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Luciano Pires -

Luciano           Muito bem, mais uma edição do nosso LiderCast, eu trazendo aqui meus convidados, quem me escuta há algum tempo já sabe que  “minha vida é andar por esse país”, eu sou palestrante, viajo para lá e para cá e nesse processo de viajar, além de conhecer lugares legais, a gente conhece pessoas interessantes né e algumas a gente conhece exatamente porque está no mesmo ramo, é palestrante. Então, quem eu trouxe aqui hoje, faz parte desse grupo de, eu diria assim, esse grupo sortudo de gente que tem a chance de ser pago para viajar, para conhecer lugares, conhecer pessoas, tudo mais fazendo palestra pelo Brasil. Não é o negócio principal dela, vocês já vão sabe qual é, mas a gente bateu um papo rápido uma vez, na FNAC né? E ali eu entrei em contato com o trabalho dela e falei, po, que legal, quando apareceu o líder cast adivinha quem é que eu vou chamar? E aqui está ela, eu quero só três perguntas básicas e fundamentais hein. Como é seu nome, que idade você tem e o que é que você faz?

Ana                 Eu sou Ana Cristina Canosa Gonçalves, mas sou conhecida como Ana Canosa, que é o meu nome de guerra, para quem trabalha com sexo. Eu tenho 46 anos e eu sou psicóloga, sou sexóloga, que isso eu acho que são as minhas duas formações principais e a partir disso faço uma série de… desenvolvo vários trabalhos em cima, tanto dessas duas áreas.

Luciano           Então você, seu tarado que já ficou ai enlouquecido quando ouviu ela falar, eu sou conhecida assim porque eu trabalho com sexo, o lance da Ana, ela é sexóloga e tem um trabalho muito legal, entre outras coisas, você tem um quadro na TV não é isso?

Ana                 É, que atualmente está no programa da Eliana que é o “Família Pede Socorro” que é um trabalho de conciliação de conflitos familiares, é muito legal a gente usa série de dinâmicas de grupo para mostrar para as pessoas que participam e para as pessoas que estão assistindo aonde está o conflito, quais são as questões de cada um, o que que eles podem mudar e é um negócio que tem sido muito bem aceito pelos telespectadores, as pessoas curtem bastante e tem funcionado bem.

Luciano           Legal. Você sabe que o nosso programa aqui, o pano de fundo é liderança, empreendedorismo, na verdade é gente que faz acontecer, então eu vou explorar um pouco a tua experiência aqui para a gente levar isso, esse papo adiante aqui né. Você é sexóloga, ninguém se forma sexólogo em duas semanas…

Ana                 Não, é.

Luciano         Leva um tempo para se formar, você tem 46 anos de idade, então eu imagino que você deve ter estudado esse tema há um bom tempo atrás.

Ana                 Foi, olha…

Luciano         Voltamos lá atrás e quando a gente fala assim, sexóloga no Brasil lembra da Marta Suplicy lá no programa mulher..

Ana                 TV Mulher…

Luciano         TV Mulher, que foi quando surgiu… e de repente você é da segunda geração.

Ana                 Eu sou da segunda geração.

Luciano         Como é que é isso? Conta para a gente.

Ana                 Olha, na época eu, era 1995, existe uma Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana que foi constituída por alguns ginecologistas e psicólogos para trabalhar a sexualidade. Hoje eu sou diretora dessa sociedade né, na época em 1995 o Nelson Vitiello que foi um ginecologista incrível, falecido, um mestre, ele junto com mais dois profissionais, a partir da sociedade da faculdade de medicina do ABC, criaram um curso de pós graduação em educação sexual e eu entrei nessa muito por acaso, porque eu tinha me formado em 1990 como psicóloga né  e estava naquela, consultório aqui, divide com dez pessoas o consultório né, para poder ter dinheiro para pagar aluguel, recém formada e o meu ginecologista, Dr. Eliezer Berenstein, eu fui fazer uma consulta de rotina, ele falou meu, a gente vai fazer um curso, tem a sua cara.

Luciano         Grande Eliezer Berenstein

Ana                 Grande Eliezer Berenstein, meu amado…

Luciano         Era colunista do meu site, foi colunista do Café Brasil, grande figura.

Ana                 Ele é meu médico até hoje, meu colega. Hoje ele dá aula no curso que eu coordeno, enfim, foi obstetra do parto do meu filho, enfim, um fofo e eu falei nossa, olha só que legal, nunca tinha pensado nisso, então às vezes as pessoas me perguntam inclusive, você sempre quis ser sexóloga? Não. Eu nunca pensei em ser sexóloga, até o momento em que eu comecei a fazer o curso e me descobri, falei gente, eu amo sexualidade, é isso ai. E eu amo mais do que amar a sexualidade eu amo falar sobre sexualidade, então eu fiz essa primeira turma, ai eu escrevi o meu trabalho de conclusão de curso foi assim, a sexualidade nos contos de fadas onde eu fiz uma leitura nos contos clássicos, Cinderela, Chapeuzinho Vermelho, o que que continha sexualidade na questão de gênero, então assim, sempre essa coisa da mulher ser vista como passiva, esperando o homem. Então eu fiz uma leitura e esta disciplina foi incorporada no curso nas turmas subsequentes, então eu comecei a dar aula desta matéria que até hoje eu faço, sexualidade nos contos de fada e isso gerou uma série de outras coisas, porque ai eu comecei a estudar os contos de fadas e descobri que existem contos de fadas para adultos, cujos heróis são idosos que são contos orientais. Aproveitei o gancho que eu estava estudando, fui para a faculdade da universidade aberta da maturidade na PUC, que tinha três anos mais ou menos, cheguei para os coordenadores falei, olha, tem uma disciplina, contos de fadas para adultos, eu conto as histórias, a gente vai interpretando a psicologia da maturidade e eu na época, eu tinha 25 anos, 26 anos de idade, as pessoas olhavam para mim e falavam assim, o que que essa cara de menina e? E já com tudo isso na cabeça, essa ebulição toda, dai eu contei uma história para eles, eu nunca fui contadora de histórias, contei uma história, eles ficaram encantados e a partir dai eu comecei a dar aula par a terceira idade com este tema, depois eu encontrei mais cinco temas, sexualidade na maturidade, grandes mulheres da história…

Luciano           Isso era o que? 1990 e  o que?

Ana                 Isso era 95, 97 mais ou menos? E eu era a netinha das idosas, elas me amavam assim como se fosse. Eu dou aula até hoje, elas adoram minhas aulas, eu adoro dar aula para eles. Então assim, eu fui essa segunda geração que começou a estudar no Brasil, porque a gente não tinha curso de sexualidade no Brasil e eu comecei de aluna, comecei a virar professora, comecei a dar palestra no tema porque eu me descobri, ai é assim, todo mundo fala, nossa, mas como é que foi? Eu me descobri comunicadora, quando eu passei a dar aula eu descobri que eu nasci para isso, foi neste processo do curso e no processo da faculdade da terceira  idade.

Luciano         Quer dizer, não foi nada, você não programou…

Ana                 Nada.

Luciano          … você não pensou, você experimentou e a coisa foi acontecendo né?

Ana                 Foi acontecendo.

Luciano         Só deixa eu entender uma coisa aqui, você então, você se forma e você nunca foi trabalhar numa empresa?

Ana                 Nunca.

Luciano        É sempre teu negócio…

Ana                Sempre o meu negócio.

Luciano        … você é uma empreendedora…

Ana                 Sou.

Luciano         … nata…

Ana                 Nata sem saber né.

Luciano         … então, é isso que eu queria mexer um pouco…

Ana                 Intuitivamente.

Luciano         … eu queria mexer um pouco mais nisso, quer dizer, você já tinha essa consciência, quando você se formou e pegou seu diploma na mão, até aquele momento que você foi fazer o curso ,você já sabia, agora com meu diploma na mão eu vou ter meu próprio negócio ou eu vou procurar emprego, o que que se passava na tua cabeça?

