, num carrinho limpo, um panela velha mas limpa, e para em algum lugar e compra meio quilo de pipoca e põe uma gotinha de gordura, de gordura não, de  manteiga, cheirosa e  olha que aquela manteiga esquentar e a pipoca começar a explodir, você  vai ver que já começa a formar uma fila de alguém para comprar um saquinho de pipoca, então assim, ganhar dinheiro não é o problema, você sai com determinação, respeita o seu consumidor que é outro semelhante igual você, trata ele com carinho e  ele vai consumir, você vai ganhar dinheiro, seja lá o que você se prestar a fazer, você ganha dinheiro, depois que você ganha dinheiro, de que maneira multiplicar ou não esse dinheiro, se você tiver respeitando ali os limites, os parâmetros da economia, você vai conseguir multiplicar ou não, mas ganhar não é um problema, você pode ter dificuldade depois em multiplicá-lo e ter muitas vezes aquilo, mas na primeira fase só passa fome quem fica esperando que alguém fala por ele, porque se você sair de manhã e for fazer alguma coisa, você não passa necessidade.

Luciano          Teus pais são vivos?

Geraldo          Não, minha mãe eu perdi eu tinha 7 anos…

Luciano          7 anos

Geraldo          … é, mas eu sou privilegiado, com 7 anos você já está formado emocionalmente, você já está formado moralmente, eu costumo dizer que a nossa personalidade já se forma com 7, então quando a minha mãe morreu eu já tinha ficado com a personalidade pronta e vindo dela, minha mãe era uma empreendedora nata, pessoa séria, pessoa que ajudava as pessoas, essas coisas que a gente catava na feira, no CEASA, ela levava três vezes mais do que nós consumíamos, porque ela doava para os vizinhos que tinham vergonha de fazer a mesma coisa, eu aprendi ali com a minha mãe, Luciano, uma coisa assim que, cara, eu acho fantástico e todo ser humano pode fazer, independente da condição social, você pode ajudar o próximo, mamãe ajudava o próximo, eu achava fantástico e hoje um dos meus sonhos, hoje eu consigo realizar, eu consigo ajudar as pessoas independente de qualquer coisa, eu tenho muito prazer em passar para as pessoas informação, apoio, uma mensagem positiva, um pouquinho de calor humano e se possível também, uma oportunidade, todas as vezes que eu posso eu dou oportunidade às pessoas, aos meus parentes, aos meus, porque eu sou a favor da ajudar o próximo, próximo mesmo, começa com os seus, igual a máscara do avião, põe a máscara em você e sai ajudando todo mundo em volta, eu sempre procurei ajudar as pessoas, eu sempre acho que isso nunca vai me fazer falta, eu adoraria que as pessoas que vão se apoderando pensassem de forma horizontal porque se todo mundo na base tiver uma condição melhor, fica melhor para todo mundo, é desinteligente você pensar de forma pirâmide, você em cima e todo mundo embaixo, não, de forma horizontal é mais seguro e aí se todo mundo tem uma condição razoável, a possibilidade de você estar bem é melhor, é maior, você me perguntou como é que era….

Luciano          Quando é que você foi aprender a ler, escrever e etc e tal.

Geraldo          … por que eu falei para você felizmente eu não sabia? Porque com 13 anos eu não tive mais recurso para investir porque eu fui ajudar papai, papai não tinha bom juízo, papai casou dez vezes e uma dessas vezes ele estava sem dinheiro, eu sou apaixonado pelo meu pai a vida inteira, meu pai morreu faz dois anos, com 106 anos e aí eu para ajudar o negão, eu fui arrumar um emprego, eu arrumei um emprego de office boy de uma empresa de dois senhores judeus e diziam para mim que eles eram racistas e que eles tinham discriminação, que eram racistas, que não podia entrar na sala deles.

Luciano          Quem dizia isso?

Geraldo          O pessoal do escritório e eu não ouvia, não ouvia não, não sabia nem o que significava, eu não ia na escola, eu entrava, eles me dava o trabalho e eu fazia o trabalho e deixava na mesa deles de volta e por uma terceira vez me observaram entrando na sala deles, a minha  gerente chamou e falou olha, não dá mais, ou você  volta para a escola ou você vai perder o emprego, eu já estava curtindo, eu já ganhava dinheiro no meu emprego, eu já trabalhava doze horas por dia, já trabalhava acima da média, eu já conseguia ganhar acima da média, para não perder o emprego eu voltei para a escola. Por que ela queria que eu fosse para a escola? Porque falavam que era racista eu não entendia, falavam para mim que eles tinham discriminação, eu entendia menos ainda, mas eu continuava entrando na sala desses caras. Quando eu falei para você que bom que eu não sabia ler, porque é o seguinte, esses caras, é coisa que põem na cabeça da gente, eu não quis saber e continuei entrando. Fui para a escola e comecei a aprender o que era, a primeira coisa que eu fui perguntar na escola, o que era isso, me ensinaram e tal, eu falei bom, não sei porque que eles teriam esse problema, eu não fiz nada e eu continuei entrando lá, essa empresa é um grupo grande chamado Play Center, eu fui para esses caras, tinha um departamento que só ia gente indicada por eles, quando nós fomos para a Marginal, começou a montar o parque novo, uma das primeiras pessoas indicadas para esse departamento especial foi o neguinho, indicado por esses caras que diziam que eram racistas, que absurdo, então assim, são coisas que as pessoas deixam por na nossa cabeça, esses caras me conduziram, depois chegou um outro sócio, o Rafael, esse cara meio que me adotou e foram me dando oportunidade, não me davam nada…

Luciano          Que idade você tinha?

Geraldo          … mas me davam  oportunidade, eu tinha 13, com 15 eu já tinha folga no departamento como supervisor, com 17 eu já era encarregado, com 18 eu já era gerente, com 20 e alguma coisa eu continuei como gerente e com 24, 25, eu já ganhava 76 salários mínimos.

Luciano          Que loucura.

Geraldo          Num lugar que diziam para mim que eu não teria oportunidade e eu não via isso, eu via o seguinte, a única coisa que tocava na minha cabeça é o seguinte, por que não? E eu ia fazer, eles me deram carrinho de pipoca para cuidar, que me deram um segundo carrinho de pipoca que no futuro aquilo se transformou nas tais Play Land, eu cuidava de todas elas no Brasil inteiro, então assim, olha como é possível, se é possível para mim, é possível para todo mundo, aí agora o cara me para com um carro um pouquinho melhor num lugar e fala, senhor, o senhor veio deixar a madame? As pessoas ficam olhando assim: nossa, ele vai explodir! Eu digo para o cara assim, não, se você deixar eu vou descer, cara, por que que eu vou me incomodar com isso? Coitado, não é comum ele ver isso, a hora que ele vê, o que que tem que ele fez uma confusão, por que que você vai achar ruim com o cara, esse cara na hora que eu saio, que eu entro nos lugares, eu vou dar uma caixinha para o cara e o cara acha que é pegadinha, porque ele acha que me discriminou, eu não acho não, acho que a  discriminação está na cabeça das pessoas, não  é o que o outro fala, é o que você…

Luciano          Geraldo, eu concordo contigo. Outro dia eu botei um post, eu coloquei um post onde eu fiz uma análise da votação, eu escrevi um artigo, a votação que teve na câmara no dia 17 etc e tal e peguei e analisei os 2 discursos mais que mais barulho deram que foi o Jean Willys e o Bolsonaro, falei dos dois que deram aquela baita briga e na hora que descrevi, descrevi como é que foi, falei o que que eu achava contra um e contra o outro, etc e tal e na hora que eu fui falar do Jean Willys eu disse que o Jean Willys faz o discurso daquela forma toda imponente que ele faz e disse que ele foi histriônico, da forma histriônica que ele colocou ali, aí logo entrou um cara embaixo dizendo o seguinte, escuta aqui, quem chama histriônico o sujeito que é um gay assumido é um preconceito, você é homofóbico. Falei cara, mas espera um pouquinho, histriônico é um cara que interpreta um papel cheio de gestos, falando alto e tudo mais, então o José Eduardo Cardoso, que é o advogado, ele é histriônico, a hora que ele está na frente gritando, ele é histriônico, o Bolsonaro é histriônico a hora que ele está gritando e o Jean Willys também é, eu não chamei ninguém de… não critiquei a sexualidade dele, eu falei que ele é um cara exagerado, agora você que escreveu me chamando de homofóbico, na tua cabeça é que está o preconceito, você leu histriônico e entendeu aquilo como alguém xingando o sujeito pela opção sexual dele, você interpretou, você entendeu e você está dando em mim o rótulo que está na tua cabeça, então desculpe, se tem um homofóbico aqui é você, não sou eu e isso, Geraldo, acontece diariamente em todo lugar com o pessoal todo policiando e te tocando, você fala, mas não foi isso que eu quis dizer, vem cá, eu vou chamar o Geraldo de negão, porque negão para mim é um barato e é muito legal,  é carinhoso e aí…

Geraldo          E eu vou te dar um abraço, vou entender que você me tratou com carinho.

