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Luciano Pires -

Luciano           Muito bem, mais uma edição do líder cast, finalmente, depois de tanto tempo eu consigo sentar na frente dessa figura aqui e trocar uma ideia com ele gravando, porque ideia sem gravar a gente sempre trocou de montão né, mas é duro conjugar agendas, duro se encontrar, mas de novo nessa primeira temporada do líder cast eu estou escolhendo uma série de pessoas que têm competências voltadas à liderança, quem esta na minha frente hoje aqui é um desses, que veio naturalmente quando pensei na temporada logo pensei no Sidnei e vou começar do jeito que eu sempre começo o programa, quem é você, qual é seu nome, qual é sua idade, o que é que você faz que te trouxe até aqui ao líder cast?

Sidnei             Perfeito. Bom sou Sidnei Oliveira, hoje eu sou escritor, sou consultor, costumo me colocar ai como uma pessoa que gosta de pensar um pouco sobre o comportamento humano, tenho 52 anos de idade, já estou no mercado de trabalho há bastante tempo, comecei muito novinho com os meus 14 anos e construí ai uma trajetória que misturou um pouco da vida corporativa, fui um executivo cheguei assim ai auge da vida executiva, depois eu migrei para a vida empresarial, então acabei empreendendo, na época da internet, bem no início da internet, tive um sucesso legal com isso, porque meu site cresceu bastante também, acabei percebendo como é a liderança como executivo e como é a liderança como patrão.

Luciano           Você falou que o teu site cresceu, você tem um site que muita gente vai lembrar o nome, qual foi?

Sidnei             Foi o Achei.

Luciano           Achei.  Grande site.

Sidnei             Foi o primeiro site de busca do Brasil.

Luciano           Que legal. Essa tua transição do mundo corporativo para o empresário, quando foi que aconteceu?

Sidnei             Você sabe que quando eu comecei eu não tinha muita noção de como seria isso e quando a gente está vivendo a experiência a gente não tem muita percepção, agora passado alguns anos, você começa a abstrair a experiência, você começa a se ver dando conselho para outras pessoas ai você começa observar o que foi que realmente aconteceu, eu tive uma trajetória muito rápida, muito acelerada dentro de um banco, foi o Banco Real, o Banco Real era conhecido por desenvolver seus executivos, desenvolver internamente, ele tinha todo uns programas e eu acabei entrando nesses programas, tive bons mentores, boas escolhas e assim, muito cedo eu já estava como gerente do banco, com 20 anos, 21 anos de idade já estava numa agência, com 23 eu já era gerente regional, com 25 eu já estava chegando a gerencia geral…

Luciano           Puxa.

Sidnei             … pegando produtos e com 28 foi quando eu assumi minha primeira diretoria dentro dessa estrutura, essa é uma coisa que hoje eu coloco isso como parte do que me forma hoje, na época eu não tinha muita clareza disso não, mas foi uma coisa assim peculiar, porque eu era um jovem dentro de uma estrutura bastante sedimentada, o Banco Real era um banco de 70 anos na época que eu estava lá, os executivos mais proeminentes já estavam lá há 40, 50 anos, alguns executivos, então era um banco de veteranos e eu era uma figura estranha ali no meio da turma, obviamente existia aquele bullyng corporativo né, minha diretoria era chamada de diretoria júnior, eu tinha na minha função eu tinha que desenvolver produtos, nós pegamos, o meu momento foi aquele momento que acabou a inflação, então foi anos 90, o início dos anos 90 aquele monte de planos, bancos começando a ficar preocupados porque o vermelho começou a vir para os bancos depois de muitas décadas e alguns bancos inclusive não sobreviveram né, e a gente estava pressionado a bolar algumas coisas novas e eu já estava no banco ai pelo menos há uns 15 anos já tentando bolar coisa nova e é muito complexo bolar coisa nova quando o mercado já tem tudo muito estabelecido, todos os bancos o mesmo produto, todos os bancos, o negócio que diferenciava um banco de outro era a cor, o atendimento do gerente e raramente um ou outro produto se diferenciava, mas foi dado para mim a missão, eu tinha uma equipe de jovens porque quando eu fui compor a minha equipe, eu percebi que não dava para compor a equipe só com os veteranos porque eles não me respeitavam, cognitivamente ou organicamente ou eles faziam bullyng natural mesmo né, eu acabei montando uma equipe de jovens que tinham algum DNA diferenciado, a gente juntos começou a pensar em soluções, pensamos em diversas coisas interessantes para o banco, mas uma destacou que a gente começou a entender que todo jovem devia ter uma conta no banco, todo jovem, a gente começou a falar, não o jovem deveria ter conta e nenhum banco abria conta de jovem por motivos acho que meio óbvios, o jovem não tem renda, ele não tem uma maturidade aceitável, ele pode fazer mal uso, não dá para dar crédito, você não vai vender seguro de vida para ele porque ele ainda é jovem, não tem poupança porque ele não tem dinheiro, então assim, ninguém explorava esse filão e nós achamos interessante explorar esse filão, não foi um processo muito simples de convencer isso no banco, grande parte dos diretores eram reticentes a uma ideia de abrir uma conta que, em princípio, é uma conta que seria negativa ou deficitária, ou pelo menos de alto risco e a gente vendia a ideia de que não, mas esse jovem um dia…

Luciano           Será

Sidnei             … será cliente, é poético mas não funcionava, só funcionava para argumentação.

Luciano           Era um branding né, você estava falando de branding para os caras.

Sidnei             É, mas não, hoje olhando eu falo, era muita poesia, era muita viagem assim as vezes eles falavam, você fumou o que? Você está achando, ninguém, você acha que o banco que em 70 anos nunca pensou em abrir conta de jovem…

Luciano           Agora eu entendi porque você abraçou a questão de gerações cara, você é vítima.

Sidnei             Então, por isso que eu falei, quer dizer, o contexto acho que me trouxe hoje a essa circunstância, eu sei que a gente batalhou bastante e o banco, no caso era o Banco Real, ele foi o pioneiro nessa história da conta para o jovem.

Luciano           Eu lembro, chamou muito a atenção quando foi lançado isso.

Sidnei             É, o nome da conta é a Conta Universitário, hoje todo mundo já conhece, mas a gente, para defender isso internamente era interessante porque as forças políticas dos veteranos e dos mais jovens era muito diferente e obviamente os veteranos levavam vantagem de lavada, porque eles já estavam, gozavam da confiança do acionista principal, era um banco donal e sendo um banco donal tem um dono e assim, diferente do que é a composição de grandes corporações hoje, que você tem um conselho executivo, tem os acionistas e tudo mais, não, lá tinha um dono, era uma figura, uma pessoa, ele é vivo até hoje e ele era uma pessoa que eu diria que é dotada de algumas características de visionário, porque quando a gente conseguiu acessá-lo e apresentar a ideia, ele adorou a ideia e foi muito legal ele adorar a ideia e ele adorou assim, ele achou realmente válida e mandou avançar nessa direção mesmo, ele falou não, vamos avançar na conta para esses jovens que são jovens potenciais, foi uma vitória, foi uma vitória, eu estava no time que estava montando isso dai mas não foi uma vitória muito boa, porque você criou inimigos poderosos e eu acabei descobrindo que uma das coisas mais interessantes da liderança, e hoje eu até falo isso quando eu falo de liderança, falei, é a rede de sustentação, você não chega a líder só porque tem uma vaga, você não chega a líder porque tem uma faculdade ou MBA, ou porque fez um intercâmbio, você chega a líder porque você construiu uma rede de sustentação que envolve sim a equipe ou subordinados, mas envolve os pares e os superiores, essa rede ela é muito frágil e se você quebra essa rede, você descobre que a sua liderança fica frágil no sentido de ser contestável e eu percebi isso claramente porque, obviamente que depois de ter ganhado essa batalha, eu era um dos defensores desse processo, todos os outros modelos de ideias que eu tinha o pessoal sutilmente…

Luciano           há um comentário aqui neste ponto, mas está confuso

Sidnei             … não, não eles sutilmente jogavam, vai falar com o dono e evidentemente não era fácil acessar o dono porque obviamente o dono tem outras prioridades e não dá para você ficar defendendo, ou seja, ficou bem complexo defender ideias depois desse processo, eu não cheguei a perder emprego nem nada mas assim, o ambiente político, a rede de sustentação se tornava bastante cética com relação a todos os projetos que eu apresentava, nessa época, como era uma época de inovação, eu estava bastante próximo da computação que estava surgindo no meio bancário e eu gostava muito da ideia da computação, eu era o único diretor que gostava de computadores, eu era o primeiro diretor do banco que tinha notebook, eu já tenho notebook desde 92 né e o notebook obviamente não era nada do que a gente vê hoje né…

Luciano           Sim, era um trailer.

