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Luciano Pires -

Luciano          Muito bem, mais um LíderCast. Eu já cansei de falar que esse programa é especial, só vem gente especial aqui. Esse que está aqui comigo hoje eu conheço há, pelo menos, uns 10 anos. Infelizmente a gente mantem menos contato do que deveria, a gente deveria estar mais próximo porque sempre saem coisas instigantes aqui. Esse programa aqui começa com três perguntas dificílimas que se você passar por elas, o resto você tira de letra, então prepare-se que lá vem: eu quero saber seu nome,  sua idade e o que é que você faz.

Gustavo         Bom, vamos lá, pensando bem na resposta, o meu nome não muda há 42 anos, sou Gustavo Cerbasi, costumava dizer que era consultor financeiro mas a consultoria individual não acontece há um bom tempo. Eu faço trabalho para empresas,  palestras, livros, conteúdo, todo mundo me conhece pelo meu livro mais conhecido, “Casais inteligentes enriquecem juntos”, mas tem outros quatorze livros muito bons que vale a pena ler também aí, dois milhões e cem mil exemplares vendidos de uma história legal com educação financeira desde 2002, então lá se vão 14 anos de construção de conhecimento de uma ciência que simplesmente não existia no Brasil, era totalmente incipiente.

Luciano          Quando você entra no hotel e o pessoal bota aquele papelzinho na tua frente lá, perguntando assim: nome, etc e tal, quando aparece ali profissão, você escreve o que?

Gustavo         Pô, essa é uma situação curiosa, Luciano, porque já, cada vez eu escrevo uma coisa, eu costumava escrever consultor financeiro, hoje eu coloco escritor, até é uma situação interessante porque normalmente o atendente fala nossa, que bacana, escritor, escritor do que? Mas acho que eu estou sendo mais fiel à resposta porque eu passo 50% do meu tempo escrevendo alguma coisa, seja o artigo para a revista Época, sejam os livros, ou uma cartilha para alguma empresa, um conteúdo novo para o site, o roteiro do próximo vídeo, eu sou um escritor do meu conhecimento em educação financeira que não posso ser considerado cientista ou acadêmico, porque eu não me baseio no conteúdo dos outros para escrever um livro novo, eu me baseio nessa interação com as pessoas, na interação com ouvintes de um programa de rádio ao vivo, ou o público que requenta o meu Facebook, que traz perguntas, comentários, críticas e dali vão nascendo ideias que viram artigos, artigos são testados nas redes sociais, nas revistas e os comentários fazem com que esses artigos sejam lapidados para virar livros, é assim que eu trabalho.

Luciano          Ninguém nunca te perguntou, além de escrever você trabalha com o que?

Gustavo         Já. Essa pergunta é uma pergunta frequente, tanto quando as pessoas chegavam a mim pelos livros, então pô, o que você faz além de escrever, mas nas salas de aula também, quando era professor, professor qual é a sua profissão? Professor o que você faz? Para ter esse conhecimento e no fundo acho que desde o começo que meu livro entrou para o mercado na categoria autoajuda, que muitos entrevistadores, muitos jornalistas perguntaram mas seu livro é um livro de autoajuda? Já com aquele tom de depreciação, de um quê negativo na pergunta e a resposta sempre foi que sim, eu usei técnicas de autoajuda para um conteúdo de altíssimo nível  para que mais pessoas que não esperam buscar um conteúdo de alto nível, mas esperam talvez uma autoajuda, mais pessoas pudessem encontrar soluções para as suas vidas em algo que é extremamente carente no Brasil, as pessoas não sabem lidar com dinheiro ainda, lá se vão doze anos de carreira, aliás, quatorze anos  de carreira, uma educação financeira que cresceu, uma fatia pequena da pizza aí aprendeu a lidar com dinheiro, a pizza cresceu muito, muitas pessoas no Brasil, nos últimos anos, entraram para o sistema financeiro, passaram a ter carteira assinada, montaram seu negócio próprio, são pessoas que estão aprendendo com os erros, é um aprendizado caro.

Luciano          É verdade. Você sabe que eu estou terminando um livro, terminando não, eu estou ensebando um livro meu há algum tempo, chamado “Liderança Nutritiva, Gente Nutritiva” e a primeira parte do livro eu falo exatamente dessa questão toda da autoajuda e eu falo cara, fico batendo uma coisa, eu escrevi o livro e uma vozinha ficava no meu ouvido dizendo assim, autoajuda, autoajuda, autoajuda… e aquilo me assombrava porque autoajuda tem esse rótulo que é uma coisa de enganação, que é rasa e que não ajuda coisa nenhuma e aí e brinco dizendo que eu peguei o texto, escrevi o texto, mandei para um amigo meu, o amigo devolveu, muito legal, é autoajuda e aí eu queria morrer, então eu fiquei burilando isso até considerar o seguinte, não, eu vou tratar meu livro como livro de auto atrapalhamento, qual é a ideia? A ideia é chacoalhar a pessoa e fazer quando ela terminar de ler o livro, não ter nenhum tipo de certeza sobre coisa nenhuma pelo contrário, ter atrapalhado as ideias que aí fica melhor para você… você quebra os estereótipos, quebra as rotinas e a pessoa pode rearrumar aquilo lá. Mas deixa eu explorar isso um pouquinho mais com você:  autoajuda é ruim?

Gustavo         Olha, autoajuda, eu acho que é algo parecido com o que acontece no futebol. Por exemplo, todo menino carente quer ser um jogador de futebol de sucesso. Se ele soubesse que 96,5% de jogadores de futebol não ganham mais do que um salário mínimo, talvez ele repensaria a carreira dele. A autoajuda é uma categoria extremamente numerosa. É gigante a quantidade de autores de textos de péssima qualidade, é muito grande, só que nesse conteúdo todo existe conteúdo de altíssimo valor e qualidade, pessoas que investiram muito na sua carreira, no seu conhecimento para agregar algo para a vida dos outros ao mesmo tempo que alguns que estão ali disseram olha: Luciano Pires vende livros com uma ideia que é fácil de ser trabalhada, com uma maneira fácil de falar, o Gustavo Cerbasi fala de dinheiro de um jeito que talvez eu sei falar também e a pessoa vai se arriscar fazer um conteúdo sem ter base, sem ter estudo, eu talvez gastei algumas milhares de horas da minha vida estudando sociologia, psicologia, não só economia e finanças para falar da maneira que eu falo.

Luciano          Ou o seu nome não seria Cerbasi.

Gustavo         É, aí é que está, tem base nisso tudo, mas eu entendo que é autoajuda por uma razão muito simples, hoje, se você quer resolver algo na sua vida sem buscar o especialista, sem buscar um consultor, sem contratar um serviço, você vai, por exemplo, encontrar um caminho usando um aplicativo ou você vai contratar um serviço buscando alguma coisa disponível na internet ou você vai buscar um conteúdo que irá ajudar alguma coisa na sua vida, pode ser com dieta, pode ser alguma questão sentimental, pode ser com a sua vida financeira sem que você tenha que contratar o especialista. Quando decidi escrever o primeiro livro a minha intenção não era de criar uma cenourinha, um atrativo para que as pessoas me procurassem lá no meu escritório e contratassem o meu serviço, já não tinha agenda para aquilo, era um professor que trabalhava doze horas por dia lecionando e encontrei alguns finais de semana para escrever um texto para pessoas que não poderiam pagar os trinta, quarenta mil reais que custava um MBA na época, mas que poderiam mudar suas vidas com conteúdo de um livro. Usei a linguagem da autoajuda justamente para me enquadrar numa categoria popular de literatura para que as pessoas esbarrassem no livro na livraria e tivessem alguma motivação para comprá-lo…

Luciano          Isso foi pensado?

Gustavo         … foi pensado…

Luciano          Isso foi estrategicamente decidido.

Gustavo         … foi, porque o título original do “Casais Inteligentes Crescem Juntos” era “Finanças para Casais” esse foi tema até aquela reunião fatídica com o livro pronto, já todo editado em que decidimos o nome do livro, um livro com nome que apelava um pouco para o sentimento da autoajuda, o formato do livro foi pensado em ter capítulos curtos, capítulos que o leitor terminasse aquele capítulo com alguma sementinha de querer mais, de não parar aquela leitura naquele ponto porque em finanças eu não consigo dar uma lição em um capítulo, tem que dar um passo a passo, então se a pessoa desistisse do livro no segundo, no quarto, no oitavo capítulo, não chegasse no décimo, não veria valor naquilo, então técnica da autoajuda é usar um pouco  de linguagem sentimental, é trocar uma reflexão de quatro páginas por uma fofoquinha, uma historinha de meia página para a pessoa se sentir no papel daqueles que estão sendo retratados ali e com essas técnicas de autoajuda e muito trabalho para fazer com que conteúdos complexos se encaixassem nessas histórias, nasceram livros que se propõem a entregar um resultado, algum valor para a pessoa na leitura, se a pessoa me procura não vai ter nem telefone, e-mail, nada, ela não vai conseguir me acessar porque eu não tenho agenda para tudo isso e assim vieram os quinze livros que foram criados nesses quatrorze anos de história e por mais que eu tenha boa experiência nesse mercado é sempre muito trabalhoso fazer um livro novo porque as ideias estão prontas na cabeça, estão testadas num artigo, mas cada palavra me incomoda porque eu tenho que convencer o leitor a aprender algo com aquela ideia e não desistir da leitura no meio do caminho.

Luciano          Você é um dos raríssimos caras no Brasil que, vou ver se eu acerto, se eu estou certo, se você quisesse você poderia viver de livros…

Gustavo         Sim.

Luciano          … você é um dos raros.

Gustavo         É, hoje o que eu vendo de livros são…  média quatro mil livros por mês, pagaria as contas da minha família tranquilamente.

Luciano          Quatro mil por mês bom, se a gente considerar que no Brasil um livro que vende quatro mil e quinhentos exemplares no ano é considerado um sucesso editorial, atenção hein, você ouviu o que eu falei aqui? Quatro mil e quinhentos exemplares no ano, representa um sucesso comercial no Brasil.

Gustavo         Exato, tem uma tiragem padrão de dois mil exemplares, então…

Luciano          É isso ai e a maioria absoluta não tira isso, tira muito menos do que isso. Tem muita gente escrevendo no Brasil, tem muita gente, o último número que eu tinha lido era uma coisa absurda, dava assim para… era cerca de noventa mil títulos por ano no Brasil. Se você botar isso por semana vai dar uma paulada de livro saindo a todo momento. Eu tive algumas experiências com livro, não vou dizer a você que eu fiquei feliz, não fiquei feliz com nenhuma delas, alguns livros venderam bem, outros não, mas aquilo nunca foi para mim, olhar e falar pô, vou levar meu caminho por aqui, eu tinha outras prioridades, mas eu vi a dificuldade que é você trabalhar o livro para valer, fazer ele funcionar. Ao que se deve esse teu… por que que você deu certo com livro? É o tema que você trabalha, a estratégia que você usou, onde é que está o…?

