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Ciça Camargo -

Luciano          Muito bem, mais um LíderCast, hoje é um daqueles programas que eu adoro, aliás eu gosto de todos, mas tem alguns que eu gosto em especial, porque eles abordam segmentos da sociedade ou áreas de atuação que tem tudo a ver com aquilo que eu amo fazer e hoje não vai ser diferente. Hoje nós vamos falar um pouco de mídia, especialmente das novas mídias que estão por aí e a minha convidada aqui hoje eu encontrei porque eu sou leitor compulsivo, acabei entrando em contato com eles, aliás, minto, uma amiga minha que trabalha com eles me escreveu, ah estou trabalhando aqui. Eu falei ah não, você vai fazer a ponte e eu vou fazer esse convite, então já agradeço à Raissa aqui por ela ter feito essa ponte. Começo o programa com três perguntas que são fundamentais, que você precisa pensar muito para responder, cuidado hein. Preciso saber seu nome, sua idade e o que é que você faz.

Paula             Minha idade?

Luciano          Tem mais de 30.

Paula             Sim, claro.

Luciano          Então pronto, está resolvido. Então vamos lá, seu nome e o que é que você faz.

Paula             Então, meu nome é Paula Miraglia, eu sou antropóloga de formação, posso falar um pouquinho mais disso, mas hoje em dia eu sou uma das fundadoras do Nexo Jornal. É um jornal 100% digital, provavelmente o primeiro veículo, primeiro veículo a ser chamado de jornal que tem um DNA 100% digital, que foi lançado no Brasil… foi lançado em novembro do ano passado, foi ao ar em novembro do ano passado, então a gente está prestes a completar um ano.

Luciano          Um ano, que legal. E já fez um baita barulho ai, foi legal, foi uma surpresa, até porque a gente muito do que a gente vê aí são transições, então são jornais que vêm do modelo antigo para o modelo novo, estão tentando desesperadamente fazer uma transição para o digital, combinando ainda dois modelos antigos e vocês entraram de cara no “somos digitais” desde o momento em que eu vou escolher o lugar onde eu vou trabalhar. Foi assim?

Paula             É, a gente, na verdade assim, acho que teve um processo ai de formação quando a gente decidiu, eu tenho dois sócios no Nexo, a Renata Rizi e o Conrado Corsalete que são os outros fundadores junto comigo e quando a gente decidiu, começou a pensar no projeto do Nexo, a ideia era sempre… começou como um projeto integralmente digital e acho que isso se explica de várias maneiras, acho que tem uma frente aí que é, enfim, a natureza do jornalismo que vem sendo produzido hoje e o que o digital viabiliza, então você tem hoje, quer dizer, não o Brasil, mas também muito fora do Brasil isso, fora do Brasil foi uma reflexão que começou há algum tempo, essa transição de veículos tradicionais inclusive para o universo digital. Então você tem jornais como o New York Times, o Guardian, que fizeram investimento grande aí para se pensar nessa versão digital sem abandonar o papel, mas como é que eles iam lidar com as possibilidades que estão colocadas aí num mundo digital, enfim, o que você pode fazer estando também produzindo conteúdo para internet e essa é uma reflexão que começou a acontecer no Brasil também, claro que ela passa por uma crise, eu não diria, eu não gosto de pensar na crise do jornalismo, eu acho que tem uma crise do financiamento do jornalismo, também a gente pode falar mais disso, uma crise da credibilidade da produção de informação. Não adianta a gente só culpar o dinheiro, eu acho que tem uma crise, uma reflexão crítica também sobre o status da informação que circula hoje, então a gente viu aí uma oportunidade, quer dizer, você tem veículos que estão, veículos importante que estão privilegiando o digital, o new York Times chegou agora a um milhão de assinaturas digitais, então não é um negócio paralelo, não é um negócio pequeno, é um negócio relevante para veículos extremamente importantes, então isso para a gente já sinalizava que tem um caminho aí e tem um outro lado que é, antes se você fosse ter essa conversa há dez anos, para você falar “vou ter um jornal”, isso envolve maquinário, distribuição, um volume de dinheiro astronômico, não que seja pouco o que você precisa para montar uma redação como a gente montou, mas assim, são outras proporções…

Luciano          Suja a mão para ler…

Paula             … é totalmente outra estrutura, então a gente estava diante de uma oportunidade, que a gente podia falar vou lançar um jornal, ou o fato de que ele seria 100% fazia da iniciativa também essa iniciativa, ela se tornava mais viável e não era por isso que ela deixaria de ser relevante, porque isso também foi outra sinalização importante para a gente, olhando para veículos, sobretudo nos EUA que nasceram como digitais, o Vox, o Quartz, são veículos de notícia, o Mike, que são essencialmente só digitais e eles ganharam relevância muito rápido, audiência, ganharam relevância, eram citados no debate, então tudo isso também para a gente foi importante falar olha, você não vai necessariamente ter menos prestígio, você não vai ser menos relevante, você não vai ter menos chance de chegar nas pessoas, você pode ser encarado como um veículo sério, mesmo se você foi exclusivamente digital  e por outro lado esse universo é um universo que desde o ponto de vista da produção, da veiculação, da circulação, também te oferece outras possibilidades que o impresso exclusivamente não te oferece, então tinha um campo enorme aí para a gente explorar.

Luciano          Como a redução de custo e despendimento de energia brutal em relação ao tradicional.

Paula             Sim, eu acho que nesse sentido sim e com possibilidades criativas também muito novas que atraem muita gente, então é assim, para quem lê o Nexo e para quem vai conhecer o Nexo, eu acho que tem uma dimensão aí, enfim, a gente explora muito os interativos, os gráficos, o vídeo, então são meios de comunicar, são ferramentas que a gente usa para comunicar que elas aí são muito vinculadas a esse formato digital.

Luciano          Esse momento aqui está fascinante, você viu o rádio virando televisão, você vê o podcast entrando na jogada, quer dizer, está todo mundo se mexendo agora, nós estamos chegando num momento em que esse bichinho que está na minha mão, para quem não esta vendo, eu estou com o aparelho celular na minha mão aqui, virou minha central de mídia e eu vi o impacto que causa em mim, quer dizer, hoje eu chego em casa a noite, falo vou assistir minha série no Netflix, esse treco aqui está no meu peito parado aqui, eu estou assistindo a série com ele aqui e a cada dez minutos da série o cara fala alguma coisa lá, da uma referência, eu venho para a segunda tela e pesquiso no meu celular enquanto eu estou vendo a série, o nome da pessoa que ele falou alguma coisa, quer dizer, é uma outra, é outro tipo de bicho que está vindo aí. Paula, esse programa aqui é um programa que trata de empreendedorismo e liderança, então necessariamente eu tenho que fuçar um pouco a sua vida para entende como é que funciona esse teu processo de tomada de decisão e tudo mais, a gente vai, evidentemente, eu vou explorar bastante sobre a questão do Nexo, mas antes eu quero voltar atrás lá, tua formação, você falou que é antropóloga. Você nasceu onde? Interior, São Paulo?

Paula             Eu nasci aqui em São Paulo…

Luciano          Paulista mesmo.

Paula             … é, cresci aqui, enfim, vivi a maior parte da minha vida aqui, morei um pouco fora do Brasil…

Luciano          Onde?

Paula             … eu morei, bom, eu morei quando era criança com a minha família inteira, morei na Nigéria, morei em Lagos, na Nigéria, com a minha família inteira por conta do trabalho  do meu pai…

Luciano          Anos?

Paula             … e eu… foram dois anos…

Luciano          Anos 80?

Paula             … aha, isso…

Luciano          Anos 80 na Nigéria e lá na Nigéria?

Paula             … exatamente, acho que isso foi super importante, eu vejo, super importante para a minha vida, dos meus irmãos, enfim, isso marcou bastante a nossa trajetória inevitavelmente, de uma maneira muito positiva. Eu morei na França logo depois de ter me formado e morei no Canadá para trabalhar, eu sou formada em Ciências Sociais e fiz um mestrado e um doutorado em antropologia social, na USP, então eu estudei, fiquei estudando dez anos, mas desde assim, assim que eu terminei o mestrado, antropologia tem uma característica como disciplina que você tem que fazer pesquisa de campo, então eu fiz um ano de pesquisa de campo durante o meu mestrado na época eu estudava jovens em conflito com a lei, então eu fiz pesquisa, na época ainda era FEBEM, não era Fundação Casa, era o complexo do Tatuapé e eu fiz um ano de pesquisa de campo lá e para, enfim, o jeito de fazer pesquisa, o jeito que eu encontrei de fazer pesquisa era fazer uma oficina de vídeo com os internos. Então a gente fazia oficinas de vídeo, onde eles aprendiam a filmar, eles faziam programas jornalísticos, eles filmavam a festa junina, enfim, era um exercício de criatividade que também me permitia ter uma interlocução maior e mais livre com eles do que simplesmente observação e foi um, enfim, uma experiência extremamente rica, fiz também pesquisa de campo nas varas especiais da infância e da juventude, então acompanhei muitas audiências e acho que tudo isso me sinalizou de uma maneira muito contundente que eu tinha muito interesse pela pesquisa mas também tinha muito interesse por uma atividade que não fosse só dar aula, só pesquisar, quer dizer, a pesquisa de campo me deu isso, então eu terminei o  mestrado, eu  comecei a trabalhar e fiz o meu doutorado, boa parte dele, trabalhando, o que não é muito comum, porque doutorado exige, enfim, eu tive um tempo de me dedicar para as aulas, para os créditos, mas fiz o doutorado inteiro trabalhando e isso um pouco que já estava claro para mim que eu não ia, que a carreira acadêmica não era o que eu queria fazer…

Luciano          O que era o trabalho?

