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Luciano Pires -

apoio dkt

Luciano          Quem é Paulo Rabello de Castro?

Paulo             Paulo Rabello de Castro é um sonhador que tem sonhado um Brasil bem diferente do atual, mais respeitador do cidadão que contribui para esse país que tenta crescer à noite enquanto o governo atrapalha durante o dia, não é mesmo? E esse sonhador que está aqui tem, durante muitos anos se dedicado a primeiro, estudar, conhecer melhor como é que funciona a economia brasileira, como é  que funciona a sociedade brasileira, quais são os anseios dessa sociedade, como é que ela se organiza para poder, com muita humildade, dizer olha gente, que tal por aqui? Que tal por lá? Isso a gente faz para ganhar algum din din para os clientes que são desde grandes empresas a algumas instituições financeiras, eventualmente a gente avalia, analisa os riscos de  crédito de instituições no  mercado financeiro, tudo isso faz parte dessa arquitetura mais sofisticada que é a economia monetária, economia do crédito e no campo maior, mais amplo, a gente, através do Instituto Atlântico, sem retribuição financeira mas com muita vontade de acertar a gente, patrioticamente, se dedica a apontar caminhos, é o que  a gente tem feito nos últimos 20 anos com o chapéu do Instituto Atlântico.

Luciano          Então Paulo, você falou umas coisas legais ai, você botou numa mesma frase “sonhador”, “cidadão”, preocupado em fazer alguma coisa acontecer, você é economista, tua formação é economista?

Paulo             Sou economista. Na realidade minha formação é de economia e direito, eu fiz esses dois cursos simultaneamente porque são dois cursos associados, aliás, no curso de direito há uma cadeira de economia política, para quem não sabe, ou pelo menos havia na época em que nós cursamos e há uma cadeira de direito para conhecimentos gerais jurídicos para economia, são duas ciências que são muito atreladas à sociedade e aí, partir daí se abre toda uma vocação que supostamente, quem vai por aí, tem de relacionar com o destino da sociedade, porque nós nos organizamos, o que nós queremos? E o Brasil não é muito bom nisso, fora futebol, samba e algumas outras cositas que as principais emissoras nos sugerem como sendo nosso imaginário, é como se o Brasil não tivesse um imaginário próprio, é próprio das culturas mais sedimentares ter o que mais sofisticadamente o pessoal chama de interesses nacionais, aqui durante um período, a era militar, por exemplo tinha até uma escola que era a Escola Superior de Guerra que tentava…

Luciano          A famosa ESG.

Paulo             … a famosa ESG, está pouco divulgada, nem sei se está muito ativa hoje, mas ela procurava estudar esses tais interesses nacionais, isso com a nossa democracia meio de fancaria, ela acabou de se avacalhar, porque essa tarefa na democracia fica muito entregue aos partidos políticos, são os partidos políticos que organizam esse desejo, essa vocação, esse desejar coletivo. Quando os partidos políticos não querem nada a não ser arrumar a casa dos próprios políticos que deles participam, nós temos organização praticamente zero do interesse coletivo, nós temos, na realidade uma esculhambação geral que é o…

Luciano          Que já não é mais partido político, são as escolas de samba políticas, cada uma defendendo o seu lado. Deixa eu só situar a gente um pouquinho mais, então Paulo: você tem formação como economista, na área de direitos também, você está hoje à frente, profissionalmente, você tem uma consultoria isso que atende…

Paulo             Sim, que é a RC Consultores…

Luciano          … na área de economia…

Paulo             … na área de economia, essa sim, ela atende a clientes do Brasil no exterior, recorrem a gente para, primeiro entender o que está acontecendo, número dois, projetar cenários, para colocar as empresas e os negócios bem ajustados, o que pode acontecer com a inflação, com a taxa de juros, com o câmbio e assim por diante e seguida também através da SR Rading, é uma empresa que classifica riscos de créditos e agora vai se associar com outras empresas semelhantes, com gêneros em outros lugares do mundo, Índia, Malásia, vamos formar uma rede internacional de acompanhamento de riscos de crédito, que é algo diferente realmente, as empresas grandes que lidam com essa matéria hoje, são trêsamericanas apenas, portanto o  olhar hoje meio que oficial do mundo inteiro sobre o que é mais ou menos arriscado no mundo econômico financeiro, depende da opinião só dos norte americanos…

Luciano          Dos norte americanos, sim.

Paulo             … e nós gostaríamos de ter uma visão mais plural, mais pontos de observação, é um pouco que nem você chamar sempre a mesma pessoa para ser entrevistada aqui, a partir do quarto programa você acabava, por que? Porque as pessoas estão aqui ouvindo e querendo ouvir…

Luciano          Outro ângulo de visão, outra coisa.

Paulo             … outros ângulos de visão e depois compondo o um ângulo que é o sintético, que é a opinião de cada um, portanto essa rede de agências classificadoras de risco de crédito acho que vai dar uma contribuição grande, então essa é uma outra coisa que a gente faz, o Instituto Atlântico é um instituto de cidadania.

Luciano          Já não é uma ação profissional, é uma ação voltada à cidadania, mas interessante, quer dizer, você vive 24 horas por dia, deve dormir umas 4 horas, 10 horas por dia, você vive então a questão da economia, você vive olhando esse cenário brasileiro o tempo todo, legal. Paulo, o que a gente tem feito aqui no Café Brasil e com mais força, de um ano para cá, é tentar conversar um pouco sobre sociedade, conversar um pouco sobre política, sobre economia e tudo mais, a minha formação é de comunicação, eu sou um cara de comunicação. Quando eu comecei a me meter tentar estudar sociedade no Brasil, política, eu comecei a ver que as coisas estão cada vez mais amarradas uma à outra, por exemplo, eu não consigo discutir política se eu não falar de economia, não consigo discutir economia sem falar de política, sem falar de sociedade, está tudo amarrado, essa coisa de três poderes, os três estão absolutamente misturados, o Brasil virou uma bagunça generalizada e eu acho que o mundo inteiro está mais ou menos assim. No caso do Brasil a coisa é um pouco mais complicada porque nós não temos uma cultura de trabalhar as coisas com começo, meio e fim, causa, consequência, isso aqui aconteceu por causa disso aqui atrás, entrou uma marketagem no meio do caminho, uma politicagem no meio do caminho que hoje quando alguém te fala alguma coisa, você tem que olhar dez vezes, deixa eu ver se eu posso acreditar no que está acontecendo aqui…

Paulo             Correto.

Luciano          … eu imagino o impacto disso num trabalho como o teu, que você está lidando com números, no fundo, no fundo, no fundo, tem número, se um mais um não der dois, alguma coisa está errada…

Paulo             são números, como dizia lá um humorista.

Luciano          … você já ouviu falar numa coisa chamada “contabilidade criativa”?

Paulo             Ultimamente tem sido muito empregada pelo governo.

Luciano          Me fala a respeito disso.

Paulo             Contabilidade criativa é uma maneira de fazer os números parecerem para quem os analisa e que principalmente não sendo do ramo, parecerem eventualmente traduzir uma situação melhor do que realmente ela parece, ou seja, uma empresa que maquia o seu balanço de final de ano para parecer para os investidores ou para os analistas de empresas, que ela vai bem quando na realidade está precisando de caixa, está excessivamente endividada. É uma função do classificador de risco, por exemplo, ir para além dos números, essa criatividade pode vir desde alguma, vamos dizer, maneira esperta de fazer um lançamento contábil, até uma fraude descarada e tem todo um espectro, ou seja, tem todo um leque de possibilidades que vão desde a mexidinha esperta até uma escancarada manipulação. Isso acontece com os países também, o Brasil, ultimamente tem utilizado, vamos dizer assim, ele está ainda no ramo da esperteza passando para a meia manipulação dos resultados fiscais.

Luciano          Era aí que eu queria chegar, quando você faz isso e é legal? Você usa a legalidade…

Paulo             Vou dar um exemplo que qualquer um que está nos ouvindo vai entender, existe uma rubrica do balanço das empresas e também, pessoalmente, do governo, que chama restos a pagar, o próprio nome diz o que é, restos a pagar, alguma coisa que quando chega no dia 31 de dezembro, você já sabia que ia pagar, pode ser até quem te vendeu fiado mas que você não deixou o cheque ou não concluiu o pagamento, então se você tivesse  uma contabilidade doméstica você colocaria em restos a pagar, já está gasto, você já comeu o bife, mas ainda vai ter que pagar a conta, então restos a pagar, em princípio, numa contabilidade séria, não criativa, é sempre alguma pequena despesa frente ao total das despesas de um ano inteiro que realmente passou do 31 de dezembro para o ano seguinte, ou seja, um assunto realmente, vamos dizer….

