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Mais uma década perdida no Brasil

Mais uma década perdida no Brasil

Luiz Alberto Machado - Iscas Econômicas -

Mais uma década perdida no Brasil[1]

Considerações iniciais

Este novo artigo tem como objetivo principal tratar da economia brasileira, analisando o PIB per capita e o PIB ao longo de duas décadas distintas. O PIB per capita e o PIB brasileiro cresceram bem menos do que os de outras economias emergentes do grupo BRICS nos últimos 38 anos.

No período de 1979 a 2017 o Brasil sofreu muito com anos de elevada dívida externa, de alta taxa de inflação, de economia fechada ao comércio exterior e de forte intervenção do Estado na economia. As dificuldades econômicas foram muitas no final de 1979, quando o preço do barril de petróleo subiu de US$ 13 para US$ 34, na chamada segunda crise do petróleo.

Os problemas econômicos são graves nos dias atuais, o desalento gerou 4,8 milhões de desempregados sem vontade de procurar um emprego no País. Considerando que no ano de 2018 a expectativa do mercado é de um crescimento de 1,49% , o Brasil precisaria crescer num ritmo bem superior no próximo ano, em 2019, para tentar evitar mais uma década perdida a partir de 2020.

O PIB per capita brasileiro cresceu pouco entre 1979 e 1989. Posteriormente, o PIB per capita nacional cresceu muito pouco entre 2010 e 2017. O PIB per capita é um indicador fundamental de crescimento econômico. Segundo o economista Mansueto de Almeida, secretário do Tesouro Nacional, “a exemplo dos anos 1980, o Brasil vive mais uma década perdida em virtude de erros cometidos por governos passados”.

Em termos econômicos, a década de 2010 será mais desastrosa se comparada com a década de 1980, que se tornou conhecida em toda a América Latina como “década perdida”, como se pode ver na Tabela 1, reproduzida do livro Qual democracia?, de Francisco Weffort (1992, p. 67).

Tabela 1. A Década Perdida 1981–1989
Crescimento do PIB por Habitante – (em %)

América Latina* (8,3) Chile 9,6
Bolívia (26,6) Haiti (18,6)
Equador (1,1) Honduras (12,0)
México (9,2) Nicarágua (33,1)
Peru (24,7) Panamá (17,2)
Venezuela (24,9) Paraguai 0,0
Argentina (23,5) Rep. Dominicana 2,0
Brasil (0,4) Uruguai (7,2)
Colômbia 13,9 Guatemala (18,2)
Costa Rica (6,1) El Salvador (17,4)

Fonte: CEPAL.
(*) O índice geral, elaborado pela CEPAL, inclui todos os países latino-americanos,
não apenas os aqui listados. Não considera os dados de Cuba porque o conceito
de produto social é diferente dos demais.

Na década perdida de 1980 convivermos com a hiperinflação. Na década perdida de 2010 a corrupção prejudica a competitividade e a produtividade das empresas brasileiras e destrói o acesso de qualidade aos serviços públicos pelas famílias nos 5.570 municípios.

O Brasil precisa resolver urgentemente diversos graves problemas, entre os quais destacamos cinco: 1) 13,0 milhões de desempregados; 2) 93 tributos; 3) 5,133 trilhões de reais em dívida pública bruta; 4) 63,3 milhões de consumidores inadimplentes; e 5) 63.880 homicídios por ano.

Entre as mazelas brasileiras a maior delas é a desigualdade social. Infelizmente, não podemos esperar que uma mazela social que já perdura por 518 anos seja resolvida em apenas dois anos.

As soluções verídicas e práticas para diversos problemas nacionais requerem grandes investimentos em educação de qualidade a longo prazo. Nos dias de hoje, necessitamos a curto prazo de urgentes reformas estruturais que possam evitar que o País siga rumo a uma nova década perdida a partir de 2020.

Década Perdida: anos de 2010

Precisamos analisar a queda do PIB e do PIB per capita que afetam a qualidade de vida da população brasileira, revelada no IDH de 0,759 (PNUD, 2015) e no Índice de Gini de 51,3 (Banco Mundial, 2015). O PIB é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos numa determinada região, durante um período determinado. E o PIB per capita é a divisão de todos os bens e serviços produzidos no país pela quantidade de habitantes. É muito interessante analisar os dados estatísticos e históricos do Brasil através de tabelas, gráficos ou quadros.

