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Luciano Pires -
Download do Programa

Luciano Pires: Bom dia, boa tarde, boa noite. Bem-vindo, bem-vinda a mais um LiderCast, um podcast que trata de liderança e empreendedorismo, com gente que faz acontecer. No programa de hoje temos Guga Weigert, DJ empreendedor, que a partir da experiência com a música, decide construir uma casa de shows de seus sonhos, no Rio de Janeiro, cara, em plenos anos de crise. Este não é um programa de entrevistas, não tem perguntas programadas, nem roteiro definido. É um bate-papo informal com gente que faz acontecer, que vai para lugares onde nem eu, nem meu convidado imaginamos. Por isso, eu não me limito a fazer perguntas, mas dou meus pitacos também. Você está entendendo? Não é uma entrevista. É um bate-papo. O LiderCast é lançado por temporadas. Os assinantes da Confraria Café Brasil e do Café Brasil Premium tem acesso imediato à temporada completa, assim que ela é lançada. São mais de 24 horas de conteúdo de uma vez só, cara. Os não assinantes receberão os programas gratuitamente, um por semana. Para assinar acesse cafebrasilpremium.com.br. Esta 10ª temporada do LiderCast chega até você com o apoio da Nakata, que é líder em componentes de suspensão. Cuide bem de seu carro com as dicas do blog.nakata.com br. Muito bem, mais um LiderCast, daquele jeito gente, o LiderCast tem uma pegada interessante, que é o seguinte: eu convido alguém, porque alguém me indica esse alguém. Aí esse alguém vem aqui, participa do programa, acha um barato e pega e me indica outro alguém. E de alguém em alguém, a gente vai fazendo acontecer. Hoje é o resultado dessas pedrinhas no lago, das ondinhas que vão saindo, que vão rodando. Esse alguém está aqui comigo hoje, por indicação da Alice Quaresma, que é uma figuraça. Terminou o podcast ela foi, mandou um e-mail para mim: cara, você tem que chamar ele aí. É um barato. Conversa com ele. Eu falei: vamos lá. Estamos aqui. Três perguntinhas básicas, você já sabe quais são, não as erre, por favor. Seu nome, sua idade e o que é que você faz?

Guga Weigert: Eu sou Guga Weigert, eu tenho 33 anos, sou do Rio de Janeiro.

Luciano Pires: Guga vem de quê?

Guga Weigert: Guga vem de Gustavo.

Luciano Pires: De Gustavo?

Guga Weigert: É.

Luciano Pires: Gustavo Weigert, do Rio de Janeiro.

Guga Weigert: Exatamente.

Luciano Pires: Com esse sotaque aí, nasceu lá, né?

Guga Weigert: É.

Luciano Pires: É de lá mesmo?

Guga Weigert: Bem carioca.

Luciano Pires: Bem carioca mesmo, né?

Guga Weigert: Da gema, né?

Luciano Pires: O que o seu pai e sua mãe fazem ou faziam?

Guga Weigert: O meu pai é médico. Minha mãe é programadora, analista de sistemas. Trabalhou a vida inteira com a área pública, na área de saúde. Bem ou mal, os dois, indiretamente, trabalhavam no mesmo segmento. Ela para a parte mais tecnológica, o meu pai lá no consultório, na parte de clínica e pneumologia.

Luciano Pires: Tem irmãos?

Guga Weigert: Tenho dois irmãos mais novos. Os dois médicos. Um deles está empreendendo na medicina e outro está finalizando os estudos.

Luciano Pires: Cara, dois saíram médicos e um saiu artista? Que beleza. Mas aí, o que o Guga queria ser quando crescesse, cara?

Guga Weigert: Então, o Guga sempre foi uma pessoa um pouco questionadora do modus operandi social. E, talvez, até um pouco ingênua enquanto criança. A minha ideia era tentar, sempre falei muito de desbravar o mundo, de tentar conhecer coisas novas, de trazer coisas novas para o Brasil. E sempre incentivado pelo meu pai, que é um grande viajante, adora viajar, abrir mão de tudo, para poder viajar. Eu entrei um pouquinho nessa onda assim, de começar a desbravar, tentar conhecer coisas novas. E nunca tive em mente ser algo assim, muito específico. A ideia era descobrir o que eu seria, né? E aos pouquinhos, eu fui construindo uma história, que começou… eu estudei ali pela zona sul do Rio de Janeiro, eu fiz muitos amigos, vivi na praia, sempre adorava praia. Estudava num colégio católico e fui construindo essa educação superbacana. E sempre com aquela vontade de querer ir para fora, conhecer coisas diferentes do Brasil. Aquela época não tinha internet como é hoje, né? E meu pai sempre apoiando. Até que surgiu a ideia de fazer um workstream, sair fora do Brasil, para fazer um trabalho lá numa montanha de esqui. Eu super animado. E aí eu juntei uma coisa que aconteceu um pouco antes – que a gente talvez, ainda aborde aqui – que foi a carreira de DJ, que já vinha surgindo, com essa oportunidade. Eu tive a oportunidade de tocar fora do Brasil, em vários pubs e tal. Isso transformou minha cabeça. Eu falei: pô, vou trabalhar com a música. Entendeu?

Luciano Pires: Com música. A gente vai chegar lá.

Guga Weigert: Exatamente. Nós vamos chegar lá, exatamente.

Luciano Pires: Mas você, em algum determinado momento – não sei se teve uma pressão assim – você vai fazer uma universidade? Entrar na faculdade? Vai tirar um diploma de alguma coisa, para poder né, se encaixar na hierarquia social, né? Afinal, o senhor fulano de tal tem um diploma. Qual era esse diploma que você foi buscar, cara? Se é que foi?

Guga Weigert: É. Então, na verdade, eu saí do colégio muito assim, sem saber o que fazer. Eu falei: pô, vou fazer Turismo, porque eu gosto de viajar. Não, não, vou trabalhar com Educação Física, porque eu adoro esporte, jogava futebol pra caramba e tal. Não, quer saber? Minha mãe sugeriu fazer Administração. Foi o que ela fez. Ela virou analista de sistemas posteriormente. Mas começou pela Administração. Ela falou: na Administração você vai ter um leque muito amplo, você pode trabalhar com tudo. Ainda não é uma faculdade que te dá o glamour de um grande currículo, mas você vai ter oportunidade de descobrir o que você quer. E ela me matriculou na PUC lá no Rio. E foi superbacana, porque eu saí de um colégio muito protetor, muito fechado, aquela coisa assim, que você vive com os alunos o dia inteiro e tal. De repente vem uma faculdade…

Luciano Pires: PUC…

Guga Weigert: É uma coisa…

Luciano Pires: A sua mãe tem uma pegada legal, cara. Eu tenho um texto meu, que foi super compartilhado aí – que eu até usei no programa – que eu falava exatamente isso, eu falava: pô, quando eu termino as palestras, todos os pais vêm me procurar, vem a garotada me procurar. Perguntando: cara, o que eu faço? O meu filho quer ser… quer fazer Propaganda, quer fazer Publicidade, o que você acha? Não sei o que. Qual é o futuro? E eu dou sempre essa dica, eu falo: se vamos falar de faculdade, universidade. Agora mudou muito. Mas tradicional, faça Administração de Empresas, entendeu? Tenta. Você não consegue provar isso para um moleque de 19 anos. Não dá. É impossível, né? Mas se você tiver a chance de fazer a pressão, faz fazer Administração de Empresas. E depois ele faz a pós na área que ele quer. Então, Administração de Empresas com pós em Propaganda, em Marketing, seja lá o que for. E eu dizia: de onde veio essa ideia? Eu falei: baseado na minha experiência de 26 anos como executivo do setor de autopeças, onde eu era o cara de Marketing, dentro de um ambiente de Engenharia. E eu sempre fui o renegado. Eu era o cara que tomava as porradas. Eu era o cara que ninguém levava a sério, porque eu não sabia falar a língua deles. Tivesse eu feito Administração, eu teria um diploma de administrador, falando a língua deles e aí eu poderia ter mais chance até, de influenciar os caras, né? Mas de novo: é complicado você chegar para um moleque de 19 anos. Ele: eu quero ser… eu quero fazer Turismo. Não. Faz Administração. É duro fazer isso aí, né? Mas legal. Você fez até o final ou não?

Guga Weigert: Fiz, fiz. Eu completei. Na verdade, eu…

Luciano Pires: Que ano era isso?

Guga Weigert: Isso foi… eu completei em 2010 na verdade. Eu entrei na faculdade ali em 2003. Levei um tempo maior, porque eu tranquei para poder morar fora e tal. Mas foi legal, que eu tive muito… a família sempre foi muito presente assim, no meu dia a dia. E então eu sempre busquei. Em algum momento, eu pensei ser médico, seguir a parte do meu pai. Só que eu vi que precisava estudar muito. Eu não era dos estudos. Eu não era a favor da forma como se praticavam os estudos. Eu acho que o ensino no Brasil – para mim – ele deixava muito a desejar. Porque o que eu gostava, não conseguia explorar. Eu tinha que explorar uma grade enorme, tirar notas boas e tal. Eu não era o aluno exemplar. Mas eu era um aluno muito educado. Estava sempre ali tentando buscar o máximo de conhecimento e passando de ano. Que eu acho que a regra, infelizmente é essa, passar de ano. E aí quando eu saio do colégio, os meus pais passam por uma crise de relacionamento. Decidem assim, dar uma afastada e tal. Isso abre aquele buraco na família, né? Uma família muito unida, que viaja todo ano, que está sempre junto. De repente, se vê assim, estremecida.

Luciano Pires: São três filhos?

Guga Weigert: São três filhos homens. É. E aí, no meio disso tudo, os meus pais super dando suporte necessário para a gente, apoiando tudo, levando a gente. Eu, nessa fase de buscar qual seria a faculdade, para me preparar. E aí surge uma coisa muito doida nesse caminho, que é a carreira de DJ.

Luciano Pires: Para.

Guga Weigert: Paro.

Luciano Pires: Deixa eu dar uma explorada aqui. Teus dois irmãos não tiveram essa mesma… esse mesmo fogo, de… por que os dois foram para Medicina, né?

Guga Weigert: Sim.

Luciano Pires: Os dois encamparam, né? Vocês todos foram criados no mesmo ambiente, na mesma família, tudo igual. E dois entram, abraçam a causa da Medicina, com todo o peso que é. Que você falou, cara: estuda pra cacete. É um negócio complicado, né? E você não. Eles não tiveram essa mesma… esse… eu não vou dizer… esse questionamento que você teve, com relação à educação, ao tempo que ia…

Guga Weigert: É. Eu acho que assim, na verdade, o meu irmão do meio, o Guilherme, ele tem dois anos e meio a menos que eu, né? Então, o processo de escolha dele, da universidade, ele já foi de um colégio um pouquinho maior, que foi o Santo Agostinho, que eu acho que preparou ele um pouco melhor para essas dúvidas. E aí preparou também, na verdade, deixou ele pronto para: se optasse por Medicina, conseguir concorrer e não precisar de uma universidade particular. Porque a gente tem a questão lá no Rio de Janeiro, de que: ou você vai para as públicas ou particulares, investimento e tal. Então, ele já foi um pouquinho mais preparado. E eu acho que também o retorno do meu pai para casa, com a minha mãe e tal, fez com que, eu acho, que ele colasse um pouco mais no meu pai, vivesse mais esse mundo da Medicina, né? E ele foi por esse caminho, eu acabei indo para o outro lado, que era a parte da Administração e tal. Mas eu não sei exatamente o questionamento em si. Mas com certeza, a presença do meu pai em casa de novo foi um fator determinante para…

Luciano Pires: Vocês nunca falaram a respeito disso, os três?

Guga Weigert: É engraçado. A gente nunca chegou a debater sobre isso. A gente foi seguindo. A gente sempre foi muito unido. E o caminho botou a gente em projetos muito juntos, independente do currículo. Entendeu? Eu administrador, ele médico. E os meus pais optaram em algum momento, por ter uma empresinha lá, familiar. A gente participou junto, cada um com a sua expertise. Mas seguindo a sua forma de estudo, entendeu? Então eu acho que eu não cheguei a ter esse debate com ele, assim. Até acho que é um ponto legal para ser pensado.

