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Vivendo em “emergency mode”

Vivendo em “emergency mode”

Mauro Segura - Transformação -

A vida de executivo tem dessas coisas… muitos anos atrás eu encontrei um amigo que se mostrava cansado e ansioso. Ele ocupava uma posição de diretor numa empresa de varejo. Perguntei o que estava acontecendo e ele foi econômico na resposta: “Estou em survival mode”. Traduzindo sua resposta: significava dizer que ele estava passando por uma fase de trabalho pesado, com muitas demandas, pressão, mudança de organização e enormes desafios de curtíssimo prazo, tudo ao mesmo tempo, e estava enlouquecido tentando sobreviver a tudo aquilo. Gostei de sua capacidade de sumarizar numa expressão aquele momento que ele estava vivendo. Com o passar do tempo eu adotei a expressão “emergency mode”, que para mim me pareceu mais adequada.

Pois bem, eu estou vivendo atualmente uma fase de “emergency mode”… com a clara percepção de que tenho mais coisas para realizar do que a minha capacidade de entrega-las, num prazo extremamente curto, com a real sensação de que preciso trabalhar mais e de forma diferente para não me enrolar no meio de tantas demandas. A boa coisa disso é que eu tenho consciência das minhas limitações e confio que essa é uma fase que vai passar em algum momento. Isso implica que eu preciso ter a sabedoria de selecionar o que é mais importante, ter a coragem de falar “nãos”, deixar cair conscientemente alguns pratos e somente me engajar nas reais prioridades.

Dá para viver em “emergency mode”? Dá!!!! Mas somente durante uma curta fase, sacrificando o lado pessoal e outras responsabilidades. Isso faz parte do jogo, faz parte da vida profissional, mais especialmente da vida executiva que muitas vezes passa por picos e vales. Porém, existe a necessidade latente de estar atento para identificar quando as demandas atingirem um estágio de melhor equilíbrio para, então, desligar a chave de “emergency mode”.

Conheço executivos que vivem para trabalhar. Em algum momento da vida ligaram a chave de “emergency mode” e nunca mais desligaram, vivendo constantemente nesse estágio, transformando o trabalho na quase única razão da sua vida. Ok, isso pode ser uma opção de vida e eu não pretendo entrar na polêmica das escolhas individuais de cada um. Cada um decide o que quer fazer da vida, numa boa, mas eu tenho um ponto de vista sobre isso.

O segredo para não pirar é não deixar o “emergency mode” se tornar indolor e nos dominar, como acontece com o sapo colocado numa panela de água quente, que se aquece lentamente e ele morre sem sentir. Aí nos transformamos em seres humanos continuamente estressados, obcecados e em perene estado de insatisfação… sem sentir. Eu sei que existem pessoas que pensam diferente, que acham que isso é legal, que tem que ter assim mesmo, que profissionais dedicados precisam se mostrar tensos e trabalhar sempre com a corda esticada. Enfim, é um bom e controverso papo que não me atrevo a entrar. Já passei do tempo de discutir isso.

De minha parte, como disse, eu estou em um período de “emergency mode”, tratando de acelerar tudo que posso para voltar em breve a um estado mais brando e razoável. Tudo depende de mim. Estarei ligado, com o dedo preparado para desligar o botão no tempo certo. Por enquanto, mantenho o pé fundo no acelerador para entregar os projetos, realizar as atividades, tomar e implementar as decisões necessárias para reequilibrar a agenda.

O meu atual ritmo tem me afastado um pouco das redes sociais. Estou escrevendo esse texto dentro de um avião, no meio da madrugada, num vôo internacional, e vou posta-lo na primeira oportunidade. É o que deu pra fazer :):)

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