Luciano          É um resíduo, um resíduo que sobrou…

Paulo             … é um resíduo. Quando o resíduo passa a ser 5% do produto interno bruto, ou seja, uma quantidade bilionária no caso aí, mais de 200 bilhões, nós já estamos para lá da contabilidade criativa, ou seja, nós temos uma série de despesas que vão sendo lançadas e que o governo já aprovou e que eles está deixando para exercitar no ano seguinte como se fosse no ano anterior, então isso já perturba uma avaliação correta e uma gestão eficiente da coisa pública e isso é mau e o Brasil está, por exemplo, fazendo exatamente isso, virou o 31 de dezembro de uma…

Luciano          Com 200 milhões…

Paulo             … 200 bilhões…

Luciano          … 200 bilhões a menos, não impactou no resultado do país no ano de 2013 e dia primeiro de janeiro de….

Paulo             … está contratado que ele começa com 200 bi negativos…

Luciano          … já negativo no dia primeiro de janeiro…

Paulo             … para você ter uma ideia, é um valor mais ou menos parecido com o total dos encargos financeiros que vão ser necessários pagar para rolar a dívida interna inteira do Brasil no próximo ano. Ou seja, não posso dizer que é um caminhão de dinheiro, porque o caminhão, coitadinho… se eu disser um frota de caminhões ainda é pouco para carregar todas as cédulas necessárias para fazer esse pagamento, é muito, muito dinheiro.

Luciano          Impressionante. Isso é utilizado, se você não estiver esperto você vai acreditar no número que aparece naquele balanço, aqui está o balanço, terminamos assim esse ano.

Paulo             Exatamente, o Brasil, o Brasil geral tem feito isso, acho que quem está nos ouvindo deve logo ficar assim curioso, “uai” por que então isso? Para que isso? Porque o Brasil tem uma propensão enorme a gastar demais, não é de hoje, não é só a Dilma, a Dilma está realmente especializada em gastar demais, apesar de ter sido apresentado ao público que ter ganho a eleição em parte como uma fantasiosa ideia de que era uma gerente, uma gerentona, etc e tal, não é que ela não corra atrás das coisas, ela até parece que corre atrás das coisas, mas corre que nem jet ski, para lá e para cá sem nenhuma direção, é esse o ruim, porque os gastos crescem, vem crescendo há uma década. Aliás já vem desde também o Fernando Henrique, ou seja, o Brasil tem só aumentado, ano a ano, o gasto publico acima da capacidade que o cidadão tem de pagar e de financiar isso, porque o gasto sendo público, o governo não produzindo ele mesmo nada, tudo o que ele produz é em decorrência de algum imposto que foi arrecadado.

Luciano          Quer dizer, saiu do teu bolso, saiu do meu bolso, do bolso de quem está ouvindo.

Paulo             É, em geral quem está ouvindo acha que não paga imposto e como os impostos, os tributos de um modo geral são disfarçados dentro dos preços dos produtos, você sai com o carrinho do super mercado achando que comprou produtos para a sua casa, não, você antes pagou tributos e depois levou produtos e é a proporção, é como se o governo saísse com outro carrinho do super mercado…

Luciano          Do teu lado e você bota três latinhas ele tira uma, é isso ai?

Paulo             Não, ele é mais do que uma lata, entendeu? É mais do que uma lata em três, porque essas seriam quatro latas sendo que ele ficou com uma, portanto 25%, a tributação é da ordem de 33 a 35%, então se a gente aplicar no carrinho de super mercado a proporção média de tributação do país, nós vamos chegar a cada três latinhas, ele leva uma, não cada quatro, ele não fica com uma de quatro e você ficou com três, porque no teu exemplo original você ficava com três e ele levava uma.

Luciano          Eu coloquei, eu ficava com duas, ele levava uma.

Paulo             Ah então a conta já estava certa.

Luciano          A cada três ele leva uma embora.

Paulo             É, exatamente. Cada três ele leva uma embora. A conta é um pouco pior porque no Brasil, curiosamente, a classe trabalhadora por causa desses impostos chamados indiretos, ela acaba pagando mais do que o rico, o rico apesar de pagar mais imposto de renda, ele, no conjunto dos gastos dele, ele paga, ele recolhe menos e isso foi comprovado por várias pesquisas, inclusive vários estudos da FIPE, e portanto é mais do que documentado, portanto numa, dependendo do que você compre no super mercado, o seu carrinho pode chegar a quase 40%, é espantoso e se você acende a  luz da tua casa, ali mais de 40% é imposto, se você faz uma ligação telefônica no celular, mais de 40% é imposto, é impressionante.

Luciano          Você, eu não sei se é teu o termo que o Brasil hoje tem um manicômio tributário, é isso  aí?

Paulo             Ele não tem, ele é um manicômio, nós estamos dentro.

Luciano          Não sei se esse termo é teu, esse termo é teu? O manicômio tributário.

Paulo             Eu acho que não tem grande originalidade porque originalidade está em reconhecer que a gente está numa casa de doidos e quando tem muito doido em volta, quem quer que tenha entrado e isso é uma coisa até muito triste na realidade, uma instituição para doentes mentais, a não ser que ela seja muito moderna e já com uma visão muito humanística do processo da alienação mental, ela tradicionalmente é um dos lugares onde a condição humana é mais…

Luciano          Aliena todo mundo.

Paulo             … é mais abjeta e que tende a alienar até os que tomam conta, que vão… Kant dizia um negócio interessante, quer dizer, nunca discuta com um idiota, porque quem está olhando de longe não sabe quem é quem e vai ficar tudo igual.

Paulo             Vai ficar tudo igual, então no manicômio nós vamos e por isso eu insisto muito no conceito, parece um exagero, mas não é. É um manicômio sob todos os sentidos, primeiro porque as regras são totalmente desmioladas, a quantidade de impostos é completamente incompatível com outros países do mundo.

Luciano          O último número que eu vi aqui que tem 50 tributos no Brasil.

Paulo             É mais, na realidade entre taxas diversas e não cito porque seja mais ridículo, mas é para lembrar, taxa de incêndio, a taxa da marinha mercante, disso, daquilo, umas mais, outras menos conhecidas, mas todas elas compondo o custo, o preço das coisas, e está tudo embutido, ninguém vai levar tributo para a casa, todo mundo tenta repassar no preço das coisas, isso são mais de 80, Luciano…

Luciano          Que absurdo.

Paulo             … é computado por juristas como Ives Gandra, ou também o IBPT,  quem entrar no site do IBPT, é www.ibpt, ele vai ter ali uma listagem completa, agora, o mais importante é que no processo produtivo, ou seja, enquanto alguém está tentando fabricar alguma coisa e levar ao mercado, que devia ser fomentado, aplaudido, estimulado, mais de 7 tributos de grandes expressividade entram nesse processo.

Luciano          Em cascata?

Paulo             Em cascata, e isso é manicômio…

Luciano          Ou seja, só explicando a cascata, quer dizer, eu sou uma indústria de auto peças…

Paulo             … já pagou um…

Luciano          … eu pago no aço, eu pago imposto na energia elétrica, no gás, no óleo, etc e tal…

Paulo             … e pagou o IPI e depois o ICMS incide sobre o IPI.

Luciano          … ai eu produzo o produto, na hora de eu vender o produto, esse produto é taxado de novo em cima dos impostos que eu já paguei lá atrás…

Paulo             Exatamente.

