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Filipe Aprigliano - Iscas do Apriga -

Nossa compreensão da humanidade nem sempre é uma tarefa fácil, é muito comum vermos na arte representações sombrias da nossa espécie, demonstrando como somos cruéis, irresponsáveis e terrivelmente insensatos. Mas será que somos? É o que gostaria de discutir aqui.

O mesmo não ocorre quando analisamos outras espécies, onde tudo parece no seu lugar, tudo parece ter um propósito, um senso de ordem, seja na perpetuação ou na sobrevivência. Assistindo um documentário de vida animal, você nunca escuta o biólogo dizer que as práticas de um animal selvagem são despropositadas ou incoerentes. Nossa admiração pelos animais é tamanha, que não raro algumas virtudes humanas são atribuídas aos bichanos, e se fala de generosidade, perseverança e nobreza.

Porque é tão fácil ver ordem e beleza no reino animal e tão difícil fazer o mesmo para a espécie humana. Talvez seja preciso se afastar um pouco, talvez seja preciso mais do que entender nossa natureza, talvez seja preciso antes de tudo aceitá-la, e aceitá-la com tamanha sinceridade ao ponto de sermos gratos por ela.

E qual é nossa natureza então?

Somos animais também, não há duvida, temos instintos que nos compelem à autopreservação e a reprodução. Também temos reações automáticas e involuntárias quando estamos em bando.

Somos racionais e dotados de inteligência invejável, temos memória otimizada e capacidades de condicionamento quase sobrenaturais. Entre nós existem pessoas capazes de feitos fantásticos, condicionadas a resistir a situações extremas, e com habilidades motoras inacreditáveis.

Somos emocionais, e nesse campo somos deuses e monstros. A emoção é capaz de nos inspirar os atos mais heróicos e também as atitudes mais hediondas. As emoções me parecem o calcanhar de Aquiles de todo esse “projeto”, e como tal, o caminho para alguma espécie de redenção.

Poderia falar também que temos alma, mas isso é algo intangível, e cabe a cada um ter sua própria experiência espiritual. De qualquer forma não importa, mesmo que você não acredite na transcendência pode aceitar o que eu direi nos próximos parágrafos.

Agora, animais também tem emoções e muitas vezes uma racionalidade rudimentar, são capazes de identificar padrões, usar ferramentas e montar estratégias bastante criativas para resolver problemas. São capazes de condicionar seus corpos a feitos igualmente invejáveis. Há também quem acredite que os animais tem alma. Então estamos rodando em círculos, o que nos diferencia dos outros animais afinal? É exatamente aqui que eu queria chegar.

Eu acredito que é nossa capacidade de criar algo inteiramente novo, a capacidade de abstrair a realidade a nossa volta e redesenhá-la em nossa imaginação, e quando tudo corre bem, a capacidade de construir no mundo tangível nossas invenções únicas e transformadoras.

O que poderia ser mais a imagem e semelhança de Deus senão a capacidade de criar algo do nada, ou de abordar nossa realidade livre das amarras do tempo. Podemos não só identificar padrões e reagir a eles, como também prever padrões que ainda nem se manifestaram. Nossas experiências e criatividade tem nos levado a compreensão das leis que regem o próprio universo e até a desconfiar da existência de outros.

No entanto, é importante ressaltar um detalhe, nada disso é possível isoladamente. Todas as grandes criações humanas foram feitas em conjunto, um tijolo por vez. O conhecimento humano é construído lentamente, de geração em geração. Einstein, Newton, Da Vinci, Aristoteles, precisaram se apoiar nos ombros um do outro para vislumbrar novos horizontes.

O conhecimento manifestado na forma de arte, de arquitetura, de literatura, de filosofia, de música, de física, de biologia, de tecnologia, são a grande criação da humanidade, são a prova mais que contundente de que a espécie humana é especial e digna de orgulho. Proteger, honrar e alimentar nosso legado de conhecimento é propósito mais que suficiente para uma vida humana. Assim como é para uma leoa quando protege sua prole.

Dito isso já temos um nobre propósito, mas porque também temos que conviver com o flagelo da violência, da injustiça, do preconceito, da tirania, da inveja, da insegurança, da fome e da guerra. Aí é que está, não temos, e esse é outro legado que construímos do qual não devemos nos orgulhar, e contra o qual podemos dedicar nossas vidas igualmente, sendo o propósito igualmente nobre.

