Assine o Café Brasil
Lidercast
A rã e o escorpião
A rã e o escorpião
Isca intelectual de Luciano Pires, dizendo que é como ...

Ver mais

Fake News
Fake News
Isca intelectual lembrando da teoria dos Quatro Rês, ...

Ver mais

Matrizes da Violência
Matrizes da Violência
Isca intelectual lembrando que os presídios brasileiros ...

Ver mais

Mudei de ideia
Mudei de ideia
Isca intelectual de Luciano Pires incentivando que você ...

Ver mais

544 – Persuadível
544 – Persuadível
Podcast Café Brasil 544 - Persuadível. Vivemos numa ...

Ver mais

543 – Desengajamento moral
543 – Desengajamento moral
Podcast Café Brasil 543 - Desengajamento moral. Como é ...

Ver mais

542 – Tapestry
542 – Tapestry
Podcast Café Brasil 542 - Tapestry. Em 1971 uma cantora ...

Ver mais

541 – A festa do podcast
541 – A festa do podcast
Podcast Café Brasil 541 - A festa do Podcast. ...

Ver mais

LíderCast 056 – Paula Miraglia
LíderCast 056 – Paula Miraglia
LiderCast 056 - Hoje conversaremos com Paula Miraglia, ...

Ver mais

LíderCast 055 – Julia e Karine
LíderCast 055 – Julia e Karine
LiderCast 055 - Hoje vamos conversar com duas jovens ...

Ver mais

LíderCast 054 – Rodrigo Dantas
LíderCast 054 – Rodrigo Dantas
LiderCast 054 - Hoje vamos falar com o empreendedor ...

Ver mais

LíderCast 053 – Adalberto Piotto
LíderCast 053 – Adalberto Piotto
LiderCast 053 - Hoje vamos entrevistar Adalberto ...

Ver mais

045 – Recuperando do trauma
045 – Recuperando do trauma
Quando terminar o trauma, quando o Brasil sair deste ...

Ver mais

Vem Pra Rua!
Vem Pra Rua!
Um recado para os reacionários que NÃO vão às ruas dia ...

Ver mais

44 – Tudo bem se me convém – Palestra no Epicentro
44 – Tudo bem se me convém – Palestra no Epicentro
Apresentação de Luciano Pires no Epicentro em Campos de ...

Ver mais

43 – Gloria Alvarez – Sobre República e Populismo
43 – Gloria Alvarez – Sobre República e Populismo
Gloria Alvarez, do Movimento Cívico Nacional da ...

Ver mais

A verdade inconveniente da política atual
Bruno Garschagen
Ciência Política
Isca Intelectual de Bruno Garschagen, lembrando que o risco imediato para o futuro do mundo não é a desgraça do populismo: é o casamento incestuoso entre a degradação da política de hoje com a ...

Ver mais

A força da vocação
Tom Coelho
Sete Vidas
“Eu nunca quis ser o maior ou o melhor. Queria apenas desenhar.” (Mauricio de Sousa)   Mônica, Cebolinha, Cascão, Magali. É quase impossível que estes personagens de histórias em quadrinhos ...

Ver mais

O caos no Rio de Janeiro tem muitos culpados. E uma explicação
Bruno Garschagen
Ciência Política
Isca intelectual de Bruno Garschagen, lembrando que o que está acontecendo neste momento no Rio de Janeiro revela que a relação do carioca com a política não mudou muito desde o final do século 19.

Ver mais

Que grandeza…
Fernando Lopes
Iscas Politicrônicas
Ah… nada como o amor sincero à Pátria, o dar-se pelo povo… Nada como ver políticos desprendidos, servindo à nação uma verdadeira aula de civismo, espalhando sabedoria e exemplo de ...

Ver mais

LíderCast 019 – Ricardo Basaglia

LíderCast 019 – Ricardo Basaglia

Luciano Pires -

apoio dkt

Luciano             O LíderCast chega até você com apoio do Linkedin, a solução que vem transformando a atração de talentos através das redes sociais profissionais. Bem vindo, bem vinda a mais um LíderCAst. Hoje converso com Ricardo Basaglia que é presidente da Michael Page, simplesmente a maior empresa de contratação de executivos do Brasil. Ricardo está à frente de uma empresa que seleciona líderes cara, uma conversa que você tem que ouvir.

Eu estou aqui trancado num estúdio minúsculo com esse final de gripe e o coitado que eu vou entrevistar aqui hoje vai sair daqui gripado também, que pena cara, mais um. Bom, não há de ser, vocês vão ver que a conversa vai fluir muito bem. Vamos àquelas perguntas básicas que eu sempre faço na abertura do programa, seu nome, que idade você tem e o que é que você faz?

Ricardo             Luciano, primeiramente um prazer estar aqui com você, meu nome é Ricardo Basaglia, eu sou diretor executivo do Page Group, maior empresa de recrutamento do Brasil, Michael Page, Page Personel e Page Executive, são as empresas desse grupo e tenho 35 anos e há 10 anos já trabalhando com recrutamento de executivos.

Luciano             Michael Page, como é que você veio parar aqui, hein cara?

Ricardo             Luciano, essa é uma pergunta super interessante, porque eu vou tentar dar um passo para trás para dar vários para a frente. Eu costumo dizer que o meu planejamento de carreira é um exemplo de como talvez não deveria ser um planejamento de carreira. Eu tenho a minha formação em tecnologia, comecei já há algum tempo atrás, me formei com 20 anos de idade e na época, antes de estourar a bolha da internet, tive o meu portal de internet, ainda quando a internet estava começando no Brasil e é super interessante que esse projeto deu muito certo. Na época, um grupo de investidores nos procurou, queria comprar o projeto e a gente acabou vendendo esse portal três meses antes do estouro da bolha da internet, não foi nada de visionários, foi um golpe de sorte, acabou dando muito certo.Vendemos esse projeto, como você pode ver não inventei o Facebook, não fiquei bilionário, continuo trabalhando, mas na época foi, com 20 anos, foi uma oportunidade interessante de começar no mercado corporativo. Depois, então, eu trabalhei numa grande operadora de telecom por 3 anos, como gerente de projetos de internet. Foi quando eu comecei a descobrir que a carreira técnica não era mais o que eu tinha como plano, porque apesar de muito novo, com 23 anos, já ter uma equipe de 70 pessoas, comecei a entender que a gestão de uma equipe técnica ainda me faltava algo, foi quando então eu passei 3 anos na área comercial duma empresa de tecnologia, uma consultoria de tecnologia e depois, há 10 anos, a Michael Page estruturando a sua área de recrutamento de profissionais técnicos me chamou para fazer parte do quadro da empresa e aí, como eu costumo dizer, a carreira de um profissional não pode ser um plano fixo. Se a gente fizer uma analogia de antigamente, eu não consigo mais fazer um plano de carreira no Garmin, eu tenho que ir para o Waze, aonde à medida que eu vou tendo algum ajuste, eu vou traçando novos caminhos para que aí também eu descubra novas possibilidades.

Luciano             Eu costumo brincar sempre nas palestras e no programa que eu faço, eu conto a minha própria história: eu com 17 anos de idade eu queria ser cartunista e escritor, eu crio um hiato na minha vida de 26 anos, quando eu viro executivo de multinacional de auto peças, para aos 52 anos retomar aquela coisa inicial.Quer dizer, se você olhar na minha carreira eu hoje faço aquilo que eu sonhava que eu ia fazer quando tinha 17 anos de idade, mas eu dei uma volta gigantesca cara, para retomar lá na frente. É muito legal isso ai. E você chamou a atenção uma coisa que você comentou ai, essa empresa eu você trabalhava lá, você com 23 anos de idade, comandou uma equipe lá de 70 pessoas, era uma empresa de que, o que era lá?

Ricardo             Era uma operadora de telefonia móvel, na época Telesp Celular. Agora acabei de denunciar a minha idade, antes dela se tornar Vivo, então eu trabalhei com alguns projetos lá na área de internet.

Luciano             E aí, um moleque de 23 anos de idade comandando 70 caras, cara, como é que é, como é que foi esse momento em que você assumiu uma posição de liderança, eu quero saber quando é que a chavinha vira na tua cabeça e fala assim, bom, espera um pouquinho, agora eu não estou mais no meio dos índios, agora eu sou mocinho, ou então o contrário, deixei de ser mocinho, agora eu sou índio, eu sai fora da turma que eu frequentava dos meus amigos todos para ser o cara que está com responsabilidade sobre essa turma toda aí, essa consciência não é uma coisa que vem impunemente e nem vem muito facilmente, especialmente você tendo 23 anos de idade, então me fala um pouco a respeito dessa luz, quando é que surgiu essa luz?

Ricardo             Essa é uma pergunta super interessante porque, além de ter uma equipe muito grande, na época eu trabalhava como consultor, então eu tinha um projeto para entregar que não poderia dar errado e o mais interessante dessa história toda é que quando você se torna líder e você é muito novo, indiferente da sua idade, ninguém te dá um manual de instrução, na época, quando me tornei líder eu entendia que, basicamente, por seu estar bem intencionado e eu conhecer o que tinha que fazer já seria suficiente, até que depois você vai quebrando a cara algumas vezes e vai entendendo que existe muita técnica, muito conhecimento sobre o tema de gestão que é necessário para que você consiga ter efetivamente resultado nessa nova cadeira, aonde você para de ser mais um, mais um par entre tantos e começa a ser responsável por vários, então naturalmente você para de ser chamado para alguns almoços, você para de ser convidado para algumas festas, até porque muitas vezes falar mal do chefe é um esporte também.