Luciano          Sim e vai ter gente que fica enlouquecida, onde já se viu, que coisa, que absurdo você chamar o cara de negão, mas por que que é?

Geraldo          Eu acho muito mais simpático um cara que me chama: “ô negão”, do que o cara que fala “ô seu Geraldo”, por que seu Geraldo? Sou seu amigo, por que não negão? Isso é um jeito carinhoso de tratar as pessoas, cada um ouve o que quer ouvir, é a mesma coisa, por exemplo, eu não me ligo, eu acho muito pequeno, é pensar muito pequeno você achar que o que o outro fala pode fazer diferença para você, as pessoas me perguntam o seguinte: olha, você está na mídia. O cara não escreve aí para você dizendo o macaco, não sei o que? Eu falo assim então cara, eu não tive ainda uma situação dessa, mas se eu tiver… Se o senhor tiver qual seria a sua reação? O entrevistador me perguntou, eu falei para ele assim, sabe  qual seria a minha reação? Eu responderia para o cara com todo o carinho do mundo e eu teria toda a paciência do mundo com esse cidadão ou com essa cidadã, até eu conseguir me aproximar e ajudá-lo, já aconteceu isso uma vez e eu entrei no Facebook do cara e pedi que ele fosse meu amigo e ele aceitou e nós começamos a conversar, o cara hoje é meu seguidor, é camarada, ele tem um problema, ele até posta para ver se eu consigo ajudar e  ele se tornou meu amigo a ponto  de  dizer para mim assim, você me ajudou a melhorar algumas coisas na minha vida. Cara, já pensou se eu fosse debater com ele porque ele disse que eu era isso, era aquilo? Foi falar da minha cor…

Luciano          Você transformou num conflito, é um problema nosso.

Geraldo          … ele não sabe o que ele está fazendo, por que que ele vai se incomodar com a minha cor?

Luciano          Aliás, Geraldo, não é nem conflito, é confronto, que é o que está acontecendo com o Brasil hoje, esse é o problema, quer dizer, eu não vou te escutar e vou querer falar mais alto que você e se bobear eu vou sair no braço e acabou, ninguém mais tem razão.

Geraldo          Você precisa ajudar o cara.

Luciano          Eu tenho uma coisa que você vai gostar, uma coisa que você vai gostar, também já escrevi isso bastante, uso na palestra eu até outro dia botei um… mas também um post, eu uso muito o Facebook para passar esses insights ai que é uma história de um sábio chinês falando com o garoto e falando sobre essa questão toda da pessoa que vem e que te ofende, então a pessoa vem e te ofende, faz com que você o ofenda e o sábio dizendo para o garoto o seguinte, olha, o que você faz com um presente? Se uma pessoa vier e te der um presente e você não aceitar o presente, o que acontece com o presente? Volta com a pessoa que trouxe. Ele falou, ofensas para mim são presentes, eu aceito se quiser e quando eu não aceito a pessoa volta com ele embora e acabou…

Geraldo          Aha… fantástico.

Luciano          … então vem me xingar, pode xingar, eu não aceito o xingamento, porque eu não sou isso, eu não isso que você está xingando, eu não sou homofóbico como você diz, portanto eu não aceito, leva de volta esse xingamento. Agora, para ter essa percepção você tem que ter sangue frio, você tem que ter essa postura positiva que você está falando aí, principalmente você tem que imaginar esse cara fez essa atitude que é uma atitude que demonstra racismo, xenofobia, homofobia, etc e tal,  talvez pela ignorância dele e aqui não estou dizendo porque o cara é um ignorante, burro e idiota, não, pela ignorância dele, ele não sabia que você era o dono do carro, ele não sabia que você era o cara, é o rei da cocada preta na hora, rei da cocada preta, ó que beleza e ele te tratou como se você fosse o motorista porque é a referência que ele tem na vida dele é essa, portanto ele ignora que possa haver e que esteja acontecendo na frente dele essa coisa.

Geraldo          Ele não tem mal nenhum nisso.

Luciano          E você enxerga aquilo como o sujeito ignorou e eu vou ajudá-lo a superar essa ignorância. Isso muda tudo. Isso muda tudo. Isso muda…

Geraldo          Eu acho que eu faço isso, eu não faço isso para ter nenhum mérito, eu acho que é obrigação humana, se você tem condição, se você está um pouquinho mais preparado. Ninguém está totalmente preparado para nada, mas se você está um pouquinho mais preparado naquela situação, você não faz mais que a obrigação em ajudar o próximo, ajudar o próximo para mim não é só dar um dólar, dar uma moeda ou dar um pedaço de pão para alguém, ou dar a mão para alguém subir um degrau, cara, ajudar o próximo é tudo, o cara está com um problema na hora, psicológico, ele falou, o cara te fechou no trânsito, ajuda o cara, você vai entrar na mesma energia negativa do cara você não vai ter resultado nenhum e você ainda vai atrapalhar o resultado que ele acha que está buscando, então assim, é possível, isso eu aprendi com a minha mãe como eu estava dizendo para você lá atrás, independente da sua condição, você pode ajudar o próximo, mas não é só materialmente falando, você pode ajudar o cara principalmente psicologicamente falando, olha, quando um não quer, eu via isso desde pequenininho, dois não brigam, o cara não sabe nem o que ele está fazendo. Olha, tem uma briga de torcida, se uma torcida não aceitou a briga, não tem como a outra ir preparada para fazer alguma coisa, então é assim, quando um não quer, dois não brigam, eu acho que ser superior é saber compreender o outro, aceitar um pouco o outro, você não é santo, você não é Jesus, você não vai dar a cara a tapa, mas você precisa ter o mínimo de discernimento para poder entender que o ser humano é fraco, ele comete falha, ele tem muitos defeitos…

Luciano          E alguns são maus.

Geraldo          … e alguns…

Luciano          São maus.

Geraldo          … olha, eu diria que são… é, não são convencionalmente positivos, eu entendo que você precisa administrar isso, porque eu entendo o seguinte, qual a avaliação que eu tenho do ser humano? Todos nós nascemos zerados, inclusive nos chamam de anjo, não é? Então, nossa personalidade, como eu estava dizendo na história da minha mãe, é formada de zero a sete, no meu ponto de vista, então você consegue imaginar uma criança de zero a sete ruim? Não, difícil…

Luciano          É difícil, criança é difícil.

Geraldo          … muito difícil, só se ela tiver algum problema mental, alguma coisa, mas uma criança normal de zero a sete não  pode ter maldade, ela pode ter brincadeira, mas ela não deu o tempo dela acumular maldade, então durante o tempo da formação da personalidade de uma criança de zero a sete, a personalidade dela é boa, é personalidade, isso é para sempre, isso está com você, agora você já fez mais dez, mais vinte mais trinta, mais cinquenta anos, não importa, aquele sete você não deletou, a sua personalidade boa continua com você, depois você foi agregando alguma série de coisas que podem ser positivas ou negativas de acordo com a avaliação social, a sociedade vai avaliar o que que você agregou ou acrescentou de positivo e de negativo, mas aquela parte boa que é a sua referência, que é a  sua primeira formação, já está em você, isso é para sempre, quando eu te encontrei ali e dei um abraço, eu não dei um abraço no  Luciano que eu conheci agora, eu dei um abraço no Luciano com sete anos igual eu estava, eu fui para os meus sete anos e abracei você e nós somos coleguinhas de escola e dá tudo certo, eu não tenho que ficar avaliando o que acrescentaram em você depois.

Luciano          É porque você é do bem…

Geraldo          mas eu acho que o ser humano do outro lado também é, é que as pessoas não dão oportunidade de interagir porque se você interagir… por que eu tenho facilidade de vender um produto no meu negócio? Porque eu não vou vender para o cara cheio de etiqueta, de rótulo ou de coisas que agregaram nele depois, eu vendo para o cara de sete anos, ele é meu colega de escola.

