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Luciano Pires -

Luciano       Muito bem, bem vindo a mais um líder cast e a pessoa que eu trago hoje para conversar aqui é cúmplice minha de longa data, faz tempo, eu tenho algumas pessoas que colaboram com o Portal Café Brasil e já faz bastante tempo, o Portal Café Brasil na verdade ele teve 3 fases né, ele foi criado de uma forma, depois ele mudou, mudou de novo e lá naquela primeira formatação eu convidei um monte de gente que eu conhecia para escrever sobre coisas que curtiam e quem esta aqui comigo hoje é daquela primeira leva, lá atrás, que há muito tempo escrevia, continua escrevendo e publicando no Café Brasil, a gente na verdade teve pouco contato cara a cara, mas muito contato por e-mail, a gente conversando sempre e na hora que o líder cast apareceu eu falei, bom, eu vou trazer ela aqui porque ela tem muita contribuição para dar nesse sentido. Eu começo aquelas 3 perguntas básicas e você já me disse que uma você não vai responder, então eu vou perguntar igual e você vai falar eu não digo, está bom?…

Suely           Claro.

Luciano       … vamos lá então. Eu quero saber o seu nome, a sua idade e o que é que você faz.

Suely           Ok. Meu nome é Suely Pavan Zanella, idade só conto para o médico e o que eu faço? Sou psicóloga, psicodramatista, minha formação é psicologia e a minha especialização é em psicodrama. Eu trabalho, hoje em dia, tanto na área empresarial e cada vez mais na área de consultório.

Luciano       E você então é dona da sua própria empresa? A Pavan pertence a você e você cuida dela. Legal.

Suely           Isso, é o meu nome.

Luciano       Maravilha. Quanto tempo você se formou?

Suely           Me formei em 79, 80 que ano que a gente está? 2015?

Luciano       15.. é…

Suely           Faz bastante tempo.

Luciano       É… já faz um bom tempo.

Suely           Por ai vocês vão calculando a minha idade.

Luciano       Já dar pra saber mais ou menos a idade…

Suely           É que idade são rótulos né, dizia Léo (confuso)

Luciano       Então Suely você tem uma coisa muito legal no teu trabalho ai, a gente já conversou inclusive a respeito, que era você me falar dessa coisa do teatro né, do psicodrama, de utilizar isso como uma ferramenta dentro do ambiente de trabalho, que não me aprece que é uma coisa extremamente disseminada, porque eu acho que tem muito preconceito ainda né, pessoalmente lá os grandes dirigentes que querem resultado, resultado, resultado, acham que isso ai é coisa de brincadeira e tudo mais…

Suely           É, quem gosta disso exatamente são os dirigentes porque o psicodrama é metodologia de ação e prática, sai um pouco do blá blá blá, então nosso tema aqui é liderança, liderança é prática, ela não é uma teoria, até porque até hoje em dia ninguém conseguiu definir exatamente o que é liderança, hoje no Google eu pesquisei, tem 29 mil, não 29.400.000 citações no Google sobre liderança, tem um artigo há alguns anos de 12000, o interesse das pessoas por liderança mental é enorme, na prática pouca gente sabe como faz né, como é que lidera.

Luciano       Então, isso vem aquela minha questão que eu coloco em todos os programas aqui né, eu não tinha ideia desse volume, foi legal você trazer 29.400.000 citações do termo liderança. Se você for numa livraria, oq eu tem de livro de liderança é um negócio absurdo, o que tem de workshop de liderança é um negócio fantástico, o que as empresas dão de treinamento de liderança é um negócio absurdo…

Suely           Mas todos são mentais.

Luciano       … no entanto, quando eu vou discutir o assunto nas empresas, é falta de liderança, o Brasil vive hoje uma crise gigantesca de liderança, as empresas tem uma crise gigantesca de liderança, o que que está acontecendo, como é que pode ser se a coisa mais buscada e mais discutida e ao mesmo tempo aquela que mais falta, o que que há?

Suely           Essa é a diferença de saber alguma coisa, do saber mental né, então eu não posso, a minha função é confidencial, então eu vou te dar um exemplo de um executivo que eu atendia e ele, em coaching ai ele fez cursos e mais cursos, trouxe o MBA aqui para o Brasil e falava de liderança, e falava de liderança, e falava de liderança, um dia ele chega para mim, minha secretária errou, que que eu faço Suely? Eu era coaching dele, falei, ué, vá lá e chame a atenção, ele falou assim, mas eu posso? Cara, isso não é liderança! Você estudou, eu não posso falar nome, que saco.

Luciano       Não faz mal.

Suely           Você estudou… ele falou, é mesmo, só que eu aprendi isso lendo, eu falei então faça o roleplay, vu fazer roleplay, como é que é para você chamar a atenção, roleplay de psicodrama da sua funcionária, ai nós trabalhamos isso dramaticamente e apareceram todas as dificuldades dele.

Luciano       A Suely está falando de roleplay, eu vou desempenhar um papel né, eu vou executar um papel, e ai é que veio o psicodrama nessa história, quer dizer, você….

Suely           Isso, que é diferente do teatro. No teatro o ator ensaia, ensaia, ensaia e ele vai desempenhar o papel de alguém, no psicodrama você é autor e ator da sua própria vida, então seja no papel profissional, como no papel do consultório, uma mulher que está com problemas com o marido, então como é que ela faz isso né?

Luciano       Então me fala um pouco mais disso ai, porque isso é fascinante…

Suely           Fascinante.

Luciano       … eu vim aqui, Suely, cheguei a seu consultório, eu tenho um problema aqui, que não importa qual seja, expliquei para você e você falou para mim, vamos fazer um roleplay, que que acontece? Que que você vai fazer? Você me bota lá e fala…

Suely           Depende da situação, então eu vou te contar um caso: eu tinha uma paciente que tinha sérios problemas com o marido, um dia, numa coisa básica, uma técnica básica chamada inversão de papeis, falei você vai ser o seu marido e como seu marido, você vai se apresentar para mim, que era a primeira seção, ela ficou muda, ficou muda, ai depois ela me falou nossa, nunca tinha pensado como eu sou incapaz de colocar no lugar do meu marido, eu só penso em mim, no meu jeito, na minha forma de querer as coisas, aliás era um querer, depois foi trabalhado em anos de terapia, um querer absurdo, mas eu não consigo, como é que fala?…

Luciano       Me colocar no lugar.

Suely           … me colocar no lugar de um cara super bacana, que gosta de mim, que eu não enxergo né. Isso começou na primeira seção, então algumas técnicas do psicodrama elas ajudam muito a vida das pessoas.

Luciano       Isso é legal, porque isso é básico né, a questão da liderança, quer dizer, o que que, qual é o primeiro papel de alguém que vai exercer liderança? Quer dizer, eu sentei aqui e vou interagir com você, você é uma subordinada minha, talvez a primeira coisa que eu deveria fazer é deixa eu me colocar no lugar dela….

Suely           Exato, empatia né?

Luciano       Ela abriu a porta, entrou na sala e me viu sentado aqui, o que que ela está vendo né? Como é que ela está entrando na sala? Ela está apavorada porque chegou na sala do chefe né? E ela está, de que jeito ela está entrando? Ela está entrando aqui humilde? Ela está entrando envergonhada? Ela está entrando… como é que ela está entrando? Quer dizer, se eu não fizer esse pequeno exercício, que é uma bobagem né, é uma coisinha tão simples, espera um pouquinho, deixa eu pensar se eu fosse ela, como é que eu estaria reagindo, isso…

Suely           É, só que no psicodrama a gente coloca de verdade a pessoa…

Luciano       Pois é, pois é, quer dizer…

Suely           Então, por exemplo, Moreno começou assim, todo mundo fala hoje em dia mal do governo, ai que que o Moreno, Moreno é o criador do psicodrama lá na Romênia, fez? Então veio aqui e sentem-se no lugar do rei, o teatro ficou vazio, ninguém sentou, porque falar é diferente de estar no lugar né, de sentir todas as pressões, de sentir todo o peso da profissão, é como hoje os executivos, então eu atendo executivos há alguns anos e é uma profissão complicada, difícil porque ninguém os ouve, então quando eles vêm para a psicoterapia, coaching ou aconselhamento, eles vêm com uma carga de peso do herói e graças a essas publicações chinfrins de liderança, que tem um monte que é uma porcaria, não serve para nada, o peso cada vez maior né, da autoridade, do cara que tem que saber tudo, se confunde a ideia de liderança com o mito do herói né, aquele que tem todas as respostas…

Luciano       Sei, que é o salvador da pátria…

Suely           … o salvador da pátria…

Luciano       … que a hora que não tiver mais saída, chama ele que ele vem aqui e ele tem a solução né.

