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Luciano Pires -

Luciano         Mais uma edição do nosso LiderCast e eu estou me divertindo de montão fazendo o programa. Eu estou recebendo cada figura aqui e o legal é que alguns são amigos meus, alguns eu não conhecia, outros se transformarão em amigos e assim vai. O sujeito que está aqui hoje comigo é muito especial. Eu conheci nessas nossas andanças de palestrantes, dividindo o palco com ele, cansei de ouvir as apresentações dele e de ver como era legal, que conteúdo interessante, que conversa legal, dai a gente foi para uma amizade e está se solidificando né, e quando eu pensei no LiderCast na mesma hora veio na cabeça eu tenho que chamar o Edu para ele vir aqui falar com a gente. Então hoje eu vou apresentar para vocês essa figura, meu amigo né, Eduardo Carmello com a primeira pergunta que é muito profunda e exige um grande grau de inteligência para responder.

Eduardo        Estou aqui.

Luciano         Quem é você, o que é que você faz, quantos anos você tem e por que é que você veio para cá, vamos lá.

Eduardo        Vamos. Eu sou Eduardo Carmello, sou diretor da Entheusiasmos Consultoria em Talentos Humanos, eu tenho 46 anos e a Entheusiasmos agora em janeiro de 2015 fez 21 anos, bastante né? Eu trabalhei no Banco do Brasil durante 7 anos, conheci todo o sistema e percebi que eu tinha que ir embora daquela história, montar com 25 anos, mantar uma empresa.

Luciano         25 anos foi a virada de chave.

Eduardo        É, eu fui vencedor aos 25 anos assim, com 24 eu montei a história mas ela nasceu no dia 16 de janeiro de 94. E a empresa hoje, na verdade, ela é uma empresa que trabalha com gestão estratégica, a gente faz esse projeto de mudança e para fazer esse trabalho de mudança você tem o planejamento estratégico e a gente cascateia né o nome técnico desdobra  estratégia, então a gente tem que cuidar da estratégia, cuidar da cultura e cuidar da liderança que ela que vai junto com a equipe operacionalizar essa transformação e ai também paralelamente. Então, eu divido uma carreira de consultoria, uma carreira de coaching e uma carreira de palestrante né, onde a gente se conheceu né.

Luciano         Palestrante que legal, essa é a escolha de todos os desempregados né. Eu estou brincando, acabei de botar um post aqui, saiu uma matéria tão infeliz, acho que foi no UOL, mostrando lá o menino do basquete, lá  não me lembro o nome dele, Marcelo sei lá quem era, fulano de tal, desempregado há dois anos ganha a vida fazendo palestra, falei puta…. é isso ai.

Eduardo        Agora queimou o filme né, quantos no face não estão escrito lá o nome do cara e ai palestrante, palestrante virou o sobrenome da história né.

Luciano         Mas que legal, você então vira a chave aos 25 anos de idade. Pô, você é novo, é um garotão.

Eduardo        Na verdade foi impensado assim sabe, eu fui lá fiz uma estratégia, desenhei a história, eu sabia que a minha área era educação, eu trabalhei no banco em várias áreas e trabalhei no RH também e a ideia de mexer com treinamento na época, era treinamento mesmo, era uma coisa incrível para mim, eu fui, sai do banco, pedi demissão ai fui aprofundar, eu conheci o Paulo Freire na área da educação, fiz todo um trabalho na área da educação e ai entrei na educação corporativa, a questão bacana é que eu tinha desenvolvido um projeto no banco e foi o maior sucesso, ia para Brasília e o meu gestor não deixou eu viajar, ai eu pedi demissão e 3 anos depois, 2 anos depois, o banco me chama para implantar esse projeto como consultor. Foi assim que nasceu a Entheuseasmos, nasceu consultoria.

Luciano         Legal. Mas então me fala uma coisa que eu acho muito interessante. Outro dia eu chamei a Daniela do Lago ela esteve aqui batendo um papo com a gente e a Daniela chutou o pau da barraca aos 23 anos de idade, quer dizer, é muito nova cara, você com 25 é muito novo, outra coisa, 25 anos de idade, trabalhando onde? Num banco.

Eduardo        Trabalhei no Banco do Brasil.

Luciano         No Banco do Brasil quer dizer po, é uma baita de uma solidez, um puta emprego, a tua vida estava resolvida se você resolvesse ficar lá para o resto da vida né?

Eduardo        Nossa, você sabe que… eu vim de uma família simples, então quando eu entrei no Banco do Brasil foi aquela alegria né, porque naquela época já tinha e eu literalmente chorei 3 dias para pedir essa demissão, porque era um PDV, o banco fez o primeiro PDV em 94,…

Luciano         Processo de demissão voluntária.

Eduardo        E eu lembro de eu chorando, chorando ai liguei para minha mãe, minha mãe… eu falei mãe eu vou,.. minha mãe e meu pai foram super legais assim, vai a gente apoia…

Luciano         Te deram suporte, legal

Eduardo        Me deram um puta suporte emocional e ai eu sai, mas era insano nesse sentido, porque imagina, com 25 anos entrando numa carreira de consultoria ainda, as pessoas duvidavam muito né, po moleque novo falando em liderança e tal, mas só que foi, foi, foi, entrou, correu e rapidamente é…

Luciano         O que é rapidamente? Qual é o timer frame? Eu estou perguntando para você o seguinte, quem está nos ouvindo  aqui eu não sei quem é, mas eu tenho uma vaga suspeita né, está nos ouvindo gente que está empregada e está bem no emprego, tem gente que está descontente e quer sair do emprego, tem gente que quer empreender, tem gente que quer tomar decisões na vida e eu acho que muita gente que nos ouve aqui está querendo dar um passo diferente e está com medo disso, é natural sabe, uma mudança dessa ai até é natural e eu gosto de explorar essa questão de você evidentemente esse medo surgiu e você olhou e falou cara, e agora cara, chuto o pau da barraca ou não né? Quais foram os elementos que te ajudaram a fazer, eu acho que tem uma coisa muito importante que você falou, o seguinte, eu tive um suporte da minha família, isso é fantástico, fantástico, mas independente disso tinha uma coisa de empurrando, dizendo assim, vá, vá. O que era isso?

Eduardo        Bom, eu acho que para mim foi sempre essa questão de saber que eu podia ajudar as pessoas dentro da organização, eu tinha essa facilidade, eu sou um educador né, eu fui sacar isso quando eu conheci o Paulo Freire mesmo, mas assim, no banco eu era quem ensinava os processos, eu era que fazia as histórias tal assim e eu entendia que eu facilitava essa jornada, essa curva de aprendizagem de todo mundo, ah ta com problema chama o Edu, o Edu ajuda a ensinar a resolver essa história e numa determinada área do banco, que era plataforma e tem a retaguarda né, que a gente trabalhava com os caixas, era alta performance a coisa tinha que sair as 4 horas tal, então sempre tinha essa habilidade de resolver os problemas né e quando eu sai e fui prestar esse trabalho de consultoria eu, isso tudo ficou muito fácil, então cada cliente que ia trazendo, tinha como marca essa questão do chama o Edu que o Edu resolve, o Edu ensina direito, o Edu aprende, então eu tinha essa ideia de poder fazer as pessoas alcançar os seus resultados, era isso que eu tinha…

Luciano         Você já tinha uma visão clara, você já sabia que tinha habilidade para isso que você queria fazer, não foi necessariamente um salto no escuro né? Foi um salto na medida em que você eu saí e não tenho clientes ainda né?

Eduardo        É, exato.

Luciano         Mas você já tinha, já sabia o que queria, já tinha habilidade, já tinha desenvolvido isso que também é um grande fator…

Eduardo        É, e fora que o que, assim olhando, o que me ajudou muito foi quando eu peguei o primeiro cliente, que foi o Banco do Brasil, eles tinham o que  gente tem lá, os grupos de RH, um networking e assim, eu peguei o primeiro no Banco do Brasil, no segundo mês eu já estava no Unibanco, no terceiro mês eu estava no Nacional, na época do Banco Nacional, se você falar que eu planejei isso, mas eu sinto que foi encontrar pessoas importantes que poderiam indicar meu trabalho claro pela segurança que ele dava.

