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Alessandro Loiola -

Em essência, o capitalismo é indiferente quanto a raça, classe, cor, religião, sexo, nacionalidade, credo, bom ou mau. É impessoal e não-humano como um programa de computador. E tem suas neuroses conflitantes, como a escolha entre “liberdade com dispersão de poder versus efetividade com concentração das tomadas de decisões”.

Defender o capitalismo como sendo o sistema o menos ruim é bem diferente de defender o melhor possível. A utopia do melhor possível seria um capitalismo inteligentemente modulado para garantir recompensas aos empreendedores e aos gestores responsáveis, ao mesmo tempo em que desencoraja e pune predadores e oportunistas de índole duvidosa.

Para que o capitalismo funcione mais ou menos assim, as regras pelas quais os negócios operam devem refletir pragmaticamente os interesses de progresso da sociedade como um todo, e não apenas aqueles do mundo corporativo e da Seita do Lucro Acima de Tudo: as cercas Morais que delimitam o bom capitalismo devem ser pintadas com algumas cores Consequencialistas e Utilitaristas, incluindo medidas capazes de punir a trapaça, a desonestidade e o roubo – mas jamais intransigentes ao ponto de sufocar o livre mercado.

Entre ataques e defesas, quase todos os esforços para conferir ao capitalismo um véu de Moralidade esbarram nas mesmas dificuldades: quanto mais tentamos lhe impor Moralidades, menos eficiente o capitalismo se torna. Quanto mais as aliviamos, mas belicoso ele se manifesta. Desfazer o nó deste dilema não é tarefa fácil, mas declará-lo insolúvel é um derrotismo inútil.

O aumento da riqueza é essencial para o bem estar das sociedades, mas é óbvio que apenas isto não é suficiente para produzir felicidade. Somos tanto criaturas de espíritos quanto somos criaturas de carnes, incapazes de atingir um estado de Eudaimonia sem descobrir um propósito Moral engrandecedor para nossas vidas – ainda que ele seja vago e imperfeito. Neste sentido, o capitalismo per se não basta.

A saída deste labirinto passa pelo aperfeiçoamento de uma economia emoldurada por sólidos fundamentos Morais onde todos – absolutamente todos – são iguais perante a lei, a despeito de casta, raça, cor, sexo, tribo ou prestígio. A igualdade de riquezas é uma fantasia utópica que usualmente conduz à tirania, mas a igualdade diante da lei é um desígnio razoável e reforça o poder natural do capitalismo, colocando-o em um contexto de justiça.

Outra maneira de tornar o capitalismo Moralmente benéfico e aceitável consiste em defender – com o devido bom senso – a igualdade de oportunidades. Um dos grandes milagres da humanidade é a incrível diversidade de talentos que podem ser colocados a serviço da sociedade, e o mercado deveria ter como objetivo-mor identificar e recompensar estes talentos.

Infelizmente, as soluções alternativas para o capitalismo experimentadas até hoje foram todas coletivistas, e não surpreende que tenham causado desgraças aos montes, cada uma ao seu modo. O remédio para o capitalismo está dentro do próprio capitalismo, devendo ser dosado de acordo com a realidade e os recursos humanos de cada nação.

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