Luciano          É porque você inspira confiança fazendo assim.

Geraldo          É mais fácil.

Luciano          Deixa eu te perguntar uma coisa aqui: você já se decepcionou com pessoas tipo assim, um sócio que te deu um balão, com um funcionário que te traiu, com alguém que pô, que você botava uma esperança, essa pessoa te traiu e você se viu obrigado a romper o relacionamento, uma amizade, uma sociedade, alguma coisa, aconteceu com você?

Geraldo          Ter uma decepção e ficar magoado.

Luciano          Decepção com pessoas, você teve isso?

Geraldo          Não, eu não dou às pessoas o poder de me incomodar, eu não empodero a pessoa o suficiente para que ela me incomode, então assim…

Luciano          Aquele sócio que te deu um balão.

Geraldo          … que pena, ele perdeu oportunidade de ter alguém do lado dele que jamais faria isso com ele, ele…

Luciano          Teu funcionário, o teu funcionário, que você deu a liberdade e o cara usou mal.

Geraldo          … ele perdeu a oportunidade de ter um crescimento e um aprendizado com alguém que já deu um passo a mais que ele e  poderia puxá-lo junto. O cara me abriu uma ação trabalhista, então, o que eu falo aqui, isso é público, o cara me abriu uma ação trabalhista, eu consigo provar isso, se tiver alguma contestação vai falar e o cara me encontrou depois, esteve na empresa ou me encontrou em algum lugar e a hora que eu dou de cara com o cara eu cumprimento o cara, bom dia, boa tarde, olá, família, suas crianças estão bem? Que Deus abençoe, esse é o cumprimento que eu dou para qualquer pessoa, não importa o que essa pessoa possa ter feito porque eu entendo o seguinte, o que ela fez é para ela, o universo é poderoso, tudo volta para você. Eu não acho que o ser humano tem capacidade de fazer mal para o outro, ele faz para si mesmo, a não ser que o  outro aceite, é a mesma coisa da história do preconceito ou do racismo, o cara falou  para você, se você aceitou aquilo como verdade, aquilo  passa a fazer diferença negativa para você,  se você entende que o que o outro está falando não pode fazer diferença, aquilo não vai fazer mal  para você, não vai fazer diferença, a mesma coisa para alguém que tentou, acha que me puxou o tapete ou que me fez algum mal, então, ele não fez para mim, ah mas ele te levou dinheiro, então, o dinheiro se repõe, eu  sou um cara saudável, nunca tive problema, aliás, eu falei para você que eu comia no lixão quando era pequeno, em troca disso, você não tem noção o que eu tenho de anticorpos, então eu não acho que nada faz mal, então assim, ah o cara me fez alguma coisa, um sócio, olha já tive muitas situações assim, mas se você falar para eu contar com detalhe, eu não lembro e se eu encontrar os caras que não foram convencionalmente bacanas, eu os cumprimento e eu abraço de coração, eu não o cumprimento só para fazer média, até porque eu não sou, meu perfil não é de fazer média com ninguém, eu gosto das  pessoas, agora, gostar das  pessoas não quer dizer que ela tem que fazer necessariamente o que eu quero, o que eu gostaria, então elas não tem o poder de me decepcionar.

Luciano          Interessante isso. Meu amigo, você sai do Play Center, quando é que chegou o teu momento em que você falou opa, agora estou indo do Play Center para outro voo como é que foi isso?

Geraldo          Acidente de percurso…

Luciano          O que que foi?

Geraldo          … você vai fazendo, eu vivo um dia de cada vez, eu vendia, eu trabalhava na fábrica de carvão, de repente consegui oportunidade de trabalhar no lixão, trabalhando no lixão perdi o dinheiro, achei uma oportunidade e montei outro  negocinho, perdi o dinheiro, achei oportunidade e fui trabalhar de office boy, eu fui crescendo e eu sempre pensei nas pessoas, olha que legal, eu sempre ganhava um dinheirinho e ajudava mais alguém, meus parentes em primeiro lugar e eu sempre ajudava e eu fui empreendendo assim, eu ganhava bem e empreendia através dos meus irmãos, meus primos, do meu pai, dos meus sobrinhos e eles iam montando um negócio, esse negócio, JR é uma consequência da ajuda que eu dava a terceiros, eu não precisava disso, eu fazia para ajudar o terceiro, para ajudar os meus, eles abandonaram o negócio depois de o negócio tomar forma e eu precisava ir para lá porque eu tinha meu CNPJ, meu CPF…

Luciano          Que negócio.

Geraldo          … o de peça, eu…

Luciano          Mas como é que começa isso?

Geraldo          … os caminhões, eu tinha dois caminhões grandes com eles…

Luciano          Não mas você era um office boy, desculpe, você trabalhava no Play Center nessa altura…

Geraldo          … e fui crescendo lá, nessa época eu já era diretor.

Luciano          … aí você pegou um dinheirinho e fez o que? Ajudou.

Gerado           Investi nele, uma Kombi, duas Kombis, um caminhãozinho, dois caminhõezinhos, um boteco, tudo eu investia nos meus irmãos, isso de sócio, até chegar nos caminhões, os caminhões tombaram, nós transformamos aquilo em peça e abrimos uma lojinha para vender os pedaços e compramos mais pedaços, mais peças para poder vender, aquilo se transformou num negócio que de repente era um bom negócio e começou a crescer, quando o negócio cresceu eles se  perderam, perderam o foco e quebraram, mas o CPF era meu, a empresa estava no meu nome, eu pedi uma licença temporária no Play Center, num lugar que eu nunca tinha tirado férias e fui lá só para legalizar, quando foi lá, novamente terminei de legalizar, lá tinha pessoas, tinham seis pessoas e eu precisava cuidar das pessoas para não deixar as pessoas desempregadas eu deixei o negócio aberto, então eu cuidava de manhã, ia para o meu emprego, a tarde eu voltava para fechar e aquela rotina foi se tornando dividida, chegamos a um ponto que eu ficava mais lá do que… e aí eu entendi o seguinte, eu  ficando só lá o  negócio sobrevivia, eu indo lá, se eu ficasse definitivamente eu transformaria aquilo num negócio melhor, aí eu simplesmente pedi licença para poder sair do Play Center, porque eles mandavam em mim e ele, com muito jeitinho concedeu que eu fosse, porque eles me queriam muito bem e eu fui tentar fazer o meu próprio negócio.

Luciano          E nasce ali a J….

Geraldo          E nasce ali a JR.

Luciano          A JR. Que ano foi isso?

Geraldo          Meus irmãos começaram em 85, eles tocaram até 87, em 87 ela quebrou, eu fui e eles saíram e eu fui, desde o início que eu toco sozinho.

Luciano          Me fala uma coisa aqui, você contou para mim que foi lá no Play Center que você começou a crescer, de repente você virou supervisor, coordenador, uma coisa assim, como é que foi essa tua experiência de de repente alguém te chamar numa sala, falar Geraldo, estou te promovendo para chefe? Está vendo aqueles molequinhos ali que estão com você o dia inteiro, agora você é chefe deles dois, a partir de amanhã vem aqui que você vai mandar neles e de repente você volta para conversar com teus cupinchas, você já não é mais o cupincha, porque agora você é o chefe dos cupinchas, como é que foi essa tua, essa consciência de que agora eu tenho poder de influenciar diretamente na vida de duas ou três pessoas que reportam para mim e eu vou ter que tomar decisões em cima da vida dessas pessoas, como é que foi isso?