Luciano             Você chega na sala e o papo para de repente, você fala, meu, mudaram de assunto porque o assunto chegou…

Ricardo             Exatamente.

Luciano             E aí Ricardo, como é que você faz, você foi se socorrer aonde para começar a atuar liderando pessoas, você foi fazer um curso, você foi ler alguma coisa, já tinha dentro de você isso aí latente, como foi?

Ricardo             Acho que…

Luciano             Você tinha um mentor, alguma coisa assim, como é que foi?

Ricardo             … olha, isso é super interessante porque quando você começa a ser gestor a primeira coisa que te remete a um caminho, bom, eu vou ser o gestor que eu gostaria de ter sido e esse normalmente é o primeiro erro, porque esse modelo de gestão funcionará apenas com as pessoas parecidas comigo e não necessariamente com todos e a partir daí, você vai buscando referências. No meu caso eu busquei livros, cursos e tive dois ou três mentores que realmente fizeram a diferença, lembrando que a minha formação em análise de sistemas é uma formação muito técnica. Então eu, efetivamente, não tinha sido preparado ainda para lidar com essa dinâmica do comportamento humano, se a gente pode falar dessa forma.

Luciano             Você falou um negócio muito legal aí que é essa questão de você mirar em algum modelo e falar o seguinte: cara, eu serei o gestor que eu gostaria que tivessem sido comigo e muita gente fala isso, fala pô, mas eu não encontrei ninguém ainda que seja aquilo que eu quero ser. Mas até aí tem uma pista muito legal que é a seguinte: você pode encontrar um monte de gente fazendo coisas que você não gostaria de fazer e ao entender aquilo que não é para ser feito, você já está escolhendo o que você vai ser, então cara, eu tive vários gestores ao longo da minha vida e de vários deles eu tirei as coisas que eu não queria fazer, eu jamais farei o que esse cara faz e se eu fizer assim eu terei sido um mau gestor e ao separar aquilo que era ruim eu, automaticamente, acabei descobrindo aquilo que era bom e fui com o tempo me adaptando para ter uma visão mais, digamos assim, humana ou mais voltada para as pessoas enquanto gestor. E você passa o tempo, você vai assumir uma posição importante na maior empresa de busca de executivos do Brasil, uma empresa, uma multinacional de origem inglesa e você está sentado numa cadeira hoje onde você comanda uma operação que escolhe os caras que vão ser líderes de grandes negócios pelo Brasil afora. Quanto tempo você está nessa função de…

Ricardo             Há 10 anos.

Luciano             … há 10 anos você trabalha com isso aí, você consegue ver uma diferença de 10 anos para hoje, quando você parte para buscar um executivo, mudou? Eu sei que tem coisas básicas, o núcleo duro a gente sabe qual é, eu quero gente que faça acontecer, inovação, mas de 10 anos para cá, porque que é interessante porque cabe direitinho no momento específico do Brasil, você consegue ver uma diferença nesses 10 anos, ou seja, o executivo que eu busco hoje como executivo ideal é diferente daquele que era há 10 anos atrás?

Ricardo             Sem dúvida nenhuma, Luciano, tem algumas diferenças e antes de a gente falar das diferenças cabe a gente analisar o momento do Brasil que vai refletir essas diferenças. Então há 10 anos ou até num horizonte mais curto, talvez 5 ou 6 anos, a maior parte das posições que a gente conduzia para os nossos clientes eram posições de expansão, o Brasil crescia a um ritmo do PIB alucinante, todo mundo ou a maior parte das pessoas acreditava que esse crescimento ia durar por um longo tempo, então era aquela busca muito rápida por contratar alguém para que você tivesse preparado para esse crescimento, tanto que da nossa carteira de projetos e aí só para ter uma referência, com 200 consultores a gente entrevista mais ou menos 6, 7 mil profissionais por mês, entrevistas presenciais…

Luciano             Mês?

Ricardo             … mês…

Luciano             Quanto tempo dura uma entrevista?

Ricarado            … pensando uma entrevista com duração entre uma hora e uma hora e meia, então são quase 100 mil entrevistas por ano e a gente com um número próximo de 6 mil contratações por ano, então isso era um ritmo de contratação muito grande aonde as empresas procuravam contratar profissionais para que elas estivessem preparadas para esse crescimento, guardado o que vem acontecendo no país nos últimos dois anos principalmente, o que eram 79, 88% de contratações de expansão e só 20 de substituições, agora essa proporção se inverteu, hoje são 80% das contratações de substituição e apenas 20% das contratações ligadas à uma expansão. Então isso faz com que o perfil do profissional certamente tenha mudado na busca do que as empresas precisam hoje e para que a gente fale também dessas características é importante que a gente analise qual é o motivo dessas substituições, porque isso vai dar muitas pistas do que as empresas estão buscando e são 4 grandes motivos das demissões por substituições que vem acontecendo. A primeira delas é que os bons resultados escondem as deficiências, então muita gente que entregava resultado na época que o PIB crescia muito, hoje com o PIB mais desafiador não vem conseguindo entregar resultado, então nessa…

Luciano             Interessante que isso aí é me remete imediatamente para o tempo da alta inflação, a inflação gigantesca mascarava tudo aquilo, tinha até uma frase interessante do Delfim Neto, que ele fala que quando a água abaixa você começa a ver a copa das árvores que estavam… enquanto a água está alta, cara, você não vê nada que está lá embaixo e é muito interessante isso porque aquele período de altíssima  inflação encobria os maus resultados assim como o período de crescimento fantástico como a gente passou também encobria, chega uma hora que você fala, bom, agora qualquer erro aparece, bem legal essa…

Ricardo             … certamente e com isso também você separando as crianças dos adultos em cada uma das posições, você tem ainda três grandes motivos para substituições, o segundo motivo é que muita gente foi promovida na época do mercado bom e muita gente que foi promovida não necessariamente estava preparada para essa cadeira e principalmente para uma cadeira que hoje passa por um momento econômico desafiador, então com isso tem muita gente que não está se segurando nas atuais posições. O terceiro motivo vem da atitude, muita gente que não consegue entender que o mercado diferente demanda atitudes diferentes. Gosto muito de uma frase do Einstein que diz que louco é quem faz a mesma coisa sempre esperando resultado diferente e normalmente a pessoa com a atitude correta começa a procurar problema nas empresas, procurar desculpa no mercado e não consegue sintonizar com o que a empresa está pedindo e esse profissional, muitas vezes, acaba sendo substituído. E o quarto motivo dessas substituições ele tem a ver com o que era referência do mercado, até três, quatro anos atrás, com aquele tema do apagão de talentos que a mídia tanto propagou, o que aconteceu foi que muitas empresas, por falta de profissionais disponíveis acabaram contratando gente com uma qualificação menor do que gostaria, pagando salários maiores do que gostaria e isso agora muitas empresas tem aproveitado para equalizar o seu quadro de profissionais, porque você tem uma disponibilidade maior de profissionais e com isso contrata gente com um salário mais equalizado ao parâmetro de mercado e com uma qualificação ainda maior, então o resumo disso tudo é que quando vem o momento de mercado muito desafiador, tem uma reprecificação de mercado, então basicamente é todo mundo no mercado de trabalho que era nota 9, era nota 8, num belo dia acordou e virou nota 5, porque você tem mais profissional disponível, então agora as perguntas que cada profissional precisa fazer é o que eu preciso fazer para que eu possa voltar a ser nota 8 ou ser nota 9 no mercado de trabalho.

Luciano             E qual é a… é buscar mais qualificação, como é que você vê isso?

Ricardo             Olha, qualificação técnica sem dúvida nenhuma sempre é um ponto de diferenciação, é interessante, só que acho que vale trazer um dado de uma pesquisa que a gente realizou que ela diz que 91% dos profissionais são contratados por questões técnicas e demitidos por questões comportamentais…

Luciano             É sempre assim…

Ricardo             … então esse até é um ponto de desenvolvimento, na maior parte das vezes, quando você pergunta para os profissionais, não, estou melhorando meu inglês estou fazendo MBA, só que a natureza humana ela traz uma série de armadilhas no relacionamento, principalmente dentro de um ambiente, muitas vezes de uma gestão de alta performance que você coloca á prova a maturidade emocional de cada profissional e isso é muito relevante principalmente quando a gente fala de posições de liderança.

