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Luciano Pires -

Luciano       Muito bem, uma pesquisa feita pela Fundação do Instituto de  Pesquisas Econômicas da FIPE, realizada pra Câmara Brasileira do Livro e para o Sindicato Nacional de Editores, o mercado de livros impressos faturou 5,3 bilhões de reais em 2013. Um crescimento de 7,52% em comparação com o ano anterior. No entanto, descontada a inflação no período de 5,91% o crescimento real é de apenas 1,52%, sendo que 62.235 livros foram publicados no período. Desses 62 mil, 21 mil foram primeira edição, e 41 mil reimpressões. São números absurdamente grandes aqui em termos de Brasil, faz de conta que você é uma Saraiva e você vai ter na tua mão 400 e poucos títulos por semana para colocar em exposição, para vender, para botar no estoque e tudo o mais. É um absurdo a quantidade é muito grande, mas não deixa de ser interessante a gente imaginar que ao fazer essa conta e tentar verificar qual foi o crescimento real, aparece uma coisa interessante que é uma estagnação do mercado. O Brasil tem 3 mil livrarias em 5 mil municípios, média de 1 livraria para cada 64.255 habitantes. E no mercado que está estagnado e está estagnado por vários motivos. Bom, tudo isso que eu estou trazendo a você aqui é parte de um release que eu recebi outro dia, comentando sobre uma pessoa que eu acabei olhando aqui e chamei pra vir aqui. O Cássio Barbosa, que é economista, jornalista e consultor editorial. O Cássio está tratando de um assunto interessantíssimo aqui, que é a auto publicação. Nesse esquema de liderança, de querer ser líder de si mesmo e de querer fazer com que as coisas aconteçam, por sua causa ou por sua culpa, você foi responsável por isso. Neste contexto de liderança que é o que nos interessa aqui, eu convidei o Cássio para vir pra cá e o Cássio vai bater um papo comigo agora, não só a respeito da questão do mercado editorial brasileiro, mas do que que você pode fazer para ter acesso a essa coisa fantástica que é editar e publicar as coisas que você escreve, seus conteúdos. Cássio, seja bem vindo ao Café Brasil, como a gente sempre faz aqui, eu preciso que você comece contanto pras pessoas por que que a gente deve te ouvir, quem é o Cássio e o que que você veio fazer. Vamos lá Cássio.

Cássio         Legal. Bom, eu sou, minha formação, a minha atuação sempre foi na área de jornalismo, mas aos 17 anos eu dei uma guinada na minha vida e resolvi montar a minha editora. E comecei a produzir revistas segmentadas e livros e acabei me especializando. Hoje tenho um projeto bem específico ai no segmento de auto publicação, né de pessoas que querem editar os seus livros, além de uma editora convencional, que eu também opero, e eu tenho  um acúmulo de experiência, de conhecimento exatamente por atuar nesses dois lados do mercado editorial, como editor convencional e como editor de auto publicação, e a gente acaba descobrindo que existem opções viáveis e interessantes a para os dois lados, pode ser um bom negócio ou um mau negócio, dependendo do que você escolher fazer, dependendo da tua característica, de como você está no mercado, de qual o teu objetivo. Uma opção pela auto publicação pode ser um sucesso ou um fracasso, uma opção por uma editora comercial pode ser maravilhosa ou pode ser uma tragédia né. Então é identificar quando vale a pena editar um livro, se o teu conteúdo é adequado pra editar um livro e talvez seja o segredo né, então, e eu discordo um pouco da questão de que o mercado está estagnado, na verdade o mercado está crescendo.

Luciano       Então, deixa eu detalhar um pouquinho essa coisas aqui. Eu queria jogar aqui uma série de publicações. Esses números que eu comentei no começo aqui, estavam naquele release que eu recebi de vocês e ele mostra uma coisa interessante que é o seguinte: para quem é de fora do mercado e olha, me parece que são números grandes, até porque eu não tenho nível de comparação com lugar nenhum, então quando me dizem que 21 mil títulos novos são lançados por ano no Brasil, cara, você divide isso por 12 da mais de 2 mil por mês, é 500, 400 por semana, isso é um volume brutal que de certa forma até explica a dificuldade disso, como é que você move isso, como é que você bota isso em pé na livraria né? Mas há gente que não conhece lá fora, não sei se esse número quando eu comparo com os Estados Unidos por exemplo deve ser uma besteira, lá deve ser muito maior o número e você tá me dando dados legais aqui. E outra coisa importante também que coloquei aqui, quer dizer, tem menos de uma livraria por cidade no Brasil, tem cidade que não tem livraria nenhuma.

Cássio         Na verdade o número é quase… é um pra dois.

Luciano       Que… uma livraria pra cada duas cidades.

Cássio         Nós temos quase 6 mil municípios.

Luciano       O que indica um potencial fabuloso, pra se trabalhar a distribuição no Brasil que tem um problema gigantesco, o Brasil é um continente né, quer dizer, tudo aqui é mais difícil, tudo é muito mais complicado né. Então é com essa tua experiência, fala um pouquinho para a gente ai, esses números do Brasil são números que realmente impressionam em qualquer lugar do mundo ou nós estamos muito atrás ainda?

Cássio         Nós não estamos muito atrás do ponto de vista do volume de títulos publicados, o Brasil tem uma produção cultural gigantesca, boa, de alta qualidade e materiais muito bons que são editados no Brasil. O que nós temos é uma estrutura comercial, uma estrutura de distribuição e de revenda, que não chegou a se desenvolver, hoje existem mais pontos de venda de livro em Buenos Aires do que no Brasil inteiro, que Buenos Aires, cafeterias, bancas de jornal, todos lugares vendem livro. E no Brasil a distribuição, quando você olha do ponto de vista das livrarias, 3 mil livrarias, você fala pronto, acabou esse mercado, de fato, livrarias de rua, tradicionais, antigas estão fechando, sobram as de shoppings e algumas em cidades do interior, mas nós temos no Brasil um fenômeno dos canais de vendas alternativos, os títulos que mais vendem no Brasil, esses dois é 2500, 2400 títulos novos por mês, são não pedagógicos, não didáticos, que o mercado didático é outro universo né. Os não didáticos, os dois principais segmentos seriam livro de auto ajuda e livros religiosos, e livros religiosos essencialmente se vendem em igrejas, então você tem um canal gigantesco de distribuição em igrejas católicas, igrejas evangélicas, centro espírita e etc, pessoas que vendem os  seus próprios livros. Fora isso, você tem palestrantes, consultores, pessoas que vendem o seu livro na sua atividades, então por exemplo, se você vai hoje num pet shop, vai lá fazer um penteado no seu cachorro é muito provável que você encontre lá uma gôndola, um display vendendo revistas e livros especializados para quem tem cachorro, para quem tem animais de estimação. Então eu tenho uma cliente que faz livros, ela é sexóloga, ela faz livros, fala de orientação, de motivação  pra casais que tenham dificuldades em relacionamento sexual,  ela vende esse livro hoje essencialmente em sex shop, então esse livro não existem em livraria, existe assim muito pouco e vende bem, 6 ou 7 edições já foram feitas de grandes tiragens.

Luciano       Esses caminhos alternativos estão naqueles 21 mil, tão dentro daqueles 21 mil títulos.

Cássio         Os títulos são vendidos porque a quantidade de títulos é mensurada pela Biblioteca Nacional, onde você registra o ISBN, então você sabe quantos títulos foram postos no mercado, mas não chegam às livrarias todos esses títulos, então muitos desses livros são vendidos on line apenas, lojas virtuais, e ai você tem uma distribuição nacional, a partir de uma localização estratégica, mas o forte mesmo é a segmentação, de você encontrar livros de culinária dentro de restaurantes.

Luciano       Posto de gasolina em estrada que já tenha uma distribuição lá colocada. Interessante isso, eu me lembro quem começou esse lance de distribuição de livro no Brasil foi o Monteiro Lobato, na porrada né, que lembro da história dele mandando cartas pra farmácias, até não sei quanto tempo atrás dizendo porra, que tal começar a distribuir livro né? E ai começou o processo que virou uma coisa estranhíssima hoje em dia. Vamos falar do processo tradicional né? Que sou eu chegando numa livraria grande, numa mega store num shopping e procurando um livro do Luciano Pires, não tem. Não tem. E se tiver é acidente.

Cássio         Está no sistema.

Luciano     Sobrou um ali por acidente.

Cássio         Está cadastrado.

Luciano     Ai o cara falou, o senhor queria eu posso encomendar, ai a pessoa fala, po eu quero ele,  encomenda, essa livraria não tem no estoque, ela vai ligar pra editora que me editou e vai pedir um exemplar que a editora tem que mandar pra Manaus, ou seja, mandar um exemplar pra Manaus é mais caro do que o preço do livro, do que que ela vai ganhar por livro e ai acaba que não rola e o meu livro acaba não aparecendo no mercado né, e fica aquela história quer dizer, por que que o livro é caro? Né, o livro é caro porque é  difícil distribuir, é deficiente e ai a gente começa a fazer a escala de construção do preço do livro e tromba com um negócio que é terrível aqui no Brasil, eu vou te dar uns números aqui, você está mais por dentro do que eu, você vai me corrigindo. 55% do preço de capa dum livro é o desconto que a livraria deu pra comprar da editora, ou seja…

Cássio         A editora passa o livro pruma distribuidora normalmente, raramente o editor abastece direto a livraria, porque a logística, de fato, mandar um exemplar pra Manaus ou pra Salvador ou pra Porto Alegre é mais caro as vezes pra cidade vizinha né é mais caro do que o preço do livro, mas a distribuidora, ela atende centenas de editoras, então uma livraria de porte, quando ela faz um pedido, você vai numa livraria, acha um livro, achou lá o livro do Luciano, solicitou, a noite, a livraria vai fazer um pedido para a distribuidora não de um livro, mas de vários e essa distribuidora vai montar uma entrega com 10, 20, 50, 200 livros, dependendo do porte da livraria que compensa a logística, essa distribuidora, ela pega o livro na editora com 50, 60% de desconto  e normalmente consignado, tipo se não vender eu devolvo, problema da editora e ela repassa pra livraria de 30 a 40%, que é o que a livra, que vai ser a margem da livraria, a livraria por sua vez pode dar pro consumidor final de 5, 10, 20% de desconto, dependendo da estratégia dela, só que a gente não pode esquecer que a livraria tem custo de locação do shopping, condomínio, funcionários e impostos, a distribuidora tem condomínio, aluguel, impostos, mais transporte, caminhão, vendedor e a editora também tem tudo isso, então o que encarece o livro é porque você tem uma tributação sobre todas as fases do processo, então a editora ela arca com impostos, a distribuidora arca com impostos.