Geraldo          Mais fácil que trocar uma lâmpada, porque assim, eu sempre gostei de pessoas, eu cuido das pessoas, então eu cuido das pessoas, eu cuidava do meu colega office boy, cuidar com carinho, eu fazia as coisas com disciplina, fazia com que ele andasse comigo também com disciplina mas eu me preocupava com o lanche, se ele comeu, se ele está bem, se ele não está bem, se ele quer passar no médico, ele tendo dinheiro para o remédio, eu sempre cuidei das pessoas, então eu sempre cuidei das pessoas que estavam ao meu redor, então à medida que saiu o líder da nossa equipe, que eu me tornei líder no lugar desse cara, eu já cuidava dos meus colegas de trabalho independente de ser líder deles, então quando eu passei a ser líder, eu só passei a ser o cara que mantinha a disciplina, porque eu já tinha o carisma, eu já cuidava deles, eu tenho uma filosofia que eu trago comigo desde sempre, chama-se carinho com disciplina, eu tenho carinho com as pessoas, agora quando você leva para o lado profissional, social e etc, você precisa ter disciplina, sem disciplina, até o carinho fica perdido, você precisa ter disciplina, então quando você lida com pessoas e você consegue ter carinho de verdade com essas pessoas, as pessoas vão perceber, qualquer animal percebe quando ele é tratado com carinho, a hora que você impõe a disciplina o cara acaba cumprindo sem te dar trabalho pelo carinho que ele recebeu antes, então assim, essa receita funciona desde sempre e nunca fez diferença, eu ter dois colaboradores dependendo de mim, eu cheguei a ter, nesse departamento, foi 2, 3, 10…

Luciano          Lá no Play Center?

Geraldo          … no Play Center, cheguei a 360, agora eles dependendo de mim, para fazer isso, não fazia diferença, porque do jeitinho que eu tratava, eu e o pipoqueiro, quando era só nós dois, é que eu tratava o meu gerente, meu supervisor, inclusive parte deles, meia dúzia deles vieram trabalhar comigo depois já no meu negócio, dez, quinze anos depois. Então assim, eu sempre entendo o seguinte, são pessoas, as pessoas merecem ser tratadas com carinho, ninguém é melhor que ninguém, agora você tem uma obrigação, uma meta, um trabalho para entregar, então você precisa ter disciplina, disciplina de horário, de comportamento, de produtividade, seriedade, de comprometimento com o que você está fazendo…

Luciano          Que é o que constrói a relação de confiança.

Geraldo          … e a hora que você consegue juntar carinho com disciplina, você cria uma coisa chamada paixão, aí você se apaixona por aquilo que você está fazendo, não cansa e aumenta a produtividade, aí é aquela sintonia, cria um ambiente que só dá resultado, então é muito fácil buscar resultado, é muito fácil lidar com pessoas, eu não acho difícil, ah mas é tão complicado lidar com pessoas, com parente então! Eu acho que lidar com parente é muito fácil, lidar com as pessoas é muito fácil e da mesma forma que você encontra um bicho na rua e ao invés de você pegar um pedaço de pau, uma pedra, você faz um carinho e depois ele começa a andar atrás de você, ele gostou do carinho, a hora que você falar para ele senta, ele não vai entender que você vai dar uma paulada, ele vai entender que você merece que ele sente, você trata ele com tanto carinho. É isso.

Luciano          Deixa eu te perguntar uma outra coisa importante aqui, uma coisa é você cuidar de uma equipe de 10, 20, 30, 100, 300 caras tendo atrás de você uma baita empresa, o Play Center  vai pagar o teu salário no final do mês, etc e tal, a outra coisa é você estar num empreendimento teu onde você é a última instância e se aquele treco quebrar não tem o chefe, socorro, dinheiro, põe grana aqui, não tem, agora sou eu e eu e vou tocar adiante, que é aquela história de você como empreendedor dentro da empresa, que foi o que você fez, eu sou um empreendedor dentro da empresa como funcionário da empresa e dá para crescer e ir muito longe assim e a outra é o empreendedor dependente, que eu vou tocar meu próprio negócio, eu diria para você o seguinte, são dois tipos de empreendimento para mim o que diferencia um do outro é o tamanho do risco, o risco de eu estar sozinho aqui é muito maior do que o risco de eu estar na empresa porque ali bobagens que a gente fizer sempre tem um guarda chuva, dá para recorrer a algum lugar que você fez a bobagem, você quebra. Como é que você enxergava essas duas coisas, na tua passagem do cara que estava dentro do Play Center, que estava na empresa, do executivo da empresa para o independente. Como é que você lidou com essa diferença.

Geraldo          Do executivo para o empreendedor, então, é que assim, é muito legal essa pergunta porque assim, eu acho muito importante isso para todo mundo, principalmente para o empreendedor, ser empreendedor, quando você pensa como empreendedor,  você precisa pensar como empreendedor o tempo todo, não importa se a sua primeira função é de faxineiro ou de office boy, você é empreendedor, a diferença é que o CNPJ não é seu, mas você já está pensando que aquela obrigação que ele te deu é sua, então aquele negócio é seu, esse quartinho que você me deu para cuidar é meu, então eu vou limpar cada cantinho, eu não vou por nada debaixo do tapete, eu não vou tropeçar no meu próprio tapete, eu vou tratar como se fosse meu, esse é o espírito. Como eu sempre pensei dessa forma, eu sempre entendi que a primeira pastinha que eu ganhei para ser office boy, eu entendi que aquela era a minha empresa e que eu ia trabalhar nela fora do horário padrão e que eu ia tratar dela como se fosse a última bolachinha do pacote, ia fazer com que eu ganhasse uma segunda pastinha, porque aconteceu, eu sempre cuidei da minha pastinha de office boy como se ela fosse minha e ali dentro estava o meu futuro e que dependia de mim. À medida que você troca de lugar e passa a ser empreendedor, não fez diferença, você já era empreendedor lá, então é o jeito de pensar, quando você arruma o seu primeiro emprego, se você pensar que não tem patrão, que aquele pedaço que ele deu para cuidar é seu e que se você cuidar bem daquilo, aquilo vai crescer e que na pior das hipóteses você vai aprender com aquilo, você vai usar em qualquer lugar depois, então não é ah mas o depois lá na frente, vai que o patrão não me dá nada, não, esquece, você trabalhando com espírito de empreendedor, só o que você vai aprender como empreendedor vendendo pipoca depois dá certo, você precisa aproveitar a oportunidade que o CNPJ não  é seu e trabalhar como seu, se você tiver resultado ali, você imagina o resultado que você vai ter quando ele definitivamente for seu, então eu sempre trabalhei com essa mentalidade, então quando eu mudei de executivo para empreendedor, só mudou o endereço, eu sempre cuidei de cada pecinha  que eu trabalho da mesma forma que eu cuidava da minha pastinha de office boy.

Luciano          Você sabe você me lembrou de uma história que eu vivi, eu até escrevi um texto dela, chama-se “Seu Batista de Piancó”, é o nome do texto, “Seu Batista de Piancó”, Piancó é uma cidadezinha no meio do sertão lá do nordeste, o cara vivia numa família de roça, até ele mostrou, já tem uns sessenta e tantos anos, mostrou para mim o dedão dele torto, o senhor sabe o que é isso aqui? O que é isso aqui? Isso aqui é meu dedo torto de debulhar milho que eles plantavam lá quando eu era criança e, ele falou, a vida era tão dura naquele negócio que para mim ficou claro que ali eu não teria nenhum futuro, eu ia morrer lá como todos os meus irmãos e um belo dia com nove anos eu fugi de casa, aproveitei que o pessoal saiu para trabalhar, peguei minhas coisinhas, cai na estrada, fugi de casa, fui parar, não me lembro se era Maceió, acho que era Maceió e virei garoto de rua, fui trabalhar, aliás, como garoto de rua eu pedia para poder viver, dormia num lugar, depois acabei lavando os automóveis, aí acabei trabalhando  ali num estacionamento para isso eu tinha que movimentar os carros, aprendi a dirigir um automóvel e aí fui para o exército porque com 18 anos eu achei que eu tinha que servir o Brasil, olha só, eu achei que era minha missão servir o Brasil, fui para o exército e lá no exército,  eu não sabia ler, não sabia escrever, mas eu sabia dirigir, me deram um trator, eu cuidava do trator lá que trabalhavam na região, mas eu cuidava tão bem desse trator, eu lavava o trator todo dia, eu pintava o trator, eu tinha um carinho com aquele trator tão grande que um belo dia o comandante passou e me chamou para conversar, ele falou o que é isso? Que é isso? Não, porque… e eu cuidei aquilo como se fosse a minha vida, aquele trator e ele achou aquilo tudo tão impressionante que ele me chamou para ser motorista da família dele e quando eu disse que eu não tinha habilitação, tem um esquema no exército que você pode tirar habilitação sem saber ler e escrever, eu consegui uma habilitação mesmo sem saber ler e escrever, bom, de lá cresci, virei o ajudante de ordens dele, acabei depois saindo por causa de uma namorada, virei motorista de caminhão, hoje eu sou motorista de taxi, tenho dois taxis, a família inteira etc e tal. A virada da vida dele aconteceu pelo carinho que ele deu para um trator que deram para ele trabalhar, que é igual tua pastinha de  office boy, ele falou aquele trator para mim era a minha vida, ninguém  nunca tinha visto alguém tratar o trator daquele jeito.

