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Chiquinho Rodrigues -

Dois personagens e 43 figurantes.

Locações: Duas salas, um estacionamento e uma recepção.

Se não tiver verba, uma sala só dá. (Foda-se a produção)

Personagem 1: Felipe Freitas. 29 anos, solteiro, mora com a mãe, vive na cola do pai, largou os estudos, fez uma porrada de cursos, (deixou todos pela metade) reatou com a mesma noiva umas sete vezes e nunca conseguiu parar mais de três meses em emprego algum. Foi vendedor de seguros, da Barsa, Emoi, Consórcio Batistella e agora, há uns quarenta dias, está trabalhando como vendedor de Jazigos para o cemitério “Jardim da saudade”.

Personagem 2: Francisco Carvalho, 55 anos, músico, mora só, casou e descasou porrada de vezes, tem alguns filhos, algumas guitarras, centenas de amigos e umas dezessete manias esquisitas. Sempre se achou injustiçado com a situação do músico no Brasil, reclama de tudo que toca atualmente no rádio, detesta sertanejo, pagode, rap, funk, enfim… um puta chato. Nunca conseguiu sobreviver exclusivamente só da música. Atualmente trabalha em uma loja de instrumentos musicais e junto com seu amigo João Carvalho abriu uma importadora de instrumentos chamada “Carvalho & Carvalho”.

É noite. Em uma sala de jantar Francisco está assistindo televisão quando o telefone toca.

– Sr. Francisco?- pergunta uma voz de telemarketing.

-Quem fala?- responde ele abaixando o volume da tv.

-Felipe Freitas do cemitério Jardim da Saudade.

-Sei.

-Qual sua idade seu Francisco? –  pergunta o inconveniente

– Cinquenta e cinco – diz o músico já querendo puxar o tacape.

– O Sr. ou sua família já possuem um jazigo?

-Não!

Então Felipe sai solando aquela decoreba toda…

– Pois saiba o Sr. que adquirir um plano de prevenção familiar pós-vida é tão fundamental quanto um plano de assistência médica. Os Jazigos Jardim da Saudade traduzem a mais nova tendência mundial em empreendimentos destinados a essa finalidade específica e…

-Tá… tá… – interrompe Francisco – olha já é tarde, estou meio com sono…

-Posso rapidinho lhe descrever só mais alguns detalhes? – insiste o mala Felipe.

– Vá em frente… – retrucam os bagos inchados do Carvalho.

– Nossos Jazigos possuem caixa de concreto, lápide, quatro gavetas, capelas providas de ar condicionado, urnas, descensor — continua o Felipe entusiasmado — e você ainda tem várias opções de serviços personalizados e criados exclusivamente para você, Francisco.

– Que tipo de serviços? – Já meio interessado o Carvalho aqui.

– Bom… Você vai poder escolher com antecedência não só o tipo de flores, caixão, tamanho das velas, ofícios religiosos, frase na lápide etc… mas também o tipo de comida e bebida que serão servidos e até a trilha sonora que vai ser tocada durante o velório — completa Freitas.

Nesse momento um zoom in bem rápido (tipo daqueles do Jaspion) fecha em close no rosto do Francisco. Trilha de impacto, câmera abre o plano, ele dá um pulo da poltrona e fica em pé. (falou em música… mexeu com ele)

– Quer dizer Felipe, que eu posso então escolher as músicas que irão tocar no meu velório?!

– Não só isso Sr. Francisco! O Sr. poderá até montar um CD personalizado com tudo aquilo que escolher para tocar no dia – diz o triunfante Felipe.

– Puta que pariu cara! A partir de que horas você vai estar aí amanhã? — pergunta o impaciente Francisco andando de um lado para outro na sala.

-Nove.

-Até amanhã então.

Naquela noite Francisco Carvalho quase não dorme. Não só pela ansiedade, mas também porque passa a noite inteira ouvindo e escolhendo músicas para queimar um CD.

A lista é imensa.

Céu de Brasília – Toninho Horta/ Strange Meadow Lark – Dave Brubeck / Fotografia – Jobim/ Resposta ao tempo – Nana Caymmi/ Outono – Djavan/ The Bottom of my Heart – Stevie Wonder/ My Romance – James Taylor/ Nascente – Ed Mota/ Acaso – Ivan Lins/ One More Chance – Lalah Hathaway/ Desenho de Giz – João Bosco/ Estate – João Gilberto/ Encontro das Águas – Jorge Vercilo / Voz de mulher – Leila Pinheiro/ Clube da esquina 2 – Lô Borges/ Brisa do Mar – Paulo Costa/ La forza dela Vita – Ruy Queiroz/ Time After Time – Chet Baker (vou parar por aqui)

E enquanto ele faz suas escolhas, a gente vai ouvindo trechos dessas músicas que costuram um clipe onde se descobre um Chico Carvalho boa gente.

