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Luciano Pires -

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Luciano                Bem vindo, bem vinda a mais um LiderCast, hoje converso com Ricardo Tomczyk, este é um daqueles programas que aproveita material antigo, olha, eu gravei uma entrevista  com o Ricardo, que é presidente da APROSOJA, Associação dos Produtores de Soja e Milho do Mato Grosso, numa inacreditável rádio de uma cidadezinha, você vai notar os problemas de som, mas o conteúdo focado no  agronegócio é sensacional.

Luciano                 Muito bem, eu estou aqui diante de mim com uma pessoa que tem me ensinado bastante ao longo dessa viagem aqui porque conhece profundamente o mercado, conhece profundamente essa situação do agronegócio brasileiro. É o Ricardo, mas o Ricardo só para dar uma dica aqui antes: eu nasci em Bauru, interior de São Paulo, muita fazenda, e a minha infância foi numa região que tinha muita presença da fazenda, mas naquela época era agricultura, não era agronegócio, era uma outra história, era um outro tempo, eram os anos 60 e o mundo era bem diferente. Depois de lá eu fui para São Paulo, virei uma figura absolutamente urbana, então hoje diante de você tem um sujeito que representa, eu acho que a maioria absoluta das pessoas que vão estar ouvindo o Café Brasil, gente urbana que vive na grande cidade e que sabe do agronegócio através da imprensa, através daquilo que vê pela televisão com todas as conversas ideológicas que vem aí adiante da gente, então vamos começar aqui, quero que você se apresente, seu  nome, quem é você,  onde você nasceu e o que é que você faz hoje.

Ricardo                Bom, meu nome é Ricardo Tomczyk, eu sou agricultor no estado de Mato Grosso e também no estado de mato Grosso do Sul, tenho minhas raízes no Paraná, sou nascido em Guarapuava, no Paraná, é uma região também muito rica em agricultura, minha família toda é desta raiz de agricultores, da parte da minha mãe, imigrantes que vieram para o Brasil depois da segunda guerra mundial, imigrantes com descendência alemã, da parte do meu pai, imigrantes poloneses, que também vieram para o Brasil um pouco antes, mas de uma maneira ou outra todos muito vinculados, ligados à agricultura. Portanto eu nasci e me criei dentro da agricultura, como você, lá no Paraná pequenas propriedades,  é um modelo um pouco diferente e meu pai e minha mãe já há muitos anos, quase 30 anos, o início dessa conversa é mais de 30 anos, foi em 1978, resolveram que tinham que buscar algo mais e vieram para o Maato Grosso buscando terras baratas, espaço, oportunidade e definitivamente minha família se mudou para Mato Grosso em 1985, portanto há 29 anos estamos aqui. Então eu sou paranaense, mas matogrossense, muito mais matogrossense, criado em Mato Grosso. Sou formado em direito, exerço a advocacia também, mas a minha raiz e a minha principal vocação, eu acredito que é a agricultura e já um pouco desse agronegócio que você falou, eu vivi essa transição da agricultura para o agronegócio, comecei trabalhar muito cedo no negócio, desde os 18 anos que eu trabalho diretamente com agricultura, conheci muito de perto essa transformação daquela agricultura rudimentar, pequena, uma agricultura tecnificada, moderna, posso dizer até, ouso dizer até que ajudei, contribuí, dei a minha parte de contribuição para essa transformação, com olhar um pouco diferente, uma cultura nova que uniu a experiência familiar, todo esse DNA e hoje estou aqui como presidente da APROSOJA Mato Grosso, Associação dos Produtores de Soja e Milho do Mato Grosso, a maior associação de representação da soja e do milho do país, uma entidade de vanguarda também que representa, espelha muito desse agronegócio e cuida muito da representatividade do coletivo.

Luciano                Me parece que a tua história é muito parecida com a da maioria das pessoas que eu conheci aqui, eu estou viajando aqui já há uma semana e sempre que eu encontro alguém, de onde você é, daqui? Não, não soou daqui, é todo mundo tem essa origem, veio de algum lugar, veio com alguns colonos e é uma coisa impressionante, porque eu estou num lugar onde a gente encontra esses núcleos, as cidades, hoje essa gravação está sendo feita na rádio em Nova Xavantina que a gente olhando a cidade hoje fala, poxa que cidade interessante, mas há 20, 30 anos eu imagino o que devia ser isso aqui, quando seus pais chegaram aqui nessa região o que é que devia ser. Vocês vieram direto para onde? Onde é que você começou?

Ricardo                A gente veio primeiramente para o norte do Mato Grosso do Sul, bem na época da divisão do estado e aí 4 anos depois meu pai comprou uma propriedade na região de Diamantina em Mato Grosso, muito perto hoje de Campo Novo dos Parecis, que é uma cidade um pouco mais conhecida e nos mudamos para Rondonópolis em 1985, cidade que vivo até hoje.

Luciano                Legal. Bom esse circuito que eu estou fazendo aqui junto com o pessoal chama-se circuito APROSOJA, já disse para vocês o que era no  começo  do programa, está servindo para mim como uma lição importante para entender direto ao ver ao vivo no campo que é que significa esse grande agronegócio. O Ricardo, durante as  apresentações ele faz uma parte de introdução ali onde é uma espécie de prestação de contas da atuação da APROSOJA, para os agricultores que estão assistindo a gente e lá ele mostra uma série de apresentações. Mas, eu vi uma apresentação dele que chamou minha atenção onde se discute os quatro pilares do agronegócio no Brasil e ali ele começa a demonstrar claramente que existe um pensamento estratégico, tem uma tecnologia envolvida, tem o pensamento de longo prazo e tem gente preocupada em fazer com que essa coisa amplie no Brasil e que de certa forma mostra que a  discussão ideológica da questão do agronegócio no Brasil não faz muito bem para a população brasileira, quem olha de fora, eu tive essa experiência agora, assim que eu entrei na viagem eu já postei de cara a minha foto em cima de uma colheitadeira de algodão e botei exclamando, olha aqui, eu estou no maior produtor individual de soja do mundo e o primeiro recado, o primeiro comentário do Facebook que entra é um sujeito falando assim, desmatamento ilegal, quer dizer, é impossível a gente falar de agronegócio fora dessa região sem ouvir a discussão ideológica, então eu queria trocar uma ideia com você sobre essa postura de planejamento, essa postura de controle total, essa preocupação ambiental, tudo isso que eu estou assistindo ao vivo aqui,  queria que você comentasse um pouquinho com a gente aqui, vamos lá.

