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Ciça Camargo -

Luciano          Muito bem, mais um LíderCast. Cara, que satisfação estar gravando isso aqui hoje. Deixa eu contar uma coisa aqui antes de eu começar o programa que qualquer profissional acho que já sabe como é que funciona isso, um paralelo que eu posso fazer interessante é como jogador de futebol, quando você entra em campo, que você é craque, entra um outro craque, o jogo fica diferente, porque troca bola na boa, a gente consegue jogar, é tudo diferente. Tinha um amigo meu que jogava futebol society toda semana e um dia apareceu o Mário Sérgio para jogar com ele e ele disse que o Mário Sérgio entrou em campo, ele falou, eu fiquei olhando a hora que a bola chegou, o Mário Sérgio chutou a bola, a bola não fez tum, como faz com todo mundo, ela fez puffff, até o chute do cara era afinado, então quando a gente encontra alguém que está na tua área, que faz aquilo que você faz, faz bem feito e é craque, para mim é uma satisfação, eu admiro bastante, gosto muito e esse cara que está aqui hoje comigo é um desses que eu não vou nem me lembrar quando é que eu assisti pela primeira vez, não vou me lembrar, mas é o tipo da coisa…

Dado              Eu lembro.

Luciano          … então você vai contar. E é o tipo daquela coisa que eu vi e falei pô, esse é um cara que é legal dividir o palco sabe, que quando ele termina e ele desce e a pessoa me chama, eu não tenho problema nenhum em ouvir o cara falar vem agora aí o próximo palestrante, é porque tem alguns que quando sai do palco e o cara fala assim e agora vem o próximo, você fala meu, lá venho eu, acabou de me igualar. Três perguntas fundamentais para começar o programa, você cuide para não errá-las porque elas dão a tinta do programa, tá? Eu quero saber seu nome, sua idade e o que é que você faz.

Dado              Meu nome é Dado Schneider, eu tenho 54 anos e atualmente eu vivo de palestras e conferências.

Luciano          Você é um palestrante profissional?

Dado              Sim. Eu me preparei vinte anos para isso.

Luciano          Esse sotaque demonstra que você vem de uma região do Brasil bastante…

Dado              É, eu sou gaúcho, mas eu não sou praticante…

Luciano          Estão está explicado.

Dado              … porque eu tenho uma infância carioca e morei fora muito tempo, morei muitos anos em Salvador, que o Nizan Guanaes me levou para trabalhar na agência junto com o Duda Mendonça, olha só que experiência…

Luciano          Vai ter história hoje aqui.

Dado              … é, depois eu trabalhei em São Paulo, aqui na DM9, depois eu resolvi fazer um ano  sabático em Portugal, fui ser professor de uma universidade lá para trocar a propaganda da minha cabeça, depois eu ainda morei dois anos no Rio porque eu fui para Porto Alegre fazer mestrado e doutorado, fui para a minha terra e ao fazer mestrado e doutorado, eu precisava ter uma experiência executiva e eu trabalhei numa agência de publicidade como diretor e aí eu ganhei a concorrência para a banda B, que seria o equivalente da BCP aqui de São Paulo, que era a TELET do Rio Grande do Sul e eu criei uma marca que você deve conhecer que é a marca Claro e aí eu fui a agência de propaganda dessa marca até que ela me convidou para ser o cara de comunicação e coincidiu com a época que os mexicanos compraram a BCP, comprara a Tele, compraram a Claro do sul e aí eu fui para o Rio, morei dois anos  no Rio para consolidar a marca Claro nacional. Nessa época eu já dava consultoria para a Claro, dei consultoria para outras empresas, adorava dar palestras, mas eu ganhava bem como consultor e mal como palestrante, tinha um baita prazer como palestrante, nenhum prazer como consultor porque os caras não fazem o que a gente recomenda, depois cobram resultado e um dia eu decidi ser só palestrante, foi em agosto de 2008, um mês antes de ter aquela quebradeira do Lehman Brothers, mas eu perseverei e agora estamos aqui.

Luciano          Dado, muito obrigado por aparecer, está muito… terminou a entrevista, não tem mais nada para perguntar…

Dado              Pôxa, muito obrigado mas para mim é uma honra e a gente se conheceu lá na palestra em Brasília…

Luciano          … o cara me conta a história da vida dele na primeira pergunta, acabou a entrevista, não tem mais o que fazer aqui.

Dado              Cara, pois é esse poder de síntese a minha vida inteira.

Luciano          Vamos lá, onde é que foi Brasília, onde foi? Qual foi o evento?

Dado              Eu não me lembro quem foi, mas foi num evento em Brasília que você era o palestrante antes de mim e eu digo opa, eu quero ir num vôo mais cedo que eu quero, eu nunca tinha te visto ao vivo, ai você foi falando eu já pô, esse cara é o Mário Sérgio pô, ele faz pufff e aí pô eu me lembro que ai você ficou para me assistir, aí bateu aquele clic assim, aquele olhar assim…

Luciano          Nos amamos, foi amor de primeira vista.

Dado              … aquelas coisas assim bem aquelas frases lindas assim, a amizade não se cultiva, amizade se reconhece, mas é cara.

Luciano          Antes que termine em sexo isso aqui eu vou botar ordem nessa…

Dado              É que eu sou gaúcho.

Luciano          Muito bem, eu sei. Vamos voltar lá para o começo, vem lá do Rio Grande do Sul, nasceu lá no Rio grande do Sul fez escola lá no começo, como é que foi?

Dado              Formação básica lá, depois tive um período no Rio de Janeiro que o pedaço da família era carioca, depois voltei para o sul, aí comecei a trabalhar lá ai….

Luciano          E aí achou que o teu caminho era para a área da comunicação, não é isso? Como é que pintou isso, de onde veio isso?

Dado              É super bacana aos 12 anos técnicas comerciais na aula, a professora fez uma excursão para a MPM propaganda que era a maior agência do Brasil e tinha o Luis Fernando Veríssimo de redator, grandes ilustradores, a Varig como cliente, aquelas coisas, ai eu digo pô, eu quero ser isso aí e eu fui ser publicitário.

Luciano          Com 12 anos?

Dado              Com 12 anos resolvi ser…

Luciano          … você se encantou com 12 anos.

Dado              … e eu fiquei obstinado por isso e…

Luciano          12 anos, isso aí é 43 anos atrás.

Dado              … é, foi em 73 para 74…

Luciano          Era um mero momento interessantíssimo porque isso aí era a infância da  propaganda no Brasil, não é?

Dado              … ela estava no início do desbunde. Ela começou a ganhar prêmios em Cannes assim já, a DPZ já era a grande agência, a MPM era uma agência mais governamental mas assim foi a era… foi o final da era Mad Man, eu peguei esse seriado Mad Man, eu costumo brincar com meus amigos e com o pessoal. Eu dei aula até o ano passado, eu dei aula durante 31 anos, agora parei de dar aula e eu falava para os meus alunos, olha eu fui estagiário da agência do Mad Man, eu vi como, na tenra idade, que eu comecei com dezessete a trabalhar em agência, eu vi alguns Mad Man daquele tipo Don Draper do seriado, depois ela mudou, mas assim, eu vi esse momento mágico da propaganda eu vivi, bem na tenra idade.

Luciano          Fala uma coisa para mim, com 12 anos você toma uma decisão, que é isso que eu quero fazer e como é que você orienta a tua vida naquela direção?

Dado              Eu fui a evento de publicidade com quatorze, eu li livro de publicidade com quinze, eu já entrei na faculdade, no primeiro dia… eu fiz vestibular no final do segundo ano para testar e passei e aí eu não podia cursar, sabe aquelas coisas, porque faculdade de comunicação é barbada, passei no segundo ano, vai passar no segundo ano em medicina… E aí eu quis, no ano do vestibular eu digo pô, só não posso não passar agora, então já me preparei, já fui atrás de agência para estagiar, já fui atrás de livro, super a fim.

Luciano          E você entrou já no primeiro ano já estagiando?

Dado              Não eu já… eu bati em algumas portas, meu pai, meu pai era uma pessoa bem colocada em Porto Alegre, com bons amigos, inclusive amigo do dono da MPM, mas eu não pedi ajuda do meu pai, eu bati nas portas e consegui o meu estágio na Ogilvy, e daí foi indo, terminou o estágio, fiz concurso para estágio na MPM, passei e aí no final do meu estágio que eu disse para o dono na MPM que ele era amigo do meu pai e depois dizem que é sorte, aquelas coisas assim.

Luciano          Mas aí ficou claro para você que aquele era o ambiente bom, era ali, é aí que eu quero estar, a expectativa que você tinha…

Dado              E também era a profissão da moda, além da convicção que eu tinha desde os 12 anos, eu vou te dizer que publicidade virou profissão da moda quando eu já tinha uns três anos de publicidade. 1980 começaram a aparecer publicitários nas novelas, eu acho que foi Água Viva que teve a primeira agência de publicidade que foi a genialidade da Globo, eles podiam fazer merchandising, então coincidiu com a era do merchand, eles começaram a botar agências de publicidade nas novelas para o cara poder criar o logotipo de alguém que era merchand, mas eu já estava na propaganda essa época.

Luciano          E agência de publicidade em novela é igual…

Dado              Empresa em novela.

Lucianno        … é igual favela em novela, tudo é lindo, tudo é fantástico…

Dado              Inclusive os meus amigos na época achavam que eu pegava aquele monte de gente que o produtor pegava. Não pegava um monte, mas pegava. Mas assim, esses dias o Washington Olivetto falou um troço genial, ele disse que o publicitário agora é o cara que é chefe, o chef de cusine agora é o publicitário daquela época, que agora o charme que tem o cara ser um chef tatuado hoje, porque se não for tatuado não é charmoso, era o publicitário de trinta anos atrás.

Luciano          Mas você vê que isso é uma coisa interessante que aconteceu, acho que com toda profissão, ela tem um pico, professor nos anos 50, meu, era o ó do borogodó; gerente de banco…

Dado              Na época do overnight do open-market , o cara era o kid…

Luciano          … a gente ia lá, levava whisky para o cara, para puxar o saco dele. E você vai pegando outras profissões, todas elas tem uma, parece que tem aquele momento e depois tem um declínio e algumas trabalham para isso, parece que trabalham para derrubar…

Dado              Trabalha contra, não acho que a minha profissão… eu decidi sair dela em 99, eu costumo, quando me apresento assim em palestras, às vezes o cara não segue o roteiro que a gente mandou, do mini currículo e vai lá na internet, e o cara diz ah o publicitário, eu digo cara, eu não trabalho em publicidade desde 99, eu trabalhei em publicidade no milênio passado.