Luciano             Você falou um negócio importante, eu não me lembro de ter demitido nenhum funcionário meu por incapacidade técnica, até porque isso aí se resolve, se o sujeito não sabe a gente ensina, é o que eu costumo dizer. Você vai perder teu emprego por coisas que o dinheiro não compra, o que o dinheiro compra dá para manter, o dinheiro compra um treinamento, o dinheiro compra equipamento, compra o software, dinheiro compra o estudo que você precisa, o que o dinheiro não compra? Ele não compra uma atitude e normalmente é isso que acontece, a pessoa dança por causa do comportamento e depois fica sem entender, pô, mas eu era um cara tão bom. Mas você falou  umas coisas interessantes aí que tem a ver com esse momento que o Brasil vive, quer dizer, é uma loucura porque hora está lá em cima, hora está lá embaixo e você não pode tomar decisões de curto prazo porque daqui a pouco recupera, eu me lembro do meu tempo na indústria automotiva que a grande dificuldade era essa, olha, entramos em crise, o que faz? Demite todo mundo e a hora que voltar cara, quanto tempo leva para recuperar aquilo que você perdeu, você ao demitir, mandar embora você perde conhecimento, perde gente preparada, perde uma porrada de coisas que quando vai recuperar custa muito mais caro botar de volta, agora do ponto de vista do profissional em si, nós temos que entender que a gente vive nesses ciclos, hora está lá em cima, hora está lá embaixo, eu não sei se muitos dos que ouvem a gente tem segurança para dizer que estou seguro no meu emprego, não vou perder o emprego de jeito nenhum, estou muito bem aqui, acho que pouca gente consegue ter essa segurança. Como é que você vê isso, no teu caso, por exemplo, o que você faz para se manter lá no alto da pirâmide, cara, você sabe que a qualquer momento o dólar sobe de novo, cai de novo, muda tudo e alguém vem te pressionar e você fala, espera aí, eu vou me segurar porque eu sou mais eu. O que te dá essa segurança, ou que recomendação você dá para  as pessoas  que estão ouvindo a gente para manter essa segurança?

Ricardo             É super interessante sua pergunta, Luciano, porque normalmente as pessoas que tem 100% de segurança são justamente as que não deveriam ter nenhuma segurança, porque a única certeza que você tem é que o mundo é muito dinâmico e se você não se atualizar você vai estar sem dúvida nenhuma arriscado a perder a sua posição. Eu entendo que para o profissional ter performance, a primeira coisa que ele precisa é cuidar bem da máquina, então o quanto que esse profissional consegue cuidar da saúde, o quanto que ele se alimenta bem, o quanto que ele consegue dormir bem porque com a máquina ruim não tem performance que aconteça, você está levando esse profissional a um extremo que uma hora a conta vai chegar, no meu caso eu tenho triatlo como hobby, então eu pratico exercício praticamente todos os dias, já passei da fase de competir, de participar de provas, hoje é por prazer, mas se de manhã eu não fizer o exercício eu não consigo estar com o cérebro oxigenado para o quanto eu poderia produzir para a empresa e também eu entendo que o cérebro ele precisa ter alimento de boa qualidade e aí eu estou falando de cérebro, o que eu quero dizer com isso? Eu fico muito preocupado com que tipo de conteúdo eu estou colocando para dentro da minha máquina. Um estudo super interessante que a gente fez há algum tempo atrás, mostrou que boa parte dos líderes de sucesso tinha uma característica em comum, que é: todos eles adoravam ler biografias. Isso é um dado interessante porque quando a gente voltou um pouquinho para trás para entender a dinâmica da humanidade, a gente percebeu que a criança sem dúvida nenhuma, precisa do parâmetro para que ela possa formar valores, que ela possa formar atitudes e a partir de determinado momento o ser humano perde os pais ou a pessoa que tem como responsabilidade a criação, por ser aquela referência. Em determinado momento, depois da adolescência, a gente identificou que a leitura de biografias acaba sendo uma referência muito interessante de você começar a colocar esse conteúdo para dentro e você ter referências adequadas de como você ter essa atitude, então tem uma série de pontos que você começa a traçar a intersecção e talvez essa seja uma beleza de trabalhar com recrutamento de executivos que é você poder conversar com os executivos de sucesso e entender as características que boa parte deles tem em comum e aí você não reinventar a roda, a gente tentar procurar o que a maior parte deles está fazendo também.

Luciano             Que legal, corpo e mente sãos, isso aí tem 5 mil anos, mens sana in corpore sano. Mas você estava falando, eu estava me tocando de uma outra coisa interessante aqui, quer dizer, logo lá atrás, quando você começou a falar, as 7 mil entrevistas e tudo mais, eu estou pensando aqui agora: você quando senta diante de um cara, você está lá com um executivo de alto nível, você está procurando um presidente para uma empresa, você pega diante de si um indivíduo numa posição que esse cara normalmente não está no dia a dia dele e nesse momento ele não é aquele cara poderoso, CEO da empresa que está todo mundo puxando o saco, falando amém, mas ele está na tua frente tentando te impressionar porque você pode determinar o futuro desse cara, ou seja, ele muda de postura, ele passa a ser o indivíduo, eu não quero dizer fragilizado, mas me parece que esse é o termo, ele está fragilizado, ele está sentado ali, preocupado com o movimento que ele vai fazer, com as palavras que ele vai colocar de forma ue quando ele terminar ele te impressionou a ponto de você apontá-lo para aquele cargo que será o futuro da vida dele. Você tem que ser meio psicólogo para lidar com esses caras? Como é essa turma tua que conversa com essas pessoas e que sabe que a pessoa está fora do centro dela naquele momento que ela está diante de você para e impressionar?

Ricardo             Essa é uma pergunta que ela pode ser respondida de diversas formas. A primeira delas é que a Michael Page, a Page Personel, elas fogem do senso comum de ter apenas psicólogos recrutando, então a gente parte do princípio do recrutamento especializado onde eu tenho advogados recrutando advogados, engenheiros recrutando engenheiros e esses profissionais, eles são treinados para que eles consigam extrair o máximo de informações, então parte, sem dúvida nenhuma é técnica, parte é dom e parte, sem dúvida nenhuma, é o lado humano que você consegue conectar com as pessoas. Mas, o ponto principal é entender que o objetivo principal do entrevistador é tentar sair do que é o comum das entrevistas e fazer as perguntas que realmente causem uma reflexão mais profunda no entrevistado, uma pergunta, por exemplo, que eu gosto muito de fazer para os profissionais é, quando as pessoas não gostam de você, normalmente porque que é?

Luciano             Que delícia de pergunta. Vamos dar um segundo aqui para quem está nos ouvindo, atenção você que está ouvindo, a gente vai dar uma paradinha aqui para te dar alguns segundos de reflexão. Faça a pergunta de novo.

Ricardo             Quando as pessoas normalmente não gostam de você, porque que é?

Luciano             Pensou aí? É difícil né? Porque você está propondo uma auto avaliação, isso nunca é confortável, porque de repente você me obriga a pensar numa coisa que eu nunca pensei, pô no que é que eu sou, no que é que eu não sou tão bom quanto eu acho que eu sei, como é que eu me auto critico, como é que eu acho um defeito em mim, que sou uma pessoa tão especial, tão fantástica? Que pergunta desgraçada.

Ricardo             E eu costumo dizer que esse é um dos principais pontos quando você começa a entender quais são os seus monstros, como é que você vai gerenciá-los, o que eu quero dizer com isso? Eu entendo que todo profissional, ele tem um monstro, alguns o monstro é a arrogância, outros é a ansiedade, outro o monstro é ser duro demais, cada um tem o seu monstro e eu costumo dizer também que todo dia quando você acorda, você precisa fazer um carinho nesse monstro e dizer que você tem consciência que ele existe só que você gostaria que ele ficasse dormindo e  que ele não aparecesse,  porque quando você não faz o carinho nele pela manhã, pode ser que ele vá aparecer ao longo do dia e normalmente ele vai aparecer nos horários mais inadequados aonde você está num stress, num momento de dificuldade é quando ele aparece e aí óbvio, algumas pessoas tem um ou dois monstros, algumas pessoas brincam, poxa, eu tenho um dragão de 7 cabeças, são zilhões de monstros mas o importante é que você conheça efetivamente quais são os seus monstros para que você possa lidar com eles.

Luciano             Você sabe que eu fiz, no meu livro lá do Everest, da viagem ao Everest, eu comento o momento em que eu fui conversar lá com um alpinista chamado Ben Webster, era um cara que ele era o líder de uma equipe canadense que ia subir para o topo do Everest. Eu estava fascinado conversando com ele, ele me contando como é que era a coisa toda e ele fala um negócio ali num momento que ficou gravado comigo, ele diz o seguinte, cara, quando a gente sobe uma montanha, depois que nós estamos lá em cima, 7, 8 mil metros de altura, ninguém consegue esconder o que é, o covarde mostra que ele é covarde, o corajoso mostra que ele é corajoso, é impossível você desempenhar um papel que não seja você claramente e aí que surgem os grandes momentos de crise, os grandes momentos de choque e tudo mais, eu imagino que se eu trouxer essa ideia para os dias de hoje no Brasil, então nós temos esse momento aqui de crise, de enxugamento, as empresas atrás de resultado, essa pressão desgraçada, é mais ou menos como estar numa situação daquela, quer dizer, eu estou num momento aqui que eu sou altamente cobrado, não há muito para onde correr e esse é um momento em que os monstros vão querer sair, vão querer tomar conta, então se você não tiver esse tal desse auto conhecimento para saber que é a hora de eu parar de falar, não devo ir mais além, cheguei num ponto, ou seja, você está falando de uma característica da liderança também que é um negócio fundamental que é entender qual é o impacto e influência que eu acuso nas pessoas que estão próximas de mim, tanto no meu superior quanto no meu subalterno e fazer isso no momento de crise é complicado cara, sabe, cabeça fria, 7×1, 7×0 para a Alemanha, ou 7×1 não me lembro quanto foi, como é que você faz cara, depois do quinto gol e a gente vê que desmontou, não tem mais ninguém de cabeça fria, não há mais o que fazer e vai tomando gol que não acaba mais.