Geraldo          A diferença é que é assim, deram para ele, é o jeito que você olha, às vezes dão para você, abrem para você uma porta e você entende que é um trabalho, eu sempre entendi que era uma oportunidade, são duas coisas totalmente distintas, a pessoa está andando na rua com fome, ele para numa obra, pega uma pá para ajudar o cara, de graça, guardar o material que está na rua, na pior das hipóteses, a hora que acabar o cara vai ficar constrangido e vai dar uma caixinha para ele, se ele fizer aquilo de novo, se brincar, ou no mesmo dia, o cara oferece para ele para ele ser ajudante, se ele entender que aquilo não tem nada a ver com humilhação, de ele ser servente de pedreiro, dele carregar ali, dele não ter regime formal, se ele entender que aquilo é uma oportunidade, ele pode se tornar o dono da obra. Se ele entender que é um trabalho, até o nome é pesado, ele vai cansar e ele vai entender que a vida está difícil, então a vida inteira eu fiz isso, eu sempre entendo que quando a porta está destrancada, empurra que você tem uma oportunidade, o dia começou, não precisa presente melhor e você vai fazer alguma coisa.

Luciano          E mais, Geraldo, e faça o melhor dos melhores, dos melhores. Outro dia eu fiz uma entrevista aqui, agora não vou me lembrar, foram tantas delas, que nós estávamos discutindo isso e eu dizia no bate papo com a pessoa que estava aqui, eu não vou me lembrar quem é, que pena, mas falando assim, de que eu consigo ver, por exemplo, esse capricho da pessoa numa planilha Excel, olha eu preciso fazer uma planilha, por favor e ele entra no computador, faz uma planilha e me dá uma planilha que é só uma planilha com números, aí você bate o olho e fala pô, mas esse cara teve o cuidado de alinhar os números na coluna, ele botou uma letrinha diferente aqui em cima, ele botou uma corzinha na coluna, nada disso que está aqui precisaria ser feito para eu ter uma planilha Excel na minha frente, mas essa planilha diferente porque tem um carinho que o cara colocou aqui e dá para notar, entendeu? Qualquer pessoa que tem papel de liderança e recebe esse trabalho, bate o olho fala pô, aqui tem uma coisa a mais, esse cara gastou um pouquinho de tempo e ele caprichou naquilo que ele fez, pô esse cara é especial, os outros fizeram a planilha …

Geraldo          Eu tenho uma história que você vai adorar que combina com essa sua, chegou uma menina lá, teve problema de gravidez, namorou um cara casado, a mãe pôs para fora de casa, ela precisava do emprego de qualquer jeito, ela chegou lá e pediu emprego e ganhou emprego de ajudante, para ajudar o pessoal da cozinha e tal, aí viu que ela tinha uma leitura um pouquinho melhor, escrevia bem, colocaram ela para arrumar o arquivo, e aí nós fomos lá no arquivo buscar um documento e como ela era caprichosa, as pastas estavam tudo arrumadinhas, limpinho, encaixadinho, como ela fez com capricho, ela não fez só para inglês ver, ela conseguiu achar na hora o documento que foi pedido, aí falei nossa, o que ela está fazendo aqui? De onde é? Ah, “tá” bom. Passou. A hora que teve a primeira oportunidade em contas a pagar ou a receber, dentro do escritório, para ser contínuo, foram lá buscar a menina do arquivo, aí a menina do arquivo se deu bem em contas a pagar, aí colocaram ela em contas a receber e ai colocaram ela para lá e para cá, então, aí anos depois ela era auxiliar do meu financeiro, depois financeira, hoje gerente geral da empresa.

Luciano          Quando tempo levou?

Geraldo          Olha, a história dela conosco deve ter uns… não tem muito não, eu diria que de 15 a 16 anos, não é tanto tempo.

Luciano          Para nós que temos cinquenta e pancada, 60 anos, isso é pouco tempo, para a molecada que tem 20 anos isso aí são três séculos, como assim, 20 anos? Isso é uma vida.

Geraldo          Ele vai para a internet, vai pegar um aplicativo e amanhã ele vai estar milionário.

Luciano          No dia seguinte.

Geraldo          Cara, não é verdade, você precisa construir, mesmo que você ficar milionário no dia seguinte, em seguida você vai ter uma decepção porque se você não construiu essa base, qualquer dinheiro que você ganhar não vai durar e a decepção de depois não ter é muito pior, você precisa construir uma história, construir uma carreira, você precisa fazer degrau por degrau, porque se você não conhecer a escadaria toda, no meio da escada você vai lembrar que alguns degraus você pulou e vai ter que voltar, a volta é muito doída. Então ela fez essa carreira, mas ela constituiu a família dela de novo, os filhos, a escola do filho, ela terminou a faculdade, ela mal tinha feito o primário, ela fez tudo de novo, ela é formada, ela formada em economia, ela tem eficiência no que ela faz, ela depois assumiu gerência de RH, foi gerente de três departamentos além de gerente financeiro e hoje é gerente geral, tem uma família constituída, mas ela não é velha, gente eu estou falando de 16 anos de uma pessoa que foi para lá com menos de 20, ela é uma moça e já tem a vida pronta, você vê como é que é possível. Agora eu entendo o seguinte, se é possível para mim que catava lixo, catava latinha no lixo e eu, pude depois de um tempo, mas eu já ajudava as pessoas e hoje eu fiz um livro, chama “O Catador de Sonhos”, até gerou um nome do livro, que também é para ajudar as pessoas, eu sempre acho que é possível você ajudar as pessoas e foi possível para mim a vida inteira e eu não lembro de ter uma época que foi difícil e como eu não acho que hoje é difícil, é só mais uma fase, por que seria diferente para os outros? Por que pode para mim e não pode… ah para você é diferente. Diferente como se eu tenho todos aqueles que talvez seriam um impedimento de não ter grana, de ter problema de …

Luciano          Negro, pobre, nos anos 70, analfabeto, é corintiano também? Vai dizer que é corintiano?

Geraldo          … Não

Luciano          Não? Porque eu sou.

Geraldo          Olha, esse negócio de time é muito legal, eu sempre fui do bem, então papai torcia para o Santos e eu era apaixonado, sempre fui apaixonado pelo meu pai, eu cuidei do meu pai a vida inteira e o papai torcia, eu achava tão bacana o que ele se emocionava na hora de torcer que eu torcia por ele, então hoje quando eu vejo o Santos jogar eu lembro do papai, é só o que me importa, agora eu torço para qualquer coisa que está indo bem, olha, a seleção está indo  otimamente bem, eu torço para a seleção, olha o Corinthians contratou o Ronaldo e eles estão jogando um bolão, que bonito de ver esse futebol. Eu torço para quem sai do lugar e vai fazer alguma coisa, eu torço para quem faz a diferença, eu torço para as pessoas que faz o bem para mais alguém, eu torço para as pessoas que traz alegria para outras pessoas, então a minha preferência é para ser humanos bons, ser humanos do bem, para pessoas melhores, eu sempre procurei formar meus filhos, meus filhos hoje são parte da gestão da empresa, mas eu nunca procurei, meu foco não era formar grandes empresários, meu foco era formar que eles se tornassem grandes pessoas, pessoas boas, pessoas do bem, ser empresário e ganhar dinheiro era consequência, então hoje se eles tem condições de administrar empresas e ganhar dinheiro, é por consequência, mas acima de tudo eles são pessoas do bem.

Luciano          Você está satisfeito com o resultado do teu trabalho com os teus filhos?

Geraldo          Olha eu tenho uma satisfação com meus filhos que o dinheiro não paga, eles eram pequenininhos…

Luciano          Quantos são?

Geraldo          … três…

Luciano          Três. Homens?

Geraldo          … uma menina e dois meninos, eles eram pequenos, eu cuidava deles com a paixão que você cuida de um bebê, esses caras cresceram, trabalharam, desenvolveram, estudaram, então eu cuido desses caras, eu não faço mais a gestão da empresa, eu cuido só do Geraldo S/A, eu faço coisas para mim do jeito que eu gosto, mas eu cuido desses caras com o mesmo carinho que eles tivessem dois anos, isso não tem preço. Eu entendo o seguinte, não tem ex pai, é para sempre, para você ter uma ideia, eles podem fazer reunião internacional sem me convidar para sentar na mesa, mas eles não podem chegar na empresa de manhã e ir embora sem dar beijinho, então essa…

Luciano          Eles têm um norte moral, Geraldo.