No Quadro 1, observamos claramente a taxa de crescimento do PIB per capita brasileiro entre 2010 e 2017, a taxa média neste período, as projeções para 2018 e 2019 dos autores, e a taxa média projetada para a década de 2010.

Quadro 1. Taxa de Crescimento do PIB per capita brasileiro – 2010-2019
2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 Média 2018p 2019p Médiap
6,5% 3,0% 1,0% 2,1% -0,4% -4,3% -4,2% 0,2% 0,6% 1,0% 2,0% 0,7%
Fonte: IBGE.

Nota: p significa projeções dos autores.

Analisando os dados estatísticos do IBGE, constatamos que a taxa de crescimento do PIB per capita, ou seja, o PIB dividido pela população total no país, foi muito baixa na década de 2010. A taxa média de crescimento do PIB per capita foi de apenas 0,6% ao ano entre 2010 e 2017. As nossas projeções são de aumento de 1,0% em 2018 e de 2,0% em 2019, respectivamente. A taxa média projetada de crescimento do PIB per capita brasileiro será de 0,7% ao ano na década de 2010.

A retração econômica provocou a queda do PIB per capita no Brasil no triênio 2014-2015-2016. As quedas consecutivas foram de 0,4% em 2014, de 4,3% em 2015 e de 4,2% em 2016. A retração acumulada foi de 8,9% entre 2014 e 2016.

Esta queda acentuada do PIB per capita revela uma trajetória de empobrecimento geral do Brasil. Com a pujança de recursos naturais de um país continental é muito preocupante a constatação de mais uma década perdida.

No Quadro 2, observamos nitidamente a taxa de crescimento do PIB brasileiro entre 2010 e 2017, a taxa média neste período, as projeções para 2018 e 2019 do FMI, e a taxa média projetada para a década de 2010.

Quadro 2. Taxa de Crescimento do PIB brasileiro – 2010-2019
2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 Média 2018p 2019p Médiap
7,5% 4,0% 1,9% 3,0% 0,5% -3,5% -3,5% 1,0% 1,4% 1,8% 2,5% 1,5%
Fonte: FMI, World Economic Outlook (Julho/2018).

Nota: p significa projeções do FMI.

Ao analisar os dados estatísticos do FMI sobre o Brasil, constatamos que a economia brasileira cresceu 7,5% em 2010, um ano de prosperidade econômica. Depois desacelerou por dois anos consecutivos, 2011 (4,0%) e 2012 (1,9%). Em seguida, no ano de 2013, a economia acelerou alcançando uma taxa de crescimento econômico de 3,0%. Posteriormente, ocorreu uma semiestagnação de 0,5% no ano de 2014. Em seguida, a pior recessão econômica da história, com quedas consecutivas de 3,5% ao ano no biênio 2015-2016. No ano de 2017 a economia brasileira cresceu 1,0% e conseguiu a sua recuperação econômica, graças à queda na taxa SELIC e na taxa de inflação, à safra recorde de grãos e à liberação das contas inativas do FGTS.

A projeção do FMI para o crescimento do Brasil é de 1,8% em 2018 e 2,5% em 2019. Entre 2010 e 2017, a taxa média de crescimento do PIB brasileiro foi de apenas 1,4% ao ano. A taxa média projetada de crescimento do PIB será de 1,5% ao ano entre 2010 e 2019. É a confirmação de mais uma década perdida no Brasil, com crescimento aquém do potencial da nossa economia.

Década Perdida: anos de 1980

Como já apontado anteriormente, em razão da prolongada estagnação, os anos 1980 ficaram conhecidos como “década perdida”. No Quadro 3, podemos observar nitidamente que a taxa média de crescimento do PIB brasileiro entre 1979 e 1989 foi de 3,3% ao ano.

Quadro 3. Taxa de Crescimento do PIB brasileiro – 1979-1989
1979 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 Média
6,8% 9,2% -4,3% 0,8% -2,9% 5,4% 7,8 7,5% 3,5% -0,1% 3,2% 3,3%
Fonte: IBGE.

O Brasil sofreu com a segunda crise do petróleo em 1979 e a hiperinflação em 1989. No governo João Figueiredo, entre 1979 e 1984, a taxa média de crescimento do PIB brasileiro foi de 2,5% ao ano. Enquanto no governo José Sarney, entre 1985 e 1989, a taxa média de crescimento econômico foi de 4,4% ao ano, segundo dados do IBGE.

Na década de 1980, o Brasil apresentou crescimento econômico negativo em três anos: 4,3% em 1981; 2,9% em 1983; e 0,1% em 1988. Foram, portanto, anos de recessão econômica.