Ricardo                Muito legal esse seu ponto de vista e é muito pertinente a gente discutir legalidade nessa situação toda, toda essa produção agrícola aqui de Mato Grosso hoje ela é uma produção legal, não existe produção agrícola ilegal no estado até porque se for ilegal não há comércio, existem barreiras comerciais para qualquer tipo de produção ilegal, então desmatamento legal, desmatamento ilegal, tivemos situação no passado onde as fronteiras foram abertas, existia um incentivo do próprio governo, uma necessidade clara de que houvesse desmatamento, tudo eram florestas, cerrados, terras aí improdutivas na perspectiva econômica e houve muito incentivo do próprio governo federal para que se tornassem terras produtivas inclusive para garantir a soberania, terras abandonadas acabariam, teriam um potencial muito grande sendo invadidas por outros povos, outras nações e a gente não teria um controle sobre as próprias fronteiras da nação, então houve um estímulo para imigração, para migração dos povos do sul e sudeste aqui para essa região central, incentivos onde nos assentamentos, por exemplo, para você conseguir o título da terra você era obrigado a desmatar, se não você não conseguia a titulação dessa terra, você era retirado e era colocada outra pessoa ali e tudo isso criou uma alteração posterior da lei, uma situação de ilegalidade momentânea, então havia uma situação, posteriormente foi alterada a lei, mudou a regra do jogo, tudo o que tinha sido feito passou a ser errado e felizmente agora com a edição do novo código florestal trouxemos alguma ordem para isso, trouxemos alguma ordem onde foi garantido o direito adquirido, a situação da propriedade privada, daquilo que era produtivo. Isso tudo agora está sob a égide de uma nova lei, uma lei coerente, uma lei objetiva onde o que é certo é certo, o que é errado é errado e nós, como produtores e principalmente como entidade defendemos acima de tudo a legalidade. Então a produção de Mato Grosso hoje, felizmente, é uma produção legal. Outro conceito é o conceito de preservação, temos contato direto com produtores do mundo todo, visitamos outros países, recebemos visitas de outros países e somos orgulhosos em dizer que a nossa produção é a produção mais sustentável e eu explico porque: aqui em Mato Grosso, tradicionalmente se preservou todas as matas ciliares, as beiras de rio, se  preservou todas as nascentes, nós temos o cuidado com a água, nós temos a consciência de que o produtor é o principal interessado no meio ambiente, pois você tira dele diretamente o seu sustento, não o sustento da comida, mas o sustento econômico, o estado de Mato Grosso é um estado agrícola, se nós colocarmos em risco a sustentabilidade ambiental, nós estamos colocando em risco o nosso próprio negócio, o nosso próprio patrimônio e a economia do estado como um todo, então se existe um estado no Brasil que produz e  preserva, inegavelmente é o estado de Mato Grosso.

Luciano                Eu acho interessante essa discussão que você coloca aí, porque como eu te falei, tem aquela presença de discussão ideológica que é muito pesada para quem está de longe e não está vendo de perto e eu conversando com o pessoal aqui, eu conversei com todos os níveis, eu comecei fazendo a Filadélfia que é um negócio brutal, é gigantesco, tem ali uma, aquilo é uma indústria do agronegócio que é brutal, mas eu saí dali e fui para um pequeno produtor e conversei com o produtor, aquele que quando me dá a mão, a mão está bem grossa, aquele cara que está no campo o dia inteiro e que está ali com uma terra que não é muito grande e que vive o dia todo as dificuldades e a conversa com ele foi uma conversa interessante porque enquanto outro grande tem todo o dinheiro do mundo, tem todas as máquinas do mundo, o pequeno está sofrendo ali no seu dia a dia e  ele tem um amor pela terra dele que foi uma coisa impressionante, quando ele falava, eu sentia, ele respeita muito aquilo que ele está fazendo, respeita a terra, ele cuida daquilo e ele é obrigado por lei a  respeitar uma certa… então o pessoal quando fala essa coisa que… desmatamento ilegal, ele não conhece o que está falando, não sabe  do que se trata e não entende como é que são as leis. Eu vou bater um papo com o Marcelo, num próximo programa e nós vamos discutir exclusivamente a questão do código florestal. Você se coloca como um produtor pequeno, médio, grande, você como produtor agora, o cara que está lá, você é médio, grande, pequeno, como é o tamanho do teu negócio?

Ricardo                Nos padrões de Mato Grosso eu sou médio, médio nos padrões de Mato Grosso eu sou médio e aqui a gente tem um padrão além do grande que é o enorme, o pequeno, médio, grande ou o enorme.

Luciano                O enorme foi o que eu vi.

Ricardo                O primeiro que você viu foi o enorme, o segundo que você viu talvez seja o pequeno, eu sou o médio e acima de mim tem uma outra classificação entre o meu porte e o enorme, mas enfim, essa situação aqui de Mato Grosso ela se difere do mundo também em função do tamanho das propriedades, a gente tem muita dificuldade de logística, tem muita dificuldade de infraestrutura como você mesmo percebeu andando aqui por Mato Grosso, isso não impede a produção, mas retira muito da competitividade, então os módulos obrigatoriamente tem que ser maiores que outros rincões aí do Brasil mais perto dos grandes centros, mais estruturados porque se não o negócio fica inviável, então a escala é muito importante para o Mato Grosso, outro detalhe que as nossas condições de clima e solo nos permitem praticamente duas safras por ano, então isso também chama a atenção do mundo de uma maneira eficiente do uso do solo, eu te desafio, Luciano, nessa rodada que nós vamos fazer pelo estado todo, nós vamos estar junto aí praticamente todas as regiões, a me mostrar um rio assoreado e para me mostrar uma área com erosão, porque eu quero que você diga eu vi uma erosão aqui, entendeu? Tamanha é a responsabilidade do produtor de Mato Grosso com a preservação do solo, aqui praticamente 100% da área é feito plantio direto que é uma prática de conservação de solo, os nossos rios são preservados, as matas ciliares são preservadas, as que não foram, por algum outro motivo estão sendo recompostas agora por consciência do produtor, enfim, essa interação com a sustentabilidade ambiental também é extremamente importante para a nossa sustentabilidade econômica, o nosso negócio não pode bobear, nós vivemos aqui numa condição extrema, onde produzir é muito necessário, a escala é muito grande e a gente não pode dar um passo em falso.

