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Fernando Lopes - Iscas Politicrônicas -

Como se já não enfrentássemos todos os problemas possíveis – e mais uns imaginados – Bolsonaro parece se esforçar para piorar os reais e parir os imaginários. Por qual razão o presidente se esforça tanto ao atravessar a rua só para propositalmente escorregar na casca de banana?

Bolsonaro alega que suas maiores preocupações, desde a campanha eleitoral, são a família, os bons costumes, o civismo, patriotismo, a moral. No entanto, se dirige a autoridades das quais discorda (no Brasil ou no exterior) de forma chula, belicosa e absolutamente desnecessária. Mesmo se estivesse totalmente correto em suas invectivas – e não está – a educação, os bons modos, são absolutamente imprescindíveis ao presidente de um País da relevância do nosso. Grosserias não trazem nada de bom e nada capitalizam, nem coadunam o resgate dos bons costumes propalados no período eleitoral. Mas ele pensa diferente.

À guisa de explicação, disse ser “assim mesmo”, e que palavrões “escapam”. Pode ser, mas então as falas em público são absolutamente contra-indicadas. Pode soltar os cachorros e todas as pragas do mundo encerrado em seu gabinete ou dentro de casa. Do púlpito presidencial, não. Ser presidente eleito, democraticamente, não dá a ninguém carta branca para usar o maior cargo do País para defender suas ideias particulares. O cargo é de dirigente, não de dono.

Como já disse o político americano John Foster Dulles (1888/1959), países não tem amigos, tem interesses. E como diz meu querido amigo Spencer, sinceridade em excesso acaba virando falta de educação. Os dois estão certíssimos. Agrade e pode conquistar alguma coisa, mesmo que difícil. Reaja a tudo com berros e chutes, e atrairá muitos inimigos gratuitos. Seja sempre firme, mas nunca mal educado. Simples.

Pior: Bolsonaro imita (ou tenta imitar) Donald Trump sem o cacife daquele, presidente do país mais rico e poderoso do planeta. Essa estratégia polemista e ao mesmo tempo infantil tem tudo para dar errado. Se isso causa problemas aos EUA, avaliem pra gente, pobres fuleiros que ruminamos abaixo do Equador. Bater boca com Emmanuel Macron, que além de imbecil completo e arrogante é, infelizmente, presidente da França, é um desastre internacional. Tomar essa discussão como ofensa pessoal é um super desastre internacional. O mesmo ocorreu com a ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, em dimensão muito pior. Além de tudo, o presidente ainda levanta a bola para a lulada cortar. Simplesmente desastroso. Até aliados de Bolsonaro avaliam que o estrago não pode continuar nesse ritmo.

Claro; antes que chovam as pedras, ninguém está defendendo o lulismo. Também é mais do que hora de entender que Bolsonaro não é o contrário de Lula. Muitas vezes é somente um avesso, feio e ruim de “vestir”.

Não há que se arrepender do voto dado a ele. Embora erre em algumas coisas, como nas grosserias gratuitas e inúteis via discursos e tuitadas, Bolsonaro está colocando a economia nos eixos, combatendo a miséria, arrumando a Previdência e fazendo muitas outras mudanças essenciais. Diferente de Lula e Dilma, que misturavam estupidez oceânica e desonestidade interplanetária a discursos melífluos, agradáveis, enganando a todos com mentiras bem educadas; assim, apesar dos governos desastrosos e incrivelmente desonestos, passavam a imagem de “bonzinhos”. As grosserias da dupla lulista eram piores e ainda mais toscas, mas sempre disfarçadas num bom-mocismo tão falso quanto calhorda ao extremo.

Bolsonaro não sabe disfarçar. Mas deveria. Faz parte da vida, do comércio mundial, da estratégia, da diplomacia, do bem-viver, do puro e simples relacionamento humano. Seja no micro ou no macro. Xingar a ONU ou seus comissários (mesmo os cafajestes, e sim, eles existem e lá estão lutando por interesses podres, como o lulismo) não leva a nada. E por favor, não chamem isso de hipocrisia; é necessidade. Ataques pessoais feitos a Macron e Bachelet, como se estivessem em briga de bar, prejudicam muito o Brasil.

Frase atribuída ao escritor irlandês Oscar Wilde (1854/1900): “Se todo mundo soubesse o que todo mundo pensa, ninguém mais falaria com ninguém”. Pois é.

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