Luciano Pires: Isso aí. E aí, vamos ver como que você tromba com a música aí, cara? Como é que era isso?

Guga Weigert: A música…

Luciano Pires: Cara, você se formou?

Guga Weigert: Me formei. Na verdade, isso foi bem antes de eu me formar. Isso foi no colégio. A música surgiu no colégio.

Luciano Pires: Ok.

Guga Weigert: Eu, assim, com os meus 15 anos, eu brincava de cortar fita cassete e juntar elas para tirar o gap de espaço entre as músicas. Uma coisa meio doida né, para um garoto. E aí em cima disso, brincando com as músicas. Sempre adorava música e tal. Escutava bastante, mexia nas letras. Mas nunca tinha pensado em ser músico. Eu não tenho nenhuma habilidade técnica com instrumentos. E tinha a questão do esporte, eu malhava muito, fazia escalada indoor e tudo mais. Aí nisso, num final de ano, eu acho que é 2001, no final de 2001 eu encontro um DJ – que na época eu não sabia quem era – o Bruno de Vick. A gente começa a conversar na academia. Ele: não, porque eu vou tocar. Eu vou fazer isso no réveillon, vou fazer aquilo. Eu disse: o que você é? Você é músico? Você é, sei lá, guitarrista?

Luciano Pires: 2001?

Guga Weigert: 2001.

Luciano Pires: DJ de LP?

Guga Weigert: Exatamente, lá atrás. E aí ele me conta a história fantástica. Que ele é um DJ. Ele tem uma empresa – ele e o Otávio tinham uma empresa enorme, assim; enorme não – que estava crescendo bastante na época. Que eles atendiam o mercado de casamentos no Rio de Janeiro, e corporativo também. Aquilo me chamou a atenção. Eu falei: que legal. Vocês são DJs. Já vi alguns DJs tocarem. Porque eu ia na matiné. Nas matines eu via lá, performances de vários DJs. Eu achava aquilo incrível, sincar as músicas. Aí contei um pouquinho dessa minha brincadeira que eu fazia em casa e ele falou: pô, a gente está procurando alguém para modelar. Para ser um DJ assim, no perfil que a gente entende o que é um DJ. Se você quiser estar com a gente, você pode começar a acompanhar e tal. Eu achei super legal o convite. Como eu falei: tinha aquele… naquele momento estremecido familiar. Eu falei: pô, eu topo. Tô dentro. Isso com 16 anos. Eu cheguei em casa, contei para os meus pais. Os meus pais: tá bom. Vai lá, tenta e tal. Vamos ver o que vai dar, né? Só que o negócio ficou assim, muito acelerado. Porque como tinham muitos eventos, eu comecei toda quinta, sexta, sábado, domingo a botar um terno e sair de casa. Passava um carro, me buscava…

Luciano Pires: Para acompanhar os caras?

Guga Weigert: Para acompanhar os caras nas festas, nos eventos.

Luciano Pires: Você era menor de idade?

Guga Weigert: Era menor de idade. Exatamente.

Luciano Pires: E tudo bem?

Guga Weigert: Tudo indo. É. Aí meus pais em algum momento ficaram preocupados. Falaram: pô, a gente quer conhecer essa turma e tal. Só que a empresa já existia. Já tinha um escritório legal em Ipanema, ali na zona sul do Rio. Eu falei: pô, então vamos marcar uma reunião. E aí tem aquela coisa interessante, Rio de Janeiro, uma cidade – eu chamo, eu brinco – uma província, né? Quando a gente chega na reunião, descobre que na verdade, um dos sócios é filho de uma amiga da minha mãe. Então as coisas ficam às mil maravilhas. Porque ela já conhecia a história da empresa, sem saber que eu estava na empresa. E isso deu um corpo…

Luciano Pires: 16 anos de idade?

Guga Weigert: 16 anos. É.

Luciano Pires: Marcando uma reunião na empresa que você trabalha?

Guga Weigert: Exatamente.

Luciano Pires: Para levar papai e mamãe para conhecer os caras?

Guga Weigert: É. Isso aí.

Luciano Pires: Que mico.

Guga Weigert: É. Assim, eu, na verdade, eu nem encarei como mico não. Eu encarei como um aval mesmo, sabe? Porque realmente, 16 anos, eu via, tipo assim, as pessoas ao meu redor saindo muito para curtir e tal. E eu falava: pô, esse entretenimento é superbacana. Mas eu queria estar mais próximo disso. Causou uma empatia muito grande. Então assim, foi até bacana envolver os meus pais. Porque eu nunca tive essa questão de ter a vergonha dos pais, os famosos 15 anos ali, né?

Luciano Pires: Sim, sim.

Guga Weigert: Eu devo ter passado por isso em algum momento, mas eu não me recordo. E os meus pais viraram muito uma base de apoio para tudo isso.

Luciano Pires: Legal.

Guga Weigert: Para o início dessa história.

Luciano Pires: Muito bom. Muito bom. E aí? Aí você…

Guga Weigert: Aí deu seguimento. Aí com esse aval, comecei a acompanhar muito as festas.

Luciano Pires: Mas você já tinha uma consciência de que: pô, esse é o negócio da minha vida? Eu vou fazer a minha vida nisso aí? Por que você estava na escola?

Guga Weigert: Sim, sim.

Luciano Pires: Você estava estudando Administração, né?

Guga Weigert: Sim.

Luciano Pires: Não havia consciência ainda, de que podia fazer disso um negócio?

Guga Weigert: Não, ainda não. Existia assim, como eu via a empresa, eu falei: poxa, legal. Os caras estão fazendo eventos que eu não tinha acesso. Ou muito novo, eu não tinha reparado, nunca tinha ido em algo assim. Eu comecei a ter um olhar muito da operação em si. Isso me gerou um certo… como vou chamar assim? Uma animação para poder trabalhar com isso. Mas eu falei: não sei se é isso que eu quero para o resto da minha vida. Porque era muito cansativo, né? A gente chegou a ficar 10, 12 horas num sábado, numa sexta, em pé, lá, trabalhando e tudo. Mas eu era assistente. Então, o meu trabalho era observar o máximo para enriquecer o meu conhecimento ali e poder continuar caminhando, né?

Luciano Pires: Você varava as madrugadas, é isso?

Guga Weigert: Todas.

Luciano Pires: Madrugada?

Guga Weigert: As madrugadas todas.

Luciano Pires: E os outros moleques de 16 anos, cara? Que estavam aí jogando bola?

Guga Weigert: É. Estavam por aí, né?

Luciano Pires: Como que era?

Guga Weigert: Eu encontrava a turma na praia no dia seguinte. Contava das experiências. As pessoas ficavam assim: pô, que legal, que bacana.

Luciano Pires: Você estava num mundo totalmente separado do mundo dos seus amigos?

Guga Weigert: Exatamente. Muito separado.

Luciano Pires: E mais maduro que você? Muito mais maduro que você?

Guga Weigert: Exatamente. E foi legal, porque assim, como eu tive esse… eu sempre volto um pouquinho nessa questão dos meus pais. Que foi ali, um alicerce muito grande, familiar, que me gerou essa segurança para amadurecer. Então quando vem um trabalho profissional, você está buscando uma faculdade, tudo vai se abrindo. Na verdade, esse primeiro contato com o mundo de eventos no Rio de Janeiro, me permitiu amadurecer muito rápido e entender as coisas sob uma outra ótica, entendeu? E aí, isso me fez entender, por exemplo, que a faculdade passava a ser um compromisso meu com uma profissão também, não só o DJ. Eu falei: pô, meus pais estão fazendo um investimento em cima de mim, com estudo superbacana. Como é que eu devolvo isso para eles? Então sempre na minha cabeça começou a existir essa questão de melhor aplicação possível. Eu passei a ser um bom aluno na faculdade, entendeu? Tive alguns momentos que naturalmente, o trabalho passou a exigir muito, precisei me ausentar. Mas assim, me interessava o conteúdo que eu estava ali, dentro da faculdade, obtendo.

Luciano Pires: Pois é. Mas essa consciência você não tinha. Ela surge no desenvolvimento, quando você…

Guga Weigert: Não tinha. Exatamente.

Luciano Pires: Quando você saca que há uma responsabilidade, que você está assumindo o teu compromisso com os seus pais?

Guga Weigert: Isso.

Luciano Pires: Isso brota do nada?

Guga Weigert: Brota do nada.

Luciano Pires: Fala: a partir de agora eu vou me esforçar, porque eles me…

Guga Weigert: Exatamente. Na verdade, eu sempre fui muito intenso. Muito intenso. Só que assim, é uma intensidade que em alguns momentos, ela chegava e passava muito rápido. Eu tentava… aquela brincadeira do MVP, você tenta alguma coisa, de repente você pivota. Fala: não, não é para mim. Só que eu não tinha esses conceitos ainda implementados, né? Então eu tentei muitas coisas quando garoto. Cheguei a trabalhar assim, antes de sair do colégio, eu pedi para a minha mãe, para me arrumar um trabalho num clube lá que existia, para trabalhar com almoxarife. Por quê? Porque eu não quero ficar indo para a praia todo dia. Quero começar a conhecer um pouco dessa questão, começar a me aproximar da Administração. Então eu fiquei lá seis meses, trabalhando e curtindo, assim, achando: que legal, olha só, pô, eu tenho que responder para um general. O clube era militar. Eu achava demais isso. Então, fui construindo essa responsabilidade muito rápido, assim. Eu acho que o amadurecimento chegou assim, antes dos 20 anos.

Luciano Pires: Você sabe que eu conversei aqui com – você estava falando agora, eu me lembrei da entrevista que eu fiz – com o Kiko Loureiro e o Aquiles Priester. Os dois são músicos de altíssimo nível, tocavam nas bandas aqui no Brasil e foram chamados por bandas lá no exterior. Os dois estão morando em Los Angeles. E eles contando aqui. A gente olha de fora e fala assim: pô, o que é o cara? O cara é um metaleiro, toca metal numa banda de metal. Aquilo é uma zona sem tamanho. Aquela puta bagunça. E vão morrer cedo. E a hora que eles sentam aqui e começam a contar, cara, eles trazem um nível de profissionalismo daquelas bandas. Até tem a loucura. Mas cara, o Kiko, especialmente, ele contando, ele falava: cara, a gente vai, faz o show. Terminado o show tem uma reunião, onde é avaliado o show. E os caras quebram o pau lá. O que errou, o que foi? Para que o próximo show seja cada vez melhor. Então tem uma consciência de profissionalismo, que, cara, aquilo é tudo, menos bagunça. É tudo, menos festa. Eu imagino que a gente olhando o DJ: pô, uma puta bagunça. Ah, que legal. O cara lá. Nem tocar ele precisa. Nem instrumento ele precisa tocar. Aquilo é uma puta de uma zona. E de repente, você vai para o bastidor e fala: meu, não é bem assim. Quando você fala aí: pô, virar 12 horas em pé, 16 horas, pé, pé, pé. Toda noite. O bicho pegava, né? Ou pega, né?

Guga Weigert: Não. Exatamente. Pega. Exatamente. As pessoas não têm noção assim, às vezes, do quanto é profissional o trabalho mesmo. Eu brinco hoje com métricas assim, que um DJ chega a tomar 130 decisões numa noite. Porque cada música você mexe com um público. No meu caso, que é um segmento muito assim, das festas privadas e corporativo, a gente tem que analisar a festa como um todo. Você está ali olhando, saiu o buffet, serviram a comida. As pessoas querem ir no bar, querem ir no banheiro, querem pegar um doce, etc. então, você metrifica tudo isso para ter um resultado imediato, assim. É uma ciência. Não é uma coisa assim tão solta.

Luciano Pires: Então, vamos especular isso um pouquinho aí.

Guga Weigert: Vamos.

Luciano Pires: Porque tem gente que jura que DJ não é artista. Que o negócio do DJ é trocar disco, né?

Guga Weigert: É.

Luciano Pires: E porra, olha o sucesso que esse cara faz, um milhão de pessoas na praia de Ipanema pulando, com gringo pulando, gritando e trocando disco? Que porra é essa? E não é só isso, né? Tem todo um lance que você está colocando aqui, que é uma… cara, imagino a… não só a visão que você deve ter. É que a coisa está acontecendo ali, naquele momento, não tem: ah, não deu certo. Deixa eu voltar.