Luciano       E que não é a tributação em cima do produto em si livro, é todo um composto que está ali. Mas você tocou num lance interessante que é bom a gente falar aqui pro pessoal sacar, quer dizer, quando o livro sai da editora ou seja, desculpa, da gráfica, que da aquele estou com um produto na minha mão e estou pronto pra vendê-lo né, dali pra frente ele vai ser encarecido em 50% em 100% a mais então, se eu tirar da gráfica, estou com o livro na minha mão, que me custou 10 reais na gráfica, mais 4 reais pra fazer, mas o dinheiro quem vai ganhar o autor, que é 10% do preço de capa, ele custou 15, custou 20, digamos que custou 20, lá na ponta do sistema ele vai ser vendido a 22, a 23, ou seja, desculpe, a 42, 43, então a diferença entre 42 e 20 é o que fica no meio desse caminho que vai pra o distribuidor, que vai pra loja etc e tal né, então a gente já tem uma ideia, quer dizer, se eu pudesse comprar o livro direto da editora…

Cássio         Se você colocar custo e divulgação e marketing você tem…

Luciano       É outro momento que eu quero chegar para você né, se eu pudesse, como leitor, comprar o livro direto da editora, eu teria um desconto no mínimo de 50% seu eu pudesse fazer isso. Não é feito assim porque a editora não vai sair vendendo no avulso etc e tal, se não ela desmonta o processo etc e tal, mas uma das pistas está ai, então nós temos uma carga tributária, que não é necessariamente o tributo em cima do livro, mas é o tributo em cima do meu imposto…

Cássio         A cadeia toda né.

Luciano       A cadeia toda que encarece demais e tem a ineficiência desse processo, que se agrava com mais um outro ponto né? As grandes livrarias não vão comprar os 400 títulos por mês, ela olha pros 400 e escolhe 80, né.

Cássio         A gente pode falar tudo aqui?

Luciano       Pode falar tudo. Pode falar o que você quiser.

Cássio         As grandes livrarias hoje, as livrarias pequenas, médias ou grandes,  são reféns das grandes editoras, dos grandes grupos editoriais, elas são obrigadas a comprar as tais das grades, que não é venda casada, que venda casada é proibido, mas as grades é o seguinte, você quer comprar um best seller

Luciano       Você só leva o Harry Potter se comprar um Luciano junto.

Cássio         Não, você pode comprar avulso, mas o desconto é menor, você quer um desconto bom, você compra num kit, onde eles te empurram, ai uma grande rede aqui de São Paulo, não vou falar por uma questão… Uma das compradoras deixou claro, 60% do que eles tem em prateleira é grade, é coisa que é empurrada, que não necessariamente vai vender, mas eles querem os best sellers com preço bom, pra conseguir ser competitivo no mercado eles são obrigados a comprar as novidades que essas editoras colocam no mercado. Normalmente são grandes grupos, multinacionais e internacionais e o que acontece, a grande maioria das pequenas editoras não tem espaço, porque a livraria não vai manter um estoque de tudo o que sai no mercado, ela vai comprar o negócio que ela não sabe se vai vender, ta certa ela, ela não tem que estocar tudo, ela vai vendendo a medida que aquilo se prova atraente, que existe mercado praquilo, porque também tem muita porcaria que sai nesses milhares de títulos ai, então a livraria, ela não tem um estoque, ela tem o que tem a prateleira, ela não vai empatar dinheiro num livro que não sabe se vai gerar e quando compra, compra um ou dois pra testar.

Luciano       E mesmo quando é consignado, não interessa ela receber 200

Cássio         Ocupa espaço

Luciano       Claro, vai ocupar espaço, ela vai ter que… que colocar… que isso é um pesadelo né, trabalhar com esse volume de coisa, então isso de certa maneira explica a ineficiência desse processo, né?

Cássio         Então, mas as distribuidoras, elas tem uma eficiência de logística hoje, em várias partes do país você consegue de um dia pro outro receber esse livro a um custo de distribuição, embora a pessoa fala ahaa atravessador ganha muito né, se você pegar o tamanho do país e imaginar que… sobra pra distribuidora uns 30% e ele tem caminhão, depósito etc e se o livro amassa e estraga ele não pode devolver pra editora, ele tem que pagar esse livro e ele também tem uma certa inadimplência, ele também tem uma certa dor de cabeça, então nós temos uma logística interessante, o ponto crucial que encarece o livro, o assunto era o preço, de fato é a tributação que ela reincide sobre esse livro, então o distribuidor tem impostos, a livraria tem impostos e tudo isso quem paga é o consumidor final e nós temos uma dificuldade no Brasil que é o ganho de escala, embora sejamos um país de 210 milhões de habitantes, somos um país de 30, 40 milhões de leitores, quem lê no Brasil, lê muito, você vai nas grandes livrarias, nas mega stores, você vê o pessoal de sacola, comprando e comprando bastante, livros caros né e preços equivalentes ao mercado internacional, então quem lê no Brasil, lê muito, mas no mercado leitor no Brasil ele é restrito, então o mercado é uma Argentina, mais ou menos, uma Espanha talvez em termos de população então nós não temos volumes de tiragensque ajudem a baixar o custo.

Luciano      Deixa eu te dar um número histórico, que eu trabalho com ele é há 15 anos: no Brasil, qualquer livro que vender 4.500 exemplares num ano, é um best seller.

Cássio         Segundo a Câmara Brasileira do Livro, a tiragem média de livros no Brasil é 2000 exemplares, a tiragem média, quer dizer, quando você pega best sellers ai vendendo é.. 200, 300, 400 mil, 1 milhão, 10 milhões, ai pega Padre Marcelo, pega alguns best sellers mesmo, ai você tem uma infinidade de entes que não vende mil exemplares.

Luciano       Quer dizer, é… é o lance do Neymar né, pra cada Neymar, tem 100 mil jogador ganhando quase salário mínimo né

Cássio         E o pior.. pra dizer… tem muita coisa boa, tem muita coisa boa nesse mercado.

Luciano       Tem, claro que tem, o que traz para responsabilidade é para o colo do leitor né, quer dizer, se eu sou um leitor de 10 mais da Veja, eu vou estar refém, eu vou ler aquilo que quiserem colocar pra mim ali, mas se eu sou um leitor absolutamente interessado, quer dizer é o ratão que senta numa biblioteca, numa livraria e fica lá procurando, você vai sempre encontrar coisas legais e mais ainda com a consciência de que o que está ali à tua disposição na livraria, é a pontinha, é o mínimo, do mínimo do mínimo né, quer dizer, imagina o que que não foi parar lá, que são as coisas legais, o que começa a empurrar a nossa discussão pra internet mas eu não quero chegar lá ainda, eu quero voltar um pouco mais nesse… nesse tema né.

Cássio         Na verdade se você tem canais alternativos, hoje a ideia é que o livro alcance onde você está, você não vai ter que ir numa livraria… o rato de livraria que ia no sebo procurar uma novidade, hoje ele vai ele só encontra pasteurizado, igual em todas as livrarias os best selers, tem uma máxima ai no mercado editorial, se você quer um livro, o sucesso é inversamente proporcional à profundidade de um livro, quanto mais raso um livro mais ele vende e isso é natural.

Luciano       …O que é natural, música é assim, programa de televisão é assim, filme no cinema é assim, tudo é assim.

Cássio         Então, é um produto de consumo e quando você elabora um livro, você produz focado num segmento, você faz um livro muito profundo, você sabe que ele não vai vender muito, se você quer um para fazer volume, então você tem que fazer água com açúcar.

Luciano       Poucas páginas, muita ilustração.

Cássio         Letras grandes, né, uma capa chamativa, apelativa.

Luciano       Aquela história né.

Cássio         É um título, mesmo o segmento de liderança vê o que tem no aeroporto, aqueles títulos maravilhosos né, “fique rico em meia hora

Luciano       Sim… 10… 10…. dicas…

Cássio         10 dicas para formar uma equipe vencedora, isso vende, eu costumo brincar sempre, eu dou curso sobre como editar livros e eu sempre brinco, 10 passos para ficar rico, é um livro que todo mundo quer comprar né, e na hora de escrever fala po, mas se eu tenho o segredo porque eu vou…

Luciano       E quem ficou rico foi o cara que escreveu né. Mas deixa eu voltar para nossa trilha aqui que é o seguinte aqui. Muito bem, quem está me ouvindo aqui é um sujeito, ou uma garota que está interessado em publicar aquilo que escreve, então hoje em dia já tem recursos que eram impensáveis há alguns anos atrás, por exemplo, essa pessoa quer publicar alguma coisa, já fez seu blog cara, ela já está publicando seus textos, sob forma de um blog e eu vou mais atrás ainda, ela tem uma página no Facebook e nessa página ela põe posts que ela escreve, coloca ali e ela tem ali 200 caras que estão curtindo, de repente 10 vem e comentam, etc e tal então ela já começou, sem perceber, a ter uma experiência como escritora e como publicador né, publicando as coisas que ela coloca no dia a dia. Então essa pessoa já esta inserida nesse mundo fantástico que é o mundo da escrita, quer dizer, ela já está tendo a experiência de colocar em palavras aquilo que passa pelo seu sentimento etc e tal e do outro lado tem uma coisa que eu acho que os escritores acho que sonharam a vida inteira, que é ter um feedback quase que imediato né, quer dizer né, ela escreve em dois minutos já tem alguém, o legal, concordei, não concordei, você é burro, você é legal  adorei, pa pa pa. Então ela já está vivenciando isso e um belo dia ela olha e fala po, já estou com material legal, eu gostaria de transformar isso num livro, né? É, e ai começa a grande encrenca, então tendo esse material na mão, que que eu faço pra publicar um livro?  O modelo antigo era o seguinte, junto isso tudo, preparo o livro, faz um calhamaço, vai numa editora, manda pra lá e cruza os dedos pra esperar que algum editor leia, goste e resolve te bancar né. É isso é uma loteria, isso é uma roleta russa, eu passei por isso, meu primeiro livro editado foi dessa forma foi o “Meu Everest”, pô eu fui para 8 editoras até achar uma que aceitou e publicou e o livro está ai, já está na oitava edição né, mas foi dificílimo, eu só consegui chegar porque eu tive alguém que me conhecia, que me levou pela mão, chamou o editor, botou eu junto com o editor e por causa dessa pessoa eu consegui lançar, se não, não teria como fazer né. Mas existem mil caminhos hoje em dia, eu queria que você desse pra gente um panorama desse processo antigo, se ele existe ainda, como é que ele funciona, lembrando que quem está te ouvindo ai é o cara que um dia, uma garota, que um dia quer lançar um livro né. Como é que é isso hoje?