Luciano          … e aí vai em cascata, quer dizer, é imposto em cima de imposto, em cima de imposto e no final você tem essa loucura…

Paulo             Imposto sobre imposto e imposto, muitas vezes sem descontar o que já foi cobrado lá. O correto seria em princípio, o ICMS tinha originalmente um desenho que nós queremos resgatar para que volte a ser assim, que é um imposto sobre cada agregação de uma etapa subsequente na cadeia produtiva, dá para fazer direito? Dá para fazer direito, mas aí nós vamos entrar numa outra discussão do manicômio, por que é que existem forças políticas no Brasil que mantem o manicômio e nós lá dentro. E o Brasil é um pouco propenso a manicômio porque ele já viveu um manicômio inflacionário e foi preciso que a gente chegasse aos píncaros da doidera da evolução dos preços. Os mais jovens que estão nos ouvindo já não tem uma ideia muito clara disso, mas eu e você acho que nos lembramos bem do que era…

Luciano          Sarney com 86% de inflação no mês.

Paulo             … de manhã cedo vê um preço do produto no super mercado, de tarde voltar e o preço já estar alterado, não é? Então isso é um manicômio em vista de hoje, pela geração de hoje, é inconcebível, mas nós vivemos um manicômio tributário igualzinho, só que ele está muito bem organizado, os interesses estão organizados, quem manipula isso, quem estabelece as regras como se aqueles que vendem os serviços para explicar o inexplicável…

Luciano          E eu que estou aqui de fora, eu só consigo ver a pontinha do iceberg, porque você fala para mim em tributo, para mim eu vejo 2, 3, 4, 5 que eu consegui enxergar, chega na minha casa um papel que eu tenho que pagar, aqueles eu consigo ver, mas aquilo é a pontinha do iceberg, o que está escondido embaixo é que é o grande problema, são aqueles que eu pago sem saber que estou pagando, pago de forma indireta e…

Paulo             É, e o problema maior é que isso engessa a economia, um empresário que seja obrigado a ficar por conta de organizar-se para pagar 6, 7 categorias tributárias distintas, ele já não faz mais nada. Um pequeno e um médio empresário não teriam nem chance de começar. Aí os políticos vão resolver fazer parte da solução do problema, porque começaram a enxergar que o Brasil estava parando, aí inventaram o SIMPLES, em seguida o SIMPLES nacional, mas o próprio nome trai a ideia do manicômio, por que chamaram de SIMPLES? Porque o resto é complicado, agora a pergunta que eu faço é a seguinte: mas que ideia é essa? Manter o complicado para uns e o SIMPLES só para quem é pequeno e médio? Porque assim que você começa a evoluir na cadeia, na escada que faz você ascender como empresário, você passa do SIMPLES para o complicado e aí no complicado você morre? Que tal fazer o SIMPLES para todos e com alíquotas, sim, com taxações mais leves para quem está começando, mas o processo ser simples para todos, um único imposto, um único tributo, um único lançamento contábil, desde o empresário que endividou até quem está no topo da cadeia, agora, alíquota pode, eventualmente, até variar dependendo da taxação.

Luciano          No tempo que eu vivia dentro do ambiente corporativo, tive uma vez uma reunião daquelas conflituosas, engenharia quebrando o pau com todo mundo, teve um amigo que levantou lá no meio, um companheiro de trabalho e fez uma definição lá que eu guardei comigo para o resto da vida, ele falou o seguinte: “nós estamos nos tornando especialistas em automatizar a pá que recolhe a cagada, ninguém recolhe cagada como nós” agora, não fazer a cagada ninguém discute.

Paulo             Ninguém discute. Era um pouco como a gente inventar e ter elaborado uma técnica sofisticadíssima de correção monetária numa época de inflação galopante, nós éramos mestres nisso, os bancos passaram a ter uma tecnologia, inclusive, técnicas de informática para poder fazer lançamentos de juros ao dia, para ninguém fugir dos depósitos, etc e tal, quando na realidade o que nós tínhamos que atacar não era o nível de sofisticação da tecnologia de manter a inflação e sim montar uma…

Luciano          A razão dela, é matar na razão.

Paulo             … matar a inflação…

Luciano          claro, é verdade.

Paulo             … controlar a inflação.

Luciano          Que talvez seja, eu imagino o seguinte, eu não consigo enxergar nos últimos 30 anos alguma coisa mais importante nesse país do que ter conseguido segurar a inflação, em um determinado momento lá no começo, lá em dois mil….

Paulo             Fundamental.

Luciano          Mil novecentos e noventa e picadinho a gente entra e aqui é complicado até, porque se eu chego aqui e falo para você, olha, quando nós conseguimos implementar o plano real, eu já arrumei 500 inimigos, porque já virou questão política e não é nada disso, é um plano que entrou e conseguiu debelar a inflação e partir daquele momento o Brasil criou condições…

Paulo             Esse plano é já.

Luciano          … e ir para um outro caminho…

Paulo             E principalmente o trabalhador se organizar e mais do que se organizar, resgatar o valor do salário, que, como eu disse, perdia valor da parte da manhã até a parte da noite, ele já não era o mesmo salário, portanto ele ganhou dignidade. Esse trabalhador, pela dignidade da moeda que era objeto do pagamento, portanto no caso dos impostos, antes de a gente estar aqui fazendo uma discussão destrutiva ou niilista, nós estamos aqui chamando atenção para o quanto o Brasil está jogando fora de oportunidades de um crescimento mais organizado, mais leve e mais rápido, em benefício de todos e com o crescimento da renda de todos se a gente simplesmente se organizar do ponto de vista da tributação. Alguém vai estar perguntando, mas que diabos e por que não fazem? Aí vem o outro lado, literalmente, da moeda que é o gasto público, porque como eu disse, o tributo financiou o gasto e o gasto é exorbitante, o gasto tem uma grande tendência ao descontrole, basicamente porque os políticos gastam o que não é deles, então precisa de político muito sério, que quando a gente gasta o que é nosso, às vezes a gente sabe que às vezes a gente vai longe demais no shopping, não é?…

Luciano          E sabe como é duro ganhar aquilo, como é duro ganhar aquilo…

Paulo             … como vai ser duro repor aquilo, a gente compulsivamente acaba gastando, você imagina o sujeito que está gastando o que é dos outros? Embora ele tenha ali uma série de supostas fiscalizações, ele acaba fazendo concessões aos grupos políticos que o apoiaram, ou seja, não estou fazendo nenhuma crítica à maneira como se faz política, mas a política se faz com dinheiro que é gasto e portanto a gastança tende a ser desregrada. Para arrumar tributos e arrancar grana da população para tamanha explosiva a quantidade de despesa que é feita, um tributo só ficaria muito na cara, que aliás é sempre a resposta que me dão para dizer que não dá para ter um imposto, ou pelo menos um imposto sobre a circulação, não dá para ter um único tributo como a gente gostaria porque a carga é muito grande demais, teria que ter mais do que duplicar os preços dos produtos e etc, mas se a gente pensar que a partir de várias diferentes situações de tributáveis, o governo consegue dar uma bocada maior, é como se ele mal comparando, um cachorro de desse um monte de mordida no dedo, depois uma outra no calcanhar, depois uma outra na nádega é….

Luciano          Nenhuma delas te mata…

Paulo             … nenhuma delas…

Luciano          … mas no geral você vai sair todo mordido no final da conta.

Paulo             … você vai sair todo mordido. Então você fica todo mordido de cabo a rabo mas é um pouquinho aqui, um pouquinho lá, então vai um pouco no salário, ele te carga o INSS que supostamente é para fazer a tua previdência, mas esse dinheiro vai para o bolo, aquilo ali não virou  uma poupança, como seria, ele é apresentado como se fosse uma poupança, mas ele entra para o bolo geral e quem está aposentado já leva aquele dinheiro sem que aquela poupança seja feita, aí vem o FGTS, mas o governo usa o FGTS para uma outra coisa, supostamente você acha que não é imposto, mas ele tem uma categoria, um conteúdo de imposto, aí o industrial faz uma latinha para botar a cerveja, aquela latinha já tem um imposto sobre o produto que foi industrializado, aí entra a própria cerveja, é um outro produto industrializado que se soma, vem o imposto sobre o imposto, aí circula mercadoria porque foi para o shopping, par ao super  mercado, pagou o ICMS, é uma outra definição de imposto…

Luciano          E a gasolina do caminhão que levou pagou mais imposto e o salário do motorista…

Paulo             … mais o outro imposto, tem a SINDI que é a contribuição de intervenção, os políticos vão inventando nomes diferentes para dar bocadas na população, a primeira coisa que tem que fazer é controlar o gasto publico e regras para controlar o gasto público precisam ser instituídas, assim como nós temos hoje uma meta de inflação, o que um candidato à presidência da república teria que pactuar com a população em 2014 que  é: eu vou respeitar o ritmo razoável de aumento do gasto público, não vou pactuar a redução do gasto público que é mentira, ninguém vai reduzir o gasto público, aliás os funcionários públicos ficariam apavorados com o nosso programa se a gente tivesse aqui propondo redução, porque redução, que redução, onde? Na saúde teria que aumentar, na educação… claro, nós vamos à medida que o país for crescendo, aumentando o gasto público, o que eu estou propondo é algo muito mais fácil fazer que todo mundo faz em qualquer família financeiramente bem organizada, nós temos que ir de acordo com as  possibilidades dos que ganham dinheiro dentro de casa.