Luciano                Isso é importante, eu fiz uma série de programas sobre produtividade, mas o meu foco era a indústria e comércio que é a região que eu vivo e aqui eu cheguei e vi essa questão da produtividade sobre um outro ponto de vista que é esse cuidado que vocês tem, você falou, vocês vivem no fio da navalha, quer dizer, um sujeito que entra no agronegócio, quer dizer, não é o agricultor que está ali porque ama o assunto e quer ficar, não é o cara que está no agronegócio, este é o meu negócio, quero fazer dele meu negócio, ele não dá ponto sem nó e é tudo milimetrado, eu estada vendo os caras trabalhar e como é que é que se  pensa ali, não tem nada em excesso, nenhum insumo se gasta a mais, aliás tem uma  obsessão em reduzir ao máximo, quer dizer, eu quero usar o mínimo possível de insumos, o mínimo possível de semente, o mínimo possível de tempo de combustível e de energia, tudo assim e alguém me comentou, não sei se você, falando dos aviões, dos pulverizadores e aquele cuidado do overlap que o pulverizador fazia e que antigamente ele era dirigido no olho e depois passou ao GPS e isso já deu um ganho de produtividade porque com o GPS ele vai, pulveriza um lado a  outro e nunca há uma sobreposição, quer dizer, nós estamos falando em questões milimétricas que fazem uma diferença brutal. Isso é interessante porque quando a pessoa vem me dizer o seguinte, pô, mas os caras estão jogando veneno, os caras estão envenenando, eu falo cara, qualquer coisa que eles usarem a mais do que for possível é dinheiro perdido, qualquer tempo que eles gastarem a mais é dinheiro perdido e eu vi o pessoal contando no relógio, se eu não colher amanhã, eu vou dançar, como é que é essa obsessão pela produtividade?

Ricardo                É muito nessa linha que você falou mesmo, a nossa condição extrema de deficiência em infraestrutura, a nossa competitividade ela se garante no detalhe, então a gente não pode falhar, aqui em Mato Grosso não perdoa falha. As propriedades são grandes, os custos são enormes e qualquer desperdício, qualquer uso não consciente ou errado de qualquer insumo quer seja máquina, gente, a defensivo agrícola, fertilizante, qualquer gasto fora do planejado ou fora do que é correto na linha mesmo, é crucial, então temos um cuidado muito grande com o nosso parque de máquinas, a tecnologia embarcada nessas máquinas é muito grande, comparável com qualquer país desenvolvido, as máquinas que usamos aqui que os agricultores americanos usam, são as mesmas, as tecnologias são as mesmas.

Luciano                Eu vi e andei numa delas.

Ricardo                Exatamente, até um companheiro nosso depois saiu da colheitadeira entrou na caminhonete e falou que a colheitadeira era muito mais confortável que a caminhonete, e de fato é, porque o operador ele se cansa então tem que ter um ambiente apropriado para a máquina render, que aí não pode parar é a máquina, então tudo isso é muito parecido com o setor industrial mesmo, isso tudo é planilhado, isso tudo é controlado, a troca de óleo de máquina, tudo isso é pensado, isso é muito da eficiência mesmo. Por outro lado a gente está falando de preservação, de controle, todo gasto racional ele é um gasto que preserva a natureza também, você mesmo falou, defensivo a gente gasta o que precisa, ninguém é maluco de ficar gastando produtos que custam milhões de dólares ai, muitas vezes durante uma safra que fica pondo isso fora, desperdiçando, e não existe, tudo é muito controlado, é um uso consciente, inclusive uma das pautas que discutimos agora há pouco com os nossos delegados aqui do Nova Xavantina, é que precisa montar aqui na região mais uma indústria de  reciclagem de embalagem de produto agrícola. Tem duas indústrias aqui, como a área agrícola aumentou elas já estão tendo uma escala quase que tomada, está dando fila para entregar embalagem e nós vamos agora providenciar e incentivar que se construa mais uma recicladora de embalagem de defensivo agrícola, lembrando que o Brasil é o país que mais recicla embalagens de defensivos agrícolas e Mato Grosso é o estado do Brasil que mais recicla, quase 100%, 98% das embalagens de defensivos agrícolas utilizados em Mato Grosso são reciclados, então esse é o exemplo do bom uso e do uso consciente dos recursos.

