Lidercast
O dia seguinte
O dia seguinte
Com o aumento considerável do mercado de palestrantes ...

Ver mais

Fact Check? Procure o viés.
Fact Check? Procure o viés.
Investigar o que é verdade e o que é mentira - com base ...

Ver mais

O impacto das mídias sociais nas eleições
O impacto das mídias sociais nas eleições
Baixe a pesquisa da IdeiaBigdata que mostra o impacto ...

Ver mais

Síntese de indicadores sociais 2016 do IBGE
Síntese de indicadores sociais 2016 do IBGE
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - ...

Ver mais

Café Brasil 621 – Orgulho de Ser Brasileiro
Café Brasil 621 – Orgulho de Ser Brasileiro
Em junho de 2018 realizamos o II Sarau Café Brasil, ...

Ver mais

Café Brasil 620 – Democracia, tolerância e censura
Café Brasil 620 – Democracia, tolerância e censura
"Se começarmos a cercar com paredes aquilo que alguns ...

Ver mais

619 – LíderCast 9
619 – LíderCast 9
Neste programa apresentamos os convidados da Temporada ...

Ver mais

618 – No Toca Fitas Do Meu Carro – Scary Pockets
618 – No Toca Fitas Do Meu Carro – Scary Pockets
Mais um programa musical. E daqueles, cara. Você sabe ...

Ver mais

LíderCast 115 – Nailor Marques Jr
LíderCast 115 – Nailor Marques Jr
Professor, palestrante, uma das mentes mais divertidas ...

Ver mais

LíderCast 114 -Alexandre Ostrowiecki
LíderCast 114 -Alexandre Ostrowiecki
Empreendedor, com uma história incrível de como o ...

Ver mais

LíderCast 113 – Glaucimar Peticov
LíderCast 113 – Glaucimar Peticov
“Eu não tenho muros, só tenho horizontes” é a frase de ...

Ver mais

LíderCast 112 – Paulo Rabello de Castro
LíderCast 112 – Paulo Rabello de Castro
Professor, consultor, com vasta experiência no setor ...

Ver mais

Confraria Café Brasil
Confraria Café Brasil
A Confraria Café Brasil nasceu para conectar pessoas ...

Ver mais

Videocast Nakata T02 10
Videocast Nakata T02 10
Videocast Nakata Temporada 02 Episódio 10 - Hábitos ...

Ver mais

Videocast Nakata – T02 09
Videocast Nakata – T02 09
Videocast Nakata - Temporada 02 Episódio 09 Quando ...

Ver mais

Videocast Nakata T02 08
Videocast Nakata T02 08
Videocast Nakata Temporada 02 Episódio 08 Já falei ...

Ver mais

É milagre, Crivella?
Fernando Lopes
Iscas Politicrônicas
O Rio de Janeiro continua lindo Gil, e complicado; mais do que isso, espantoso. Não dá pra entender a razão pela qual os fluminenses elegem gente (latu sensu, ófi córsi) como Anthony Garotinho, ...

Ver mais

O despertador intelectual e a origem das ideias
Jota Fagner
Origens do Brasil
Possivelmente você teve uma pessoa que, em determinado momento de sua vida, acendeu a faísca da sua curiosidade sobre determinado assunto ou área do conhecimento. Talvez tenha sido mais de uma ...

Ver mais

Os caminhos para editar um livro
Isqueiro isqueiro
Muitas pessoas investem um tempo considerável colocando suas histórias e lições de forma escrita, para se perpetuarem na forma de livros. Mas, ao concluírem o texto, muitas vezes o guardam em ...

Ver mais

As causas e efeitos das barreiras de comunicação no trabalho
Mauro Segura
Transformação
Uma das maiores barreiras atuais para o sucesso de qualquer empresa é a comunicação no ambiente de trabalho, por mais irônico que isso possa aparecer por conta de todas as facilidades ...

Ver mais

Cafezinho 89 – Manifesto
Cafezinho 89 – Manifesto
Quero um mundo melhor, igualzinho a você. Talvez ...

Ver mais

Cafezinho 88 – A Teoria da Ilusão Fiscal
Cafezinho 88 – A Teoria da Ilusão Fiscal
Não existem soluções novas. O que existe é ignorância velha.

Ver mais

Cafezinho 87 – O que consome seu tempo de vida
Cafezinho 87 – O que consome seu tempo de vida
Se você não avaliar cada processo que consome seu tempo ...

Ver mais

Cafezinho 86 – Ser e parecer
Cafezinho 86 – Ser e parecer
É simples! É só fingir ser perfeito...

Ver mais

LíderCast 011 – Murilo Gun

LíderCast 011 – Murilo Gun

Luciano Pires -

Luciano             O líder cast chega até você com apoio do Linkedin, a solução que vem transformando a atração de talentos através das redes sociais profissionais.

Muito bem, este programa tem um gostinho especial, pois eu vou repetir aqui a entrevista que fiz com Murilo Gun, no podcast Café Brasil em junho de 2014. A razão é simples: foi a partir daquela entrevista do surpreendente foco em empreendedorismo e liderança da conversa, que nasceu a ideia do LiderCast. Provavelmente ao longo do programa você ouvirá minhas referências ao Café Brasil, mas agora já entenderá a razão. Vamos adiante.

Muito bem, seguindo aquela nossa sequência de entrevistas com gente que anda fazendo acontecer, hoje eu tenho aqui um… não vou dizer que é velho amigo porque velho ele não é e também a gente não se conhece há tanto tempo assim, faz o que? Pessoalmente uns 2 ou 3 anos…

Murilo               2, 3 anos é.

Luciano             … por e-mail uns 4 ou 5 anos, alguma coisa assim né?

Murilo               Mais.

Luciano             Mandou um e-mail para mim uma vez, há muito tempo atrás, que eu estava lá em Recife, pô Luciano eu faço stand up comedy aqui em Recife, não sei o que, estou lendo teus artigos, estou gostando etc e tal.

Murilo               Eu faço parte daquela leva que viu lá a pocotização, o seu artigo que viralizou a pocotização e começou a lhe acompanhar naquela época.

Luciano             2003 cara, 2004.

Murilo               A pocotização e ai o nós que invertemos as coisas.

Luciano             “Ta” tudo em cima então.

Murilo               E por ai vai.

Luciano             Então nós estamos em casa aqui. Você está ouvindo essa voz aqui ao lado, com esse sotaque que se contrapõe ao meu sotaque bauruense, esse é o Murilo Gun. Murilo Gun que muita gente conhece. Ele ficou famoso no Brasil todo a partir de um pequeno vídeo que se tornou viral né, que falava do estagiário e dali para frente o Murilo arrebentou e hoje está aqui em São Paulo e a gente teve a oportunidade de cruzar várias vezes ai, conversar bastante, trabalhar juntos inclusive até que chegou a hora que eu falei, pô, é irresistível né, talvez chegue a hora de ele vir aqui até o programa para participar dessa série que nós estamos fazendo aqui onde nós estamos procurando entrevistar profissionais de várias vertentes ou várias áreas diferentes tendo como pano de fundo essa coisa de capacidade de fazer acontecer, ter um sonho e fazer acontecer e o Murilo, puta, ótimo, ele está bem dentro desse perfil, então seja muito bem vindo, finalmente né, aos nossos grandes estúdios aqui, do grande Café Brasil, é um prazer tê-lo aqui.

Murilo               É um prazer estar aqui, até porque faz parte do clichê, qualquer entrevistado começa dizendo que é um prazer estar aqui né, eu quero ver um dia que um cara falar assim, no Jô Soare: Jô não é um prazer estar aqui não porque hoje eu tenho marcado jogo de futebol, então não é um grande prazer estar aqui, eu preferia outro dia, mas enfim…

Luciano             Um dia qualquer.

Murilo               … ninguém tem essa verdade né?

Luciano             Um dia aparece. Essa hipocrisia que cruza a sociedade. Murilo…

Murilo               Mas para mim é um prazer de verdade estar aqui, ok?

Luciano             Igualmente, já almoçamos juntos e tudo mais, então estamos aqui só nos contrapondo esses prazeres. Murilo, vamos lá, vamos começar do começo também seguindo aquele padrão, todo mundo sempre faz. Quem é o Murilo, de onde vem, etc e tal e blá blá blá.

Murilo               É… é o seguinte, na verdade eu trabalho com humor hoje em dia que você falou, mas na verdade eu comecei a mexer com internet em 95 quando começou a internet no Brasil, comercial no Brasil, eu era adolescente e criei um site pessoal bem simples lá mas que né, porque a internet era uma bosta, então qualquer coisa mais ou menos era legal e esse meu site ganhou prêmio, lembra que tinha o IBEST, aquele prêmio?

Luciano             Sim, sim.

Murilo               Eu ganhei o melhor site pessoal em 97/98, fui até no Jô Soares nessa época, 14 anos, é bem engraçado a entrevista lá no Jô e comecei a trajetória com internet nessa época, montei uma produtora web, vivia…

Luciano             Lá em Recife?

Murilo               … lá em Recife, vivi aquele boom da internet, aquela história da bolha, eu quase fiquei milionário, quase, bati na trave, quase que vendi um projeto ao fundo de investimento por alguns milhões ai e montei uma produtora e de 96, mais ou menos, quando eu comecei esse meu site, até 2006, ou seja durante 10 anos mais ou menos, eu fui um executivo de internet, um nerdzinho que montou uma empresa e virou executivo, fiz faculdade de administração de empresas…

Luciano             É o executivo do seu próprio negócio?

Murilo               Do meu próprio negócio é um empresário, empresário né. Um empresário, tem a produtora, uma das maiores produtoras lá no Recife, maior do nordeste e essa minha vida, não tinha naquele momento era impossível conjecturar que a minha vida não seria internet e tecnologia, porque eu estava desde 14 anos fazendo aquilo.

Luciano             Quer dizer, dos 14 aos 24 você ficou mergulhado…

Murilo               Dos 14 aos 24 era isso. Como começou muito cedo era algo que não tinha como sair de mim já, já era meio que essa é minha vida e o turning point, a grande virada, muito louco isso né, na minha colação de grau eu fui o orador da turma de administração e na colação de grau eu preparei um discurso, escrevi e é um discurso que quando eu falei as pessoas riram muito, tanto os colegas, coisas mais internas, como os pais dos colegas, o pessoal riu muito e eu, pela primeira vez senti essa emoção de ver neguinho rindo por uma parada que, porque uma coisa é você fazer algo espontaneamente numa palestra e o pessoal rir, outra coisa é quando você planejou, quando você escreveu em casa aquela parada e você falou e teve a reação que você esperava que devia ter e eu fiquei: velho, muito louco isso ai e enquanto meus colegas, que a colação de grau é quando você oficializa que você virou um bacharel naquele assunto né, você entrou no mundo sério daquele assunto, enquanto meus colegas saíram da colação pensando assim, agora sou administrador, eu sai, agora sou comediante velho sabe, para o lado oposto, a hora errada de mudar de carreira o cara, não, mudei de carreira agora, a colação foi o… então a colação de grau de administração foi a grande virada para eu sair do mundo das empresas, do mundo corporativo…

Luciano             Que legal.