Guga Weigert: Exatamente.

Luciano Pires: Deu errado. Deixa eu fazer de novo. Não, cara. É ao vivo, na hora. E não tem um igual ao outro?

Guga Weigert: Não tem.

Luciano Pires: Nunca um é igual ao outro, né?

Guga Weigert: É. É uma noite muito especial para aquela pessoa que está ali realizando aquele evento, né? Então assim, não tem como voltar. E é legal porque assim, a gente chega a ter num evento, 100, 200, 300 pessoas envolvidas. É uma cadeia muito interessante para ser estudada. Porque o mundo vive de eventos desde sempre. A gente aqui está falando num caso de um DJ que olha para uma pista de dança, que essa pista conversa com a festa toda. E o resultado dela é metrificado muito no dia seguinte, pelo sucesso da pista de dança. Então essa responsabilidade – principalmente para mim, quando eu era muito novo – assim, eu precisei de uns três anos fazendo assistências, acompanhando os DJs para começar a sentir segurança para realmente tocar. Porque tinha uma pressão muito grande. E numa época que a gente não tinha nada digital, eram CDs. Eu tinha uma case, com 2.200 CDs. E o processo de troca é: cara, você escolheu essa música, faltou 20 segundos, não dá tempo de trocar. Porque você não tinha as funções de loop, etc. que você tem hoje em dia, entendeu? Então aquilo te gerava uma ansiedade. E se você não tem tempo, o leitor não leu, cara, é sem música. Silêncio. Todo mundo olhando para você, esperando a música. Então, coisa desesperadora, né?

Luciano Pires: Quer dizer, se você está três horas no palco, são três horas com a adrenalina…

Guga Weigert: Lá em cima.

Luciano Pires: Lá no alto?

Guga Weigert: Exatamente.

Luciano Pires: Isso vicia?

Guga Weigert: Vicia.

Luciano Pires: Isso vicia?

Guga Weigert: É. Me viciou até hoje. São 16 anos já que eu estou nesse segmento aí. E para lá de 600 casamentos feitos.

Luciano Pires: Como que é o business do DJ, cara? O cara pega, liga para você. Vou contratar o DJ. Legal.

Guga Weigert: Sim.

Luciano Pires: Ele vai te brifar? Como é que é essa relação antes de você chegar na festa?

Guga Weigert: É. Assim, normalmente, quando o cliente procura o DJ, ele já teve algum tipo de contato com essa marca. Eu vou chamar de marca. Eu uso meu nome, Guga Weigert, como marca hoje em dia. Então ele já teve uma experiência positiva ou algum amigo muito próximo teve essa experiência. Com essa experiência, ele busca alguma informação básica ali, hoje em dia, na internet, no Instagram da vida e tudo mais. E aí ele vem para um papo inicial, onde ele quer entender até que ponto a customização desse evento vai passar pelo gosto dos noivos ou se tem só a particularidade do DJ. Em cima disso, vai sendo trabalhado todo um repertório. E, normalmente, com uma reunião faltando um mês para a festa, você mata os principais pontos. A partir daí você usa Spotify, sei lá, ferramentas para ajudar nos detalhes, entendeu? E a gente vai construindo a experiência em cima disso.

Luciano Pires: Você tem uma playlist pronta? Você entra com a playlist?

Guga Weigert: Não.

Luciano Pires: Não. Você entra com “x” músicas e algum lugar?

Guga Weigert: Isso. Eu costumo dizer que assim: a minha cabeça funciona como… é uma grande árvore. Você sai de um ponto e vão abrindo ramificações de opções. Então você solta uma música, você está analisando: ah, um sorriso ali. Já é uma métrica interessante. Uma mexidinha no pé. Uma pessoa que está dançando em pé, você vai soltando isso. E tudo gera um resultado final, que é a aceitação da música.

Luciano Pires: Cara, isso é fascinante.

Guga Weigert: É. É muito legal.

Luciano Pires: Isso é fascinante. Porque se começar a chover, muda.

Guga Weigert: Muda tudo.

Luciano Pires: Muda o mude.

Guga Weigert: Exatamente.

Luciano Pires: Totalmente, né?

Guga Weigert: É. Você tem… numa festa, você tem assim, uns picos de energia, que se você souber controlar muito bem, você faz essa experiência ser muito única para todo mundo que está ali, entendeu?

Luciano Pires: Quer dizer, você está dirigindo aquela plateia, né?

Guga Weigert: Exatamente.

Luciano Pires: No fundo, você está fazendo isso, né?

Guga Weigert: Exatamente. Eu acho que isso é o que dá assim, o grande sabor para quem trabalha com esse desejo, de continuar e não enjoar. Porque cada experiencia – como você falou – é uma. É um casal que você teve um contato ali atrás, ele está sorrindo para você, pulando. Você está idealizando tudo que aconteceu, em praticamente um ano de relacionamento, entendeu? Super legal.

Luciano Pires: E quando você vê aquela cena na televisão. Tuc-tuc-tuc e aquele povo todo pulando que nem um maluco, lá, tuc-tuc-tuc. Não é que você ligou: tuc-tuc-tuc e a turma começou a pular. Você conduz o povo até…

Guga Weigert: Exatamente.

Luciano Pires: Até aquele momento, né? E você consegue fazer: agora é a hora de eu botar esse pessoal…

Guga Weigert: Exatamente.

Luciano Pires: Tirar o pé do chão e fazer a turma pular de montão.

Guga Weigert: É. Você tem que ter um feeling muito apurado, porque assim, é uma construção. A adrenalina das pessoas vai subindo, junto com o álcool, etc. e vai chegando naquele ponto de ebulição ali. Que se você não chegar, o efeito é muito inferior ao que você poderia ter.

Luciano Pires: Eu fui num casamento uma vez, que o cara levou o DJ e o casamento era muito mesclado. Porque tinha os noivos, jovens, com a molecada toda. E todos os pais. Então, cara, era duro você juntar aquilo tudo lá, né? E o DJ, cara, eu não sei se o cara era muito ruim. Mas o cara, eu acho que olhou aquilo lá, ele pegou e queimou na largada, tudo aquilo que eles usam no final. Então, os Tim Maia, os YMCA, do final, o cara veio e queimou na largada. Então, ele abriu lá no alto. Uau! Quando terminou aquilo, não tinha mais nada.

Guga Weigert: Exatamente.

Luciano Pires: Para pegar os pais de volta. Puta, o negócio desandou. Virou um saco a festa. Porque foi cair no sertanojo lá. E acabou virando um negócio horroroso.

Guga Weigert: É. Você não pode deixar de ter a surpresa, né? O público, quando ele está numa pista de dança, ele vai desvendando o que está acontecendo. É quase uma história. Eu penso assim, sabe? Você está construindo uma história. Nessa história, a música é o prato principal dessa história. E você está ali, entregando aos pouquinhos. Se você vai para o seu ponto alto de cara, você fica sem atributo para trabalhar. Você já entregou. Não tem mais mistério, não tem mais aquela coisa das pessoas se aproximarem: poxa, que legal, nunca vi uma coisa assim acontecer. Eu brinco muito com o armap assim. O DJ não começa a tocar no momento que explodiu a pista. Agora eu estou tocando. Não. Você começa construindo, às vezes, com o primeiro convidado que chega naquele local. Ele tem que se sentir tocado com alguma coisa. Ele não pode sentir: ah, tá rolando a playlist aí. Daqui a pouco vai dar alguma coisa. Não. Ele tem que sentir que: pô…

Luciano Pires: Opa…

Guga Weigert: Fui conduzido ao bar. Por que eu fui conduzido? Porque eu estava sentado. Me bateu aquela coisa de… uma ansiedade de: pô, estou numa festa, num lugar que vai ser animado e tal. Vou beber, vou começar a conhecer um pouco mais dessa festa. E isso aí se transforma numa grande energia, assim.

Luciano Pires: Eu estou tentando fazer um paralelo com o que você está falando para mim aí. A primeira coisa que bateu foi falar: porra, o DJ é um cozinheiro. Ele não é um cozinheiro. Porque ele não trabalha com elementos culinários. Ele não junta uma batata com salmão. Ele trabalha com pratos prontos. Ele pega vários pratos e compõem uma sequência de pratos, que se ele errar ali, misturar feijão com pudim, vai dar uma merda aquele negócio lá.

Guga Weigert: Exatamente.

Luciano Pires: Pô, que interessante, cara. Isso é fascinante.

Guga Weigert: É. Eu digo assim: na verdade, o DJ é um ponto inicial da minha carreira. Porque hoje em dia eu já tenho outras coisas, que a gente vai evoluir para isso. Mas ele me permitiu ter uma noção de backstage. Aquela coisa do: olhar fora da caixa. Porque eu podia simplesmente chegar naquele palquinho, soltar as músicas e dane-se o resto do mundo. Estou fazendo um som ali que é meu. E tipo assim: eu acho que isso não funciona. Se você não customiza, você não gera experiência. Então, quando eu comecei a olhar e falar: pô, eu tenho que estar interagindo aqui com cerimonialista, com decoralista, com buffet, com iluminação, com não sei… é tanta coisa que tem que estar harmônico num dia, que você começa a olhar como uma empresa. Aquela festa ali está gerando uma grande circulação de profissionais, que tem que todo mundo trabalhar em equipe, entendeu?

Luciano Pires: Como é que acontece isso aí? Você tem uma reunião com esse povo? Você conversa? O que é? O teu briefing não é só conversar com o pai da noiva?

Guga Weigert: Não. É muito maior que isso.

Luciano Pires: Por quê?

Guga Weigert: Porque assim, por exemplo, tamanho de pista de dança. Quem define isso é o decorador, pelo menos no Rio de Janeiro. Ao definir isso, ele estipula que vai ter um número de convidados ali dentro. A partir do momento que eu, como DJ tenho a informação de que são 300 convidados, por exemplo, 50% é um público mais jovem, 50% é um público mais velho, eu faço uma conta, para ver se o público mais jovem é suficiente para uma pista daquele tamanho, entendeu? Então, essa informação eu tenho que entregar para o decorador adequar. Ao mesmo tempo, eu tenho que sentar com o cerimonialista produtor, para falar o que acontece no timing, aquele checklist: pô, que horas vai entrar na festa? Que horas vai ser a entrada dos noivos? Vai ter corte de bolo ou não vai? Vai ter dança? Não vai? Então, isso tudo o cerimonialista tem um feeling muito maior para preparar, entendeu?

Luciano Pires: Você tem um ambiente ideal na cabeça? Eu vou te dar a dica minha como palestrante, tá?

Guga Weigert: Tá.

Luciano Pires: Eu como palestrante. Eu faço palestra aí há 30 anos. Eu tenho um ambiente ideal. Eu, quando eu chego no lugar, eu já aviso o cara, eu falo: bicho, com esse pé direito não vai rolar muito legal, tá? O pé direito está alto demais, vai perder a energia da turma. Você não botou o pessoal em auditório, botou o pessoal em mesa redonda. Vinte mesas com 10 caras. Não vai funcionar. Então, eu já dou todas as dicas para o cara. Eu falo: o palco não está legal. Está muito baixo, tinha que ser mais alto. Então, eu dou todas as dicas para os caras. Normalmente, eles nunca perguntam antes. Quando eu chego na hora, a cagada está feita. E aí tem que dar um jeito de fazer a coisa funcionar. Mas eu tenho muito claro, cara, qual é o ambiente. Qual é o ideal. Ideal para fazer uma palestra. É um público de 300 a 800 pessoas. O pé direito não pode ser muito baixo, nem alto demais, tem que ser um pé direito médio. Eles estarem sentados na minha frente como auditório. Não pode ser 180, muito menos, 360 graus. Tem que ser na minha frente, aqui, para poder abraçar os caras. O microfone assim, o som de tal maneira. Isso é o ideal. Isso me dá… a tela tem que ter tal tamanho. Então, eu me garanto. O projetor tantos lumens. Você tem esse ambiente ideal na tua cabeça ou é cada caso um caso?

