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Komsomol brasileiro

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Fernando Lopes - Iscas Politicrônicas -

Um dos métodos mais eficazes para garantir a lavagem cerebral nos jovens de tenra idade (muitas vezes órfãos, vítimas da guerra ou dos pavorosos assassinatos em massa ordenados por Stalin) na ex-União Soviética era o Komsomol, uma organização juvenil do partido comunista que dirigiu o País de 1917 (em termos) até a derrocada em 1991. O Komsomol não permitia pensamentos “perigosos” sobre liberdade, religião, eleições e tantos outros fatores que só florescem onde o comunismo inexiste. Foi um enorme sucesso, tanto pelo alcance quanto pela severidade na arte de inculcar valores absolutamente apodrecidos na mente sadia dos jovens. Números assombrosos: Estima-se que 2/3 da população russa pertenceu à organização em algum ponto de sua vida. Liberdade era aquilo que o Estado Soviético permitia, e nada mais. Religião? Negada e fortemente reprimida, com destruição de igrejas, muitas vezes dinamitadas, com assassinatos em série no clero. A única “religião” permitida era o louvor ao ditador de plantão, notadamente Stalin, o pior e mais longevo. Os professores do Komsomol, esse hospício político-educacional, costumavam usar um estratagema que penetrava fundo nas mentes jovens e aturdidas: Para “provar” que Deus não passava de uma invenção capitalista, sugeriam a cristãos e judeus que implorassem a Deus por uma chuva de bombons; como os bombons não caiam, sugeriam novamente a mesma súplica, mas desta vez dirigida a Stalin. Ato contínuo, pressurosos funcionários da organização lançavam os chocolates em direção às crianças, fazendo-as crer que somente Stalin era um deus. Asqueroso, mas muito eficaz num país corroído pela fome, tortura, doença, corrupção, terror. Em resumo: Só o Estado-pai resolveria.

O brasileiro parece um anacrônico membro do Komsomol. Aqui, todos esperam do governo uma tutela absoluta de suas vidas como a única estrada e a única represa a balizar os problemas cotidianos. Para tudo, uma lei (ou cinco, ou doze) e para cada questão um grito de socorro que só o governo-mãe pode acudir. Aventa-se a possibilidade de não mais multar-se a falta de cadeirinhas nos automóveis, e os brasileiros reagem como se decretassem o fuzilamento de quem usar o artefato. Não, não é para deixar de ter e usar, pelamor; só é desnecessário multar quem não usa – diz a proposta. Mas não é suficiente explicar, ninguém quer entender. O brasileiro exige a mão forte do Estado para tudo, em tudo – temos uma das mais rígidas leis antitabaco do mundo, idem para uso de álcool ao volante e restrição severa a armas de fogo; não obstante, crianças não vão à escola, as drogas estão destruindo a nação, a cultura é relegada ao último nível (cultura de verdade, e não “funk” ou outras formas de derreter o cérebro juvenil) Fuma quem quer, sob sua conta e risco, o trânsito é um dos mais violentos do mundo, e os assassinatos alcançam números estratosféricos, mesmo depois de um desarmamento praticamente total da população. Só se esqueceram de desarmar os bandidos; estes conseguem um fuzil com a mesma facilidade com que compramos um Chicabon.

Em resumo, temos cada vez menos direitos de escolha, cada vez mais regras (muitas vezes inúteis ou draconianas) e pouco ou nenhum avanço social. Tão aí muitos outros povos aos quais se ensinam decência, bons modos, educação, valores, patriotismo real, e tantas outras qualidades que fazem um jovem depender mais de si do que de um governo, rico ou não.

Aqui na Banânia, onde impera a jecaria, vivemos sob uma montanha de leis que “garantem” tudo e não nos dão nada; num País em que, depois de 13 anos de uma esquerda podre no poder absoluto, 50% da população não tem acesso a rede de esgoto, 62% tem algum tipo de dívida e 14% dos trabalhadores estão sem emprego. E os messiânicos lulistas pedem mais e mais leis para “proteger” o povo. O pior é que o brasileiro típico, viciado em bolsa-tudo e vale-qualquer-coisa, espera sentado uma solução. Taspariu.

Cadê uma lei urgente para proteger os homossexuais canhotos que falam javanês? Como não tem? Onde-já-se-viu? Vamos fazer movimentos nas ruas, nas redes sociais!

Enquanto isso, crianças e idosos morrem, não por falta de vacinas, mas pela displicência de pais daqueles e filhos destes, que deveriam cuidar da própria família e não o fazem. E depois ainda culpam os governos pelas suas mazelas, reais ou fictas. Vitimismo e mau caratismo, vícios ensinados por anos de populismo podre. Pior: dão um jeitinho de processar o País e levantar uma grana com a tragédia, como se o dinheiro público viesse de algum cofre mágico, e não do bolso dos brasileiros. É o vício de sempre jogar a culpa em alguém, se fazer de vítima e lucrar algum.

Por outro lado… tratam quem bebe, fuma ou dirige como criminoso; mas tratam criminoso como santo. A lulada repete que cadeia não ressocializa ninguém, e que todo preso é uma vítima da sociedade. Ou seja: Querem endurecer com o cidadão comum e abrandar a vida dos criminosos. É o fim do mundo. Querem todo tipo de regras, mas dispensam os criminosos de segui-las. Sabe como é… são vítimas, coitadinhos.

Talvez seja necessária uma única lei: Todos estamos, a partir de agora, obrigados a criar vergonha na cara sem que seja necessária uma regra ou uma multa para isso. Simples e mágico.

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