Luciano                Ouvindo você falar assim, estou imaginando o ouvinte que está lá do outro lado e que não conhece de perto o assunto, quando você falou, as dimensões aqui são muito grandes, é tudo grande, é tudo muito longe, é tudo muito grande, é tudo muito… para vocês terem  uma ideia aqui, eu fui visitar a plantação de algodão, foi lá que eu andei na colheitadeira de algodão, é uma colheitadeira nova, de altíssima tecnologia que substitui o sistema antigo que tinha 10 pessoas para colher, essa colheitadeira sozinha vai no campo e faz esse colhimento, já compacta e solta um rolinho coberto com uma espécie de uma lona plástica ali e esse rolinho depois é recolhido, uma colheitadeira dessa custa 2 milhões de reais, uma colheitadeira, e ela trabalha 2 meses por ano, ou seja, o sujeito investe 2 milhões para trabalhar 2 meses e a colheitadeira fica parada, estacionada na fazenda dele durante 10 meses do ano, qualquer um que tiver um início de  estudo em economia sabe o que significa você investir 2 milhões  em equipamento que só trabalha 2 meses e além desse equipamento, ele tem uma espécie de uma usina  de processamento ali que fica parada 7, 8 meses por ano, então são números brutais onde qualquer erro significa uma perda total desse trabalho todo e eu nessa visita que eu fiz  ao pequeno agricultor, ele conversando comigo, com a maior naturalidade e a gente estava conversando e eu falei, qual é o faturamento do seu negócio aqui? Eu faturo 10 milhões de reais por ano, meu olho já ficou grandão, falei meu, 10 milhões é um baita negócio, ele falou pois é, só que 9 milhões ficam no processo, eu gasto 9 milhões para poder faturar 10, no fim das contas sobrou 1 milhão que  é o que eu tenho para sustentar tudo que você está vendo aqui, a minha família e tudo mais, então quando você chega no número final de um produtor desse tamanho aí, a coisa se revela muito parecida com um sujeito que tem um emprego bom numa grande capital e ele me contando que, naturalmente assim, é pois é, tive aqui um fogo na última safra e perdi dois milhões de reais, como assim, como é que alguém perde 2  milhões numa safra, então os números são sempre muito grandes, as dimensões são muito grande e é isso que é difícil para alguém que está de fora enxergar, então Ricardo, eu estou aqui pelas mãos  da APROSOJA, APROSOJA é a Associação dos Produtores de Soja, nasceu no Mato Grosso, depois já existem várias APROSOJA’s, inclusive APROSOJA Brasil, e eu vejo que o trabalho de vocês é um trabalho extremamente focado no treinamento de um lado, o treinamento trazer para esse pessoal dos associados as informações, o pessoal anda com o celular recebendo a cada segundo um SMS da APROSOJA contando como é que está a cotação em Chicago, vão acompanhando isso de perto, passo a passo, mas tem o outro lado, que é o lado muito importante que é o lado que você desenvolve que tem aquele componente político que é a pressão para que o campo receba a atenção, não só do governo, como das entidades que promovem essa organização das leis, organização dos processos, onde vão os investimentos, então vocês fazem um papel muito importante aí e eu vi que tem alguns pontos chaves que vocês estão trabalhando ali para ver se consegue destrancar o potencial do agronegócio no Brasil, eu ouvi uma série de apresentações de um ministro falando e os economistas falando, todo mundo diz o óbvio, o potencial desse negócio é brutal, isso aqui dá para triplicar, quadruplicar e só não  acontece isso porque o problema está muito bem controlado da porteira para dentro, a gente já sabe como fazer, nós temos condições de fazer, da porteira para fora é que a encrenca começa, não tem estrada, não tem logística, as leis são uma confusão terrível, qualquer coisinha aqui você recebe uma proibição e etc e tal. Como é que esse trabalho que vocês estão desenvolvendo, que pontos são esses em que vocês estão atuando para destravar a questão do agronegócio, ou aliás, comece me dizendo quais são os problemas, como é que vocês estão trabalhando nisso?

Ricardo                É, a gente, por óbvio, por brasileiros que somos e vivemos as realidades do Brasil e qualquer empreendedor no Brasil sabe o tamanho da dificuldade que temos com a burocracia, com os preconceitos, com as instabilidades, então estamos inseridos nisso com adicional que ainda temos que contar com a chuva na hora certa, com sol na hora certa, temos o adicional do agricultor aí, então realmente a entidade ela tem um pensamento muito estratégico, a gente tem uma responsabilidade de pensar esse negócio, de pensar esse setor, 10, 20 anos para a frente, sabemos que as coisas não se resolvem do dia para a noite também, no Brasil e no mundo tudo começa com a política e tudo termina na política, essa é a primeira consciência que temos que ter e a ARPOSOJA, ela tem esse papel que não é político partidário, porém é um papel de integração, de interação do agricultor com o ente político, quer seja do executivo, quer seja do legislativo e  até com o judiciário estamos tendo um relacionamento muito próximo, relacionamento institucional onde a gente leva as demandas, as dificuldades e  busca, inclusive ajudar a criar soluções, então as dificuldades, principalmente em Mato Grosso, ponto nevrálgico, infraestrutura, infraestrutura um estado que produz 27 milhões de toneladas de soja, este ano vai produzir 17 milhões de toneladas de milho mais não sei quantas toneladas de algodão, mais não sei quantas toneladas de cana, enfim, 26 milhões de cabeças de gado, o maior rebanho brasileiro, então é muita coisa para ser transportada, sem falar que tudo isso precisa de insumos para ser produzido, esses insumos também tem eu chegar aqui e as distâncias são enormes, não só internas. O estado de Mato Grosso tem 95 milhões de hectares, é um monstro, daqui para qualquer porto é muito longe, é o ponto mais longe do Brasil para qualquer porto, quem sabe do mundo, porque estamos no coração da América do Sul, então é onde se tem a melhor condição para produzir e infelizmente é o lugar no ponto mais distante de qualquer grande mercado consumidor, então infraestrutura é a palavra chave e aí, para se ter infraestrutura, temos os problemas agregados, problemas de licenciamento, problemas de burocracia, de falta de projeto, de falta de recurso e a gente procura tocar pro ativamente nisso aí, não que seja simples, não é simples, mas a gente tem feito esse papel e felizmente estamos passo a passo avançando. Outra questão bastante complicada nossa é a questão de política agrícola, que política voltada para o setor onde a gente busca segurança na produção, aí muito próprio da situação do produtor em si, onde demandas como o seguro agrícola, adequado para a nossa situação é uma demanda constante, estamos evoluindo a passos lentos mas estamos evoluindo, temos essa demanda já há algum tempo, o seguro que nós temos cobre a produtividade, nosso problema não é exatamente a falta de produtividade, nossos problemas aqui são falta de renda muitas vezes, então a gente queria um produto mais moderno, combinado com seguro de preços, enfim, algo que fosse mais palatável e portanto mais útil ao produtor. Temos a questão do próprio financiamento da produção, o financiamento público vem aumentando, os recursos do plano agrícola vem aumentando porém ainda são muito pequenos, tamanha é a produção, tamanha é a demanda por recursos, então é buscar aí a participação dos entres privados, fazer toda essa junção de capital público com capital privado, voltado para o financiamento de produção agrícola é um trabalho que a gente tem feito também. A questão da segurança jurídica, falamos aqui do código florestal, falamos da questão dos licenciamentos, os problemas indígenas, os problemas ambientais voltados aí à fiscalização, por exemplo, do correto uso dos defensivos agrícolas, da legislação trabalhista que foi feita para a indústria e para a cidade e causa um transtorno enorme para o campo, você teve condições de ver in loco, como é o trabalho no campo…

