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Ciça Camargo -

Luciano          Muito bem, mais um LíderCast. Hoje o negócio está pegando aqui, porque tem dois convidados. Eu já fiz alguns programas gravando com duas convidadas, mas é até agradável. Agora com dois marmanjos no nosso estúdio aqui o negócio fica complicado, mas a gente vai levando. Vamos lá, desde que não chegue muito perto, estamos aqui de acordo. Hoje vai ser um daqueles programas que prometem render bastante porque eu cheguei a esses dois convidados aqui por insistência minha. Mandei um e-mail, vamos conversar, trocamos ideia, vamos lá, uma hora dessas a gente passa por ai, acabou que as agendas fecharam, aliás a gente marcou isso aqui há quatro meses e eu começo sempre o programa com três perguntas que são bastante difíceis, vocês tem que prestar muita atenção porque é o principal aqui que é o seguinte: quero saber nome, idade e o que é que vocês fazem, um de cada vez.

Jonas             Bom, eu sou o Jonas Furtado, estou com 39 anos, sou editor chefe do Meio & Mensagem.

Luciano          Jornal Meio & Mensagem, grande.

Alexandre      Meu nome é Alexandre Zaghi Lemos, eu tenho 44 anos e sou editor executivo do Meio & Mensagem, trabalho junto com o Jonas lá na…

Luciano          Estão com o editor chefe e com o editor executivo. Bom, só explicando o que vai acontecer. Na verdade eu sou assinante do Meio & Mensagem e eu estava lendo algumas publicações lá; um belo dia eu li uma publicação do Jonas, gostei muito do que ele escreveu ali, mandei um e-mail para ele, falei Jonas, vem cá, eu sou o Luciano, tenho o LíderCast, vamos conversar e o Jonas ó, legal, vamos uma hora dessas ai mas eu estou com uma viagem para o exterior marcado, para aqueles eventos, vamos falar depois que eu vou voltar cheio de novidades, quando ele voltou a gente trocou uma ideia ele falou, vou lavar comigo, posso levar mais um? Eu falei ué, por quê? Precisa de dois para ganhar de mim? Ele falou não, nada, eu tenho o meu braço direito aqui que está super antenado, acho que vai dar para a gente fazer um conteúdo legal. Falei venham os dois. Por isso eu tenho aqui na minha frente, olha que delícia, os dois editores do Meio & Mensagem. Esse programa aqui é ouvido por todo tipo de gente, muita gente que ao eu dizer Meio & Mensagem já sabe exatamente o que nós estamos falando e muita gente que nunca ouviu falar porque não é do ramo, o que é o Meio & Mensagem?

Jonas             Eu vou deixar o Alê falar o que é o Meio & Mensagem, foi por isso que eu trouxe ele, sem ele essa entrevista não sairia, até explicando, eu estou no Meio & Mensagem há seis anos, o Alê já está há?

Alexandre      10 anos.

Jonas             10 anos e o Alê está há 10 anos no Meio & Mensagem mas ele está há 20 cobrindo essa indústria da publicidade, da comunicação, então ele, de fato aqui, é o arquivo histórico, é o cara que tem referências aqui, ele não é mais um, ele é o cara, mais um sou eu.

Luciano          Se eu tiver que contar para alguém o que é o Meio & Mensagem, eu devo dizer o que?

Alexandre      O Meio & Mensagem ele hoje é o veículo de comunicação mais importante do país no que diz respeito à cobertura da área de comunicação, marketing e mídia, então o que a gente inclui aí nesse mercado de comunicação, marketing e mídia? A gente inclui os profissionais de marketing, que são aqueles profissionais que estão em grandes empresas anunciantes, a gente inclui as agências de publicidade, que são muitas, os fornecedores de marketing que são maior número ainda, que aí entra o pessoal que trabalha com eventos, o pessoal que trabalha com promoção, o pessoal que trabalha com produção publicitária e incluímos também os veículos de comunicação, dentro dos veículos de comunicação, o Meio & Mensagem circula muito bem mas, melhor ainda, nas áreas comerciais desses veículos de comunicação, embora, evidentemente, o Meio & Mensagem também seja lido por muitos jornalistas, são os profissionais da área comercial e das áreas de marketing é que lidam mais com o Meio & Mensagem diariamente, na internet semanalmente na nossa edição impressa, que tem também uma versão digital para tablets.

Luciano          Legal, e vocês não estão focados na cobertura de um determinado segmento, não é um veículo de segmento que cobre a parte comercial, vocês falam de tudo, do segmento da comunicação como um todo, cobre tudo, não é?

Alexandre      Tudo

Luciano          Tem de fofoca a tabela de preço de mídia.

Jonas             Já teve mais fofoca, hoje em dia acaba voltando aqui e ali, mas a gente sempre tenta dar um tom um pouco mais sério hoje em dia, o próprio mercado da publicidade evoluiu muito, mudou muito. Antes era uma coisa, era uma característica dos publicitários, sei lá, dos anos 79, 89, né Alê, a época do Washington Olivetto, depois um pouquinho Nizan Guanaes, esses caras  eram super estrelas, eles eram celebridades do país, hoje em dia tem uma nova geração que é um pouco mais voltada para o trabalho, o próprio Washington Olivetto numa entrevista para a gente disse, os chefes da minha época, hoje em dia eles são os publicitários, o que os publicitários representavam. Hoje em dia os chefs, de cozinha, de gastronomia, são esses caras, então o publicitário hoje em dia ele está trabalhando talvez, então, quanto mais celebrando um pouco menos, então tem um pouco menos de fofoca, um pouco menos de pessoal e um pouco mais de inteligência ali, a gente quer compartilhar com o cara são insights para ele aplicar no trabalho, seja em campanha, seja aonde ele vai veicular a campanha dele, ou o marketing. O marketing também mudou muito ultimamente, não é mais só você veicular a campanha, você pode investir num podcast, você pode investir em tantas outras coisas hoje em dia, num contato direto, então mudou muito, então também mudou um pouco a característica do jornal, eu diria.

Luciano          Legal…

Alexandre      Eu gostei do negócio da fofoca, posso entrar nessa também?

Luciano          Opa, por favor.

Alexandre      Eu acho que essa é uma parte interessante assim, porque assim, primeiro que eu diria assim, não trabalhamos com fofoca, na verdade, mas é interessante esse aspecto porque o mercado publicitário especialmente esse universo das agências de publicidade, ele de fato gera muita fofoca, gera muita fofoca, gera muita notícia falsa, gera notícia fofoca mal intencionada e daí o nosso treino, porque qual é que é o nosso material de trabalho? Ele é jornalismo, ele é notícia, então assim, eu acho que a responsabilidade do Meio & Mensagem e da equipe que a gente tem hoje lá dentro da redação, é justamente filtrar isso para não reverberar nenhuma fofoca, então assim, a fofoca, ela está no nosso radar porque ela existe e o nosso trabalho é não dar vazão para que a fofoca se prolifere, mas a gente lida com a fofoca diariamente, ela existe, ela está lá…

Luciano          E é natural que esteja.

Alexandre      … é natural assim, nós estamos falando de empresas que concorrem muito, hoje como é que se dá, por exemplo, uma disputa para um cliente na área da publicidade? Você tem, por exemplo, um grande anunciante, vamos citar um caso real que está acontecendo nesse momento, a Volkswagen que é um dos maiores clientes anunciantes do país está fazendo uma concorrência entre, sei lá, seis, sete agências e essas agências estão dando o sangue para atender aquela conta pelos próximos anos, então isso gera uma disputa, uma concorrência muito grande, consequentemente muita fofoca, então assim, a nossa responsabilidade dentro do Meio & Mensagem é treinar os nossos jornalistas para conseguir diferenciar o que é uma fofoca do que é de fato o indício de uma notícia verdadeira.

Luciano          A gente já está entrando até na razão principal por eu ter convidado vocês para vir aqui que é exatamente essa questão de como é que mudou a visão que o mercado tem para o negócio da comunicação, como é que o negócio da comunicação amadureceu ao longo do tempo. Eu conheço o Meio & Mensagem há sei lá quanto tempo, quanto tempo a revista tem?

Alexandre      Mais de 35 anos.

Jonas             38 anos.

Luciano          38, eu devo conhecer, olha eu devo ter tomado contato com ela em 1979, alguma coisa, 77, eu me formei em 77 em comunicação, no Mackenzie, naquela época já era, então desde lá que eu conheço.

Jonas             O Meio & Mensagem começou em 78, então foi em 79, é isso…

Luciano          Então por aí, 78, 79 e eu acompanho e é notável que há uma mudança grande na publicação. Mas eu quero entrar nesse lance todo desse mercado da comunicação, para mim isso é muito caro porque é onde eu vivo e eu acho que para todo o público em geral, mesmo quem não está, quem não faz parte desse mercado ou é consumidor ou é vítima dele, porque a comunicação dita regras, cria moda, inventa fofoca, desfaz fofoca e tudo mais. E vocês são profissionais que estão numa posição privilegiada, quer dizer, vocês conseguem enxergar esse mercado de uma posição que pouquíssima gente vê, porque vocês estão enfiados no intestino dele, conseguem ver todo o rolo que acontece ali dentro e tem que filtrar isso para contar, entre eles e também o mercado em geral lá fora, saber o que está acontecendo, quer dizer, são caras que tem uma responsabilidade imensa e que já estão nesse mercado há um bom tempo, o Alexandre tem um atributo fabuloso que é o fato deter estudado em Bauru, então ele tomou daquela água, já sei que é gente fina etc e tal, o Jonas já eu não sei da onde vem, como é que é a tua formação, você veio de onde?

Jonas             Eu sou de São Paulo, nascido em São Paulo, me considero um caipira porque os meus pais vieram do interior, quando eu era pequeno eu brigava para não ser caipira, hoje em dia eu sou o mais caipira de todos em casa…

Luciano          De onde é, interior de onde?

Jonas             … Sorocaba a minha mãe, meu pai é mais do sul de São Paulo com o norte do Paraná, Itaporanga.

Luciano          Você foi educado ao som de “porta” “Fernando” “com orgulho”.

