Iscas Intelectuais
O Irlandês
O Irlandês
O Irlandês é um PUTA filme, para ser degustado. Se você ...

Ver mais

Palestra O Meu Everest
Palestra O Meu Everest
Meu amigo Irineu Toledo criou um projeto chamado ...

Ver mais

Brazilian Rhapsody
Brazilian Rhapsody
O pessoal da Chinchila fez uma paródia de Bohemian ...

Ver mais

O Guia do Anunciante em Podcasts
O Guia do Anunciante em Podcasts
O Guia do Anunciante em Podcasts traz informações ...

Ver mais

Café Brasil 694 – Maus Professores – Revisitado
Café Brasil 694 – Maus Professores – Revisitado
Você é dos que acham que o mundo vai de mal a pior nas ...

Ver mais

693 – O influencer e o manipulator
693 – O influencer e o manipulator
Existe uma disciplina chamada Psicologia Social, que é ...

Ver mais

692 – Jabustiça
692 – Jabustiça
Justiça... onde é que a gente encontra a justiça? Nos ...

Ver mais

691 – Os agilistas
691 – Os agilistas
Conversei com o Marcelo Szuster no LíderCast 175, um ...

Ver mais

LíderCast 180 – Marco Aurélio Mammute
LíderCast 180 – Marco Aurélio Mammute
Luciano Pires: Bom dia, boa tarde, boa noite. ...

Ver mais

LíderCast 179 – Varlei Xavier
LíderCast 179 – Varlei Xavier
Professor, que levou a figura do palhaço para a sala de ...

Ver mais

LíderCast 178 – Tristan Aronovich
LíderCast 178 – Tristan Aronovich
Ator, músico, escritor, diretor e produtor de cinema, ...

Ver mais

LíderCast 177 – Rodrigo Ricco
LíderCast 177 – Rodrigo Ricco
CEO da Octadesk, empresa focada na gestão de ...

Ver mais

Cafezinho Live – Como será o Brasil com Bolsonaro
Cafezinho Live – Como será o Brasil com Bolsonaro
Um bate papo entre Adalberto Piotto, Carlos Nepomuceno ...

Ver mais

046 – Para quem vai anular o voto
046 – Para quem vai anular o voto
Fiz um vídeo desenhando claramente o que acontece com ...

Ver mais

Confraria Café Brasil
Confraria Café Brasil
A Confraria Café Brasil nasceu para conectar pessoas ...

Ver mais

Videocast Nakata T02 10
Videocast Nakata T02 10
Videocast Nakata Temporada 02 Episódio 10 - Hábitos ...

Ver mais

Números reveladores
Luiz Alberto Machado
Iscas Econômicas
Números reveladores “Para aumentar a performance de um país, é preciso investir na base, pensar em políticas e estratégias para que os mais vulneráveis aprendam. Não adianta fazer com que ...

Ver mais

Petróleo e pedras
Fernando Lopes
Iscas Politicrônicas
Quem acompanha corridas – de carro ou moto – pelo mundo sabe que os veículos elétricos estão na moda; desde o motociclismo de alta performance até disputas dignas de Fórmula 1. Meu ...

Ver mais

A dubladora
Chiquinho Rodrigues
Eu e esta minha imensa boca estamos sempre nos metendo em grandes confusões simplesmente porque eu não penso antes de falar. Te conto: Tenho uma amiga que tem uma das profissões mais ingratas e ...

Ver mais

Trivium: Capítulo 3 – Função da Gramática (parte 7)
Alexandre Gomes
A função fundamental da Gramática é ESTABELECER LEIS para RELACIONAR SÍMBOLOS de modo a expressar um PENSAMENTO. Uma frase expressa um pensamento de várias formas: numa declaração, numa pergunta, ...

Ver mais

Cafezinho 236 – Farinha Pouca
Cafezinho 236 – Farinha Pouca
Separe os temas importantes e urgentes para este ...

Ver mais

Cafezinho 235 – Pedrinha no Lago
Cafezinho 235 – Pedrinha no Lago
Pronto. Joguei mais uma.

Ver mais

Cafezinho 234 – Oportunismo Disciplinado
Cafezinho 234 – Oportunismo Disciplinado
Foi o “oportunismo disciplinado” que me transformou no ...

Ver mais

Cafezinho 233 – Na raiz dos problemas
Cafezinho 233 – Na raiz dos problemas
"Época triste esta nossa, quando é mais fácil quebrar ...