Luciano          Mas o Lula é metalúrgico até hoje.

Dado              Mas eu brinco assim, pô o Harrison Ford foi marceneiro, você não diz o ex marceneiro Harrison Ford, então assim, eu fui publicitário com muita honra mas e fui… eu saí acho que eu saí no momento certo, na idade certa, porque é tipo jogador de futebol a publicidade, chega uma hora que o cara, ou ele é dono ou vão expelir ele, ele está velho.

Luciano          E passa mesmo, passa o tempo. E agora você falou um negócio engraçado ai, eu ouvi agora há pouco tempo, que me lembra também de uma outra profissão, também que aconteceu isso tudo, que é jornalismo, o jornalista, houve um momento em que você entrava numa redação de jornal e trombava com o Nelson Rodrigues escrevendo, Carlos Drumond de Andrade escrevendo…

Dado              Ah.. o Mário Quintana sabe, esses caras eram os caras que escreviam.

Luciano          Você via literatura dentro de uma redação de jornal. Meu, acabou isso e eu conto uma história engraçada, eu tive uma coluna no jornal lá em Bauru, quando eu comecei moleque ainda, com 18, 17 anos, eu tinha uma coluna chamada “Vírgula” que era uma coluna de cartoons e texto, bem irreverente já naquela época, molecão de tudo e eu mandava toda semana a coluna para lá e eu eventualmente, eu já estava em São Paulo, eu ia para Bauru e ia visitar o jornal, família toda de lá e eu entrava no jornal da cidade de Bauru…

Dado              Você já era colaborador, você não estava como redator…

Luciano          Não, eu era colaborador, dentro de redação não, mas eu ia lá sempre visitar e eu chegava lá, uma puta redação cheio de gente, um pessoal muito legal e um minúsculo departamento comercial ali funcionando e aí passou um baita tempo, isso era vinte, trinta anos depois eu voltei a Bauru, fui visitar…

Dado              A metragem foi mudando.

Luciano          … e um baita departamento comercial e a redação é um cubículo, um cantinho ali, mudou completamente aquilo tudo e é naquele cubículo não vai ter Mário Quintana, não vai ter Nelson Rodrigues de jeito nenhum, a literatura desapareceu da imprensa. O que ajuda também é baixara esse tesão do quero ser o jornalista, porque está se contestando, tem coisas muito mais chamativas hoje do que aquela época, nós vamos entrar nesse papo ai porque eu vou provocar você para falar um pouquinho nas gerações e tudo mais aqui, mas deixa eu te explorar um pouquinho mais: você, de repente, está num ambiente que estava florescendo, aquela coisa começa a aparecer, aparece o primeiro sutiã, Whashington Olivetto ganhando o Leão, Duda, Nizan…

Dado              O Duda fez o Gelol, o Duda Mendonça fez o Gelol.

Luciano          E você rodeado desses tubarões ai, essa turma toda ai. Você fazia o que? Era criação, redação, o que que era?

Dado              Eu fui tudo menos produtor e mídia, não fui tudo então, eu fui planejamento, fui criação, eu fui atendimento, eu fui de merchandising, eu fui cliente, eu comecei como atendimento, depois passei a planejamento, depois passei a criação, eu fiz o contrário, em geral os caras nascem criação e terminam como homens de negócio, viram planejamento, não, eu fiz o contrário, depois voltei para o planejamento, depois voltei para o atendimento, eu migrei.

Luciano          Esse programa aqui é um programa que tem como base liderança e empreendedorismo e você estava lá perto desses caras, então é um negócio interessante porque eu não sei se há outro mercado em que você vê as empresas absolutamente baseadas na luz de um criativo. Então o Washington Olivetto e a empresa do Washington Olivetto, é ele a empresa, o Nizan Guanaes, ele é África e depois a empresa, quem fala do diretor de criação dele, é só o pessoal do meio, de fora você só vê o Nizan, só vê o Duda, só vê o Washington. Como é que é trabalhar com uma lâmpada tão forte acesa e botando todo mundo meio no brilho ou na sombra. Como é que é?

Dado              Olha, eu acho que eu não sou a média, porque eu gosto de dois tipos de empresa, eu adoro empresa familiar, adoro dono com idiossincrasia, com mania, adoro mania de dono, porque a mania de dono é compreensível e está delimitada, ele é turrão, ou ele é cabeçudo, ou ele é histérico, eu gosto disso sabe por quê? Porque eu não tenho surpresas. Depois que eu desci e eu falei ué, o problema são aquelas empresas viscosas que tem um executivo que eu não sei para que lado que ele está mudando a vela porque o vento está mudando, ele está mudando a vela, só que só ele sabe para onde ele está mudando a vela, a gente não sabe, então assim, todo esse frenesi de ah agora as empresas tem que se profissionalizar, empresa familiar está falida, eu sempre fui um alto lá, uma voz dizendo assim olha, eu prefiro as manias do dono porque aí ele também tem obsessão por qualidade do produto dele, porque normalmente é ele que está ali, ele vai ter decisões de marca e como eu lidei com marca, com branding, gestão de marca e eu sempre criei marcas e sempre fui… eu adorava quando era o dono, porque ai eu olhava olho no olho do dono, se ele, comprasse, ele comprou; se ele não comprasse ele não comprava, o problema é vender uma marca para um executivo que em função do bônus dele, amanhã ele muda completamente antes de…. mas, e as nossas decisões de marca? Então assim, como é trabalhar agora, especificamente com esses luminares, esses gênios, eu sempre disse assim, eu prefiro ter um temperamental genial do que um morno… não, eu prefiro assim, por exemplo, eu usava o exemplo, eu sou fã do Nizan, eu trabalhei.. quando a gente fez a DM9 São Paulo, eu digo a gente porque eu era o primeiro executivo, o Nizan vinha lá de Salvador, passava a semana em São Paulo e eu vinha junto e o Washington Olivetto gentilmente cedia a W para a gente se sediar então eu não trabalhei especificamente com o Washington, mas eu trabalhei na agência do Washington, lá, eu via ele trabalhando.

Luciano          O Washington cedia o espaço físico para um concorrente que estava se estabelecendo?

Dado              Sim, mas é que aí é o seguinte, Cristiano Ronaldo, Messi, eles não competem, eles não competem, então assim, eu não trabalhei para o Washington, eu trabalhei para o Nizan e para o Duda Mendonça e para o Mafuz, na MPM, mas que dai era um homem de negócios, falando especificamente desses criadores assim, pô, os caras tem mania, os caras tem ataque histérico, não interessa, eu digo assim eu adoro trabalhar com o Michelangelo, que aquela história do Michelangelo que ele estava pintando a Capela Sistina e o papa veio reclamar que estava atrasado e ele pegou lata de tinta e jogou na cabeça do papa. Ele fez isso porque ele era o Michelangelo, ninguém matou ele, ninguém esquartejou, e ele ainda terminou no prazo que ele queria porque pô, alguém deve ter dito para o papa pô papa, é o Michelangelo, então assim, esses luminares para mim é que nem o Romário, não precisa treinar, pode chegar de helicóptero no treino.

Luciano          A menos que você encontre um Felipão pela frente e o Felipão fala não quero Romário.

Duda              Pô, esses caras sabe por que? Mudando agora, papo windows, está abrindo mais uma janela, sabe por que que o Romário, aquelas pessoas que dizem, nós ganhamos a copa porque o Dunga dividiu o quarto com o Romário em 94. Sabe quem é que pediu para ser colega de quarto de quem? O Romário pediu para ser colega de quarto do Dunga, sabe por quê? Porque o Dunga, antes de jogar na Fiorentina, o Dunga jogou no Vasco e teve lá um técnico do Vasco que eu não sei quem é, que começou a reclamar que o Romário não voltava para marcar e o Dunga era o capitão e o Dunga pegou o técnico e disse assim, chefe deixa o Romário, faz de conta que a gente está jogando com 10, um jogador foi  expulso, a gente volta para marcar, não exige que o Romário marque. O Romário se apaixonou pelo Dunga, entendeu? Então assim, esses caras podem fazer o que eles quiserem, o problema é que ao longo da vida também trabalhei com gente mediana, medíocre, que tinha os mesmos pitis e ataques histéricos, o ataque de estrelismo, que nem foram tantos viu, desses Cristiano Ronaldo, Messi e Maradonas e Pelés, então assim, o que mais me incomodou no final do meu período na profissão, foi que os caras não tinham nem a cultura do Fernando Veríssimo que foi redator, nem a cultura do Iberê Camargo que foi ilustrador de agência, não tinham a…

Luciano          O talento.

Dado              … o talento do Washington Olivetto e o Nizan, mas tinham os mesmos ataques de coisas que só o Michelangelo pode ter e o Romário pode ter, então eu me desencantei ali, mas eu costumo me apresentar assim que é, eu trabalhei na DM9, acho que no momento que teve mais craques jogando junto, era o Marcelo Serpa, era o Alexandre Gama, talvez quem está ouvindo não saiba, mas assim, eu estou citando assim grandes craques e eu costumo dizer, eu era aquele lateral esquerdo do Barcelona que ninguém sabe o nome, mas eu joguei nesse time ai. E terminou na minha cabeça quando na DM9 eu falei assim preciso sair desse ramo, e aí eu fiz um ano sabático, digo eu vivia de conteúdo e até morreu… eu não paro de falar né…

Luciano          Eu corto você, é porque está interessante.

Dado              … eu… morreu o Alvin Tofler semana passada e eu tive o prazer de ler “A Terceira Onda” quando foi lançado, porque eu já falava inglês, então eu li em inglês “A terceira Onda” e tem lá no meio da “A Terceira Onda”, ele diz assim: no futuro as pessoas vão viver de vender conteúdo. Cara eu fiquei com esse troço na cabeça desde 81, eu tinha 20 anos e quando eu fui começar a pensar o que eu vou ser depois de ser jogador de futebol, que é ser publicitário é ser jogador de futebol, não sendo dono. Eu digo vou vender conteúdo e aí eu decidi fazer mestrado, decidi fazer doutorado, decidi ter uma experiência de executivo e depois de consultor e aí eu digo agora vou dar palestra, viver disso, então eu vivo disso agora há sete anos e as pessoas dizem ah, como é que eu viro palestrante? Eu digo vá fazer o ano sabático, lá em 94, vá para Portugal, depois…

Luciano          Vai preparar um repertório, cria experiência, etc e tal e não venha me cagar regra com 25 anos, não é por ter 25 anos, é por ter 25 anos de experiência e bom, a gente vai, vamos mergulhar um pouco mais nisso  aí, espera um pouquinho.