Sidnei             … ele fechava, mas ele era pesado, bom era uma outra concepção mas era um computador pessoal que eu levava para o trabalho e voltava né, isso em 92 era, eu lembro que era caríssimo, absurdo o preço porque veio importando, bom, eu sei que eu gostava da computação e eu comecei a desenvolver, obviamente nunca sozinho a gente está numa corporação, mas eu comecei a desenvolver junto com um grupo de pessoas, o conceito de database marketing lá dentro do banco, era muito novo, você usar os dados do banco em favor da venda ou em favor do marketing do banco né, você começar a fazer seleção mais direcionada de pessoas.

Luciano           Que ano era esse que você falou, 91?

Sidnei             94, 95, 96, foi bem esse período do início da internet.

Luciano           Que idade você tinha?

Sidnei             Aha nossa, 94 eu estava com 33, 32, 33 anos já. Eu nessa época eu já tinha mais de 17, 18 anos de banco né, comecei com 14, então já tinha bastante anos assim, eu gozava de algum respeito profissional das coisas que eu consegui implementar no banco, foram muitas coisas que a gente conseguiu fazer com a minha equipe e tinha esses outros projetos, mas eu gostava do computador, comecei a achar, falei poxa vida, isso vai ser legal, eu tenho um filho né e uma filha, meu filho nessa época era, ele tinha 4, 5 anos de idade, minha filha era recém nascida e a gente, eu tinha computador em casa, obviamente que eu olhava como eles reagiam ao computador que era diferente da minha forma, para mim era um encantamento, para eles era quase que meio natural, minha filha com 3 anos de idade já digitava o nome dela no computador e eu nunca tinha passado letras para ela, ela aprendeu e assim, esse efeito que hoje a gente vê na internet, tudo mais, eu já estava vendo, falei tem algo ai que a gente precisa observar, bom eu com essa história comecei a trabalhar muito com database marketing, database marketing, o computador precisava de um instrumento de comunicação que facilitasse porque era um conceito que vinha dos Estados Unidos principalmente e todos os consultores estavam nos ajudando na época, a construir essa solução eram americanos e a gente, para conversar com eles precisava usar uma coisa nova que estava surgindo lá em 93, 94, chamada internet e assim, eram aqueles mirc’s, você lembra de alguma coisa assim? Mirc’s, não é ICE não, é Mirc.

Luciano           Eu mudei de casa agora, mudei de residência cara e achei os papeis que eu preguei na parede, eu fiz um curso par a entender o que vinha a ser e assinei meu primeiro serviço de DBS, então as instruções de como acessar eu grudei na parede e achei esse papel em casa, amarelado, eu vou botar num quadro aquilo para contar passo a passo como é que se assinava um serviço de…

Sidnei             … eu entrei no sistema, usava muito sistema obviamente foi um dos primeiros a acessar BBS né, conheço o Alexandre Mandic, eu fui um dos primeiros assinantes dele e outras, BBS surgindo e eu falei, poxa gente, isso aqui é legal e nesse momento eu já tinha uma certa aflição pessoal, eu olhava o comportamento das pessoas e eu queria falar sobre isso e não tinha muito fórum quando a gente é executivo dentro de uma grande corporação, você não tem muito fórum para falar para fora, porque sempre você é o executivo da organização, então eu não podia abrir minha boca publicamente sem ter uma vinculação com o sobrenome corporativo, ou seja acabava não colocando muitas coisas, foi ai que eu comecei a me aproximar da conceituação e eu me aproximei muito do conceito de reengenharia, mas não a reengenharia tradicional, mas a reengenharia das pessoas, então foi ai que eu lancei o meu primeiro livro ai, foi um movimento assim novo…

Luciano           Você estava no banco ainda?

Sidnei             … estava no banco ainda, eu era executivo, lancei um livro chamado “Reengenharia, Agite Antes de Usar” e eu falava das pessoas, só que eu não tenho nada, nunca fui de RH, eu sou publicitário de formação, administrador mas publicitário, gosto de trabalhar com produtos e marketing, mas eu, obviamente observava o comportamento da pessoa, então a gente começa a construir, eu estou aproveitando o que a gente está falando que eu estou fazendo um timeline meu agora para construir…

Luciano           Legal, mas você dizia ai, tem um gancho legal que você me deu aqui agora que é bem legal, chama a atenção, quer dizer, você está lá dentro do banco, executando o teu trabalho diário e de repente você encontra algo mais e vai dedicar algum tempo teu, então eu imagino que de dia você era o executivo do banco e a noite em casa você estava sentado escrevendo o seu livro que não tem necessariamente a ver com aquilo que você é pago para fazer no banco.

Sidnei             Não, eu não tinha, tinha aquele sentido de querer ajudar as pessoas, eu falava muito da reengenharia, falava das pessoas, o comportamento, aquele comportamento meio estranho, meio psicótico que as pessoas adotam na corporação, tinha um quadrinho na época, o Dilbert e eu lembro que assim é muito na linha do que o Dilbert falava, eu comecei a escrever mas das minhas experiências, comecei a categorizar pessoas e categorizar comportamentos com um pouco de ar mais crítico à estrutura, aquela estrutura patética de comportamento que as pessoas adotam né, aquela ironia, o chefe que manda, o funcionário que obedece mas ele sabota o chefe, comecei a escrever…

Luciano           A comédia, a comédia corporativa (confuso) Max Gehringer

Sidnei             … é uma comédia corporativa, eu, aha, acho que o Max Gehringer estava surgindo nessa época, mas eu comecei a olhar e comecei assim a flertar com isso, comecei a prestar atenção, nessa época eu prestei atenção inclusive em palestrantes que eu, até então, o banco era muito fechado, não abria canais para palestrantes, eu me lembro de ter conhecido, nessa época, um palestrante que é nosso colega hoje, é o Waldez Luigi, Ludwig né…

Luciano           Waldez Ludwig.,

Sidnei             … e assim eu fiquei impressionado com a capacidade, a sagacidade dele de expor uma ideia com a fala, falei gente, é isso, e comecei a olhar falei poxa, um dia eu quero, mas foi assim, esse um dia foi um sonho, comecei a escrever, você escreve, publiquei o primeiro livro, era uma coisa assim fenomenal, para o banco foi uma coisa fenomenal, os diretores, o presidente do banco assim, nossa o executivo escreveu um livro, e não é de poesia, não é de cantos e não é de nada, não é uma coisa da comédia corporativa, ele achou tão fantástico o livro que ele comprou para todos os gerentes do banco, então eu já lancei o livro como um best seller, porque ele já lançou vendendo 15 mil livros assim dentro do banco e assim, obviamente que isso me colocou como uma figura celebridade dentro do nosso micro universo lá de 20 mil funcionários né.

Luciano           E ai você ganhou mais um pouquinho de inimigos.