Cássio         Ó ainda existe, a maioria das editoras tradicionais, convencionais, opera dessa maneira, você prepara um original, manda pra editora e cruza os dedos né. É óbvio que tem alguns caminhos que podem facilitar, se a pessoa não conhece, quem está nos ouvindo ai não conhece alguém dentro de uma editora, tem algumas coisas que facilitam, por exemplo: mande o original pruma editora que tem perfil, que tem pertinência com o seu conteúdo, se você tem um livro de biologia, você manda para uma editora de livros jurídicos, não…

Luciano       Não vai rolar

Cássio         Não vai rolar, porque as editoras recebem toneladas, milhares de originais e elas não tem tempo de analisar e o autor acha que tem alguém lá sentado esperando para ler o livro dele.

Luciano       E você imagina o seguinte, se 21 mil são publicados, quantos não são publicados né.

Cássio         Exatamente.

Luciano       O volume que é né.

Cássio         E ai você tem a primeira peneira dentro de uma editora, é exatamente a pertinência, ninguém dentro de uma editora lê inteiro um livro quando chega um original, nós lemos é uma praxe né, o índice e o primeiro capítulo. As vezes o primeiro parágrafo, po mas o livro é maravilhoso lá no final. O livro tem que ser maravilhoso no primeiro parágrafo, se ele não me gerar a vontade de ler adiante, aquele livro morreu ali. E um índice bem feito, porque, quando você vai comprar um livro, para que que serve o índice do livro? Para vender livro né, então não é pra você procurar a página que você parou de ler, quando alguém vai comprar um livro, abre o índice e vê…

Luciano       O que é que tem aqui né. Deixa eu ver o resumo, é um resumo né.

Cássio         São 10 passos pra ficar rico, qual o caminho que o autor vai percorrer, qual o caminho que ele me propõe, o editor, quando ele olha um índice, ele vê o tema e vê o índice, ele já sabe se o livro é objetivo ou se ele fica dando volta. Quando ele lê o primeiro parágrafo ele já sabe se o estilo literário está bom, então você já tem uma impressão, óbvio que as vezes a gente se engana né, mas um bom selecionador de originais, ele bate o olho no primeiro parágrafo ele já anota na borda: cortar 30%, esse livro está muito grande. Um livro mal escrito ele vai com essa pegada depois da página 50, se for um romance, até entrar na história né o escritor normalmente, inexperiente, vai praticando, se não é um livro… se não é um romance, se é um livro técnico, se é um livro de negócios, é mais importante a segmentação e a qualificação de quem escreve, eu sempre sugiro né, quando mandar um original para uma editora, manda um bilhetinho junto, nesse bilhetinho 25 palavras, você tem que dizer, quem você é, porque que te justifica estar escrevendo esse livro, e de preferência coloque lá, o livro já está registrado na Biblioteca Nacional protocolo número tal, porque tem muita editora por ai que vai pegar teu original, vai dizer que não aceitou e vai publicar, então assim, você tem um filho, registre seu filho, eu sempre falo isso, então o processo convencional é esse ai, você manda mesmo e fica esperando na fila, saiba que hoje você entra no site de grandes editoras eles já tem um banner piscando lá, não estamos aceitando originais, porque também essas grandes editoras vão nas grandes feiras de livros na Alemanha, Estados Unidos.

Luciano     E compram os originais.

Cássio         E compram originais.

Luciano     Compra os direitos e os direitos em português.

Cássio         Que já estão pagos né, que já estão amortizados lá fora né, que acaba ficando um custo mais baixo. Eu brinco que eles compram uns 800 paus de cinza lá fora. Por que? Quando eles trazem para o custo mínimo, o livro já fez sucesso, já tem a capa desenvolvida, já tem o marketing pré fabricado e é um livro que já tem um mercado esperando pelo lançamento, então é uma venda mais fácil que é mais difícil o autor lá de fora controlar o pagamento de royalty, algumas editoras apostam em títulos internacionais, ai não são todas, algumas pilantras né, por que? Elas não tem como, lá de fora controlar, então o camarada vende uma quantidade x de livros e vai pagar uma quantidade menor de direitos autorais, que é diferente quando o autor está aqui do lado e vê o livro dele todo dia nas livrarias, eles exercem uma certa pressão. Mas de qualquer maneira as editoras acabam comprometendo o seu orçamento, porque infelizmente, eu como editor posso falar:  nosso orçamento ele é inelástico, eu tenho uma verba pra lançar livro o ano que vem, eu tenho um planejamento, se eu vou lançar 10, 20, 50 livros, eu não posso lançar 200, se aparece um livro maravilhoso, sempre brinco, caiu o World Trade Center e eu tenho uma biografia do Osama Bin Laden na gaveta, não estava programado pra lançar, mas diante da circunstância…

Luciano       Claro, claro. Isso é uma coisa interessante que você está colocando ai que para quem é o cara que pretende lançar seu livro, eu entendi o seguinte. Procurar uma editora, quer dizer, encontrar alguém disposto a investir dinheiro em você, porque ela é que vai pagar a gráfica, ela vai pagar o capista, ela vai pagar a revisão, ela vai arcar com uma série de custos e com risco, ou seja, você como autor, entregou o teu original e vai ficar sentadinho esperando um belo dia receber aqueles polpudos royalties, aquele monte de dinheiro né, mas alguém teve que fazer o trabalho todo, então é muito difícil esse pessoal chegar e ir bancando de cara porque ele tem que olhar isso. Bom, eu acredito que isso aqui vai vender, ai ele vai bancar né? E uma outra coisa importante que você citou lá atrás que é bom a gente retornar aqui, que é a questão do marketing, por mais né, aquele 60% de livros que chegaram no pacote lá da grade né, não tem marketing nenhum, eles vão chegar sem marketing, o marketing está lá nos grandões que vão vender de montão né, e eu ouvi isso de editora, que o cara falou para mim, olha, a gente só investe em livro depois que ele começa a vender, eu falei, mas espera ai, mas pra ele vender eu tenho que anunciar, sim, mas a gente não corre risco, vamos botar ele lá, uma meia dúzia, se colar e começar a vender, ai nós vamos investir nele, então você fica naquela história, não vende porque não é exposto e não é exposto porque não vende.

Cássio         Não, o livro às vezes é maravilhoso, mas ele está num momento, vamos pegar um exemplo de ciências, 10 anos atrás tudo que se lançasse sobre projeto Genoma, vendia. Por que? Estava na moda, era desvendando o projeto Genoma, progenoma e tudo mais, hoje não se fala mais, você lançar um livro hoje sobre Genoma, não vende.

Luciano       Passou a moda.

Cássio         Passou a moda. O mercado editorial, ele tem movimentos também, que nem a música tem ritmos que vem e vão e voltam pra moda, somem de novo, o mercado editorial também é assim.

Luciano       Agora são vampiros e lobisomens comendo  as mocinhas.

Cássio         O público infanto juvenil, livro de vampiro, o que você põe vende, se você tem um romance infanto juvenil com vampiro ou alguma coisa do gênero, coloca isso na mão de uma editora que já trabalhe com livros dele, porque ele conhece esse segmento e o teu livro vai na esteira dos outros que ele já vende.

Luciano       Sabe que eu me lembrei de uma história interessante que é o Paulo Coelho falando do primeiro livro dele lá, o “Diário de Um mago” né.

Cássio         É, não é o primeiro

Luciano       Nada, é o primeiro que explodiu, aquele que na verdade explodiu com o “O Diário de um Mago”, que era um livro que tinha sido editado, se não me engano em Porto Alegre, por uma editora, estava parado lá, 2, 4, 5 anos e ele pega aquilo, troca de editora e o livro explode e nasce o Paulo Coelho, que a gente conhece hoje. Você fala, cara, mas o que  que ele mudou?  Não, ele mudou de editora e o livro era o mesmo.

Cássio         Diz a lenda, diz a lenda que ele lançou o livro em português, dois mil exemplares aqui e não vendeu nada e alguém falou pra ele, traduz esse livro pro inglês, vai vender na Califórnia porque lá todo mundo gosta de esoterismo e ele traduziu pro inglês, lançou na Califórnia e foi um fiasco e passou um tempo, diz a lenda que o presidente dos Estados Unidos, que na época era o Reagan, estava descendo do avião com o livro enfiado na pasta, que alguém deu pra ele, ninguém sabe se ele leu o livro, mas que a imprensa fotografou, no dia seguinte todo mundo queria saber qual era o bruxo brasileiro que o presidente estava lendo e não se sabe nem se ele leu, ou se alguém deu o livro.

Luciano       Nem sei é verdade essa história né.

Cássio         É assim, parece que ela tem um fundo de verdade nessa história.

Luciano       Mas isso tem a ver também com essa história de…

Cássio         Isso explodiu né, isso explodiu.