Jonas             Isso, e eu tentava imitar tanto os meus primos para sacanear eles quando era mais novo que hoje eu falo desse jeito, peguei, não consigo dissociar. Estudei jornalismo na metodista, em São Bernardo, me formei jornalista, passei minha carreira inteira de jornalismo não tendo muito a ver com publicidade, mas sempre tendo um pouco a ver com comportamento humano. Eu trabalhei na Revista Fluir, que era revista de surf, que na época era uma grande moda, era onde eram lançadas as tendências, todo mundo queria ser surfista, eu também não consegui e resolvi daí investir em jornalismo, também trabalhei na Revista Isto É gente, por isso quando você fala em fofoca eu fico muito à vontade, eu trabalhei em revista de celebridades, trabalhei na Isto É também, na Isto É grande, na revista semanal e fui parar no Meio & Mensagem, acho que em comum sempre isso, sempre lidando com comportamento humanos, eu acho que é isso que me deu um pouco de bagagem quando eu cheguei no Meio & Mensagem também há seis, sete anos para poder… não foi uma transição dolorosa, foi algo até tranquilo ali.

Luciano          O Alexandre…

Alexandre      Eu sou caipira de verdade, eu sou caipira nascido em Muzambinho, Minas Gerais, que é uma cidade do sul de Minas…

Luciano          Famosa por causa dum certo apresentador cabeçudo de televisão, Milton Neves.

Alexandre      …Milton Neves é meu conterrâneo, não é meu parente, mas é meu conterrâneo de Muzambinho e meu colega de profissão porque também é jornalista e lá em Muzambinho eu comecei a trabalhar em rádio, na Rádio Rural de Muzambinho, da qual eu tenho muitas boas lembranças e entrando aqui no seu estúdio o que veio de imagem sensível para a minha lembrança foi sensacional, estou adorando estar aqui porque fazia muito tempo que eu não ia num estúdio de rádio, até fazendo um parêntesis, o Meio & Mensagem tem um acordo com a  rádio CBN e a gente tem todo dia de manhã um minuto Meio & Mensagem que é o comentário de dois minutos que eu e o Jonas fazemos e isso me coloca em contato com o rádio, mas ele é feito pelo telefone, então quando a gente faz o minuto Meio Mensagem a gente não está na rádio, então ao entrar aqui no seu estúdio eu me lembrei muito do início da minha carreira que foi em rádio, depois eu estudei em Bauru, na UNESP, em rádio e TV, depois vim morar e trabalhar em São Paulo, também em rádio, passei por algumas emissoras, mas a principal foi a Rádio Jovem Pan, onde eu fiquei três anos e depois, logo depois, fui para esse mercado de comunicação, marketing e mídia, primeiro numa revista que não existe mais, mas que também era semanal, que chamava-se About e nos últimos dez anos no Meio & Mensagem.

Luciano          Importante aqui, isso eu faço com todo mundo que vem aqui, eu dou uma explorada para saber as raízes e para entender algumas coisas legais, quer dizer, vocês dois estudaram para estarem onde estão, não chegaram por acaso, você não fez advocacia e veio parar aqui, você estudou para isso e veio parar onde está hoje. Os dois fizeram isso e é impressionante a quantidade de gente que senta aqui nessa cadeirinha e fala eu estudei advocacia e hoje eu sou chefe de cozinha, vai para um negócio e que não tem nada a ver com a sua formação, no caso de vocês é legal porque vem acompanhando esse… aquilo… eu não sei se é um talento, mas a sua vocação, conseguiram ter sucesso na vocação que vocês escolheram, mas vamos lá, vamos lá, eu sou meio que jurássico. Eu entrei no mercado profissional em 1977, quando propaganda era o ó do borogodó, aquelas grandes figuras, onde o nome do publicitário, a pessoa física do publicitário era aquela coisa brilhante, as grandes campanhas iniciais, quando realmente ser publicitário era o sonho de todo moleque, trabalhar com propaganda era o que todo moleque queria ser. Na minha área então era uma coisa impressionante, tinha um glamour gigantesco, dinheiro rodando para todo lado, campanhas milionárias, coisas acontecendo, foi um negócio interessante porque anos 79 era uma época em que a mídia de massa se consolidava, se eu for voltar atrás eu vou ficar enlouquecido aqui, mas era uma coisa que estava se formatando e que deve ter atingido o seu ápice ao longo dos anos 80 e até anos 90. De repente passou um tempo a coisa começou meio que mudar um pouco de figura e para mim, olhando um pouco de fora e sem querer entrar muito em detalhe, a coisa começa a mudar quando o povo começa a fazer conta para valer e chega no fim a conta tem que dar positivo e aí eu tenho que começar a contar tostão, eu já não tenho tanto dinheiro assim para gastar, já não dá para fazer tanta festa, já uma apresentação brilhante já tromba num controler e as coisas começam a tomar um outro caminho lá e essa coisa começa a mudar ao longo do caminho. Se vocês pudessem dizer para mim, do ponto de vista dessa análise que vocês fazem, quando é que tem uma curva de inflexão nesse mercado da comunicação brasileira que quando… todo aquele brilho que existia começa a mudar para uma coisa mais pragmática, mais de vamos fazer conta, mas eu quero planilha, um real que eu aplicar eu quero saber quanto volta, qual é o retorno do investimento, tem um momento que dá para encontrar essa curva, essa mudança da curva?

Jonas             Primeiro eu quero fazer um… pontuar aqui que eu acho que a publicidade brasileira, ela continua brilhante, ela continua tendo um destaque mundial dentro desse novo contexto como as coisas são. O Brasil ainda é o segundo sempre, fica em segundo, terceiro lugar dos países mais premiados em Cannes, ganhou a agência do ano, a ALMAP ganhou esse ano, é um prêmio que o Brasil já ganhou seis, sete, oito vezes, não estou lembrado ao certo, mas a publicidade continua brilhante, o que muda um pouco, eu acho que é o escopo da publicidade. Quando você, por exemplo, sob um ponto de inflexão, aí eu acho que o Alexandre estava por dentro disso, ele deve ter vivido isso, mas eu de fora assim com o meu background que não é de publicidade, olhando, eu acho que o mundo todo chegou nesse ponto que você falou, eu tenho que ter certeza de onde eu estou colocando meu dinheiro e que retorno cada centavo que eu estou colocando aqui está dando. A publicidade, ela tem uma característica que é claro que você consegue medir algumas coisas, internet, essas coisas ficam mais fáceis de medir, mas a gente mesmo estava conversando sobre públicos, tem uma coisa que é intangível, quando ela encanta uma pessoa, o quanto de sei lá, de dinheiro que aquela pessoa vai gastar com aquela marca para o resto da vida dela porque ela ficou encantada com um momento, então a publicidade ela passa a sofrer um pouco por, às vezes, não conseguir comprovar que aquele encantamento dela é real e que aquilo pode acompanhar uma pessoa para o resto da vida. Tem marcas que eu uso que é desde a época que eu queria ser surfista, que ainda hoje quando eu ponho de manhã eu me sinto surfista ainda, eu falo pô, estou aqui, estou na onda, então tem essa questão, mas de fato quando as empresas começam a ir muito para a bolsa de valores, começam a ter acionistas, pessoas de fora da empresa começam a decidir mais do que o dono, o cara que fundou a empresa e o mundo nessa sequência, às vezes começaram algumas crises econômicas e tal, aperta-se essa condição, acionista quer saber para onde vai, então eu acho que esse momento a publicidade a ter que entregar algo diferente, muitas vezes não encanta tanto quanto antigamente, mas algo que pode ser comprovado, eu acho que a gente está um pouco nessa fase, agora em termos de data, eu não sei precisar ao certo ali.

Alexandre      Acho que essa questão que a gente tocou é fundamental do ponto de vista do controle das empresas, do ponto de vista dos negócios de fato. Na hora que a gente passou a ter as grandes empresas do mundo sendo controladas não mais pelos seus donos, fundadores, mas por acionistas, agora mais tardiamente os últimos 20 anos, digamos assim, as agências de publicidade passaram pelo mesmo processo, então hoje do mesmo jeito que você tem, sei lá, um grande anunciante igual a Unilever, igual a Procter, que não tem lá o seu Unilever, que é o dono da empresa e sim um grupo de acionistas, o mesmo aconteceu com as agências de publicidade, se você, sei lá, um ícone da publicidade brasileira, a DPZ, hoje ela é controlada por um grupo francês de investidores, então isso que o Jonas falou eu concordo plenamente e acho que aconteceu tanto do lado dos anunciantes como do lado das agências, não aconteceu no lado da mídia porque alei brasileira não permite um controle externo dos veículos de comunicação, existe uma limitação a 30%…

Luciano          O externo que você chama é estrangeiro…

Alexandre      … estrangeiro, mas aconteceu paralelamente a isso que ali na rua, eu acho que aconteceu, ai sim, um ponto de inflexão, como você chamou, que muda tudo do lado do consumo e até quebra um pouco essa história da mídia de maneira geral, que é o surgimento da internet. Eu acho que o surgimento da internet é o grande ponto de inflexão que mudou completamente o negócio de publicidade e de comunicação, mas também eu acredito que é o ponto de inflexão que mudou a nossa vida moderna…

Luciano          Mudou a história da humanidade.

Alexandre      … então eu não diria que o ponto de inflexão do mercado publicitário e da mídia, ele é diferente do da sociedade, é o mesmo, eu acho que o surgimento da internet mudou completamente tudo o que era feito.

Luciano          Eu tenho… você sabe que isso aqui é um bate papo, não é entrevista, então de vez em quando eu dou meus pitacos aqui também. Eu tenho um testemunho meu, pessoal, porque quando eu vivi os meus vinte e seis anos lá, sendo o cara de marketing dentro de uma indústria de auto peças, ou seja, uma indústria fundada e dirigida por engenheiros e onde eu tinha o atributo de gastar o dinheiro que os engenheiros penavam para ganhar. Então, eu era o maldito do cara do marketing que ia aparecer para gastar o dinheiro que os caras penavam pra ganhar e eu assisti ao longo dos anos 90 uma coisa acontecendo que para mim foi apavorante que é, enquanto todo o pessoal da engenharia foi criando ferramentas fantásticas, ISO 9000, controle estatístico de processo, line man on factor e os caras iam com planilhas maravilhosas que contavam tudo o que eles faziam, eu era o cara romântico. Onde eu chegava com a minha… eu quero uma grana para criar um stand na feira e eu vou botar no stand uma hélice vermelha girando que vai produzir um som maravilhoso e com fumaça e a única coisa que eu conseguia mostrar para os caras é que aquilo era romântico, eu não tinha como transformar aquilo. E do meu lado, tinha o engenheiro que punha tudo em números e era uma briga injusta porque o dinheiro da hélice era o dinheiro que faltava para consertar o torno e o torno dava resultado e eu dava custo e aí eu tinha que explicar esse intangível que o Jonas falou para o cara do dinheiro que estava contando tostão ali. Foi uma coisa complicada, mas eu assisti isso acontecendo como um todo na sociedade, entendi que chegou uma hora que aquele estereótipo do publicitário de terno colorido, gravata colorida que subia na mesa e gritava já não tinha mais tanto poder de influência ali, porque do outro lado da mesa tinha um controler sentado, fazendo as continhas ali. Bom, mas como vocês falaram, isso foi coisa que acabou acontecendo ao longo do tempo até surgir a tal da internet que na verdade é a razão de a gente estar aqui, nós estamos aqui conversando num veículo novo, podcast, dei uma aula de podcast para os dois na hora do almoço, mas que para mim…

Jonas             Acompanhado de bacalhau.