Sidnei             Nossa, até então na época não era assim que eu enxergava não, mas hoje eu olho e falo gente eu estava fazendo a minha forca, não era possível né. Obviamente isso foi criando uma sensação de que eu podia ser mais do que aquilo que eu estava sendo, claro que eu tinha um orgulho muito grande de ter sido precoce, atingindo a posição que eu atingi e até essa condição de executivo celebridade dentro de uma comunidade pequena é muito gostosa, ela é muito sedutora né, eu gostava disso, falei está me incomodando, eu quero mais, eu queria mais mas não é mais no sentido de ambição, era eu quero falar mais do que isso mas não conseguia, fui tentando, fui tentando avançar, porque era o meu universo era ser executivo, eu não me via fora do banco em nenhuma realidade, toda vez que outras empresas vinham fazer o assédio para mim é o seguinte, eu sou banco desde que, gente, eu sou banco, eu não vou sair do Banco Real e era assim, muito forte, as pessoas percebiam isso ai mas eu comecei a gritar para fora esse meu descontentamento, fruto do desconforto da quebra da rede de sustentação por conta daquele projeto, hoje está tudo muito organizado na minha cabeça, na época era um desconforto eu falei gente, não é isso, eu não estou bem, eu quero fazer alguma coisa mas eu não sabia o que, ai eu comecei a escrever não só esse, eu escrevi um outro livro, também foi uma outra série de comédia corporativa, eu escrevi sobre chefe funcionário, então eu tenho uma trilogia de livros chamado “Chefe, como Irritar o seu Funcionário”, “Funcionário, como irritar o seu chefe” era o segundo, era  a revanche né e depois era o “Chefe Funcionário, a batalha final” aonde eu estou dizendo que vai acabar o chefe, vai acabar o funcionário e vai ficar a máquina, porque a automação estava muito crescente, então eu fiz esses livros, não foi muito bem compreendido pelo banco, mas o mercado gostou bastante eu comecei a reparar falei po, eu gosto disso, gosto de escrever minhas ideias, eu gosto de pensar sobre o comportamento humano  e escrever minhas ideias e continuei assim, bom, mas dá para fazer isso paralelo, vamos que vamos, não ganha escrevendo livro, não é uma coisa para te deixar milionário e nem eu aspirava ser palestrante a partir do livro, não havia, havia uma ou outra palestra mas era assim, eu ia de cortesia, sou funcionário do banco, já era remunerado, não precisava, nem era profissional nessa direção, mas comecei a gostar disso falei, po eu fico feliz nisso, o que aconteceu? A gente continuou nesse desconforto e eu publicando e eu publicando desconfortável, publicando desconfortável, já estava com mais um livro, eu escrevi sobre gerente de banco, eu escrevi “O Banco do Futuro” aonde eu, quando eu comecei a dizer que estava escrevendo, já tinha alguns livros né, levei na FEBRABAN (confuso) agora não, nós vamos apoiar esse seu livro, você vai falar do banco do futuro, sim, porque eu pensava no banco do futuro e ai eu coloquei umas coisas assim no livro, em 94 eu coloquei uns absurdos nos livros assim que na época soou como absurdo dizendo que o banco, todo mundo tomaria conta da própria conta, o cliente tomaria conta, ele tiraria o empréstimo quando ele quisesse, ele aplicaria quando ele quisesse, ele tiraria o dinheiro, ele emitiria o cheque, se fosse o caso, ele tomaria conta da rede de investimentos dele e ai começou um problema, porque os inimigos aumentaram potencialmente porque os gerentes de banco…

Luciano           Viram ameaça, vou perder o emprego

Sidnei             … quando viram, falaram, você quer ver que vai acabar  com gerente de banco? Falei assim eu acho que o gerente de banco vai ter um outro papel, a agência bancária não vai mais ter esse milhão de fila que tem ai não, os serviços em si eles vão ser espalhados, a pessoa vai pagar no computador, mas você acha que as pessoas vão ter computador na sua casa? Eu falei vão ter, as pessoas, imagina você escrever isso? Eu tenho um livro publicado…

Luciano           E ouvir isso hoje é tão ridículo né, você imaginar que quando alguém falar uma coisa dessa possa ser recebido com ceticismo né.

Sidnei             Cara, mas assim eu escrevi, publiquei o livro, esse Banco do Futuro”, eu escrevi, eu tenho um livro publicado aonde eu dizia desse banco que é o banco que está hoje, só que na época fui rejeitado pela FEBRABAN, eles falaram isso é um absurdo, imagina, não é nada disso você está assim, falar qualquer porcaria não precisava ser publicado, eu falei bom gente, mas vai acontecer. Bom, pensando nesse processo o que que aconteceu? O desconforto foi crescendo, uma hora eu cheguei para um amigo que estava nos Estados Unidos e falei, cara não tem nada nessa internet ai que dá dinheiro? Porque eu estou insatisfeito e eu não quero comprar uma franquia de qualquer coisa, não quero juntar um dinheiro aqui e comprar uma franquia para dizer que eu sou empresário, eu queria empreender mas eu queria empreender em algo novo.

Luciano           Você já tinha tomado a decisão de que isso é porque no banco tinha chegado…

Sidnei             Sim, mas não era simples você abrir mão de um cargo de diretor.

Luciano           Que idade você tinha?

Sidnei             Eu estava com 34, 33…

Luciano           34 com uma carreira de 17 anos…

Sidnei             … 19 já, não 18 anos.

Luciano           … diretor no banco…

Sidnei             .,. diretor, gozando de alguns privilégios…

Luciano           … reconhecido etc e tal…

Sidnei             …  pelo mercado, não, é aquela coisa, você não joga fora…

Luciano           … casado, com filho.

Sidnei             … imagina, dois filhos, casado, responsabilidade, tinha todo o processo e assim, eu já posso te dizer, teve convulsões quando eu disse que ia sair do banco…

Luciano           Eu imagino.

Sidnei             … vindo da minha família, não da minha esposa, a minha esposa me apoiou bastante mas meu pai, que foi bancário no próprio banco, ele não compreendeu, a minha mãe…

Luciano           Mas me fala um pouco dessa angústia, aconteceu a mesma coisa comigo né quer dizer, é aquela história de você, você está fazendo aquilo que você ama fazer, adora fazer e um belo dia você descobre que não está mais legal, começou a te dar um, po cara, já não está uma curtição e eu estou amarrado nisso e vou perder isso tudo e vou para o escuro e vou para um caminho que eu não sei o que pode vir a acontecer e eu estou angustiado e até que chegou o momento em que alguma coisa diz: é a hora e essa força pega e te faz ir adiante né, fala um pouco desse processo.

Sidnei             Foi assim, essa angústia vai crescendo, ela é interna, você começa a olhar as pessoas e começa a criticar o tempo todo, você começa a não ser compreendido, você tenta defender o teu projeto, você beira a irritação e assim, eu estava incomodado apesar de estar num projeto de ponta…

Luciano           E o sistema reconhece isso e começa a te botar de lado.

Sidnei             Ou tenta dizer que o que você está fazendo não serve para nada…

Luciano           (confuso) mas esse cara vai reclamar cara, lá vem ele de novo, ele vai encher o saco…

Sidnei             … não você não tem verba, eu comprava computador lá para o banco, é um database maior  que exige um computador muito poderoso, a gente comprou um computador caro, teve diretor que chegou, olha estamos gastando dinheiro a toa comisso aqui, só porque ele acha que vai ser gênio de alguma coisa, isso não funciona, computador é uma coisa que ajuda mas não vai mudar o mundo, e eu falando não, a internet vai mudar o mundo; internet é só para ver pornografia e o pior era na época, você não podia tirar a razão dele, mas eu comecei a olhar isso e angustiado ai eu falei, cara, vamos fazer o seguinte? Eu vou pegar os livros que eu tenho, vou publicar, não dá para publicar na internet? Fazer uma página, e você me ajuda a fazer uma página. Hoje seria um blog, hoje seria assim, mas na época precisava de ajuda ai ele falou não, eu te ajudo fazer, mas não tem nada ai cara, e ele lá nos Estados Unidos, estudando na Bay U, em Utah né, jovem também, ele tem 6 anos a menos que eu, então ele é jovem, mas ele admirava muito a minha carreira e fala nossa, eu queria ser diretor de banco tal, e a gente conversando, aha e quando eu falo conversando, parece que a gente está conversando num bate papo como está aqui né, não eu mandava um e-mail passava dois dias ele devolvia, porque ele também tinha que acessar, o e-mail era rápido mas o acesso não era tão simples né. Ai ele falou cara, só para não dizer que não tem nada, porque todo mundo olha a internet, acha divertido, bacana mas ninguém faz dinheiro com isso, para não dizer que ninguém faz dinheiro, tem dois garotos aqui de Stanford que conseguiram levantar 1 milhão de dólares com um negócio que eles inventaram. Cara, 1 milhão de dólares? Po, 1 milhão de dólares em 96….