Ricardo             Você sabe que, Luciano, um dado super interessante, quando a gente fala do auto conhecimento, a gente não querer dividir o profissional do ser humano, porque muitas pessoas erram ao tentar ter essa divisão na vida, eu particularmente não acredito. Eu tenho um amigo que é presidente de das 10 maiores empresas do Brasil e ele tem uma frase super interessante que ele diz, Ricardo, eu tenho já quase 40 anos de carreira e eu estou há quase 10 anos como presidente dessa grande companhia e ao longo do tempo eu sempre tentei contratar profissionais e nunca consegui, porque sempre vem o ser humano junto, é incrível.

Luciano             Que é aquela história que, quem ouve o Café Brasil ouve eu falar isso de montão, quem ouve o LíderCast eu falo de montão também, quando eu estou discutindo aquelas questões de capitalismo, socialismo, cara, esses ismos no papel são maravilhosos, quando você lê aquilo fala meu, que maravilha. Aí o problema é que quando você vai implementar entra um ser humano no jogo e  aí desanda tudo, porque vai entrar o medo, vai entrar a ambição, vai entrar a cobiça, vai entrar a inveja, vai entrar o desejo, etc e tal e  lidar com essas coisas não há planilha do Excel que consiga fazer. Eu sempre tive a Michael Page diante de mim como um paradigma de empresa que busca altos executivos, ou seja, high level, está lá em cima, mas você tem três segmentos ali e um dos segmentos não é high level, está aqui na classe… você até colocou para mim, como é que é a diferença de salários? Você busca dentro de faixas né?

Ricardo             Isso, a Page Personel é a empresa que recruta profissionais com salários até dez mil reais, então iniciando muitas vezes um programa de estágio, um programa de trainee até um profissional em início de gestão, numa coordenação, numa supervisão.

Luciano             Legal. Pelo perfil que eu tenho no Café Brasil e que de alguma forma eu tirei de dentro dele o perfil de quem ouve o LíderCast, eu diria que a maioria absoluta está nessa faixa de salário, é possível que alguma das pessoas que estejam ouvindo aqui agora esteja a caminho da sua primeira entrevista de emprego, ou segunda, ou décima entrevista de emprego, mas está a caminho da entrevista de emprego. Vamos às recomendações, mas eu não quero que você seja programa Mais Você, ah vai de terninho, bonitinho, isso a gente já sabe, que tem que ir arrumado,  que tem que escovar o dente, a gente já sabe, eu quero que você me dê as dicas aí para essa pessoa que está indo lá para a sua entrevista de emprego, o que tem que estar na cabeça dela, cara?

Ricardo             Primeiro ponto, entenda que não existe uma fórmula para agradar a todos, da mesma forma como não vai existir uma empresa que agrade todos os profissionais, então seja você mesmo, porque é a pior coisa que pode acontecer, você sendo contratado por uma entrevista que você não foi você mesmo, depois você vai ter que ser essa outra pessoa onde todo o tempo que você estará trabalhando caso contrário possivelmente a empresa também não ficará feliz. Segundo ponto, seja honesto e transparente sobre os seus dados e histórico profissional.. É incrível, mas quando a gente compara as entrevistas do Brasil com os outros países que a gente atua, a gente tem uma atuação global, o brasileiro ele tem a tendência a exagerar um pouquinho, seja no inglês, seja num projeto que ele participou e ele liderou, seja um curso que ele não terminou, que ele não concluiu ele coloca como concluído e os recrutadores tem formas de checar a veracidade dessas informações e à medida que você perde a credibilidade você já vai ter um impacto muito grande nos demais pontos que você falou, mesmo que muitas vezes esses pontos você foi 100% honesto.

Luciano             Tem uma pessoa num alto cargo aí no país que diz que tinha diploma de doutora e foram ver não era doutora coisa nenhuma, continua vai, só foi uma sacanagem.

Ricardo             Bom, é o famoso check de referências, as empresas também de certa forma tem esse cuidado para entender qual é a história desse profissional, porque quando você checa referências você procura entender como é que esse profissional agia na empresa anterior, o ser humano tende a repetir comportamentos, se faltava atitude, se faltava habilidade humana no outro trabalho é muito provável que a empresa que está te selecionando agora tenha o cuidado de checar as informações e vai ter essa informação também ao analisar o seu perfil, por isso que eu sempre recomento muito cuidado na empresa que você está hoje porque você está deixando uma história, um legado que depois outras pessoas podem ter conhecimento.

Luciano             Então, uma pausa aqui, mas eu dei para você como referência o nome do Zé da Silva, que é meu cunhado e que eu já combinei com o Zé da Silva que a hora que ligar alguém da Michael Page o Zé vai dizer que eu sou o melhor cara do mundo, por que eu devo me preocupar?

Ricardo             Essa é uma informação super interessante, Luciano, porque em 10 anos de recrutamento até hoje eu nunca vi ninguém que passa referência que vai falar mal…

Luciano             E acho que não vai ver, né cara…

Ricardo             … e não vou ver, então a gente tem técnicas para, a partir do momento que a gente sabe aonde o profissional trabalhou anteriormente, a gente busca pessoas que não sejam efetivamente, que não esteja somente nessa lista que ele encaminhou para que a gente busque a informação e entender como é que foi a passagem desse profissional por essas outras empresas.

Luciano             Mídias sociais, vocês estão usando para…

Ricardo             Olha, hora ou outra, sem dúvida nenhuma acaba sendo uma forma complementar, a gente não, sem dúvida nenhuma não forma uma opinião através só da mídia social que ele tiver participando, mas sem dúvida nenhuma ela serve para checar o quanto esse profissional é coerente no discurso do que ele tem de profissional com a vida profissional com pessoal, é muito importante que ele tenha essa coerência.

Luciano             Você tem algum case já que vocês pegaram assim de estar na reta final para contratação e de repente aparece uma foto no Facebook que desmonta toda, eu já ouvi lendas urbanas fabulosas, do cara vem e fazer entrevista maravilhosa aí abre o Facebook ele no meio da mulherada, bebida, eu não quero esse cara aqui porque não é, é a antítese daquilo que conversou comigo aqui e o cara dança, você tem alguma história assim?

Ricardo             Olha tem uma história interessante que eu ouvi na semana passada, ela não aconteceu conosco, mas um cliente nosso nos contou de um processo que eles estavam conduzindo com o próprio RH que é uma história até razoavelmente pesada, é uma empresa onde o dono é judeu e ele estava contratando um profissional que ao jogar o nome desse profissional no Google, esse profissional fazia parte dum grupo nazista, então é algo muito mais sério que um profissional extremamente qualificado, isso causou um problema muito maior inclusive para esse profissional…

Luciano             Que loucura cara. Eu tenho uma outra história que é uma delícia, não tem a ver, aliás até tem a ver com essa questão de, não é exatamente recrutamento, mas ela mostra, eu até utilizei isso num artigo outro dia, aconteceu nos EUA, era um professor que foi ele atingiu a idade limite, sei lá, 60 anos e ele foi desligado da universidade que ele estava lá e ele entrou com um processo na justiça, brigou e ganhou o processo e ganhou o processo com uma nota preta e foi readmitido, obrigaram ele a ser readmitido e no processo todo que estava andando lá, a filha dele publica uma foto no Facebook, acho que de Miami, sei lá, das Bahamas, alguma coisa assim e bota lá que, estamos saindo de férias com o dinheiro da universidade que meu pai ganhou. Cara aquilo virou prova na justiça e o cara perdeu tudo aquilo que ele tinha ganho em função da desconexão entre aquilo que ele dizia que era e o que a filha disse que provou que ele não precisava do que ele disse que precisava e houve uma má fé colocada ali e o cara dançou por causa da filha dele no Facebook. Quer dizer, cara, olha como é complicada essa questão dos rastros que vão ficando nesse mundo digital.

Ricardo             Sem dúvida nenhuma e isso vale também, naturalmente, para tudo o que é ético, que você conduz, acho que a ética vai ter uma série de definições, mas eu costumo dizer que ética é o poder comentar as minhas ações do que eu fiz na empresa no jantar com a família, então isso é o principal ponto e aí tem o lado inverso do que você fala com a sua família, do que pode ou com seus amigos do que pode esbarrar também do lado da empresa.

Luciano             Sei. Eu tinha um chefe que falava isso, ele falava ético é aquilo que você pode sentar à noite e falar com orgulho para a sua família que você fez. Se você não tem orgulho para contar, cuidado que essa coisa talvez não seja ética. Aliás ética é o tema fundamental que faz parte da cultura brasileira, não tanto prática mas a discussão da ética. Nesse teu processo, processo de escolha de executivos e tudo mais, existe algum momento ou algum questionário, ou algum exercício, ou alguma atividade que vocês fazem que sonda essa questão do comportamento moral e ético do indivíduo, ou isso você vai pegar pela consulta com fontes externas, tem alguma coisa assim?