Luciano          … e bacalhau, aliás faz parte, para quem não sabe a história aqui é o seguinte, faz parte do processo do LíderCast eu trazer o convidado aqui, a gente vai, come um bacalhau maravilhoso aqui do lado e depois vem gravar de barriga cheia, a gente conversa um pouquinho. Mas eu acho que nós estamos, vamos usar essa ideia do surf, eu acho que nem estamos na crista, nós não pegamos a onda ainda, nós estamos nadando ainda e a onde não foi pega, nós estamos no meio dessa mudança e ninguém entendeu direito ainda para que lado vai esse impacto todo que a internet causou, a gente está vendo o comecinho da coisa acontecer e dá para notar claramente que isso mudou o jeito de ser, quer dizer, eu olho pelo meu trabalho, eu não consigo imaginar eu trabalhando hoje e fazendo aquilo que eu faço sem ter a internet, é impossível. Eu não poderia fazer o que eu faço sem ter a internet. No caso de vocês, que são jornalistas, que trabalham com aquele mesmo processo, há uma notícia, eu vou buscar a notícia, vou apurar a notícia, vou publicar a notícia e vou fazendo esse ciclo acontecer dali para a frente. A internet é maravilhosa do ponto de vista de ferramenta, então puta ficou tudo muito mais fácil, você entra em contato com quem você quiser hoje com três cliques, é tudo maravilhoso, mas tirando isso, vamos vou provocar vocês. Há 30 anos eu entrava numa redação de jornal e eu tomava um susto por que eu podia dar de cara com Nelson Rodrigues sentado escrevendo, se bobeasse eu tinha o Carlos Drumond de Andrade escrevendo, eu tinha caras absolutamente geniais produzindo um conteúdo de literatura dentro do jornal, isso acabou, isso não existe mais, não tem nem espaço para isso mais, esses caras quando aparecem,  aparecem como um convidado que põe uma coisinha qualquer ali, mas não é um colunista dando a sua opinião, como é que isso impactou no segmento da comunicação, da publicidade, etc e tal. Aqueles gênios maravilhosos que antigamente criavam, pintavam e bordavam, não sei se desapareceram, talvez… acho que ainda existem mas estão quietinhos, não tem mais aquele brilho, mas assim como não há mais literatura dentro do jornal, a publicidade também está muito mais seca e agora o meu lado crítico: para mim publicidade no Brasil virou cinema, é cinema, cinema é a publicidade brasileira, vocês conseguem ver uma mudança nisso e eu não estou nem questionando se caiu a qualidade, quando você fala para mim que olha, o Brasil ganha lá fora, o Brasil é que nós somos bons mesmo, o brasileiro é bom mesmo, mas essa imagem que eu faço, acabou literatura no jornal e na publicidade, se os criativos ainda tem o mesmo espaço, ocupam o mesmo patamar, são escravos do planejamento estratégico, como é que isso tudo se rearrumou?

Jonas             Acho que a gente vai começar a entrevistar o Luciano, ele deu uma boa resposta, uma coisa que muda completamente o jogo que é o seguinte, você imagina que antigamente o cara chegava, o criativo, o cara do atendimento trazia a necessidade do cliente e aí tinha, sei lá, um mês para vir com uma grande ideia, aquilo ia virar um filme, a televisão que ia rodar de repente o ano inteiro, um anúncio na revista e a agência ia viver daquilo, hoje em dia é assim, você tem que criar cinco peças por dia para postar nas redes sociais uma para a internet, um anúncio não sei o que, o filme é para amanhã, então essa própria quantidade de trabalho, até pela multiplicação de plataformas por conta da internet, a fragmentação da audiência, as pessoas não estão na frente da televisão como a gente ficava em casa no domingo a noite, a gente via “Os Trapalhões”, começava a ver o Fantástico, via a zebrinha, a loteria, todo mundo junto, Fantástico começava a esquentar, o pai mandava dormir e os adultos continuavam vendo televisão, mas tinha aquelas duas horas ali que a família toda estava na frente da televisão, isso não existe mais. Então, você também precisa fragmentar as suas peças, as suas produções para tentar encontrar essas pessoas, como você vai viver naquele ritmo? O teu tempo é mais curto, então assim, em vez daquela… a grande ideia criativa assim que vai mudar o jogo, você precisa ter várias ideias que sejam eficientes e que cumpram um papel, que cumpram um objetivo, eu acho que isso muda completamente e dá para você ser muito bom desta maneira, talvez não com o investimento todo de dinheiro e de tempo que eu falei, um mês do dinheiro e do tempo era uma peça só, agora isso é fragmentado por muitos outros, eu acho que isso por si só já muda completamente a característica da publicidade.

Alexandre      Tem um negócio interessante ai que você falou que eu fiquei pensando que é o negócio do talento excepcional, tipo assim, o talento muito acima da média, que é o caso do Nelson Rodrigues sentado numa redação e aí eu acho que dá para fazer um paralelo interessante com a publicidade, porque eu acho que tanto o jornalismo como a publicidade em algum momento da história, não só no Brasil, mas em vários países, eles foram de  certa maneira, o refúgio possível para talentos que não conseguiam se manter em outra área. Na publicidade isso é muito latente. Por exemplo, se você pegar o caso aqui do Brasil, vários cineastas que tem o talento para o cinema, tiveram que se refugiar na publicidade porque o cinema brasileiro passou duas décadas falido, vamos pegar um exemplo, por exemplo, Fernando Meireles, ele é um dos hoje, um dos nossos principais cineastas e que construiu a carreira dele durante dez anos filmando comerciais de trinta segundos, porque era o possível naquele momento. Hoje o mercado está completamente diferente, eu acredito que isso aconteceu também com o jornalismo em muitos países e em muitos momentos da história, pessoas que tinham talentos incríveis para crônica, para literatura que era impossível sobreviver disso e num momento que a mídia estava forte lá nos anos 70, nos  anos 80, a  pessoa ficava… tinha a segurança possível dentro de uma redação com um trabalho diário e o talento dele passava a ser um hobby naquele momento, eu acho que essa mudança embora tire esses talentos excepcionais da publicidade e do jornalismo, ela é benéfica porque hoje em dia a própria internet consegue dar vazão para muita gente talentosa fazer aquilo que é o talento que ela de fato quer fazer e com os novos mecanismos de remuneração conseguem até se manter e nesse ponto o jornalismo e a publicidade tem  um problema, é um problema hoje das atividades na publicidade, isso é muito, na publicidade brasileira esse é um grande problema hoje em dia até porque a publicidade não pode mais pagar os salários que ela pagava antigamente, então hoje ganha-se menos trabalhando em publicidade, então tem um problema de manter os talentos. Agora, tanto a publicidade como o jornalismo, eles são atividades que, claro, quanto mais talento melhor, mas eles também são atividades técnicas, nós, por exemplo, eu e o Jonas, nós fizemos uma faculdade, nós temos ali uma técnica e fazer jornalismo que, é claro, a gente vai aprimorando com o dia a dia. Então você tem hoje grande maioria no jornalismo e na publicidade são técnicos, alguns talentos evidentemente se sobressaem mas talvez esse talento excepcional que estava ali só ocupando um espaço porque ele não tinha outro espaço, tenha conseguido fazer o talento natural dele em outra atividade, o que é bom, não é ruim.

Luciano          Deixa eu ver um outro insight com relação a vocês. Como é que vocês veem essa coisa aqui, uma boa ideia, uma ideia criativa, uma boa sacada, uma frase de efeito bem sacada, uma imagem legal, bem sacada, ela navega em qualquer praia, onde você botar aquilo, uma boa sacada navega por qualquer lugar. Antigamente o cara levava um mês, desenhava uma obra de arte, punha na televisão e estava resolvido, falava com a família inteira. Hoje ele tem que conversar com uma faixa que são caras que tem de 16 a 22 anos e para falar com eles tem que ser aquela menina que é uma youtuber da moda que não sei o que, para falar com a molecada que está um pouco a menos é um outro youtuber que tenha idade deles, tem 13 anos e aí eu tenho que falar com o pai dele, que vai dar o dinheiro para ele comprar e o pai dele não sabe nem o que é um youtuber e está numa outra praia lá adiante, etc e tal, como é que essa fragmentação atinge um ambiente como o de vocês, o universo de vocês, que é o universo de jornalistas tratando de comunicação, você tem um cara para conversar com youtuber e tem um outro para conversar com o cara da televisão que vai sentar na frente de um cara que tem 35 anos de trabalho e depois tem que sentar na frente de um menino de 13 anos que está com 2 milhões de…. como é que vocês lidam para conversar com essa turma?

Jonas             Na verdade a gente tem, não é Alê? Ultimamente tem uma renovada boa na equipe do Meio & Mensagem, acho que quando eu cheguei lá, seis  anos  atrás, era uma equipe muito sênior já de jornalistas realmente com uma boa rodagem e formados dentro daquela indústria mais parecida com o que a gente conversou aqui de antigamente, então todo mundo muito seguro do que se falava, com essa mudança a gente também sentiu isso que você falou, pô mas está um pouco difícil e esses profissionais mais sênior foram saindo e eles foram sendo substituídos por gente mais nova…

Luciano          Mas isso foi consciente, isso que aconteceu? Como é que foi?