A explicação mais convincente que já encontrei para essa dicotomia eu li num livro que ganhei de presente de uma mulher, no mesmo dia que ela me conheceu, depois desse dia nunca mais nos encontramos, mas eu serei eternamente grato e estou certo que ela sabe disso.

Neste livro, teoricamente essas são as palavras de Deus, ditas pausadamente ao escritor quando Este lhe cedeu uma entrevista: “Na ausência do que não é, o que é não é”. Parece confuso, mas eu vou explicar, até porque já encontrei esse pensamento em diversas embalagens depois disso, mas só pude reconhecê-lo depois de conhecê-lo.

Existem coisas que tem essência, e existem coisas que não tem, são apenas o reflexo ou o nome que damos para a ausência de um algo essencial. O frio não existe, o que existe é a ausência de calor. Não existe escuridão, o que existe é ausência de luz. Da mesma forma, todos os infortúnios humanos são resultado da negação da nossa própria natureza, da opção por não manifestar o que é nossa própria essência.

Voltando agora ao calcanhar de Aquiles, já considerando o nosso novo enfoque sobre a existência, eu acredito que o ser humano tem sua natureza e propósito fundados na emoção mais nobre de todas, o amor e chamemos portanto de medo o que seria a ausência de amor. Todas as nossas escolhas são motivadas por uma ou pela outra. Por esse prisma, as escolhas na vida ficam muito mais simples e fica totalmente claro onde estão nossos erros mais básicos e dramáticos.

Na minha tradução livre, Albert Einstein disse certa vez que se for verdade que toda boa ação é baseada no medo da punição ou na esperança de alguma recompensa, que a humanidade não teria valor algum. Eu também acredito que não teríamos valor algum, mas vejo sinais do contrário em toda a parte. Fazer o bem para não ir para o inferno ou para ganhar um espaço no paraíso me parece essencialmente medo e não amor.

Por outro lado, a gratidão é a forma mais visível e palpável de amor, quando você é grato pelas coisas na sua vida, e por todas as pessoas que fazem parte dela, inclusive as mais desafiadoras, todo o sofrimento perde o sentido e as coisas certas ganham valor inestimável, enquanto as coisas que ganharam valor pelo medo e pela insegurança viram um brinquedo velho na prateleira.

Da próxima vez que você se deparar com uma decisão, faça apenas essa pergunta: Eu estou motivado pelo amor ou pelo medo? É isso que precisamos ensinar aos nossos filhos, com palavras e principalmente com exemplos.

Agora para terminar, que fique bem claro, eu não estou pregando “paz e amor” de hippie. Estou pregando apenas o amor, verdadeiro, sincero e honesto. O que repreende quando é necessário, o que cria disciplina com exemplo e retidão, o que constrói inabalável um futuro melhor independente de qualquer adversidade, sem pressa e sem expectativas, apenas com a certeza de que sua parte está sendo cumprida, não pela sua salvação, mas pela salvação de toda a humanidade.

Para que fique totalmente claro de qual amor eu estou falando, vou citar dois filósofos de peso, um pai e uma mãe, que todos vocês conhecem:

Rocky Balboa para o seu filho: Deixe-me falar uma coisa que você já sabe. A vida não é feita de dias ensolarados e de arco-íris. Esse é um lugar confuso e perverso, que não liga para quão durão você é. A vida vai bater em você e te deixar de joelhos para sempre se você deixar. Eu, você e ninguém bate mais forte do que a vida. E não importa quão forte você bate, só importa o quanto você aguenta apanhar e ainda assim seguir em frente. É assim que se vence! Agora, você precisa estar disposto a apanhar ao invés de ficar botando a culpa nos outros. Covardes fazem isso, e você não é assim, você é melhor que isso!

Sarah Connor falando da relação do Exterminador com o seu filho (lembrando que no final do filme o T800 realmente se suicida para protegê-lo): Olhando para o John com a máquina, de repente tudo ficou claro. O Exterminador nunca iria parar. Ele nunca o abandonaria, nunca iria feri-lo e nem gritar com ele. Nunca bateria nele bêbado ou diria que está muito ocupado para passar tempo com ele. Estaria sempre presente e morreria para protegê-lo. De todos os possíveis padrastos que surgiram ao longo dos anos, essa coisa, essa máquina, foi a única que estava a altura. Nesse mundo insano, foi a escolha mais sensata.

Obrigado pelo seu tempo. Quem sabe nos falamos novamente?

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