A dívida externa brasileira cresceu de US$ 55,8 bilhões em 1979 para US$ 102,1 bilhões em 1984, ou seja, um crescimento absoluto de US$ 46,3 bilhões e um crescimento relativo de 82,97%. Na década perdida dos anos 1980 ocorreu uma forte redução do fluxo de capitais externos para o desenvolvimento do País.

No quinquênio seguinte, a dívida externa brasileira cresceu de US$ 105,1 bilhões em 1985 para US$ 115,5 bilhões em 1989, ou seja, um aumento absoluto de US$ 10,4 bilhões e um aumento relativo de 9,89%. Paralelamente ao crescimento acelerado da dívida externa, ocorreu, na década perdida dos anos 1980, uma disparada na taxa de inflação no País. A taxa de inflação cresceu de 77,2% em 1979 para 223,8% em 1984 e, em seguida, alcançou os 1.782,8% em 1989, medida pelo IGP-DI da FGV.

Quadro 4. Taxa de Crescimento do PIB per capita brasileiro – 1979-1989
1979 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 Média
4,4% 6,8% -6,3% -1,3% -4,5% 3,2% 5,6% 5,4% 1,6% -1,9% 1,4% 1,5%
Fonte: IBGE.

Observando atentamente o Quadro 4, visualizamos que o PIB per capita brasileiro recuou em quatro anos durante a década perdida dos anos 1980: -6,3% em 1981; -1,3% em 1982; -4,5% em 1983; e -1,9% em 1988.

Estas quedas do PIB per capita brasileiro nos anos 1980 podem ser analisadas pelo âmbito da queda da produtividade do trabalho. No século XVIII, o economista escocês Adam Smith (1723-1790), o pai da economia moderna, já entendia o papel da produtividade na geração da riqueza das nações. Já no século XXI, o Prêmio Nobel de Economia de 2008, o economista americano Paul Krugman enfatizou: “A produtividade não é tudo, mas no longo prazo é quase tudo. Aumentos nos padrões de vida de um país dependem dos aumentos de quanto um trabalhador produz por hora”.

Para aumentar a produtividade do trabalho é necessário muito investimento em educação de qualidade, capacitação e treinamento profissionais.

Segundo o economista Paulo Sandroni (2008, p. 687) em seu best-seller Dicionário de economia do século XXI, a produtividade significa,

Resultado da divisão da produção física numa unidade de tempo (hora, dia, ano) por um dos fatores empregados na produção (trabalho, terra, capital). Em termos globais, a produtividade se expressa a utilização eficiente dos recursos produtivos, tendo em vista alcançar a máxima produção na menor unidade de tempo e com os menores custos.

Principais indicadores da economia brasileira

Com os impactos da crise de 2008, o governo Lula tomou medidas de uma política fiscal expansionista, a fim de não deixar a economia brasileira recuar como em 2009 (-0,1%), reduzindo as alíquotas do IPI de bens de consumo duráveis como carros, fogões, geladeiras e máquinas de lavar roupas, que resultou no crescimento econômico de 7,5% em 2010.

No século XX, o economista inglês John Maynard Keynes (1883-1946) enfatizou que o consumo das famílias é de longe mais importante do que os investimentos das empresas privadas, os gastos do governo e as exportações para o crescimento econômico de um país capitalista.

Nós, os economistas, sabemos que o crescimento econômico puxado pelo consumo das famílias não é um crescimento muito consistente. O ideal é um crescimento econômico alavancado pelos investimentos das empresas privadas. O elevado desemprego chegou ao seu ápice em março de 2017 com mais de 14 milhões de desempregados, sendo fruto da política fiscal contracionista do governo federal nas gestões Dilma e Temer.

Podemos analisar os principais indicadores da economia brasileira pelo Gráfico 1 que mostra a evolução do PIB e do PIB per capita do Brasil a partir do ano 2000 até o ano de 2017.

Gráfico 1. Evolução do PIB e do PIB per capita no Brasil – 2000-2017

PIB-per-capita_graf

Fonte: IBGE.

De 2000 a 2017 observamos no Brasil o fenômeno da desaceleração econômica e da recessão econômica com a trajetória de queda do PIB per capita nos anos de 2003 (-0,2%), 2009 (-1,2%), 2014 (-0,4%), 2015 (-4,3%) e 2016 (-4,2%).