Jonas             … muita sorte e um pouco de consciência, aí o que eu digo sorte, assim, é pô isso acontece, as  pessoas certas que nem a gente foi entrevistar um repórter hoje que é um que se destaca muito, ele toma conta do nosso site lá, o Luis Gustavo, foi a nossa primeira entrevista para aquela vaga foi ele, então o cara chegou ali, isso que eu digo sorte, pô será, se o cara fosse o último a gente já teria escolhido outra pessoa no lugar,  então eu acho que tem uma dose de sorte, mas também tem uma dose de a gente olhar, o Alê e eu e falar assim, pô, vamos dar espaço para esse cara e vamos dar determinadas funções para esse cara e aquele espaço mais tradicional onde o cara precisa de uma senioridade, precisa ter o histórico de como a publicidade funciona, nós continuamos ter essas pessoas, esses jornalistas na nossa equipe, então entra também um novo profissional para cuidar de redes sociais, saiu uma menina que cuidava de redes sociais que era ótima, ela indicou um outro cara que é muito bom também, o Isaac e a gente vai dando mais assim, quando começaram a pintar as pautas com youtubers, o Isaac, o Isaac fazia só redes sociais, Isaac, vamos começar a escrever também, vamos fazer reportagem? Vai lá falar com o youtuber, vai lá entender e aí tem uma certa dose nossa ali de flexibilidade que é entender que esse cara, essas pessoas mais novas sabem mais daquele assunto do que a gente, podem dar opiniões mais avalizadas do que a gente e dar esse espaço para essa pessoa, então é um misto, as  pessoas certas apareceram na hora certa e essa dose de sorte eu não nego, aliás é muito bem vinda.

Luciano          Quer dizer um cara como eu, que digamos assim, não entro na redação da Meio & Mensagem há 25 anos, se eu entrar hoje eu tomo susto?

Jonas             Não sei se chega a tomar um susto.

Alexandre      Eu acho que assim, o que tem talvez até que tenha um paralelo com muitos dos seus ouvintes que trabalham em outras empresas que são diferentes da empresa na qual a gente trabalha, primeiro assim, é muito bom você ter diversidade na equipe, eu acho que em qualquer equipe, isso vale para nós que estamos no jornalismo, mas acho que vale para várias outras indústrias. Então, se você entrar na redação do Meio & Mensagem, você vai encontrar profissionais de 20 anos, ou até menos e profissionais de 50 anos. Então a gente tem profissionais de várias idades, a gente tem profissionais de diversas opções sexuais, a gente tem profissionais que vieram de outras regiões do país, então essa diversidade eu acho que ajuda. Eu concordo com o Jonas que a sorte é uma coisa que ajuda muito e eu sou daqueles que acredita que o universo conspira com quem faz a coisa certa. Então acho que a sorte veio para o nosso lado porque a gente estava fazendo a coisa certa também e essa troca de experiência entre todos eu acho que é benéfico para todos. Para os de menos idade, para os de mais idade e outra coisa que eu acho que acontece lá na nossa redação e deve acontecer em qualquer tipo de empresa, é que nós temos um produto que é o produto principal, ainda hoje, que é o produto mais tradicional que é a publicação impressa, então a gente tem a técnica e a experiência para fazer isso. Se a gente se focasse só nisso, seria um erro. Na redação do Meio & Mensagem como em qualquer outra empresa, você tem que ter um percentual razoável para inovação, para o diferente, para investir em coisas que estão chegando agora, então a gente tem uma boa parte da redação que está voltada para isso, para pensar nas tendências, para acompanhar as tendências logo quando elas estão nascendo e para não deixar o Meio & Mensagem ficar um veículo restrito mesmo ao produto principal dele, estou dizendo financeiramente. Assim, temos o cuidado com o nosso principal produto semanalmente, sabemos fazer isso, temos uma equipe que faz isso bem, mas talvez até a maior parte do nosso tempo hoje em dia, já esteja voltada para as mídias digitais e para as mídias novas mídias que vão surgindo e outra característica na redação do Meio & Mensagem que eu acredito que deva ser uma característica que tem que estar presente hoje em qualquer redação é que o jornalista tem que ser multimídia, ele não pode mais ficar atrás de… talvez o Nelson Rodrigues atrás da máquina de escrever fosse de fato…

Luciano          Da Remington, a Remington dele…

Alexandre      …  é uma imagem romântica e ótima da gente pensar nela, mas não é a realidade mais dentro de uma redação. Mesmo o Meio & Mensagem tendo essa característica de ter nascido na mídia impressa, hoje a gente faz transmissões ao vivo em vídeo, a gente faz rádio, a gente faz painéis de noticiário em elevadores, o nosso conteúdo está em diversos lugares, no Snapchat e o Jonas tem se dedicado muito a essa parte da inovação nos últimos anos que eu acho que é um acerto da redação do Meio & Mensagem até porque ela ajuda a ventilar todo o processo, as coisas ficam mais rápidas, ganham velocidade, a cabeça de todo mundo fica mais aberta.

Luciano          A gente falou isso na hora do almoço quando eu estava explicando para vocês qual é o meu negócio, que eu falei olha, eu tenho uma editora de conteúdo, como é que esse conteúdo vai chegar nas pessoas, não é minha primeira preocupação porque quando eu sento eu vou criar conteúdo. Agora, se vai chegar através de um livro, de um DVD, de um vídeocast, de  um podcast, isso é uma segunda conversa, que aí já é a transformação desse conteúdo para de adequar àquela mídia, vocês veem de uma área que era extremamente restrita, ou é rádio ou é TV, ou é um veículo impresso e hoje em dia é tudo isso, é tudo isso e mais um pouco e eu imagino a loucura que é você gerenciar uma coisa dessa hoje em dia, mas vocês sabem que esse programa aqui é um programa de liderança e empreendedorismo e vocês citaram algumas coisas legais aí que eu quero agora cutucar os dois aí. Vocês são editores chefes e editor executivo, estão liderando equipes, eu não sei que tamanho é a equipe de vocês lá, quantos tem ali na…

Jonas             Na redação, tudo tudo umas vinte pessoas, mas entra o pessoal que dá o suporte, o pessoal que faz o trabalho gráfico, a arte, cada vez mais a gente chama, a gente vai dando uns nomes bonitos, agora a gente está falando de user experience, o cara que tem que estar preocupado com a interface, não só em fazer a página do jornal, mas a interface de todos os nossos produtos, como o nosso conteúdo vai ser acessado, então no total umas vinte pessoas aí e tem os jornalistas também que devem ser doze jornalistas, dez a doze jornalistas.

Luciano          Há um tempo atrás não era muito difícil porque tudo que eu tinha comigo na redação era macaco, um monte de macaco, macaco vem, macaco come banana, tudo macaco, hoje em dia você tem macaco, você tem peixe, você tem gavião, você tem… você tem toda, uma fauna gigantesca ali dentro que não come a mesma coisa, não se comporta do mesmo jeito, não chega no mesmo horário, não dorme igual, tem carências diferentes, tem faixas de idade totalmente diferentes. Como é que se administra? Esquece agora esse negócio de vocês, agora eu quero saber da chefia, não é chefia, é liderança e empreendedorismo etc e tal. Como é que se cuida de um caldo desse, esse choque de gerações, essa molecada que quer tudo agora e o cara um pouco mais antigo, calma, vamos devagar, como é que você lida com essas…. essa diferença?

Jonas             Se tivesse sendo filmado ia ver a gente estar com um sorriso no rosto, porque esse é um desafio diário que a gente enfrenta ali. Quando a gente começou a falar de produzir para mídias diferentes, tem muito isso, o pessoal mais novo começa a fazer Snapchat adoidado e eu aprendi que não adianta você querer pauta-los ou brecá-los, ia ver depois que está no ar porque se não acaba até com a naturalidade com que esse tipo de conteúdo. Tem que ser produzido e muitas vezes tem um jornalista um pouco, não chega a ser velho, mas de outra geração que não, espera aí, qual é essa pauta, como é que vai ser, não, isso aqui não está bom, você acaba desestimulando aqueles caras a estar criando assim, o erro vai acontecer, talvez um programa não seja tão bom quanto o outro mas, a pior coisa que tem, é você tirar essa vontade desse pessoal mais novo de fazer diferente, na filosofia que a gente tem muito bem clara e aí é onde eu tenho que agir também com todo o carinho, porque eu também não posso tirar a autoridade do cara mais sênior que está ali e está tentando fazer o melhor na verdade, está tentando, ele está preocupado com o Meio & Mensagem. Mas, há uma característica desses conteúdos que a naturalidade fala por si só, uma coisa que eu falo bastante, eu comento com eles assim, eu acho que assim, não tem como motivar as pessoas, não sei se…. quem já passou por aqui. As pessoas são naturalmente motivadas, o cara que quer uma coisa melhor para ele, ou quer fazer diferente,  ele está motivado. Agora, os chefes de fato, eles tem a capacidade de desmotivar as pessoas, você pode desmotivar a pessoa que está motivada quando você põe essas barreiras, onde você não explica, você não convence para ele que a  sua ideia é melhor, ou talvez seja a mais adaptada àquele momento do que a dele, quando você chega o top down, pô aí é muito fácil desmotivar essa geração mais nova que como você disse, quer tudo agora, eles são mais sensíveis, um outro mundo, mas eles também são muito capazes, quando você pega o cara certo dessa  nova geração onde o cara tem a motivação dele, ele sabe onde ele quer ir ou ele tem uma ideia do caminho a seguir, de fato é um barato trabalhar com esse cara e ver esses caras se desenvolvendo, mas eu diria que uma boa parte do dia é dedicada a essas conversas, gerenciar as pessoas.

Luciano          Quando você veio, você está há seis anos, você já era editor quando você veio, você não era editor, você era peão…

Alexandre      Quando você chegou no Meio & Mensagem, mas você já tinha se …

Jonas             Repórter raso, eu fui editor assistente da Revista Fluir lá atrás, quando comecei, na verdade eu comecei na Fluir com 18 anos e aí com 20 eu fui contratado como subeditor porque eu entendia do off set, era o meu único jeito de participar daquele mundo era entender da história do negócio, então eu me dedicava a isso, então eu tinha sido editor, mas depois, puxa, a minha vida deu muitas voltas, então quando eu cheguei no Meio & Mensagem eu era um repórter bem raso na verdade.

Luciano          Mas você foi contratado pra ser repórter lá e depois com o tempo você…

Jonas             A gente foi subindo. Quando eu cheguei também o Alê era repórter.

Alexandre      Também fui contratado como repórter.

Luciano          Então, eu quero cutucar vocês.