Luciano                Você me deu um gancho aqui, esse pequeno agricultor que eu estava comentando, ele estava dizendo para mim a dificuldade que ele tem hoje com mão de obra, ele falou, eu estou arrancando os cabelos aqui porque eu já não consigo contratar gente como eu tinha antigamente, a mão de obra mudou e a legislação não me permite utilizar esses caras como a gente utilizava antigamente, então por exemplo, chegou aqui sábado e domingo é a hora de descanso, a turma já não fica mais na fazenda, vai todo mundo embora, então eu passo fim de semana rezando para não queimar nada porque se eu tiver um incêndio na minha plantação no domingo, ela vai queimar inteirinha porque eu não tenho ninguém para me ajudar a apagar esse incêndio em função dessa mudança brutal que aconteceu, não só na legislação mas também no tipo de relação do empregado com o patrão e são coisas que a gente não imagina, então o incêndio tem que acontecer  dia útil no horário comercial, se for fora disso é uma confusão gigantesca.

Ricardo                É, incêndio é um caso extremo, vou colocar a chuva, tem que acontecer na hora certa, a seca tem que acontecer na hora certa porque infelizmente a nossa legislação trabalhista ela é completamente desconectada da realidade do campo, temos janela de plantio, tem dia a hora para começar e terminar o plantio, tem dia a hora para começar e terminar a colheita, nesse período chove, tanto no plantio quanto na colheita chove muito, então os momentos que se tem para trabalhar são momentos pequenos, pequenas janelas de sol que se abrem e você tem que por todo o seu potencial de trabalho naquele momento e aí você chega numa situação que a máquina trabalhou 8 horas, trabalhou 10 horas, o operador não pode trabalhar mais e você tem condições as vezes de rodar 12, 13  horas e não pode e você não tem garantia que no  outro dia vai estar fazendo sol pode chover e a noite inteira e você ficar 2, 3, 4, 5 uma semana sem trabalhar e isso é a coisa mais comum aqui no campo, das máquinas ficarem uma semana paradas quando abre o sol tem que trabalhar 10 horas e parar, então não existe compensação de horas, não existe banco de horas, a lei não permite, a lei não permite terceirização das atividades fins. Então não se pode terceirizar um serviço de colheita, um serviço de aplicação de defensivos, um serviço de plantio não se pode terceirizar, então é realmente bastante complicado. Estamos aí falando da segurança jurídica, legislação trabalhista, temos toda a questão de biotecnologia, uma ferramenta extraordinária, biotecnologia é o futuro da agricultura, uma ferramenta extraordinária, reduz o uso de insumos, reduz o uso de defensivos, aumenta a eficiência do produtor, aumenta o rendimento, você produz mais com menos, mas temos vários preconceitos, principalmente de mercados consumidores europeus, temos a questão da liberação das tecnologias entre países que produzem e países que compram, não acontece na mesma época, não acontece  na mesma data, então tínhamos tecnologias aqui no Brasil, temos tecnologias à disposição que simplesmente não são usadas porque se nós produzirmos com aquilo não temos para quem vender, que o mercado, por exemplo, chinês que é o grande mercado comprador das nossas commodities ainda não liberou lá, por motivos burocráticos comerciais, não se sabe, não se consegue entender exatamente porque dessa assincronia, então esses temas são temas que nos afligem bastante, a infraestrutura, a segurança jurídica, as políticas agrícolas, a questão das biotecnologias, dentre outros diversos temas  aí que nos atingem diretamente e a associação felizmente tem conseguido, pelo menos dentro da sua potencialidade, achar soluções para isso e o produtor enfim tem podido se dedicar um pouco mais ao seu negócio.

Luciano                Uma das coisas que eu mais ouvi andando por ai conversando com as pessoas foi assim, está embargado, (onomatopeia) está embargado (onomatopeia) está embargado, por quê? Por causa do índio, por causa do mato, por causa do peixe, por causa do pássaro, por causa da rodovia, por causa da casa, todo mundo falou para mim alguma vez de  está embargado e de certa forma a gente vê em alguns momentos que há o progresso breca por causa do embargo, o embargo não é resolvido a coisa não consegue andar e hoje eu tive aqui uma conversa interessante, em Nova Xavantina falando de uma hidrovia que tem um potencial de resolver um problema seríssimo de transporte aqui e é uma conversa de 1994, uma hidrovia fantástica aqui que começou, tudo pronto para acontecer e de repente há o embargo, para tudo, e nós estamos aqui há 20 anos, completou 20 anos agora, a discussão continua e há um potencial maravilhoso aqui que não se desfaz esse novelo porque houve uma série de embargos aí. Me fala um pouco a respeito disso.

Ricardo                É um problema sério, você falou de embargos e às vezes o nosso ouvinte vai falar, ah embargou a fazenda porque o cara fez um desmatamento ilegal, se o cara fez um desmatamento ilegal tem mais é que embargar a fazenda dele mesmo, nós não estamos tratando disso, nós estamos tratando de uma rodovia federal, duas rodovias federais, a BR 242 e a BR 158 que estavam com trechos embargados porque ou o componente ambiental ou o componente indígena não destravava, obras federais, não é o agricultor que estava fazendo desmatamento ilegal, estamos tratando isso, então falando aqui, como você disse, aqui em Xavantina de uma hidrovia que em 1994 estava pronta para começar a operar e foi simplesmente embargada, não se sabe exatamente até hoje por que motivo e agora nós, em 2014, com a ação da APROSOJA, nós estamos começando a enxergar a luz no fim do túnel para ver quando é que nós vamos conseguir desembargar isso, então é muita coisa jogando contra, a coisa que eu tenho muito clara comigo que o Brasil perde para ele mesmo, o Brasil perde para ele mesmo, a gente precisa ter um pouco mais de clareza nisso aí.

