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Ciça Camargo -

Luciano          Muito bem, de volta ao LíderCast. O programa de hoje eu já quero começar com agradecimento, este aqui é mais um contato que o grande Sandro Magaldi me propicia, a chance de conversar com pessoas que realmente estão fazendo acontecer, esse de hoje aqui é daqueles que eu adoro fazer porque eu recebo alguém que eu não conheço, não sei da história do cara, a gente vai almoçar e na hora do almoço é que pintam algumas indicações ali, então posso exercer esse meu grau de curiosidade até o limite final. Esse aqui, ele é ouvinte do LíderCast, então já conhece as três perguntas iniciais, que são aquelas de sempre, vamos lá: preciso saber seu nome, sua idade e o que é que você faz.

Thiago            Thiago Oliveira, bom, primeiramente obrigado pela oportunidade, também é bem satisfatório mesmo. Thiago Oliveira, tenho 36 anos, hoje eu sou presidente do Grupo Oliveira, que ele é composto por quatro empresas de segmentos distintos, aonde tem uma das empresas que é a maior que é a IS logística, IS Log Service agora.

Luciano          IS Log Service.

Thiago            Isso.

Luciano          Muito bem. Thiago, você vem de onde? Você é interiorano do bom? Como é que é?

Thiago            Não, hoje eu moro em Jundiaí, no interior, mas eu sou nascido e criado em São Paulo, na capital, na Zona Leste, São Miguel Paulista.

Luciano          Sim.

Thiago            Eu brinco que eu tenho essa cara de menino de apartamento, mas eu sou da Zona Leste.

Luciano          Você fala o idioma deles lá ou não?

Thiago            Falo.

Luciano          Legal. Thiago, você tem uma história fascinante aí que tem a ver com aquele modelo que a gente conhece do empreendedorismo, o que que é o empreendedor: é aquele sujeito que tem uma ideia e que sai atrás dessa ideia e faz acontecer e no fim das contas você olha para trás e fala olha que bela construção eu fiz. Você é um desses caras que fez, com alguns, digamos assim, agravantes na sua história, quer dizer, você não era um cara que tinha dinheiro e um belo dia resolveu investir em alguma coisa, você também não era um cara que saiu de um emprego, pegou o dinheiro da rescisão para construir, você saiu absolutamente do zero e eu queria conversar isso com você…

Thiago            Não, zero não, devendo.

Luciano          … devendo, abaixo de zero. Tua formação o que que é? Você estudou quando era moleque?

Thiago            Não, moleque no EEPG, uma escola do governo, depois eu fiz faculdade já quando eu estava com a empresa, já era sócio da empresa.

Luciano          Mas depois já estava com a empresa andando.

Thiago            Depois estava com a empresa andando.

Luciano          Tua família, origem, teu pai, tua mãe são o que? São brasileiros?

Thiago            São brasileiros.

Luciano          Eram executivos, o que que eles eram?

Thiago            Nenhum dos dois. Minha mãe era do lar e meu pai trabalhava na área comercial, gerente comercial de uma empresa.

Luciano          Tá, e aí, você moleque de tudo, morando lá na… aqui em São Paulo, você, qual era o sonho, quando eu crescer eu quero ser o quê?

Thiago            Bom, de pequeno era ser jogador de futebol, como as drogas não permitiram, as drogas das pernas não permitiram eu ser jogador de futebol, depois era melhorar de vida e a condição das pessoas que estavam em minha volta, esse era o meu grande sonho.

Luciano          Não tinha uma profissão definida, não era aquela história “quero ser médico”, “quero ser jornalista”…

Thiago            Não.

Luciano          Não.

Thiago            Não, não tinha definido e eu sempre com uma dificuldade com os estudos que eu tenho um déficit de atenção, então para mim, concentração, eu sofro uma dificuldade grande com isso até hoje, na verdade.

Luciano          Me fala um pouco disso aí, quando é que você descobre, porque hoje em dia o pessoal já criou uma sigla, já está tudo definido, quando você era moleque…

Thiago            Nunca soube disso, para te falar a verdade.

Luciano          Não era assim, era um garoto problemático, era um menino problemático.

Thiago            Problemático, dificuldade na escola, sempre tive dificuldade na escola, eu vim saber a verdade há cinco anos, sobre isso, eu descobri sobre esse problema há cinco anos.

Luciano          Fala um pouco dele.

Thiago            Tem dificuldade de se concentrar, por exemplo, para ler um livro, eu tenho uma dificuldade grande de concentração num livro, qualquer coisa ao redor me tira da concentração, então isso tem um lado bom, tem um lado ruim que você tem uma dificuldade de ler, de se concentrar, mas tem um lado legal que você fica um cara inquieto e quando você fica inquieto você se torna na sua vida um cara inquieto e nada te satisfaz, isso você passou a vida inquieto, nada está bom, você sempre quer procurar algo para fazer melhor…

Luciano          Parece que nós estamos sendo treinados todo mundo ter déficit de atenção hoje em dia, porque cada lado que você olha tem uma coisa te chamando a atenção e aqui no Brasil então é terrível. Eu tenho uma palestra sobre produtividade onde eu falo que talvez o número um, problema do brasileiro seja essa dificuldade de focar naquilo que ele está fazendo, esquecer para o resto, mergulhar naquilo e executar a tarefa, porque a gente para a cada segundo para fazer.

Thiago            Não tenho dúvida e ainda mais com tanta tecnologia.

Luciano          E aí você então entendeu que estudando não era o bicho, ia ser difícil para você.

Thiago            Ia ser difícil ia ser muito difícil.

Luciano          E aí cara, a situação chega aonde?

Thiago            Cara, aí meus pais, quando eu tinha 15 anos, tiveram um problema familiar, eles se separaram, meu pai foi morar na Zona Leste, na região do Brás, minha mãe continuou na casa dela…

Luciano          Você tem irmão?

Thiago            Eu tenho três irmãos. Dois irmãos, um mais velho, os dois trabalham comigo hoje na empresa e são ótimos lá dentro e aí eu saio da casa da minha mãe, minha mãe foi morar no litoral, meu pai foi morar no Brás e eu fui morar na casa de uns amigos que eu falo que é a minha família postiça, que eu tenho um agradecimento a eles muito grande hoje. Era um amigo de escola, eu não tinha praticamente onde morar, passei um tempo morando com eles, depois eu fui morar sozinho, eu estou falando eu com 17 anos aí, nesse caso.

Luciano          E os seus irmãos? Cada um para um lado?

Thiago            Meu irmão mora em Mongaguá e minha irmã, grávida aos 15 anos, morando também em Mongaguá.

Luciano          Caramba, como é que é implodir uma família na cabeça de um garoto de 15, 16 anos?

Thiago            Sendo muito sincero, se não tivesse essa família postiça do meu lado talvez eu teria me tornado um cara rebelde, a dificuldade muito grande de lidar com toda essa situação, entendeu?

Luciano          Como é que é? Quando você recebe a notícia de que papai e mamãe não estão mais juntos, não é só isso, a minha casa não existe mais, meus irmãos foi um para cada lado e eu estou só.

Thiago            E minha irmã com 15 anos grávida.

Luciano          Como é que é? Como é que trabalha isso?

Thiago            Desesperador, desesperador, mas eu acredito muito que ainda Deus, de alguma forma, cuidou de mim ali, segurando as mãos.

Luciano          Mas na época não tinha Deus na jogada.

Thiago            Não. E aí foi desesperador, foi a ponto assim de você não saber o que fazer, você pensar em várias bobagens.

Luciano          E aí, você canaliza essa energia então, essa angústia para onde?

Thiago            Aí eu tive a oportunidade, nesse pessoal que eu morava, eles me arrumaram um emprego de office boy, eu trabalhava num escritório de contabilidade; eu era office boy com 17 para 18 anos, eu me tornei office boy dessa empresa e eu comecei a trabalhar como office boy, eu levava coisas que nem existem mais, hoje é tudo motoboy, pegava o trem, o ônibus para levar documentação de um cliente para outro.

Luciano          Já era a raiz do teu negócio.

Thiago            Era porque devido a isso eu comecei a estudar contabilidade, que foi inclusive uma dica que o dono do escritório de contabilidade me deu, ele falou, se um dia você for estudar entre contabilidade e administração de empresa, vai para a contabilidade e ele me explicou o porquê.

Luciano          Que interessante. E aí você entrou naquela também sem ter muita expectativa do que que vinha.

Thiago            Sem ter muita expectativa…

Luciano          Essa veia empreendedora não tinha despertado ainda?

Thiago            Nenhuma.

Luciano          Quando é que isso aparece?

Thiago            Aí meu pai passando na casa dele, minha mãe já morando no litoral com a casa dela fechada aqui em São Paulo, a gente passando por uma dificuldade. Meu pai tinha um Monza 94, aí eu conheci o amigo, sabe aquele amigo, do amigo, do amigo, do amigo que falou que numa empresa de transporte, lá eles tinham motorista agregado, que eu podia pegar um veículo, fazer as entregas que eles pagavam por dia lá cada entrega, cada final das entregas realizadas, isso tem até hoje nas  empresas de transporte, a cada entrega realizada,  eles pagavam no final do dia uma diária para você.

Luciano          Sem ter relação de emprego.

Thiago            Sem ter nada…

Luciano          Era um freela.

Thiago            … está aqui a lista, vai lá e entrega, no final volta aqui e pega o  dinheiro, minto, a cada 15 dias volta e pega o dinheiro, depois de entregue.

Luciano          Não tinha carteira assinada, não tinha nada.

Thiago            Nada, nada.

Luciano          Bom.

Thiago            E ai eu começo a fazer as entregas nessa empresa e aí para o grande problema, muitas vezes a conta não fechava, o carro dava mais manutenção do que fazer as entregas, porque nesse modelo de negócio, toda entrega, toda a manutenção, combustível, é tudo por sua conta, então se o carro quebra e for uma peça mais cara, perdeu o dia.

Luciano          Que ano era isso?

Thiago            Isso eu estou falando de 2000.

Luciano          2000, tá.

Thiago            2000, porque eu tinha 17 anos, entrei no escritório de contabilidade com 17 anos, fiquei até os 18 e meio, quase 19. 19 anos eu fui para essa empresa e aí eu fiquei um período nessa empresa fazendo entrega com esse veículo e aí que vem o despertar do empreendedorismo, o despertar do empreendedor.

Luciano          Qual é, me dá o snap, o que que foi?

Thiago            Aí que eu percebi que você fazendo… primeiro eles tinham um modelo assim, eles entregavam mercadoria com mala expressa, mala expressa é aquele invólucro que você leva documentação, você leva material de marketing, você leva material de escritório para as lojas, para as empresas e para os escritórios…

Luciano          O tal malote, não é?