Guga Weigert: Tenho. Não, cada caso tem as suas particularidades. Mas assim, o meu olhar de pista de dança, ele exige algumas coisas. Por exemplo, palco. Hoje em dia, onde eu toco, eu sempre peço um palco, não porque eu quero estar no palco. Mas quando eu tenho um cliente que sobe no palco, essa troca de energia de níveis diferentes faz uma diferença muito grande, entendeu? Eu acho que as pessoas se aproximam a festa toda. Vem para cima do palco, entendeu? Outra coisa, tamanho de pista. Eu falo que o tamanho é o seguinte: são quatro pessoas por metro quadrado, para que uma pista de dança fique quente, com calor humano e tudo mais. Só que essa métrica é em cima de um quadrado desenhado. Se você tiver muita área sobrando, naturalmente vai perder um pouco dessa energia. O bar tem que estar perto da pista. Porque essa coisa de você deslocar as pessoas para um outro ambiente, você perde também. O cara tem que ir, aí no caminho: agora eu vou no banheiro. Você vai perdendo um pouco do público. Outra coisa: jantar. Se as pessoas estão numa festa, se elas podem comer antes de dançar, a melhor coisa do mundo. Não tem porque não ser assim. Mas eu entendo que têm particularidades que vão interferir na operação do evento. Que eu também não conheço o mundo de buffets como o operador conhece. Então, a gente dá as dicas. Para chegar no meu caso: eu prefiro sempre estar a par dos projetos para não deixar chegar na hora e ser surpreendido, entendeu? Normalmente dá certo.

Luciano Pires: Que legal. Interessante. E você falou que você fez 600 casamentos?

Guga Weigert: 600.

Luciano Pires: Cara… Toca em festival também? Festival de DJ? Têm essas coisas também?

Guga Weigert: Tem. Tem. É. Eu não chego a… eu já toquei muito em casa noturna, boate, já rodei bastante o Brasil, o mundo, toquei fora também. Duas turnês na Austrália e tal. Só que eu não sou o DJ produtor. Eu sou um cara muito inquieto. Eu hoje estou numa linha mais empresarial do que de produção musical. Eu não consigo sentar e ficar o tempo todo achando… já tentei, fiz curso e tudo mais. A técnica existe. Falta um pouco de concentração. Porque eu tenho muitos outros projetos…

Luciano Pires: O que é o DJ produtor?

Guga Weigert: O DJ produtor é o cara que faz a composição musical. A turma assim, que busca os vocais, junta com os sintetizadores, testa as batidas e transforma isso numa música.

Luciano Pires: Entendi.

Guga Weigert: Então, por exemplo, você pega hoje um grande DJ brasileiro, é o Alok. É um cara que faz as músicas dele. Assim, ele tem lá uma condição de produzir isso em estúdio e tudo mais e sai com um excelente trabalho. É uma grande referência. E assim como ele, tem milhões de pessoas. E tem uma turma jovem que está engolindo tudo. Que é impressionante, assim, você escuta as músicas e fala assim: cara, que produção de qualidade. E às vezes, o cara fez em casa. Ele tem um estudiozinho lá e ele produz.

Luciano Pires: Agora, com a tecnologia. Quem está editando a gente aqui é um DJ, viu? É o Lalá, grande Lalá Moreira. E o Lalá tem 100 anos de rádio e mais não sei quanto tempo de DJ. O Lalá eu acho que era um que ia fazer com as malinhas de LP na mão.

Guga Weigert: Sim, sim.

Luciano Pires: E eu não sei se o Lalá é DJ produtor. Preciso perguntar para ele ainda, ver se ele é, né? Me fala uma coisa aqui: tem música para DJ? Eu digo assim, tem música que você fala: cara, descarta, que isso aqui não serve. Isso aqui serve. Aquilo: tu-tuc-tuc. Isso é fundamental? Como é que funciona isso? Porque – só para complementar – eu sei que têm músicas que você toca e a turma começa a bater o pé. E tem música que você toca e o cara começa a chorar. Não mexe coisa nenhuma. Tem o groove, tem aquela coisa toda lá, né? Tem essa trucagem toda, de você sacar: essa serve, essa aqui não?

Guga Weigert: Com certeza. Na verdade, assim, hoje a gente tem várias nomenclaturas que a gente usa enquanto DJ, que, por exemplo, você pega uma música antiga com uma roupagem nova. Então, dois exemplos: Hey Now Hey How, foi regravado e September. Duas versões sensacionais, que atingem tanto um público mais velho, por causa da leitura musical lá de trás. Como um público mais jovem que fala: pô, que batida bacana. Entendeu? Além disso, você tem os smash shaps, músicas que não tem muito potencial de pista, que mistura com outra que tem, junto, faço uma coisa diferente, ela funciona muito melhor, entendeu? Então a gente vai… a pesquisa musical é sempre para achar essas coisas diferentes. E isso que vai fazendo hoje o DJ ter algumas particularidades, a construção sonora é percebida numa festa. Eu, por exemplo, sou de uma linha, que eu gosto de injetar intensidade desde o primeiro momento. Você chega na festa, você não tem aquela coisa monótona. Você tem um ambiente alegre, receptivo, que não é para você dançar ainda. Mas que você já consegue falar: pô, vai surgir alguma coisa aqui. E aí você vai entregando esses ingredientes ao longo da noite, para que você consiga ter o tempo máximo de festa, que está dentro da expectativa dos clientes.

Luciano Pires: Qual é a música que você tem que tocar, cara?

Guga Weigert: Cara, têm algumas, né?

Luciano Pires: Aquela que você tem que ter no bolso, que você fala: bicho, não tem jeito. Isso vai ter que tocar, cara.

Guga Weigert: Assim, têm várias na verdade, Luciano. A gente tem hoje um grande ritmo musical que é o Dizzy Girl, que na verdade é uma música antiga, que foi regravada, superbacana. No flashback…

Luciano Pires: Que vai passar em algum momento. Dizzy Girl vai passar. É o do momento?

Guga Weigert: É o do momento.

Luciano Pires: Vai passar?

Guga Weigert: Já está passando. Já foi. O momento dela foi meio do ano passado.

Luciano Pires: Mas a pergunta que eu digo assim: aquela que é eterna? Que vai sempre entrar. Como você fala: September?

Guga Weigert: Eterna.

Luciano Pires: Pô, isso é eterno. Isso não tem jeito.

Guga Weigert: Ain’t no Mountain High Enough. Eu acho que é uma música também que… do Bob Sinclair, que é Love Generation, que ela é eterna. Em alguns momentos, ela perde um pouco de força, porque ela toca muito. Mas chega e volta também. Tem tanta coisa, que é até difícil listar assim. Cada década você tem muitas representações.

Luciano Pires: Brasileira? Lembra de uma brasileira, assim?

Guga Weigert: Então, brasileira…

Luciano Pires: Os Tim Maia são…

Guga Weigert: Não Quero Dinheiro, do Tim Maia, foi regravado agora até, por um grupo de DJs aqui, junto com o Tiago Abravanel, aqui de São Paulo, o DJ. Ficou super legal, estão usando muito na pista. Mas, por exemplo, o Ai, Ai, Ai, que é da Vanessa da Mata, também foi regravado e está explodindo no Brasil inteiro. Tá legal. As coisas antigas voltando em condições novas.

Luciano Pires: E é um negócio interessante, porque é matéria prima para você o tempo todo, né?

Guga Weigert: É.

Luciano Pires: Você não está trabalhando com algo que é morto, né? É vivo, né bicho?

Guga Weigert: Sim. Exatamente. O tempo todo.

Luciano Pires: Coisas novas, né?

Guga Weigert: E é bacana, porque assim – no meu caso – eu tiro um dia por semana para fazer pesquisa musical. E eu encontro material toda semana. Não tem uma semana que eu falo assim: ih, essa semana eu não achei nada. Não tem. Às vezes, são músicas que você vai compor no início, lá no ormap, que eu chamo. Às vezes são músicas que você vai usar mais para o final da festa. Por exemplo, outro dia eu encontrei um remix novo de Backstreet Boys, que pô, tá explodindo muito. Você fala assim: olha só. Que incrível, cara.

Luciano Pires: Sim. Não é do Scary Pockets não, cara?

Guga Weigert: Não.

Luciano Pires: Ah bom.

Guga Weigert: Então assim, você fala assim: olha que legal, cara. Tipo: estão reconstruindo tudo. Muito bacana.

Luciano Pires: Que legal. Legal.

Guga Weigert: E essa é uma função muito do produtor musical, do DJ de produção, entendeu?

Luciano Pires: Então, mas você não chegou aqui por que você é DJ?

Guga Weigert: Não.

Luciano Pires: Você chegou aqui por algumas outras coisas, né?

Guga Weigert: Sim.

Luciano Pires: Vamos lá, vamos na sequência aí. Você está lá. Mas eu quero mais, pegar mais uma coisinha. Quando é que bateu em você de que: cara, dá para ser profissão isso de DJ e dá para ganhar dinheiro com isso e eu vou fundo nessa história aí. Quando foi? Você já tinha se formado?

Guga Weigert: Não, ainda não. Bem antes disso. Na verdade, eu ingressei lá na Administração, na PUC. Eu já vinha tocando bastante, fazia muito acompanhamento, com três anos comecei a ter as primeiras festas. Fui tocando essas festas. Surgiu o intercâmbio.

Luciano Pires: Então para.

Guga Weigert: Tá.

Luciano Pires: Tá. Primeira festa?

Guga Weigert: Primeira festa.

Luciano Pires: Aquela empresa, que você estava lá, falou: meu amigo, hoje é tu.

Guga Weigert: É.

Luciano Pires: Hoje é a tua vez.

Guga Weigert: Na verdade, eu estava na academia, fazendo lá, mesmo lugar que eu conheci o Bruno antes, o DJ. Aí estou conversando com uma professora, ela falou: eu vou casar e pô, queria um DJ. Eu sei que você é DJ. Você não quer tocar na minha festa? Eu: toco. Luciana, na época, o nome da cliente. Eu falei: toco. Aí foi numa capela lá no Rio, chamada Santa Inês. Eram 300 convidados. Era uma festa grande. E aí foi legal…

Luciano Pires: É o aluno que vai fazer o voo solo. É o teu voo solo?

Guga Weigert: É o meu voo solo.

Luciano Pires: E aí?

Guga Weigert: E aí é legal, porque eu falo: tá, mas olha só, eu sou de uma empresa. Eu não posso fechar com você, porque tem sonorização. Daí ela disse: não, eu vou fazer contato. Aí ligou para a empresa, negociou tudo e fechou. E aí a empresa foi bacana, porque ela teve uma preocupação falou: será que ele está – não me falou isso na época – será que ele está pronto? Será que ele aguentar o rojão? Não vai se decepcionar? Porque eu já tocava algumas coisas. Mas muito em festa de amigos, coisas menores e tal. E aí, um dos sócios da empresa, o Otávio, foi comigo. Ele falou: nessa festa eu sou seu assistente. Tá? Ele falou: não, eu só vou lá, porque como a gente vai botar o som, precisa de alguém. Eu vou estar lá com você. Eu não tenho festa no dia e tal. Aí ele foi. Cara, eu abri a pista lá. Era uma festa diurna. Começou, sei lá, quatro horas da tarde. E tinha que acabar dez horas, por causa do barulho na região e tal. Até às dez horas da noite. A festa inteira no local. A gente teve que encerrar. E foi a minha primeira grande festa. Assim, foi uma coisa…

Luciano Pires: Legal.

Guga Weigert: Assim, aquela sensação de que, pô, passei de fase.

Luciano Pires: Sim. Quem está dirigindo sou eu.

Guga Weigert: Exatamente.

Luciano Pires: Aí a adrenalina veio mesmo.

Guga Weigert: Aí a adrenalina veio.

Luciano Pires: Que legal.

Guga Weigert: Só que em paralelo a essa festa, veio… entra o intercâmbio dos Estados Unidos, uma grande vontade de tocar fora do Brasil, que foi impulsionada por essa experiência. Então eu toquei nesse casamento, fiz mais uns dois ou três nesse mesmo ano e fui tocar, fui para a Austrália. Eu falei: agora eu vou tocar na Austrália.

Luciano Pires: Você foi estudar lá? Foi passar um ano…

Guga Weigert: A minha desculpa para os meus pais para ir…

Luciano Pires: Sim. Vou aprender inglês. Vou lá aprender inglês. Tá.