Ana                 Não me passava nada na cabeça nesse sentido, essa coisa clara como talvez eu tenha hoje para direcionar minha carreira né, mas tinha uma vontade de atender clínica e ai é também o próprio negócio mas não tinha essa ideia de próprio negócio, era mais da experiência de clinicar e isso, e ai as coisas foram acontecendo, eu fiz um pouco de RH como consultora, porque tinha que, prestava serviço para algumas empresas, mas assim, de uma maneira muito também conhecendo ele e tal, mas eu não tinha essa clareza, aliás eu vim ter essa clareza de que eu acho que sou uma pessoa empreendedora e ousada e inovadora na minha área agora, há pouco tempo quando as pessoas começaram a falar isso para mim, meu, você é demais empreendedora, eu sou? Ops. Gozado, e ai Luciano, também tem uma coisa interessante, eu acho que a formação da psicologia, que é a minha formação básica, não tem, ela não tem esse olhar para o psicólogo né, não é um…

Luciano           Ela não forma um empreendedor…

Ana                 … não forma, nunca.

Luciano           … ela não se preocupa com isso.

Ana                 Não, pelo contrário, a gente tem uma série de problemas inclusive na questão de você fazer marketing do seu trabalho, na questão de divulgação, eu concordo. O Conselho Federal de Psicologia tem lá todas as suas questões éticas, eu acho importante mas ao mesmo tempo limita o profissional de pensar a sua carreira nesse sentido, né então a formação de psicologia não tem isso né, então eu fui muito mais intuitiva.

Luciano         Da onde vem isso? Da onde vem esse fogo? Da onde vem esse fogo ai? Vem da onde? Você teve o pai que era empreendedor, você tinha mãe que agitava, o que que era?

Ana                 De jeito nenhum. Eu tenho pais, meu pai e minha mãe, ambos são comunicadores também, meu pai ele foi, ele era procurador de justiça, então ele fez o caminho, ele fez todo um processo no ministério público, uma carreira linda e professor da PUC, de direito durante 30 anos, um professor amado, então tinha isso…

Luciano         Tem DNA.

Ana                 … Né…

Luciano         Tem um DNA.

Ana                 … tem o DNA da comunicação. Minha mãe também foi professora de escola pública, mais ninguém foi ousado no sentido do empreendedorismo, isso ninguém da minha família, ninguém nunca teve negócio próprio, ninguém, eu fui a única, inclusive dos irmãos também acho que eu sou a única que tenho isso.

Luciano         1995, jovem de tudo, 25 anos de idade…

Ana                 Totalmente jovem

Luciano         … devia ser uma tetéia né…

Ana                 Era… era.

Luciano         … uma menininha de 25 anos…

Ana                 … hoje eu olho eu acho tão legal…

Luciano           … não, não, olha aqui, 25 anos de idade, e falando de sexo…

Ana                 É, pois é.

Luciano           … como é que é o tamanho, deve ser um

Ana                 Eu adoro, eu me divertia…

Luciano          … deve ser um armário para carregar nas costas isso…

Ana                 … que nada.

Luciano         … porque cargas de preconceito e tudo mais, como é que era?

Ana                 Engraçado né, ao mesmo tempo que eu tenho consciência do preconceito que as pessoas têm, eu sempre fui vista como alguém que permite ao outro se espelhar e se identificar, porque eu sempre fui muito, primeiro que eu sou muito bem humorada, segundo que eu sempre me coloco muito nas palestras, quando eu começo a dar aula eu não estou dando aula de um assunto que não tem a ver com a minha vida, então várias vezes, Luciano, várias, eu já dei aula para professor, para grupo de mulheres, grupo de homens, para todos os estados do Brasil e invariavelmente alguém chega no final e fala assim, nossa, quando você falou aquilo, ai que bom que você falou menina, porque eu estava pensando que eu era um ET. Então eu brinco por exemplo, eu falo assim gente vocês estão achando que eu sou sexóloga né, que eu transo no lustre todo dia, menina não consigo nem mais falar no assunto, já estou de saco cheio de escutar esse negócio. Ai o povo dá risada, dai eu vou me colocando porque eu acho importante essa identificação e isso faz com que as pessoas vão quebrando preconceito né, isso é uma coisa importante, eu não sofri o preconceito  de maneira direta que eu tenha escutado, então eu nunca escutei ninguém falar alguma coisa ou né, obviamente que deve ter tido nos bastidores e tal. Uma outra questão, eu sempre lidei muito bem com homens, sempre, eu sempre tive muitos amigos homens, se eu fosse fazer uma leitura e um guia, eu tenho um lado masculino no sentido que a gente olha na questão de gênero né, então o que que era agregado ao masculino? Essa coisa  da agressividade, a ambição, o poder, o se bancar, muito forte desde adolescente, eu sempre fui muito atrevida né, e a figura masculina nunca me intimidou.

Luciano         Pelo contrário…

Ana                 Pelo contrário

Luciano           … mulheres assim é que intimidam os homens né?

Ana                  Exatamente e eu tive muitos amigos homens, então eu, você vai dizer não Ana, mas você nunca recebeu cantada? Claro, eu recebi inúmeras cantadas, mas eu não sou uma pessoa que me assusto com isso, até porque eu entendo as pessoas chegarem a mim e serem curiosas sobre a sexologia naquela época. Hoje já está muito mais divulgado. Naquela época virem com uma piadinha, uma ironia, uma piadinha tipo, você dá aula prática? Essas coisas todas, eu sempre tirei muito de letra porque era como compreender o panorama, isso faz parte, então na minha cabeça tipo, aha isso faz parte, faz parte a cantada por eu ser mulher, não é nem por eu ser sexóloga mas também, né, pela curiosidade que as pessoas têm.

Luciano          Isso é fantasticamente brasileiro sabia?

Ana                  É, não é?

Luciano          Isso é brasileiro, uma inglesa não falaria isso que você está falando para mim, uma alemã jamais diria isso, uma americana nunca diria isso, porque essa história do meu, cara vem tirar um sarro, cantar, eu chegar e falar meu como você está bonita hoje, mas tá gostosa, um amigo fala isso para você, para uma brasileira a coisa mais natural do mundo né, lá fora é um horror…

Ana                 É e eu vou te dizer…

Luciano         … não existe essa do brasileiro…

Ana                 … e eu vou te dizer mais, eu tenho a consciência da cantada mas eu nunca fui cantada ou colocada por causa de palestra, de maneira tão explícita, isso é curioso.

Luciano         … nunca explicitamente ninguém, tá está certo.

Ana                 … nunca. Eu já dei palestra, por exemplo, para empresa de automobilística, só para homem, eu nunca tive saindo, indo para o carro, uma pessoa que me falou qualquer coisa engraçadinha ou…

Luciano           Até porque, mas é que você intimida, você impõe o respeito, intimida, claro.

Ana                 Acho que sim, acho que eu tenho uma figura sem…

Luciano           Sim, o que traz a gente para uma discussão muito legal, que é essa discussão de você impor a forma como você quer ser vista, quer dizer, você já sabe, eu estou lidando com um negócio que eu estou no fio da navalha…

Ana                 No fio da navalha, exatamente.

Luciano           … se eu fizer uma piada eles vão entender mal…

Ana                 Isso mesmo.

Luciano           … eu já cheguei num lugar, já está todo mundo com a pulga atrás da orelha, o que é que vem ai, deixa eu ver, então você está caminhando numa linha muito tênue e você tem que se colocar ali né?

Ana                 E inconscientemente eu desconstruo uma imagem de pavor logo no início numa palestra…

Luciano         Então, me conta essa história, vamos lá, vamos lá. Sabe, de novo, no esquema da liderança que eu estou colocando aqui né, você está me dando algumas dicas aqui para o ouvinte também sobre o controle que você tem sobre… não só sobre a tua carreira, mas sobre a percepção que as pessoas têm de você né, então anuncio que aqui está no palco agora a Ana, sobe a Ana. Eu vejo subir uma mulher, o que que vem? Vem alguma coisa  aqui, mas você na hora que abre a boca você já começa um processo de ganhar esse controle.

Ana                 Exatamente.