Dado              Eu não posso esquecer de falar sobre isso, tem um monte de gente nova muito boa.

Luciano          Mas então, eu queria…

Dado              Porque a gente também foi bom novinho.

Luciano          Claro, e tem uma função primordial nisso daí. O que eu acho é o seguinte, cada macaco no seu galho, cada peça se encaixa de uma forma lá, nenhuma delas é dispensável e não tem essa história do tira o velho para botar o novo porque só o novo é capaz de fazer e só o novo… Espera um pouquinho, tem um negócio chamado experiência que tem que ser valorizado e que precisa ser muito valorizado. Então eu com 60 anos tenho uma puta experiência, mas não tenho mais a energia e muito menos e agora vem o ponto, a elasticidade escrotal de um jovem, de um jovem de 25 anos, cujo saco aumenta, diminui, com 25 anos, com 30 anos, você escuta um idiota falar uma bobagem, você briga, você discute, você vai na reunião, quebra o pau. Com 50 você não consegue mais ouvir um idiota abrir a boca na tua frente, você manda o cara a para puta que o pariu. E o sistema nos expele, porque quem é você, é o velho ranzinza que não aguenta, que é bravo, que não sei o que, mas eu vou te contar uma experiência aqui que eu tive que é muito legal,  que foi o momento em que a chavinha na minha cabeça virou na empresa que eu estava, quando para mim ficou claro que estava chegando a hora de eu me preparar, isso foi acho que três ou quatro anos antes da minha saída para valer, acho que três anos antes da minha saída para valer, numa reunião que a gente participou, estava lá todo o staff todinho, estava lá o pessoal…

Dado              Tem o dia, tem um dia que a gente lembra desse dia…

Luciano          … teve o dia que dá o clic, foi quando deu o clic, então uma reunião, era todo o pessoal da área comercial, eu com o pessoal do marketing, o diretor lá, então eram dois cabeções, eu numa ponta o outro na outra lá…

Dado              Aquele de desfiladeiro de cowboy…

Luciano          … de repente no meio da reunião o caras botam na mesa um tema que já tinha sido discutido e resolvido numa reunião anterior e começa a discussão tudo outra vez. Eu olhei aquilo e falei espera, para um pouquinho, vocês vão discutir de novo o que já foi discutido na reunião passada? Não, porque… eu falei desculpa, eu vou embora porque é o seguinte, eu não tenho mais tempo de vida, minha vida está acabando e eu não posso me dar ao luxo de discutir de novo aquilo que eu já discuti, nós ficamos uma hora na reunião passada, eu não vou dar uma hora de vida para discutir de novo aquele assunto, então vocês continuem. Então eu levantei e fui embora e a hora que eu saí da sala eu falei acabou, encerrou…

Dado              Parece que é o dia que tu perde a virgindade…

Luciano          … é impressionante e mas essa compreensão só chega quando você faz 50 anos, que aí você olha para trás e fala muito bem,  agora eu virei a curva, agora não tenho  mais tempo para gastar, agora eu tenho tempo para economizar, então eu tenho que cuidar muito bem de como é que eu vou gastar esse tempo ai,  isso muda completamente a perspectiva, eu saio com a minha mulher, vou em algum lugar, chego lá tem fila eu fico puto da vida de ficar numa fia e ela não se conforma de como é que eu posso ficar puto da vida, eu falo, fila é tempo de vida perdido. Não, faz parte. Não faz parte ficar na fila, eu não vou ficar aqui porque enquanto eu estiver aqui… aí o que eu faço, abro o meu iPhone e vou ler alguma coisa. É você é antissocial, eu falo não, é porque eu estou vendo a minha vida ir embora,  eu tenho que um sentido para esses minutos que eu vou ficar aqui. Por isso nasceu o podcast, aí surgiu o podcast que é o grande lance, que aquele minuto que ia ser jogado fora se gasta agora ouvindo o podcast, que é genial. Agora perdi, por que nós chegamos… ah sim, nós estávamos falando aquela coisa da  idade, da experiência contra a juventude que evidentemente se eu tenho essa experiência eu não tenho mais a energia e não tenho saco que  é o necessário para poder fazer toda essa… gerenciar esses conflitos e tudo mais, por isso que eu acho que as duas coisas são absolutamente necessárias.

Dado              Mas eu acho que vem… tem uma nova onda aí…

Luciano          Mas então, vamos um pouquinho, porque eu sei que você se debruçou nisso, aliás eu vou dar uma informação aqui que o pessoal não sabe, o Dado tem 55 anos…

Dado              É, eu vou fazer 55 o mês que vem.

Luciano          … então, já fará, quando você estiver ouvindo ele já tem 55 anos e todo ano ele vai na Campus Party e acampa naquela Campus Party e passa lá os dias da Campus Party acampado no meio dos moleques lá, então ele mergulhou profundamente nessa questão toda das gerações comportamentais e tudo mais e ele tem uma visão muito interessante,  aliás tem uma palestra dele brilhante que ele conta para os pais porque é que eles vão sustentar os filhos até os noventa anos, vamos falar um pouquinho disso ai. Dado o que te levou, então você sai desse ambiente da publicidade, que é um ambiente t…

Dado              Eu não sai do ambiente da pesquisa, é isso.

Luciano          … então, é um ambiente riquíssimo de conteúdo porque toda hora você está lidando com coisa diferente e mergulha num mundo novo que é o mundo da palestra e ali vai buscar essa coisa da garotada, o que que é? Como é que foi isso aí?

Dado              Assim ó, a gente tem que ter a sorte de ter uns mestres Yoda, ou um mestre Yoda, tá? Quem não tem no início de carreira, demora mais tempo, a gente queima etapas quando a gente tem um cara que diz olha, vai por ali, vai por aqui e tem gente que não presta atenção, às vezes, eu já tentei ser mestre Yoda de alguns que não prestaram atenção e eu tive um, ele chama Antonio Marcos Paim, ele era dono da Scala, uma grande agência lá do sul e ele disse uma coisa para mim que eu nunca mais esqueci. Eu era jovenzinho inteligente, tá? Sem experiência, mas assim, eu era rápido no raciocínio, eu sacava as coisas rápido, eu era acima da média, tá? Sem a menor modéstia eu estou te falando, só que me irritava muito porque eu era o Robin e ele o Batman e aí ele ia nas reuniões, os caras não olhavam para mim, às vezes o trabalho tinha sido feito por mim, ele botava a cereja no bolo lá, porque ele era genial, ele apresentava, os caras davam parabéns para ele, eles não sabiam meu nome, um dia eu disse porra, por que que ninguém olha para mim na reunião se fui eu que fiz esse troço? Ele disse assim: é que se você não tem experiência, você tem que ser a fonte da informação, as pessoas tem que olhar para você porque elas vão pesquisar com você, perguntar para você, não importa a sua idade se você for a fonte da informação, não tinha computador na época, eu ia para as reuniões com uma mala cheia de pastas e o cara perguntava para ele, Paim, quanto que nós investimos em publicidade ano passado? Eu abria uma pasta rapidinho e dizia, 159 milhões, que era tudo milhões, tinha muitos zeros, cruzeiros, 159 milhões, 137 mil e 44 centavos e os caras quem é esse rapaz? Era a primeira vez que eu surgia na reunião e eu passei a ser obsessivo por informação e aí eu passei dali a ser obsessivo por pesquisar comportamento e opinião, fui eu que fiz isso, sozinho, a partir desse peteleco que ele me deu assim, vai ser a fonte da informação, então, por exemplo, se eu estava lidando com um produto uma ótima, eu ia conversar com todo mundo que usava óculos e com gente que não usava óculos e por que não usa óculos? Eu perguntava para pobre e eu criei o meu sistema de pesquisa que eu uso até hoje, então assim, eu saí da publicidade mas não saí da pesquisa, então eu pergunto tudo para todo mundo o tempo todo.

Luciano          É o Dado data.

Dado              É o data Dado, até no Twitter eu brinco, data Dado informa, então assim, eu não sai do ramo da pesquisa e da curiosidade, eu saí da atividade de publicitário, eu apenas continuo fazendo pesquisa agora para outros fins, então eu usava essas informações para abrilhantar nas apresentações na publicidade e justificar as marcas que eu criava, as campanhas que eu planejava, criava e hoje  eu uso para palestrar, então hoje o que que eu faço? Eu brinco lá no meio da palestra, tem um slide que eu boto assim, minha função aqui é ser tradutor, eu sempre fui tradutor, agora eu traduzo em palco, em palestra e se Deus quiser em podcast, com teu estímulo.

Luciano          Fala uma coisa, como é que foi, essa é uma curiosidade…

Dado              Eu queria falar da Campus Party…

Luciano          … não mas, a gente vai voltar nela, só que eu não quero perder um lance aqui que vai dar curiosidade, conta o insight do surgimento da Claro, da marca Claro.

Dado              A Claro foi assim: era uma operadora regional tá? Assim como BCP em São Paulo, ATL no Rio, era uma operadora de banda B, a banda A era estatal, que foi vendida para algum grupo e vinha a banda B que era uma coisa que não havia, agente tinha que explicar, a gente não tinha concorrente de fornecimento de água, nem de luz, nem de telefone e a gente tinha que explicar que agora em telefone tinha concorrência, era como se tivesse um concorrente da SABESP, bom e eles eram ótimos clientes, eu era a agência de publicidade deles, eles eram ótimos clientes…

Luciano          Como chamava a empresa?