Paula             … eu trabalhei primeiro numa ONG, eu  era gerente de pesquisa de uma ONG, então sempre com trabalho de pesquisa, mas depois passei a trabalhar mais com uma dimensão de formulação de política pública, em algumas  áreas, então ajudando os governos apensar como eles vão resolver um problema ou  desenvolvendo um plano, uma estratégia para o governo e isso também foi uma experiência riquíssima porque…

Luciano          Contratada como uma consultora, é isso?

Paula             … isso, mas por meio, quer dizer, essas organizações onde eu trabalhava, assessoravam os governos, depois disso eu dirigi uma organização no Instituto das Nações Unidas aqui no Brasil, dirigi esse instituto por três anos, quatro anos, agora não me acerto muito com as datas e aí também, trabalhando com governos em distintos níveis, de diferentes partidos, a ideia era também estar  próxima, quer dizer, poder trazer um conhecimento de diferentes especialistas para que os governos pudessem formular melhor as  suas políticas de intervenção e depois disso fui dirigir uma organização internacional cuja sede era em Montreal, no Canadá, mas que trabalhava com países no mundo inteiro, então Austrália, África do Sul, a França, o próprio Canadá, o próprio governo do Canadá trabalhava muito com as Nações Unidas, então fiquei lá por três anos também dirigindo essa organização…

Luciano          O que era a organização, do que que era?

Paula             Então, chama International Centre for the prevention of crime, é uma organização que assessorava governos a desenvolverem suas estratégias de prevenção ao crime e prevenção á violência, então…

Luciano          Você está na ponta da onda, este é o momento para você usar todo o teu aprendizado…

Paula             … é, mas aí é um trabalho que envolve  uma  série, claro, você tem que ter um conhecimento específico sobre o assunto, mas você tem que ter uma sensibilidade. A gente trabalhava com regiões muito diferentes, então é muito diferente e ao mesmo tempo é muito parecido você trabalhar na América Central e você trabalhar com a cidade de Paris, de você estar lá trabalhando com o governo da Austrália e você organizar um colóquio na África do Sul, são realidades muito diferentes, mas isso te dá também, te expõe a uma diversidade incrível, então acho que do ponto de vista da formação do repertório, enfim…

Luciano          Estou aqui babando de inveja.

Paula             … é super interessante, é extremamente desafiador porque essa é a dimensão também, quer dizer, eu participei de um processo para ajudar a aprovar uma resolução de acesso à justiça nas Nações Unidas, então você entende como funciona isso, como os países se mobilizam, como que uma coisa dessa possa ter um lobby ali com os países, tem países que são mais favoráveis, outros menos, como é que se aprova, como e o processo de aprovação, mas isso também tem a dimensão assim de qual o impacto que isso tem efetivamente e acho que esse foi uma das minhas motivações, o que me fez quando eu voltei para o Brasil eu decidi voltar para o Brasil que me fez perguntar o que eu quero fazer agora, eu acho que tem assim tanto da minha parte, como dos meus sócios, ter uma preocupação muito grande assim, como é que a gente, quer dizer, qual é o poder transformador da comunicação, quer dizer, essa foi a nossa conclusão, mas assim,  cada um por uma trajetória diferente, a Renata, minha sócia, é engenheira e fez mestrado e doutorado em economia e o Conrado é jornalista, então olha só nossa conversa, quer dizer, qual é o impacto que a comunicação pode ter do ponto de vista da transformação.

Luciano          Quer dizer, vocês naturalmente concluíram que na comunicação era importante fazer praticar, ou fazer acontecer alguma coisa…

Paula             Exatamente…

Luciano          … deixa eu te explorar um pouquinho mais aqui, não vou perder essa chance, você lembra do “We Are The World”,  a música, aquela época, então tem um DVD dos 25 anos do “We Are The World”  que ele conta como é que foi a gravação, é maravilhoso e no final do DVD tem três ou quatro extras ali, Um dos extras mostra o Harry Belafonte com outra pessoa que eu não me lembro quem era, mas também fazia parte do grupo que depois que eles gravaram a música, venderam milhões etc e tal e aquela intenção foi o seguinte, era uma gravação de uma música única com gente do mundo inteiro ali, com os maiores artistas para arrecadar fundos e ajudar a diminuir a fome na África e quem liderou aquilo foi o Michael Jackson, então foi um negócio gigantesco lá, já fez 30 anos  essa história toda e no documentário que tem no final, o Harry Belafonte sai e acompanha o dinheiro até chegar no ponto, então ele fala, eu quero ver o resultado do que nós fizemos aqui e é um documentário legal, porque ele viaja para a África, ele vai lá ver e o final do documentário é chocante porque ele conclui que não valeu, não adiantou nada, ele falou. Se perdeu tudo no caminho, não tinha caminhão para trazer a comida, meteram a mão, roubaram dinheiro, nós entramos em lugares que tinha as facções que vieram aqui impediu de ser distribuído, as facções pegaram a comida para eles, foi um negócio horroroso e terminou e ele falou, a gente não contava que não era possível fazer com que aquele nosso esforço, a gente conseguiu levantar o dinheiro mas o dinheiro nunca chegou lá no ponto porque o problema não era levantar o dinheiro, o problema era toda a questão política que impedia que aquilo lá chegasse adiante e quando eu ouvi aquilo eu fiquei enlouquecido, eu falei caraca, todo mundo está fazendo grandes movimentos a todo momento em todos os lugares e se for assim, esse esforço gigantesco que a gente faz aqui, vou doar água para não sei o que, eu não sei se a água chega lá ou ela se perde no caminho e você falando aqui você me acendeu essa luzinha aqui para eu te fazer uma pergunta que você que já viveu todos esses ambientes ai, política pode tudo? Você consegue tudo com política?

Paula             Eu acho que a gente tem hoje, eu acho que a política, enfim, ela é essencial, eu acho que a gente tem que não pode abrir mão da política, inclusive acho que a crise política brasileira atual, ela também se explica porque a gente tem um pouco, a gente tem receio, a gente não gosta de que a política é ruim, que ninguém quer chegar muito perto e eu acho que a gente está no momento de fazer  o movimento contrário, a gente precisa se apropriar dos espaços de discussão, de formulação e de realização, não tem como, a gente viver numa democracia, a gente tem os representantes no legislativo, no executivo, se a gente não souber quem está lá, se a gente não tiver consciência disso e disputar isso também, eu acho que assim, não vejo outra saída, o que eu acho que a gente tem hoje é que você tem uma sociedade civil que está muito mais organizada, então você tem organizações, você tem movimentos, a gente viu, quer dizer, quem foi para a rua, a gente viu que existe uma capacidade de mobilização hoje que ela é muito importante, que ela não pode ser minimizada, desprezada, é preciso  que todo mundo escute…

Luciano          Aliás as eleições agora de domingo deram uma lição importante, o Brasil deixou claro o que ele não quer, a gente não sabe direito o que ele quer ainda, mas ele deixou muito claro, não queremos…

Paula             … eu acho que a gente tem múltiplos movimentos aí no resultado dessas eleições. Eu acho que e gente tem respostas contundentes para algumas coisas, acho que a gente tem leituras também interessantes, quer dizer, quando você acha que enfim, você tem novas expressões surgindo, que eu acho que é importante também, então eu acho que o que a gente tem hoje não é de hoje, é alguns anos, você tem uma sociedade civil que está muito mais mobilizada, eu acho  que tanto não só política, mas essas grandes organizações internacionais, as locais, tem hoje uma obrigação e um interesse em prestar contas, um interesse muito maior em prestar contas porque hoje, quer dizer, se você faz uma doação para uma organização, ela tem um interesse de que você saiba onde aquele dinheiro foi parar e qual o impacto que ele teve, porque isso, os gestores dessas organizações, hoje eles tem muita clareza, é isso que vai fazer com que você volte, você pode até fazer uma doação uma vez, você ficou ali, se comoveu, gostou daquela história, faz uma doação, se você é capaz de ver o impacto que aquilo teve, é certeza que você vai voltar, então tem um interesse muito maior hoje dessas organizações em conseguir mostrar o impacto que elas tem…

Luciano          Isso a gente faz com comunicação, não é?

Paula             … claro, eu acho que isso é uma outra, a gente tem hoje, enfim, tem organizações que tem trabalho com temáticas super delicadas e que estão aprendendo isso, quer dizer, não basta só você fazer a melhor pesquisa, fazer a melhor intervenção, se você não é capaz de mobilizar e a gente tem aí, por exemplo, as campanhas de prevenção ao HIV, elas foram muito bem sucedidas nesse sentido, porque elas passaram também por uma reflexão de com quem que a gente estava falando, qual a mensagem q eu a gente quer passar, como é que a gente fala do assunto sem reforçar determinados preconceitos, acho que no  caso do Brasil acho que é um bom exemplo, quer dizer, passou por todas as reflexões, a comunicação nesse caso é fundamental, eu acho que hoje a gente tem também um outro desafio aí que a gente passou por um momento, a gente vive até hoje um momento onde a possibilidade do diálogo, ela está um pouco sequestrada, a gente está num momento onde as pessoas estão defendendo muito suas bandeiras, tem muito pouco espaço para o diálogo, eu acho que tem pouco espaço para você considerar o outro interlocutor legítimo. Então assim, vou entrar nessa conversa assumindo que a outra pessoa talvez pode falar coisas que eu não concordo mas talvez eu aprenda com ela, talvez ela me convença, eu acho que a gente está assim, tem pouco espaço para isso hoje e a gente está num momento onde a gente precisa muito conversar, isso parece ingênuo, mas eu acho que é um momento onde precisa haver o diálogo, a gente precisa fazer algumas concessões, claro que a gente tem limite em relação a essas concessões, tem coisas as quais eu não abro mão, mas tem coisas que eu quero escutar o outro, quer dizer, e quero entender porque ele vê o mundo daquele jeito…

Luciano          Essa tua experiência, você esteve muito envolvida, pelo que eu entendi, muito próximo das políticas públicas e assistiu esse universo da política e tudo mais. Como é que você vê o estado, a capacidade que o estado tem de… que tamanho tem que ter o estado?