Luciano         Eu quero que você que está me  vendo pense isso e isso e isso de mim, minha proposta de valor está muito clara e é você quem faz. Me fala dessa construção, me fala dessa história, dessa experiência de você conquistar…

Ana                 Eu vou te contar uma situação, eu sempre conquisto primeiro pelo bom humor isso é uma característica minha, ponto. Sempre conquisto nos primeiros minutos, é uma característica não pensada que hoje eu acho que até se a gente for pensar em como um palestrante funciona ou como chamar a atenção, eu acho que isso até teoricamente a mesma coisa, mas sempre fui muito intuitiva né, baseada na experiência…

Luciano         Até porque o teu tema ele já cria uma tensão natural né…

Ana                 Total.

Luciano           …você sobe no palco e já tem uma tensão natural…

Ana                 Eu vou te contar, uma vez eu fui dar uma palestra para o dia do homem, numa grande empresa de automóveis né, tinha uns 500 homens na plateia, imagina eu, uma mulher de, na época eu devia ter uns trinta e poucos anos né, uma mulher aparentemente, sei lá, bonita, não é que eu me julgue bonita, mas assim ok, uma mulher ok e aqueles homens todos e era sobre disfunções sexuais masculinas e a tinha desde o cara que monta o parafuso do carro até o diretor, que não queria que fotografassem para colocar dentro do jornal, que saiu o jornalzinho interno, então eu já cheguei…

Luciano           Nesse clima.

Ana                 … alguém me contou, nossa, o fulano de tal que está sentado na primeira fila, ele já falou para o fotógrafo não tirar foto dele que ele não quer sair no jornal nesse tipo de evento, eu falei ai Jesus, e tinha assim, o fulano de tal e mais uns quatro olhando para mim desafiadoramente, do tipo assim com aquela cara assim de quero ver o que que essa mulher vai falar, sabe? E ai eu peguei um para Cristo, eu falei é esse cara que eu vou, até o final da minha palestra, esse cara vai ter que rir, tudo bem. Mas eu me lembro que eu cheguei né, então falei olha, estou aqui para falar sobre um tema muito importante para a saúde do homem, que é sobre disfunção sexual masculina e eu vou dizer para vocês uma coisa, se eu fosse homem, com vocês todos me olhando aqui eu já tinha brochado, puta merda porque tem essa coisa do desempenho, ai os caras começaram a rir, pronto…

Luciano           Acabou.

Ana                 … é nessa identificação de eu sou como todo mundo, eu sou como você, eu estou falando não só porque eu estudo, mas porque eu vivo, que eu ganho o meu público, então as pessoas, elas entram, então ai eu acho que tem várias coisas, então tem, desde admirar a figura da mulher, que as pessoas, as mulheres admiram, aha eu queria ser como ela, então eu tenho essas falas, os meus alunos falam isso e que eu muito me orgulho e fico lisonjeada, mas tem também, não é só porque, só por causa da carreira, é porque eu me coloco no mundo como todo mundo.

Luciano           Ana, você quando fala essa coisa do me colocar no mundo, esse controle todo, quer dizer, para poder escolher esse cara para Cristo e tirar um sarro dele e quebrar esse gelo, você tem que estar muito segura de si, você tem que estar muito segura de si, você não está com medo, o cara que está olhando não está te vendo apavorada, não está vendo você desesperada, está vendo uma mulher segura no palco.

Ana                 É isso ai.

Luciano           De onde vem essa segurança, como é que você constrói…

Ana                 Não tenho nem ideia

Luciano           … o que que é…

Ana                 Não tenho nem ideia

Luciano           … isso tem a ver com atrevida? Tem a ver com atrevimento e tudo mais?

Ana                 Tem, eu sempre fui muito atrevida, muito ousada, eu sou uma pessoa muito responsável ao mesmo tempo que eu sou uma transgressora, mas uma transgressora responsável. Na minha época, eu fico pensando lá atrás quando eu era adolescente, aos 16 anos de idade ei fiz uma viagem com uns amigos que eu conheci, que eu fazia teatro em outro colégio, para o litoral norte, não tinha nem estrada, então eu tinha esse ímpeto da liberdade, do conhecer muito forte…

Luciano           Se jogar no mundo…

Ana                 … mas ao mesmo tempo muito responsável, muito, então a primeira coisa que eu fazia, chegava num lugar, que não tinha telefone celular, não tinha nada, tinha um orelhão no posto de gasolina, eu ligava, pai, ó cheguei está tudo bem, mãe cheguei está tudo bem, então eu sempre fui muito responsável, talvez essa…

Luciano           E nesse processo você construía com seu pai, sua mãe uma relação de confiança fabulosa,

Ana                 Isso, porque era fundamental para eles e mais, a minha sacada era, se eu mantiver isso eu consigo fazer tudo, ó que legal, então vou continuar fazendo assim, eu não vou me meter em encrenca, não vou usar droga, não vou engravidar antes do tempo, porque eu curto a vida, eu gosto de estar com as pessoas, eu gosto de viajar e eu fui e acho também, Luciano, eu fiz muitos anos de terapia, eu entrei na faculdade aos 17 anos, aos 18 eu já estava metida na terapia né.

Luciano           Você era uma paciente de terapia?

Ana                 Paciente em processo de terapia, eu digo que eu fiquei com a mesma terapeuta durante 17 anos e falo isso com o maior orgulho, porque eu adorava fazer terapia, depois então eu acho que o processo da terapia também me fez mulher muito cedo né e muito segura, eu sempre fui muito segura e eu não sei dizer para você exatamente aonde foi que isso, mas eu sou uma pessoa segura, eu sou uma pessoa essencialmente otimista, né eu tenho uma personalidade muito flexível, eu acho que isso me ajuda muito, muito flexível, eu sou uma pessoa que não me vejo destacada do mundo assim, eu acho que todo mundo tem seu espaço, eu não me sinto sabe, nem mais nem, acho que é sabe, cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é? A frase de Bethânia, é isso. Mas eu sou realmente uma pessoa segura.

Luciano         Você hoje participa, você tem um quadro no programa da Eliana, você escreve uma coluna…

Ana                 Na Revista VIP, há 6 anos…

Luciano        … na Revista VIP, eu sei.

Ana                … chama Sexo Fácil…

Luciano         Sexo Fácil.

Ana                 … o que me aproxima dos homens profundamente.

Luciano           Imagino que os “babão” vão buscar né, os “babão” vão lá direto né. Você clinica?

Ana                 Clinico no consultório, 3 vezes na semana.

Luciano           O que que você faz?

Ana                 Eu faço psicoterapia para adultos, casais e terapia sexual, que diz respeito às dificuldades sexuais das pessoas e ai a gente entra com uma série de questões.

Luciano         Você tem um consultório.

Ana                 Tenho um consultório particular.

Luciano         Então você também cuida do teu consultório.

Ana                 Cuido.

Luciano         Você é diretora do que?

Ana                 Da Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana e editora da Revista Brasileira de Sexualidade Humana.

Luciano         Editora e você ainda tem…

Ana                 Coordeno uma pós graduação em educação sexual.

Luciano         … isso, você tem marido…

Ana                 Filha.

Luciano         … e tem filho.

Ana                 Isso, corro.

Luciano         Eu contei aqui 8 coisas onde qualquer uma das oito sozinha, já me deixaria cansado né, e você tem as oito e você na hora do almoço, a gente conversando ali, você soltou uma coisa que para mim foi fundamental, falei cara, que loucura é essa? Você falou para mim assim: disciplina.

Ana                 Eu sou mega disciplinada, mega, mega…

Luciano         Então.

Ana                 E eu sou disciplinada com meu prazer, porque veja, eu tenho uma consciência também interessante, que eu acho que me faz ser feliz, ou me faz, porque eu me julgo uma pessoa feliz sabe, essencialmente feliz, não acredito na felicidade plena, porque a gente tem uma série de problemas, todo mundo tem eu tenho os meus também, mas eu me acho uma pessoa muito abençoada, mas eu sei que eu fiz também por merecer sabe, eu sou uma pessoa otimista e a minha disciplina diz respeito aos meus prazeres, então assim, eu tenho que ter um horário para a minha massagista, acabou, eu vou ter. Eu tenho que ter horário para correr, porque eu amo correr, eu tenho que ter um horário para eu dançar flamenco, não adianta, eu não vou ter mais um filho porque eu vou ficar infeliz, porque ai eu vou ter que me desdobrar já em não sei quantas, eu tenho que ter dinheiro para comprar meu sapato, que se eu não comprar o sapato que eu quero, não é que eu seja uma pessoa consumista, mas eu estou só dando um exemplo…

Luciano           Quer ser feliz.

