Iscas Intelectuais
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Não, o mundo não vai acabar

Não, o mundo não vai acabar

Fernando Lopes - Iscas Politicrônicas -

                           Alerta aos navegantes: Este NÃO é um texto em defesa de Donald Trump. Portanto, pode guardar o tacape e tirar seu cavalinho apocalíptico-distópico da chuva.

                           Deu pra entender ou precisa desenhar? Ufa. Ótimo.

                           A paranoia parece ter atingido 2/3 do mundo depois da inesperada eleição de Trump. A coisa variou da cara de bobo dos analistas políticos e institutos de pesquisa, que “garantiam” a vitória da Marta Suplicy dos EUA, passou pela raivinha dos esquerdistas-artistas, atravessou a loucura dos lulistas (Dilma-Janete inovou: deu parabéns à perdedora) e desembocou na pura histeria dos paranoicos que preveem o fim do mundo para depois de amanhã, no máximo.

                           Não, o mundo não vai acabar. Da mesma forma que os mesmos “entendidos” previram a desgraça econômica da Grã-Bretanha depois de sua saída da zona do Euro, apelidada de Brexit, e erraram feio.

                           Para os mais desesperados, que começaram a estocar água e comida ou se refugiaram nas Igrejas à espera do Juízo Final, vai o conselho: Acalmem-se. Trump é doido, mentiroso, xenófobo, mas não o suficiente para tanto pavor.

                           Outra coisa: Os Estados Unidos não são uma república de bananas; lá, o judiciário não é uma corte de primas-donas que se acham deuses, vivendo numa torre de marfim longe do povinho fedorento. Nem o legislativo se considera uma casta nobiliárquica sem monarquia, e nem o presidente faz o que quer; não pode distribuir dinheiro a ditaduras estrangeiras e enriquecendo parasitas, nem pode quebrar estatais – que nem existem lá. Ah, e disparar um míssil termonuclear intercontinental não é tão fácil quanto acionar o interruptor de luz.

                           Nos EUA não existe essa demência chamada Medida Provisória, nem o presidente pode declarar guerra como quem pede um Chicabon na padaria. Lá, o Congresso vigia cada passo do eleito, e seu partido obriga-o a seguir a plataforma geral. Ou seja, o mandatário supremo pode dirigir políticas de governo e de estado, bem como suas tendências, mas nada de radical acontece. E ninguém reclama de herança maldita do antecessor, nem entrega terra arrasada ou dívidas impagáveis ao sucessor. Simplificando: Democracia sólida, adulta, madura, na qual a centro-esquerda convive com a centro-direita numa alternância benéfica, numa senóide eficaz, muito além de picuinhas interesseiras ou ideológicas. Enfim, o oposto daqui.

                           Da mesma forma, não haverá 3ª guerra mundial, como vaticinam (aliás, contra quem seria essa guerra, se todas as potências nucleares são aliadas e os russos e chineses são simpáticos ao novo governo?). Também não há “promessas” de Trump sobre “extermínio” e “matanças” ou “um novo apartheid”, mesmo que muitos analistas de botequim “garantam” que ele disse isso. Não disse.

                           Trump é meio pancada? Sim. Mentiu e exagerou para cativar eleitores e vencer? Sim. Hillary seria muito melhor que ele? Não. A única coisa que Trump tem de explicar é aquele seu penteado indecente. De resto, nada vai mudar ao ponto de hecatombe. Sosseguem.

                           O magnata nova-iorquino se fez de mais doido do que é, num populismo barato de direita – e deu certo. Prometeu coisas inexequíveis, como o tal muro entre seu país e o México, vetar a entrada de muçulmanos, ou a expulsão de todos os imigrantes ilegais. Nada disso vai acontecer, por impossível, e seu discurso de presidente eleito já sinalizou nesse sentido. Ele próprio tratou de baixar a pressão eleitoreira.

                           O que há é choro ideológico, e paranóicos devidamente alimentados por uma imprensa que não noticia, torce. Muitos repórteres, mesmo daqui, não se mostravam apenas surpresos com o resultado da votação; sua irritação era visível. Repórter não tem de torcer, tem de informar. Ponto.

                           E outra: Com ou sem torcida, ninguém aqui votou em nenhum dos dois candidatos. Estamos todos no mesmo barco; meio naufragado, alguns ratos ainda fora da gaiola… mas no mesmo barco. Portanto, torcer ou se desesperar é tão ridículo quanto inútil.

                           De resto, tirando a apreensão (compreensível) de alguns governos europeus, a nota ridícula ficou por conta dos castristas-bolivarianos: Os idiotas corruptos (Maduro, Morales, Ortega e demais dementes), Raul Castro à frente, previram a hecatombe, a desgraça final, e vaticinaram a destruição do povo mexicano, a fome, a guerra e a peste.

                           Engraçado… Essa turma, incluindo Lula, que alardeia o impossível, impraticável, inexequível “muro mexicano” como uma tragédia mundial, uivou de ódio quando o Muro de Berlim caiu. E nunca comentam o muro cubano, que impede todo um povo prisioneiro de ir onde desejar. Qual muro? Aquele, que sempre esteve lá; a diferença é que não é feito de pedra, nem precisou ser erigido – é feito de muita água salgada e tubarões famintos.

                           O mais ridículo é que tais narizes-marrons, que adoram os Castro como deuses do inferno, admitem que seu maior desespero é que Trump freie a abertura com Cuba que, pobre e desesperada, mendiga dólares a quem sempre tachou de pior inimigo. Idem para a falida Venezuela que vende petróleo aos EUA e cospe no prato que come.

                           Enfim: Trump é uma incógnita, e seu currículo não é nada bom; mas tragédia mesmo… só seu penteado. O resto é exagero. O homem do saco não existe. Ao menos não nesse nível mundial – em Curitiba tem uns presos.

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