Guga Weigert: Fui para lá. Chegue. Com 15 dias… levei meus CDs todos, aquela experiência de chegar num lugar novo. Não tinha internet, como tem hoje em dia. Você não tinha comunicação. Aí eu cheguei lá, me apresentei num pub lá e falei: olha, eu sou DJ no Brasil. Ah, a gente adora brasileiro. Vem fazer um teste aqui com a gente. Eu falei: tá bom. Sexta-feira, sete horas da noite. Eu falei: pô, sete horas? Eu acho que não vai ter ninguém nesse lugar. O cara está me enrolando, né? Mas vamos lá. Eu cheguei no lugar, peguei, preparei tudo. Aí tinha assim, uns 25 clientes sentados. Eu falei: pô, tenho que botar todo mundo para a pista de dança. Como é que eu vou fazer? Aí comecei. Soltei a primeira música, fui soltando, fui soltando. Aí o primeiro já levantou, foi no bar. Eu falei: se mexeu. Tá bom. Um a um. Aquela conquista, sete horas da noite. Sete e meia, oito horas. Eu tinha… o meu teste era até – se eu não me engano – nove e meia. Eu tinha duas horas e meia para tocar. Eu sei que foi passando. Veio um, veio outro, daqui a pouco esse primeiro foi para a pista de dança. Veio o segundo, veio puxando assim. todo mundo levantou e foi para a pista de dança. Aí o gerente olhou para mim e falou: o que você está fazendo? Eu falei: ih, errei. Ih, não posso. Eu falei: não, estou tocando as musiquinhas aqui, para o pessoal dar uma dançada e tal. Não, tá excelente. Ninguém nunca fez isso aqui. Que incrível isso. Eu falei: pô, legal. Ele: não, pode continuar. Fica à vontade. Aí de nove e meia eu fui até às onze. Sei que aí chegou o outro DJ lá para tocar. Eu entreguei o bar inteiro dançando para esse DJ. Tinham, sei lá, 100 pessoas na casa, todo mundo lá. Aí o gerente virou: preciso de você três vezes por semana aqui. Isso eu com 15 dias de Austrália. Eu falei: pô, lógico. Maravilhoso e tal. Aí, eu morava numa casa de família, que não dava para ir. Aí me mudei, fui para o Centro da cidade e comecei a tocar. Foram seis meses, que eu toquei assim, cinco vezes por semana, na Austrália inteira.

Luciano Pires: Que legal.

Guga Weigert: Rodei várias cidades. Fui tocar em Byron Bay, em Gold Coast. Cheguei a tocar em Sydney, Sunshine Coast. E foi legal, porque a empresa que eu tocava aqui no Brasil, fez um marketing, falou: temos um DJ fazendo turnê. E eu fui mandando material para eles. Eles foram fazendo marketing. Quando eu voltei, seis meses depois, eu tinha uma agenda todos os sábados, lotados. Então, foi um start assim que rolou.

Luciano Pires: Pô, que bem. Que puta jogada, cara.

Guga Weigert: Exatamente.

Luciano Pires: E é um batismo de fogo, né? Porque você está num público que não fala a tua língua.

Guga Weigert: Exatamente.

Luciano Pires: E que não tem a cultura daqui; que não é essa coisa do sambinha, chacoalha e sai dançando.

Guga Weigert: Sim.

Luciano Pires: Pô, que legal, cara.

Guga Weigert: E aí foi legal, porque quando chegou lá no final da viagem, eu podia ficar mais tempo, eu não tinha porque retornar para o Brasil. A não ser um acordo com os meus pais, de que eu terminaria a minha faculdade. Então, esse acordo passou por cima de tudo. Na época, o pessoal lá me ofereceu cidadania australiana. Falou: você fica com a gente. A gente te dá uns pontos, você aplica. Você vai virar cidadão australiano. Eu falei: pô, não posso. Eu prometi para a minha mãe que eu vou voltar para a PUC, vou estudar na PUC e vou finalizar o meu curso de Administração. Então: pô, não tem jeito? Não. Não tem jeito. Aí eu voltei. Aí quando eu cheguei, eu falei: pô, agora eu tenho que agradecer pela essa oportunidade que eu tive. Porque a história da viagem foi legal, porque não foi aprovada pela minha mãe, principalmente. Ela tinha medo de eu me perder no mundo da música. Então ela falou: a gente não vai contribuir com nada para você. Você banca a sua viagem. Você não tem meu apoio, até você me mostrar que realmente essa é uma coisa que você quer muito. E eu consegui. Banquei a viagem inteira. Então, antes de ir para a Austrália, eu já tinha tudo pago. Estava tudo certo. Só com o meu trabalho de DJ, entendeu? Então você perguntou: quando é que você percebeu que seria possível? Nesse momento. Porque, pô, eu tinha meus 21 anos e juntei um dinheiro que eu não imaginava, para poder fazer uma viagem internacional, entendeu?

Luciano Pires: Então, que legal.

Guga Weigert: E aí foi legal, porque quando eu voltei da viagem – aí só entrando na parte mais corporativa – eu falei: pô, vou estagiar em algum lugar. E apliquei para um único lugar, que era a Shell na época, e passei no processo e virei estagiário no setor de operações de aeroportos.

Luciano Pires: Quer dizer, você ainda tinha na cabeça que aquilo que você estava fazendo era um… não vou dizer que era um bico, vai. Era um hobby…

Guga Weigert: Era um hobby.

Luciano Pires: Que dava para você ganhar algum dinheiro?

Guga Weigert: Isso.

Luciano Pires: Mas não ia ser o teu sustento aquilo?

Guga Weigert: Não.

Luciano Pires: Eu vou trabalhar numa empresa grande.

Guga Weigert: É porque na verdade, a carreira de DJ, se a gente for analisar ela como: quando que a gente passou a ter uma carreira profissional? Eu chutaria que 2008, 2009, quando os grandes DJs despontaram, com… tipo: David Guetta, Calvin Harris, Avit. Essa galera abriu um novo horizonte. E aí a carreira de DJ, que eu já estava há muito tempo, ela passou a ser uma coisa. Eu falei: pô, olha que legal. Agora o DJ tem um respeito. Ele tem uma voz. Ele não é mais o lado B ali, que está só, sem saber o que fazer e virou DJ, entendeu? Então isso foi muito legal. Só que isso demorou a acontecer. E eu tinha uma coisa na cabeça, que era: eu sempre quis ter um hobby que me gerasse recursos financeiros. E ter uma profissão, que também eu não dependesse dessa, porque eu tenho um hobby, entendeu? Então, essa coisa faz você ter prazer em tudo que você faz. Quer dizer, você não depende do dinheiro para trabalhar. E essa mecha foi muito boa para mim.

Luciano Pires: E aí, você foi fazer o…

Guga Weigert: Fui fazer o estágio na Shell, fiquei um ano estagiando na Shell. É muito legal, porque, por acaso, eu toquei no casamento do filho do vice-presidente lá da área que eu trabalhava. E aí eu deixei de ser o estagiário e virei o Guga DJ, dentro da Shell. E foi muito bom, porque 2006, isso foi em 2006. Eu volto de viagem da Austrália, aplico, entro na Shell em 2007. Fico um ano, recebo convite para voltar para a Austrália. Eu falo: pô, agora eu já fiz o meu dever de casa. Eu estou na PUC, estou estudando bem. Estagiei, mostrei valor a quem eu precisava. Vou de novo. Fui para esse convite, fiquei mais oito meses na Austrália. Então, deixei de ser estagiário e fui tocar na Austrália, de novo. Rodei a Austrália, muitos lugares. Uma experiência muito boa. Estou lá no final do período de trabalho lá, eu falei: vou voltar para o Brasil. A Shell me oferece uma posição para trabalhar. Eu falo: pô, casou perfeito. Eu vou voltar para o Brasil. E aí, no meio disso também, a minha atual esposa eu conheci nessa época e também tinha o desejo da gente estar junto e tal. Então, volto para o Brasil e começo a trabalhar na Shell. Só que quando eu voltei da Austrália dessa segunda vez, eu voltei com um olhar mais crítico, de negócios. Eu falei: o que está faltando no Rio de Janeiro em entretenimento, que eu posso construir?

Luciano Pires: Que ano era?

Guga Weigert: Isso 2008. Eu falei: pô, a gente está sofrendo um momento agora com especulação imobiliária, todos os espaços e eventos da zona sul do Rio de Janeiro estão fechando. Eu falei: ótimo. Então, já tenho condições de abrir um? Não. Eu preciso trabalhar. Então a Shell virou um grande laboratório de preparação. E foi muito legal, porque eu fui caminhando lá dentro, com vários projetos e caí em RH. E RH te dá uma visão corporativa que é muito única. E uma condição de se preparar para as mais diversas áreas. Então eu fiquei lá. Foram seis anos de Shell. Até que um momento eu falei: eu acho que eu já estou pronto para fazer aquele projeto que eu tenho em mente. E aí em 2013 eu pedi demissão da Shell e decidi abrir um espaço de eventos no Rio de Janeiro.

Luciano Pires: Você fala espaço de eventos. Não é uma casa de show?

Guga Weigert: Não é uma casa de show porque é multifacetada. Ele atende qualquer… ele atende desde um casamento, um workshop, um congresso, um lançamento de produto, um show, uma peça de teatro, uma festa, qualquer coisa. Isso na minha cabeça. Então, 2013 eu decido desbravar esse sonho, junto com um amigo muito próximo, que é o Rodrigo Lasmar. A gente entra e fala. Eu falo: estou saindo da Shell, chego em casa, dou essa notícia. O meu pai falou: mas como você vai fazer isso? Não. Calma. Não. Calma. Não está na hora. Eu falei: pai, já pedi demissão. Eu vou em frente. Porque eu tenho certeza que esse projeto tem que existir. Alguma coisa está me dizendo. E está na hora. Eu consegui fazer ali na Shell um pé de meia que banca esse empreendedorismo por um período. E naturalmente, a expectativa é que fosse ser tudo muito fácil, né? Só que assim, foi uma longa jornada. Uma longa jornada.

Luciano Pires: Quando o artista descobre que para fazer arte tem que ter todo um backstage, tem que… ah, caramba.

Guga Weigert: Mas assim, foi muito legal, porque foi uma rejeição inicial, tanto dos meus pais, quanto da minha namorada, na época, que é a minha atual esposa. Mas com total apoio. Falaram: é o que você quer? Vai em frente. E é o que eu tinha muita segurança. Porque o DJ já era uma realidade muito grande. Só que assim, eu comecei a fazer as contas. Foi uma época de mudança muito intensa. Eu saí da Shell e falei: vou fazer conta. E eu reparei: pô, sem a Shell eu não vivo, né? O DJ hoje é um hobby, que eu na verdade, não ganho o que eu acho que eu deveria ganhar. Aí eu sentei com a empresa, expliquei os meus pontos. Ele falou: não dá para mexer agora. Eu pedi para sair da empresa. Então, numa tacada só eu mudei. Saí do mercado corporativo e saí da empresa que me agenciava. Cumpri um período lá sem poder anunciar. Mas assim, eu já estava tão enraizado DJ, que a minha agenda continuou lotada. E foi o que me permitiu bancar as contas do projeto, que é o ExC, que está aberto lá na zona sul do Rio.

Luciano Pires: ExC?

Guga Weigert: ExC. É. Na verdade ele era o EsC, com S. EsC, bem carioca, né? A gente, infelizmente, depois de cinco anos, o INPI não deixou a gente usar a marca. No lugar da gente alegar, a gente procurou uma solução e criou o ExC carioca. Então, você tem um excape carioca. Com um X bem marcado ali. E aí o ExC surgiu, já vinha sendo trabalhado. Em 2013 começo a procurar lugares para fazer e caí dentro do Jockey Club do Rio de Janeiro. O Jockey estava passando por uma transformação em algumas áreas que estavam completamente algumas áreas. Fizemos uma proposta. Assinamos com o Jockey um contrato longo. E entramos na licença do projeto, licenciar esse projeto. Essa licença levou cinco anos. E foi assim, uma coisa…

Luciano Pires: Cinco anos, antes de começar a funcionar o projeto?

Guga Weigert: Isso. A gente inaugurou – está recém-inaugurado – a gente inaugurou em abril. A gente iniciou em 2013.

Luciano Pires: Caramba, cara.