Paula             Ah eu acho que essa é uma resposta, não existe uma resposta única, a gente tem versões diferentes ao redor do mundo, eu acho que o estado, ele tem um papel importante na mediação das desigualdades, o Brasil precisa se reconhecer como um país profundamente desigual, acho que a gente vive isso e vive isso no nosso cotidiano e às vezes de uma maneira muito perversa, porque a gente está tão exposto a isso que a gente acaba criando uma defesa para fingir que isso não existe, um exemplo bom é isso, quer dizer bom…  um exemplo triste mas muito contundente nesse sentido, o Brasil tem cinquenta mil homicídios por ano, é um número absurdo…

Luciano          Se for… você está falando número oficial, para mim é setenta, oitenta mil com o pé nas costas.

Paula             … é, a gente tem o sistema. Como a gente tem uma regra no Brasil que obriga a notificação, no caso do homicídio, ele é um dos crimes com menor subnotificação, mas ainda assim sem dúvida alguma, você pode ter uma subnotificação, a gente tem cinquenta mil mortes por ano e não é que foi um ano, assim, nesse ano excepcionalmente a gente teve cinquenta mil, há muitos anos, há mais de uma década, então isso a gente não é capaz de sensibilizar com esse número, isso pode estar na manchete de um jornal, pode estar gigante, a gente pode ficar repetindo, a sociedade brasileira perdeu a capacidade de se mobilizar com isso porque isso simplesmente foi incorporado ao nosso cotidiano, talvez por uma ideia, uma descrença da nossa capacidade de resolver o problema, então não consigo lidar com ele, melhor viver com ele, obviamente isso está ligado a quem são as vítimas desses homicídios, porque a gente, enfim, se a gente tivesse moradores dos centros das cidades, se isso fosse, acho que brancos, talvez isso tivesse uma outra resposta do poder público, mas as principais vítimas os homicídios hoje são os jovens, negros, moradores das periferias, então já é uma população segregada, que é segregada mais ainda por conta da violência mas o fato é que a gente, como sociedade, perdeu a capacidade de se chocar com isso.

Luciano          Você não acha que tem aí uma responsabilidade gigantesca da mídia que não diz assim: cinquenta mil mortos, indigne-se, fique indignado, isso é um absurdo, isso não pode acontecer. Virou paisagem.

Paula             Eu acho que a nossa responsabilidade, isso é uma coisa para falar um pouco das nossas estratégias no Nexo, eu acho que uma das provocações que a gente se faz de maneira constante é: esse assunto está muito martelado, como é que a gente vai conseguir chegar no leitor. Então a gente teve agora recentemente, por exemplo, o mapa da violência foi lançado, essa é uma publicação que é lançada todos os anos, teve uma escolha, não vamos dar uma matéria porque é mais uma matéria, sai uma matéria muito  parecida todos os anos e a pessoa ou não vai ler, ou vai ler e não vai se interessar, qual a maneira mais contundente de a gente falar desse assunto?  É um gráfico.  Então vamos mostrar, porque assim, o gráfico, ele dá uma materialidade para esses números, ele mostra a diferença entre os grupos sociais, então você está vendo ali, é uma coisa do ponto de vista visual muito forte, então acho que o papel dos meios de comunicação nesse sentido é, eu acho que tem vários aí, questões às vezes que são questões importantes mas acabam em segundo plano, negligenciadas porque elas não atraem tanto a audiência, então assim, tem que ter um compromisso de que mesmo que isso não necessariamente se traduza em audiência, para a gente é importante, para o Brasil é importante, para o debate público é importante, então a gente vai falar desse assunto, isso é um pouco criativo nas formas como é que a gente vai chegar nas pessoas, porque eu tenho certeza que as pessoas tem interesse sobre isso, isso é um lado muito positivo que a gente vem sentindo no Nexo, a gente está num momento muito especial, as pessoas tem interesse em discutir o futuro do país, assim, as pessoas estão mobilizadas nesse sentido, as pessoas tem interesse em falar de tributação, elas tem interesse em falar sobre salário, elas tem interesse em falar sobre as políticas de redução de desigualdade, elas tem interesse em discutir o tamanho dos partidos políticos e o número dos partidos políticos, tem um interesse muito grande em pensar o futuro do país, tem que aproveitar  isso.

Luciano          Você consegue ver que grupo é esse que quer discutir? Tem garotada  aí?

Paula             Tem, claro.

Luciano          Tem molecada, tem molecada de 15, 16, 17, 18?

Paula             Isso, eu acho que assim, me faz super otimista nesse sentido a gente estava passando por um momento muito difícil do país e eu tenho um lado meu que é extremamente otimista porque eu vejo os leitores do Nexo são jovens, jovens que tiveram acesso ao ensino universitário, no Brasil inteiro, então não é uma coisa que está restrita a um estado, uma cidade, outro estado, a gente tem gente do Brasil inteiro muito bem formada, extremamente interessada, que quer ser ouvida, então assim, eu estou aqui, eu tenho uma opinião sobre as coisas, eu quero debater e que está muito disposta a debater, outro dia eu achei muito curioso, divertido e assim, e também muito positivo, a gente publicou um gráfico de tributação, um gráfico de imposto e daí foi um leitor, escreveu lá: imposto é roubo, fez um comentário, foi outro leitor do Nexo, se deu ao trabalho de entrar na página do Facebook do cara que escreveu isso, viu que ele tinha estudado numa universidade federal e foi lá e falou: amigo, você estudou numa universidade pública, o imposto serve para pagar isso também, eu acho essa uma discussão de altíssimo nível…

Luciano          Mas sem dúvida.

Paula             … é, então sei lá, um pouco assim, olha, talvez você não tenha se dado conta da lógica, mas eu me dei ao trabalho de entender quem você é e vou falar aqui meu ponto de vista, eu acho isso muito positivo.

Luciano          Você está levantando um ponto aqui que é um negócio impressionante que de certa maneira passa um pouco batido aí em função até das mídias sociais, que é o seguinte: a área de comentários que tem embaixo das postagens, é uma das coisas mais ricas, para uma antropóloga, queria ser eu o antropólogo e poder sentar e falar deixa eu olhar o que acontece aqui, porque se você vai no Facebook, é um horror, o Facebook você bota um post legal, entra um cara com um comentário legal, tem o segundo, o terceiro entre um hater, destrói aquilo tudo e acabou, ele destrói  o comentário todo, então aquela discussão que começou a ser legal, ela desaparece porque o hater entrou ali, sujou aquilo tudo, então o Facebook é incontrolável, é impossível você controlar isso aí lá, que está tudo aberto. Quando você migra para um outro sistema, por exemplo, o Nexo, onde você vai para um ambiente onde espera aí, o público que está vendo aqui é um público diferenciado, não é o cara que entrou, está no Facebook por acaso, do nada apareceu ali, é alguém que está buscando um outro… então automaticamente já é um público que tem uma consciência melhor e você consegue ter um debate um pouco mais elaborado, evidentemente que você vai ter os haters entrando lá, porque se você está aberta ali, mas eu comecei a aprender uma coisa, hoje em dia, para mim é batata, toda vez que eu entro numa publicação como o Nexo, que entro, todos os que eu sigo por aí, eu leio o artigo e vou direto para a área de comentários de não deixo de passar o olho lá procurando os links, procurando as dicas, ah eu vi mais a respeito aqui e ali e aquilo tem uma riqueza que é um negócio assim que a mídia tradicional, ela não nos dá, porque a tradicional só tem um caminho, só vai, ela vai e você só vai ver a carta do leitor, na edição seguinte vem pouquíssima coisa selecionada. No nosso caso aqui, que trabalhamos com a mídia na internet, essa riqueza dos comentários dos leitores começa a compor uma coisa muito maior do que aquilo que eu faço, o que vocês fazem, quer dizer, o Nexo cumpre um papel e aí os leitores entram embaixo e ampliam aquilo de uma forma maravilhosa, quer dizer, pontos de vista diferentes, um debate correndo ali embaixo, até entrar o hater e… ou ele é expulso, como entra com cara, como você falou aqui agora, cara, não é nada disso, então a recomendação que eu faço ao pessoal que está nos ouvindo aqui, começa a prestar atenção nas áreas de comentários e não se balize por comentário de Facebook. O Facebook é o pior lugar do mundo para você procurar comentários, quando você entra em áreas onde públicos interessados estão ali, a riqueza que existe na área de comentários é um negócio fabuloso e uma das grandes conquistas que eu acho que a internet junto com a mídia alternativa, alternativa é bobagem, essa nova mídia trouxe é você ter essa construção de uma coisa muito maior por causa dos leitores.