Luciano                Eu tive um exemplo interessante, alguém estava comentando, eu estava sentado na mesa tomando uma cerveja e um dos agricultores que estava lá comentando comigo, nós estávamos falando que, acho que o Marcelo saiu para correr de manhã e topou com uma queimada gigantesca, teve que voltar correndo porque não conseguia respirar e essa queimada estava vindo de dentro da área indígena, é uma reserva indígena ali atrás e eu falei Marcelo, quem põe fogo? Alguns índios, mas por que que o índio põe fogo? O índio põe fogo para caçar, ou seja, ele repete um processo cultural que tem 500 anos de idade, já fazia isso quando Cabral chegou no Brasil era assim, na hora de caçar põe fogo e espanta os bichos e caça os bichos e até hoje é assim  e ele estava comentando que o grande medo na região dele, por exemplo, que é muito próxima de uma reserva indígena, é que esse fogo passe para a área dele e pegue na área de preservação que está dentro da área dele, ele falou, então quando isso acontece, por exemplo, se eu não conseguir reagir a tempo, tem um satélite lá em cima fotografando e esse satélite vai monitorar a minha fazenda e vai ver que houve um incêndio na minha fazenda, no dia seguinte fiscais estão na minha fazenda me procurando para me interpelar por que é que eu estou incendiando uma área da minha fazenda e aí nós vamos ter que ir lá para desenrolar o processo, é uma coisa complicadíssima, o que me diz claramente o seguinte, quer dizer, além da preservação necessária, é responsabilidade dele cuidar de tudo o que está ali dentro, quer dizer, se o fogo vier de fora e pular lá para dentro, ele que se vire para apagar o fogo ali dentro se não  ele vai ter que prestar contas  sobre aquela área, quer dizer, é um jogo complicado de brigar, não só contra a natureza mas contra a lei e  contra uma pancada de coisas que aprece que vem para dificultar.

Ricardo                Sim aqui em Mato Grosso todas as propriedades tem a sua reserva, a sua parte obrigatória de reserva legal e tem inúmeras reservas indígenas e isso é recorrente, todo ano os índios põem fogo nas reservas, ponto, todas as reservas praticamente queimam todo ano porque os índios fazem isso e é cultural e a natureza convive com isso, o serrado precisa inclusive da queimada, é uma coisa natural do serrado, obvio, não a queimada voluntária feita pelo homem, mas o serrado na época de seca ele queima sozinho, tem a combustão espontânea, materiais que se  atritam, isso é da natureza, faz milhares de anos que acontece isso, aí você vem e me fala, pegou fogo na minha propriedade, um fogo involuntário ou um fogo colocado por um indígena, por exemplo na reserva, que passou para a minha propriedade, ou um fogo acidental ou um intencional na beira da rodovia que adentrou à minha propriedade, o satélite não quer saber quem pôs o fogo, ele só quer saber que queimou, entendeu? É desse jeitinho mesmo, o  satélite fotografa, informa o agente da fiscalização ambiental, por vezes estadual, por vezes federal, ele vai e autua, você falou, foi até bonzinho, falou interpela, não interpela, ele multa e aí o cidadão que se vire se livrar dessa multa, eu tenho um conhecido que teve um problema até pior do que esse, na reserva da fazenda dele, a reserva ambiental da fazenda dele tinha madeira e havia pessoas roubando madeira da fazenda dele, essa parte de preservação ficava ao fundo da propriedade, um local que o acesso era difícil e ele descobriu que tinha madeireiros ilegais roubando madeira da reserva legal da fazenda dele, ele se dirigiu à polícia civil e fez a denúncia, a polícia civil não fez nada, ele se dirigiu à polícia federal e denunciou à polícia federal, não fez nada e um belo dia o agente do IBAMA chegou lá e multou ele por  estar fazendo extração ilegal de madeira e ele está com esse pepino, 5 milhões de  reais de  multa e esse pepino para desenrolar, então é absurdo, é absurdo mas acontece.

Luciano                Ricardo, outra coisa que chamou minha atenção aqui foi o espírito comunitário que eu vejo nessa região aqui, acho até que é uma coisa cultural porque essas cidades aqui começaram há 30, 40 anos, quando os caras chegaram aqui só tinha mato, ou seja, se eu não ajudar meu vizinho eu morro junto com ele, e os caras abriram isso aqui no peito e eu acho que isso de certa forma, até pela colonização, os gaúchos vieram para cá, vieram os paranaenses, chega esse  pessoal, a alemoada, a italianada que tem o espírito diferente, monta a partir do 0 uma cidade, nasce um núcleo que tem o espírito de comunidade, onde as  pessoas se ajudam e no trabalho da APROSOJA eu também vi um foco muito grande nessa questão de despertar o espírito de liderança nas pessoas, fazendo com que esse espírito de comunidade se amplie para todo o estado e quem sabe  até para o Brasil, com uma forma de juntar as  pessoas para que, olha, juntos nós podemos fazer tudo com muito mais força, com muito mais consequência e  vocês  quando me chamaram para falar para a APROSOJA, vem aqui o seu speatch não é técnico, seu speatch é comportamental, você tem que falar de liderança para a gente trazer para esse pessoal essa consciência de cidadania. Você é presidente de uma entidade desse tipo, a APROSOJA é isso, é uma associação de produtores, eu acho que esse  espírito de comunitário, de comunidade, da cooperativa está presente o tempo todo, como é que vocês estão tratando isso, essa questão do desenvolvimento de lideranças, o que se passa na sua cabeça, qual é  a ideia em torno disso?

Ricardo                Luciano, a tua avaliação foi perfeita, o desbravamento de Mato Grosso é bastante recente no calendário, mas feito justamente com muita dificuldade, até hoje temos enormes dificuldades, imagina isso 30, 40 anos atrás, quais eram realmente as dificuldades enfrentadas.

Luciano                O exemplo que me deram lá em Gaúcha do Norte, que o pessoal montou a cidadezinha estava nascendo lá e que a única forma de ter comida, eles tinham que aguardar uma das pessoas pegar um tratorzinho puxando lá um reboque, esse trator levava uma semana para ir e para voltar de uma cidade com os mantimentos, quer dizer, esse era o limite que esse pessoal vivia.