Gustavo         O tema não é suficiente não, Luciano, acho que é uma combinação de fatores, primeiro acho que no começo o currículo me ajudou, quando eu lancei o primeiro livro, o mestre em finanças pela USP lançando um livro no formato de autoajuda foi algo que incomodou um pouquinho a imprensa, por que esse livro? Do que ele trata? E obviamente eu contratei uma assessoria de imprensa lá no começo para abrir algumas portas de rádio e TV, em jornais, ter algumas entrevistas ali emplacando, mas acho que o livro ele foi ganhando sucesso à medida que, primeiro, eu sempre trabalhei muito bem os livros, então toda aula que eu dava gente, olha, esse conteúdo, essa brincadeirinha eu fiz aqui, leiam o livro, o livro vai sendo falado e aquilo chama uma outra entrevista. Às vezes uma entrevista que não é de um veículo de grande relevância mas que ele é muito pulverizado no Brasil afora via satélite faz uma diferença e te chama para um outro veículo. Então por exemplo, a minha primeira entrevista foi, na época, para a Rede Mulher, uma emissora que não existe mais, mas o fato de ter sido anunciado na Rede Mulher chamou uma pauta para o programa João Dória Junior que foi minha segunda entrevista, a primeira que foi ao ar e acho que uma coisa vai puxando a outra, então eu senti a uma certa altura que eu precisaria ter tempo para atender à imprensa.  Isso é uma coisa que poucos profissionais tem. Quando você começa a emplacar o seu conteúdo, você está numa fase de muito trabalho e as demandas começam a aparecer. A um certo ponto essas demandas começam a tirar tempo daquilo que te dá resultado. Então, um momento de inflexão muito importante na minha vida foi em 2003 com uma carga horária pesadíssima de trabalho, já com um livro publicado, meu primeiro livro “Dinheiro é segredo de quem tem”, veio a chance de eu morar fora do Brasil. Empreendi uma empresa no Canadá que felizmente não deu certo, senão a gente não estaria tendo esse papo aqui. Seis meses depois eu reconheci que o negócio ia andar de lado, não ia dar grande resultado, decidi voltar para o Brasil, mas não corri atrás de encher a minha agenda de aulas novamente. Eu restringi a agenda para uma parte, atender para aquele meu negócio que é um negócio de altíssimo reconhecimento, premiação, bom professor, parte eu dediquei para a agenda e parte eu dediquei a criar novos conteúdos. Minha receita caiu para um terço do que eu tinha antes de ir para o Canadá, mas foi uma aposta, porque eu sentia que naquele meio acadêmico eu estava limitando o meu conhecimento para poucas pessoas enquanto que se eu pudesse dar uma palestra por semana, ou duas por semana, de graça, em igrejas, em condomínios, aquilo não daria dinheiro mas traria grande transformação para a vida das pessoas e eu achava que dali poderia sair alguma coisa e foi um crescente, várias palestras, começa a vir uma remunerada, entrevistas começa a vir uma de grande destaque, minha primeira entrevista de grande destaque mesmo foi acontecer em 2005, três anos depois de lançado o primeiro livro, em que a Adriane Galisteu no programa dela no SBT lá, pegou meu livro na mão e falou nossa, aqui uma excelente dica para o dia dos namorados e o livro bombou de vender lá num 10 de junho, dois dias antes do dia dos namorados de 2005 e emplacou o livro na lista dos mais vendidos, foi um trabalho de dedicação. Hoje quando um livro meu sai, são três meses de praticamente carta branca para a editora para trabalhar o meu nome e oferecer para emissoras, para jornais, para falar sobre o assunto, ocupa o espaço das redes sociais, ou seja, o autor tem que vender o livro, essa ideia de que vou escrever, o livro é muito bom, vou levar para a editora, a editora vai gostar e vai lançar, não vai lançar, o editor vai me perguntar quantos livros você vende? Se eu não sou conhecido, se eu não estou num blog, se eu não tenho espaço nem na minha cidade para ser reconhecido como autor, como pensador, as pessoas não vão chegar numa livraria perguntando quero um livro do Gustavo Cerbasi, então tem que trabalhar e acho que é uma combinação de uma editora que trabalha bem seu livro na livraria, que você leva o comprador para a livraria que você trabalha as suas ideias na imprensa como em todas as redes sociais,  somados à inovação, somados a um conteúdo de valor, somados a não ser uma simples propaganda em que você dá meia informação e convence a pessoa a ir atrás de você, isso faz o livro vender bem e ai o boca a boca ajuda.

Luciano          Está vendo como é fácil?

Gustavo         É, parece que é fácil e o resultado financeiro não é dos melhores porque os livros dão bom resultado, tem 2.100.000 mil livros vendidos, faz uma conta média ai que você ganhe em média de três a cinco reais por livro, não é pouco dinheiro que se ganhou mas a quantidade de energia, a quantidade de pessoas que foram mobilizadas para chegar nesse número, todo o desgaste até do seu tempo, da sua saúde, as noites mal dormidas, as viagens malucas que eu, você e todo especialista faz, tudo isso tem um custo muito alto, então na prática é um conjunto de elementos em que o livro puxa para a palestra, que remunera um pouco melhor. A palestra bem sucedida faz vender livros naquele evento e o livro é muito bom e outras pessoas vão recomendar, então uma coisa vai alimentando a outra, se você me perguntar: do que você abriria mão hoje? Eu não sei se eu deixo de dar entrevista, se eu deixo de dar palestra ou deixo de fazer livro porque acho que uma coisa alimenta esse ciclo e se sustenta ao longo do tempo.

Luciano          E tem algumas que dão uma satisfação brutal. Eu costumo dizer que eu não cobro para fazer palestra, eu cobro para viajar, porque a palestra é um prazer, aquele momento em que você está passando conhecimento, a plateia reage a você e vem conversar com você na hora, isso faz muito bem para a gente, eu remoço a cada palestra que eu faço. Mas, meu amigo, esse evento… esse evento, olha só, esse programa aqui é um programa que trata de liderança e empreendedorismo, eu quero explorar um pouco você, evidentemente o teu trabalho lida com uma coisa que me parece é um atributo fundamental do ser humano que é a disciplina. Eu acho que a base de tudo aquilo que você faz é disciplina, que é um  atributo fundamental para quem exerce liderança. Mas não basta isso, é um pedacinho dela e eu, de novo, nesse trabalho que eu tenho feito da liderança nutritiva, eu parto do momento em que eu defino o que é liderança para tentar entender que liderança me interessa. Então, eu sei o que é um líder, eu sei o que é liderança, agora eu tenho que discutir que líder eu quero e que tipo de liderança me interessa, então um líder como Adolph Hitler que eu não tenho como reconhecer que foi um baita, um dos maiores líderes da história da humanidade, não me interessa, essa liderança que não quero, eu quero uma outra que componha aquela conceito todo da liderança nutritiva que é o cara que eu quero que esteja perto de mim, a chefe que eu quero que esteja perto de mim, a pessoa que quando está do meu lado eu tenho certeza que ela está melhorando a minha vida, me deixando mais feliz, mais alegre e satisfeito com conhecimento etc e tal. Você deve ter conhecido alguém assim, algumas pessoas assim na tua vida e que de certa forma de influenciaram. E aí, fala um pouco, lembra de alguém, conhece, o que é que foi, onde é que pega?

Gustavo         Tenho várias lideranças, tanto que a minha carreira começou com muita dúvida, eu aos 24 anos não sabia o que eu seria da vida ainda, estava me formando na faculdade de administração pública da Fundação Getúlio Vargas, era um aluno que tinha dormido em tudo quanto era aula de finanças, achava um assunto horroroso, terrível, sonolento, burocrático, imaginava que fosse trabalhar em outras áreas da vida, eu segui um pouco do que líderes da minha fase pré carreira me ensinaram, coisas de seguir o seu coração, coisa de fazer bem feito, então por exemplo um grande líder que eu tive na minha vida foi meu pai que sempre ponderou aquilo que tem mais valor, não aquilo que paga melhor, então houve um momento da minha vida que eu, ainda fazendo faculdade, tive que ponderar entre trabalhar num banco, que me pagava, na época quatro mil reais por mês para assumir um monte de responsabilidade, ou ser estagiário num outro banco, eu vou falar aqui o banco que eu tenho um carinho enorme em trabalhar, o Citibank, me pagava como estagiário oitocentos reais por mês, então você vai ganhar quatro mil ou vai ganhar oitocentos e meu pai me ajudou a ponderar: você vai trabalhar num banco que vai te dar conhecimento, vai te dar preparo, vai fazer você transitar entre várias áreas, ou vai ganhar muito num banco que vai te sugar o máximo, vai prejudicar o término da sua faculdade, então esse tipo de visão eu fui levando sempre para a minha carreira, você vai aceitar, por exemplo, entrar numa loucura de palestras, palestras…. sua família fica totalmente em segundo plano, ou você vai concentrar o seu trabalho num certo período e saber compensar, você vai fazer um livro técnico com todas as referências técnicas, segundo fulano, tal  tal tal, aprendizado é esse, esse e aquele ou você vai fazer um livro que realmente mude a vida das famílias, e  foi sempre seguindo a referência do meu pai de fazer certo, de fazer bem-feito, fazer melhor que os outros, se possível, eu sempre caprichei ao máximo, tanto que minha carreira deslanchou porque eu era um coringa lá atrás, eu atendia demandas de quem me oferecia trabalho, não pensando no quanto eu ia ganhar, que tem muitas aulas que eu peguei no começo da minha carreira que um professor faltava, alguém tinha que cobrir esse professor, eu não era professor do assunto, teria que gastar vinte, vinte e quatro horas preparando uma aula de duas horas, iria receber por apenas duas horas. Eu topava, meus amigos diziam mas você vai trabalhar assim com tanto sacrifício para ganhar pouco? Não, não é pelo ganhar, é por resolver o problema da instituição que me contratou, então ser alçado ao topo ali foi algo que não me convidaram no ambiente de trabalho mas que veio da minha família. Tive um outro líder também, meu técnico de natação na minha adolescência, Paulo Ramos, é um cara que até hoje quando encontro a gente se abraça e a gente chora, porque tem um carinho enorme um pelo outro, mas é o cara que não deixava eu desistir de uma competição porque estava frio, não deixava eu desistir de um revezamento porque já tinha cumprido minha cota no fim de semana, pô em revezamento tem outros três caras que estão esperando ganhar uma medalha. Você tem que brigar pelos outros, tem que manter sua disciplina, tem que superar a dor, então esse lance do esporte me ajudou muito para o começo da carreira, teve muita dor, tem dor até hoje, lançar alguma coisa nova, lançar na incerteza, quando você sabe que está fazendo algo bem feito, quando você sabe que caprichou para fazer melhor que os outros, quando você sabe que vai transformar, porra dar errado significa simplesmente você não ganhar com aquilo, mas se eu transformei vidas estou no caminho certo. Agora, como que outros líderes somaram na minha vida, eu vou falar um pouquinho dos líderes já da minha vida profissional, eu tive na academia, lá na Fundação onde eu comecei a lecionar, uma referência incrível José Roberto Securato, ainda está na ativa, foi um dos papas das finanças na USP e da FIA, que simplesmente assistir uma aula com ele era algo delicioso, o cara ensinava operações, mercado financeiro, negócio quadrado, cheio de derivadas integrais na lousa, as pessoas assistiam dando risada, então  o que  era aquilo? Era um cativar o público, era um se envolver, era um olhar olho no olho que muitos professores não tem, talvez porque ganham pouco, talvez porque estão cansados, talvez porque estão numa correria, talvez porque estão cumprindo tabela, então eu nunca aceitei cumprir tabela. Num determinado momento eu tive que resolver um problema na minha fundação, assumir uma aula para pessoas numa situação totalmente desconfortável para mim, mas o que me vinha á cabeça era  aquele líder apaixonado, aquela pessoa que fazia rir, que fazia chorar, que se não fosse bom perguntava para o outro porque não foi bom e hoje eu acho que o aspecto mais importante do meu trabalho é ouvir, é estar num programa às vezes de rádio ao vivo, estar num evento ao vivo, eu dei uma hora e meia de palestra, muito palestrante ele termina a palestra e já quer ir embora, quer descansar, eu fico mais uma hora e meia, ou duas, ou três, ou quanto for preciso para atender aquele público, por quê? Porque ali tem o meu aprendizado, então no meu próximo evento, no meu próximo trabalho eu vou fazer algo pensando nessas pessoas, que eles já leram um livro meu e encontraram sua resposta que talvez ouviram uma reflexão na palestra mas não foi esclarecedor, eu vou aperfeiçoando por quê? Porque eu me coloco muito no lugar de quem vai comprar. Num país em que fazer pesquisa de mercado é muito caro, não vou contratar uma agência de pesquisas para mapear o mercado porque isso não é realidade brasileira, para começar um negócio não é viável e associar-se não é algo que sempre… que acaba gerando valor sempre, que associar-se eu consigo unir dez, quinze, vinte empresários e mapear o mercado, aqui a gente tem muito a questão da concorrência inibindo isso, mas se eu posso ouvir o consumidor, me colocar no lugar dele, eu sei que eu vou fazer algo para ele.

