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O Brasil Tribal

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Filipe Aprigliano - Iscas do Apriga -

Estamos passando por um momento de grande incompreensão. Temos ânimos exacerbados por todos os lados e por uma série de fatores. Infelizmente, muito do que nos motiva, não é especialmente nobre. Apenas para exemplificar: medo, frustração, ódio, tristeza, desesperança, entre outras coisas de mesma ordem.

Por outro lado, também penso que estamos em um momento de tomada de consciência, individual e coletiva, que ainda vai demorar um pouco para tomar forma. Precisamos de um tempo para criar os modelos mentais para representar e identificar esse momento histórico singular. Somente a partir daí, seremos capazes de comunicar nossas descobertas como um legado inteligível e certamente útil.

A polarizarão embora clara, não dá conta de diluir a complexidade da situação. Não se trata de uma polarização ideológica simples, trata-se de um impulso tribal. Trate-se do sentimento mais básico de autopreservação. Trata-se de sentir o cheiro de sangue e buscar alianças onde houver. Não se trata de empatia entre iguais, é apenas um medo generalizado de porvir em meio a uma gravíssima crise econômica, política e moral.

Eu assisto dois movimentos principais, ambos proclamando injustiça e cegueira coletivas do bloco ao qual se opõe. Infelizmente, a verdade é constrangedora para todos, inclusive para mim. Temos aquele sentimento do como foi possível nos permitir uma cumplicidade tão profunda com o cinismo, com a criminalidade e com a imoralidade. Independente do veio ideológico, acredito que esse aspecto nos une, e talvez seja a hora de realmente nos unirmos em torno desse sentimento, o do constrangimento.

Eu sei que a maioria avassaladora de nós trabalha duro, busca construir relações baseadas em parâmetros de honestidade e justiça, mas ao mesmo tempo toleramos tudo que não presta e aprendemos a fazer isso em doses homeopáticas. Ao criticarmos alguém, procuramos fazê-lo de forma a evitar conflitos diretos, e nesse contexto, a internet se tornou a válvula de escape perfeita.

Tolerar a diferença não significa abrir mão de valores, significa apenas abrir mão do preconceito. O que não presta, não deve ser tolerado, em nós mesmos e em todo mundo.

Não importa o quanto gritemos, nada vai tirar aquela sensação de que o Lula já deveria ter caído desde o mensalão, e que as instituições falharam, e que o povo falhou ao se manter dividido e não cobrar pela verdade, que já era clara desde aquela época.

Acho que muitos petistas vão concordar veladamente comigo nesse ponto, que a Dilma é uma das pragas do Egito, enviada por Deus para nos castigar pela nossa hipocrisia. Eles só defendem essa fadinha cocô por uma questão prática, similar à quando defendemos um membro da família em público, mesmo sabendo que ele fez cagada.

Todo o inferno que vivemos hoje é fruto de uma grande cadeia de mentiras, que todos sabiam ser mentira, mas preferiram evitar o conflito direto, só porque a situação econômica e política ainda era tolerável. Agora estamos todos pagando o preço, Petralhas e Coxinhas afundando juntos num oceano de fezes.

Escuto pessoas falando de democracia, de que todos os políticos roubam, de que nem todos os problemas do Brasil são culpa do PT, que as gravações são ilegais, que não deveriam ser divulgadas… E DAÍ??????? ISSO NÃO TORNA OS MALDITOS LÍDERES DO PT INOCENTES!!!

E ainda tem a melhor de todas, a máxima do “Isso não é Republicano!!!” QUE DESGRAÇA SIGNIFICA ISSO??? Como assim não é republicano??? Desde quando a república é sinônimo de legalidade ou de moralidade? Todas a repúblicas foram instituídas por golpes, e até hoje os países com os menores índices de corrupção são monarquias.

Para mim o nome disso é apologia ao crime, em alguns casos velada e em outros casos totalmente escancarada. E estamos convivendo com mentiras escancaradas do governo há tanto tempo, que tudo isso já parece normal. Aparentemente dizer a verdade, mesmo seguindo todos os ritos da lei, se tornou anti-republicano.

Enfim, estamos vivendo no caos ideológico. Temos pessoas visivelmente conservadoras com discurso progressista, pessoas visivelmente coletivistas com discurso liberal e todos os sabores de incoerência, tudo isso regado a desemprego, violência, epidemias das mais variadas e hospitais totalmente abandonados.

Acho que já basta de posts vazios na internet, temos que começar de algum lugar. Eu estou tentando fazer a minha parte: eu me filiei ao Partido Novo, que eu acredito ser uma alternativa para as próximas décadas. Eu tento conversar com as pessoas evitando a escalada do ódio quando elas discordam de mim. Eu reduzi minha margem de lucro ao mínimo possível para evitar demitir pessoas à espera de tempos melhores, e eu estou ajudando todo mundo que eu posso, porque eu sei que os tempos estão muito difíceis para todos.

Além disso, quando eu vejo um funcionário público defendendo o PT com argumentos frágeis, ou qualquer outra pessoa que tenha um passado de militância de esquerda, mas que seja um trabalhador – uma pessoa de bem -, eu simplesmente tolero. Inclusive tenho alguns amigos muito queridos nessa triste condição.

Para entender melhor essa patologia, eu tenho um amigo escritor, Caco Porto, que utilizou a seguinte figura para explicar essa situação. Imagine uma pessoa que construiu toda a sua visão de mundo, de entendimento das engrenagens sociais sobre o alicerce do socialismo e da lógica da luta de classes, e agora está vendo sua casa ruir em frangalhos. É mais do que natural que ela tenha dificuldade de se adaptar e reorganizar seus pensamentos, ela ainda precisa vencer a fase da negação pós-traumática.

Agora, temos um outro tipo de gente, que são os militantes profissionais da esquerda, o que engloba CUT, MST, artistas e jornalistas financiados e mais uma infinidade de ONGs. Esses sempre viveram de disseminar o sentimento de vitimização e de ódio a coisas abstratas como: imperialistas, grandes capitalistas, burgueses e coxinhas.

Essas gangues profissionais do ódio tem como grandes nortes do discurso os senhores Paulo Freire, Darcy Ribeiro, Leonardo Boff, Augusto Boal e Marilena Chaui. Esses militantes que se dizem defensores dos oprimidos, nunca tiveram acesso a tanto dinheiro como no governo do PT. Agora estão agonizando sem entender o que ocorre, e fazendo a única coisa que sabem fazer, classificando os culpados e destilando ainda mais ódio.

Não vamos nos comportar como esses infelizes, vamos assumir a responsabilidade pelas nossas mazelas e deixar que eles minguem sem a mesada do estado num futuro próximo. As falcatruas do PT, assim como qualquer outra que tenha havido antes deles, só ocorreu porque as pessoas de bem não tomaram partido. Vamos aproveitar o momento e fazer a nossa parte, o momento é de crise, e se você quer ter razão, seja solidário com quem precisa e intolerante com tudo que não presta, seja qual for a cor da camisa.

Obrigado pelo seu tempo. Quem sabe nos falamos novamente?

 

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