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Alessandro Loiola -
Os defensores do capitalismo que utilizam esta linha de argumentação afirmam que, ao dispersar o controle da economia entre vários detentores de capital, o poder seria igualmente dispersado. Eles parecem esquecer que a concentração de capital também resulta na concentração de poder por meio da concentração de riqueza, que pode então se reverter em influência política, fechando um circuito defeituoso.
Aqueles que criticam a dispersão de poder do capitalismo estão enraivecidos por acreditarem que o capitalismo, congenitamente acéfalo, promove “valores sem valor”: futebol ao invés de ópera, cerveja ao invés de vinho e pornografia ao invés de arte, por exemplo. Mas não foi o capitalismo que conferiu valor a estas atividades: foi a preferência do consumidor. É ingênuo acusar o livre mercado das prioridades que os compradores estabelecem – seria como culpar os garçons nos restaurantes pelos mais de 50 milhões de obesos em nosso país.
Os pensadores de esquerda, em seus delírios coletivistas, adoram denunciar os bolsões de pobreza dentro do capitalismo como uma evidência da falha do sistema. Eles acreditam que, ao menor sinal de miséria ou dissabor, o Estado deveria intervir firmemente na economia. Para estas mentes desvairadas, o sistema ideal – regulador, centralizado e paternalista -, tem a obrigação de eliminar o risco de falências, abolir os insucessos, suprimir as desigualdades econômicas e extinguir todo sofrimento da face da Terra. Segundo esta concepção, modelo político-econômico algum jamais será bom o suficiente, o que coloca os coletivistas em uma bolha de raciocínio tão megalomaníaco quanto desconectado de qualquer noção de realidade.
Nascer em circunstâncias desafortunadas não impede uma pessoa de alcançar sucesso. Em uma matriz autêntica de livre comércio, sem um Grande Irmão concentrador de todo o poder, o principal impedimento de ascensão, descontadas incapacitações físicas ou mentais, é a falta de motivação do indivíduo – uma índole cuja responsabilidade não cabe ao capitalismo.
Perverter a natureza descentralizada do capitalismo para articular uma equidade de riquezas através de impostos e redistribuição de renda significa corromper o arranjo de recompensas no qual ele se baseia, nivelando a todos ao nível da miséria compartilhada. Se entregarmos uma ascendência exagerada aos sindicados e às autarquias, sufocaremos o espírito empreendedor, frustraremos as margens de lucros e, novamente, nivelaremos a todos pelo nível da miséria compartilhada. A dispersão de poder é crucial para a vitalidade do sistema capitalista.
Não é função do capitalismo amalgamar em si a cura de todos os problemas sociais – nenhum sistema econômico ou político é capaz de assumir honestamente tal missão -, mas ele certamente proporciona um cenário democrático favorável para o avanço da Moral, da justiça e da prosperidade.

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