Luciano          Pesquisa de mercado não traz brilho no olho, não traz tesão, não te traz a  energia de ter alguém olhando para você até para discordar de você, não te traz aquela coisa de você estar no olho a olho, isso é fundamental. Essa pergunta que eu fiz para você sobre liderança eu faço para muita gente, todo mundo que vem aqui no LíderCast eu faço uma coisa parecida e é batata, eu acho que eu nunca ouvi ninguém dizer para mim que aquele professor que ficou marcado na vida como referência para o resto da vida ficou por causa da competência técnica que tinha sobre a aula de matemática, o meu foi um professor de matemática que entrou para a história porque conhecia profundamente a matemática, ah não, o meu foi a professora de geografia que entrou para a história porque conhecia profundamente geografia, nunca é pelo apuro técnico, pelo conhecimento que a pessoa tem da matéria em si, os exemplos são como esse que você deu, olha eu tive um professor de natação que não entrou na minha vida porque me ensinou a nadar, foi o que ele fez fora da piscina, que ele falava não desista, não deixe para trás, não deixe de fazer, quer dizer, o impacto que ele faz na tua vida além de simplesmente te ensinar técnica ou aquela coisa que você pode… eu brinco, aquilo que você pode botar numa planilha Excel, aquilo que cabe na planilha que é a técnica, que é a matemática, que se bobear o dinheiro compra, não é o que vai ficar, o que vai ficar foi esse a mais.

Gustavo         Eu acho que simplificando muito essa reflexão, eu acho que o grande líder é aquela pessoa que você jamais quer decepcionar, é aquela pessoa que te toca de um jeito que você fala cara, se eu tivesse no lugar dele, putz, eu não faria desse jeito, então quem são grandes líderes  para mim hoje, eu tenho meu público, que escrever um livro está cada vez mais difícil porque a expectativa do público é cada vez mais está além do que eu já fiz…

Luciano          Desculpa, esse é o sonho e eu sempre repito isso no meu podcast, eu faço podcast há dez anos e eu tenho uma coisa interessante que é muita gente me acompanhando há dez anos e eu consigo ver o crescimento dessas pessoas, especialmente a exigência delas que me obrigam a ser cada vez melhor, eu não posso pisar na bola, se eu bobear e fizer uma bobagem, aquela turminha que antigamente ficava de boca aberta com a bobagem, não fica mais, eles vem me cobrar e querem uma coisa além, o que me obriga a subir, ou seja, é um processo de crescimento em que você ajudou o público a crescer e ele te empurra para cima.

Gustavo         Exato, é aquela pessoa que pô, hoje líderes, eu estava falando no meu público, minha esposa é uma grande líder, uma pessoa por quem eu faço tudo e que se eu fizer algo errado ela vai se decepcionar, meus filhos são meus líderes e principalmente na fase de ascensão da carreira, eu acho que os grandes líderes foram aqueles caras que me orientaram fazer alguma coisa, me orientaram a assumir um certo trabalho, mas que também me eram uma vontade de fazer aquele trabalho com  tanto capricho, tanto afinco que se eu decepcionasse esses caras, não era emprego que estava em jogo, era minha moral que estava em jogo, então teve diretor,  por exemplo, que o momento que eu estava saindo  do trabalho, indo para a casa, sete horas da noite, chega de uma reunião e fala olha, acabei de  vim de uma reunião do nosso cliente, ele precisa de um laudo, uma avaliação que é fundamental para o sucesso dele e a gente precisa entregar isso amanhã de manhã. Mas como amanhã de manhã? Acabou o trabalho hoje. Ele falou pois é, vamos pedir pizza. E esse era um líder para mim, era um cara que tudo aquilo que ele fez nas situações anteriores até chegar naquele momento, foi algo que me motivou tanto, me contagiou que naquele momento ele propondo pagar ou não amais para varar a madrugada pô, o importante era resolver o problema do cliente da instituição, ele me liderou a assumir aquilo…

Luciano          E nesse momento você faz uma escolha, você deixou em casa sua esposa, seus filhos e escolheu ficar essa noite virando noite lá, quer dizer, você abriu mão de coisas que são muito preciosas para uma escolha que você acabou de explicar lá atrás, você tem dentro de você um ímpeto, a criar valor para as pessoas, então é aquela história, quanto você vai ganhar? Não me importa nesse momento o quanto eu vou ganhar, importa o seguinte, eu quero criar valor, se eu criar valor para as pessoas, eu estou intimamente satisfeito a sequência vem aí a retribuição de alguma forma. O que explica um problema que nós temos nesse país aqui, eu diria até que se bobear é até mundial, que é o seguinte: nunca se falou tanto sobre liderança como se fala hoje em dia, nunca se escreveu tanto sobre liderança e eu nunca vi tanto livro, tanto curso, tanta coisa sobre liderança e no entanto você está vendo o que está acontecendo com o Brasil hoje, nós vemos uma crise brutal de liderança…

Gustavo         Não temos líderes.

Luciano          … se eu chegar para você de bate  pronto e falar vai ter eleição amanhã, você vota em quem? Deixa eu pensar, espera um pouquinho, preciso pensar muito…

Gustavo         Quem você colocaria no poder desse país?

Luciano          Exatamente.

Gustavo         Falta liderança.

Luciano          O que acontece? Então me parece, só para eu terminar esse raciocínio, não falta escola para ensinar liderança, não faltam livros, não falta nada, todo mundo já sabe o que é, o que tem que ser feito, se é assim, por que que não tem liderança? E você acabou de dar uma pista, talvez não tenha porque a liderança que nós estamos falando não é essa liderança que você botou numa planilha, escreveu num livro etc e tal e ensinou para a pessoa as técnicas, isso não é, isso é um pedacinho, tem uma outra coisa além que tem a ver com essa gana para criar valor, se preocupar com as pessoas e um pouco além e eu dei rótulo nisso do nutritivo. Como é que você vê isso?

Gustavo         Nutritivo porque alimenta algo novo nas pessoas né Luciano, eu acho que a técnica ajuda, mas se você me perguntar o que eu faço para me tornar um bom palestrante, não basta técnica você tem que ter uma intenção por trás daquilo, você tem que ter um preparo seu emocional para encarar esse negócio de lidar com o público, que não é uma escola que vai te dar.

Luciano          com uma verdade

Gustavo         Uma verdade. O líder ele tem que ter várias qualidades, mas se ele não tem valores muito sólidos, ele não vai ser líder. Tem um livro sensacional do Napoleão Rio, se não me engano “Quem pensa enriquece”, eu olhei a versão em inglês “Thing and Grow Rich”, que ele explica o conceito de telepatia. Telepatia é um assunto que nem se fala mais hoje, ninguém acredita, mas ele explica um pouco do carisma que o nosso cérebro funciona por ondas elétricas e essas ondas elétricas, quando elas entram numa certa sintonia, eu me comunico com você, criou-se a empatia, uma pessoa que tem habilidade para comunicar com várias pessoas, você citou Adolph Hitler, é um cara que hipnotizava o público, ele tinha um carisma muito grande, falasse qualquer coisa, ideias absurdas de antissemitismo, ou uma receita de bolo, as pessoas aprenderiam a fazer, então o líder, ele  precisa ter uma verdade, quando há liderança ou quando o poder é usado para simplesmente você auferir favores ou você se colocar acima dos outros, ou você  criar uma barreira entre líderes e liderados, é você não está trabalhando com verdades, quando você se coloca em uma situação em que você ouve  o outro, em que você se coloca no lugar do outro, a tal da empatia, que você cria aquele raport e você faz com que o outro se sinta mais poderoso, mais capaz, mais confiante de fazer alguma coisa, você é  um líder verdadeiro, um líder puro. No nosso país as pessoas estão no poder pelo poder, aquilo é um resquício da nobreza portuguesa, é um resquício das capitanias hereditárias em que as pessoas querem simplesmente assumir um cargo público para garantir ou reforçar o poder que sua família tenha há séculos, mas sem pensar nas pessoas que estão sendo lideradas no público, no seu eleitor. Então é um tal de põe o bode na sala, tira o bode da sala para ganhar voto na eleição que não se traduz em verdade, então líderes mesmo nós não temos, nós temos poderosos, nós temos o padrinho, o pistolão, aquele cara que vai garantir um cargo público para você, mas  não é um cara que te inspira, isso faz com que o brasileiro, população como um todo, não se sinta empenhado em correr atrás de um país melhor, não se sinta empenhado em respeitar a sociedade. A favela é o melhor exemplo disso, traduz bem o individualismo que acontece na favela, acontece no condomínio de altíssimo luxo, acontece do carro blindado para dentro, que dane-se a sociedade em volta, é muito desse brasileiro individualista que não está pensando na continuidade daquilo que ele faz, não está pensando em multiplicar coisas boas ou não está pensando no coletivo. Quando me convidam, já me convidaram algumas vezes para entrar na política, para defender as ideias de educação financeira num congresso, numa assembleia, pô, hoje eu defendo essas ideias sem ter que assumir um partido, uma bandeira, sem ter que negociar meus interesses com uma oposição, eu me sinto unânime da minha verdade, quando eu entro para um poder público para ter que ceder favores e pedir votos em troca de uma ajuda, alguma coisa para defender uma ideia, eu estou assumindo uma bandeira e tendo o pró e o contra, o lado contrário às minhas ideias, às vezes contestando não pela verdade, mas simplesmente porque eu não apoiei a ideia do outro, aí você tem uma liderança muito frágil, nosso poder público simplesmente não funciona porque não há verdade naquilo que é debatido, que é votado, que é construído,  que é planejado, isso faz que o Brasil, país riquíssimo em termos de estabilidade climática e riquezas naturais, arrecadação de tributos, nós somos muito ricos, Luciano, não deveria faltar dinheiro para nada, escorre para todo lado e não faz o que tem que fazer, não se constrói nada nesse país.

Luciano          Qual é a escola que ensina isso?

