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Alexandre Gomes -

As palavras ATRIBUTIVAS expressam os ACIDENTES que existem na substância.  Os atributos PRIMÁRIOS incluem:

 

  1. verbos;

“eu preciso escrever um exemplo?”

  1. substantivos verbais;

“ela cultiva o sorrir

  1. adjetivos verbais;

“conto o que me contaram

  1. adjetivos.

“o café está quente

 

VERBO E SUAS FUNÇÕES:

 

Um verbo possui QUATRO FUNÇÕES:

 

  1. expressa um atributo juntamente com a noção de tempo;
  2. indica distinção temporal da ação denotada (ou seja, indicada, mostrada);
  3. expressa o modo (ou humor, intenção);
  4. afirma.

Compreenda que expressar um atributo juntamente com a noção de tempo é a FUNÇÃO ESSENCIAL de um VERBO e constitui sua definição (não foi à toa que listei essa função ali no item 1).

Aristóteles define “verbo” como aquele que, além do seu significado próprio, transmite TAMBÉM a noção de tempo, ou de mudança.

E é por conta desse aspecto, o tempo, que o verbo se distingue do  ADJETIVO – que também expressa um atributo de um objeto (substância), MAS NADA DIZ SOBRE tempo ou mudança.

E para não perder a chance de enfatizar mais o que diferencia o verbo entre as palavras atributivas, perceba o seguinte: TEMPO é medida de mudança.

 

Uma vez que AÇÃO é mudança, e mudança envolve tempo\, um verbo, que expressa uma ação NECESSARIAMENTE envolve tempo!

 

Cada verbo descreve uma AÇÃO específica: PULAR, FALAR, NADAR. E a noção de tempo está vinculada ao verbo. E isso não pode ser separado (a ação do tempo).

Logo, o tempo é concomitante ao significado dos verbos e não o seu significado principal. Hum… não está me entendendo direito, não é? Veja assim então.

 

Quando desejamos que o tempo assuma o significado principal, nós o fazemos através de substantivos abstratos, tais como: ANO, DIA, HORA, etc.; ou então, por meios de advérbios: anualmente, diariamente, de hora em hora…

O tempo verbal, por sua vez, É A RELAÇÃO entre o tempo do ato mesmo e o tempo em que se faz a referência ao ato.

Veja!

Se eu falo de uma AÇÃO ENQUANTO ELA OCORRE, uso o tempo presente;

“O pássaro VOA” (presente do indicativo)

Se falo antes da ocorrência:

“O pássaro VOARÁ” (futuro do presente)

Se depois da ocorrência:

“O pássaro VOOU” (pretérito perfeito)

 

Em Português há ainda outros tempos verbais, que podem parecer iguais para um estrangeiro aprendendo nossa língua materna, mas soam naturais para os nativos da língua.

 

PRETÉRITO IMPERFEITO

“O pássaro VOAVA” (sugere a ideia de que ele não voa mais)

 

PRETÉRITO MAIS QUE PERFEITO

“O pássaro VOARA” (aqui, a sugestão é que a ação é mais antiga. Ou seja, algo mais aconteceu nesse passado

 

FUTURO DO PRETÉRITO

“O pássaro VOARIA” (a ideia aqui é: se algo imprevisto não tivesse retirado essa habilidade do animal)

 

A língua inglesa tem alguns desses tempos verbais, mas não todos. E nem todos os seus verbos têm grafia diferente para representar a mudança de tempo verbal. Lá utilizam VERBOS AUXILIARES para demonstrar o tempo verbal diferente.

Por exemplo, o verbo “to dance” (dançar), em alguns dos tempos verbais da língua inglesa:

 

PRESENTE: “She dance”

 

PASSADO: “She did dance”

O “did” deixa de ser “fez” (passado de fazer – to do), e passa a ser um verbo auxiliar para representar o tempo passado da ação que é dançar.

FUTURO: “She will dance”

agora, é a palavra “will” que deixa de significar “vontade” ou “desejo”, e passa a ser outro verbo auxiliar para representar o tempo futuro.