Luciano           Era dinheiro.

Sidnei             … pelo menos na nossa realidade era um dinheiro muito grande, que que eles inventaram? Cara, vou te passar algumas coisas você baixa ai para você ver, tem várias coisas novas que eu tenho que te baixar. Baixa esse programa ai. Eu estava baixando o programa no Mirc tá? Você baixa, o Mirc, o mais próximo de Mirc hoje o que que é? É um grupo dentro do Facebook só que sem todas as propagandas e nada, é só uma tela né. Eu estou baixando, ele falou baixa esse programa aqui. Ai baixei um programa, o nome do programa Mozaic. Baixei o programa, já usava o Windows, ainda era o Windows 3.1 né, ai baixei esse programa, era um navegador eu olhei aquilo, a gente com modelo mental ainda do word né, abri lá o navegador, a tela em branco e aquela linda de comando, eu tentando escrever, cara, esse programa está com defeito, não dá para fazer nada. Não não, ai em cima, escreve o que eu vou te falar e ai ele deu uma, eu vou falar a palavra técnica, um string, que é o endereço, ele deu…

Luciano           Que seria uma URL hoje, entre aspas né

Sidnei             … uma coisa que era uma URL mas assim, indecifrável que ele foi falando, começa ai, h t t p : / /  nossa, para quem nunca tinha ouvido isso eu me sentia como um índio que acabou de receber, ver um espelho pela primeira vez na vida né, ele foi falando um endereço bizarro lá, com til, acento, cedilha, foi falando eu falei cara, isso aqui o que que é? É um programa, não vai detonar meu computador, não espera ai que você vai ver o que vai entrar, aperta. A hora que apertou apareceu Yahoo, eu, que é isso cara? Isso é multi mídia, sabe quando você não tem o modelo mental?

Luciano           Sim você nunca viu…

Sidnei             Cara, ta e o que que é isso aqui? Que que eu faço? Não cara, e nessa hora eu estava numa ligação telefônica com ele, que que é isso aqui? Não escreve ai bank, tá, bank. Ai veio…

Luciano           Uma lista.

Sidnei             … primeira vez de lista de banco, falei, que que é isso aqui cara? Ele falou passa o mouse, passava o mouse, virou uma mãozinha, cara você sabe quando você está descobrindo um negócio? É o neanderthal descobrindo o fogo, a primeira vez, falei gente, isso é quente né?

Luciano           Você está falando um negócio interessante ai que, dá uma pausinha aqui agora, que eu tenho feito uma série de participações em pod cast, você sabe que quem faz pod cast é a molecada e tudo molecada de 20,20 e pouco, 30 anos de idade né e fiz vários falando de cinema e em muitos deles eu tive que explicar para a molecada o que que foi assistir Star Wars no cinema em 1970 e abobrinha, 77, e porque eles não tem referência né, eu falo cara, vocês não fazem ideia do que é você chegar e, pela primeira vez, ver algo que ninguém nunca viu na vida, hoje quando você entra, você já tem 40 anos e história atrás de coisas que  estão parecidas, então por mais que apareça naquela época não tinha nada igual, então você sentado num cinema, entra a nave por cima da tua cabeça, com um som que ninguém nunca tinha feito e cara, aquilo é um impacto que nunca mais eu ia ter outra coisa igual porque eu era absolutamente virgem naquilo né, e vocês não fazem ideia do que é entrar no cinema e assistir aquilo, o que aconteceu com você, quer dizer, abriu o Yahoo sem saber o que é e usou um buscador sem nunca ter visto um buscador na vida né.

Sidnei             Não, sem ter ideia do que que era aquilo, buscar o que? Ai começou a me explicar páginas, ai começou a explicar que os bancos lá estavam fazendo página e que isso ai eu falei, mas o que que é isso, ele falou cara, a melhor referência é uma, é como se fosse uma lista telefônica, aha mas lista telefônica na internet, é para você localizar a página, eu demorei um dia ainda para decodificar o que era, a hora que eu entendi, cara é mais ou menos como você ganhar aquele presente desejado e você abrir a caixa e ver que o presente desejado está lá dentro, você vê o mundo ficar diferente né, tudo se modifica, as cores ficaram diferentes, eu falei cara…

Luciano           Fez-se a luz, momento mágico…

Sidnei             … é, é um momento mágico, eu diria…

Luciano           … tua vida mudou ali.

Sidnei             … acho que ali foi um dos momentos que mudou minha vida ta, teve alguns que eu costumo ver mas esse foi um momento que eu olhei falei, cara isso, isso vai revolucionar o mundo, foi a primeira frase que eu falei para ele depois que eu olhei aquilo e entendi o que era, falei você sabe fazer isso, ele falou não cara, isso ai é a mina de ouro, está todo mundo procurando o código do buscador, porque a questão não era fazer um diretório, a questão era ter a palavra que você coloca e ele vai numa base de dados e busca e isso você tinha em programas de base, de bancos de dados, num Access da vida, num Delfi, num Dbase, você tinha isso num programa proprietário de base de dados, mas não na internet, o primeiro aplicativo que você roda remotamente e ele te devolve remotamente on line…

Luciano           Que loucura.

Sidnei             … realtime.

Luciano           A molecada que está nos ouvindo eu insisto nisso, não faz ideia…

Sidnei             É eles não fazem.

Luciano           … do que pode ter sido esse impacto né.

Sidnei             Não, não faz, assim a gente antes de olhar eu falei cara, mas eu não entendo isso ai, agora é o seguinte, eu já tenho acompanhado, eu assinava todas as revistas de tecnologia da época né e falei, tem algumas empresas que começaram a fazer página na internet, agora estou entendendo o que é página na internet e ai começa os endereços, ai eu falei, vamos fazer o seguinte cara, bola esse código ai, ele falou cara, se eu bolar eu fico milionário, eu vou ter um milhão também, porque foi isso que pagaram para eles, 1 milhão pelo código, eu falei mas eles venderam o código? De jeito nenhum eles montaram a empresa e fizeram um processo, eles vão ficar milionários…

Luciano           Dois garotos né…

Sidnei             … o Jerry Yang e outro não vou lembrar agora…

Luciano           … é Chang não é? Chang, o chinesinho?

Sidnei             … é o chinês, o Jerry Yang…

Luciano           … ele é o Yang né.

Sidnei             … e tem o outro que eu não lembro agora, ele ficou mais famoso porque ele foi e voltou, saiu, vendeu e depois ele voltou e quase quebrou de novo né, mas nós, eu comecei eu falei, cara mas dá uma olhada, não mas está todo mundo tentando assediar, eles andam com segurança agora, falei cara mas isso é incrível, tenta bolar no seu, e eu ficava falando, vamos fazer o seguinte, tenta descobrir por ai, ele fazia ciência da computação, o nome dele é Flávio Ortolano, é um parceiro assim, um irmão meu, tenta descobrir como é que faz isso, você trabalha com informática cara, você é um analista, vai descobrir que se eles conseguiram, está ai, alguém vai descobrir mais, ele falou não, vou tentar  eu vou juntar endereços aqui no Brasil, nós vamos lançar o Yahoo no Brasil, era a primeira ideia que veio na cabeça, eu falei, já pensou se a gente lança ai daqui 1 ano, 2, 3, quando eles já tiverem grandes eles vem aqui, compram a gente por 100 mil dólares, nossa a gente vai ganhar 100 mil dólares, ai falando assim parece que a gente era criança, e eu acho que a gente estava no espírito de ser criança mesmo.