Murilo               … o que era para ser minha entrada foi a minha saída e a partir dai eu comecei a ficar, po, que legal essa história de fazer rir, comecei a pesquisar essa coisa que estava começando no Brasil de stand up comedy, estava começando em São Paulo…

Luciano             E você estava numa região que é pródiga por gerar os maiores humoristas do Brasil vem do norte e nordeste né?

Murilo               Sim, mas eu comecei a buscar essa vertente stand up que é um pouco diferente, é uma coisa mais de cara limpa e tal, que eu acompanhava nos Estados Unidos, estava chegando em São Paulo, em 2006 eu fiz uma loucura, bicho, que eu comprei uma passagem Recife-São Paulo, só para poder fazer 5 minutos de participação no show que o Rafinha Bastos, que era totalmente desconhecido, fazia num barzinho aqui na Santo Amaro.

Luciano             Mas isso você já fazia show lá?

Murilo               Eu, não, eu tinha feito um show lá, eu marquei esse show com Rafinha aqui e para não chegar cru no Rafinha, eu inventei um show num bar, no Recife, como ensaio, chamei, eu botei 100 amigos meus, o pessoal ficou curioso né, po, o Murilo, nerd da internet, show de humor, a eu botei 100 pessoas num bar para eu fazer 10 minutos de show, que era o que eu tinha na cabeça para fazer, desses 10 minutos selecionei os 5 melhores, 5 minutos, comprei a passagem para São Paulo para ir, marquei com Rafinha antes para poder fazer essa participação.

Luciano             Mas você já conhecia o Rafinha?

Murilo               Não, por e-mail. O Rafinha era um ator que estava querendo, ele fazia show em bar para 50 pessoas, entendeu?

Luciano             Era um vindo de Porto Alegre e o outro vindo do Recife para se encontrar em São Paulo…

Murilo               O Rafinha estava aqui há um tempinho, estava aqui em São Paulo há 1, 2 anos para fazer carreira, Rafinha e o Rafinha, ele tem toda essa polêmica envolvida dele, mas ele é o cara que criou o stand up comedy no Brasil, isso é fato. Ele e o Marcelo Mansfield foram os caras que começaram esse negócio velho, fazer em barzinho para 50 pessoas e eu contatei eles por e-mail e eles acharam super legal po, porque o cara vai dizer não né? Um maluco de Recife quer vir para cá fazer 5 minutos, deixa ele vim. Eu mandei um texto para eles, eles gostaram e eu fui lá fazer esses 5 minutos. Velho, viajei só para isso, coloquei no Youtube, é um vídeo que eu tenho vergonha hoje em dia, que é o banheiro masculino o meu vídeo, eu tenho vergonha, mas é um vídeo de mais de um milhão de acessos, porque na época o meu vídeo foi o quarto vídeo de stand up no Youtube brasileiro, teve dois do Rafinha e um do Oscar Filho, depois vem o meu, então assim, na época ele viralizou e o pessoal achava o máximo, hoje em dia é um lixo e ai começou, isso foi o start de eu querer buscar essa carreira e eu passei dois anos com vida paralela, 2006 a 2008 eu fiquei com a minha empresa e a noite fazendo show. Tive vida de puta, entendeu? De dia um emprego normal e a noite ia para bares e fazer show. E ai começou a trajetória de humor até que, quando eu tive as primeiras participações em televisão, eu fui no Faustão umas duas vezes, começou a vim uma demanda grande para mim e eu achei que era hora de chutar o pau da empresa e viver essa, esse novo sonho que eu comecei a nutrir em mim né.

Luciano             E ai você fechou, você fechou a empresa, parou a empresa e isso?

Murilo               Não fechei, eu vendi a minha parte na empresa, a empresa existe até hoje, a empresa é uma das melhores, uma das melhores produtoras lá de Pernambuco, de web, até hoje, chama Cartelo e estou em contato com eles sempre mas não tenho mais nenhum envolvimento lá.

Luciano             E mergulhou na vida para ser stand upper…

Murilo               Mergulhei, e ai comecei nessa vida louca, velho.

Luciano             … muito bom. Isso nós estamos falando de que ano?

Murilo               Isso, quando eu sai da empresa foi 2008, eu sai da empresa, quando eu sai.

Luciano             Você está que nem eu, cara,  2008 foi quando eu entrei da cabeça no Café Brasil…

Murilo               Foi. É.

Luciano             Foi, então, é. Que legal. Você falou um negócio ai, eu, você sabe que a gente não tem roteiro aqui, a gente vai batendo papo, você falou um negócio ai que na hora me lembrou uma coisa que eu achei deliciosa, cara, eu vi uma vez uma entrevista do Gerald Thomas e ele estava dizendo o seguinte, que muita gente considera ele extremamente arrogante e tudo mais e uma vez um cara chegou para ele e foi contestado porque ele escrevia o roteiro da peça e no meio do roteiro ele punha lá: pausa para o pessoal rir. Blá, blá, blá, pausa para… cara como é que você sabe que a turma vai rir nesse ponto aqui, não mas eu estou construindo pensando nisso e eu quando faço o Café Brasil eu faço igual, minhas palestras a mesma coisa, eu tenho a palestra montada e já tenho a pausa, eu sei que aqui o pessoal vai rir e é daqui a pouco que eu vou dar continuidade então já sei que clima que eu vou pegar, etc e tal né. E muita gente acha que isso não é assim, que você não consegue fazer, cara, fala um pouco disso.

Murilo               Sabe como é que eu faço? Eu faço assim. Eu quando vou escrever um texto de stand up eu, porque tem até.. a teoria é básica do stand up é setup e punch line, setup é a preparação da piada e o punch line é o soco, é o momento da risada…

Luciano             É a surpresa né, é o…

Murilo               … pois eu quando escrevo um texto eu coloco em negrito o que eu acho que é punch line, ou seja, o que eu acho que o pessoal tem que rir e quando eu olho aquele texto no word, eu procuro ver a distância entre os negritos, porque se eu achar que entre um negrito e outro a distância está longa, eu ou reduzo o setup ou arrumo um negrito para colocar no meio do setup, ou seja, um punch dentro do setup.

Luciano             Isso sou eu escrevendo o Café Brasil, que a gente bate o olho, fala até, eu deixo de ler o que está escrito para enxergar onde é que estão as marcações, cara, aqui faltou uma música, aqui… e é o ritmo né, eu terminei de escrever agora deixa eu fazer o ritmo.

Murilo               Eu imagino um show, quando eu vou fazer um número de stand up eu imagino como um gráfico, um gráfico que tem que ter os picos regulares com a regularidade, é engraçado que, se você for, a plateia ela não admite um minuto sem piada, um minuto parece pouco mas sem piada é, a gente chama de barrigada, é um show que barrigou, que porra, não pode, você tem que manter ali, entendeu? Tem que ter, entregar uma piada a cada 30 segundos na média.

Luciano             Eu diria que essa é a característica é do stand up, que quando você fala stand up comedy, eu sou de uma geração lá de trás, onde eu vi caras segurando plateia e fazendo um stand up comedy da época que era um negócio brutal, cara, era gente do naipe do próprio Chico Anysio né que depois, antes do Chico Anysio fazer aquilo que ele fazia na televisão, era um tremendo dum…

Murilo               Zé Vasconcelos…

Luciano             … Zé Vasconcelos, o próprio Ronald Golias, hoje ainda tem o Sérgio Rabelo que já fazia isso há não sei quanto tempo atrás, mas quando você pega o stand up deles, era um stand up que era um negócio interessante, ia do engraçadíssimo, os caras dominavam a plateia mas eles contavam longas histórias…

Murilo               Longas histórias.

Luciano             … e era uma história com muitas graças no meio e com uma grande graça final, não é essa metralhadora que é o stand up de hoje né, que ba ba ba ba…

Murilo               E eu acho que tem diferenciação, eles, em geral, eles para pensar, eles contavam, digamos assim, ficções, histórias meio fictícias e eu acho que o stand up moderno, essa nova geração, ele é mais vida real, vida cotidiana, não que eles não fizessem também vida cotidiana, mas esses caras eles contavam muitas histórias assim, rapaz tinha uma um matuto que foi não sei aonde e contava a saga do cara que queria comprar um carro na cidade grande e é uma puta história longa, super engraçada, com começo, meio e fim, mas assim, esse cara existe? Não. E eu acho que hoje em dia o stand up, uma coisa que eu vejo é que a gente, essa geração ela é mais verdadeira, ela é mais assim, já percebeu que quando está no trânsito, coisas que acontecem com a gente, é humor de identificação…

Luciano             Sim, esse é o grande…

Murilo               … já aconteceu comigo…

Luciano             … você quando está escrevendo a cena, eu estou me vendo naquela situação…

Murilo               … sim, sim, sim, sim…

Luciano             … já foi comigo, a história da tampinha do, a tampinha do dentifrício, que ela é do tamanho…

Murilo               … é, da pasta de dente, são coisas que, putz, realmente, porque a tampa da pasta de dente é exatamente do tamanho do ralo da pia? Você fala isso as pessoas identificam, é mesmo velho…

Luciano             Claro, quem é que não derrubou uma tampa…

Murilo               … quem nunca deu raiva e você tem o dedo mindinho, Deus criou perfeitamente para encaixar né, porque é certinho que cabe né, e eu acho que no stand up, nessa primeira geração do stand up, as histórias eram mais assim, eu realmente conheço um cara que faria do jeito que ele está contando, não é você, é muito mais, eu conheço alguém, entendeu? É uma coisa meio ficcional…

Luciano             É uma coisa literária lá, meio literária lá né? Mas vem cá, deixa eu voltar um pouco atrás aqui, porque a gente, eu já vi que o papo aqui vai voar legal hoje, Murilo essa história de po, aos 24 anos de idade decidir que, você tem alguns agravantes, você tem um puta dum sotaque nordestino que deve te render uma porrada de preconceitos até hoje né, você tinha 24 anos de idade, mas já era um moleque experimentado, porque você estava tocando um negócio lá, mas de repente resolve vir para São Paulo, onde a competição é brutal, onde você ia lidar com um negócio que, cara é um mundo complicado esse mundo aqui, não sei se você tem duas ou três chances aqui né, ou emplaca ou vai ficar em segundo plano né, como é que foi isso ai, o que que te empurrou a fazer?

Murilo               Cara, sabe que eu vim para São Paulo, eu vim para São Paulo com um foco específico, porque eu comecei a fazer humor lá e eu descobri que para você crescer como humorista, você depende da televisão, não tem jeito, então você tem 5 emissoras abertas no Brasil né, 4, que Rede TV não conta, e ai você depende de 4 diretores artísticos vão com a sua cara e lhe contratem, eu pensei, mas a minha carreira vai ser isso? Lutando para conseguir um espaço na televisão e eu pensei, como eu posso ter uma carreira que não dependa da variável televisão, e…

Luciano             Que não tem controle, que é incontrolável, se o cara estiver de mau humor ele tira você da grade e acabou.