Luciano       … se alinharem os astros né, eu fiz uma entrevista aqui com o Leandro Narloch que é o politicamente incorreto da história do Brasil né, e eu estava conversando com ele, lendo e falei, Leandro como é que você fez pra explodir teu livro, ele falou, cara, eu preparei meu livro e fiz os primeiros 3 capítulos, levei para um conhecido meu que estava numa editora e ele leu aqueles 3 primeiros capítulos e falou, cara está muito amargo teu livro, ele falou, eu voltei pra casa, reescrevi dando um toque de humor, ficou mais leve e tudo mais. Entreguei de novo pra ele mas ele estava num processo de saída, daí ele saiu da editora que ele trabalhava e mudou para Leia, que era uma editora que estava começando a explodir e ele me chamou lá e falou, vamos lançar teu livro e o Leandro era cara que trabalhou na Editora Abril, em revista, e o Leandro falou, po, a hora que sair eu vou ligar para o meu amigo e vou arrebentar com esse livro e o livro foi publicado e não aconteceu nada cara, 3 meses depois assim num intervalo, acho que de uma semana, o Pondé comentou o livro na Folha de São Paulo e o Nelson Mota comentou o livro no Globo, no dia seguinte explodiu e virou aquele fenômeno editorial, a partir dali né, duas pequenas ações que não estavam sob controle, porque ele não provocou isso, ele fez o normal né, e calhou dos dois comentarem e o livro explode de venda, quer dizer, tem um elemento ai que é o elemento, vamos chamar de sorte vai.

Cássio         Tem que ter um pouco de sorte, mas o livro tem que ter qualidade, porque se ele não tem qualidade ele vai vender uma primeira leva e vai parar, né isso não tem, vamos dizer que um livro só vai pegar quando ele chegar na terceira onda, como é que é isso? Você joga uma pedra na água, pela primeira onda que forma a segunda né que ele vai irradiando, normalmente as primeiras pessoas que compram o livro, são as pessoas que te conhecem, conhecem o autor, os teus amigos, teus vizinhos, tua tia, então você vai fazer uma noite de autógrafo e vai convidar teus amigos de infância, colega de trabalho, 50, 100, 200 pessoas vem pra comprar o livro, a maioria por educação, a maioria nem vai ler, mas o que acontece, essas pessoas que compraram o livro, algumas leem e gostam e recomendam pra outras pessoas, ai começa o segundo círculo, de pessoas que não te conhecem, que não conhecem o autor mas que conhecem pessoas que tem um relacionamento com o autor, olha, esse livro aqui é dum amigo dele, é do primo dele, acaba comprando com alguma indicação né, de alguém conhecido, quando essa segunda onda, que gostou do livro, ou seja, alguém que comprou o livro e que não conhece o autor recomenda para uma terceira pessoa, esse livro vai embora, vai vender 5, 10 anos por conta própria.

Luciano      Que ai já é um mérito do livro né.

Cássio         É um mérito do livro.

Luciano      Do próprio livro né, interessante isso, quer dizer, por isso é que uma pessoa que tá na mídia tem mais facilidade de lançar uma edição maior né….

Cássio         A alavancagem inicial é relacionamento pessoal é credibilidade, por exemplo, ninguém procura um médico na lista telefônica.

Cássio         … uma dor de dente, procura um amigo, fala, me indica um dentista, me indica um médico, você procura alguém que referende aquilo lá, por isso que o Jô Soares fez tanto sucesso oferecendo livro no programa dele, porque ele emprestava a credibilidade dele pra quem via o livro, né.

Luciano       O que é uma dica importantíssima para você que está nos ouvindo ai, trate muito bem aqueles 200 seguidores que você tem, os 200 curtidores que tão ali no Facebook, essa é a primeira onda.

Cássio         É a primeira onda, exatamente.

Luciano       É a primeira onda que vai te  ajudar.

Cássio         São as pessoas que tão próximas de você e que vão dar a primeira alavancada, se o livro tem qualidade, você gera uma onda contínua, porque é óbvio, a minha mãe, meus irmãos, esses vão dizer que é ótimo o livro, que é maravilhoso e que eu sou lindinho, a qualidade do produto, você vai checar.

Luciano       Então você falou para a gente ai daquele primeiro caminho que é o caminho tradicional, quer dizer, tomei minhas precauções e mandei o original para duas, três, quatro editoras, estou aguardando  alguma resposta, normalmente essa resposta vem sob uma forma de uma carta né.

Cássio         Quando vem.

Luciano     Quando vem né.

Cássio         É, você ainda tem alguns caminhos que são interessantes, não mande para 10 editoras ao mesmo tempo, para uma, viu que não veio a resposta, mande pra uma outra, selecione a dedo, costumo dizer, escolha com quem você vai casar, depois a pessoa vai te escolher também.

Luciano       Que não é complicado, que se você tem um livro de negócios na mão, basta você visitar Saraiva, a LaSelva, a Cultura e dar uma olhada onde estão os livros de negócio e vê quem são as editoras que lançam aquilo lá né, quais são as editora, tem uma série delas que estão ali.

Cássio         Pega os livros que estão vendendo mais, os que tem capa mais bonita, aqueles que tem menos erros de português, então é um jeito de filtrar.

Luciano       Tem um  trabalho de casa, que você como autor, quer dizer, não basta só escrever o livro, eu tenho que ter uma certa manha para poder sacar

Cássio         E vou dizer, pega lá no expediente do livro, tem o endereço da editora para você mandar carta, tranquilo, na internet você acha, mas selecione autores dessa mesma editora, brasileiros, fala assim, poxa, essa editora trabalha com autores brasileiros? Trabalha, anote o nome de 4, 5, 10 desses caras, ache esses caras na internet, da um telefonema pra ele, quando você for na livraria, da uma olhada nos livros, estava falando, olhar as capas né dos livros bem posicionados dentro de uma livraria, você está escolhendo uma editora, procure selecionar, dessas editoras que você filtrou, autores aqui do Brasil, procure autores brasileiros, ache esses caras na internet, ache esses caras no Facebook, da uma telefonada e pergunta como que a editora trata.

Cássio         Pergunte como que a editora trata esse autor, como que ele é, se ele recebe os royalties em dia, se o livro dele está bem distribuído, se ele tem uma divulgação adequada, que benefícios a editora trouxe pra ele. Que as editoras tratam os autores de maneira desigual, grandes autores tem um certo tratamento e iniciantes tem outro.

Luciano       É natural, eu fiz isso, quando eu fui escrever meus primeiros livros, eu encontrei, eu liguei pra Ailton Ortiz que faz livros de aventura há bastante tempo, o André Vianco com sua série lá sobre os vampiros tudo, e liguei pra eles e conversei, me deram uma série de dicas ali interessantes né. Muito bem, vão chegar naquele ponto então que você me passou ai mais ou menos a dica de como é que a gente faz pelo caminho tradicional né. Mas, ai eu sou um escritor, eu escrevo livros pra mim mesmo, tenho aqui mil arquivos em word que eu adoro, que estão aqui e estou disposto a escrever um livro meu, botar um livro meu no mercado, mas eu não quero ser refém das editoras, eu não quero estar entregando, esperando que me aceite ou não, eu quero ser dono do meu próprio negócio, afinal de contas eu sou líder da minha vida, eu vou fazer por minha conta, entendeu? É, e ai cara? Né, eu tenho que lembrar algumas coisas que nós temos na mão hoje, são muito legais e a gente nem sonhava com isso há muitos anos atrás, ou seja, uma pessoa que hoje tem o seu Facebook com 200 curtidores já é um escritor na medida em que ela coloca alguns posts, escreve, já tem um feedback imediato, ela começa a gostar do assunto e de repente ela olha praquilo e fala pô, olha quanto post legal que eu tenho, será que isso não dá um livro, né? E eu não queria entrar nesse processo, eu quero fazer por minha conta né, então eu tenho um primo que sabe diagramar, uma sobrinha que sabe fazer arte, ela faz a capa pra mim e me deram a dica de uma gráfica boa e eu fui lá, paguei editei e fiz 3 mil exemplares, a Kombi estacionou e botou na minha garagem e agora eu sou um feliz autor com meu próprio livro que eu editei na minha mão. Que que vai acontecer comigo cara?

Cássio         É você vai ser o chato que vai sair distribuindo livro para todos os amigos, ninguém vai aguentar olhar pra você, que todo lugar que você vai, você vai perguntar, já tem meu livro? E as pessoas vão torcer o nariz, né. Na verdade assim, a gente brinca com essa história porque muitas vezes o autor iniciante entra com uma tiragem desproporcional, ele não tem canais de venda e o que a gente precisa sempre analisar é que o livro é um produto, a primeira coisa que deve ser feita é um planejamento desse produto, existem produtos que são para uma classe econômica ou para outra, ele tem um público alvo, você pode ter um livro numa linguagem mais jovem, mais  formal, ou um livro mais profundo, ou menos profundo,  normalmente o escritor, ele vai falar que quer atingir todos os públicos, se você quer atingir todos os públicos você vai atingir é nenhum, porque um livro técnico, um livro  de liderança, que fale de uma realidade de um gestor, profundo…

Luciano       De uma multinacional

Cássio         … de uma multinacional o  chão de fábrica, ou a pessoa mais simples dentro da  companhia…

Luciano       Ou o empreendedor independente lá na frente.

Cássio         … não vai entender, se você faz uma linguagem muito básica, muito simples, para uma pessoa mais humilde entender isso, ai o chefe da hierarquia lá, o alto da pirâmide, ele não vai achar interessante se você tenta escrever um livro para os dois públicos, nenhum dos dois vai achar interessante, então a primeira coisa é definir pra quem você vai escrever, qual é a história que você vai contar, delimitar o assunto, o livro.

Luciano       Quer dizer, olha que interessante você está colocando para mim, quer dizer, existe um planejamento antes de eu sentar pra escrever um livro…

Cássio         Antes de escrever o livro.

Luciano       …livro, quer dizer, antes de eu me meter a escrever meu livro, eu já tenho que dar uma parada e fazer o meu plano como autor, quer dizer, eu sou autor e já vou começar pensando, quer dizer, ao definir esse plano eu já crio ali os limites por onde eu vou trafegar.