Luciano           Eu acho que não tinha outro jeito, quer dizer, está absolutamente deslumbrado com esse brinquedo fantástico.

Sidnei             Sim, muito e enquanto isso o mundo todo se transformando por conta de todas as mudanças que aconteceram e o Brasil mudando com a estabilidade econômica e eu conheci, descobri, eu ficava muito tempo olhando isso, durante a madrugada, comecei a varar a noite, parei de escrever, falei não, espera, depois eu escrevo, eu vou fazer o seguinte, eu vou aprender isso aqui depois vou escrever sobre isso, parei de publicar, o último livro que eu publiquei foi em 95, nessa época né, ai mergulhei, em 90… foi em fevereiro, fevereiro de 90 e… foi em novembro de 95, ele me liga, mas ele me liga aos berros, ele gritava, eu sei!!! Eu sei fazer o código!!! Eu sei!!! Publicaram, eu sei!!! Tipo ele descobriu o mundo, eu falei e você aprendeu como? Espera ai que a gente não pode gastar tanta linha telefônica, baixa esse software aqui e se cadastra, o nome do software I Seek You.

Luciano           O I Seek You.

Sidnei             Cara, ai eu falei, tá bom, ai baixei o I Seek You, ai começamos a digitar no I Seek You, o meu I Seek You está menos de 2000, o meu número de inscrição até hoje existe, é inferior a 2000, foi um dos primeiros junto com ele.

Luciano           Para quem está ouvindo e não sabe, o I Seek You é o bisavô do e-mail…

Sidnei             Não, não, do WhatsApp…

Luciano           … do WhatsApp.

Sidnei             … é só que não era no celular…

Luciano           Não, era no computador…

Sidnei             … era no computador, mas é o bisavô, o WhatsApp.

Luciano           … mas era por ai…

Sidnei             … o WhatsApp é bisneto…

Luciano           … sistema de chat né, era um sisteminha de chat.

Sidnei             … era um WhatsApp, era um WhatsApp, era um WhatsApp, não tinha outra coisa.

Luciano           E ai?

Sidnei             Ai ele mostrou isso e ai começamos a conversar, ai a gente conversava furiosamente pelo teclado, eu falava, ele falava, eu falava, falava e ele ai começamos a descobrir que isso era legal, cara, ele falou não, e agora estão criando salas para você falar, as salas de chat e então assim, imagina cara, você está na pré história do que é internet hoje, eu estava lá vendo isso tudo e trabalhando no banco, no projeto Database Marketing de super inovação, mas encantado com a internet.

Luciano           Então ai tem um gancho legal também que é continuação daquele primeiro gancho que eu fiz aqui com você, quer dizer, você passou a dedicar ou a investir uma parte preciosa do teu tempo, que você devia estar em casa dormindo e descansando e você estava, pelo contrário, investindo em buscar, aprender aquela coisa nova que podia de alguma forma vir a ser o seu futuro, você não sabia, você não sabia que ia ser isso ainda né?

Sidnei             Não, não, eu não tinha ideia.

Luciano           Mas você começou a investir nisso?

Sidnei             Eu mergulhei nisso de paixão e assim, eu lembro de uma frase, eu não sei se é lenda urbana ou se a frase existiu, mas alguém disse que o Einstein dormia duas horas por noite e o resto ele gastava, eu comecei a viver uma situação próxima dessa, eu varava a noite porque era mais barato, porque a internet na época você só usava pela linha telefônica e a noite o pulso era muito mais barato, então não tinha razão financeira que eu pudesse fazer, não existia banda larga, nada disso, banda larga era uma ilusão, o meu sócio, que o Flávio acabou virando meu sócio, ele tinha uma banda larga de, hoje seria o equivalente a Wed, lá na casa dele por conta da universidade, lá nos Estados Unidos, falava cara, mas a sua banda larga dá para baixar imagem rápida, baixar foto né, bom eu sei que a gente começou a avançar nessa direção dando um pulo, um salto quântico nisso o código que ele achou, na realidade foi um código que foi publicado pelo Linus Torvalds, quando ele liberou o código, porque foi o código que deu origem a toda essa história da internet né, pelo menos facilitou muito esse código e a gente começou a trabalhar e criar um site de busca brasileiro, a ideia de Yahoo a gente sabia que não ia funcionar porque eu falei não, se a gente quer lançar o nome Yahoo a hora que eles vierem para cá eles vão ter o domínio, eles vão, vai dar rolo e eles vão arrancar da gente, tem que criar um nome brasileiro porque Yahoo não quer dizer nada no Brasil e ai a gente começou procurar nome, procurar nome, procurar nome evidentemente nós não éramos os únicos que estávamos tendo…

Luciano           Isso que eu ia te perguntar agora, quem mais estava com essa mesma ideia né?

Sidnei             … eu acho que tinha muita gente assim, todo mundo correndo atrás dessa mina do ouro e eu acho que foi uma corrida mesmo de mina do ouro e ai, na hora que a gente estava quase pronto, só faltava bolar o nome, a gente tinha um monte da brainstorm e eu como bom publicitário não me contentava com nenhum nome, ai entrou no ar o Cadê, na nossa frente, cara como é frustrante ver que surgiu o primeiro site de busca, acabou sendo o Cadê, eles estavam no Rio de Janeiro, eu imagino que, eu conheci depois, o Gustavo, conheci a turma, o Fábio Bertaigne e o Gustavo, desculpa, o Fábio Bertaigne era  da STI, o Gustavo. Nós, depois conversamos bastante sobre isso mas ele surgiu na nossa frente, na hora que ele surgiu, a gente ficou, assim deprimente, falei puxa, alguém já lançou, não vamos lançar e quase a gente abandonou a ideia, abandonou, você fala aha alguém já pôs, agora acabou, não tem espaço para dois no Brasil, mas ai eu lembrei dos meus conhecimentos, do Peter Seng, lembrei dos estudos de administração, de tudo dizendo, você consegue se você for diferencial, então eu fui tentar, falei não, vamos fazer o seguinte, o Brasil é grande, tem muita gente, a internet vai crescer, eles vão aceitar e detalhe, a gente pode fazer uma brincadeira, começar a falar mal deles e eles vão provavelmente falar mal da gente, a internet era um faroeste no início, então a gente começou brincar com essa historia do nome do Cadê e ai a gente chegou rapidamente, você vive por ai falando cadê! Cadê! Cadê! Venha para cá e diga achei! Foi uma brincadeira, uma brincadeira que a gente fez, o Cadê obviamente na hora que a gente colocou no ar ele reagiu, e a gente, sem querer, sem se conhecer, tudo virtual, começamos a criar aquela brincadeira, falei bom, pelo menos se a gente fizer a Coca Cola e Pepsi, não interessa se a gente vai ser Pepsi ou Coca Cola, os dois vão ganhar porque a internet estava crescendo isso…

Luciano           Você já tinha aberto uma empresa, já existia alguma coisa assim…

Sidnei             Aha não, não tinha…

Luciano           … o que que era? Isso era… (confuso)

Sidnei             … tudo site, ai que nós decidimos, ai eu comecei a falar não, espera um pouquinho, temos que nos organizar, então eu abri uma empresa aqui no Brasil, eu já tinha uma empresa minha de consultoria que eu abri para ter nota fiscal, essas coisas, mas não usava não fazia nada com ela, falei não, vamos fazer o seguinte, eu vou incorporar isso, coloquei o Flávio como meu sócio nessa empresa, a gente virou sócio mesmo, meieiro né, e construímos a Achei Internet Promotion.