Entre 2000 a 2017, observamos também o fenômeno da recessão econômica em três anos na trajetória de retração do PIB brasileiro: 2009 (-0,1%), 2015 (-3,5%) e 2016 (-3,5%).

Ressaltamos que o Brasil não chegou à pior fase cíclica da economia, a depressão. Não ocorreu por três anos consecutivos o declínio do PIB brasileiro entre 2000 e 2017. A depressão econômica é causada pelo desemprego elevado durante muito tempo, que gera sofrimento financeiro e psicológico ao trabalhador, e pela recessão profunda e duradoura, que quebra financeiramente as empresas e os bancos do País. De novo, o Brasil não conheceu a depressão em 2017 por causa do crescimento do setor agropecuário, após duas quedas consecutivas do PIB no biênio 2015-2016.

É fundamental aumentar o nível de confiança dos consumidores, dos empresários e dos investidores, além de acelerar a expansão do crédito a pessoas físicas e jurídicas para que os agentes econômicos realizem negócios, projetos e parcerias para promover a melhor fase da economia, a prosperidade econômica.

É muito importante analisar os principais indicadores do País na década de 2010 para entender que estamos vivendo mais uma década perdida. Entre os principais indicadores destacamos o PIB, a população e o PIB per capita.

Quadro 5. A Evolução do PIB, População e PIB per capita no Brasil – 2010-2017
Ano PIB

(em R$ milhões)

População

(em milhões de hab.)

PIB per capita

(em R$)

2010 3.885.847 190,7 19.564,80
2011 4.376.382 192,3 21.825,43
2012 4.814.760 193,9 23.788,15
2013 5.331.619 201,0 26.102,20
2014 5.778.952 202,7 28.042,56
2015 6.000.572 204,4 28.870,07
2016 6.266.895 206,0 30.179,67
2017 6.558.194 207,6 31.587,00

Fonte: IBGE.

No Quadro 5, observamos o aumento do PIB, da população e do PIB per capita do Brasil no período de 2010 a 2017. O PIB cresceu de R$ 3,8 trilhões em 2010 para R$ 6,5 trilhões em 2017, ou seja, um crescimento absoluto de R$ 2,7 trilhões e um crescimento relativo de 71,5% nos últimos 8 anos.

A população aumentou de 190,7 milhões de habitantes em 2010 para 207,6 milhões de habitantes em 2017, ou seja, um crescimento absoluto de 16,9 milhões de habitantes e um crescimento relativo de 8,86% nos últimos 8 anos. Já o PIB per capita brasileiro cresceu de R$ 19.564,80 em 2010 para R$ 31.587,00 em 2017, ou seja, um aumento absoluto de R$ 12.022,20 e um aumento relativo de 61,45%.

Vale registrar que no período compreendido entre 1979 e 1994 o Brasil teve seis moedas, como se pode observar no Quadro 6.

Quadro 6. Histórico de alterações da moeda no Brasil – 1970-2018
Moeda Símbolo Período Governo
Cruzeiro Cr$ 15/05/1970 a 27/02/1986 Médici/Geisel/Figueiredo
Cruzado Cz$ 28/02/1986 a 15/01/1989 Sarney
Cruzado Novo NCz$ 16/01/1989 a 15/03/1990 Sarney
Cruzeiro Cr$ 16/03/1990 a 31/07/1993 Collor/Itamar
Cruzeiro Real CR$ 01/08/1993 a 30/06/1994 Itamar
Real R$ 01/07/1994 até hoje

 

Itamar/FHC/Lula/Dilma/Temer

Fonte: BCB – Elaboração dos autores.

Foi uma fase marcada por um perverso tripé que combinava estagnação prolongada, elevada inflação e pressão das dívidas – ora pesava mais a externa, ora a interna. Tal instabilidade explica a frequente substituição dos ministros responsáveis pelo planejamento da nossa economia: entre 1979 e 1985, o ministro do Planejamento foi o economista Antônio Delfim Netto; de 1985 a 1989, foram três ministros do Planejamento, os economistas João Sayad e João Batista de Abreu e o político Aníbal Teixeira de Souza. Registre-se ainda que nos últimos 38 anos o Brasil implantou oito planos econômicos, a maior parte deles na segunda metade da década de 1980, período chamado por alguns analistas de “quinquênio dos pacotes”: III PND (1980), Plano Cruzado (1986), Plano Cruzado II (1986), Plano Bresser (1987), Plano Verão (1989), Plano Collor (1990), Plano Collor II (1991) e Plano Real (1994).