Ricardo             Olha, os processos seletivos normalmente, eles são muito diferentes, porque cada empresa tem um modelo que nós temos que seguir, então algumas empresas dão uma ênfase maior, outras deixam 100% na nossa mão, mas hoje é naturalmente, você tem uma preocupação muito maior do que existia há 10 anos atrás, até porque os casos de falha ética aumentaram, pelo menos do ponto de vista do que se propagou na mídia e hoje você tem desde testes comportamentais que você aplica no profissional, você tem muitas vezes  dinâmicas que são desenvolvidas para avaliar o perfil do profissional nesse aspecto, até efetivamente você ter uma checagem, quase que uma investigação do que o profissional fez ao longo da carreira dele, inclusive contratação de empresas quase que caracterizadas como de espionagem para identificar o que esse profissional deixou de história ao longo da carreira dele.

Luciano             Vou te provocar agora, estamos num país fictício, um país que fica na região tropical, um país gigante, com muitos milhões de habitantes, esse país sofre ali uma mudança gigantesca na questão política e tudo mais, muda tudo e assume a direção desse país um grupo de pessoas, nenhum deles é o líder, chefe, mas é um grupo de pessoas imbuídas em montar um novo modelo de país e vai procurar os candidatos a serem líderes nesse país, então quer um presidente ou primeiro ministro, não importa o que, quer os ministros e tudo mais, se eles chamassem vocês para fazer essa seleção e sentaram, olha, chamei aqui a Michael Page porque vocês são os maiores etc e tal, o que vocês recomendam que a gente faça, qual o tipo de indivíduo que eu deveria buscar? Nos ajude aqui porque a gente não sabe direito o que é, a gente quer mas não sabe direito o que é. Devemos buscar um executivo muito bem sucedido, uma freira franciscana, um sujeito iletrado com boa índole, um professor, um cientista, quero uma consultoria então, me ajude a contratar esse indivíduo que vai levar esse país aqui a frente.

Ricardo             Você sabe que tem um dado super interessante que a Michael Page britânica e no Reino Unido, uma das maiores áreas de contratação que nós temos, contratações para prefeituras, para governos, contratação para área pública, porque lá, o recrutamento ele é profissional, então a gente recruta profissionais.

Luciano             Não tem concurso, não tem o amigo do rei, não tem…

Ricardo             Olha, eu não consigo afirmar 100%, mas o que eu posso dizer é que pelo volume de contratações que nós temos lá, eu posso afirmar que tem um grande volume que é feito de maneira profissional e essa é uma área que, por razões óbvias não existe no Brasil, a gente nunca foi chamado para recrutar um profissional para a área pública e eu estou dizendo isso porque quando a gente avalia um profissional para essa área, a primeira coisa que vem à cabeça de todo mundo é, esse profissional precisa ser ético, esse profissional precisa ter aí uma história que traga confiança e sem dúvida nenhuma…

Luciano             Pausa. Existe alguma área da vida humana em que quando alguém vai contratar um profissional ele não precise ser ético, etc e tal? Eu não consigo ver nenhuma diferença, eu vou te provocar aqui agora, porque eu quero ver se existe algum momento uma diferença… se sou dono de uma empresa e quero o profissional, a primeira coisa que eu quero é isso, não importa o que, eu faço chinelos, sandálias tipo Havaiana, eu quero aqui um gerente de produção. Primeiro, eu quero um cara ético, etc e tal, é o primeiro atributo que vem que é o mesmo desse indivíduo do serviço público.

Ricardo             Luciano, sua provocação é ótima, porque o ponto que eu ia justamente colocar agora, é que quando você fala de ter alguém na área pública, a primeira coisa que vem é ética na cabeça, como não é diferente na área corporativa. A diferença é que muitas vezes na área pública, a ideia que se tem é que só ética é suficiente e é de onde vem, muitas vezes, a eleição ou a seleção de pessoas inadequadas, porque não basta você ser ético, você tem que ter  uma série de habilidades de gestão, de execução que para que efetivamente esse profissional possa desempenhar a atividade à qual ele está sendo contratado ou eleito.

Luciano             O incompetente honesto é um desastre, de qualquer forma.

Ricardo             Sem dúvida nenhuma é, como a gente costuma dizer, muitas vezes, pior do que um incompetente desmotivado é o incompetente motivado, esse sai fazendo bobagem sem parar.

Luciano             Mas continua nessa tese aí, você estava falando para contratar gente para o serviço público. Deixa eu só te explicar porque que eu estou fazendo essa provocação aqui, muita gente que ouve o LíderCast, o Café Brasil, que tem contato com a gente, são jovens que estão imbuídos daquela ideia de que preciso prestar um concurso público para arrumar um emprego e a gente sabe que o drive dessa moçada toda é a segurança que o emprego público traz para as pessoas, então eu duvido que algum deles queira fazer, vou prestar o serviço público para poder inovar, vou prestar o serviço público para poder mudar as coisas, para poder ter um crescimento profissional, não, o drive número 1 é segurança. Se eu conseguir passar no concurso e arrumar um emprego público, eu já sei que vai haver uma segurança que vai  lá adiante, por isso que eu estou te provocando aqui agora, que modelo deveria ser colocado para que esse drive do quero segurança fosse modificado na cabeça das pessoas, então eu quero propor para você que no meu país seja contratado o novo ministro da … tem todo o lado técnico que o … exige mas além disso eu preciso do indivíduo ético, o que mais, o que mais que vem nesse pacote?

Ricardo             Sem dúvida nenhuma tem que ser um profissional que seja um líder na essência, alguém que realmente consiga agregar as pessoas que vão estar em volta dele nessa área e consiga efetivamente levar todo mundo para o mesmo caminho, porque muitas vezes a gente se pergunta, o que está acontecendo no congresso? Por que ninguém se entende? E aí você termina de assistir o jornal nacional e desce, vai para a sua reunião de condomínio e isso te diz muito o que acontece no congresso, muitas vezes não é diferente da sua reunião de condomínio, é o quanto você consegue ter uma liderança que entendendo as opiniões mais diversas você consiga encontrar um plano para executar algo que seja em prol, sem dúvida nenhuma, da maioria mas principalmente que tenha uma construção de médio e longo prazo.

Luciano             Você acha que isso é uma coisa que o brasileiro, eu imagino que você conhece muito bem essas culturas, a cultura inglesa, etc e tal, o brasileiro precisa de uma liderança mais do que o inglês ou não?

Ricardo             Sem dúvida nenhuma eu diria que o povo latino precisa de uma liderança acima da média do que outros povos, talvez se a gente colocar também o povo africano também precisa dessa liderança. O latino é povo caliente, sangue quente, que ele precisa estar engajado para fazer e isso faz com que você precise de uma liderança muito forte. É natural que quando você acaba analisando as diferenças culturais, muita coisa muda, a gente trazendo um exemplo aqui só para ilustrar, a gente teve um cliente que contratou uma consultoria indiana para fazer um determinado projeto, esse cliente ficava num prédio na Paulista e aí ele trouxe essa equipe, alocou ela em vários andares, até que um determinado momento uma parte da equipe entrou quase que em rebelião porque não queria mais trabalhar para essa empresa e o presidente foi entender o que estava acontecendo e aí na hora que ele foi conversar com as pessoas falaram, não eu nunca me senti tão humilhado, vocês não podem fazer isso com a gente.E ele sem entender o que estava acontecendo e ai ele foi descobrir que na verdade ele tinha colocado pessoas de castas inferiores para trabalhar num andar de cima e isso dentro da cultura daquelas pessoas era um ultraje, como é que poderia colocar.Então a questão cultural é muito importante para a gente colocar a dinâmica que um líder precisa ter na empresa. Na China ninguém troca de emprego antes do ano novo chinês, porque traz má sorte e isso eu estou falando do analista ao presidente, se a gente for colocar os japoneses, a questão da hierarquia é algo muito forte, algumas empresas mais tradicionais no Japão, acabam fazendo exame de sangue para identificar o perfil do profissional, porque existe uma teoria de algumas empresas japonesas que o perfil do sangue A+ é diferente do B- e com isso acaba fazendo uma avaliação, então no fundo a questão cultural sempre é um fator relevante para análise.