Thiago            … o tal do malote, exatamente, você pega e faz essa entrega e eu percebi o seguinte, quando nessa empresa de transporte eles faziam as entregas com mercadoria, não tinha tanto e-commerce na época, era mercadoria mesmo, sem ser e-commerce e o malote, quando tinha um problema, que era um assalto, o stress era muito maior quando perdia a mala expressa, porque a  documentação estava dentro, era muito mais importante do que a própria mercadoria, a mercadoria tem seguro, paga, acabou e pô, eu chego na minha inocência, chego para o dono e falo, por que vocês não fazem uma operação separada e eles faziam na época entrega o seguinte, uma equipe entrega e a outra coleta. Eu falei porque vocês não fazem a operação separada e quando vocês levam uma mala expressa você já coleta, que hoje usa um nome bonito, logística reversa, que eu nem sabia na época o que era e…

Luciano          Quer dizer, logística reversa é isso, você aproveita um canal de ida para utilizar como volta, é isso?

Thiago            Exatamente.

Luciano          Tá, vai e volta.

Thiago            Vai e volta.

Luciano          Que parece que é absolutamente lógico.

Thiago            Pois é, mas hoje tem empresa, inclusive, que não faz dessa maneira ainda hoje, pelo modelo de negócio dela. E você, e aí peguei, sugeri para eles, falei por que vocês não fazem essa operação? Vocês entregam, coletam numa operação separada, levei para o dono da empresa, o dono da empresa achou que eu estava…

Luciano          Esse moleque de 18 anos…

Thiago            …  na época eu tinha 20 já…

Luciano          … esse moleque… é igual, esse moleque de 20 anos entra aqui com essa história.

Thiago            … e eu fui dormir com isso na  cabeça, ficou me incomodando tal e comecei a pesquisar sobre negócio de transporte e tal, na época minha esposa, era noiva, comecei a namorar já ficamos noivos, ela trabalhava numa empresa chamada Grupo Benassi, uma empresa muito grande em Jundiaí e eu fiquei amigo do marido da patroa dela, na época a Ana Lúcia, e eu conversando com um cara ele falou pô eu queria fazer outros negócios, falei eu tenho uma ideia, vendi uma ideia brilhante, genial, falei eu tenho uma ideia e essa ideia funciona assim, assim, assim, vai custar ai com o capital que a gente precisa é 17 mil reais, a gente precisa alugar uma sala e fazer.

Luciano          17 mil reais, no ano 2000.

Thiago            No ano 2000. Era muito, como investidor anjo, ele foi como investidor, era muito dinheiro para a época.

Luciano          Devia ser o que hoje? 50 paus?

Thiago            Não, nem isso, uns 40. É, 40, 50 mil.

Luciano          50 mil reais hoje.

Thiago            É, isso aí.

Luciano          E aí você ofereceu para ele: quer apostar nessa?

Thiago            Eu falei assim, tenho essa oportunidade, eu acredito por causa disso, disso, disso, disso, ele falou Thiago, eu até achei estranho, falei para a minha esposa, a gente dá risada dessa história até hoje, que eu falei com ele num domingo, na outra semana, segunda feira ele me ligou e falou assim Thiago, vamos tocar a ideia, estou deixando um envelope de dinheiro com a tua esposa aqui no escritório no Benassi. Para mim foi assustador, como o cara acreditou tão rápido assim.

Luciano          Por quê?

Thiago            Eu acho que ele viu assim, eu acho que no fundo ele viu que eu tinha assim, pô, queria formar uma família, eu acho que já era noivo, a gente pensava em casar…

Luciano          Não é um louco.

Thiago            … não era um louco, eu estava formando, pensando em, eu penava em estudar, eu sempre compartilhei que eu pensava em estudar, ele viu que eu tinha assim, eu tinha um objetivo traçado, a gente não estava… tinha o pé bem no chão assim.

Luciano          Conhecia a tua esposa.

Thiago            Conhecia a minha esposa e sabia que, ele sabia que também eu poderia ter pedido fundos e fundos porque ele tinha condições, eu pedi só o valor que eu necessitava mesmo para o negócio, ele falou, o cara podia ter pedido 100, 200 mil, não, o cara pediu o valor que para ele… também não tinha problema no capital dele.

Luciano          Quer dizer, você tinha, sem querer, naquele momento, sem querer que eu quero dizer é o seguinte, não foi proposital, mas você tinha talvez o atributo fundamental naquele momento que era a credibilidade, o cara confiou em você.

Thiago            Confiou em mim.

Luciano          Foi lá e botou na tua mão o envelope de dinheiro e falou vai.

Thiago            Vai.

Luciano          Não te pediu plano de negócio nada disso.

Thiago            Nada disso, nada disso. Eu falei mais ou menos o que que a gente ia fazer com o dinheiro e aquele eu agarrei como a oportunidade da minha vida.

Luciano          Você está naquela situação do cara que está no restaurante paquerando a loura. Ele paquera, ele está lá olhando, de repente a loura olha e dá um sorriso para ele, ele fala e agora, o que eu faço depois do sorriso? De repente você está sentado, cai na tua mão o envelope com o dinheiro, e agora? O que que eu faço?

Thiago            E aí como eu tinha, que me serviu muito, toda essa experiência como office boy no escritório de contabilidade, então eu sabia toda a tramitação de abrir empresa, tirar um CNPJ, fazer um contrato social, eu já comecei economizando, que é uma coisa que eu observo muito, o empreendedor começa a ganhar um dinheirinho ele já vai lá, compra um carro zero financiado em trinta e seis parcelas, então eu comecei já a pegar e falar não, aqui é a oportunidade da minha vida, todo real que fica, ele vai ficar inteiro, então ele tem que ficar aqui, então onde dava para economizar eu economizava.

Luciano          O que você almoçava?

Thiago            Eu fiquei dois anos almoçando Club Social. Tinha o dinheiro no caixa, mas eu fiquei guardando, guardando.

Luciano          Para quem não sabe o que é Club Social, é aquela bolachinha água e sal. E aí?

Thiago            Eu peguei esse capital, montei a empresa…

Luciano          Você saiu da empresa em que você estava, você saiu de lá onde você estava fazendo aquelas…

Thiago            Do office boy saí.

Luciano          … saiu…

Thiago            Da entrega, da entrega saí.

Luciano          … largou tudo aquilo e entrou…

Thiago            Larguei tudo e entrei nisso e comecei… aí eu tinha definido o valor, o mínimo para sobreviver assim, na época eu até me lembro, acho que era R$ 500,00 a gente ainda não era casado, eu morava com meu pai na época, tinha retornado para a casa do meu pai e eu fui…

Luciano          Você tirava esses R$ 500,00 daqueles 17 mil?

Thiago            Sim, tirava de lá, era esse valor que a gente fez a conta entre aluguel, a sobrevivência e o primeiro cliente, era o que precisava para sobreviver.

Luciano          Tudo no… primeiro cliente era um chute, você não sabia se ia ter, você não tinha nada em mãos.

Thiago            Não. Aí nós alugamos uma sala, eu achei um amigo que tinha um centro comercial, na verdade, ele fez um contrato de locação para mim, o Wagner que foi o fiador e nós abrimos no Ipiranga, nós estamos no Ipiranga até hoje em outro imóvel, mas a empresa começou no Ipiranga, começamos nessa sala, um telefone e um administrativo e o legal, não tinha nenhum carro, uma empresa de transporte sem nenhum carro para entregar, esperando o primeiro cliente. Ele falou assim pô, você precisou matar um leão por dia, eu falei não, eu precisei achar o leão primeiro para depois matar, foram seis meses ligando, prospectando, visitando cliente, muitas vezes nem tinha visita para o primeiro cliente comprar a ideia, porque a gente não tinha referência, mercado multimilionário, até hoje lidamos com potências, empresas que faturam 500, 600 milhões de reais, ninguém acreditou na nossa ideia.

Luciano          Então, você cata o telefone, liga para um sujeito que é executivo de uma empresa e fala…

Thiago            Difícil de achar quem resolve, já era a dificuldade que tinha…

Luciano          … chegar no cara, doutor fulano, eu sou o famoso Zé, tenho 22 anos, não tenho carro, não tenho nada, vamos para o lepo lepo, como é que é a história? Vem aqui que eu estou te propondo um negócio. Que valor, que proposta você levava para um cara assim?

Thiago            Primeiro desafio foi assim é…

Luciano          Detalhe, me entregue os documentos importantes da tua empresa que eu vou cuidar deles. Como é que é?

Thiago            … eu vou contar, o primeiro desafio, era chegar em quem resolvia, porque isso acontece até hoje, entre prospectar e visitar hoje, a gente demora seis meses, entre prospectar e acontecer, hoje a gente tem esse indicador que a gente mede, o primeiro telefonema que você dá na empresa, para chegar em quem resolve, em média oito telefonemas, porque é um passa para um, passa para outro, então o primeiro desafio era chegar em quem resolvia, quando nós chegamos em quem resolvia, que era um cliente de uma marca que está até hoje no mercado, quando nós chegamos em quem resolvia, foi vender a ideia…

Luciano          Você pode falar as marcas aqui à vontade, não tem problema.

Thiago            … tá, não tem problema, então foi a Ri Happy brinquedos. Foi o primeiro cliente que nós vendemos o serviço, que eles são clientes até hoje e aí o legal dessa história é o seguinte, primeiro nós vendemos a ideia para o cara, como nós funcionávamos, nós vendemos a ideia. Como nós éramos mais baratos e nós vendemos a ideia de como funcionava, ele comprou todas as ideias, na visita que nós fomos, aí foi o grande problema, quando ele fala assim: está bom, nós vamos visitar tua estrutura. E aí eu conto essa história, estou contando em primeira mão para você, eu conoto essa história que é assim, nós não mentimos, mas como era um prédio comercial com muitas salas, ele foi visitar, eu entrava em todas as salas e falava, oi tudo bem?  Cumprimentava e saía, então era uma casa com várias salas, ele achou que tudo era estrutura nossa…

Luciano          Não tinha uma plaquinha na porta

Thiago            … não, não tinha nada e aí nós iniciamos a primeira operação, ele comprou a ideia, foi o primeiro cliente nosso e aí nós temos o segundo problema, legal, fechamos, comemoramos, vitória e carro para fazer essa entrega? Porque não tinha capital, aí eu contratei agregado, que é aquele cara que eu era naquela outra empresa, começamos a operar com agregado, toda a empresa nasceu…

Luciano          Quer dizer, você deixou para contratar o agregado depois que o cliente veio com o primeiro…

Thiago            Até por questão de capital.