Paula             Eu acho que a interação com o leitor é fundamental e muitos planos assim, eu acho que a gente tem uma coisa e a gente vem cultivando isso. Porque a gente é um jornal de assinaturas, então a gente está ali dizendo para o nosso leitor, a gente vai existir se você quiser que a gente exista, então essa é uma relação, quer dizer, que já coloca o leitor num outro lugar, quer dizer, a gente produz e a gente tem nossos métodos e atente tem o nosso modelo editorial, mas a gente produz esperando que o leitor veja valor naquilo, no conteúdo que a gente está produzindo e isso está dado na nossa relação, no nosso modelo de negócio inclusive, mas a gente vem cultivando muito uma interlocução com o leitor, a gente recebe muita mensagem via Facebook, via e-mail, nos posts do Facebook, a gente no Twitter, a gente recebe muita mensagem do leitor e agente responde a todo mundo. A gente faz questão porque para a gente ter um valor gigante, eu acho que o que vem daí? Vem sugestão de pauta, vem sugestões de pautas maravilhosas, então de pessoas que entenderam o que que é o Nexo, gostei muito dessa matéria, vocês podiam explicar essa outra história aqui? Então é perfeito assim, é alguém que entendeu o nosso modelo editorial e assim, você poder contar com sugestões de pauta dos leitores é maravilhoso assim, é uma proximidade que para a gente é incrível e é super importante e a gente várias vezes acolhe essas sugestões, a gente acha que são super interessantes. Vem críticas e para a gente é super importante escutar isso porque a percepção dos nossos leitores é relevante, a expectativa dos nossos leitores é fundamental, então assim, é bom saber que as pessoas  tem expectativa em relação ao que a gente produz, se não a gente estava indo no caminho errado.

Luciano          E eu tenho uma coisa que eu costumo dizer o seguinte, o sujeito que entra na tua publicação, escreve um texto, perde alguns minutos para escrever um texto fazendo uma crítica a você,é que ele se importa com você, quer dizer, pô não gostou de nada do que eu fiz, conseguiu escrever um comentário educado, sem me xingar e nada, esse cara dedicou a mim alguns minutos e no fundo ele quer que eu acerte.

Paula             Totalmente, a gente vê muito desse jeito, inclusive assim, os leitores às vezes apontam erros, a gente vai lá e diz, você tem toda razão, estava errado mesmo, obrigado e aí esse tipo de crítica a gente teve sorte, acho que basta a maioria que a gente recebe, são críticas extremamente construtivas e tem ajudado a gente a afinar nosso modelo editorial, então eu acho que essa relação com a sua audiência assim para a gente tem se mostrado um elemento super importante, inclusive porque a gente lançou um jornal  do zero. Uma das nossas maiores preocupações era se a gente ia ser ou não relevante, porque eu acho que ai tem uma coisa do empreendedorismo no mundo de hoje que você pode fazer tudo certo, você pode fazer uma coisa muito legal e as pessoas parabéns, é muito legal e você ser absolutamente zero relevante, assim, isso era uma preocupação enorme que a gente tinha, quer dizer, como é que a gente vai ganhar relevância, é um desafio mesmo porque… e eu acho que isso hoje tem uma confusão, pelo  menos na minha perspectiva, quer dizer, a audiência não é necessariamente relevante, então eu acho que isso precisa assim a gente precisa ter mais clareza sobre isso, porque às vezes quando isso se confunde aí é que você começa, você é pautado exclusivamente pelo desejo de ter oua necessidade de ter mais audiência, aí eu acho que você perde um pouco o compromisso com o conteúdo que você está produzindo.

Luciano          Eu chamo isso de ”síndrome do Faustão”, entendeu? O programa dele tem que ter 35 milhões de pessoas assistindo, para isso ele tem que agradar menininha de 2, 4 anos, o vovô de 95 anos, não pode ir profundamente em coisa nenhuma, ele fica na superfície e aí o que você tem é vídeo cacetada, é mais do mesmo o tempo inteiro, todo domingo aquela repetição e quando você olha para aquilo fala, o que que se ganha com isso além do entretenimento pelo entretenimento, quer dizer, existe alguma mudança sendo praticada lá? O pessoal até me questiona bastante, eu falo eu não estou nenhum pouco preocupado com o tamanho da minha audiência, eu estou preocupado com a qualidade que ela tem, entendeu? Se eu tenho uma audiência pequena, mas que vem me demandar e que me enche o saco e me obriga a melhorar cada vez mais, todo mundo está crescendo e eu junto com eles.

Paula             Não e eu acho que assim, a gente tem que dar crédito ao leitor, eu acho que assim, essa ideia de que as pessoas, porque tem muitas coisas, ah hoje a gente disputa o tempo das pessoas com vídeo de gatinho, com não sei o que lá, realmente, acho que o tempo é limitado, o dia tem 24 horas, se a pessoa está lendo a sua coisa ela está deixando de ler a de alguém, agora, eu acredito muito que os leitores e as leitoras, eles tem muitos critérios para fazer essa seleção, então obviamente a pessoa não acha que ao estar olhando um vídeo de gatinho ela já se sentiu contemplada do ponto de vista da notícia, então essas coisas você não compete diretamente, então eu acredito muito em a gente dar crédito ao leitor, à leitora, as pessoas são capazes, elas tem totalmente o discernimento de saber o que elas querem consumir como conteúdo e como notícia e isso a gente também vê de uma maneira bastante explícita na audiência do Nexo, que é o que nos permite fazer, quer dizer, conteúdos mais sérios, conteúdos, às vezes mais lúdicos ou pensar nos formatos que a gente quer usar, a gente fez um, no meio ali, talvez, enfim, é difícil falar no ápice da crise política, se é ápice vai sempre….

Luciano          Eu tenho medo do amanhã.

Paula             … é assim, é uma coisa enfim… mas a gente fez um quiz que era aconteceu em Brasília ou em House of cards ou nos dois e esse quiz assim, a ideia foi bom, vamos usar um formato que é um pouco mais lúdico, o quiz era super desafiador, super desafiador porque era muito difícil e essa era a sacada do quiz, que poderia.. você não sabe dizer se aconteceu em Brasília, se aconteceu no House of cards e alguns episódios aconteceram nos dois, então aí para além da brincadeira do quiz, para além de evocar a sua memória de séries, ou evocar a sua memória em relação aos últimos acontecimentos no Brasil, tinha uma mensagem muito contundente que era olha, a gente está vivendo um momento político onde o que aconteceu, aconteceu também na ficção, então tinha uma mensagem ai que também era uma mensagem importante, era um outro jeito de tratar um enfim, uma narrativa política e o quiz foi um sucesso enfim, inclusive estava num teaser do House of cards, o próprio Doug falou, fiquei sabendo, oi Brasil, fiquei sabendo que vocês tiveram fizeram um quiz do house of cards. Enfim, teve uma super repercussão, para a gente foi ótimo, mas foi assim, é essa maneira de pensar bom, a gente tem as matérias sobre a lava jato, a gente tem as matérias sobre… mas a gente também tem uma possibilidade de tratar o assunto de outra maneira e isso é pensado também um pouco assim em relação às expectativas que a nossa audiência tem com o conteúdo que a gente produz.

Luciano          Então Paula, você quando me fala desse quiz, quer dizer, você está pegando um extrato da audiência que é uma coisa assim extremamente refinada, quer dizer, é o sujeito que assina o teu jornal, que assiste o, não  é nem TV a cabo, assiste Netflix, quer dizer, ele paga assinatura da Netflix, é um alguém muito qualificado, está numa qualificação bastante diferenciada. Como é que vocês veem essa necessidade ou interesse que vocês tenham, não sei até onde vai isso aí, de você conseguir ampliar esse teu alcance para outro nível de pessoas que não tem um acesso tão fácil como esse, peguei o celular aqui, entrei e vi, mas ela está, não tem dinheiro para isso, não tem acesso, não tem internet, etc e tal, com é que vocês… está no plano de vocês?

Paula             Então, a gente tem acho que um exemplo para começar a falar sobre isso assim acho que tem duas coisas que eu posso falar sobre isso. Uma assim, agora a gente cobriu a nossa primeira eleição e a gente pensou bastante sobre como cobrir a eleição do ponto de vista nacional, se colocar como um jornal digital nacional, não um jornal que está pensando só Rio-São Paulo, pra a gente isso é extremamente importante, a gente tem uma audiência nacional, como valores ao fato de que a gente é digital e como fazer isso promovendo uma interação grande com os nossos leitores, então assim, dois dados da nossa cobertura de eleições municipais agora, a gente fez um interativo com dados, a gente fez uma parceria com o centro de estudos da metrópole, que é um centro de pesquisa aqui do Brasil, em São Paulo, eles tem dados do Brasil inteiro de gastos com as cidades, como as cidades gastam e todos esses dados do Brasil, os mais de cinco mil municípios, quanto a cidade gasta com educação, saúde, transporte, então hoje se você entrar nesse interativo, não importa onde você viva no Brasil, você vai achar a sua cidade, você vai achar um relatório da sua cidade, como foram os gastos da sua cidade nos últimos anos, é um pouco assim um instrumento para você se informar antes de votar, fazer as suas escolhas e a gente fez ai um outro interativo com uma base de dados também nacional, que é um quiz, você pode produzir um quiz para a sua cidade, você conhece a realidade da sua cidade, então isso acho que assim, passa pela nossa preocupação em ampliar a nossa base de leitores do ponto de vista geográfico, a gente quer ter uma audiência nacional, está preocupado com isso, pensa em produzir conteúdos que atendam a outras cidades, uma diversidade, a gente tem uma audiência que hoje é  nacional, isso é um lado e outro lado que a gente colocou o pay uol vai fazer um mês agora, antes o site estava inteiro aberto e agente colocou pay uol agora.

Luciano          Para quem não sabe o que é  pay uol, é aquele, a gente chama até do freemiun tem um outro freemiun que é você lê um pouquinho, daquele ponto em diante você precisa pagar para continuar a leitura.

Paula             No Nexo a gente tem, são cinco conteúdos por mês de graça, a partir do sexto você precisa pagar assimnatura que é de 12 reais por mês, tem uma assinatura anual também que é de 120 reais por ano. Além disso, mas a gente tem conteúdos que estão sempre abertos, que não conta no paypall, então os podcasts estão sempre abertos, os ensaios, os trechos, tem seções que elas são abertas, não entram na conta do paypall, então no final das contas tem bastante conteúdo aberto por mês.

