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Os novos valentes

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Fernando Lopes - Iscas Politicrônicas -

Como escreveu magistralmente J. R. Guzzo, o mundo está cheio de um novo tipo: Os corajosos que não correm riscos e fazem pose de herói, sempre fantasiados de santinhos, do super lado do bem, contra os malignos por aí: http://veja.abril.com.br/blog/fatos/j-r-guzzo-terra-de-bravos/

O escritor e jornalista Marcelo Rubens Paiva se encaixa muito bem no contexto. Postou foto da organização racista Ku Klux Klan, que assassinava negros, de meados do século XIX até início do século XX, com este singelo rodapé: “Bolsominions se preparando para votar em 2018”. https://www.oantagonista.com/brasil/o-vale-tudo-contra-bolsonaro/ Pois é. O cidadão alegadamente defensor da tolerância, combatente do racismo, classifica todos os eleitores de Bolsonaro – atenção, TODOS – como um bando de dementes, assassinos e torturadores de negros. Se isso não é racismo da parte dele, então não dá pra saber o que é. Ou, no mínimo, uma calúnia e uma infâmia. Mas é a moda da vez; atacar de forma fluida e se fazer de herói. Qualquer sujeito minimamente conservador, ou não declaradamente esquerdista, é alvo fácil.

A bela, rica e famosa Taís Araújo está no páreo. Há uns meses, em frase resgatada semana passada, afirmou que “A cor do meu filho faz com que as pessoas mudem de calçada”, num exagero sem precedentes. Dá pra imaginar que o Brasil está cheio de racistas andando pelas ruas, trocando de calçada ao cruzar com uma criança negra de apenas 6 – seis! – anos? Menos, né, Taís? Essa histeria precisa acabar urgentemente, e muitos (com mais ou menos razão) botaram a boca no trombone: http://veja.abril.com.br/blog/radar/secretario-de-educacao-ataca-tais-araujo-idiotice-racial/ . Nessa guerra brancaleônica, contra um racismo enxergado forçadamente em qualquer ato do ser humano, o resultado é um só: Recrudescimento de algo muito ruim pela pura sugestão. Glória Maria que o diga: http://veja.abril.com.br/blog/veja-gente/gloria-maria-posta-frase-sobre-consciencia-negra-e-causa-polemica/ . Essa, então, foi uma pérola de amor ao próximo e congraçamento. Quiseram linchar Glória por postar frase do ator Morgan Freeman sobre ser mais importante uma consciência humana do que uma negra, vermelha, branca ou amarela. Mesmo o óbvio é considerado ofensivo pelos “herois” de plantão. Ridículo. Atacaram a negritude dela, sua moral, ameaçaram-na, apenas por defender a união, e não a cisão. Fizeram o mesmo com Joaquim Barbosa, ex-ministro do STF. Ah, “exigiram” desculpas dela, veementemente negada. Ela está certíssima; não cedeu ao aplauso fácil nem ao vitimismo, tão caros aos Quixotes dos tribunais raciais.

Essa onda absolutamente, paranoicamente arrivista, precisa acabar. Essa e outras, tais como uma alegada “cultura do estupro” existente no Brasil; quando e onde, cara pálida? Nas escolas que frequentei, em minha família ou entre meus amigos, garanto que não! Maldita mania de tomar a parte pelo todo no intuito de arregimentar seguidores bovinos numa luta insana. Há estupradores, infelizmente, e todos devem mofar na cadeia. Daí a declarar uma “cultura” brasileira disso… pelamor. Idem para os delirantes que classificam o impeachment de Dilma como fruto de pura maldade machista, e não dos crimes e insanidades gerenciados por ela. Pasadena que o diga. Para os discordantes, a senadora Ana Amélia, que pode ser tudo, menos machista, e participou da derrubada constitucional da pior presidente da História do País, tem todos os esclarecimentos.

É culpar o difuso, o famoso “eles” lulista, numa luta quixotesca contra um mal aumentado artificialmente para uma posterior colheita de medalhas sem glória (não a Maria) na defesa de seus pretensos iguais – como se nós outros fôssemos tão diferentes, talvez vindos de Júpiter ou do inferno. E ousam chamar isso de “tolerância”, taspariu. Pela amostra de “tolerância” e “defesa da igualdade”, Deus nos livre e guarde do ódio desses valentes defensores de um mal que eles mesmos insuflam.

É um vale tudo, até torcer os números e torturar a matemática. Um repórter do UOL citou números do IBGE para apontar, em tom de denúncia (ou “massacre”, “genocídio”, “extermínio” e outros exageros cretinos que tanto agradam aos bonzinhos de plantão), que de cada 3 desempregados, dois são pretos ou pardos. Só omitiu que o mesmo IBGE esclarece que dois terços da população brasileira se intitulam pretos ou pardos. Ou seja, o desemprego atinge igualmente a todos, sem distinção de cor, credo ou time do coração, mas “pega bem” “denunciar” mais um “massacre” perpetrado por “eles”. Simplesmente inacreditável.

Ponham racistas e estupradores na cadeia; eles existem e são criminosos nojentos. Mas, por favor, não vendam a ideia absurda de que essas práticas fazem parte da sociedade, como se houvesse culpa coletiva ou “dívida histórica” a ser paga. São duas mentiras cultivadas e difundidas. Combata-se o crime, não o livre pensamento, impondo o próprio como o único correto.

Bem disse a Miss Brasil 2017, Monalysa Alcântara, negra e nordestina, ao sofrer ataques sórdidos nas redes sociais: “Eu represento não só a mulher negra, mas sim todas as brasileiras”. Saiu por cima, pregou união, não cedeu à modinha besta, demonstrou inteligência e sensatez. Além de ser linda.

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