Ana                 … então assim, eu tenho muita consciência sobre o que é importante para a Ana Canosa, muita e eu preservo isso também na minha disciplina.

Luciano           Me fala dessa questão desse problema, que eu acho que isso é fundamental, você não tem como falar de liderança empreendedorismo sem tocar no assunto disciplina, que me parece que é um problema gigantesco…

Ana                 Para as pessoas.

Luciano           … que o brasileiro tem, o brasileiro é por nascença indisciplinado, é claro, tem, eu estou falando em geral, tem mil pessoas que são absolutamente disciplinadas mas no geral o que a gente enxerga ai é uma indisciplina né? Aha depois a gente faz, empurra com a barriga, se Deus quiser, pode ser que seja, não…

Ana                 Para mim não tem depois.

Luciano           … como é que você exercita essa coisa, porque uma coisa é a pessoa querer ser disciplinada a outra coisa ela colocar isso em prática né, o que você faz, você abre uma agenda de manhã, vai lá, segunda feira as 8 da manhã tenho tal coisa…

Ana                 Total.

Luciano           … e não mexo mais nisso, como é que você faz?

Ana                 Não mexo mais nisso então é assim…

Luciano           Como é que você prioriza, como é que você bota urgente?

Ana                 … tudo para mim é muito organizado né, então por exemplo, eu faço consultório três períodos no mês, só, na semana, desculpa, porque como eu tenho que deixar dias para gravação e nem eu não gravo toda semana também, mas eu tenho que deixar aquilo disponível, não posso assumir um paciente na quinta as duas da tarde se é meu dia de gravação, depois eu vou ter que falar ó hoje eu não vou gravar, hoje eu vou gravar não posso te atender, não dá. Então eu faço isso, na segunda feira é meu dia de consultório né, eventualmente se eu vou fazer uma viagem, uma palestra eu tenho que mudar, terça de manhã e sexta de manhã, isso é sagrado. Sexta a tarde eu deixo para gravar e quinta feira, nos dias que eu não estou gravando, eu escrevo a revista, eu escrevo a coluna, eu coordeno a pós graduação, então convido professor, falo com não sei quem, vou corrigir prova, então nos dias que eu não tenho a gravação, eu faço as outras coisas né, porque eu tenho muita flexibilidade para fazer isso também.

Luciano           Então, mas ai você chegou, você chegou no teu escritório, na tua clínica, não sei bem aonde, você sentou lá falou muito bem, hoje não é dia de atender, hoje é dia de escrever o artigo e eu tenho para escrever o artigo das 14 às 16 horas…

Ana                 É essa hora.

Luciano           … e nessa hora você vai sentar e vai escrever o artigo…

Ana                 Porque as 16, as 16 horas eu vou fazer, vou para a academia porque 17:30 buscar meu filho na escola que também é para mim uma prioridade, então por exemplo, de segunda feira ele vai para a natação, eu vou com ele, de manhã, eu aproveito que eu não trabalho de manhã né, fisicamente, em algum lugar, eu fico com ele, então eu vou ai eu corro enquanto ele está nadando e tal.

Luciano         Que idade ele tem?

Ana                 Ele tem 5 anos. Ai na quarta feira nosso dia de ir na feira comer pastel, porque eu amo fazer feira, então também para mim isso é fundamental, isso me dá, isso me deixa feliz, ter a quarta feira de manhã para ficar com ele e é isso mesmo. Então é na quinta feira eu tenho que escrever a coluna da VIP, é das 2 as 3? Vai ser das 2 as 3 meu amigo, é isso que eu tenho para o momento e eu tenho uma facilidade muito grande e uma alegria muito grande, uma sorte, de gostar de escrever e de me comunicar bem, tanto oralmente quanto pela escrita, então eu tenho facilidade, dificilmente eu vou deixar a coluna para fazer a noite, porque a noite eu não rendo, 10 horas da noite desligo meu celular acabou, modo avião, não quero ninguém me enchendo o saco, porque eu preciso dormir, porque eu me conheço fisicamente, se eu tenho que acordar as 5 da manhã para atender um paciente as 7 na sexta feira, 10 horas eu tenho que esta dormindo, eventualmente é óbvio, acontece alguma coisa em casa, mas eu acabei, desliguei o celular e eu não vou produzir a noite, eu produzo de manhã, então é nessa organização de agenda que eu ponho aquilo a partir da minha personalidade, isso eu acho que é muito legal, incrível né.

Luciano           Não é fantástico, quisera eu ter, eu acho que eu tenho uma certa disciplina mas a minha disciplina é feita em cima do caos, eu sou absolutamente caótico mas esse meu caos é um caos, de certa forma organizado e eu bebo um pouco dele sabe, eu já aprendi até a provocar o caos sabe, de repente eu estou num momento que eu preciso criar alguma coisa, se eu não me colocar numa situação que estou na última hora, eu tenho que encontrar uma saída, a coisa brilhante não aparece…

Ana                 Entendi.

Luciano           … fica uma coisa normal, quando eu falo eu vou levar até a última hora, a hora que não dá mais, que o desespero bateu, pum! Surge uma coisa e genial né, e eu falo cara, eu acho que eu funciono assim, deve ter algum mecanismo que me provoque então eu preciso levar a coisa até a beira do caos, mas eu chamo isso de caos organizado né, eu uso ele a meu favor né. Como é que você vê essa questão da indisciplina que a maioria das pessoas acaba tendo na consequência do pessoal que você atende…

Ana                 Aha eu acho que eu…

Luciano           Sabe as pessoas que você recebe, deixa eu só tentar entender, quem vem, para que você vai clinicar que tipo de gente vai até você? Quem é que vai até você? É um senhor, é uma senhora? É um profissional, é um cara que está com problema na empresa, está com problema em casa, é um problema, o que que é? Quem é, como é o perfil dessa pessoa que vai te…

Ana                 Eu tenho um consultório muito variado né, quando eu falo que eu atendo adultos e tal, mas como também tenho trabalhado muito com casais né, e a terapia sexual sempre acaba também envolvendo o casal, então o cara vem lá com um problema de ejaculação precoce, não dá para trabalhar só o sujeito se eu não tiver a mulher dele junto comigo ou o parceiro dele junto comigo, porque as vezes o parceiro estimula a disfunção do outro, ai o casal é disfuncional, não é só a pessoa, enfim, são coisas psicológicas complexas de falar.

Luciano           Deixa eu explorar mais um pouco, que você estava falando um negócio muito legal ai, de novo eu estou trazendo para aquela questão da liderança né…

Ana                 Vamos embora, vamos embora.

Luciano         Que que leva esse cara a te procurar?  É ele que sofre com o problema dele, é a mulher dele, e o casal em conjunto…

Ana                 Antigamente…

Luciano         … quem é que leva até lá?

Ana                 … antigamente eu tinha mais uma demanda das mulheres pedirem para fazer terapia né, para as questões emocionais, questões de stress no trabalho, aliás eu vou dizer, vamos abrir parêntesis, essa coisa do stress no trabalho é recente no mundo masculino ir buscar o terapeuta…

Luciano           Reconhecer, primeiro reconhecer…

Ana                 … eu recebi um paciente esses dias falando assim também, ele tem uma série de problemas de comportamento e ele perdeu o emprego e ele já sabia que ele tinha essa série de problemas de comportamento dentro do trabalho que ele chama de mi mi mi né, essa coisa de ser muito mi mi mi…

Luciano           Um mimizento.

Ana                 … é, que ele não é, ele não lida bem com pessoas assim, mas ele já tinha assim, tomado vários bilhetes amarelos, vários, vários, vários até a hora que ele foi mandado embora. Na hora que ele foi mandado embora o cara ficou péssimo, então ele sabe que é assim, dai ele falou assim, eu estou aqui eu não acho que eu vou mudar, ai eu olhei para ele e falei então cara, se você não acha que vai mudar, é melhor desistir, porque ferrou né, você está dizendo que o seu caso não tem solução…

Luciano           Sim, vai gastar dinheiro aqui.

