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Alexandre Gomes -

A MORFOLOGIA SINCATEGOREMÁTICA se refere a PALAVRAS que só tem significado quando associadas a outras PALAVRAS.

 

Bom, se tais palavras se referente a outras palavras, então as funções delas (as sincategoremáticas) passa a ser a de apontar para as outras palavras ou juntar palavras.

 

Logo, posso dizer que há DOIS TIPOS de PALAVRAS SINCATEGOREMÁTICAS:

 

 

  • DETERMINATIVAS: são palavras que, quando associadas a um nome comum, são capazes de SELECIONAR (ou DESTACAR) um indivíduo (ou grupo) “PARA FORA” da classe a que pertence por conta desse nome comum. Essa junção: palavra definitiva (ou determinativa) + nome comum, dá-se o nome de DESCRIÇÃO EMPÍRICA. As palavras DETERMINATIVAS incluem artigos e dêiticos. Observe que uma DETERMINATIVA pode designar indivíduos como…

 

 

  • Conhecido: o homem;
  • Presente e próximo: este homem;
  • Definido: um certo homem
  • Um grupo indefinido: muitos homens, alguns homens.

 

1.1. O Artigo: o artigo NUNCA está sozinho. Ele pode ser indefinido ou definido.

Se o artigo é INDEFINIDO, ele seleciona um indivíduo, mas não designa (ou define) qual. Também significa o primeiro encontro, a primeira impressão de algo ou de alguém. Veja: “Hoje, na praça, vi uma mulher linda, morena e de olhos castanhos”
Outro aspecto do artigo é que sua repetição auxilia na clareza de que é dito. Perceba com atenção o exemplo:

“Ele hospedava um poeta e filósofo”

Existe UM ou DOIS hóspedes? A frase acima não está clara, não é? Mas se eu mudo a frase para esta aqui?

“Ele hospedava um poeta e um filósofo”

Bem mais claro, certo?

O artigo DEFINIDO singulariza um indivíduo particular. Também pode significar uma relação de familiaridade estabelecida, ou indicar a eminência (superioridade). Exemplos:
de familiaridade: Ali vai a mulher linda, morena de olhos castanhos que vi ontem na praça.
de eminência: O poeta, O filósofo, A Marília.

1.2. O Dêictico: a função PRINCIPAL do dêictico é agir como uma palavra determinativa, ou seja, LIMITAR UM NOME COMUM. Outras vezes, porém, o dêictico aparece sozinho e, portanto, desempenha as funções de um PRONOME. Veja:

Este lápis. (o dêictico é uma determinativa)

 

já aqui…

 

Este é um lápis (“este” se tornou um pronome, pois “um” está fazendo a função de palavras determinativas)

 

Perceba que o dêictico é um modificador DETERMINATIVO e não um modificador ATRIBUTIVO (isso é função do adjetivo). Certo, você ainda não viu a diferença do que estou apontando. Vamos a novos exemplos então. Veja a frase a seguir:

 

Esta maçã.
“esta” é uma palavra DETERMINATIVA (dêictico, no caso) porque está associada ao SUJEITO, porém ela não PREDICA (atribui qualidades sobre algo do SUJEITO). Agora, se eu mudo a frase e digo: “maçã verde”, VERDE é uma palavra ATRIBUTIVA porque “verde” pode ser PREDICADO (qualidade, característica) de maçã.

Percebe? Esta é uma diferença essencial e profunda que a Gramática Geral faz, mas as Gramáticas Especiais (algumas) não fazem.

A Gramática Geral (que estamos eu e você estudando agora) destaca tanto essa diferença que classifica o adjetivo como uma palavra CATEGOREMÁTICA, e o determinativo (dêictico) como palavra SINCATEGOREMÁTICA.

Para contrapôr as diferenças entre os adjetivos e dêicticos, a caracterísitca comum dos dois é que ambos são modificadores de substâncias (substantivos e sujeitos, para ser mais claro).

Enquanto o dêictico é um modificador que tem a intenção de RESSALTAR, e isto o faz ser DETERMINATIVO. O adjetivo tem a intenção de DESCREVER, logo, é ATRIBUTIVO.

