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TRIVIUM: CAPITULO 2 – AMBIGUIDADE DA NATUREZA DO FANTASMA (parte 11)

Alexandre Gomes -

Enfim chegamos no final (do capítulo) gentil leitora (querido leitor)! Este é o penúltimo texto sobre o Capítulo 2 do Trivium. No texto seguinte ( final deste mês), terá uma conclusão do que foi apresentado até aqui. Agora… vamos ao texto de hoje!

 

O tema AMBIGUIDADE é mesmo extenso. Afinal, muita coisa, quando comunicada a outra pessoa, pode ter seu verdadeiro sentido alterado. volte para as primeiras partes deste capítulo, quando falei como a MENTE apreende um objeto. (relembre)

 

  1. observação direta de um objeto (um gato, por exemplo);
  2. na criação do FANTASMA (sua mente cria uma cópia do gato);
  3. que é uma IMAGEM MENTAL (essa cópia só existe em sua cabeça),
  4. de um OBJETO (o gato, só pra reforçar),
  5. que existe FORA DA MENTE (gato este que está diante de você).

 

Ora, essa imagem pode ser AMBÍGUA, devido às experiências de cada um de nós. Veja, se peço pra você pensar em um CÃO ( e eu também estou pensando em um), o animal que vem à minha mente não é o mesmo que você pensou. eu pensei no meu cão de estimação da minha infância: Tufão, um vira-lata de pelo vermelho escuro e olhos amarelos e uma disposição para ficar zanzando comigo pelo sítio era quase infinita.

E talvez, com o que eu acabei de dizer, eu tenha induzido você a PENSAR EM ALGUM CÃO QUERIDO SEU.

 

Interlúdio:

outro detalhe importante: essa brincadeira com lembranças de cães de nossa infância é mais um exemplo do aspecto psicológico da linguagem. Quando eu conto sobre uma lembrança afetiva de minha infância, posso ter acionado uma memória parecida na sua mente também.

 

Fim do interlúdio.

 

A AMBIGUIDADE também pode se estender para situações que aparentemente estamos sendo precisos. Por exemplo, eu digo: William Shakespeare e Clark Kent.

 

É natural que você pense no dramaturgo inglês e no Superman. No entanto, eu estou falando de um carpinteiro inglês e de um garoto americano que mora no Kansas e tem pais zoeiros.

Bom, então como se pode contornar essa AMBIGUIDADE?

Através de uma Descrição Empírica junto à palavra ou termo ambíguo. Por exemplo, Luciano Pires do Café Brasil (não tem como confundir nem com o pai dele), colocando esse “do Café Brasil”, ao colocar esse predicado (qualificação do objeto – ou sujeito -, evitamos qualquer possibilidade de ambiguidade.

Descrições empíricas é o que torna os contratos jurídicos, de trabalho, de compra e venda… todos esses contratos se baseiam em descrições empíricas, incrivelmente detalhistas e aparentemente repetitivas, mas que tem como objetivo tornar bem claro que se está falando de um objeto específico, e não de algo que pode ser confundido com outro objeto igual ou semelhante. pois o objetivo de todos esses termos é ELIMINAR QUALQUER AMBIGUIDADE, para garantir que alguma das partes seja lesada ou enganada.

 

Mesmo assim, há as AMBIGUIDADES DELIBERADAS.

  • A Ironia😮 uso das palavras para transmitir o sentido EXATAMENTE CONTRÁRIO àquele normalmente transmitido;
  • O Trocadilho: o uso de uma palavra em dois ou mais sentidos, ao mesmo tempo;
  • A metáfora: o uso de uma palavra ou sentença para evocar duas imagens simultaneamente.

 

Exemplos de IRONIA:

  • “Lula é a alma mais honesta do Brasil”. Bom, um condenado por corrupção e lavagem de dinheiro não tem como ser honesto. Logo, essa frase é um bom exemplo de ironia.
  • “O funk carioca é um estilo musical de alta qualidade”. Sim, isso não só é uma ironia como também é uma mentira, ´pois não há música (uma das Sete Artes Liberais) em programar em um computador um som de percussão e falar algo parecido com o Português com uma voz anasalada e sem um pingo de afinação ou técnica.

 

Exemplo de TROCADILHO:

  • “A Thammy Gretchen não tem saco para discussões sobre gênero”. Preciso explicar esse trocadilho? Mesmo?

 

Exemplos de METÁFORA:

  • “A lua é um barco”. Perceba, da mesma forma que um barco navega no mar, a lua se movimenta no céu noturno como se fosse um barco no mar.
  • “Nascemos e crescemos na Primavera, no Verão nos tornamos adultos. Caminhamos para a velhice no Outono e encontramos nosso fim no Inverno”. Imagino que quando você acabou de ler a frase, entendeu a associação das fases da vida com as estações do ano; e cada estação – nessa metáfora – resume várias ideias e palavras que explicam a infância, adolescência, juventude, maturidade e velhice. (é meio triste explicar isso, mas é pelo bem da clareza).

 

Importante dizer que metáforas podem ser tão PODEROSAS que seu sentido figurado supera o sentido original de uma palavra. Veja um caso.

 

“Teus pesares (dores, sofrimentos) são as tribulações da tua alma”.

 

Tribulação não é outra forma de dizer dificuldade, esforço ou trabalho cansativo. Tribular é o ato de debulhar o milho, ou seja, separar o milho da casca! porém, um escritor cristão, lá no começo da nossa Era (primeiros séculos depois da morte de Cristo), criou essa metáfora e ela foi tão FORTE que a metáfora se tornou o sentido principal da palavra. Percebe o poder de uma figura de linguagem que é capaz de alterar completamente o sentido de uma palavra que ela ganha toda uma nova dimensão, sem relação alguma com a sua origem?

Espero que agora você leve mais a sério, a partir de agora, as palavras que usa. Não só para se expressar e convencer alguém. Mas também para conseguir explicar algo. É como já li em algum lugar que não lembro agora: nosso espírito é do tamanho das palavras que conhecemos, pois é através da palavra que expressamos quem somos e o que sentimos.

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