Ver mais

Resumindo meu artigo anterior

Resumindo meu artigo anterior

Jota Fagner - Origens do Brasil -

A proposta de Antonio Gramsci era ambiciosa, ocupar os espaços de produção e disseminação de conteúdo. Universidades, jornais, púlpitos, emissoras de rádio, etc.

Sua ideia, no entanto, não era de tudo original. Vários pensadores já haviam percebido a importância desses espaços para o controle da opinião pública. No Brasil, muito antes de Gramsci ser amplamente conhecido, o jornalista Júlio de Mesquita Filho já propunha a criação de uma universidade que servisse de instrumento para conservar a hegemonia da classe dominante. Ele mesmo, sendo representante dessa classe, achava o branco superior ao negro, achava que a República brasileira não deveria ter acontecido – em sua opinião, melhor seria continuarmos no regime monárquico – e era do seu interesse manter a plebe longe das decisões que norteavam o País.

Repito aqui sua justificativa para ter criado a Universidade de São Paulo (USP):

Vencidos pelas armas, sabíamos perfeitamente que só pela ciência e pela perseverança no esforço voltaríamos a exercer a hegemonia que durante longas décadas desfrutáramos no seio da Federação. Paulista até a medula, herdáramos da nossa ascendência bandeirante o gôsto pelos planos arrojados e a paciência necessária à execução dos grandes empreendimentos. Ora, que maior monumento poderíamos erguer aos que haviam consentido no sacrifício supremo para preservar contra o vandalismo que acabava de aviltar a obra de nossos maiores, das bandeiras à independência e da Regência à República, do que a Universidade? Atribuíamos à incapacidade dos que se haviam apossado dos destinos da Nação os erros sem número que nos levaram, com a fatalidade das leis incoercíveis, da proclamação da República à revolução de 30 e, desta, ao levante constitucionalista. Para não faltar ao compromisso que havíamos assumido com o grande movimento, lançamo-nos à tarefa que, não fora essa epopéia com que São Paulo reassumiu o seu papel histórico no quadro da Federação, jamais lograríamos tornar uma realidade. E ela aí está. Não quiseram tal qual a ideamos. Nem por isso, entretanto, estamos certos, deixou o decreto de 25 de janeiro de 1934 de assinalar nos fatos da Nacionalidade o maior acontecimento cultural da sua história (MESQUITA FILHO, J., 1969, p.198 – 199).

 

Em resumo, o que ele diz é: já que não foi possível vencer pela força, tentamos pelos meios culturais. Isso é muito Antonio Gramsci, não é verdade? Mas a criação da USP é de 1934. A primeira menção escrita a Gramsci só aconteceria um ano depois. Não querendo desmerecer a genialidade do articulista sardo, mas parece que ele estava combatendo fogo com fogo. É claro que ele aperfeiçoou o processo, deu certo refinamento, mas a ideia central já era utilizada por aqueles aos quais ele combatia.

Exponho tudo isso para colocar em perspectiva essa história. Gramsci estava combatendo o fascismo. Não digo que o comunismo fosse muito melhor, mas era a opção que ele conhecia.

Se publiquei aqui um denso e longo artigo em formato acadêmico (ver Júlio de Mesquita Filho e a contrarrevolução cultural), não o fiz por questões narcísicas. Queria apenas demonstrar o quanto essas questões são complexas.

Alguns podem argumentar que eu deveria ter dado exemplos de oposição na Itália daquele período, em vez de buscar uma referência brasileira. Mas a oposição italiana era o fascismo, como eu acabei de mencionar. Não acho que eu precise explicar o quanto esse regime poderia ser perigoso.

O caso do Mesquita Filho é diferente. Ele foi uma figura importante no cenário nacional. Criou a USP, combateu na Revolução de 1932, foi preso e exilado duas vezes, teve uma universidade batizada com seu nome – a UNESP. Em suma, é uma espécie de herói nacional. No entanto, algumas de suas ideias são extremamente questionáveis.

Nem sempre as explicações rápidas e sucintas dão conta de abranger a complexidade social. Sei que muitos vão me acusar de ser ideólogo do comunismo, mas isso só prova o nível da incompreensão.

José Fagner Alves Santos

 

Referência

MESQUISTA FILHO, Julio de. Um esboço de autobiografia. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 13 jul. 1969, p.9-10.

Ver Todos os artigos de Jota Fagner