Luciano         E porque você estava resolvendo um problema deles.

Eduardo        E porque eu estava resolvendo um problema, que era uma coisa rápida, que a gente hoje que é louco né, que a gente estuda proposição de valor para o cliente, a gente estuda, tudo isso, continua sendo a mesma coisa né.

Luciano         Pois é, eu sempre brinco com os caras, eu falo, eu conto a história do meu avô né, meu avô veio de Portugal com 9 anos de idade e com uma mão na frente e com um primo dele, os pais mandaram ele ir lá porque ele morava num lugar que não tinha futuro nenhum e botaram ele num navio e ele veio para cá para ficar em casa de amigos em Bauru, cara, Bauru em 1915 tinha velho oeste né, e ele chegou lá com uma mão na frente e outra atrás e de repente ele cria, a vinda dele a partir do nada e quando ele morre com 102 anos de idade, ele criou uma baita duma família gigantesca, ele fez, ele fez acontecer, mas eu brinco dizendo o seguinte, cara, meu avô lá em mil novecentos e nada ele tinha uma padaria em Bauru e naquela padaria que ele estava trabalhando lá ele estava no balcão trabalhando, e chegava de manhã o seu Osvaldo aparecia na esquina quando o seu Osvaldo chegava na padaria já tinha a média com pão e manteiga e uma cachacinha ali do lado, sabe o que é isso? Customer relationship manager…

Eduardo        Exatamente, exatamente.

Luciano         Nós pagamos um caminhão de dinheiro hoje para conseguir ter de volta aquilo que o meu avô tinha naquela época, é claro que as dimensões são menores, que você naquela época conhecia teus clientes mão na mão, mas nós estamos buscando desesperadamente isso de novo né, cara eu queria poder enxergar meu cliente no olho, chamar ele pelo nome dele, poder pegar na mão dele que é tudo o que o cliente quer né, então buscar de volta aquilo que a gente sempre quis a vida inteira né?

Eduardo        Eu acho que a gente tem chamado muito de um fenômeno que nunca se perde né, que está sempre adaptado a esse mesmo princípio que é  conseguir singularizar, conseguir estar próximo, conseguir organizar da melhor maneira possível, resolver uma tarefa ou resolver um tempo do cara né, isso é uma coisa que continua sendo, tanto que eu lembro que com 25 anos a gente não falava empreendedorismo, eu era empreendedor, mas não tinha, tinha que provavelmente o seu avô também não tinha, a gente não ficava nos termos, nos jargões, a gente ia lá e falava, bom, como é que eu posso resolver o problema desse cara e é isso que gerava segurança, confiança, depois admiração.

Luciano         E um cliente novo

Eduardo        E o cliente novo

Luciano         Que legal, muito bom, muito bom.

Eduardo        Mas é claro que parece fácil, não, ao longo da… em 6 anos desde que a Entheusiasmos nasceu em 94 até 2000, a gente fez praticamente 3 mudanças de posicionamento estratégico, porque a gente veio como uma empresa de treinamento, depois eu entendi que não era, não era olhar só a equipe, tinha que olhar a liderança, então a gente se reposicionou para liderança, depois eu entendi que era estratégia e a gente se reposicionou para estratégia, eu acho que isso é uma coisa difícil porque foram três mudanças meio que drásticas e que eu vejo que não é todo mundo que aposta nisso, porque sofre, é difícil e é arriscado.

Luciano         E é difícil de vender cara, cliente não paga estratégia, ele paga tática, ele paga…. ele consegue enxergar um livro e pagar pelo livro, ele enxerga um treinamento, ele paga por um treinamento, quando chega e fala eu quero discutir com você estratégia, ele não consegue botar preço nisso, e é ai que está o grande valor, quer dizer, o valor em si, vamos definir para onde nós vamos, depois a gente constrói o navio e faz acontecer, mas essa decisão é que devia ser a coisa mais valiosa ai né? Bom, você sabe que o nosso programa aqui, a base dele é discutir liderança, porém eu não quero falar da liderança em si mas eu gosto de falar de gente que faz acontecer né, mas puxando esse termo da liderança, eu sempre faço para todo candidato o mesmo comentário para ouvir o que ele tem a dizer. Nunca se falou, nunca se discutiu, nunca se ouviu falar tanto em liderança como hoje em dia cara, você vai numa livraria ver o que tem de livro de liderança é um negócio absurdo, a quantidade é um negócio brutal, você liga a televisão é liderança, vai nas empresas é curso de… nunca se falou tanto no assunto. Por outro lado, quando você vai nas empresas mexer você descobre que tem uma falta de liderança brutal, sai da empresa vem para o Brasil olhar a política é um problema seríssimo de liderança, onde a gente vai o problema é liderança, como é que é isso cara, se a coisa que mais se fala no mundo é liderança e o que mais está em falta é liderança, onde é que está o nó?

Eduardo        Pois é, é um enigma.

Luciano         Qual é o problema? Está se falando errado, está se falando o que não deve ser dito,  os públicos estão errados… O que acontece?

Eduardo        Putz, isso é super complexo, na minha visão eu acho que a gente erra em três questões: primeiro é que a gente nessa questão mitológica de ter, o que todo mundo já sabe, de ter o líder como um deus; segundo que a gente erra em complexidade, ou seja, a gente acredita mesmo que é o líder que faz tudo, se você pegar todas as capas de revistas que trabalham com liderança, quase nunca sai uma capa mostrando o líder e a sua equipe, é sempre o único cara, como se ele realmente fosse a história; e a terceira coisa que eu acho que na verdade a gente está errando feio, feio, feio, feio feio, é que a gente põe este elemento sistêmico chamado liderança como ponto principal e na verdade ele não é. Então, se a gente está e não olha o sistema gestão e olha o personagem, tanto que a gente, putz é uma briga de 20 anos essa coisa de capacitação de liderança que você também vê que está em voga hoje, os maiores dossiês falam, falam sobre formação de liderança, onde a gente vê o erro, quando você idolatra a liderança, põe ele num altar que ele não é, que ele não consegue, a mídia gosta muito de falar sobre as características e o perfil de liderança como se fosse a coisa fantástica.

Luciano         É como se houvesse uma receita né?

Eduardo        Como se houvesse uma receita e ai obviamente o marketing adora isso porque se tem gente que adora essa receita, então vamos vender essa história e pronto. Mas então ele fica preso na personalidade do cara e quase nunca vai para o cara que faz acontecer e os seus papéis verdadeiros, a gente tem uma briga nisso porque tem gente que adora, faz assessmento, faz aqueles perfis de personalidade com todo respeito que a gente considera interessante, mas o que a gente precisa ver não é a liderança como destaque, é ela inserida num contexto de complexidade da gestão que é o que falha, porque você põe lá, é o líder é o cara, ai você treina o líder, ai você vai para complexidade, o cara põe ele naquilo porque tem outros elementos envolvidos nessa questão, por isso que a gente fala muito de, não olha só par a liderança, olha para o sistema que está desenhado, olha para a estrutura, olha para a cultura, simples elemento que é legal mas não é, está de longe em ser a questão mais importante que é a liderança né, então quando você parar de olhar esse personagem mitológico e botá-lo no devido papel dele que ele é um catalisador mas é um catalisador que inspira, que trabalha, mas que não faz isso, o que ele está é um elemento maior de um sistema de uma estrutura, ai a gente começa a conseguir mudar esse processo né?

Luciano         Quer dizer, ele é uma engrenagem dentro de uma grande máquina que essa engrenagem sozinha não faz coisa nenhuma e o papel dela é exatamente fazer com que todo esteja azeitado.

Eduardo        Então, ele, então veja, ele é um, quer dizer, a gente está num mercado que é um polvo e a gente elege o líder que tenha a manha de pegar um tentáculo do polvo enquanto tem outros oito abraçando ele, não vai dar nunca certo isso, enquanto a gente não entender que não é ele o herói que tem que ter todo uma estrutura de gestão para dar conta desse polvo.

Luciano         O papel dele é o facilitador na verdade né?

