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Olímpicas reflexões

Olímpicas reflexões

Luiz Alberto Machado - Iscas Econômicas -

Olímpicas reflexões

 Estabelecendo correlações

 “Não há nada de errado em perder, especialmente onde somos iniciantes, sendo motivo de justo orgulho ser o oitavo ou o vigésimo do mundo em alguma coisa difícil de fazer. É importante conhecer o seu lugar no planeta, que não será, provavelmente, o mais alto. Perder engrandece, se você colocou a sua alma na disputa, se você enxerga o talento do outro, o estrangeiro e diferente, e se você entende que o certame é maior do que você.

Perder é democrático ademais, pois democracia pressupõe alternância, ninguém vai ganhar todas e sempre, nem mesmo o dream team. Os pódios se modificam, e os recordes são sempre batidos. Só é preciso seguir o que disse Bernardinho após o ouro no vôlei: trabalho, esforço, seriedade, ética e seguir fazendo a coisa certa. E nem assim existe garantia da vitória.”

Gustavo Franco

Às vésperas do início dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, publiquei um artigo com o título de Olímpicas expectativas, no qual abordei diversos aspectos relacionados ao evento que estava em vias de se iniciar. No referido artigo, abordei, entre outros aspectos, o legado olímpico, fatores políticos, econômicos e de sustentabilidade, questões relacionadas à segurança e, também, as perspectivas do Brasil em termos de desempenho esportivo.

Nesse particular, escrevi:

Por fim, quanto ao desempenho dos atletas brasileiros, não vejo nenhum motivo para otimismo. Mesmo que o número de medalhas supere o de edições anteriores – o que é mais do que esperado por se tratar do país que sedia as competições – não aconteceu qualquer mudança estrutural que propiciasse uma perspectiva mais favorável a longo prazo.

Há 32 anos, escrevi um artigo com o título Poucos esportistas… poucas medalhas. Foi logo após o encerramento dos Jogos Olímpicos de Los Angeles, quando o Brasil conquistou apenas 8 medalhas[1]. Passados todos esses anos, a base do nosso esporte continua a residir nos clubes esportivos, de acesso extremamente restrito. Enquanto em quase todas as potências olímpicas a base está nas escolas e universidades, com acesso quase universal, aqui dependemos do investimento de alguns clubes poliesportivos que permanecem por décadas formando ou aperfeiçoando atletas de alto rendimento, como são os casos do Pinheiros, em São Paulo, e do Minas Tênis, em Belo Horizonte. Enquanto isso, as competições colegiais e universitárias ocorrem com pouquíssimo apoio quer das autoridades esportivas quer da imprensa especializada.

Concluídos os Jogos Olímpicos, reconheço que o saldo foi extremamente positivo em quesitos como, por exemplo, organização e segurança. O Brasil saiu com sua imagem fortalecida, demonstrando ser capaz de promover um evento dessa magnitude com competência, além de ter dado um show à parte na capacidade de receber bem todos os que foram ao Rio de Janeiro, atletas, técnicos, dirigentes, torcedores e visitantes em geral.

No que se refere ao desempenho dos nossos atletas, no entanto, sou de opinião que o saldo não merece maiores comemorações, uma vez que, embora o Brasil tenha conquistado o maior número de medalhas de sua história, a evolução em relação aos Jogos de Londres foi muito pequena e, a meu juízo, aquém das expectativas de um país que sedia as competições.

Para justificar essa opinião e também para explorar possíveis correlações, elaborei a tabela 1 que considera a classificação dos países pelo número de medalhas conquistadas, o ranking dos países por seu Produto Interno Bruto (PIB), pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), pela população de cada país e, por fim, pelo número de modalidades em que cada país conquistou medalhas.

Tabela 1

Classificação nos Jogos Rio 2016[2] Ranking PIB[3] Ranking IDH Ranking População Modalidades em que o país conquistou medalhas
1º Estados Unidos 25
2º Grã-Bretanha 15º 22º 22
3º China 90º 20
4º Rússia 10º 51º 19
5º Alemanha 16º 19
6º Japão 20º 10º 11
7º França 22º 20º 17
8º Coreia do Sul 13º 17º 27º 9
9º Itália 27º 23º 13
10º Austrália 12º 52º 13
11º Holanda 17º 65º 12
12º Hungria 58º 44º 88º 4
13º Brasil 75º 12
14º Espanha 14º 26º 29º 11
15º Quênia 73º 145º 30º 1
16º Jamaica 123º 99º 143º 1
17º Croácia 76º 47º 127º 5
18º Cuba 63º 67º 78º 4
19º Nova Zelândia 53º 10º 124º 5
20º Canadá 11º 37º 11

