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Três quilos de dinheiro

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Fernando Lopes - Iscas Politicrônicas -

O governo venezuelano, bem como toda essa demência dita bolivariana, já morreu faz tempo; só esqueceu de deitar. É uma espécie de zumbi teimoso, um walking dead latino. E sem audiência.

Embora Nicolás Maduro, psicopata de atestado, use suas milícias armadas e o exército para calar o povo e sustentar essa fantasia doentia de comunismo do século XXI, inaugurada com muita festa por seu mentor Hugo Chávez (outro doido de chupar meia), o fim está próximo. Algo vai – e tem – de acontecer.

Analistas sempre se perguntaram qual seria o ponto final de ruptura entre o povo e esse “governo” biruta que, em nome de uma igualdade social nunca alcançada, destruiu sua economia de uma forma jamais vista. A moeda se derrete numa inflação de mais de 500% ao ano; a produção agrícola e industrial simplesmente acabou e, mesmo o petróleo, que sempre salvou a Venezuela, diminui dia a dia por causa da péssima administração estatal, agravada pela corrupção endêmica, indissociável de qualquer país que caia no canto demoníaco do comunismo. A capital Caracas é uma praça de guerra tomada pelo crime. A comida simplesmente acabou, não há serviços públicos funcionando, os remédios desapareceram e os hospitais estão absolutamente falidos. Sem contar as prisões arbitrárias de membros da oposição e proibição de imprensa livre.

Os bolivarianos conseguiram o impossível: Quebrar o país que detém uma das maiores reservas de petróleo do mundo.

Não é à toa que nunca, em nenhum momento da história, o comunismo foi acolhido através de eleições livres, em nenhum país do mundo. Isso deve representar algo, não?

Pois bem: O ponto de ruptura parece ter chegado; e não veio pelo desabastecimento, pela tirania, pela inflação ou pela demência de Maduro. Veio pela falta de dinheiro. E dinheiro, no caso, é o próprio papel moeda. O desgoverno, sempre criativo em sua inesgotável estupidez, resolveu tirar de circulação as notas de 100 bolívares, justamente as maiores do sistema financeiro vizinho. Isso agrava um problema só visto na Alemanha dos anos 1920, arrasada pelo fim da 1ª. Guerra e pela hiperinflação: O dinheiro vale tão pouco que ninguém mais se dá ao trabalho de contá-lo – pesá-lo é mais eficiente. Sim: um pão, ou uma dúzia de ovos (se houver), equivale a “X” quilos de dinheiro http://exame.abril.com.br/economia/venezuelanos-comecam-a-pesar-dinheiro-ao-inves-de-contar-notas/

Como não há mais dinheiro circulando, nem querendo (e podendo) os cidadãos poderiam comprar algo, mesmo dirigirindo-se às cidades fronteiriças da Colômbia e do Brasil para adquirir artigos de primeira necessidade, tais como produtos de limpeza ou comida: Maduro decidiu fechar as fronteiras.

Trágico, mas engraçado mesmo foi o motivo que esse sujeito grotesco inventou para justificar essa sua nova loucura: Alegou que “máfias”  brasileira e colombiana estão “estocando” as notas de 100 bolívares em enormes armazéns para destruir a economia da Venezuela, tudo orquestrado por um plano diabólico dos americanos. Taspariu.

Esse fato está meio esquecido pela imprensa, mas uma ou outra reportagem se lembra dele e das fronteiras instransponíveis: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2016/12/1841562-venezuela-fecha-fronteira-com-o-brasil-por-contrabando-de-cedulas.shtml

Mas, como absolutamente nada pode competir com a jumentice bolivariana de Chávez, Maduro e sua corja, a chanceler Delcy Rodrigues tentou entrar à força na reunião do Mercosul que ocorria em Buenos Aires, apesar de a Venezuela estar suspensa (e à beira da expulsão) do bloco comercial. Maduro endossou esse hospício e, claro, colocou a culpa nos outros, como siempre: http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2016/12/15/maduro-afirma-que-ninguem-vai-tirar-venezuela-do-mercosul.htm

No exterior, excetuando-se os bananeiros de sempre, a Venezuela não existe mais, a não ser como exportadora de petróleo – em decadência pela produção cada vez menor. Recente manobra da OPEP para elevar artificialmente o preço dessa commodity pode lhe dar um pequeno fôlego, mas efêmero e indiscutivelmente breve. Servirá somente para adiar a ruptura certa que virá; ou se derruba esse governo total e irremediavelmente enlouquecido, ou a guerra civil tomará a Venezuela.

Ah, Maduro… só pra lembrar… no caso das cédulas de bolívares… A única máfia que o Brasil abrigou era sua amiguinha fiel, e foi desmantelada com a Lava Jato; grande parte dela já ta na cadeia. Seu fim não será melhor, bigodón. Fuja enquanto é tempo. Deita o cabelo, mané.

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