Guga Weigert: Então assim, foram cinco anos tentando. Porque o Jockey, ele é uma APAC, ele é uma Área de Preservação. Então tem toda uma esfera de patrimônio histórico que tem que ser preservado. E que na verdade assim, não é crítica. Eu aprendi a ter um olhar sobre preservação de patrimônio histórico nesses cinco anos. Foi incrível. Naturalmente, como empresário, eu cheguei a falhar, a desistir milhões de vezes. Porque cada hora chegava uma conta diferente. Mas assim, eu não sei se tem alguma coisa que conspira a favor, surgiu uma coisa positiva ao mesmo tempo, viabilizando essa história acontecer, tá? Então a gente levou esses cinco anos. O meu sócio super do lado. A família apoiando. A esposa apoiando. Todo mundo apoiando. Mas foi assim, muito complicado. Final de 2017 a gente estava com a licença na mão. Vamos sentar com os investidores. Aí vem a parte interessante. Em 2013, quando eu saí lá da Shell, eu sentei com um grupo de pessoas próximas, eu falei: gente, vou revolucionar o mundo dos eventos. Vou trazer um espaço que vai fazer isso, aquilo, aquilo, aquilo outro e tal e não sei o que. A galera: pô, legal, vamos conversar. Aí montei lá business plain, montei apresentação, tudo legal. Aí eu sentei com um – até atual sócio meu – investidor, contei tudo. Aí estava ele e o sócio dele na mesa, o sócio dele começou a perguntar. Eu falei, fui respondendo, respondendo. Ele: pô, percebo que você entende desse negócio. Legal. Continuei respondendo, respondendo, respondendo. Aí ele veio, virou assim: mas eu tenho que te falar. Eu acho que você não é capaz de fazer o que você está prometendo. Você não vai conseguir tirar esse projeto do papel. Se você tirar, me procura de novo. Luciano, foi assim, um soco no estômago. Eu falei: pô, mas eu tenho resposta para tudo. Por que o cara me deu essa escovada, né? E aí que eu acho que veio a capacidade de receber feedback, que eu peguei muito do DJ e da Shell. Eu falei: cara, eu tenho estrutura para receber isso. Eu tomei muitas na minha vida. Não vai ser essa que vai me desanimar. Pelo contrário, isso foi uma válvula propulsora ali, para poder fazer o negócio sair do papel. E aí eu vim batalhando, batalhando. E quando eu sentei com ele de novo, em 2017, com a licença de obras na mão, ele falou: agora eu tenho que investir. Não tem jeito, né? Porque eu tinha certeza que você não ia conseguir. Ele é do ramo de construção e tal. Então isso me marcou muito, assim. E aí eu falei: pô, beleza. E como eles viraram sócios do projeto, eles tinham uma expertise em obras, que eu não tinha, nem o meu sócio.

Luciano Pires: E me dá uma dimensão. O que era esse investimento? Você está falando de quê?

Guga Weigert: A gente está falando de… eu e meu sócio, a gente tinha um projeto inicial de um milhão e meio de reais investidos. E depois, a gente captou mais seis milhões de reais.

Luciano Pires: Ô louco, cara.

Guga Weigert: É.

Luciano Pires: Não é um negocinho?

Guga Weigert: Não é um negocinho, entendeu? Então foi. Mas assim, hoje a gente percebe que tudo que a gente, assim, planejou está tendo um resultado muito intenso, assim. Porque é um lugar muito diferente no Rio. Você tem lá uma grande caixa, completamente tratada acusticamente. A gente pegou a Lygia Niemeyer, que é uma baita de uma projetista. Ela fez com muito carinho, muito detalhe. E junto dessa área interna, a gente tem uma área externa, com um jardim lindo, que você se sente no Rio de Janeiro.

Luciano Pires: No Jockey?

Guga Weigert: Dentro do Jockey Club.

Luciano Pires: Dentro do Jockey Club.

Guga Weigert: E aí, toda uma questão de segurança, de localização. Então hoje a gente está trabalhando muito pesado em todos esses segmentos para atender essas demandas. Existia muita demanda e pouca oferta. Porque assim, no Rio, se você pega assim, a zona sul do Rio ou você tem museu ou clube, associação. Você não tem espaços de eventos como você tem em São Paulo. Aqui, visitando alguns lugares, você fica encantado. No Rio você não tem. Então a gente entrou. É um espaço de médio porte. Então você consegue sentar numa palestra, 600 pessoas, entendeu? Com aquele conforto todo, pé direito de cinco metros de altura. Não é um pé direito nem muito alto, nem muito baixo. E essa questão do isolamento acústico também ajuda muito, porque preserva todas as apresentações e tal. Aí beleza. Então, a gente entrou em operação agora em abril. A gente começou depois dessa jornada longa.

Luciano Pires: Então começou um business. Porque até então, você era um lone ranger. Ou seja, você, com a tua malinha de CDs. Que hoje não é mais, né?

Guga Weigert: Hoje é pendrive.

Luciano Pires: Você, com o teu pendrive na mão, você fazia a festa acontecer. Agora não? Agora você tem uma estrutura e tem gente e tem organização.

Guga Weigert: Isso.

Luciano Pires: Que tamanho é… que tamanho é o teu… que tamanho é a estrutura lá?

Guga Weigert: A gente, na verdade, a gente buscou uma estrutura muito enxuta. Porque o que me preocupou: esse projeto iniciou no ápice do Brasil. A gente brinca que a gente ia abrir para a Copa do Mundo. Só que a gente errou a Copa. Porque não foi na do Brasil, foi na da Rússia. Até meu sócio fala muito isso. Só que a gente falou: pô, o Brasil está nesse momento. A gente não sabe se a demanda realmente vai atender o que a gente espera. Então, vamos fazer uma equipe muito enxuta. A gente tem hoje funcionários, o grupo de trabalho são seis pessoas.

Luciano Pires: Sim. Com um monte de agregados?

Guga Weigert: E um monte de agregados, que são os que permitem os outros projetos.

Luciano Pires: Esse é o modelo moderno.

Guga Weigert: É.

Luciano Pires: Vem cá, cara, o Brasil fodido, fodido, cara. Ninguém tem dinheiro. Nós estamos aí, puta, preocupado como pagar as contas no fim do mês. O ensino uma merda. A política esse horror. Matando gente na rua, ba-ba-ba. Você me abre um lugar para fazer festa?

Guga Weigert: Isso, isso. A minha crença é que entretenimento é a única válvula de escape do ser humano, tá? Lógico que tudo tem… tudo é atingido. Mas eu acredito que o entretenimento atinge menos, porque as pessoas continuam celebrando. As pessoas não podem… a essência do ser humano é viver, comemorar, né? E eu vejo muito isso. Eu acho que a gente hoje está numa linha de oferecer conteúdo cultural para a cidade do rio de janeiro. E ao mesmo tempo, atender a demandas de pessoas que querem casar, fazer seus aniversários ou empresas que querem fazer seus encontros, etc., negócios. Então assim, a gente não percebe que essa crise hoje… ela atinge em parte, mas ela não elimina a demanda, entendeu? E assim, aí isso que você falou: o Brasil está nesse momento tão ruim. E aí, eu sou um cara muito da criação – não sei se deu para pescar um pouquinho aqui – então, a gente se organizou da seguinte forma: o meu sócio toca a operação. E eu sou aquela cabecinha que fica viajando e buscando coisas novas. E eu comecei a perceber. Perceber, não. Os estudos indicam aí, a gente vai acompanhando, essa tendência colaborativa do mundo, né? Todo mundo engajado. As pessoas unidas, elas geram mais resultados, etc. Então a gente começou… eu comecei a viajar numa ideia de: pô, vou construir então, uma plataforma que viabilize as pessoas fazerem os seus eventos. Isso está em construção, é um projeto nosso agora. Então, nessa onda do financiamento coletivo, do crowdfunding, a gente está implementando uma plataforma que a gente entende que qualquer pessoa que tenha uma ideia, mas não compre o risco do evento, possa viabilizar isso em forma comunitária.

Luciano Pires: Antecipando a receita do…

Guga Weigert: Exatamente. Então assim, as pessoas recebem, têm contrapartidas, onde elas contribuem e tiram uma ideia do papel. Então a gente hoje no ExC, a gente entende que a gente quer caminhar para ajudar a sociedade. A gente naturalmente é um business, tem resultados financeiros, tem que devolver o dinheiro para os nossos acionistas investidores. Mas ao mesmo tempo, a gente quer ter essa coisa de ser um espaço que a cidade abraça, entendeu? Então esse é um dos projetos em paralelo que a gente está construindo. O outro, é uma área de apoio ao ensino. Se eu tenho um lugar que vive de eventos, eu não posso ajudar as pessoas a serem profissionais mais qualificados em eventos? Então é a nossa ideia lá. E aí, do outro lado, eu também tenho uma história empreendedora que me permite compartilhar conhecimento que eu não tinha lá atrás e que eu errei pra caramba. Então, a gente agora, também está colocando no ar um e-learning, para poder ajudar as pessoas a se capacitarem nesse empreendedorismo e produção de eventos.

Luciano Pires: Isso agora, está saindo tudo agora?

Guga Weigert: Isso agora. Está em desenvolvimento.

Luciano Pires: Pô, que legal.

Guga Weigert: E mais alguns outros projetos que estão em curso. Então, a gente quer fazer muito isso. A gente quer ser um lugar que as pessoas estejam bem, seja um bem-estar e felizes. Porque o que eu digo é o seguinte: um lado, um grande propósito que veio, do DJ, foi trabalhar com a felicidade. Quando eu tenho aquelas pessoas pulando, alegres, esquecendo que qualquer problema existe, você trabalha num ambiente feliz. E isso foi o que me impulsionou a continuar tocando desesperadamente, aceitando qualquer convite. Por quê? Porque é muito legal. É uma experiência que você vive ali, você fala assim: olha só, troquei uma energia positiva com um grupo muito grande, entendeu? E a gente quer que as pessoas tenham um pouco isso lá também, perceber um pouco isso, entendeu?

Luciano Pires: Como é que foi a tua transição da banda do eu sozinho, para uma empresa? Ou seja, que tem um sócio, que tem uma equipe, etc. e tal. Quer dizer, de repente, você não está só. Embora você diga para mim que você é a cabecinha que sai criando ideia, você não faz só isso. Imagino que têm decisões a serem tomadas lá, de negócios e que estão muito mais para o Guga administrador de empresa, do que para o Guga artista, né? Essa tua transição aí foi um choque? Eu vou melhorar um pouquinho. Vou deixar a pergunta mais legal. Você esperava o tamanho da encrenca que vocês iam encontrar quando tiveram a ideia: vamos criar um negócio?

Guga Weigert: É. Não, não esperava. Não esperava, porque, na verdade, tinha uma expectativa de prazo, de agilidade, de a gente estar em outro momento agora. Mas no final das contas, a gente aprendeu muito nesse período. E aí vem… eu acho que tem duas capacitações que eu tive na minha vida. Uma delas é como DJ. Eu não vou dizer zerar. Mas eu diminuí muito o meu ego. Eu não sou estrela. Eu não quero ser estrela. Eu entendo que se eu estou ali naquela festa e está tudo acontecendo, tem muita gente trabalhando para aquilo acontecer. Então, não é um resultado meu. Então, esse foi o primeiro pensamento que me fez saber trabalhar em equipe, tá? E aí, eu pego o outro lado, pô, seis anos de Shell, dos quais, quatro anos em RH, trabalhar com pessoas o dia a dia. Então, quando o ExC começou a se desenvolver… até tem uma passagem legal. Porque o meu sócio, que é o Rodrigo, que hoje toca a operação, ele foi uma época morar fora. Quando ele regressou ao Brasil, ele não sentia o reconhecimento de ser um gestor do ExC. Então, o meu trabalho nesses últimos anos foi empoderá-lo. Eu falei: cara, você vai ser a cabecinha da gestão. Como é que a gente vai construir isso? A gente vai construir o seguinte: você vai aparecer e eu vou ter que me esconder. Mas se a gente olhar num âmbito empresarial, de coisas que estão acontecendo, é difícil você ter essa maturidade. Você falar: pô, eu preciso que alguém fique maior, para eu poder pensar numa outra área que não é a expertise dele. Mas se eu estou aqui, se eu não estou na operação, o meu sócio investidor ali, também vai começar a questionar: pô, quem é que está tocando isso, entendeu? Então a gente fez um trabalho assim, que foi muito natural. Uma coisa assim, muito simples e de confiança. Porque aí é uma coisa que eu também levo na minha vida, assim. Se você está trabalhando com alguém, você tem que confiar. Se você não for confiar…

Luciano Pires: Sim. É um casamento, cara. É um casamento, bicho.

