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Os cowboys

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Fernando Lopes - Iscas Politicrônicas -

                        Já assistiu Os Cowboys, de 1972, com John Wayne? Não? Assista. Já assistiu? Veja outra vez. É um clássico, obra prima do gênero faroeste, com um bom-mocismo e uma ingenuidade que não existem mais, nesse século XXI onde as crianças já nascem jogando poker. Paradoxalmente, vivemos num mundo mais selvagem do que o Velho Oeste, onde as posições “do bem” e “do mal” eram diametralmente opostas e simples de identificar; bandido não disfarçava bem.

                        Wayne faz o papel de um rancheiro que, à falta de cowboys para tanger o gado e vendê-lo antes da chegada do congelante inverno, contrata algumas crianças para o duro e perigoso serviço de cruzar centenas de quilômetros com os animais, para vendê-los, encarando os perigos inerentes. Numa aventura recheada de dramas humanos, onde a experiência do duro rancheiro se contrapõe às inseguranças infantis, o grupo viaja apavorado com um bando de ladrões em seus calcanhares, tentando roubar a valiosa manada. Os bandidos finalmente alcançam e rendem o grupo brancaleônico. A ordem do chefe da quadrilha é clara; ele não quer roubar só o gado. Diz aos comparsas: “Levem tudo, menos a fogueira!”

                        Tudo o que se viu e ouviu nos últimos dias, envolvendo Lula e sua turma, também é bem claro. Ele não queria só o gado, conquistado com mentiras, ilusões, bolsa-esmola e outras mandrakarias essencialmente populistas. Queria tudo.

Lula poderia ter se contentado só com o gado e os, digamos, dividendos que amealhou por aí – mesmo que as origens desses milhões todos sejam mais ininteligíveis que letra de música do Djavan. Mas não… Lula queria tudo. Tudinho. Até a fogueira.

                        Quando deixou aquele castelo de filme de terror que convencionaram chamar de Alvorada, carregou absolutamente tudo; não deixou nem mesmo as cobiçadas garrafas de bebida que compunham a adega presidencial, pagas com dinheiro público. A informação, bem como a lista de alguns itens que Lula levou nos já famosos 11 caminhões (um deles refrigerado, para os caríssimos vinhos), está em vários lugares, inclusive no excelente site O Antagonista: http://www.oantagonista.com/posts/a-coroa-do-rei-lula

                        Mas não foram só esses bens, nem muitos outros, ocultados em depósitos, sítio-que-não-é-dele, e um providencial barracão ofertado por um prestimoso sindicato. O sujeitinho levou também a estabilidade da moeda, os empregos, o dinheiro das empresas públicas, o pouco de decência que restava, o pouco que tínhamos – discretos ativos que ele tratava como um “presente” generosamente dado por ele, o ungido, a nós, os ingratos que deviam adorar aquele duende disfarçado de santo e sua mamulenga que não diz uma frase com sentido. Nas muitas vezes em que comparou-se a vultos históricos, nacionais e internacionais, e mesmo a Deus, quando alegou seus “milagres” realizados na economia, desfiava bravatas como se fossem fatos. Destruiu tudo onde pôs as mãos e garras longas, tentou surrupiar até nossas almas para barganhas tinhosas com seu amigo que também veste vermelho em meio ao calor dos caldeirões subterrâneos. Lula levou tudo, até a fogueira. Estamos no escuro, e, pelo andar da carruagem, só O STF ou o saco de gatos do Congresso podem resolver a questão definitivamente. Esperar? Rezar? Protestar? Pedir socorro ao judiciário? Muita coisa ainda será trazida pela enxurrada de lama. Mas reação tem de vir. E logo, pois a coisa tá feia demais. É o fim do mundo que conhecemos por Brasil.

                        Ah sim, ia esquecendo; No filme, o gado é levado pelos ladrões, que matam Wayne covardemente. Os meninos unem-se e, com coragem e determinação, acabam com os bandidos, recuperam o gado e o recolocam no caminho certo. Na volta, levariam o dinheiro para a viúva. É, naquele tempo já tentavam depenar a viúva. Enfim, os do mal perderam. O gado reencontrou seu caminho, e os justiceiros do bem venceram.

                        Agora, é torcer por uma reprise do filme. O gado aqui tá esperando ansiosamente um norte. Ao menos, na falta da fogueira, Sérgio Moro trouxe uma lanterna. E que lanterna! Terra Em Transe, como apontaria o chatérrimo Glauber Rocha.

                        Trilha sonora e cenas do filme: Vivaldi, Concerto para violão em Dó maior, segundo movimento:

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