Suely           … então o grande problema que eu vejo nas dramatizações nas empresas é que a pessoa é incapaz de sentir essa dor, que que é isso? Uma vez numa dramatização, um executivo estava conversando com seu funcionário, ele que propôs a cena, ai eu perguntei, o que que você sente nesse momento? Ele falou assim, segundo o livro, a eu não sei se eu posso falar o nome do livro…

Luciano       Pode falar a vontade

Suely           “O Monge e o Executivo”, eu tenho que ser um líder servidor, falei cara, tu não entendeu, eu perguntei o que você está sentindo, ai ele falou assim, eu não sei mais o que eu sinto, eu sei o que me disseram que eu deveria sentir, ai nós abrimos exatamente uma discussão sobre o que é isso, é o não sentir né, tem até um nome técnico para isso que agora eu não lembro, do não sentir, enquanto as pessoas são obrigadas hoje, no papel profissional a carregar uma mentira, então elas estão sempre felizes, são, em meio ao sucesso a imagem vale muito mais do que o conteúdo né e isso é um drama vivido nas pessoas no mercado de trabalho, nas empresas de uma forma, infelizmente, aqui no Brasil, quase geral.

Luciano       E que de certa forma explica a pergunta que eu fiz a você no começo lá né, quer dizer, se eu estou preocupado aqui em fingir que eu sou o tal, que eu sou o bom, etc e tal, eu não estou preocupado em fazer com que isso aconteça realmente, quer dizer, prezo mais a aparência do que a execução da coisa em si…

Suely           É isso ai.

Luciano       …  e de repente você encontra um sujeito que é um avião, meu, como é que esse cara conseguiu chegar nessa posição, aha ele é primo do dono, mas de repente  é alguém que se preocupa mais em executar e fazer acontecer do que em parecer ser, quer dizer, o parecer é consequência da competência que eu tenho no meu dia a dia né e esses caras valem ouro né, quando aparece um cara desse ai todo mundo quer né…

Suely           Ou não, ou gera dentro do ambiente organizacional um chefe, vamos supor, um chefe que não gosta de sombra, ele fala, pelo amor de Deus, Suely o que acontece aqui com esse cara que você me contratou?

Luciano       … se ele estiver acima dele um chefe idiota a esse ponto…

Suely           Uma ameba né.

Luciano       …esse cara, ele….

Suely           O chefe ameba.

Luciano       … esse cara vai atrapalhar a vida dele né?

Suely           Vai. Mas ai ele não aguenta, vai embora, vai para outro lugar.

Luciano       Então Suely, tem muita gente assim?

Suely           Muita, muita, muita, cada vez mais. Eu faço uma pesquisa pioneira de saúde mental no trabalho, a pergunta mais pesada para a maioria das pessoas, eu não gosto de ler a pesquisa, os resultados, que me vira o estômago, mas assim, por que que está tão ruim o ambiente de profissional? Porque os líderes são muito ruins, liderança não é um cargo, liderança é uma característica de um papel, falando psicodramatês, então vamos supor, um diretor que não tem essa competência ou essa habilidade, falando o termo correto, desenvolvido, ele cria na vida das pessoas uma carga pesada para se levar no dia a dia e vai isso, vai para a vida né. Se você anda em São Paulo no trânsito, dá vontade parar o carro e perguntar, cara, qual é o seu problema? Teve um diretor, acho que foi do CET ou alguma coisa assim que falou que as pessoas estão transferindo para o trânsito todo esse comportamento empresarial de, eu tenho que ser o primeiro, eu tenho que ser o sucesso, eu tenho que chegar, eu tenho que dar resultado, eu tenho que, eu tenho que parecer ser alguma coisa que eu não aguento mais ser, não é à toa que a depressão segunda feira, a crise pós Fantástico ela aumenta a cada dia e o Fantástico…

Luciano       Crise pós Fantástico é isso?

Suely           E o Fantástico tem se especializado nessa crise quando bota um monte de matéria sobre doença, para deixar a gente pior ainda para encarar uma segunda feira mais mal humorado, com as pessoas indo com a cabeça trabalhar e com o coração e as pernas lá atrás né. Todo mundo desalinhado na rua né.

Luciano       Como é que eu me protejo disso ai, vamos tentar dividir aqui em duas partes aqui, a primeira é o seguinte: o ameba, o diretor ameba que está lá na empresa pintando e bordando, como é que ele chegou lá hein?

Suely           Aha… quer saber a verdade?

Luciano       Eu quero. O que que significa para você quando você é contratada numa empresa e chega lá e tem um sujeito ameba numa posição que é uma posição importantíssima na empresa, tem um ameba. Que que passa pela tua cabeça quando você vê aquilo?

Suely           Quem indicou. Quem indicou. Hoje em dia eu faço menos, mas quando eu fazia seleção de executivos eu dei de cara com vários executivos assim, eu não sei porque eu estou sendo entrevistado por você se o fulano, beltrano, sicrano já me contratou. Simplesmente, falava cara, eu não estou sabendo disso, estão me pagando uma nota para fazer o processo seletivo do seu cargo, na hora o cara afina porque pensa que recrutamento e seleção é as meninas do RH né, só que eu não sou uma menina e o meu trabalho há anos eu desempenho, eu conheço muito bem os executivos e acaba essa história na hora, mas quando a empresa não contrata um profissional para fazer processo seletivo de executivo, normalmente não contratam, ou contratam algumas empresas que fazem sempre do mesmo jeito, o que acontece é que você contrata um cara que veio lá não sei da onde, hoje em dia tem bastante gente que vem de fora, o cara não foi selecionado para aquela atribuição, nem sempre a gente tem as competências necessárias e uma das competências para um bom diretor presidente é a liderança.

Luciano       E ai você não acha que isso acontece porque esses caras que estão na direção dessas empresas não acreditam em processo de seleção?

Suely           Aha tenho certeza disso.

Luciano       É?

Suely           Tem, já teve gente que eu fui contratada, a minha empresa foi contratada para fazer o processo seletivo, que eu cheguei na sala da pessoa, eu só estou te aguentando, a pessoa nem conhece meu trabalho, porque você conhece o fulano de tal, da empresa tal e o cara falou que o processo, o seu processo é bom, mas eu não acredito.

Luciano       Ele prefere contratar o Zé, que foi indicado pelo Alfredo, que é amigo pessoal dele…

Suely           É isso ai.

Luciano       … né e alguém…

Suely           A falta de profissionalismo ela é uma coisa aparentemente, não deveria ser assim, mas é muito comum, teve uma empresa que eu fui fazer um trabalho, uma empresa da área automobilística, que todos os gerentes foram chamados, eles faziam entrevistas na área de vendas, em hotéis, em pé, quando eu falei vocês não sentam? Ontem saiu uma matéria na UOL ridícula, falando assim, uma dica, se a sua entrevista foi curta é sinal que você não foi bem, um veículo não devia se preocupar em falar uma bobagem dessa, porque toda entrevista tem que ter uma certa duração, não existe entrevista de 15 minutos, uma entrevista boa dura no mínimo uma hora e era um consultor…

Luciano       Sim, se for um profissional…

Suely           … contratados pela empresa, essas consultorias enormes, falando uma bobagem dessa, então tem muito budismo empresarial também dentro das empresas, o que acarreta erros cada vez maiores não é?