Gustavo         A escola da vida. O Brasil carece de educação, mas é uma educação que eu não devo trabalhar só o ensino formal, é  uma educação que eu tenho que resgatar um pouco mais conceitos de família, tem que resgatar um pouco mais conceito de comunidade, isso se faz com boa gestão pública, com o poder público respeitando o cidadão, com segurança na rua para eu poder sair da minha casa com tranquilidade, você pega uma grande cidade como São Paulo, as  pessoas desconfiam umas das outras, se você põe a mão no  ombro do outro para cumprimentar o outro já vira assustado, se defendendo…

Luciano          Eu escrevi um texto há um tempo falando da sociedade desconfiada, onde as colas sociais, as  ligas  vão se perdendo, eu quando era moleque eu cresci em Bauru, interior de São Paulo e para mim o fundamental era todo dia eu ia no clube, todo dia, toda tarde. Saía da escola, a tarde eu ia para o clube e lá no clube eu fazia aula de natação, eu jogava com a molecada, tinha um monte de amigo etc e tal e tinha uma cola social, os amigos iam em casa, minha família tinha amigos e era aquela coisa, a família tudo muito… e eu vejo que isso se perdeu bastante, clube nem sei se… meus filhos não tem a menor ideia do que é ir num clube, porque não faz parte mais do repertório dessa turma, então devagarinho vão se quebrando essas colas sociais e deixando de lado qualquer julgamento de valor, isso acontece também com as igrejas, que o pessoal vai na religião, vai na igreja e o fato de fazer parte daquele grupo, de estar todo mundo junto, vai ter a quermesse do final de semana, vai ter o movimento para arrecadar agasalhos e tudo mais, todas essas ações vão compondo essa coisa da comunidade trabalhando junto, isso está se perdendo, em troca disso nós estamos escolhendo uma sociedade onde as pessoas desconfiam umas das outras e talvez isso explique esse problema que nós temos no Brasil que parece que além de não remar para o mesmo lado, tem gente querendo dar com o remo na cabeça do outro, quebrando o pau entre nós e nós não vamos para lugar nenhum assim. Mas de novo, a pergunta que eu faço a você: qual é a escola que ensina isso? Quando você fala para mim que é a escola da vida significa o seguinte, conforme-se, quebre a cara e aprenda quebrando a cara. Existe alguma forma de eu não precisar quebrar minha cara e não precisar me arrebentar para poder aprender como é que tem que ser feito, que não seja eu ir fazer um curso na GV porque a GV não vai me ensinar esse lado, nenhuma escola vai me ensinar esse lado, alguns livros talvez me deem uma dica, mas e aí? Onde é que eu bebo, que fonte me ajuda? Cadê os líderes que me dão uma luz?

Gustavo         Eu tenho estudado muito a questão de se construir uma vida mais rica, se construir uma vida melhor. Eu, pela minha profissão, tenho a possibilidade de me tornar cidadão norte-americano, por exemplo, muitos brasileiros fugiram do Brasil, eu tenho direito a um visto americano, visto específico para quem teve sucesso na arte literária e tal, eu não saio do nosso país, eu nasci aqui, eu me formei aqui, meu trabalho me dá oportunidades aqui e meus filhos estão vendo o pai transformar a sociedade aqui e isso gera um aprendizado. Eu acredito que o caminho para o Brasil se tornar um país muito melhor passa por duas iniciativas: primeiro tem que se reduzir um estado e eu não estou falando uma linguagem liberal, defendendo ideia de partido A, B ou C, mas reduzir aquilo que arrecada muito e comprovadamente é muito ineficiente para por essa arrecadação para funcionar, se é formato em parceria público privada, se é desestatizar, privatizar muito mais recursos, não importa. Mas, por exemplo, não sei porque existe Banco do Brasil e Caixa Econômica como bancos públicos, eu posso resolver todas as necessidades de serviço financeiro público com uma instituição, por que duas? O único argumento que me deram até hoje que ah, que tem o sindicato dos economiários da Caixa e dos bancários do Banco do Brasil, pô então o problema é sindicato de novo, então vamos tentar enxugar essa estrutura, fazer uma só, por que eu preciso de tantos ministérios? Por que eu preciso de tanta ineficiência no serviço público, não posso ter turnos diferentes de trabalho para a coisa funcionar melhor, enfim, enxugando o estado seria um caminho. Outro caminho é talvez trabalhar o enxugamento das expectativas da sociedade, a sociedade vem numa sede, numa ansiedade por subir em status e ter posses e adquirir coisas que são, num país como o Brasil desnecessárias. Eu acho que um resgate de uma vida um pouco mais simples em que as pessoas queiram experimentar mais, mais vida cultural, mais viagens, mais experiências de vida, menos condomínio de alto padrão e apartamentos de cinco suítes e varanda gourmet e condomínio fechado, essas coisas, são importantes para que? Para que a gente entenda que há um custo de vida relacionado a pagar minha moradia, minha alimentação, a escola do meu filho, um plano de saúde e existe um conjunto de experiências que eu tenho que aproveitar para ter um aprendizado, para conhecer outras realidades, porque o nosso Brasil não está ruim, nosso Brasil tem realidades muito prósperas de regiões do agronegócio, do café, da cana que prosperam com o dólar em alta, com a exportação e tem regiões que estão sofrendo com serviço com a indústria por simples falta de planejamento, então eu acho que o resgate que está faltando aqui é um resgate de olharmos mais para a família, de conversarmos mais com as pessoas, de interagirmos mais, de trocar uma experiência por quê? O brasileiro se fechou. Eu pago impostos para que o estado me dê segurança, educação, saúde, um conjunto de aspectos que o estado não me dá, então além daquela alta tributação eu também pago para dar uma escola privada para o meu filho, para ter um carro blindado para me sentir seguro, para ter uma moradia isolada para me sentir seguro também, enfim, uma série de…

Luciano          Plano de saúde…

Gustavo         … plano de  saúde que me dê um mínimo de atendimento que até os privados não estão grande coisa. Então, nesse sentimento que eu pago em dobro, cresce o dane-se a sociedade mesmo, porque eu estou praticando meu auto governo, então as coisas não são justas. O país sendo mais justo, sendo mais equilibrado no sentido do serviço que se provê, ou se não tem recurso, se não é para prover, que se organize a iniciativa privada, ele naturalmente vai fazendo com que as pessoas se sintam mais respeitadas, você tem mais dignidade, você tem algo mais natural. Muita gente sente falta das antigas aulas de educação, moral e cívica, aí vem o outro e fala imagina, aquilo era tempo de ditadura, não estou falando de governo militar nem ditadura, mas havia um ensino que se propunha a dizer o que é certo, o que é errado, o que é bom para a sociedade, lembrar que nós somos um país, que nós temos um brasão, que nós temos valores. Hoje a antiga lei de Gerson que parecia ser algo do individualismo que brotava em pessoas mais egoístas, é algo que é natural da nossa sociedade porque salve-se quem puder, porque o governo não pode te salvar.

Luciano          Você sabe que a sociedade indígena, elas tem isso muito forte, aquela coisa dos ritos e mitos que trazem esse componente cultural dentro deles é uma coisa muito forte que até hoje você encontra esses núcleos e tem uma coisa cultural onde o mais velho é… está numa posição na escala lá em cima, ele é venerado, tem valores que são ali muito importantes e uma vez eu estudei um pouco essa questão toda desses mitos e ritos na sociedade indígena norte americana e os caras explicavam lá como é que funcionava e o porquê de cada mito daquele, o que é que significava o cara entrar na tenda e ter ali um emaranhado de galhos com chifre no meio e os caras veneravam aquilo lá, coisa que uma pessoa como nós aqui, letrada, entra lá e fala pô, esses ignorantes orando para esse monte de pele e havia uma explicação por trás disso, quer dizer, isso traz dentro de si uma série de raízes culturais que ensinam para que caminhos você tem que ir e, de novo, sem querer ser raso na análise, quando você perde essas referências culturais ou você transforma essas coisas em, como é que eu vou dizer, você tentou falar aí mas você passou por cima, quando você diz o seguinte,  moral e cívica é coisa de regime militar, você equalizou tudo, botou um rótulo ali e destruiu essa coisa dos ritos e mitos que era o que trazia dentro de si essa cultura toda, então para quem não tem esse respeito a ritos e mitos, a bandeira do Brasil é um pedaço de pano pintado que eu posso muito bem queimar na avenida Paulista porque eu estou bravo com o governo. Eu quando vejo essa cena me dá um nó na garganta e eu quero pular no pescoço do cara que está queimando a bandeira do meu país e cada vez que eu falo isso eu tomo porrada porque seu trouxa, isso é só um pano pintado e  quando eu trato aquilo como um pano pintado eu não tenho mais ritos, não tenho mais mitos, não tenho mais respeito por coisa nenhuma, é só pano pintado, o cantar o hino em pé, antes da aula começar, ritos e mitos, que para muita gente é uma bobagem e para outras isso é uma aula de respeito, alguma coisa maior que no fundo é essa sociedade que eu tenho que respeitar. Quando se perde isso, meu amigo, tudo vale, ou nada vale e a gente entra nessa história que você está colocando, onde me parece muito claro, além da sociedade desconfiada nós estamos na sociedade do confronto, não é nem do conflito, é do confronto, é confronto, é o confronto onde se você falar um negócio que eu não gostei, eu não vou me preocupar em querer entender ou me colocar no teu lugar, você é um trouxa, seu coxinha, eu quero mais é que… não quero nem te ouvir mais porque veio de você essa informação. De novo, eu vou bater com o remo na tua cabeça e nós vamos morrer afogados os dois.

Gustavo         Nas últimas eleições foi um desastre no sentido de, não digo questão de partido, mas as campanhas que foram feitas, a publicidade que se deu para o nós contra eles, os coxinhas e os mortadelas, os ricos contra pobres, quem anda de bicicleta e quem anda de carro, esse muro que se criou muito evidentemente no estereótipo do lado de cá e o lado de lá, isso é muito perigoso para o país.

Luciano          Você reparou que nas discussões dos candidatos eram ataques de lado a lado para tentar com que nós escolhêssemos o menos ruim dos dois? Não eram coisas propositivas, eram negativas, eu vou te mostrar como o Gustavo é pior que eu, portanto vote em mim, mas você é ruim, mas ele é mais ruim que eu.

Gustavo         E essa continua sendo a base de tudo quanto foi defesa nessas operações que surgiram ai com delações, eu fiz errado mas o outro fez mais, lá atrás, quando o Marcos Valério foi preso, pô teve provas invalidadas porque não, não foi 800 milhões, foi quarenta e tantos milhões então a prova não é válida, então essa questão de que grampeou mas não podia grampear, não importa o conteúdo, você roubou mas não foi aquela prova, foi outra. Tem muita hipocrisia, então o que está faltando? Está faltando um pouco mais de clareza na justiça para o que não é correto tem que ser punido. Nós temos um emaranhado de leis incrivelmente complexo, então fala pô, o que tem que mudar? Tem que mudar a educação, mas talvez esse emaranhado que você tem um monte de ressalva, um monte de senões, um monte de brechas que podem ser trabalhadas, é extremamente perigoso para o país e de certa forma as  pessoas não tem medo de agir errado ou de certa forma as pessoas não tem medo de dar carteirada, não se sentem envergonhadas de passar por cima das outras, todo mundo acha que tem mais direito. Eu, por exemplo, eu e acho que você também, nós voamos com frequência, nós somos passageiros frequentes que temos o privilégio de embarcar primeiro, mas eu vejo no aeroporto muita gente usando esse privilégio, mas dando ombrada em senhoras, em mães gestantes, em pessoas que estão com muletas.Pô eu tenho o privilégio mas eu posso ser uma pessoa gentil, eu posso convidar alguém da fila, falar olha, você tem direito a passar na minha frente também,  isso meio que se perdeu, está tudo muito individual. Então, eu acho que a educação de casa está muito frágil, pais, mães estão correndo atrás de uma vida de conquistas financeiras deixando a educação dos filhos num segundo plano, esses filhos estão se refletindo em adultos imaturos, em adultos que não conseguem enxergar coletivamente, então tem que se trabalhar a educação de casa, o governo faz, não, o governo não consegue, se eu tivesse talvez uma religião mais uniforme no país, não esse conflito de religiões que nós temos, um tentando ocupar mais espaço que o outro, talvez através da religião trabalharia melhor a questão da família, mas o Brasil perdeu muito da educação familiar, perdeu muito da educação na escola, o respeito ao professor e isso traz toda essa perda da educação faz com que os adultos que chegam aos MBA’s que eu leciono, são adultos imaturos, adultos que não só não sabem escrever, mas não sabem se portar em aula e totalmente fora de foco…

Luciano          Não sabem conviver com a negativa. Como assim você não vai fazer aquilo que eu quero, onde já se viu isso, eu vou fazer aquilo que eu aprendi quando era criança, eu vou chorar, eu chorar, eu vou gritar, eu vou chamar você de chato e vou… que é o que nós vemos, bem vindo às mídias sociais.