Economia brasileira na atualidade

Dados recentes revelam – simultânea e paradoxalmente – boas e péssimas notícias na economia brasileira. Entre as boas notícias, destacamos que o governo federal liberou os saques do PIS/PASEP para pessoas que trabalharam com carteira assinada entre 1971 e antes da promulgação da Constituição Federal de 1988, em todas as idades, no valor total de R$ 34,6 bilhões até 28 de setembro de 2018. Entre as péssimas notícias, enfatizamos que a recessão econômica poderá voltar em 2018. Recentemente, o BCB divulgou que o PIB brasileiro ficou semiestagnado no primeiro trimestre de 2018 com crescimento de 0,20%. Mas, o PIB nacional retraiu 0,99% no segundo trimestre de 2018. Se no terceiro trimestre de 2018 o PIB cair de novo, teremos uma recessão técnica, ou seja, dois trimestres seguidos de queda do PIB.

Na atualidade, no ranking mundial do PIB, o Brasil, um país de dimensões continentais, encontra-se em oitavo lugar, com US$ 2,141 trilhão. Perdemos o posto de sétima economia do mundo para a Índia já em 2015. Já no ranking global do PIB per capita, o Brasil, um dos dez países mais populosos do planeta, apresenta-se na 62ª colocação, com US$ 10.309.

A lenta recuperação da economia brasileira pode se transformar no terceiro trimestre de 2018 numa nova recessão econômica. Mais recessão, mais desemprego. O desemprego alcançou no segundo trimestre de 2018 o número de 13,0 milhões de pessoas, sendo 4,1 milhões de jovens entre 18 e 24 anos de idade, conforme os dados da PNAD Contínua do IBGE. É muito preocupante o elevado desemprego no País e chama muita atenção, a faixa etária dos desempregados nas cinco regiões: 1) entre 25 a 39 anos com 34,6%; 2) entre 18 a 24 anos com 32,0%; 3) entre 40 a 59 anos com 22,7%; 4) entre 14 a 17 anos com 8,1%; e 5) 60 anos ou mais com 2,6% do total.

Considerações finais

O Brasil tem 7.367 km de costa marítima, mas não explora o seu grande potencial na pesca, além de dispor de 12.000 rios em doze bacias hidrográficas para atividades de aquicultura. Precisamos de mais investimentos públicos e privados no setor da pesca e aquicultura para criação de novas empresas e de empregos formais. As faculdades e as universidades, públicas e privadas, instaladas em cidades litorâneas e portuárias têm excelentes condições de incentivar os seus estudantes a estudarem mais, a fim de compreender por que o País parou de crescer em ritmo satisfatório, com pouco progresso tecnológico, muita burocracia e praticamente sem qualquer planejamento. Dessa forma, ficarão mais conscientes das boas perspectivas identificadas pelo banco holandês Rabobank, o maior banco do setor de alimentos e de agronegócio do mundo, para o qual o Brasil tem tudo para se transformar na nova superpotência mundial na aquicultura até 2020.

Em 2000, um dos mais renomados gurus da Administração moderna, o professor austríaco e consultor naturalizado norte-americano Peter Drucker (1909-2005) enfatizou: “Aquaculture, not the Internet, represents the most promising investment opportunity of the 21st Century” . A aquicultura poderá ser uma das mais importantes indústrias das próximas décadas, certamente a mais revolucionária, a mais lucrativa do século XXI. Portanto, o Brasil poderá ser o maior produtor e exportador de pescado do mundo no século XXI, porque tem 42 mil quilômetros de rios potencialmente navegáveis e a demanda de alimentos saudáveis dos atuais 7,6 bilhões de habitantes (ONU) e dos futuros 8,6 bilhões de pessoas em 2030 (ONU), ou seja, um aumento de um bilhão de pessoas nos próximos 12 anos.

Ressaltamos que o Brasil com mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados é o segundo maior exportador de alimentos do planeta, atrás somente dos EUA, segundo a FAO e a OMC. O Brasil é líder mundial na exportação de café, açúcar e suco de laranja. Também é vice-líder global na exportação de soja e milho. A cadeia do agronegócio prospera no País, devido ao olhar eficiente e eficaz dos agentes econômicos envolvidos na produção de insumos, na produção primária com alta produtividade, no processamento, no trading, no varejo, no atacado e no comércio exterior. O agricultor brasileiro moderno acorda cedo para trabalhar e para tomar suas decisões conforme o preço da commodity na Bolsa de Mercadorias de Chicago, a previsão do tempo, os custos de produção e, sobretudo, os rumos do mercado. São muitas as lições da agricultura para a produtividade na economia brasileira. Não esquecendo que o Brasil é também o maior exportador mundial de carne bovina e de carne de frango, além de estar na quarta colocação na carne suína.