Luciano           Achei Internet Promotion

Sidnei             Fantástico o nome né, a gente começou com esse nome da empresa, a empresa ficava em casa obviamente né, no meu apartamentinho de 2 dormitórios, heroico, não, estou brincando, ficava no meu apartamento, na época eu já tinha saído do de 2 dormitórios, já estava morando um pouquinho melhor e a gente começou uma empresa, ai é assim, ta ai, como é que ganha dinheiro com isso? Vendendo anúncio. Falei bom, mas eu sou publicitário, então estou dentro de casa, finalmente cheguei numa coisa que é minha ideia e comecei a fazer isso durante a madrugada, mas não vendia nada, você não vendia anúncio, você não tinha anunciante, o primeiro anunciante nosso foi o Adivinha o Que?

Luciano           Site de sacanagem.

Sidnei             Um site de sacanagem o único que pagava e o detalhe, a gente colocava só as palavras óbvias né, bunda, sei lá, a pessoa está procurando isso então aparece o banner, o resto a gente preenchia com banners internos nossos, ou então fazia degustação, chegava para alguém que poderia ser um anunciante convidava ele, ai foi uma época muito borbulhante, que surgiu na internet quase tudo que a gente começou a ver explodindo, então surgiu na época o UOL, surgiu o ZAZ, as grandes empresas começaram a investir, ai começou, e a gente estava nessa onda, os grandes entrando com maciço capital e a gente lá na onda sendo aquela coisa que ninguém sabia para que que era, que era o site de busca, foi uma correria para fazer convênio com as BBS’s do Brasil inteiro começaram a pipocar, BBS pelo Brasil inteiro, a gente fazia o convênio do tipo, cara, deixa eu colocar o meu site de busca porque precisa ter algo para o pessoal navegar e gastar o tmpo com você na BBS, porque você vende minutos e ele precisa gastar então você tem que ter algo, porque se ele não navegar na internet, cara foi fácil, ai a gente começou a virar o site de busca, só que ai começou a surgir no Brasil outros sites de busca, começaram a crescer.

Luciano           E você continua no banco?…

Sidnei             Eu continuei no banco…

Luciano           … tua relação no banco né, nesse ponto, como é que estava?

Sidnei             … eu fui até aonde, não ai assim, o banco, eu estava lá tocando o projeto, eu era dedicado 100% no projeto, já não tinha ambição de nenhuma outra área no banco, não ambicionava mais nada, não bolava mais nada para o banco, nenhum produto para o banco, na época eu comecei a pensar num produto de meios de pagamento pensando no que o negócio do banco na internet seria meios de pagamento né, comecei a desenhar isso mas falei, não vou dar essa ideia para o banco, essa eu não vou passar e guardei, essa ideia eu guardei depois tem história para ela também viu, mas…

Luciano           Vai ter que fazer outro programa.

Sidnei             … eu comecei a elaborar a minha saída, comecei a me preparar para sair mesmo e eu site crescendo, chegou uma hora que você tinha que optar, ou fecha o site ou sai do banco. E ai foi uma decisão difícil, mas uma decisão que valeu para mim, pela minha construção pessoal. Depois de pensar muito, avaliar, pesar, decidi sair do banco.

Luciano           Você procurou alguém para te aconselhar nesse momento?

Sidnei             Não tinha ninguém para aconselhar.

Luciano           Você não tinha um mentor que pudesse te dar dicas.

Sidnei             Aliás não, os mentores que eu tinha eram do banco e obviamente o conselho dele era justamente não saia, não faça essa loucura, internet não serve para nada. O mercado era muito novo para alguém ter referência para poder te aconselhar e ai o conselho normal era, não seja insano, quanto mais eu ouvia isso, mais eu achava que era isso que eu devia tentar, quanto mais eu achava que era insano, mais eu me referenciava nos demais que foram insanos em algum momento.

Luciano           Que é aquela história, quer dizer, o ganho e que vai, ele está relacionado ao risco, quer dizer, se o risco é tão grande assim, talvez o ganho seja proporcional né?

Sidnei             Talvez, mas era um risco. E ai eu lembro de uma conversa que eu tive com um executivo, que ele me mostrou quanto que a gente vive em gaiola de ouro quando a gente é executivo, você tem lá o automóvel, a sala, assistente, que são gostosas, são muito legais de ter, o carro da empresa, você tem uma gaiola de ouro ali e eu comecei a olhar aquilo falei, cara, eu gosto disso, eu quero ter isso, gosto de ter isso mas eu não quero ter isso…

Luciano           A esse preço.

Sidnei             … vinculado, eu quero ter isso porque eu conquistei com a minha competência…

Luciano           Entendi, como consequência do teu trabalho e não…

Sidnei             … como consequência do meu trabalho, o que aconteceu? Saltei, eu lembro que foi aquele momento que você fala, pede demissão e depois a noite você fica pensando fiz bobagem, é mais ou menos essa, é aqueles primeiros 3 segundos que você tem quando você salta de paraquedas, primeiro momento você acha que fez a maior bobagem no mundo, ai no dia seguinte, na minha sala, dentro da minha sala, bom agora em vez de varar a noite eu vou trabalhar, porque eu varava a noite trabalhando.

Luciano           Quer dizer, o business que você abraçou naquele momento não existia…

Sidnei             Não…

Luciano           … ele era um…

Sidnei             … não tinha faturamento…

Luciano           … nada, podia ser que desse certo mas não tinha.

Sidnei             … mas eu estava apaixonado demais pela ideia e ai eu saltei, eu lembro do meu sócio ficar em pânico, porque quando a gente estava com o site, tem que pagar as despesas de provimento né, a banda larga, lá nos Estados Unidos, o computador ficava lá, o servidor ficava lá, quando eu disse que sai do banco ele falou, cara mas como a gente vai pagar, a gente precisa desse servido, tem que pagar a banda todo mês. Eu tinha um cartão de crédito que eu passei para ele e pagava lá com cartão de crédito, falei cara, a gente vai, agora eu vou pegar, vou ter que vender, eu não sei, agora a gente vai ter que ter anunciante pagante.

Luciano           Como é que é quando a paixão entra pela porta da frente a razão sai pela porta de traz.

Sidnei             Cara, é momento de insanidade assim, mas assim, eu falei espera um pouquinho, eu já fiz tanto dentro do banco, inventei tanta coisa, será que para mim mesmo não vou inventar? E assim, foi uma coisa de: eu vou ter que vender. Todo mundo tal, tem gente vendendo, o UOL já estava começando a vender anúncio, não era muito fácil nem era muita grana mas eu vou ter que vender e foi assim que a gente começou, foi o ano de 97, heroicamente durante esse período eu fiz um ou outro trabalho de consultoria em banco, ainda com as minhas expertises, mas ai já era como consultor, quer dizer, eu precisava pagar conta, trabalhei com consultor, nesse período de 97, eu conheci uma figura bastante empreendedora e é conhecida hoje por ser uma pessoa das mais empreendedoras do Brasil, que é o Pierre Shurmann, ele também é conhecido por ser o filho mais velho daquela família…

Luciano           Da família Shurmann, sim.

Sidnei             … daquela família de navegantes…

Luciano           Conheço Pierre, sim.

Sidnei             … ele é uma figura, eu conheci, ele tem um drive de empreendimento, eu diria que assim, mais insano que o meu e ele tinha uma visão do exterior que eu não tinha, deu uma liga muito forte, muito rápida, entre eu e ele e o meu sócio Flávio, ai eu falei, Flávio, faz o seguinte, acabou a sua faculdade, volta para o Brasil, venha para o Brasil, a gente vai fazer agora isso ficar sério, assim sério como…

Luciano           Sem receita ainda.

Sidnei             … sem receita…

Luciano           … sem receita e nada, ta.

Sidnei             … sem receita, a gente vai fazer isso ficar sério, peguei o meu capital, que eu tinha de fundo de garantia, o que deu para levantar de capital, para ser o primeiro anjo interno, eu tive mais um, dois amigos que entraram como anjos, um irmão meu entrou como anjo…

Luciano           Pausa. O anjo aqui quer dizer um investidor, alguém que põe o dinheiro no teu negócio.