Luciano       Que é o que causa esse desgaste, quer dizer, cara eu contratei, vim aqui, fizeram a seleção, me contrataram um cara, eu botei o cara, o cara é uma zebra, para que que eu gastei dinheiro com seleção se ela não funciona? É ai o problema que é ou a seleção foi mal feita ou teve…

Suely           Ou o perfil né, a gente começa fazendo, teve uma vez uma empresa era antiga Telefônica, que eles fizeram perfil comigo, foi para a Espanha, quando chegou na realidade brasileira, eu falei para eles, olha, tudo que vocês estão querendo são pessoas iguais e o principal componente do perfil era um negócio chamado criatividade, mas criatividade não do verbo, do verbo da palavra, mas aquela que arrebenta, que muda, transforma né, era o que eles queriam fazer numa determinada área e todos os candidatos que vinham com o tal do requisito faculdade de, pós graduação de primeira linha, eles falavam a mesma coisa na entrevista, ai eu falei, ou eu estou bêbada entrevistando, eu não estava e tinha saído numa revista de grande circulação a mesma frase que todos contavam, ai quando eu cheguei de noite, eu liguei para os diretores e falei, escolham, ou faculdade de primeira linha ou criatividade, que criatividade tem uma … aqui, ele falou esquece a primeira linha e fomos para a criatividade e a pessoa está lá até hoje.

Luciano       Quer dizer, você está me trazendo aqui uma coisa que é fundamental, que é muito interessante, a gente até passou batido aqui e falou muito por cima lá, quer dizer, tem uma série de publicações, tem uma série de cursos, tem uma série de coisas e que são tudo formatadinho né, tem 10 lições para ser o melhor gerente, 7 hábitos das pessoas que mais fazem…

Suely           7 passos, as pessoas …

Luciano       Exatamente né, como fazer, como se fórmulas desse tipo funcionassem para, quer dizer, vou seguir os 7 passos e vou ter meu sucesso lá na frente né e a gente sabe que não é assim e de certa forma isso até cria um tipo de pessoa muito interessante, que é aquele que vem com os chavões né, abre a boca e começa, um chavão atrás do outro.

Suely           Agora, imagina se você não está preparado para isso, quando você entrevista um executivo, se você não está, as vezes eu falo, que tem que ler bobagem, tem que ler tudo, leio, ai eu falo, nossa, o cara está falando igual à revista, igual ao livro do executivo monge, por exemplo, ou então a liderança é capaz de conseguir resultados através das pessoas como se fossem vidros né, não existe isso mais, hoje em dia é junto, se você não consegue resultado nenhum então tem um monte de fórmulas de liderança, extremamente perigosas, que hoje, bem hoje, bem cenário atual, você está transformando pessoas em pseudo líderes, ou pseudo presidentes, ou pseudo diretores né.

Luciano       O que explica o problema que eu falei aqui no início né. Mas que interessante, deixa eu cutucar uma outra coisa aqui que você falou agora, quer dizer, o papel da pessoa que desempenha o processo de seleção e recrutamento, eu vou fazer aquela brincadeira, de que o pênalti é um negócio tão importante que devia ser batido pelo presidente do clube né, o Vicente Mateus falava isso, o pênalti é um lance tão importante eu quem devia bater era o presidente do clube, não era o jogador. Processo de recrutamento e seleção, talvez seja a coisa mais importante quem devia fazer era o chefe imediato e não transferir isso lá na frente e fazer com que, aha, as meninas do RH fazem né, eu vejo muito isso acontecer, eu não sei se você que trabalha com isso todo dia vê a mesma coisa, quer dizer, a valorização desse trabalho profissional de recrutamento e seleção, isso melhorou, piorou, como é que é?

Suely           Não, nesses últimos, depois da década de 90 piorou muito, se barateou né, hoje em dia, quando… eu recebo muita vaga de seleção das empresas de uma forma geral, eu fico assustada com a exigência e com o salário e como eu faço parte de grupos de RH pela internet, no Facebook, eu falo nossa, mas como é que alguém teve a cara de pau de pedir, por exemplo, estagiário com disponibilidade para viagens para ganhar uma mixaria por mês e que ele tem que saber inglês, tem que saber espanhol, isso é para brigar com quem pediu a vaga né?

Luciano       Sim, já nasceu errado lá atrás né, já nasceu…

Suely           Sim, qual é a capacidade que tem uma pessoa de RH de vinte e poucos anos, de chegar para o diretor que pediu a vaga para ela e falar, olha, isso não existe no mercado, ou então é a questão cerebral, teve uma vez uma empresa que pediu um perfil, era dezembro, nunca vou esquecer disso, um perfil, mas um perfil altamente louco, ai eu cheguei em casa e li aquilo, ai eu liguei para eles falei, acho que eu já encontrei o candidato de vocês, só que ele vai nascer no dia 25 de dezembro, ele se chama Jesus Cristo, ele está 100% da causa, porque ninguém sabe quem foi Jesus Cristo, ai o diretor lá falou Suely, é tão grave o nosso caso assim? Eu falei, cara vocês estão querendo uma pessoa 100% devotada à empresa e não um cara que mude processos, aha, você dá um tempo para nós? 2 meses depois eles me ligaram novamente, eles melhoraram o perfil e contrataram uma pessoa que tinha, era mentalmente, ela não estava só na causa, ela tinha família, eu que contratei né, e mudou o perfil, uma pessoa que mudasse um processo de um antigo funcionário que era alcoólatra e vivia 100% pela empresa que havia morrido, então eles queriam substituir uma coisa deficiente por outra mais deficiente ainda, trabalhasse 22 horas né…

Luciano       Tem um site, você está falando para mim eu estou lembrando, eu não me lembro se é uma página no Facebook ou se é um site, eu vou tentar encontrar isso depois aqui, que publica só esse tipo de anúncio, eles caçam e põe os anúncios de emprego, outro dia eu dei uma olhada lá, é de dar risada né, porque o cara bota uma qualificação, ele bota, ele descreve o Ronaldinho gaúcho e paga 600 reais por mês, 800 reais, 1200 reais…

Suely           Em termos de recursos humanos, voltando à sua pergunta, os salários desde a época que eu aí, a última empresa que eu trabalhei foi a Abril, e sai em 99, o salário eles fizeram isso…

Luciano       Caíram.

Suely           Nossa muito, falei, hoje em dia se estivesse trabalhando numa empresa estava ganhando quanto? 10 mil reais, menos né? Não é real assim.

Luciano       Porque isso é interessante, me fala mais um pouco disso ai.

Suely           A faixa salarial de RH baixou demais.

Luciano       Aha, você quer dizer os profissionais de RH perderam importância dentro do. Quer dizer…

Suely           Sem dúvida, por mais que se fale em….. mentira.

Luciano       Vamos lá de novo, quer dizer, no mundo que o mais importante são as pessoas, pessoas são nosso ativo mais importante né, eu olho a coisa, as máquinas não são nada, mas pessoas é a coisa mais importante e no entanto o RH ele perde importância nas empresas né, eu me lembro da minha briga, quando eu estava no ambiente, ambiente corporativo, que eu dizia o seguinte, cara eu vou acreditar no que vocês estão falando o dia que tiver um vice presidente de RH aqui na empresa sentado na mesa para tomar decisão junto com o vice presidente comercial, junto com o de marketing, junto com o operacional e tiver o de RH, enquanto eu não ver esse cara sentado, com poder para dar uma paulada lá junto, é tudo papo furado, é conversa mole, porque isso ai é….

Suely           É assim, vai dar de cima par baixo, então se você não tem alguém de RH, eu só acredito em RH staff, se não tiver staff para brigar com diretor, muitas vezes eu tive que brigar com diretores quando trabalhava dentro da empresa, para valer a minha opinião, a especialista em pessoas sou eu, não é o Joaquim, o cara da área comercial, então eu estou dando a minha consultoria, com valor até menor, você não vai brigar com o cara da informática, cara de TI é o que entende de TI, o cara da controladoria é que entende  lá dos controles fiscais, blá blá blá, então porque vai brigar comigo? Então tem que saber se impor. Quando eu dava cursos no interior de São Paulo, no Brasil o RH sempre falava isso, mas eu não tenho coragem de ir lá falar com o diretor, então sai da área, por que você está fazendo o que? Sendo vaquinha de presépio? O cara te passa um perfil inexistente, você concorda com ele, vai atrás dele, não consegue ninguém no mercado, quando consegue, consegue uma porcaria e ai o próprio diretor vai contra você, tem que ser mais proativo né.