Eduardo        Ele é um facilitador, ele é um mediador, ele é um cara que está integrando. O Ram Charan hoje fala de líder integral, é uma palavra nova, mas ele é o cara que está realmente fazendo essa catalisação, ele é um neurotransmissor que está ajudando a conectar tudo a tudo e o mais difícil das empresas entenderem hoje é que na verdade o mundo mais complexo está exigindo empresas descentralizadas, flexíveis, adaptativas e que aquela ideia de comando e controle não cabe mais, então você tem que trazer poder para as pessoas, estar mais próximo, entender a realidade só que isso ainda, quer dizer, não é ensinado ou não interessa para este cara que tem que ralar muito para dar conta de todo esse processo.

Luciano         Até porque isso exige um grau de confiança gigantesco de conhecimento

Eduardo        E ai cai naquilo que você falou da cultura, do nosso sistema que é patriarcal ainda, que é paternalista né, o que a gente quer mesmo é que o cara dê tudo e acabou.

Luciano         Quer dizer, é uma loucura. Eu costumo dizer nas minhas palestras lá que quem define liderança é o contexto né, e ai eu uso, eu pego um exemplo eu digo o seguinte, imagina que você tem uma ideia genial e essa tua ideia genial é uma produção de alguma coisa que tem  a ver com internet e tudo mais, ai você pega e vai para os Estados Unidos para mostrar essa ideia para o Bill Gates e quer que o Bill Gates compre aquela ideia, quer dizer, o Bill Gates é o cara que inseriu o melhor sujeito para liderar, isso porque o projeto porque é um projeto de internet fantástico, nesse momento o Bill Gates é o teu líder, ai o Bill Gates gosta e vem com você para o Brasil para discutir o assunto aqui, vocês vem no avião, dentro do avião está lá o Cacique Raoni, sentadinho no avião, ai vocês estão vindo para cá, o avião tem uma pane e cai na selva amazônica e sobram 3 pessoas no avião, vivas, você, Bill Gates e o Raoni no meio da selva amazônica, quem é que você quer que seja o líder?

Eduardo        O Raoni, claro.

Luciano         Virou o Raoni, porque o contexto mudou completamente, qual é o lance do líder verdadeiro? Ele tem que sacar isso, você fala, nesta hora aqui, cara, o cara que tem que conduzir é o Raoni, e eu vou usá-lo porque ele tem todos os predicados que eu não tenho aqui.

Eduardo        Isso é incrível, é o que você vê muitas startups fazendo, quer dizer é em singularidade a gente fala isso né, cara não tem as dez práticas de liderança né, não tem o líder o que ele deve ser, tem um contexto definido com habilidades precisas, com projetos claros, com desenvolvimento para aquele processo e esse é o líder que tem que ter lá, o cara que tem mais proximidade, é mais apto para fazer isso, ele domina né, (confuso) que a gente há um tempo atrás a gente falava de auto gestão, hoje em dia voltou a essa ideia de autogestão né, tem um cara chamado Doug King Pater que fala assim, meu, vamos acabar com a liderança, acabou né, é uma ideia do Gary Hamil também, que ele dizia, primeiro vamos demitir todos os líderes, porque ter muito líder custa caro, ter muito líder gera burocratização, ter muita camada gera, não dá celeridade para o trabalho, ai você fala, genial, fantástico né, vamos trabalhar com quem é habilidoso nesse processo mas para a gente, a gente ainda está séculos e séculos atrasados pensando nessa ideia de que quem conhece melhor pode orientar.

Luciano         E mais que isso né Edu, quer dizer, houve um momento em que chegou numa situação de conflito, alguém tem que tomar uma decisão na hora do conflito e não vai ser o grupo, 20 pessoas que vai conseguir tomar em consenso aquilo, alguém vai ter que falar, cara espera um pouquinho, agora eu assumo a responsabilidade, vamos adiante, entendeu? Nesse momento tem que ter alguém para tomar uma decisão e isso é que eu não consigo enxergar, quer dizer, por mais que você falar o grupo toma a decisão, o grupo não vai conseguir porque o grupo sempre vai pelo mínimo divisor comum, vamos fazer um consenso? Vamos. Qual é aquela coisa que, menos prejudica todo mundo? Talvez não seja a melhor coisa, talvez seja aquela que o consenso levou, mas o consenso cara, não é o caminho né, precisa ter alguém prá falar, eu vou assumir a peteca, responsabilidade é minha, é nesse caminho que a gente vai né, e nesse momento é que surge essa figura do líder, para o bem e para o mal, que pode escolher do lado errado e ai arrebenta todo o lado certo mas pelo menos você não ficou parado na discussão ali né?

Eduardo        É, eu vejo que a dificuldade hoje, é o que se fala pouco também na liderança, nesse sentido do cara que assume o risco, do cara que peita, do cara que tem, eu estou usando o termo jargões…

Luciano         Culhões…

Eduardo        … mas o cara que tem culhão, o cara que tem, o cara que pega a responsabilidade e é o que você vê que pouco falta das organizações independente da complexidade, porque eu sou um líder bacana na minha, no meu pipe line, subiu, ai você vê, você conhece bem você vê esses líderes fazendo essas besteiras homéricas né, ai você vê o cara que não tem, não arrisca, o cara que não pega para si, o cara que não assume. Ai qualquer besteira que ele faz, ele delega para a equipe e a equipe nunca tem engajamento na empresa, que é outra história também, fala-se tanto em engajamento, nunca tem essa história, você fala muito disso,  assim a produtividade é pífia, que medo essa coisa da produtividade baixa que a gente tem, a liderança deixando a desejar, uma galera reclamando que nem o que, mas também não conseguindo fazer nada  a respeito, a gente fica nesse meio que cheque de como fazer a empresa rodar tentando articular todo esses processos para que a gente possa efetivamente fazer alguma diferença.

Luciano         Legal. Você fazer essa diferença, olha o grande gancho, você lançou um livro há um tempo atrás chamado “Gestão da Singularidade”, vamos falar um pouquinho dessa questão de singularidade, o que é? Define isso para a gente.

Eduardo        Defino. Singularidade para a filosofia, por exemplo, é justamente a diferença que te define, ou seja, eu sou singular quando eu sou diferente, eu tenho a minha causa ativa, eu expresso justamente a diferença que eu sou, na física, singularidade significa o momento único, os físicos usam para falar aquele exato momento antes do big bang, ou seja, é o momento único que a gente não sabe o que que é, o que vai acontecer, então tem antes da física e agora tem pós a máquina né, o computador, quer dizer, tem um cara muito legal, chamado Raymond Kurzweil que fala sobre singularidade tecnológica, ele fala assim: a evolução da tecnologia é tão grande, tão acelerada não é, que em 2029, por exemplo, nós vamos ser híbridos, nós vamos ter nano robôs curando um monte de coisa e resolvendo um monte de coisa na gente e ai é justamente esse mundo onde as regras que a gente conhece não vão valer muito, acho que a gente vai ter que aprender  um novo processo e ai o exemplo mais simples que a gente tem é a questão do big data, quer dizer, você tem lá um computador que tem lá milhões de informação e ele está tentando buscar valor dentro daquela coisa mas no meio daquele processo ele consegue identificar o que você gosta, então a gente está ai… entra no site da cultura né, você já fez isso, entra no site da cultura, busca um livro né, você entra no face e o livro que você buscou aparece toda a hora ali, ou seja, ele está tentando ler o que você está buscando, agora ele faz isso numa carteira de 5 milhões de clientes, então quando a gente estudou tudo isso, o pano de fundo foi, cara, se o big data consegue entender o que você quer ou o que você conhecer melhor você numa carteira de 5 milhões, porque o gestou não consegue conhecer bem os seus 5 funcionários? Ou os seus 15 funcionários, então a gente começou a analisar em alta performance a gestão da singularidade é a capacidade que uma empresa tem, a capacidade que um gestor tem de oferecer conhecimento relevante para os talentos que estão em diferentes níveis de entrega, de engajamento e de conhecimento. A gente partiu da máxima do Aristóteles né, que é poder oferecer o recurso certo, para a pessoa certa, na medida certa, no tempo certo, daquela razão certa, da forma certa, mas isso a gente pegou justamente porque a gente estava lá no futuro tentando entender, codificar esse processo e nas empresas de alta performance isso faz uma diferença enorme né, no Brasil a gente tem dois grandes cenários, você tem aquela empresa onde ela está sentada no petróleo né, ela esta sentada numa mina de ouro então aquilo jorra dinheiro para tudo quanto é lado, ela ganha muito, gasta muito, não tem gestão, então se um cara faz 90% de performance, 60% de performance ou 30% de performance, não importa porque no dia seguinte entra mais dinheiro…

Luciano         Mascara a ineficiência da turma mascarada.