Luciano          Mas você chegou a assinar contrato com o cliente, tudo certinho? Contrato de fornecimento, tudo certinho?

Thiago            Sim, tudo certo.

Luciano          Meu amigo, que loucura isso, é a segunda vez que você toma uma atitude que vai mudar tua vida baseada na credibilidade que alguém coloca em você, o primeiro acreditou e te deu 17 e o segundo acreditou e te da um pedido sem você ter estrutura, como é que é isso? O que você fez para construir essa credibilidade?

Thiago            Eu falei um negócio para a pessoa, para mim é igual ao primeiro emprego, que hoje eu levo muito na empresa, a pessoa às vezes não tem experiência, alguém, meu Deus, tem que dar oportunidade para essa pessoa, como ele vai ter o primeiro emprego se ninguém dá a oportunidade?

Luciano          Eu, que vou botar na tua mão o negócio de alta responsabilidade, por quê? Pelos teus belos olhos? Como é que é? Isso que você está falando é um insight absolutamente fundamental para mim que é aquela história, quer dizer, se eu quiser começar um negócio do zero, sem ter nada, a  única coisa que eu não posso abrir mão é de construir uma credibilidade, como eu não tenho dinheiro, não tenho escritório, não tenho uma equipe, não tenho fábrica para mostrar, não tenho nada para mostrar, o que sobrou para mim? No primeiro caso lá, ficou muito claro, você tinha alguns valores que o cara enxergou em você e falou pô, dá para acreditar nesse cara por causa dos valores familiares dele, então é um cara que está interessado, ele quer crescer, conheço a esposa dele, tem o pé no chão, são valores morais aos quais eu acho que vale eu acreditar e botar o dinheiro na mão dele. No segundo caso já não era uma relação pessoal, era uma relação empresa com empresa e você encontrou um cara que assumiu esse compromisso, assumiu esse risco que é um baita risco, quer dizer, esse cara tinha que ter culhão para falar pô, vou acreditar nesse garoto aí e vou fazer a coisa andar, como é que é isso? De onde vem isso aí, a quem você atribui isso?

Thiago            A quem eu atribuo isso?

Luciano          A que você atribui isso? Aos teus belos olhos?

Thiago            Não, eu acho que você…

Luciano          À tua lábia, o que é que foi?

Thiago            … o principal é você ser transparente com o cara, você falou assim não adianta falar que eu tenho, ele pediu carta de referência, você tem carta de referência? Falei assim, vou ser muito sincero com você, a empresa tem uma estrutura, mas você está sendo o primeiro cliente, a empresa tem uma estrutura física, que é onde ele foi conhecer, tem colaboradores, mas você é o primeiro cliente, não adianta eu dar uma carta de referência, não é isso, eu acho que essa transparência levou à credibilidade, entendeu? E além do que, aí vem os valores agregados do próprio serviço, serviço que a gente vendia, qualidade, vendia o custo mais barato…

Luciano          Sim, mas isso era tudo promessa, isso era só promessa, esse cara está até hoje?

Thiago            Está até hoje, o colaborador não, mas a empresa está até hoje.

Luciano          Mas o colaborador, você tem contato com ele ainda até hoje?  Porque você tem que agradecer a ele para o resto da sua vida, que a coisa mais difícil…

Thiago            O nome dele é Amilcar, eu lembro o nome dele até hoje.

Luciano          … a coisa mais difícil de encontrar, agora estou falando como fornecedor, depois que eu consigo passar pela barreira de chegar em quem resolve, é encontrar um cara que fala: eu vou acreditar no que esse cara está dizendo, eu vou correr esse risco e por mais que você tente transformar aquele risco numa coisa pequena, a maioria não está nem aí, para que correr risco, para que me incomodar?

Thiago            Inclusive isso é uma dificuldade que a gente tem até hoje, de o funcionário assumir a mudança.

Luciano          Sim, assumir risco. E uma coisa que eu aprendi, o tempo que eu era, quando eu tinha o poder na minha mão, de ser um diretor que definia coisas. O que eu construí de fornecedor na minha vida, quando eu falo construir é pegar o cara que nem você e falar vamos acreditar moçada, teve fornecedor meu que, para você ter uma ideia, na época que eu era área de comunicação, eu tinha fornecedor que fazia parte de arte para nós, todo mundo, eu cheguei a parar o meu carro na frente do escritório dele, descer, chamar o cara e falar Mané vem cá, vamos no meu carro lá, isso aqui é um computador, pega, põe na mesa, aprende a lidar com esse negócio aqui porque eu não vou mais aceitar as artes feitas à mão, eu quero a arte por computador. O computador está aí e você vai me pagar esse computador com serviço, se vira e virei as costas e fui embora e aquilo eu transformei a vida do cara porque a partir daquele momento ele teve acesso a um negócio que ele não teria porque eu acreditava no cara e fiz isso com dezenas de fornecedores sempre naquela ideia: se eu fizer esse cara crescer, eu vou ter com ele uma relação que não se tem, porque não deixa de ser uma relação de negócio para ser uma relação pessoal, eu confio no cara, eu vou mostrar para ele que eu tenho essa confiança, ele vai ter que me contrapor essa confiança e assim você pode construir relações, vários deles são meus amigos até hoje e aquela história do ganha que me parece que começou a acontecer com você naquele momento, mas vamos lá, você então começou a rodar a rodinha, você chegou em casa e falou para a tua esposa, está aqui o primeiro pedido, como é que foi?

Thiago            Aí vem o problema, segundo problema: quem vai fazer essas entregas agora? E aí nós saímos igual loucos, nós fizemos anúncio de jornal na época, anúncio em jornal, contratamos um agregado, que este agregado está até hoje na empresa como motorista, ele é o motorista mais antigo da empresa, chama Wilton, a gente brinca que um dia vai chegar ele vai estar embalsamado na recepção da empresa, eis aqui o primeiro motorista da IS e contratamos ele como agregado, aí começou o primeiro cliente a rodar.

Luciano          De novo: sem contrato, sem carteira assinada, sem nada.

Thiago            Sem nada. Ele era agregado.

Luciano          Quer dizer, é uma operação que começa na ilegalidade, totalmente. E aí veio o segundo cliente, depois de um período de dois a três meses, aí ficou um pouco mais fácil, porque eu tinha o primeiro de referência, então a gente falava assim, liga para este cliente aqui que ele está com a gente e já ficou um pouco mais fácil e aí veio a necessidade do segundo, terceiro agregado e aí fomos aumentando até chegar no quarto, quinto agregado.

Luciano          E passou a funcionar a empresa.

Thiago            Passou a funcionar fazendo só São Paulo capital, não fazia nem ABC, nem interior, nem nada, era só as entregas em São Paulo, capital. A empresa nasceu como Inter Shopping, que por isso depois surgiu foi o nome de IS, que fazia só shopping center, esse era o core da empresa, só fazia rede de shopping center, hoje já mudou bastante, mas saiu assim.

Luciano          E aí você olha para aquilo e fala meu, esse negócio pode dar muito certo, você me contou um negócio na hora do almoço que eu achei interessante, que você falou que agarrou isso como sendo a tua única esperança.

Thiago            Como a minha única esperança de melhorar de vida.

Luciano          Sem pesquisa de mercado, sem plano de negócios, qual era o propósito, cara, eu preciso dar um jeito na minha vida e isso vai contra tudo o que você escuta hoje, hoje quando você ouve o pessoal falar de empreendedorismo, eu tenho um propósito, o meu propósito, a coisa grande, linda, maravilhosa…

Thiago            Eu não tinha nada disso.

Luciano          … você não tinha absolutamente nada.

Thiago            Nada, nem propósito, nem plano de negócio, nem contato, nem relacionamento como executivo com outras empresas, não tinha nada.

Luciano          Você tinha percepção do risco que você estava correndo?

Thiago            De verdade?

Luciano          É.

Thiago            Não.

Luciano          Nenhum?

Thiago            Nenhum.

Luciano          Até porque se não desse certo você não tinha nada a perder.

Thiago            Exatamente.

Luciano          E aí?

Thiago            E o negócio começou a operar e veio um segundo desafio, três, quatro, cinco agregados, a gente, desliga um agregado da operação e pô, chega a primeira ação trabalhista, aquela gigantesca, o cara pedindo um valor absurdo…

Luciano          Quanto ele pediu?

Thiago            400 mil na época, um negócio assim, foi o primeiro, então um menino novo, office boy, nunca teve experiência, vivência, minha carteira de trabalho é em branco, não teve experiência nenhuma em outra companhia, nunca teve um problema na justiça, aí chega uma ação trabalhista, o cara cobrando uma fortuna, então o primeiro parafuso que eu quase entrei.

Luciano          Quer dizer, você não tinha nem consciência naquela época que esses agregados poderiam alegar uma relação de…

Thiago            De vínculo empregatício.

Luciano          … você nem sabia disso?

Thiago            Nem sabia disso, até porque eu trabalhei noutra empresa, não teve problema nenhum, eu achei que isso era normal.

Luciano          Não passou pela tua cabeça entrar contra a empresa, nada disso?

Thiago            Nada disso.

Luciano          E também você não viu isso acontecer noutra empresa?

Thiago            Nenhum problema.

Luciano          Cacetada! E aí? Chega um oficial de justiça…

Thiago            Com uma ação, aí eu liguei para a minha advogada como se fosse hoje, liguei chorando, desesperado, eu falei assim, agora que eu consegui, eu acho que três ou quatro clientes na época, agora vou ter que fechar, vou fechar a empresa doutora, eu não vou conseguir pagar isso e a advogada me acalmou, ela teve muita sabedoria. Ela falou calma Thiago, entrar eles entram pedindo uma fortuna mesmo, você não vai ter esse problema, pode ficar tranquilo, me acalmou e aí eu esperei o negócio acontecer, mas aí eu percebi que eu tinha que mudar o modelo de negócio.

Luciano          Mas você perdeu a ação e teve que pagar para o cara.

Thiago            Não esse valor de 400 mil, fez um acordo, não me lembro, 5, 6 mil reais, pagando em parcelas suaves, fiz o acordo com o cara e aí perdi, paguei e eu percebi que eu tive que mudar o meu modelo de negócio.

Luciano          E você percebeu que o barato acaba saindo caro, por quê? Você tendo agregado ali você não tinha nenhuma despesa que teria se fosse um funcionário teu, você não teria carteira assinada, não teria nada daquilo, o que é uma economia no começo, no princípio, mas teria esse risco no final de o cara sair e te meter uma ação trabalhista, isso aconteceu de novo?

Thiago            Não.

