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TRIVIUM: CAPÍTULO 3 – CARACTERÍSTICAS GRAMATICAIS DOS SUBSTANTIVOS (parte 3)

TRIVIUM: CAPÍTULO 3 – CARACTERÍSTICAS GRAMATICAIS DOS SUBSTANTIVOS (parte 3)

Alexandre Gomes -

Até agora mostrei maneiras um pouco diferentes de se ver um SUBSTANTIVO.

Usando um tanto de Lógica e  Filosofia para explicar SUBSTANTIVOS e ADJETIVOS. E só para te lembrar: toda a Realidade é composta por objetos, e tais objetos têm um conjunto específico de ACIDENTES, que  os diferenciam entre si. Para tudo isso, criamos palavras para descrever tais objetos e seus ACIDENTES.

 

(Ah, insisto no termo “ACIDENTE” para não confundir mais ainda se usasse a palavra “qualidade”, que é um tipo de acidente)

 

Logo, SUBSTANTIVOS nomeiam objetos. E ADJETIVOS nomeiam acidentes. Este é um bom começo, não é?

 

Agora, irei listar e apresentar as Características Gramaticais dos Substantivos:

 

  • Número: Estritamente falando… um SUBSTANTIVO que nomeia um INDIVÍDUO não tem número, porque esse INDIVÍDUO é único e não pode ser pluralizado, exceto naquilo que o torna um MEMBRO DE SUA ESPÉCIE ou GÊNERO.(lembrou do exercício da lição anterior?). Um SUBSTANTIVO que nomeia um indivíduo é um NOME PRÓPRIO ou uma DESCRIÇÃO EMPÍRICA.

 

  • Gênero: Um substantivo pode ser masculino, feminino, neutro ou comum. e para deixar isso claro, irá em letras maiúsculas: GÊNERO É GRAMATICAL, certo? Ou seja, o termo gênero, no Português, é usado para duas coisas APENAS:

 

  1. designar uma classe mais abrangente que espécie, e;
  2. se referir às classes masculinas e femininas das PALAVRAS.

 

  • Pessoa: Esta característica é mais importante para PRONOMES do que para SUBSTANTIVOS. Ela tem sua origem natural na conversação, pois a 1a. pessoa é a que fala; a 2a. pessoa é a que escuta, e a 3a. pessoa (que pode ser um indivíduo ou um objeto cáspita!) é aquela de que se fala. O pronome CONCORDA em PESSOA, NÚMERO e GÊNERO com o substantivo que o antecede. O pronome relativo desempenha AO MESMO TEMPO três funções:

 

  1. faz a vez do substantivo;
  2. conecta orações;
  3. subordina uma oração à outra.

Exemplo: Sofia é a guria QUE conheci na escola.

Antes, vou lembrar uns conceitos básicos para evitar dúvidas e confusão:

ORAÇÃO: é um conjunto de palavras que se estrutura em torno de um verbo para formar uma mensagem.

FRASE: é um enunciado de sentido COMPLETO que pode ser formado por uma só palavra ou várias; podendo ter verbo(s) ou não.

Desculpe te lembrar daquelas aulas de Análise Sintática do colegial, mas foi preciso. Agora… voltando à frase do exemplo:

Sofia é a guria QUE     conheci na escola

          A                                               B

 

Perceba que o “QUE” é o que conecta as duas orações (função da letra “b” acima), ele também subordina a oração B à oração A (função da letra “c”), bem como faz a vez do substantivo “guria” da oração A para a oração B (função da letra “a”)

 

 

  • Caso: mostra a relação de um substantivo ou pronome com outras palavras na FRASE. Existem quatro casos distintos dessa relação. Veja:

 

  1. NOMINATIVO: é o caso do sujeito. É o único caso necessário a todas as frases;

Ariano Suassuna é um escritor.

  1. GENITIVO: é o caso que nomeia aquele que possui;

  Fernanda tem um cão.

  1. DATIVO: é o caso que nomeia o termo* para o qual a ação segue (objeto indireto);

Shakespeare deu Hamlet ao mundo.

  1. ACUSATIVO:é o caso que nomeia o objeto que recebe a ação (objeto direto).

Shakespeare deu Hamlet ao mundo.

* o próximo capítulo será sobre o que é termo. Por ora, digo que termo é uma palavra usada para comunicar um conceito. Ou seja, um tipo bem específico de palavra.

 

Agora vamos puxar um pouco a barra  pra cima. Veja a frase em inglês abaixo, ela tem uma pegadinha.

“The quarterback threw Dan the football”. Perceba que eu não estou dizendo que o zagueiro jogou o pobre do Dan na bola. Essa seria uma tradução apressada que poderia levar a esse erro. Veja como é fácil errar.

 

THE   QUARTERBACK    THREW DAN THE     FOOTBALL

  o            zagueiro         lançou Dan a            bola

 

O tradutor apressado sapeca um “n” ali no “a” e dá à luz a seguinte pérola: “O zagueiro lançou Dan na bola”. Enquanto uma tradução decente entende que verbos como dar, contar, entregar, etc. que predicam um RECEPTOR e algo a ser recebido. Então, o tradutor compreende a imagem criada e reescreve a frase para o português, preservando a imagem criada pela frase original:

 

“O zagueiro lançou a bola para Dan” ou ainda “O zagueiro lançou a Dan a bola”

 

Notou que a tradução não é apenas a troca de palavras de mesmo significado de línguas distintas?

Enfim, esta foi uma introdução razoável ao que a Gramática Geral pode dizer sobre o que é substantivo. Há muito mais, vá ao livro (Trivium), estude os outros exemplos!

Na próxima lição, iremos começar a entender as palavras ATRIBUTIVAS.

 

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