Luciano          Eu ia usar uma coisa que o próprio Lula usou com aquela capacidade que ele tem de simplificar em comunicar as coisas, que ele falou, isso aqui eu vou administrar como uma dona de casa administra a sua casa, ela não pode gastar mais do que ganha, é disso que nós estamos falando, não dá para gastar mais do que ganha.

Paulo             Às vezes a gente até gasta um pouquinho mais do que ganha quando a gente pega um crédito, num banco, o governo pega um crédito quando ele aumenta a dívida pública dele, é até razoável quando isso está atrelado a algum investimento, você vai comprar um automóvel, compra a prestação, você antecipou renda que você não tinha, mas comprometeu uma parte do seu futuro, tem que ter espaço para o seu futuro orçamento para aqueles encargos que você contratou e é por isso que a economia fica mais sofisticada, porque ela tem que ser também preparada para enfrentar os gastos que são ocorrentes e os gastos que são decorrentes de compromissos anteriores, ou de investimentos a executar, é esta orquestração eficiente da gestão do gasto que é a peça fundamental da discussão com os candidatos, o candidato que não pactuar maior grau de respeito e, repito, sem nenhuma crítica partidarista, dona Dilma não conseguiu respeitar a promessa de ser uma boa gerente do gasto público e com um agravante, tem uma única rubrica, um único item de gastos que ela não conseguiu estourar, foi o investimento, isso é que é o mais… isso é que é o mais, ela só não estourou o investimento…

Luciano          O que é o necessário…

Paulo             … o que a gente até perdoaria porque ela exagerou no investimento conseguiu fazer pontes, hospitais, isso e aquilo? Não, não foi isso que ela gastou a mais, ela neste item em particular, ela não conseguiu organizar a máquina decisória do governo que depende de licitações. Por exemplo, para quem entender melhor o que a gente está falando, as concessões que já deviam ter sido objeto de uma rápida decisão em 2011, porque quem está se candidatando à presidência da república e já trabalhava na presidência da república antes de ser candidata, portanto já careca de saber o que era necessário fazer, ela devia estar com toda a programação pronta para no dia 2 de janeiro de 2011 sair jogando o jogo principal, não, nós chegamos ao final de 2013 ainda fazendo as licitações que estão agora movimentando o início da reconstrução ou ampliação de rodovias totalmente congestionadas e esburacadas, aeroportos em vias de total abandono e por aí vai, ou seja, na realidade isso não é gestão pública, isso é um dos ministros dela num ato de modesta sincera disse: “nós estamos aprendendo”, isso muito bem, vá aprender na escola, não vá aprender…

Luciano          Com o meu dinheiro, pô?

Paulo             … então é esse o problema…

Luciano          Deixa eu voltar num ponto importante que eu acho que é legal a gente discutir aqui, imposto é ruim?

Paulo             Não, imposto é uma necessidade porque existem missões de uma sociedade que são, vamos dizer, executadas coletivamente, coisas que todos nós como comunidade queremos fazer, assim como num condomínio, imagina um condomínio de prédios, ou mesmo que você more num condomínio de casas, ou mesmo que você more num  bairro…

Luciano          Vamos pintar o muro.

Paulo             … vamos pintar o muro, vamos asfaltar a nossa… ninguém asfalta, por exemplo, só a frente da sua própria casa, ou um bairro inteiro, ou às vezes até uma cidade inteira pactua que vai querer ruas asfaltadas, aí juntam todos, fazem  uma vaquinha e o que é que é o imposto além de uma vaquinha para ter coisas executadas, se você quiser uma segurança noturna, por exemplo, que é um exemplo, ou até diurna…

Luciano          Vai aumentar o condomínio.

Paulo             … vai fazer uma outra vaquinha…

Luciano          E vai aumentar o condomínio.

Paulo             … isso, exatamente, agora, se o seu condomínio é um balança mais não cai como eu chamo o condomínio do Brasil, você tem um condomínio para parte da manhã, um condomínio para a parte da tarde, um condomínio para a partee da noite para pagar funcionários que devem aparecer de manhã, de tarde e de noite, sendo que metade deles não aparece, tem vazamento por tudo quanto é lado e quando você chama o elevador ele não vem, esse é um pouco o caos em que o Brasil vive, ou seja, existem os gastos, mas os gastos não correspondem em qualidade de serviço àquilo que você imaginava e eles já passam o valor do aluguel do prédio onde você mora, ou seja, o condomínio. E quando você fala na tal carga tributária 40% do PIB, o PIB seria o aluguel, aquilo que circula, que você consegue produzir ao longo de um ano, você já tem um condomínio que é 40%do aluguel é raro você ter um condomínio que seja 40% do aluguel, essa proporção nunca é muito mais do que 10 a 20%, nos países também, isso é uma curiosidade, quer dizer, ou seja, aquilo que, voltando à tua pergunta, é necessário para gerir o coletivo, as necessidades coletivas? Não pode ser uma proporção disparatada do que cada um produz para as suas próprias necessidades, tem que corresponder aí, vamos jogar em uns 30%? Talvez fosse uma carga tributária máxima adequada, que é exatamente o movimento Brasil eficiente propugna, nós estamos chegando em 40% mas aos pouquinhos nós poderíamos trazer esta carga para 30% mas, repito, sem reduzir o gasto, por que? Porque isso seria uma, também nós não queremos desorganizar o aparelho do estado, pior de tudo é que o aparelho do estado gastador como ele é, ele está aí e nós não podemos sair fechando escola, reduzindo contingente policial, etc, de forma que esse ajuste, além do mais, para ser sério ele tem que ter um esforço que demore uns 5 a 7 anos, mas também não precisa ser muito mais do que isso. O importante é, repito aqui hein gente, pactue isso e não vote em nenhum candidato que não diga isso com clareza, se não disser isso com clareza, esse é mais um gastador da tua taxa de condomínio Brasil, não vote nesse candidato a síndico do teu prédio, seja o prédio o estado ou seja o prédio nação, evite esse candidato, ele tem que dizer com clareza e inclusive, se possível, dizer, assinei a…

Luciano          O compromisso.

Paulo             … o compromisso na data tal, na reunião das associações comerciais ou na reunião da indústria tal, ou na reunião da confederação dos trabalhadores tal, com um respeito maior ao que o cidadão contribui e nós vamos nos controlar dentro daquilo que é possível gastar e dentro do que a gente gasta tem que sobrar mais para aquilo que é investimento, que é o nosso andar para a frente, o conteúdo de investimento que a gente gasta tem que ser relevante e a gente vai ficar eficiente em termos de gastar, mostrar com transparência onde gastou e prestar essas contas no final do ano, se a gente fizer isso, o Brasil dá um salto gigantesco e vai ser, essa sim, a copa das copas, aliás por falar em copa das copas, as manifestações do último ano, elas pediram isso, a juventude, todo mundo que foi junto, dos 9 aos 90 e que participaram de forma cidadã nessas manifestações exigiram padrão FIFA para tudo que se faz no Brasil no setor público, no fundo está pedindo respeito aos impostos.

Luciano          Sim, é isso aí. Paulo, você está lá, estuda, se forma, cresce, monta a tua empresa, cria a sua família, compra a sua casa própria, se transforma num profissional bem sucedido e está olhando em volta e vendo essa bagunça generalizada e começa a pensar, eu tenho que fazer alguma coisa, eu preciso fazer alguma coisa além de dar emprego para meia dúzia, além de pagar meus impostos e tudo mais, como cidadão, eu vou me candidatar a um cargo público? Não, não vou nessa, o que eu posso fazer a respeito, e você começou a olhar em volta e de repente começam a surgir algumas atividades que levam a uma coisa que você citou agora há pouco que você falou do movimento Brasil competitivo, muito bem…

Paulo             Eficiente, é e o Brasil competitivo também…

Luciano          … desculpa é que tem o competitivo é mais um, estive com eles também…

Paulo             … é o Brasil competitivo no campo da coletividade, da nação como um todo.