Dado              … a empresa se chamava TIW, era canadense e eles montaram no Brasil a TELET que era… a TELET era que nem… era um nome de PJ, de pessoa jurídica e a gente tinha criado uns duzentos nomes, porque tinha uma canadense muito interessante que disse assim, eu não quero nenhum nome com “com”, “tel” e sigla, BCP é sigla, SERCONTEL… ,Brasil Telecom… aquelas coisas e tinha algumas experiências já na Europa assim, tinha umas coisas diferentes de quatro letras, cinco letras, umas que não diziam nada e a gente foi para esse lado e foi umas cem, cento e cinquenta ideias e estava chegando a hora de ter que definir marca e a canadense era muito inteligente e era lá no sul e ela aprendeu a tomar chimarrão e ela um dia, num domingo, ela disse assim, eu estou muito angustiada, eu disse quer que eu vá ai? Eu fui na casa dela, ela estava tomando chimarrão, aprendeu a fazer chimarrão e ela disse assim, o sinal dessa operadora era muito mais puro, muito mais potente do que da concorrente banda A que na época era a Telefônica lá no sul e ela disse assim, eu queria algo que significasse, ela, tudo em inglês, que mostrasse o como é clear, ela estava falando em inglês, clear é claro em inglês, como é clear esse sinal e eu disse tá ai a marca, e ela disse como assim? Eu disse, é que clear em português é claro, só que claro em português também significa of course e a gente fala claro para um milhão de vezes que nos perguntam alguma coisa, por exemplo, posso continuar falando sobre isso? Você vai dizer claro, você quer mais água? Claro. E aí ela comprou na hora, só que aí como vender para os executivos cartesianos gaúchos uma palavra que era frívola, porque claro foi criado antes de Oi e antes de Vivo, foi a primeira marquinha soltinha do ramo e aí foi legal que ela tinha  poder e eu explicar e aí não havia jeito de os caras aprovarem a marca Claro, até que eu levei um gravador para as minhas fontes, rodoviária, velhinhas, aquelas bairros que tem um monte de viúva de funcionário público, que em Porto Alegre lá e Azenha, são minhas pesquisas, eu sempre fui pesquisar com essa gente, eles é que tem informação. E eu perguntava várias coisas e elas diziam claro para a resposta assim várias vezes na resposta, aí eu botei o gravadorzinho em cima da mesa, dei play e foi.

Luciano          Genial, genial. Você está falando aqui eu estou imaginando agora essa coisa, como é que as coisas se cruzam, quer dizer, esse momento que você estava conversando com ela já era um momento de criação mas havia antenas ligadas o tempo todo antenada.

Dado              E ela estava com angústia, ela disse assim a gente precisa dizer que o nosso sinal é melhor, que ele é mais claro, só que ela disse em inglês, much more clear e eu digo opa, está aí a marca.

Luciano          Sim, mas se não é um cara criativo que está sentado com ela lá, ia ser um porque eu fui lá para resolver a angústia do cliente e aí volta para a casa e não traz de volta esse insight. Pô, genial. Vamos voltar para a Campus Party.

Dado              A Campus Party é o seguinte, eu tenho uma angústia, porque a nossa geração ela é vítima da, o pessoal que é mais novo não sabe, no período que a gente tinha 20 anos, tinha reserva de mercado da informática, então as empresas, grandes empresas tinham computador, estava surgindo o computador pessoal nos EUA, eu tinha uma amiga que morava lá, ela já era programadora de computador, ela tinha um macintosh dentro de casa e a gente não tinha… mal atinha computador nas empresas, aqueles 286…

Luciano          Eu tinha um cobra..

Dado              … o cobra, é o 286, era um risquinho, para vocês mais novo ai, era um risquinho verde que ficava assim na tela, a gente ia digitando e era, é o avô do Word e a gente não criou uma coisa que os americanos tem, os da nossa idade, os cinquentões e sessentões, eles sabem dar uma programadinha inclusive, naquela época precisava programar as coisas que a gente queria fazer no computador,  e aí a gente foi sacado desse mundo digital e a gente foi crescendo profissionalmente, a gente atingiu posição de gerente e diretor e entrou uma meninada com o digital, nadando de braçada nisso aí.

Luciano          Só um detalhe para a turma não perder a expectativa, a perspectiva aqui, essa coisa muda para valer…

Dado              Com a internet.

Luciano          … com o Collor.

Dado              Com o Collor, ah é isso… o Collor é que abre…

Luciano          O maldito Collor em 91 derruba a reserva de mercado e no dia seguinte tem computador de todo jeito entrando aqui…

Dado              … aliás, tem uma coisa legal dessa época que é para a gente usar sempre para quando diz que o Brasil não vai assimilar tão rápido, quando abriu a informática, eu me lembro, desses debates em televisão assim, pessoas abalizadas dizendo demoraremos vinte anos para reduzir o gap de conhecimento, em cinco anos o brasileiro estava fazendo tudo, então assim, quando disserem isso, não acredite, a gente aprende rápido.

Luciano          Em todos os segmentos.

Dado              Tudo, em tudo.

Luciano          Eu estou ouvindo agora o pessoal falar, eu vou falar um negócio aqui que vão cair de pau em cima de mim, outro dia eu vi um cara dizer que o problema da Samarco lá em Mariana, que vai levar cinquenta anos para a natureza recuperar o que foi perdido ali, Chernobyl, o mundo acabou lá, o problema maior da região lá são os animais selvagens agora que voltou tudo, tomaram conta de tudo, está lá a radiação ainda, mas a natureza foi e tomou conta daquilo e…

Dado              Animal resistente à radiação.

Luciano          Então eu fico enlouquecido até falo, a gente não sabe se vai chover depois de amanhã e quando a gente chuta a gente erra, tem uma margem de acerto aqui, por que trinta anos? Vinte anos, para, no meio do caminho tem uma história muito legal. O clube de Paris, que era um pessoal que fazia um trabalho de futurístico, eles fizeram um ensaio, eu não me lembro que época foi, se foi nos anos 70, sem usar computador na época ainda, eles fizeram um trabalho o seguinte, olha aqui, projetando o que tem pela frente aqui, como é que o mundo está usando o consumo de cobre etc e tal, lá para 1990 não vai ter mais cobre no mundo porque se esgotaram todas as reservas de cobre porque na velocidade que está indo não vai ter mais cobre e o cobre acaba…

Dado              Mas usaram fio de cobre pra caramba nessa época.

Luciano          … ninguém contou que no meio do caminho ia entrar um treco chamado fibra ótica e que todos os fios que eram de cobre passaram a ser de fibra ótica que tem como matéria prima a areia, a terra é feita de areia.

Dado              Quantos anos agora vai demorar…

Luciano          Vai ficar, então é esses insights que aparecem no meio do caminho, uma coisa genial que surge, ela muda a história da humanidade e a gente tem mania de ficar preso nesses velhos parâmetros ai, mas me conta mais essa história de você e para essa molecada ai, falar vou me envolver com eles.

Dado              Eu estava falando do negócio da informática, daí o seguinte, os meus amigos tem filhos de 30 anos, 25, 30 anos e eu demorei para fazer filho, então eu não tive aquele choque do filho chamando o pai de  idiota porque não sabe mexer no digital, eu via meus amigos serem chamados pelos filhos deles, eu tenho um filho de onze e um de quatorze, então assim há dez anos os bichos estavam nascendo, eram “piquininhos” e não tinha tablet, porque essa geração que nasceu nessa década já nasceu, eu costumo dizer, tem uma mutação genética que o dedo indicador já é três centímetros maior, mais comprido e esses que nasceram nessa década já são diferentes dos meus filhos que nasceram na primeira década deste século e aí eu digo assim pô, eu fui um cara criativo, eu trabalhei na agência do pipoca com guaraná, eu criei a marca Claro, sou um cara criativo para caramba, estou ficando para trás digitalmente, eu contratei um personal digital e não só…

Luciano          Um nerd.

Dado              … um nerd, mas eu pagava, eu sempre brinco, paga para alguém, não pede ajuda para filho, neto, afilhado, enteado, genro, nora, porque vão chamar você de idiota e eu pagava para o cara e eu perdi assim a virgindade sabe, digital e eu me joguei nas redes sociais, eu tenho um monte de seguidor assim…

Luciano          Você foi estudar então? Você foi estudar isso.

Dado              Fui.

Luciano          Você chamou um cara para te ensinar a lidar…

Dado              … não e eu listava assim o que é Dropbox? Por exemplo, como é que mexe, como é que eu salvo arquivo? O que que é… não só como é que eu entro no Facebook, as pessoas entram no Facebook  para postar, o Twitter as pessoas acham eu é Facebook, não, o Twitter não é para dizer sábado de tarde, tédio, e aí  eu pô eu fui e eu saí da inércia assim e aí surgiu a Campus Party eu digo, preciso ir nesse troço aí e na época eu era consultor, fui de gravata, era assim, eu era um ET no meio da meninada lá, aqueles nerd tudo e tal, os geeks tal, eu digo bah, esse troço é legal,  eu fui no outro ano, me inscrevi…

Luciano          Mas você não acampou, só foi visitar.

Dado              … não, foi no outro ano, aí um dia eu encontrei uma produtora do evento que era uma conhecida antiga minha, de outros carnavais, eu disse deixa eu ir lá no acampamento, que tinha que ter uma credencial, deixa eu ver o banheiro, pô é um banheiro de clube, que nem vestiário de clube…

Luciano          Só para o pessoal que está ouvindo a gente, tem muita gente que não sabe como é que funciona, o Campus Party é um galpão gigantesco…

Dado              Não, é no Anhembi… 8 mil barracas.

Luciano          … um galpão gigantesco, ele tem uma divisória no meio dele, uma parte, quando você entra tem ali uma parte gratuita  onde estão vários expositores, aí você entra numa parte que já é paga, onde tem as palestras e tudo mais…

Dado              Mesas para o pessoal trabalhar.

Luciano          … e aí para passar para o outro lado você tem que ter uma credencial e ali tem 8 mil barracas, barraca mesmo, barraca de acampamento…

Dado              Barracas idênticas, porque são fornecidas, não é cada um leva a sua barraca, então as pessoas já sabem o que tem que levar e tal.

Luciano          … e a pessoa acampa, come e dorme e fica ali.

Dado              E é super legal pelo seguinte, eu vi que tinha, não tem baixaria, tem fiscal o tempo todo, tem silêncio, tem um certo silêncio ali e tinha um vestiário, igual de clube, com vários chuveiros, bancos no meio, que as pessoas… sabe um vestiário de clube? Igual vestiário de clube, claro que a privada ficava num outro lado lá e pia, para fazer barba… E eu digo, eu vou acampar nesse troço ai e eu acampei e aí eu conheci mais gente, até que um dia, no Twitter, eu passei a seguir a Campus Party no Twitter, um dia no Twitter a Campus Party diz assim, você conhece gente legal para palestrar aqui na Campus Party? Indique nomes de pessoas, pô eu disse, pô que legal e eu tinha, sei lá, uns cinco mil seguidores, aí  eu até brinquei, pô quem gosta das minhas palestras pô, por favor me indica, e aí eu recebo uma ligação, um e-mail do pessoal da Campus Party, ó você foi indicado pelos twiteiros para palestrar, a gente gostaria de conhecer melhor o seu trabalho, eu estava em São Paulo, fui lá visitar eles e eles disseram olha, teve um volume x de sugestões, você tem dez vezes mais sugestão que o segundo colocado, então quem é você? E eu já tinha me inscrito para o Campus Party seguinte, já tinha comprado a barraca inclusive e já eles falaram assim… era para eu palestrar num palco pequeno, a gente foi conversando, quando eu vi me colocaram no palco principal para fazer a palestra muda para o pessoal…

Luciano          A muda, a primeira foi a muda?