Ana                 … ele começou a rir, eu falei como é que você se sente falando do seu mi mi mi para mim, porque você ficou mimizando aqui também hoje né, nós somos assim tal. Dai ele começou a pensar um pouco sobre isso, então geralmente são as mulheres, as mulheres vão mais, hoje os homens estão começando a se aproximar dessa iniciativa de buscar o profissional, mas ainda para os homens é mais difícil, então eu atendo muitos casais, com problemas de crise de relacionamento, principalmente questões com traição e fidelidade conjugal que eu acho que é ainda os grandes problemas das relações amorosas para lidar né e muitas pessoas com problemas sexuais, na área da sexualidade.

Luciano         Deixa eu entender aqui, que eu estou ficando…

Ana                 Doido.

Luciano           … é, estou ficando doido aqui. Doutora, eu vim aqui procurar a senhora, eu queria que a senhora me atendesse em um horário porque minha mulher está me traindo.

Ana                 É, é isso ai.

Luciano           … é isso que acontece?

Ana                 É…

Luciano         Me ajuda a me curar do corno? Como  é que é isso?

Ana                 Nós estamos, é …. o que é que eu faço, vou falar, não vou falar, que que eu faço, mato o cara com quem minha mulher está traindo ou não mato, é curador mesmo né, ai recebo muitos casais assim: olha a gente está vivendo uma crise e ele acabou de me trair, dai…

Luciano         E nós dois estamos aqui, ele com cara de pato…

Ana                 Estamos aqui para ver o que que a gente faz…

Luciano         … ele com cara de pato, ela com cara

Ana                 Triste…

Luciano         … de boi.

Ana                 Isso e ai o que que a gente vai fazer, porque eles não conseguem se comunicar, geralmente é porque o casal não consegue se comunicar, é porque a panela está, de pressão está no osso e ai a gente tem que administrar.

Luciano         Tem que ser muito atrevido para lidar com um negócio desse ai, eu entraria embaixo da mesa se é comigo, licença, deixa eu entrar debaixo da mesa de vergonha alheia.

Ana                 Não, agora você imagina então o cara falando que tem ejaculação precoce e eu passando para ele um exercício de masturbação, ai o cara no começo ele acha meio, fala assim, ai ele fica me olhando assim, eu falei, não precisa ficar vermelho, meu filho eu faço isso aqui todo dia, não aguento mais, nem transo mais porque esse assunto para mim… ai o cara dá risada, ai eu pego um pênis de borracha na minha mesa, ai mostro para ele como ele tem que se masturbar, olha, tem que fazer assim para o exercício assim e ai as pessoas começam, porque como para mim isso é muito natural, muito natural para mim, faz parte do meu dia a dia do trabalho, encaro como natural, as pessoas acabam ficando tranquilas né…

Luciano           Sim, mas de novo, você se impõe completamente, que um homem numa situação dessa ele está, ele está fragilizado ao extremo.

Ana                 … é mas tem os que gostam né de se exibir, porque não pense que é só isso, as vezes essa coisa de falar para a mulher uma coisa da sexualidade pode ser um pouco exibicionista também né, então a gente tem que tomar um cuidado, inclusive, ó como o terapeuta tem que ficar muito atento, para você não entrar no jogo de uma sedução a partir do sintoma.

Luciano         Que de novo, é a mesma questão da palestra lá…

Ana                 Aha igual.

Luciano         é igual à palestra, você está naquele momento em que você tem que se…

Ana                 Cara, eu estou me dando conta que o limite, que é a minha percepção intuitiva muito boa, porque realmente não é fácil, enquanto eu não sei o que eu estou achando que é difícil mesmo, que ótimo.

Luciano          Deixa eu tentar trazer você agora para dentro do ambiente corporativo que não é um ambiente onde você transita…

Ana                 Transito muito não.

Luciano           … mas é um ambiente que te busca…

Ana                 Sim.

Luciano           … porque você é contratada para ir falar nesse ambiente e pessoas que estão nesse ambiente vão até você para você atende-las né. Eu tenho uma tese aqui que eu uso muito nesse programa, todo mundo que vem aqui eu falo a mesma coisa né, eu falo, se você for pesquisar nunca se falou tanto em liderança como se fala hoje em dia, todo lugar, onde você vai é um livro sobre liderança, filme sobre liderança, tudo que se fala é liderança, no entanto quando a gente começa a ver os problemas que o Brasil tem hoje em dia é falta de liderança, então como é que num ambiente onde só se fala em liderança, nós temos uma das maiores crises de liderança da história da humanidade, está tudo errado? Será que nós estamos discutindo errado, será que as pessoas não tem percepção. Será que você está falando uma coisa eu estou entendendo outra? Que nó é esse né? E eu quero trazer isso para o teu mundo agora, quer dizer, o teu mundo naquele em que alguém fragilizado foi te procurar, eu acho que o fato de uma pessoa ir te procurar, um homem, para falar para uma doutora, uma mulher, sobre ejaculação precoce, exige dele uma tomada de decisão, uma tomada de iniciativa que é um baita exemplo de liderança.

Ana                 Mas exige dele uma humildade para se submeter a uma outra figura de autoridade muito grande, você está falando aqui, eu como você disse né, não é o meu mundo da liderança ou pensar a liderança no âmbito corporativo, agora estou pensando emocionalmente falando, eu acho que uma das grandes, um dos grandes problemas das pessoas, ou vários problemas que as pessoas tem, primeiro é essa falta de consciência da sua própria personalidade né, porque eu posso ser um bom líder, eu posso ser bem sucedido mas não tenho inteligência emocional nenhuma né, ou talvez isso nem seja ser um bom líder, quer dizer, eu posso ter sucesso e eu acho que as pessoas confundem isso, o sucesso na carreira, o sucesso financeiro com o seu papel, quer dizer o que que eu faço dentro da minha casa, da minha relação amorosa, no trabalho, qual é o meu papel, é o da liderança? Porque todo mundo quer ser líder, acho que tem isso né, o brasileiro tem essa figura de poder muito forte né, muito forte. As questões de gênero não são igualitárias, as pessoas e essa disputa de poder ela esta intrincada em todas as relações, então eu acho que para você poder, inclusive,  desenvolver a liderança tem que ter um pouco de humildade para você poder se ver e ver aonde que o calo aperta, se não o cara não ia no consultório falar sobre isso.

Luciano           Entendi. Quando você coloca essa questão da humildade, quer dizer, a pessoa, eu vou me colocar numa situação em que eu vou ter que expor as minhas fraquezas né e eu acho que isso exige uma coragem gigantesca que é eu poder me, vou me despir diante de você para falar as minhas fraquezas, no teu caso é pior ainda, porque eu não estou falando de uma fraqueza, aha, doutora eu não sei tomar decisão, doutora eu não sei usar uma planilha Excel, doutora, doutora eu estou com um problema aqui que eu não consigo transar com a minha mulher, quer dizer, o negócio é pior ainda né, eu acho que isso exige uma dose de coragem muito grande né. E eu imagino que esse pessoal que chega na tua frente e você tem que meio que cavocar para abrir caminho para ele né, já vi que o cara está sentado na minha frente, ele está azul, ele não consegue falar, ele não consegue se mexer, cabe a você com o seu jeitão, ir lá e abrir as portas, falar cara vem nesse caminho. Como é que é esse processo, porque isso é um processo de conquista que você faz né e no papel da liderança, a primeira coisa que o líder tem que fazer é saber conquistar as pessoas com as quais ele está interagindo né?

Ana                 Eu vou te responder com a percepção que as pessoas tem do meu trabalho na TV, então como é que as pessoas me veem como conciliadora na televisão sabendo que eu sou psicóloga, o que que as pessoas falam de mim né, eu estou pensando em cima de tudo que você está dizendo, pensando agora mesmo, elas dizem que eu sou uma pessoa primeiro, afetiva e assertiva, então ao mesmo tempo que eu sou uma pessoa que entendo e compreendo e falo po cara, que merda hein, sabe, puta meu, foda hein, então vamos lá, vamos ver o que está acontecendo. Eu sou uma pessoa, então ó, vi ter que fazer isso, ok? Então para resolver esse troço vai ter que fazer, vai ter que seguir nesse caminho, então essa troca entre o acolhimento, eu acho que eu sou uma pessoa muito acolhedora né, onde a pessoa olha para mim e fala, essa mulher está sacando o que eu estou falando porque ela é humana, tem muito isso na minha carreira inteira.