Sidnei             … investidor anjo, isso, que colocaram dinheiro assim, eu diria que o meu entusiasmo era tão grande de vender a ideia…

Luciano           Que você contaminava as pessoas.

Sidnei             … que pelo menos para, algumas pessoas toparam, não foi um capital muito grande mas foi um capital que deu para a gente por em pé o processo, trazer o Flávio para o Brasil, começar a fazer aqui ai nós começamos a empresa. Ai entrou-se o ano maravilhoso de 98.

Luciano           1998.

Sidnei             Janeiro de 98 eu não tinha emprego, contratamos um sistema de provimento aqui no Brasil que ainda era caro, custava em torno de 7 mil reais na época, por mês, a banda, porque a gente com site de busca usava muita banda, alugamos um escritório que eu diria que hoje eu não tria coragem de alugar de tão nababesco que ele era, mas tinha que ser um escritório bem startup.

Luciano           Era o nascimento da bolha do ponto com, porque essa era a história né?

Sidnei             Não sei, eu sei que os outros estavam fazendo e a gente tinha que ter um escritório que a gente chamava de escritório cenário, era escritório para chamar investidor, para chamar anunciante, era um escritório cara, o escritório devia ter uns 800 metros quadrados, dois andares, mezanino, 8 salas, começamos a contratar gente, eu cheguei a ter, durante o ano de 98, e assim, vamos atrás de faturamento, e ai com começaram a aparecer os primeiros anunciantes e a gente começou a pressionar entre eles o Banco Real foi ser nosso anunciante, nós começamos a girar o processo, mas assim, tudo que entrava ia para pagar banda, funcionário e aluguel do escritório, era uma despesa insana. Ai falei não, temos que levantar investimento, tentamos algumas iniciativas aqui no Brasil, eu, por ter trabalhado no sistema financeiro acreditei que teria um canal aberto com investidores aqui no Brasil, mas o Brasil ainda não tinha o espírito de investidor de risco para startup, não existia isso, durante o mês de, o ano de 98 até agosto, setembro mais ou menos, a gente conseguiu com capital próprio e com faturamento avançar, mas a conta já ia quebrar, eu fiz uma projeção e falei, isso vai quebrar, porque internet diferente de outras mídias, quanto mais audiência você tem mais custo você tem, porque é o custo individual do servidor e a gente não estava dando conta e assim, a tendência era ser um site de busca ia se tornar lento porque não dava e se ele ficasse lento, os concorrentes tomavam a frente da gente, então a coisa começou a ficar muito apertada, ai um dia eu e o Pierre tivemos um momento de brigas internas entre nós e eu falei, a única forma de fazer isso é ir para Nova York, falei mas eu não conheço ninguém em Nova York, mas a gente vai. Bom, fui ver o caixa, o único dinheiro que tinha dava para pagar passagem para duas pessoas de ida e de volta, sem hotel, sem nada. Pierre, a gente vai hoje, durante a noite a gente dorme no avião, acorda de manhã, se lava no banheiro, vai para a Quinta Avenida, roda o que der para rodar, vai batendo nas portas…

Luciano           Tentando buscar um…

Sidnei             … investidor…

Luciano           … investidor.

Sidnei             … vamos bater na porta de todos os bancos que a gente conhecer, souber investidores que estão lá, quem investiu no Yahoo, vamos descobrir quem são essas pessoas lá e foi um dia daqueles dias maravilhosos…

Luciano           Cara que loucura.

Sidnei             … e a gente voltou, terminou o dia, 9 da njoite a gente pegou o avião e voltou para o Brasil…

Luciano           Que loucura.

Sidnei             … só tinha dinheiro para isso, no dia seguinte já não tinha mais nada, no dia seguinte eu fui tentar vender minha moto, que era o último patrimônio que eu tinha para pagar o salário da turma, formos lá para Nova York, conversamos com muita gente, a gente meio que apresentou o Brasil para Nova York, assim eu não falava muito inglês, mas o Pierre dominava bastante o inglês e nós conseguimos convencer um grupo de investidores que estavam investindo numa ideia de ter um portal no estilo América On Line, mas para a América Latina, que era a Star Mídia e eles gostaram da gente, disseram, depois eles falaram, olha a gente não entendeu quase nada do que você falou, mas o seu entusiasmo era tão grande que a gente topou pelo entusiasmo…

Luciano           Contaminou, olha que legal.

Sidnei             … não, não falava nada quase de inglês mesmo, e graças a Deus o Pierre dominava muito, mas a gente conseguiu convencê-los isso redundou ai num processo de due dilligence e depois na venda do site em janeiro de 99.

Luciano           Venderam o Achei…

Sidnei             Vendemos…

Luciano           … para a star…

Sidnei             … vendemos o Achei, que já não era só Achei, a gente já tinha criado um complexo de sites de busca, segmentados, então tinha o ZIC, tinha o ZIC Comunicação, tinha vários segmentos que a gente estava tentando…

Luciano           … que de novo, não tinha receita, ou tinha uma receita marginal?

Sidnei             … não, já tinha, não, já tinha receita, aquele ano de 98 a gente chegou a fazer quase um milhão de reais em receitas assim, era…

Luciano           … o negócio tal…

Sidnei             …o inicio foi heroico mas a gente fez, só que a gente gastava tudo, a gente não tinha era rentabilidade que sustentasse toda a estrutura né, quer dizer, precisava de investidores justamente para fazer a coisa crescer num ponto aonde você conseguia virar,  o custo virar a gente era, com receita mas não pagava tudo né e o site tinha uma audiência, no Brasil tinha assim os 5 maiores sites em audiência no Brasil, o Achei era um deles né e a gente ficava oscilando dependendo da forma e da região.

Luciano           Legal. Quer dizer, olha que petulância cara.

Sidnei             Ai chamou a atenção, em 99 vendemos o bichão…

Luciano           Que petulância cara, vocês catam o avião e vão para Nova York sem conhecer ninguém e bate na porta, por favor, eu queria falar com o seu…

Sidnei             A gente tentou marcar algumas visitar previamente, eles falavam aha, tudo bem, se vocês estiverem por aqui a gente até atende, mas foi meio que no heroísmo.

Luciano           Sim, que loucura, é só brasileiro para fazer essa loucura.

Sidnei             Deu certo, deu certo.

Luciano           Que legal.

Sidnei             E ai a gente vendeu, nessa venda houve uma assinatura de, a empresa fez uma avaliação geral das competências, eu e o Flávio ficamos vinculados ao negócio, bom, você tem um privilégio que é a primeira vez que eu conto tão estruturada essa história para alguém, então você tem exclusividade  da inteireza da história agora numa linha de tempo, mas a gente vendeu, eu assinei um contrato com eles, de um ano de trabalho, como executivo dessa iniciativa que virou a Star Media, onde tinham algumas pessoas, algumas personalidades legais, ai começaram a internet, a internet começou a ser séria no Brasil em 99/2000 né e depois teve a bolha, mas nesse período eu assinei, o contrato que eu assinei era de não competição, era eu não poderia ter participação em nenhum outro tipo de site posterior, não poderia dirigir nenhuma empresa de internet, não poderia trabalhar na internet na essência, por 10 anos, depois que eu me desligasse, eu me desliguei em 2000, final de 2000, 2001, significava que até 2011 eu tinha trabalhado numa indústria, criado uma indústria, ajudado a participar da criação da indústria e eu estava com 40 anos…

Luciano           E exilado.

Sidnei             … prestes a fazer 40 anos e a única coisa que eu não poderia fazer é trabalhar nela…

Luciano           Que loucura.

Sidnei             Foi estranho.

Luciano           Mas me fala uma coisa aqui, qual foi o momento em que você parou e olhou assim, cara a decisão de sair do banco deu certo, foi boa?