A câmera sai da sua sala lotada de CDs espalhados por todo lado e invade seu quarto num extenso movimento panorâmico. Percebe-se, em uma parede cheia de fotos, algumas situações de uma felicidade explícita espantosa!

A câmera passeia por essas fotos e o descobre com a família, tocando em um palco, pescando com amigos, na cachoeira com os filhos, abraçado com o cachorro, sentado ao piano, esganando um primo, jogando bilhar…

Das fotos faz-se uma fusão para o presente.

Agora cenas em movimento dele acordando já no dia seguinte, saindo do prédio, cumprimentando cordialmente o porteiro (e a trilha comendo…), tomando um café na padaria, comentando futebol com o dono português, passando pelo jornaleiro, entrando em seu carro e indo até o cemitério.

Ele chega então ao “Jardim da Saudade”. (Fade out na trilha)

Na área reservada para visitantes, só há mais um carro além do seu estacionado ali. É uma pick-up cabine dupla cheia de tudo que cowboy gosta. Motor turbo, tração 4×4, defletores, estribos laterais, parachoques cromados, Santo Antonio, São Nicolau, São Catso, aquela merda toda de faróis de neblina e adesivos de rodeios por todo lado.

De dentro dela sai devidamente paramentado um peão. Calça, botas, chapéu, cinto largo, essas coisas.

Os olhares de ambos se cruzam em um cumprimento velado e os dois dirigem-se à recepção.

Pedem para falar com Felipe Freitas.

Enquanto esperam, um olha para a mão do outro e ambos percebem o CD.

– Você Também veio trazer sua trilha? – Pergunta o Carvalho.

– Vim sim — resmunga o peão com um palito de dentes pendurado no
canto da boca.

– Acho que vou escolher fazer meu velório aqui mesmo – diz Carvalho olhando em volta com um gesto de aprovação.

– Eu quero que o meu seja em Barretos na arena do peão Boiadeiro — esclarece o peão.

Nisso aparece o Felipe. Ele quer ser gentil, mas é todo atrapalhado. Troca o tempo todo o nome dos dois, não sabe direito o preço das coisas, esquece de anotar alguns itens e acaba com isso deixando todo mundo meio estressado. Mas mesmo assim acaba fechando negócio com ambos.

O Chico e o Peão começam a ficar preocupados com o horário. E para piorar as coisas, começa a cair um tremendo temporal daqueles fortes com trovoadas relâmpagos e muito, mas muito vento.

O tempo vai passando, a chuva não diminui e os dois então resolvem dividir um guarda chuva até o estacionamento onde ambos os carros estão estacionados e próximos.

Apesar da chuva forte já ter alagado o lugar, eles conseguem chegar até os veículos… e acontece então a tragédia!

Uma enorme placa com poste, transformador, fios e tudo mais, cai sobre os carros encharcados de água. Ouve-se um enorme estrondo, vê-se muita fumaça e tudo ali é eletrocutado: Os carros, o Carvalho, o peão e o guarda-chuva.

Termina a cena com uma tomada em close da placa, que embora toda retorcida e chamuscada, permite ainda a leitura “Jardim da Saudade”.

As coisas acontecem agora no velório.

Francisco Carvalho, de início, demora um pouco para entender o que tinha lhe acontecido. Mas depois acaba percebendo que está deitado em um caixão no seu próprio velório. Ele quer abrir os olhos e não consegue, então tenta se guiar pelo som e descobrir assim o que está acontecendo à sua volta.

Uma câmera subjetiva colocada dentro do caixão vai revelando através de um desfile de cabeças, os amigos e parentes que por ali vão passando e fazendo seus comentários.

Comentários esses que Francisco vai ouvindo, registrando e identificando o autor pelo som da voz.

– Eu pensei que ele estivesse mais queimado – diz sua Tia Gertrudes.

– Porque será que colocaram a bandeira do Palmeiras ao lado dele? – comenta seu alfaiate – o Carvalho nunca ligou pra time nenhum!

– O pior são essas botas de Cowboy e esse chapéu ridículo de vaqueiro – observa Odete sua cunhada.

Francisco Carvalho não acredita no que seus ouvidos ouvem.

– Que porra está acontecendo aqui? – ele se pergunta na solidão do caixão — Bandeira do Palmeiras? Botas? Chapéu de vaqueiro? De quem foi essa ideia maluca?

O desfile de cabeças continua.

– Parece que morreram os dois no acidente,  né? – diz uma voz não identificada.

– É sim, a placa matou os dois – esclarece seu amigo Nico.

Só aí é que Francisco fica sabendo que o peão também morrera.

Então ele ouve a voz do Felipe Freitas pedindo para alguém colocar o CD com as músicas escolhidas pelo Sr Francisco Carvalho.