Luciano          … o que é isso? Como é que nasce isso, ou seja, você não está nessa porque você era uma autoridade constituída e alguém foi lá, apontou o dedo e falou, você vem aqui…

Paulo             É. Aliás, diga-se de passagem, para quem não me conhece tão bem, nunca tive o polêmico privilégio de participar de governo, eu não sei se os governos é que me evitaram ou eu é que evitei os governos, mas tudo o que a gente tem feito, tem feito como cidadão, como qualquer um de nós aí que estamos conversando nesse momento…

Luciano          Me fala dessa tua, essa força, quer dizer, eu vou te explicar porque, eu costumo dizer muito no programa aqui, nós estamos tão ocupados trabalhando para ganhar o meu pão e chegar o final do dia eu poder dormir sem preocupação no dia seguinte que não sobra tempo para eu olhar para coisa nenhuma, então nação, esse conceito de…

Paulo             E os que manipulam o Brasil gostam muito que a gente fique bem quietinho na nossa casa…

Luciano          … o máximo que eu consigo fazer é dar uma tuitada dizendo que horror, ou então no Facebook dizendo, isso aqui está errado…

Paulo             … mas esse máximo é um mínimo extremamente necessário…

Luciano          … e as pessoas perguntam para mim, o que eu posso fazer? Eu, pobrezinho, eu tão quietinho, sou funcionário de uma empresa, o que eu posso fazer a respeito? Como é que eu posso contribuir?

Paulo             … a primeira contribuição é um “não” àquilo que eu acabei de dizer, agora repito, não vote em quem não tem compromisso claro com respeito ao dinheiro que você paga, você paga um caminhão de grana pelo menos 30% do que você ou o seu pai, ou a sua mãe, o seu tio, quem quer que tenha te dado dinheiro, se não foi um dinheiro seu e mesmo que seja um dinheiro de aposentado, já veio tributado na origem porque o dinheiro que alguém suadamente contribuiu porque, como eu disse, não há  poupança no Brasil para pagamento da aposentadoria, então é um dinheiro que sai na veia daqueles que estão contribuindo para aqueles que estão recebendo, então é um dinheiro sério, um dinheiro sofrido, esse dinheiro merece o respeito do seu não. Não vou votar em quem quer que não tenha compromisso absolutamente claro, pactuado e sério, sem brincadeiras, a partir de 2014 essa revolução pode acontecer, se milhões de pessoas ouvem esse programa, como sei que ouvem, e isso se espalhar, essa é uma revolução que vai acontecer. Número dois, eu acho que dá para tuitar sim, nós vivemos numa época bem diferente de algumas, não diria em décadas, alguns anos atrás em que a gente não tinha essa possibilidade de entrar numa grande rede, literalmente, é uma rede digital mas numa rede onde milhões de pessoas dizem não juntas, ou dizem sim a boas ideias, como é o caso do Brasil eficiente que propõe e que inclusive estabelece anti projetos que algum político sério pode levar e botar para aprovar como já temos organizado uma bancada que até tentou em 2013 tentará de novo agora em 2014, mas com certeza vai levar para que os políticos que estão candidatos se comprometam em fazer aprovar rapidamente em 2015, ou seja, nós estamos assim na véspera de uma virada, se houver manifestações de rua, procura, desde que obviamente sejam as manifestações ordeiras, que são aquelas que saem da espontaneidade de população, eu acho que é quase uma necessidade, participar, mas eu acho que a maior participação de todos é no debate, ouvir como nós estamos aqui ouvindo, falar, debater, não ficarmos a gastar tempo e nesse ponto faço um mea culpa como brasileiro, nós gastamos tempo demais conversando bobagem, faço um mea culpa aqui porque eu também falo demais, futebol, samba, mulher, sei lá o que…

Luciano          Essa semana está circulando um negócio muito interessante no Facebook dizendo o seguinte, que pô, eu não sei em quem votar, eu não tenho como descobrir, eu não sei “como é que é os cara”, mas levantar a ficha dos 20 participantes do big brother Brasil aconteceu em 15 minutos, foram 15 minutos foi o tempo que levantou entre o cara dizer quem era o novo cara e  aparecer a vida do cara inteirinha porque todo mundo foi atrás e descobriu, pô, se vale para o big brother, porque não vale para o politico que apareceu?…

Paulo             Mas eu defenderia a população que nos ouve e a que não nos ouve, com uma explicação: a gente sempre tem que procurar onde a racionalidade do comportamento humano, a gente não deve só criticar, nós aqui não estamos criticando, nós estamos apontando a necessidade de um esforço, por quê? Por que um esforço? Porque a gente parte de uma posição desesperada, a gente não espera que dê resultado, no big brother a gente acha que a gente participa, é uma manipulação do tal do big brother, porque ninguém está nem dando bola, eles estão querendo capturar lá os 10 merreis, ou aqueles…

Luciano          O teu telefonema, os teus 30 centavos

Paulo             … é, o teu telefonema não sei o que, mas como a gente gosta da…

Luciano          Do espetáculo.

Paulo             … do espetáculo, é um entretenimento e a política não é, é uma chateação, uma aporrinhação, nós vamos  para o big brother mas não vamos para o acompanhamento da política, nós não sabemos que aquilo é importante. A política hoje é uma reunião de condomínio das piores, das mais chatas e tem muita gente que até, para evitar a chatice, não vai à reunião de condomínio que é uma outra bobagem porque deveria participar, mas acha que dali não sai nada, não deve participar…

Luciano          Vai se incomodar, etc e tal.

Paulo             … vai se incomodar, eventualmente até se aborrecer quando esse coeficiente de aborrecimento é necessário na vida coletiva, agora, reconheço, a situação em relação à coletividade no Brasil é um pouco mais grave porque não tem nem reunião de condomínio, não marcam nunca essa reunião, essa reunião é marcada de 4 em 4 anos quando você bota lá o teu voto e a pauta da reunião é pouco conhecida, é por isso que eu insisto, inclusive, que os compromissos dos candidatos sejam mais claros, caso contrário não desperdiça o seu voto, não vota…

Luciano          E as reuniões que acontecem tem carta marcada, elas são ideologicamente dirigidas a quem está comparecendo na reunião, é aquela patota de sempre, é tudo carta marcada…

Paulo             Exatamente, mas uma das coisas…

Luciano          Deixa eu não perder uma coisa que você falou legal aqui, movimento Brasil eficiente, o que é isso? Tem uma casinha na Vila Madalena lá com um número na frente, com seis pessoas trabalhando lá dentro, eu posso entrar lá, me matricular, o que? Como é que é?

Paulo             Não, é virtual, e você conhece o movimento indo ali no teu computador e clicando www.brasileficiente.org.br.

Luciano          brasileficiente.org.br, é isso ai, ok.

Paulo             Então é fácil, fácil, porque é só gravar brasileficiente.org.br

Luciano          Tá, entrei lá, abriu uma página cheia de ideias…

Paulo             … é, não é tão cheia assim, ele até é bem colorido etc e que explica o mundo dos impostos e te dá uma aula de pré habilitação para saber como você é tungado, explica que esses impostos tem tudo a ver com excesso dos gastos públicos e mostra quais são as duas propostas que são só duas que você poderia apoiar se estivesse de acordo, espero que esteja, com essas duas propostas, que é o controle adequado dos gastos públicos através da aprovação de uma lei que já consta do sistema jurídico brasileiro, é um artigo da lei de responsabilidade fiscal que manda criar um conselho de gestão fiscal até com a participação direta da sociedade, nota bem, aí seria uma espécie de reunião de condomínio permanente, a sociedade independentemente dos políticos tendo também participação direta no acompanhamento, não por acaso é um dos únicos artigos de uma lei de responsabilidade que foi votada, aprovada e entrou em vigor no ano 2000, Luciano, e que até hoje os políticos não tiveram pressa de regulamentar, então o que nós estamos pedindo é tão óbvio, é que o governo realmente regulamente aquilo que…

Luciano          Para poder executar o que está colocado ali.