Gustavo         Eu acho que nós temos que ter uma postura mais construtiva.

Luciano          Então, Gustavo, volta lá atrás, eu quero saber como você foi estudar, você vem de onde, você nasceu aonde?

Gustavo         Eu nasci no Rio Grande do Sul, Caxias do Sul, mas não tenho família lá, meu pai trabalhou um tempo lá e foi onde eu nasci, sempre cresci em São Paulo, na Moóca, é uma cidade do interior dentro da grande São Paulo. Era uma vida bastante simples, vida de interior em que nas férias da minha tia ir buscar ovos no meio da plantação de abóboras e via matar porcos e colhia frutas no pé e os finais de semana eram muito intensos, de família reunida com as tias italianas preparando massa e outro depenando frango e preparando almoço e todo mundo conversando. Aquilo para mim era o momento mais rico da semana e a família enaltecia aquilo. Eu vejo hoje pessoas que estão correndo atrás do que não sabem exatamente o que é, eu quero trocar de carro e quando tem o carro em dois, três meses deu uma raladinha no paralama, agora meu próximo sonho é viajar e o próximo é uma outra coisa e outra, e outra, as pessoas não se preenchem, elas não sentem felizes. Eu procurei resgatar um pouquinho do que eu tive na minha infância e eu ia comprar um sítio acabei nessa crise encontrando um sítio muito barato, em vez de alugar eu comprei um sítio, eu passo finais de semana com a minha família, mas uma família expandida, eu tenho seis, sete amigos, casais, que se reúnem no nosso sítio em que as crianças ficam correndo e tem fruta no pé e é piscina, é um convívio pertinho de São Paulo aqui que hoje meus filhos, quando meus filhos perguntam, nossos primos estarão lá? Primos… não tem nenhum laço familiar, são pessoas que se veem sempre, que se gostam, que se conhecem muito bem, que quando alguém está com um problema tem um ombro para chorar, isso para nós é riqueza, isso faz até com que o sucesso no meu trabalho que hoje traz até um bom resultado financeiro, não seja traduzido num carro muito melhor ou numa sofisticação, numa viagem, a gente mantem um padrão de vida que é adequado para aquele convívio. Quando eu cogitei com a minha família poxa, nós temos direito a um visto de morar nos EUA, criançada vamos pensar em morar fora? Primeira pergunta, papai e o sítio? Para eles aquilo tem significado também. Então, eu acho que essa riqueza que é uma coisa mais autêntica, uma coisa mais de família, uma coisa que eu não preciso ter aquele ganho desproporcional, vai talvez trabalhar a expectativa dos meus filhos para algo mais neutro, mais natural e que talvez uma sociedade que desequilibre por falta d’água, por falta de energia, por falta de recurso, se tivermos que voltar a um conceito da permacultura e cada um ter que plantar a sua fruta no fundo de casa, ou produzir a sua energia num telhado inteligente, por exemplo, nós vamos entender que isso é para o bem da comunidade, para nós não sermos um custo para o estado e o estado poder usar seus poucos recursos para algo que seja muito melhor para a coletividade. Está faltando esse aspecto do cuidar melhor do meu jardim para que a fruta seja boa para mim e para o meu vizinho e a gente tenha uma troca melhor.

Luciano          Essa riqueza é imaterial, é aquela que você não consegue pegar, você não consegue ver, você sente, não é? Sente. Eu crio uma estrutura tal onde eu sou rico, sou e não tenho um carrão, não preciso dele, eu sou rico, na medida em que eu posso curtir esse tempo que você está colocando ai com seus filhos e tudo mais. Gustavo, vamos falar um pouco da questão da educação financeira que eu acho que para mim é fundamental. O Brasil não tem tradição, não me lembro se teve alguma vez na história, a tradição de educar as pessoas na área de finanças, até porque nunca foi uma coisa extremamente importante, quando eu era moleque não  me lembro de estar preocupado com isso em momento algum, nunca me lembro e alguém ter vindo me ensinar e depois que eu cresci também foi na porrada, não aprendi até hoje. Sou um desastre até hoje na administração financeira, portanto não  consegui passar para os meus filhos isso, que também são um desastre e assim vai essa coisa se perpetua e a gente não encontra canais que consigam disseminar, permear a cultura brasileira com a importância de você poupar, de você guardar, então quando você vai para um país como o Japão e vai ver a cultura que o pessoal tem ali de tratar o dinheiro é completamente diferente do que nós temos aqui. E também não vejo a preocupação para isso, eu vejo a discussão em altos níveis, eu vou discutir o PIB, vou discutir como é que as coisas estão andando lá fora do ponto de vista de comércio exterior, do Banco Central, etc e tal, mas o povo cuidando bem do seu dinheiro eu não consigo ver, o que explica… eu vou complementar o exemplo que você deu lá atrás, aquele exemplo que você estava falando que agora o cara quer um carro maior, o outro quer uma casa maior etc e tal, bom, mas o motoboy vai comprar um celular de mil e quinhentos reais e vai pagar cento e trinta parcelas de vie e cincon reais, ou metade do salário dele vai embora para ter um celular de mil e quinhentos reais. Isso não é uma preocupação… não deveria ser uma preocupação brutal  em termos de futuro do país ou da sociedade brasileira?

Gustavo         Deveria porque a gente vive um vício social muito evidente, muito forte que é o comportamento baseado na expectativa dos outros. A sociedade brasileira, ela é formada por indivíduos que seguem um efeito manada muito forte, muito intenso em que eu vou chegar à vida adulta e vou seguir receitas que outras pessoas que chegaram á vida adulta seguiram supondo que esse é o caminho para ter uma vida adulta normal, só que nós vivemos num país em que dois em cada três brasileiros na vida adulta estão endividados. Então, a referência que os adultos tem para me passar não é uma boa referência, porque a gente vê que as pessoas fazem escolhas muitas vezes para prestar contas para a sociedade, tipo eu preciso ter um carro para conquistar uma namorada, eu trabalho, mas sem carro eu não tenho namorada, eu preciso ter uma casa própria, que é para prestar contar para os meus pais,  que se eu não tiver casa própria significa que eu não me preparei para casar, eu preciso me vestir com roupas de marca porque isso vai me dar alguns tapinhas nas costas dos colegas de trabalho, então  isso tudo que a gente aparenta e a única coisa na nossa vida que não aparece para os outros que é a conta corrente está um desastre mas ninguém vem questionar porque está um desastre, faz com que a gente construa uma sociedade baseada no status, isso não é do Brasil, isso é latino, o latino ele se preocupa muito com o status, meu vizinho tem um carro bacana, eu também tenho que ter, muitos brasileiros que se revoltam com a situação de desequilíbrio, de falta de esperança, de não saber onde vai parar esse país, vão morar fora e quando vão morar fora,  vão alugar talvez uma casa na periferia, um quarto no porão de uma casa, o quarto andar de um prédio sem elevador e  comprar um carro com vinte anos de uso, se esse dar um grade, dar um size nas escolhas ai fosse feito no seu próprio país, na sua cultura, nessa história que você carrega, talvez você tivesse muito mais oportunidades de evoluir aqui no Brasil do que numa cultura estranha que você decidiu, você optou viver lá fora, então o que nos falta? Falta um pouco mais de autonomia na escolha em que um filho que vem de uma família talvez mais abastada, mas que começou sua carreira com alguns tropeços e não ganha muito bem, tenha consciência de que ele não pode viver no mesmo bairro que a sua família, não basta ser um apartamento menor, talvez tenha que mudar para um estado distante onde vê uma oportunidade de trabalho que pague um pouco mais para ele, permita ter um bom padrão de vida, que ajude até a colonizar um país que concentrou muito sua vida nas grandes capitais do eixo sudeste aqui, então nós somos muito presos à família, àquilo que a família espera da gente, àquilo que as pessoas dizem que é o certo e a gente não está fazendo conta. A educação financeira passa por rever escolhas e rever as recompensas dessas escolhas, eu trabalho para quê? Eu não trabalho para fazer poupança para a aposentadoria, eu não sei se eu vou chegar na aposentadoria, eu trabalho para ser feliz, o que que é ser feliz? É viver com qualidade de vida, viver mais autêntico, é ter uma vida com experiências que tem a ver com aquilo que é importante para cada ser humano, então o brasileiro chega a ser autêntico talvez na sua juventude, talvez naquela fase pré casamento, em que ele sonha em conhecer o mundo, ele sonha…

Luciano          Que é quando ele é um duro.

Gustavo         … quando ele é um duro, ele está sonhando, ele está modelando sua vida, um pratica o esporte, o outro é fiel à igreja, o outro gosta de… é um nerd, gosta  de conhecimento.

Luciano          Você quer ver um detalhe interessante que é… eu costumo pensar muito nisso, quer dizer, as  grandes referências, a grande viagem que eu fiz, as grandes músicas que eu curti, os grandes momentos estão ali nos meus vinte, vinte e poucos anos quando eu era um duro, não tinha um tostão para fazer coisa nenhuma e me lembro com carinho de cada um desses momentos, quer dizer, foram momentos de extrema riqueza onde o dinheiro nunca foi a coisa mais importante. Eu fiz coisas ali que hoje  quando eu olho para trás eu tenho uma baita inveja, eu tenho até a grana suficiente para refazer aquilo tudo mas nunca mais terei o contexto onde eu estava naquela época e que me ajudou a crescer barbaramente, quer dizer, não era o dinheiro e parece que de lá para cá a coisa mudou muito, quer dizer, hoje em dia um moleque com vinte anos, na cabeça dele é a grana para poder pagar a balada de 250 pau a entrada, mais o não sei o que, o tênis de 700, 800, não era assim quando eu era moleque.

Gustavo         Não, a gente usava muito mais a cabeça, na verdade a criatividade para fazer coisas que a gente queria fazer dando um jeito de, ou entrar mais cedo na balada, ou pular o muro, ou fazer com vários amigos para conseguir o desconto, que hoje está uma coisa mais que eu vou impor o meu poder. As pessoas estão deixando de ser autênticas, na verdade.

Luciano          Você acha que a culpa disso é do capitalismo?