Cássio         Se você quer atingir um público de baixa renda, uma pessoa que paga, 15, 20 reais no máximo num livro,40% do custo de impressão dum livro é papel, se você faz um livro de 400 páginas, não tem como esse livro custar 15 reais, então você precisa planejar o tamanho do livro, o conteúdo do livro, o título do livro, antes de escrevê-lo, é igual construir uma casa, se você não faz um projeto certo, o maior inimigo da casa é a jaque né,  conhece a jaque?

Luciano       É isso ai…. já que eu derrubei a parede vou botar…

Cássio         … já que eu estou fazendo isso, já que eu estou fazendo aquilo. É muito comum aparecer autor com 800 páginas, ai você fala, pô mas é muito grande, fala não, ainda nem terminei, o que o cara quer colocar a vida inteira dele naquele livro. É o livro da vida dele e ele quer colocar cada experiência e ele não sabe delimitar o assunto e ele começa a colocar tudo dentro daquele livro, o livro extrapola, foge do assunto, foge do foco, então a primeira coisa para quem quer lançar o seu próprio livro, eu diria que defina, dentro da sua área de conhecimento, qual é a área pela qual você quer ser conhecido, você tem algum conhecimento que pode ser projetado, que pode ser útil para as pessoas, pode ser absorvido, que as pessoas vão falar uau, a resposta que eu queria, pode ser um livro de como emagrecer, pode ser um livro de como gerir uma equipe de vendas, mas você tem algum conhecimento que pode ser útil para outras pessoas, legal, esquematize, organize, defina vou começar aqui, vou terminar ali. Uma definição que eu sempre dou, as pessoas falam, falo o livro tem que ter foco, a pessoa fala aha, mas esse aqui está dentro do foco, falo não, o problema não é o assunto em si, que que é uma fotografia fora de foco, é aquela você não sabe onde começa e onde termina uma imagem, as coisas perdem os contornos. A pior coisa que tem é um leitor lendo um livro e ele está lendo algo que ele fala está, mas que que isso aqui tem a ver? Significa: está fora do foco, então delimitar o assunto é fundamental, a gente brincou do livro 10 passos para ficar rico, quantos capítulos tem um livro desse? 10, no máximo 11 se tiver lá uma apresentação, uma introdução, alguma coisa assim, mas é um livro que pressupõe 10 capítulos, a pessoa que vai escrever um livro, a primeira parte de um livro que você escreve é o índice, eu brinquei aqui que o índice serve pra vender livro, o índice serve para duas coisas, para escrever e para vender, porque ao escrever o índice você está estruturando as suas ideias, então você consegue estruturar os assuntos, estruture primeiro, vê se eles tem uma coerência, uma lógica, ai você determina o tamanho do livro, quanto que eu quero escrever, a maioria dos ouvintes deve estar perguntando agora, tá e quanto que eu escrevo para ter um livro? É uma regrinha básica, você está lá no seu word, com a página de A4 aberta na frente, Times New Roman, corpo 11, entrelinhamento normal, cada página de A4 dá 2 páginas de A5, duas páginas de livro, que é o 14×21, então se você tem 50 páginas de A4, você tem aproximadamente um livro de 100 páginas.

Luciano       100 páginas do livro, sim.

Cássio         Ta, é uma regrinha básica então, quero um livro, ai você pega lá na prateleira um livro lá de 160, 144, 208, são sempre múltiplos de 16 né, os livros, e você fala, po, eu quero um livro desse tamanho, legal, se eu tenho um livro de 160 páginas, 1º capítulos, eu sei que eu preciso escrever né, 10 capítulos.

Luciano       Vou ter 80 páginas do A4.

Cássio         80 páginas do A4, 8 páginas cada capítulo, pronto, já desmistificou o tamanho do livro, a partir do momento que está estruturado a história, o conteúdo, a forma, é a mesma coisa que um prédio, a hora que você constrói, você coloca as fundações e as colunas e as vigas, depois você preenche as paredes, se você estruturou o seu livro, tanto faz se você escreve o capítulo 1 ou o capítulo 3 primeiro, ou o capítulo 5, porque você já sabe o que você vai abordar naquele capítulo, então você organiza os tópicos, ai tem técnicas né, tem métodos pra organizar isso ai. Quando você faz isso, esse planejamento prévio, você sabe que o assunto está vendendo, qual é o enfoque, porque eu posso escrever um livro sobre vendas, sob N aspectos, vou procurar algo que esteja vendendo, que tem interesse, vou fazer num tamanho adequado, que tenha o preço adequado, então esse é um processo é um livro de sucesso, ele nasce assim, ele nasce planejado, acontece esporadicamente alguém escrever na louca, aquela coisa de filme, eu sento de frente pro mar.

Luciano       Baixa um espírito em mim  vrum….

Cássio         É eu dou um download né, o livro desce e eu escrevo e vou tirar 30 dias pra ir para a praia né, vou para Ubatuba, vou para Búzios, vou ficar ouvindo jazz e escrevendo o meu livro? Isso é mito, um livro é um trabalho, você tem que separar uma quantidade de horas por dia, você tem uma profissão e quer também escrever um livro, separe duas horas por dia, segunda, quarta e sexta, das 8 as 10 da noite, se tranque no escritório e trabalhe.

Luciano       Eu vi recentemente uma publicação muito legal na internet, que era um pessoal mostrando como o calendário do diário de grandes autores, todos eles publicaram o que eles faziam durante o dia né e a maioria fazia isso, acordo cedo e o que eu faço entre 5 e 7 da manhã, 6 e 8 da manhã é escrever, senta e aquela parte da manhã é escrever, no final desse período todo dia ele tinha, sei lá, 10 páginas na mão né, depois de 22, 20 dias ele tem 200 páginas na mão, ele tem um potencial livro feito ali né, e isso envolve uma disciplina.

Cássio         Sim.. é o trabalho.

Luciano       O livro não é um por acaso né, o livro, ele vem com uma certa disciplina. E se a gente usar ferramentas que existem hoje, a gente já comentou um pouco aqui né, quer dizer, eu posso ter o meu livro a partir do meu blog, como é que eu escrevi o meu livro, O Meu Everest, que é o meu livro acho que o de maior sucesso né, eu montei um site e nesse site eu escrevi o site inteirinho a partir do site pronto, eu tinha a espinha dorsal do livro, quer dizer, ele estava todo no site, o site era uma navegação, quer dizer, me ajudou muito porque foi uma viagem, então cada dia eu tinha um capítulo do livro né, mas depois do site pronto e o site é uma coisa objetiva, seca, eu pego o texto do site, sento e falo bom, lá vou eu agora encher as paredes, quer dizer, esse trechinho que eu fiz em duas linhas, agora eu vou contar como foi e a partir dali eu desenvolvi o livro inteirinho e quando eu terminei, estava pronto o livro, a partir desse insight né, ou seja, eu acho que a internet hoje ajuda muito a gente nesse processo de se tornar um escritor, porque a gente já é obrigado a exercitar ali e já tem as ideias colocadas né.

Cássio         Alenta né, não ache que pegar postagens do blog e imprimir no papel, porque tem um monte de gente que quer replicar o blog no papel…

Luciano       Não, não, não

Cássio         … e vender para as pessoas que já leem de graça no blog.

Luciano       Claro, e não é assim né, quer dizer, na verdade o que que o que que o blog tem que ser? Ele tem que ser um teaser né, quer dizer, ele lança uma ideia que eu vou agora falar mais a respeito.

Cássio         O livro, ele tem que ser um aprofundamento de algum conhecimento né, o livro, ele é sempre um mergulho mais profundo, uma sugestão para quem é blogueiro, para quem trabalha no Facebook, que gosta desse tipo de mídia, vê aquilo que repercute percebe se as pessoas querem mais daquilo e ai sim  faça textos, estude aquele assunto mais a fundo, você montou o espigão, o índice do seu livro e viu que não tem conteúdo para aquilo, debruce, estude, leia a respeito, leia bons livros a respeito daquilo e reorganize as suas ideias para dar um algo a mais, isso serve também para palestrantes, se no final da palestra a pessoa te chama de lado e fala, você tem um livro sobre isso? É porque a pessoa quer algo a mais, ela quer algo mais profundo então esse é um indicativo de um segmento para onde o teu livro pode ir.

Luciano       Legal é uma coisa que você que colocou ai que parece também dar uma discussão muito grande, outro dia eu tive uma dessa no Facebook né, os caras me perguntando então, se é assim, deve haver uma fórmula pra escrever um livro de sucesso, deve haver uma, porque, se é só pegar, aliás eu me lembrei porque, eu coloquei um post dizendo que eu entrei na Amazon e descobri um negócio fantástico, que eu não sabia que eles tinham feito lá que é o seguinte, você quando lê um livro no Kindle ou em qualquer outro tablet que tem o Kndle, você marca o livro e os caras da Amazon recebem lá uma informação do que é que você marcou, e ai eles pegam as coisas marcadas e publicam na página do livro, num cantinho, você vê ali aquilo que a maioria das pessoas marcou, então eles reproduzem ali, abre aspas, o trecho marcado eles colocam ali ó, 40 caras marcaram, 30 caras marcaram, então você é capaz, antes e comprar o livro, ler aquilo que foi marcado ali. E eu publiquei, alguém falou bom, então a partir disso eu consigo criar uma forma de fazer um best seller inigualável né, e ai começou a discussão né, que fala, mas espera um pouquinho, que raio de fórmula é essa? É uma fórmula onde o mercado determina para mim  o que ele quer ler e eu escrevo o que ele quer, isso vai criar um looping terrível que é aquele looping das velhas ideias.

Cássio         É o efeito Google, os algoritmos do Google, o que que é isso? O Google sabe onde você navega e oferece respostas de acordo com aquilo por onde você navega, quando você pesquisa alguma coisa, ele vai te dar uma resposta baseada nas suas experiências de navegação, o teu universo não se expande.

Luciano       E isso é um risco né.

Luciano       O Prof. Marins que diz isso ai né, fala assim: se o McDonalds tivesse feito uma pesquisa de mercado para entrar no Brasil, hoje ele seria a maior franquia de arroz e feijão no mercado né, e ele não fez isso, entendeu, então se eu for nessa ai eu vou fazer aquilo que os caras querem e acabei perdendo, de certa forma, a minha identidade como autor, quer dizer, o cara tem que sacar isso tudo e falar bom, como é que eu ponho para mim nesse negócio sem ser escravo do que estão colocando aqui né.