Luciano       Então, mas essa pessoa está lá porque alguém criou a pessoa assim lá…

Suely           Mas tem que ser alguém que faça, essa pessoa não existe, eu quero uma cara comercial e administrativa…

Luciano       … eu quero dizer o seguinte, essa pessoa do RH que está lá sentadinha e que chega para você e fala assim, po, como é que eu vou falar isso para o diretor, ela está naquela posição porque alguém colocou ela ali…

Suely           Perfeito.

Luciano       … porque queria uma pessoa assim…

Suely           Enfeite.

Luciano       … não foram buscar um cara para incomodar né, o Washington Olivetto…

Suely           Isso

Luciano       … o Washington Olivetto tinha, como é que era? Eu não me lembro se era do Washington, não, não é dele não, não me lembro quem é, que trazia uma frase mais ou menos assim, quer dizer, se você não está incomodando o suficiente para ser mandado embora, você não está indo longe o suficiente, quer dizer, se você é um yes sir, e você está aqui, o que ele mandar eu faço, porque se der cagada o problema é dele, você é só mais um, eu quero um cara que me encha o saco, que eu costumo brincar com a turma dizendo, olha, na minha época de brincar, eu falo muito sério né, falo na minha época que eu estava liderando equipes nas empresas, os melhores caras que eu tinha comigo eram os caras que vinham me contestar e eu falava, vamos fazer assim e o cara vinha, por que? E me obrigava a explicar o porque é que tinha que ser assim nesse processo eu aprendia, eu revia posições…

Suely           Essas são as melhores equipes.

Luciano       … que tem gente que vem e que te contesta mesmo você sendo o chefe e essa pessoa vem te contestar não porque é um animal, porque um burro que não sabe nada…

Suely           Ou porque é chato.

Luciano       … ou porque é chato, é porque talvez essa pessoa saiba…

Suely           O que ela está fazendo.

Luciano       … espera um pouquinho mais, espera ai, por que assim né? Então vamos lá de novo, no papel da liderança que é uma coisa que para mim é muito, é muito importante, eu vejo cada vez menos aqui, eu entro em campo e eu quero ganhar o jogo, eu sou um líder e descubro que faltam para mim, as características A, B e C, eu sou muito bom no D, E e F e por isso eu assumi posição de liderança aqui, que que eu tenho que fazer? Eu tenho que buscar um cara A, um cara B e um cara C que são os melhores do mundo, são muito melhores que eu…

Suely           Aha, o seu time?

Luciano       … claro, no meu time né e ai que na minha deficiência esses caras vêm para suprir, parece uma coisa tão óbvia né e…

Suely           Mas normalmente se contrata iguais né…

Luciano       … então…

Suely           Deixa contratar fulano que fala baixo que nem eu, eu não quero mulher, que ela vai chamar a atenção, eu não quero um cara, aquele cara fala muito, gosto de gente quieta, tem um estudo na USP que diz que as melhores equipes e mais trabalhosos para os gerentes são: equipes de gente diferente, homens e mulheres falantes, não falantes, introspectivos e extrovertidos, os piores equipes que dão os piores resultados são: as pessoas iguais…

Luciano       Tudo igual.

Suely           … tudo, é o sombra do chefe, você vê, é engraçado que você vê né, você está no corredor, tu vê o chefe, parece cachorro, cachorro se assemelha, com o tempo vai se assemelhando o jeito, você vai andar na Paulista de domingo você vê, você fala, olha o cachorro, fala igual o dono né?…

Luciano       Igual o dono.

Suely           … andando devagar, ou é gordinho e empresa é a mesma coisa, você vê o chefe, a reunião, se o chefe faz assim, todos fazem assim, então é uma sincronicidade burra.

Luciano       Você sabe que tem uma coisa interessantíssima que eu já, depois de tanto tempo fazendo palestra, eu meio que desenvolvi essa capacidade de perceber uma liderança aos 10 minutos de palestra né, cheguei lá, comecei a palestra, bla bla bla bla bla, em 10 minutos eu já saquei qual é o estilo de liderança da empresa, por exemplo: eu chego lá e o começo da palestra é  o momento de sentir a plateia, eu quero ver até onde vai, quero ver que tipo de piada eu posso fazer, quero ver se eu posso colocar um palavrão bem colocando, então eu faço exercício no começo da palestra e vou reparando na turma, então tem uma coisa, falei uma coisa um pouco mais picante e a plateia ri nervosamente olhando para o chefe, todo mundo olha para ver se ele está rindo né, deixa eu ver, se ele estiver rindo eu vou rir também, se ele não rir eu fico quieto e ali você saca né, que tipo de hierarquia é essa? Quer dizer, tem um sargento lá na frente que vai comer o fígado de todo mundo né…

Suely           E come mesmo.

Luciano       … e é assim né, então é uma coisa interessante que, quer dizer, o discurso de que eu quero inovação, eu quero criatividade, eu quero gente pensando diferente, fazendo diferente é papo furado.

Suely           É o parecer ser, do começo do nosso papo, então se parece, cria um personagem que é super… eu vou falar todos os termos da modernidade, proativo, paradigmas, bla bla bla, bla bla bla…

Luciano       Resiliente.

Suely           … resiliente, geração Y, geração abedecário, e ai você fala, mas prática né, quando você vai ao banco, ao supermercado, você é pessimamente atendido, cadê o supervisor? Quando você chama o supervisor, o cara é a mais, ele é mais ameba do que o próprio funcionário.

Luciano       Sei, e acaba que não resolve.

Suely           Ninguém resolve nada, como é que é a leitura, ontem eu fui ao banco e tive que falar com o meu gerente pessoa jurídica, eu não estava passando bem por causa da gripe e eu fiquei lá esperando um tempão, eu falei você vai demorar ou não? Ele falou, não é que eu estou fazendo uma reunião com a minha chefe, o slogan o cliente em primeiro lugar é uma balela, ai ele ficou olhando para minha cara, riu, a chefe em primeiro lugar, o cliente que se dane, então tem muito isso nas atitudes né, eu estou falando de comportamento, que a gente percebe, que você chega num primeiro momento da palestra sabe qual o estilo de liderança daquela empresa, ou se a empresa é fria, se a empresa realmente está a fim ou foi todo mundo apavorado para te ouvir, você percebe isso, é verdade, é que nem o primeiro encontro, você sabe nos 5 minutos iniciais se aquele relacionamento vai dar certo ou não né? Se o cara é um grosso para chamar o garçom, que um dia ele vai te chamar do mesmo jeito, traz uma cerveja! Vem cá Zé, é a mesma coisa, relacionamento afetivo é ótimo para comparação, então você percebe todos esses dados, está tudo ali, o comportamento diz outra coisa do que diz o blá né, a conversa, a fala.

Luciano       Você trabalha, na tua experiência como seleção e recrutamento de executivos, você também atua no momento em que o cara é mandado embora?

Suely           Não.

Luciano       Não? Mas não tem…você não faz a entrevista de desligamento, esse tipo de coisa?

Suely           Não, quando eu trabalhava dentro de empresa sim.

Luciano       Sim, mas você hoje não é teu papel, quer dizer, quando o cara sai…

Suely           Até porque as empresas que tem, é recolocação, eu não faço recolocação, a minha empresa não tem o escopo da recolocação profissional.

Luciano       Eu ia te fazer uma pergunta aqui, eu não sei até se passou por você essa experiência?…

Suely           Eu fazia quando trabalhava dentro do ambiente organizacional…

Luciano       … quer dizer, o sujeito é despedido e faz uma entrevista de desligamento e por que que essa entrevista existe? É porque teoricamente a empresa quer saber se há algum problema na empresa que fez com que o cara fosse embora, eu fico imaginando o sujeito que acabou de ser despedido indo lá e, aha eu vou colaborar com a empresa para que ela melhore e vou contar para vocês todas as injustiças que aconteceram e que me botaram na rua aqui. Não sei quem tem sangue frio desse jeito.