Alexandre      Aí o Jonas foi subindo, eu fui segurando na mão dele e fui indo junto.

Luciano          Um belo dia o seu Meio & Mensagem lhe chama na sala e fala Jonas, vem cá, você está indo bem, etc e tal eu vou… precisamos de um editor júnior, editor não sei o que, sei lá como é que vocês chamavam aquela coisa, mas ele convida você, fala você não quer assumir, você fala legal, assumo, no dia seguinte você veio trabalhar e você é outra coisa, você já não é mais o peão da molecada, você já é o… está um degrau acima, você já é o chefe, você já não pode falar tudo o que falava, você vai ouvir coisas que você não ouvia, você entrou num outro ambiente que é totalmente diferente daquele que você estava acostumado até então. Você foi treinado para isso?

Jonas             Não. Na verdade o senhor Meio & Mensagem aí tem um nome no caso é senhora, é a dona Regina Augusto que era diretora de redação do Meio & Mensagem foi diretora durante 20 anos. Quando eu cheguei como repórter, teve uma empatia logo de cara assim, ela gostou o meu jeito, do meu trabalho, eu não era treinado, muito pelo contrário, eu era um cara muito mais explosivo, muito mais de tomar o que vinha na cabeça falava, mas tanto eu quanto o Alê, vendo ele assim, a gente era repórter, mas daqueles caras que não estão só preocupados em fazer o seu, talvez por ter mais experiência ali do que alguns, ter rodado mais, a gente estava sempre preocupado com o jornal como um todo, assim, pô, a minha matéria está boa e tal mas estou vendo que fulano aí está com uma dificuldade, menos experiente, mais novo, às vezes só tinha trabalhado no Meio & Mensagem, então a gente sempre teve essa preocupação. Eu falo pra caramba, eu estou meio, eu acho que eu estou meio quieto aqui mas eu falo demais, eu gosto de conversar, eu gosto de, como bom caipira que eu disse que e sou no começo, de contar causo, de trocar experiência, então eu sempre tive esse contato muito vivo com toda a equipe, então aconteceu de ser uma coisa natural assim, as próprias pessoas ali me procuravam como uma referência na hora de conversar ou de ter alguma coisa, eu chego muito cedo no trabalho, então eu estava sempre ali  para uma conversa e tal, aconteceu de forma natural.

Luciano          E você não tinha reparado que a dona Regina estava olhando.

Jonas             Via que ela dava umas olhadas de vez em quando, mas não a esse ponto.

Luciano          Que ela estava reparando nisso tudo, que ela estava olhando aquele grupo todo então pô, tem um ali que navega bem, tem um ali que faz pergunta que os outros não fazem, tem um ali que…

Jonas             E é legal porque na verdade ela foi a primeira pessoa que reconheceu isso, porque eu já tinha essa característica na Isto É, só que na Isto É, eu vou contar aqui, essa característica foi identificada por uma outra chefe minha, como eu tinha uma característica de um líder de motim, essa liderança que a Regina enxergou como algo positivo, lá foi até um pretexto assim, ajudou na minha saída da Isto É, você às vezes parece um líder de um motim, então ali no Meio & Mensagem foi a primeira vez que isso foi reconhecido talvez como algo positivo.

Luciano          Então espera, você bateu num motivo maravilhoso, não vou te obrigar a nada, eu quero discutir com você exatamente essa coisa de, quer dizer, a energia é a mesma, a força é a mesma, a intenção é a mesma, eu tenho certeza absoluta que lá na Isto É você não tinha intenção de sacanear, de derrubar, de quebrar, nada, tua intenção lá era exatamente igual a intenção da Meio & Mensagem, quer dizer, era o mesmo cara, com o mesmo espírito, você não mudou nada, era a mesma pessoa, numa delas ele é interpretado como o cara, entre aspas, do mal e na outra era interpretado como o cara do bem e vira o editor da revista e não é por acaso que isso acontece. Olha a importância que tem a pessoa que está lá como a dona Regina fez, interpretando o que está acontecendo. Uma delas olha aquilo e só vê o ruim e a outra vê o lado bom e dali nasce o editor chefe da revista e a outra perdeu a oportunidade de ter esse cara como editor chefe lá, quer dizer olha a importância que tem quem está nessa posição de liderança avaliando essa moçada toda, eu chamo a atenção porque tem gente assim ouvindo a gente aqui, tem um monte de gente ouvindo esse programa aqui para tentar estabelecer caminhos, como é que eu faço, como é que eu vou criar a minha cultura de liderança etc e tal e elas tem que estar antenadas que isso vai acontecer o tempo todo: aquele cara que está me enchendo o saco e que me pentelha, talvez ele seja o cara ideal para resolver um problema, eu só estou vendo ele como o cara que está me enchendo o saco e você faz uma mudança de contexto e a coisa vira completamente, não é assustador isso?

Jonas             É assustador. É assustador porque lá no fundo eu sabia que estava, no meu outro emprego eu estava lutando pelo melhor, eu queria fazer mais, então realmente é, acho que mais do que assustador é muito frustrante para quem sabe que tem essa, assim, eu nunca imaginei de fato que eu fosse exercer um cargo de chefia ou de liderança, mas eu queria fazer o melhor pelo grupo, se eu saio de casa todo dia, se eu vou passar 10, 12 horas no meu trabalho, que sejam 10, 12 horas engraçadas, que o meu dia passe por aquilo, não seja um sacrifício que eu preciso cumprir e dessa  troca pessoal assim. E lógico que aí o conteúdo  lá das conversas e tal, muitas vezes é o trabalho, muitas vezes tem que saber como é que está a vida pessoal do cara também, você acaba virando uma válvula de escape, às vezes a gente brinca, às vezes eu vou abrir aqui está o divã e fazem fila ali, entrar para trocar uma ideia até da vida,  porque se o cara também não está bem em casa, o cara está meio deprimido, não adianta você mandar o cara embora ou fazer alguma coisa, a  melhor coisa que você pode fazer é recuperar aquela pessoa, trazer ela de volta para o estágio normal dela, eu diria, para o modo default ali e a partir dali é lógico que ela vai se exercitar mais. Acho que tem uma característica também que a gente trabalha bastante lá no Meio & Mensagem que é assim, ao invés de ficar só cobrando, se o que essa pessoa pode fazer pelo Meio & Mensagem, durante um tempo eu tive o foco nisso, aí eu mudei um pouco,  o que a gente pode fazer para esse cara, esse profissional ser o melhor possível, para o fulano de tal ser o melhor fulano de tal que ele pode ser, então eu ponho minha energia nisso, o Alê põe a energia dele nisso porque a gente acredita que ele sendo o melhor cara que ele pode ser, o melhor profissional, o Meio & Mensagem vai se beneficiar daquilo da melhor maneira, se dez pessoas ali dentro estão trabalhando lá, estão no seu auge, estão felizes, estão motivadas, nós não estamos desmotivando-os, a gente acredita que o Meio & Mensagem vai se beneficiar disso, é quase uma inversão do processo mas que assim, pelo menos até aqui eu acho que dá mais resultado do que o contrário.

Alexandre      Eu acho que tem o negócio que ele falou, que o Jonas falou que eu acho que é fundamental que é assim, se o objetivo for coincidir de ser fazer um conteúdo melhor, se esse for o objetivo e não for outro que está disfarçado, já é um passo, primeiro passo muito grande,  se o objetivo da liderança for fazer um bom produto e não, por exemplo, a carreira pessoal da liderança e sim o conteúdo do veículo onde ela está trabalhando, já é um primeiro passo sensacional. Segundo passo que eu acho que deu muito certo nesses últimos anos lá no Meio & Mensagem, é que esse objetivo de ter um lugar onde as pessoas gostem de trabalhar é fundamental, porque é claro que as pessoas trabalham também porque elas recebem um salário e isso é importante para a vida delas, mas a diferença da pessoa sair de casa e ir trabalhar num lugar onde ela gosta, com pessoas com as quais ela se sente bem, fazendo um trabalho que agrada, nenhum trabalho, acredito eu, agrada a pessoa que está trabalhando 100% do tempo,  qualquer trabalho inclui alguma coisa que não te agrada muito, mas isso é parte de qualquer trabalho…

Luciano          É da vida, a vida é assim.

Alexandre      … é da vida, então assim, se a maioria do tempo que você está passando ali, você está fazendo coisas interessantes, lidando com pessoas interessantes, não sendo podado como ele bem explicou, isso acho que já é um passo muito grande assim na organização da equipe. Agora eu estou meio contaminado pelas olimpíadas e pelas paraolimpíadas, eu acho que tem uma outra coisa, eu não sou um especialista em futebol até confesso que não acompanho muito, mas acho que tem uma coisa parecida e vejo o pessoal que entende de futebol reclamando muito da seleção brasileira, que a seleção brasileira não joga mais com a vibração, eu acho que tem um paralelo, é o seguinte, o Neymar e o Messi, eles não conseguiriam ser campeões de nada se eles não tivessem uma equipe jogando bem, uma equipe jogando animada, uma equipe motivada, no jornalismo acho que é um pouco assim, o Nelson Rodrigues sozinho, ele não faria um bom jornal, então você precisa ter uma equipe que está motivada, mesmo que você tenha um, ou dois, ou três grandes talentos, você precisa ter uma equipe que joga junto, uma equipe que está motivada para fazer aquilo e uma equipe que entra em campo com o objetivo comum que é fazer um conteúdo legal e acho que esse paralelo vale para várias outras empresas que estão em outros ramos também.