Luciano          E ela está me ouvindo.

Ana                  Ela está me escutando.

Luciano          Ela está me escutando, ela ouviu o que eu falei.

Ana                 Ela tem uma parte dela que se identifica comigo, quer dizer, ou eu me identifico com ela na dor, então sei lá, eu posso não ter passado por aquilo mas eu já sofri, então se eu já sofri, por qualquer coisa, eu sei o que é um sofrimento, talvez não na intensidade ou naquela questão específica…

Luciano           Você pode não saber na carne mas você já teve um monte de gente…

Ana                 … eu já tive outros e já senti na minha carne outras tantas, outras tantas dores, mas ao mesmo tempo eu sou muito assertiva, do tipo cara, você quer trabalhar não vamos trabalhar tá, e vai ter que trabalhar assim, assim, assim porque se não for assim não vai funcionar muito não.

Luciano           Isso é uma coisa que o brasileiro tem dificuldade gigantesca, uma coisa que o norte americano faz muito bem, você senta na frente do norte americano para fazer uma seção de feed back e ele diz na tua cara tudo o que ele tem que dizer e na boa e você escuta o cara falando e fala, po, esse cara está falando para mim e ele está falando porque é para a coisa ficar bem e o brasileiro se enche de dedos, não gosta de mim, está me sacaneando, leva para o pessoal e transforma aquilo quase que numa batalhe né…

Ana                 É verdade.

Luciano           … que o brasileiro leva tudo para o pessoal, ele está me agredindo né, então o exercer a assertividade no Brasil é um problema porque as pessoas não costumam aceitar não né, você falar, está me xingando, né. Como é que é isso ai?

Ana                 Então, é engraçado né, que você está falando eu estou aqui pensando junto com você, eu sou muito assertiva, da onde que vem a minha assertividade? Eu acho que é uma junção de coisas, eu tenho uma personalidade muito objetiva e muito direta, eu sou uma pessoa objetiva né, não sou uma pessoa emocional, eu sou afetiva, ou seja, eu abraço, eu beijo, eu gosto, eu me preocupo mas eu não sou emocional, eu não sou passional, não sou, eu sou mais objetiva do que passional né, eu acho que eu sou organizada e isso me ajuda a ter na mão a ferramenta que eu preciso para aquele negócio, então se eu preciso nessa semana fazer um trabalho X, uma palestra não sei aonde, que eu preciso focar, então eu vou na ferramenta que eu tenho, então eu sei onde está, onde é que estão as coisas, o que que eu tenho para fazer, com quem que eu tenho que conversar, sabe e ai eu vou na ferramenta porque eu sou uma pessoa organizada, eu tenho aquele objetivo e aquele objetivo é assim e eu sou assertiva para funcionar naquele momento então eu vou mais segura e eu acho que quando você é mais seguro, você é mais assertivo né, porque você ser assertivo é assim, eu estou aqui, eu estou com o meu conteúdo e é isso e o outro também tem a possibilidade de chegar para mim e falar, não é isso, ou é mais ou menos isso né, se eu tiver essa segurança eu consigo lidar melhor.

Luciano          Uma pequena aula de liderança, exatamente isso…

Ana                 Foi né.

Luciano           … você está falando para mim como a psicóloga atendendo o seu paciente e eu estou vendo o chefe recebendo um funcionário da sala dele, o funcionário está com um problema e se o chefe for uma zebra ele não vai ser nem assertivo…

Ana                 É isso mesmo.

Luciano           … e nem vai se colocar no lugar da pessoa para falar, po, espera um pouquinho eu entendo o que está acontecendo, já aconteceu comigo, compreendo perfeitamente e vamos seguir por esse caminho assim.

Ana                 Nesse caminho, ou eu não tenho ideia do que está acontecendo ou eu tenho uma vaga ideia do que está acontecendo mas eu não sei, vamos ver juntos isso.

Luciano           Vamos tentar descobrir qual é a jogada.

Ana                 Que é também aquela coisa da jornalista que chega e fala, Ana você pode falar sobre o cara do big brother sobre amores obsessivos, olha amiga éo seguinte, não vou falar sobre isso sabe por que? Não estou assistindo big brother, então eu até posso falar sobre amores obsessivos mas não vou estar falando sobre aquilo que você quer, melhor você procurar outra fonte. Então essa questão também fortalece a sua personalidade e a sua carreira…

Luciano          Tá porque você reconheceu o teu limite…

Ana                  É, é isso mesmo.

Luciano           … e não assumiu um compromisso de algo que você não pode falar.

Ana                 Vou te falar um dos meus maiores desafios, foi levar o trabalho para a TV. Eu fui convidada pelo SBT para fazer o programa SOS Casamento, o programa SOS Casamento era um programa como se fosse uma Super Nany para casais só, então o casal se inscrevia e eu pegava o conflito deles e ai através das dinâmicas de grupo que são produzidas pela TV, para ser alguma coisa televisiva né, o casal ia se percebendo e a gente ia trabalhando, bom eu tive um final de semana para decidir, então a moça do SBT me ligou, Adriana Sequeti, até eu tenho que agradecer demais a ela e ao Ricardo Perez por ter me convidado a fazer parte desse grupo de profissionais que poderiam levar esse projeto a frente, ela conversou comigo, ela fez uma super pesquisa na internet, então assim, precisamos de uma psicóloga que trabalhe com casais, ou com afeto ou com relacionamento para ser apresentadora desse quadro, ai eles foram lá, fizeram um monte de pesquisa e chegaram no meu nome através de todos os projetos que eu já fiz, as palestras que eu já fiz né, a fala com jornalistas e tudo que eu já escrevi, nossa essa mulher, a foto, porque ai tinha uma coisa estética também, vamos ver, ai ela falou, olha eu não posso falar qual é o projeto mas é uma coisa assim assim, marcamos uma reunião, fui ver, eu sempre fui ver tudo, isso também é minha grande dica sempre, eu nunca fechei porta para nada que eu não conhecesse e que eu não achasse que fosse, que poderia ser legal e eu sai, Luciano, falei meu, ferrou, olha só eu vou virar uma psicóloga na TV, que psicólogo na TV a gente tem? Ninguém. Títio(?) Gaiarsa…

Luciano           Áureos tempos né.

Ana                 O Gikovate,  que tem muita gente que, e inclusive criticou, ele foi criticado até por aparecer em novela como Gikovate, o conselho federal foi atrás, que é uma pessoa que se coloca, que eu gosto muito dele inclusive porque eu acho que ele, ele pega a linguagem da psicanalise e transporta para o público e eu acho importante, mas eram as duas figuras que a gente tinha né, agora você imagina eu ter que aplicar a psicologia, que é um negócio super complexo, num programa de televisão que não podia ser profundo, que não era terapia, e totalmente inovador, meu pirei, eu pirei, eu falei meu como é que eu vou fazer isso? Será que eu vou? Fizemos a reunião e eu tinha um fim de semana para decidir e eu vou te confessar, qual era o meu medo maior? Eu tinha dois medos, o primeiro: como é que eu ia conduzir o trabalho para que o trabalho realmente fizesse efeito para os casais, porque minha preocupação maior era essa né e não abrir chagas e etc…

Luciano         Até porque não era uma coisa armada.

Ana                 Nada. Não é nada armado.