Suely           Eu vou copiar o que uma chefe uma vez falou para mim, que eu falei não sei pra que que serve fazer entrevista de desligamento nessa empresa se ninguém usa isso para nada, ou vai isso para cima, lá para o VP ou parou no meu, eu não sou o fala que eu te escuto né, minha orelha é importante, ela falou, se não serve para nada não faça mais e foi isso que eu fiz…

Luciano       E ai ninguém cobrou?

Suely           … eu parei de fazer, ai um dia um diretor falou, Suely, você não está fazendo mais entrevista de desligamento? Falei eu não, para que? Ninguém lê, ninguém se informa, ninguém está nem ai para nada. Ai o cara, que você faz, na minha área, ai viro consultora interna ai na minha área eu quero que você faça, ai tinha valor, então o que o cara falava, se gerava valor para a empresa, então teve algumas áreas tiveram aumento e salário porque era igual né e eu tive que me adaptar, em termos eu tinha um VP engenheiro, ele não entendia quando eu falava numa linguagem qualitativa, ai eu aprendi a fazer gráficos, então, aha Suely, então sai 60% de salário, é isso ai, ai ele ficou encantado, se eu chegasse lá, um monte de gente está saindo por causa de salário, ai quando cheguei, 65% de salário, 45 não tem dinheiro para pagar o aluguel por causa do salário aqui…

Luciano       Mas olha que legal Suely…

Suely           … ele ficou apaixonado.

Luciano       … você teve que desenvolver…

Suely           Tive que desenvolver.

Luciano       … a linguagem que aquela pessoa ia entender…

Suely           A minha linguagem psicóloga é muito psíquica para ambiente organizacional, o cara não vai entender, me parece que o cara não serve para o cargo porque eu tenho que ser específico, eu banco o cara, eu compro esse cara em seleção, em treinamento, em palestra ou eu não compro, eu tenho que ser clara, se não as pessoas não me entendem.

Luciano       E me diga uma coisa aqui, eu fico fascinado com essa, uma vez eu fui visitar um headhunter, ele estava procurando para um cargo grande numa empresa tal, e foi me entrevistar né e eu fui lá, fiz a entrevista com ele, sujeito interessante, que trabalhava sozinho, foi muito engraçado, porque eu fiz a entrevista com ele, falei po entrevista legal, no final da entrevista chegou uma garota de uma outra empresa que ia lá para ser entrevistada por ele e ele chegou para mim, vem comigo e me botou junto na sala para eu acompanhar a entrevista que ele estava fazendo com a garota, fiquei lá tal, me pediu faz alguma pergunta ai, eu perguntei para a garota, como…

Suely           Você estava junto?

Luciano       … eu junto com ele, eu estava, eu tinha acabado de ser entrevistado para um alto cargo e ele me levou para outra sala onde eu fui ajuda-lo a entrevistar uma garota que ia para um outro negócio né, e eu participei tudo, mas depois ele veio mas e ai, o que você achou eu contei, ai vem comigo aqui, ai descemos para a garagem do prédio, ele foi mostrar para mim o carro dele que era um BMW conversível, isso aqui é o sonho da minha vida, olha aqui, eu levei a vida inteira para conseguir comprar esse carro, pa pa pa agora eu estou feliz da vida, pa pa, entrou comigo, saímos, fomos na rua, porque é legal… Depois que eu parei isso tudo falei cara, por que esse cara fez isso comigo né? Eu falei po,..

Suey           Que estranho.

Luciano       … esse desgraçado estava me avaliando, ele me colocou na sala para eu ajudá-lo a avaliar aquela menina mas na verdade o avaliado era eu, ele me levou lá embaixo para mostrar o carrão dele para mim e ele estava me avaliando, quer dizer, foi todo um processo gigantesco onde a entrevista foi um pedacinho pequenininho né, que aquela entrevista bla bla bla, a coisa toda estava no restante. Não deu em nada porque a empresa desistiu de vir para o Brasil, eles iam botar a fábrica aqui, no fim desistiram e trocaram toda a história lá, acabou que não deu em nada né, mas aquilo ficou na minha cabeça, falei cara, como é que esses caras, como é que esse cara chega num ponto de fazer esse tipo de andamento que não tem, é completamente fora da casinha, mas no fim eu falei, cara, esse cara estava certo, porque ele me botou em situações que eu não esperava e de repente eu estava diante, eu tive que me despir de todos os meus jargões porque eu estava numa situação inesperada e ele estava me avaliando, quer dizer…

Suely           Existem métodos científicos de avaliação, não estou falando de teste, nem aplico teste, tem jeitos de perguntar, tem maneiras de você descobrir ou colocar a pessoa de fato em situação que você não tem que fazer nada que seja proibitivo ao candidato ou coloque numa situação que ele não saiba.

Luciano       … então era ai que eu queria chegar né, quer dizer…

Suely           Isso na minha profissão não pode existir, entendeu? É anti ético.

Luciano       … então, isso que eu queria, que eu queria chegar, quer dizer, existem, quando eu contrato um profissional para fazer um trabalho de seleção e etc e tal, esse cara não está com uma folhinha na mão com 12 perguntas que ele senta na minha frente, faz as 12 questões, preenche aquilo e me manda embora?…

Suely           Não.

Luciano       … e eu acho que eu participei, na minha vida, de 5 ou 6 seleções e todas foram assim…

Suely           Não, eu participei uma vez de uma que a moça ficava olhando no relógio, eu falei por que você está olhando no relógio? Eu era a entrevistada. Ela falou, que eu tenho que cumprir tempo de 25 minutos de entrevista e todas as perguntas que eu tinha que fazer para você eu já fiz, falei você sabe jogar damas? Eu fui admitida, mas eu não fui na empresa, eu falei se começou assim, vamos se dar mal aqui…

Luciano       Eu fui fazer uma entrevista em uma que um dos itens era falar inglês e a entrevistadora me entrevistando, fraquinha a menina, ela perguntou, você sabe falar inglês? Eu sei…

Suely           Claro.

Luciano       … quer testar? Ela não, não não pelo amor de Deus. Ela não falava. E foi me entrevistar…

Suely           Não se faz esse tipo de pergunta.

Luciano       …então cara…

Suely           É pergunta óbvia…

Luciano       … mas ai, como é que faz cara? Se começou assim…

Suely           Então, se eu….

Luciano       … é a história do cara que…

Suely           … leia a empresa…

Luciano       … o grosso chamando o garçom…

Suely           … é isso ai.

Luciano       … meu, se começou assim…

Suely           Já vai dar merda né…

Luciano       … que empresa é essa que bota uma zebra para fazer essa entrevista lá no começo, por que que isso acontece?

Suely           Por causa exatamente da fraqueza ou da falta de percepção de leitura do empresário brasileiro, há muitos anos eu fui assistir um cara, um americano, ele escreveu um livro, “Empresas Feitas para Durar”, acho que era o J. J. Porras que estava no Brasil, o nome é meio pornô mas ele era ótimo, e eu fui assim, eu disse é uma porcaria, aquela coisa americana, eu adorei, então estava eu de gaiata né, ai só estavam os maiores empresários do Brasil nessa apresentação, ele perguntou para todos os empresários: qual é a área mais importante da empresa? Finanças. TI. Ai eu falei, recrutamento e seleção, yes! Essa é a base. Ele escreveu um livro com a pesquisa em empresas feitas para durar e a principal característica dentre outras né, é a base, que é o recrutamento e seleção, se a sua base é uma porcaria, você vai cair em ruínas, se você construiu uma cas,  você acha lindo janela estilo não sei o que lá, isso não serve para nada, a sua base tem que ser muito boa…

Luciano       E o mané que eu botar aqui hoje, qual é o futuro desse mané, sabe, eu tenho que botar um cara aqui que tem potencial para ser… mas ai a gente vem parar no Brasil, qual é o problema do Brasil? Eu já ouvi essa queixa várias vezes nos clientes que eu vou e o cara diz o seguinte, meu, eu contrato um sujeito que tem potencial, boto o cara aqui na minha empresa, treino o cara, mando o cara fazer curso não sei aonde, gasto uma nota no cara, a hora que ele fica pronto ele vai embora, ele vai trabalhar em outra empresa, ele vai tocar a vida dele, ele vai embora e eu perdi aquilo tudo…

Suely           Tem empresa que faz tudo isso mas não sabe dar o retorno.