Luciano          Legal. Muito bom esse trechinho aqui, muito bom. Deixa eu pega um outro… nós estamos aqui há cinquenta minutos falando, o tempo passa, falta um pouquinho ainda, mas a gente chega lá. Deixa eu fazer uma outra, trazer um outro tema aqui que é interessante para esse momento, vocês sabem que a moda agora é falar em content marketing, é a economia criativa, são os caras que vão ganhar dinheiro vendendo conteúdo, vendendo conhecimento, tem nego enchendo o rabo de ganhar dinheiro na internet vendendo gelo para esquimó, tem um diabo acontecendo lá e vocês fazem isso há 30 anos, todo mundo que trabalha na imprensa, trabalha vendendo conteúdo, o produto de vocês é conteúdo, não é outra coisa, aquele jornal de papel que está na minha mesa ali, aquilo é só um veículo onde está impresso aquilo que me interessa não compro pelo papel compro pelo conteúdo, ou seja, vocês trabalham com content marketing muito tempo antes de content marketing ser o queridinho da hora agora e dando mais um passo adiante, a  internet trouxe acesso a todo o tipo de content marketing possível e imaginável na faze da terra, eu quando tinha meus 20 anos, eu sabia exatamente que eu tinha quatro ou cinco opções, se eu quisesse saber do mercado publicitário, eram duas revistas, um jornal e deu, não tinha mais onde procurar. Hoje em dia tem podcast, programa de rádio, televisão, tem tudo, eu encontro tudo em todo lugar, isso me dá um overload de conteúdo, é muito conteúdo, eu não  consigo lidar com isso, eu tenho que prestar muita atenção e começa a nascer a figura que o pessoal já está dando uma atenção muito grande para isso que é a tal da curadoria, um curador que é o cara que seleciona aquilo que interessa nesse mar de informação e bota na minha cara aquilo que realmente me interessa e que vai me poupar tempo, vai me poupar tempo de procura e etc e tal de  leitura, isso está ganhando um apelo muito grande e o pessoal aposta muito que no futuro, quem fizer curadoria é que vai estar arrebentando de fazer dinheiro, vocês já sacaram isso, já viram isso? Isso preocupa vocês ou faz parte dessa ideia do que vai ser o futuro do trabalho que vocês fazem?

Jonas             Acho que a gente faz muito de curadoria toda a semana e toda hora ali, o jornal Meio & Mensagem, vamos dizer, antigamente era muito mais um trabalho de informar o que a gente comenta, como não havia internet, havia o Meio & Mensagem, as pessoas esperavam que toda semana o Meio & Mensagem informava quem mudou de agência, quem ganhou tal conta, como é a campanha nova. Hoje em dia esse tipo de conteúdo está no Facebook das agências, no Facebook pessoal do cara, no Twitter, então a gente entende que o Meio & Mensagem já não tem mais essa função do informar o que está acontecendo, a partir disso a gente passa a… o volume de informações é muito maior também hoje em dia, o número, quando a gente fala da fragmentação de audiência, quantas peças são feitas, então multiplicou-se o nosso escopo, então a gente tem que fazer essa curadoria toda semana, todo dia no  site. Então a gente acha que essa curadoria na verdade, eu acho que ela é, sei lá, se 50% do nosso trabalho é isso, é escolher o que a gente vai contar, o que a gente tem que entregar no Meio & Mensagem toda semana, independe do jornal ser grande, ser pequeno, ter mais páginas, menos páginas, eu tenho que entregar para o cara, assim, essa é a nossa curadoria, se você lê o Meio & Mensagem aqui, você está pronto para essa semana que vai entrar, porque tem essa característica também. Antes o Meio & Mensagem semanal, era um resumo, essas semanas eram o resumo da semana, agora na verdade, as revistas semanais elas tem que apresentar o que vai vir na próxima semana, se não ela está velha. Se não o cara não vai ver, e muito disso envolve um trabalho de curadoria aí que talvez seja o principal.

Alexandre      E que talvez tenha uma relação com o cara da arte também, o cara da arte tem uma galeria, sei lá, tem uma parede na qual cabem quatro quadros, para escolher esses quatro ele olha mil. No nosso caso a gente fica sabendo de mil informações e seleciona as sessenta que a gente vai passar adiante, ou que a gente vai debater, ou que a gente vai iniciar um debate, porque é bem isso que o Jonas falou, nos últimos anos, especialmente a edição semanal, ela deixou de ser… ela passou a ser menos informativa para ser mais analítica, mais voltada ao debate, mais voltada a contar tendências.

Luciano          Vocês estão tocando num tema que é extremamente importante para essa sociedade que a gente vive hoje em dia, que tem a ver com a razão de ser do jornalismo e para onde é que ele pode levar, da imprensa, eu diria que a imprensa, ela é muito mais importante por aquilo que ela deixa de contar do que por aquilo que ela conta, muito mais por aquilo que ela não mostra do que por aquilo que ela mostra e esse “aquilo” que ela mostra tem alguém decidindo que história vai ser contada. Você lembra da história do Homer Simpson, da Globo, quem não sabe da história toda, aquele escândalo que foi um grupo fazer uma visita na Rede Globo, foram ver lá como é que era a reunião de pauta do Jornal Nacional e nesse grupo tinha um professor da USP, que estava lá antenado, quer dizer, quando eu falo assim, professor da USP, a gente já sabe que odeia a Globo, então não tem como dissociar, se já odeia a Globo e ele estava sentado lá e de repente o Willian Bonner teria dito que na concepção deles, que o telespectador padrão do Jornal Nacional era o Homer Simpson e o Homer Simpson o que que é? Aquele pai de família quadradão de pouco alcance intelectual, etc e tal, aquilo virou um puta escândalo, aliás eu li até no Meio & Mensagem algumas coisas falando a respeito daquele escândalo que aconteceu lá. Aquilo, eu uso aquilo como exemplo aqui de colocar o seguinte, se quem está decidindo o que vai ao ar, o cara que entende que o seu público é um Homer Simpson, eu já sei que tipo de história ele vai contar e já sei o que ele vai deixar de contar, diante de dois editores que tem na mão o poder de dizer isto vai, isto não vai, como é que vocês lidam com isso para ser justo, para abordar, para dar espaço para diversidade, para abordar os dois ou três, ou quatro lados das coisas, isso preocupa vocês? Está correndo ali atrás uma janelinha do Windows correndo ali, falando faltou isso, faltou aquilo, como é que é isso?

Jonas             Acho que o tempo todo a gente está preocupado, talvez também é o que mais preocupa a gente o tempo todo, porque a gente sabe que se sai a edição, ela tem que ter o menor número de calcanhares de Aquiles possível, tem que ser o menos questionável possível, ela tem que ser passiva de uma defesa, por que vocês escolheram isso? E você não tenha dúvida que questionam a gente, por que dão mais espaço para isso do que para aquilo?

Luciano          Dá para mim uma janelinha aqui só para ajudar quem está ouvindo a gente que não é do ramo. Qual é o papel de um editor, o que faz um editor?

Alexandre      Eu acho que tem uma diferença, até pegando o seu exemplo do Willian Bonner, acho que tem uma diferença no dia a dia do nosso trabalho e do trabalho do editor do Jornal Nacional, por exemplo, essa história ficou famosa porque talvez isso fosse uma brincadeira interna que acabou sendo contada no dia que você tinha um público, mas você pensa bem a dificuldade do Jornal Nacional, ele tem que ser entendido pela dona de casa de Roraima e pelo empresário que agora assiste o Jornal Nacional via Globo Play que está em Dubai…

Luciano          Eu chamo isso de síndrome de Faustão, tem que ser entendido por quarenta milhões de pessoas, ou seja, mínimo divisor comum.

Alexandre      … o meu trabalho e o do Jonas é um pouco diferente porque o nosso leitor,  ele é menos, nós temos um perfil dele é mais parecido porque nós estamos falando com profissionais que são provavelmente formados na área de, especialmente na edição impressa, porque no site o público é muito maior e você inclui muitos estudantes, mas na edição impressa a gente tem um público mais sênior e mais decisor e mais líder do mercado, então tem essa diferença. Agora, selecionar o que você vai colocar no conteúdo do Meio & Mensagem, qualquer plataforma, eu acho que exige um trabalho muito grande nosso de estar muito próximo desse público, que talvez seja a dificuldade lá no Jornal Nacional, eu suponho que o Willian Bonner não se encontra com a dona de casa de Roraima toda semana e eu, o Jonas e os demais jornalistas do Meio & Mensagem, a gente se encontra com pessoas do mercado o tempo todo, todo dia.

Luciano          Esse é o insight interessante, quer dizer, aquela ideia do sujeito sentado na sala esperando que venham as notícias para ele separar aquilo que importa e não importa, não é assim, vocês tem uma ação ativa

Alexandre      Não pode ser assim, o jornalista que fica trancado dentro da redação, ele está perdendo uma parte importante do trabalho dele, que é o contato pessoal e físico mesmo com o mercado com o qual ele está falando, não teria sucesso um jornalista especializado em surf, que não vai aos campeonatos, não vai á praia e não fala com o surfista, como não teria sucesso um jornalista especializado em comunicação, marketing e mídia que não vai às agências, que não conhece as pessoas, que não participa dos eventos, que não estuda, enfim, é preciso fazer tudo isso.

Luciano          Deixa eu só dizer para vocês porque que eu estou insistindo um pouco nesse ponto aqui, tem gente que diz o seguinte, eu não preciso mais de jornal, não preciso mais dos Meio & Mensagem da vida porque agora eu tenho Facebook aqui, eu sei tudo o que tem aqui e essas pessoas esquecem que o que tem ali não vem de uma estrutura profissional, que tem gente paga para ir atrás, que tem um cara indo lá na praia para ouvir, o que tem muito ali é ouvi alguém dizer, eu li em algum outro lugar, eu cito aquilo que eu ouvi alguém falar e aquela história da fonte primária que é, no caso de vocês que tem uma estrutura de vinte, trinta pessoas pagas para se transformar em fonte, para ir lá e ouvir o que está acontecendo e vir me contar, não pode ser substituída por um retuíte, ou um compartilhamento de Facebook, quer dizer, isso não vai morrer nunca, alguém vai ter que ir atrás para saber das  coisas, isso custa dinheiro e tem que ser pago por mim que sou a tua audiência, então por isso que eu fiz essa questão de definir muito clara essa coisa do curador e do editor, sabe, o editor não é o cara que escolhe que post que eu vou botar no Facebook, é o cara que, “meu, já ouviu o outro lado?” “Zé, tá legal, li, tá muito bom, mas cadê o contraponto? Volta lá, vai falar com outro”. É alguém que está tendo esse cuidado de trazer isso tudo e para mim essa função básica do editor, quer dizer, não é só escolher o que vai entrar, mas é apontar o que está faltando aí para tentar tirar os calcanhares de Aquiles do meio do caminho.