Luciano          Foi só um?

Thiago            Só um, mas um já serviu para a gente mudar o modelo, que aí nós começamos a mudar de acordo com o caixa da empresa, devagar, comprar veículo próprio, contratar o cara via CLT e por o cara via CLT com o carro da empresa, foi sempre devagar.

Lluciano         Quer dizer, você começou a entrar na legalidade, é uma coisa interessante que essa história que você está contando aí, ela se repete em muitos dos casos que eu conheço que se o cara não começar com o pé na ilegalidade ele não consegue dar a largada, por exemplo, se você fosse começar o teu negócio com dois, três carinhas contratados por você, com automóvel e tudo aqueles dezessete não dariam, você nem saia do zero.

Thiago            Nem saia do zero e outra coisa importante, não teria nem lastro financeiro, eu não teria porque a empresa tinha, na época tinha eu e o Wagner que emprestou os 17 mil, que entrou no contrato social, a empresa, na verdade, teria dificuldade pelo meu lastro financeiro, não tinha referência, eu era office boy, ganhava pouco, então não tinha lastro para estar comprando um veículo, e estamos falando de doze, treze anos atrás onde o capital era mais difícil até do que hoje.

Luciano          E aí, aí você começa a mudar o esquema e os clientes começam a  perceber que você tinha um valor agregado diferente das  outras empresas.

Thiago            É, mas na verdade os clientes nem sabiam que era agregado, por isso que até deu vínculo, porque eu sempre tive aquela história…

Luciano          Não, quando eu falei para você a questão do valor agregado, estou dizendo outra coisa aqui, você começou oferecer para os caras, você não criou uma empresa para repetir o que já existia no mercado, você criou uma empresa, ela entrou num nicho e falou olha, eu faço uma coisa que os outros não fazem.

Thiago            Não inventamos a roda, não fizemos nada, mudamos um processo que já existia e trouxemos valor, principalmente valor de operação e valor financeiro para o cliente. E começamos a vender a ideia que se a mala expressa dele estava com concorrente, não teria problema nenhum, porque estava lacrada e um não ia saber o documento do outro, que era o grande desafio, nesse modelo de logística reversa, quando eu vou num shopping center, eu faço ali oitenta entregas de concorrentes que se odeiam, mas todo mundo ganha, que é a entrega compartilhada, então eu…

Luciano          Vão ter que confiar em você de novo…

Thiago            … vão ter que confiar em mim…

Luciano          … você vê como o lance confiança está… ele vai se repetindo ali. Mas aí os clientes repararam então que você tinha, não era porque você era mais barato que os outros, era porque no teu negócio havia segurança de que o teu veículo não ia ser atacado para o pessoal roubar os televisores porque não tinha televisor lá dentro.

Thiago            Exatamente. E um grande diferencial, mais uma vez voltando em processo, os meus concorrentes, principalmente empresa gigantesca, falham no atendimento, desde o início nós tínhamos esse DNA, temos problemas como todas as outras empresas, o grande diferencial que a comunicação acontece, nós temos um departamento até hoje, que nasceu depois de um período da empresa, chama GRC, gestão de relacionamento com o cliente e é falado sempre a verdade para o cliente, até hoje, um carro nosso tem um problema de batida, capotou, fale a verdade, entendeu? Então essa cultura de atender que os nossos concorrentes, por serem muito grandes, não tem ou fica muito fria, fica aquele telemarketing muito frio, um robozinho mandando um e-mail, não. Hoje tem uma pessoa para cada conta que atende, esse é um diferencial nosso. Primeiro a segurança, segundo o atendimento que é feito.

Luciano          Então olha o que você está falando para nós aqui, você está voltando para o básico, o basics, eu tenho alguém conversando com o meu cliente e ele começa a perceber que há um diferencial aí. E aí, a coisa cresce, e aí?

Thiago            Aí São Paulo, começamos a atender São Paulo, capital, o próprio dinheiro, começamos a atender São Paulo, interior e com isso vai aumentando a frota, começamos a atender ABC, começamos, aí vem a primeira filial que é no Rio de Janeiro e aí transporte terrestre, sempre foi o próprio dinheiro reinvestido na empresa, o pouco dinheiro que sobrava, reinvestia para a empresa, ou seja, minha mesma retirada que eu tinha lá no começo, eu continuei tendo ela, não decidi comprar nenhum carro financiado importado, nada, mesmo tudo igual.  Eu sempre tive uma formação por ter trabalhado em escritório de contabilidade, depois nessa época eu comecei já estudar no segundo ano da empresa, comecei já a estudar faculdade, uma coisa que eu aprendi é o seguinte: e eu uso até hoje, em todas as nossas empresas, dinheiro da empresa é o dinheiro da empresa, parece uma coisa, um clichê, mas eu vejo muito sócio, muito dono de empresa que paga conta de luz da sua casa com cheque da empresa, então eu sempre tive assim… eu tenho que viver com isso aqui, o que sobrar é da empresa e vai voltar para a empresa e começamos a atender, crescer com o próprio capital da empresa, retornar para a empresa. Em 2007 a gente tem um problema, estamos falando já de 2007, nós temos um problema de, começamos a ter a concorrência atacar a gente pela capilaridade, eu atendia só São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e BH, eu não atendia outras regiões.

Luciano          O que você estava faturando nessa época, qual era o faturamento?

Thiago            Nessa época deveria estar em torno de, vamos colocar aí uns 18 milhões, mais ou menos…

Luciano          Pô cara, já é um dinheirão, para o neguinho que lá atrás estava pegando 17 mil reais, quanto tempo depois da empresa nascer?

Thiago            … 2007? Depois 5 anos.

Luciano          Então em cinco anos você já chegou em 18 milhões?

Thiago            Não, um pouco menos, uns 15 milhões.

Luciano          Cara, isso é um número, não vou dizer para você razoável, é um baita numero, com você sozinho, sem sócio…

Thiago            Em 2003 o sócio saiu, o investidor, ele recolheu o capital dele que ele investiu, ele saiu, ficou eu e minha esposa.

Luciano          Quer dizer, você estava lá tocando a empresa sozinho…

Thiago            Tocando a empresa sozinho…

Luciano          Você com sua esposa, a empresa lidando com um negócio complicado que era com a documentação dos teus clientes, cresceu e pô, se tivesse parado aí já era um baita case de sucesso fabuloso, fabuloso. E aí? Chega o concorrente ataca…

Thiago            Chega o concorrente, ataca, e os mesmos diferenciais que eu tinha ele também tinha, menos a logística reversa, mas ele tinha uma capilaridade que era regiões que ele atendia muito maior, então muitos clientes na época não queriam trocar, ficar com dois, três fornecedores e quando tomava a decisão em trocar para ele, ele acabava… comecei a perder cliente e aí foram seis meses que eu tive uma retração em torno de 10 a 15%, foi em 2007 isso aí e aí nós começamos a ficar desesperados, teve um momento que eu falei, eu tenho que agir de alguma forma e aí veio a lição que eu tirei desde o início, se reinventar dentro da empresa, algumas pessoas falavam você perde tempo querendo fazer novos serviços, eu acho que tem oportunidades em processos dentro da própria empresa e eu comecei a pensar um processo que eu poderia fazer diferente que o concorrente fazia e ele fazia, que eu percebi o seguinte, que ele fazia, por exemplo, Salvador ele fazia, só que ele fazia com seis dias de atendimento, aí eu mandei um amigo para Salvador, ele ficou lá uma semana em Salvador, eu peguei a mala expressa e fiquei enviando daqui para Salvador pela companhia aérea, Tam, Gol, no cargueiro deles, eu percebi que eu  poderia ser mais rápido que o concorrente, com a mesma capilaridade com um custo um pouco acima, mas a velocidade do atendimento o cliente pagaria o custo, compensava, aí eu mandei o cara para Salvador, Vladmir o nome dele, eu falei Vladmir, fica em Salvador, vou fazer o teste, comecei a enviar e coletar, falei isso aqui funciona, vamos abrir quatro filiais de uma vez, estava com quatro, foi aberto oito, só que aí, de novo, falta de planejamento, falta de capital, me endividei, voltamos, gastamos todo o dinheiro que devia e pegamos mais dinheiro, cheguei a dever mais de 3 milhões para banco…

Luciano          Até porque para você montar essa estrutura, ela tem um custo que se você entregar um malote, ou vinte malotes, o custo é igual.

Thiago            Igual.

Luciano          Você tem…

Thiago            E tem um fator agravante, o custo de locação, o custo geral igual.

Luciano          Quer dizer, abrir quatro filiais não é Zé, começa, não, você tem que montar uma estrutura e bancar essa estrutura e você não estava capitalizado para isso.

Thiago            Não estava capitalizado para isso.

Luciano          Mesmo faturando 15 milhões?

Thiago            Não porque todo dinheiro desses anos todos que ficaram na empresa já voltaram para a empresa, então nós nunca tínhamos caixa porque não tive…

Luciano          Planejamento.

Thiago            … planejamento, também não tivemos investimento de terceiro, todo dinheiro ficava na companhia e voltava para companhia, então caixa foi extremamente apertado.

Luciano          Deixa eu botar uma pulguinha aqui porque quem está ouvindo a gente deve estar incomodado como eu estou, uma empresa que fatura 18 milhões, com um empreendedor não é um negócio pequeno, no ano, não é um negócio pequeno, mas a pulguinha que eu quero colocar aqui que você vai falar dela logo mais aqui que é aquela coisa, a turma que está nos ouvindo aqui, ele estava fazendo isso sem ter nenhum tipo de gerenciamento na empresa, tua empresa não tinha nenhuma gestão financeira, ela estava…

Thiago            Rodando.

Luciano          … estava rodando porque o negócio era bom, estava funcionando, mas você não tinha planejamento, não tinha controle, não tinha gestão, não tinha nada lá, era você e vamos lá e paga as contas de hoje, vamos ver o que vai ter amanhã, não projetava nada para a frente, nada disso…

Thiago            Nada disso.

Luciano          … que é bem o caos brasileiro…

Thiago            Nada disso.

Luciano          … tá.

Thiago            Falta de gestão total.

Luciano          E de repente você se vê crescendo e devendo 3 milhões no banco…

Thiago            3 milhões no banco, em torno de 3 milhões nós ficamos devendo.

Luciano          … em 2007.

Thiago            Em 2007.

Luciano          E aí, quebrou?

Thiago            Quase, por pouco, foi um milagre grande, falta de planejamento, foi isso, não tinha experiência nenhuma, não tinha gestão nenhuma, tinha só muita vontade, muita força e pouca habilidade.

Luciano          E como é que você escapou dessa?