Gustavo         Eu acho que é duma falta de rumo no capitalismo, porque o capitalismo é um modelo econômico muito interessante quando está muito clara, estão muito claras as regras do jogo  para todos. Se um trabalhador que não nasceu em berço de ouro, não tem capital, tiver a consciência que a missão dele como trabalhador é criar riqueza para quem lhe dá oportunidade de emprego, ou seja, ser o melhor possível no trabalho, aumentar lucros, aumentar faturamento, melhorar a relação com o cliente, reduzir custos, quanto mais competente ele for nessa relação, maior será a vantagem de quem lhe dá o emprego, talvez ele tenha pouco a ganhar, se ele não ganhar comissão ele não tem um ganho imediato, mas se nessa relação capitalista ele está, de certa forma entregando aquilo que espera dele, até superando expectativas, ele tende a crescer mais na carreira, mas ele não pode entender a carreira como um caminho de enriquecimento, porque…

Luciano          O nome disso é meritocracia e você é um coxinha.

Gustavo         Olha, eu não sei porque eu sou um coxinha, porque é aquele negócio, eu ralei para conseguir as melhores notas, para entrar na melhor faculdade e depois da melhor faculdade eu ralei nas entrevistas, na criatividade para conseguir o trabalho e como eu falei no começo do nosso papo, eu ralei para resolver problemas de quem me deu emprego para crescer, ascender na minha carreira.

Luciano          Sempre agregando valor.

Gustavo         Sempre agregando valor, agora…

Luciano          Se eu não agrego valor para você, eu não posso esperar que você me dê valor.

Gustavo         … exato, agora, como que essa conta fecha, porque se a minha missão como trabalhador é agregar valor a quem me deu emprego, quem me deu emprego tem capital, então a missão de quem não tem capital é aumentar o capital de quem tem, a resposta é: sim, e eu tenho que ter clareza em perceber que essa oportunidade de emprego é a chance que eu tenho do muito ou pouco que eu ganho, reservar uma pequena parte e ir criando meu capital até chegar uma hora que alguns chamam de aposentadoria, que eu odeio esse conceito de aposentadoria, de formalmente parar de trabalhar, mas em algum momento eu deixo de trabalhar e vou usar o meu capital para empreender ou para ser sócio em empreendimento, ou para aplicar em fundos que se tornam sócios de empreendimentos mas eu ponho meu capital para trabalhar e pessoas mais jovens que eu, que não tem capital assumem o papel de multiplicar o meu capital, isso é capitalismo para mim.

Luciano          Você tem certeza então que a desigualdade social não é o problema, o fato de haver ricos e pobres e gente cada vez mais rica e continua tendo gente muito pobre, esse gap, essa diferença de um para outro não é o problema?

Gustavo         Eu não vejo problema em diferença de ganho, eu vejo problema em diferença de educação. Se todo jovem que for educado para perceber que a fortuna, ou o pequeno patrimônio que seus pais tem não são dele, mas são  dos pais e que ele tem a missão de acumular a sua fortuna ao longo de uma carreira de trabalho até que tenha capital para chamar outros jovens para aumentar a sua riqueza, essa orientação para uma carreira empreendedora, essa orientação mais liberal para você agregar valor á sociedade, ela é fundamental. O exemplo marcante, amplamente discutido é a Coréia do Sul que com educação transformou um país que era um nada, que era um país que não tinha resultado, não tinha riqueza, uma desigualdade muito grande, um país que pôs suas crianças na escola por dezesseis horas por dia, já que as famílias não estavam preparadas para fortalecer uma educação referências que transformariam o país e a Coréia se tornou a potência que é hoje com disciplina, com educação, com referências, com uma certa pressão sobre sua população no sentido de fazer esse conhecimento se transformar e criar valor para a sociedade.

Luciano          Eu queria que você repetisse devagarzinho agora que é para o pessoal saborear bastante um trechinho que você acabou de falar ai sobre essa consciência do jovem sobre o patrimônio dos pais e o papel dele, repete por favor.

Gustavo         Vamos lá. Se eu tiver que repetir cinquenta vezes, vou falar cinquenta vezes. Uma boa educação é aquela que deixa claro para os mais jovens, não importa se nasceram em berço de ouro ou não, que eles tem uma missão de acumular o seu patrimônio, ou seja, se o pai tem moradia, se tem fazenda, se tem apenas o necessário para se manter, não importa, a missão do mais jovem é trabalhar para aquele mais experiente, para aquele dono do capital que tem mais idade enquanto ele tem oportunidade de acumular aos poucos o capital dele, que lá na frente vai significar o seu projeto empreendedor, o dinheiro do qual ele vai viver, num capitalismo perfeito. Os mais jovens sem dinheiro, mesmo que nascidos numa família com dinheiro, mas os mais jovens que não tem o próprio dinheiro, trabalham para enriquecer os mais ricos até que tenham acumulado um capital para que outros mais jovens possam multiplicar o seu.

Luciano          Quer dizer, o papel dos jovens não é gastar o patrimônio dos pais?

Gustavo         De forma alguma, eu acho que até o papel dos mais jovens é entender maneiras de dar continuidade ao processo de formação de riqueza que seus pais construíram. Se a gente for ver a economia norte americana, tem um modelo fantástico, existe o modelo da acumulação, pelo menos existia até os anos noventa do século passado, quando começou crise do subprime, aquela bolha tudo. Mas lá se incentivava a previdência, incentivava a poupança, o acúmulo do certo patrimônio para que você tivesse uma boa nota de crédito para ter acesso ás taxas de juros prime. Pouca gente conseguiu conectar todos os pontos mas a crise do subprime foi quando disseminou-se nos EUA a ideia de que não é preciso mais se esforçar para ter uma boa nota de crédito, para então ter acesso às oportunidades. Você pode se endividar com a taxa subprime e criar resultado nos imóveis, que isso vai encurtar caminho para enfim, quando os imóveis pararam de valorizar quebrou o sistema todo e perdeu-se aquilo que no século passado funcionava muito bem, que era um processo de acumulação em que no final da vida ninguém estava preocupado em terminar a vida gastando tudo o que ganhou. A  preocupação era deixar para seus sucessores um patrimônio, que esses sucessores fossem preparados para continuar crescendo em patrimônio e mesmo com aquele sistema de tributação sobre a herança de 50% do patrimônio, boa parte da arrecadação ali do estado vem disso, o que ficava de uma geração para outra era um bom dinheiro, então quando você via aquele sonho norte americano, aquela casona, assim cerquinha com bandeirinha tremulando no teto, dois carrões parados na porta,  boa parte daquilo é fruto do crédito que aquela família tem, mas o crédito tem a ver com o histórico que os pais daquela família, os avós daquela família acumularam no sistema financeiro para gerar uma taxa de juros baixa, todo um fanding para aquela operação que a população sabia acumular já olhando para o lado do Brasil. A gente não vê acumulação, quem poupa já poupa fazendo contas do quando vai consumir nos vinte, trinta anos de aposentadoria e não fica nada para a geração seguinte. Então essa ideia do poupar para imaginar quando eu começo a consumir, tem um certo equívoco ai, eu acho que o ideal é formar um patrimônio e formar uma renda que possa me sustentar pelos dez, quinze, vinte ou quem sabe  quarenta anos pós carreira. Eu não sei exatamente quanto tempo eu vou viver, minha preocupação hoje não é construir um patrimônio, de forma alguma, é fazer o meu patrimônio crescer até meu último dia de vida para que minha renda também seja crescente, a renda que vem do meu patrimônio, espero que meus filhos continuem nesse processo, é para isso que a gente educa, para que não se crie nenhum tipo de deslumbramento com relação ao número que se tem poupado ali, que não é um número pequeno mas vamos entender que qualquer brasileiro pode entrar nesse processo. Se hoje orientar para uma pessoa que está na vida ativa que para se aposentar com uma renda de dez mil reais ela precisa ter um patrimônio de dois milhões de reais acumulados, muitos brasileiros vão falar puxa, mas não é a minha realidade, eu não vou conseguir nunca ter dois milhões de reais que vão gerar uma renda de  dez mil na aposentadoria. Ótimo, será que você sabe que com um patrimônio menor, talvez trezentos mil, duzentos e cinquenta mil, mais um conhecimento empreendedor, um preparo para você montar sua atividade, será que você percebe que você também pode conseguir dez mil reais por mês na sua aposentadoria, pondo para trabalhar um capital bem menor desde que você tenha estratégia para isso? Essa educação nos falta, educação pós carreira, educação que convide para uma segunda, uma terceira, uma quarta carreira que permita ter uma renda crescente ao longo da vida.

Luciano          Você falou ai a palavra chave desses anos que nós vivemos agora que é a tal de empreendedorismo, porque a gente… outra que nunca se falou tanto como se fala hoje em dia, a gente sabe que tem o empreendedorismo que está no sangue da pessoa, tem o outro que vai empreender porque perdeu o emprego e não tem o que fazer, são duas situações totalmente distintas uma da outra, quando você pega essa falta da cultura financeira que nós temos como indivíduos para cuidar do nosso patrimônio e traz isso para esse mundo do empreendedorismo e das empresas e o último número que eu vi é um negócio absurdo que 95% das empresas quebram em 5 anos, o cara abre e quebra…

Gustavo         Voltamos ao passado.

Luciano          … abre e quebra em 5 anos. Como é que você acha, o que é reflexo de quê? Esse empreendedorismo de quem não tem cultura financeira é reflexo da falta da cultura financeira do indivíduo na família, são regras que não são obedecidas, é o mercado que não deixa, é o banco que é maldoso, as taxas de juros, o que… como é que esse jogo é composto?

Gustavo         Nós já falamos de falta de transparência. O nosso sistema financeiro ele traz resquícios de um passado paternalista, machista em que o homem ganhava dinheiro, a mulher não participava de forma alguma, bom, mas o mundo inteiro era assim há um século, só que nós no Brasil mantivemos uma tradição de simplesmente não se conversar sobre dinheiro, enquanto, voltando ao sistema norte americano, você passa um cartão do seu social security number lá, o seu CPF num caixa da Sears, do Walmart, já aparece a sua nota de crédito, se o caixa for minimamente esperto ele sabe que com base na sua nota de crédito ele tem uma noção de quanto você ganha por ano, pode ser quarenta, cinquenta, sessenta, cem mil dólares por ano. Então, numa conversa falar o quanto você ganha por ano ou falar o crédito score que você tem é algo corriqueiro, algo que tem uma certa transparência que no Brasil você tem exatamente o contrário, é o shine is wall da companhia de cartões do seu banco que não conversa com a sua conta corrente, que  não conversa com a financeira do seu banco que empresta dinheiro, tudo muito isolado por risco de se perder informação, de fraude, etc, então nesse não se conversar sobre dinheiro…

Luciano          De novo a cultura da desconfiança.