Paulo             … … aquilo que está colocado em lei, então este é um governo que você poderia hoje, inclusive em tese, dizer assim, quer saber? Não pago mais um imposto até que o conselho de gestão fiscal seja aprovado, estamos até estudando medidas judiciais para, de alguma forma, confrontar o governo junto ao Supremo Tribunal Federal, mas é difícil, porque as leis são articuladas para proteger o poder público contra a voz do cidadão, o movimento Brasil eficiente é a voz do cidadão, então a gente luta com uma certa dificuldade, eis a razão pela qual, quem estiver nos ouvindo, não deixar de ir assinar e aí ao cair nesse site, você vai ser levado ao site que você pode ir direto que é o www.assinabrasil.org, o que é o assina Brasil? É assinar que você está de acordo com os dois projetos do movimento Brasil eficiente, esse que manda criar um conselho de gestão fiscal que controla, é o sistema de olhar as contas com regularidade do governo e o outro projeto é o projeto simplificar o nosso, hoje manicômio tributário num sistema tributário decente parecido com o da maior parte dos países que vai botar uma agilidade nas empresas e uma desburocratização geral que vai ser um outro mundo, mais simples do que o SIMPLES atual e o Brasil, aí sim, vai virar campeão, mas não é só da bola, vai ser um campeão da organização de uma sociedade como sociedade deve ser.

Luciano          Vamos a uma tarefa de casa então. Vou convidar você que está me ouvindo, eu não sei onde é que você está ouvindo, eu não sei se você está no carro, se está caminhando ou se estava dormindo, a hora abrir o computador, um pouquinho antes de fazer aquela tuitada falando do peito de silicone da striper que está no big brother Brasil, você entra no assinabrasil.org e se estiver de acordo com o que está lá, você clica e assina, não custa nada e vai precisar de 1, 2 ou 3 cliques ali para fazer, essa contribuição já basta.

Paulo             Agora, se você quiser ser o cidadão classe estrelinha, aí você faça melhor, que é como cidadão estrelinha você pode divulgar no seu Facebook, divulgar no seu Twitter…

Luciano          O assina Brasil está no Facebook também, a gente pode entrar no Facebook e fazer. Bom, eu entrei lá para dar uma fuçada e achei uns negócios legais aqui, eu quero bota para a turma ficar nervosa. Tem ali um gráfico legal mostrando as questões de impostos, diferença de Brasil e mundo e eu separei umas coisinhas que eu não sei nem se está atualizado, mas parece que está, o Ipod nano custa $410 dólares no Brasil, $225 dólares nos EUA, o Xbox360 custa $1200 dólares no Brasil, $400 dólares nos EUA, o iPhone4 que já era 32 giga, custa $1322 dólares no Brasil, $589 dólares nos EUA, esse é um ponto e ali tem de montão essas informações. A outra saiu essa semana, vocês publicaram ali, um canhoto, uma nota fiscal de aquisição de material de construção, total da NF R$ 2946,00 e ali dentro, impostos, R$ 951,00, então eu comprei quanto? Eu comprei 2000 de mercadoria e deixei 900 de e impostos que estão ali dentro, isso acontece com todas as ações que eu fizer.

Paulo             É incrível, é incrível, o Brasil, ele vive uma situação que é no fundo de um profundo desrespeito ao cidadão, esse desrespeito tributário tem que cessar, os políticos tem que ser chamados às falas, não tem desculpa para a necessidade de simplificar e gradualmente reduzir essa carga.

Luciano          E você colocou uma coisa importante ai que eu acho que a gente tem que bater muito nessa tecla, você falou que se qualquer ação que nós fizermos é uma ação que vai levar 5, 6, 7 anos, não dá para arrebentar nada de uma hora para a outra, não dá para sair à rua com um milhão de pessoas e falar, amanhã de manhã vai mudar, porque não vai mudar e é uma discussão correndo agora que a gente tem visto muito aí que o problema do Brasil parece que hoje ele não é político, ele não é econômico, tem um problema anterior que é um problema cultural, porque se eu culturalmente não faço a minha cabeça de que, primeiro, eu posso influir de alguma forma, segundo, eu devo influir, terceiro, eu preciso entender essas coisas, poder saber se está certo ou não, há uma questão cultural que tem que ser resolvida e que vai demorar, você não muda a cultura do país de um dia para o outro, então qualquer ação que for começar agora, muita gente se desestimula, pô cara, mas eu vou entrar lá vou fazer um clique, só isso? Não é só isso, é um clique, tem 260 mil pessoas que já assinaram.

Paulo             Claro, você estará junto com uma multidão

Luciano          Pois que 260 é irrisório, é um número, se você falar com um milhão de pessoas, do jeito que nós estamos comentando aqui, acho que 999 mil vão falar, eu também quero isso, então vai lá e assine, porque qual é o problema desse processo, tem que mostrar que há um volume grande de gente interessada porque se não os caras não se coçam lá, vamos voltar ao condomínio, você tem um condomínio de 100 apartamentos, se tiver um reclamando ninguém vai escutar…

Paulo             E ainda acha que ele é meio doido…

Luciano          E vão detonar o cara, agora, se 20 reclamarem a coisa começa a pegar, se 40 reclamarem começa a pegar mais ainda, então o que nós temos que fazer é isso ai, clique, sou a favor, vou mandar um e-mail, clique, vou reclamar…

Paulo             … é porque não acredita, vou repetir, é porque não crê na importância do resultado ou na praticidade do resultado, acha que ele está sozinho e que é pura inutilidade…

Luciano          … ninguém vai, eu também não vou…

Paulo             … mas se acreditar um pouco mais no Luciano Pires, quer dizer, quem está nos ouvindo já está do lado de cá, já está do nosso lado, na realidade nós é que precisamos juntos, todos nós que estamos ouvindo,  buscar o próximo, eu já acho que todo mundo que está nos ouvindo está mais do que de acordo, o próximo é aquele que ainda não ouviu, é aquele  que numa festinha chata de batizado, você não tem assunto você puxa esse assunto, pô você já imaginou a que ponto estamos chegando? Nós estamos pagando o triplo das coisas e a partir dali você chama mais um brasileiro.

Luciano          São os conspiradores, não é?

Paulo             São os conspiradores.

Luciano          E usar, vamos usar a terminologia de Facebook, o Facebook trouxe para a cara da gente um negócio fabuloso que é uma ferramenta chamada “compartilhe”, o que ele faz? Eu vi uma boa ideia, compartilha, conta para todo mundo, eu vi um negócio legal, conte para todo mundo, quem tinha que estar ouvindo esse programa aqui não ouve, meu, leva para o cara ouvir, encha o saco dele até ele ouvir, quem tinha que ler esse texto aqui não está lendo, o que você está fazendo para não levar para ele, para contar, pô vou fazer a cabeça da minha empregada, eu tenho empregada lá em casa, vou fazer a cabeça dela, vou perguntar para ela como é que é e vou contar para ela como é que é, nesse momento eu estou cumprindo um papel do polinizador, quer dizer, quantos mais tiver, mais a gente consegue…

Paulo             Injetando conhecimento…

Luciano          … contaminar…

Paulo             … injetando conhecimento…

Luciano          … Rubem Alves me falou pessoalmente isso uma vez, ele falou, nós temos que ser conspiradores, o conspirador qual é que é? Não é o cara que vai lá na frente e começa a gritar, “sou contra” e abre o peito e toma um tiro, é aquele que  faz o que nós estamos fazendo aqui, vamos conversar? Quem sabe eu acendo uma luzinha na cabeça daquele cara lá e aquele que me ouviu ali vai conversar com outro, que vai mandar para um outro e assim forma-se uma rede que não dá para parar essa rede, ela não pode ser interrompida.