Luciano          Vocês fizeram isso agora?

Paula             Agora. A gente colocou com too meses a gente foi lá e colocou, a gente quis primeiro apresentar o Nexo para a audiência, fazer as pessoas conhecerem quem a gente era e desde sempre a gente avisou que era um jornal por assinatura, tanto que a gente tem assinante ainda quando o jornal estava inteiro aberto, as pessoas não precisavam pagar, elas pagavam, mas a gente colocou o paypall, uma preocupação que a gente tem nessa história, a gente tem recebido muitas mensagens de alunos de universidade  pública que falam, porque a gente já teve assim, pessoas dando testemunho, gente, assinei o Nexo, falando para amigos, vou pagar duas cervejas, em vez de comprar duas cervejas  por mês vou pagar o jornal, porque o  jornal é importante, porque o jornalismo custa, se a gente quer informação de qualidade, enfim, as pessoas mobilizando, pessoas que a gente não conhece, mobilizando amigos explicando porque que eles assinaram o jornal, mas tem gente para quem esses doze reais faz diferença e a gente não quer perder esse leitor porque, quer dizer, a gente não falou disso ainda, mas assim, é uma parte muito importante da nossa motivação ao criar o Nexo era a gente quer contribuir para o debate público, a gente quer disputar as narrativas, a gente quer que as pessoas… e quando uma pessoa vem te pedir para ler um jornal, a pessoa não está falando eu queria comprar uma Coca-Cola, eu quero poder ler um jornal, isso é maravilhoso assim, é assim, e isso é uma das coisas que me deixam otimista, então você vê um jovem falar olha, eu sou estudante, não tenho dinheiro, mas eu queria poder continuar lendo o seu jornal, então a gente está agora estudando como é que a gente vai viabilizar isso porque para a gente é super importante.

Luciano          Que legal, esse negócio é muito caro para mim porque eu estou vivendo tudo isso, também fiz o modelo de assinatura, tudo igual, escuto abobrinha de montão, ah pedindo esmola, aquela coisa toda, mas faz parte do projeto. Deixa eu cutucar um pouco a tua veia do empreendedorismo aqui, vocês há um ano e pouco quando bolaram esse processo todo de montar o jornal, evidentemente em algum momento vocês fizeram um plano de negócios, isso aqui vai ser uma coisa que nós não estamos fazendo por amor, quer dizer, podemos não estar fazendo por dinheiro mas sem dinheiro a gente não pode fazer, então nós vamos precisar, em algum momento, que isso aqui se pague e nos pague também porque eu acho que no fundo vocês querem que isso seja o seu meio de vida, quer dizer, eu quero viver disso. Na hora de você desenhar um plano desse tipo, você não tinha um modelo aqui no Brasil que você falava vou montar algo para ser igual a X, Y, Z que deu certo, você ia montar uma outra  coisa, acho até que você consegue até olhar os modelos lá de fora, New York Time, mas a cultura brasileira é totalmente diversa da americana, então o que funcionou lá não vai funcionar aqui. Como é que vocês fizeram para sentar diante de uma mesa, botar um papel em branco na frente e botar no papel um plano de negócios de uma coisa tão inovadora assim?

Paula             Eu, enfim, a gente quando decidiu então vamos fazer isso, vamos fazer isso, ou enfim, obviamente não foi um processo de um dia que a gente falou então começou, a gente vai fazer isso, então, quando a gente começou a ter essa conversa, decidiu, acho que um dado super importante dessa trajetória é que assim, a gente estudou muito, a gente fez um mergulho, fez muita pesquisa, eu falo para as pessoas, quer dizer, em termos de curva de aprendizado, acho que assim, eu posso dizer que eu aprendi tanto quanto eu aprendi fazendo um doutorado assim, em termos de quanto a ente estudou, foi ver modelos fora do Brasil, foi ver os modelos brasileiros, foi entender o mercado brasileiro, foi entender os mercados, então a gente estudou muito e eu acho que essa lição de casa ela foi fundamental para a gente, não foi um processo curto, a gente ficou…

Luciano          Quanto tempo levou isso?

Paula             … um ano pensando no Nexo…

Luciano          Vocês três, os três sócios.

Paula             … isso, talvez assim, claro, a Renata nessa época ainda estava morando fora do Brasil, então mas a gente ficou oito meses, um ano pensando o Nexo, então assim, fazendo pesquisa, entendendo como era o mercado, entendendo assim o gosto do mercado brasileiro para a notícia, entendendo o momento pelo qual os jornais estavam passando aqui no Brasil, olhando para fora também, mas percebendo, quer dizer, você tinha dados muito positivos do que estava acontecendo lá fora assim, tudo bem, acho que… o New York Times é o New York Times, é um jornal que está aí há milhares de anos, gigante, a gente não tem nenhuma ambição por outro lado tinham elementos ali que eram super importantes para a gente, assim, como eles reorganizaram a redação e o fato de que eles bateram nessa tecla muito, isso ficou, então a redação do Nexo, a gente tem uma produção hoje que é extremamente colaborativa, então acho que esse trabalho assim, de pesquisa, foi fundamental isso passou também por um trabalho de pesquisa, enfim e compreensão do que era possível do ponto de vista financeiro, porque acho que o desafio é como é que você monetiza uma coisa dessas…

Luciano          Sem dúvida. Que tamanho tem a redação?

Paula             … a gente tem 28 pessoas na redação, mas com todo mundo, administrativo, todo mundo que não é grande para um jornal, é grande para uma startup, então assim, é um investimento grande aí feito, mas que também para a gente ter essa clareza que é bom, se a gente quer se colocar como um jornal tem que ser  para valer, não dá para começar mais ou menos, a gente tem alguma chance se a gente começar de verdade.

Luciano          O dinheiro para esse início de investimento? Cada um de vocês botou um pouco, veio de algum lugar?

Paula             Não, são investimentos próprios e a gente… aí passou também por uma compreensão importante do mercado, que estava passando por uma transição que é um pouco que está pautando aí a vida dos jornais, dos veículos de comunicação, a publicidade hoje ela não sustenta mais a comunicação como ela sustentava antes, as contas não são pagas hoje pela publicidade, eu acho que a gente, como estava começando uma coisa do zero, aí tinham  duas considerações que a gente fez, uma é esse negócio não vai sustentar por meio da publicidade, porque ela não paga mais como pagava antes e isso uma crise que o mercado fora do Brasil já passou, agora voltou a pagar, enfim, e a publicidade compromete muito a experiência do usuário, quem nunca abriu um site louco para uma notícia, pula um popup, cada vez maior, porque antes ele era pequeno, agora ele ocupa a tela inteira que fica nove segundos até você poder e você não acha mais, porque agora você não acha mais onde clicar para fechar, tem várias estratégias, isso compromete muito a experiência do usuário, então assim, não tinha nenhuma vantagem ter publicidade, isso assim, houve uma indicação, então vamos ter que pensar, se não é isso o que vai ser e por outro lado a gente via que o negócio das assinaturas ele estava, era onde os jornais vinham investindo, então de maneiras diferentes, então o Guardian foi lá e criou a Dad Membership, o Guardian é um caso muito, o jornal inglês é um caso muito singular porque eles tem um fundo, estão lá numa montanha de dinheiro que está aplicado e que fica rendendo, que sustenta o jornal, mas eles criaram essa Dad members, você faz parte, é um clube.

Luciano          Eu criei a confraria.

Paula             Então acho que as pessoas vem pensando em estratégias nesse jeito, o New York Times investiu muito na assinatura digital, então eles também como eu falei aqui no começo da conversa, eles atingiram agora um milhão de assinantes digitais então isso para a gente também bom, acho que assinatura, a própria folha de São Paulo colocou um paypall há alguns anos, nesse sentido foi muito pioneira nisso, então para a gente era assim bom, se o nosso negócio vai dar certo, vai ser desse jeito…

Luciano          Com assinatura.

Paula             … com assinatura.

Luciano          Vocês botaram um número assim mágico, tipo assim olha, prevemos dentro de, queremos buscar dentro de um ano X assinantes, vocês criaram um número assim?

Paula             A gente tem, a gente…

Luciano          De onde vem esse número?

Paula             … a gente… ah, a gente assim, pensando no tamanho do mercado brasileiro, pensando nos nossos custos, pensando naquilo que a gente, enfim,  olhando também as  experiências de outros veículos, quantos assinantes, mas olhando também um pouco, quer dizer, tem um lado que é, olhando o que a gente está, no momento onde as pessoas estão começando apagar por conteúdos, mas tem uma aposta enorme na qualidade daquilo que a gente produz, então a gente se posicionar como o primeiro jornal digital, a gente investiu muito na qualidade daquilo que a gente produz, então tinha um mínimo, a gente tinha certeza que assim, olha tem um mínimo que a gente precisa produzir por dia, porque se não a gente não pode cobrar por esse conteúdo, como um jornal, se a gente não produzir um mínimo por dia, por outro lado assim, a gente tem que ser muito fiel ao nosso modelo editorial, então a gente passou, a gente botou o jornal no ar, uma semana depois o Delcídio foi preso  e a gente começou o jornal funcionando, começou a crise política, então assim, a gente quer um jornal de explicação de contexto, se viu totalmente arrastado pelo dia a dia, então a gente teve que também fazer um movimento de não, vamos ser fieis ao nosso modelo editorial, a gente não é um jornal de furo, a gente é um jornal de explicação e isso tudo, quer dizer, também conversa muito com nosso modelo de negócio, por que? Porque a gente produz conteúdos que não morrem dali cinco minutos. Então isso muda muito a forma como as pessoas interagem com o nosso conteúdo, então eu acho que a gente tem assim, obviamente enfim, isso foi resultado de um processo de elaboração, de pesquisa, de estudo, quando a gente botou o jornal no  ar a gente viu tudo isso e  tem apostas que se confirmaram totalmente, tem coisas que naufragaram totalmente, mas isso é um dado eu acho de qualquer negócio, quando você começa a funcionar é que você  vê a coisa que você pode avaliar, quais escolhas foram certas ou não, mas a gente tem algumas métricas, eu acho que um dos pontos aí, voltando para aquela discussão sobre se a audiência é sinal de relevância, eu acho que um dos desafios agora é justamente quais métricas você usa  para entender o valor que o seu produto tem para o se leitor, é o que?  É só o tamanho da sua audiência?  É quantas páginas a pessoa visitou? …

Luciano          Comentários que eles estão fazendo.