Geraldo          …nós temos uma família em primeiro lugar…

Luciano          Se você pegar e tentar explicar o que está acontecendo para o Brasil de hoje, nós perdemos esse norte moral, o país está nessa loucura que nós estamos vendo porque o  norte moral desapareceu e você não consegue olhar para alguém e falar o seguinte, este é o cara em que eu vou apostar porque em dois minutos vão entrar cinquenta caras contando a história do podre que não foi, todo mundo trabalhando para derrubar e nas últimas eleições eu também escrevi um texto a respeito disso, eu pensei, eleição presidencial, chegou num momento da eleição eu falei, eu estou assistindo esses discursos de dois caras um tentando derrubar o outro, o discurso é calcado em cima do ruim, tudo é ruim, quem é pior, qual dos dois era o pior porque aí o menos ruim a gente elegeria como presidente, eu falei mas não devia ser ao contrário? Eu não devia estar discutindo que projetos legais eles tem para fazer o Brasil ficar muito bem? Não, a briga era qual dos dois era mais bandido, que é o que está acontecendo hoje, a discussão agora é quem é mais bandido, onde é que vai parar uma país que tem esse caminho de perder o norte moral e não há perspectiva de que surja, amanhã de manhã porque tem que limpar isso todo que está aí.

Geraldo          Mas você sabe que depende de nós, começa dentro de casa. Se dentro de casa nós conseguimos passar isso para os nossos filhos, passar essa relação moral, o carinho, a disciplina, o comportamento, a ética, se você já trabalha isso dentro de casa e vai ensinando para eles que política ruim ou má, ela é necessária e que você não pode fugir dela, você precisa participar e você vai se envolvendo e tem pessoas boas e ruins, mas todas elas por essência, como eu tinha dito anteriormente, são boas, então você o tempo todo procurar trabalhar ajudar os que estão mais próximos para que eles se tornem pessoas melhores, é possível. Eu entendo que é possível você mudar o mundo todo partindo de uma única pessoa, o jeito de pensar, eu penso dessa forma, eu venho aqui, já vi que você tem um pensamento legal, ah então nós somos dois pensando positivamente e pensando em ajudar o próximo e de forma diferente, para que ele também cresça como pessoa, nós fazemos isso com mais um, com mais dois, com mais três. Um dessa turma vai ter um cargo que representa mais meia dúzia, esse cara representa mais uma quantidade maior que vai ser um político representativo e de ponto em ponto nós vamos mudando, a nossa política é muito nova, vai chegar uma hora, se nós começarmos a ter essa consciência. Agora, vai chegar uma hora que nós vamos ter uma leva de pessoas que já saiu aqui da base pensando diferente, pensando em realmente fazer alguma coisa pelo próximo e por ele mesmo, o que que é fazer por você mesmo? É você ter a consciência que você está fazendo um papel que faz bem para você, para o outro e para você, ou seja, você precisa trabalhar para a maioria, todas as vezes que a maioria está se dando bem, você vai se dar bem também, toda vez que você fizer, você quer proteger o seu neto, o seu filho, o seu sobrinho, então, protege a maioria que essa maioria, o seu filho  vai ter um lugar legal para viver se essa maioria tiver como sobreviver, então eu acho que o tempo todo, se você pensar no todo, você, isso que eu chamo de pensar grande, pense em todos. Tudo o que você fizer faça vendo se é bom para você mas se não está prejudicando o próximo e dessa forma você consegue, na  área de empreendedorismo, fazer a diferença porque quem vai fazer a diferença são os empreendedores, porque os empreendedores têm tanta força, eles têm a  força da influência, a força da manipulação comercial de grana, eles têm força na hora da oportunidade que gera emprego, eles têm força para ajudar a tirar ou colocar bons representantes. O empresário tem essa capacidade e nós temos empreendedores demais no Brasil, então se todos os empreendedores tomarem consciência de começar a se mexer ao invés de lavar as mãos e entender que política não é problema deles e que eles não querem se envolver, se todo mundo se comprometer entendendo que ele tem que ser patriota e que o Brasil, país é dele e que ele  precisa fazer essa diferença para depois não ter que lamentar, por que que o negócio dele não está indo? Porque ele achou que ele não precisava se envolver naquela parte, todos nós somos responsáveis por tudo. Você tem um problema? Tem. Então está bom, vai para o espelho que você vai achar o culpado, o culpado é você, porque nós somos geradores natos de problemas, se todos nós começarmos a tomar atitude, assumindo que o problema é nosso, o problema fica pequeno, se todos nós continuarmos correndo do problema, o problema fica monstro e fica indomável, então eu entendo que não tem um problema, os problemas que tem são todos menores que nós, as pessoas que aparecem são todas boas e que é possível você melhorar aqueles que no meio do caminho tomou outro rumo e que é possível você, com união de todos nós, fazer daqui um lugar melhor para todo mundo.

Luciano          Você já pensou em entrar para a política?

Geraldo          Eu nunca pensei em entrar assim efetivamente porque às vezes quando você fala em política dá a impressão que você quer se dar bem, que você está contando história, que você quer conquistar voto, cara eu sou tão chegado em ajudar as pessoas, eu gosto tanto de pessoas que se um dia tiver que acontecer, naturalmente e eu tiver um lugar que eu me sinta à vontade, que eu vejo que é um ambiente saudável e que eu entendo que quem está comigo também está lá para fazer para as pessoas e não para poder…

Luciano          Se dar bem.

Geraldo          … para que? Isso é pensar pequeno, cara, se você for um bom político, você já se deu bem, ninguém precisa ter uma fortuna tirada de ninguém para ser feliz, se você conseguiu chegar lá e ter o carinho do povo, você quer se dar bem melhor  do que isso? As pessoas te encontrarem e agradecer a você pelo bem que você está conseguindo fazer na diferença, não o bem porque você está mandando para ele um presente não, é o bem porque você fez uma gestão que está fazendo diferença e está dando oportunidade para ele e ele está conseguindo melhorar de vida e ele passou a acreditar de novo, já pensou que beleza você ser um político que as pessoas acreditam em você e você é de verdade, você não está dando motivo para que amanhã ou depois a pessoa pare de acreditar, cara, esse é o melhor bem que um cara pode conquistar, uma conta bancária é o de menos, porque o cara para chegar lá ele já tinha uma cona bancária, então assim, é pensar pequeno, então eu acho que assim, se um dia eu tiver que ser, nunca diga não, mas eu gosto tanto de pessoas que um dia, se tiver que acontecer, eu não vou me assustar porque eu vou fazer o que eu faço hoje, hoje eu procuro fazer qualquer coisa que é possível para atender uma pessoa e eu me sinto muito assim gratificado, muito abençoado quando eu vejo que uma pequena coisa que você fez, que você falou, que você indicou ou que você orientou, melhorou a vida da pessoa e eu não acho isso mérito não, eu acho que você não faz mais que a obrigação, você se deu bem, você está bem? Então isso é que nem água limpa, isso é que nem água na mina, se você está se dando bem doa, energia, vai vim uma nova, você renova a sua, aí você  doa de novo e renova a sua, cara tem tanta coisa de valor que vale muito mais do que a  parte material para você doar para as pessoas, isso vai fazer tanta diferença na vida delas e não acaba, porque se você for doar coisas materiais, tem um limite, se  você for doar informação, conhecimento, energia, motivação…

Luciano          Ser multiplicador, isso é multiplicador

Geraldo          … isso, e não tem fim e você consegue fazer diferença na vida de muita gente, então o meu projeto de vida, aha você tem um sonho? Tenho. Qual que é meu sonho? De fazer diferença positiva na vida de muita gente.

Luciano          Vamos de novo lá, negro, pobre, analfabeto, anos 70, tudo para dar errado, hoje assistindo os teus filhos levar adiante o teu empreendimento, a JR que é uma empresa que fatura 50 milhões de reais por ano ou alguma coisa assim, 57 anos, não é isso?

Geraldo          57.

Luciano          Então saiu daquele comecinho lá daquele jeito que a gente falou aqui e chegou a esse ponto que você está hoje aqui, que puta sorte hein meu?

