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Tavo lá não, dotô

Tavo lá não, dotô

Fernando Lopes - Iscas Politicrônicas -

Quem transita no meio jurídico sabe: Por mais que os determinados réus tenham sido fotografados, filmados, e cometido o crime na frente de 300 testemunhas idôneas, reconhecidos por todas elas na cena do delito – e durante o inquérito também – acreditam que negar o óbvio é uma saída magistral, inteligentíssima. Junto com as variantes “dá nada não, dotô” e “num conheço ele não, dotô, sei di nada não”, torna-se mantra repetido até a inevitável condenação. É incrível, mas esses álibis infantis se repetem de forma absolutamente insana nos ambientes forenses. Uma fuga da realidade que incomoda até os mais experientes do ramo. Por mais que se explique a um acusado que essa historinha simplesmente não cola, e que uma confissão seria não só boa para reduzir a pena como para simplificar as coisas, o réu nunca acredita. Impressionante a teimosia, a falta de raciocínio, a insistência numa tese furada, num álibi ridículo. Coisa de falta de inteligência, aliada a uma teimosia asinina.

Mais incrível é que pessoas ricas, inteligentes, estudadas, bem relacionadas, conhecedoras dos porões e dos sótãos dos três Poderes, insistam em fazer esse mesmo papel de bobo, redundando no mesmo fracasso. Nesse caso, a única explicação é o duo arrogância & crença na impunidade. Só que, em algum momento, a conta vem em forma de encruzilhada: Insistir nessa mania otária de negar o óbvio escancarado, ou perder os anéis pra salvar os dedos?

Quando foi preso, Delcídio do Amaral (um dos maiores nomes do lulismo) exibia altivez, destemor, certeza de sua “inocência”. Falava grosso e dizia que iria provar sua santidade, processando todos os seus acusadores, que não passavam de um bando de sabotadores perseguindo um pobre homem honestíssimo. Semanas depois, esqueceu essa bobagem, em meio a crises de choro, depressão e mimimi. Partiu pra confissão completa. Advocacia de resultado, como classifico. Funcionou muito mais que o “Tavo lá não, dotô”.

Marcelo Odebrecht deu um show de arrogância na CPI, visto por todos na TV. Chegou a dizer que não admitia delatores nem em sua própria família, punindo com mais severidade a filha que contava os podres da outra. Belíssimo exemplo de pai, hein? Enfim; o rico, arrogante, poderoso Odebrecht enfiou o rabinho no meio das pernas ao cair em si; seu showzinho de prepotência só lhe renderia mais tempo de cadeia. Tá entregando tudo e todos nos intrincados planos corruptos do lulismo, do qual admitiu fazer parte. Seu pai, idem.

Vaccari, Bumlai, Cerveró, e tantos outros culpados até a medula, usaram e abusaram de expressões dramáticas, sobre sua situação de “injustiçados”, “presos políticos”, “perseguidos”, “inocentes torturados”… e ninguém sabia de nada, claro. A melhor de todas veio de um dos parentes de Cerveró, que afirmou ser tudo fruto de “preconceito” pelo conhecido defeito no olho do (hoje) réu confesso e condenado. Pois é. Aos demais, ou confessaram espontaneamente ou amargaram penas longas. Alguns, com (tecnicamente) mais de 30 anos a cumprir, vão morrer na cadeia.

Mas a mania de negar a realidade, com todas as provas do mundo, não perde seu glamour chinfrim. Espantoso.

O patético show de Lula nessa última quinta foi constrangedor. Ridículo. Rodeado pelos puxa-sacos de sempre, variava do choro às piadas sem graça, contando sempre com o apoio da claque, digna de circo mambembe. Resumindo, Lula se disse perseguido por absolutamente todos. É um complô interplanetário, pobrezinho. Um santo: comparou-se (depois de Tiradentes, Mandela, Getúlio, JK) a ninguém menos que Jesus. Incluiu uma pérola inusitada nesse rocambole de insanidades: Afirmou que toda pessoa concursada no serviço público é um bandido em potencial. Lave essa boca imunda antes de falar dos Professores, classe que você tanto despreza; ainda mais você, que é analfabeto por escolha própria, orgulhoso da própria ignorância.

Foi o de sempre: Acusou todos, se fez de vítima, mas não deu uma única explicação sobre as acusações que pesam sobre ele – nem permitiu uma única pergunta dos repórteres. Só permite aplausos, vindos de sua claque de robôs, os únicos que ainda fingem respeitar esse homenzinho de palha à beira do fogo.

Todo processo judicial é um jogo de xadrez, com táticas equivalentes. No caso de Lula, as peças estão postas. O reizinho de araque vai tombar. E na lateral do tabuleiro não está a caixa de sempre, mas uma cela. Ele tava lá sim, dotô. Causo que a gente vimos e a gente sabemos.

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