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Ciça Camargo -

Luciano          Muito bem, mais um LíderCast. Hoje é daqueles assim, sabe que tem uns caras que escrevem uns trecos ai que quando eu olho dá inveja alheia sabe, não tem… inveja alheia é quando você olha assim e fala o seguinte: queria eu ter escrito esse texto ai. A figura que está aqui hoje comigo é um desses, tomei contato com o trabalho dele através das mídias sociais; eu não o conhecia e a gente vai tendo contato com as pessoas e alguém dá uma dica, e o pessoal pô, dá uma olhada no Alexandre, fui ler os textos do cara, falei pô, cara interessante, comecei a curtir o que ele estava fazendo lá e fui descobrir que a gente tinha um monte de amigos em comum, gente que a gente conhecia e um deles que está em Beirute hoje, Beirute, pelo Telegram, entra lá e cara, por que que você não grava um programa com o Alexandre, eu falei até pensei mas eu não tenho contato dele, bom, está aí o contato, faz o contato e estabelece essa oportunidade nossa aqui. Eu entrei em contato com o Alexandre, está no Rio de Janeiro, eu falei vindo a São Paulo você me avisa, me avisou, aqui está ele hoje, então vamos às três perguntas que são as mais difíceis do programa, presta atenção para não errar. Quero saber seu nome, sua idade e o que é que você faz?

Alexandre      Bom, Alexandre Borges, 46 anos, sou publicitário e blogueiro, produtor de conteúdo, escrevo esses textos quando alguma coisa me irrita…

Luciano          Que são os melhores, que são bons.

Alexandre      … não é? Eu falo que o meu motor é o Chico Pinheiro, você acordar de manhã e ver ele falar uma bobagem no Bom dia Brasil, aí você fala pronto! Quando você acha que você não vai escrever nada aí você liga no Bom dia Brasil, você escuta uma bobagem, você fala ah não, tem que escrever, não tem jeito.

Luciano          Esse tu sotaque é de Sorocaba, interior de São Paulo é? De onde é que é isso, de onde é que você vem?

Alexandre      Eu sou do Rio de Janeiro, mas eu sou, eu acho que eu sou um cidadão das duas cidades, do Rio e de São Paulo, eu morei metade, exatamente metade dos meus 46 anos, 23 no Rio e 23 em São Paulo, então eu me sinto cidadão das duas cidades, gosto muito das duas cidades e acho um orgulho poder ter vivido nas duas.

Luciano          Legal. Tua formação o que é, Alexandre?

Alexandre      Publicidade, quer dizer eu…

Luciano          Mas você vem de, teus pais eram cariocas, nasceu no Rio…

Alexandre      O meu pai engenheiro, nada a ver com a área, ele também não era ligado nada de produção de conteúdo essas coisas, minha mãe comerciante, eles sempre foram o que eu acho que do lado deles me estimulou para o que eu faço hoje é eles terem sido sempre comerciantes, empreendedores e terem sempre uma ligação com trabalho, com venda, com comércio, que sempre me encantou muito desde criança, de eu ver o trabalho deles, atender clientes, desenvolver produtos, foram coisas que sempre me encantaram muito, eu acho que isso se reflete até nas minhas posições políticas liberais e ver o valor do empreendedor. Eu acho que ter sido criado em um lar de empreendedores é uma coisa que faz todo sentido, mas eu nunca imaginei trabalhar na área que eu trabalho, isso nunca foi de criança, eu na verdade eu era um… aqueles alunos meio cdf assim e tinha muita facilidade com matérias de exatas, achava que eu ia trabalhar era com ciência, física, matemática, eram as coisas que eu gostava quando eu era criança, era para esse lado que eu levava, eu com 14 anos já dava aula de matemática, já era professor de matemática e entrei nessa área até como… cheguei a entrar na faculdade de matemática. E eu escrevia na paralela eu escrevia já desde também de novo, mas eu achava que isso tudo eu sempre ia fazer de brincadeira, de diversão na minha vida, não imaginava que eu ia ter isso como trabalho, nunca me passou pela cabeça, mas quando eu entrei na faculdade de matemática muito menino, com 16 para 17 anos e eu não… apesar de eu achar a matemática uma coisa encantadora, como acho até hoje, adoro, a música da razão, enfim, a linguagem do universo, a língua de Deus, aquela coisa toda, mas não me pareceu que era o meu caminho profissional e em compensação escrever começou a entrar mais na minha vida, então eu… os meus textos começaram a ser comentados em alguns lugares e tal, eu comecei a escrever e de repente apareceu a oportunidade de escrever num pequeno jornal que falava de publicidade…

Luciano          Lá no Rio?

Alexandre      … lá no Rio, também garoto ainda, eu sai da faculdade de matemática para profundo desgosto dos meus pais, eles não queriam aceitar isso de jeito nenhum, foi uma crise familiar, porque o meu pai engenheiro, orgulhoso que o filho ia por esse caminho, mas não fui.

Luciano          Então, mas você sai da faculdade já com olhos para outra, pai, parei de fazer matemática para fazer o que?

Alexandre      Eu saí por isso, porque ao mesmo tempo que eu não estava achando que eu estava me encaixando na faculdade de matemática, estava gostando, passando nas provas, tirando minhas boas notas, mas eu não estava me sentindo ambientado, eu olhava e falava assim, essa não é minha turma, eu olhava para o lado, aquele bando de cara que eu via que ia ser professor de matemática de colégio e falava assim esses caras não são minha turma, então eu falei, eu devo ter me enganado nessa escolha. De repente eu tinha 16 anos, de repente era muito novo para escolher profissão e eu tive essa intuição quando eu olhei para todo mundo da minha turma e falei, ninguém se aprece comigo, ninguém tem meu jeito, ninguém ri das minhas piadas, vamos dizer assim, então de repente não é minha turma e comecei a conversar com os meus amigos e os meus amigos de infância, de colégio sempre diziam não, professores, professores de redação, os professores de colégio sempre falavam não, você tem que escrever, ser jornalista, essa é a sua vocação e tal; e aí eu comecei a falar quem sabe, talvez, de repente esse pessoal tenha razão e aí um dia um amigo meu fez uma sacanagem comigo e ele falou assim você vai, você não vai para a sua faculdade hoje, hoje você vai para a minha, você vai assistir um dia de aula de jornalismo, aí eu falei “tá” bom vai, aí eu fui com ele para a faculdade dele assistir aula, eu passei o dia inteiro assistindo aula com ele, nunca mais voltei para a faculdade de matemática, porque quando eu passei o dia assistindo as aulas dele eu falei ah, essa é a minha turma, aí que eu falei assim não, então realmente e faltava duas, três semanas para o vestibular, correndo me inscrevi, passei, passei bem e entrei, aí eu entrei no outro ano eu já comecei na faculdade de… e aí eu falei não, então vou ser jornalista, aí eu entrei, achei que ia trabalhar com jornalismo, comecei a trabalhar, quer dizer, comecei a estudar jornalismo na faculdade e na minha cabeça, como eu te falei, aí eu pelo meu gênio, pelo meu próprio jeito de ser, de gostar de ser muito prático, de botar a mão na massa eu já falei assim, não vou ficar aqui só estudando, eu tenho que trabalhar num jornal, não basta apenas ficar tendo aula, então já logo quando eu entrei na faculdade eu comecei a procurar estágio e muito rapidamente arrumei um estágio nesse jornal que era um jornal ainda hoje, o mais tradicional que cobre o mercado de publicidade, que era a única vaga que tinha, quer dizer, eu não…

Luciano          Que jornal é?

Alexandre      … chama Caderno Propaganda e Marketing, da Editora Referência e existe até hoje, é importante, é uma referencia do mercado até hoje, eu entrei, entrei muito garoto, mas eu podia ter entrado em qualquer um, podia ser uma revista para falar de suinocultura, quer dizer, eu queria trabalhar, eu queria trabalhar em algum lugar.

Luciano          Você queria estar numa redação…

Alexandre      Eu queria estar numa redação…

Luciano          Você tinha o cheiro da redação.

Alexandre      … exatamente e aí foi esse que apareceu e eu comecei…

Luciano          E isso no primeiro ano de coisa?

Alexandre      … é, no primeiro ano de faculdade.

Luciano          Olha, você já esta dando um insight fantástico, porque tem alguma molecada que tem realmente esse fogo no rabo e que vai fazer o estágio e já entrei, agora já quero estar dentro do… isso faz toda a diferença, faz toda a diferença porque a hora que você volta para a sala de aula novinho e começa a ouvir a teoria toda e sai dali e entra numa e começa a ver na prática…

Alexandre      É outro mundo.

Luciano          … que a teoria não é bem aquela. Isso é fantástico.

Alexandre      E eu acho que em algum momento, se você dá sorte como eu, acho que eu dei de muito rápido e muito novo já começar a acontecer na profissão, você começa a ver a discrepância do que é a vida profissional com o que o teu professor na sala de aula diz que é a sua profissão, só que você já está na profissão e você já está vendo que não é, e aí não tem como você continuar na faculdade. Eu abandonei, eu nem terminei a faculdade, por causa disso, porque eu com 19, aí eu já tinha 19, já estava no segundo ano, com 18 para 19 eu já estava, as coisas já estavam acontecendo e a faculdade já não correspondia mais à realidade que já era da minha vida, onde eu já estava inserido e aí comecei a escrever e muito rapidamente também cresci lá nesse jornal, já me deram coluna, porque foi uma coisa engraçada, aí uma coisa da inocência do menino que está entrando na redação, eu achava, bom, o que que é um jornalista? Jornalista é aquele cara que tem as fontes, que liga, que tenta apurar a matéria e tal e eu comecei, eu cheguei para o cara que era meu chefe na época, logo no começo, eu falei bom, quem são minhas fontes? E aí ele riu e pegou um catálogo que era quase um catálogo telefônico com todas as agências de publicidade de Rio de Janeiro, jogou na minha mão e falou assim, está aí, esses são suas fontes. Aí eu falei tá bom, aí eu peguei de A a Z, eu passei a mão no telefone e liguei para um por um, me apresentei, meu nome é Alexandre Borges, eu estou começando aqui nessa redação e eu queria saber se você tem notícia, queria conversar com você, queria me apresentar, posso ir aí visitar sua agência, podemos nos conhecer e tal, e eu acho que liguei para praticamente todo mundo, que era uma coisa que não era muito a tradição com grandes exceções, com honrosas exceções. Mas normalmente, o jornalismo que cobre a publicidade é um jornalismo mais de que o pessoal brinca que chama varal de release, você manda o release e ele põe lá a conta que você ganhou, a conta que você perdeu, se você está abrindo um novo escritório, uma coisa meio de informação do mercado, o chamado quem para onde, fulano trabalhava num lugar A, foi trabalhar no lugar B e tal, mas não tinha muito essa tradição da apuração jornalística, de dar furo de descobrir coisas e eu comecei a descobrir um monte de coisa e eu comecei a realmente ter colunas lidas e as matérias começaram a chamar a atenção de uma maneira jornalística, que era uma coisa meio que inédita assim…

Luciano          E ninguém tinha te dado esse bisou, você não teve alguém que foi lá faça assim, você saiu inventando.

