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Luiz Alberto Machado - Iscas Econômicas -

O incrível avanço da economia compartilhada

 Possuir X Usar

 “Todas essas relações já existiam há milhares de anos e vêm acontecendo desde então, mas tudo era feito de maneira informal. Hoje, o que diferencia não é o modelo, mas a escala, pois a tecnologia facilitou o processo de colocar oferta e demanda em contato.”

Roberto Kanter

Com a aproximação do Dia do Economista – que é comemorado em 13 de agosto, data em que a profissão foi regulamentada em 1951 – e antes de minha tradicional Homenagem aos economistas, com a publicação de citações de economistas, achei por bem abordar um tema cuja importância vem crescendo exponencialmente no Brasil e no mundo, o da economia compartilhada.

Também chamada de economia colaborativa, embora alguns especialistas identifiquem pequenas diferenças, foi definida pelo Prof. Ricardo Abramovay como “a possibilidade da utilização de forma conjunta, seja simultaneamente ou ao longo do tempo, de recursos que até recentemente eram usados apenas individualmente”. Já para Ricardo Kanter, professor dos MBAs da FGV-RJ, “a economia compartilhada – que promove a prática da divisão de um produto ou serviço, sem que todos necessitem adquiri-lo de fato – é uma reinvenção da roda estimulada pela tecnologia”.

A rigor, a economia compartilhada implica numa mudança de paradigma – na concepção atribuída ao termo por Thomas Khun em A estrutura das revoluções científicas. Perde importância o “ter” e ganha importância o “usar”. Em outras palavras, mais do que a posse de um bem ou serviço, o que passa a ter mais importância é a possibilidade de usufruir dele, ou seja, desfrutá-lo, independentemente de ser o seu proprietário efetivo.

Embora tenha recebido um impulso extraordinário graças à internet e, em especial, à disseminação dos aplicativos, a prática é antiga e, de acordo com Samy Dana, professor de finanças e de criatividade da FGV-SP, “[A economia compartilhada] vem de centenas de anos, quando as cidades eram pequenas e seus moradores compartilhavam suas posses com os vizinhos”.

Eu mesmo posso mencionar dois exemplos de caráter pessoal, em que me beneficiei daquilo que hoje se entende por economia compartilhada.

Em 1974, defendendo as cores do Continental Parque Clube, fui ao Reino Unido, onde disputamos uma série de partidas de basquete em diversas cidades da Inglaterra e da Escócia. Em Edimburgo, ficamos alojados num estabelecimento – já amplamente utilizado na época – conhecido como B&B (bed and breakfast). Tais estabelecimentos eram casas de família, nas quais as próprias famílias proprietárias residiam, alocando os quartos e as demais dependências disponíveis para hóspedes temporários. Como se vê, trata-se de um ancestral do badalado Airbnb, considerada hoje a maior rede hoteleira do mundo, ainda que não seja proprietária de um único quarto sequer. Para efeito de comparação, o serviço de hospedagem Airbnb oferece 800 mil espaços em 190 países, sendo possível ficar até em barcos e casas na árvore. Por sua vez, a maior rede de hotéis do mundo, a Intercontinental, tem 693 mil quartos em 100 países.

Outra experiência que me permitiu bons momentos foi através do sistema de férias compartilhadas (time sharing). Seu maior expoente, a RCI, atingiu um número elevadíssimo de usuários muito antes dos aplicativos. Nesse sistema, o usuário adquire o direito de uso (ou titularidade de férias partilhadas) de uma semana (ou mais) por certo período de tempo (10, 15 ou 20 anos) em um empreendimento, podendo optar por por dois tipos: uma semana (ou mais) numa época fixa do ano, num empreendimento específico, que pode revisitar todos os anos na mesma época; ou uma semana flutuante – que lhe é atribuída todos os anos pelo “empreendimento onde é titular”. Esta pode não ser a mesma semana do ano de cada vez. Ao longo dos anos, ele pode utilizar a sua semana no “empreendimento onde é titular” ou pode trocá-lo pela semana de usuários em outros empreendimentos espalhados por todo o mundo. Para tanto, deposita sua semana num sistema coordenado pela RCI que estabelece as trocas com usuários de outros empreendimentos que também disponibilizam suas semanas no sistema. O que mudou nos últimos anos foi a rapidez e a eficiência dos intercâmbios, uma vez que os aplicativos tornaram muito mais fácil o estabelecimento da conexão entre ofertantes e demandantes.

Com o sistema de time sharing, pude intercambiar minha semana num empreendimento  de Recife com estadas em hotéis e resorts muito confortáveis em Orlando (várias vezes), Las Vegas, Cancun, Punta del Este, Isla Margarita, além de uma série de outros empreendimentos em território brasileiro. O grande argumento dos ofertadores desse sistema é a combinação de duas coisas: (i) a obrigação de tirar férias e de se programar com relativa antecedência; e (ii) a possibilidade de desfrutar de espaços confortáveis sem a necessidade de possuir casas de campo ou de praia com todos os inconvenientes e aborrecimentos inerentes. É claro que vários fatores devem ser levados em consideração na hora de optar entre o time sharing e uma casa na praia ou no campo e, obviamente, é preciso saber explorar as várias ofertas adicionais que o sistema oferece. No meu caso, creio ter aproveitado muito bem a filiação à RCI num período – recém-casado – em que eu não teria condições de ter as experiências que vivi.

