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                            Considere o globo terrestre. Economicamente analisado, mostrará países ricos, pobres, remediados, miseráveis. E cada um vive mais ou menos de acordo com essas condições intrínsecas. E, mais importante, cada governo gasta de acordo com esse estado financeiro. Há exceções, claro, como as recorrentes ditaduras e demais barbaridades com as quais dividem essa nau dos insensatos esférica. Mas, como já é enredo de piada, o Brasil novamente se destaca pelo ineditismo: Nosso governo e seus representantes vivem não na miséria tipicamente brasileira, mas num outro plano denominado Pobreza Teórica.

                            Pobreza Teórica é (ou deveria ser) uma nova subdivisão classificatória da macroeconomia. Significa que não importa o quanto a grana falte, quem for do topo do governo vive e trabalha como se fosse mandatário num paraíso, onde o dinheiro brota em árvores. O povo tá na merda, mas seus governantes habitam outro País (ou outro planeta, vai saber), muito chique e rico, saboreando todas as benesses e mordomias que a nobreza naturalmente merece. Uma verdadeira Corte Imperial dentro da Favela Banânia. E nunca uma teoria foi tão válida na prática. Ê Brasilzão…

                            Pois bem: Definida a Pobreza Teórica, vamos aos exemplos práticos. A PT (não me culpem pela inocente coincidência) não é nova, embora esteja aprimoradíssima no governo Dillma-Lulla. Me lembro de um ótimo exemplo prático, ocorrido nos anos 80; meu grande amigo Zu era geólogo e prospectava minério na Amazônia. Contava, entre outras barbaridades, como a Funai, grosso modo obviamente, gastava milhões em caminhonetes caríssimas para entregar aos índios facões de 10 merréis, em vez de enviar a grana dos utensílios diretamente aos beneficiários. Brilhante case.

                            O tempo passou, e o lulismo tomou o Brasil de assalto (literal e metafórico), advindo a época áurea da Pobreza Teórica. A crise (a real e até a irreal, admitida pelo desgoverno) é gigantesca. A inflação explode, o desemprego grassa, a produção cai verticalmente, o dólar vai às alturas e a Bolsa despenca… e que faz a presidonta? Anuncia aumento de impostos, alertando que o remédio é amargo – faz as malas e vai passear nos EUA, alugando 22 limusines (uma para cada turista governamental e uma outra especial para a filha da… presidonta). Sem contar os carros blindados, ônibus e talvez até uns tanques de guerra. A esbórnia custou 200 mil dólares, sem contar 17 mil dólares diários pela suíte imperial ocupada pela humilde presidonta.

                            Some-se a essa esbórnia com dinheiro público uma outra fortuna, gasta com diárias aos turistas que acompanham a Dama de Vermelho, nossa Imelda Marcos tupiniquim; e contas de restaurantes, mimos, seguranças armados, traslados, tudo isso a bordo do inesquecível Aerolulla, o avião mais calhorda da face da terra, exemplo imbatível, emblema da Pobreza Teórica. Verdadeiro circo voador.

                            Em contrapartida, há a Riqueza Teórica, praticada em todos os países ricos (de fato) e decentes, como os EUA, Inglaterra, Canadá, França, Suécia, Alemanha, Dinamarca, Suíça e tantos outros. Esses bobos ficam nessa coisa pobre, jeca, de economizar com bobagens. Imaginem só, o primeiro ministro britânico nem tem um avião pra chamar de seu; quando viaja ao exterior decola e pousa em voo comercial – e na classe econômica. Deve ser bobo esse tal de David Cameron, coitado. E usa só os carros da embaixada.

                            O Canadá também não tem avião exclusivo. A Alemanha tem (comprado usado), mas nele nem o marido de Angela Merkel põe os pés. É de uso exclusivo em trabalho, e ninguém pega carona. Também não tem essa de hotéis caríssimos nem frota de limusines. Trouxas.

                            Ah, também se pratica a Pobreza Teórica aqui dentro: Em Brasília a ordem é torrar grana pública com frotas de carros novos, jatinhos, restaurantes, tudo pago pela viúva. E os três poderes parecem competir nessa disputa de quem gasta mais “pelo bem do Brasil”. Férias de 90 dias por ano, carros oficiais luxuosos, planos de saúde nababescos para essa gente e seus familiares, escritórios suntuosos e uma legião de assessores com gasto ilimitado em telefone, combustível, sorvete de pistache e kryptonita. Austeridade é coisa do capeta. Nas estatais então, esbanjar dinheiro do povo é esporte olímpico.

                            Abaixo o pessimismo, vamos torrar dinheiro! A onda agora é acolher refugiados de guerra sírios e demais vizinhos infelizes. Todos os ricos teóricos fazem o que podem, ajudam como dá. Dilma I avisa que estamos de braços abertos, e que a patuleia pode chegar aos montes que tem mingau pra todos e samba no pé.

                            Não basta a multidão de haitianos (mais de 250 mil) que invadiu São Paulo “exportada” pelo governador do Acre, transformando-se numa miserável massa de pedintes, disputando o sacrossanto Bolsa Família com os nossos pobres autóctones? Nem é bom mencionar bolivianos e africanos, chegando às dezenas de milhares. E os empréstimos (doações, na verdade) do BNDES a Cuba, Venezuela, Equador, Angola?

                            Taí outro grande dogma da Pobreza Teórica: Exportar milhões a fundo perdido e importar pobreza. A zorra com dinheiro público desconhece fronteiras ou parâmetros. Viva a gastança! Pobreza é psicológica!

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