Eduardo        Mascara a produtividade, a ineficiência do processo. Isso é um mundo que a gente tem dentro das empresas e tem um outro mundo então, que é um mundo de alta performance, a empresa está dependendo do mercado e ela percebe uma diferença crucial entre 90% e 92%, são varejo, por exemplo né, você olha o varejo e fala bom, 1% de diferença de custo faz uma diferença enorme né, ou seja, conseguir passar de 92 para 94 é um esforço incrível, então a gente trabalha dentro dessas empresas e começou a perceber que cada um fazendo a sua parte tinha um impacto muito grande dentro da organização, você pega uma equipe de vendas onde sempre tem uma equipe de vendas tem um grupo que está fazendo entre 80 e 120 da meta, um outro grupo que está fazendo de 60 a 80 e um grupo que está fazendo abaixo de 40 né. Então no primeiro mundo, no mundo do petróleo, não faz muita diferença se você gerenciar isso, mas nesse mundo de alta complexidade a diferença de performance de cada um desses talentos, o gestor conseguindo oferecer engajamento e conhecimento específico modificar 1 milhão, 2 milhões, modificar 2% no Market share, fazia uma diferença incrível né. Esse é um exemplo do varejo, do Pão de Açúcar, do Wal Mart, ou seja, de empresas que estão ali, lembro bem, isso surgiu num projeto que a gente fez no Pão de Açúcar, era um diretor que cuidava de uma bandeira e eu fui fazer um projeto com ele para 90 líderes, 90 lojas né e esse diretor era incrível cara, porque ele sabia exatamente o que acontecia em cada uma das lojas, então ele dizia assim, João, da loja Washington Luís, essa semana é a semana que vende mais manteiga aqui, por que que você não fez uma apresentação boa ainda? Por que você não antecipou, Luis, ó cara, você está tendo problema no encanamento porque semana passada você deixou um buraco furar lá e eu vi que você não resolveu ainda, o cara sabia tudo o que acontecia, esse cara era uma espécie de gênio assim né, e eu falei, olha, como é que o cara consegue organizar isso? E a gente foi pegar essa ideia de como você conseguir oferecer conhecimento, fazer o mais de ligação mais profunda para mudar esse valor da manteiga, para mudar aquela coisa que aparentemente é simples mas é um detalhe que faz a diferença no negócio de 90%. Então a gente, eu passei 5 anos com estudando gestão da singularidade e trabalhando essa metodologia, a gente criou um modelo e ai 5 anos depois, em 2013 a gente conseguiu lançar o livro que tem essa ideia central, você tem uma empresa de alta performance, onde você não pode ter o luxo de ter 10 caras trabalhando e 3 enrolando e 2 fazendo mais ou menos e todo o trabalho fica na mão de 2 ou 3 resilientes, caras fantásticos e porque eles fazem muito bem, ninguém precisa fazer mais nada, não dá para ter esse luxo, não dá para ter essa anti-meritocracia no processo, então como é que o gestor se apropria então? Ai a ideia do líder que se apropria desse trabalho de transformar estratégia em ação e cuida e organiza cada um dos seus talentos, para que eles possam trabalhar de uma maneira bem harmônica, mas também para que a gente possa explorar, no bom sentido, potencializar cada um desses talentos dentro do seu estágio.

Luciano         Que legal. Trabalhão, que coisa fantástica.

Eduardo        É, no começo as pessoas ficam meio estranhas assim, quer dizer, quando eu vou na gestão pública, todo mundo acha que eu sou louco, porque parece que está muito na frente, mas quando eu vou no Pão de Açúcar, quando eu vou na 3M, eles meio que dão risada, quando eu vou na IBM os caras falam, aha legal isso a gente já sabe fazer, a gente trabalha com isso, quer dizer, as empresas que estão muito antenadas rápidas assim, elas consideram este processo e querem esse processo porque elas conhecem muito da sistemática tecnológica mas não conhecem tanto de comportamento humano.

Luciano         Sim, é aonde o bicho vai pegar.

Eduardo        É, e as mais inteligentes entendem que tudo isso tem a ver com aprendizado acelerado, é isso que elas querem, entendeu? Assim, quem aprende melhor o cenário e consegue captar isso, consegue cada vez mais se posicionar de uma forma diferenciada.

Luciano         Quem são os seus clientes? Você deu uma série de nomes ai de grandes corporações e o que automaticamente me joga o seguinte: o Edu trabalha, ele entra pelas áreas de RH das grandes empresas. São grandes empresas?

Eduardo        É, como consultoria nós temos um tipo de cliente, como palestra nós temos outro e obviamente nós temos também clientes que consomem essas duas atividades, como consultoria onde a gente tem os projetos de desenvolvimento de liderança ou de cascateamento da estratégia, a gente tem a 3M, a gente tem a Globo, a gente tem a Volkswagen, a gente tem Hospital Santa Catarina e claro, assim, grandes empresas são grandes e as vezes você está trabalhando para… você não está trabalhando para a marca inteira, a não ser que seja um processo estratégico, as vezes você está trabalhando para uma unidade, um departamento, que é  um departamento específico né.

Luciano         Mas deixa eu trazer par cá, para o nosso, vamos sair agora dessas grandes corporações , quem está nos ouvindo do outro lado lá. Edu, eu tenho 25 anos de idade, eu estou nesta empresa aqui há 3 anos, eu entrei aqui como office boy, hoje eu já sou assistente de…. e eu estou preocupado aqui em saber como é que eu faço minha carreira, o que vem pela frente. O que eu devo fazer hein? O que eu devo fazer hein?

Eduardo        risos… Bom, que coisa né, é um mundo muito complexo mesmo assim. É o que que a gente tem? Nossa, a pergunta é o que você pensa em fazer né, o que que eu vejo os caras de… a geração Y que está assumindo liderança hoje né, esses caras que… assim, a coisa mais próxima que eu vejo é assim, o mundo nos últimos 4 anos desenhou um mundo belíssimo para esses caras, porque eles são bacanas, porque eles são rápidos, porque eles são potentes e 4 anos depois, 2014 eles estão percebendo que esse mundo não é do jeito que foi desenhado né, da forma que foi desenhada e que ele está no mundo onde tem uma porra de gente trabalhando e correndo e fazendo melhor do que ele e ele toma um susto, porque num primeiro momento ele, aha isso aqui não está bom, eu troco de empresa, depois eu troco de novo e ele percebeu que trocar 4 vezes já não está ficando muito interessante assim.

Luciano         Há algum tempo atrás isso foi endeusado né, foi assim, tem mais é que trocar, eu pessoalmente não consigo entender, porque eu fiz uma carreira de 26 anos na mesma empresa e o pessoal me fala, po você ficou parado,  eu falei não, a última coisa que eu fiz foi ficar parado, porque eu vivi processos de mudanças lá dentro que eu posso dizer que eu fiquei 5 anos em 5 empresas diferentes, embora fosse na mesma razão social né, mas o que me manteve lá foi o fato de eu estar mudando e fazendo e pintando e bordando, eu fiz loucuras lá dento né, mas quando eu olho a pessoa eu digo cara, troque, troque, mude, troque mude, eu falo, cara, espera um pouquinho, eu não sei se isso é tão bom assim…

Eduardo        A gente tem…

Luciano         Sempre tive uma pulga atrás da orelha, espera um pouquinho, eu não sei se isso é positivo e foi vendido durante um bom tempo como uma coisa positiva e agora você levanta uma lebre interessante, quer dizer, em 2014 surge uma realidade e o cara percebe que o mundo não é bem assim e não vai ser, entendeu?

