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Chamam a atenção frases do tipo… “Não me inveje, trabalhe!”. Costuma enfeitar vidros traseiros e para-choques de caminhão. E o motivo é simples: Pode não decorar um luxuosíssimo Bugatti Veyron ou um Rolls Royce, mas demonstra o orgulho que o dono do veículo sente, por conseguir comprá-lo com o suor do seu rosto. Ou seja, a merecida alegria de vencer pelo esforço próprio.

Luis Fernando Verissimo não concorda. Para ele, não existe esforço pessoal. Tudo, em sua visão de esquerdista neófito (virou socialista de carteirinha após o regime militar), decorre apenas e tão somente de um elemento, digamos, metafísico: A sorte.

Seu artigo foi publicado semana passada: http://noblat.oglobo.globo.com/cronicas/noticia/2017/09/paroquialismo.html

Vamos analisar o bagulho: se deu pra entender, é crítica tosca aos países ricos e uma ode à tal “sorte”, que ele prega ser um mecanismo proativo independente de sucesso, seja pessoal ou coletivo; quer dizer que, segundo a óptica vitimista-coitadista-politicamente correta, quem nasceu em país rico tem apenas “sorte” – e quem nasceu num país pobre sofreria apenas de “azar”?

Dirão os apressadinhos de sempre que esse não é o único assunto do texto; é verdade, mas é a pedra angular do raciocínio que ele denomina de paroquialismo; mais um nome vitimista, pelo qual a esquerda tacanha determina que quem venceu através de seu trabalho tem a obrigação de dividir com algum “oprimido” o fruto desse esforço pessoal. Alegarão também que é simplismo negar essa teoria. Não, não é.

Os venezuelanos, em geral, não têm culpa da ditadura ali reinante Em geral, claro; afinal, caíram – de novo, meu Jesus – no canto das sereias stalinistas e começaram elegendo aquela corja imunda. Deu no que deu, e aqui não foi muito diferente. Ao menos acordamos mais rápido desse pesadelo recorrente. E isso, por acaso, nos obriga a acolher centenas de milhares de refugiados de lá? Não, e não tem conversinha mole que explique esse raciocínio ridículo. O povo venezuelano deve resolver suas pinimbas e colocar Nicolás Maduro na cadeia, em lugar de nos tratar como rota e destino de fuga, enquanto ignoram seu subsolo absolutamente riquíssimo que o destino lhes presenteou, esse sim, por pura sorte.

O mesmo vale para outros refugiados, sejam asiáticos ou africanos: É simplesmente impossível transferir milhões deles para a Europa, vestindo-os, alimentado-os, fornecendo emprego, moradia, transporte e sei lá mais o quê que esse autor chama de justiça, pregando o fim do tal “paroquialismo”. Tenha dó.

Ou seja: Os sírios estão em guerra civil, fruto de uma ditadura sanguinária apoiada pelos russos, e os suecos têm de pagar o pato? Essa é a “lógica” do texto e dos discursos vitimistas-coitadistas?

A Líbia (igualmente riquíssima em petróleo, também por sorte, e não por esforço) transformou-se em terra de ninguém, e os espanhóis e italianos têm “obrigação” de acolher milhões de refugiados? Isso é ridículo. Dividir a riqueza dessa forma empobrece a todos; tanto os que a construíram quanto os que dela desfrutam sem contribuir com um único centavo – fora a injustiça explícita no caso. A solução é criar novas riquezas autóctones, e isso não é tão difícil, desde que o povo “oprimido” faça sua parte – e aí ninguém gosta muito da ideia de pegar no pesado e lutar pelos seus direitos. É mais fácil “exigir seus direitos” dos noruegueses ou canadenses, botando neles a culpa pela exploração dos povos ou outra ladainha qualquer que mantenha vivo o coitadismo esquerdista.

Novamente aos nervosinhos: Ninguém está culpando imigrantes honestos ou refugiados que tiveram sua vida destruída pelo terror dos massacres e bombardeios, mas sim dessa posição convenientemente cafajeste de impor aos ocidentais a culpa pelas desgraças do mundo.

Engraçado: Países que apoiam ditaduras (ou estas próprias) também jogam nas costas dos americanos-alemães-ingleses e demais “culpados” toda a conta da desgraça humana, embora os próprios muçulmanos, que abominam cristãos, adorem fugir justamente para países que abraçam o cristianismo, podres, decadentes e cheios de pecado. Uma sugestão é a Arábia Saudita: Riquíssima, muçulmana e com muito espaço. Boa viagem, e que Alá os acompanhe. Caso prefiram algo mais mundano, Rússia e China estão (ou deveriam estar) às ordens, de braços abertos, camaradas.

Pra quem discorda, sempre há destinos mais gloriosos, cheios de ternura, paz, liberdade, fartura e muita alegria: Cuba ou Coreia do Norte. Seus admiradores as definem como o paraíso na Terra. Mas não; os tais refugiados, sempre muito bobos, preferem a miséria, a fome e os pecados de Paris. Vá entender. Estranhamente, nossa esquerda também, e quanto mais radical, mais adora o vil dinheiro.

Ironias à parte, a pobreza do mundo só diminuirá significativamente quando o coitadismo esquerdista neurótico desaparecer, banindo de vez esse discurso cretino de “imperialismo”, “exploração dos ricos pelos pobres” e outras asneiras criadas por gente que acredita ser a economia mundial um jogo de soma zero, no qual um país só enriquece se roubar de outro, mais fraco. É de uma burrice incomportável. Basta lembrar que a maior latifundiária do Brasil é a Funai, enquanto os pobres índios morrem desnutridos. É o fim do mundo.

Veríssimo não se emenda, e não se emendará nunca; uma semana depois desse texto, escreveu outro, dizendo que o Brasil passa por um tal “neonazismo”, explicitado em recentes manifestações de grupos conservadores que desaprovam a pedofilia. Muito interessante, até pitoresco, chamar isso de “neonazismo”.

Bom lembrar que quem ajudou (e muito) a fortalecer o nazismo foi o comunismo soviético, sócio e aliado de Hitler no período 1939/1941, através do pacto Ribbentrop-Molotov. Metade da desgraça nazista, ou “neo”, é obra dos comunistas que transferem a culpa aos inocentes honestos que ralam pra botar comida na mesa sem nenhuma boquinha em estatal ou sindicato.

É por isso que qualquer caminhoneiro adepto da frase “Não me inveje, trabalhe!”, vale duzentas vezes mais que um sujeito que não faz nada pelo próximo, mas escreve que alguém tem de fazer.

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