Alexandre      … é eu na verdade era o que eu achava que era o jornalismo, o jornalismo é isso, é você ser repórter e correr atrás, ligar para as fontes e tal, eu comecei a fazer isso, não acho que tenha sido nenhum insight genial, acho que era uma coisa que sei lá, você quando não é jornalista você assiste o filme de Hollywood que o jornalista faz, eu tentei imitar ali, me soltaram, se vira aí moleque, eu comecei a fazer e realmente aí eu comecei a conhecer o mercado inteiro, porque eu comecei a ligar para um por um, comecei conhecer todo mundo e aí você fica sabendo das fofocas. Você vai almoçar com um, vai jantar com outro, vai não sei que, você começa realmente a saber das coisas e começa a fazer jornalismo, você começa a ter fonte, você começa a ter informação, enfim. E aí um dia eu descobri que uma multinacional da propaganda, lá do Rio, que era uma das mais importantes, estava tendo um racha onde funcionário estava saindo para montar outra. Ninguém sabia disso, eu descobri fazendo trabalho normal de apuração jornalística e liguei para o sujeito descobri, estou sabendo que você está saindo daí, que você vai montar… o cara tomou um susto e falou não, pelo amor de Deus, eu falei desculpa, não tenta negar, eu já descobri, já sei, é o fulano, é isso, você vai fazer aquilo outro e ele está bom, vamos conversar. A gente marcou um almoço, fui almoçar com ele e aí consegui descobrir tudo e foi um furo jornalístico importante do meu mercado na época e foi uma matéria que foi muito falada e tal e esse sujeito que eu entrevistei que foi a estrela da matéria me ligou depois e falou cara, vamos almoçar de novo, vamos encontrar? Vamos. Aí eu fui conversar com ele e ele chegou para mim e falou pô, seu texto é muito bom, você escreve bem, ele falou isso é um desperdício você estar no jornalismo, você tinha que estar fazendo redação publicitária, você tinha que estar numa agência de propaganda escrevendo anúncio, escrevendo texto publicitário e eu falei ah não sei. Nunca tinha me passado pela cabeça, eu achava que o meu caminho era o jornalismo e aí ele usou uma frase que eu lembro hoje é uma coisa engraçada, mas eu lembro do argumento que ele chegou para mim e falou assim: “olha, redator publicitário escreve menos e ganha mais” Eu achei aquilo engraçado, falei é, o cara até que tem um ponto, enfim, e eu falei ah, quer saber, eu também devia ter o que, 18 para 19, eu falei assim acho que vale, eu já… vai que eu vou lá, pode dar certo, mas se der errado também qual o problema? Eu volto para o jornalismo, estou começando a vida profissional, não senti que eu tivesse arriscando nada de importante largando aquele emprego que já estava ficando um emprego interessante e migrar, agora ele falou olha, não vou te dar emprego, vou te dar estágio, mas eu falei não tem problema, vamos arriscar, vamos…

Luciano          19 anos eu posso errar à vontade

Alexandre      … foi esse pensamento que eu tive mesmo, vamos arriscar.

Luciano          mas então, momento de inflexão na carreira da sua vida, você vem vindo, está legal, está ficando legal, estou sendo reconhecido, já estou ganhando e a tua vida vira, faz uma virada, você de repente vai para um outro caminho, quanto disso é sorte?

Alexandre      Tem sorte, mas eu acho que também tem um lado importante na nossa vida profissional de você ficar ligado no que está acontecendo, eu acho que existe a vida vai te dando sinais e você tem que estar aberto e você tem que estar olhando. Então, por exemplo, quando eu entrei nessa empresa, nessa agência de publicidade, engraçado, a gente vai conversando aqui, a gente vai lembrando, eu também era muito menino, mas eu chego e eu entro numa sala lotada de gente, tinha mais gente do que espaço físico e me deu uma intuição, que eu falei assim, eles vão me mandar embora porque não tem lugar, está abafado, é uma sala pequena com um monte de gente e um dos caras que trabalhava na sala era um dos sócios da empresa e ele era um cara muito mal humorado, era um cara meio… e ele me olhava torto, tipo assim pô, é igual você entrar num elevador cheio e eu senti, vai sobrar para mim, estagiário, moleque e eu falei assim, isso aqui está uma panela de pressão, as pessoas estão se esbarrando e eu vou ser mandado embora e essa experiência não vai ter valido nada, eu vou ter saído do emprego a toa e aí, intuição, eu falei assim, eu preciso sumir daqui por um tempo eu inventei, eu fui na sala desse cara que me contratou, do sócio majoritário que era o presidente da operação, eu falei cara, olha só, eu estou com um problema pessoal na família e eu preciso me ausentar da operação dois meses, você não vai me pagar salário, nada, mas eu só queria sumir dois meses porque eu tenho coisas importantes da minha família para resolver e dois meses depois eu volto, um insight, aí ele ah, tudo bem, eu entendo e tal. Dois meses eu voltei, tinham dois caras que tinham sido mandados embora daquela sala, entendeu? Eu acho que a minha história de vida podia ter sido totalmente diferente se eu tivesse continuado ali, entendeu? Então assim, também isso não tem ciência, isso é uma coisa de você perceber, eu ali, eu percebi a música do ambiente, eu achei que era um ambiente pesado e li aquelas pessoas, aqueles olhares, eu falei se eu ficar aqui vai sobrar para mim, então assim, o estagiário, como tem essa facilidade de repente de falar ah, posso sumir um mês, posso sumir dois meses e nada vai mudar. A coisa deu certo e aí quando eu voltei, a operação já estava mais ajustada, já tinha menos gente, o ambiente já estava um pouco melhor, já tinha tido alguns tipos de ajuste, esse sócio saiu da operação que foi ótimo também…

Luciano          O mal humorado.

Alexandre      … o mal humorado.

Luciano          Deixa eu te perguntar uma coisa aqui. Você falou um negócio legal aí que é essa coisa de você estar ligado no ambiente e ter esses insights lá. Legal, eu consigo entender um cara maduro, experiente, bateu o olho, olhar quatro coisas, emendar uma com a outra, já saquei, já vi o que vai acontecer, agora o garoto de 19 anos, com pouca experiência profissional e tudo mais, de onde vem essa sacada, o que te fez diferente do outro que ficou lá para ser mandado embora, você bateu o olho naquilo e falou isso vai dar rolo, o que que é essa intuição?

Alexandre      Talvez seja sorte, talvez… eu não vou dar aquela resposta arrogante que eu vi uma vez uma discussão que eu ri muito, um sujeito que ele sabia falar em verso, então ele ficava conversando com você e ia rimando e aí um outro cara virou para ele e falou cara, como você consegue fazer isso? Aí ele respondeu assim: ou é fácil ou é impossível. Então assim, às vezes você, de repente tem alguma capacidade de ler, isso é uma coisa que vem com você, eu acho que eu, de personalidade, sou muito ligado nessas coisas, eu até hoje faço reunião, eu estou sempre olhando todo mundo, eu estou sempre meio preocupado com coisas que vão além do que é dito, porque as empresas são organizações humanas e são seres humanos.  Pode ser uma empresa multinacional, metade pelo menos da minha vida profissional eu fui executivo de grandes multinacionais da propaganda, trabalhei em estruturas enormes no board, como vice-presidente, trabalhei em empresas menores também, mas eu…

Luciano          Esse ponto de você estar ligado, você falou um negócio muito legal, a música do ambiente, de escutar a música do ambiente você consegue entender qual é a tonalidade, se mudou o ritmo, para onde está indo, fala opa, e consegue jogar o teu xadrez, opa, já vou dar um passo a frente ali e quer dizer, não é você sentar na tua mesa e ficar focado no teu dia a dia e esquecer do que está acontecendo em volta, essa história de você estar antena ligada, o tempo todo ligado capturando esses insights.

Alexandre      É, você tem que entender que existem questões que vão além do seu desempenho profissional e que se você não tiver ligado, a vida vai te engolir, quer dizer, se você realmente não estiver preocupado para entender coisas que vão além da entrega específica do que faz parte do seu job description, você vai ser engolido…

Luciano          E quando alguém perguntar o que aconteceu, você vai falar puta azar que eu dei, foi azar, foram mandar embora logo eu e foi um azar, aí não tem azar coisa nenhuma, como não tem sorte coisa nenhuma, estava conectado, apareceu a oportunidade, eu estava pronto, eu fui lá e peguei. E aí você olhou e falou essa praia é a minha, essa é minha praia? Propaganda, esse é o meu mundo?

Alexandre      O que acontece? Você começa a escrever e a propaganda, a resposta é muito rápida…

Luciano          Que ano era isso?

Alexandre      … 89…

Luciano          Ainda é o glamour da propaganda era o glamour.

Alexandre      … é eu comecei, eu tenho 46, eu nasci em 70, 88 quando eu comecei tinha 18, quando comecei mesmo formalmente, essa história já é…

Luciano          Você pegou a propaganda glamurosa dos grandes nomes da propaganda.

Alexandre      … cheguei a pegar ainda…

Luciano          Os grandes rolos de filme

Alexandre      … isso. Grandes salários, agora não são tão… enfim. Mas ainda tem, claro, ainda tem algum glamour, mas anda comparado o que foi há 20, 25 anos, não tem a menor comparação, mas enfim… Então nessa agência eu comecei também a procurar oportunidades onde podia haver campanhas com mais visibilidade e aí também tem o fator sorte, esse cara que era o chefe da operação, o cara que me contratou, que também era um criativo de propaganda, ele criou um programa de… ele pegou um cliente isso é engraçado, é uma das campanhas mais malucas que eu acho que eu já vi na minha vida, apareceu na minha vida quando eu tinha 19, mas até hoje se olhar para trás eu acho que é difícil eu ter visto uma campanha tão maluca e ousada quanto aquela, que foi um insight que esse cara que era o meu chefe na época teve que era o seguinte: no Rio tinha um jornal que era um jornal só de classificados, aqui acho que em São Paulo tinha o Primeira Mão, no Rio tinha esse jornal que chamava Balcão, que era mais ou menos a mesma ideia, era um jornal inteiro de classificados, você vai explicar isso para um menino hoje o que é um impresso com classificados…