Paulo             … além do mais a sociedade brasileira é bom que a gente diga isso alto e que todos ouçam, que a sociedade brasileira realmente está num momento muito interessante do seu processo evolutivo, nós chegamos a um momento de urbanização muito  elevado, mais elevado do que sociedades com quem nos comparam, por exemplo, chineses ou indianos…

Luciano          Quer dizer, urbanização você diz é o povo na cidade…

Paulo             … povo na cidade, então a cidade é um negócio  diferente do campo, o campo é até mais bonito, é mais bucólico,  mas é nas  cidades que as coisas acontecem porque as trocas são mais fáceis, as distâncias são menores, as pessoas se falam mais. Agora, além disso, estamos num momento em que a população jovem e adulta chega a um ápice, significa dizer, nunca tivemos tanta gente na faixa dos 20 aos 25 anos, isso significa também um monte de gente dos 15 aos 20, os 20 chegando, monte de gente dos 25 ao 30, ou seja, essa população jovem adulta nunca foi tão numerosa e ela amplia o quociente de desejo, porque já não é a população mais madura que já viu muito e tem um conhecimento…

Luciano          Já apanhou.

Paulo             … tem um quociente de cinismo sobre o que é  que pode acontecer, existe ali um desejo ardente dessa população jovem adulta de ascender, de ter uma oportunidade diferenciada, isso é ótimo e quando muita gente junta tem esse mesmo desejo, surgem manifestações em que as pessoas ao pedir o padrão FIFA estavam pedindo melhorias para sim, ah é, era, de certa forma, manifestação até egoísta, alguém poderia dizer, porque ninguém estava com grandes… vamos dizer assim…

Luciano          Um grande tema, todo fragmentado.

Paulo             … genéricos, queremos salvar o Brasil da pobreza, não, se fizer o negócio bem feito e direito vai sobrar para todo mundo e a pobreza por aí já começa a se resolver muito mais rapidamente, então é esse tipo de momento, um momento em que você está muito na cidade, as pessoas se falam e são jovens adultas, elas estão bem empregadas, não estão morrendo de fome em quantidades tão catastróficas como em passado recente no Brasil, ou seja, ela já tem um tempo mínimo para refletir sobre si, tudo isso favorece demais, Luciano, esse despertar, portanto eu estou muito otimista, eu estou achando que é só virar, depois tem uma virada de geração política, a minha geração eu acho que está indo para a casa, graças a Deus, demos, acho, que uma boa contribuição, acho que a geração da Dilma, tem que ir para a casa, tem que descansar, comprar um chinelo Rider, mas não é porque tenhamos sido incompetentes, é porque nós precisamos de mudança e a mudança não é só tirar um partido e botar outro, não é porque o outro seja melhor não, vou repetir, é porque é preciso mudar e no setor público mais, nas empresas já se sabe que fazem isso, fez um grande chefe, um grande presidente, bateu aquele, que às vezes não é nem a idade provecta não, chegou um termo, passaram-se cinco anos, o que o sujeito…

Luciano          Tem que trocar.

Paulo             … já fez tudo o que ele tinha pensado para aquela empresa, outro virá, outras ideias, outro olhar e portanto gerações se sucedem…

Luciano          O mundo evolui assim.

Paulo             … o mundo está mudando muito rapidamente, as tecnologias, quando você bota isso tudo na lupa e vê o Brasil, vê um Brasil com um despertar exclusivo e se nós acreditarmos que isso tudo vai confluir para essa votação no próximo mês de outubro, nós temos uma copa Brasil do mundo mas do Brasil que vai ser jogada num único dia, nesse dia dessas eleições e eu realmente peço que todos os meus compatriotas, todos os meus amigos brasileiras e brasileiros que estão nos ouvindo, nesse momento guardem o melhor de si, da sua reflexão para esse dia e antes disso fazer o dever de casa, ir fazendo o que nós estamos fazendo aqui, que é debater, circular ideias.

Luciano          Paulo, o Brasil deve ter hoje 140 milhões de eleitores…

Paulo             Quase isso…

Luciano          … acho que sim, 140…

Paulo             … a última vez bateu mais de 110…

Luciano          … é, deve ser 130, 140 milhões de eleitores…

Paulo             … 120 a 130…

Luciano          … 30 milhões não vão aparecer para votar de jeito nenhum, o que transforma esse bolo eleitoral em 110 milhões…

Paulo             … é muita gente…

Luciano          … é muita gente, 45 a 50 milhões desses caras, desses cento e tantos não ouvem podcast, não lê jornal, deve ter como janela do mundo a sua igreja e a televisão, estão lá no fundo do Brasil, não estão querendo discutir o que nós estamos falando aqui e nem estão preocupados com isso, é um bolo de gente que vai ser carregado para onde o populismo quiser e assim tem sido nos últimos tempos. Nós que estamos ouvindo aqui somos uma minoria, por mais que a gente seja bastante gente, continua sendo uma minoria, isso não te  deixa meio com a pulga atrás da orelha?

Paulo             Não porque uma sociedade, ela é liderada sempre por minorias, é o professor que está nos ouvindo, a professora, ele fala com 20 ou 30, esse indivíduo pode ser até um barbeiro das antigas, que vai falar com todo mundo que senta na cadeira de barbeiro e ele vai puxar assunto, então é um grupo bastante heterogêneo, porém importante de formadores de opinião, não precisa ser um jornalista para ser um formador de opinião. Eu acho que esses formadores anônimos, de opinião, eles que são os que compram jornal, ou que param para ouvir algum comentário na televisão, eles tem um poder de reverberação eles ecoam o processo, fala para o seu empregado ou empregado doméstico, que é tipicamente aquele sujeito ávido por uma informação diferencial mas que ele mesmo não sabe  onde acessar e ele acessa através de um intermediário que é esse formador anônimo, é a dona de casa, é o patrão, é por aí que a coisa vai.

Luciano          Essa pessoa que está me ouvindo aqui agora e que está nos ouvindo conversar, ela tem que ter a consciência que ela tem uma página no Facebook e que tem 200 curtidores, quando ele fala lá, ele tem o potencial de falar com 200…

Paulo             Mas é um enorme formador de opinião, se for desse tamanho, para 200.

Luciano          Eu tenho o meu Twitter, eu tenho 300 pessoas me seguindo no Twitter e assim vai, quer dizer, 10 caras com 300 pessoas são 3000.

Paulo             E esse pessoal não precisa pensar igual a gente, nós queremos, na realidade, gente aderindo a um gasto eficiente, a um Brasil eficiente, a esse tipo de compromisso, gente do PT, gente do PSDB, do PMDB, do Democratas, nós não vamos ter… isso é esse conceito de eficiência não é monopólio…

Luciano          Ele não é partidário.

Paulo             … não partidário e não é para ser partidário…

Luciano          Eu preparei a pergunta e não te fiz em momento algum aqui: qual é o partido que está por trás do movimento Brasil eficiente?

Paulo             Nenhum. O partido do Brasil. É o partido do Brasil do futuro, é o partido do Brasil dos nossos filhos, dos nossos netos e também nosso, que a gente não quer que demore tanto assim, cinco anos é um período máximo de preparar uma equipe olímpica, que é uma equipe olímpica do Brasil e o Brasil é um gigante pateta, somos gigantescos, quando a gente tiver o tamanho do que a gente produz ou pode vira produzir é alvo da maior inveja mundial, nós somos alvo de inveja, o que nós não podemos é ficar assim achando fantasiosamente que só porque somos grandes e temos um enorme potencial, que tudo vai cair aos nossos pés, nós já desconfiamos disso porque em algumas áreas, como por exemplo, nos esportes, essa consciência é muito clara, já notou? Inclusive nos programas os próprios técnicos falam com muita seriedade da preparação para um processo de disputa mundial, disputa olímpica, eu vejo isso também como um outro exemplo de que estamos perdendo esse caráter meio mítico, fantasioso do Brasil de que as coisas vão…

Luciano          Na hora H a gente se vira.

Paulo             … é, da improvisação eficiente, não existe improvisação eficiente, existe eficiência o tempo todo, crescente e eficiência exige planejamento e aprendizado, também na área público privada que é o que nós estamos aqui discutindo desde o início nós precisamos implementar esse processo, só que nós estamos no estágio anterior, por acaso, no plano político, que é da quase total esculhambação e irresponsabilidade, essa é a varredura que precisa ser feita em outubro, nós precisamos dar uma mudança bastante geral no quadro político e isso envolve todos, repito: todos os partidos e deles exigir a partir, principalmente, daqueles que que tem a ousadia de se candidatar à mais alta responsabilidade que é de gerir o Brasil como um todo que eles realmente apresentem um plano concatenado do que pretendem fazer e compromisso firme de realização, se nós tivermos isso eu acho que ninguém segura o Brasil.