Eduardo        Há 3 anos, ou 4 anos atrás, quando a gente endeusava esses jovens, a gente tinha essa pulga atrás da orelha mas não tinha como comprovar isso, somente o tempo, 2014 que agora mostrou porque. Porque você troca, troca, troca, troca, a gente não sabe exatamente porque você troca, muitas vezes é por 200 reais, 300 reais, muitas vezes é porque você também não dá conta da pressão que acontece, é mais fácil trocar, mas o que acontece é é que você ao trocar, trocar, trocar, você não ganha profundidade de conhecimento nem posicionamento no seu lugar , que você não consegue subir, porque quando você troca, você troca praticamente pelo mesmo nível que você está e isso não garantiu para a maioria das pessoas, não garantiu um conhecimento técnico ou metodológico que faria esse cara então subir ou se despontar, é claro que tem uns resilientes lá, os 15% de nego que fareja o mercado, entende o mercado e ai começa a trazer soluções para esse processo, mas a maioria né, caiu m pouco nessa cilada de, uau, você era o legal e agora você está percebendo que você não é legal, tem um monte de gente fazendo a mesma coisa, estava na hora de você assumir um cargo de liderança e você está com 29 anos ainda não conseguiu…

Luciano         Não assumiu  e descobriu que o mundo não é tão junto quanto você pensava que seria, né?

Eduardo        É e ai meu caro, a questão é cola no Luciano Leite, cola e encara os bons que estão trazendo a realidade, cola em gente, vai estudar, vai ler, vai ouvir tudo o que você pode ouvir dentro de uma área para você, são duas coisas que é difícil né, porque ao mesmo tempo você tem que tentar entender o sistema da organização e ao mesmo tempo você tem que se diferenciar com alguma especialidade, com uma tarefa que, porra, ninguém sabe fazer, que você, você tem que ser desejado né, essa é a pergunta que a gente sempre faz, eu vou lá na FGV, o povo fica doido né, porque vou dar aula lá o cara fala assim, tá… alguém te procurou nos últimos 3 meses para um projeto diferente? Ai fica aquele silêncio assim, pô, ninguém te procurou, então você não está sendo desejado, então se você não está sendo desejado, o que é que você está fazendo? O que você está deixando de fazer? Na área de RH se fala muito no RH estratégico, tá.. que nada, ninguém faz RH estratégico porque ninguém sabe o que o homem de negócio está precisando, então a gente sempre fala nisso, está nessa situação procura colar no homem de negócio, no cara que te dá realidade para você tentar, no mais rápido de tempo possível aprender alguma coisa de valor sobre a empresa e a partir dai querer se perceber desejado né.

Luciano         Eu conversei aqui com o Ricardo Jordão, da Biz Revolution né e Ricardo falou um negócio interessante, ele falou assim: “qual é o problema que você está resolvendo? Pára para pensar assim, qual é o problema que eu resolvo, eu estou conseguindo resolver o problema do meu chefe ou do chefe do meu chefe ou do chefe, se eu descobri que eu não estou resolvendo problema nenhum, eu tenho problema, porque eu sou igual a esse monte de gente que está aqui, por outro lado, e se, além disso, eu trouxer problema, quer dizer, já perdi qualquer diferencial”.

Eduardo        Você sabe que a maior demanda que a gente tem, que eu tenho hoje é a empresa que está dizendo assim, olha, a gente precisa ter a tal da accountability, se responsabilizar por que? Porque o cara traz o problema e não traz uma solução, ou ele se justifica e ai você fica pensando, gente, em qualquer camada hierárquica você tem esse tipo de comportamento, que é o cara que se justifica e não corre atrás, eu lembro de uma história do Ricardo, que é um cara que eu aprecio e respeito muito, num dos posts que ele tinha, ele dizia assim, aha você está reclamando, porque ele é todo forte assim está reclamando da vida, ninguém te faz nada, ninguém vê nada, sabe o que você faz? Faz o seguinte, sai na rua e lava a sua calçada, varre a calçada, faz alguma coisa de útil, você está varrendo daqui a pouco alguém vai te ver você fazendo alguma coisa diferente e vai te contratar, né, o Ricardo sempre faz esse trabalho bom né de dizer vá fazer alguma coisa, pensa…

Luciano         Cara, é muito legal essa história…

Eduardo        E é essa ideia mesmo, o cara está reclamando, vai varrer a sua calçada, a calçada do outro, e do outro, amanhã você está limpando alguma coisa…

Luciano         Eu peguei uma, uma viagem minha no nordeste, eu peguei uma vez um taxista que foi um sujeito interessantíssimo cara, você é palestrante como eu, você sabe como é, de repente to com horário para ir par ao aeroporto, peguei o taxista e falei me leva para dar uma volta e nesse me leva para dar uma volta você acaba conversando com o cara e de repente você encontra figuras incríveis. Eu peguei um lá no nordeste, eu não lembro se era Aracaju, onde era,  o senhor , eu escrevi um artigo sobre ele depois, ele contou a história da vida dele, o cara analfabeto, veio do interior, foge de casa, porque ele falou, se eu ficasse aqui eu ia morrer no meio do mato aqui, eu fugi da minha casa com 9 anos e cheguei na cidade grande, lá em Aracaju, não me lembro onde era, com 9 anos de idade eu fui moleque de rua, lavador de carro, até que um dia, aos 18 anos de idade eu achei que eu precisava servir o meu país, eu fui para o exército. Falei, mas por que? Ele falou, porque era meu dever. Quem te ensinou isso? É meu dever. E quando era moleque eu mexia nos carros eu aprendi a dirigir, então eu cheguei lá e eu fui o cara que fui dirigir o trator lá no negócio do exército, eu estava lá, meu negócio era o trator, cara eu tratava o trator como se fosse parente meu, eu polia o trator, eu todo dia eu dava banho no trator, eu lavava o trator, o trator ficava um brinco. Aí um dia um comandante chegou, me viu e foi lá falar comigo, que história é essa ai cara? E o cara ficou tão impressionado com o jeito que eu tratava o trator que me contratou para ser o motorista dele, eu falei mas eu não posso que eu não tenho carteira, ele nós vamos dar um jeito e ele dá um jeito que faz com que eu tirasse uma carteira especial do exército e eu virei motorista da família dele e blá bla blá dai fui visitar o Brasil inteiro, hoje eu estou aqui, casei etc e tal. Então eu me lembrei desse lance ai porque você fala, qual foi o diferencial da vida desse cara? Foi tratar bem o trator. Eu dirigi o trator e eu deixava o trator lindo, até que um dia alguém viu. E esse cara fez toda a diferença limpando o trator né?

Eduardo        Na minha experiência diária eu vejo isso quase incomum, é quase singular mesmo você vê um cara fazendo algo a mais, não sei se a gente aprendeu essa coisa no Brasil de fazer o mínimo necessário sabe, essa coisa de aquilo que você faz é a tua receita, o que você faz além disso é o futuro, então eu tenho visto, conversado com os jovens assim e o que eu posso falar é justamente isso, cara para e estuda o teu gestor, para e estuda a tua empresa, para e estuda o teu cliente, olha para alguma coisa que ele não está olhando, foca na tarefa né, tem uns caras de inovação sempre estão falando isso, cara o seu trabalho é olhar e ver que que esse cara, como é que eu posso melhorar a tarefa dele, como é que eu posso ajudar na complexidade da tarefa, como eu posso diminuir o tempo ou como é que eu posso resolver o problema dele em termos de tempo, eu tenho que olhar para o que gera a burocracia e que gera dor no gestor ou no cliente, este foco que eu acho que você vê quando os resilientes, os caras que estão fazendo, é isso que eles estão trabalhando, é nisso que eles estão trabalhando.

Luciano         E esse é o cara que eu quero comigo na minha esquipe, pelo amor de Deus né, pelo amor de Deus.