Luciano          É uma OLX…

Alexandre      … é, impressa…

Luciano          … impressa

Alexandre      … impressa, enfim, uma coisa difícil de explicar hoje, mas esse jornal, ele saia duas vezes por semana, acho que terças e quintas e esse cara, ele teve esse insight de falar o seguinte: ele pegava e saía alguma coisa como 40 mil anúncios naquele jornal e ele falava assim, me dá o anúncio mais doido, real, tipo troco… porque tinha troca também, não era só venda, mas tinha sei lá, vendo dentadura do… sei lá, as estátua do museu de cera… era assim, me dá algum anúncio doido que eu vou fazer um esquete de humor em 30 segundos e jogar nas rádios da cidade para aquecer a venda do jornal naquele dia, você me dá a manchete real e aí ele fez, começou a fazer, fez dois ou três ali, a coisa começou a… e foi realmente uma bela sacada que ele teve, só que aquilo dá muito trabalho, quer dizer, alguém tem que ligar de manhã naquele mundo meio off-line, pré-internet, o sujeito tinha que ligar e falar a manchete é troco livro de costura por estilingue de bronze, sei lá, e você tinha que inventar uma história que faça sentido, que dure 30 segundos e ainda seja engraçado, ainda leve à venda, enfim e aí eu falei posso pegar isso? Posso fazer?  Aí ele, você faz?  Faço. E aí comecei a fazer, eu fiz 40 capítulos dessa novela, chamava Rádio Novela Balcão e foi uma coisa que começou a pegar no Rio, fez sucesso, eu tinha dois locutores absolutamente geniais, dois caras realmente muito bacanas, muito experimentados e eles faziam qualquer coisa que eu quisesse, faz um sotaque, faz uma criança, faz um velho, faz um gago, eles faziam qualquer coisa, então quando eu sabia, quando eles me ligavam do jornal para dizer olha, a manchete vai ser tal manchete, eu entrava num taxi, ia para o estúdio, eles estavam lá e eu ia pensando na história no caminho, no taxi, quando eu chegava lá eu avisava para eles, olha era um casal, aí eu virava para ela e falava olha, você vai ser uma velha, avó e você vai ser o netinho e a história é mais ou menos essa. Aí a gente ria, todo mundo achava engraçado, vamos? Vamos. E aí a gente gravava, editava na hora e fechava as cópias, que eram cópias físicas dos comerciais, do spot de rádio e ia para doze rádios da cidade sem o cliente ver, eu tinha uma carta branca, hoje eu paro e penso assim, como é que um cara, dono de jornal, ele dava carta branca para um moleque de 19 anos para fazer uma história de humor para as doze principais rádios da cidade, os caras eram doidos, eu também e eu com 19 anos não tinha noção da maluquice que eu estava, eu achava divertido e aí depois eu ia para a faculdade, já na faculdade via as pessoas comentando e eu pensando, imagina se sabem que fui eu que fiz, enfim, foi uma campanha premiada, foi uma campanha muito comentada na cidade e inclusive quando o presidente do Clube de Criação de Propaganda assumiu aquele ano, ele foi, eu fui assistir a posse e ele nem sabia, não me conhecia, ninguém me conhecia e ele no discurso falou que o orgulho da cidade era ter campanhas criativas como aquela do jornal Balcão…

Luciano          Citou a coisa…

Alexandre      … falou, a única que ele citou, quando eu ouvi aquilo, aí que me deu, aí você me perguntou, foi a primeira vez que eu falei talvez eu até tenha algum jeito para fazer esse negócio, porque se virou o símbolo, foi uma coisa citada…

Luciano          No meio dos profissionais.

Alexandre      … é, como um exemplo de alguma coisa que foi boa naquele ano.

Luciano          Você estava na plateia?

Alexandre      … estava na plateia.

Luciano          Quantos olhares?

Alexandre      Não, ninguém sabia, eu era adolescente, 19 anos ali assistindo. Mas aí eu também fiquei na minha, mas voltei pensando até que de repente eu sei fazer esse negócio, tem um jeito aí. Só que aí, coisas da vida, um amigo meu lá da faculdade, ele estava trabalhando no extinto Banco Nacional, o saudoso Banco Nacional e ele falou para mim, olha, aqui tem um monte de trabalho aqui no marketing que as agências não acertam, a coisa não vai, você não quer começar a fazer aqui como freelance de repente? Aí eu falei vamos, aí eu comecei a fazer, aquilo começou, faz um, dá certo, faz dois, faz três, faz cinco, faz dez, a coisa começou a andar, quando eu vi aquilo estava começando a atrapalhar a faculdade, estava começando a atrapalhar o meu trabalho na agência e esse meu amigo falou vamos montar uma agência para atender ao Nacional? Eu falei vamos, aí eu já era um senhor de vinte e aí a gente abriu uma agência, até tive que ser emancipado pelo meu pai, para você poder ter uma CNJP com 20 anos, não sei se é do mesmo jeito até hoje, aí a gente abriu essa empresa, começamos a atender o Banco Nacional, aí do Banco Nacional fomos para o cartão nacional, do cartão nacional fomos para o… aí tinha um outro banco na época que era o BHU Banco Holandês Unido, começamos a atender também o holandês, que depois virou ABN Amro enfim, e montamos uma operação que de 90 a 92, essa operação foi bem, a gente tinha bons clientes, ganhava um dinheiro honesto para garoto de 20, 21, 22 anos…

Luciano          Você tinha uma equipe lá?

Alexandre      … tínhamos uma equipe…

Luciano          Quantas pessoas?

Alexandre      … umas 10.

Luciano          10 pessoas.

Alexandre      É.

Luciano          O teu amigo, teu sócio, tinha que idade?

Alexandre      A minha idade.

Luciano          A sua idade também.

Alexandre      Minha idade.

Luciano          De repente com 20 anos você não tem mais um emprego, o negócio é teu, você montou uma empresa e você descobre que montar uma empresa não é sentar e escrever um texto legal, tem que pagar conta no banco, tem RH, tem imposto, tem um cacete de coisas lá que são os detalhes sórdidos do empreendedorismo que naquela coisa maravilhosa que todo mundo pinta e tem um treco complicado, quando você passa a ser dono da empresa e senta um belo dia e olha em volta fala, dez neguinhos dependendo de mim, se este treco quebrar, além de eu quebrar tem dez que vão ficar sem emprego aqui. Essa responsabilidade caiu no colo de vocês de alguma forma, isso te deu uma estilingada de amadurecimento assim de uma hora para a outra? Como é que vocês lidaram com isso?

Alexandre      Eu vou te ser muito sincero. Não, eu acho que eu era muito menino mesmo, eu acho que eu não tinha noção como eu tenho hoje daquela responsabilidade…

Luciano          Teu sócio também não.

Alexandre      … também não.

Luciano          Nenhum dos dois.

Alexandre      Eu acho que não, eu acho que assim, eu acho que a gente sabia fazer e entregar o produto que a gente vendia e aquilo viabilizou a operação, então a operação funcionava, funcionava no azul, ia bem, mas o entendimento do que era a empresa, a seriedade e a responsabilidade com aquelas pessoas, eu acho que isso foi uma coisa que eu fui adquirindo mais tarde, eu acho que eu, com 20 anos, achava uma grande brincadeira, aquilo me divertia muito, eu fazia, no final do dia a gente descia todo mundo para o bar, tomar uma cerveja e rir do dia, então eu acho que eu menino ali com 20, 21, acho que ainda estava, ainda estava muito garoto mesmo, mas eu entendi que aquilo precisava da minha dedicação, então aí eu realmente saí da faculdade e fui me dedicar integralmente…

Luciano          Então você não terminou a outra faculdade também?

Alexandre      Não, não.

Luciano          Você não terminou.

Alexandre      Nenhuma.

Luciano          Nenhuma delas.

Alexandre      Nenhuma. Mas assim, mas a operação estava demandando e foi, foi muito bem, mas aí teve uma coisa engraçada que era o seguinte, eu tinha, e aí essa foi uma lição dura, eu tinha…

Luciano          Só uma coisa, você falou de 90 a 92?

Alexandre      … é, mais ou menos isso…

Luciano          Debaixo do guarda chuva do Collor.

Alexandre      … do Collor, exatamente…

Luciano          Em pleno Collor.

Alexandre      … da bomba, isso. Mas é engraçado, porque como eu tinha uma empresa pequena, com custos bem enxutos, eu acabei tendo uma migração de trabalho de estruturas maiores que não conseguiu operar no preço que eu operava, então nesse ponto, não vou dizer que a crise me ajudou, mas a crise, de certa forma, obrigou alguns anunciantes a buscarem soluções alternativas, então eu acho que nesse ponto eu me beneficiei, de ter realmente uma operação pequena, ágil, barata onde o contratante ali, o sujeito ali, ou do Nacional, ou do cartão, eles tinham uma pressão de resultado muito grande, num país numa crise absurda e os custos tradicionais de propaganda altíssimos como você sabe e aí chegam uns garotos ali que estão resolvendo e a coisa está bonitinha, está funcionando e muito mais barato. A agência que atendia o Banco Nacional era a MPM que era a maior agência do Brasil e era caríssima, claro, então a gente conseguiu entrar ali em alguns cantos, algumas sombras ali que ninguém estava olhando e viabilizar o negócio. Mas o que acontece? Quando chega no final de 92, os meus dois principais clientes que eram, sei lá, 80, 90% do faturamento que eram o Banco Holandês e o Nacional, os dois mudam o marketing sem aviso prévio para São Paulo, do Rio para São Paulo, de uma hora para a outra, então eu começo, se não me engano, mês de outubro eu começo uma operação bem no azul, tudo bonitinho e termina o mês sem cliente quase, sem aviso prévio, sem nada e a gente não sabia o que fazer, foi um susto, porque a gente tinha clientes satisfeitos, não tinha nenhuma indicação de que isso ia acontecer e aí eu viro para esse meu sócio, eu falei olha, deixa eu ir tocando aqui a operação, vai para São Paulo e tenta arrumar um sócio para ver se de repente assume nossa operação aqui ou se de repente leva a gente para  lá e a gente tenta recuperar esses clientes em São Paulo, vamos ver o que a gente faz. E a coisa acabou acontecendo, quer dizer, esse que era o cara que era meu sócio na época veio na minha frente, visitou algumas agências de São Paulo e me ligou um dia e falou olha, tem uma aqui interessada em conversar, vem para cá. Eu fui, vim aqui para São Paulo, conversamos, eles ofereceram sociedade, a gente… aí fechamos a operação no Rio, quer dizer, fechamos não, na verdade ele tinha um escritório pequeno no Rio, eu entreguei o que eu tinha no Rio, que era muito pouca coisa, entreguei para ele e eu e meu sócio viemos para ser executivos associados dessa empresa aqui em São Paulo, foi quando…

Luciano          Com 22 anos.

Alexandre      … com 22 e aí foi assim que eu vim para São Paulo em 92, então e aí começou, a gente começou a trabalhar nessa empresa e essa empresa tinha negócios com o governo Collor que era o grande faturamento deles e em dezembro de 92 o Collor recebe o impeachment, sai do cargo e essa empresa que eu estava também praticamente quebra, também foi um outro susto, mas aí a gente começou, a gente já estava em São Paulo, já tinha algum networking, já estava começando a… a gente continuou por aqui…

Luciano          Com 22 anos tua mochila está levinha.

Alexandre      … é, exatamente…

Luciano          Vamos embora, dá para errar ainda, dá para errar bastante lá. Legal. Então já deu para ter uma ideia de como é que você foi chegando nesse caminho aí. Você é uma das vozes, atenção, eu vou falar uma coisa, você não fica bravo, depois eu volto e conserto. Você é uma das vozes da nova direita que está no Brasil aí que eu acho uma puta de uma bobagem isso, mas muita gente só entende quando você fala assim e na verdade você tem uma visão muito forte na questão do liberalismo, de livre mercado e isso realmente é muito atraente nesse momento que a gente está vivendo, tem muito a ver com o que eu penso também e quando é que foi, deixa eu ver se eu elaboro um pouco melhor essa pergunta aqui, essas questões da teoria do liberalismo e tudo mais, isso está no universo muito distante do universo do dia a dia do trabalho, quando você entre numa empresa ninguém quer saber de nada de teoria, o negócio é o seguinte, tem que dar lucro…

Alexandre      Na publicidade menos ainda inclusive.

Luciano          … tem que dar lucro, se der para fazer faz, não me vem com trololó, não me vem com conversa, então isso é um outro universo que circula em paralelo ali. Quando é que foi que você começou a sacar essas teorias que começavam a explicar coisa que acontecia, que foi o que aconteceu comigo, a minha prática eu comecei a de repente eu comecei a ler umas coisas, falei uai, o caras estão explicando o que eu penso, quem são esses caras? Eu vou lá mergulhar e comecei a descobrir um universo gigantesco que teorizava sobre aquilo que acontecia na prática. Quando foi que você começou a perceber que existia esse universo, eu não quero dizer acadêmico, mas essa… pensadores que davam embasamento para o jeito que você fazia as coisas?