Murilo               Pois é, e a minha carreira vai ser isso? Então eu pensei, eu conectei que eu tinha essa experiência corporativa, de 10 anos que quase nenhum humorista tem e existe um grande mercado de empresas querendo humoristas para seus eventos, convenção de vendas, lançamento de produtos, reunião pequena, treinamento e eu percebi que os humoristas rejeitavam esse mercado, eles até iam por dinheiro, mas a maioria ia com mau gosto, não queria muito fazer e tal, não sei o que, por quê? Porque as empresas impõem muitas restrições, normal, tem algumas palavras, não pode falar o nome de marca lá no evento da empresa, não pode falar, não estou falando nem de racismo, de coisa pesada, estou falando de censuras bobas, de não pode falar um caralho, po, o caralho faz parte da vida, caralho, você fala no dia a dia né, tropeça na pedra você não fala carambola, você fala caralho, tropeçou é caralho, não tem conversa e eu acho que os humoristas, isso feria o lado artístico deles, o lado de, eu sou artista, essa é minha arte e se eu fazer isso eu estou vendendo a minha arte e a questão é que eu não sou artista, eu não me considero artista, eu acho que eu estou artista, mas eu acho que eu sou, na verdade, um empresário, um empreendedor, empreendedor, na verdade, que identifiquei isso como uma oportunidade de negócio e eu pensei, poxa, se é uma oportunidade de negócio, eu vou ficar achando ruim? Ou vou aprender a me interessar, eu consegui transformar essas regras das empresas em motivação, no sentido de quando a empresa impõe um briefing  para mim de ter que seguir essa regra e falar sobre isso, eu encaro isso não como, que saco, eu encaro como um desafio, velho, como é que eu faço agora hein? Como é que eu faço para conseguir atender essa demanda, resolver esse problema? E quando eu consigo e entrego, eu fico super feliz, tipo ô velho, consegui, entreguei o negócio louco que a empresa, então eu fui para São Paulo com esse foco, o foco de ser humorista corporativo, algumas empresas querem o cara famoso para aparecer lá e sorrir, tirar umas fotos, outras empresas querem o cara que atenda o briefing, alguns podem chamar e se vender, para mim são trouxa quem acha isso, que isso é se vender, não, se vender, atender uma necessidade do mercado é se vender? Não, estou atendendo, entregando um conteúdo legal, enfim, e ai eu fui com esse foco que até hoje me sustenta, é o que me sustenta é esse trabalho que eu faço para as empresas.

Luciano             Eu tinha uma amiga que dizia um negócio interessante, ela falava ela, dizia o seguinte, olha, você vai ter que ter coisas que você tem que fazer para ganhar a sua vida e tem outras que você vai se divertir, então você tem que entender que você não pode gastar mais tempo se divertindo do que trabalhando sério porque se não você não vai ganhar a sua vida, né? Eu já sou da tese de que se você consegue encontrar o seu ganha pão naquilo que te diverte, essa é a melhor das opções né, mas eu acho que ai vem uma postura como essa que você teve, quer dizer, dar um passo atrás, fala, espera um pouquinho, como é que eu faço para encarar esse problema de um ângulo tal que eu consiga evitar essa história de que estou me vilipendiando…

Murilo               Eu tenho um tesão incrível, quando a empresa chega para mim e fala assim, olha, eu quero, eu vi seu show no Netflix e eu quero contratar para cá, ai eu falo, ok, eu vou lá e faço, para mim isso é um saco, agora quando a empresa fala assim velho, eu quero lhe contratar mas a gente quer marcar uma reunião porque a gente vai ter o lançamento do produto, a gente quer uma forma de como vender esse produto, isso para mim é um puta tesão…

Luciano             Legal né…

Murilo               … eu me sinto, tipo, é, vamos ai, vamos ai, tem que ir na reunião, entendeu? Teoricamente o mais fácil é ir, mas o mais fácil é um saco, eu gosto quando tem um negócio para criar, que é muito louco, eu me aperreio em casa mas é um aperreio bom, um aperreio de o desafio de criar e a satisfação quando você consegue criar e ai se você perguntar o que eu sou, você é um comediante, eu responderia comediante, porque as pessoas entendem, se fosse esperar outras coisas, poderia ser um palestrante, mas no fundo eu acho, isso pode soar meio soberbo, que eu sou um criativo, sou um cara criativo, um cara criativo, ou seja, eu aprendi, aprendi, porque também tem esse papo de que, velho, você tem o dom, porque você pega um assunto e consegue transformar no formato de piada, não sei o que, entregar, isso é um dom, velho, dom para mim é uma forma de desmerecer todas as horas que eu fiquei assistindo stand ups americanos, as horas lendo livros, as horas escrevendo piadas, as horas testando com a minha esposa, coitada, que é cobaia, as horas que eu fui no palco e testei e não funcionou e eu gravei o áudio da prestação e depois analisei o áudio e plotei num gráfico para ver…

Luciano             O tombo que eu levo né…

Murilo               Pois é velho.

Luciano             É, é verdade.

Murilo               Ai é muito fácil resumir a isso, então na verdade eu, e ai com esse processo todo eu estudei paralelamente sobre processos criativos, independente de humor e eu acho que hoje em dia eu virei uma pessoa criativa, uma pessoa que qualquer coisa que você me entregar eu aprendi a olhar as coisas por um ângulo diferente.

Luciano             Porque se a comédia não der certo…

Murilo               Sim…

Luciano             … você vai por outro caminho, né…

Murilo               Outro caminho, sem dúvida.

Luciano             … e não deixará de ser o Murilo criativo.

Murilo               Não, eu já estou no mundo das palestras, porque é o mundo em que eu uso a comédia com habilidade, como meio para entregar conteúdo, de forma criativa, como entregar esse conteúdo de forma que a plateia se interesse, porque as empresas hoje em dia reclamam muito, que essa geração Y é muito desatenta e não ouvem as coisas e eu sempre questiono, será que a culpa é do receptor dou do emissor? Não é escroto você, num processo de comunicação, ficar culpando o receptor, é igual a eu ir no show, lá no Comedians, fazer as piadas, ninguém rir e eu falar, plateia de bosta, será que a plateia é de bosta ou fui eu…?

Luciano             Um dos fundamentos do palestrante, que eu acho que deve ser assim também para o… deve ser, não sei se é, mas deve ser tipo o standuper, tem que entender que plateia que está te assistindo, a primeira, a primeira coisa, quem é que vai estar me assistindo né, se eu não entender a plateia, cara, eu corro o risco de chegar lá e quebrar a cara né…

Murilo               … pois é, e ai eu acho que hoje em dia o problema é o emissor, o pessoal emite conteúdo, entrega conteúdo de forma muito chata e o público mudou, esse novo jovem é diferente, mas não é ele que tem que mudar para se adaptar à forma antiga de entregar conteúdo, é você que entrega que tem que mudar, porque ele é a novidade, você é o velho, entendeu?

Luciano             Sim e você tem que, você tem que ter o equilíbrio né, para não…

Murilo               Sim, para não… analisar…

Luciano             … não, e para não virar aquela coisa vazia né, quanto de conteúdo eu vou, eu vou fazer tanta piada que o conteúdo desapareceu no meio d caminho né.

Murilo               Eu acho, Luciano, que não é nem piada, tem palestra minha que eu praticamente  não falo piada, mas apenas eu falo do jeito informal, a informalidade, ela é o meio termo entre a chatice e a piada, é você falar de um jeito normal, sem entrar no persona do palestrante, só porque eu entrei no palco eu mudo o jeito de falar, eu conjugo a terceira pessoa, a segunda pessoa do plural, voz, não, não vou fazer isso, eu falo normal, velho…

Luciano             E até as pessoas estão meio de saco cheio disso também, já passou né…

Murilo               Já passou.

Luciano             Já passou. Mas você falou  um negócio legal ai que me lembrou uma coisa que a turma sempre fala ai, que aliás, que eu sempre falo, se perguntarem para mim o que que eu sou, eu falo olha, se eu disser que para você que eu sou um cartunista, ou um palestrante, ou um radialista, ou um podcaster, ou um escritor, eu estou criando rótulos que você consegue entender…

Murilo               Sim, facilitando né.

Luciano             …  então eu digo isso porque eu sei que você consegue entender, porque se eu disser o que eu sou, digo o que eu acho que eu sou, vocês vão achar que, assim como você acha que você é um criativo né…

Murilo               É, vai achar soberbo e não vai entender.

Luciano             … vai achar que é soberbo, é, então…

Murilo               Você falar assim, eu sou um pensador…pensador

Luciano             Imagina, cara, eu vou apanhar no meio da rua…

Murilo               É, se acha um pensador, você agora se acha Aristóteles agora?

Luciano             É isso ai, quem é esse idiota ai para achar que pensa alguma coisa né? Mas esses rótulos que eu dei não passam de rotulagens de processos de distribuição né, então o que é um cartunista? É o cara que entrega uma ideia sob forma de cartoon.

Murilo               É, é o pensador que entrega em forma de cartoon…

Luciano             O que que é um palestrante? É um cara que entrega a você uma ideia sob forma de uma palestra, então, mas as pessoas conseguem compreender  processo de entrega. O que está lá atrás não e na contratação a mesma coisa, quer dizer…

Murilo               eu sou um criativo que entrega em forma de humor, que posso entregar em forma de conteúdo…

Luciano             Exatamente.

Murilo               … em forma de livro, mas pode ser que amanhã eu possa entregar em forma de direito, porque eu posso querer virar advogado e eu posso virar político e entregar a criatividade em forma…

Luciano             Mas continuará a ser o mesmo bicho criativo que está lá atrás né?

Murilo               … entregar a criatividade em forma de leis.

Luciano             Acho que ai tem um negócio legal, que você está colocando ai que é bem interessante, que as pessoas, muita garotada vem conversar comigo,  sempre aquela agonia, meu, o que que eu vou fazer agora? O que que eu vou trabalhar com o que? O que que eu vou ser né, como se essa definição do que é que eu vou ser fosse representar essa pessoa para o resto da vida né e não é assim né, ela é o que é né, então eu sou o que sou e poderei ser um médico, desse jeito, como poderei ser um artista desse jeito…

Murilo               Um médico é a forma que você entrega quem você é né?

Luciano             Exatamente né.  E ai tem, é uma, é muito legal essa discussão…

Murilo               Rotulagem é um negócio muito louco.