Dado              … a primeira já foi a muda e eu fui para o palco principal e aí eles me perguntaram você vai ter, nós não podemos lhe pagar cachê mas nós vamos lhe dar a passagem de avião e o hotel, eu digo não, eu não preciso de hotel, eu já estou acampado e mostrei a inscrição que eu estava acampado e aí eu fiz a palestra muda e começou a palestra muda com quinhentas pessoas, terminou com mil e quinhentas. Aí no ano seguinte já tinha duas mil pessoas para assistir e agora eu sou uma figuraça assim,  eu costumo brincar assim, eu sou tipo ex BBB, sabe como é que é ex BBB, o cara não sabe o teu nome mas ele olha assim, eu te conheço de algum lugar, eu sou ex BBB. Eu adoro a Campus Party.

Luciano          Eu estive lá duas vezes, eu confesso para você que eu não em adaptei bem a Campus Party não…

Dado              Eu adoro, eu sou campuseiro e agora eu faço parte das comunidades dele e eu continuo pesquisando, eles não sabem que eu aprendo mais do que ensino.

Luciano          Passa para a gente uma sequência daquela, aquela palestra que eu te falei que você faz que você comenta o negócio das gerações, que tem uma discussão muito grande aí sobre a geração do “nem nem”, que não estuda nem trabalha, a molecada que mora em casa ainda com 35 anos, que o pai isso e aquilo e os pais não sabem para que lado vai. Eu na idade do meu filho eu já tinha casa, já tinha filho, meu filho não tem casa, não tem filho e já me disse para não ficar esperando que ele vai ter neto o dia que der na cabeça, está namorando há sete anos, não vai casar, não sei o que é aquilo, não sei se é namoro, se é ficante, é tudo louco aquilo e como um pai, como uma mãe, nos dá angústia e você trata muito bem …

Dado              Como uma expressão matemática, porque a expressão matemática é a seguinte: eu nasci em 1961, quando eu completei vinte anos em 81, terminou minha fase teen, que que a gente chamava de teen? A tua adolescência, a minha adolescência foi assim, a gente era débil mental até os treze anos, aí surgia as espinhas, mudava a voz, começava… quando ficava bom, quando a gente aprendia a se mexer na adolescência, vinha os vinte anos que the thirteen a nineteen é a fase teen, quando vinha os vinte anos, pum na cabeça da gente fez assim, qual é a sua profissão, com quem que você vai casar, você já tem que estar encaminhado na vida, eu digo pô mas que sacanagem, a gente tinha que virar adulto quando estava no bem bom na adolescência, por que que era assim? Porque em sessenta e…. aliás, em 81, 1981 quando eu completei vinte anos, a expectativa média de vida no Brasil era 62 anos e meio, então o que que era a vida da gente, é ser criança um percentual da vida, ser adolescente um percentualzinho menor ainda da vida, ser adulto a maior parte da vida e ser velho uma pequena parte da vida, porque o cara, a média de aposentadoria na época era onze anos, o cara se aposentava com 53, morria com 64, passava de 70 anos era bônus e uma pessoa hoje que tem 25 anos vai passar de 100, ou vai encostar em 100 anos e se a gente considerar que o percentual de adolescência ao cabo de uma vida continua o mesmo, por que que uma pessoa que vai durar 100 anos tem que virar adulto aos 20? Ele vai levar essa adolescência até os 35, eu tenho amigas que tiveram filhos com parto natural com 45, 46 anos, com 46 anos muitas eram avós nos anos 70 e 80…

Luciano          Mudou tudo, não é?

Dado              … então assim, o cara não tem uma espada apontada na cabeça dele aos 30 anos, só que eu brinco que eu tenho filhos que nasceram nessa primeira década nesse século e antes dos 40 eles não vão pensar nisso, aí eu brinco nas palestras pegando calculadora para ver quanto tempo falta para eu trabalhar até sustentar ele, vai dar lá uns 97, uns 87, aí eu digo, eu morrendo com 98 está bom, porque aí eu vou ter os mesmos 11 anos de aposentadoria, só que se eu comecei a trabalhar aos 17 que efetivamente comecei e trabalhar até os 87, eu vou ter trabalhado dois meu avô, porque o meu avô trabalhou 35 anos de carteira e eu vou trabalhar 70, não é motivacional as palestras? Esse é o resumo do início da palestra. E aí é muito engraçado porque quando assim, raramente faço palestra aberta ao público, em geral é em companhia, que nem você, a maior parte das palestras nossa é em companhia, mas quando é palestra aberta a público, da associação comercial de alguma cidade que tem pais e filhos, é divertidíssimo ver do palco o menino dando soquinho no pai, viu pai, e aí no final alguns pais mais cabeça vem me cumprimentar e tal e vem o menino de 20, 18, eu olho para o cara e digo assim, eu te salvei né, veio me agradecer aqui porque eu te dei argumento agora para quando o “veio” te encher o saco.

Luciano          Mas é assustador, é assustador porque de um lado…

Dado              Relaxa Luciano.

Luciano          … de um lado tem toda a lógica essa história toda, por outro lado tem um lance importante que é essa questão de aposentadoria, de a grana curta etc e tal, tem aquela ideia de que quando é que eu vou descansar? Deixa eu te contar dois lances interessante, um fresquíssimo, aconteceu hoje, hoje: eu vim de Goiânia para cá, entrei na fila para embarcar e eu completei 60 anos faz duas semanas, uma semana, duas semanas…

Dado              Você agora…

Luciano          … com sessentão, aí eu entrei na fila e chegou um cara…

Dado              … mas você não parece um sessentão.

Luciano          … espera, mas aí chega um pessoal e eu feliz da vida na fila, atenção senhoras e senhores, vai começar o embarque aqui, nesta fila da direita apenas as prioridades indicadas pela lei, na fila da esquerda as prioridades de cartão diamante, e o resto do povo, eu entrei na fila dos velhinhos, entrei lá, mas a aeromoça na hora, eu entrei ela veio, por favor, esta fila aqui… o senhor… eu falei não, eu tenho diamante, o diamante é outra fila também, eu falei não, eu também por lei, como assim, o senhor está com esses senhores aqui? Eu falei não, eu estou comigo mesmo, eu tenho 60 anos. Ó, os caras começaram a rir atrás de mim, tinha uns velhinhos atrás de mim, ó, aí eu peguei, tirei a carteira, falei aqui está, 60 anos e entrei ali e morri de rir, porque eu sabia que isso ia acontecer, porque eu não pareço 60 anos, eu tenho uma foto do meu avô me segurando no colo, meu avô com 52 e um bebê, meu avô você olhava e falava meu, esse senhor que idade ele tem? 47, 50 anos. Eu fiz 60 e não aparento 60, não sei se isso é genético, o que que é, mas a questão toda então tem esse primeiro lance, mulheres a mesma coisa, quer dizer, você vê um mulherão com 45 anos, com 50 anos mulheraço e quando  eu falo mulheraço é no sentido de que está com um tipo de roupa que as avós não usavam, a cabeça que as avós não tinham, tudo que não tinha, que era particular de uma menina de 25, 26, 30 anos. Fica muito claro isso que você falou, quer dizer, ampliou muito, quer dizer, adolescência, a juventude vai embora, hoje é com 40, 50 anos ainda é o garotão. Isso há de dar um impacto na sociedade, não tem como não dar esse impacto lá, mas continua a angústia, eu continuo sendo pai e continuo ficando pô e o dia que eu não estiver mais aqui, o que acontecerá com este meu bebê de 31 anos?

Dado              Vire-se não é? Vire-se. Eu fiz uma coisa com os meus filhos, eu tenho uma relação muito legal com eles, eles são uns cabeças boas assim, 11, quase 12 e 14 anos,  quando o de 11 fez 10 anos, esse papo já foi um pouco atrasado com o mais velho, eu sempre falava para minha mulher, nós estávamos os quatro na mesa e eu disse pessoal, eu queria dizer para vocês uma coisa, eu estou vendo meus amigos, que assim como você tem um filho de 30, e os caras não querem sair de casa e tal então eu queria dizer para vocês que eu vou sustentar vocês até os 25, inclusive se eu conseguir pagar uma faculdade particular, eu vou pagar a faculdade até os 25, se vocês quiserem trocar de curso quantas vezes quiser eu pago até os 25, depois dos 25 você vai ter que trabalhar para pagar a faculdade e como está essa mudança de comportamento eu ainda vou aceitar sustentar vocês mantendo vocês dentro da minha casa até os 30, mas dos 25 em diante vai ter que trabalhar par ajudar nas despesas, está claro? Eles ficaram me olhando e o mais velho estava com 12, me perguntou, meio que rindo, tá pai, mas você  está dizendo isso por quê? Eu digo não, eu vou dizer isso uma vez por ano, quando chegar lá, vocês com 20, 21, 22, vocês não vão se deparar pela primeira vez com esse assunto, quando chegar a 22, eu vou chegar para vocês e dizer olha, falta três anos, ai vão dizer pô pai, não, estou falando isso há quinze, mas assim, eu estou preparado para isso e até brinco que o mundo muda, eu sempre dizia, eu tenho um bordão, o mundo mudou bem na minha vez, que a gente…. eu comia quando era criança o melhor bife ficava com os velhos, agora que eu sou velho e tenho filhos pequenos, o melhor bife na mesa fica com as crianças, o mundo mudou bem na minha vez e aí eu digo assim olha, eu estou preparado para ir me reciclando, para ir inventando coisa até os oitenta e poucos, agora, se os meus filhos saírem um pouco antes e eu lá com setenta e poucos puder me aposentar, pode apostar que vai ser bem na hora que vai quebrar a previdência no Brasil, então eu não tenho sabe… eu não tenho saída, eu tenho que inventar coisa, tenho que me reciclar, eu não tenho dúvida que nós temos amigos na nossa faixa etária, que nós somos da mesma faixa etária, nós temos amigos que são velhos, muito velhos e eu vejo assim… Eu vejo um perigo para os próximos anos em todas as idades que é essa longevidade não é questão do sustento só, é questão do sentido para a vida, que tem gente que não vai querer mais viver e eu acho que vai ter muito suicídio viu, puxa, eu sou um cara super otimista, você me conhece, mas assim, eu, isso é um insight que eu tenho, tenho falado em algumas, eu escolho a dedo as palestras que eu posso falar isso…

Luciano          Faz sentido. Faz todo sentido.