Thiago            Primeiro fator, na época a gente tinha equipe comercial, aí vem a primeira loucura que eu fiz que acabou dando resultado, nós aumentamos, mesmo com toda a situação financeira difícil, eu entendi que para aumentar, trazer clientes, tinha que aumentar o time de vendas, nós contratamos, hoje o time está em mais de dez vendedores, na época nós contratamos mais dois vendedores, eu tinha na época duas pessoas, nós dobramos o tamanho da empresa, colocamos quatro vendedores, para com isso dar resultado mais rápido nas filiais, para a filiais começarem a se pagar e começar a ter fôlego, foi o primeiro passo que nós fizemos, aumentamos o time de vendas.

Luciano          Também você tirou isso de onde? Tirou do feeling?

Thiago            Tirei do feeling, eu estava…

Luciano          Você não chamou um consultor para te dar uma dica nada? Você por onde eu possa ir…

Thiago            Foi conta, nós fizemos conta, se um vendedor vende tanto, a gente tem que aumentar isso aqui para trazer rentabilidade para a filial e aumentamos o time de vendas e começamos essas filiais performar, atacando essas filiais, porque o nosso modelo é assim, quando a gente compra um contrato com um cliente, contrata a gente em São Paulo, eu atendo o Brasil todo e aí, por exemplo, eu tinha que atacar os clientes aqui para eles me atenderem a filial, por exemplo, na época essas filiais que foram abertas e surgiu essa necessidade, “vambora”…

Luciano          E começou a dar certo.

Thiago            Começou a sair da UTI, começamos a respirar e começou veio depois em 2008 a grande crise financeira do país…

Luciano          Ah meu Deus, isso aí eu sei.

Thiago            … para isso tem um lado muito positivo para a gente, aquele necessidade de troca para o cliente, como a gente oferecia um serviço com custo mais barato, que é o que está acontecendo justamente hoje, aquela necessidade de troca foi aumentada pelo cliente, devido à crise…

Luciano          Quer dizer, você era uma alternativa para redução de custos para eles.

Thiago            … exatamente, como o nosso serviço era um serviço assim que tem um valor grande, valor financeiro grande numa empresa grande, por exemplo, uma Porto Seguro, o valor que ela fazia de redução para eles era de 150 mil no ano, para eles era um dinheiro de pinga, então veio a necessidade de as empresas melhorarem, no meio da crise, que é exatamente o que está acontecendo agora.

Luciano          E aí o dinheiro de pinga passa a contar.

Thiago            E o dinheiro de pinga passa a contar e aí vem a necessidade de mudança de fornecedor e a necessidade acelerou o negócio e essa necessidade de aumentar negócios, começamos a crescer porque a gente já estava com oito filiais, oito a dez filiais na época.

Luciano          Quer dizer, quando o mundo caía com a crise, você começou a crescer ali?

Thiago            Sim, começou a crescer ali, até hoje é assim, inclusive nosso melhor crescimento da história foi o segundo semestre do ano passado.

Luciano          De novo pelo mesmo motivo.

Thiago            Pelo mesmo motivo.

Luciano          O pessoal busca você como alternativa de…

Thiago            Redução de custos.

Luciano          … redução de custo. Tá.

Thiago            Nesse momento comecei a crescer, as filiais já organizadas em termos de estrutura física, não termos de processo nem termos de financeiro, em termos de estrutura física e começamos a colocar cliente para dentro, aí já estou falando da época de 2009, começamos a crescer e colocar dinheiro para dentro, colocar cliente para dentro e aí já estamos falando do faturamento já, fomos para o faturamento em torno de 25 a quase 30 milhões.

Luciano          Caramba cara!

Thiago            Só que da mesma forma, desorganizado, sem gestão, sem…

Luciano          Caixa.

Thiago            … sem caixa, desorganizado, aí vem o segundo momento que eu falei vou enlouquecer, vou enlouquecer. Chegava de manhã com chapéu de bombeiro, dia inteiro só pagando bucha, incêndio e…

Luciano          Você estava estudando nessa época? Você tomou esse cuidado de começar a se preparar, estudando?

Thiago            Não.

Luciano          Você não foi estudar, nada disso?

Thiago            Nada disso. Eu me formei em ciências contábeis, mas não fiz gestão fora, não fiz nada disso.

Luciano          Não tinha outra empresa para você olhar para ela e falar quero trabalhar que nem esse cara trabalha…

Thiago            Não tinha.

Luciano          … que loucura, você estava em cima… você correu no fio da lâmina mesmo, você podia ter se arrebentado…

Thiago            Com força.

Luciano          … que estrela.

Thiago            E muita coisa eu falo assim, muita coisa que eu faço hoje, eu não faria e faltou alguém para me direcionar, então para esse pessoal que tem hoje internet a seu favor, tem aqui você escutar e aprender com essas histórias, não tinha nada disso na época. Hoje, por exemplo, muita coisa que eu fiz hoje eu faria dez anos atrás na empresa, porque faltou buscar informação, não tinha tanta informação sobre empreendedorismo como tem hoje.

Luciano          E você olhando, a gente vai continuar o papo, mas eu não quero perder que se não eu perco isso lá na frente, não vou lembrar, você hoje, quando você pega um carinha de 22 anos, disposto a se lançar no mundo, você não recomenda que ele faça o que você fez lá, fecha o olho e bala para a frente?

Thiago            Nada disso.

Luciano          Você não fala isso.

Thiago            Eu recomento tudo… aliás eu tenho dado mentoria para alguns empreendedores, eu recomendo, tudo que eu errei eu recomendo ao contrário do que eu fiz.

Luciano          Fala para mim daquele momento em que você, no desespero, quando você notou de repente que você estava num caos e que aquilo ia ser um limitante, você podia quebrar, a empresa estava crescendo mas não tinha ordem, como é que você foi botar ordem na bagunça?

Thiago            Eu sempre comecei a pesquisar sobre, nessa época já estava mais um ano, estamos falando de 2009, 2010, eu comecei a pesquisar sobre empreendedorismo, eu vi muito gestão AMBEV, muito gestão meritocracia e eu tinha um amigo que foi general manager da AMBEV e no aniversário da filha dele eu falei, Alexandre “tô” desesperado, não sei mais o que fazer, mandei meu gerente de operações embora, eu preciso organizar a casa, minha empresa está crescendo, vem colaborador, pede mais gente, eu não sei se precisa, se não precisa, aquela história que hoje é muito usada, aquele clichê, não se gerencia o que não se mede, então assim, quanto que é teu absenteísmo, quanto que é seu turnover, me fizeram uma pergunta outro dia que eu passei vergonha que eu não soube responder: quantas entregas faz o seu carro por dia? Eu não tinha esse número. Olha que loucura, uma empresa de transporte que faz o core do negócio dela principal é entrega, ela não saber quantas entregas faz.

Luciano          E faturando 25 milhões por ano, com quantos funcionários?

Thiago            Na época devia ter uns 100 funcionários já.

Luciano          Caramba, realmente não tinha…

Thiago            É. E assim, olha que loucura, não sabia os meus números da minha operação, não sabia nada. E eu falei, nesse momento eu falei assim, preciso organizar a casa, se eu pretendo crescer mais ainda e eu chamei esse cara, ele ficou seis meses na minha empresa e ai nós começamos um trabalho ali de, primeiro o melhor momento que eu fui conhecer a minha empresa…

Luciano          Esse cara vem como consultor, é isso?

Thiago            … vem como consultor.

Luciano          Então, porque você está falando um negócio interessante, normalmente quando isso acontece, um dos sócios é o cara que assume, então eu sou o sócio que cuida do financeiro, do administrativo, eu sou o sócio que cuida  do comercial e marketing, nós dois juntos a gente se complementa, você não tinha isso? Você estava praticamente só.

Thiago            Não, não tinha isso, mas é um conselho que eu dou também assim sabe, Luciano, por exemplo, ás vezes o cara vai abrir um negócio e não sabe qual o seu papel dentro do negócio e mesmo ele sabendo seu papel dentro do negócio, eles acabam não tendo todas as habilidades, então um dos meus maiores sucessos, modéstia à parte, é identificar as minhas falhas, por exemplo, eu nunca fui bom para negociar, eu sempre fui péssimo negociador, só que o meu maior sucesso é saber que  eu sou ruim nisso e trazer pessoas que façam isso melhor do que eu, então acho que a maior dificuldade do dono é  ele achar que é dono, ele  sabe de tudo, não sabe, você precisa de ajuda.

Luciano          Ontem eu publiquei uma frase no Facebook, não vou me lembrar o autor, depois eu vou perguntar, diz o seguinte:  “quando você reconhece teus defeitos, os teus inimigos não podem mais usar isso contra você”, entendeu? No momento em que eu reconheço minhas fraquezas, ninguém mais vai conseguir usar isso contra mim, porque você vai se cercar, se preparar para isso.

Thiago            No início da empresa eu negociava com o fornecedor, a entrega de material de escritório, o cara falava é dez, eu aceitava pagar, eu comecei ver que eu não sou bom nisso, eu preciso trazer alguém que faça isso muito melhor do que eu e nessa parte da gestão. Quando a empresa estava grande, eu falei eu não tenho experiência e não tenho habilidades para isso, eu tenho que ser inteligente, reconhecer isso e trazer gente melhor do que eu que vai fazer isso, que vai me ajudar a fazer gestão da empresa, então esse é um grande assim, um grande insight que eu tenho. Você identificar onde você é ruim, por exemplo, o cara abre empresa ele é ruim em vender, ele quer vender, ou seja, ele tem que definir o seu papel antes da empresa, eu não fiz nada disso, eu não recomendaria nada disso, então foi identificado, não sei, não tenho habilidade, não tenho experiência, vou trazer um consultor para me ajudar aqui na empresa, para me ajudar, aí foi um momento de aprendizado, o maior que eu tive, tanto na minha carreira como empreendedor, como dentro da minha própria empresa, que eu fui conhecer cada departamento.

Luciano          Esse teu amigo vem com uma embocadura de AMBEV, que é uma empresa focada em processo e resultado até o último fio de cabelo.

Thiago            Exatamente e meritocracia. E aí uma coisa importante, a cultura dessa empresa, da AMBEV, eu acho sensacional, mas nem tudo eu absorvi, por exemplo, a cultura de pessoas, eu tenho uma cultura diferente de AMBEV, então o que eu penso, eu absorvi a parte boa de gestão, indicadores, meritocracia e a cultura empresa, gente, eu tenho uma outra tratativa. Então é você pegar uma oportunidade que você tem, você enxergar o que te serve e o que não serve. Eu não tenho o perfil da cobrança que tem numa AMBEV, não estou dizendo que é certo ou que é errado, eu não conseguiria ter esse perfil, eu aproveitei o quê? A cultura gestão, hoje a nossa cultura gestão está enraizada na galera e dia 15, dia 16, reunião de resultado, meritocracia, está enraizado.