Cássio         É, ele pode pensar como que está vendendo isso, então eu sou especialista em vendas e hoje o que vende? É livro de organização de equipes, vai,livros de motivação, é livros de não sei o que?

Luciano       É nessa área que eu vou trabalhar, legal.

Cássio         Dentro dessa área, qual é a minha experiência? Qual é o meu diferencial dentro disso?

Luciano       Minha contribuição para a discussão desse assunto

Cássio         Isso, e óbvio, a gente nunca cria nada, a gente sempre acrescenta alguma coisinha e reproduz o que a gente aprendeu né.

Luciano      Legal. Bom, voltemos à minha garagem. Tenho 3 mil exemplares na minha garagem, eu tenho um amigo, o Minaci, que ele, delícia, e ele falava para mim, cara, a pior coisa que pode existir na tua vida é você ter os 3 mil livros na tua sala, porque toda manhã, quando você acorda, você vai olhar para aquele monte de livro e vai se sentir um bosta cara, porque ninguém quer aquilo, não tem saída, está prado aqui e ficando velho.

Cássio         Pega umidade.

Luciano       E você é ruim, entendeu, e eu passei a usar isso quando o pessoal escreve para mim perguntando eu falo, cara, a primeira coisa, tire da cabeça a ilusão de que você vai ser o Paulo Coelho 2, bota na tua cabeça que se você fizer o livro e bancar, você vai estar sentado em cima de 2 mil exemplares que não tem como distribuir, o máximo que você vai conseguir vai ser vender 80 pra tua família e acabou cara e toda manhã você vai ver aquele monte de coisa que é o teu fracasso, você é um fracassado, tem dois mil livros na tua sala né. Vamos conversar sobre essa coisa da auto publicação.

Cássio         Auto publicação. Eu costumo dizer, a regra essencial é: você tem público? Você tem para quem vender os livros? Faça uma tiragem proporcional ao seu público. Hoje nós temos tecnologia para imprimir a partir de 50 exemplares, 100 exemplares, o custo é um pouquinho mais alto mas você não precisa empatar dinheiro num volume muito grande, você pode até fazer uma tiragem experimental de 100 exemplares, viu se vendeu, faz mais uma de 100, sentiu firmeza, vai pra mil, dois mil, três mil, hoje tem tecnologia para isso, um livro, costurado com a mesma qualidade de grandes editoras, hoje estão usando essa tecnologia pra manter livros em catálogo que vendem muito pouco, para manter, para dizer que existe. Compensa você procurar uma editora comercial? Ou quando a editora tem uma possibilidade de te bancar legal e você vê que vai conseguir uma divulgação, lá é uma editora especializada naquilo, ou quando você não tem dinheiro para bancar o seu livro, o mercado da auto publicação, antigamente era mau visto, era assim: po, o cara não foi aceito em editora nenhuma e ele teve que pagar para o livro dele sair, era mal visto. Hoje esse mercado não é assim, eu tenho autores que vieram de grandes editoras, que eles bancam, eu faço a auto publicação deles, eu produzo o livro pra eles, eles querem ter a comercialização, porque nas grandes editoras, normalmente palestrantes, consultores, ele tinha que comprar o livro da editora para vender nos eventos dele e ele falou poxa, eu estou ganhando uma merreca, eu vou bancar o meu livro, né.

Luciano       Só para o leitor entender do que que nós estamos falando aqui, se eu lanço um livro por uma editora e esse livro é vendido a 40 reais e eu sou um autor que fiz um bom negócio com a editora, eu vou ganhar 10% do preço de capa, normalmente eles vão querer pagar 8% do preço de capa.

Cássio         De 5 a 10.

Luciano       É isso ai né, então, vamos lá, um livro de 40 reais vai render para mim como autor, 4 reais…

Cássio         De 2 a 4.

Luciano       … por unidade vendida, isso se eu fizer pelo esquema tradicional. Se eu for o autor do livro e eu banquei o livro, 100% do que vier é meu.

Cássio         Um livro de 40 reais, você vai gastar em torno de 7 a 8 para produzir esse livro, significa que você vai ficar com 32.

Luciano       32… então isso dá uma dimensão interessante de como é que é essa coisa.

Cássio         Mas se você tem pra quem vender o livro.

Luciano       Exatamente.

Cássio         Porque não adianta, você não tem para quem vender, vai ficar com o livro em baixo do braço, vai ficar na garagem.

Luciano       Sim. 3 mil exemplares de 80, ter 8 mil reais guardados ali que você não tem pra onde colocar né.

Cássio         Entãoa recomendação é: você tem público final? Quem são as pessoas normalmente que tem público final? São palestrantes, consultores, líderes religiosos.

Luciano       Radialistas.

Cássio         Radialistas. Isso, pessoas que tem acesso não necessariamente porque são conhecidas, mas que tem acesso ao público.  Então, um consultor de empresa, ele está dando um treinamento, tem lá 200, 300 pessoas e no final ele oferece o livro, ou ele vende o livro junto com a consultoria, ou é um professor que oferdce esse livro para os alunos. Tem um professor que eu edito, de direito, e ele dá aula em 4, 5 faculdades, somando ele tem 700, 800 alunos por ano, os mesmos naquela turma, nas várias turmas, ele tinha uma apostila, ele deixava essa apostila no Xerox e os meninos gastavam 20 reais pra fazer o Xerox da apostila e quem ganhava dinheiro era o cara do Xerox e o material dele era uma apostila, feia, assim toda estrambelhada, ele transformou essa apostila num livro, que custa em torno de 8 a 9 reais para produzir, é mais barato do que xerox, e ele vende isso para os alunos a 25, 30 reais, ele vende barato, poderia vender a mais e esse livro bem organizado e bonito abriu portas para ele, porque outras universidades adotaram o livro dele e ele começou a ser convidado a dar palestras, dar consultoria porque ele virou uma notoriedade naquela área.

Luciano       E ele fez como uma auto publicação.

Cássio         Auto publicação, é. Esse é um exemplo, eu tenho autores que vieram de grandes editoras para a auto publicação e autores que começaram com auto publicação e foram pra grandes editoras, quando o livro dele já estava na terceira ou quarta edição, uma grande editora da área jurídica, ele é professor de direito, uma grande editora o procurou, falou eu compro, te dou uma luva enorme aqui na mão e quero mais 3 títulos nessa área e ele falou, olha, para mim não compensa mais ficar comercializando, eu vou ganhar dinheiro e o que ele recebeu realmente que era muito compensador, tanto que a gente recolheu o que tinha no mercado, ou seja,  era simplesmente para substituir uma apostila que denegria a imagem dele, porque era apostila do professor e era horrível né.

Luciano       Foi bom para todo mundo né.

Cássio         Então, esse cara tem um público final, o líder religioso que tem lá 1000 pessoas as vezes, ele tem  um público final.

Luciano       O sujeito que tem o Facebook, com 3 mil curtidores…

Cássio         Ele tem um público final.

Luciano       … ele tem um potencial público final.

Cássio         Um público final. Então se você tem para quem oferecer o livro, ai sim vale a pena, você pode hoje, pela internet, a pessoa que tem acesso, hoje você tem inúmeras formas de pagamento on line e você não precisa mais ter cartão de crédito, é pague seguro tal, então você consegue vender on line e a estrutura de correio hoje ela é simples, você vai, fecha um acordo com uma franqueada do correio, eles recolhem no teu escritório todo dia os pacotinhos para mandar embora. Você só tem que endereçar (confuso)

Luciano       E lembrar que o custo do correio, possivelmente vai ser maior que o do livro né.

Cássio         Não necessariamente, uma postagem simples hoje, uma postagem simples é 3, 5 reais, não é tão mais caro não.

Luciano       É mas que interessante né, e ai você diz o seguinte então, um sujeito que quer fazer essa auto publicação tem dois tipos de auto publicação, tem aquela que sou eu, eu e eu, o meu sobrinho, a minha sobrinha etc e tal, e o outro é encontrar alguém que faça isso, ou seja, já existe agora um nicho que não é pequeno, já tem muita gente. Você faz isso por exemplo, como é o nome da tua empresa? Vamos ao merchan aqui.

Cássio         O merchan. A minha Editora chama-se Reino Editorial, mas eu tenho, que é uma editora convencional mas eu tenho um segmento que chama-se Tire Seu Livro da Gaveta, se você entrar na internet lá, tireseulivrodagaveta.com.br vai cair lá dentro, desde de revisão de texto, criação de capa a impressão, a gente pode entregar. A pessoa traz o texto e eu devolvo o livro pronto.

Luciano       Entendi.

Cássio         Ou se ele quiser parte do serviço, também.

Luciano       O serviço de editoria, você faz também? Que é editoria do texto, de você bater o olho no texto e editar, é uma outra coisa.

Cássio         Sim, podemos fazer né. Hoje tem algumas pessoas parceiras ai que eu tenho, recomendado, porque é um trabalho mais demorado né, o pessoal quer um coaching de livro que você sente, ajude a estruturar, o que eu posso fazer é, antes de o cara escrever o livro, já dar uma orientação para ele não perder tempo, escrevendo algo que quando você chega fala, meu, tira esse capítulo, puxa pra lá, puxa pra cá, dá mais trabalho reescrever…

Luciano       Desestruturar e fazer de novo…

Cássio         … do que começar direito né, então as vezes uma conversa antes de escrever o livro, uma orientação ó, esse assunto é interessante, isso aqui vende, facilita muito, facilita muito. Então assim, você tem hoje essa possibilidade de fazer o livro como você falou, o sobrinho, o amigo, o conhecido que mexe com aquilo, invariavelmente você vai ter livros, mal impressos, cara que pegou a foto na internet, depois ele toma um processo, você tem umas dificuldades ai, depois que o livro está impresso ele vai ver que tinha que ter código de barras, se não ele não vende na livraria, ai a livraria não pega o livro para vender, ai ele tinha que ter o ISBN . Teu livro é bom mas não tem ISBN e ai né.

