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Tolerância? Jura?

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Fernando Lopes - Iscas Politicrônicas -

Engraçada essa tal “tolerância” que pregam por aí, por dois simples motivos: 1) é de mão única e 2) pretende tolher até o pensamento do indivíduo. Exagero? Não mesmo.

Antes que algum mefistofélico se adiante, bom deixar claro que a tolerância é desejada, necessária, correta, imprescindível. Ruim é usá-la como intimidação. Tolerância faz parte da convivência humana, não significa autorização para uma ditadura do pensamento ou do comportamento. E é exatamente para isso que tem sido utilizada, com boa dose de manipulação disfarçada de boas intenções; aquelas mesmas, das quais o ditado diz abundarem nas profundezas dos quintos. Tolerar, demonstrar boa vontade com seu diferente – ou seu oposto – é demonstração de humanidade. Alegar respeito fictício para impor a própria visão é sujeira – e da grossa, utilizada para alcançar mais prazer, poder ou dinheiro; enfim, o velho trio que move a humanidade desde que a conhecida dupla de comedores de maçã emigrou do Paraíso.

A esquerda, por exemplo, pretende ser libertadora de todos os males do mundo, e rotula qualquer outro que não radicalmente socialista, como “fascista”, entre outros mimos. No Brasil, até mesmo partidos de centro esquerda como o PSDB são tachados de “extrema direita”. Impressionante: Não só inexiste extrema direita no Brasil (a não ser alguns gatos pingados, mais dementes que partidários), como praticamente todos os partidos têm uma queda indiscutível pelo populismo esquerdista, onipresente desde o surgimento dessa pseudo-religião messiânica.

Discute-se nas redes sociais, nos grupos de jornalistas socialistas, nas rodas botequeiras guevaristas, nas universidades públicas coalhadas de marxistas de todos os matizes (as tribos são tão distintas entre si que nem uma procissão de etnólogos com pós-doutorado em sociologia e antropologia política poderia classificá-los em organograma) uma tal “onda conservadora” que estaria “invadindo” o Brasil, creditando esse “fato” à burrice, à ingratidão (!), à maldita classe média (palavras da comunista Marilena Chauí), e a tudo que existe de ruim no mundo. Como se não houvesse progresso fora da esquerda, denominam-se “progressistas”; ocorre justamente o contrário, comprovado pela História mundial. Os demais são “conservadores”, de antemão julgados e condenados por apoiar ou minimamente simpatizar com a direita ou centro-direita, como monstros incorrigíveis. Traduzindo: Tolerância só a favor deles. Qualquer um que não comungue da cartilha merece a morte, no mínimo. Taí a mão única e a proibição de pensamento diverso.

Vem cá: É errado, é pecado, é feio, é crime um cidadão cansar da esquerda nacional – ou mesmo mundial, como a venezuelana, que destruiu o vizinho antes rico, e hoje exporta miseráveis para Roraima? Nem cabe aqui elencar o desastre desencadeado por essa religião dogmática, travestida de doutrina político-econômica via carimbados partidos políticos dependurados no vício do dinheiro estatal. Mas que ao menos fosse realmente tolerante, não apenas em discursos vazios. Para o membro da seita, qualquer um que não abrace sua religião de deuses cubânicos declarando paixão ilimitada é, “evidentemente”, um boçal-racista-retrógrado-demente, assassino de pobres e fã ardoroso de Bolsonaro. Bom, não é verdade. Algumas pessoas (muitas, milhões), têm bons princípios, são trabalhadoras, honestas, e não gostam da esquerda. Simples assim. Aceitar isso é ser tolerante. O resto é conversa mole pra arregimentar seguidores fanáticos que se consideram acima do bem e do mal.

Outra coisa: Deviam entender que se tal “onda” existe de fato, o motivo principal (talvez único) é exatamente fruto dos desmandos da esquerda nos últimos anos, aliados a uma soberba inacreditável. Se Marilena chama a classe média de “maldita”, é louvada como “tolerante”. Se Bolsonaro pede pena de morte para estupradores, é xingado de “assassino”. Muito bacana essa régua da esquerda.

Lembrete: Bolsonaro é doido, não resta dúvida. Mas muitos dos que o criticam estão atrás das grades, e muitos outros estão prestes a acompanhá-los. Isso aumenta a gama de eleitores daquele, e xingar não adianta, além de ser desrespeitoso. Por outro lado, milhões votarão nele não porque o admiram, mas porque fogem de uma esquerda desastrosa. Esse potencial eleitor de Bolsonaro pode não saber exatamente o que quer, mas sabe exatamente o que não quer. Votará na opção, para ele, menos ruim. Reação normal dos eleitores acuados pela agressividade real vinda da “tolerância” ficta.

Novamente os “tolerantes”: É curioso como gritam quando lhes falta o vil metal, e não quando falta aos pobres. Taí a desvirtuada Lei Rouanet que não os deixa mentir. Deviam viver o que pregam, de forma franciscana (ou cubana, vá lá). É estranho defender a esquerda e nadar nos podres dólares capitalistas, teclando freneticamente num americaníssimo i-Phone, de última geração, palavras de ordem guevaristas-sakamóticas-caetânicas no ianque Facebook. Ou como enxovalham o judiciário quando um deles vai pra cadeia, ao passo que se um “fascista” é preso, é justiça divina, camaradas. Melhor nem lembrar que muitos desses “fascistas” eram aliadíssimos aos “progressistas” até outro dia, de Sarney a Calheiros, passando por Geddel e Barbalho. Falando nisso, o capitalismo, ou mesmo a direita, nunca se julgou professor(a) de Deus nem solução para todas as mazelas. Já os outros, ditos “tolerantes”… tsk, tsk.

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