Jonas             É, você num jornal da indústria da publicidade, da indústria da comunicação onde todo mundo se comunica muito bem e todo mundo sabe também muito bem vender a sua história bem, então você… é fácil um repórter com menos experiência chegar lá para o entrevistado, o cara só fala às mil maravilhas. Se o cara não tem um conhecimento prévio da história do mercado, da história daquela empresa, o cara compra tudo e fala meu, é manchete isso aqui, o cara está crescendo 50%, então é muito desafiador assim, então por isso que tem um trabalho com cada repórter ali, cada repórter está num estágio de conhecimento do mercado e é preciso que ele conheça cada vez mais para se tornar esse ser crítico, esse ser que coloca a dúvida, coloca o outro ponto sempre para trazer esse debate, porque o Meio & Mensagem, a gente acredita cada vez mais em veículos segmentados, deve ser assim não só o Meio & Mensagem, deve ser um veículo de inteligência para o cara poder ler ali, ponderar com suas próprias ideias, às vezes tomar decisões, ou caminhos que ele vai seguir e isso realmente é desafiador, agora o que eu e o Alê fazemos, pô, o Alê tem vinte anos trabalhando, então ele viu essa história sendo construída, então quando você pergunta como a gente faz esse tipo de seleção, além de a gente conversar com as pessoas do mercado, cobrar que os repórteres, que os demais editores façam isso, há uma referência, uma bagagem assim de onde vem essa história ai meu amigo, me contaram em 1989 a mesma história, então tem uma referência histórica, o mercado tem os seus assuntos, que ficam mais quentes, por exemplo, no ano passado a coisa da remuneração das agências foi muito conversado, então era óbvio a gente ficar sabendo, ser discutido em associações, mas com as nossas fontes, você está almoçando, ó, está rolando isso, está rolando aquilo, então é um tema que vai ganhando forças, começa a ser debatido e quando o Meio & Mensagem entra, ele realmente ganha mais força ainda, isso é impulsiona, então são assuntos… tem a época do festival de Cannes onde começa a se questionar quais campanhas vão ser, quais não vão, então ele tem um, além de ter temas que estão mais quentes, tem um calendário às vezes também, que ajuda você a ir direcionando esse tipo de edição.

Luciano          Vocês estiveram lá agora, recentemente, em Cannes, foi…

Jonas             Junho, final de junho.

Luciano          Junho em Cannes, e aí, o que vai acontecer? Já estamos indo para a nossa reta de fechamento agora eu gosto de falar pra frente, quero ver o que tem lá na frente. O que vem pela frente, é assustador, é maravilhoso, é desafiador o que vem pela frente aí, vocês conseguem daqui a dez anos se ver entregando na mão de uma pessoa um jornal de trinta páginas, impresso em papel, com tinta, etc e tal e fazendo dinheiro com isso?

Alexandre      É, com certeza é desafiador e talvez essa seja a melhor parte, se não fosse desafiador, talvez fosse menos interessante, então é certeza que é desafiador, como é a gente também não sabe…

Luciano          O que que vocês viram lá fora?

Alexandre      … mas assim, o que acontece, eu acho que esses eventos globais, como são o festival de Cannes, eles se dedicam muito a  isso, a pensar o que vai acontecer no futuro, a analisar tendências, mas se a gente olhar na experiência de cada um, não precisa ser nem jornalista que foi participar num evento internacional, na nossa experiência diária com a vida, se a gente retroceder e olhar para trás, muitas das previsões que nos foram feitas nos últimos anos, não se concretizaram, a gente estava mesmo aqui falando que a internet é um ponto de inflexão importante, mas se a gente provavelmente recuperar uma edição de uma revista do ano 2000, provavelmente vai estar dito ali que o mundo, que a revolução seria muito mais rápida do que ela na verdade é, do dia a dia as coisas são mais difíceis e essas tendências, eu acho que demoram mais para se concretizar, não dá para saber se daqui a dez anos a gente vai entregar uma publicação impressa em papel e tinta na mão de uma pessoa, não dá para saber se isso vai acontecer, o que dá para saber é que se a gente faz isso hoje, a gente não pode fazer só isso, a gente precisa fazer outras coisas e acho que todas as empresas de mídia, que nasceram na mídia impressa, estão tentando ocupar outros espaços, você ficar restrito a só essa base de contato com o leitor não é inteligente, então as empresas estão se tornando mais multimídia e o Meio & Mensagem também.

Jonas             E se você for pensar assim, sem entrar muito em botar peso para as coisas, mas vamos ver assim, que uma mídia que faça sucesso ou de um veículo que faça sucesso hoje, coisa inquestionável, a Weiss, o que a Weiss faz? Ela conta grandes histórias, conta histórias inclusivas…

Luciano          Polêmicas…

Jonas             … polêmicas…

Luciano          … polêmicas…

Jonas             … quais são as grandes reportagens que você lembra de ter lido nos jornais ou nas revistas, numa revista Manchete, ou numa Veja, são grandes reportagens, o que eles… esse veículo hoje em dia, para o investidor fazer sucesso, ele está capitalizado para poder investir em grandes reportagens e faz sucesso, então acho que a fórmula…

Luciano          Ele contrata um sujeito  pra se dedicar durante um ano a desvendar um treco maluco par auna reportagem que vai ao ar daqui a um ano e esse cara viajou para três, quatro cinco, seis ,sete continentes e dedicou um ano da vida dele a produzir alguma coisa que vai virar um documentário de vinte minutos, meu, tem que ter peito para bancar um negócio desse hoje em dia.

Jonas             … tem que ter dinheiro. Agora está se provando um modelo que as pessoas continuam interessadas em grandes histórias, eu digo, às vezes a crise é do jornalismo, o formato está diminuindo, mas e a qualidade do jornalismo, será que ele é feito com a mesma qualidade que ele era antes, ou será que nesses cortes… ele sempre sobra para produção de reportagem e fica, o que você falou, jornalista sentado na mesa, esperando a notícia chegar até ele, notícia que chega para você, se não for num almoço, num cafezinho, num telefonema onde você está sussurrando, a notícia que chega no seu e-mail, ela tem um valor muito pequeno, isso em termos de veículo que a gente está falando. Agora o festival de Cannes mostra tendência em termos de comunicação, o que a gente estava comentando bastante, esse ano foi que a gente percebeu muito é que há um…. qual é a principal função da publicidade para a comunicação? É gerar um engajamento, é gerar um… é mexer com o emocional da pessoa e você não consegue fazer isso se você não tiver totalmente inserido e alinhado com a cultura do tempo, então muitos publicitários reclamam, a gente conversa muito disso e a gente mesmo reclama às vezes informalmente, ah não  pode mais fazer piada, o mundo está muito politicamente correto, nossa, o mundo está muito chato, aí a minha avaliação pessoal que também é muito contestada às vezes, eu acho que não cabe ao publicitário avaliar se o mundo está chato ou não, cabe a ele criar peças, criar campanhas que respeitem essas regras…

Luciano          Os zeitegeist

Jonas             … isso, você tem talhado com os zeitegeist, não te cabe julgar, te cabe produzir peças que estejam inseridas dentro dessas regras invisíveis que mudam, hoje pode ser uma, amanhã pode ser outra e que continuam dando resultado para aquela marca, para que ela continue sendo vista como uma marca jovem, uma marca alinhada, não dá para ser algo ultrapassado, então muitas vezes o publicitário se prende nisso: ah mas eu não posso mais fazer a piadinha, cara… não te cabe reclamar disso, te cabe encontrar qual é o tom dessa conversa hoje em dia, e o festival de Cannes deixou isso muito claro quando ele passa a premiar, por exemplo, na categoria de música, ele vem e premia a Beyonce, a cantora, uma cantora, poxa, ela está defendendo a causa da igualdade de gêneros, está lutando contra o racismo, está enfrentando a polícia americana que está lá naquele caso de matar os negros, a Black Live Matter, o Matter o movimento, ela endossa tudo isso de uma maneira autêntica, ela é aquilo e passa a atrair muito mais fãs do que qualquer marca ou qualquer outra coisa. Ela passa a ser muito mais representativa à marca Beyonce do que qualquer outra marca que não respeite esse espírito. Piadas sexistas, às vezes racistas, que muitas vezes a gente foi acostumado a ouvir, às vezes até ver representado na publicidade, não cabem mais hoje em dia e que bom que assim, muita gente reclama, fala assim nossa, mas o mundo está perigoso hoje em dia, você não pode fazer piadas, eu acho que o mundo perigoso muito mais perigoso é aquele mundo de antigamente,  onde só um tipo de ser humano, só uma classe ou uma raça podia fazer as piadas que queriam e todo mundo tinha que aceitar aquilo, acho que essa coisa cultural, ela está ficando bem explícita nesse momento com relação a tons, a conceitos de campanhas.

Luciano          Deixa eu perguntar para vocês se vocês viram isso lá, também, eu chamo do efeito Netflix, que eu fico imaginando o seguinte, alguém comentou isso comigo anteontem que tem um filho pequenininho, um filho pequeno. Quero aproveitar esse teu gancho Jonas e trazer uma coisa que eu chamo do efeito Netflix, eu tive aqui gravei essa semana um bate papo também que o cara me falava que ele tem um filho pequeno, pequeno quando eu digo eu acho que é 7, 8, 9 anos, que foi assistir alguma coisa  com o pai na televisão e era um filme qualquer na Globo, uma coisa assim e o moleque indignado, como é que é isso, o filme está rodando tem que parar o filme para ficar vendo propagando para depois retomar o filme, ai eu tenho que lembrar, que merda, eu quero Netflix que eu sento, assisto inteiro e ninguém me enche o saco, isso está sendo tratado de alguma coisa, vocês viram alguma forma sendo tratada, essa coisa da propagando invasiva, aquela que breca o que você está fazendo, me interrompe, me enche o saco e eu tenho que engolir aquilo, como  é que os caras estão lidando com isso?

Jonas             Acho que tem muito a ver com o que a gente estava falando da cultura. Cannes, ele vai criando novos mini festivais dentro deles. Há dois anos foi o Cannes Lions Innovation, mais voltado à tecnologia, coisa de inovação e esse ano estreou o Cannes Lions Enterteinment, onde o slogan desse novo festival era “Propaganda não intrusiva” algo do tipo, então o entretenimento surge como uma saída para essa propaganda que não interrompe, então quando você oferece uma…. você consegue inserir a sua marca dentro desse conteúdo que ele por si só é o entretenimento, sua marca tem que estar inserida nele o tempo inteiro. Quem deu palestra, por exemplo, P.J. Pereira, é um criativo brasileiro, tem uma agência lá fora, Pereira & O’Dell, muito famoso, muito reconhecido, ele foi lá e deu uma palestra de como a agência dele tem investido muito mais em filme, em um documentário do que, muitas vezes,  na campanha de trinta segundos, de como ele tem ganhado dinheiro com isso, em como ele aposta, ele deu cinco visões do futuro para as agências, essa é a que ele mais aposta, mas as agências passando a produzir entretenimento e concorrendo inclusive com estúdios de Holywood e esses gigantes.