Luciano         Havia um problema…

Ana                 Tudo, não, há o problema…

Luciano           … real…

Ana                 … eles não sabem nada que vai acontecer no Família pede socorro, ainda é assim, nenhuma das atividades eles sabem o que vai acontecer porque senão perde o caráter emocional da história e eu preciso do emocional para trabalhar. Como é que eu vou lidar com isso? É uma coisa que eu vou ter que construir porque não tem ninguém fazendo isso, é diferente do Super Nany porque está lidando com, é… e segundo: o que que meus colegas vão pensar disso né? Ai eu liguei para algumas pessoas, para a minha sogra inclusive que é terapeuta de família, falei ai meu Deus Maria Rita o que eu vou fazer, será que eu aceito, será que não aceito e a ideia era aceitar para fazer um programa piloto. E eles tinham entrevistado vários profissionais, colegas meus e colegas, enfim, e tinham me escolhido para fazer o piloto, falei quer saber? Eu vou nessa. Eu vou nessa. Eu vou criar um caminho, não tem, eu acredito nisso, vai ser legal, acho que vai ser bom para o público, as pessoas vão começar a falar sobre sexo e amor na TV, de um jeito legal, vamos embora, vamos embora, vamos fazer, então eu tive dois, duas… típico de Ana Canosa, pensar dois dias. Sofrer dois dias, o máximo. Lógico, a não ser quando é um sofrimento muito grande. E ai eu fui para as cabeças, falei vamos embora, é para fazer vamos fazer e o piloto foi aprovado para ser o primeiro programa, de tão bom que foi né e quando foi para o ar, para você ter uma ideia, não avisei ninguém, eu não coloquei em nenhum lugar, fiquei com medo, o que as pessoas vão pensar e do contrário que eu imaginei que poderia acontecer, os meus colegas amaram, porque assim, puxa vida, finalmente a psicologia está tomando, ela está podendo contribuir…

Luciano           E ganhando uma vitrine…

Ana                 … ganhando uma vitrine…

Luciano           … séria.

Ana                 … de uma maneira ética, porque lá eu faço uma conciliação, não faço terapia e ai eu tomei todos esses cuidados tal. Então, a hora que eu decidi, Luciano, eu decidi, eu vou fazer, se der uma cagada, eu vou avaliar, eu vou ver, vou ver o que acontece deu a cagada eu vou, sabe, registrar isso na minha experiência de vida e vou fazer diferente, e eu falo sempre isso para os meus pacientes, você tomou uma decisão, pensou, avaliou, pensou? Qual era a intuição? Tomou a decisão vai adiante, não olha para trás. O para trás já existe na sua vida, já está lá a sua experiência, a sua vida, tomou a decisão vai para a frente, porque né, duvidar da própria decisão, eu acho que é uma coisa que atrapalha muito a liderança e como é que você constrói a sua vida, a sua carreira.

Luciano           Está certo, é isso mesmo, como é que é? É o Portela que fala né quem olha muito para a sua história tem um belíssimo passado pela frente, né?

Ana                  É ótima, é ótima essa, é isso mesmo.

Luciano          Lindo passado pela frente né.

Ana                 Ótimo, muito boa frase.

Luciano          Não mas legal, legal isso, você está colocando uma coisa interessante que é essa de você tomar a decisão com frio na barriga, avaliar o risco…

Ana                 Avaliar…

Luciano           … e saber cara, e se eu quebrar a cara? Né.

Ana                 … é, ai vou fazer o que? Vou ter que né, resolver.

Luciano           Meu amigo, quem não arrisca…

Ana                  Não petisca

Luciano           … não petisca né, então e esse negóci9o de correr risco é uma coisa fundamental e eu até diria para você que, sem querer ser psicólogo agora, que eu não sei nada disso, não tenho a menor ideia, eu diria que na raiz de muitos dos problemas, especialmente problemas que tem entre casais, é a absoluta incapacidade de correr risco…

Ana                 Aha é, também acho.

Luciano           … né? Não há mais risco nenhum, tudo normal, papai, mamãe…

Ana                 Maior chatice do mundo.

Luciano           … eu vou ser um boring

Ana                 Não e isso para o sexo então é a pior coisa do mundo, porque o sexo na relação amorosa de longa duração, ele vai acontecer o que? Vai acontecer essa coisa boring mesmo né? É tudo mundo a mesma cama, passa a mão no peito, passa a mão, já sabe até como vai rolar né e essa possibilidade de pensar o diferente, de fantasiar, de pensar qualquer coisa diferente, é o motor na energia sexual e a gente sabe, se você for pegar a psicanalise, a psicanálise vai dizer né que é a energia sexual que move tudo na sua vida.

Luciano           Eu já falo de outro jeito, eu costumo dizer, a vida inteira eu falei que o que move o mundo é a rola, ou é falta de, ou é sobra de. Os problemas são assim, ou falta ou sobra…

Ana                 É ótimo.

Luciano           … e ai o mundo, e ai o mundo acontece.

Ana                 E essa coisa do tesão né, Luciano, eu acho que a vida, eu acho que a gente fica, a gente produz mais, a gente encanta mais as pessoas com tesão né, eu tenho colegas profissionais no nordeste, por exemplo, eu tenho uma amiga que é sexóloga psicóloga, ela, meu, ela é muito, ela dá muita palestra porque ela fala com tesão, as pessoas adoram ela e eu sinto isso, que as pessoas gostam também de mim porque eu tenho muita energia, porque eu tenho muito tesão porque eu gosto de fazer o que eu faço.

Luciano           Sim, mas eu acho que você, é fundamenta e é claro, como eu estou conversando com uma sexóloga, o tesão que você está falando ai não é o tesão de vontade de transar…

Ana                 Nada… nada.

Luciano           … é aquele outro…

Ana                 É o que move a vida…

Luciano           … cara eu curto tanto o que eu estou fazendo aqui…

Ana                 … isso, que é o prazer né.

Luciano           … que você está olhando no meu olho e ele está brilhando…

Ana                 … é porque me dá prazer isso…

Luciano           …  exatamente.

Ana                 … me dá prazer falar de sexo.

Luciano           Eu tenho a palestra minha do Gente Nutritiva que eu converso com o pessoal, eu faço, nessa hora eu faço uma brincadeira, eu falo vem cá, vocês já foram num shopping center comprar uma camisa e já foram atendidos por uma menina que veio te vender a camisa e você olhou no olho dela e o olho dela brilhava e você viu que ela tem tesão de fazer a venda, vocês já passaram por isso? Já viram isso? Já. E ai cara? Dá para medir isso, não tem a menor, não tem como medir, não cabe em planilha nenhuma. Você já acordou de manhã para ir trabalhar e falou, meu, hoje eu estou que estou, hoje eu vou arrebentar, e você sentiu que estava com tesão de fazer? Quer dizer, existe essa força…

Ana                 Existe.

Luciano           … né e eu não sei se é uma força sexual, eu não sei se o brilho no olho da menina para vender a camisa também tem uma origem sexual ou não, eu não sei de onde vem isso…

Ana                 Ok, na psicanalise ok, tudo bem…

Luciano           … sei lá o que que é, deve ter algum pelo seu ok. Mas eu sei que…

Ana                 … mas tem…

Luciano           … ela contamina…

Ana                 … ela contamina…

Luciano           … e ai ela é igual né, o tesão sexual como é que é, eu vou me relacionar com uma outra pessoa, se ficar claro para mim que ela está com tesão, pega fogo.

Ana                 … e eu vou te dizer, pensando em liderança, eu acho que o líder que tem mais facilidade para liderar um grupo de pessoas é o que tem tesão, o mau humorado, arrogante, agressivo, pode esquecer, esse cara vai ser, ele pode até liderar por uma questão técnica, porque ele tem que seguir algumas coisas, mas ele não vai ser um cara amado…

Luciano           Você está me dando uma ideia…

Ana                 … ele não vai ser um modelo, não adianta…

Luciano           … você está me dando uma ideia deliciosa…

Ana                 … ele vai ser um pentelho.

Luciano           … você está me dando uma ideia deliciosa aqui, eu vou passar agora para o nosso ouvinte aqui, se você por acaso lidera uma equipe e você vai participar e uma reunião, vai conduzir uma reunião, pense naquela reunião como uma grande trepada…

Ana                 Aha isso é uma boa.

Luciano           … entendeu, você vai para uma reunião, vocês vão trepar, todos vocês…

Ana                 Então vamos pensar, vamos pensar…

Luciano           … se tiver alguém mal humorado no meio, acabou o tesão.