Por se tratar de um artigo que não possui maiores pretensões, limito-me a fazer algumas reflexões e tentar estabelecer algumas correlações. O extraordinário desenvolvimento de novas áreas de pesquisa, como Big Data, Teoria da Complexidade e Teoria de Redes abre amplas perspectivas para uma análise mais profunda e abrangente das reflexões constantes neste artigo. Fica, portanto, como indicação para detentores de expertise nesses campos.

Tomando por base a correlação entre desempenho olímpico e PIB, verifica-se uma forte correlação quando se observa a performance de países como Estados Unidos (EUA), Grã-Bretanha, China, Rússia, Alemanha, Japão, França, Itália, Austrália, Coreia do Sul, Holanda, Brasil, Espanha e Canadá. Esses 14 países, que estiveram entre os 20 maiores conquistadores de medalhas, encontram-se, também, entre os 20 países com maior PIB.

Quando se considera a correlação desempenho olímpico/IDH, verifica-se uma redução, já que apenas 9 dos maiores conquistadores de medalhas (EUA, Grã-Bretanha, Alemanha, Japão, Coreia do Sul, Austrália, Holanda, Nova Zelândia e Canadá) estão entre os 20 países com melhor IDH.

Antes de partir para as considerações mais gerais, estendo a correlação para o número de habitantes de cada país. Nesse particular, observa-se uma redução ainda maior da correlação, pois apenas 7 dos “papões” de medalhas encontram-se entre os países mais populosos do mundo. Portanto, 13 dos 20 países mais populosos do mundo, Índia, Indonésia, Paquistão, Bangladesh, Nigéria, México, Filipinas, Vietnã, Etiópia, Egito, Irã, Turquia e República Democrática do Congo possuem desempenho olímpico medíocre.

Apontadas essas correlações, seguem-se algumas observações pessoais com o objetivo de estimular toda e qualquer reflexão ou crítica dos leitores deste artigo.