Luciano             … e até porque o que que é a rotulagem, a rotulagem é uma redução ao mínimo divisor comum, cara, então eu consigo compreender, seu fascista, tá resolvido, né, te xinguei de fascista já entreguei tudo que eu queria…

Murilo               Tem jovens que eles olham o vestibular, as opções de cursos e eles parece que pensam que aquilo ali é o resumo das profissões do mundo, como se ali fosse o cardápio, a inscrição  para o vestibular da Univerisdade Federal aquelas opções de curso, ali é o cardápio do que eu posso ser no mundo, isso é uma redução muito pequena, é reduzir o mundo a uns estereótipos, o mundo hoje em dia é muito rápido, a faculdade não consegue criar cursos das demandas que o mundo cria né, há quanto tempo os cursos são os mesmos né?

Luciano             Não e, puta, há 50 anos né e a toda hora surgindo coisa nova. Quando meu filho se formou, meu filho tem quase a tua idade, quando ele se formou no colégio, que ele chegou para mim, que ele foi fazer universidade, ele chegou para mim um dia e falou, pai, já escolhi o que eu vou fazer, falei o que você vais er da vida? Eu vou fazer artes plásticas. Quando ele falou artes plásticas, para mim,  meu mundo caiu que eu já imaginei ele dali a 20 anos na Praça da República, de chinelão, com o pé sujo, vendendo miçanga, com os filhos sem roupa…

Murilo               Nessa hora entra o lado pai…

Luciano             Claro…

Murilo               …entra o lado pai…

Luciano             …  meu Deus, não foi isso que eu imaginei para o meu filho, mas eu imaginei o que cara, o que que eu imaginei para ele?

Murilo               … advogado, médico, só pode ser isso?

Luciano             … médico, falei, também não é isso né, ai que eu parei e cheguei para ele e falei, olha, vamos fazer uma coisa aqui, cara, eu não sei se quando crescer você vai ser dono de pet shop, banqueiro, bancário, se vai ser engenheiro, não me interessa o que vai ser, qual é a melhor faculdade de artes plásticas que tem non Brasil, aha pai, é a FAAP, se você conseguir entrar lá eu topo que você faça e vou te ajudar a fazer e ai ele foi e fez, ele fez e fez, se formou e hoje ele é diretor de criação de uma produtora de vídeo né, que isso nem estava em consideração naquela época, quando ele escolheu artes plásticas ele talvez estava imaginando como escultor, vou ser escultor e pintor e hoje o moleque dá um.. não importa muito o que que vai ser lá na frente, o que que me interessa nesse momento, eu tenho que me preparar da melhor forma possível, então eu vou me preparar dentro do que?  Duma faculdade de engenharia porque eu me dou bem com isso, é isso que eu gosto, mas qual é o out put lá, o que vai ser lá no final?

Murilo               Pode ser advogado.

Luciano            … não sei se vou ser engenheiro eletrônico ou não né? Mas aquilo vai me dar uma formação e eu tenho alguns amigos que me contam histórias fantásticas, um deles é um baita dum consultor de empresas que se especializou em compra e fusões de empresas, o negócio dele é financeiro, a formação desse cara é agrícola, cara, ele fez agropecuária e ele fala para mim o seguinte, cara, essa minha formação na área agrícola me deu uma visão do mundo do negócio que ninguém mais tem, entendeu? E você fala, po cara, quando é que eu podia imaginar que… exatamente assim.

Murilo               Sabe o que eu faço? Eu de vez em quando estou viajando de avião e ai eu vejo as pessoas, todo mundo lê alguma coisa no avião né, um negócio louco, o cara vai comprar o jornal, não sei o que, eu tenho uma regra, em avião, eu só compro revistas que não me interessam, eu compro Capricho, eu compro revista de lancha, de milionário que tem lancha, porque para mim é uma regra que eu criei, eu não vou ficar lendo só Exame e Você S/A, isso eu assino, leio no meu tablet, mas no avião, no avião vai ser o momento de ler coisas que não me interessam, revista Raça negra, vou comprar Raça Negra, vou comprar, foda-se, eu quero ler, eu quero adentrar universos que não fazem parte da minha rotina porque o grande problema é que, pessoas que pensam iguais, que tem os mesmos inputs, geram auto inputs iguais, quando você vai entrar na industrialização da educação, de fazer aquele curso, ai todo mundo faz MBA, você faz MBA, todo mundo lê isso, eu leio isso, gera pessoas iguais, que é a origem da educação era essa né, da revolução industrial, as escolas tinham como função, gerar pessoas iguais para trabalhar em tarefas iguais na indústria, só que o mundo mudou e não é para gerar pessoas iguais, é pessoas diferentes, então eu acredito muito nisso, concordo com o cara que tem um input agrícola, ele pode ter visões muito diferentes, inovadoras sobre as coisas.

Luciano             Sabe que isso é uma coisa meio revolucionária né cara, porque nós estamos num mundo aqui hoje que prega o coletivismo, que é todo, que você desaparece como indivíduo para o bem do coletivo né cara, aparece um sujeito com uma conversa como essa ai, é um maluco que tem que ser, tem que ser destruído né. Mas eu ia te fazer uma pergunta que tem tudo a ver com o que você falou aqui agora que era essa ai, então qual é o estudo que tem que ter um cara que vai ser comediante, cara? Ele vai estudar o que cara? Como é que você estuda para se um comediante, você falou que aquela história do dom, que está num canto mas é, digamos assim o seguinte, vamos tirar essa palavra dom do ponto de vista aqui e vamos colocar uma outra coisa, você leva o jeito para contar piada, tem cara que não leva jeito, não adianta, tenta contar piada ele destrói a piada…

Murilo               Mas vou te falar uma coisa, até 2006 eu nunca tinha feito piada na minha vida, nunca havia feito uma piada na minha vida, até 2006, eu nunca havia sido o engraçado da turma, pelo contrário, eu era o nerd, o nerd que bombou no começo da internet, que é o oposto de ser criativo de humor, eu era um nerd, o cara da programação, eu era um cara, digamos, com um bom Market pessoal jé, mas eu não criava nada, eu nunca contei uma piada, nem piada pronta, nem aquele cara que conta piada pronta de Costinha, nem que criava piadas, eu nunca fiz isso na minha vida até 2006. Até que um dia eu tive a necessidade de escrever um texto da colação de grau e nessa necessidade eu pensei, seria legal que fosse engraçado e eu comecei a me esforçar em pensar o que torna, o que faz as pessoas rirem e comecei a pensar, o que faz as pessoas rirem e escrever coisas pensando, eu acho que isso faz a pessoa rir, eu experimentei e deu certo e quando deu certo eu pensei, velho…

Luciano             Esse é o negócio.

Murilo               … quer dizer que eu posso fazer humor, por isso que eu digo, não é, eu não acho, eu sou tão radical que eu acho que não é nem jeito, é tipo esforço, é você, eu para escrever o discurso de colação, eu me lembro, que eu demorei tipo assim um mês, mas um mês tipo assim, trabalhando duas horas, parava dois dias, trabalhava duas horas, depois eu descobri que eu estava sem querer, fazendo o processo criativo, ou seja, encubando as ideias que é algo que o pessoal ignora muito, o processo de criação inconsciente, a incubação das ideias, o pessoal acha que é lorota e sem querer eu fiz isso, porque eu me lembro que na época eu escrevia um pouco, ai eu saia desse mundo e de repente eu estava jogando bola e eu tinha um insight, eu voltava, então eu passei um mês escrevendo de pouco em pouco, melhorando, pedindo feedback, mostrava para algumas pessoas, testava, mandava e eu passei um mês me dedicando a criar uma obra e me esforçando àquilo e ai eu consegui e dai então eu comecei a estudar humor, existem livros que ensinam técnicas de humor, a primeira coisa é porque as pessoas riem, do que as pessoas riem, você começa a estudar porque as pessoas riem, você começa a usar formatos consagrados que fazem as pessoas rirem, você começa a observar pessoas fazendo rir, você começa a começar tentar a fazer rir, e no entanto teve erro e descobrindo e ai você vira humorista e eu acho que isso não é jeito, isso é só prática e esforço, agora, eu era um cara que já falava em público, sem piada, é o facilitador, se você não fala em público, você vai ter uma barreira a mais além do que eu tive, é tudo questão de algumas pessoas tem barreiras a menos, outras, barreiras a mais, agora, eu acho que todo mundo nasce zero, eu acho que eu sou muito, eu acredito muito nisso, que casa estímulo na sua vida vai lhe direcionando para um caminho diferente, entendeu? Um caminho que busque ser mais criativo ou não.

Luciano             Você falou para mim um negócio outro dia que eu achei super interessante cara, que você estava comentando essa, nós estávamos falando das nossas duas posições, eu como palestrante que vai lá com uma série de conteúdos para botar o pessoal para pensar, etc e tal e você como o cara que chega lá no palco para fazer a turma rir e você estava me dizendo lá do horror que é esse compromisso com a risada né, me fala disso ai, como é que é?

Murilo               É, porque existem dois tipos de plateia, tem a plateia que está lá para rir e a plateia que está lá para desafiar se você, se o humorista é capaz de fazê-la rir, ou seja, coração aberto e coração fechado que eu chamo, o cara de coração aberto é aquele cara que, po, estou no show de humor, que legal, vai ser divertido esse show, esse cara tem cara de ser engraçado, já vi ele, vamos lá, ver o que ele vai falar…

Luciano             Já está a fins né?

Murilo               … ele já começa meio sorrindo assim, antes ele já abre sorrindo…

Luciano             Deixa eu fazer um parêntesis para você aqui, eu imagino o seguinte, uma plateia como a do Comedians que paga para ir lá para rir, a maioria dela já vai assim?

Murilo               Vai algu…

Luciano             A maioria…

Murilo               A maioria…

Luciano             Sim e já vai assim…

Murilo               … mas sempre tem o cara que pensa o contrário, eu paguei, quero…

Luciano             … não mas eu digo, mas lá a maioria vai assim…

Murilo               … a maioria, sim a maioria

Luciano             … mas numa empresa onde você foi contratado, você não garante essa maioria porque ninguém sabe o que vai acontecer ali, então agora entrou um humorista, nessa hora, quer dizer, eu não fui lá pronto, me preparei, fiz a minha cabeça para ouvir e dar risada.

Murilo               É.

Luciano             Né?

Murilo               É, depende muito da preparação assim…

Luciano             Mas me fala, não perde os dois corações ai…

Murilo               Sim coração aberto e coração fechado, é o seguinte, coração aberto é isso, coração fechado é o cara que vai assim, bora ver, quero ver se é bom mesmo, bora ver, duvido me fazer rir, quero ver, sabe quem normalmente é assim? Publicitário, publicitário é assim, sabe por que? Publicitário, eu acho engraçado, porque publicitário ele é criativo…

Luciano             É claro…

Murilo               … então ele quer, ele analisa assim, ele sorri se ele achar que eu, você falou algo que ele não pensaria, vê a cabeça, ele pensa assim, isso eu pensaria também, não vou rir não. Eita, essa eu vou rir, porque essa eu não seria capaz de criar, ele fica analisando a sua criatividade comparando com a dele, não todos, mas muitos tem isso, plateia publicitária é muito difícil, porque ele fica querendo fazer um pouco de engenharia reversas da piada, de analisar a criatividade e não o humor, é coração fechado, então assim, é tem isso, coração aberto e coração fechado, o compromisso de rir é danado né, porque quando você faz uma palestra, eu faço palestra também, eu não tenho como não ser engraçado, acho que as pessoas não estão esperando piada, então uma piada que no Comedians ela é nota 7, na palestra ela é nota 9, entendeu? Porque no Comedians a pessoa esperava rir, então você entrega uma piada, você não entregou mais do que deveria, entregou o que deveria, nada mais, agora, na palestra não, por isso que a gente vê tanto professor de cursinho que é super engraçado e eu olho assim, sem desmerecer penso, é o que? Ele é engraçado porque aqui está abaixo da expectativa…

Luciano             Sem dúvida.