Eduardo        Esse é o cara, esse é o cara que eu quero, eu quero. Eu vi numa empresa agora o RH assim, aha então, mas a gente está com um problema aqui porque também o nosso gestor veio para trabalhar e ele não diz o que a gente tem que fazer, claro, é tarefa do gestor fazer isso, mas por que que você não foi correr atrás? Por que você não foi buscar? Tem tanta coisa para fazer, então eu sinto essa falta de…  uma raiva…

Luciano         Uma vez eu vi uma entrevista muito legal que era um questionário sobre produtividade e eficiência né e lá no meio do questionário tinha uma pergunta, e a pergunta lá dizia o seguinte, estava perguntando se você é uma pessoa eficiente ou não, e uma das perguntas colocava, você está numa situação em que de repente você viu que não tem o que fazer, o que é que você faz? Você procura o seu chefe para perguntar o que precisa ser feito, você olha para o amigo do lado etc e tal. E a resposta certa que o cara falou não está aqui nenhuma delas porque a resposta certa é a seguinte: se a pessoa é eficiente ela nunca está numa situação onde ela não tem o que fazer né? Porque ela vai descobrir, ela vai atrás e as pessoas tem a mania de achar o seguinte cara, a primeira coisa, eu vou sair desse lugar aqui porque esse lugar é uma merda, essa empresa é um saco, é muito ruim, eu vou trabalhar na outra que é muito melhor, antes de examinar o que tem lá dentro, cara…

Eduardo        Erro crasso…

Luciano         Eu já estou aqui cara….

Eduardo        Erro crasso…

Luciano         Eu já conheço, eu sei como é que é, eu vou crescer aqui dentro e o que eu conheci ao longo da vida de gente que saiu e depois se arrependeu, não porque eu achei que lá era melhor e eu vi que era igual…

Eduardo        Mas também é porque a gente vem de Google, ambiente Google, ambiente Facebook, ambiente… os caras, os jovens ficam vislumbrados, acha que é isso que é a vida, os moleques ficam vislumbrados com essa ideia do… agora entra uma coisa que… essa coisa está me pegando de uma forma, essa coisa da felicidade, da empresa ter que oferecer felicidade, da empresa ter que oferecer tudo, quer dizer, a gente está mudando um paradigma de empreendedor, seja fora ou, e a gente ainda tem esse ranço de esperar a empresa, é uma condição paternalista ainda, é uma coisa que eu vejo todo santo dia…

Luciano         A gente comentou isso no começo, você falou, e passou pela minha cabeça aqui de imaginar o seguinte, isso tem muito a ver com a cultura do brasileiro né cara, porque aqui é o seguinte se Deus quiser, São João não quis, vou rezar para fulana, o meu chefe vai dar, alguém vai resolver, precisa ter um salvador da pátria se não a coisa não acontece. O Brasil perdeu de 7×1 porque não tinha no time, um cara que comandava e mandava fazer etc e tal, eu falo cara até quando né, nós vamos ter que esperar um salvador? De repente o salvador é você né, então, sou eu que sou o cara, porque se eu não levantar daqui e me mexer, não vai chegar um cara aqui e vai me entregar de bandeja essa indicação. Mas isso tem tudo a ver com aquele conceito velho de fábrica né, eu estou num lugar que mede tudo, tem alguém mandando fazer alguma coisa, eu estou sendo medido, eu tenho que baixar custo e tenho que ganhar dinheiro né, mas eu acho que vai além disso, isso ai é uma engrenagem né?

Eduardo        É que é difícil a gente mensurar essa coisa do tempo voltando de novo né, quando você pensa hoje o sistema de gestão que a gente tem, olha, e quando você vê, por exemplo, esses novos modelos despontando, que são as startups, que são os pequenos gigantes, que são essas pequenas empresas,, onde os caras estão voando, eles entenderam que a grande sacada é gestão do conhecimento, então eles aprendem mais rápido, eles prototipam mais rápido, eles põem os produtos mais rápido , é uma dança de gestão do conhecimento ali incrível e esse s caras estão voando baixo né. O sistema deles é completamente desse sistema de gestão que está obsoleto, mas quando você fala em obsoleto no Brasil você vai dizer o que, eu vivo.. um dia eu estou na 3M que está em 2022, você está na IBM que está em 2050, a mentalidade dos caras estão no que a gente está dizendo, no outro dia você está numa gestão pública que está em 1970, entendeu? A mentalidade é muito diferente desse processo.

Luciano         E esse gestor público de 1970 é o cara que está movimentando a rua do cara de 2020, ele está botando a regra, ele está fazendo a lei, ele está definindo a regra do jogo e esse cara de 2020, chega o carrão dele a 180 por hora e vai encontrar uma rodovia que só dá para andar a 22 por hora né?

Eduardo        É isso, o mais triste, que na verdade é uma angústia, acho que a gente está falando está falando tanto que está angustiado aqui, porque esse sistema está obsoleto e a gente não consegue dizer para o cara que ele vai morrer daqui a 5 anos ou talvez ele até não vá no nosso país, porque uma grande parte do nosso país depende desses burocratas, dessa gente que faz mais ou menos para dar ignorância do povo depende disso para se manter, mas é uma angústia para… agora, para a molecada, o jovem as vezes caiu nesse sistema obsoleto e ai ele também não sabe o que fazer, porque uma parte dele gosta disso né, assim uma parte, que é a parte que diz assim, negão, seguinte né, não tem mais líder, você é o líder, agora tu tem que saber do negócio, agora tu tem que projetar sua própria meta, você vai fazer o seu próprio orçamento, se você precisar de mim para te ajudar, mas eu não vou passar a mão na tua cabeça, se você errar a consequência… isso ao mesmo tempo que é bacana, assusta a garotada, assusta, o cara fala po, pera ai, espera um pouquinho, vamos voltar aqui, é a mesma coisa o.,..

Luciano         Adorei os benefícios mas essa história de responsabilidade não é comigo não

Eduardo        Não é meu, eu não vim aqui para… eu vim aqui para aprender, eu vim fazer estritamente aquilo que eu fiz, é aquela ideia do jovem né, que quer liberdade total só precisa que o pai pague a mensalidade dele de tudo da vida dele né, é uma coisa que não casa nesse novo mundo, a gente está num mundo cada vez mais fluído, cada vez mais, quer dizer, nós estamos nesse mundo, o que é difícil mesmo é a galera perceber que isso vai… eu sempre acho que eu nesse meio tempo eu falo, nossa, eu estou ficando obsoleto, eu mesmo falo, po eu estou ficando obsoleto em algumas coisas.

Luciano         E não dá para acompanhar né…

Eduardo        Não tem como acompanhar, claro…

Luciano         … não tem como acompanhar.

Eduardo        Claro mas assim, você fala po, já podia estar fazendo isso, já podia estar fazendo aquilo, já podia organizar né, a gente estava falando de toda essa questão do podcast mesmo né, quer dizer, o primeiro, o primeiro de liderança né, olha a questão incrível que a gente tem, a oportunidade de conhecimento que a gente tem no podcast e tem gente que nunca ouviu falar em podcast.

Luciano         Pode o que?

Eduardo        Tem gente que não sabe o que é, não sabe como instalar, não sabe para o que serve  isso, pergunta se está no rádio.. risos… em que rádio que está?

Luciano         Deixa eu falar um negócio legal aqui que você chamou minha atenção, na hora de escolher as duas empresas que estão co a cabeça em 2020, 22, você falou IBM e falou 3M. As duas quase quebraram outro dia, as duas chegaram às vésperas de fechar as portas porque foram atropeladas e tiveram que apanhar, sofreram um processo terrível de reinvenção, de mudança, se você pega IBM de hoje e compara com a IBM dos anos 80, 90, não tem nada a ver, totalmente diferentes né, quer dizer, houve um momento de ruptura ali que os caras bicho, ou muda ou quebra né, esse tipo de questão, vamos trazer agora para um outro ambiente que quando a gente vai discutir a questão política do Brasil, eu falo po, qual é o problema do Brasil, nunca teve guerra cara, não houve aqui um momento em que a gente passou fome, não tinha gás, não tinha guerra, não houve aqui um inimigo externo entrando aqui e matando o filho da gente né, nós nunca sofremos um trauma desse tamanho, portanto somos condescendentes né. A IBM sofreu um trauma e ela muda, quer dizer, a importância que tem esses traumas para você sair mais forte deles lá na frente, quer dizer, tem a ver com a questão da resiliência, que você comentou atrás que é essa, que é a tua capacidade de receber a porrada e recuperar da porrada né e tem tudo a ver com a questão de como é que você vai liderar a tua vida, quer dizer, a partir de agora eu estou legal, vou em frente, sou líder da minha vida, larguei meu emprego, vou tocar meu próprio negócio e quebrei a cara, passou 2 meses e eu descobri que não era bem assim, cara, as coisas não estão entrando, o dinheiro não está dando bicho, eu pensei que ia ser fácil, o cliente não veio, me ferrei cara, me ferrei e quebrei. E ai? Como é que você sai dessa história, transforma isso numa coisa de resiliência, quer dizer, não vou botar o rabo entre as pernas e voltar derrotado mas na verdade vou usar isso para a partir dai eu me transformar em uma coisa a mais né.