Luciano       … então, que vem aquela questão que entrou na moda também né….

Suely           Que é a retenção de talentos…

Luciano       … isso…retenção de talentos…

Suely           … só que ninguém retém funcionários…

Luciano       … como é que é?

Suely           … primeiro retém os carregadores de piano, que é os componentes, 90% de uma empresa são os carregadores de piano, gente que faz, que é o pessoal do dia a dia e 10% ou menos são os high fryers(?) ou os talentos, que é aquela pessoa que vai criar, vai botar a empresa em novos rumos, que aquele cara que ganha super bem, mas você tm que saber conversar com uma pessoa dessa, de novo, ninguém nesse nível, as pessoas de alto potencial respeitam um diretor ameba, que vai chegar para o cara e falar, aha, imagina que bobagem…

Luciano       Quer dizer, um sujeito talentoso como esse não admite ficar embaixo de um mané.

Suely           Não consegue, vai embora. Então, ai quando fala em retenção de talentos, minha recomendação às empresas, já escrevi sobre isso, é que elas retenham primeiro funcionários como treino, se ela sabe realmente reter as pessoas da empresa, depois os talentos, é uma minoria, talento, talento mesmo são poucos, mas que esteja disponível, se você contratar um cara que é um talento, que tem altíssimo potencial, tem potência, você precisa saber lidar com esse tipo de pessoa, não adianta chegar, eu quero um cara super criativo, chega na empresa o cara, olha, vou modificar essas paredes, aha não pode porque você tem que pedir autorização, num formulário JP4, entendeu? Não combina.

Luciano       É, meu cunhado passou por uma dessa, foi contratado para assumir um cargo de alto nível de diretor comercial da empresa e os caras exigiram que ele chegasse 7 horas da manhã e ele, cara, a área comercial não funciona, vocês tem que vir de gravata e tem que começar as 7 horas da manhã, ele foi embora da empresa, ele falou cara o que é isso? Cara, 40 graus aqui dentro, não tem que tirar a gravata? Não senhor, queremos você de gravata e 7 horas da manhã porque tem que dar o exemplo. Quer dizer, cara, eu estou fora né.

Suely           Então, mas não lembra, regime do exército, regime militar…

Luciano       Sim, claro…

Suely           … organização religiosa, não é por ai né? Eu acho que a gente teve, isso é minha leitura, essa semana inclusive eu estava conversando sobre isso com um cliente, me pediram um projeto super inovador, pa pa pa e contrataram uma outra empresa que faz um trabalho extremamente formatado, para para… falei nossa, estavam na contramão da história né, porque o gerente decidiu, falei o que o gerente entende de treinamento? Necas né.

Luciano       É esse é o problema e você tocou num ponto interessante que esse ponto que você falou da questão da hierarquia, do exército e tudo mais, a compreensão que tem que ter é o seguinte: o exército tem que ser assim, entendeu? Esses caras vão para a guerra e eles estão lidando com recursos que vão lá na frente botar a sua vida em risco, eles estão fazendo uma coisa extremamente estratégica e planejada, tem que haver essa hierarquia, eu não posso tr um exército cheio de gente criativa, porque vai soltar uma bomba na cabeça do outro…

Suely           Vamos lá, onde é o alvo? Vamos lá, vamos experimentar!

Luciano       … não dá, entendeu, lá tem que ser assim…

Suely           Mas a empresa pode ser o grande laboratório, não pode?

Luciano       … então, mas no dia a dia é diferente, quer dizer, eu não posso ter aquela rigidez hierárquica que tem, num ambiente que exige, onde tudo muda né, somos criativos, queremos inovação, agora o seguinte: você foi contratada, seja bem vinda Suely, você tem 20 anos de idade, você tem um grande potencial, você sente-se aqui, aqui está o seu computador e aqui nesse papel você tem a relação do seu trabalho que tem que ser feito, então você tem, você precisa seguir o que está aqui, porque se você não seguir o que está aqui, o auditor da ISO9000 te pega…

Suely           Aa é isso..

Luciano       … você entendeu? O auditor te pega, você entendeu Suely? Entendi sim senhor. Aha olha, e a gente gosta de gente inovadora e criativa.

Suely           Isso, falou tudo.

Luciano       Não está errado?

Suely           É contra, é coisa de esquizofrênico, pai diz sim, a mãe diz não né, então a gente vive uma realidade, acho que você definiu bem, tem alguns autores que dizem que a gente, a realidade empresarial é psicopata, mas eu acho que a gente aqui no Brasil, pelo menos a gente não chegou como os Estados Unidos que é leitura de psicopatia, foca em resultado, resultado, aqui a gente está numa ainda…

Luciano       Esquizofrenia

Suely           … a gente está esquizofrênico, que a gente que parecer tanto uma coisa tão maravilhosa, só que na prática a gente faz diferente, então é o limite do esquizofrênico, é a cisão, aqui e aqui né.

Luciano       Esquizofrenia empresarial, puta isso é fantástico cara…

Suely           Eu não tinha pensado nisso…

Luciano       … não, isso é fantástico…

Suely           não, isso ai…

Luciano       … não, isso é fantástico né, porque é exatamente isso, quer dizer, o discurso vai para um lado, a prática vai para o outro e eles nunca se encontram né e quando você conversa, o discurso continua, igual você falou, meu, mas eu estou aqui dentro bicho, não é assim. Eu fui uma vez, eu tive uma experiência deliciosa, que eu escrevi, até botei num livro meu, eu estava numa reunião na empresa que eu trabalhava, lá nos Estados Unidos, e os caras com aquela coisa mundial, global, etc e tal ai veio uma conversa lá da coisa da diversidade, então veio um manual da diversidade, com texto da diversidade, então temos que receber de braços abertos os negros, os hispânicos, as mulheres…

Suely           Os gays.

Luciano       … os baixos, os gordos, os gays, pa pa pa pa pa e ai terminou aquilo tudo, baita apresentação, veio lá na frente o chefão, para ter uma seção de perguntas e respostas e na seção de perguntas e respostas eu infelizmente eu não gravei, eu queria ter gravado, o comentário dele foi o seguinte: olha, essas minorias estão crescendo, daqui a alguns anos aqui nos Estados Unidos os hispânicos vão ser uma parte imensa da população, que não vai comprar de empresas que não tiverem hispânicos, então nós temos que ter na nossa empresa hispânicos porque se não nós não vamos vender para eles, falei pera um pouquinho cara, eu tinha entendido que esse conceito da diversidade era uma coisa humana, de respeito ao ser humano, você está me dizendo o seguinte: que não é isso, que é a questão de lucro, que eu preciso ter gay porque as empresas só vão comprar de empresa que tem gay, é por isso? E o cara deu uma entrelinha dizer que é por isso que nós estamos discutindo…

Suely           Eu vou copiar de um cara de uma consultoria me falou, de uma escola que eu dava consultoria, Suely tem que ser bom para os negócios, esse negócio de responsabilidade social (confuso) sempre tem que focar, eu sempre mencionei isso, é verdade, se não for bom para os negócios, as pessoas não vão fazer isso, ética, não sei o que, pa pa pa pa, diversidade, cara que vai trabalhar com diversidade ele quer vender lá o produto dele no final, há mercados crescentes, o mercado dos gays é um mercado crescente, pessoas com alto poder aquisitivo, mulheres no Brasil tem poder decisório, são elas que decidem que a apartamento será comprado, que casa será comprada, que tipo de carro, bla bla bla, então não é, quando tem essa, atrás disso sempre vão pensar em primeiro lugar nos negócios e melhoram as questões humanas, isso que eu acho bacana, quando se fala em responsabilidade social começa como um grande marketing, um grande modismo mas no fim a coisa acaba dando certo…

Luciano       Claro, porque ela é colocada em prática, até o momento em que aparecer uma crise e quando a crise chegar, corte a ONG, corte a ajuda às crianças carentes, corte as cestas de natal, corte o café, corte o investimento em curso porque isso é tudo bobagem, nós temos que dar resultado e o negócio agora é grana, é dinheiro.

Suely           O acionista está cobrando.