Luciano       Onde começa, onde é que vai isso ai, e você dá esse tipo de assessoria, legal.

Cássio         Eu dou esse suporte todo e como eu faço um volume, eu tenho um volume grande, eu consigo trazer descontos de gráfica, eu compro papel direto na fábrica e eu tenho um volume de produção que permite um custo final bem mais barato do que se ele for fazer avulso, revisor, diagramador ou capista.

Luciano       Interessante isso. Vamos agora ao ponto chave da nossa conversa, pintou o e-book, apareceu o e-book que ele chega como a salvação da lavoura, por que? O que que o e-book vai fazer? Ele vai tirar todos aqueles intermediários do meio do caminho, ele vai tirar o custo de gráfica e de papel, ele vai tirar o correio do meio do caminho, quer dizer, ele chega para dizer o seguinte: o mundo muda a partir de hoje porque desmorona tudo aquilo que encarece o livro, sai fora do sistema e a partir de agora eu sou o autor que publico e-book e chego na China, num apertar do botão e o mundo vai ficar diferente, uma maravilha.

Cássio         Me engana que eu gosto, me engana que eu gosto.

Luciano     A Amazon vai chegar e vai oferecer para mim um contrato tal, do qual eu ganho 75% do preço de capa daquele que eu vendo na Amazon né, e o mundo ficou colorido de repente né. E ai cara? Já faz um bom tempo que o que o e-book surgiu, não há como negar que é uma revolução, ou seja, é ter no tablet saber de um livro, apertar um botão, baixar o livro e está com ele no tablet em dois minutos, é um negócio fascinante, é maravilhoso aquilo né. Porém, porém, o negócio não é tão simples ou tão revolucionário como tecnologia, mas na hora começam os problemas, po, a quantidade ainda é pouca. Como é que é? Como é que você está vendo esse mercado?

Cássio         Vamos lá. As pessoas me perguntam, aha você trabalha no mercado de livros, revistas técnicas também, como é que vai fazer, está acabando o livro. Eu falo, não está acabando, o livro antigamente ele era feito em placas de argila, depois ele passou a ser escrito em papiro, em pergaminho, depois ele passou a ser manuscrito, o copista levava uma ano pra fazer um livro, ai o Gutenberg fez a revolução, uma maquininha de imprimir e o livro passou a ser impresso em quantidade. Nós estamos vivendo uma outra revolução digital, semelhante à que Gutenberg proporcionou, bom sim, se o livro vai ser impresso no barro, no papiro, no papel ou numa tela de LCD, para mim não faz diferença, porque edito. Editar não é imprimir.

Luciano       A menos que você fosse dono duma gráfica, ai você ia estar preocupado, sim.

Cássio         Ai eu estava preocupado, mas a edição, a organização do conhecimento continua e vai ser cada vez mais necessária, porque o volume de informações é muito grande, informações mal organizadas não vão gerar interesse, então a necessidade de você continuar tendo que preparar o produto livro do mesmo jeito, ele tem que ter um título atraente, ele tem que ter um visual bonito, ele tem que ter um conteúdo bem organizado, porque você ficar perdido numa prateleira de um sebo, de uma livraria ou ficar perdido dentro de um índice da Amazon.

Luciano      Que é muito pior.

Cássio         Ninguém te acha.

Luciano      Não vão te achar mesmo

Cássio         É verdade, você não tem uma vitrine para ser visto, então do ponto de vista da tecnologia, para mim isso não vai causar muita diferença. Hoje a preocupação que ainda existe em relação à tecnologia é a seguinte: você vê no mercado dos EUA o e-book crescendo num volume enorme e aqui no Brasil assim com o freio de mão puxado, ai eu converso com outros donos de editora e todos tem mais ou menos a mesma percepção. O mercado americano de música, 10% do mercado é pirata e 90% compra música em sites de venda de música, no Brasil, 99% do mercado de música é pirata, não se vende mais CD, música on line ninguém paga para músico no Brasil e a preocupação é que não há segurança para os arquivos digitais, não há ainda, então ainda existe possibilidade de craqueamento, sempre vai existir, então as grandes editoras, muitas editoras estão investindo em tecnologia, em segurança, mas sempre preocupado que a hora que conseguirem romper essa segurança, vai virar, ninguém mais vende livro, isso vira domínio.

Luciano       Eu recebi um comentário no programa aqui, interessante, eu fiz um programa com uma musiquinha do Paulinho Moska, chamada “O Último Dia” e um americano me escreveu, ó Luciano, com o português todo torto, cara adorei a música do Paulinho mas não consegui encontrar a música pra comprar, como é que eu faço né? E eu falei pra ele po, vai no Youtube que a música tem lá, ele respondeu não, mas eu não quero baixar do Youtube, eu quero comprar a música para ouvir e eu falei cara, usa o software tal que ele baixa no Youtube em MP3, ai o cara mandou po, eu baixei e serviu, mas é o seguinte cara, eu queria comprar a música, eu já mandei um e-mail no site do Paulinho Moska mas ele nunca me respondeu e eu não acho onde comprar.

Cássio         O cara achou que era gozação.

Luciano       Cara, você vê que mentalidade essa do cara e já comentaram isso comigo, po, como é que você faz com o com o teu conteúdo, eu falo, cara o sujeito que gosta de mim, ele vai pagar, entende, ele vai comprar, ele vai pagar porque ele gosta de mim e eu acho que é o mínimo que ele pode fazer ou que eu faço isso né, quer dizer, se eu gosto do sujeito eu faço questão de pagar pelo trabalho dele né, mas não é todo mundo que pensa assim e realmente tem essa história, vou tirar vantagem pego o livro e me passa o arquivo, que não é diferente de você comprar o meu livro e emprestar para o teu tia, pra tua tia, livro já é assim, revista é assim, comprei a Veja, li e emprestei para vizinho.

Cássio         Emprestar é diferente de replicar né.

Luciano       Pois é, por que que ele é diferente né? Por que que ele é diferente? Você, quando empresta, você tem um produto físico mudando de mãos, vai  passar por 5 mãos aquele mesmo produto, talvez um dia volte para mim né, agora eu acabei de perder 5 vendas no empréstimo né, o sujeito quando copia o meu arquivo e manda para você, já não é mais um arquivo, são 2, ou seja, não são mais 5, virou 10, virou 20, virou 30, então eu diria que o risco é muito maior do que a a facilidade.

Cássio         Porque um amigo dono de editora ele quebrou, ele fechou a editora porque alguns títulos que ele mais vendia, ele começou a vender digital e comecinho né, PDF, com senha, aquela coisa e quebraram a senha lá e o livro dele caiu em um monte de site, os livros dele em sites de download gratuito e foi, e ele começou judicialmente aqui e ali, ali ali e não conseguiu brecar, ele quebrou. Quebrou.

Luciano       Quer dizer, você vê que coisa interessante, é uma questão moral que impede que essa coisa se desenvolva no Brasil.

Cássio         É, tem também a quantidade de devices, de aparelhos, então hoje todo mundo tem um tablet, não é assim, não é assim, a grande quantidade das pessoas que tem algum aceso, são celulares, hoje o celular e internet, o celular lugar pra ler.

Luciano       É ler um livro no celular é complicado né.

Cássio         Quando a gente fala em kindle,  está falando em tablet, já não é uma base tão grande e a grande parte dos leitores do Brasil ainda é analógica, ainda é geração mais antiga, tanto que você tem jornais e revistas impressas que ainda tem aumento de vendas, impresso e na verdade  o leitor digital é a próxima geração, é  a nova geração agora que vai começar a ler digital.

Luciano       Qual é a vantagem hoje, então, de eu fazer um e-book, deixa eu primeiro dar a minha dica, que eu já tenho falado isso para várias pessoas né, qual é a vantagem de eu fazer o e-book? Primeira vantagem, ele custa infinitamente menos do que fazer um livro normal, imprimir e botar, quer dizer, aqueles 3 mil na minha garagem custaram 8 mil reais, para eu fazer um e-book, é muito mais barato do que 8 mil reais, é muito mais barato que isso né. Ele me obriga a fazer o exercício de editoração, eu tenho que fazer o índice, eu vou fazer a capa, pa pa pa, quando eu terminar aquele processo inteiro, eu gastei uma fração daquilo que eu gastaria fazendo um livro tradicional e tenho na minha mão um produto, ou seja esse produto pode chegar na mão de uma editora que se interessar por ele e de repente me chama para publicar a edição assim né? Eu tenho uma plataforma como Amazon por exemplo que eu aperto um botão, no dia seguinte eu estou no mundo inteiro e esse link eu posso mandar para meio mundo, quer dizer, passa a existir um produto que hoje está só na minha cabeça por uma fração de custo.

Cássio         É que você tem que tomar cuidado apenas, quando começou a se gravar em casa, aha tem agora um gravador aqui, e  um Audacity eu tinha alguma coisinha então eu gravava música em casa, se você não tem uma estrutura de estúdio, alguma coisa, gravar no computador em casa a qualidade é inferior, a mesma coisa, você pode editar, fazer um e-book sozinho, tem um monte de gente que eu penso que faz e alguns que vendem bem, mas se você não tem uma estrutura profissional organizando isso, provavelmente teu livro vai sair com erro de português. Transformei agora em livro um e-book, de um palestrante, que ele vendeu muito já pela internet, quando comecei a revisar eu falei, esse aqui é o material que você vendia? Falou é, está com erro aqui, aqui, aqui, não era só erro de português, era erro conceitual, frases contraditórias, nunca ninguém revisou? Não eu mesmo escrevi e revisei, falei então está errado, você tem que ter alguém que revise, alguém que crie um visual adequado, porque se não ele vai passar um produto amador para o mercado, você vai começar a vender e as pessoas vão olhar e falar, aha é legal, vende mas não é um produto profissional, então tem que tomar esse cuidado para não ficar com a pecha de produto de má qualidade, ai é uma preocupação que as pessoas tem que ter, assim como tem livro impresso de má qualidade, feito na grafiquinha da esquina, que o cara corta torto né, que o papel solta as folhas, que vai costurado.