Luciano          Conteúdo, quer dizer, o conteúdo… eu vou usar os termos antigos, o conteúdo do meu reclame não pode ser compre meu amortecedor porque o amortecedor é muito legal, isso já era, isso passou, esqueça, já foi.

Jonas             Isso, ele contou de um documentário que eles fizeram, agora lembrei, eles produziram um documentário pago por uma empresa ligada a segurança à internet, não me lembro o nome, mas o documentário era sobre o como a internet é perigosa, coisas que acontecem ali, a marca não aparecia em nenhum momento, a não ser no começo do filme ali, eles conseguiram inscrever esse documentário no Festival de Sundance, que é um baita festival de cinema, foi o primeiro filme de branded content, assim, era um conteúdo voltado para o propósito, para o objetivo de uma marca e eles conseguiram inserir, inscrever, ele foi exibido lá e inscreveram no festival.

Alexandre      Tem um outro case legal, já mais antigo, que veio também de Cannes, que é um da BMW, não sei se eu estou errando a marca de carro, mas que ela investiu em produzir seis…

Luciano          É dos pilotos…

Alexandre      … seis curtas metragens e o carro é sempre um personagem, o carro da BMW é sempre um personagem da história, que você evita esse problema que você narrou que é o problema da interrupção, então acho que esses novos formatos que não lidam com a interrupção, acho que eles são promissores, mas eu também não acho que o formato interruptivo vá desaparecer para sempre porque eu acho que existe um conteúdo e uma audiência que lida bem com isso e acho que o publicitário que vai fazer a peça que vai ser inserida naquele espaço da interrupção tem que tomar todos os cuidados possíveis e ter uma grande criatividade porque evidentemente o menino que estava assistindo o filme não ligou a televisão para assistir publicidade, do mesmo jeito que alguém comprou uma revista não comprou para ver anúncio, então quando a gente está lidando com essa publicidade interruptiva que vai estar ocupando uma página do meu jornal que eu comprei para ler notícia, ou vai entrar no meio do meu filme, a responsabilidade pé gigantesca porque você tem que, nesse pequeno espaço de tempo, aproveitar o máximo possível uma audiência que não foi criada por você, que você está só aproveitando.

Jonas             A gente tem uma questão de adequação também, quando você pensa num filme, talvez seja até mais lógico, você pensa assim, não quero ser interrompido, mas quando você está vendo um jornal, por exemplo, existe os blocos de jornal, se for aquela coisa notícia, notícia, quarenta minutos só notícia, talvez tenha uma hora que você perca o interesse e comece a fazer outra coisa, o break comercial aí me parece uma coisa adequada, ou um jogo de futebol, intervalo, vai entrar ali um break, então acho que tem que ser de adequação…

Luciano          Pega o exemplo do super bowl, o reak do super bowl é um case mundial de marketing e os caras desdobram que entra, produzem, gastam milhões produzindo uma coisa que vai ao ar só naquele momento…

Alexandre      Não e a…

Jonas             Faz parte até do show.

Alexandre      E a audiência americana quer assistir os filmes e se engaja e comenta os filmes, alguns anunciantes fazem teasers ou estreiam o próprio filme antes na internet para já gerar uma expectativa, aí eu acho que você tocou bem um exemplo clássico de como se usar bem, já que eu vou interromper, como é que eu faço isso de uma maneira sensacional para ficar na cabeça do público.

Luciano          Você vê que coisa importante, o que que é ali, aquele momento é tão importante que eu vou botar o meu melhor redator, o meu melhor criador, tudo que eu tenho de melhor e o que eu mais tenho de dinheiro naqueles trinta segundos, aquele um minuto e fazer com que aquilo seja absolutamente inesquecível, guardando as proporções, isso tinha que ser o drive de qualquer pessoa, em qualquer momento para qualquer tipo de propaganda em qualquer lugar. Eu tenho feito uma tentativa muito grande de trazer isso para dentro do podcast, fazer com que as propagandas que eu boto no podcast seja aquela coisa que o cara fala ih, começou propaganda, deixa eu adiantar para ouvir logo o conteúdo do programa e fazer com que o cara fale o seguinte, se você adiantar você vai perder um negócio legal, escuta porque vem um treco engraçado, vem uma pegadinha, vem uma coisa legal aqui e essa é a tentativa de fazer com que haja uma harmonia, quer dizer, a propaganda está lá dentro porque tem que estar, graças a ela o programa existe, logo é muito legal eu saber que tem alguém patrocinando, eu quero, como ouvinte, me manifestar, agradecendo ao  patrocinador por estar lá, pô, ainda bem que você trouxe dinheiro para esse programa poder ser feito e poder chegar até mim, isso passa a ser uma coisa que se for harmônica, todo mundo ganha com isso, eu acho que esse é o caminho que a coisa vai ter que chegar.

Alexandre      Acho que o segredo é justamente ser harmônico, do jeito que você fala, tem só um outro exemplo, não sei, acho que já  estouramos o tempo, de uma marca que foi completamente no campo oposto do negócio da interrupção que é a Red Bull, a Red Bull é hoje uma marca global que faz o seu marketing de um jeito muito diferente, desde tendo uma equipe de fórmula 1,  até  patrocinando uma viagem para o espaço, ou seja, uma coisa completamente fora do normal, um jeito de inserir a marca completamente novo, que não lida com a interrupção e que lida com produzir conteúdo, sensação ou até mesmo torcida, no caso da fórmula 1, de um engajamento com a marca completamente diferente, acho que o engajamento que foi a  palavra que o Jonas falou quando ele estava explicando aqui sobre Cannes, é um termo relativamente novo, para o universo das comunicações, mas que muda totalmente o jeito de fazer publicidade e o jeito de fazer jornalismo e o jeito de você fazer o seu podcast, por exemplo, a gente precisa pensar no engajamento.

Luciano          Eu acho que sim e para mim a coisa mais importante dessa história toda é o seguinte, olha, eu preciso deixar absolutamente claro para a pessoa que está me ouvindo do outro lado do microfone, que eu a respeito, que eu sei que ela não é um idiota, não vou trata-la como idiota, não vou tentar enganá-la, não vou inventar moda aqui prometendo olhos de gala que eu não sei que eu vou entregar, absolutamente transparente fazer com que ele quando escute fale, bicho, legal, esse cara está numa linha que eu posso confiar no que ele está dizendo, então na hora que você consegue isso tudo, eu acho que aí chegou num momento, sabe, é a regra de ouro, se eu consegui isso tudo, passa a ser tudo do bem.

Jonas             Com certeza e não vamos esquecer assim o poder, talvez a gente esteja numa época onde a gente olha muito assim o lado, o meu copo vazio da publicidade virou… é legal criticar a publicidade, mas vamos ver por um outro lado também, a publicidade, ela tem força até para ajudar a pessoa construir o seu eu, às vezes assim, se encontrar, não sei se estou sendo muito claro, mas ajuda a definir estilos, gostos, a você se identificar para o outro também a partir de uma roupa que você usa, um jeito que você vai, um lugar que você frequenta, a publicidade ajuda a construir isso, lembro assim, sei lá, na época que eu gostava de acompanhar o surf e tal, tinha uma marca que era  de antiderrapante, que era uma borracha que você põe na prancha para não escapar o pé, eles tinham muito menos grana do que as grandes marcas de surf, Quiksilver, Billabong, Keep Cool, mas eles contratavam só os surfistas que eram rebeldes e eram os caras que não surfavam a onda do jeito que a onda deveria ser surfada, eles tentavam dar aéro, que naquela época era uma grande novidade, usavam cabelos compridos, barbas, cara de mau, todo mundo usava, surfista usava roupa fluorescente, colorida, eles só andavam de preto, roupa rasgada, pô aquilo formou uma geração de caras, meu quero ser que nem esse cara, eu quero ser o underdog, quero ser underground, então estou contando uma experiência que é mais próxima do que eu vivi, mas são várias outras áreas acontece, você passa a se identificar, então a publicidade ela tem uma importância cultural também, ela tem uma função cultural que acho que às vezes a gente esquece nessa ânsia de criticar a gente esquece que também tem um outro lado ai.

Luciano          Mas legal. Moçada, falamos uma hora e vinte aqui, vamos lá, quem quiser tomar contato com o trabalho de vocês, agora é hora do merchand, vamos lá, é o www o que? Facebook o que?  Como é que acha?

Jonas             Bom, www.meioemensagem.com.br o facebook.com/Meio e Mensagem, Twitter.com/Meioemensagem, Instagran.com/meioemensagem, o SnapChat é o Meio e Mensagem, que também está no snapchat, tem a rádio minuto CBN todo dia, de segunda a sexta, mais ou menos 9:20h, nosso o Alexandre Lemos faz o nosso boletim, nós temos vídeos também no Meio & Mensagem e principalmente tem o jornal que toda semana sai, ainda é o impresso, o carro chefe, onde a gente aposta e também tem nossos eventos, somos de fato multiplataforma, tem uma série de eventos ao longo do ano, alguns mais de criatividade, outros mais de negócios, outros mais voltados para a mídia, alguns de relacionamento, será que a gente falou de tudo Alê?

Alexandre      na edição impressa tem a versão digital pelo tablet que facilita muito o contato, pode ser baixado, é comprada por unidade, então o conteúdo o tablet é o conteúdo que está na edição impressa, mas não é uma edição pdf, ela é uma edição feita para o tablet.

Luciano          Em breve teremos um podcast Meio & Mensagem pode saber.

Jonas             A gente está pensando nisso

Luciano          Eu quero é trazer, eu vou trazer vocês aqui daqui há algum tempo e nós vamos falar de podcast e aí nós vamos falar de uma outra realidade do podcast como a efetivação de um canal de mídia diferenciado aí que tem sua particularidade que a gente está batalhando para fazer acontecer. Obrigado pela visita, obrigado pela conversa, obrigado pelo almoço, o papo legal que nós tivemos aí, espero que a gente tenha chance de voltar a se ver não muito longe.

Jonas             Obrigado a você pelo convite, obrigado a você pelo almoço que foi você que pagou o almoço.

Luciano          É o cachê do Líder Cast.

Alexandre      Muito obrigado hein.

 

Transcrição: Mari Camargo