Dado              … mas assim, nós, biologicamente, fomos inventados para viver 50 anos, a medicina está nos empurrando para 100, vai ter gente que não vai estar a fim, entendeu?

Luciano          Até porque, ô Dado, se você voltar no tempo, lá para os anos 50 e tudo mais, fala pô, o pai e a mãe aposentaram, fizeram o que? Compraram uma chacrinha e foram para a chacrinha e lá na chacrinha cria galinhazinha, planta mandioquinha e estão ali, estão ocupando-se de alguma coisa, agora você vem para um ambiente desse urbanos que nós estamos aqui, o cara está trancado no apartamento…

Dado              Ele vai comprar um gato ou um cachorro.

Luciano          … se ele botar o pé na rua, ele começa a gastar, se eu pus o pé na rua custa dinheiro aquilo lá…

Dado              E vai ser assaltado porque ele é uma presa.

Luciano          … ele paga para morar, ele paga para morar, não, o apartamento é meu, deve ter um condomínio, ele paga para morar, ele paga… começa a ficar complicado, vai se fechar em torno de si, vai assinar o Netflix se tiver, então ele vai estar rodeado de tecnologia sentado numa cadeira…

Dado              Se ele estiver aberto à tecnologia, porque vai ter uns que não vão estar nem abertos a isso.

Luciano          … é, mas vamos falar daqui a 30 anos, então o cara vai passar o dia trancado, sentado numa cadeira, engordando e assistindo o mundo pelas telas que estão ali porque sair de casa passa a ser caro, difícil, dolorido e com fila e todo enrolado…

Dado              Ele não vai conseguir.

Luciano          … é, é um ambiente complicado, agora é o seguinte, aí é que vem o grande lance, isso eu falei uma vez numa reunião de família minha, falei o seguinte: a única coisa que eu me preocupo, eu pessoalmente, eu Luciano, eu não quero ser um peso morto para a minha família, eu trabalho para o que? Para não ser, eu não quero ser o cara com quem eles vão ter que se preocupar lá na frente, eu até falo para eles, o dinheiro que eu tenho guardado aqui é o que vai garantir que vocês não vão me internar num sanatório, numa coisa qualquer lá para torcer para eu morrer e os dois ficam indignados, pai, imagina que vamos fazer isso, falei deixa, quando chegar a hora…

Dado              Vamos conversar daqui 30 anos.

Luciano          … é, com a tua mulher, com o teu marido, vamos ver se vocês vão querer que interna ou não, mas a minha coisa hoje em dia é o seguinte, bom, tá legal, já cresci, cresceram meus filhos, tenho minha casa própria, escrevi meu livro, plantei a árvore, o que é que falta agora? Falta curtir a vida, falta me preparar para ter uma velhice com dignidade, onde eu não me torne esse peso morto para essa turma, que é uma coisa muito comum para nós dois, na nossa idade, a gente cansou de ver isso, cansou de ver isso, de os velhinhos… é peso morto. Meu pai está com 89 anos, entrevistei ele aqui, no lugar que você está sentado aqui, na semana passada, ele faz o jornal lá em Bauru há 40 anos, que é um jornal mensal que ele faz o jornal publicado lá há 40 anos e a vida dele é aquilo.

Dado              Ele não vai conseguir envelhecer.

Luciano          Não vai, porque ele está o tempo todo ocupado com aquilo e o jornal dele, quer dizer, há uma atividade acontecendo ali que dá sentido para ele continuar vivo, se você tirar aquilo lá, ele vai falar o que aconteceu? Os netos já estão grandes, já não tem mais criança em casa, não querem o cachorro, tem esse negócio de prever o futuro, de o que é que eu vou ser, como é que eu vou estar daqui a 30 anos, que se você bobear ele te angustia.

Dado              É, mas eu acho, eu vou dar uma palavra a mais do que você disse, você disse uma vida confortável, garantir e tal, eu acho que a nossa geração vai ter um, para aqueles que quiserem, nós vamos ter uma velhice divertida, que assim, eu vejo assim ó, adoro ver essas senhorinhas que muitas são viúvas, outras não, mas aí os maridos não vão, elas fazem excursão, é igual debutante indo para a Disney, eu acho o máximo. E outra coisa assim, algumas não são viúvas mas eu já comecei a observar, porque a minha mãe ficou viúva recentemente e tal e eu vejo algumas viúvas que não foi o caso da minha mãe até, porque meu pai era um cara muito cabeça, era muito aberto, muito engraçado, mas assim, eu  vejo algumas viúvas que passado um tempo, as pessoas vão lá ainda dar os pêsames e ela finge que ela ainda está consternada mas ela está ó, ó, vivendo outra vida que aquele “véio” era um chato na vida dela e a “véia” está numa fuzarca, como se dizia, está no maior fuzuê, na maior gandaia, então assim, eu acho que aqueles que se prepararem psicologicamente, até digitalmente falando, eu acho que a gente pode ter uma velhice divertidíssima e o pior, a gente ainda vai estar produzindo conteúdo, e se a gente não, eu estou falando eu e você, e  se a gente não se desatualizar, a gente corre sérios riscos de ter público, porque eu acho que a gente está migrando para uma época em que as gerações vão se misturar mais, eu costumava dizer assim, eu costumo dizer na palestra, a gente costumava se diferenciar por idade, velho era velho, resistente à mudança, jovem era jovem aberto ao novo, hoje tem velho velho e tem velho jovem e tem jovem jovem e tem jovem velho, então eu acho que a gente está esse reagrupando de acordo com a mentalidade. Eu tenho amigos bem mais velhos do que eu que tem uma cabeça maravilhosa e tenho amigos bem mais moços do que eu, estou falando amigos e amigas, bem mais novos que eu, eu acho que a gente está se reagrupando de acordo com a nossa vibe e eu acho que também paradoxalmente está surgindo esse monte de confraria, não tem nada a ver coma  tua confraria, as confrarias que as pessoas fazem para tomar chopp, se reunir, confrarias  porque assim, como tem vários amigos meus que eu não aguento mais conviver diariamente porque eles estão velhos e chatos, eu gosto de uma vez por ano me reencontrar com a turma que eu jogava futebol na década de 80 e relembrar os velhos tempos, nós não vamos conseguir mais falar de nada e concordar em nada, mas relembrar o gol de bicicleta na final do campeonato, então assim, estão surgindo essas confrarias, os colegas do segundo grau e não sei o que…

Luciano          Sabe por que que eu gosto dessas reuniões? Para ver como eu estou bem.

Dado              Sabe que eu falo o contrário, eu não gosto de ir nas reuniões de escola porque o cara ou a menina que eram muito legal na minha época, hoje é um mala e tem a questão estética, porque eu era um gato e agora não sou mais e aquela deusa não é mais, mas eu estou vendo, na média a gente está bem.

Luciano          Dado, discutir essa coisa assim aos 55, 60 anos é interessante e a gente pode ficar aqui até amanhã de manhã, tem uma baita, um monte de gente ouvindo a gente aqui que tem 22, 23, 25, 26, 28 e está naquela de bala no chão e tudo mais e nós estamos discutindo um negócio que está tão longe para eles, 40 anos na frente, etc e tal, o que que você, se você voltasse hoje para os teus 19, 20 anos, que tipo de coisa você faria hoje que você fala por que que eu não comecei mais cedo? Por que que eu não fiz isso mais cedo, se eu tivesse feito hoje eu teria obtendo alguma coisa que faltou por eu não ter essa consciência na época lá?

Dado              Tem uma coisa de ordem prática que se eu soubesse em 19, 20 anos eu teria feito, que custaria muito barato, previdência privada. Eu descobri a previdência privada aos 37 anos, três, porque eu atendi, acho que era Bradesco Seguros e Previdência e ai eu fui pesquisar o produto eu digo pô, mas eu já devia ter feito isso aos 20, porque uma contribuição aos 20 é nada por mês e começar aos 35 é muito e porque vai faltar essa graninha vai faltar lá na frente, então assim, respondendo espeficiamente, mas tem uma coisa que eu vejo dos jovens de hoje e esse papo que eu tive de suicídio eu tive com gente de 25, 30 anos e eles ficaram mais apavorados do que os velhos da nossa idade que eu falo, que é o seguinte: nós aos 30, estou falando do pessoal aí de 20, 30 anos, nós tivemos 25, 30 anos há 30 anos. Nós fomos adestrados a ter mais paciência com gente velha, com gente ranzinza, porque era a hierarquia, a gente era mais respeitador de hierarquia, era uma outra época, não estou dizendo que é melhor ou pior. A falta de paciência que eu vejo num cara de 25, 30 anos hoje, que é semelhante à minha com 50, eu digo pô, mas eu com 50 já posso não ter saco para um chefe déspota, agora o cara de 25, ele vai ter que aguentar mais um tempo de chefe déspota, porque se não ele vai rodar, rodar e aos 40 anos ele vai dizer já fiz tudo na vida, o que que me resta? Me matar. Então eu acho que o índice de suicídios da geração que veio depois de nós, daqui 25, 30 anos vai ser maior do que o da minha geração, eu sei que é macabro isso que eu estou dizendo, mas eu estou vendo uma falta de paciência, então assim quer uma dica assim aos 19, 25 anos? Exercite o dom da paciência, tenha paciência, tenha tolerância, tenha resiliência, tenha paciência.

Luciano          Como é o nome desse remédio, onde é que compra isso?

Dado              Esse remédio é um pouco formação dentro de casa, não importa quem é o seu responsável, mas assim, aquelas pessoas muito chatas da sua família, que dão conselhos, tal, aquele chefe que gosta de você, que lhe dá um toque, ouça ele mais, porque a gente ouvia mais os velhos por uma questão de respeito, porque a autoridade era exercida por temor, como a autoridade hoje não é mais respeitada se for exercida por temor, eles não ouvem gente mais experiente, mas assim, ouça as pessoas experientes que vale a pena, você, por exemplo, ouça o Luciano, ele vai dizer coisas que são legais para você e aí se você passa uma régua e diz quem tem mais de 40 anos é imbecil só porque não sabe mexer no digital, você deixa de aprender coisas que podem ser úteis para você agora com 25, 30 anos, 20, 22, 19.