Murilo               … mas esse cara no show não faz nada, não faz nada, é por isso que comediante de mesa de bar não é comediante de palco.

Luciano             E por isso que tanta gente quebra a cara né porque esse cara…

Murilo               Por isso quebra a cara.

Luciano             … e com o palestrante e igual o cara vê, o cara subiu ali ficou uma hora e meia, eu também faço isso, trabalho na empresa aqui, o que pintou de palestrante no mercado ai cara, e é horrível e tem muita coisa…

Murilo               A barreira de entrada é baixa né, aparentemente e ai neguinho se experimenta né.

Luciano             Sim. E fala uma coisa para mim, e essa, qual é a tua recompensa cara, quando você vai fazer um, porque você já falou para mim há um tempo atrás o seguinte, que se você pudesse, na fase que você está agora, de escolher, você gostaria de se encaminhar mais par palestra do que…

Murilo               Muito mais.

Luciano             … do que ficar na comédia né. Para quem olha de fora me parece que não tem coisa mais gostosa do que você chegar lá e fazer  pessoal dar risada, né, me fala dessa diferença.

Murilo               Eu achava isso, isso é muito louco, velho, eu achava isso também, realmente  é recompensador, quando eu fiz o pessoal rir pela primeira vez no meu discurso de colação de grau, eu fiquei uma emoção incrível, hoje em dia é robotizou um pouco assim, eu não tenho mais esse tesão, eu fico mais analisando o meu repertório de piadas, o que funcionou e não funcionou, eu perdi um pouco do tesão das pessoas rirem, mas porque eu descobri que a risada, ela tem um impacto positivo nas pessoas, tem lógico, mas não deixa um legado, esse impacto positivo de restringe a 30 minutos após o show, depois eu não deixei nenhum legado na vida daquela pessoa e quando eu comecei a fazer palestra, eu comecei a receber uns feedbacks, qual o feedback do humor? O feedback do humor é “mano, cê é muito louco, mano, rachei o bico mano, mano, você tem umas idéia muito louca mano, mano, mano suas ideia mano, você falou umas parada que eu rachei o bico, caguei de rir, chorei”. Ok. O feedback da palestra, cara, você falou uma coisa ali que eu vou mudar a forma que eu educo meus filhos, porra…

Luciano             É uma, é uma porrada.

Murilo               …  caralho, é uma porrada brother, você fica, velho, esse cara vai fazer o que eu falei, “tá” louco, não faz o que eu falei não, brincadeira. Mas tipo, eu vou começar a educar minhas crianças focando na criatividade, eu fico, velho, que louco né e quando eu dou palestra em congresso de jovem, a quantidade de jovem que vem me falar assim, coisas do tipo, velho, você sabe como é que é mais que eu né? A gente fala uma hora e meia, mas basta uma coisa, basta o cabra sair com uma mensagem, a gente pega…

Luciano             Que não precisa ser nem nada louco, pode ser um negócio que ele já viu a vida inteira…

Murilo               … que ele já viu, mas é confirmação…

Luciano             …  mas que daquele jeito, daquela forma, da forma como bateu nele ali, era o que faltava para ele…

Murilo               … a gente entrega numa palestra de uma hora, 15 mensagens para cada um pegar uma pelo menos, se cada uma pegar uma, está lindo, não está? Uma mensagem, trazer para si e como você falou, pode ser coisa que ele já viu, a publicidade tem a toaria dos 7 impactos né, que tem que impactar a pessoa 7 vezes, eu acredito que conhecimento também, quando você vê , muitas vezes, o conhecimento, tipo assim,  criatividade dá para ser ensinado, aha dá não, bo shet, ai você vê em outro lugar, dá para ser ensinado, pera ai, será? Ai você viu o artigo, você vê um vídeo, ai sai uma matéria no Fantástico, depois de alguns impactos você acredita e quando…

Luciano             Ouvinte, está entendendo porque que você ouve tanta coisa repetida aqui no Café Brasil? É exatamente por isso.

Murilo               … mas é isso

Luciano             É exatamente por isso.

Murilo               … tem que ter vários impactos para poder captar, para você acreditar, e quanto maior for a autoridade de quem está falando, quanto maior for a autoridade, por exemplo, você tem um público que você conquistou a autoridade com o seu público, então você falando e eu falando para o seu público é diferente, eles confiam mais em você, o seu público vê você como o cara que… entendeu? Que tem autoridade em certos assuntos né? Então, em relação à motivação, sem dúvida, a recompensa, o mundo… porque palestra tem um quê pejorativo né, eu prefiro chamar de educação, infelizmente, palestra devido á….

Luciano             Tem vários segmentos da, por exemplo, se eu falar para você um termo tipo assim, auto ajuda, já era né e você vai ver cara, po, não é para ser pejorativo, até porque, e eu não tenho que defender porque eu não julgo que eu faça isso né, mas eu não acho ruim sabe, quando encontro um negócio que me ajuda, é muito legal né…

Murilo               … tem muita coisa auto ajuda boa…

Luciano             … mas palestra sofreu isso também, até porque é muito fácil entrar, muita gente fazendo, muita gente ganhando…

Murilo               … dinheiro fácil…

Luciano             … dinheiro fácil com coisas que acabam não ficando ali, mas é…

Murilo               … eu prefiro chamar de educação, um ramo da educação…

Luciano             … mas ai ó o tamanho da responsabilidade que cai no colo cara, você falando…

Murilo               … cai no colo, quando fala educação né…

Luciano             … ai é bravo, ai é bravo cara, ai é bravo.

Murilo               … conhecimento, a economia do conhecimento então.

Luciano             Bom, você sabe que aqui o pano de fundo é aquela história de a gente sair atrás e fazer acontecer né, eu estava ouvindo a tua história aqui, lembrando da minha, quer dizer, a minha história de vida ela é assim, eu nasço, gosto de fazer cartoon, acho que quando crescer eu vou ser um cartunista, me preparo para isso, tiro um diploma de comunicador, vou tentar ser cartunista, não dá certo e eu parto para um outro caminho e fico 26 anos como executivo de multinacional, 26 anos depois, com 52 anos de idade eu saio de lá e volto para a minha trilha inicial e venho fazer aquilo que eu pretendia fazer lá atrás né, eu posso não estar agora nesse momento desenhando um cartoon com nanquim, que é o meu grande tesão, mas esse meu programa aqui…

Murilo               É mais próximo do que ser executivo.

Luciano             … não, meu programa é um cartoon, meu programa é um cartoon, a minha palestra de uma hora e meia é um grande cartoon de uma hora e meia porque o processo que eu utilizo para fazer aquilo é igual a fazer o cartoon, só que o cartoon eu estou desenhando, lá eu estou falando né, então você vê, é um hiato eu diria assim, de 26 anos…

Murilo               É um desvio…

Luciano             … que quando eu olho para trás eu falo, puta, ainda bem que eu fiz aquilo, porque aquilo me deu ferramentas que eu não teria de outra forma né, como é que isso é, como é que você vê isso?

Murilo               Cara, essa é… acredito que você já, eu acredito no que você falou, exatamente, a minha curva é parecida com a sua, é, quando eu era criança, quando eu era adolescente já né, o meu grande sonho era ser escritor.

Luciano             Que idade você tem?

Murilo               Eu tenho 31. Ser escritor, mas não escritor de ficção, escritor de livros de negócios, de crônicas também, talvez ficção mas não de romance, de crônicas curtas, eu queria ser Veríssimo, eu queria ser o Veríssimo, o meu maior sonho de vida era entrar na livraria e ter, eu tenho tantos livros que colocaram uma plaquinha na estante com meu nome, sabe?

Luciano             Sei.

Murilo               Sabe como é que é?  Que o Veríssimo tem? Eu achava que isso para mim era a maior meta da minha vida e eu te pergunto, se eu, lá quando era adolescente tivesse, aha eu quero ser escritor então vou fazer o que? Jornalismo, é o que tem mais a ver, não é? Fazer jornalismo para aprender a escrever bem. Ai eu faço jornalismo, ai começa a escrever os livros de poesias para publicar e não sei o que, não sei o que, não sei o que, será que eu teria conseguido virar um Veríssimo? Pausa. Agora vamos ver a curva que eu dei, não estou dizendo que vou virar o Veríssimo, mas estou dizendo assim, a curva que eu dei foi, eu entrei no mundo da internet, foi uma oportunidade que surgiu na minha vida, nesse mundo eu pude escrever dois livros, um de meio marketing e um de comércio eletrônico, em 2000 e 2008, dois livros que eu escrevi, em algum momento eu desviei para o mundo do humor, o mundo do humor me ensinou a ser criativo, me deu visibilidade, agora eu conectei humor com internet, com conhecimento, estou entregando conhecimento com humor e eu te pergunto, se eu quiser agora, escrever um livro, veja como agora eu tenho uma maior facilidade de todos aspectos, tanto de conhecimentos como de visibilidade de marketing…

Luciano             É uma plataforma de lançamento maravilhosa…

Murilo               … uma plataforma de lançamento, minha base de internet, de fãs e tal, conhecimento de editoras, eu tenho tudo, ou seja, é uma curva que eu dei, eu estou negociando agora um livro que eu escrevi, lançar e agora eu quero, nos próximos anos começar esse sonho de escrever livros, talvez agora adaptado para o mundo d e-book que está mais na moda e tal, mas o fato é, eu acredito que o caminho mais curto entre os seus sonhos não é necessariamente a reta, tem gente que acha bonito esse papo de, larguei tudo para viver os meus sonhos, que isso inclusive é um problema que muitas biografias contam essas histórias, só que a história é contada pelos vencedores né, na biografia você só ouve a história de quem largou tudo e deu certo, e quem largou e deu errado? Esse cara não escreve livro, não faz biografia, então apesar de parecer bonito essa coisa de larguei tudo para viver o sonho, não necessariamente é a melhor solução, no dia que eu fiz a colação de grau e fui engraçado, eu não larguei tudo, eu passei ainda dois anos com a minha empresa, trabalhando dobrado, de manhã e a tarde na minha empresa e a noite trabalhando no meu sonho que era essa nova carreira.