Luciano       É a questão de já que vai fazer cara, faça direito,  faça bem feito, nem que primeiro você recorra a quem sabe até para estar próximo e aprender como é que é e depois vier a fazer o seu né.

Cássio         Faça direito, faça com software adequado para aprender, faça um curso.

Luciano       E ai tem uma discussão toda que é  o exemplo do podcast Café Brasil aqui né que o pessoal fala pô, teu podcast é diferente não sei o que, eu falo, por que? Porque no dia que eu fui começar a fazer podcast, eu olhei para o processo falei, cara, eu não sou o cara da tecnologia, eu não quero perder tempo editando o programa porque para mim o que  agrega valor ao podcast é o conteúdo, eu quero que 100% do meu esforço esteja na geração do conteúdo, para passar esse conteúdo para o formato, po eu pego o Lalá que sabe tudo de edição, pego a Ciça que sabe de produção, eles então cuidam de dar essa cara final que sai uma cara altamente profissional porque eu me dei ao luxo de me dedicar 100% ao conteúdo, quer dizer, no caso do e-book eu penso igual né, tanto que os que eu editei eu fui, eu peguei uma empresa dos Estados Unidos, eles tem tudo com pessoal americano que me deu e-books maravilhosos né e sem falar português, imagina o rolo lá né. Mas acho que isso é fundamental que está na base das coisas, vai fazer cara, faça bem feito né. Legal.

Cássio         O e-book ele é um produto excelente para o cidadão virtual, um cara que trabalha em internet e etc, quando aquele público que eu estava falando, palestrante, consultor, é muito difícil você vender um e-book num evento, é mais fácil você vender um livro de papel, então são produtos complementares.

Luciano       São públicos diferentes, você falou, público que vai assistir palestra é um público, aquele que navega pela internet é outra, pode até estar nas duas pontas, eu sinto isso, eu sou palestrante eu vejo qual é o público de um e qual é o de outro lá né. Muito bem.

Luciano       Para a gente fechar aqui eu vou pedir para gente fazer só uma recapitulada rápida, eu vou pedir para você o que que você vê lá pela frente né e depois vou te chamar para você dar o site, como é que te contata, aquela história toda lá né. Muito bem.  Legal Cássio, esse papo aqui vai longe, até porque você esta falando de livro com alguém que adora o negócio, que já editou e  eu cara, você fica falando eu fico mais ansioso ainda né para fazer aqui, que que você me diz em termos de olha pra frente, olha para daqui a 10 anos vai, 5 ou 10 anos, como é que você está enxergando esse mercado editorial no Brasil, em dá um panorama, o que que você vê lá na frente?

Cássio         É promissor, é animador é, obviamente com as mudanças do papel para a tela essa coisa toda, mas o mundo hoje está integrado, nós temos no Brasil uma barreira que é o idioma, então a grande quantidade de informações disponível no mundo hoje não está em português, há uma necessidade de se adaptar à informação, de se traduzir e etc, então existe um mercado de informação em português gigantesca, há uma barreira muito grande de idioma, o Brasil tem uma quantidade de pessoas a serem inseridas ainda na educação e no mercado leitor, para que o livro deixe de ser aquela coisa chata da escola, você tinha que ler e fazer um fichamento daqueles livros que ninguém mais lê e o livro vai passar a ser lazer, o livro vai passar a ser uma ferramenta, o conhecimento da humanidade se transfere por livro, todo conhecimento, a humanidade nos últimos séculos deu essa alavancada na sociedade, na nossa civilização, essencialmente pelo acúmulo de conhecimento, enquanto a transmissão era levava séculos, milênios para uma tribo subir um degrauzinho né, e a gente tem tido. Estava fazendo uma apresentação esses dias sobre um artigo científico, há 300 anos algumas revistas publicam artigo científico, é a base do conhecimento, um cientista desenvolve algo, ele publica numa revista, a humanidade acadêmica do mundo inteiro se alimenta naquilo, por mais que a gente fale que hoje a internet está tudo lá, a internet você tem volume de informação, você tem bagunça, você tem é coisas confiáveis e não confiáveis.

Luciano       Que a gente diz que é que nem beber água num hidrante né, abriu o hidrante tomar água lá.

Cássio         Não, mas se fosse só água né, daí tudo bem, o volume te derruba mas é água. Eu acho que é pior do que isso, você abre a internet, você abre o Google e pesquisa, vem um monte de coisa que não é água, você recebe informações contraditórias, superficiais, erradas né enganosas e tudo mais, quando você quer se aprofundar num assunto, vai fazer um estudo, vai fazer uma pós graduação, um trabalho alguma coisa, um TCC de faculdade, você não vai pesquisar na internet, porque aquilo não é qualificado, você vai buscar onde tenha informação organizada e dirigida e eu acho que a literatura  que os livros, eles tendem ai pro segmento da análise, porque as pessoas vão ter acesso à informação de uma maneira aberta pela internet, já tem, mas na hora de interpretar esses fatos…

Luciano       Alguém tem que filtrar. Alguém tem que filtrar.

Cássio         … alguém tem que ser um especialista, eu abro internet, pesquiso sobre nutrição e tem uma infinidade de  informações. Eu falo, ta, mas qual é melhor pra mim? E ai eu busco um especialista eu vou ler o que aquele cara organizou, alguém que vai interpretar a realidade e eu acho que isso cada vez mais vai ser necessário.

Luciano       Eu não tenho dúvida nenhuma, cara, e acho até que esse é o grande problema da internet e o grande espaço para crescimento aqui dentro, quer dizer, você tem o Google, que é um buscador maravilhoso mas não tem um outro que fale o seguinte, olha o que presta é pa pa pa pa e é ai que é um papel que eu, até eu no Café Brasil faço um pouco disso né, quer dizer, eu busco o que tem por ai, tento interpretar e entregar para as pessoas, olha, eu acho que isso aqui vale a pena, você pode até não concordar comigo mas eu te dei uma interpretação que se você está contra ela, você foi obrigado a pensar e falar e respeito.  Isso é fantástico né. Mas é legal, e só lembrando, quando você fala do livro, você não está falando de um bloco de papel que você folheia, você está falando de idéias organizadas em algum lugar, em alguma plataforma que uma plataforma que pode ser papiro, mas é perfeito.

Cássio         Que é a essência do conhecimento né, algumas coisas que são, você estava falando da gente falar de questão da liderança né, das pessoas serem líderes de si mesmo, nós pensamos com palavras, você não consegue ter uma idéia sobre algo, a palavra que a gente conhece escrita, a letrinha, ela carrega dentro dela significados né, quanto mais palavras você conhece, mais você pensa.

Luciano       Sem dúvida.

Cássio         Então a gente se expressa por palavras, faladas ou escritas, não tem outras maneiras de você se expressar que passa dentro da tua cabeça vem para fora, a fala é emocional e a escrita é racional,  é gramatical né, as pessoas precisam expressar o conhecimento delas, quem não consegue pensar, quem tem pouca leitora, quem tem pouca palavra, fica sujeito aos (confuso)

Luciano       Sem dúvida.

Cássio         Ela não tem…

Luciano       E você não consegue nem pensar a respeito de um conceito que você não consegue definir, não dá, é impossível né?

Cássio         Pois é, e essa consciência, esse conhecimento te dá domínio próprio, dá domínio da sua vida e quanto menos governo interno você tem, mais o governo externo você precisa. Se você não domina a sua vida, você não governa a sua vida, alguém vai governar e além disso as suas experiências de vida, e é isso.. eu quero dar uma chacoalhada em quem está nos ouvindo e tem experiência de vida e não passa isso pra fora, isso é prefácio de um livro de um autor que eu editei, chama-se Mailes Monroe, ele fala assim, que os maiores tesouros da humanidade não são as minas de diamante enterradas na África nem as minas de ouro enterradas na Amazônia e nem as minas de  petróleo no Oriente Médio, os maiores tesouros estão enterrados no cemitério, são os livros que nunca foram escritos, os hospitais que nunca foram construídos, as músicas que nunca foram editadas, as músicas que nunca foram compostas, a pior desgraça que tem é você morrer e ser enterrado com todo aquele potencial dentro de você, ,nós temos que morrer vazios, nós temo que por para fora de nós essas coisas que existem dentro e escrever é uma maneira de você deixar para as outras pessoas, levar as vezes uma experiência de 20 anos de vida, 40 anos de vida que você tem numa profissão, a pessoa por 20 reais compra aquela experiência, é uma maneira de você se perpetuar né, então ninguém tem o direito de morrer e ser enterrado, provavelmente muita gente já foi enterrada com a cura do câncer, não pode.

Luciano       Sem dúvida.

Cássio         Aquele cara que nasceu para ser médico e falou, deixa pra lá, não, não deixa pra lá, vai atrás, se você acredita nisso, vai atrás, estuda, desenvolve.

Luciano       E se você acha que você é um pobre coitado, que ninguém vai ler, escreva para o seu filho, para a sua filha, fala vou deixar pra eles dois um pouco da experiência de vida que eu tenho aqui.

Cássio         Escrever é um exercício.

Luciano       O  Cássio acaba de dar em palavras muito legais aqui, algo que você que ouviu o pdcast  Pedra no Lago já sabe do que a gente falou aqui né. Cássio, fantástico cara, dá para  a gente ficar aqui horas e horas, mas o programa tem que ter uma hora e pouco né, a gente termina aqui, da uma dica ai quem estiver interessado em te encontrar, como é que te acha, como é que faz, qual é o caminho.

Cássio         Legal. Pode me achar pela internet, www.tireseulivrodagaveta.com.br, telefone é 11 5575-8870. A eventualmente a gente dá alguns cursos ai que chama Tire Seu Livro da Gaveta, sobre dicas de como organizar o livro etc, e em todo esse trabalho de consultoria  de suporte ai, quem quiser ligar a gente está à disposição.  1:18:09.8

Luciano       Muito legal. Muito obrigado pela presença, valeu o nosso papo aqui. Você que está me ouvindo ai morra de inveja, porque agora eu desligo o microfone e vou fazer uma consultoria com o Cássio aqui. Um abraço a todos.