Luciano          E tem mais uma coisa importante, eu vou… posso enriquecer esse teu comentário? Por favor?

Dado              Pode, você é o entrevistador.

Luciano          Por favor. Eu acho que tem mais uma outra coisa interessante que é a seguinte: quando você ouvir esse velho falar essa merda que você acabou de ouvir sabe, que o cara falou essa merda, esse cara não sabe nada, para e pergunta: por que que esse cara falou isso? Por que que o Luciano abriu a boca e falou esta merda que eu não concordo com nada que ele fala, ele é um idiota, não, ele não é um idiota, talvez ele tenha pensado um pouco mais que você, talvez ele tenha vivido uma experiência que ensinou para ele alguma coisa e essa bobagem idiota que ele acabou de dizer, talvez não seja bobagem idiota e talvez o idiota seja você, especialmente quando você vai fazer aquele comentário no Facebook detonando o texto que o cara botou, para. Por que que alguém escreveria aquilo? É porque o cara é um idiota ou é porque ele viu por um ângulo que eu não vi, é um exercício de interpretação de texto que eu acho que é a mesma coisa quando você vai fazer pra esses mais velhos, então eu estava falando com a minha filha essa semana, falando para ela: pô porque minha mãe pega no meu pé. Por que que você acha que a tua mãe pega no teu pé? É por que será? É porque ela quer o teu mal ou é porque ela é uma mãe desesperada que te ama e te adora e não quer ver você em nenhuma situação que possa te constranger, machucar e etc e tal, quer dizer, ela está fazendo isso porque ela ama você. Mas ela me enche o saco. Bom, ainda bem, porque ela podia simplesmente dizer “não tô nem, ai”, então talvez esse exercício de você entender por que será que esse cara está dizendo isso? Que é aquela história, ponha-se no sapato dele. Agora, dizer isso para nós que temos 50 e 60 é fácil, fala prum moleque de 19, 20.

Dado              Tem mais uma dica de trabalho que eu como professor, olha só, nós estamos num ambiente em que eu não sei para quem eu estou falando, é diferente numa sala de aula que eu já tenho quase um semestre com 25 pessoas, que eu olho no olho e que eu conheço, eu posso dizer por favor, não distorça minhas palavras lá fora de sala de aula, mas agora depois de todo esse preâmbulo eu vou dizer: eu sempre disse para os meus alunos, olha aqui, quando você não tiver suportando aquilo que seu chefe está falando na reunião, não fale com o corpo que você está odiando o que ele está falando, aprenda a fingir, porque a gente aprendeu a fingir, porque a gente temia a autoridade, então assim, aprendam a fingir, a pessoa que aprende a fingir, ela não vai ser a primeira a ser demitida quando tiver que cortar, porque quando tem que cortar entre dois lá num departamento, a pessoa que é bem educada não é a cortada, a cortada se elas duas tem o mesmo desempenho técnico, a que é cortada é que é insolente, é que é desrespeitosa, é atitude, então assim, aprenda a fingir, esse fingir não tem nenhuma conotação negativa, aprenda a se comportar, então o que eu faço, eu faço em palestra, em aula óbvio que eu faço, eu já faço em palestra, tem 500 pessoas num auditório e no meio da palestra alguém se espreguiça mas como se estivesse sozinho no quarto, nem na frente da mulher ou da namorada no motel o cara se espreguiça daquele jeito, o cara se espreguiça, às vezes abre a boca e boceja. Eu paro a palestra e digo assim, deixa ele terminar de se espreguiçar para eu continuar porque o pessoal em vota está dispersando e vamos fazer uma coisa, vamos todo mundo agora se espreguiçar, porque daí quando todo mundo se espreguiça não é feio, eu ganho uma adversário  e um odiador na palestra, mas em volta daquele cara, eu ganho 50 sorrisos de aprovação, porque as pessoas não tem modos, então eu acho que a melhor dica que eu posso dar é essa: tenham modos sabe, respeita quem estiver falando,  não interrompa, os caras interrompem sempre a frase de uma pessoa mais velha, ouve o cara até o fim e não fala com  o corpo que ele é um idiota, porque experiência é o nome que a gente dá aos grandes erros que a gente cometeu, então se eu estou falando para você, aprenda a se comportar, é que um dia um cara botou o pé para cima numa reunião e perdeu a conta, perdeu o cliente e isso é coisa de papo de “véio”, eu descobri que quando a gente fala que nem o tio, eles prestam atenção, quando a gente fala que nem o pai ou a mãe, eles não prestam atenção, a diferença do tio e da mãe, é que quando a mãe fala é puxando a orelha, o tio é bah cara, eu fui naquele lugar, lá faz frio, leva um agasalho, o cara leva um agasalho. Se a mãe diz: leva o agasalho, o cara não leva, ele fica gripado porque a mãe disse no outro dia, eu avisei, então assim, não é o que se diz, é como se diz e eu piso em ovos para falar com a nova geração, 30 para baixo, porque eu meço as minhas palavras para eles não dispersarem, para eles continuarem prestando atenção em mim, porque o que eu tenho para dizer para eles é legal, é de boa paz, é com boas intenções, mas eu sinto que se eu usar termos iguais aos dos pais, eles desligam, porque parece papo de velho.

Luciano          Interessante isso ai. Deixa eu explorar mais um lado interessante teu aqui, você evidentemente que ao longo dessa tua carreira toda, quando você esteve nas agências, depois na empresa, você exerceu liderança, você teve equipes, comandou equipe, comandou um monte de gente etc e tal…

Dado              Demiti muita gente.

Luciano          … demitiu gente etc e tal, com que idade você, pela primeira vez, olhou e falou assim, eu estou indo lá hoje e agora eu sou o chefe, eu não sou mais o mané junto com os outros, agora eu sou diferente. Como é que foi isso?

Dado              Muito cedo, foi cedo demais, cedo demais porque a publicidade daquela época era que nem jogador de futebol e eu virei diretor de criação de uma imensa agência de publicidade com 22 anos…

Luciano          Cacetada.

Dado              … porque eu comecei aos 17, o cara de 17 um pouquinho acima da média, em cinco anos tem quase as 10 mil horas de voo, aquelas do piloto, sei lá, eu tinha 8 mil horas de voo com cinco anos de profissão e eu virei diretor de criação e todos os caras eram mais velhos que eu e eu era diretor. Eu não dormia, não dormia porque eu tinha que comandar gente mais velha e mais estrela do que eu.

Luciano          Alguém ensinou a você como mandar nesses caras?

Dado              Ninguém. Só que eu tive dentro de casa exemplos de como lidar com autoridade, como exercer, como falar para as pessoas, eu acho que eu fui mais ou menos bem sucedido no início, mas os primeiros três meses foi um horror. Mas, depois eu me assumi, eu digo pô, eu sou o gerente deles, chama de diretor de criação, mas era o gerente, o gerente de uma fábrica, de um escritório, o nome é pomposo porque dá charme, naquela época pegava a gente, era diretor de criação, não dirigia nada, era gerente, gerenciava, mas assim, eu me assumi, eu digo pô, ai eu envelheci, com 22 anos eu fiquei velho e eu tive que demitir gente, eu tive que dar pito nos caras, mandar calar a boca, eu tive que dizer não faremos isso, faremos aquilo…

Luciano          Sem ninguém te ensinar como é que fazia isso.

Dado              … ninguém me ensinou e não tinha esse monte de podcast, esse monte de site, esse monte de ensino à distância para ver no smartphone como é que faz, não tinha os sete hábitos das pessoas não sei o que lá e a gente vai, velho, vai aprendendo e vai aprendendo primeiro o que não fazer, com a maturidade a gente vai aprendendo depois como fazer melhor, mas assim, começa com os não fazer. O que não fazer.

Luciano          E aí em 2008 você parte para o teu voo solo e faz parte desse teu voo solo o desejo de permanecer solo.

Dado              Sim, 2004 eu parti para o voo solo como consultor, 2008 é o voo de palestrante, então assim, eu estou com doze anos de cachorro de rua.

Luciano          Mas faz parte desse teu projeto permanecer solo. Você não quer de volta uma equipe, você não quer ter gente…

Dado              Quero, quero. É a música dos Beatles, eu tenho um plano que é “When a sixty-four”, faltam nove anos.  Eu, daqui uns oito, nove anos, eu quero ter a empresa, aquela que tem no filme do Google lá, os estagiários, é um monte de meninada e eu quero ser sócio deles, pode ser que aconteça antes, eu quero ser sócio de umas duas, três startups daqui seis, sete anos, que é o tempo que essa geração aí que hoje tem dez, quinze vai ter as startups, eu quero pegar esse pessoal nascido nesse século.

Luciano          Você não acha que daqui a cinco, seis, sete…

Dado              Eu quero ser sócio dessa gente.

Luciano          … dez anos nós vamos entrar num período pós dilusional, quando vai passar essa ilusão de que nós temos aqui de que startup, eu vou ficar rico, vou ficar milionário, eu sou empreendedor, eu estou emendando um texto aqui…

Dado              Eu falei de startup não esse delírio, mas assim, eu quero ter umas empresocas, umas três ou quatro empresocas…

Lluciano         … é que você me deu um gancho aqui, que eu acho que isso é interessante para você falar disso, então é melhor ainda, que agora é o seguinte, está na moda, monte teu próprio negócio, seja um empreendedor, faça  tua empresa, o startup, olha quanta gente ficou milionária, o cara que vendeu o aplicativo por um bi, o cacete, vambora e todo mundo entrou nessa vibe e o resultado não aparece para a maioria deles, o cara daqui a pouco ele vai quebrar, não deu certo a coisa não foi, ele não ficou bilionário, não ficou rico e aí?

