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O (quase) golpe

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Fernando Lopes - Iscas Politicrônicas -

Segundo o site do Tribunal Superior Eleitoral, o Projeto de Identificação Biométrica da Justiça Eleitoral tem por objetivo implantar em âmbito nacional a identificação e verificação biométrica da impressão digital para garantir que o eleitor seja único no cadastro eleitoral e que, ao se apresentar para o exercício do voto, seja o mesmo que se habilitou no alistamento eleitoral. O projeto piloto foi realizado em 2008. Tanto o cadastramento biométrico quanto o reconhecimento das digitais durante as eleições foram um sucesso. Nas eleições de 2016, estavam aptos a votar, 46.305.957 eleitores por meio da identificação biométrica (32,13% do eleitorado total de 144.088.912) em 1.541 municípios (27,67% do total, de 5.568). Nestas eleições, todos estão aptos.

Uma das razões centrais desse recadastramento eleitoral era sérias suspeitas de haver título demais pra gente de menos, títulos duplicados e mortos votando animadamente – entre outras barbaridades. Eis que o sistema foi implantado depois de mais de dois anos de milhares de alertas pela TV, rádio, internet, pombo-correio, sinal de fumaça, rádio peão, sermão de padre, fofoca de vizinha e tudo o mais que possa avisar um eleitor. O aviso era claro: Quem não se recadastrasse não votaria em 2018.

Finalizado o recadastramento com pleno sucesso em todo o País, a lulada “descobriu”, olha que maldade, que muitos pobres eleitores, ao não se recadastrarem, seriam impedidos de votar; sem pensar em nada a não ser na defesa desses humildes brasileiros, sem nenhum interesse, resolveu que os direitos dessas vítimas da tecnologia deviam ser protegidos a todo custo! Ah, como é lindo ver em ação esses paladinos da democracia!

O interessante é que a lulada só agitou a ideia depois de terminado o recadastramento, e não antes, como deveria ser. A manobra, suja como tudo o que vem dessa seita messiânica que remete aos piores tempos do stalinismo e do maoísmo, dá a certeza de que realmente os títulos anulados, da ordem de 3,3 milhões, eram realmente irregulares e serviam a interesses políticos escusos.

Como fazem em tudo que lhes desagrada, começaram a criar as mais loucas teorias conspiratórias, alegando que queriam impedir os mais pobres de votar, que isso marginalizaria milhões de eleitores, e que um número tão grande de títulos anulados poderia mudar os rumos de uma eleição. Era aí que morava o golpe: Metade dos títulos anulados era da região Nordeste, em bolsões de eleitores históricos do lulismo. Touché.

                        E como sempre, a lulada correu ao STF, seu tribunal particular até para definir a que horas Lula deve assistir TV na cadeia, para requerer, na maior cara de pau, a coisa mais cínica desde que Calígula nomeou seu cavalo cônsul: Que esses 3,3 milhões de títulos pudessem “valer” na eleição. A decisão no STF saiu quarta, 26, quando Ricardo Lewandowski, ministro que dispensa comentários, chegou a sugerir que esses “pobres excluídos” votassem nas antigas urnas de lona. Inacreditável. Marco Aurélio de Mello, cujos votos parecem sair de algum pesadelo de Salvador Dali, concordou, com aquela cara de quem continua dormindo. Pelamor. Porém, a maioria sã do STF venceu por 5 x 2 e os tais 3,3 milhões de potenciais robôs metafísicos do lulismo não poderão votar da quinta dimensão. O golpe lulista, um entre milhares, naufragou – e que os demais o sigam para o fundo do esgoto, mesmo lugar de onde saíram.

A única coisa realmente relevante a se discutir nessa eleição seria como evitar um novo desastre de 13 anos da pior administração possível da economia, resultando em 14 milhões de desempregados e 4 anos de recessão (tragédia inédita no Brasil), tudo recheado de escândalos como o petrolão, o maior assalto aos cofres públicos em toda a história humana; infelizmente, eleitores e candidatos, reais, fantoches ou os tais 3,3 milhões do além, preferem discutir machismo, feminismo, ditadura de 50 anos atrás, ideologia de gênero e outras bobagens sem a menor urgência ou relevo. Por isso o lulismo resiste como um câncer, sugando-nos, vivendo como o parasita que é. Estamos realmente na merda, independente do resultado da eleição.

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