  1. Desempenho dos Estados Unidos: Para usar uma expressão que se tronou conhecida graças a um programa popular de TV, “tiro o chapéu” para o desempenho histórico dos EUA em sucessivas edições dos Jogos Olímpicos. Destaco, nesse particular, que esse extraordinário desempenho dos norte-americanos se explica em grande parte pelo elevado número de praticantes das diversas modalidades esportivas, o que só é possível em razão de uma visão cultural que valoriza amplamente a prática de esportes nos colégios e nas universidades, celeiro dos atletas olímpicos de alto rendimento. Acrescento a esse dado, o fato de não haver ministério específico no país, e de ser irrisório – senão inexistente – o aporte de recursos públicos para o Comitê Olímpico local, cujo financiamento é quase integralmente constituído de recursos da iniciativa privada. Por último, mas não menos importante, faço questão de realçar o espírito representado pelos atletas norte-americanos e o orgulho que demonstram na defesa das cores da bandeira de seu país nas quadras, pistas, piscinas, ringues, tatames etc. um bom exemplo disso foi dado pelas seleções masculina e feminina de voleibol no Rio de Janeiro. Apesar de serem consideradas favoritas à conquista de medalhas antes do início da competição, ambas foram derrotadas na semifinal, tendo, portanto, que disputar a medalha de bronze. Ao contrário do que se vê em alguns casos, em que atletas mostram-se desmotivados para a disputa da medalha de bronze, os integrantes das seleções de voleibol dos EUA empenharam-se ao máximo em suas partidas, buscando a medalha de bronze com a mesma determinação que teriam se estivessem disputando a medalha de ouro. Ouso afirmar que tal espírito explica-se, em boa parte, pelo excepcionalismo dos Estados Unidos, muito bem explicado no recém-lançado livro As ideias importam, da Profª Fernanda Magnotta, coordenadora do curso de Relações Internacionais da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP).
  2. Desempenho da Grã-Bretanha: A exemplo do que já havia ocorrido com outros países que tiveram cidades que sediaram os Jogos Olímpicos, a Grã-Bretanha registrou uma considerável evolução na edição de 2012, realizada em Londres, ficando, naquela ocasião, em terceiro lugar no quadro de medalhas, abaixo apenas dos Estados Unidos e da China. Ao ficar no segundo lugar no quadro de medalhas na edição de 2016, no Rio de Janeiro, a Grã-Bretanha dá uma demonstração de que o avanço verificado em 2012 não foi pontual, uma vez que o desempenho de quatro anos depois foi até superior ao verificado nos Jogos de Londres. Conquistando medalhas em 22 modalidades diferentes, verifica-se que o esforço para melhorar o desempenho olímpico da Grã-Bretanha foi bastante diversificado, não ficando restrito a apenas poucas modalidades esportivas. Se de um lado é inegável o mérito evidenciado pela evolução da Grã-Bretanha, sinto-me na obrigação de fazer um registro quanto a uma das práticas que permitiram tal evolução e que, a meu juízo, contraria o chamado espírito olímpico, qual seja, o fato de a Grã-Bretanha ter naturalizado nos anos que antecederam a realização dos Jogos atletas de diversas modalidades, muitos dos quais mal falavam o idioma ou conheciam o hino do país ao receberem suas medalhas. Vale frisar que tal prática é permitida em algumas modalidades e não em outras, dependendo do regulamento seguido pela respectiva confederação internacional.
  3. Desempenho da China: A evolução do desempenho da China nas últimas edições dos Jogos Olímpicos revela consistência, ainda que tenha se acelerado por ocasião da realização dos Jogos de Pequim, em 2008. Como acontece com a Grã-Bretanha, o esforço empreendido para que essa evolução ocorresse foi bastante diversificado, visto que os atletas chineses conquistaram no Rio de Janeiro medalhas em 20 modalidades diferentes.
  4. Fraco desempenho de países com elevado IDH: Chamou minha atenção o fraco desempenho olímpico de países que se encontram nas primeiras posições do ranking do IDH, entre os quais Noruega (1º), Suíça (3º), Dinamarca (4º), Irlanda (7º), Singapura (11º), Hong Kong (12º), Liechtenstein (13º), Suécia (14º), Israel (18º), Luxemburgo (19º), Áustria (23º) e Finlândia (24º), que estão entre os 25 países de melhor IDH e cujo desempenho nos Jogos do Rio de Janeiro pode ser considerado medíocre. Vale destacar que alguns desses países, situados no Hemisfério Norte, costumam apresentar excelente desempenho nos Jogos Olímpicos de Inverno, o que se explica pelo fato de que suas populações vivem por vários meses do ano em clima frio, praticando sistematicamente os chamados esportes de inverno.
  5. Destacado desempenho da Hungria: Faço questão de registrar o bom desempenho da Hungria, que ficou na 12ª posição no quadro de medalhas, embora ostente posições intermediárias nos rankings do PIB (58º), IDH (44º) e População (88º). A título complementar, registro que a Hungria conquistou medalhas em 4 modalidades.
  6. Desempenho de Quênia e Jamaica: Não posso deixar de realçar o excepcional desempenho de Quênia e Jamaica, respectivamente na 15ª e na 16ª posições no quadro de medalhas, e que não se encontram em posições destacadas nos rankings do PIB, do IDH e da População. O mesmo pode ser dito com relação ao desempenho de Croácia (17ª) e Cuba (18ª). A diferença fundamental é que os dois últimos conquistaram medalhas em 5 e 4 modalidades, respectivamente, ao passo que os dois primeiros em apenas uma: Quênia em provas de atletismo de média e longa distâncias e Jamaica em provas de curta distância, com destaque para Usain Bolt, verdadeiro ícone do esporte mundial.

Quase ao final, três breves pinceladas sobre o desempenho de mais três países que estiveram entre os 20 maiores conquistadores de medalha:

a. Rússia: ocupando o 4º lugar no quadro de medalhas, a Rússia deixou de disputar o primeiro lugar com os Estados Unidos como chegou a fazer há alguns anos, em plena guerra fria, quando ganhar mais medalhas do que a outra superpotência havia se transformado num símbolo de supremacia do socialismo. O número de medalhas poderia ser maior se a delegação da Rússia contasse com os integrantes das equipes de atletismo e de halterofilismo, impedidas de competir no Rio por problemas envolvendo doping. A existência, porém, de um esquema de doping em larga escala (todos os atletas da Rússia estarão ausentes dos Jogos Paralímpicos), com ampla possibilidade de participação de altos escalões do poder, mostra a que nível pode chegar a busca obsessiva por vitórias, muito distante do almejado espírito olímpico.