Luciano             Isso é importante, eu fiquei 8 anos na empresa como diretor da empresa e ao mesmo tempo montando a estrutura…

Murilo               Essa intercessão, isso…

Luciano             … do que viria a ser o Café Brasil.

Murilo               Isso talvez torne a história menos bonita assim, menos…

Luciano             Romântica.

Murilo               … romântica, mais é mais eficiente…

Luciano             Claro.

Murilo               … estatisticamente falando, tem uma maior probabilidade de sucesso, é muito mais bonito o cara que, na colação de grau rasguei o diploma e comecei a fazer show, seria mais romântica a história, mas a chance de dar certo seria menor, então eu acredito muito nisso, que se você tem um sonho, velho, não quer dizer que você tem que ir atrás do seu sonho feito um doido, que bolar uma estratégia, tem que tentar avaliar se o seu sonho é viável, se manter com ele, se você é bom…

Luciano             Cuidar para não depender do diretor artístico que vai gostar muito da tua cara, ou seja, não colocar na mão de terceiros essa…

Murilo               Não pode, tem que criar uma estratégia para você.

Luciano             … e botar essa definição em algum momento, fala cara, não precisa ser depois de amanhã né? Pode ser daqui a sei lá…

Murilo               Demorar, a gente tem que ter sempre trabalho de formiguinha, tem gente que pensa assim, aha e meu sonho, é muito… eu conheço várias pessoas, tem muita amiga minha de Recife que ela formou em direito, ai está na história de concurso, porque o concurso é meio que a fila que todo mundo, é igual a fila, você viu a fila, a fila está grande você entra né. Concurso é meio que assim, po, tá ai a fila, vou entrar nessa fila ai, eu acho muito absurdo as pessoas que… sabe o que eu acho, vou abrir um parêntesis agora, rápido,  nem sei se tem tempo ainda, eu acho louco, Luciano, a pessoa que fala assim, não velho, está fazendo o que, não, estou estudando para concurso, qual concurso, não, estou vendo o que vai sair, mas pera ai, seja qual for o concurso que vai sair, você vai entrar? Fala vou, se for acima de 6 mil eu vou…

Luciano             Mas porque essa pessoa está buscando sabe o que? Ela quer uma estabilidade, ela não quer o…

Murilo               … a estabilidade em troco de qualquer coisa? De passar 30 anos fazendo, sem avaliar, porra, será que eu quero trabalhar 30 anos no tribunal eleitoral de São Paulo, sendo analista do tribunal, que negócio chato, pode ser que seja chato, porque eu penso assim, tem um amigo meu que fala, velho, eu quero ser procurador, meu sonho é ser procurador. Do caralho. E ele é procurador hoje em dia, Paulo, ele quis ser procurador sempre e ele foi atrás do sonho dele e realizou e ele é um grande procurador, aquele procurador que fica fazendo curso por fora, pagando, para se tornar um melhor profissional, vê que louco. Agora, o cara que entra para fazer qualquer coisa, vai viver 30 anos de infelicidade em troca de depois da aposentadoria, a vida é depois de aposentado ou a vida é durante… a vida né, mas enfim, é, então essa coisa do sonho, tem muito amigo meu que aha direito, fazer concurso mas meu sonho era fazer moda, por que não tenta? Aha mas é porque eu não tenho tempo, mas velho, se tu dedicar duas horas por dia, tu tem duas horas por dia, a noite, essas são duas horas da moda, nessas duas horas vou fazer curso on line de moda, vou criar um blog de moda, vou me relacionar com pessoal de moda, você entra depois de 5 anos você está no mercado, 5 anos estou exagerando, muito menos…

Luciano             Não sei cara, eu não sei, isso ai não dá para saber…

Murilo               … mas eu acredito que em menos você consegue, ou seja, isso volta a que? Hard work, tudo volta em hard work…

Luciano             E era assim em 1822, era assim em 1650, era assim no ano mil, cara, não tem diferença, não tem…

Murilo               Não tem, todos esses caras…

Luciano             … e hoje é igual, cara…

Murilo               … esses caras malucos ai, Da Vinci, não sei o que, tudo hard work, tudo maluco, tudo galera que trabalhava muito, entendeu? Que criava mil coisas para 5 dar certo.

Luciano             Legal, legal.

Murilo               Então eu acho que é isso velho, hard work velho, a galera não quer hard work, ai prefere sabe o que? Criatividade é um dom, é melhor crer que é um dom, porque sendo um dom não adianta eu estudar…

Luciano             Sim, alguém te deu, papai vai resolver, mamãe vai resolver, Deus, se Deus quiser resolve e assim nós vamos tocando né. Eu não vou poder chegar no final aqui sem falar um pouquinho de internet, a gente falou um pouquinho no começo, mas eu quero falar dela hoje aqui, você está. Você tem vídeos no Youtube também com milhões de visualizações, você tem feito bastante vídeo, tem se dedicado bastante a isso ai né?

Murilo               Tenho, ano passado foi um ano forte nisso.

Luciano             E ai a gente vê porta dos fundos explodindo ai para todo lado, a gente vê o Felipe Neto, aquele monte de coisa que está acontecendo lá, mil vídeos aparecendo ai, como é que é que você vê isso ai, cara, o que que está acontecendo ai, nasce alguma coisa, é só modismo, daqui a pouco vai encher o saco e cansar, como é que você vê isso?

Murilo               Eu acredito muito em nichos, é aquela teoria long tail né, a cauda longa né, eu acredito muito em nichos, eu acredito que o grande lance da internet é você poder criar conteúdos de nicho, então por exemplo, a tv aberta, o pessoal reclama que ela é ruim, por que ela é ruim? Porque ela atinge um canhão, ela é uma bazuca que atinge um universo tão grande e heterogêneo de pessoas que ela não consegue criar um produto bom para ninguém…

Luciano             Eu já, eu vi o Faustão dando uma entrevista dizendo assim, que a pessoa reclama, ele falou, meu programa tem que ser assim cara, porque eu tenho que servir para o menino de 12 anos e para o velhinho de 90 anos de idade, então no meio do caminho te pega né…

Murilo               Na TV aberta ninguém acha nenhum programa incrível, porque o programa é feito para todo mundo gostar um pouquinho pelo menos e na TV fechada, você já viu a melhora, uma segmentação, e na internet isso se potencializa, porque, por exemplo, será que é possível criar um programa de televisão sobre direção para já habilitados, ou seja, eu vou ensinar um programa de televisão sobre dirigir, como bloquear o medo de dirigir para quem já e habilitado e tem medo, isso é um nicho, não é?

Luciano             Sem dúvida.

Murilo               Tem pessoas com esse problema, mas não dá para criar um programa na TV sobre isso, não sustenta…

Luciano             Na TV aberta não…

Murilo               … no Multishow, nem na fechada, na internet dá, para fechada é muito específico ainda, na internet você pode pegar, na fechada, na TV aberta tem programa sobre carro, na TV fechada pode ter um programa sobre, sei lá, direção defensiva, mas medo de direção para quem já é habilitado já virou um nicho muito menos e ai a internet atende muito bem isso, eu acredito muito em nicho.

Luciano             E você acha esse é o caminho que vai seguir?

Murilo               É o caminho…

Luciano             Agora você vê uma coisa interessante, esses, os campeões do twitter, campeões são os caras que são, digamos assim, meio generalistas, pega o trabalho que você faz, você como comediante, cara, teu público é tudo né, tem de tudo lá dentro né, tem o mano, tem o cara que… o doutor, tem etc e tal, então é um público generalista gigantesco e você para falar assim po, meu vídeo foi bem sucedido tem que ter um milhão, dois milhões de views, né…

Murilo               Eu tenho ressalvas quanto a isso…

Luciano             … é  se a tua página do Facebook tem que ter um milhão de seguidores pelo tipo de produto que você está fazendo ali né, quando você vai fazer um produto voltado para o cara que que dirigir, etc e tal, você não precisa ter mais um milhão, se você tiver 5 mil talvez seja um sucesso brutal, porque você está atingindo exatamente o teu target né?

Murilo               Tem uma palestra TED que eu vi, eu não lembro agora o nome mas que ela fala da teoria dos mil fãs, se você tem mil fãs, fãs de verdade, você tem uma carreira, com mil faz verdadeiros.

Luciano             É, é legal, o Ricardo, do Biz Revolution, fala um negócio legal, fala po, Jesus Cristo tinha 12 seguidores e deu no que deu né.

Murilo               Lógico, então assim, essa coisa de só é sucesso quando tem milhões de acessos, isso é sucesso perante o julgamento externos das pessoas, se você vive de aparências e só valoriza o julgamentos externos, você vai cair nessa armadilha, agora, eu por exemplo tenho lá a minha fun page, no Facebook, tem umas 100 mil pessoas e eu tenho um grupinho no Facebook aquele grupo fechado, sobre criatividade, que eu comecei um dia desses que tem 200 pessoas e eu adoro discutir nesse grupo de atividade.

Luciano             Porque lá lá o… lá está em ebulição…

Murilo               … lá a galera está discutindo seus processos criativos sobre… enquanto na minha fun page é um emaranhado de gente que não sei o que ela quer, alguns querem amigos da onça no SBT, outros querem vídeo corporativo, outros querem, cada um quer uma coisa diferente.

Luciano             E se você é um vendedor de shampoo, talvez esse público seja legal, porque ali você vai vender… mas não é o seu caso né. Você vê o caso do Café Brasil aqui, a gente, pessoas sempre comenta né, a gente quando faz um programa e que tem muito comentário, eu tenho 30, 40 comentários, 50, mas a hora que você vai ver o tamanho do comentário, são caras gigantescas, tem cara, já está começando a nascer gente trocando ideias ali nos comentários do programa né, então você fala, cara, mas são só 30, mas olha o tamanho disso.

Murilo               Tem vídeo meu que o comentário é first.

Luciano             Pois é. Yes, uhu, gostei, aha… é, então eu costumo discutir muito isso, falo cara, me interessam muito esses 30 carinhas que entram ali porque esses vão me provocar, vão me ajudar, eu vou absorver um monte de coisa lá, vou acabar crescendo, eles vão me obrigar a crescer, como é assim e o resultado do meu trabalho vai  fazer com que eles cresçam também né, que é um círculo que vai e jogando para o alto, se eu pegar um público que não exige muito, eu vou me conformar, eu vou acabar ficando ali naquela…

Murilo               Eu gosto muito de nicho, eu gosto muito de ser, o humor não é nada a ver com nicho…

Luciano             Mas você acha que o vídeo é, o vídeo é para ficar, o vídeo veio para ficar na internet e vai ficar nos nichos.

Murilo               Acho que sim, acho que o vídeo vai ficar no, sempre vai ter vídeos de massa, os de temas genéricos como humor, não sei o que, mas eu acho que o vídeo vai ficar, não que ele vai ficar e acabar com os outros, eu acho que o que a gente está fazendo agora, o áudio, tudo vai, a todas as mídias permanecem juntas né, cada uma para uma necessidade, um momento diferente para você consumi-las né.