Luciano          Planilhas, hoje você controla tudo, você tem planilhas na parede para todos os indicadores.

Thiago            Tenho. Hoje tem uma reunião chamada Reunião de Resultados, hoje, para você ter ideia, eu, como presidente, eu tenho meu diário de bordo, eu tenho uma rotina que eu tenho que seguir, uma vez por semana tem uma reunião chamada Reunião de Produtividade, hoje, das 14 às 15 horas, todo o time de operações para e trata os números do dia anterior, hoje eu tenho a quantidade de entregas feitas ontem, quantidades que deram anomalias, que deram problema, quantidade que precisa ser melhorada, tem tudo.

Luciano          Thiago, você vinha de uma gestão absolutamente caótica onde todo mundo na empresa evidentemente absorvia esse caos, eles vão ser reflexo do que eles estão vendo ali e você um belo dia resolve que isso não vai acontecer mais e faz uma mudança cultural da empresa, dá para ver isso absolutamente diferente uma da outra, como é que é esse momento da ruptura, na hora que você bota o cara lá dentro e fala bom, acabou a festa, como é que é isso?

Thiago            Problemático, muito problemático. Só é possível se a liderança de empresa estiver disposta a pagar um preço e esse preço dói muito, mudar pessoas que não se adaptam à cultura, infelizmente chega um momento que tem que ser mudado, o dono, o presidente, o dono empreendedor participar junto da mudança, foi um dos diferenciais, eu me envolvi, por exemplo, contas a pagar, eu sentava com o dono do contas a pagar e fazia, cara, vamos fazer a tua missão do contas a pagar, eu fiz isso junto com o consultor e nesse meio do caminho nós perdemos muita gente boa mas que não se adaptou à essa nova cultura.

Luciano          E você mandou embora mesmo.

Thiago            Mandei embora mesmo. E uma coisa muito dura assim, depois que a cultura enraizada, até a cultura se estabelecer, porque você implanta a cultura, tem uma maturação gigante, por exemplo, a nossa reunião de resultado ela acontece, hoje, todo dia, segunda a segunda e terça feira de cada mês, tinha departamento que não conseguia entregar e sempre postergava a reunião de resultado, um belo dia eu falei a partir de hoje, quem não entregar não tem problema, o seu resultado, só que vai vir no  sábado aqui apresentar, então algumas vezes tem que ser um pouco mais duro e rígido.

Luciano          Mas olha que interessante que você colocou aí, você só tomou essa atitude porque… eu imagino que até então você era um paizão, tocava a empresa como um paizão, vamos resolver, de repente não é mais o paizão, agora eu sou o cara que implementei uma disciplina aqui. Você só pode agir assim se você confiar absolutamente no cara que está de propondo essa mudança, o consultor que entrou, você devia ter um nível de confiança nele brutal, porque ele te obrigou a virar uma outra pessoa.

Thiago            Mas além disso, eu acho que você acreditar, mais uma vez, acreditar, você saber que você não tem competência para tal coisa.

Luciano          Sim, foi isso que eu quis dizer, que você confiou na receita que ele trouxe para você, ele falou olha, você vai ter que mandar embora o Zé, o Mané, o Osvaldo e a Maria e você confiou nisso…

Thiago            Não, quem tomava a decisão em mandar embora era eu.

Luciano          … não, eu digo, ele te colocou nessa encruzilhada, se não passar bota fora.

Thiago            Sim, se não se adaptar à cultura você vai ter que cortar…

Luciano          E não é tira daqui e põe ali, não é que tira daqui e põe ali.

Thiago            … mas isso foi muito bom, sabe porque, Luciano, porque assim, o mês passado nós implantamos o “totes” na companhia, qualquer mudança de sistema gera um stress grande, então como as pessoas viram que quem não se adaptou foi desligado, as pessoas, nessa adaptação de “totes” agora, de mudança de sistema, foi muito menos problemático, porque as pessoas entenderam que é para o crescimento da empresa, e quando você tem a cultura e está tudo interligado à meritocracia, fica mais fácil. Fica mais fácil e é uma coisa legal, porque assim começou a aparecer, o mais importante disso, muita pessoa escondida, aquela pessoa tímida, que a gente achava que não entregava resultado, ela entregava e aquele oba oba, aquele que dá tapinha nas costas, esse cara é fantástico, o cara não entrega resultado e a gente começou a ver isso quando começou a ter gestão, quando não tinha gestão, aliás eu falo muito isso, se eu tivesse sabedoria de buscar essa ajuda antes, no começo ou talvez com três, quatro anos de empresa, eu não teria sofrido tanto quanto eu sofri nesse momento por falta de conhecimento meu, entendeu?

Luciano          Interessante, você me lembrou um insight aqui que eu tenho, se não me engano está no meu livro “Diário de um líder” que eu conto a experiência de um… é um amigo meu que tinha empresa e ele me liga também, eu servia como um conselheiro dele, embora não fosse o meu ramo de negócio, eu chamo isso de solidão empresarial, você deve ter sofrido disso…

Thiago            Sofro disso até hoje.

Luciano          … tinha aquele momento que eu tenho que tomar uma decisão e não tenho para quem falar, não tenho para quem perguntar, as pessoas que estão em volta de mim não vão entender, eu cato o telefone e ligo para um amigo meu que não tem nada a ver com o meu negócio mas eu consigo dividir com ele e às vezes ele me dá um insight, eu tenho uns amigos que faziam assim e esse cara me ligou e me contou uma história parecida, pô, aqui está bagunçado, virou uma zona e eu tenho aqui mas eu gosto muito da turma e não sei o que, como é que eu faço, eu falei, manda um embora. Não, como assim? Manda um embora. Que um. Não interessa que um, você faz a conta aí, bota isso tudo na mesa e mande um embora, mas escolha o cara certo e manda embora, quando você mandar embora você faça uma reunião imediatamente com a equipe e pergunte para a equipe se ela sabe porque o cara foi mandado embora. E você não vai falar nada, deixa que a equipe fale e você vai descobrir que todo mundo sabia dos problemas que existiam causados por aquele cara e eles vão concluir que foi um alívio aquele cara ter ido embora, esse é um processo de lição, de dar um ensinamento brutal porque o grupo inteiro entende. Todo mundo sabia, todo mundo viu que essa peça não se encaixava e esse cara perdeu o emprego não foi porque ele era ruim na atividade profissional dele do ponto de vista…

Thiago            Comportamental.

Luciano          … era comportamento, exatamente, não tinha nada a ver com sei usar o equipamento, não, era o comportamento, então o grupo tomava, eu falei, você não fale nada, deixa que o grupo tome a conclusão e o grupo sozinho concluía que o cara tinha que ser mandado embora que foi um alívio e portanto tomara que eu não seja o próximo e aquilo causava um impacto grande lá, é um insight legal esse de você usar isso como uma ferramenta de  ensino, eu vou aprender com esse momento traumático que foi perder um companheiro e faço isso num momento de lição ali. Bom, você organiza então a coisa, como é que foi, é da água para o vinho?

Thiago            Não.

Luciano          Quando você olha hoje assim o que você tem e compara com o… quanto tempo faz que houve essa mudança, dois anos?

Thiago            Não. Foi 2013, três anos.

Luciano          Três anos, então, olha para a tua empresa de hoje, olha para ela quatro anos atrás…

Thiago            Outra empresa.

Luciano          … e o que que é?

Thiago            Outra empresa. Outra empresa. Hoje a empresa tem números, hoje a empresa tem, devido a isso, tem um valor para o mercado, o mercado de aquisições, a cultura mudou, hoje todo colaborador que entra já sabe que ele vai ser medido além de tudo por resultado, não só por tapinha nas costas, por enfim, e eu vejo, não passando nenhuma arrogância, eu vejo que as empresas do meu tamanho, de pequeno a médio porte, por mais que eu converse com outras empreendedoras de pequeno a médio porte, do nosso tamanho, o cara não tem nada disso, entendeu? Então eu vejo que as empresas ainda sofrem muito por gestão, por talvez pessoas como eu que não tinham  conhecimento e o pior, acha que tem, que eu brinco assim, de um empreendedor quando ele dá certo, o empresário, quando ele dá certo, ai vem um amigo dele e fala assim viu, eu tenho uma pousada lá em Fernando de Noronha, você não quer comprar? O cara acha porque deu certo o negócio dele, ele vai comprar uma pousada vai dar certo e é onde o cara começa a arrebentar, porque ele não entende de pousada, não é o negócio dele, parece simples mas não é, então acho que você buscar conhecimento, você tem que buscar pessoas que vai te agregar e você não sabe daquelas qualificações, você não tem.

Luciano          Você foi estudar depois, você foi estudar, você chegou a fazer uma faculdade, você fez?

Thiago            Eu fiz faculdade quando estava com a empresa, ciências contábeis.

Luciano          Lá atrás. Depois de lá para cá…

Thiago            Nada, não.

Luciano          Foi na raça, tudo na raça.

Thiago            Minha primeira viagem internacional com a esposa foi depois de nove anos com a empresa, minha primeira viagem, nove anos foi, ali ano novo, porque minha operação não para, então foi trabalhando  mesmo.

Luciano          Você… Tem um custo, aliás, tem vários custos, mas vamos no ater, eu não quero ir para o custo indireto, quero ir para o custo direto, manter esse processo todo que você colocou, essa organização toda aí de medição etc e tal, ela tem um custo, isso custa, custa porque eu vou ter que organizar um departamento, eu vou ter que botar gente para fazer esse sistema, custa montar esse sistema para que ele funcione e muita gente que,  como você comentou ai, os  caras de médio, pequeno portem, não fazem isso porque exatamente, já estou aqui meio na corda bamba, ainda vou gastar mais para montar uma estrutura que eu não sei se vai resultar, como é  que você vê essa relação, esse custo se paga…

Thiago            Esse custo se paga totalmente eu digo mais, você não precisa ter um sistema avançado, nós começamos tudo com Excel, nós implantamos “totes” agora, mas eu acho que o mais importante é o empreendedor estar disposto a ele pagar um custo, o maior custo quem tem é o empreendedor, porque ele vai ter que se envolver e ele se envolve, ele vai pegar a coisa, ele pegando coisa ele vai aprender também com isso, então… e o cara tem que estar disposto a trabalhar ali dez a onze horas se envolvendo com o time dele e isso no final não tenho dúvida que se paga, mas tem outros custos aí que estão no processo, principalmente com o dono da empresa, eu, por exemplo, sofri demais assim em trabalho, hoje tudo eu vejo que tem valor, mas eu me envolvi com todos os departamentos, eu sentava com cada um de área, então é um negócio, foi um negócio estressante.