Alexandre      Bom vamos lá, primeiro como eu te falei, mesmo não tendo trabalhado, feito carreira em jornalismo, mas a política me interessa desde muito garoto, eu tenho lembranças de discutir e falar e trocar assunto, falar de política com oito, com nove, é uma coisa que eu acho que desde que eu me entendo por gente eu gosto, eu me interesso e tal, então eu sempre fui ligado no assunto, eu sempre quis entender, os anos 90, desculpa, os anos 80 a tal década perdida que basicamente é minha adolescência, quer dizer, eu começo em 1980 com 10 anos, em 90 eu tinha 20, foi uma década muito rica de eventos políticos que para um adolescente que gosta de política, aquilo foi tudo muito interessante, quer dizer, foi muito estimulante em termos de querer saber e entender o que estava acontecendo, mas…

Luciano          Só para quem é novinho e está ouvindo a gente aqui, isso era final de regime militar…

Alexandre      … diretas já, 84…

Luciano          … diretas já, Tancredo que assume e morre, Sarney, inflação de 80% ao mês…

Alexandre      … o plano cruzado em 86…

Luciano          … plano cruzado, inflação lá em cima, aquela loucura toda…

Alexandre      … os planos heterodoxos…

Luciano          … até chegar lá na frente no Collor…

Alexandre      … as moedas, tudo mudando…

Luciano          … até chegar no Collor com a primeira eleição direta depois de quase trinta anos, quer dizer, foi ebulição mesmo.

Alexandre      … e aquela história, você tinha aquela visão de direita e esquerda naquela época onde basicamente se você era um cara de direita você era um defensor do regime militar, da tortura, do arbítrio, em compensação, se você fosse o cara de esquerda, você era o cara que tinha preocupação social, você era o cara que ouvia o Chico Buarque, você era o sujeito bacana, que todo mundo gostava, então assim, você tem…

Luciano          E era Arena na direita e MDB na esquerda, eram dois, era Fla x Flu, estava muito claro as duas posições ali.

Alexandre      … é o bem e o mal, era uma coisa muito delimitada e muito clara principalmente quando você tinha lá 14,15, 16 anos no colégio e os teus professores… e é uma diferença, é uma coisa que você não… não é tão fácil explicar para a molecada hoje que que era o mundo pré-internet, mas quando seu professor no colégio, você tem 14 anos e o seu professor de história diz que Cuba é maravilhoso, você não tem o Google para ver que não é, você não tem um blogueiros de direita te explicando que não é, você não tem uma TV a cabo com 150 canais ou um documentário que você vê no seu computador, no seu celular porque nada disso existia, onde você tivesse um acesso a uma versão diferente do que o seu professor do colégio estava te falando, então ali, se hoje você tem essa coisa de doutrinação do colégio tal, que é óbvio que existe, é óbvio que é uma coisa muito complicada e que a gente combate, mas naquela época era muito pior porque você não tinha para onde fugir, você não tinha nenhuma outra versão da história, você não tinha como confrontar a versão ideológica do seu professor do colégio e quando você chegava em casa e ligava a globo, você ia ver a novela escrita pelo Dias Gomes, um membro do Partido Comunista, então… ou da Janete Clair ou então daquele pessoal…

Luciano          E o cheiro dos generais estava muito no ar ainda, todo lado tinha general, tinha o Newton Cruz com aquela truculência toda, o final daquela coisa que era um exemplo acabado, fala isto é um militar, isto é um general, é isso que nós somos contra e para um garoto não tem como não ser contra aquilo.

Alexandre      … isso, exatamente. Então é claro que o adolescente foi de esquerda ou que eu achava que era de esquerda, mas tem uma coisa engraçada que era o seguinte… e aí eu tinha, eu era o mais novo, que eu era um ano adiantado, eu tinha, por exemplo, quando eu tinha 13 anos, todo mundo na minha sala tinha 14, eu tinha pulado um ano e aí tinha um amigo meu da minha turminha do colégio que ele já tinha repetido duas vezes, então ele era três anos mais velho que eu e quando você tem e alguém tem 16, três anos é uma diferença, o cara parece seu pai, enfim, tinha três anos a mais do que você é uma coisa, o sujeito é teu ídolo, é uma coisa intelectual, você acha o cara o guru e esse era um cara muito de esquerda e era o cara que lia os livros e tal e ele começava e falava para a gente, ficava explicando como que a esquerda era bacana, o socialismo, Cuba e tal, ele foi uma influência nessa época, eu menino e ficava ouvindo, achava bacana e aí ele começou, falou não, vou te levar, e ele viu que eu era mais interessado no assunto e ele começou a me levar, me levou em algumas reuniões do Partido Socialista, do não sei que, isso eu já com 15, talvez 16 e só que eu brinco, eu falo que é verdade, eu falo assim, eu era um esquerdista incompetente, eu não sou de esquerda por absoluta incompetência, porque eu chegava na reunião do partido e aquele pessoal, aquela coisa toda e eu levantava a mão, começava um debate, eu levantava a mão, mas por que que não pode sair de Cuba? E todo mundo cala a boa, e eu falava, eu queria entender, eu tinha uma curiosidade legítima de… falava assim me explica, por exemplo, os anos de 81 a 90, o presidente dos EUA era o Reagan e o Reagan era tratado pela imprensa, pelos jornais, até hoje, mas enfim, como idiota cowboy, descerebrado, enfim, e o Reagan…

Luciano          Era o Trump da época.

Alexandre      … isso, exatamente. Porque isso eu tento falar com a meninada hoje, é que vocês não viveram o Reagan, é a mesma coisa e o Reagan fez os EUA crescer uma Alemanha, o Reagan, ele em 84, senão me engano, foi 7% de crescimento do PIB, você crescer 7% da economia americana num ano, ele tendo recebido o país do Jimmy Carter quebrado, com inflação, com desemprego, assim, a narrativa ali da imprensa, dos meus professores não batia muito com a realidade e eu achava aquilo estranho mas eu ainda não achava que eles estavam errados, eu achava que que eu não estava entendendo, porque eu olhava os EUA crescendo, inventando os computadores, os vídeo games, aquela revolução incrível que foram os anos 80, o país naquele desenvolvimento todo e aquele resgate que foi do orgulho do americano com os oito anos do Reagan e terminando inclusive com o fim da guerra fria e com a queda do muro de Berlim. Mas os meus professores falando que ele era um idiota, a Globo falando que ele era um idiota e todo mundo falando e eu achava que a história não batia, porque as coisas estão dando certo lá, por que que ele é um idiota? Mas eu ainda não achava que eu estava sendo doutrinado, eu achava apenas que eu não estava entendendo, então eu perguntava, mas me indica mais leitura, eu preciso, enfim, e eu já comecei a não ser muito benquisto nas reuniões de esquerda, porque eu era curioso demais e perguntava demais e isso não é bom, enfim… E aí vem a eleição de 89, a primeira, depois de vinte, depois de tantos anos, a primeira eleição para presidente e aí vem essa polarização, o Fernando Collor o cara da Arena, o sujeito da ditadura e tal contra o Lula, contra o presidente operário, o cara que vai cuidar dos pobres, aquele negócio todo e aí nós mergulhamos nessa coisa ideológica, a imprensa inteira de quatro pelo Lula, aquele negócio todo, eu fiz campanha e defendia o Lula, aquele negócio todo, eu tinha o que? 19, 89, 19 e a gente comprava aquela história, mas aí quando o Collor assume e começa com todas as bobagens que ele fez, mas abre o mercado, faz uma revolução nos automóveis e tal…

Luciano          Acaba com a lei da informática.

Alexandre      … aí você começa a falar assim, pô, de repente e tal, mas aí vem a grande revolução que é o plano real, aí o plano real realmente muda a face do país em 94 e eu acho que de 92 a 94, tem um pouco essa minha transição ideológica de eu começar a entender, e aí eu já tinha 22, 23, 24, já tinha vindo morar em São Paulo, já estava trabalhando, você já começa a falar não, espera aí, eu acho que realmente os meus professores e aquela turma que me influenciava ali na faculdade, no colégio, eles não estão contando a melhor história e aí quando vem a URV, que vira o plano real e realmente acaba com a inflação, que eu tinha convivido com inflação minha vida inteire e de repente você tem uma moeda estável, com paridade com o dólar e a gente ganha poder de compra e como eu sou publicitário, eu vi nascer classe C no Brasil, isso é uma coisa que se fala que foi o Lula, não foi, foi nos anos 90, quer dizer, aquelas empresas como a Natura, como Casas Bahia, como a Nivea, até as cervejarias, várias empresas, elas ganharam um porte durante os anos 90 porque o mercado… nasceu um mercado de consumo classe C que nos anos 80 não existia, para trás não existia, então quem viveu esses anos 90 e viu a revolução que foi a estabilização da moeda, a privatização, a lei de responsabilidade fiscal, isso se você estava prestando um pouco a atenção isso tinha que te impactar de alguma forma, então ali nos anos 90 ainda sem teoria, sem nada, mas de observação empírica e de olhar e entender a transformação que o Brasil estava passando, aí não tem como resistir à onda de você entender para que lado, qual é o lado certo da história, vamos dizer assim.

Luciano          Como é que essa percepção impactou na tua vida profissional? De novo, dois universos, o teu universo, a discussão ideológica e o universo do dia a dia onde tem que dar lucro etc. e tal, como é que essa visão de ir para um lado, para o outro, pra o livre mercado, não o livre mercado, como é que isso impactou no teu trabalho como publicitário?

Alexandre      Olha, o impacto foi o seguinte, eu me apaixonei pela livre iniciativa e pelo empreendedorismo, então quando você está trabalhando em publicidade você é um vendedor em massa de produtos e eu tinha um senso de missão ali no meu trabalho, eu achava que tinha uma função social no meu trabalho, de pegar empresas que tinham bons produtos e fazer com que aquela mensagem chegasse aos consumidores e os consumidores descobrissem que eles tinham boas opções de produtos, baratos, disponíveis e que resolviam problemas para eles, então eu fazia aquilo com amor, achava que aquilo estava certo, achava que aquilo faria crescer a economia, gerar emprego. Então quando eu comecei a entender como o empreendedorismo e a livre iniciativa melhoram o país e geram oportunidades e eu estou inserido naquele meio como o braço de marketing e comunicação dessas empresas, aquilo realmente porque tem muito publicitário de esquerda, por incrível que pareça, muito cara que trabalha na área, mas ele tem raiva da livre iniciativa e tal, então esse sujeito eu acho que ele deve ser muito frustrado, porque ele é um instrumento do que ele combate e comigo era o contrário, eu era um instrumento daquilo que eu defendia.