Luciano             Sim e você comentou comigo, aliás, você não comentou assim claramente, mas você deixou entender para mim que você está abanando uma asa para a questão da educação, você está achando que esse é o caminho, que vai chegar lá e que as coisas se encaminham naturalmente lá, inclusive o teu trabalho como comediante, e caminhando na direção da educação. E ai?

Murilo               Adoro e educação em nicho, educação de nicho via internet, eu acredito, a educação de nicho via internet, porque velho, pára para pensar, vou montar um curso de atividade aqui em São Paulo, ai tem a restrição geográfica, só quem mora aqui perto pode ir, a restrição de horário, só quem pode naquela hora, a restrição de local exato, quem está perto daquele lugar, a combinação da agenda da plateia, dos alunos com a minha agenda, agora, se você faz educação on line, quantas pessoas no Brasil gostariam, topariam, acreditariam no curso de criatividade, quantas no Brasil? Um curso este que pode ser consumido a qualquer momento,  a sinicro.. não tem essa história da data, eu gravo as aulas, coloco no módulo e ofereço, eu acredito muito nisso.

Luciano             Isso que você está falando é um podcast, o podcast funciona assim né, a única diferença é que você vai cobrar e é na hora de cobrar a coisa…

Murilo               Sim, sim, eu vou montar um, eu vou montar um curso…

Luciano             … o teu nicho é menor ainda né.

Murilo               … de um assunto específico, um curso com a lógica pedagógica mesmo, de módulos e tal…

Luciano             Que vai tratar de criatividade.

Murilo               … é, esse é o primeiro piloto que eu quero fazer, porque é o assunto que eu mais gosto de fazer é um assunto que eu já tenho o curso pronto, presencial, apenas a questão de entregar de forma digital.

Luciano             Você não vê você daqui a 10 anos como um grande humorista ou stan upper na televisão?

Murilo               Não, não, de jeito nenhum.

Luciano             Não.

Murilo               Pode acontecer, pode acontecer, as oportunidades aparecem, eu fiz um programa no SBT, Amigos da Onça, no ano passado, que é um programa que eu nunca imaginava fazer, eram pegadinhas, mas era muito divertido, era, eu assim, quando eu acordava cedo para ir gravar, as 6 da manhã, mas eu pensava assim, velho, sabe por que eu vou gravar? Porque eu sei que hoje eu vou rir muito, era impossível eu ir gravar e eu não rir muito o dia inteiro rindo, porque o programa era muito engraçado, o programa não era para pensar, não era humor inteligente, era bobagem, era bobo, era pegadinha, era, pegadinha, mas pegadinha engraçada, a gente encontrou a fórmula, uma fórmula americana né que um comentava o outro, então era divertido, não era o que eu sonhava fazer, eu não gostaria de fazer aquilo durante 10 anos da minha vida, mas durante um ano eu pensei, poxa, vou encarar, mente aberta, esse projeto durante um ano porque acho que vai ser legal, vai ser uma diversão para mim, vai ser uma visibilidade para outros produtos meus né, mas eu não me vejo na TV, se eu pudesse escolher um programa hoje em dia, fazer um programa de televisão, eu faria um programa na Globonews, um programa sobre carreira, sobre empreendedorismo, criatividade, entendeu, se eu pudesse escolher.

Luciano             Mas como é que você vê essa leva de, o pessoal dos comediantes, stand up se transformando em talk shows da televisão, apresentadores de talk show, o Danilo está ai, o Danilo entrou nessa, Rafinha entrou nessa, o Jô já veio nessa, quer dizer.

Murilo               Olha, se você pegar a história da comédia nos Estados Unidos e você comparar com a história da comédia no Brasil, elas tem muitas similaridades só com deslocamento de 50 anos. O CQC foi o primeiro programa que estourou essa nova geração de comediantes stand up, foi o CQC que equivale ao SNL dos Estados Unidos na década de 50, 60, que estourou os primeiros caras né, é, então é a mesma coisa e aí esses caras foram para o stand up, do stand up eles foram para o cinema e para o talk show, já está começando o Fábio Porchat, já foi para o cinema, já virou o cara, o stand up do cinema, o Danilo e o Rafinha  viraram stand up dos talk shows e a gente está seguindo o modelo americano.

Luciano             Será que é porque o cara, para ser stand up, ele tem que ter uma série de atributos ali que o preparam para fazer qualquer tipo de coisa, um cara desse pode fazer um drama? Ele pode ser um ator dramático?

Murilo               Eu acho que essa geração de comediantes de stand up ela tem a seguinte característica, eles são meio atores e meio redatores, alguns mais atores, outros mais redatores, mas de fato eu acredito que são profissionais mais completos, talvez eles não sejam especialistas em alguma coisa mas são mais completos, porque tem os atores cômicos, os roteiristas e os stand uppers eu acho que eles são o meio, porque eles conseguem ser um pouco de ator mas conseguem escrever também, se fazer um drama, eu acredito que não todos, mas alguns sim, porque tem alguns caras que tem uma habilidade de escrever incrível, que consegue escrever qualquer tipo de coisa seja drama e humor, outros caras tem a habilidade de atuação que consegue fazer qualquer coisa, eu, por exemplo, não sou bom em atuação, eu sei só fazer humor, como ator, mas como redator eu consigo fazer outras coisas, entendeu?

Luciano             Entendi. Você notou também que alguns deles estão partindo para opiniões políticas, estão se colocando politicamente no mercado, estão escrevendo artigos sobre política, o Gregório Duvivier, o próprio Rafinha, o Rafinha não, o Danilo, o Danilo está se colocando numa posição…

Murilo               Mais uma vez estamos seguindo a história americana, é incrível isso, não sei porque mas é incrível, sabe porque isso, eu acredito que isso é a segmentação do humor, por exemplo, nos Estados Unidos tem um humorista que só faz humor negro, assim não negro do sentido, negro de sobre negros. Niger, não sei o que, e esse cara já segmentou, quem vai no público dele, vai para ouvir aquilo, tem outro cara…

Luciano             Inclusive, só uma pausa aqui, eu tenho visto na televisão, pela HBO, passa várias vezes, que eles são de uma agressividade que aqui no Brasil aquilo não passaria cara.

Murilo               Um dia vai passar, quando houver segmentação de público, quando você começa, o Rafinha Bastos, quando ele começa, ele começa bomba, ele parte todo tipo de gente, no começo ele faz, se você vai olhar, o próprio Rafinha, ele no começo fazia as piadas muito mais genéricas, muito mais relacionamento e tal, quando ele começou assuntos mais polêmicos, o pessoal fala, ele quer aparecer, não acho que ele quer aparecer, ele quer expressar o que ele acha de verdade, antes ele não expressava, antes ele falava o que o povo quer ouvir, chegou a hora que é melhor fazer uma seleção natural do seu público e ficar só quem quer ouvir o que você quer falar, nos Estados Unidos tem cara que é comediante já tem assim, os comediantes ateus, divisão é isso, são aqueles caras que são ateus e que ir no show dele vai ter uma sacanagem pesada com religião, com várias religiões, não só sobre isso, mas vai ter, se você é religioso fervoroso, não vá no show desse cara.

Luciano             Quer dizer, o idiota é aquele que paga para ir no show de um cara desse e sai de lá reclamando, po, ouvi as piadas que eu não queria aqui.

Murilo               Pois é, no Brasil nós estamos começando essa segmentação, ainda porque eu vou no Comedians, velho, quem aqui está pela primeira vez vendo stand up, metade levanta a mão, é incrível, a gente ainda, por mais que, tem gente que fala a stand up, já está caindo de moda, cara, como é que pode metade de uma plateia, até hoje estar vendo pela primeira vez e você fala que está fora de moda, o Brasil é muito grande, tem muita gente para se impactar ainda por isso, para depois do primeiro impacto de vários impactos começar a segmentação de um Murilo Gun falou as coisas meio viajadas, se você não gosta de coisas muito loucas, não vá ver Murilo Gun, o Danilo gosta de falar de política, se você é político fervoroso, de qualquer negócio, não vá no show do fulano, o outro cara só fala putaria, só fala de sexo, tem stand up gospel sabia? Tem um cara que vai aqui em São Paulo, stand up gospel…

Luciano             Aqui em São Paulo, é?

Murilo               Tem, em São Paulo, segmentou, lindo, o público dele vai, se você é um ateu e você é aqueles ateus chato, não vai no show do cara, só vai se irritar, entendeu? Então a segmentação começa a ocorrer, isso eu acho ótimo, que mais ou menos é o que já temos nos Estados Unidos há muito tempo.

Luciano             Eu diria que é uma evolução natural não é nem porque foi assim lá e vai se assim aqui, é natural.

Murilo               É, não, ninguém está copiando lá, é apenas que lá está 50 anos na frente então serve como uma mira para o futuro, para você ver o que naturalmente acontece.

Luciano             Até por que, cara, até porque, aqui vai uma questão polêmica, você quando escolhe seguir um caminho em que você tem opiniões fortes e polêmicas, você tem que se preparar muito cara, porque você vai tomar porrada que nem um animal…

Murilo               Lógico, eu não estou preparado para isso, eu não gosto

Luciano             … e tem que ter argumentação, e tem que ter  capacidade de argumentação, porque a hora que você tomar porrada, e a gente tem que se preparar então não é, você vê grandes caras, humoristas americanos, que são, os caras são brilhantes, a gente estava falando do Bill Meller agora há pouco né, cara, eu não concordo com uma postura que ele tem política, mas eu admiro o cara, adoro ver o programa dele, fico puto com ele…

Murilo               Eu odeio o Silas Malafaia, assim, odeio tipo não concordo com as opiniões dele, mas amo ver ele falar…

Luciano             Ele é muito bom né cara.

Murilo               … porque ele é muito bom em argumentar e é uma pena que as pessoas não conseguem, uma vez eu coloquei isso na internet, é, adoro ver a capacidade de argumentação do Silas Malafaia, você, como é que você concorda com esse idiota, não, pelo amor de Deus, eu não estou concordando, isso me dá uma agonia digo, meu Deus, por favor.

Luciano             Eu vou dar a dica aqui, se você não concorda com ele, se você quer ser um palestrante bom e não concorda com o Silas Malafaia, pinha no programa dele e tira o som e só  olha para ver a linguagem corporal do cara, cara o cara é muito bom.

Murilo               Silas Malafaia é um gênio da persuasão, da oratória, entendeu, é, se ele fosse viado e desse em cima de mim eu dava para ele fácil. Não tem jeito, velho, ele enrola, velho, de vez em quando eu começo, quando começo a querer achar que a opinião dele faz sentido eu troco de canal, espera ai, não posso começar a cair nesse cara.

Luciano             Muito bem, vamos lá para os finalmente aqui, primeira pergunta aqui que eu gosto sempre de fazer para as pessoas, se tivesse que começar de novo hoje, o que você faria, faria diferente? Olha para aquele moleque de 24 anos lá, que veio que nem um louco para São Paulo para fazer 5 minutos aqui, você faria uma estratégia diferente hoje ou não?