Luciano             Que era para nós aqui que estamos discutindo agora a posição do transgênero, estamos discutindo aqui a questão do tratamento racial no Brasil. Você vem falar para mim que tem um lugar onde uma casta inferior existe e a sociedade aceita como natural que essa casta inferior tem que ser inferior, é um negócio tão distante da realidade brasileira que a gente às vezes se perde aqui. Cara, nós estamos discutindo temas aqui que lá fora o cara se você for na Índia e a Índia tivesse um tratamento como nós temos no Brasil que as nossas tensões sociais aqui são muito menores do que num país onde tem gente que nasce na casa inferior e vai morrer inferior porque não tem nem como ascender, quer dizer, é uma cultura tão diferente disso aqui que só quem está lá para poder entender, iam até dar valor a como é a cultura brasileira que a gente bate tanto nela. Deixa eu falar, inclusive pegar aqui um gancho nessa história, eu trabalhei durante muito tempo numa multinacional, eu fui convidado para ir trabalhar lá no exterior, foi para os EUA, não quis ficar, fiquei durante um mês trabalhando lá no nosso headquarters e fiquei agoniado naquele lugar onde ninguém falava alto, telefone não tocava alto, não tinha gritaria e eu acostumado aqui com aquela feira livre, aquela loucura, aquela adrenalina que é o que o brasileiro quer para fazer acontecer e de repente lá fora eu entrei num lugar absolutamente organizado, as pessoas vinham falar comigo e falavam baixinho, falei cara, eu vou morrer nesse hospital aqui, eu não quis ir, fiquei para cá. Vários amigos meus foram e foram para os EUA, foram para a Europa, foram para a Inglaterra, foram para vários lugares e algumas coisas apareceram muito fortes para mim que era como esses caras se deram bem lá fora, como um brasileiro bom aqui no Brasil, quando sai, vai para lá, ele era um elemento diferenciado e a impressão que eu tinha é que o brasileiro é um cara que se atira nos desafios de uma forma como as outras culturas não fazem, então se veem lá, baixa lá uma olha, precisamos reduzir em 20% nosso quadro, o brasileiro reduz em 25 agora e já fez e o americano conversa, o gringo não sei o que e … e os brasileiros vão para cima e mandam fazer acontecer. Você consegue notar esse perfil do profissional brasileiro que tem esses diferenciais lá fora, eu imagino que deve ser interessante na tua área porque você contrata gente para trabalhar em empresas estrangeiras, uma empresa americana vem para o Brasil e quer um cara para tomar conta daquilo ali, vem uma cultura para atuar noutra cultura e precisa de um cara que esteja no meio das duas culturas, como é que você tem lidado com isso, como é que você tem visto isso, então primeiro, se existe esse profissional, o perfil brasileiro do profissional e segundo como é esse choque de culturas?

Ricardo             Sem dúvida nenhuma existem algumas características que a gente consegue identificar muito bem o brasileiro e isso é importante, até dando um passo antes, quando a gente contrata um profissional para trabalhar numa multinacional, entender qual é a cultura dessa empresa, tem algumas características da cultura alemã, a cultura americana, ou indiana, ou chinesa, mas também um passo antes é entender qual é o porte da empresa, uma empresa de pequeno, médio ou grande porte, uma empresa estabilizada ou uma empresa que passa agora por um momento de start up, ou um momento de then a round, tudo isso acaba fazendo uma grande diferença no perfil que a gente vai buscar, e aí voltando para a tua pergunta sobre o perfil do brasileiro, uma dicotomia que acaba sendo o brasileiro, o brasileiro sem dúvida nenhuma ele é muito aberto à mudança, ele tem uma adaptação muito rápida e isso traz uma atitude. Por outro lado a gente nota que muitas vezes a falta de planejamento do brasileiro é que faz com que ele tenha que ter esse jogo de cintura e se adaptar àquela realidade.

Luciano             É o anjo e o demônio, o nosso jeitinho que é fantástico para nos tirar das frias é o mesmo jeitinho que nos coloca nas frias, eu tenho um case interessante, não sei se eu contei no LíderCast, acho que eu não contei não, nós tínhamos um desafio na época que eu estava na empresa em que nós estávamos disputando um grande pedido, um tipo de operação especial que a gente ia fazer para um cliente, a Wolkswagen e essa operação era fornecer todo um berço de suspensão com a junta homocinética, era um kit, era um componente, um módulo que era um negócio novo, não tinha acontecido no Brasil ainda, até em termos mundiais não havia esse tipo, eram sempre peças avulsas e pela primeira vez alguém ia fornecer o módulo, tinha uma baita responsabilidade, era para o Gol cara, o carro mais vendido do Brasil e a gente entrou numa concorrência junto com mais três, dois ou três grupos e a gente estava na concorrência, já sabendo que ia ter um desafio gigantesco, quer dizer, se a gente ganhasse a concorrência, o tempo para fazer o job one, entregar o primeiro produto era muito curto e a gente foi e ganhou o job one, ganhou o job one, os caras botaram o tempo lá, eu não me lembro exatamente dos tempos mas era assim, vocês tem 90 dias, 3 meses para entregar o job one e os gringos vieram para cá, a gente ficou com os americanos, foi feito todo o planejamento, etc e tal e o planejamento apontava para 120 dias, 150 dias e os gringos cara, é impossível montar um projeto desse nível num tempo menor que esse, bom, os gringos foram embora, lá vamos nós para Taubaté, pegar uma empresa, … 90 dias depois job one entregue e os gringos vem para o Brasil chegou aqui no Brasil nos levamos os caras para visitar a fábrica, os caras chegam lá, a fábrica redondinha, lindinha, tudo funcionando, tudo direitinho e os gringos, cara, mas como vocês conseguiram e a gente pô, não era para fazer? Nós fizemos. Mas que maravilha, deixa eu ver a planilha e a gente, que planilha cara? Deixa eu vero projeto. Que projeto cara, não era para fazer? Nós fizemos, fizemos na hora, mais barato, deixa eu ver a concorrência, que concorrência cara, ou seja, a gente meteu os peitos, a arrebentou tudo e fez o que tinha que ser feito. Então se por um lado aquilo foi uma conquista que apareceu, meu esses caras sabem fazer acontecer, de outro lado os gringos ficaram apavorados porque a perspectiva do tamanho do risco que nós assumimos, para eles é inaceitável, havia risco de todo lado e se não tivesse dado certo? E se juridicamente não tivesse cumprido e agora que o contrato não está muito bem feito? Então para eles é inadmissível conviver com esse risco e para o brasileiro bicho, vamos fazer a dane-se, vai dar certo cara, Deus ajuda a gente lá na frente e dá um jeito e faz funcionar, então é legal, porque é uma característica que para se adaptar numa outra cultura essa serve muito bem, porém ela nos cria aquela imagem de que o brasileiro é esse sujeito irreverente, irresponsável, é o cara que chuta para todo lado e que acredita muito numa entidade superior que vai ajuda-lo, isso é verdade? Você tem visto isso? Você vê isso?

Ricardo             Eu acho que ao longo do tempo isso vem diminuindo, mas de certa forma é sim como muitas vezes o brasileiro é visto e sem dúvida nenhuma. O desafio do brasileiro é poder extrair o que a gente tem de melhor na nossa cultura e desenvolver o que não nos é natural. Uma das principais queixas que eu ouço dos presidentes de empresas, muitas vezes dos diretores é a falha da execução no Brasil, à medida que muitas vezes o diretor ou presidente pede para alguém da equipe, que ele faça dez coisas, o que acaba acontecendo  é que muitas vezes alguns profissionais fazem sete ou seis, só que ele não conta os outros três ou quatro que ele deixou de fazer e simplesmente já que ninguém cobrou, ele não vai fazer e ele vai fingir que fez e depois isso causa um trabalho em excesso para o presidente, para o diretor porque ele tem que descer e acompanhar a execução, de ver o que está sendo feito e o que não está e o que é pior, depois ele identifica que a cada 10 coisas que ele pede, o profissional faz 6, na próxima vez ele vai pedir 15 porque ele sabe que 15 não é possível ser feito, mas se ele pedir 15 talvez ele vá fazer 10 e aí fica aquela falha de muitas vezes o profissional reclamando que ele está com excesso de trabalho mas falta um alinhamento do plano que é prioridade ou por onde ele tem que começar, o que é mais importante para a empresa, talvez uma frase que ficou célebre aqui no Brasil, missão dada é missão cumprida, talvez na Alemanha essa fosse uma frase que não ia causar tanto impacto.

Luciano             Porque para eles seria diferente para a gente aqui é vantagem, olha, o juiz que juiz maravilhoso, meu o que ele fez? Meu, a obrigação dele e por fazer a obrigação ele virou o herói da pátria, é uma coisa que tem muito a ver com essa cultura nossa. E tinha uma conversa na nossa época que parecia muito clara lá, quando a gente comparava nossos jogando grama, jogando grama americana, parecia que o brasileiro estava sempre um degrau abaixo do ponto de vista o seguinte, quando você comparava com o outro, o presidente brasileiro era equivalente ao vice presidente americano, o vice presidente era o diretor, o diretor era o gerente e o gerente era o supervisor, ou seja, um gerente no Brasil fazia ações que era equivalente a um supervisor lá fora, ou seja, a gente parece que estava um degrau abaixo e por um problema nosso de, cara, vou arregaçar as mangas e vou sair fazendo, então havia muito isso aí que me aprece que era uma questão de amadurecimento desses processos todos, até porque eu vivi um período no Brasil, você era muito moleque cara, você não viveu esse período não, até pode ter começado a viver mas eu vivi um período no começo dos anos 90 quando o Brasil, o Collor vem, baixa um decreto, abre o Brasil e o Brasil vira esse player mundial e sai cheio de tesão para ir lá para fora e começa a trombar com alemão, espanhol, indiano, japonês e descobre que o brasileiro não tinha nada demais, pelo contrário, uns puta brucutus, sem projeto, sem nada e a gente tem que de repente correr atrás para tirar essa diferença e aí traz as ISO9000, traz essa coisa toda para o Brasil e a gente vive um momento em que a gente se descobre, cara, eu acho que nós não somos tão bons quanto a gente diz que era, eu acho que a nossa comparação não está certa cara, eu não posso eu me comparar com o Paraguai para ir brigar com alemão, eu não posso me comparar com a Argentina para ir brigar com chinês, o nível subiu muito mais. Depois caem as barreiras do mundo, o mundo vira uma coisa só, a internet está aí na cara de todo mundo e me parece que essa barra subiu um pouco mais então, você acha que hoje, eu vou fazer mais um paralelo só, você acha que hoje um jogador de futebol que joga na seleção brasileira hoje, conseguiria jogar na seleção brasileira de 1982, traz isso para o ambiente corporativo, um executivo de hoje conseguiria atuar como um executivo atuava em 1970, 80, 90 no Brasil? Ou seja, as ferramentas que o cara tem hoje serviriam para aquela época, eu sei que o contrário não dá, o executivo de 82,se trouxer para hoje ele morre no dia seguinte e o de hoje, se fosse levado para aquela época, o que você acha que aconteceria?