Luciano          Precisa ver que interessante que você está falando ai, quer dizer, que no momento que você consegue compreender essa, como é que eu vou dizer, esse contexto todo, essa mudança toda e você entende aquilo você acha o teu lugar e aquilo te dá um propósito, quando você fala eu trabalhava com o maior tesão porque eu estava fazendo um negócio que eu acreditava naquilo, quer dizer, havia um propósito ali que era muito mais do que fazer um textinho, você  falou pô, esse meu textinho aqui está cumprindo uma função social e acho que isso faz toda a diferença, até para te empurrar para sair de casa de manhã com tesão para fazer as coisas acontecerem, mas faz parte escutar música, deixa eu ouvir a música que está tocando aqui, entender onde  é que eu me situo aqui dentro, isso é fundamental e eu, infelizmente eu não vejo isso acontecer ainda hoje porque continua separado, continuam dois universos muito separados ali. Bom, passa o tempo, você aqui em São Paulo, se transforma em publicitário, eu não sei para onde é que você foi parar, se você foi trabalhar para alguém ou continuou como sócio da empresa?

Alexandre      Eu fui executivo de algumas grandes empresas, da Leo Burnett, da Ogilvy, fui vice-presidente da Thompson, fui diretor de criação Brasil da Wunderman, passei bem, fui da Young do Brasil.

Luciano          Então, de repente você começa a liderar equipes, chega lá e tem quatro neguinhos que chegam lá e batem na porta, chefe Alexandre, como é que eu faço? Etc. e tal e você tem que ir além do teu trabalho de redator, tem um cara que está, entrou na tua sala chorando porque a mulher dele está com problema, está grávida e não consegue dinheiro para tratar e o cara está desesperado e você se vê envolvido com um universo que não é o teu, agora é, agora eu sou chefe. Alguém te preparou para ser chefe, ser líder, etc. e tal?

Alexandre      Não. Eu claro, eu como fui criado num lar de empreendedores eu via como é que meus pais lidavam com seus empregados, mas era uma experiência indireta, eu sei que eles sempre foram muito amigos e muito humanos, até hoje quem trabalhou com eles, até hoje respeita e gosta e tal, enfim, eu tinha esse exemplo, o exemplo de que você ter funcionários e colaboradores não é você ter inimigos ou gente que você tem que explorar e sugar e tirar o sangue, enfim, isso eu via dentro de casa, isso eu via com a experiência dos meus pais, mas isso não te prepara muito para esse universo maluco da propaganda, onde você tem uma competitividade absurda, você tem poucos cargos que pagam muito bem para pouca gente e muita gente querendo seu emprego o dia inteiro ou se digladiando ali com muitas questões. Então assim, como é que eu me preparei? Primeiro, como a formação, eu saí da faculdade e eu muito rapidamente vi que não tinha uma formação acadêmica muito específica para trabalhar com propaganda, uma coisa que eu fiz muito garoto ali nessa época, com 19, com 20, eu vim para São Paulo, fui no clube de Criação de São Paulo e o Clube de Criação de São Paulo edita todo ano um anuário dos anúncios e aí eu cheguei, juntei o que eu tinha de dinheiro, falei assim eu quero todos, ai o cara como assim? Tudo, que número que está? Sei lá, devia estar no 22, sei lá, eu falei assim, ou 18, não lembro exatamente. Eu falei tem 18? Eu quero os 18?

Luciano          Você comprou?

Alexandre      Comprei.

Luciano          Você comprou todos os anuários?

Alexandre      Todos que tinham disponíveis, do primeiro ao último, por acaso o primeiro, se não me engano, estava em falta, eu quis comprar mas não estava à venda no dia. Mas o que tinha para vender eu comprei e eu li um por um, página por página, ficha técnica por ficha técnica, texto por texto. Eu entendi que eu falei olha, eu preciso, isso é uma coisa que eu, eu falei eu preciso ter critério, já que ninguém me ensinou a ter critério, eu preciso entender, ah porque eu tinha lido um livro do David Ogilvy e aí eu comecei a ler, o David Ogilvy escreveu vários livros, eu comprei e li e uma…

Luciano          Para quem não é do ramo, David Ogilvy é o Steve Jobs da propaganda, entendeu? Ele está no mesmo patamar ali, o que o Steve Jobs é, ele é para a propaganda, o guru, o máster.

Alexandre      … e quando eu descobri quem era, eu vi que ele tinha escrito alguns livros, eu comprei e li os livros, livros muito agradáveis, bons de ler, com excelentes dicas para quem está começando na profissão e eu me lembro de uma das coisas que ele tinha escrito é que ele falou o seguinte: o bom redator não é quem tem uma boa ideia, o bom redator é aquele que tem cem ideias e ele sabe quais são as noventa e nove que tem que jogar fora. Então essa frase me marcou e eu falei bom, então o nome do jogo não é só redação, mas é também edição, é você ter critério para você olhar e você conseguir saber o que é bom o que é ruim, porque você faz um brainstorm você vai ter dez, vinte, trinta, quarenta ideias, mas o que que vai te dizer ali dentro de uma coisa meio que você está tirando do ar, o que que aquilo vai dar resultado, não vai, o que é bom o que não é. Então eu falei preciso de critério. Falei bom, então vamos ver o que que é a própria profissão premia, o que que a própria profissão diz que é bom e dá prêmio e diz que é um trabalho de qualidade, então eu fui e comprei esses anuários e virei todas as noites que eu podia virar lendo um por um, eu li cada página, cada ficha técnica, cada anúncio, cada texto e eu acho que ao final eu comecei a ter algum critério, você começa a falar ah, isso aqui é bom, ah entendi, isso aqui é interessante, porque aí você  começa a fazer também uma engenharia reversa na cabeça que você olha aquele anúncio de carro e aí você fala assim bom, então alguém pediu para fazer um anúncio daquele carro, qual foi o caminho para chegar nessa solução e você começa a montar um pouco aquele caminho na cabeça para você tentar reproduzir quando você tiver que fazer o seu anúncio de carro…

Luciano          Você estava independente, você estava fazendo uma pós-graduação independente em casa, como é que é? Homescooling, é isso aí.

Alexandre      … eu não tinha pensado nesses termos mas é, foi um homescooling…

Luciano          Homescooling por conta própria, quer dizer, sem parar de estudar nunca, que quando você sentar lá para examinar aquilo que deu certo você está fazendo exatamente isso, estou estudando o tempo todo. Legal.

Alexandre      … e aí, quando eu achei que comecei a desenvolver realmente algum critério e consegui olhar para um trabalho e ver, ah isso aqui é bom, isso aqui não é, isso aqui é para jogar fora, isso aqui vale a pena, aí eu acho que eu comecei num caminho importante inclusive para começar a subir na profissão, começar a ter cargos na profissão, por quê? Porque aí você vai chefiar equipe e como para quem está na área de criação, o que que é o trabalho do diretor de criação? E o meu primeiro cargo de diretor de criação numa multi, eu tinha 24 sei lá, eu era garoto, todo mundo que trabalhava para mim era mais velho do que eu, era mais experiente, tinha mais tempo, então eu… quando eu estava lá no dia a dia, o que que era o meu trabalho? O meu trabalho era alguém que trabalhava para mim e muitas vezes, quase sempre mais velho do que eu, chegava para mim e falava assim olha, para resolver esse job aqui, para resolver essa campanha, eu tive a seguinte ideia…

Luciano          Aqui estão os noventa e nove textos que eu fiz, você era o cara que ia pinçar, joga esses … aqui estão os cem textos que eu fiz e você é o cara que diz joga fora esses noventa e nove.

Alexandre      … pois é, e também fazer uma coisa que é realmente muito chata do dia a dia da profissão que é falar assim, essa ideia não é tão boa, vamos trabalhar um pouco mais, vamos buscar um outro caminho, acho que isso aqui não resolve e tal e quando você é um menino e você está falando isso, de repente, para um cara que tem o dobro da sua idade, não é fácil porque o sujeito acha que terminou o trabalho, quer pegar outro, quer ir para a casa, quer não sei o que, quem é esse moleque que está dizendo para mim que…

Luciano          Até porque não é matemática, aquela matemática que você estudava lá atrás, se 2 e 2 não der 4, está errada a conta e agora você chegou diante de uma situação que você fala esse amarelo não orna. Como não orna se para mim está bom?

Alexandre      …  então assim, realmente assim uma coisa que eu também percebi muito rápido é, independente de qualquer coisa eu tinha que ser muito decidido e eu tinha que saber explicar muito bem porque que uma ideia era boa ou não era, então isso eu acho que desenvolvi cedo por absoluto senso de sobrevivência, porque eu comecei a entender que eu era muito jovem ocupando cargos de direção, então se eu não fosse, se eu fosse titubeante, se eu fosse ambíguo, se eu simplesmente, quando olhasse uma campanha falasse ah, não gostei, mas não gostou por quê? Ah porque não gostei, eu ia durar pouco, então aí que eu acho que veio a coisa do desenvolvimento, do critério e também uma certa capacidade até em respeito ao profissional que trabalhava na minha equipe de dizer para ele porque que aquela ideia não era boa, porque que ele deveria fazer outra, porque que ele deveria me dar alternativas e aí eu acho que ao longo da minha profissão eu fui desenvolvendo alguma capacidade, alguma experiência de lidar com essas equipes de criativos que são pessoas muito difíceis, são pessoas como eu, quer dizer, ninguém aqui é fácil, então…

Luciano          Tem um treco chamado ego que ali nas agências é uma doidera aquilo, até porque todo publicitário é um artista, é um artista e quando eu sou um artista é a minha obra, eu não vim te trazer um texto, eu vim te trazer a minha obra e você está dizendo que a minha obra não é legal, você não está discutindo minha ideia, você está discutindo a minha obra, é minha. Para como você se atreve a dizer que esta minha obra de arte, que saiu da minha cabeça não funciona, é duro trabalhar com isso.

Alexandre      … e agora bota isso ainda você sendo um menino falando isso para um cara muito mais velho que você, que quando ele começou na profissão você estava no colégio, de calça curta, então…

Luciano          Você teve um mentor? Você tinha alguém para você chegar lá, encostar no cara e falar me dá uma luz, teve alguém que você…?

Alexandre      … não, acho que os meus mentores foram os autores dos anúncios que eu estudava.

Luciano          Você não teve diretamente em você nada, que você chegava lá…

Alexandre      Não, nessa primeira empresa que eu trabalhei, que eu te contei, com 19 anos, eu acho que eu tive bons exemplos, esse cara que era meu chefe teve essa boa sacada, mas foi muito no início, muito… quando eu vim para São Paulo, aí eu estava por mim e eu acho que eu convivi com caras muito bacanas, eu aprendi, mas não vou te dizer que eu tive o meu Obi-Wan Kenobi, vamos dizer assim, para pegar o jovem padawan e falar você vai virar jedi, mas eu acho que eu consegui aprender, claro, trabalhei com caras realmente muito bons e você vai aprendendo, convivendo com um, com outro, você vai juntando e aquilo forma a tua experiência, mas eu acho que essa primeira, esse primeiro salto foi quando eu comecei realmente a estudar o que estava dando certo, com o trabalho dessa cultura da propaganda brasileira que é uma das coisas do Brasil que deu certo, nem tudo no Brasil deu certo, mas a propaganda brasileira é reconhecida no mundo inteiro, é uma das…

Luciano          Até hoje, quer dizer…

Alexandre      … até hoje

Luciano          … aquilo que começou nos anos 80 a brilhar, até hoje brilha. Eu entrevistei o pessoal da Meio e Mensagem, eles estão voltando da Europa, acho que de Cannes, voltaram de Cannes e voltaram cheio de leão na bagagem, cheio de leão, então a gente continua…

Alexandre      … sim, fazendo estado da arte, a gente tem, a gente não deve praticamente nada a ninguém… a gente está facilmente entre três e cinco, depende do ano, às vezes é a melhor do mundo, às vezes o segundo, às vezes o terceiro, mas nós temos um trabalho que é do estado da arte, da propaganda mundial, então a gente, eu tinha bons exemplos, mesmo que eu não tivesse trabalhando diretamente com a pessoa, mas como o trabalho publicitário normalmente é público, você de ligar a televisão você está aprendendo, você está vendo o que que o Washington Olivetto está fazendo, o Nizan Guanaes, o Fábio Fernandes, o Alex Periscinotto na época, Alexandre Gama, o Marcelo Serra, esses caras geniais.