Paula             … os comentários, é quanto… às vezes a gente tem conteúdos que tem quase o mesmo número de likes e o mesmo número de compartilhamento, eu faço disso uma avaliação extremamente positiva, entendeu? Porque isso é o engajamento que essa coisa quer dizer, um pouco abstrata, são pessoas referendando o seu conteúdo, dispostos…

Luciano          Eu gostei tanto que estou passando adiante e botando minha assimnatura aqui.

Paula             … exatamente, eu estou colando minha imagem a isso, então eu acho que…

Luciano          Deixa eu te fazer uma perguntinha aqui, diga se você quiser, não precisa dizer, mas esse número que vocês colocaram no final de um ano, se você não quiser me dizer o número não precisa dizer, mas você pode me dizer o percentual, vocês chegaram perto dele, conseguiram atingir, estão chegando lá, estão confortáveis com o que está acontecendo depois de um ano?

Paula             Sim, a gente está super feliz, a gente optou por não abrir esses números de audiência e de investimento, as pessoas tinham muita curiosidade, mas quanto dinheiro? A gente optou por não abrir, inclusive porque a gente queria ter a tranquilidade de botar o negócio no ar, fazer funcionar, ver se ia funcionar, fazer os ajustes, eu acho, tem uma parte, já vou responder à sua pergunta, mas acho que é uma parte, como o  seu programa também fala de  empreendedorismo, tem uma parte para a gente que no Nexo eu vejo um valor enorme que é a nossa possibilidade de experimentar, de testar coisas, então a gente tem uma cadeia de tomada de decisão que é bem pequena,  então a gente tem a possibilidade de mudar coisas muito rápido, isso é muito bom e agente vê o impacto disso.

Luciano          Eu brinco com o pessoal do podcast, falo semana que vem tem outro, se não deu certo esse aqui, semana que vem a gente tenta outra vez e na outra outra vez e uma hora a gente acerta o caminho.

Paula             É e se você está atento, então assim, se você está olha, isso aqui funciona, isso aqui não funciona, vãos experimentar, eu vi isso aqui num lugar, pode ser legal, a possibilidade de implementar isso sem que isso leve um mês e meio, porque daí isso já pode ser outra coisa, isso é super importante para o nosso negócio e eu acho que outra coisa é essa  possibilidade de experimentar sem ter uma única métrica de avaliação de resultado, porque às vezes vocês está ali obcecado, vou fazer isso e isso tem que converter X assinantes, ou você tem que… isso às vezes não é assim, depende muito do momento, a gente tem muita clareza que num primeiro momento para a gente era muito importante fazer o Nexo  conhecido, ganhar audiência e que ela fosse nacional.

Luciano          Vocês estão felizes com o número que vocês conseguiram depois de um ano?

Paula             A gente está muito feliz com a audiência, está feliz com a resposta que a gente tem, está feliz de enfim, do nosso conteúdo circular em espaços muito diferentes, então assim, tem perfis de pessoas que leem, compartilham as coisas do nexo que são muito diferentes, então a gente está muito satisfeito com isso, acho que a gente tem um desafio agora que são as assinaturas, então a gente colocou o paypall há um mês e as pessoas estão assinando o Nexo.

Luciano          Quer dizer, antes do paypall você dizia o seguinte, olha se você gostou assine, o que na verdade é praticamente uma doação, faça uma doação se gostou, não tem problema nenhum, no momento em que você bota um paypall agora é o seguinte, para ler mais você vai ter que assinar.

Paula             Isso, para você ter o conteúdo integral você tem que assinar, a gente é um jornal  que só se financia por isso, então para a gente existir a gente precisa da sua assinatura.

Luciano          Quanto tempo faz que vocês botaram o paypall?

Paula             Um mês.

Luciano          Deu um salto?

Paula             Deu.

Luciano          Deu legal? Um salto legal? Importante?

Paula             Importante, eu acho que para a gente era importante a sinalização de que sem o paypall a gente tinha assinantes, então pessoas que estão dispostas a apoiar um jornalismo, esse tipo de jornalismo que a gente produz, mas obviamente a gente queria ver se com o paypall isso ia ter algum impacto no numero de assinaturas e teve, então a gente também está satisfeito com isso.

Luciano          É, você está falando um negócio que para mim é ouro, é uma das razões de eu trazer você aqui, que é essa questão toda de você reconhecer o valor que alguma coisa tem e contribuir para isso, quer dizer, pô, se é muito legal, se eu estou curtindo, se  eu gosto, por que que eu não ajudo que esse negócio cresça? Porque quanto mais ele crescer mais eu vou ganhar e se tiver um milhão de assinantes dando um milhão, você conseguiu comprar tua Ferrari com esse dinheiro, que maravilha, porque quanto mais você crescer e mais forte você ficar, eu como leitor aqui, mais eu vou ganhar com isso. Só que essa consciência ainda é uma coisa nova para o brasileiro.

Paula             É, para a gente ter assim uma coisa… a gente fez uma aposta grande, tem um risco enorme envolvido e é muito legal ver que as pessoas percebem isso, então assim, a gente montou uma redação, outro dia eu dei uma palestra e as pessoas  que estavam comigo na palestra falaram ah porque a precarização do jornalismo, eu falei olha gente, no Nexo todo mundo é contratado CLT e as pessoas assim tem é um pacote assim, é um jeito de fazer que a gente estava apostando e eu acho que é super importante, enfim, a comunicação disso, quando a gente botou um vídeo falando olha, a gente vai em breve colocar o paypall, a gente é um jornal por assinaturas, esse posto teve muita discussão entre as pessoas, então assim, pessoas sugerindo outro valor de assinatura, pessoas defendendo o valor que a gente tinha colocado, pessoas dizendo gente, eles tem gente que está, esse é o trabalho deles, como vocês esperam que eles se sustentem? Então eu acho que essa é uma discussão que está rolando já no Brasil, eu acho que as pessoas estão… e acho que isso dá uma certa autonomia para o leitor, para a leitora de poder escolher aquilo que ele quer que exista, eu acho que no jornalismo tem uma outra coisa que é importante, quer dizer, a gente está falando de um ecossistema, o Nexo não se propõe a dar todas as notícias, a gente não tem estrutura para isso…

Luciano          Claro, você tem que reconhecer, olha, o meu nicho está aqui, é aqui que eu vou atuar, mas esse desenho que você está trazendo é um negócio que é fundamental porque se todo mundo grita tanto com a questão de tem que ter liberdade, a imprensa tem que ser livre, não existe imprensa com mais capacidade de ser livre do que aquela que é financiada pelo assinante, não tem nenhum grande patrocinador, não tem ninguém botando um dinheirão lá que você não pode falar do cara etc e tal e aí é uma diferença fundamental que a gente vê para as mídias tradicionais, então eu vejo alguns pontos fantásticos quando eu começo conversar com você, primeiro, foi vocês colocarem em pé um negócio que nasce sem aquele custo fixo gigantesco de ter que botar um jornal impresso em papel, distribuído na rua que sei lá, deve ser 70% do custo hoje de um jornal normal, deve ser esse volume de coisa, quer dizer, você eliminou daí, tirou os intermediários e tudo mais, isso é o primeiro ponto. Segundo ponto é você ter essa relação com o teu leitor, que é o tempo de você publicar alguma coisa e o retorno vem imediatamente, você pode estabelecer um diálogo com ele, coisa que não existe na mídia tradicional e que de certa forma acho que tira você de um pedestal, quer dizer, não é a poderosa, rede globo que está lá fazendo, mas sou eu que estou aqui e se você falar comigo eu tenho voz, você me escuta e eu escuto você, a gente conversa aqui e eu sou capaz de chegar e falar muito obrigado pela dica que você me deu, a gente errou, nós vamos controlar agora, isso é um sonho para mim como leitor participar ali. Outro ponto importante que eu vejo nessa tua colocação, é essa coisa do empreendedor que é aquele maluco que começa um treco novo e vocês não começaram pequeno, vocês estão com 28 pessoas, é uma paulada, com CLT então é o dobro da paulada, diante de um negócio totalmente incerto, quer dizer, será que vai dar certo isso? Não tenho a menor ideia se vai funcionar ou não e vocês estão abrindo um caminho bem legal, eu fico super feliz de ver o teu sorriso aqui quando eu pergunto: estão satisfeitos? E você abriu o sorrisão, estamos. Que legal. Fala uma coisa para mim aqui, eu quero tocar num outro tema que é bastante perigoso até, que é essa questão da editoria, a gente define, quer dizer, a gente, quem tem dois neurônios e consegue pensar define um jornal mais por aquilo que ele deixa de fora do que por aquilo que ele  publica, quer dizer, coisas que ele deixa de contar me definem quem é esse pessoal, a linha que ele está seguindo, então vamos voltar lá atrás, é a direita, é a esquerda, é o conservador, é o liberal, etc e tal, então o Brasil está pululando nesse momento e você sabe que o Brasil é uma esculhambação porque a direita daqui parece ser esquerda, a esquerda está misturada, é uma zona que ninguém entendeu direito o que acontece ali, mas isso começa a definir, então eu sei onde está a Folha, eu sei onde está o Estadão, eu sei onde está a Veja, eu sei onde está a Carta Capital, eu consigo entender o posicionamento de cada uma delas, num momento em que você entra com uma proposta de fazer um jornal que não é necessariamente um jornal de opinião, mas é um jornal de explicação, isso envolve você ter uma certa, manter um distanciamento de todos esses focos aqui, como é que vocês lidam com isso, a gente sabendo que não tem isenção, não existe isenção, o ser humano vivo não está isento de coisa nenhuma, como é que vocês lidam com isso, com esse papel do editor, esse poder do editor?