Luciano       Continua assim, continua sendo assim né…

Suely           Mas é travestido através de um monte de programas que eu vou chamar de “programas sociais”, eu fui numa empresa uma vez, que ela não sabia que o que ela fazia, é uma empresa enorme, eram grandes programas sociais, eles tinham faculdade para a comunidade, eles tinham não sei o que lá, falei nossa, vocês tem tudo isso? E ninguém sabe. É uma empresa do governo, é, a gente tem, sempre tivemos, falei aha poxa que legal, vocês nunca divulgaram? Não, a gente não sabia que precisava divulgar, é bom né? Aha mas, então. A comunidade inteira estudava graças, ali em São José dos Campos, essa empresa enorme né que tinha um programa de qualidade de vida.

Luciano       E que não divulgava e ai vem aquela história, eu vou fazer uma grande doação e quero me manter secreto, discreto, etc e tal porque eu acho que não se deve falar sobre aquilo que a gente faz de bom. Falei cara, desculpe-me bicho, eu preciso que você fale que você doou para que outros animais que tem dinheiro como você tem vejam você fazendo e resolvam fazer também, porque se você faz e não conta para ninguém…

Suely           Isso afeta

Luciano       … você não dá o exemplo, entendeu? Por favor, não é uma questão de, nos Estados Unidos como é que funciona? O cara vai lá e pega o dinheiro dele e constrói uma ala nova no zoológico e tem uma placa na entrada: esta é a ala, Nancy e Robert Jambs, o que que foi isso? Essa família doou e construiu essa ala. Cara que legal, o dia que eu tiver dinheiro eu vou fazer igual.

Suely           Mas é quase uma negação que eu enxergo, do que é o dinheiro né, então o Bill Gates, eu sempre confundo, é o Bill Gates o que tem mais dinheiro no mundo, ele está envolvido em um mundo de obras sociais, porque ele não precisa ter 10 carros, 10 barcos, 32 casas né, isso é bacana, quando teve um problema aqui no Brasil, eu acho que foi das chuvas do ano passado no Rio de Janeiro eu falei, nossa não tem um artista ajudando ai eu vi o Ronaldinho que para mim é o Ronaldinho, é o gordinho, depois apareceu outro, falei bacana, o Zeca Pagodinho, falei os artistas aqui são tão pouco participativos, quea gente saiba, porque a maioria tem esse, não, não vou falar para ninguém se não vão achar que eu estou fazendo marketing.

Luciano       Eu escrevi…

Suely           Foda-se que estão fazendo marketing. Façam, aliás façam muito marketing.

Luciano       … por favor dê o exemplo, eu escrevi um artigo a respeito falando, o título do artigo é o seguinte: “Compre o CD do Luan Santana”, chama o meu artigo e ai eu vou contar, no artigo, que eu fui fuçar e descobri que o Luan Santana pega uma parte do dinheiro dele e tem um hospital que ele ajuda na região e é tão fantástico que cada sala do hospital é o nome de uma música dele, falei cara o que é isso cara? Quanto dinheiro? São alguns milhões que o cara botou lá, então botei e os caras, ahaa mas ele faz isso para burlar o imposto de renda, ele faz isso para poder descontar do imposto de renda, ele faz isso para poder vender mais disco, eu falo cara, desculpe bicho, eu gostaria de ter no Brasil cem Luans Santanas, com essa sacanagem toda que você está me dizendo, erguendo hospitais como esse moleque está fazendo, entendeu? Então o que ele faz é exemplar e esse exemplo tem que ser demonstrado, mas a mediocridade vigente olha para isso e fala não, não tem que mostrar, e vou trazer agora para a nossa discussão dentro do ambiente da empresa, é igual…

Suely           Isso não gera resultado.

Luciano       … é igual…

Suely           Não sabia do Luan Santana, po admirável, eu adorava nas praças, lembra quando tinha em São Paulo, aqui a praça, a praça é conservada pela empresa tal, falei po que legal né, que legal.

Luciano       … que legal quer dizer o que? Vai vender mais porque fez a praça ou não?

Suely           Não, mas se tiver que escolher no supermercado entre produto X, Y, eu vou na imagem mental, eu vou lembrar, po aquela empresa la ajudou a melhorar o parque do Ibirapuera, não é bacana?

Luciano       É só que isso é um dado romântico, ele não resiste a uma planilha Excel do engenheiro da produção dizendo que tem que comprar um torno novo, pare de botar dinheiro nessa merda dessa praça porque o dinheiro que você está botando ai eu tenho que arruma rum torno novo e eu vou botar o dinheiro no torno, essa é a realidade.

Suely           Mas é um pensamento pequeno.

Luciano       É, mas ele é o que existe, por ai, então é interessante nesse contexto todo, nós estamos falando de liderança porque me traz aqui para uma coisa que eu queria até colocar para você, que é o seguinte, a coragem que um líder de verdade tem que ter de investir em coisas que dão como resultado dados românticos, entendeu, eu vou investir nesta, no recrutamento e seleção porque isso é importante, cara mas vai custar caro, eu vou contratar a Suely, a Suely me cobra uma nota, ela vai me trazer uns caras aqui que ganham demais, pe pe pe pe, e financeiramente essa coisa não se justifica agora, vai se justificar na hora que, daqui a 10 anos o presidente da empresa, é a Suely que me trouxe, eu vim com ela né…

Suely           É curto prazo, pensamento pequeno, pensar no curto, em vez de pensar no longo prazo.

Luciano       … e é isso que eu valorizo nessa questão do que que para mim é um líder? É o cara que tem coragem de investir…

Suely           Concordo plenamente.

Luciano       … em coisas que não vão dar resultado imediato, entendeu? Cara, é legal reduzir a despesa, tem que reduzir todo dia, mas qual é a diferença entre cortar a gordura e cortar carne?

Suely           Não, e as vezes a despesa, o que se corta dentro de uma empresa, de despesa, são despesas importantes, quando você pode na sua casa, você corta despesa daquilo que é supérfluo, que não serve para nada…

Luciano       … gordura e carne…

Suely           … mas é a leitura… mas e a leitura…

Luciano       … gordura e carne né…

Suely           … ou critério, o que que é supérfluo, cortar áreas importantes, uma boa área de recursos humanos, por exemplo, mas tem que ser boa, tem que ser gabaritada, tem que ser de gente questionadora, gente que enche o saco que você tem vontade, todo dia quando você chega em casa, pegar um vodu, eu sempre falo isso quando eu dou curso, pode botar o vodu Suely, isso vai acontecer, eu faço os alongamentos assim que vocês vão ter ódio de mim, mas depois passa, dura 6 meses o ódio, depois passa, depois vocês vão ver ai que eu não estou falando isso porque eu sou uma menina vislumbrada, eu sou uma mulher com experiência, faça que dá certo, não tenham medo. Mas a primeira coisa que você tem que aprender a lidar é com o medo…

Luciano       Sim…

Suely           … isso é difícil…

Luciano       … sim, é complicado né…

Suely           … é transpor uma barreira…

Luciano       … sim, porque eu vou correr risco, de novo eu vou entrar em uma situação de risco e vou botar meu pescoço a prêmio…

Suely           a prêmio…

Luciano       … quem é que faz isso hoje em dia? E é aquele cara, se você não esta fazendo isso, você não está indo suficientemente longe, você está ficando tranquilo, está seguro no meio das pessoas que tem no rebanho…

Suely           É isso ai.