A aplicabilidade da economia compartilhada é muito ampla, contemplando, segundo a especialista Rachel Botsman, três possíveis tipos de sistemas:

  1. Mercados de redistribuição: ocorre quando um item usado passa de um local onde ele não é mais necessário para onde ele é. Baseia-se no princípio do “reduza, re-use, recicle, repare e redistribua”.
  2. Lifestyles colaborativos: baseia-se no compartilhamento de recursos, tais como dinheiro, habilidades e tempo.
  3. Sistemas de produtos e serviços: ocorre quando o consumidor paga pelo benefício do produto e não pelo produto em si. Tem como base o princípio de que aquilo que precisamos não é um CD e sim a música que toca nele, o que precisamos é um buraco na parede e não uma furadeira, e se aplica a praticamente qualquer bem.

Alguns exemplos da economia compartilhada são hoje mundialmente consagrados, a exemplo do Uber, do Airbnb e da Netflix. Entre tantos outros exemplos de compartilhamento, gostaria de destacar as bicicletas disponíveis nos grandes centros urbanos, o aluguel de roupas de luxo para ocasiões especiais (e, mais recentemente, também de bolsas de grife), os escritórios coletivos e o aplicativo TruckPad (também chamado de Uber for Trucks), desenvolvido para melhorar a produtividade dos caminhoneiros por meio da eliminação dos serviços dos intermediários. O conceito tem se estendido também ao setor imobiliário, em que existem diversos lançamentos utilizando sistemas de compartilhamento (pay-per-use) para serviços de carro e bike compartilhados ou arrumação e manutenção básicas.

Para que se tenha uma ideia da expansão da economia compartilhada, a consultoria internacional PricewaterhouseCoopers, mais conhecida como PwC, estima que o setor movimentou 15 bilhões de dólares em 2015, e a projeção é de que movimentará US$ 335 bilhões em 2025.

Evidentemente, esse crescimento avassalador tem repercutido na economia e setores tradicionais que se sentem prejudicados têm apresentado diversas reclamações, muitas delas relacionadas a facilidades que conferem às empresas da economia compartilhada um tratamento diferenciado. Considerando, porém, que a tendência é muito forte e deverá se solidificar cada vez mais, apenas um bom processo de regulamentação poderá aparar arestas e permitir a convivência pacífica entre as atividades tradicionais e as decorrentes dos sistemas de compartilhamento.

Atenta aos acontecimentos, a ciência econômica procura oferecer fundamentos e dados para esta e outras novas formas de expressão da economia, tais como a economia criativa, a economia solidária, a economia comportamental, bem como a aplicação de seus conceitos e modelos a diversos segmentos, economia da educação, economia do crime, economia da saúde etc., numa clara demonstração do dinamismo que caracteriza este ramo do conhecimento.

Iscas para ir mais fundo no assunto

Referências e indicações bibliográficas

BECKER, Gary S. e BECKER, Guity N. The economics of life: from baseball to affirmative action to immigration. Chicago: McGraw-Hill Trade, 1998.

CHASE, Robin. A economia compartilhada. Tradução de Cristina Yamagami. São Paulo: HSM Editora, 2015.

GANSKY, Lisa. Mesh: Por que o futuro dos negócios é compartilhar. Rio de Janeiro: Alta Books, 2011.

KUHN, Thomas. A estrutura das revoluções científicas. Tradução de Beatriz Vianna Boeira e Nelson Boeira. São Paulo: Perspectiva, 1982.

POLONI, Júlio. Economia Compartilhada oferece novos horizontes. Revista Economistas, órgão oficial do Conselho Federal de Economia, ano VII, nº 20, junho de 2016, pp. 43-47.

Referências e indicações webgráficas

CARPANEZ, Juliana e FERREIRA, Lilian. Chegou a hora? Disponível em http://tab.uol.com.br/economia-compartilhada/.

LACERDA, Tiago. Os 3 Tipos de Economia Colaborativa e como Você Ganha com esse Estilo de Vida. Disponível em http://aprendainvestimentos.com/economia-colaborativa-nova-tendencia-mundial/.

MACHADO, Luiz Alberto. Grandes Economistas: Gary Becker e as diferentes aplicações de métodos econômicos. Disponível em http://www.cofecon.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=1080&Itemid=114.

PINELLI, Natasha. Economia compartilhada. Época Negócios, 16 de janeiro de 2017. Disponível em http://epocanegocios.globo.com/Caminhos-para-o-futuro/Desenvolvimento/noticia/2017/01/economia-compartilhada.html.

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