Paula             Eu acho que a gente tem assim uma palavra importante para a gente é o equilíbrio, então quando você está com compromisso de explicar e dar contexto de um determinado assunto, eu acho que você tem que um apostar, quer dizer, ser capaz de… e o tempo que a gente tem quer dizer, o fato de que a gente não precisa dar a notícia quente, aquele furo, nos permite olhar um pouco para as camadas de complexidade de cada assunto e aí quando você faz isso, aí você consegue mostrar mais de um lado, porque a gente está falando de fenômenos que são extremamente complexos e tudo, agora, também a gente não pode ser ingênuo, acho que tem escolhas editoriais que elas podem acentuar uma coisa, elas podem a gente tem feito um esforço muito grande, por exemplo, quando a gente fala com especialistas sobre um determinado assunto, conseguir ter especialistas que tenham leituras diferentes sobre o mesmo assunto e isso não é no sentido de ah, vamos então a gente vai ficar no meio de campo, a gente vai falar acima do mudo, não se trata disso, se trata de informar o nosso leitor que tem opiniões, tem pessoas que tem opiniões diferentes sobre um assunto que talvez ele achasse que só pudesse ter uma leitura, então acho que essa exposição a opiniões diferentes sobre o mesmo assunto, acho que isso é uma primeira estratégia que a gente adota, eu acho que a gente…

Luciano          Onde está sentado esse… esse cuidado de quem é?

Paula             … eu acho que é nosso como…

Luciano          Você tem um editor chefe, editores?

Paula             … a gente tem uma estrutura de redação, a gente tem um diretor de redação, a gente tem o editor de política, mas isso é um pouco… isso é um pouco não, isso é totalmente um esforço coletivo, então é uma coisa assim que está dada na nossa produção em todas as frentes, as pessoas sabem disso, a gente conversa sobre isso, é extremamente desafiador, eu acho que tem uma outra dimensão aí que a gente trabalha muito com dados e aí ser mito fiel aos dados, então a gente produz um gráfico, por exemplo, que é um gráfico de desemprego e inflação no Brasil, numa trajetória específica, a gente foi super cobrado. Ah mas porque não botaram tal período, querem salvar o Fernando Henrique? Que vocês querem fazer, querem endeusar o Lula, quer dizer, cada um lê um pouco do jeito que quiser, aí tem uma coisa que para a gente é uma tranquilidade, olha, esses são os dados que estão disponíveis, então foram os dados, oficiais, então foram os dados que a gente usou, então assim, tem uma fidelidade aos dados, também é uma coisa importante quando a gente produz esse tipo de conteúdo e eu não acho que a gente deixe de fazer escolhas editoriais, acho que assim, os leitores podem ter certeza que a gente tem um compromisso do equilíbrio, que a gente tem um compromisso de mostrar os diferentes lados, mas a gente faz escolhas editoriais o tempo todo é só ver quais são os assuntos que o Nexo trata, então assim, tem uma… a nossa curadoria, ela passa, ela não compromete a qualidade da informação que a gente entrega para o leitor e a gente não vai fazer isso, mas tem uma curadoria nossa na seleção daquilo que a gente cobre, o Nexo, a gente não dá todos os assuntos, a gente não fala de todos os assuntos, a gente seleciona pautas e tem pautas que são importante para a gente, então a gente tem uma cobertura política que é forte, a gente tem uma cobertura assim, a gente trata assuntos de gênero, a gente trata de assuntos vinculados à tecnologia do ponto de vista da democratização, do acesso à tecnologia, então são pautas que a gente privilegia, eu acho que aí tem uma curadoria nossa que diz um pouco, eu sempre dou esse exemplo, eu acho que a causa indígena, por exemplo, é uma das coisas mais graves que estão acontecendo no Brasil, o que está acontecendo no Brasil hoje, é extremamente grave e ela tem pouquíssima visibilidade e a gente faz questão de abordar esse tema no Nexo, então tem um trabalho aí que é de curadoria de conteúdo que é um pouco assim, olhar e falar meu, o que a gente acha que é importante, quais são os assuntos que a gente não quer deixar de tratar ir mostrando a complexidade desses assuntos.

Luciano          Vocês são três sócios ali não é? O que uniu vocês três agora, agora vamos virar empreendedora e a questão da liderança, etc e tal, chegaram três ali, eu entendi, veio uma antropóloga, veio uma…

Paula             A Renata é engenheira.

Luciano          … uma engenheira, não casa, não funciona, não dá para andar junto, mas tudo bem, veio uma antropóloga, uma engenheira e um jornalista…

Paula             E o Conrado é o jornalista.

Luciano          … se juntam os três, quem procurou quem, como é que nasceu isso?

Paula             Então, Renata e eu somos amigas há muitos anos, amigas, sou madrinha de uma das filhas dela, nós somos amigas há muitos anos, a gente de fato tem formações totalmente diferentes, ela é engenheira eu sou antropóloga, mas a gente tem uma leitura muito parecida de muitas coisas, leitura muito diferente de outras coisas, a gente compartilha muitas preocupações e eu fu procurar a Renata, eu tinha voltado para o Brasil e fui procurar a Renata para, justamente, conversar, estou com essa ideia, estou um pouco insatisfeita com assim, voltar para o emprego agora, estou pensando, quero pensar onde é a nossa possibilidade de impacto e fui começar essa conversa com a Renata…

Luciano          Não havia um jornal, não havia comunicação no farol…

Paula             … tinha, era coisa assim, produzir conteúdo, a gente tem possibilidade de alcançar pessoas, isso já estava dado, quero fazer um jornal, um veículo, não tinha essa clareza de um jornal, então fui procurar primeiro a Renata e a gente conversou muito sobre isso, então vamos nessa, daí eu falei para ela, eu conheço a pessoa para a gente conversar, conheço Conrado há muitos anos também e fui conversar com ele, então, o que você acha…

Luciano          O Conrado estava onde, estava trabalhando em algum lugar?

Paula             … o Conrado era editor de política do estado de São Paulo…

Luciano          Do estadão?

Paula             … é, do estadão.

Luciano          Vocês chegaram para ele com a ideia louca de startup.

Paula             … eu falei Conrado e aí, a gente está pensando em abrir um jornal e obviamente isso foi uma coisa que ele também, quer dizer, uma forma alternativa de produção de jornalismo é algo que ele também estava pensando já, então por isso que isso também ecoou ali quando eu sentei para falar dessa ideia para ele pela primeira vez, daí ele e a Renata se conheceram, enfim, a gente começou a burilar, a pensar no Nexo completamente.

Luciano          E ele pulou para o barco correndo todo o risco?

Paula             Sim. Assim como muita gente da redação, a gente tem uma equipe no Nexo que é incrível, que tem competências muito variadas, a gente não tem só jornalistas e a gente tem pessoas que vieram, várias que vieram trabalhar no Nexo quando o jornal não existia, então a gente estava num co-working que a gente alugou, teve a sorte de achar um co-working vazio, que estava sendo criado como co-working, então era um espaço enorme, vazio e a gente entrevistava as pessoas lá e falava isso, a gente está abrindo um jornal, não existia nada, então esse acho que é assim, também pensando no ponto de vista do empreendedor, foi um dos nossos maiores desafios que foi recrutar sem existir.

Luciano          E gente que vem pelo propósito, não era nem pela grana, não é isso?

Paula             Ah sim, a gente estava assim, uma das nossas preocupações nessa história era apresentar o projeto de uma maneira muito robusta, nos apresentar também olha, eu fiz isso na vida, fiz isso naquilo, então assim, todo mundo ali tinha alguma credencial, então não estou pulando num barco com um monte de gente doida, com salário, contrato, enfim, tudo isso assim, porque a gente sabia que essas pessoas iam sair dos seus empregos para virem…

Luciano          Então, esse é um ponto que eu queria estressar um pouquinho mais, a gente já está chegando para o final aqui, mas eu queria estressar só um pouquinho mais com você, que puta responsabilidade você assume quando você monta um projeto desse, os três malucos sentam, desenham um treco que eles não sabem se vai dar certo e começam a tirar pessoas do emprego para trazer para cá, para entrar nesse barco que eu não seis e vai afundar ou não, não é? E aí? Como é que esse risco é gerenciado?

