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Moralidade e Capitalismo 3: A Dignidade

Moralidade e Capitalismo 3: A Dignidade

Alessandro Loiola -

Com base nas evidências acumuladas até aqui – e especialmente após o colapso do comunismo soviético -, é impossível negar que o capitalismo seja o sistema econômico mais eficiente e produtivo de todos. Na mesma medida, também é complicado afirmar ele seja absolutamente Bom e Correto do ponto de vista Moral.

Após séculos de quilometragem, o sistema não demonstrou um respeito indubitável aos vínculos com e entre pessoas competentes e trabalhadoras: o sucesso e as recompensas podem abençoar a esperteza daqueles que aproveitam pequenas falhas na estrutura e lançam mão de suas conexões políticas. Como liberdade de mercado nem sempre tem a ver com meritocracia por produtividade ou pela raridade do seu bem ou serviço em um contexto de livre comércio – e pode muito bem valer-se lucrativamente da corrupção e do tráfico de influências -, que dignidade peculiar habita no capitalismo?

Com os pés fincados neste temor, um número considerável de pessoas defende uma “economia mista” ou uma “economia democrática” por considerar o capitalismo inerentemente indigno. Não podemos simplesmente culpá-las de ignorância: boa parte dessa desconfiança decorre das defesas que antigos capitalistas fizeram do sistema, louvando o lucro como um novo deus.

A característica mais importante do capitalismotalvez não seja sua eficiência econômica ou seu dramático sucesso em produzir riquezas, mas o fato dele ser consistente com um princípio Moral fundamental da própria vida: o respeito à dignidade de cada pessoa, seus direitos,seus valores individuais e suas responsabilidades.

As culturas agrícolas pré-industriais em geral apresentavam valores tradicionais relacionados à sobrevivência de curto e médio prazo: a vida no campo é dura e imprevisível, então você deve cumprir com suas obrigações, contar com a ajuda de sua família e orar pela proteção de deus. Contudo, à medida que a industrialização avançou e as pessoas saíram do campo e entraram nas fábricas, as posses aumentaram e os juízos mudaram. Quando o dinheiro passou a fazer parte da rotina, as convicções religiosas perderam espaço para valores mais práticos – as pessoas passaram a desejar mais dinheiro não apenas por garantia, mas pelo prestígio social que ele é capaz de comprar. É neste estágio que o capitalismo assume um espectro imoral, especialmente entre artistas e intelectuais. Ele parece explorar os trabalhadores, que por sua vez perseguem cegamente bens de consumo, fechando o ciclo de sua própria agiotagem.

Não obstante, se tivermos paciência para aguardar algumas poucas gerações, chegaremos ao próximo degrau: a transição da sociedade de trabalho de manufatura para uma sociedade mais focada na prestação de serviços que exigem habilidades diferentes daquelas do chão da fábrica.

Com a fartura e o aumento dos mecanismos de proteção da autodeterminação, com a redução da incidência de doenças evitáveis, da fome desnecessária, da vulnerabilidade às forças da natureza e da brutalidade política, o crescimento da segurança produz um efeito em cascata, modificando os valores pessoais com priorização da liberdade sobre a sujeição, da autonomia sobre a autoridade, da diversidade sobre a uniformidade, e da criatividade acima da disciplina.

Como consequência, a geração que crescer com esta mente aberta terá mais apreço pelos direitos das mulheres, dos gays, dos animais, de seus semelhantes e do meio ambiente como um todo. Em comparação aos seus pais, terão expectativas bem mais construtivas e conscienciosas com relação à vida – e tudo terá começado com uma semente de dignidade chamada capitalismo e seus campos férteis de plantio: o livre mercado.

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