Gustavo         … da desconfiança, exatamente. As decisões que nós tomamos sobre dinheiro são decisões ás vezes mal pensadas. Não sei se você teve a chance de conversar com amigos seus, numa cerveja por exemplo, algo tipo vou tomar um financiamento e não sei se vou pela a tabela sac ou tabela price, o banco me cobra tanto e eu tenho duzentos mil para dar de entrada, poucas pessoas tem esse privilégio de poder conversar, então a conversa vai meio que puxa, todo mundo compra casa, todo mundo financia, chegou a hora de comprar a minha, vou comprar também financiada, e as pessoas erram, só que elas aprendem com os erros. Eu não posso dizer que o brasileiro é totalmente ingênuo a ponto de não saber aprender, então o aprendizado existe, só que o aprendizado que acontece na prática, se você for procurar um carro para comprar com uma pessoa de mais idade, é um processo muito mais cansativo porque ele não vai comprar sem ler contrato, vai pesquisar em duas, três lojas e vai levar para a casa para pensar e o jovem é muito mais impulsivo, ele quer tomar a decisão rápido, porque para ele pesa mais o consumo do que a reflexão financeira, mais o status. Então esse aprendizado que acontece na prática é caro e acontece tarde, acontece na vida pessoal, acontece nos negócios também. Quem empreende hoje, empreende não porque passou 15 anos planejando, empreende porque perdeu o emprego por causa da crise, então o empreendimento por necessidade, é empreendimento do salve-se quem puder, de repente surgiu a oportunidade, eu tenho algum dinheiro, paga essa conta e ele na prática vai aprender sobre negociação, sobre liderança, sobre a logística do seu negócio e a tendência é que ele erre, porque errar faz parte do aprendizado, mas muitos que começam negócio próprio agora estão com pouquíssima margem de erro, às vezes tem um plano de demissão voluntário, põe 100 mil na mão da pessoa e a pessoa está montando uma franquia de 75 mil reais, uma margem muito pequena para dar fôlego para o negócio, então isso faz com que o pouco que as famílias tem perca-se numa iniciativa empreendedora, cria-se frustração, cria-se dependência do governo ou dos filhos. Então, essa cultura do não falar sobre dinheiro faz com que o empreendedorismo seja muito mais frágil, enquanto lá, estou insistindo na cultura norte americana, mas os europeus fazem a mesma coisa. Os suíços por exemplo, assim como o americano ensina o fiho a vender limonada, o suíço ensina o seu filho a preservar as tradições, a entender sobre a construção dos relógios e a produção do leite, do chocolate e etc, o que é foco para o seu país tem que ser objeto de estudo e de prática dos alunos desde cedo. Nós não temos isso, então para o Brasil, um país endividado, um país pobre, um país desigual, deveria ser algo massivamente trabalhado nas escolas a tal da educação financeira, nós não temos, ah vem na forma de curiosidade, semana de educação financeira, ah uma barraquinha de frutas, são coisas bacanas mas nosso filho, nossas crianças sabem negociar, sabe ler um contrato, sabe  identificar uma cláusula leonina, estelionato, será que ele sabe as pegadinhas de tomar dinheiro emprestado na forma de financiamento versus empréstimos?

Luciano          Eu que tenho sessenta anos não sei pô.

Gustavo         Aí é que está, não fomos trabalhados. Você aprendeu aula de português para ver onde coloca crase, mas onde é que estão as pegadinhas das palavras num contrato?

Luciano          Você já levou algum tipo de proposição para esse tipo de ensinamento ser colocado no currículo brasileiro, de alguma forma você já fez alguma coisa, já tentou bater em algum lugar?

Gustavo         Já, isso desde o meu terceiro livro que chamava “Filhos inteligentes enriquecem sozinhos” depois se tornou “Pais inteligentes enriquecem seus filhos”, eu falo que falta educação financeira, tem que ser trabalhado, muitas pessoas entraram nessa área justamente tentando construir algo nesse sentido, existem alguns especialistas que fizeram muito conteúdo, principalmente conteúdo paradidático de qualidade, aquele que complementa a educação para as escolas, mas acho que falta uma iniciativa de governo mais parruda, nós temos a ENEF, a Estratégia Nacional de Educação Financeira, vários órgãos de governo da sociedade civil que se organizaram para compor um modelo, criou-se o modelo, criou-se material, mas não tem liderança que divulgue, que promova, que treine professores para adotar aquilo, então  governo tem material pronto sobre isso mas que simplesmente não avança.

Luciano          Que está parado onde? No ministério da educação? Onde é que está parado isso?

Gustavo         Olha, aí é que está, você pergunta quem é o culpado? O ministério da educação não é dono, o ministério da previdência não é dono, o ministério da fazenda não é dono, o Banco Central não é dono, Bovespa não é dono, mas todos esses são participantes do projeto. Não há acordo, não há um interesse de formar um líder, ou um líder rotativo, alguém que leve isso adiante, então é algo muito bem feito, está disponível, se você tem uma escola você consegue baixar gratuitamente as cartilhas do governo, mas que não há sistema preparado para colocar aquilo em prática, falta uma liderança mesmo.

Luciano          Você levanta uma outra questão que eu acho que também está na base dos problemas que o Brasil enfrente hoje, a gente não consegue diferenciar o que é urgente do que é importante nesse país aqui.

Gustavo         Exato, na verdade urgente é ser eleito na próxima eleição, a única coisa.

Luciano          Se você for ver a pauta de discussões do país, estão discutindo… eu não consigo me conformar o tempo que se perde discutindo se um menino que acha que é menina pode ou não entrar no banheiro feminino.

Gustavo         Aí é que está.

Luciano          E ninguém discute essa questão da educação financeira que é fundamental, até para dar base para essa discussão lá no futuro e nós estamos gastando um tempo tremendo discutindo esses temas, eu não quero aqui dizer que ah, isso não é importante, isso não é importante. Cara, desculpe, eu acho que isso está num grau de importância menor do que coisas que são muito mais acima, eu não quero discutir, primeiro a questão da sexualidade, eu quero discutir a dignidade do ser humano em primeiro lugar. Para isso eu tenho que tirar as pessoas da miséria, para isso eu tenho que dar educação para as pessoas e depois que tiver isso mais ou menos resolvido, eu vou tratar, num segundo momento, de problemas que podem ocupar o espaço de programas importantes.

Gustavo         Na verdade essas questões que tem a ver com preconceito, com valores pode ou não pode, isso a própria sociedade se resolve quando ela tem maturidade, quando tem educação, nos não estamos preparados para o debate…

Luciano          Nem para o debate.

Gustavo         Recentemente houve aquela votação lá no congresso sobre o impeachment, os argumentos do porquê que se votava sim, votava não, uma coisa rasa, vê que não tem um propósito claro, os palhaços e figuras que são eleitas, são eleitos porque são populares, as pessoas não sabem em quem votar, então elas não esperam que um representante seu realmente faça alguma coisa numa assembleia ou no congresso, então de novo é a falta de educação financeira, a educação como um todo. Desculpa, mas que tem um pouco de intenção aí de manter esse status quo ai, a gente vive numa realidade aqui em São Paulo que a gente sabe que existe um debate, existe até um certo conflito de ideias, mas quando a gente viaja pelo interior do Brasil não se entende porque que a prefeitura é feita de mármore e a escola não tem sequer duas paredes? Por que essa desproporção, por que transformar um prédio público num palácio se ainda não tem um posto de saúde, uma escola? E aí você vê que aquilo, de certa forma, mantém uma tradição de o prédio público é…

Luciano          De ignorância, é uma tradição de ignorância.

Gustavo         … de ignorância que é bom talvez manter o povo num certo grau de sofrimento quando você faz o povo passar fome, na eleição você dá cesta básica e ganha o voto. Eu, por exemplo, o tempo que fiquei na Alemanha, fiquei encantado com a malha ferroviária da Alemanha, por que que faltam trens no Brasil? Porque que falta metrô numa cidade como São Paulo? A questão é que quando uma cidade a 25 quilômetros de Frankfurt eu queria pegar um trem, de repente esbarrava na estação de trem porque eu via uma plaquinha ali que era uma plataforma de cimento, uma coberturinha e o trem parava ali e aquilo era uma estação, para construir o metrô em São Paulo tem que fazer um palácio com seiscentos caminhões de cimento, com cinco andares para cima do solo e mais seis para baixo, aquela construção nababesca lá não tem porque ter tudo aquilo, aquilo é símbolo, é a construtora que faz mais bonito, então aquela coisa colorida, com cores de governo…

Luciano          E dá pra cobrar muito mais…

Gustavo         … dá para cobrar muito mais. Então você viu que quando tiveram que inaugurar shopping center e faltava uma ponte, a ponte nasceu em três meses com custo de dez milhões de reais, mas quando é planejado pelo governo vai ser cento e cinquenta vezes mais caro e vai demorar dois anos.

Luciano          Eu tive em Mato Grosso fazendo lá vinte palestras no interior do Mato Grosso e conheci várias. Aquilo é encantador, aquilo devia estar… eu cansei de falar devia estar no currículo, ninguém podia se formar na escola sem passar uma semana no Mato Grosso conhecendo o agronegócio e ali eu visitei duas obras, duas estradas sendo feitas, uma delas pelo governo e a outra sendo feita por um pool de fazendeiros. Uma custava trezentos e cinquenta a outra custava mil e duzentos o quilômetro e você vai olhar é a mesma coisa, qual é a diferença? Numa tem a mão peluda na outra não tem a mão peluda e os caras fazem e conseguem fazer mais barato. Cara quanta obviedade, nós estamos falando de obviedades e é isso que me deixa enlouquecido porque se é tão óbvio, cadê, o que é que falta, e eu vou voltar para a raiz do programa, o começo do programa: cadê os líderes capazes de pegar essa obviedade e falar meu, para com essa palhaçada toda, vamos voltar ao b a ba, back to te basics, vamos começar de novo, bom dia, boa tarde, tudo bem? Eu vou bem, por que não, o que falta para isso começar? Cadê a escola onde se ensina isso?

Gustavo         Olha, nós estamos ensinando aqui, a partir do momento que Gustavo Cerbasi, Luciano Pires, nossos amigos, nossos parceiros assumem a responsabilidade. Você investiu um patrimônio aqui para ter o seu estúdio, para gravar  o podcast, os vídeos,  tal, você poderia ter sido seduzido por puxa, você tem uma boa voz e uma boa abordagem pública, por que você não entra para um  partido, por que você não  vai defender suas ideias? Você está caindo num sistema que já funciona mal. Quando nós assumimos uma liderança e quando nós trazemos o nosso público com a gente, de certa forma é o que está faltando para a sociedade, eu tenho orgulho de dizer que quem leu meus livros há dez, doze, treze anos, deixou de ser um poupador de poupança e usuário de cheque especial para hoje estar aplicando em LCA’s, LCI’s, em títulos públicos e usar financiamento mais barato quando usa e que há um trabalho imenso a ser feito na minha área para alcançar pessoas que há pouco tempo tem acesso a banco, há pouco tempo tem acesso a um mundo mais formal do dinheiro. Eu acho que se cada um na sua área de trabalho lembrar que existe algo a ser feito para o seu ganha pão, sua rotina para manter sua família, para o seu trabalho continuar e que existe algo adicional a ser feito para continuamente alcançar cada vez mais pessoas, que se eu não s ei fazer, vou procurar quem sabe, vou procurar uma ajuda de unir forças. Essa sociedade civil que tem que se organizar apesar ou a parte do governo, não contar com o governo, porque tem vícios muito grandes e não tem a ver com partido ou com quem está ali no governo mas vícios nessa maneira de conduzir a coisa pública. Essa  sociedade civil mais organizada tem que se fortalecer, me surpreende porque que elementos já organizados da sociedade civil, os Rotary’s e Lyon’s e condomínios de grande porte, igrejas, por que que não se mobilizam mais? Mbilizar no sentido, não é eleger alguém para por lá no governo, mas vamos organizar aqui para que um do nosso grupo seja responsável por ligar a cada dez, quinze dias e cobrar para a  prefeitura para que se tampe os buracos na rua, se ligar toda semana vão tampar buraco, para que se mantenha as árvores, para que se desentupa os bueiros, para que se verifique a qualidade da água, para que se verifique a estabilidade do fornecimento de energia…