Luciano          É verdade. Paulo, nós estamos chegando no final aqui, eu só quero te fazer mais uma ou duas provocações aqui, a primeira é a seguinte: quando você reclama, quando a gente fala daquele circo que nós temos lá em Brasília, muita gente chega e fala, aquilo é o reflexo da sociedade brasileira, aquilo que está lá foi eleito por nós e o que está lá é o que nós somos, você aceita esse argumento?

Paulo             Não. Porque na realidade a maneira como uma democracia se organiza, a maneira como a gente seleciona esse scratch, essa seleção brasileira da política é uma maneira muito torta, não porque a regra é ruim, mas porque toda a regra contém limitações no caso de efetiva representação do que pensa o público, por exemplo, já começa com o fato de que não são ideias que travam um sadio combate para serem as representantes do pensamento do povo, são pessoas que dizem trazer ideias, portanto não são programas, são pessoas que dizem eu acho isso, eu acho aquilo, pode achar à vontade, mas será que ele sabe mesmo aquilo que ele acha? E número 2, para ele ao menos começar a se dar a conhecer a esse público que distraidamente irá votar em alguém, ele tem que gastar literalmente milhões, aí nós já temos um problema grave que é de seleção em que muita gente que gostaria de participar não tem esses milhões para aparecer no processo. Então o processo teria que ser revisto e muitos pensam que deveria ser revisto de forma a estabelecer uma espécie de bairros políticos…

Luciano          Voto distrital.

Paulo             … seria o distrito, o distrito é uma espécie de bairro, você terá uma certa obrigação de conhecer melhor quem o representa e tanto isso é verdade que uma vastíssima maioria dos eleitores, basta a gente ir aqui na rua ou num bairro e perguntar a um fulano de tal qualquer em quem votou e vai a resposta geral salvo algumas honrosas exceções, é não sei, não me lembro o nome, isso é trágico, e não é problema de quem votou, o sujeito já votou, já selecionou mas foi uma seleção distraída, foi uma seleção superficial, ele realmente não se achou representado pelo fulano, foi só uma tentativa, ele exerceu o direito a uma tentativa provavelmente desesperada, agora, na medida em que a gente reorganizasse isso seria melhor, enquanto a gente não organiza essa nova maneira que seria um conjunto de, vamos dizer, de regras de seleção do político que vai nos representar de forma mais adequada, nós podemos usar os meios alternativos, se a democracia está ficando cada vez mais dependente do Facebook, sim, do Twitter, da eventual manifestação de rua, da opinião de algum comentarista de televisão ou de rádio que é muito bem avaliado, não porque ele seja a própria representação à voz do povo, mas porque a simpatia que ele angariou do público é resultado de um conjunto de opiniões que ele vem emitindo há meses, ou há anos, ou há décadas e que o credenciam a quando ele abre a boca para dizer alguma coisa, é porque aquele negócio tem grande importância, os editoriais dos principais veículos de comunicação, dos jornais, isso é democracia em crescente importância frente à tal reunião de Brasília que é a câmara e o senado, os poderes,os tais poderes constituídos, tem que haver mais humildade por parte desses tais poderes constituídos, eles estão se abrindo muito lentamente, nós temos que arrombar essa porta.

Luciano          Abrir espaço com o cotovelo.

Paulo             Abrir espaço com os dois cotovelos e a maneira de fazer isso é através dessas manifestações guerrilheiras, você bota no Facebook, hoje você bota no Twitter, amanhã você fala, pede a palavra numa reunião e fala, você reclama…

Luciano          Dissemina argumentos, manda o argumento para frente.

Paulo             … manda da maneira que for…

Luciano          Compartilha.

Paulo             … a sua opinião, compartilha, divide e essa é a maneira de  exercer, a outra maneira de fazer  representação é a maneira chinesa, só tem um partido, ela é totalmente hierarquizada, o Brasil já decidiu que não é daquele jeito chinês, se não é daquele jeito chinês, é até mais simples de organizar, mas tem sempre um manda chuva geral e os outros que calem a boca, aqui é para não calar a boca, já foi decidido que é assim, e portanto é para não calar a boca.

Luciano          Defender isso até o fim. Legal.

Paulo             Defender isso, é no constante fervilhar de opiniões e de ideias e portanto ninguém pode se sentir acanhado nem tolhido nesse santo direito de se manifestar.

Luciano          Perfeito. Vamos encerrar aqui, eu vou encerrar com você com uma pergunta que é até meio aberta, é até esquisita, é estranha mas eu quero ver como é que você responde. O ano é 2014, você Paulo Rabelo de Castro tem 25 anos, o que você quer ser quando crescer?

Paulo             Ah, quando eu crescer eu pretendo ser tantas coisas, porque o homem e a jovem mulher de 25 anos pode sonhar ser mais de uma coisa, no passado, quando eu era 25 anos, a gente, no máximo, sonhava ser uma profissão, um advogado, um médico, hoje você já pode se dar ao direito de ter dois ou três interesses. Um interesse profissional, outro interesse que você leva como quase um hobby mas depois vira o teu ganha pão, eu estou citando as chamadas novas profissões, a gastronomia, a jardinagem, que pode virar o paisagismo que é uma coisa que eu gosto muito de fazer, até um pouco cozinhar que eu nunca mexi antes e hoje me aventuraria, pelo menos gerenciar, são coisas diferentes e que são manifestações um pouco mais próximas do aspecto do belo, da beleza, do estético e que é  uma característica desses nossos tempos modernos, que não basta só correr atrás do objetivo que está sempre se distanciando do vil metal, da grana, do aplauso fácil, mas sim a realização pessoal, portanto não querendo fugir da sua pergunta, eu com 25 anos estaria mais próximo desse plano da beleza, da valorização da manifestação do que eu provavelmente tenho dentro de mim, agora, se eu for esse eu mesmo que eu trago, eu tentaria me candidatar a uma função de administração da cidade, coisa que eu, no meu tempo, tive menos chance de fazer, talvez por isso mesmo é que hoje e dirija um Instituto Atlântico que tenta ser uma outra manifestação da mesma coisa, durante um certo tempo, nos meus 25, havia até eleições, mas era um regime mais fechado, em seguida o regime abriu, mas não houve, vamos dizer, uma seleção tão aberta de valores e de potenciais colaboradores no plano político, essa chance passou. Eu acho que hoje, por incrível que pareça, há uma chance cada vez mais clara de se fazer, por exemplo, uma carreira política na administração do estado, já começando no plano local que valorize a boa execução das tarefas públicas, eu acho que há uma grande chance para jovens políticos.

Luciano          Paulo, você aos 25 anos, você escolheria esse caminho no Brasil?

Paulo             Acho que sim, acho que sim, acho que o Brasil vale a pena, com todas as dificuldades que nós mostramos aqui, tem um truque a favor do Brasil, todas as nossas principais limitações de dificuldade, diferentemente de outros países, dependem mais da vontade coletiva de…

Luciano          Fazer acontecer?

Paulo             … de fazer acontecer do que a de realmente mobilizar céus e terras para, com grande dificuldade, transformar uma terra árida numa terra produtiva e não falo só do agro que também é campeão mundial, falo de todas aquelas coisas que virtualmente são férteis, o Brasil é fértil, é fértil de alto a baixo e como eu disse, está também passando por um perfil populacional que é o melhor momento possível que está sendo muito bem desperdiçado, mas isso é um problema nosso e se depender de mim, nós vamos estar gritando aqui no teu programa mais de uma vez, acorda Brasil.

Luciano          Eu ia comentar isso agora.

Paulo             O gigante acordou.

Luciano          Exatamente, muito legal. Paulo, muito obrigado pela tua disponibilidade de estar aqui, o tempo que você botou aqui investindo nessa conversa nossa aqui, eu quero ter a chance de chamar mais para a frente  para tocar em temas que a gente só passou por cima aqui e mergulhar um pouquinho mais na questão política e tudo mais, mas eu acho que por enquanto a gente já tem material para o ouvinte do outro lado ai ficar…

Paulo             Pensando um pouquinho.

Luciano          Bastante né.

Paulo             Matutando.

Luciano          Muito obrigado.

Paulo             Obrigado, Luciano, que bom estar aqui com você.