b. Cuba: em 18º lugar no quadro de medalhas, Cuba está longe do desempenho apresentado até o final do século passado, quando as conquistas esportivas eram usadas por Fidel Castro como prova da eficiência do modelo político-econômico por ele comandado. A decadência começou quando os repasses financeiros a fundo perdido por parte da União Soviética minguaram, assim como a cooperação técnica. Se isso não bastasse, Cuba ainda tem seu desempenho prejudicado por não permitir que atletas que passam a defender equipes de outros países sigam defendendo a seleção cubana. No voleibol, por exemplo, há jogadores cubanos que se destacam em equipes de vários países, alguns até jogando por eles, como Juantorena, que fez parte da equipe italiana, vice-campeã no Rio de Janeiro. Se juntasse esses atletas na seleção nacional, Cuba seria uma potência nessa modalidade, tanto no masculino como no feminino.

c. Canadá: o 20º lugar no quadro de medalhas do Canadá foi motivo de decepção para muita gente que, provavelmente, criou uma falsa expectativa em razão do excelente desempenho dos atletas canadenses nos Jogos Panamericanos de 2017, realizados em Toronto. Utilizo a expressão falsa expectativa porque o nível dos Jogos Panamericanos fica muito aquém do observado nas competições mundiais. Isto ocorre porque, desde que os Panamericanos deixaram de ser classificatórios para a Olimpíada na quase totalidade das modalidades, muitos países optam por não levar seus melhores atletas para essa competição. Vale lembrar, porém, que o Canadá costuma ter um desempenho destacado também nos Jogos Olímpicos de Inverno.

Deixo para o final um comentário sobre o desempenho do Brasil que, como já afirmei, embora tenha sido superior ao de edições anteriores, foi decepcionante, não apenas por ficar abaixo da expectativa do próprio Comitê Olímpico Brasileiro, mas, também, por não corresponder a um salto quantitativo esperado de países que sediam os Jogos Olímpicos.

Além disso, o que se verifica é que não houve alteração de relevo na estrutura organizacional do esporte no Brasil, o que poderia indicar perspectivas mais favoráveis para o futuro. Por essa razão, concluo que continuamos dependendo de boas surpresas (casos da medalha de ouro conquistada por Thiago Braz, no salto com vara masculino, da medalha de prata de Felipe Wu, no tiro ao alvo, ou da medalha de bronze de Maicon Andrade, no tae-kwon-do), ou do esporádico aparecimento de fenômenos como Isaquias de Queiroz, que conquistou três medalhas numa mesma edição, algo inédito na história olímpica do Brasil.

Iscas para quem quiser se aprofundar

Referências e indicações bibliográficas

FRANCO, Gustavo. O legado conceitual. O Estado de S. Paulo, 28 de agosto de 2016, p. B 4.

MACHADO, Luiz Alberto. Poucos esportistas… poucas medalhas. Correio Popular, Campinas, 29 de agosto de 1984.

MAGNOTTA, Fernanda Petená. As ideias importam: o excepcionalismo norte-americano no alvorecer da superpotência. Curitiba: Appris, 2016.

SALVADOR, Alexandre. A performance da casa. Veja, 31 de agosto de 2016, pp. 72-76.

Referência webgráfica

MACHADO, Luiz Alberto. Olímpicas expectativas. Disponível em http://www.portalcafebrasil.com.br/iscas-intelectuais/olimpicas-expectativas/.

[1] Uma de ouro (no atletismo, com Joaquim Cruz, nos 800 metros); 5 de prata (uma na natação, com Ricardo Prado, nos 400 metros medley, uma no iatismo, com Torben Grael, Daniel Adler e Ronaldo Senft, na classe Soling, uma no judô, com Daniel Vieira, uma no futebol e uma no voleibol masculino, com a chamada “geração de prata”; e 2 de bronze (ambas no judô, com Luiz Onmura e Walter Carmona).

[2] Não há uma classificação oficial nos Jogos Olímpicos. Nesse sentido, o que se costuma fazer é classificar os países em função do número de medalhas de ouro conquistadas, cabendo eventuais desempates pelo número de medalhas de prata obtidas pelos países com o mesmo número de medalhas de ouro. Caso o empate persista, considera-se o maior número de medalhas de bronze conquistadas.

[3] Lista da ONU para o ano de 2014.

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