Ricardo            Olha, esse é sempre o conflito de gerações e isso sem dúvida nenhuma seria uma grande dificuldade porque, primeiro ponto, para o profissional performar ele vai precisar jogar em equipe e ai ele ser o diferente de todos vai causar, sem dúvida nenhuma um grande impacto, de certa forma ele traria muitas ferramentas de planejamento, de evolução que poderia causar um diferencial, mas se fosse para fazer uma aposta eu arrisco a dizer que seria muito difícil.

Luciano             Como é que ele ia participar de uma reunião sem internet? Como é que ele faria para viver sem celular? Como é que ele faria sem um caixa automático para ele tirar o dinheiro na esquina no banco lá, ou seja, o mundo mudou completamente ao longo dos últimos 10 anos e eu acho que esse choque é que a gente demora muito a perceber, então as escolas continuam iguais, eu continuo treinando as pessoas de forma muito parecida, os livros de liderança que tem por aí de montão continuam discutindo liderança como se discutia há 10, 15, 20 anos atrás e de novo, o que eu falei no começo aqui, é claro que tem um núcleo que não vai mudar nunca, tem um núcleo ali, o núcleo da moral, o núcleo da ética, o núcleo de saber lidar com as pessoas, é o livro famoso do Dale Carnegie, a arte de… isso não vai morrer nunca porque em coisas tão básicas ali que vão ficar para sempre, mas o resto mudou tudo e eu não vejo isso ser refletido no mercado que prepara as pessoas para esse universo novo que está diante da gente. Aqui, vou usar o chavão que todo mundo diz, quer dizer, eu estou estudando hoje na universidade e me preparando para um tipo de trabalho ou um cargo que não existe, daqui a 5 anos vai ter coisa que eu nem imaginava que pudesse existir e eu estou aqui numa escola que só conhece aquilo que já tem aqui. Como é que você vê isso, você que é um cara que está lidando com um, como é que eu vou dizer, um criadouro de profissionais, como é que você vê isso aí a médio e longo prazo, cara, daqui a 10 anos, daqui a 5 anos, o Brasil está preparado para preencher esses cargos que estão vindo, que estão pedindo para você, daqui a  5 anos você vai estar achando com facilidade essa gente?

Ricardo             Olha, esse sem dúvida nenhuma é um dos grandes desafios, principalmente do Brasil, mas não acaba sendo diferente da maior parte dos países, acho que o primeiro ponto que vale ressaltar do início da tua pergunta, sobre a mudança de gerações, a grande diferença que até 30, 40 anos atrás era aceitável, ou melhor dizendo era possível você trabalhar com algo que você não gostava porque o expediente era das 8 às 5 e você saía do trabalho e você ia tocar a sua vida pessoal feliz da vida, hoje,  depois da invenção do celular, da internet, você tem e-mail na sua casa, WhatsApp, SMS, não tem mais como você separar muito bem o que é vida profissional o que é vida pessoal então você fazer algo que você não goste acaba sendo hoje muito mais doloroso do que era antes. O segundo ponto, as estruturas organizacionais da forma como a gente conhece hoje, são estruturas desenhadas na década de 50, na década de 60, aqui fica o RH, aqui fica vendas, aqui fica o financeiro e hoje o mundo evoluiu de tal maneira que não dá mais para você separar nesse formato com as caixas, até porque cada uma dessas caixas acabou evoluindo. O diretor financeiro no passado acabava sendo a pessoa que cuidava da área contábil e do caixa, hoje é um profissional que muitas vezes ele tem que falar de relação com investidores, tem uma série de complaints a cumprir, então as posições vão evoluindo, o vendedor que no passado era o profissional que tinha uma boa rede de relacionamentos, era o profissional que todo mundo gostava e com isso ele tirava pedido, hoje cada vez menos cabe esse profissional, é o profissional que sim, tem uma boa rede de relacionamentos, conhece muita gente mas tem que conhecer não só o produto, o serviço que ele oferece, mas principalmente quem é o cliente, o que o cliente precisa, uma venda muito mais consultiva. Para que o Brasil consiga efetivamente se adaptar a isso a gente precisa investir mais no desenvolvimento humano da população porque…

Luciano             Quem é a gente?

Ricardo             … nós brasileiros?

Luciano             Quem é essa gente? Quando você fala “a gente precisa”, quem somos nós, quem é essa gente? Eu quero dizer o seguinte, é o estado que tem que fazer isso, é a iniciativa privada, quem é? É a escola, a família, quem é que tem que investir nisso?

Ricardo             … olha, eu arrisco a dizer que é todo mundo, sem dúvida nenhuma tem o dever do estado, da forma como é nossa constituição de cuidar da cultura, mas formação de valores, desenvolvimento humano tem a ver com família ao mesmo tempo eu entendo que as corporações tem o seu papel na sociedade que é de formar também ajudar na formação de profissionais, se não, você acaba não desenvolvendo a sociedade para que esteja adaptada a essa nova dinâmica.

Luciano             Você tem visto isso nas empresas que você lida, você estava falando aqui eu estava pensando em duas coisas aqui para ir para o nosso fechamento aqui, chegando para o final já. Uma coisa é você atuar com clientes grandes sabe, aquela grande multinacional ou então grande empresa brasileira, milionária, que tem 2000 funcionários, que tem tudo, tem processos arrumadinhos e tudo mais. Outra coisa é você atuar no mundo da pequena e média empresa, especialmente no Brasil, onde empreendedorismo está na boca de todo mundo e tem milhares de pequenas e médias empresas que não só aqui, mas no mundo inteiro, me parece que são elas que estão segurando a peteca da economia, o discurso dos candidatos a presidente dos EUA é esse agora, o que é? São as pequenas e médias empresas que estão sofrendo e elas é que seguram a peteca e no Brasil não é diferente. Como é que você atua, por exemplo: eu sou dono de uma pequena média empresa, que tenho 40 funcionários, faturo aí, estou chutando, não sou eu não, faturo aí 4 milhões de reais por ano e preciso trocar o gerente meu, eu não consigo enxergar eu ir lá na Michael Page porque vocês são grandes demais cara, isso é coisa para multinacional, então eu vou aqui no meu rhazinho, pego a menininha que é a prima da minha cunhada, que faz a folha de pagamento e peço para ela fazer esse recrutamento e seleção, e depois não consigo entender porque que a coisa não funcionou lá na frente. Vocês tem um approach para esse público, esse mundo do pequeno e médio aqui no Brasil?

Ricardo             Olha sabe que é super interessante, porque esse approach que a gente tem no Brasil não é diferente do resto do mundo, hoje quase 40% do nosso resultado vem de pequenas e médias empresas e um dado super interessante. Você vai perguntar, mas Ricardo vocês são a maior empresa de recrutamento do Brasil, por que vocês trabalham com as pequenas e com as médias? Em recrutamento é inversamente proporcional se você é a maior empresa de recrutamento e trabalhar para uma grande, a grande também precisa e usa muito o nosso trabalho, mas a grande verdade é que o profissional que acaba de se formar, as primeiras empresas que ele pensa na hora de mandar o currículo são as grandes e conhecidas e justamente as pequenas, que tem uma marca menos conhecida acaba muitas vezes tendo projetos mais interessantes dum crescimento muito mais rápido até ou com muito mais responsabilidade e isso faz com que tenha um projeto interessante e aí esse profissional, ele vem até a Michael Page, que é uma marca conhecida, ou a Page Personel e a gente consegue atrair esse profissional para uma sala de entrevista e quando a gente explica o que é o projeto dessa empresa, muitas vezes com 10, ou 15, 20 profissionais, acaba sendo muito mais atrativo do que aquela empresa de 5000 profissionais que ele vai ser um pedacinho naquela hierarquia toda, mas aí respondendo diretamente para a empresa que vai recrutar junto com o seu RH, com a pessoa que vai conduzir esse recrutamento, tenha muito claro qual é a sua proposta de valor para o profissional, qual é a cultura da sua empresa, que tipo de profissional você quer recrutar? Por que o profissional tem que vir trabalhar com você…

Luciano             Que coisa interessante cara que é, na cultura brasileira, me corrija se eu estiver errado, ao procurar você para trabalhar comigo eu estou te prestando um puta favor cara, você tem a honra de vir trabalhar comigo, você está dizendo para mim que eu preciso me vender para você? Eu como empresa tenho eu me vender para você para atrair você tenho que mostrar que eu sou bom para você? Você está precisando de emprego cara, venha e me agradeça por isso. Eu estou errado nessa minha visão? Eu estou dizendo o seguinte, me parece que no Brasil é muito assim, você sinta-se elogiado por ter a chance de estar aqui conversando comigo para poder vir ter a honra de trabalhar na minha empresa. É um pouco assim?