Murilo               Vou te falar, eu acho que eu teria acreditado mais na internet, eu passei tanto tempo mexendo com internet, eu tive algumas desilusões, na época da bolha da internet, uma empresa minha quebrou e eu tinha uma start up que eu não conseguia fazer ela crescer e eu, hoje em dia, eu já fui do primeiro escalão da internet, sabe, na década de 90 eu era um dos protagonistas da internet brasileira e hoje em dia eu caio para o terceiro escalão e eu agora estou tentando recuperar, estou tentando voltar a estudar porque eu acho que a internet agora, para esse negócio agora de mercado de nichos virou uma ferramenta incrível e eu estou desatualizado e mas eu estou agora voltando e reentendendo, então eu, se pudesse voltar, eu apenas abandonaria menos a internet, eu teria, porque eu passei uns 5, 6 anos assim, trabalhando em internet como ferramenta de marketing, mas sem estudar internet, sem entender as novas tecnologias, ovas plataformas ferramentas, então fiquei 5,  anos na internet é muito tempo né, você perde tudo e agora eu estou voltando.

Luciano             Aproveita o embalo então e me dá umas 3 ideias ai do que você acha que vem pela frente.

Murilo               Pela frente? Ó, eu tenho algumas opiniões meio loucas assim, primeiro eu acredito, não vou falar prazo, mas acredito piamente que vamos ter, em breve, nós vamos ver isso ainda, energia gratuita abundante. Eu acho que em algum momento, breve, algum miserável, vai bater nos talos, vai dizer assim, velho, essa placa solar está errada, puta que pariu, não é com esse material, é com esse material e tem que misturar com esse e botar isso aqui e de repente alguém vai, vai ser um crescimento assim exponencial, do nível que a gente está hoje, que vem crescendo,  a energia solar, a capacidade de captação e armazenamento, que são dois problemas capitais, em armazenar, vem crescendo, mas vem crescendo no ritmo linear, mas essa curva ela é exponencial, que toda curva exponencial começa linear, no começo ela parece linear, porque está dobrando de pouquinho em pouquinho, 0,2 mas uma hora ela começa a dar pulos altos, então quando tiver esse estalo de uma placa solar barata, pequena, com captação e absorção, o eixo econômico do mundo vai dar uma girada, acabou as petroleiras, eu acredito até, já deve ter um cara que criou uma porra dessa e as petroleiras pegaram e, bora, quanto é que é, 100 milhões?  Essa partida é minha, acredito nisso, teoria da conspiração.

Luciano             Nessa tua tendência o Brasil está a frente nesse negócio, já esta acabando com a Petrobrás, então eles já estão…

Murilo               O Brasil é futurista, agora, essa coisa de aha assim descobre ai vem a cura da AIDS, vem um laboratório e colou para deixar quieto, energia solar, petroleira compra, isso pode estar acontecendo, agora, quem talvez vá resolver esse dad lock são esses bilionários filantropos como o Bill Gates, que resolveram dedicar a vida e resolver problemas sociais e no dia que um pesquisado bancado por Bill Gates, descobrir essa placa, eu quero ver quem vai comprar Bill Gates, quem vai comprar, quem vai falar Bill Gates, olha, 100 milhões para tu enterrar isso dai, ele vai dizer, foda-se, quem vai brigar?

Luciano             Tomara que não…

Murilo               Petroleiras são maiores que ele, mas…

Luciano             Tomara que não matem ele

Murilo               … que não matem ele, pois é, mas o que eu acho que em algum momento isso vai sair…

Luciano             Segundo tranding…

Murilo               … segundo tranding, é eu acredito em fim do celular…

Luciano             Fim do celular?

Murilo               É. Mas na verdade assim, eu acredito na teoria do hands free, as mãos tem que estar livres, o celular ele vai ser incorporado a gente, que é a computação vestível, eu tenho um relógio, Galaxi Gear, que é muito louco esse relógio eu falo no celular no relógio, daqui a pouco tem Google Glass bombando ai, o Google Glass quando ele entrar, em um ano ele vai virar popularzaço, cada vez mais essas coisas vão ficar cada vez mais incorporadas ás mais invisíveis, a gente vai começar vestindo e depois elas vão ficando cada vez mais dentro da gente incorporando a gente que na verdade vira meio robocop, parece ficção…

Luciano             Uma orelha biônica ali né?

Murilo               Sim.

Luciano             O problema é que isso cria uma dependência terrível, cara, que ó, minha orelha quebrou não posso sair de casa, vai ser por ai né.

Murilo               Vai ter

Luciano             Qual é, me dá o telefone, não sei mais o telefone de ninguém, não sei o caminho para lugar nenhum, não sei o telefone de ninguém, porque o meu gps quebrou.

Murilo               Isso gera impacto, por exemplo, idiomas, a partir do momento que eu tenho um bluetothzinho aqui, tu tem outro ai e eu falo inglês e tu ouve francês, por que não? A gente tá conectado, tradução simultânea, então eu acho muito louco.

Luciano             Você já pensou que abre de, cara, um mercado mundial aberto para todo mundo… meu Deus do céu.

Murilo               Para tudo, velho, e ai vem uma escola de idiomas vai tornar-se um negócio pequeno que só de nicho quem quer aprender por questões de lazer, mas por necessidade não precisa.

Luciano             Isso ai é Startrack.

Murilo               Mas sabe o que eu acho, Luciano, é que a gente vê os filmes de ficção e quando a gente pensa que vai acontecer, pensa aha isso é coisa de filme, mas eu acredito no oposto, eu acredito que os filmes se basearam em futuristas, os filmes bebem da fonte do Isaac Asimov, do Rei Curslow, fdos grandes futuristas, ai o filme apenas retrata incentiva acontecer, mas sempre que alguém fala alguma coisa, aha está vendo muito Robocop, não velho, o cara que vê Robocop, viu alguém, Isaac Asimov e ai, entendeu, e veio trazer né.

Luciano             Terceira trading.

Murilo               Terceira trading, é eu acredito, assista uma palestra minha no TED sobre isso que eu chamo e life service, acredito que as pessoas vão ter menos propriedade sobre as coisas e mais usufruto do benefício das coisas, ou seja, nem tudo é o aluguel dominando a economia, o aluguel, mas o micro aluguel, então faz muito mais sentido, parece louco, toda grande revolução parece louca mas, faz mais sentido o sofá não ser meu, o sofá ser da indústria de sofá e eu pagar um valor mensal por esse sofá, para que? Para por x anos, em vez de eu ter que me preocupar em o que fazer com o sofá, que é um problema, se desfazer desse sofá é um problema, você se desfazer e ter que sincronizar com a entrada do novo para não ficara sem sofá, ou para não ficar com dois em casa, por que não delegar isso para quem entende de sofá, deixa a fábrica tirar, ela bota outro, o seu sofá antigo, na mão da fábrica, vale muito mais do que você dar para qualquer um, porque na mão da fábrica, ele com custo baixo, ele dá um jeito e oferece para outra pessoa num plano mais barato, porque o sofá é antigo e depois de 10 anos, até que aquele produto vai ser espremido e é a teoria que eles chamam de cradle to cradle né, que do berço ao berço, de nada ser jogado fora, porque o sofá na mão da indústria do sofá, ele nunca vai para o lixo, ele sempre vira algo, concorda? Agora o sofá na mão de quem não entende, uma hora não serve mais…

Luciano             Vai parar no Rio Tietê

Murilo               … mas na mão de quem fez, serve sempre, sempre se aproveita, sempre cria uma coleção de sofás antigos e vira chique, se agrega valor, porque o sofá, daqui a pouco vai ter assim, esse sofá tem 35 anos, 95 anos, mas dá para usar, por que? Porque ele teve o ciclo de vida dele controlado, vão ser fabricados menos sofás mas talvez o faturamento da empresa não diminua, porque ela sempre está ganhando.

Luciano             É claro, ela vai ganhar…

Murilo               E quem agradece é o mundo, que vai trer menos …

Luciano             Já tem uma discussão grande disso ai, em cima das questões, pessoal que faz pneu deveria ser responsável por recolher o pneu, faz carro deveria o carro e assim vai né.

Murilo               Mas a única forma dele ser responsável é ser dele, é passar a ser um bem dele, se for dele, ele vai querer pegar de volta, porque você não pagou para ter o bem, você pagou para usufruto…

Luciano             Você, sabe o que isso significa? Que o teu sonho de ter o seu nomezinho lá na, o teu nomezinho com os livros em baixo, vai ter que mudar, você vai ter que querer  ter um folder com o seu nome n logotipo do seus leitores, tem que ter um folder Murilo Gun no meu laptop, tem que ter um folder Murilo Gun, esse é o teu sonho.

Murilo               Eu estou correndo contra o tempo para conseguir lançar alguns livros antes que acabem, que o mundo vire troca essa chave, para poder, por algum momento experimentar pelo menos um cantinho da prateleira com meus livros.

Luciano             Murilo Gun, estamos ai, chegando ao final aqui, dá uma dica ai aonde é que a gente te acha, quem quiser conversar, quem quiser contratar, quem quiser assistir, como é que faz?

Murilo               Eu tenho umas paradas ai de redes sociais, tudo né. Twiter Murilo Gun, e-mail é contato@murilogun, tem o site murilogun.com.br, tem Facebook, fan page, Murio Gun fan page, Youtube, Youtube Murilo Gun, tem vídeo lá, pode se inscrever, quem interessa pelo assunto criatividade, eu criei um grupo no Facebook que ele é assim, qualquer um pode solicitar lá que eu aceito, Grupo Criatividade o nome, só buscar lá…

Luciano             Grupo tudo junto Grupocriatividade,

Murilo               Facebook.com/groups/grupocriatividade então é um grupo que a gente discute isso, processos criativos e tal,aprendizagem, então acho que o seu público pode se interessar em entrar nesse debate ai.

Luciano             Maravilha, você viu que interessante cara, eu fiz uma entrevista aqui com o comediante e você não contou uma piada e não vai contar porque nós vamos terminar o programa aqui, Murilão, um abraço, nos vemos mais ai à frente.

Você ouviu o líder cast, mas ele continua no portalcafebrasil.com.br, onde você encontrará a transcrição desta entrevista com links e mais informações. portalcafbrasil.com.br, Vá lá, ajude a enriquecer o programa com seus comentários, leia os comentários de outros ouvintes e mande sugestões de pessoas que você gostaria que fossem entrevistadas no programa e se quiser nos contatar pelo WhatsApp é o 11967898114.

O líder cast chegou até você com apoio do Linkedin, a solução que vem transformando a atração de talentos através das redes sociais profissionais. Quer uma demonstração gratuita dos produtos corporativos para atender suas necessidades de recrutamento? Acesse: br.talent.linkedin.com, eu repito, br.talent.linkedin.com. Até o próximo líder cast, liderança e empreendedorismo na veia.

Transcrição: Mari Camargo