Guga Weigert: Exatamente.

Luciano Pires: Exatamente. É um casamento. Pô, não vai, não funciona.

Guga Weigert: Não.

Luciano Pires: E diga uma coisa, para piorar a história toda, você está fazendo isso tudo no Rio de Janeiro, que vive não sei se… não é o fundo do poço ainda, porque eu sei que o Garotinho está agora se candidatando para governador de novo. Dá para afundar mais. Dá para afundar mais ainda, né?

Guga Weigert: É.

Luciano Pires: Mas cara, num clima. A gente sabe, o Rio de Janeiro tem aquela pegada bonachona, o Rio de Janeiro é o… como é que eu vou dizer para você? É o… quando a gente fala Brasil lá fora, tem um modelo de Brasil que é o Rio de Janeiro. Não é o Brasil. Lá fora a gente vê o Rio, não vê o Brasil. Mas ele perdeu todo aquele glamour. O glamour dos anos 60, 70, 80. Aquilo desapareceu tudo. O Rio está realmente hoje… a gente continua vendo a Cidade Maravilhosa, de gente preocupada. Num ambiente que não é o ambiente, cara, motivador para fazer negócio. Por mais que você fale: pô, cara… você está rodeado de porrada. Você sai na rua: já estou preocupado, cara. Volto para casa, volto preocupado. Sai de manhã preocupado. Eu não sei o que vão fazer aqui. Eu não sei se o cara que eu estou fazendo negócio é o bandido que vai quebrar amanhã, né?

Guga Weigert: Sim.

Luciano Pires: E você passou um período na Austrália, onde as coisas, se faz um plano de 10 anos e sabe, que dali a 10 anos, aquilo vai dar tudo certo.

Guga Weigert: Isso.

Luciano Pires: Como é que é, cara, esse jogo de cintura, de tomar essas decisões, de botar na cabeça: cara, vou investir sete milhões de reais num business no Rio de Janeiro, agora, com entretenimento?

Guga Weigert: Assim, eu acho que – como você falou – tudo pode piorar. E cabe… até eu escutei o programa que você fez com o João Amoêdo. Eu conheço a família. Não conheço ele. Mas conheço a família, muito próximo. Trabalhei até com a filha dele na Shell e tal. E eu acho que só a população vai conseguir salvar o Rio de Janeiro. Porque existe um movimento muito forte, que questiona isso. Tipo assim: a gente chegou num limite. A gente está abandonado. A gente está sem prefeitura e sem governo estadual. Vamos esperar? Vamos esperar a eleição para trocar? Aí quem vai vim depois vai resolver? Não sei. Então, vamos junto. Vamos fazer. Hoje o nosso negócio lá no Rio, ele está numa área muito segura.

Luciano Pires: Sim. Você está dentro de um…

Guga Weigert: Estabelecimento que traz segurança, num bairro nobre e tal. Não que isso seja a solução. Pelo contrário. A gente não pode levar isso em consideração para dizer: ah não, aqui a gente pode vir, que aqui não é o problema. Não. Não é isso. A gente quer exatamente que as pessoas que entrem lá, reflitam e falem: cara, eu não estou no Rio de Janeiro. Então, por que a gente não tenta fazer essa barreira externa voltar a ser como está aqui dentro? Entendeu? Então essa vantagem a gente usa como uma oportunidade de questionamento. E quando eu falo lá, que a gente está tentando capacitar pessoas de produção de eventos, empreendedores, a gente quer abrir o espaço para o debate. A gente quer ser um lugar onde a gente encontre pessoas e desenvolva soluções, para poder cobrar essas soluções, poder aplicar essas soluções. Eu percebo que existem muitos movimentos. O Rio tem uma vantagem muito interessante, que assim, é uma cidade muito criativa. Não estou dizendo que as outras não são. Mas a gente percebe a criatividade. Tem polos muito bem identificados, artesanato muito forte, a questão de moda também muito presente. Você vê, hoje grandes empresas cariocas estão no Brasil inteiro, entendeu? No meu segmento, de eventos, eu diria que o Rio hoje é o maior exportador de festa do Brasil. Olha que interessante. Se a gente pegar, eu enumero para você 10 festas que estão rodando turnê pelo Brasil, inclusive São Paulo e tal. Por quê? A gente não tem casa noturna. Não tem casa de show. Tem, mas assim, poucas. Você não tem um mercado estruturado.

Luciano Pires: Cara, ouvir. Ouvir um carioca que vem da terra do Canecão, do Circo Voador. Fala mais quanto você quiser aí. Dizer que o Rio não tem casa de show, é um absurdo, bicho.

Guga Weigert: Não tem mais, acabou.

Luciano Pires: Como é que chega nisso, cara?

Guga Weigert: É. Chegamos nisso. Então a gente para e fica analisando, falando: pô, vou esperar? Não vou esperar. Então, eu vou correr atrás, eu vou fazer negócios, eu vou trazer e vou tentar de tudo, assim. A gente não pode ficar refém. A experiência lá na Austrália, que eu tive, foi muito legal, porque eles me mostraram essa situação de você se adaptar a qualquer coisa. Em 2008, 10 anos atrás, os caras já faziam o que eu estou começando a fazer hoje. Então eles têm uma expertise. Porque eu tocava num lugar, depois já virava um depósito de não sei que, que já virava um restaurante, que abria para um café da manhã. Então você via uma rotatividade. E no final das contas, fazia a melhor utilização possível, que eu acho que é a grande questão da sustentabilidade, né? Você tem que utilizar as coisas ao máximo, de forma que seja sustentável.

Luciano Pires: Isso é gestão de ativos, né? É gestão de ativos.

Guga Weigert: Exatamente. Então assim, hoje é um grande desafio. A gente está tendo um resultado muito bom. Mas também, tudo que é novo gera um resultado muito bom, né?

Luciano Pires: Você inaugurou quando?

Guga Weigert: Inaugurou em abril.

Luciano Pires: Pô, vocês estão na pré-infância.

Guga Weigert: Exatamente. É.

Luciano Pires: Na pré infância. Mas aí abriu com a pegada que vocês queriam? É aquilo? O dia da abertura? Quando você estava lá dentro, você falou: cara, era isso. Esse era o ar que eu queria respirar é esse, a iluminação era essa, o espaço era esse?

Guga Weigert: Sim. Não abriu assim, naturalmente, né?

Luciano Pires: Sim. Sempre falta um pouquinho. Sim.

Guga Weigert: Falta um monte de coisa. A gente veio trabalhando pesado na parte de infra da casa. Porque assim, gerar uma experiência boa para o cliente é fundamental. Mas se você gera uma experiência boa para o seu fornecedor, isso é um diferencial que ninguém imagina. Porque você permite que o cara reduza os custos dele. Então se você está pensando isso, você não está cobrando nada dele. Você só quer que ele se sinta melhor para trabalhar. E eu entendo que se ele se sentir melhor, ele vai gerar uma experiencia melhor para o cliente final. Então, esse era o nosso pensamento. Quando a gente abriu a casa, faltavam muitas coisas. Por exemplo, a gente fez um projeto, onde a gene energizou o nosso teto todo. Você não passa um cabo no teto. Está tudo pronto. Ah, eu quero um projetor aqui. Está aqui. Puxa um cabinho lá de cima, plugou, está conectado lá embaixo, tem sinal, tudo certinho. Só que para construir isso… é um projeto pessoal meu, uma expertise que eu vim desenvolvendo. A gente entregou. Então, a gente começou a perceber: pô, eu preciso ter a cada quina, um ponto de energia intenso, onde o cara não precise levar um ponto lá para o outro lado. Então isso foram coisas que a gente veio agora. A gente estava pronto. Então, como é que funcionou? A gente abriu a casa. Naturalmente o mercado corporativo de eventos privados, eles não são imediatistas. Eles se programam no mínimo, seis meses para começar a fazer eventos. Então, a gente optou por fazer uma parceria com um projeto chamado The Rock Bar, que é superbacana. A entrada é gratuita. Opera de quinta a sábado. E eles só tocam rock. São tributos a várias bandas. Então você vai lá, tem alguém fazendo tributo ao Guns N’ Roses, Pink Floyd, Maroon 5, Amy Winehouse. Então, tem várias bandas sendo, assim, selecionadas, para fazer esse trabalho. Então você gira música. Porque não tem mistura. É rock a noite inteira. Então é legal, porque você atinge um público muito específico. As pessoas não pagam para entrar. Consomem o que quiserem ou não. Ficam jogando sinuca, dardo, todos os joguinhos estão lá. Num ambiente, você tem uma área fechada e uma área aberta, com uma bela de uma vista, segurança. Então foi um tiro, um gol assim, impressionante. Todo mundo conhecendo o ExC sem saber que é o ExC. Porque normalmente um espaço de eventos, ele demora a ser reconhecido. Então está todo mundo imaginando. Agora o The Rock Bar vai embora, em meados de agosto. Porque a gente está nessa de: vamos retornar, não vamos? É um projeto bacana. Estamos estudando. E outros milhões de projetos surgindo, assim. Então, tem projeto agora que vem para contar a história da cerveja, produtores artesanais. Tem um outro que é um megaprojeto de moda. Já tem projeto de tecnologia para falar de startups, Maker Faire, etc. Aí você vai vendo isso tudo e você fala: olha que interessante. Isso tudo pode ajudar a cidade a dar uma…

Luciano Pires: É. É aquele lance que você falou: do projeto colaborativo, né? Eu não sei se você visitou aqui a WeWork?

Guga Weigert: Sim.

Luciano Pires: Já foi lá?

Guga Weigert: Sim. Caraca.

Luciano Pires: Aquilo para mim, quando alguém começa a falar assim: ô, colaborativo. Eu falo: vai lá ver. Fica meia hora lá na WeWork para ver a doideira que é aquilo lá. E tem uma energia lá dentro que é diferente de tudo que eu já vi. Que eu acho que é exatamente isso, cara, você aplicar isso a nível da cidade. É difícil fazer, porque a cidade não é homogênea. Há uma homogeneidade na loucura que é o WeWork. Está cheio de gente a fim de fazer. Mas essa gente vai lá meio com a cabeça na mesma direção, né? Um monte de empreendedor maluco que quer fazer acontecer. Já juntou todo mundo igual. E uma cidade não é isso. Uma cidade tem de todo tipo, né? Especialmente o Rio de Janeiro, as diferenças estão conectadas uma ao lado da outra ali, né? Mas eu acho fabuloso, cara, você agitarem isso lá. Pô, eu estou louco para ir conhecer agora, cara.

Guga Weigert: Ô, está convidado.

Luciano Pires: Tem restaurante lá dentro também?

Guga Weigert: Temos os vizinhos. A gente está ali num… a gente chama de um boulevard meio cultural. Que você tem o Rubaiyat, que tem aqui também em São Paulo. Tem a Casa Camolese. Abriu agora uma cervejaria chamada Maguji. E são duas galerias de arte.

Luciano Pires: Você falou que é no Jockey Club?

Guga Weigert: No Jockey Club.

Luciano Pires: O Jockey funciona como no Jockey? Ainda tem as noitadas lá?

Guga Weigert: Ainda tem corrida.

Luciano Pires: Tem tudo funcionando?

Guga Weigert: Isso. Aí tem uma área em frente ao Parque Jardim Botânico, que essa área, ela não era uma área tombada. É uma área preservada e tal. Mas que podiam ter novas construções. O resto do Jockey não pode. Então, eles fizeram todo esse loteamento e têm vários negócios acontecendo. Superbacana assim, de visitar.