Luciano          E a turma via você lá e via você suando junto com eles.

Thiago            Exatamente. E o custo financeiro não tenho dúvida que paga com o pé nas costas,  questão é: hoje você tem que buscar referências de consultoria, não adianta pegar consultorias de gigantes que vai custar uma fortuna, você pode pegar consultorias como eu peguei, menores, que estão iniciando, que estão começando, que vão te apresentar o resultado, mas não tenho dúvida que no final tenho certeza que a gestão… é aquela palavra que usa muito lá, não se mede o que não se gerencia, então hoje eu tenho os números, mas há 3 anos não tinha nada não.

Luciano         Você, se você não quiser dizer não precisa, tua empresa fatura quanto hoje.

Thiago            Ela vai fechar, esse ano previsto 60 milhões.

Luciano          60 milhões, não é pouca coisa, é um belo resultado, até porque você não produz nada, você não tem torno fazendo peça, você está prestando serviço. Uma empresa de serviços com 60 milhões é um belo valor. Você não parou só nisso, você também tem outras empresas, hoje, você começou falando que você está em um grupo?

Thiago            É, nós temos uma, quem administra é a minha esposa, uma assessoria em comércio exterior, aí nós temos uma trade company que importa produtos da China, Paquistão e Israel…

Luciano          Produtos de?

Thiago            Ligado a cosmético. E nós temos uma corretora de câmbio que vende e compra dinheiro.

Luciano          E daí, como é que essas coisas acontecem, o que é isso?

Thiago            Primeiro o mais importante, essas empresas surgiram há alguns anos, junto, hoje estão todos os modelos de gestão são todas iguais.

Luciano          Todas surgiram na bagunça?

Thiago            Todas surgiram na bagunça.

Luciano          No meio daquele caos…

Thiago            No meio daquele caos…

Luciano          … você começou abrindo mais frentes.

Thiago            … que assim, naquele momento foi por desespero, desespero o negócio não dar certo, desespero de você ter outra coisa, que é o que eu vejo hoje que acontece com muita gente, o negócio dele não está indo muito bem, ele no desespero acaba abrindo outras linhas de serviço, que eu falo muito, eu também não  aconselho, eu acho que você tem que estar estabilizado, estar focado num serviço, hoje estão certos, estão estruturados e tal, mas passamos muita dificuldade devido a isso.

Luciano          É que nem guerra, se você abrir quatro, vou lutar com alemão, japonês e italiano ao mesmo tempo, você vai dançar.

Thiago            É uma dificuldade que eu vejo, a pessoa ela vira carta de mágico, ela vai e fala, você tem esse produto? Eu tenho. Isso aqui eu tenho, o cara quer vender tudo no desespero e acaba não fazendo com qualidade, então essas empresas hoje estão estruturadas, estão com a mesma gestão que depois nós multiplicamos o modelo de gestão, então são segmentos totalmente diferentes e gestão totalmente independente, pessoas totalmente independentes.

Luciano          Que legal. Thiago, você, quem ouve a gente aqui tem uma baita molecada que escuta a gente, uma molecada ai menino, menina ai de 23, 25, 26, vários deles estão no busão putos da vida porque estão trabalhando no lugar que eles não querem trabalhar e dispostos a chutar o pau da barraca e montar seu próprio negócio e provavelmente vários deles estão sonhando em montar um aplicativo de caçar pokemons, que vai transformá-los em bilionários dentro de 15 meses, eles vão vender por 2 bilhões o aplicativo de caça pokemon para a Microsoft. Como é que é isso? Como é que você vê essa coisa? Porque o mundo que você atua é diferente do mundo, esse mundo maluco lá do vale do silício, você está atuando no mundo do empreendedorismo, eu não sei que nome dá para isso aí, mas ele não tem nada de virtual ai, ele é pé no chão, gasolina e telefone e vamos fazer acontecer, não tem nada, a internet para você é uma ferramenta que eu acho que é fundamental.

Thiago            Sim, fundamental, todos os motoristas tem celular, tecnologia, ajudou demais nos últimos anos.

Luciano          Ela te ajuda a administrar o teu negócio, mas ela não é a razão do teu negócio.

Thiago            Não, não é a razão do meu negócio.

Luciano          Como é que você tem visto isso?

Luciano          Eu acredito muito que vale do silício, aplicativo, ele é fantástico, não conseguiria viver sem eles hoje, sem um Waze, um WhatsApp, mas a molecada de hoje em dia ela está muito focada só em aplicativo para montar o mundo, transformar o mundo, pegar 100, 200 milhões e tem muita oportunidade em melhoras de processo, tem muita coisa funcionando, tem muito serviço a ser explorado, tem muito restaurante que se melhorar o processo o cara vai ganhar dinheiro, tem muita escola não funcionando bem, então o mundo real tem muita oportunidade, principalmente em processo, eu falo muito que é pensar dentro da caixa, existem grandes oportunidades você pensando dentro da caixa.

Luciano          Aliás é o nome de um livro que vem ai.

Thiago            Um livro, exatamente.

Luciano          Você vai lançar um livro chamado…

Thiago            “Pensando dentro da caixa”, de você criar oportunidade pensando na sua caixa, sua caixa é sua vida, seu trabalho, sua  escola, é você criar oportunidade principalmente em processos, o processo, você é um cara que teve uma experiência grande como executivo, ele é mal visto por muito empreendedor, muito executivo, o processo ele é chato, ele é burocrático, o cara não gosta de fazer processo, time de vendas então, processo você esquece…

Luciano          Pode esquecer.

Thiago            … então aí eu trago aqui uma visão diferente, você ganhou a oportunidade em processos, você tendo uma gestão em processos, você consegue escalonar e ter processo, por isso que eu acredito que ainda existe muita oportunidade em processos, o  vale do silício é sensacional, a cultura deles é fantástica, aplicativo é legal, é ótimo, mudou minha vida, melhora a minha vida, mas…

Luciano          para cada um que é vendido por 1 bilhão, tem 1 milhão  que não acontece nada…

Thiago            … exatamente, a oportunidade está em processos, eu não tenho dúvida disso, a oportunidade mais real está em processo, aplicativos vão, por exemplo, tem um aplicativo Unicórnio no Brasil? Bilionário, até hoje não tem.

Luciano          Como é que é o nome?

Thiago            Unicórnio, que é bilionário, até hoje não tem nenhum aplicativo, se fosse tão simples assim, teriam outros aplicativos bilionários no Brasil e não tem nenhum, então não é tão simples assim, então assim, e outra, capital no Brasil ainda é um negócio difícil, tem melhorado muito com grupos de investidores anjos, isso mudou muito, principalmente de cinco anos para cá, mas ele ainda é muito difícil, o capital, banco é muito bonito também em propaganda na televisão, quando você vai precisar do banco, ali, de capital, banco dá dinheiro para quem não precisa de dinheiro, a verdade é essa.

Luciano          O BNDES então é que nem Deus, a gente sabe que existe mas não vê, nunca chega, ninguém tem acesso.

Thiago            Não tem acesso, então eu acredito que em processos o mundo real, existe muita oportunidade, sou totalmente a favor ao mundo virtual, mas o mundo real, ele tem muita oportunidade, pense nisso, tem muita coisa sendo feita, principalmente serviço mal feito, pode-se melhorar e fazer escalar e ganhar dinheiro com isso.

Luciano          Teve outra coisa que a gente conversou, você passou bem por cima na hora do almoço, mas chamou minha atenção, que quando a gente estava falando das lições, dos erros que você cometeu e um deles você falou, ficou claro para você, não contrate quem você não pode mandar embora.

Thiago            Exatamente.

Luciano          Fala um pouquinho disso.

Thiago            Me perguntam assim, não sei se posso avançar, mas é alguns erros que você cometeu que você não cometeria bastante, primeiro não contratar quem você não pode demitir, é uma lição que eu tive, não estou falando de família, meus familiares trabalham na minha empresa e são ótimos, mas contatar um amigo, o amigo do amigo, depois você tem que desligar esse cara, você acaba não desligando por ter um relacionamento com o cara. Segundo erro, o cara quando vai abrir um empreendimento ele não sabe qual é a função principal dele no negócio, ele acredita que ele vai fazer tudo e quem faz tudo não faz nada, então ele tem que saber o seguinte: eu sou bom em vendas, eu vou estar dentro do meu negócio eu vou vencer, eu vou achar um sócio, vou achar um cara que vai ter uma participação que vai cuidar da administração, ou eu vou ter já que contratar alguém que vai fazer isso. Terceiro, o cara quer liderar e ser um líder popular, o cara achando que contratando, que agradando todo mundo ele vai liderar, não vai, ás vezes você não vai agradar a todos, aliás nem Cristo agradou, não  vai ser a gente que vai agradar, então esqueça isso daí, você tem que estar bem alinhado, esses três erros… o quarto, que eu falo que é o último, é assim, na minha falta de experiência eu queria que as pessoas melhorassem de vida, aliás é um dos meus propósitos, as  pessoas ao meu redor melhorar de vida e eu estou falando sim financeiramente também, melhorar como pessoa e financeiramente e aí você quer promover o cara, o cara é um excelente motorista e aí você acha que esse cara pode ser um excelente supervisor e aí é onde você acaba errando e eu errei e muito nisso e aprendi isso perdendo muita gente boa, que a lei infelizmente não permite você recuar o cara e trazer o cara de volta para motorista, a partir do momento que ele virou supervisor, por exemplo, acabou, se ele não der certo como supervisor, você ficou sem o motorista e sem o supervisor, então é falta de qualificação na promoção, um dos maiores erros que também cometi.

Luciano          Como é que você vê essa dificuldade, no Brasil, empreendedor no Brasil é um herói, aqui é herói, porque quando a gente olha o volume de dificuldades que você tem que ultrapassar para poder fazer honestamente o teu trabalho, quer dizer, você não está roubando ninguém você está na verdade tentando criar um negócio que vai gerar impostos, vai gerar emprego etc e tal, mas a hora que você bota o carro na rua, aí começa, tromba na burocracia, a lei de impede de fazer, a burocracia não te deixa fazer, tudo custa mais caro e você no fim das  contas faz uma continha e fala é menos arriscado, é mais viável eu aplicar meu dinheiro no banco e pegar no final do ano um rendimento que depois que tirar tudo aí vou ganhar sei lá, uns 10% no final do ano, do que correr risco sendo empreendedor, quer dizer, tudo é feito para derrubar o empreendedor aqui, como é que você, que enfrentou isso, ou enfrenta diariamente, vê essa situação?