Geraldo          Sim. Sim. Se você sair de manhã, eu vou ensinar como é que faz para ter sorte, você sai de manhã, a hora que o sol pinta no horizonte e entra aquela brecha pela janela, é a energia que você precisava, o dia começou, você saia de casa e saia para produzir e produza acima de doze horas por dia, tenha gratidão, trate bem as pessoas, faça só coisas do bem, tenha ética, volte para a casa de consciência tranquila, a hora que você prestar atenção você vê que tem uma sombra, é a sorte te acompanhando. Não tem erro.

Luciano          O Oscar mão santa, não é? Treinava 26 horas por dia, jogando a bola na cesta e eu entrava no jogo, eu acertava um monte de cesta os caras diziam que eu tinha sorte, meu que sorte.

Geraldo          A sorte funciona assim, no meu ponto de vista, ela é tão amiga, ela é tão presente na vida da gente que ela, como amiga, como mãezona, assim como qualquer mãe, a sorte vem e fala para você: amém, ela vai te apoiar, agora você escolhe o que você vai fazer, a quantidade que você vai fazer, o que você quer para você, se determine e vai, a sorte é a sua sombra, ela vai atrás de você ela vai te apoiar o tempo todo, você falou mas você deu uma sorte. Claro que eu dei, ela anda comigo 24 horas, é minha sombra, aquilo que você faz é aquilo que você vai ter, aquilo que você construiu, aquilo que você plantou é aquilo que você vai colher e a sorte é, nada mais, nada menos que a sombra de cada um. Ah mas a minha sorte me deixou. Não, como é que a sai sombra te deixou, a sorte não te deixa, é você que faz escolhas ruins, nós temos livre arbítrio, escolhe.

Luciano          Grande figura. Estamos chegando no nosso final aqui. Deixa eu fazer um comentário a você que eu acho que é pertinente aqui agora, quer dizer, você chegou numa altura da vida que você podia agora estar curtindo aquilo tudo que você construiu, podia estar  muito bem no teu barco em Angra, passando seus dias ali, viajando pelo exterior, etc e tal e você escolheu assumir uma outra missão de vida, eu sei que você está preocupado, você lançou um livro, você está fazendo programa na internet, você está agitando e acabou na hora do café você falou para mim, eu quero inventar um jeito de chegar em mais pessoas para contar essa história e poder inspirar as pessoas e tudo mais. Essa é uma missão, muita gente escolheu essa missão, teve um cara que lá atrás escolheu um negócio parecido, tinha doze neguinhos seguindo ele e se fala no cara até hoje, mas hoje, com internet na mão e com essa maravilha da tecnologia você pode chegar em milhões de pessoas num instante atrás do outro. E você já contou qual é a sua missão, o que eu quero fazer? Eu quero incentivar …

Geraldo          Fazer diferença positiva para as pessoas.

Luciano          … um número mais de pessoas. Não é muita gente que pensa assim, aliás não é muita… para pensar assim você tem que ter atingido um determinado patamar, não só material, que te permite não viver pensando no dinheiro, mas também de cabeça, para falar o seguinte, isso que eu estou fazendo aqui agora, eu estou plantando aquela árvore em cuja sombra eu jamais vou poder sentar porque o dia que a sombra surgir eu já morri, eu já fui embora. E eu vejo que tem muita gente te procurando, você está aparecendo, você está na mídia, estão te levando, você está na televisão, está aqui, está lá, está com o governador, vai lá o teu evento, botam você para falar no evento, os caras todo mundo te chamando para falar e etc e tal, você já tem consciência plena do tamanho da tua responsabilidade, cada vez que você abre a boca e contamina as pessoas que estão perto de você, não só com a ideia que você está colocando, que eu acho fantástica, ser todo positivo etc e tal, mas com essa mosquinha do empreendedorismo que vai morder a pessoa e vai falar, eu vou partir para fazer o meu negócio e um belo dia esse cara vai encontrar com você e vai falar Geraldo, aquilo que eu ouvi você falar mudou minha vida, aquela coisa que eu te ouvi dizer era o momento que eu precisava ouvir aquilo, aquilo fez eu ir adiante. Ou aquele texto que eu li no teu livro foi o que abriu para mim o caminho. Você tem consciência do tamanho dessa responsabilidade, que isso é muito maior do que vender peça de automóvel, do que sei lá, do que comandar uma equipe por um negócio?

Geraldo          Sim. Eu sempre, acho que ganhei dinheiro vendendo alguma coisa, comercializando, empreendendo em alguma coisa porque eu sempre levei comigo a paixão e se tem uma coisa que hoje eu tenho,  é paixão pelo que eu venho fazendo com relação à pessoas, eu tenho um cuidado muito grande para lidar com as pessoas e eu tenho carinho de verdade com as pessoas, então quando eu falo para você que eu vou bater um papo, que eu chamo de bater papo porque eu não palestrante e  eu chamo de história, porque eu não sou escritor, então assim, eu sou sucateiro mesmo, mas a hora que eu vou falar com pessoas, pessoas são pessoas, em todo lugar, tudo o que você imaginar na vida, na outra ponta tem uma pessoa e eu gosto de lidar com as pessoas e eu tenho carinho de verdade com as pessoas, então quando eu vou falar, quando eu vou passar qualquer mensagem, quando eu vou dar algum recado ou motivar, ou eu vejo com o que eu vou falar vai de alguma forma direta ou indiretamente influenciar alguém, eu tenho todo o cuidado do mundo para ter certeza que aquilo não pode fazer mal para a pessoa e eu não me decepciono quando, no meio de uma quantidade significativa de pessoas, um pense o contrário, eu não fico revoltado e não vou debater com esse um que pensa o contrário, se eu tiver oportunidade eu vou ajuda-lo também, já está em mim o prazer de fazer, o  prazer de ajudar o próximo, o prazer d ajudar as pessoas, eu gosto do que eu faço e não tenho  problema de, aha amanhã ou depois alguém fazer um comentário desnecessário ou desagradável e aquilo vai me desmotivar. Eu sou motivado desde pequenininho, isso eu aprendi com a mamãe, os caras não iam buscaras coisas no resto da feira porque eles tinham vergonha e nem por isso ela deixava de trazer para eles, aquilo ali para mim foi a melhor das minhas lições e eu já tinha a minha personalidade formada, eu já tinha sete anos e eu faço isso hoje com muito prazer, independente do que o meu semelhante está pensando de mim ou achando que eu sou isso, que eu sou aquilo, que a minha intenção é A. ou B, ou C, não importa o que ele pensa, eu sei que penso, que eu posso fazer diferença para essa pessoa, então eu vou fazer a diferença positiva para essa pessoa e eu vou ajudar essa pessoa. Eu sou patriota e eu sou apaixonado pelo meu país, então todo mundo que eu puder ajudar aqui dentro, eu sei que direta ou indiretamente eu vou fazer bem para a minha pátria que é a minha segunda mãe, então eu entendo o seguinte, cara se você puder fazer e você não fizer por amor, por consideração, por compaixão, ou por solidariedade, faça por inteligência, porque eu sempre acho que que você faz na vida volta para você e eu tenho tantos benefícios, minha família é dez, de neto a filho, a esposa, eu não tenho problema, eu tenho muitos benefícios, eu sou, eu falei para você, eu tinha muitos anticorpos de ter comigo no lixão, então eu sou 100% saudável. Pensa num cara que só se dá bem. Então eu entendo o seguinte, se eu tenho tanto benefício, de algum lugar está vindo, então como a vida inteira eu procurei fazer o bem para o meu semelhante, eu entendo que está voltando, então por que eu pararia de fazer isso e eu entendo o seguinte, se você se determinar a fazer isso, você vai conseguir fazer isso para muita gente, porque tem muita gente que precisa de ajuda, mas essa ajuda é só dizer para o cara assim, senta para lá, aí você tem credibilidade para o cara acreditar que você está mostrando a seta no sentido certo e ele passa a olhar para cima, era só um toque, ele estava olhando para baixo, você só apontou que a seta é para cima, cara, é tudo o que eu preciso, conquistar essa credibilidade para dizer cara assim, cara, olha para onde  você está olhando, olha o que que você está pensando, pensa nisso, então eu acho que é possível, eu acho que um ser humano pode fazer essa diferença e que uma pessoa pode mudar o mundo e eu não tenho essa pretensão, minha pretensão é mudar o próximo. Quem é o próximo? Todos que eu puder alcançar, então quando eu falo para você, olha eu tenho vontade de alcançar mais pessoas, é porque eu sinto que se eu alcançar mais pessoas, eu consigo ajudar mais pessoas a pensar e olhar a seta no sentido que eu entendo que vai melhorar a vida dele,  porque se a vida dele melhorar, a vida do meu outro semelhante melhorar, a do meu vizinho e a do outro cara que eu não conheço, melhorar, a seta vai bater e vai voltar para mim, vai melhorar a minha, dos meus netos, dos meus filhos, porque é melhor quando é bom para todo mundo, eu não consigo imaginar uma situação boa para meia dúzia, eu só acho que bom, para ser bom, tem que ser bom para a maioria e eu  posso fazer essa diferença com todo mundo que eu conseguir atingir, por que não fazer?