Sim, há sutilezas no Inglês também. Há um outro verbo auxiliar para o futuro, o “SHALL”, que é usado para demonstrar o tempo de maneira mais formal

 

“When she shall dance” (quando ela deve dançar) 

 

Que é um pouco diferente de…

 

“When she will dance” (quando ela vai dançar)

 

De todo modo, tenha cuidado! Não confunda tempo verbal com TEMPO. O TEMPO é essencial ao verbo; já o tempo verbal é apenas uma VARIAÇÃO ACIDENTAL.

Perceba; na declaração de uma verdade geral, não há nenhum tempo verbal. Exemplos:

 

  • Fogo queima;
  • Ácidos contêm hidrogênio;
  • O Bem deve ser feito;
  • O Mal deve ser evitado.

 

Nenhum dos verbos grifados estão em algum tempo verbal. Todos, da forma que estão escritos, são PERENES*, valem por todo o tempo.

(* Destaque: não usei o termo “eterno” porque ele, em seu sentido original, significa estar fora do tempo, e não estar em todos os momentos do tempo. Este é o sentido de perene)

Voltando…

 

Tais declarações gerais (frases acima) expressam uma relação que não cessa de existir, nem começa a existir por obra da nossa observação. É uma relação CONSTANTE.

 

O MODO declara de que maneira o SUJEITO e PREDICADO estão relacionados: como certos, como possíveis, como condicionais, etc… 

 

  1. Modo INDICATIVO (declarativo): declara a relação como um fato, uma certeza. “O carro passou correndo”;
  2. Modo POTENCIAL: afirma uma relação como possível, ou contingente. “Uma rosa pode ser branca”;
  3. Modo INTERROGATIVO: pede informação e requer uma resposta em palavras. “Onde você achou isso?
  4. Modo VOLITIVO: busca a gratificação das volições (vontades) e requer uma resposta em forma de ações. E faz referência direta somente ao futuro, e por isso, tem a força de ordem. Um ótimo exemplo são os Dez Mandamentos: “Não roubarás” (só pra esclarecer, este é o futuro do indicativo, certo?)

 

Então… pra quê isso tudo, não é?

Para apontar a diferença entre a Gramática GERAL (esta que estamos estudando aqui) e as Gramáticas ESPECIAIS. estas se preocupam principalmente com as relações entre as palavras, distingüem três MODOS, marcados por uma diferença na forma gramatical.

  1. Modo Indicativo: que expressa a relação como uma atitude de certeza, seja numa afirmação ou pergunta.
  2. Modo Subjuntivo: que expressa as relações potenciais, subjuntivas, optativas e, às vezes, interrogativas – quando pedem permissão.
  3. Modo Imperativo: que expressa uma ordem.

 

Perceba que tanto na Gramática Geral e nas Gramáticas Especiais, o modo indicativo tem o MESMO ALCANCE. Já os modos interrogativo e volitivo (da Gramática Geral) se misturam para formar o modo Subjuntivo, deixando apenas uma parte específica do modo volitivo (a parte impositiva por sinal) para o modo Imperativo. Então, nas Gramáticas Especiais o modo volitivo impositivo é o Modo Imperativo.

Resumindo, Gramáticas Especiais como a latina, portuguesa, inglesa ou francesa não fazem distinção entre os modos interrogativos e indicativo, pois usam normalmente a mesma forma na pergunta e na resposta.

Para a Gramática Geral, a distinção é NECESSÁRIA, do ponto de vista lógico. Pois o modo indicativo expressa uma DECLARAÇÃO que pode ser verdadeira ou falsa. O modo interrogativo expressa uma PERGUNTA que, em si, é incapaz de ser verdadeira ou falsa.

Compreenda que SOMENTE os modos indicativo e potencial são capazes de expressar a veracidade ou a falsidade.

Os modos interrogativo e volitivo, NÃO O SÃO. (capazes de expressar a veracidade ou falsidade de algo).

MUITA ATENÇÃO A ISTO: o modo potencial AFIRMA não um fato, mas uma possibilidade ou contingência.

 

No fim das contas, você deve entender que um verbo afirma. Esta função é necessária à formação da frase, que deve expressar um pensamento completo.

 

Por último, uma curiosidade sobre a figura acima: ali é o Jesus Pantocrator. Essa representação tem um detalhe curioso. A expressão no rosto de JC, do lado onde ele segura um livro, é severa; enquanto sua expressão do lado em que a mão está posição de benção, é suave, benéfica. Dá pra falar mais sobre essa simbologia, mas aqui não é o lugar.

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