Ricardo                Sim e não faz tanto tempo, isso é coisa de vinte e poucos anos atrás, parece que é da época da colonização do Brasil, mas é muito mais recente que isso, isso é da minha época, na minha época, então esse senso comunitário ele realmente é muito presente é em todo esse Mato Grosso desbravado pelos agricultores, é assim, você vai ter oportunidade de conhecer praticamente todo esse estado e vai notar que a comunidade ela é muito importante para todos os agricultores e a  APROSOJA ela veio, nasceu em 2004, um período que o setor iniciou a vivência de um processo de uma crise intensa, uma crise intensa, uma crise sem precedentes onde preços desabaram, custos multiplicaram, todo mundo levou muito prejuízo ao mesmo tempo.

Luciano                Quando foi?

Ricardo                Em 2004, 2005, 2006, a APROSOJA foi fundada em 9 de fevereiro de 2005, então tem quase 10 anos e foi um período crítico, foi um período muito crítico e foi justamente esse senso comunitário, esse senso de mútua ajuda que criou a APROSOJA. Nós precisamos nos organizar em torno da cultura da soja que é a principal cultura de todas porque nós estamos quebrando, ou nós vamos nos organizar e em conjunto buscar a solução para esses problemas e em conjunto principalmente evitar que esses problemas retornem, com ações estratégicas, tudo aquilo que nós falamos dos pilares, de pensar o futuro, de fazer a visão estratégica, para que a gente possa ter estabilidade, ter primeiro viabilidade e depois estabilidade, então foi da dificuldade que a APROSOJA nasceu, ela nasceu dessa dificuldade comum à história das dificuldades de todos os desbravadores. Então nós dentro da APROSOJA temos esse senso de união bastante desenvolvido e a gente quer que isso se perpetue, que isso se aqueça e se perpetue, pensamos essa entidade 10, 20, 50 anos à frente, nós queremos ter essa entidade sempre à frente porque já sentimos a necessidade vital da nossa organização, o Mato Grosso não consegue mais pensar o setor agro sem organização, por tudo o que nós falamos, a competitividade que nos é imposta, o fio da  navalha que vivemos, então se  for cada um por si, nós não vamos chegar em lugar nenhum e o produtor já aprendeu isso, por que despertar  a liderança? Porque a gente precisa melhorar ainda mais e esse trabalho que é voluntário não pode ficara concentrado na mão de poucos, um dos grandes ganhos que a APROSOJA trouxe para a representação de classe é a alternância, a alternância, ninguém consegue ser presidente da APROSOJA por mais de 4 anos  que é o primeiro mandato e só é possível uma reeleição, então ninguém consegue ser presidente da APROSOJA por mais de 4 anos e a troca constante de pessoas tem um lado positivo, que é a alternância, a oxigenação, novas ideias, novas culturas, novos ambientes, a gente procura, inclusive, circular essa troca de poder dentro das regiões do estado, se dá preferência, não é obrigatório mas se dá preferência para cada eleição que o presidente possa ser de uma região diferente, para que todas as  regiões possam ser contempladas, mas ao mesmo tempo essa troca constante de poder ela traz um problema que é a experiência, a falta de experiência. Não é fácil pegar uma entidade do tamanho que é a APROSOJA hoje para quem nunca participou, não tem o mínimo de conhecimento, fazer ela andar no ritmo e na eficiência que ela precisa andar, então a gente se preocupa sim com a formação constante de líderes, a gente tem academia de liderança, nós temos um curso constante para quem se interessar e quiser ingressar nesse ramo da representatividade que ele  possa se preparar, que ele possa se capacitar inclusive para ser um líder e tamanha é a  importância dessa visão estratégica para nós da APROSOJA é que nós estamos incentivando agora toda a  nossa comunidade,  todos os nossos associados a despertara dentro de cada um a sua liderança, interpretamos isso como um líder em cada comunidade, em cada família, é a multiplicação disso que vai formar uma grande entidade,  que é a multiplicação de todos esses líderes, é uma entidade formada por líderes, essa é a grande sacada.

Luciano                Legal, é um trabalho hercúleo, porque você está falando o seguinte, não é que o pessoal vai lá em Cuiabá sentar para ter aula ali dentro, vocês estão no campo, se tem que levar isso para as cidades que estão distantes e quando e falo distante eu estou falando de uma hora e meia de voo, estou falando de 800 quilômetros de carro, estrada de terra, nada é fácil aqui e sendo  assim eu acho que é muito complicado fazer isso sozinho e eu vi que vocês tem uma série de parcerias, uma delas muito forte com o SENAR, como é que é, como é que se dá isso, inclusive assedes são muito próximas, tem um núcleo muito próximo de vocês, vocês trabalham muito em conjunto né?

Ricardo                Sim, o SENAR é o Serviço Nacional da Aprendizagem Rural, são recursos dos agricultores que mantém o SENAR e o SENAR ele desenvolve programas de treinamento para capacitação de funcionários, de proprietários, de consultores, enfim, é uma retribuição do dinheiro investido em capacitação, diretamente em capacitação. O circuito da APROSOJA que é esse trabalho que estamos fazendo é uma co realização da APROSOJA com o SENAR, tamanha é a identificação entre os dois entes. O SENAR é vinculado ao sistema sindical, nós temos uma sinergia, não temos vinculação mas temos uma sinergia muito grande com o sistema sindical também, fazemos um trabalho um pouco diferente mas aproveitamos, somamos muito com o sistema sindical e nada mais natural e justo do que trazer essa informação sobre a capacitação, não só dos funcionários, da mão de obra que é um problema, é um dos gargalos, a mão de obra capacitada hoje aqui em Mato Grosso, acredito que no Brasil inteiro mas mais aqui em Mato Grosso é um dos gargalos para o desenvolvimento da agricultura, como você viu as máquinas são máquinas de primeiro mundo, as tecnologias são tecnologias extremamente avançadas e a capacitação da mão de obra infelizmente não acompanha no mesmo ritmo então o SENAR tem feito um trabalho muito importante investindo dinheiro do produtor rural na capacitação, não só do seu funcionário, mas do próprio produtor, do seu filho, do seu agrônomo, do seu contador, do seu advogado, todo mundo tem a oportunidade de se capacitar com temas muito vinculados ao setor, eu acho que essa sinergia, essa  soma de  esforços muito parecido com  o aspecto de comunidade, comunitário de auto ajuda é o que tem fito a  diferença.