Luciano          Estou tentando achar aqui um adjetivo para você, eu acho que o que melhor casa no final dessa entrevista aqui, você é um cara generoso, é generoso e isso é um atributo que anda muito em falta nesse país aqui, está faltando gente generosa, gente que pega aquilo que construiu e divide com os outros, mas divide sem interesse, eu não estou falando de  dinheiro, dinheiro para mim é bobagem, o dinheiro é a parte boba da história.

Geraldo          Ou consequência…

Luciano          É a parte que você consegue medir, você pega e gasta e constrói e se não tiver uma hora vem, eu perco e ganho de novo e a gente vai refazendo isso tudo, o que você não consegue disponibilizar dessa forma são esses valores que a gente tem aqui  eu acho que é por falta de generosidade que a gente tem esse problema sério que esse país está vivendo.

Geraldo          Você comentou uma coisa que me toca muito, quais são os valores de cada um? Quais são os seus valores? Esse é o ponto, cara não adianta eu sair por aí distribuindo um dólar para cada um ou uma cesta básica para cada um, não vai resolver o problema de ninguém, eu vou ficar na miséria e não vai resolver o problema do outro, só vai complicar a vida de todo mundo porque o cara passou a depender daquilo, agora eu não tenho mais para dar, ele não tem, eu também passei a depender. Não é isso, todos nós temos a mesma possibilidade, todos nós temos a mesa massa cinzenta, todos nós temos a mesma capacidade mental, se você ajustar o seu jeito de pensar, todos nós podemos ter acesso e conseguir as mesmas conquistas, todos nós conseguimos subir um degrau a mais, então se você conseguir explicar para o cara que é possível e como eu sou uma boa referência porque eu nunca precisei de nada para conseguir ilicitamente e tudo foi acontecendo de boa e eu não me lembro em hora nenhuma ter sofrido por conta disso, então o que eu estou falando é de vida prática, de  vida real, é  minha vida real. Eu sou um cara feliz desde pequenininho, então eu entendo que é possível para o outro e eu procuro passar para ele um pouco de verdade, cara isto é vida de verdade, eu não estou lendo um livro ou lendo um catálogo e fazendo uma palestra, eu estou contando para você vida real e que é possível, é possível ontem, hoje ela continua sendo possível e você não está me dando nenhum para eu tentar convencer você que você também pode, cara, é possível agora, seja lá qual for a sua situação é possível você fazer e ainda é possível você ajudar o seu semelhante que está do lado, é possível no Brasil, para de achar que o outro lado da fronteira é melhor, o melhor país do mundo é o seu,  então você consegue aqui, você conquista aqui, você é patriota aqui, não fuja do seu problema, ah tem um problema político, comercial, econômico, então, não fuja do problema, você faz parte dele, você está dentro do Brasil, então nós vamos nos unir e resolver o problema e sempre que se fala unir, não fica lamentando ou pedindo, contribua, ajuda o próximo, como? Tem tantas maneiras de ajudar, então eu entendo que é muito mais, vou conseguir ajudar muito mais pessoas distribuindo informação, auto estima, jeito de pensar, fazer com que o cara acredite que ele é capaz, não ficar discutindo com ele a religião dele, a capacidade dele está nele, a religião ele pode escolher a que ele quiser, ele é bom, para de acreditar que as pessoas ficam falando que você é pobre, que é isso, que é aquilo e que você é homossexual, que você… cara, nada a ver, acredita que você é bom e que você é um ser humano como eu, como todo mundo, nós somos semelhantes e que você é capaz de fazer a diferença, vai cuidar de você e dos seus, é possível, então eu sou experiência viva disso, então assim, não dá para o cara contestar o que ele está vendo, então não é uma coisa… aha ele vai puxar minha ficha lá, pode puxar o que ele quiser, o que eu falo para ele aqui e o que eu estou falando eu falo em público, ah você passou a ser empreendedor, cara eu sempre cuidei dos meus, eu sou contra um cara que ganha salário mínimo, ele não come, então eu tenho um monte de colaborador, eu nunca paguei salário mínimo porque eu sei que o cara não come, como é que você quer que o cara tenha carinho e disciplina com as suas coisas, como é que quer que o  cara venha trabalhar motivado se você não deixa ele comer, então consciência, o que você fala você tem que praticar, você fala tratar com carinho e você chega de manhã na sua empresa, não dá bom dia para o porteiro, como assim? Então assim, tudo o que eu falo eu pratico e eu tenho resultado prático também e eu tenho retorno positivo, então se é possível para mim é possível para todo mundo e a vida inteira, enquanto eu respirar eu vou fazer exatamente o que a minha mãe fazia, eu faço para mim e ajudo o próximo, eu ponho a máscara em mim, dou a primeira respirada, já vai sobrar oxigênio, eu já divido com o próximo.

Luciano          Grande figura, muito bem, quem quiser ter contato mais com o teu trabalho, bom, eu vou dar uma dica aqui primeiro, você acabou de fazer um trabalho muito legal com a turma do “Meu Sucesso.com”, com os nossos amigos…

Geraldo          Grande Magaldi.

Luciano          … isso, o Magaldi que vai estar aqui também, já esteve aqui, já gravei também com ele e tem uma história maravilhosa lá com aquela produção fantástica deles lá que é emocionante inclusive, mas quem, quiser ter mais contato com o teu trabalho, tem  um livro, que chama-se?

Geraldo          “Catador de Sonhos”.

Luciano          “Catador de sonhos”…

Geraldo          Compra pela internet, em qualquer livraria você vai achar, nos aeroportos.

Luciano          Você já tem um Facebook…

Geraldo          Ah e tem uma notícia boa, esse livro tem oito meses de lançamento e eles já estão produzindo a quinta edição.

Luciano          Olha ai, isso em termos de Brasil é um feito.

Geraldo          É e não é… eu não sou a favor de biografia, não é a biografia, é uma ferramenta para o cara abrir, ler e entender que foi possível para mim que ele vai conseguir também e vai conseguir ganhar dinheiro, ponto.

Luciano          Legal. Você tem o Facebook, tem um blog, tem um site, como é que chama?

Geraldo          Tem. Eu tenho uma funpage que chama Geraldo Rufino…

Luciano          No Facebook.

Geraldo          … a página e eu procuro ali passar para as pessoas tudo o que me acontece que aliás, não é que eu só ponho o positivo, é que só me acontece positivo e eu procuro interagir com as pessoas.

Luciano          Vou começar a andar com você. Mas muito bom.

Geraldo          Foi um prazer.

Luciano          Geraldo muito obrigado por ter vindo ai sabe, isso aqui é o LíderCast, é com gente assim que é muito bom falar.

Geraldo          Eu fico feliz, que assim, qualquer cara que vier aqui, você tem uma energia tão boa aqui, o abraço da chegada tem a ver com a recepção da energia, a sua recepcionista, ela sorri, outro dia estavam falando para mim o seguinte, como é que faz para você vender, aí o palestrante foi lá, um cara técnico de motivação, ensinou, falou de curso, de treinamento e tal, aí chegou minha vez o cara falou assim, como é que você faz para vender, Geraldo? Eu falei assim, então, você sorri. Como assim sorri? Então, é a primeira impressão é a que fica, o cliente chegou, você sorriu, ele já relaxou, então, agora venda é uma consequência. Foi o que aconteceu aqui.

Luciano          Bem vindo ao LíderCast…

Geraldo          Foi um prazer, cara.

Luciano          Muito obrigado pelo tempo que você nos deu aqui, vamos nos ver mais e falar mais, grande abraço.

 

Transcrição: Mari Camargo