Eduardo        Então, você inevitavelmente, para a maioria, você vai passar por uma fase de profunda tristeza, porque na verdade isso está abalando o seu ego, porque você saiu com ego, você saiu achando que ia abafar, bancar e fazer isso e quer dizer, você está dando um beijo na realidade né, a realidade… você se desiludiu, essa é uma palavra super bacana, você saiu daquela ilusão e dai entra para uma realidade matrix, uma realidade assim, a coisa é diferente de quando você falou das empresas, eu ia dizer, a vida é assim, porque nesse mundo de alta performance você errou 1 ou 2, 3 combinações você pode voltar do 0, o Ricardo estava falando sobre isso né, po, eu estou aqui no contexto espinosa, ou seja, eu estou na vida e a vida pode me derrubar a qualquer momento né, mas então quando acontece desse processo de você fracassar, vamos assim dizer, você vai ter essa fase, de você vai ficar  triste, você vai ficar mal, vai achar que você é uma porcaria, que você não sabe nada e depois você vai ter que respirar profundamente, eliminar o seu ego e dizer assim, ok tira o ego de lado, vamos achar um amigo, vamos achar um profissional do caramba e vamos reconstruir, vamos olhar exatamente as 12 coisas que a gente deixou passar, que a gente não fez, porque se você tem um processo, consegue ter um processo mais racional do que aconteceu, o que que é importante você tem, não dá para ase apaixonar nesse sentido, você vai conseguir perceber as falhas, cara eu fiz o projeto para o cliente, mas não fiz do jeito que ele queria, eu fiz do jeito que eu imaginei que seria legal, ele não me deu a resposta em 20 dias, eu também não liguei para ele o que aconteceu, ai quando ele fez o processo eu consegui perceber que o que eu achei que era fantástico ele não queria e eu não soube customizar o trabalho para ele né, eu achei que não tinha fluxo de caixa para fazer, eu sempre digo que é…

Luciano         Que é uma reflexão sobre o erro…né o erro aconteceu, agora eu vou parar tudo e vou olhar para ele e vou entender o por que que esse erro aconteceu. Quando eu não faço a reflexão eu não aprendo com o erro.

Eduardo        Eu não vou aprender..

Luciano         Não aprendo nunca com o erro.

Eduardo        Então, se eu estou apaixonado, se eu não sei fazer essa reflexão racional, o que vai acontecer é que eu vou culpar alguém, eu vou culpar o cenário, eu vou culpar alguma história e não vou conseguir, aprender no sentido de aprender no contexto literal da palavra, é modificar um comportamento, se eu fizer a mesma coisa eu não vou acontecer e eu sugiro mesmo assim, eu, bom, eu em 2014 pisei feio diante da complexidade que a gente tem eu tive 4 erros estratégicos o ano passado que foi, foi difícil, entendeu? … a experiência, a idade….

Luciano         Isso que eu ia dizer, você é um cara experiente, você já está há 21 anos tocando a tua empresa, conhece profundamente teus clientes e comete 4 erros estratégicos.

Eduardo        Comete 4 erros estratégicos e não é porque eu me desatei, porque o cenário está mudando, essa é a dificuldade das pessoas também, o cenário está mudando a gente está tentando outras coisas, você está, você no fundo também é um elemento dentro desse esquema chamado Brasil que faz um monte de história e sobra para a gente, os clientes também, nesse momento de escassez, todo mundo recolhe né, não gasta dinheiro com capacitação né, aquelas coisas que a gente tem. Mas então, a gente errou, quer dizer, normalmente o passo tradicional é dizer assim, não está tudo bem, está tudo certo, a gente é fodão, está tudo bem. Nada, a gente errou feio, então como é que a gente respira fundo e rapidamente conserta essas escolhas para voltar rapidamente no posicionamento, e resiliência, a gente fala muito sobre isso né, olha as escolhas certas e conserta rapidamente as erradas, assim você aprende no processo, racionaliza e devolve para o mercado mostrando aquilo que, em tese, deveria acontecer e os seus clientes vão olhar, vão ver que você amadureceu e você tem, de novo, a chance de…

Luciano         Acertar.

Eduardo        … de acertar né, de ter a chance de ter ele como cliente novamente.

Luciano         Edu, você circula, esses teus dois papéis, o papel como consultor, o papel como palestrante, você circula pelo Brasil inteiro, de cabo a rabo, você como consultor, eu entendo que você entra no intestino das empresas e vai ver tudo que há de ruim, você aprende isso ai. Como palestrante não, você passa por cima né? Você passa rapidamente, conhece ali, vai embora no dia seguinte…

Eduardo        A gente costuma dizer o seguinte: como palestrante eu semeio, como consultor eu vou, aro, ajudo ver, percebo se colheu, se não colheu, o que está errado, o que está para conseguir fazer colher lá na frente, é mais trabalhoso mas você tem essa sensação de ver a árvore crescer.

Luciano         Sem dúvida. Mas o que eu quero é colocar o seguinte, você nesse processo então, você está passeando por vários segmentos de atividade, está visitando uma série de empresas e tem uma visão do Brasil que uma pessoa comum, que trabalha todo dia ali no banco, trabalha na empresa, não tem, não é porque você é melhor, é que você está viajando e está indo, entrando nesse processo, está assistindo isso ai né. Essa tua capacidade de navegar por essas empresas, experimentar com elas problemas, que visão que ela te dá de Brasil, cara? Quer dizer, é diferente daquele Brasil do Jornal Nacional, você liga a noite vê aquela coisa pavorosa, horrível que não vai dar certo, é diferente desse Brasil que você assiste, passeando no dia a dia na realidade dos teus clientes?

Eduardo        A gente já fez essa reflexão com uma única empresa, porque hoje em dia eu costumo dizer assim, não dá para dizer uma marca boa né, uma, sei lá, não dá para dizer que a Globo é a Globo, não dá mais… você não avalia mais a marca, porque dentro de uma única empresa você tem vários departamentos que as vezes são completamente diferentes, você tem as ilhas de excelência e você vê aqueles departamentos patronalistas assim, uma coisa incrível né, quando se expande para o Brasil, eu acho que também fica muito difícil você fazer uma análise genérica disso, eu consigo fazer essa análise mais próxima do que eu vejo, quer dizer, eu vejo, hoje eu vejo níveis de maturidade, eu acho que para mim funciona melhor assim, então eu vejo gente resolvendo problemas incríveis, num outro momento você, eu estou lá vendo o cara que não tem a mínima, não sabe nem o que é BSC né, não sabe o que que é PDCA, não sabe as questões mais simples de gestão né, mas é muito difícil fazer essa análise para mim, porque no meio desse cenário incrível que a gente tem sobre a água, por exemplo né, tem empresas ganhando milhões com inovações em água né, quer dizer assim, quer dizer, a gente vai voltar de novo para aquela primeira questão, quer dizer, você tem gente se perdendo porque não entendeu o cenário e você tem gente triunfando porque se antecipou, que é a ideia da resiliência, se antecipou àquele cenário, viu um problema de água e criou um projeto incrível que vai poder abastecer esse processo.