Luciano                Muito legal essa ideia de fazer brotar das bases e vocês tem acertado na mosca, vocês botaram o ministro da agricultura, o ministro da agricultura saiu daqui, hoje o ministro que saiu daqui dessa região, é do Mato Grosso, está lá e eu vejo que esse incentivo acontecendo, várias pessoas me procuraram nas palestras para falar dos cursos que estão fazendo, vieram comentar, são muitas coisas legais acontecendo ali e me parece que vocês tem um foco também voltado para a universidade, tem um braço do circuito APROSOJA que vai para a universidade, não é isso?

Ricardo                Sem dúvida, estamos falando em brotar lideranças, essas lideranças estão em vários meios, não só no meio agrícola, no meio universitário talvez estejam as lideranças mais primorosas que podemos trazer aí para o sistema num futuro breve, justamente aqueles que estão se capacitando,  que estão sentados hoje nos bancos universitários e que vem para o mercado de trabalho muito em breve, a aproximação dos nossos conceitos, do nosso setor com esses lideres que estão vindo para o mercado de trabalho é muito importante, a gente entende que essa aproximação pode abreviar um percurso enorme, quebrando barreiras, tirando o preconceitos, fazendo com que eventualmente quem se interesse pela área possa conhecer já de cara, antes mesmo de sair do banco das universidades quais são os conceitos que nos guiam, o que a gente defende, o que é que a gente faz e quem sabe aí já procurar uma pós graduação, uma especialização voltada para  a área e vir trabalhar nesse setor que é tão carente de mão de obra especializada.

Luciano                Muito legal, baita investimento, uma coisa muito grande, eu vou voltar para o começo da entrevista, que eu falei a diferença da agricultura para o agronegócio, mergulhei de cabeça no agronegócio aqui e se de um lado eu fico fascinado, é só a primeira semana,  nós temos mais 4, 5  semanas pela frente aí, eu vou visitar muito mais áreas aqui, vou falar com outras pessoas, mas do mesmo jeito que isso me fascina estar vendo isso ao vivo, me dá uma agonia de saber que a  maioria das pessoas não conseguem ver e o que elas enxergam é exatamente aquilo que aparece na imprensa, então é a  briga política, é o político X com o político Y, é uma bandidagem aqui, é uma outra coisa, confundem aqui confundem o ladrão de madeira que está roubando madeira na Amazônia, com quem está fazendo o agronegócio, confundem o desmatador ilegal com quem faz o agronegócio e vira uma bagunça onde ninguém entende  o que está falando. Então a minha recomendação para você que está ouvindo aqui é a seguinte, se você ouviu o programa e gostou, maravilha, legal. Se você vai entrar aqui para fazer um comentário do tipo assim, desmatador ilegal, antes de falar isso, vem para cá, pega um avião, vem para cá, anda 800 quilômetros de carro, vem ver o que eu estou vendo, vem conviver com essas pessoas aqui para entender porque é que o agronegócio é responsável pela maior parte do PIB brasileiro hoje, se o Brasil tem algum crescimento positivo nos últimos 5, 6, 7, 10, 12 ,15 anos, é porque o agronegócio está presente e é ele que segura a peteca,  se essa peteca cair meu amigo, nós vamos crescer negativo e não há dúvidas disso.

Ricardo                100 bilhões de dólares é o resultado da balança positiva do agronegócio no Brasil esse ano, se você retirar esses 100 bilhões de dólares dá para saber como que era a balança, estamos praticamente no 0 porque o agro colocou 100 bi de superávit, tira isso para ver como fica, então é muito importante a gente ter o foco correto, ter a visão correta dos negócios, assim como a indústria tem importância dela na geração de empregos, no desenvolvimento, a educação também, o setor de serviço, o comércio, eu acho que a somatória de todos os setores é que vai fazer um país forte, o que a gente não pode ter é preconceito, a gente não pode ter preconceito, se você tem  dúvida, procure a informação, não julgue antes de  conhecer.

Luciano                Ricardo, obrigado pelo tempo que você dedicou aqui, parabéns, você é jovem, que idade você tem?

Ricardo                38

Luciano                É jovem cara, é um garotão com 38 anos, eu vejo o interesse que ele tem, a forma como ela está liderando as discussões aqui, eu vejo que como o Ricardo eu conheci mais uma pancada de outros garotões na faixa dos 40 anos e eu estou antevendo uma mudança importante que vai acontecer ai, inclusive por essa mudança de faixa de idade, quer dizer, os velhinhos da minha idade, tudo com 58, 60, está saindo fora e está aparecendo uma garotada nova aí com os 40 anos que tem uma visão completamente diferente,  é a visão de agronegócio que está tomando conta aqui e eu não tenho dúvida nenhuma de que o que tem pela frente aí, se o estado não atrapalhar, isso aqui é só crescimento e eu espero estar acompanhando mais de  perto.

Ricardo, obrigado pelo tempo aqui. Você ouvinte, se quiser conhecer um pouco mais aguarde porque vem mais programas aí falando de outras coisas que eu estou vendo aqui no agronegócio. Diga as suas palavras finais.

Ricardo                Eu também quero te agradecer, Luciano, pela tua participação aqui com a gente, pela companhia primorosa que você é, os nossos bate papos aqui são excelentes, passar um pouquinho de inveja para o ouvinte, vocês não sabem como é bom conviver com pessoas do nível de capacidade e inteligência do Luciano, sempre é um aprendizado, cada conversa nossa é uma maravilha e vamos em frente, nós temos ainda um longo percurso e eu acho que vai ser muito bom para todo mundo que puder ter acesso ao teu site, ter acesso ao teu Facebook, aos teus programas gravados também, é muita informação e informação de qualidade, parabéns, vamos nessa aí.

Luciano                Você ouviu LíderCast, mas ele continua no portalcafebrasil.com.br, onde você encontrará a transcrição desta entrevista com links e mais informações.

portalcafebrasil.com.br, vá lá, ajude a enriquecer o programa com seus comentários, leia os comentários de outros ouvintes e mande sugestões de pessoas que você gostaria que fossem entrevistadas no programa. E se quiser nos contatar pelo Whatsapp é o 11 967898114.

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Até o próximo LíderCast, liderança e empreendedorismo na veia.

 

                                                                                                        Transcrição: Mari Camargo