Paula             É uma responsabilidade enorme mesmo, eu acho que a gente e talvez a gente tenha transmitido isso para as pessoas assim porque…

Luciano          Vocês falavam para o candidato, gente…

Paula             … mas para a gente era importante dar alguma assim, a gente tem uma clareza, enfim, que a gente assim colocou um prazo de dois anos no mínimo para a gente existir, a gente sabe  que assim antes de dois anos a gente não podia falar isso aqui não deu certo, isso aqui deu certo, então a gente tinha essa coisa que a gente fez uma conta e se deu o prazo de dois anos no mínimo para existir, antes disso a gente não ia fechar as portas, então isso acho que dá uma eu não diria tranquilidade, porque assim , é um desafio cotidiano e abrir um jornal assim, cada dia é um dia, então todo dia é um dia novo que você começa, tem que fazer acontecer e tudo, mas é uma  responsabilidade enorme também porque você coloca, eu acho que  assim, as pessoas que empreendem vivem isso e eu não assim, nem eu, nem a Renata e nem o Conrado, a gente, não é que a gente vem de uma trajetória de empreendedores, a gente… mas tem essa coisa, a gente tinha que ter muita clareza, acho que assim, o que dá segurança pra gente?  Acho que por um lado é quanto a gente investiu no planejamento do negócio, então não foi uma ideia de um dia para o outro, então a gente investiu de fato num planejamento, acho que a dedicação que a gente tem e a equipe tem, então acho que tem um compromisso muito grande, a equipe sente isso, então quando a gente… sabe, a gente passou por vários momentos onde foi fundamental falar para a equipe, tanto que a gente ficou, acho que dois meses e meio com a redação inteira funcionando sem o jornal estar no ar, então assim, olha a gente precisa achar a nossa voz, a gente precisa saber se a gente vai conseguir produzir, isso tudo foi dando um pouco a tônica do negócio, quer dizer, existe hoje um compromisso muito grande em fazer o Nexo funcionar, agora, é sem dúvida uma responsabilidade enorme, é um risco enorme…

Luciano          Mas vocês conseguiram transmitir para esse pessoal essa cultura de que estamos construindo algo novo e que de certa forma ajuda a revolucionar o que tem por ai.

Paula             … juntos. E acho que a gente faz questão assim, a cada cobertura, então assim, a gente brincava, o meu fantasma eram as Olimpíadas, porque era lá atrás, eu falava assim, gente, a gente vai ter Olimpíadas, porque Olimpíadas é o que coloca à prova um pouco também isso, os jornais estão fazendo aquela cobertura minuto a minuto, tem um esquema de reportagem, manda gente para o Rio, nada do que a gente poderia fazer, então era um pouco…

Luciano          Por que alguém viria ver pelo Nexo?

Paula             … onde é que a gente pode contribuir, era assim um pouco o nosso fantasma, a gente brincava, vai ter Olimpíada, ai chegou, fechou a mente, as olimpíadas chegaram e a gente teve que cobrir e aí é uma coisa, a gente planejou a cobertura, na minha opinião a gente fez uma cobertura muito interessante das Olimpíadas, com muito material interativo, com material de explicação, enfim, e  aí a gente fez questão de dar um retorno para  a equipe, porque é um esforço coletivo, a gente tem gente muito talentosa na redação e que comprou o projeto e quer que o Nexo funcione.

Luciano          Você falou uma, vou retomar um negócio que você falou lá atrás que a gente passou meio batido aqui que é o seguinte, vocês tem plena consciência que vocês não vieram para substituir ninguém, não é que é sou o Nexo ou a Folha, ou o Nexo e o Estadão, vocês vieram para suprir uma necessidade de um determinado nicho de mercado, é isso?

Paula             Exatamente, eu acho que assim, tem um dado hoje que eu acho que é muito positivo que os jornais estão sendo mais demandados em termos de transparência, em termos de credibilidade, acho que isso é muito saudável, para a nossa sociedade e que as pessoas possam questionar, possam fazer isso, não tem dono da narrativa mais, hoje as  narrativas estão sendo disputadas por todo mundo, ninguém mais é dono da bola nesse sentido, por outro lado eu acho que a gente, como eu falei, o jornalismo é um ecossistema e a gente, eu acho que a gente tem uma coisa que é super importante de a gente lembrar, quer dizer, o Brasil quando passou pelo processo de redemocratização, os jornais cumpriram um papel fundamental, os eios de comunicação tiveram um papel fundamental.

Luciano          Sempre, não tem, para o bem e para o mal, sempre.

Paula             A gente não pode desqualificar isso pura e simplesmente, eu acho que a gente tem que cobrar, tem que ficar atento, mas eu vejo os jornais como um ecossistema, os jornais precisam existir e a gente se vê como um veículo complementar, então a gente quer disputar o debate?  Sem dúvida, inclusive por isso que eu não gosto da expressão “mídia alternativa” eu sempre falo, porque eu acho que a ideia de alternativa é que você se constrói como uma alternativa a alguém, a outra pessoa e é pela negação, eu prefiro algo mais propositivo, eu sei quem eu quero ser, eu não quero, tipo, a minha identidade não se define exclusivamente pelo outro, eu tenho…

Luciano          Você não está trocando sinal, não é que aqui está… o que você está falando é o seguinte, olha tem o bem e em o mal e eu vou.. não, não é assim, existem carências…

Paula             … a gente não se define necessariamente por oposição a alguém, eu acho que a gente precisa ter algo de mais propositivo, então eu acho que a gente é complementar, a gente é um pedaço desse ecossistema, se a gente for pensar hoje, a gente tem Mídia Ninja, tem todas as mídias, os Jornalistas Livres, tem jornalismo de nicho, o J que é voltado só para o direito, você tem agência pública que aí faz reportagens de mais fôlego, você tem, quer dizer, uma série de iniciativas aí que vão compondo em tamanhos variados, com maneiras de fazer o jornalismo variadas mas você tem hoje um ecossistema que está muito vivo, então por isso que eu também não gosto dessa ideia de crise de jornalismo porque eu acho que a gente tem um ecossistema que está muito vivo, agora, eu não acho que os jornais sejam prescindíveis, ao contrário, eu acho que eles são essenciais e vejo o Nexo como um veículo que é complementar.

Luciano          Você está ouvindo o recado que a Paula está passando para você aqui que está me ouvindo com a boca aberta? As coisas estão ficando mais difíceis para você que está ouvindo a gente aqui, não estão ficando mais fáceis não, quando a gente vem aqui e diz que apareceu o Nexo, tua vida ficou mais difícil, não ficou mais fácil não porque você vai ter que exercer teu processo de escolha de cada vez mais acentuado, ou seja, são muito mais fontes separadas que hoje você não está bebendo de duas ou três fontes, já existe uma centena gigantesca de fontes, o que joga no eu colo uma responsabilidade gigantesca de escolher qual é a fonte que eu vou beber e se você escolher determinadas fontes, você vai escolher que mundo está sendo mostrado para você, quer dizer, a janelinha, você escolher por qual janela você vai olhar o mundo e vai enxergar o mundo que aquela janela mostra, então tem que ter um preparo, tem que ter os neurônios funcionando aí para entender o que está acontecendo aqui. Paula, nós estamos chegando aqui no nosso final, eu quero que você me dê as dicas agora do nosso jabá aqui, muito bem, quem quiser conhecer esse mundo do Nexo, o que, me dá as dicas aí, chega por onde?

Paula             Então, o nosso site é o nexojornal.com.br

Luciano          É nexo com X, N E X O…

Paula             … jornal…

Luciano          … de onde vem o nome?

Paula             … Nexo a gente acha que encarna justamente essa ideia de contexto, de criar nexo, de dar sentido, de promover conexões, a gente criou o nome curto, forte, Nexo, ele sintetiza tudo isso, a gente botou jornal porque a gente fazia questão de ser um jornal, então assim, as pessoas falam ah jornal uma coisa tão antiga, não, a gente é um jornal, a gente não é uma revista, a gente tem uma produção diária de um volume grande, a gente faz notícia, então é nexojornal, nexo com X, jornal tudo junto .com.br, se você der um Google você vai achar, vai aparecer  lá em primeiro e a gente tem uma página no Facebook, a gente tem o Twitter também e você pode acessar, enfim, a gente tem hoje cinco conteúdos que são gratuitos, mas as áreas que estão sempre abertas, são essas áreas do podcast, que são os ensaios, a gente publica dois ensaios por semana e os trechos, são trechos de livro que a gente publica também e hoje tem uma assinatura de 12 reais por mês para você ter acesso a todo o conteúdo do site e outros benefícios do assinante também, a gente tem uma newsletter diária que ela é um sucesso, ela é gratuita, ela chama “Anexo” e você tem um resumo de tudo o que importa logo pela manhã, então ela chega no seu celular com resumo das notícias do dia e aí não só do Nexo, a gente mapeia para você tudo o que é importante você saber naquele dia, de jornais do Brasil e do mundo, então isso chega no seu celular e você precisa só entrar lá na página do Nexo e se cadastrar, essa newsletter é gratuita e a gente tem uma newsletter especial para o assinante que chega no domingo que é “O que estamos lendo” e é uma seleção de conteúdos da redação, do que a gente está lendo no mundo inteiro, a gente seleciona para você para você não precisar fazer essa pesquisa, obviamente eu sei que os leitores fazem as próprias, mas acho que é legal a gente entrega para você também uma curadoria de coisas que a gente acha que são interessantes, que a gente acha que os nossos leitores e as nossas leitoras vão gostar, então tem uma série de benefícios para o assinante, convido vocês a entrarem lá no site para conhecerem.

Luciano          Willian Moonright uma vez escreveu assim: “você não tem culpa de ser ignorante, mas tem culpa se não procurar a cura”. Ou seja, está na mão, está à disposição, se você se preocupar um pouco com o que acontece no país e quiser uma visão complementar ao que está acontecendo por ai, vem para o Nexo, eu já estou leitor dos caras há um bom tempo e fico feliz desse papo acontecer aqui, de você ter vindo aqui, Paula, parabéns viu.

Paula             Legal, obrigada por ter convidado.

Luciano          Parabéns pela coragem, parabéns pelo projeto em si, parabéns por estar conseguindo sucesso, eu espero realmente que vocês cresçam a ponto de a gente poder olhar e quando alguém perguntar quais são os grandes jornais brasileiros, eu quero ver o Nexo ali.

Paula             Obrigada, espero, obrigada pelo convite.

Luciano          Imagina, um abraço.

Transcrição: Mari Camargo