Ricardo             Essa visão antiga que certamente está mudando à medida que os profissionais se desenvolveram e você não teve uma oferta tão grande de profissionais, tanto que no passado, só para a gente colocar o link do tempo, era muito comum as empresas, ao invés de investir em tecnologia, investir em colocar 50, 60 profissionais para fazer um trabalho extremamente braçal porque a mão de obra era uma oferta abundante, na maior parte das vezes sem nenhuma qualificação mas abundante. Então o que a gente brincava, era um aluguel de orelha, você colocava as pessoas lá dentro para fazer esse trabalho, à medida que hoje você tem menos disponibilidade de profissionais e a qualificação começou a aumentar. A relação de poder, ela está mudando e com isso faz com que as empresas tenham que mudar a sua atitude e as que não estão mudando, essas empresas vão desaparecer porque os profissionais hoje, eles estão muito mais engajados, esperando um propósito das empresas na qual eles querem trabalhar e com isso se você não conseguir se posicionar, você efetivamente vai perder os seus talentos que estão hoje na sua empresa mais do que não conseguir atrair é perder os que estão hoje trabalhando com você.

Luciano             Muito bem, deixa eu chegar aqui no nosso finalmente que a gente já está aqui com nossa uma hora de papo. Sou um profissional, me formei, recém formado, estou trabalhando há pouco tempo, etc e tal, quero encaminhar o meu curriculum para a Michael Page, me dá o caminho das pedras, mas eu não quero só o endereço, eu quero saber o seguinte, o que eu devo fazer? Como é que eu devo encaminhar isso? Tem algum jeito? É só entrar lá e botar o input no teu site, eu tenho que me preocupar com alguma coisa além disso ou só botar e cruzar os dedos?

Ricardo             Olha, é importante que à medida que você entenda o que você está buscando para a sua carreira, algo super legal que a gente faz, a gente anuncia boa parte das posições que nós estamos trabalhando, então se você entrar em www.pagepersonnel.com.br, você vai encontrar todas as posições com salários até 10 mil reais, dividido por áreas e acima de 10 mil reais por mês as posições michaelpage.com.br e vai haver lá o link para que você possa encaminhar o seu currículo, mas a dica talvez fique para como encaminhar esse currículo, pense que um currículo hoje, idealmente não deveria ter mais do que duas páginas, aonde você precisa ser super conciso em quais são as suas habilidades, o que você está buscando, porque o currículo na verdade ele é só a porta de entrada para uma entrevista, a partir do momento que você tem a oportunidade de falar com a empresa, de falar com o recrutador, aí a história muda, a habilidade que você conseguir contar a sua história vai fazer toda a diferença.

Luciano             Te dei de presente o meu livro “Diário de um Líder” que quando eu lancei, e começo o livro dizendo o seguinte, cara nunca se discutiu tanto sobre liderança, nunca se ensinou tanto sobre liderança, nunca se falou tanto sobre liderança no Brasil e no mundo e no entanto nunca teve tanta falta de liderança, porque se você olhar o que está acontecendo aqui é uma crise de liderança brutal em todos os lugares do mundo. Mas falando especificamente do Brasil aqui, vamos pensar em termos de gestão, acho que o Brasil tem um problema de produtividade brutal, terrível, que na raiz tem uma questão de gestão, atrás da gestão está a liderança e tudo mais, onde é que você acha que os brasileiros estão errando cara?

Ricardo             Olha, para responder essa pergunta eu vou citar duas frases que sempre me vem à cabeça quando eu recebo essa pergunta. Primeiro é uma frase da Margaret Thatcher, que ela diz que ser líder é como ser uma dama, se você tiver que lembrar às pessoas que você é, é porque você não é. E a segunda frase do Ralph Emerson, que ele diz que suas atitudes falam tão alto que eu não consigo ouvir o que você diz, então a liderança, ela tem muito a ver com quem você é e por que as pessoas deveriam te seguir e pensar também que a gestão de performance das equipes, você vai ver inúmeras teorias, mas se eu puder resumir o que os grandes executivos fazem quando pensam em performance dos seus times, pense sempre na equação do sucesso, performance é igual a talento menos interferência.

Luciano             Espera, de novo, vamos lá.

Ricardo             Performance é igual a talento menos interferência, então o que você tem que fazer? Identificar quais são os talentos e as interferências de cada um do seu time. Potencialize o talento e diminua as interferências.

Luciano             Quer dizer, esse é o papel do líder?

Ricardo             Do líder.

Luciano             Que é um facilitador.

Ricardo             Exato, que a interferência o que pode ser? A desmotivação, a falta do treinamento, falta clareza de metas, talvez insegurança do profissional, então diminui essa interferência e potencializa o talento e potencializar o talento é, lembre-se, ao invés de ficar batendo no que o profissional ainda não se desenvolveu e você ficar apertando ele naquele ponto, potencializa no que ele é bom, no que ele gosta de fazer, no que ele quer se desenvolver e a partir daí você vai ter uma equipe de muito alta performance.

Luciano             E aí você está me abrindo uma janela interessante para uma coisa que eu quero dizer para quem está ouvindo a gente aqui, quer dizer, se você tem um talento, se você gosta de fazer uma coisa, você tem que deixar isso claro, não adianta guardar para você e esconder para você, as pessoas tem que saber disso e você tem que contar. Eu tenho uma história deliciosa, eu tinha uma secretária, minha secretária estava lá, aliás era extremamente mal humorada e vivia lá a vidinha dela como secretária e um belo dia, por alguma forma, não me lembro como foi, mas chegou ao meu conhecimento que ela adorava lidar com essas coisas de ação social e tudo mais, cara eu peguei um projeto que a gente tinha meio enrolado, que era o projeto de ajudar uma creche que tinha lá perto, cara, mudou tudo, o projeto virou uma loucura, aquilo começou a andar e a mulher fazia aquilo com tesão, só que ela nunca tinha contado que aquilo era e havia uma necessidade de alguém para tocar aquilo mas ninguém sabia e o dia que aquilo chegou ao meu ouvido, que era o chefe, falei oba, espera aí, tem alguém que quer fazer, então eu acho que é muito importante você que está ouvindo a gente aí, quer dizer, explicite, deixe claro para onde você quer ir, aonde você quer chegar, o que você gosta de fazer, porque na primeira oportunidade se tiver um líder que tenha dois neurônios funcionando esse cara vai sacar você e falar eu sei quem quer, eu sei quem gosta, eu sei quem faz e vai te jogar essa coisa no colo.

Ricardo             E lembre-se, o que não é medido não pode ser cobrado. O que não é medido não pode ser cobrado, então à medida que você deixe muito claro as metas, acompanhe e meça para que você possa cobrar efetivamente e a gente diz muito também na hora de contratar, aqui você tem que contratar pessoas diferentes de você, isso é uma realidade porque as pessoas se complementam, mas contrate pessoas diferentes de você, mas com os mesmos valores e objetivos, se não você vai ter um problema.

Luciano             Perfeito. Cara, muito legal, dá para ficar nesse papo aqui até… porque eu não deixei nem você abrir o teu lap top direito aí para tirar as planilhas e falar dessas pesquisas cara, eu brilhava o olho aqui, eu queria saber essas pesquisas, mas cara, esse tema para mim é muito caro, sabe essa… recrutamento, seleção, escolher as pessoas que vão estar jogando no teu time, isso aí é absolutamente fundamental, eu quero te agradecer um monte e perguntar de novo, vamos repetir aqui, quem quiser ter acesso a você, a conhecer o trabalho, acesso até à Michael Page, nem que seja para conhecer a empresa como é, acessa quais endereços?

Ricardo             www.pagepersonnel.com.br e www.michaelpage.com.br e se você quiser ter um pouquinho mais de acesso às informações que a gente vai publicando fique vontade também para conectar com o meu pefil no Linkedin Ricardo Basaglia, é sempre um prazer compartilhar esse tipo de informação até para desmistificar um pouco do que é essa figura do had hunter, do recrutador que muitas vezes é o profissional que ele quer se conectar com o maior número de pessoas justamente para conseguir identificar o profissional mais adequado para cada posição.

Luciano             Legal. Muito obrigado.

Ricardo             O prazer é todo meu, Luciano, muito obrigado pelo convite.

Luciano             Um abraço.

 

Transcrição: Mari Camargo