O Chico relaxa, quase adormece deixando sua alma ir de vez. Sabe que agora falta pouco. Vai poder ouvir as músicas que mais gosta ao lado das pessoas que mais amou em vida e logo vai ter seu merecido descanso.

Mas quase pula do caixão quando ouve a primeira música do CD.

Menino da porteira — com o Sérgio Reis!

Logo em seguida, Rick e Rener – Peão que é peão!

Na seqüência, três da dupla Rio Negro & Solimões: Peão Apaixonado, Na Sola da Bota e Pororoca.

Alguém pergunta:

– Quem escolheu essas músicas?

– Ele mesmo! O sr Francisco Carvalho — responde Felipe Freitas.

Defronte o caixão passa desconsolado seu sócio e amigo João Carvalho que comenta balançando a cabeça:

-Eu sabia que no fundo esse filho-da-puta gostava dessas merdas…

-Eu nunca acreditei nesse papo de “despocotização”! – Diz seu amigo Laércio

Agora ouve-se Chitãozinho & Xororó – Peão de Rodeio. Depois Leonardo cantando “Botô pra remexer”. E quem quase se remexe no caixão é o coitado do Francisco, que não pára de amaldiçoar o incompetente Felipe Freitas. (aqui algumas pessoas já começam a ensaiar alguns passos de dança)

Plano geral:

Uma confusão na entrada!

São algumas ex do velho Chico se engalfinhando. Uma delas rasga a bandeira do Palmeiras e coloca outra do Bragantino, a outra ex tira e coloca a do Juventus. Puxões de cabelo, ofensas, gritaria, sua isso, sua aquilo e muito tapa. O pessoal finge querer apartar as duas, mas no fundo estão gostando da briga e torcendo pra na confusão rolar algum peito pra fora ou coisa assim.

Alguém abaixa o volume e o Carvalho pensa que vai terminar sua tortura. Porém, Lourenço & Lourival esganiçam à toda “A Volta do Boiadeiro” e Zezé di Camargo & Luciano lascam: “Toneladas de Paixão” e “Mexe que é Bom.” (Muita gente já dançando agora)

Enquanto isso o desfile de cabeças continua. Mais amigos, parentes e mais comentários.

De seu amigo Aurélio: — Porra! Ele não colocou nenhuma dos Beatles!

De seu amigo Gui: -Uma bosta este Prosecco! Não teria um Romané-Conti?

Do seu primo Rômulo: – Eu sabia que ele era um porco palmeirense!

Do seu amigo João Luís: – Será que posso cantar “Don’t go change”?

Do seu amigo Luciano: – Que delícia gente!

E várias vozes que o Carvalho não consegue mais identificar e que só querem no fundo saber quem vai ficar com seus CDs , DVDs, guitarras, a loja de instrumentos, enfim…

Carvalho não está mais aguentando o barulho, as músicas, a indiferença de alguns e as confusões do Felipe que não só trocara seu CD com o CD do peão, mas toda a ficha dos dois, incluindo roupa, comida, bebida e tudo mais.

E agora para seu derradeiro desespero, Bruno e Marrone esguelam: “Dormi na Praça”.

Essa o velho Chico não aguenta! Ele se levanta, fica sentado no caixão e tenta gritar, mas não consegue, pois a boca está cheia de algodão.

Plano aberto: Confusão geral!

Gritos, fugas e alguns desmaios.

Take fechado no rosto do Carvalho que está horrível! Parece um zumbi!

Pálido, chapéu torto e os olhos esbugalhados! Porém não diz nada e nem se movimenta.

Alguns petrificados deixam seus copos caírem no chão.
Depois de uns 15 segundos todos silenciam. (os poucos que ficaram)

Só o Luciano comenta:

– Ele tinha que estragar…

Alguém desliga a música e o Carvalho volta a cair deitado.

Aos poucos as pessoas vão se juntando novamente em volta do caixão.

Alguém comenta:

-Deve ter sido um espasmo…

Outros:

-Ele parece mais sereno…

-Parece até estar sorrindo…

-Feliz até…

E estavam certos.

Fora apenas um espasmo, sim.

O Velho Carvalho já estava indo. Como um balão em uma noite fria de São João ele agora estava subindo aos céus e logo mais se apagaria pra sempre.

Estava feliz, sim! E o sorriso era porque seu último pensamento fora:

“Se o filho-da-puta do Freitas trocou os CDs, o que será que deve estar acontecendo agora em Barretos no velório do peão? Fico só imaginado a cara daquele povo todo lotando a arena do peão boiadeiro e nos falantes tocando João Gilberto e Chet Baker.”

Frezze no sorriso do carvalho e aparece escrito na tela:

Não percam!

Em breve a continuação… “O Enterro do Peão”

Fade out…

Sobem os créditos.

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