Dado              Isso corrobora aquela minha ideia de que eu vou sustentar os guris até os 40 anos, porque eles vão tentar várias coisas até os 40 anos, não mas eu… lembra da bolha.com que teve de 97 a 2002 assim, teve uma bolha.com e  que todo mundo dizia assim: ah eu preciso entrar na bolha.com, quem entrou,  entrou, quem ganhou dinheiro, ganhou e a maioria das pessoas não ganhou, eu acho que esse frenesi de startup também vai passar, eu talvez não tenha usado a palavra correta, eu quero ter empresas com esse novo tipo de gente. Eu quero não só comandar, eu quero, aliás eufemismo, no passado o pessoal mandava, hoje o pessoal comanda, ou seja, manda junto, então assim, eu quero estar junto dos caras que tem dez, caras e as caras, as meninas, me aprece até mais aviões que os caras, os meninos, esses que tem dez, quinze anos, daqui dez anos eu quero ser sócio deles e talvez eu seja estagiário deles, mas depois sócio deles, mas eu quero ter umas duas, três empresas com esses caras  aí, porque eu acho que eu vou saber lidar com eles e comandá-los, porque eu sempre fui muito bonzinho, eu nunca fui muito déspota assim e eu me quebrei muito na vida com funcionário filho da mãe sabe, eu não era o chefe filho da mãe, eu era agregador, coletivista, um humanista e muita gente me ferrou debaixo para cima, os de cima para baixo então, milhões me ferraram…

Luciano          Até algum que você mandou embora que vai te ouvir aqui, vai escrever um comentário, é mentira, o cara era um avião.

Dado              … e demiti gente que merecia ser demitida e eles sabem disso, então não tenho remorso algum das pessoas que eu demiti, não dormi todas as vezes que tive que demitir, eu acho que você deve ter passado esse problema, a última demissão que eu participei foi igual à primeira, eu tive dor de barriga e não dormi, que é horrível demitir uma pessoa, mas eu acho que todos que u demiti sabem porque eu demiti, eu demiti uns quarenta e cinco  na minha vida.

Luciano          E você demitiu esses caras por quê? Por incompetência técnica ou por atitude?

Dado              Dois terços por atitude, um terço por incompetência técnica. A proporção mais ou menos assim, ou três quartos por atitude, a gente é demitido basicamente por atitude, competência técnica a gente dá mil chances para a pessoa e os que tiveram atitude…

Luciano          Vão atrás e conseguem

Dado              … vão atrás, conseguem, claro.

Luciano          E esse país aqui, vamos caminhar para o final aqui, você está vivendo um Brasil, você já tem 55 anos, já passou pelas crises anteriores todas e essa aqui me aprece que tem uma diferença, ela é um pouco diferente, eu não diria que ela é pior que nenhuma delas, mas ela é diferente, que que você está vendo acontecer, que que vai ser desse país aqui?

Dado              Vou te contar uma história bacana do meu tio carioca que durante a segunda guerra morava na Rua Sá Ferreira no Rio e fazia barba com um barbeiro chinês, era um chinês que morava no Rio de Janeiro e naquela época o Japão invadiu a China e os caras estavam promovendo assim uns massacres, estupros e tal e o meu tio contando essa história que é perfeita para o momento, ele cheio de espuma no rosto, o chinês afiando a navalha naquele bastão que tinha, o pessoal que é mais novo não sabe o que eu estou falando, mas vai para o Google, vai no Youtube… e o chinês começou a  fazer a barba nele e  ele para ser solidário, ter empatia com o cara que fazia a barba dele há 10, 15, 20 anos, ele disse puxa, que chato isso que os japoneses estão fazendo lá no teu país e o chinês sem mudar o tom de voz e continuando a barba dele disse assim, ah isso não dura 150 anos, eu  adoro essas coisas assim, a dimensão o tempo vai para o espaço, quer dizer, o cara, não dura 150 anos, ele falou sério, não foi piada, porque eles tem 5 mil anos de história, então assim, eu acho assim ó, daqui uns anos nós vamos olhar para trás com uma certa tranquilidade até um pouco de leveza, diz assim pô, quem ia imaginar que ia acontecer isso no Brasil,  porque nós estamos em 2016, há 40 anos a gente não ia imaginar que a gente ia viver numa democracia, no auge no plano Collor lá, a super inflação do Sarney, a hiper inflação, a gente faz 24 anos, a gente não ia imaginar que a gente ia viver essa inflação que pô, na boa, hoje nós não temos inflação, o cara não sabe o que é aquele, os mais jovens não sabem o que é aquele etiquetador, o maluco do super mercado e tal, de manhã tu ai vere o preço do televisor, se você ia comprar no  final da tarde custava 10, 20% mais caro, há quinze anos a gente não imaginava ver tanta distribuição de renda como a gente viu, teve distribuição de renda consistente nos últimos anos e a gente não imaginava que um dos principais empresários do país ia completar um ano na cadeia, então eu acho que daqui 20, 30 anos nós vamos dizer  pô, quem ia imaginar…

Luciano          Aliás, hoje o dia foi importante, a gente não imaginava que ia ver o Cunha chorando na televisão.

Dado              Cunha chorou, hoje é 7/7, dia 7/7. Então assim, eu acho que daqui 20 anos, nós vamos dizer assim puxa como a gente deu aquela evoluída em termos de moralidade, de decência e de cuidado com a coisa pública, que a gente vê, não vou dizer na Suécia, que esses já transcenderam a existência, a Noruega, mas assim, que a Espanha,  a Espanha era um lixo, fez o Pacto de Moncloa lá em 75, 76, restaurou a monarquia, os caras tiveram políticos bacanas e os caras viraram um país moderno…

Luciano          Tem problemas como todo mundo tem mas deu um salto…

Dado              … tem problemas, mas a Espanha pô, eu conheci a Espanha no início dos anos 80, era um lixo, hoje a Espanha é um baita país, cheio de problema mas é um baita país, então eu acho que nós nunca vamos ser um país civilizado assim tipo a Alemanha, mas nós vamos ser uma Espanha e Portugal daqui uns 20 anos, eu lamento que a gente estava indo e embolou o meio campo assim, mas eu sou um otimista, eu acho que a gente passa uns cinco anos muito ruins, mas se bem que ano que vem acho que vai até melhor já, mas cinco anos de que pô, nós vamos estar.. sabe quanto estoura o cartão, fica pagando juro, um dia tu limpa o teu nome no SPC e tal, no SERASA lá, mas eu sou otimista, eu acho que daqui 20 anos a gente vai estar melhor.

Luciano          Eu concordo com você, eu acho que agosto vai ser daqui a algumas semanas, a turma que estiver ouvindo esse programa aqui já passou por isso, a gente não sabe o que vai ser ainda, mas eu acho que agosto vai ser o momento da… o que vai acontecer em setembro é que a gente vai entender o que vai acontecer nos próximos anos porque se houver uma retomada e o Brasil retoma com uma velocidade que é um negócio brutal, a gente já viu acontecer antes, eu me lembro na época do…

Dado              Quando os caras diziam vai demorar cinco anos… a gente é rápido…

Luciano          … eu me lembro, quando foi? Foi acho que quando o Fernando Collor, eu não me lembro quando foi, teve uma mudança da moeda e tudo mais e os caras ficaram desesperados porque o dólar subiu barbaramente e estava todo mundo sem saber o que ia fazer, uma semana, duas semanas depois estava o ministro da fazenda na televisão pedindo para o pessoal ir devagar porque o dólar estava caindo rápido demais, ninguém entendia porque isso aconteceu, falou isso é o Brasil.

Dado              … o Brasil é muito rápido na adaptação, nós somos os reis da adaptação.

Luciano          Legal. Meu amigo, fizemos aqui, cumprimos a nossa missão aqui que foi bater um papo…

Dado              Eu ficaria mais 8oito horas com Luciano Pires.

Luciano          … eu acho que a gente consegue fazer mais, acho que a gente pode fazer mais, é uma questão só de adaptar essa tua agenda ai, vem aqui fazer os podcast, vamos fazer…

Dado              Eu vou fazer, eu quero te agradecer de pé junto assim, prazer que tu me deu de espaço e pô, a força que tu me dá também pô.

Luciano          Vamos lá, vamos fazer acontecer aí. Quem quiser conhecer o trabalho do Dado, encontrar o Dado, como é que faz?

Dado              Eu sou um anti marketing para mim mesmo, eu não tenho site.

Luciano          Aliás, uma informação que os caras tem aqui, eu liguei para ele e falei, eu tenho um cliente querendo falar com você, me passa o teu  e-mail…

Dado              Ah tá, dá tempo de explicar isso ai?

Luciano          Por favor, explique.

Dado              É que eu pesquiso comportamento de geração Z e eles não usam e não usarão e-mail, por exemplo, o cara tem o Hotmail para jogar no X-Box live, mas ele não entra na caixa postal, já mandei e-mails para os caras oferecendo dinheiro para quem respondesse, meus filhos e amigos e nenhum respondeu, então assim, eu decidi me alinhar a eles e não utilizar mecanismos que não conversem com eles, então como o e-mail é, por exemplo, [email protected] para [email protected], eu não sei quando você vai responder para e eu vou responder para você, então eles não usam mecanismos de conversação estanques, só com mecanismos de conversação permanente, então eu aboli em 31 de dezembro de 2011 o e-mail, não é que eu nunca usei, eu não uso mais, eu completo cinco anos no final do ano agora que eu não uso e-mail e eu sou uma pessoa muito feliz.

Luciano          E como é que você se comunica com as pessoas, pelo Whatsapp, por onde?

Dado              In box no Facebook, todas as mensagens que tem que ter algum anexo vai no in box do Facebook e eu rapidamente viro o Whats, o Whatsapp com as pessoas, então é Whatsapp e por in box e algumas coisas de trabalho que eu já fiz com grupos, eu fiz no Google Drive.

Luciano          Para te achar então é o Facebook.

Dado              É o Facebook Dado Schneider

Luciano          Soletra o teu Schneider ai só para quem está ouvindo.

Dado              Schneider é S C H N E I D E R, Dado Schneider, eu sou no Twitter, @dado4314

Luciano          dado 4314

Dado              dado4314 no Instagran,  no SnapChat também e no Periscope também.

Luciano          E escreveu livros.

Dado              Escrevi um livro, “O mundo mudou bem na minha vez”, estou escrevendo, o segundo agora que por enquanto se chama “Adultos inéditos”, somos adultos inéditos, nunca houve adultos que nem nós e vou fazer podcast aqui.

Luciano          Venha. Cara, obrigado pela visita.

Dado              Foi um prazer, muito obrigado.

Luciano          Volte sempre que será sempre bem vindo.

Dado              Foi um deleite.

Luciano          Um grande abraço.

Dado              Vocês não estão vendo, a gente esta apertando as mãos aqui.

 

Transcrição: Mari Camargo