Thiago            Eu tenho uma visão um pouco assim, eu acho que aqui é uma burocracia, aqui tudo o que você falou é totalmente verdade, mas eu acredito muito nas oportunidades que estão aqui, porque o cara que acha que vai pegar o dinheiro dele, vai empreender em Miami, vai ganhar dinheiro, esquece, nos EUA o mercado é muito maior, altamente competitivo, então assim primeiro, segundo, o cara tem que estar alinhado com o propósito dele de vida, eu digo muito assim, tem empreendedores gigantescos que eu admiro, por exemplo Flávio Augusto, só que o que eu pretendo para a minha vida não estaria alinhado com o que ele pensa, então acho que o empreendedor tem que estar alinhado com o propósito de vida dele, por exemplo, se o cara quer ficar multimilionário, ele tem que pensar que talvez não vá ter tempo para algumas coisas, como eu falei, eu não teria disponibilidade que o Flávio tem de abrir negócios gigantescos, eu tenho um ritmo de vida talvez diferente, então eu acho que o cara, primeiro ele tem que estar disposto a pagar um preço e qual o preço que ele está pagando, se ele quer e alinhado com o propósito de vida dele, eu acho que é o mais importante, eu não estou falando de propósito de qual o seu propósito, mudara o mundo, não, qual o meu propósito de vida? Eu quero construir uma família e ganhar dinheiro para viver bem, não…

Luciano          Quero ver meus filhos crescendo…

Thiago            … quero ver meus filhos crescerem, legal. Não, não quero, eu quero ficar multimilionário, então assim, o negócio tem que nascer, primeiramente, com o propósito de vida que o cara quer, pô, aqui se eu tirar, sei lá, 10 mil por mês eu vou viver bem,  vou viver tranquilo, vou ter uma qualidade de vida excelente. Pô eu não quero ganhar 30, 40, 50, 100, não, eu quero… então foi…

Luciano          Sabe que isso é um negócio interessante que você está falando a[i que tem a ver com algo que eu já falei anteriormente aqui no  LíderCast mas vale a pensa falar de novo, quer dizer, eu não  preciso ser o Neymar para ser o cara, o  jogador de futebol mais bem sucedido do mundo, eu posso me dar muito bem sendo um bom craque que joga num bom time sem ser o melhor do mundo, sem ser o maior do mundo, você vai chegar à conclusão o seguinte, 60 milhões está de bom tamanho, tenho que me matar para mudar para 120? Não, eu acho que se eu ficar em 60 está de bom tamanho, agora, segurar essa… eu não quero usar o termo ambição, mas eu vou usar, segurar essa ambição de que já que eu fiz 60, agora eu quero 120, quero 240, quero 1 bilhão para ser o bilionário, é um negócio que nem todo mundo consegue, a hora que você sente que o negócio está funcionando, acelera e vamos crescer e quanto mais bem sucedido você é, desse ponto de vista de ampliação do capital etc e tal, menos liberdade você tem, menos liberdade você tem.

Thiago            E é uma coisa assim, que você está me falando que faz, por exemplo, nós já tivemos diversas oportunidades de ser vendida uma parte da empresa, metade da empresa, e aí os caras vem pô, você vai vender metade da empresa, nós vamos comprar, fazer aquisição, comprar… eu não quero isso para mim, eu quero continuar empreendendo, mas eu não quero essa loucura de cinco, seis empresas, entendeu? Não é que eu sou acomodado, longe disso, a minha visão, eu quero continuar empreendendo, quero continuar melhorando a vida financeira das pessoas que estão à minha volta, mas no meu propósito de vida está assim.

Luciano          Você vai manter a tua liberdade.

Thiago            Exatamente, então…

Luciano          Você sabe que já aconteceu comigo de ter convidado para vir gravar aqui, onde nós estamos, neste lugar que nós estamos, você viu o que é, eu tive convidado que não veio, não era por questão de agenda, mas era por questão de segurança, porque ia parar o carro com os motoristas dele, com a segurança dele e o cara era um negócio arriscado e acabou não aceitando porque ele não podia, a segurança dele não deixava ele se locomover e quando eu ouvi isso eu falei meu, que triste, que coisa mais triste, quer dizer, não posso ir lá onde eu quero ir porque a segurança… quer dizer, ele é tão bem sucedido que perdeu a liberdade dele.

Thiago            Sim, isso aí.

Luciano          Olha que coisa louca.

Thiago            Então eu acredito muito nessa pergunta que é um desafio empreender no Brasil, é dificultoso, mas as oportunidades estão aqui ainda.

Luciano          E aí, Thiago, o Brasil está uma bagunça generalizada, a gente olha para o cenário político é um horror, falta tudo aqui, é uma crise econômica, uma crise política, crise moral, onde você olha tem um problema acontecendo aqui, tem crise de qualidade, de produtividade, de todo lado aqui acontecendo, em plenas olimpíadas a gente só tem olho pra olimpíada e tudo mais e não se sabe o que vem pela frente aí. Como é que o empreendedor olha para essa situação brasileira, você é um cara jovem, você não viveu aquele Brasil dos anos 70 e começo dos 80 e tudo mais, então você pegou um tipo de crises que…

Thiago            Eu lembro meu pai só no desespero da inflação, eu vi o que era crise.

Luciano          Mas criança não… criança não sofreu aquilo lá. Como é que você, hoje do alto da responsabilidade que você tem, de uma empresa que tem não sei quantos funcionários você tem hoje lá…

Thiago            Quase 500.

Luciano          … quase 500 funcionários e tem um faturamento ali, tem um monte de gente dependendo de você e você olha para esse caos brasileiro, como é que você olha para isso, isso te dá agonia, isso te dá vontade de querer ir mais longe, bota o pé no freio, como é que você enxerga isso?

Thiago            Luciano, eu já tive a oportunidade hoje de conhecer mais de 15 países, passar por países, eu falo muito isso, eu tenho vontade de viver em outro Brasil, eu não tenho vontade de viver em outro país, então eu acredito muito que a gente ainda pode melhorar esse país aqui, esse país ainda tem muito que ser melhorado, oportunidade, eu continuo aqui empreendendo, oportunidades vão surgir, outras oportunidades vão acontecer e o lugar de ganhar dinheiro, de melhorar, na minha opinião ainda é o Brasil, então eu acredito muito nesse país ainda, mesmo com toda essa dificuldade, principalmente a nossa crise ela é política, eu acredito que isso acaba atrapalhando a economia, mas eu acredito muito no Brasil ainda, muito mesmo, eu pretendo passar uma temporada fora, estudando, principalmente o inglês, com a minha esposa, mas não pretendo me mudar para outro país, pretendo continuar crescendo meus filhos nesse país aqui. Gosto muito daqui.

Luciano          Continue dando exemplo para a turma aí. Quem quiser ter contato com você, eu sei que em breve vem um livro aí, como é que é? Pensando dentro da caixa.

Thiago            Pensando dentro da caixa e eu não sou se tem GV, não sou, anti GV, o GV fala muito pensar fora da caixa.

Luciano          Ah o geração de valor, não mas eu entendi tua pegada, quer dizer existe oportunidades dentro da caixa e que você talvez não precise ser o cara, o maluco que vai criar coisa nova porque tem oportunidade aqui, a gente comentou isso na hora do almoço, falei eu tenho duas padarias na esquina da minha casa e eu compro pão francês, mas eu gosto de comprar numa e não da outra, as  duas fazem pão francês, mas uma faz de um jeitinho e tem um gosto que é diferente daquela outra lá, talvez daqui a alguns anos, pão francês vai estar sendo feito por uma impressora 3D, e eu tenho até medo do que será esse pão, talvez ele seja sempre igual e eu não vou ter surpresa nenhuma com o pão e eu gosto muito dessa surpresa, mas tem um padeiro fazendo o pão ali e fazendo a  diferença, porque todo mundo precisa do pão, então dá para ganhar dinheiro com o pão? Dá. Pão é coisa do passado? Não, não é, ele está ali e está à tua espera de fazer acontecer, então enxergar essas oportunidades e pensar dentro da caixa, tem milhões de coisas aí para acontecer que tem alguém, tem gente ganhando dinheiro com isso, muito dinheiro. Além disso, você tem aí um Facebook que o pessoal te acha?

Thiago            Tem, Thiago Oliveira.

Luciano          Com H?

Thiago            Com H, T h i, Thiago Oliveira. Daí você vai ver a foto que eu estou lá com a cara da IS lá, a  IS logística e tem o Instagran também, ThiOliveira22.

Luciano          E ali você está experimentando esse universo da camaradagem, da amizade, da gentileza e da educação que são as mídias sociais brasileiras, onde ninguém vai lá te encher o saco, ninguém briga com você. Mas é legal, é uma experiência fascinante ai. Thiago, parabéns viu cara, por essa história toda aí, é muito legal, eu acho que você tem uma estrela, eu não quero falar, não estou falando sorte, uma estrela, você tem uma estrela que brilha muito porque, como eu falei, você correu em cima do fio da navalha e podia ter te cortado feio lá e conseguiu sair, se tem sucesso hoje acho que muito se deve  a esse teu otimismo de deixa eu procurar onde está a oportunidade e não ficar chorando o que deu errado.

Thiago            Mas hoje tem ferramentas como aqui que ajudam você a não cometer alguns erros, acho que isso que é fundamental e essas informações como aqui, que surgem aqui, é que os jovens devem aproveitar, para cometer os erros que as pessoas não cometeriam, se alguém tivesse me falado Thiago, não faça isso, eu teria escutado e não teria errado o tanto que eu errei.

Luciano          Mas você só teria escutado se tivesse credibilidade naquela pessoa. Esse teu amigo, esse consultor, ele montou uma consultoria, ele ainda faz?

Thiago            Faz consultoria.

Luciano          Então fala o nome dele ai, quem sabe…

Thiago            Alexandre Rodrigues.

Luciano          E tem um nome a consultoria dele?

Thiago            Agora me fugiu o nome.

Luciano          Eu vou tentar, se você mandar para mim eu ponho no descritivo aqui do programa, porque muita gente vai perguntar, quem é esse cara? Também quero na minha empresa, então se fez bem feito para você, que faça para outros também.

Thiago            Tem uma pegada de cultura falcônica, um preço melhor.

Luciano          Muito bem, grande Thiago, obrigado, obrigado pela visita, foi muito bom falar com você.

Thiago            Espero ter agregado alguma coisa.

Luciano          Claro.

 

Transcrição: Mari Camargo