Luciano Pires: Você sabe que eu vi, há um tempo atrás, aqui. Eu tive num evento do meuSucesso.com – não vou me lembrar agora do nome dele, não vou lembrar nada não – era um empreendedor que ele tem uma tese que é o seguinte: ele procura um lugar da cidade que está abandonado, largado, fodido, esquecido. Ele vai lá, dá um banho naquele lugar e transforma num lugar de evento, num restaurante badalado, numa casa de show. E a tese dele é o seguinte: eu revitalizo lugares da cidade, que estão abandonados, para fazer um polo, um case. Ele pega um lugar arrebentado na Baixa Augusta e faz uma casa show que vira aquela coisa cult e aquele movimento, aquilo tudo. E não é esse empreendedorismo dele, que você olha e fala: pô, aquele cara montou uma casa de show, uma casa de evento, um restaurante. Ele na verdade, está contribuindo para revitalizar todo o ao redor dele. Quer dizer, tem uma função social, que vai além do business, de montar um negócio para ganhar dinheiro, né? Ele monta um negócio, mas com a função. Ele não foi montar um negócio lá na Avenida Paulista, muito legal. Aliás, ele até pegou um lá. Ele foi ali, tem o Mirante, em cima ali do túnel da Nove de Julho.

Guga Weigert: Ah, legal.

Luciano Pires: Abandonado, cara. Largado. E o cara vai lá e transforma num lugar cult. Aquilo revitaliza em volta. Quer dizer, tem uma função, que se você pega uma cidade como o Rio de Janeiro e aponta: onde é que estão os lugares? E vai um grupo: cara, vamos mexer lá, vamos mexer nisso. Você começa a fazer acontecer nesses lugares que estão abandonados. E o abandono – você sabe – é o primeiro passo para… a teoria da janela quebrada. Larguei…

Guga Weigert: Eu tenho uma teoria: que a arte, a cultura, elas, presentes na sociedade, ajudam na educação. Normalmente, lugares que são tocados por esses atributos artísticos, fazem as pessoas terem um nível maior de consciência, tá? Então, quando eu penso hoje no ExC, primeiro espaço, a primeira coisa é: como é que a gente ajuda a inserir mais cultura na zona sul do Rio. Naturalmente, na largada do projeto é impossível, porque você não tem todo o apoio necessário, ele é muito custoso e tal. Mas ao longo do tempo, a nossa ideia é cada vez migrar mais para um centro cultural. Porque eu acho que as pessoas precisam disso. E aí, tem uma coisa interessante também, que eu acho que são as crianças. A criança é a forma mais fácil de educar qualquer ser humano. Se a criança sabe alguma coisa, ela transfere esse conhecimento muito rápido, entendeu? Então, a gente tem essa preocupação de criar esses pequenos protótipos de conhecimentos culturais, artísticos e etc. para, com certeza, de forma colaborativa – aí vem a sacada da plataforma – porque pessoas unidas podem resolver problemas em outros locais. Aí sim a gente começar a pensar em gerar resultado para outras regiões também, entendeu? Porque realmente precisa. Tem muita coisa abandonada, sem uso. A gente lá no Rio, passou por um processo até agora, de revitalização de algumas áreas, por causa das Olimpíadas, Copa do Mundo e tal. Mas ficaram algumas outras descobertas. E, pô, é uma tristeza muito grande, né? A gente está falando de o Rio de Janeiro ser a capital da Bossa Nova. E hoje…

Luciano Pires: E o Beco das Garrafas… é um beco…

Guga Weigert: É um beco.

Luciano Pires: A história aconteceu toda lá, né? Eu fui lá. Outro dia eu fui lá para Petrópolis, no caminho eu estou passando, passei no táxi, passei. De repente, eu olho para a direita e vejo uma placa escrito: Museu do Banho. Casa do Banho. É isso? Casa do Banho. É um negócio assim. Eu digo: Casa do Banho? O que é isso, cara? E vou para a internet ver o que é. E descubro que é um casarão fabuloso, que tem perto de uma praia lá, onde Dom João VI ia para tomar banho de mar, porque ele tinha um problema de pele. Não. Acho que Dom Pedro, Dom Pedro I, Dom Pedro II. Nem me lembro. Um deles lá.

Guga Weigert: Um deles.

Luciano Pires: Da família real. Tinha um problema de pele. E o médico recomendou que a água era boa. Aquela água era boa. Então, ali, aquele casarão era o casarão que ele usava para fazer. E é um casarão maravilhoso, daquela época colonial, que depois aquilo foi tombado. Aí virou um ambiente muito legal. Aí foi abandonado. Famílias passaram a morar lá dentro, aquilo virou uma zona. Depois o pessoal retomou, refez e construíram lá dentro, o Museu do Lixo. Era o Museu da Limpeza Pública do Rio de Janeiro, que funciona lá dentro. E de novo, estava largado, abandonado. E parece que agora revitalizou e estava lá outra vez. Eu falei: cara, eu nunca ouvi falar em Casa do Banho, muito menos em Museu da Limpeza Urbana. E a hora que você vê as fotos, cara, o lugar é maravilhoso. E está lá, esquecido, cara. Largado num canto lá, onde não tem a menor… essa semana eu fui de novo para o Rio de Janeiro. Estou passando. Museu Aeroespacial. Mas que porra é essa cara? Eu nunca ouvi falar nisso e está lá. Eu não sei o que é. Mas já vou investigar para ver o que é, né? E quando você pega a história do Rio, cara, tem coisas maravilhosas esparramadas em tudo quanto é lugar, né? E pô, se tivesse mais… se a gente tivesse essa gana no Brasil, de fazer o que eles fazem lá fora. O pessoal sempre me acusa: você fica puxando o saco de gringo e tudo mais. Cara, eu fui conhecer Paris, Roma. E uma das coisas que mais me impressionou ali é o fato de você dar 30 passos e trombar com um monumento, entendeu? Eu dei 10 passos, viro: nesta casa morou fulano de tal, pa-pa-pa. Aqui o imperador vinha tomar banho. Ta-ta-ta, essa estátua não sei o quê. Essa fonte, isso e aquilo. Tudo aquilo preserva a cultura e mais que isso, gera grana. Tudo gera dinheiro lá.

Guga Weigert: Lógico. Total.

Luciano Pires: E aqui está tudo largado. Tudo abandonado.

Guga Weigert: Tudo largado, infelizmente. Eu acho que a gente… é uma construção interessante, para a gente fazer, um pensamento, uma reflexão. Por exemplo, o Rio, um dos grandes patrimônios do Rio é a praia. E qual o cuidado que se tem com a praia? Então são coisas que eu me questiono muito e que a minha intenção, por exemplo, hoje eu estou começando a pensar em estudar a questão de gestão pública. Não para ser gestor público. Mas tentar entender sob uma outra perspectiva, como a gente pode, como cidadão, contribuir para esse modelo que não funciona. Porque não é simplesmente pegar e botar a mão, porque dá tudo errado. Alguém vem para você, fala que você está fazendo coisa suja, errada e a gente não quer. Então tem coisas, que a gente, infelizmente, precisa se capacitar para poder tentar transformar. E essa é uma das minhas funções agora. Pô, depois de todas essas células de coisas que a gente está construindo, como é que eu levo isso para frente? O que eu posso fazer? O que eu posso organizar? Com quem eu posso me juntar e tudo mais. Então são algumas coisas que eu penso.

Luciano Pires: E ir ampliando essa coisa.

Guga Weigert: Exatamente.

Luciano Pires: Moçada, vocês pensaram que a gente ia conversar com um DJ. Cara, muito legal. Muito legal a tua história. Muito legal esse projeto. Eu espero que dê certo. Cara, quero conhecer, bicho. Agora eu estou…

Guga Weigert: Pô, convidadíssimo.

Luciano Pires: Eu estou louco para conhecer lá, para ver. Não precisa nem ter festa não.

Guga Weigert: Não? Só olhar?

Luciano Pires: Eu vou lá para conhecer, ver como que é o ambiente, como que vocês prepararam aquilo lá. Olha, tem um Jockey Club aqui em São Paulo, gigantesco, cara. E os caras tem um monte de problema. Tudo atrasado. Não tem como pagar aquilo lá. A especulação urbana louquinha, louca para pegar aquele lugar lá, né? E o ambiente é maravilhoso, bicho, é fantástico. Um lugar como esse caberia como uma luva lá. Quem sabe vocês têm uma ideia aí?

Guga Weigert: É. Quem sabe? Vamos pensar, né?

Luciano Pires: Legal, quem quiser conhecer então, como é que faz para encontrar vocês, encontrar o ExC? Como é que é?

Guga Weigert: O ExC hoje está na mídia como exc.rio.br, isso no Instagram, Facebook, site, tudo lá. A gente tem dentro do nosso site um blog também, bacana, que fala sobre o dia a dia de produção de eventos. Também alguém que precise tirar alguma dúvida e tal tem esse canal. Estamos construindo também agora um canal no Youtube, para contar um pouco dessa história mais visual, que às vezes as pessoas sentem falta, no dia a dia, né? De ter o contato visual. E é isso. Esses são nossos endereços online. E fisicamente, a gente está na Rua Jardim Botânico, número 1011. Fica ali, quase em frente à entrada do Parque Jardim Botânico, próximo do Restaurante Rubaiyat e tal, superacessível.

Luciano Pires: Quem quiser o Guga para tocar no casamento? Como é que faz?

Guga Weigert: O Guga já é… tem pelo site, que é o gugaweigert.

Luciano Pires: Como é que se escreve esse Weigert?

Guga Weigert:  O Weigert é W-E-I-G-E-R-T. Aí, ponto com ponto br. No Instagram a mesma coisa, Guga Weigert, Facebook e tal. Eu estou ali nas mídias direto.

Luciano Pires: Maravilha, cara. Pô, bicho, bem-vindo ao LiderCast, viu?

Guga Weigert: Pô, obrigado, Luciano.

Luciano Pires: Adorei a sua história, a história de vocês. Eu vou realmente lá, vou querer dar uma olhada lá.

Guga Weigert: Que bacana, que bom.

Luciano Pires: Tenho muito a aprender lá. Seja sempre bem-vindo, cara.

Guga Weigert: Eu quero te agradecer. Fazer um parêntese também, agradecer a Alice.

Luciano Pires: Claro.

Guga Weigert: Por essa nossa conexão aqui, que a Alice é uma visionária, na minha opinião.

Luciano Pires: Ela é.

Guga Weigert: A gente está em contato, porque a gente quer trabalhar uma questão de arte muito forte no Rio. Tem uns projetos que a gente está começando a pensar nessa questão colaborativa. Eu sou super fã dela.

Luciano Pires: Ela já saiu, mandou um e-mail para mim, cheia de ideias. Ela quer que eu faça acontecer o Sara do Café Brasil lá no ExC.

Guga Weigert: Olha só.

Luciano Pires: Falou: você tem que falar com ele.

Guga Weigert: Isso.

Luciano Pires: Tem que levar o Sarau para acontecer lá no Rio de Janeiro. Eu falei: pô, deixa eu ver quem é. Quem sabe a gente faz lá, né?

Guga Weigert: Não, com certeza. Assim, na verdade é um dos nossos pilares, ter esse encontro para debate, para propostas e ideias. Então assim, a gente hoje está aberto para qualquer ideia, apoiar qualquer causa. E, pô, o trabalho aqui que vocês fazem, eu sou fanzaço. Ajuda as pessoas a poderem se organizar e se preparar para desafios futuros, que eu acho que é o grande lance do momento.

Luciano Pires: Vamos nessa.

Guga Weigert: Vamos lá, cara. Grande abraço.

Luciano Pires: Obrigado.

Guga Weigert: Um abraço.

Luciano Pires: Muito bem, termina aqui mais um LiderCast, a transcrição deste programa, você encontra no lidercast.com.br. para ter acesso a esta temporada completa assine o cafebrasilpremium.com.br e receba imediatamente todos os arquivos. Além de ter acesso ao grupo cafebrasil no Telegram, que reúne ouvintes dos podcasts Café Brasil e LiderCast, que discutem em alto nível, temas importantes, compartilhando ideias e recebendo conteúdos exclusivos. Lembre-se: cafebrasilpremium.com.br. Essa temporada chega a você com o apoio da Nakata, que é líder em componentes de suspensão. Cuide bem de seu carro com as dicas do blog.nakata.com.br.

Narrador: Você ouviu LiderCast, com Luciano Pires. Mais uma isca intelectual do Café Brasil. Acompanhe os programas pelo portal cafebrasil.com.br.