Luciano          Isso que eu acho que é fascinante, tanto na imprensa quanto… na verdade são os trabalhos que circulam pela mídia, um jornalista que faz um bom trabalho, você multiplica aquilo por milhões, o cara publica, aparece a imagem dele você está vendo o cara e fala meu, olha que coisa legal que esse cara criou, eu quero criar um negócio igual, então quem trabalha envolvido com as mídias tem essa coisa mágica que é de aparecer com um modelo para todo mundo, então é o que você falou, eu aprendo ao ligar a televisão, se eu sou do ramo eu aprendo ligando a televisão, eu aprendo ouvindo um spot de rádio.

Alexandre      É, mas também aquela história, como tudo na vida é um pacote de dois lados, você também fica muito exposto, quer dizer, quando você faz um trabalho que não é um trabalho de qualidade, você faz também publicamente, então também todo mundo vê quando você deu um tiro na água.

Luciano          Eu brincava com o meu pessoal quando eu fazia, na época da empresa, a gente fazia muitos catálogos, ia editar o catálogo, o cara vinha me trazer, estava tudo pronto, estava aprovado, falava você olhou direito, porque se você fizer uma cagada, a hora que a gente apertar o  botão aqui vão sair 25 mil exemplares, você vai… a tua cagada vai virar vezes 25 mil, não tem como buscar lá fora, olha direito, que é essa coisa da visibilidade. E aí, você continuou nisso e um dia você para, decide que deu, o que que você fez?

Alexandre      Não, na verdade assim, eu… teve uma coisa de vida, 2002 eu… quando eu já estava um pouco, eu abri uma agência, depois eu trabalhei nessas multinacionais que eu te falei, mas em 2002 eu já estava meio cansado, estava querendo abrir meu próprio negócio aí nesse ano foi um ano que eu casei, tive filho, aí falei eu quero dar uma mudada no meu ritmo, eu estava com aquele ritmo de vida de executivo, aquilo você não tem vida e eu falei não, quero curtir, quero curtir minha filha que está nascendo, quero ter uma relação um pouco mais saudável com o trabalho, eu com 32, eu já trabalhava há muitos anos, já tinha tido alguns sucesso profissional eu já achava que dava para tirar um pouco o pé do acelerador.

Luciano          Aí você teve a maravilhosa ideia de se transformar num empreendedor brasileiro.

Alexandre      Exatamente.

Luciano          Eu sei o que é isso.

Alexandre      Eu tomava decisões melhores com 19 do que com 32.

Luciano          Vou ser um empreendedor brasileiro, puta, mal sabe ele.

Alexandre      E foi isso, eu montei um negócio, claro, muito menor do que qualquer outro que eu trabalhava mas que me dava uma relação mais saudável com o trabalho, dava para ganhar o dinheiro que eu… honesto para pagar minhas contas e ter a vida que eu achava que eu gostaria de ter e eu tive o meu negócio de propaganda de 2002 a 2013, 14 por aí, então também foi uma história bacana, mas aí em 2014 também fui pego por uma crise, tinha um cliente grande, tive uma dissolução de sociedade, aí o cara que era meu sócio resolveu levar esse cliente que era um cliente grande, a gente sentou, fez um acordo, não foi nada… podia ter desandado mas aí eu acho que também entra um pouco da maturidade, você sentar e falar olha, vamos fatiar aqui esse negócio para todo mundo ter o que comer amanhã, do que se a gente brigar vai todo mundo sair com fome, a gente sentou, a gente se entendeu, esse cara que era meu sócio era também um amigo de infância, um cara bacana, a gente conseguiu conversar e ter uma dissolução de sociedade saudável, um divórcio amigável, vamos dizer assim e aí eu resolvi aceitar um convite para trabalhar numa empresa do Rio de Janeiro, aí eu volto a morar no Rio de Janeiro e nessa virada de 2013 para 14 e aí fecho, saio dessa operação e volto. Quando eu volto, eu já estava começando a me envolver com esse mundo aí da política e tal de uma maneira que era, como eu te falei, era uma coisa que eu já gostava, mas eu comecei a levar isso um pouco mais a sério, porque nesse ano de 2013, eu comecei a fazer… aí já tinha o Facebook, a coisa já estava andando e eu comecei a escrever alguns textos no Facebook, no meu perfil pessoal e eu comecei a ver pessoas que tinham uma certa visibilidade, um certo nome, começaram a compartilhar, começaram a elogiar e tal e aí a coisa vai aqui, vai ali, daqui a pouco você fica amigo de um, vai tomar café com outro e tal, a coisa começou a andar e na virada, no começo de 2014 eu acabei conhecendo o Carlos Andreaza, o editor da Record e ele me perguntou, ele falou que eu tinha sido, pela qualidade dos meus textos, eu estava sendo indicado como um possível novo autor para a casa, se eu tinha um projeto de um livro, eu falei que eu tinha, apresentei, ele gostou do projeto e comprou, quando ele comprou eu falei bom, agora a coisa é séria, então eu paralelamente ao meu trabalho de propaganda, porque quando eu voltei para o Rio eu assumi a criação de uma agência do Rio, mas na paralela eu fiz essa página no Facebook, que é provavelmente da onde a gente se conhece e comecei a escrever, começou a ter uma certa popularidade, começou a aumentar o número de seguidores, aumentar bem, comecei a trabalhar nesse projeto do livro e a coisa foi, a partir de 2014…

Luciano          O livro não saiu ainda?

Alexandre      … ainda não, estou terminando. Aí já é outra história e eu vou te contar. Mas eu comecei a trabalhar na paralela enquanto… e até o começo desse ano, até o começo desse ano eu estava nessa agência como diretor de criação e tentando conviver com os dois mundos da propaganda tradicional de produto com a da política e aí esse ano, como é um ano de eleição, eu resolvi dar uma outra guinada na vida e em março eu peguei uma campanha política para fazer, para me dedicar integralmente, aí me desliguei dessa empresa que eu estava trabalhando e assumi uma campanha no Rio de Janeiro que foi até domingo agora, porque a eleição foi domingo, então esses meus últimos meses foram trabalhando essa campanha…

Luciano          Bom, se você parou então você não era campanha nem do Freixo… para quem que era a tua campanha?

Alexandre      Era para o Flávio Bolsonaro…

Luciano          Flávio Bolsonaro.

Alexandre      E foi muito bacana fazer, foi uma experiência maravilhosa, foi um grande aprendizado para todo mundo e nós terminamos num quarto lugar muito honroso com 424 mil votos, na verdade nós fomos muito prejudicados com uma pesquisa que saiu na véspera, do Datafolha que disse que o Flávio tinha oito e induziu muito voto útil, então eu não sou mau perdedor não, mas eu posso te falar que a gente foi muito prejudicado por essa pesquisa da véspera.

Luciano          Essas coisas acontecem.

Alexandre      Isso.

Luciano          A gente ouve isso de longe, falar não, mas essas coisas acontecem.

Alexandre      Não, e com a gente assim, a pesquisa disse que o Flávio tinha 8% e começou um movimento ah, então ele não tem chance de ir para o segundo turno e no dia seguinte, quando abre as urnas, ele estava com 14, então é lícito imaginar e o terceiro colocado estava com 16, dois pontos só à frente e a migração dele, do Flávio para o Pedro Paulo, para esse cara obviamente o resultado foi invertido, no mínimo, no mínimo eu vejo o Flávio como o terceiro mais votado. Seria se não fosse essa pesquisa da véspera, se não tivesse o segundo turno, porque o Freixo que foi para o segundo turno estava com 18, então nós estamos falando de 18, 16 e 14, são números próximos e esse impacto que esse tsunami que foi a pesquisa, na véspera, a pesquisa do sábado, eu acho que pode inclusive ter tirado o Flávio do segundo turno, então foi uma história muito bacana, que foi legal, eu me orgulho e ao mesmo tempo, na paralela, já como palestrante, com a página realmente indo bem, já tendo… agora já passamos de 81, 82 mil seguidores, mas uma página com muito engajamento, então…

Luciano          Que é o importante. Deixa eu explorar uma coisinha, você sabe que esse programa aqui, eu falei no começo, é empreendedorismo e liderança e acho que você é o primeiro que eu converso aqui que teve esse envolvimento grande numa campanha política e tudo mais e campanha política não é uma questão de você simplesmente fazer um bom produto por um preço honesto bem distribuído, tem coisas em volta que você acabou de falar o lance da pesquisa que é um… troca o lado do vento e no meio do caminho você tem que virar tudo, como é que se organiza uma equipe? Na hora de vamos montar uma equipe, uma equipe para preparar uma campanha política que durante três, quatro meses nós vamos sair por aí tentando chegar no objetivo lá, como é que é isso? Como é que é? Eu imagino que deve ser uma tempestade de susto, toda hora tem que ter um susto?

Alexandre      É o trem fantasma, cada curva um susto…

Luciano          É assim?

Alexandre      … é, claro que é, é alucinado, você entrega… eu, quando montada equipe, eu entrevistava as pessoas, eu falava o seguinte, não estou te contratando, estou comprando a sua alma, você está disposto a entregar a sua alma para mim até outubro? Se tivesse, porque realmente te absorve, principalmente agora nesse mundo de redes sociais, inclusive, você está três horas da manhã tendo que moderar xingamento no Facebook, você realmente não… literalmente você não para, você tem adversário com perfil fake criando boato contra o seu candidato de madrugada, sábado, domingo, de noite, então é um… durante…

Luciano          Eu escrevi um texto há um tempo falando que campanha política no Brasil me lembra muito a eleição do melhor jogador, o bola de ouro do mundo, onde você tem Messi e Neymar e a eleição é para escolher o menos ruim, entendeu? Então qual dos dois é o menos ruim? O menos ruim ganha a bola, porque aqui no Brasil é assim, é pauleira de todo lado, quer dizer, todo mundo sujando todo mundo, aí o que estiver menos sujo a gente acaba elegendo, é uma inversão total, ninguém está lá…. estamos discutindo um projeto para fazer acontecer, não, eu estou me defendendo, eu vi inclusive, eu tive a pecha de assistir todas as entrevistas que todos os candidato do Rio de Janeiro deram lá no jornal da globo, que tem duas meninas, que elas vão para detonar o cara….

Alexandre      Corredor polonês.

Luciano          … sentou na frente, elas vão destruir o cara e ele fica lá oito minutos sendo destruído…

Alexandre      quinze na verdade.

Luciano          … quinze… oito foi na anterior, eu assisti a anterior e assisti essa aqui agora e eu olhava aquilo e falava, mas espera aí, por que isso? Eu fiquei com dó, até da Jandira Feghali, que por mim…

Alexandre      Que foi a primeira na segunda feira.