Ana                 … então vamos pensar na relação sexual, na reunião, vamos fazer uma associação. Como é que é a boa relação sexual? Primeiro você tem que estar com tesão, desejo, ok? Então eu estou a fim de fazer essa reunião, se eu já for, puta que pariu, vou ter que transar, já metade já está meio complicado, porque você vai depender do outro para te motivar, certo?

Luciano           Certo.

Ana                 Então eu não estou com vontade de transar com o meu marido, eu vou depender que ele venha e da minha disposição, de repente vai até rolar, então quando eu já venho com a disposição, beleza, então já está 80% está garantido na sua proporção…

Luciano           E se você é o líder que convocou a reunião, que tem 8 pessoas que vem para a reunião, você já sabe daquele 8, 1, 2, 3 ou 4 já vão vim brochado…

Ana                 Isso, vai vim brochado.

Luciano           … porque é  da natureza deles vir brochado…

Ana                 Então você vai ter que vim…

Luciano           … conquistá-los…

Ana                 … com energia, conquistar e seduzir então marca essa reunião num dia que tu esteja bem, ou num horário que seja bom, ou faz alguma coisa prazerosa para tu ir bem, sei lá, se for possível né, porque a gente sabe que nem sempre é possível, está bom, então eu vou com desejo, segunda coisa, para eu seduzir, eu preciso de artifício, então tem gente que seduz com a brincadeira, tem gente que afaga, tem gente que olha, então eu acho que tem que ir bem vestido, tem que ir legal, não é bem vestido no sentido de botar terno, não é nada disso, mas vai, vai bonito, vai bonito para chamar a atenção logo de cara, a pessoa fal assim, nossa olha essa pessoa, passa um batom, não dá, não dá para fazer reunião com a pessoa descabelada, não rola né, se a gente está falando de tesão tem que ter ali uma preparação, porque sexo, o preparado é muito bom, tudo bem, a rapidinha também pode ser boa, mas o cara tem que ser bom pra fazer a rapidinha e convencer, a mulher também tem que ser boa, tem que ir muito, tem que ir muito no ponto, para a rapidinha ser boa, você tem que conhecer o corpo do outro, se você tem o ponto, então vai na rapidinha, tudo bem não precisa de preparação, mas se não tem, se você precisa de mais atenção, você vai ter que seduzir. Então pensamos vai, desejou, seduziu, ai você pode seduzir com a identificação, dizer oi galera, fazer uma piada, sabe, afagar um pouco, ai você vai para a excitação, para a excitação você tem que ir aumentando a excitação, porque o orgasmo só rola depois que você chegou no pico da excitação, então você precisa de ferramentas também e ai eu acho que tem uma coisa de técnica, de fala, eu não sei como é que cada líder incorpora isso na sua própria reunião, mas você tem que ter pico de excitação, não vai dar para fazer aquela reunião que fala assim baixinho, sempre do mesmo jeito porque o outro vai brochar.

Luciano           Perfeito.

Ana                 Então eu tenho que ter pico, eu tenho que ter pico até a hora que eu mostro para o outro que tem solução, que vai ser bom e que as coisas vão ser legais, que é o final do negócio que é o…

Luciano           Sai daqui com a faca nos dentes…

Ana                   … mesmo que o trabalho seja…

Luciano           … vamos moçada…

Ana                   … filha da fela da puta vai rolar.

Luciano           … sim, você está falando para mim, eu estou botando isso numa palestra igual, não é?

Ana                   É, mesma coisa.

Luciano          Não é igual palestra?

Ana                 É a mesma coisa.

Luciano          É mesma coisa, você chegou lá, tem 300 na plateia que não sabem quem você é, que estão te olhando meio desconfiado e você falou tudo igual, se eu entrar descabelado, horroroso, mal vestido, brochou.

Ana                 Esquece.

Luciano           Se eu chegar com papinho nhe nhe nhe, brochou; se a palestra for monocórdica; brochou; se eu fizer uma piada mal colocada, brochou. Então…

Ana                 E se você não levar solução, porque o orgasmo é a solução, a solução para descarga de tensão, se você não aliviar a tensão e não levar a solução, esquece. A solução sempre tem que ter, não é uma solução no sentido assim de tudo está fechado, mas tem que ter caminho, é que nem o cara que tinha no meu consultório, o cara chega mau, ou a mulher, mau, chorando, se sentindo já né com vergonha, acabado, eu sempre faço um final de seção onde eu coloco alguma coisa que seja uma possível solução…

Luciano           Para cima.

Ana                 … eu estou falando com você agora que eu estou me ligando nisso, na verdade eu nunca pensei nisso de maneira geral…

Luciano           Legal.

Ana                 … mas eu vou, eu vou falando, dai então eu vou falando olha, você está me falando isso, você está me falando aquilo, você está me dizendo isso, nossa, eu estou pensando isso aqui, nossa como é difícil, putz mas ó, você sabe que se a gente trabalhar isso, isso e isso, nossa que legal que você falou tal coisa eu sempre pego o positivo também e assim olha cara, eu não tenho nenhum impedimento de te atender, o seu conflito é um conflito que eu lido bem, se você for com a minha cara e gostar do meu consultório, a gente pode começar a trabalhar.

Luciano         E você como líder nesse momento, você tem que fazer com que ele saia de lá melhor do que ele entrou…

Ana                 Exatamente.

Luciano           … agora vamos voltar para aquele nosso exemplo né, quer dizer, eu estou na minha empresa, eu sou o líder da equipe, alguém entrou na minha sala com problema, ela não pode sair de lá pior do que entrou…

Ana                 Não. Tem que sair…

Luciano           … porque eu não resolvi nada, não colaborei com nada, para que que sirvo eu se eu sou o cara que vai piorar o que já está ruim, né?

Ana                 Exatamente e é claro né Luciano, assim, o psicólogo ele não está lá para escolher por ninguém eu sempre deixo isso claro, olha eu não vou falar o que você tem que fazer, mas eu vou te ajudar a pensar, eu vou te acolher, eu vou te ajudar a pensar, a gente vai sair dessa.

Luciano           E talvez nessa obviedade ele vai descobrir, cara, estava na minha cara o tempo todo e eu não parei para reparar que a solução era óbvia do jeito que foi colocado aqui né? Po muito legal! Te adorei cara, que legal.

Ana                 Nossa, pensei, eu descobri um monte de coisa sobre mim mesma, ó que legal.

Luciano         Você está vendo? Olha aqui, o LiderCast é terapia né, quem vem aqui sai diferente do que entrou.

Ana                 Está vendo? É terapia, é verdade.

Luciano           Ana…

Ana                 Muito legal.

Luciano           … quem quiser conhecer a Ana, quem quiser saber do teu trabalho, quem quiser recorrer a você, onde é que te acha?

Ana                 Olha eu acho que eu vou dar meu site que é mais fácil que lá tem toda a minha carreira, tem tudo né, tem contato, que é o www.anacanosa.com , tudo junto, .com.br.

Luciano           Tá. Você está no Facebook também?

Ana                 Estou no Facebook como Ana Canosa, Ana Canosa II porque a primeira página já foi, estou lá, é Ana Canosa II, em romanos.

Luciano          E você está na televisão quando?

Ana                 É um domingo por mês, meio que não tem data definida né, no programa da Eliana entre 4 e 7 da tarde. Né, mas geralmente no site eu coloco o dia na agenda do site, ou quando, no Facebook também já faço uma, avisando a galera porque o pessoal que gosta de assistir, então acho que o Facebook é uma boa posição ai.

Luciano           Po, muito legal.

Ana                  Nossa eu sou uma líder, cara estou tão feliz.

Luciano           E ai eu espero que quem ouvir o programa aqui esteja terminando o programa cheio de tesão…

Ana                 Tomara né que vá fazer sexo bom, vai fazer uma boa reunião.

Luciano           E que faça acontecer, entendeu? Esse é o grande lance.

Ana                 Que faça acontecer, é isso ai, que tenha tesão na vida.

Luciano           Obrigado querida.

Ana                 Imagina

Luciano           Foi ótimo.

Ana                 Prazer. É quase um prazer sexual.

Transcrição: Mari Camargo