Como evitar mais uma década perdida no Brasil? Entre as reformas inadiáveis encontram-se a reforma do Estado, a fim de reduzir o peso do mesmo sobre a economia e a reforma tributária, a fim de modificar o absurdo cipoal existente atualmente, composto por 93 tributos (13 impostos, 35 taxas e 45 contribuições de melhoria). Entre os 13 impostos, 3 são municipais (IPTU, ITBI e ISS), 3 são estaduais (ITCMD, ICMS e IPVA) e 7 são federais (sendo 4 extrafiscais: II, IE, IPI e IOF e 3 fiscais: IR, ITR e IGF).

O que mais machuca nessa sucessão recente de décadas perdidas é que o Brasil teve, por um longo período, um desempenho econômico extraordinário. Como bem observa o embaixador Rubens Ricupero,

Um dos maiores especialistas em medição histórica do desenvolvimento econômico, Angus Maddison, publicou em 1987, o estudo World Economic Performance since 1870, no qual comparava dez das mais representativas economias do mundo, as cinco principais da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE), isto é, do grupo das industrializadas (EUA, Alemanha, Japão, França e Reino Unido) e as cinco maiores de fora da OCDE (URSS , China, Índia, Brasil e México, que ainda não tinha ingressado na organização dos desenvolvidos). O período de medição era bastante dilatado para descontar variações conjunturais, episódicas ou temporárias, pois abarcava mais de um século, os 116 anos que se estendiam de 1870 (fim da Guerra do Paraguai) até 1986. A conclusão foi que o melhor desempenho tinha sido o brasileiro, com a média anual de 4,4% de crescimento; em termos per capita, o Japão ostentava o resultado mais alto, com 2,7%, mas o Brasil, não obstante a explosão demográfica daquela fase, vinha logo em segundo lugar, com 2,1% de expansão por ano. É bem provável que os resultados tivessem sido muito diferentes se fossem incluídos os treze anos pós-1987, que coincidem com a forte desaceleração brasileira e o espetacular crescimento da China (2001, p. 103).

Portanto, a década de 1980 ficou conhecida como a década perdida. Na década de 2010 chegaremos a uma nova década perdida e, se não ocorrerem grandes mudanças a partir de 1º de janeiro de 2019, é muito provável que tenhamos uma nova década perdida a partir de 2020.

Enfim, o Brasil é um país rico e populoso, que possui dimensões continentais, mas é muito desigual.

Iscas para ir mais fundo no assunto

Referências bibliográficas e webgráficas

FMI. World Economic Outlook. Disponível em: https://www.imf.org/en/Publications/WEO/Issues/2018/07/02/world-economic-outlook-update-july-2018. Acesso em: 23 de agosto de 2018.

GAZETA DE S. PAULO. Brasil será superpotência na criação de peixe até 2020, diz banco. Disponível em: https://www.gazetasp.com.br/nilson-regalado/18395-brasil-sera-superpotencia-na-criacao-de-peixe-ate-2020-diz-banco. Acesso: 19 de agosto de 2018.

IBGE. Estatísticas do Século XX. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv2052.pdf. Acesso em: 19 de agosto de 2018.

MADDISON, Angus. Desempenho da economia mundial desde 1870. Apud RICUPERO, Rubens. O Brasil e o dilema da globalização. São Paulo: Editora SENAC, 2001.

PEGN, Revista. Brasil vive nova década perdida, diz secretário do Tesouro. Disponível em: https://revistapegn.globo.com/Negocios/noticia/2018/08/pegn-brasil-vive-nova-decada-perdida-diz-secretario-do-tesouro.html. Acesso em: 18 de agosto de 2018.

SANDRONI, Paulo. Dicionário de economia do século XXI. 4ª ed. São Paulo: Record, 2008.

WEFFORT, Francisco. Qual democracia?. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

[1] Escrito em parceria com o economista Paulo Galvão Jr., graduado em Ciências Econômicas pela UFPB, com especialização em Gestão em Recursos Humanos pela FATEC Internacional. Professor do Curso de Graduação em Ciências Contábeis e em Administração nas disciplinas de Economia e de Economia Brasileira no IESP Faculdades. E-mail: [email protected]

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