 

E se você achou que eu ia esquecer do segundo tipo de palavras sincategoremáticas…

 

 

  • CONECTIVOS: são palavras que ASSOCIAM palavras a outras palavras. Os conectivos incluem preposições, conjunções, e a pura cópula.

 

 

2.1. As Preposições UNEM substantivos, que não se misturam naturalmente. Note que na natureza (o mundo real) os acidentes existem na substância; bem como na Gramática. ex.: rosa vermelha

Na frase acima – que não é uma oração porque não têm verbo -, uma ideia foi comunicada claramente com duas palavras: um substantivo e um atributivo (adjetivo). Ou seja, a substância e o acidente, sem nenhuma outra palavra para juntá-los e dar sentido ao que se quer comunicar.

Subindo um pouco a complexidade… O que acontece se você somar cinco maçãs, três mesas, quatro cadeiras e dois cães, sem usar conectivos? A resposta será justamente o que está sublinhado na pergunta! Sim, você pode sintetizar e dizer que há catorze objetos, ou coisas, na frase. Mas isso é ignorar a natureza específica de cada objeto.

Porém, se eu usar preposições para organizar os objetos listados antes, posso dizer o seguinte: Dois cães, perseguindo um ao outro, derrubaram cinco maçãs de sobre três mesas para debaixo de quatro cadeiras.

 

Percebe que as preposições expressam uma relação entre essas substâncias SEM LHES ROUBAR a sua natureza específica?

 

2.2. Conjunções unem FRASES. Sejam elas explícitas ou implícitas. Veja os exemplos:

  • O Exército e a Marinha prepararam-se para a guerra.
  • O Exército preparou-se para a guerra, e a Marinha preparou-se para a guerra.

As conjunções puras são COORDENATIVAS, ou seja, unem orações ou frases INDEPENDENTES. Mesmo que a união das frase não signifique união de sentidos

Já que falei de conjunções puras, é natural que você pense que há conjunções impuras. O termo não é adequado, mas a ideia SIM. Há conjunções que subordinam frases ou orações. Essas conjunções são os advérbios conjuntivos, tais como: durante, enquanto, onde, quando, embora, a menos que, senão, se….

 

2.3. A Pura cópula conecta SUJEITO e PREDICADO. Por conta de sua relação com a Lógica, não há nada na Gramática que seja tão NECESSÁRIA entender quanto a natureza e função da PURA CÓPULA.
Por isso, não darei exemplos de puras cópulas, eu vou ESCREVER que palavras SÃO PURA CÓPULA:

 

é’ e “está” (e suas flexões temporais).

 

Compreenda que a pura cópulaé” é uma palavra ESTRITAMENTE SINCATEGOREMÁTICA que declara a relação entre um sujeito e um predicado, estes sim, palavras CATEGOREMÁTICAS.

 

Veja, toda FRASE DECLARATIVA simples é composta de sujeito, pura cópula e predicado.

 

Se a frase contém um verbo que expressa ação simples, a cópula e o complemento subjetivo estão implícitos no verbo e podem ser tornados explícitos pela mudança da ação simples para a locução verbal que indica continuidade da ação (o famoso gerúndio – a língua dos operadores de telemarketing). Veja o esquema abaixo:

 

FORMA VERBAL SIMPLES                                                         FORMA VERBAL CONTÍNUA

O sol brilha.                                                                                             O sol está brilhando.

O vento fustiga a árvore.                                                                       O vento está fustigando a árvore.

O pássaro voa.                                                                                         O pássaro está voando.

O pássaro voou.                                                                                       O pássaro esteve voando.

 

Perceba também que a locução verbal que indica a continuidade da ação (gerúndio), deixa claro que a cópula “está” é estritamente SINCATEGOREMÁTICA. Por exemplo, a única realidade simbolizada nas duas últimas frases do esquema acima é sobre o pássaro que voa, ou que voava. 

 

E reforço: nestes dois casos, a palavra “está” (ou “esteve) é uma cópula.

 

Mas basta eu mudar a estrutura da frase e acrescentar uma palavra, que a palavra que era uma cópula passa a ser um verbo.

 

O pássaro que voa é.

O pássaro que voa era.

 

Nestas duas frase, “é” e “era” são verbos, significando “existe” e “existia”; não são cópulas de forma alguma!

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