Sidnei             Aha, na hora que…

Luciano           Quando foi?

Sidnei             … que a gente vendeu o site.

Luciano           Na hora que vendeu?

Sidnei             Não, na hora que vendeu o site, na hora não, na hora que carimbou, assinou o contrato, nessa, até lá foi emoções fortes que eu nunca tinha vivido na minha vida, no dia que a gente fechou o site, teve aquela maxi desvalorização, será que eles ainda sustentam? Ai falou não, a gente está comprando em dólar.

Luciano           Para eles não mudava nada.

Sidnei             Não e assim, mas você tem garantia, tenho, escreve isso? Escrevo, ai a gente ganhou dinheiro, ai que a gente percebeu, ai que eu falei deu certo, está vendo?

Luciano           Então, deixa eu, a gente está chegando já no final do programa aqui, mas eu tenho que fazer uma pergunta aqui que é fundamental: quanto de sorte, se é que existe sorte, tem nesse processo que você acabou de contar para a gente aqui? Por exemplo, esse dado que você colocou agora da maxi acontecer naquele momento, cara meu que baita sorte, ir para Nova York, bater na porta dos caras e achar os caras, quanto de sorte tem nisso ai e como é que você enxerga essa história da sorte?

Sidnei             Para mim, eu não sei se é sorte, claro que tem um componente ai do imponderável, mas eu olho isso quase como se fosse uma, um reconhecimento de Deus, é assim tipo, a gente viu que vocês fizeram tudo direitinho, é como se fosse um presente, eu não diria que foi sorte, foi um presente. Eu atribuo isso a um presente que quem está ouvindo pode falar que é Deus, pode falar que é o universo, que são as forças, não interessa, para mim Deus deu um presente, falou olha, vocês estão sério, vocês estão levando a sério, está bom, eu vou recompensar com um presente e foi isso que acabou acontecendo, então assim, a gente fez dinheiro, ninguém ficou milionário, a gente ganhou um dinheiro realmente bastante relevante, todos os sócios foram muito bem remunerados nessa venda, eu fiquei trabalhando durante um ano até na Star Media e depois eu decidi me desligar porque eu estava vendo que a bolha, assim, começou a ter uma fantasia, houve ai uma euforia, uma euforia que todo mundo já sabe, então assim, eu falei não é por ai, mas eu não podia trabalhar com internet, minha primeira iniciativa foi trabalhar novamente com meu ex patrão, que me chamou para trabalhar no banco novamente, só que agora não era Banco Real, porque ele havia vendido o Banco Real, conseguiu uma maxi valorização no preço de venda do banco, justamente porque a quantidade de contas deles tinha crescido muito por conta do programa…

Luciano           Dos jovens.

Sidnei             … dos universitários então eu sei que lembrou no meu nome falou, vem trabalhar de novo aqui comigo, agora no outro grupo né, eu fui trabalhar com eles e ai teve outro momento de virada na minha vida. Que talvez você queira fazer um novo pod cast.

Luciano           Eu vou ter que fazer outro programa porque a gente já chegou no final desse aqui  né e…

Sidnei             Mas eu fecho só para chegar para os prólogos do próximo programa, a outra virada que me fez chegar onde eu estou hoje, eu virei executivo novamente e voltei para a posição, agora reconhecido, porque agora eu tinha histórico, inclusive não só do banco mas do empresário que vendeu um site na internet, eu voltei para o banco mas não era mais a mesma coisa, ai a coisa não estava, não era mais a mesma coisa, tipo estou de novo, agora reconhecido, já não era mais júnior, já era considerado uma pessoa de admiração geral, profissionalmente, mas não era mais a mesma coisa eu falei, não está me preenchendo mas eu estou de volta, eu tenho que entender que isso é por algum motivo, mas ai cara eu tive aquele momento de sequestro, eu fui sequestrado e ai eu repensei a vida, foram momentos que mudaram e ai a gente pode jogar para um próximo pod cast…

Luciano           Vai ser no próximo programa porque isso ai vai…

Sidnei             … eu fui sequestrado…

Luciano           … dar pano para a manga.

Sidnei             … aonde assim, entre as coisas que repensei na minha vida é o que eu estou fazendo e o que eu posso fazer, foi ai que foi a grande virada que me fez pensar e retomar aquele momento lá atrás que eu escrevia livros, fala po, eu gosto de falar do comportamento das pessoas, comecei a partir desse momento, isso ai a gente pode detalhar depois, num outro papo, mas o sequestro mudou internamente, eu me vi uma pessoa que não era mais quem eu queria ser, cheguei no banco, pedi demissão, falei não é isso, vou trabalhar com pessoas, vou ajudar a formar novos líderes e nessa hora eu fui pensar que segmento que eu vou trabalhar? Porque eu nunca trabalhei com RH, nunca trabalhei com pessoas, nunca fui palestrante, eu só lembro dos livros que eu escrevi, falei poxa, mas aquela época eu lembro que quando eu falava, as pessoas falam po, isso pode ser interessante, eu gostava de falar do futuro, espera ai, mas espera um pouquinho, eu fui um jovem, po eu posso ajudar jovens a se transformar em líderes, não são todos que vão virar, não mas tem aqueles jovens como eu, que se forem bem trabalhados eles vão atingir um potencial, foi ai que eu comecei a construir as minhas teorias de alavancagem de trajetória profissional e pessoal de jovens, dai é um outro pod cast, porque eu comecei a falar de jovens, comecei a ser um consultor…

Luciano           O homem das gerações

Sidnei             … palestrante, uma hora eu lancei o livro “Geração Y” que foi uma outra brand que surgiu ai e ai sim, agora estou trabalhando com gerações, mas trabalhando com jovens passando um pouco de toda essa história que eu te contei agora, posso te dizer exclusivamente inteira para alguém, mas eu tenho me dedicado realmente a tentar acelerar a trajetória de jovens, a trazer maturidade para os jovens, hoje eu começo a imaginar que tudo isso que eu passei me transformou num mentor e hoje eu me considero, estou quase deixando de assinar como consultor e tudo mais e ser mentor, hoje eu faço a mentoria individual de mais ou menos 300 jovens por ano, sem falar os programas dentro das empresas, são mais de 20, 25 mil pessoas tocadas pelos meus programas, palestras, dentro das empresas e os livros que surgiram a partir disso.

Luciano           Quem quiser entrar em contato, conhecer mais o teu trabalho, procura o Sidnei onde?

Sidnei             Acho que a página na internet Sidnei Oliveira é fácil alcançar, o Google sempre mostra, mas tem aminha página, o meu site pessoal que é o sidneioliveira.com.br , sidneioliveira.com.br, mas é Sidnei com d mudo e sem Y, porque se não você vai caiar num outro Sidney Oliveira, que é da Ultrafarma e que faz fortificante, faz, ele mexe com a parte de saúde, então não é esse Sidney, eu sou o Sidnei Oliveira que não é o da Ultrafarma, então é mais fácil achar, tenho hoje também o privilégio de escrever na Exame, então eu tenho um blog na Exame, com meu nome, Sidnei Oliveira e eu tenho trabalhado nisso, então quem quiser entrar em contato fique à vontade ai, eu sempre vou estar conversando com eles e contando mais histórias.

Luciano           Você vai ter voltar aqui cara, que nós vamos continuar a partir daquele momento do sequestro que ali tem um trauma grande que eu quero falar mais sobre esse impacto na sua vida ai. Grande Sidnei, muito obrigado por ter vindo aqui, olha eu nesse programa aqui normalmente eu falo um montão, hoje eu só ouvi cara, porque a história é fascinante, é um pouco da história da internet no Brasil você acabou contando para a gente aqui em primeira mão, agradeço de montão, espero contar com você aqui numa próxima oportunidade e um grande abraço.

Sidnei             Pode contar comigo Luciano, obrigado pelo privilégio e olha, para quem está nos ouvindo ai, inspire-se nas suas histórias e vamos em frente, a gente vai contar a história no futuro.