Luciano          … os caras detonam, eu falei, mas os caras estão discutindo o apoio que ela deu ao Lula e numa eleição para prefeitura do Rio de Janeiro, eu não quero saber dela com o cara lá. Você é um publicitário que é treinado para elaborar o lado bom das coisas e mostrar para as pessoas que tudo é bom, que tudo é lindo e maravilhoso, jogado num ambiente onde todo mundo vai dizer que o que você tem na mão é ruim, quando você fala Bolsonaro então o cara desmaia na rua, se eu chegar e abrir a porta e falar Bolsonaro, desmaia quatro caras na rua. Como é que é para um cara acostumado a lidar com essa coisa de burilar uma boa imagem onde você dificilmente um publicitário chega para um cliente que o cliente tem um produto ruim, mal feito, que é uma merda e fala para o cara, transforma isso aqui numa coisa boa porque ele sabe que a hora que ele contar a história, comprou, viu que era uma merda, vai dar errado, publicitário não faz milagre, como é que faz a hora que um publicitário cai nesse ambiente em que por melhor que seja  produto dele, acontece isso, abriu a boca, falou Bolsonaro, eu vomito na rua, como é que é isso?

Alexandre      Sabe que eu, aí cada um vai olhar de um jeito, mas eu acho que essa é a parte fascinante da história, esse desafio, porque é um desafio maluco, um risco. Você tem muito menos controle do que as pessoas pensam, eu, por exemplo, uma experiência que eu tive fazendo campanha esse ano, foi descobrir que o brasileiro não é só 200 milhões de técnicos, é também 200 milhões de marqueteiros políticos, porque você está o dia inteiro com as pessoas no Twitter, no Facebook, os teus amigos te mandando conselho, o dia inteiro, falando assim: Alexandre, porque que você não fala para a militância ir mais para a rua. Aí fala ah, ninguém pensou nisso, obrigado, que bela ideia, se você não tivesse me falado isso estava todo mundo em casa achando que o certo é ficar em casa, então obrigado. Ah você não acha que o sujeito não devia ter falado tal frase? De repente num debate, eu falo assim acho, mas e daí? Você acha que eu tenho um controle remoto? Você acha que é um vídeo game? Mas é engraçado porque eu vejo muita gente que acha que porque você assume como, vamos dizer, marqueteiro político de um candidato que você passou a controlar como se você tivesse um controle remoto do que ele fala, do que ele pensa, do que ele diz? Não é. Ele é independente, tem as suas próprias ideias e fala do jeito que ele achar melhor, então é uma relação onde você aconselha, onde você orienta, você dá as suas opiniões, você diz para que lado você acha que a campanha deve ir, muitas vezes baseado em pesquisa, baseado em experiência, baseado na leitura, porque aí não é só publicidade, aí isso também acho que é um parêntesis interessante, o que eu acho que me estimula muito numa campanha é porque ela usa duas competências diferentes, que é a competência da política e da publicidade, porque publicitário tem um monte, gente de política tem um monte, mas na hora que você tem alguma experiência tanto com política e conhecimento teórico e prático quando com publicidade, aonde que essas duas coisas se encontram? Se encontram no marketing político, então você consegue, vamos dizer assim, lidar com essas duas áreas de conhecimento juntas e as duas são importantes o tempo inteiro, então eu acho que isso faz parte do gostoso e do desafiante dessa empreitada, mas realmente, você tem um papel na campanha, claro, vai depender do espaço que o partido te dá, da confiança, do próprio candidato, do quanto que ele quer te ouvir ou do que que ele espera do seu trabalho, porque muitas vezes eu vejo candidato que a expectativa que ele tem da sua área de marketing é simplesmente tirar uma foto bonitinha, botar o nome, fazer o banner, fazer o…. e às vezes não, às vezes o candidato, ele quer que você divida com ele algumas decisões importantes, estratégicas, da própria condução da campanha, do discurso, então especificamente nesta campanha você tem uma marca muito conhecida no Brasil, que é a marca da família Bolsonaro, mas é uma marca do legislativo, você tem uma história realmente admirável da família no legislativo, do pai como deputado federal mais votado do Rio de Janeiro, de dois anos atrás, o Eduardo, deputado eleito federal aqui em São Paulo, o Flávio muito bem votado como terceiro deputado estadual mais votado do Rio, no quarto mandato seguido, o Carlos como vereador, então eles têm uma história admirável, acima, não tem o que falar em relação a resultados eleitorais, no legislativo. Mas como é que você faz essa transição do legislativo para uma campanha majoritária, que foi a primeira vez que um Bolsonaro participou de uma eleição majoritária e é uma transição que não é uma transição natural, para ninguém, não é só para eles, é para ninguém. Eu dou o exemplo, um exemplo aqui de São Paulo que é o Celso Russomano, o Celso Russomano ele é o deputado federal mais votado do Brasil tentou ser prefeito de São Paulo em 2012, ficou em terceiro, tentou ser agora ficou em terceiro de novo, então a transferência da sua popularidade como deputado para um eventual candidato a prefeito ou qualquer cargo majoritário que seja, está longe de ser uma transferência automática, o eleitor, ele separa com muita clareza as atribuições de cada cargo, além disso, o legislativo, ele é o terreno da ideologia onde você discute projetos de lei, onde você discute os grandes temas mais políticos no sentido ideológico, o prefeito, ele é o síndico do prédio, o prefeito, ele não tem nada a ver…

Luciano          De gestão que é o que é, é o que elege o Dória.

Alexandre      … isso, o prefeito…

Luciano          Gestão, eu sou…

Alexandre      … é o cara que vai tapar o buraco da sua rua, que vai botar a iluminação pública, que vai fazer com que a praça da esquina ali da rua esteja limpa, segura, então é uma lógica absolutamente diferente da lógica do legislativo, por exemplo, o Uber e o táxi, vamos dizer, que é uma questão municipal quente se você tem um candidato a vereador que defende o Uber e se você tem um candidato a vereador que defende o táxi, quem vai ser eleito? Os dois. Quer dizer, e na verdade meio que um elege o outro, porque se você tem um vereador que diz: eu vou defender o Uber, o sujeito do Uber fala, vou votar nele e ele pega esse pessoal que tal… e o candidato que fala eu vou defender o táxi, o pessoal do táxi… então assim, meio que um elege o outro e vão os dois, cada um defendendo ali um lado da questão. Num cargo majoritário você só tem uma vaga, então você não pode, o prefeito da cidade não é o prefeito ou do Uber ou do táxi, ele é dos dois, então é outro discurso, completamente diferente, então como é que você pega uma marca que é muito associada à ideologia, a posições firmes e claras em relação a uma série de questões e você transforma esse discurso, amplia esse discurso para um discurso mais agregador, para um discurso para eleição majoritária, então esse foi um desafio que eu achei particularmente fascinante de fazer.

Luciano          E foi uma coisa engraçada porque eu me lembro daquela entrevista que eu te falei que eu vi lá…

Alexandre      Que para mim foi o grande momento da campanha.

Luciano          … a discussão das meninas ali era o seguinte, o senhor vai tirar o dinheiro da parada gay? Ele disse o seguinte, não, são 350 milhões que eu vou pegar para usar, vaga em hospital etc. e tal. E aí a menina contra ataca, mas a parada gay traz para nós um bilhão não sei o que de dinheiro, o senhor vai evitar que isso aconteça, não é… e aí eu falei, mas essa é uma discussão ideológica, não é gestão.

Alexandre      Até porque é o seguinte, se o evento é autossustentável, se o evento está dando isso tudo de dinheiro, porque que precisa de dinheiro público? Quer dizer, não faz sentido, o argumento da jornalista ali, claramente não faz o menor sentido, dela falar assim, é um evento que traz milhões que enche os hotéis, que enche os restaurantes, então como é que o senhor não  vai botar dinheiro público? Exatamente porque como ele enche os hotéis e enche os restaurantes, por que que os hotéis e restaurantes não estão patrocinando o evento? Vai buscar patrocínio privado, por que que é dinheiro público, por que é dinheiro do contribuinte que vai para um evento? E aí não tem nada a ver qual é o evento, mas por que você…

Luciano          Pode ser qualquer evento, isso que eu estava pensando aqui agora.

Alexandre      … quer dizer…

Luciano          Qualquer evento.

Alexandre      … então assim, é engraçado porque muitas vezes os jornalistas não conectam os pontos, ele não está vendo que ele está dizendo, ele já está dando a resposta na própria pergunta, um evento que traz 100 milhões, por que não tem dinheiro público? Porque traz 100 milhões, já que dá tanto dinheiro para tanta gente, por que essas pessoas não patrocinam o evento? Por que eu preciso tirar dinheiro da escola pública, do hospital para colocar num evento que traz tanto dinheiro quanto você está dizendo que traz.

Luciano          Porque a discussão não é lógica, a discussão é ideológica. Lógica e ideológica. Tem duas coisas diferentes ali. Legal.

Alexandre      Então o fascinante também desse… porque aí vem um lado de como é que você modula e articula essa mensagem para o eleitor, mas também dentro de algum conhecimento de como é que é a realidade, como é que você argumenta politicamente aquele ponto.

Luciano          Para você, campanha política é algo que você olha e fala assim muito bem, já vi como é que é, legal, deu, nomás, ou você está aí para as próximas.

Alexandre      Ah estou, isso é uma mosquinha que quando morde a gente não é mole não.

Luciano          Morde e pega, não é? Vamos chegar, estamos indo para a reta final aqui. Alexandre, a gente passou por um turbilhão político nos últimos dois anos aqui, aliás, nos últimos três ou quatro meses foi uma coisa absurda que aconteceu no Brasil aqui, essas eleições agora foram uma demonstração muito clara do que o Brasil não quer, o Brasil disse claramente, nós não queremos isso e nos números está demonstrado o que ele não quer. Como é que você vê essa…  o Brasil continua, o Brasil não está dividido, é mentira, ele não está dividido, é muito claro, se você for ver o que o Brasil é, o Brasil é um país a maioria conservadora, mas com uma minoria que grita para cacete que é dona da mídia etc. e tal, então quando você olha aquilo a impressão que você tem é que está dividido, mas esse barulho dá um prejuízo gigantesco.

Alexandre      Eu costumo dizer que o pessoal é 5% da câmara e 95 da imprensa, então você fica com a impressão diferente do tamanho.

Luciano          Pois é e é, e é. O que é que você vê acontecendo agora nessa sequência, o que vai acontecer conosco nessa…. como é que você vê, baseado nessa tua história, do que você viu acontecer, nessa tua batalha, você tem uma posição política muito forte, você está fazendo um trabalho bastante forte ai de municiar com argumentos as pessoas que querem, que precisam defender essa questão do liberalismo, do mercado livre, etc. e tal. Você acha que nós estamos chegando lá? Quando eu falo nós, é porque eu me coloco nesse mesmo lado, nós estamos chegando lá, nós conseguimos entender como é que funciona, aquele tsunami de posições românticas, de aquela ideologia antiga, aquela coisa toda que está tomando conta da molecada até hoje, isso aí esta passando? As pessoas são capazes de olha e falar o seguinte, eu acho que me contaram um monte de mentiras durante um bom tempo aí e eu acho que eu vou olhar para o outro lado, ou vou melhorar ainda a pergunta: o efeito dória, sabe, está bom, chega, já ouvi muito, deixa eu botar um cara agora que até porque se você pegar o mapa da eleição do Dória, o Dória foi eleito em todas as regiões de São Paulo…

Alexandre      65%no Capão Redondo.