Luciano       … ai de repente aparece um mané que tem coragem de botar o pescoço a risco e esse cara faz a diferença né, então é muito complicado lidar com isso especialmente num ambiente em que tá cheio de líder ameba, cheio de chefe ameba e eu tenho descoberto que para mim esse foi o maior choque eu que eu encontrei quando eu sai do ambiente corporativo, eu deixei de ser um alto executivo para ser um fornecedor dos altos executivos e ai eu comecei a trombar com essa turma, comecei a trombar com pensamento pequeno, com a falta de planejamento e eu tomei um susto né, porque eu falei, cara, eu tenho empresas que para mim eram ícones e hoje eu vim trabalhar para essa empresa e eu conversei com o cara e troquei duas ideias com ele e eu descobri que o cara é um zé, é um zé no entanto a empresa é gigantesca, quer dizer, tem uma coisa de percepção que eu acho que explica muito do que acontece no Brasil né, a gente, apareceu uma autoridade eu cai de 4 na hora né…

Suely           Isso, falou tudo, o grande problema do brasileiro, do empresário é a história do que ele enxerga como autoridade, ou é confundida com autoritarismo, aquele cara que te faz bota o dedo no seu nariz, você tem que fazer, que é o assédio moral, isso é uma besta, aquelas reuniões lá do povo do telemarketing, que a gente vê casos absurdos né, das pessoas totalmente se matando, embora não se fale nada apor aqui, ou então a maioria é medrosa, tem medo de chamar a atenção, quer parecer bem na fita né, não fala mais fita, no selfie, então tem um medo, e então os cabra se adaptando, eu já vi executivos altos, quando o presidente da empresa entra fica vermelho, falei mas porque você tem medo? Depois que ele vai embora, tem medo dele? Eu não, por quê? Então por que você ficou vermelho? Fiquei vermelho? Só faltou tremer.

Luciano       É bem brasileiro isso.

Suely           É uma coisa… le le leee (risos) Eu adoro levar um…

Luciano       É, diante de uma autoridade eu me prostro né, mais que isso, diante de uma celebridade eu me prostro.

Suely           Sim, porque hoje em dia não basta ser um executivo, você tem que ser famoso né…

Luciano       Sim… é tudo..

Suely           Tem que aparecer bem na foto…

Luciano       … eu tenho um caso que é uma delícia, eu fui num evento, eu não me lembro se foi em Belo Horizonte, faz bastante tempo isso ai, eu estava num lugar, eu acho que era Belo Horizonte, não me lembro mais, tinha um shopping center gigantesco e eu descobri que naquele dia o Isami Tiba, o grande Isami Tiba…

Suely           Psicodramatista também.

Luciano       … estava lançando um livro lá no shopping, eu falei po eu vou lá ver, vou dar um abraço nele, vou comprar o livro dele, peguei e fui para o shopping, cheguei no shopping, na livraria, uma fila brutal, falei cara, que fantástico, eu falei vou ficar aqui, ele não sabe que eu estou aqui, vou dar um abraço nele, fui lá comprei o livro dele e entrei na fica e eu comecei a reparar na fila, falei cara, está muito estranho isso aqui, porque isso não é o tipo de gente que curte o Isami Tiba né, eu comecei a olhar na mão das pessoas, todo mundo com uma revista play boy na mão porque estava sendo lançada a revista de uma menina que tinha saído do  Big Brother Brasil e tinha posado para a Play Boy e ela estava lá naquele dia dando autógrafo na revista e aquilo explodia o shopping e ai em entrei, fui lá ver, estava lá o Isami, com 4 pessoas em volta dele lançando o livro dele…

Suely           Difícil competir com a Play Boy.

Luciano       … pô né, ai você olha para aquilo e fala cara, olha o empaque que uma celebridade, quer dizer, passou o tempo…

Suely           Sub celebridade.

Luciano       … passou o tempo, eu nem sei quem essa menina é, nunca mais vi, desapareceu, o Isami continua, continua, está na batidinha dele.

Suely           Mas esse é o fenômeno da sub celebridade, desparece.

Luciano       Mas como é celebridade, aquilo apareceu, surgiu então cara, eu vou me prostrar, eu não vou nem contestar, eu não vou nem criticara porque essa é a coisa da autoridade que me parece que é uma coisa muito brasileira, é muito brasileira sabe, o brasileiro tem…

Suely           É mais americana, eu estou lendo um livro que é uma verdadeira tese de doutorado, tem um filme, Luciano, que se chama “Gangues de Holywood” e o livro é maravilhoso, é o Bling Ring está até aqui comigo…

Luciano       Como é o nome dele?

Suely           Bling Ring, “Gangues de Holywood” que a Sofia Copola gostou do material e resolvei fazer o livro, o filme não chega nem aos pés do livro, que ela explica direitinho esse fenômeno que começou com os realityes shows e que acabou literalmente com a própria Sofia fala, quando eu era pequena eu convivia com Marlon Brando, a gente não estava achando que era importante, era nosso trabalho, quando era pequena ficava no colo de um, meu pai conversava com outro, ia a jantares italianos, não sei o que, era tão normal, hoje não, você não pode andar na rua e isso começou lá e se transferiu para todos os ambientes, para empresariais, a pessoa não pensa, é consumo imediato, quem nem droga né, você usou, acabou, resolveu. É diferente quem tem conteúdo né?

Luciano       Sim, e isso se reflete nessa molecada nova que está com pressa né, eu quero ser contratado da empresa hoje, daqui a 6 meses eu já quero ser gerente e ai eu quero ser diretor em dois anos e se eu não tiver o salário de diretor em dois anos, e se eu não tiver o salário de diretor em dois anos eu vou chutar o pau da barraca, eu vou embora, eu vou trocar tudo…

Suely           Isso, 2 mais 2  é igual a 4, se for 4 vírgula não sei o que eu não (confuso)

Luciano       É isso ai né.

Suely           … mas ai é história de vida, eu tive um rapaz que eu estava contratando que eu falei, como é que você vai fazer para lidar com tudo isso, você não é noive? Ele falou sou, eu vou desmanchar o meu noivado durante esse ano, ai eu vou ser estagiário, me transformar em treinee, depois eu vou estudar não sei o que… falei e a noiva? Aha ela espera. Você acha que a tua noive vai ficar pendurada no varal que nem camisa por dois anos e meio? Ele ficou olhando para a minha cara e falou, não tinha pensado nisso. Falei cara, a vida não é assim, a gente vive tudo ao mesmo tempo, amor, emprego, desemprego, família, as coisas não param né, sua família não vai deixar de ficar doente, o seu pai porque você está trabalhando aqui, porque você tem um plano de carreira, então se cria uma previsão extremamente doentia dessa realidade empresarial.

Luciano       É o equilibrista dos pratos lá né, tem que manter todos eles no ar né, não adianta ficar rodando…

Suely           Isso não existe, não existe super, não existe, ninguém é super em nada, a gente é equilibrado.

Luciano       Então Suely, legal dá para ir longe esse papo aqui porque tem mil histórias aqui, a gente nem foi fundo aqui na questão do psicodrama e tudo mais, mas eu acho que para começo de papo aqui está muito legal. Quem quiser conhecer a Suely, além de procurar a coluna da Suely que é uma coluna “Iscas Comportamentais” no portal Café Brasil, que você…

Suely           Porque não adianta falar só de profissão, agora é comportamento.

Luciano       Isso, que você tem que retomar isso logo né, vai retomar em breve aqui, além disso, quem quiser encontrar a Suely, como é que faz para entrar em contato com você?

Suely           Bom, tem meu site que é o Pavan Desenvolvimento, www pavandesenvolvimento…

Luciano       Pavan com N de navio né?

Suely           Ene.

Luciano       Ene de navio. Pavan Desenvolvimento.

Suely           P de pato, A de amor, V de viagem… desenvolvimento.com.br e tem o outro, que é mais da área clínica, do Universo Feminino que é psicologasuely.com esse não tem br.

Luciano       Esse Suely é com Y ou é com I.

Suely           Suely com Y.

Luciano       Com Y né.

Suely           Adoro o Y, é antigo.

Luciano       psicologasuely.com

Suely           Isso.

Luciano       Muito legal, valeu o papo. Gostou do papo?

Suely           Gostei, adorei. Adorei esse negócio da esquizofrenia, nunca tinha feito esta leitura, e olha que eu estudo saúde mental do trabalhador brasileiro hein.

Luciano       O Portal Café Brasil oferece a você o líder cast que é uma grande oportunidade que você tem de reavaliar as suas coisas…

Suely           Sem dúvida.

Luciano       … de fazer aqui uma pequena terapia e de curtir e entregar para as pessoas esse monte de conhecimento. Suely, muito obrigado por ter comparecido…

Suely           Obrigada a você, Luciano.

Luciano       … valeu, espero que você tenha curtido ai…

Suely           Curti, curti muito, adorei.

Luciano       … a gente volta numa outra oportunidade, eu vou trazer você de novo aqui.

Suely           Obrigada.

Luciano       Beijo.

Suely           Até.