Luciano          Veio uma garotada de Cáceres no Mato Grosso, eles vieram para cá, eles usam o podcast Café Brasil em sala de aula, iniciativa de uma professora, da Milena e eles vieram para São Paulo e a gente fez uma reunião aqui, eu fui conversar com eles no hotel, a gente batendo papo etc e tal e lá os meninos falando, uma garotada de quatorze, quinze anos, pô não sei o que, eu falei por que vocês não estão se interessando? Falei vocês já pararam para pensar que se vocês se reunirem em trinta, quarenta e forem até a prefeitura, vocês conseguem tapar o buraco da rua de vocês pela pressão que vocês com quatorze anos podem fazer, já passou pela cabeça de vocês que isso pode acontecer? Que não é um sozinho tacando pedra lá, mas são trinta, quarenta indo lá para levar alguém para ver  o problema e pressão popular e a garotada não se toca que essa coisa possa acontecer e aí, portanto, vão esperar que o governo aja e não vai agir. Deixa eu passar agora a responsabilidade pro colo de quem nos ouve aqui, que você falou um negócio importante que é o seguinte, quer dizer, se eu não tenho na escola tradicional esse conteúdo que eu necessito, se eu não tenho dos canais do estado esse conteúdo que eu necessito, se eu ligo a televisão e não tem o conteúdo que eu necessito, mas esse conteúdo existe no trabalho do Gustavo Cerbasi, no trabalhinho do Luciano Pires, no trabalho de tanta gente que está ou escrevendo livro ou fazendo programa etc e tal, isso tudo leva a responsabilidade para o colo de quem vai escolher procurar essa turma. Então eu não cheguei em casa e ligo a televisão e o Cerbasi cai no meu colo, isso não existe, para encontrar o Cerbasi eu tenho que ir atrás dele, portanto há uma responsabilidade minha, eu quero me ilustrar nesse assunto, portanto eu vou procurar e esse procurar o Cerbasi, ler um livro do Cerbasi não é igual a ler o livro “Cinquenta tons de cinza”,  eu não fui ler alguma coisa para passar meu tempo, me divertir, eu fui ler alguma coisa para estudar, então há um lance ai do estudo fora do estudo formal da sala de aula que com essa maravilha tecnológica de hoje está ao alcance de todo mundo. Qualquer pessoa pode ter acesso a um curso que mude a sua vida completamente amanhã de manhã, bastando teclar duas ou três coisinhas, mas ela tem que procurar, ela tem que sair atrás e tem que buscar aquilo e falar o seguinte, muito bem, essas duas horas que eu ia dedicar à novela e ao filme hoje a noite na rede globo ou no SBT, eu vou dedicar a assistir aquele vídeo que o Cerbasi botou no ar, porque aquilo vai me abrir alguns insights e nessa hora a pessoa está estudando, então ela trocou um entretenimento de baixaria da televisão por algumas horas de estudo e botar na cabeça dela alguma coisa que não tem preço,  isso que entrou não gasta mais, entrou na cabeça compôs o repertório intelectual, nunca mais vai se perder.

Gustavo         Sem dúvida, você tocou alguns pontos interessante, primeiro ponto, eu não assisto novela há uns dez anos pelo menos, não sei nem nome de artista. Participo de vez em quando do programa da Fátima Bernardes, às vezes eu estou do lado do pop star do momento e não estou sabendo porque não é a minha praia, mas eu não só seleciono muito bem o que eu assisto, como eu tento envolver meus filhos, menos os filhos pequenos. Então olha, olha que interessante que esse cara fala, sabe que tem a ver com o trabalho do papai, olha o que ele fez para chegar a ter essa ideia, que vida maluca que ele teve, as crianças no começo resistem um pouquinho, mas um pai, uma mãe que olha para o filho, que dá atenção para esse filho e que tem olhos nos olhos mesmo, começa seduzir essa criança para uma educação que nunca vai ter na escola. A gente falou da Coréia, dezesseis horas de aula por dia, o Brasil não vai ter dezesseis horas de aula por dia nós próximos cinco, dez anos com certeza. Mas, eu posso fazer com que o meu filho seja mais curioso, seja mais envolvido. Recentemente até meu filho lá com a ideia de que quer comprar um telefone porque ele está numa fase de jogar lá os joguinhos de Minecraft, as coisas criativas com os amigos dele, meu filho de nove anos criando canal no Youtube. Ele quer um telefone, não é simplesmente para farrear, minha missão hoje, todos os dias eu acordo pensando o que eu vou fazer para dar um toque para o Guilherme de uma maneira dele fazer algum dinheiro, uma oportunidade, um negócio empreendedor, um toque para os negocinhos que ele já criou ali, para juntar o dinheiro que ele quer para comprar um telefone mais complexo, enquanto muita gente acorda falando hoje vou emagrecer, hoje eu vou comer direitinho, hoje vou praticar meu exercício, ou sei lá, está cultivando um certo narcisismo aí que pô, talvez a mídia pregue muito bem, a minha preocupação pô, deixa talvez minha barriguinha para um segundo plano mas eu acordo todo dia com a missão de dar o exemplo para os meus filhos.

Luciano          E de deixar o cérebro tanquinho.

Gustavo         O cérebro tanquinho. Mas uma coisa é consequência da outra, quando você está bem de cabeça as outras coisas acontecem, quanto das pessoas não aumentam de peso, não comem mal por simples ansiedade ou não sabe rque rumo está levando na vida ai, então as pessoas estão vivendo mal e estão pagando um preço alto por isso.

Luciano          Vamos caminhar para o final meu amigo, duas coisinhas, primeiro uma provocação, o meu, você tem dinheiro para dar o telefone para o teu filho, por que você não dá o telefone para ele?

Gustavo         Olha, porque eu não quero dar um mal exemplo para o meu filho, porque ele tem regras para ganhar o que ele ganha, ele pode pedir presente de aniversário, a gente coloca umas situações do tipo, filho, você quer o telefone ou você quer aquela festa de aniversário num lugar que receba um monte de gente? Para minha alegria, meu filho falou agora em março: pai, eu quero meus amigos na minha festa, ele não fala pelos presentes, mas a festa que eu jogo futebol com meus amigos, que eu recebo todo mundo para mim é muito importante, então pondera-se e eu sugeri a ele que papai e titios e todo mundo fizesse uma vaquinha e comprasse o telefone, você não tem noção da minha alegria quando a reposta dele foi eu quero que na minha festa meus amigos estejam aqui me abraçando para comemorar comigo, então ele preferiu o caminho do comprar, quando nós viajamos, mesma coisa, costumamos ir uma vez por ano para algum lugar fora do Brasil, até pouco tempo atrás era Estados Unidos agora a gente começa a mudar o foco para outros lugares, mas ele  sabia que era muito mais vantajoso comprar alguma coisa nos Estados Unidos, então ele pedia de aniversário e natal, dólares para os tios porque ele sabia que os Legos e brinquedos que ele gosta lá nos EUA custavam muito menos, que não valia a pena ele pedir aqui no Brasil. Isso foi uma educação financeira que a gente trabalhou simplesmente conversando muito, por que que a gente não compra aqui? Porque comprar lá… o pai e a mãe do Guilherme, da Gabriela e da Ana Carolina não vão ao shopping o tempo todo, não tem essa compulsão por consumo e a gente está conseguindo comunicar isso para os filhos, eles entenderem que tem a hora certa de ganhar, por enquanto o que a gente faz é emprestar meu telefone para ele e aí tem umas situações em que os amigos se reúnem para testar o canal no Youtube, jogar as coisinhas lá e que o pai fica quatro horas sem telefone enquanto o filho está aproveitando lá, mas é um aprendizado também.

Luciano          Legal. Então meu amigo, vamos aqui partir para os finalmentes. Quem quiser ter contato com o teu trabalho, evidentemente é só chegar na livraria e achar os livros do Gustavo Cerbasi, mas eu queria uma coisa um pouco mais, chegar me você, você está no Facebook, você está aonde?

Gustavo         Olha, o meu canal principal seria o meu menu para chegar aos vários canais é o site maisdinheiro.com.br, os meus canais de interação com o público, eu uso muito as redes sociais até porque estou em trânsito, não dá para ficar atualizando o site o tempo todo, então o Facebook é o Gustavo Cerbasi oficial, estou no Instagram e no Snapchat como Gustavo Cerbasi e no Twitter, @GCerbasi, mas o principal canal o Facebook ainda é onde estão todas as novidades, agenda, artigos novos e no DM na mensagem direta e pessoa acaba me acessando.

Luciano          Maravilha. Meu amigo, muito obrigado pelo tempo que você dedicou aqui, olha você faz um trabalho que tem uma dimensão social que, pelo que a gente fala, eu acho que você tem consciência disso, a dimensão social do trabalho que você faz, que não tem a ver com vender livro, com ganhar dinheiro dando consultoria financeira, nada disso, tem a ver com mudança cultural no país, infelizmente não é muita gente que está fazendo isso e que tem o sucesso que você tem, a visibilidade que você tem. Então é um orgulho ter você aqui comigo, ver essa tua visão, ver a humildade que você tem, o jeitão sem frescura de falar e tudo mais, muito disso tem a ver com aquela consciência da auto ajuda que você falou logo no começo, se é para interagir com as pessoas, eu vou interagir de uma forma fácil para que elas me entendam e não é porque eu sou raso, é porque eu tenho como missão simplificar as coisas que todo mundo complica lá fora para que as pessoas entendam que possam fazer as suas escolhas, então muito obrigado pela presença.

Gustavo         Eu que agradeço a oportunidade, Luciano, como você falou no começo, são dez anos aí que a gente se conhece, que a gente vem trocando experiências. Com certeza você serviu muito de referência para o meu trabalho também e é gratificante ver que vidas são transformadas, que as pessoas quando vem, dão um abraço e dizem que mudaram de vida ou porque leram, ou porque ouviram uma frase às vezes no rádio, isso faz com que cada dia seja um recomeço, eu posso hoje talvez dizer um não, não posso atender uma pessoa, mas também eu penso que cinco minutos meus podem mudar a vida inteira de uma pessoa, é isso que acaba movendo o meu trabalho e que serve de argumento para os meus filhos, para a minha família. Temos muito a fazer, até porque se eu parasse de trabalhar hoje eu ganharia mais dinheiro administrando meu patrimônio com investimentos do que aquilo que a gente ganha no dia a dia, nos custos que a gente tem, mas é muito interessante perceber que o Brasil dá para ser um país muito melhor do que é, pela qualidade do capital humano, pela riqueza natural que o país tem que não sofre com desastres naturais que destroem riquezas, a riqueza só vai para as mãos erradas, eu acho que a gente tem que trabalhar a consciência das pessoas de que se estamos ruins de governo e governo em  todos os níveis, que pratiquemos mais o auto governo, de governar nossas vidas e buscar conhecimento e transformar as nossas vidas e não depender de alguém para cuidar do nosso futuro, isso tem a ver  com dinheiro mas tem a ver com liberdade de escolha, pessoas bem educadas escolhem melhor e que bom…

Luciano          Capacidade de julgamento e tomada de decisão, que tem a ver com outro livro teu que eu vou trazer você de novo e nós vamos falar sobre ele, grande Gustavo. Muito obrigado.

Transcrição: Mari Camargo