Luciano         Deixa eu melhorar a minha pergunta então, vou deixar ela mais fácil para você responder né. A visão que você tem do Brasil, nesse ano de 2015, que nós estamos aqui agora, que é um ano que começa cara, eu nunca vi um janeiro tão intenso na minha vida cara, era dia 20 de janeiro eu falei, meu, parece que o ano já acabou, porque o que aconteceu foi uma coisa louca, você falou da água ai, a água não era parte do nosso dia a dia, não se discutia esse assunto e de repente em 6 meses é o nome do jogo e só se fala nessa questão né. Mas  tudo isso cria e esse janeiro aqui foi pesado para criar uma visão pessimista, uma visão que está todo mundo preocupado, está se retraindo, onde você olha os números estão complicados né, que é essa visão que eu estou aqui como um brasileiro, sentado recebendo estudo de tudo quanto é lado. E ai tem a outra visão que é essa que eu coloquei para você, quer dizer, você está indo e vendo as empresas no seu dia a dia, você consegue ter uma visão mais otimista do Brasil como um potencial, como um país onde dá para crescer, etc e tal, ou mais pessimista, ou de acordo com essa visão de que, cara, tem um baita problema a gente não sabe onde vai chegar, é muito perigoso, retraia, fica quietinho, não faça barulho porque você tem que sobreviver ai esse ano é o ano que vem né, como é que você vê isso?

Eduardo        É, nós na Entheusiasmos a gente desenhou um cenário pessimista para 2015 né, e isso nos assustou positivamente, porque nesse primeiro trimestre, janeiro, fevereiro e março, praticamente duplicou a demanda de trabalho da gente, a gente está feliz porque nossa, a gente não esperava. Por outro lado a gente está dizendo, a gente continua atento, todo dinheiro que entrou segura, sabe, segura para ver se até o final do ano vai ser assim. Eu estive, recentemente, com o Gianetti, do Eduardo Gianetti e com o Ricardo Amorim e eles desenham uma coisa meio triste mesmo, quer dizer, eles dizem que começa a melhorar em 2016 né, então tem esse contraste, quer dizer, eu ainda, eu estou bem atento, não estou esbanjando nada, mas eu preciso reconhecer que tem um Brasil começando a investir diferentemente de 2014 né, tem um Brasil tentando… é que não dá para dizer o Brasil, é isso que eu estou tentando explicar, são tantas empresas, são tantos nichos né, o Ricardo falou de nicho, então você vai olhando diferentes cenários nessa questão, eu sinto quem está sofrendo muito são as grandes, mas as pequenas empresas a gente entrou num projeto de software, de aplicativo que perspectiva dessa história dar sucesso e a gente talvez ganhe o que a gente nunca ganhou em 20 anos, agora para acontecer, é uma loucura…

Luciano         E nesse momento, é…

Eduardo        Neste exato momento…

Luciano         Que é aquela história de você encontrar oportunidades né no momento, quer dizer, se nós vamos ter um baita problema de água talvez existam enormes oportunidades com a questão da água né e quem…

Eduardo        A gente olhou, para mim foi assim ó, 2015 é um ano, a gente tem um lema, é o ano da prontidão, assim, apareceu projeto a gente vai trabalhar, a gente vai, o ano passado o que que a gente fez, 2014? Enquanto não aparecia projeto a gente semeava… Agente semeou… semeou… semeou… semeou… semeou…

Luciano         Existia, eu ia falar, você agora… Eu ia falar exatamente, se você perguntar para mim, o que que você fez eu falei, cara, eu plantei, plantei, plantei….

Eduardo        Plantei muito…

Luciano         Eu acho que talvez eu consiga começar a colher alguma coisa em 2015 né.

Eduardo        E eu tenho essa sensação, eu não sei, você também é um pensador, as vezes a gente está pensando, está trazendo coisas novas e parece que ninguém está ouvindo assim, falo assim estou fora do tempo, estou fora do tempo, ninguém está ouvindo, está todo mundo preocupado com questões menores assim, de repente aparece né, aparece os clientes dizendo assim, sabe aquela coisa que você disse lá há dois anos atrás? Então, agora chegou o momento de a gente pensar em autogestão, você pode fazer um projeto? Agora nesse trimestre apareceram 4, 5 projetos neste sentido né, então essa ideia do planta que uma hora colhe né.

Luciano         Que legal. Isso ai. Estamos vivos e a vida está acontecendo e o que você não pode fazer agora é desistir.

Eduardo        É, mas o que eu te confesso é isso, a gente está tendo uma boa surpresa com o Brasil, justamente porque talvez a gente tenha, essa coisa da guerra né, eu tenho medo disso né, será que a gente precisa entar num estágio tão involutivo para aprender?

Luciano         Sofreu um trauma tão grande né?

Eduardo        Aquela coisa que a gente aprende pela dor ou pelo amor tem um auto conhecimento no meio e eu acho que a gente está começando a aprender por esse auto conhecimento e as empresas, eu tenho sentido isso, tenho sentido que elas começam a querer fazer alguma coisa, porque também não dá né, não dá para você não fazer nada, mas está sendo um ano super de boas surpresas começou…

Luciano         Estou com os 22 dedos cruzados aqui…22 porque tem 2 a mais né… risos… Quero botar 10% a mais ai que é para garantir né. Legal Edu, genial, adorei o papo aqui, eu quero te agradecer, mas fazer o finalzinho que eu sempre faço, quem quiser encontrar o Edu, quem quise encontrar a Entheuseasmos, quem quiser entrar cm contato com você como é que faz? Onde procura?

Eduardo        A nossa empresa chama Entheusiasmos Consultoria, é um nome chato né, podia chamar Pin, Ou, Pum alguma coisa bem simples. Né.

Luciano         E não é um Entheusiasmos fácil de escrever…

Eduardo        Não é, não é entusiasmos, é E, N, T, H, E, U, S, I, A, S, M, O S, então você tem…

Luciano         Entheusiasmos

Eduardo        entheusiasmos.com.br, mas para ficar muito fácil, você digita no Google Eduardo Carmello, com dois L’s, dai imediatamente  cai na Entheuseasmos e vai cair na rede né, nas redes sociais, a gente está…

Luciano         O Facebook legal que você tem lá

Eduardo        É, hoje eu trabalho bastante no Linkedin, no Facebook, a gente posta diariamente questões lá, que é a oportunidade de a gente estar oxigenado e atualizado nesse processo. E obviamente as empresas podem procurar lá o site da Entheuseasmos, conhecer os temas que a gente tem e estamos sempre de portas abertas para ajudar nesse processo de desenvolvimento e aprimoramento profissional.

Luciano         Te agradeço assim do fundo do coração por você estar aqui na primeira temporada do LiderCast.

Eduardo        Pode me chamar sempre.

Luciano         Mas eu vou chamar mesmo cara, a gente tem muita conversa para levar adiante aqui.

Eduardo        Passa rápido né agora…passa rápido demais.

Luciano         Mas eu te agradeço ai, a gente está com um projeto legal que é fazer desse momento de reflexão aqui algumas, pegar aquilo que você conhece, entendeu, e trazer aqui, distribuir para as pessoas que eu acho que é ai que mora o valor né, o valor está naquelas coisas que você aprende ao longo da vida e que registra e deixa passar para a frente para as pessoas, essa é a missão do líder cast. Te agradeço de montão.

Eduardo        E também parabéns pelo seu trabalho, acho que é, você, o Ricardo Jordão tem essa contribuição incrível de fazer as pessoas pensarem de sair desse automatismo, de sair dessa normose né, assim, quer dizer, por mais que num primeiro momento pareça ofensivo, agressivo né,..

Luciano         Provocativo  esse é o lance…

Eduardo        Provocativo, mas assim, e eu acho que isso está dando essa coisa que eu te falei, eu acho que isso está dando muito certo, as pessoas estão realmente cansando desses marqueteiros, desses messiânicos né de auto estima e estão buscando um pouco mais gente que pensa, eu acho que a razão vai conseguir dar esse espaço para a gente trabalhar, dar a volta por cima, construir novos negócios, fazer as coisas crescerem, parabéns pelo líder cast e agradeço imensamente plo convite, pode  contar sempre comigo.

Luciano         Um grande abraço.

Eduardo        Felicidades.

Transcrição: Mari Camargo