Luciano          … exceto duas, e nas duas que ele perdeu para a Marta, que estava com discurso oposto.

Alexandre      É uma cidade dentro da cidade, que é Parelheiros ali que é uma área do status ali que é aquela coisa.

Luciano          Você pode dizer o seguinte, ele foi eleito pela classe D, pela classe E, o pessoal mais pobre elegeu um cara porque ele tinha um discurso, sou novo, cheguei aqui agora, ninguém me conhece, eu vou administrar a cidade. Dá para extrapolar isso para Brasil e imaginar que… sabe, bota… botar mais um quociente, bota uma lava jato na jogada aí, o que você está vendo, esse turbilhão de coisas que estão acontecendo aqui agora?

Alexandre      Eu vou te falar que eu acho que tem uma coisa muito boa e outra não tão boa, o que é muito bom? É o Dória, eu acho que o Dória é realmente uma coisa que está fazendo a gente acordar de bom humor, quer dizer, esse fenômeno de uma vitória no primeiro turno, essa vitória acachapante, essa goleada que ele deu em tanta força do atraso, em tanto discurso antigo, foi talvez a grande notícia política dos últimos tempos, então não tem como não estar feliz pelo Brasil, por São Paulo, pela vitória e a vitória como foi, quer dizer, uma vitória sem… foi 7×1, quer dizer, não é que foi uma coisa ali no fotochart ali, quer dizer, foi uma vitória… e uma vitória de um político, quer dizer, de um agora de um político e novo líder da cidade que primeiro ele teve que vencer inimigos internos dentro do próprio PSDB, então você tem uma ala muito esquerdista, antiquada, que sempre serviu de linha auxiliar do PT e que quando aparece um cara como o Dória que é pela primeira vez um dos poucos caras que você pode chamar de um liberal dentro do PSDB que é um partido de centro esquerda, vamos avisar os meninos que tem gente que acha que o PSDB é um partido de direita, um partido liberal e é um partido centro esquerda, um partido socialista no sentido mais ocidental, fabiano ali aquela coisa, tanto que teve um movimento enorme de caciques e velhas figuras do PSDB que abandonaram o Dória, deram as costas e foram apoiar a Marta, o Matarazzo e saíram da campanha, que é outra boa notícia. A primeira coisa que o Dória fez antes de limpar as praças e as ruas, foi limpar o PSDB, uma maravilha e você vê um empresário que é um empreendedor, isso é uma coisa que eu gosto sempre de falar, empresário, basta você tem uma empresa, empreendedor é outra história, o cara que resolve problema, inova, cria produtos, atende mercado e o Dória indiscutivelmente é um empreendedor e ele também é uma pessoa de sucesso e que não tem vergonha do próprio sucesso, então você vê alguém chegar num debate e quando a Erundina vira para ele e pergunta do valor da mansão e ele fala om orgulho do valor da mansão e dos 250 mil que ele paga de IPTU, o Brasil precisa disso, o Brasil precisa venerar o sucesso, o Brasil precisa ter bons modelos de trabalho, de ética do trabalho, de busca de sucesso, pelo trabalho, trabalho honesto, duro, então assim, então o dória é um conjunto de boas notícias muito interessante que a gente tem que olhar e aplaudir e o eleitor da classe C, D, ele sabe disso muito mais do que o cara da classe média, do cara da classe média que ainda mora com a mamãe e com o papai, que paga faculdade para ele, então ele não tem noção do que é a vida desse sujeito que acorda às quatro da manhã, que pega trem e esse cara quer melhorar de vida, ele quer trabalhar, ele quer ter sucesso, ele quer sair da condição que ele está e ele vai fazer como? Trabalhando, ele entende essa lógica que muitas vezes o menino ali da faculdade federal, sustentado pelo papai, eu sempre digo, socialismo é um luxo, não é para qualquer um, então assim, eu acho que isso explica o fenômeno do Dória e eu acho o fenômeno cultural inclusive muito positivo e aí vem para o que eu acho que é o problema, o problema é o seguinte, como o Dória é empresário e fala muito de iniciativa privada e tal, você volta a ter muito liberal com essa ideia que eu acho talvez o grande problema, pelo menos a 100 anos, dos liberais, parte disso eu vou falar no meu livro, inclusive, que é fugir das discussões dos temas sociais e culturais e achar que você resolve a conversa com economia e isso é de uma tremenda burrice, na verdade até teoricamente isso se você comprar a conversa do Marx que quem define a sociedade é a economia, então tem muito liberal que eu chamo de Marxista da direita e eles ficam meio mal humorados, mas literalmente são, quer dizer, eles acham que você defende…

Luciano          É a economia estúpido

Alexandre      … é, o que é uma bobagem, então na verdade o ser humano ele é moral, o primeiro nível de instância de pensamento que vai fazer você formar a sua decisão, é o que você acha que é certo, o que é errado, o que é justo, o que injusto, o que é moral o que é imoral, o que é ético, o que não é, e tem pelo menos 100 anos que nós estamos tomando uma surra da esquerda nessa discussão por abandono. Não porque o nosso argumento não seja bom, o nosso argumento é muito melhor, mas a gente abandonou, a gente resolveu falar como economista e nós estamos apanhando e tem muito, vamos falar, muito idiota, infelizmente, que acha que ainda não entendeu, então me preocupa muito quando eu vejo gente que é bem intencionado mas que acha que a discussão política pelo lado, o combate à esquerda é ficar falando só em melhoria de gestão, de governo, de redução de carga tributária, de abrir empresa em cinco dias, tudo isso é ótimo, claro que eu quero…

Luciano          Mas é um lado só, é só o lado do problema.

Alexandre      E na verdade um lado pequeno, não é o lado grande, o lado grande da história é você conseguir mostrar para a sociedade que a sociedade liberal é a sociedade mais justa, ela é a sociedade também moral, a sociedade da livre associação voluntária, onde as trocas são feitas em benefício mútuo e que constrói as melhores sociedades, também no nível moral, ético e de justiça, então esse argumento tem que ser feito e eu quero que essa discussão não é porque de repente a gente teve essa, nós, o nosso lado teve essa vitória com o dória que a gente não entenda a importância dessa discussão que é de todas a mais importante, eu quando estou falando esse assunto, eu faço um exemplo meio radical, mas você vai entender meu ponto, o exemplo radical que eu dou é o seguinte: eu comparo com o caso da Suzane Von Richtofen que eu digo o seguinte, ela tinha uma herança para receber, ela era uma moça filha de pais com dinheiro, com uma boa situação financeira, então em algum momento ela ia receber a herança, então o que ela fez? Ela resolveu receber a herança mais rápido, é uma decisão econômica justificável, mas é uma decisão imoral, a maneira como ela resolveu adiantar a herança, que ela podia demorar 10, 20, 30, 40 anos para receber, ela resolveu mais rápido, ela resolveu tomar uma decisão que é economicamente justificável, mas não é justificável moralmente. Ela tomou a atitude que você sabe, então o que eu falo é o seguinte, gente não pode na discussão econômica, da discussão política, soar como se a gente estivesse defendendo a Suzane, como se a gente estivesse falando das decisões que podem ser economicamente viáveis, mas são imorais, quer dizer, a gente tem que explicar antes que o que a gente está defendendo é moral e é o certo e é o justo e é o que constrói a melhor sociedade, então eu estou muito feliz pelo dória, acho que ele vai avançar São Paulo e ele é muito importante e eu espero que ele seja um grande prefeito durante dois anos até para eventualmente ser governador de São Paulo ou até candidato a presidente, eu gostaria muito que isso acontecesse, mas por outro lado eu não gostaria que os liberais, conservadores falassem, começassem a dar hi five, falar já ganhamos, vamos relaxar porque não, nós não fizemos nada ainda.

Luciano          Eu gostaria de botar na boca do Dória agora o discurso do Lula, quando o Lula ganhou a presidência de república pela primeira vez e no discurso ele falou uma coisa que aquilo ficou marcado, eu não tenho direito de errar, ele falou exatamente isso, eu não tenho o direito de errar, porque se eu errar, nunca mais um operário vai assumir, isso é uma bobagem toda lá, mas esse eu não tenho direito de errar, mais ou menos está colocando, quando você vem aqui com essa ênfase, pô que legal, o Dória tem que botar na boa o seguinte, eu não tenho o direito de errar, porque se ele errar nunca mais um empresário, está vendo, eu falei, o cabra veio defender os outros. Que país maluco. Meu amigo, chegamos lá, a gente até estourou um pouquinho do tempo aqui, mas é bom, isso é sinal que o papo foi muito bom. Meu caro, se alguém quiser conhecer um pouco mais do teu trabalho, saber como é que é, onde é que encontra o Alexandre, onde é eu estão tuas obras, como é que faz?

Alexandre      Bom, basicamente hoje em termos de política, é a minha página no Facebook que é o Centro ali, só entrar, buscar Alexandre Borges lá.

Luciano          Não vai cair no ator, não vai ter o filminho do…

Alexandre      De jeito nenhum…

Luciano          É Alexandre Borges mesmo…

Alexandre      … isso…

Luciano          … é facebook.com barra…

Alexandre      … só que como ele já tinha pego, eu registrei com dois r’s, para ficar bem carioca…

Luciano          … então é Alexandre Borrges

Alexandre      … porque não estava disponível, mas lá eu acho que é, primeiro, para me achar é mais fácil, eu espero também agora na virada do ano já estar concluindo o meu livro, eu espero fazer um book tour pelo país e voltar com as palestras, enfim, então eu estou querendo toda oportunidade que eu tiver de poder trazer para discussão política uma visão fora dessa matriz de esquerda e a gente conseguir olhar para o que deu certo no mundo e tentar fazer o que a gente puder dentro do nosso papel para que as pessoas sejam mais livres para empreender, para trabalhar, para poder ajudar a construir uma sociedade melhor, mais livre, mais justa nesse sentido, mais onde você possa escolher o que você vai fazer e fazer dentro da sua competência, da sua vocação e o que te faz feliz e o que resolve um problema de mercado e quem vai te dizer isso é o mercado, e que você… porque o Brasil, ele é um, muita gente não sabe disso, mas o Brasil é um dos países menos livres em termos de economia do mundo se você olhar os rankings, o Brasil é um país quase…

Luciano          O pessoal vem falar pô, essa país capitalista, a gente nunca soube no Brasil o que é capitalismo, não tem a menor ideia do que seja, isso aqui está tudo controlado, o estado com a mão gigantesca em cima, então quem fala não sabe do que está falando. Quem foi que falou para mim aqui outro dia? Eu não me lembro se foi o Leandro Narloch, foi alguém que eu entrevistei e que me disse que o sonho dele era que a gente conseguisse pegar a população brasileira e botar para viver três meses em países onde existe o capitalismo e falar, bota os caras lá, deixa viver um pouco lá e traz de volta, e aí quando experimentar o que é, eles vão entender a diferença que é para o que nós temos aqui.

Alexandre      Até porque a gente acredita que é a ordem natural espontânea da associação humana.

Luciano          É isso aí. Meu caro, muito obrigado pela presença, valeu, grande conversa aí, vamos adiante e nós vamos fazer mais algumas bagunças juntos aí.

Alexandre      Não tenho dúvida, obrigado, grande abraço para todos aí.

Transcrição: Mari Camargo