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Jota Fagner - Origens do Brasil -

A ideia de concentração hegemônica não é exclusividade de Gramsci, outros autores de diferentes espectros ideológicos propuseram caminhos parecidos. Júlio de Mesquita Filho é um deles

É preciso compreender que o debate público se resume a uma disputa de discursos. Cada lado faz o recorte que melhor lhe convém.

Em 1994, com a publicação do livro A Nova Era e a Revolução Cultural: fritjof Capra & Antonio Gramsci, o filósofo Olavo de Carvalho trazia ao público fora da academia uma discussão importante, a revolução cultural anunciada no título.

Hoje é muito comum ouvir alguém citando o pensador sardo e as consequências de suas ideias. O que o livro de Carvalho não esclarece – ao menos não lembro de ter notado –, é que a ideia de controle hegemônico e da ocupação de espaços não era exclusividade de Gramsci.

Antonio Gramsci morreu em 1937, mas já em 1935 chegava às livrarias do Brasil o livro: A vida do operário na União Soviética, primeiro volume da coleção Janus, publicado pela Editora Udar e organizado pelo psiquiatra Osório César. Entre os quatro ensaios que compõem o volume, temos um estudo que o escritor francês Romain Rolland faz sobre a personalidade do revolucionário italiano. Acredito que tenha sido aquele o primeiro registro sobre Gramsci por estas plagas.

Um ano antes, em 25 de janeiro de 1934, havia sido inaugurada a Universidade de São Paulo (USP), idealizada pelo jornalista Júlio de Mesquita Filho, proprietário do jornal O Estado de S. Paulo. Mesquita Filho tinha um projeto de nação. Havia encomendado a seu amigo Fernando de Azevedo, em 1926, o Inquérito sobre a Educação Brasileira. Publicado nas páginas do Estadão, esse levantamento apontava para a necessidade de desenvolvimento de uma educação de melhor qualidade para o Brasil – sim, estamos falando de 1926 – e da necessidade de formação de uma elite letrada.

Mesquita Filho assumiria o controle do jornal em 1927, após a morte do seu pai. Suas ideias sobre a abolição da escravatura e sobre a República são, no mínimo, curiosas. Já nas primeiras linhas do seu artigo, A Crise Nacional – Reflexões em torno de uma data, publicado em 15 de novembro de 1925, Mesquita Filho demonstra certo ceticismo sobre o dito progresso republicano:

 

Procurando peneirar os motivos da decadência política que entre nós se seguiu à implantação do regimen republicano, depara desde logo o estudioso com um phenômeno ainda envolto em densa bruma. Se é incontestável a melhoria operada nas condições ethnicas da nação; se os meios de comunicação, quasi nullos no tempo do Império, se alargaram de maneira imprevista, permitindo que a acção das elites se tornasse muita mais eficaz no seio das massas esparsas pela vastidão territorial do paíz; se o número de escolas primárias centuplicou, de então para cá: como explicar a brusca deserção dos elementos intelectuais da vida pública nacional? (MESQUITA FILHO, J., O Estado de S. Paulo, 15 nov. 1925, p.2).

 

Em sua leitura, a República havia chegado antes do tempo. Seu apego a Herbert Spencer o levava a crer num modelo evolucionista de desenvolvimento histórico. Como, em sua concepção, o Brasil havia pulado uma etapa essencial do seu desenvolvimento, a identidade nacional começou a se perder.

Ele admitia que a sociedade brasileira foi “fundada nos alicerces da escravatura”. Mas argumentava que uma separação étnica era necessária.

 

De um lado, mantida à distância a fracção semibárbara da população tornou-se possível a formação de uma opinião pública esclarecida, a cuja sombra propícia floresceram aquelles talentos parlamentares que tanto relevo imprimiram à mentoria política do segundo reinado. Por outro lado, a presença de Pedro II, espírito liberal e culto, no supremo posto do executivo, neutralizou os males que mais tarde tão grandes proporções assumiriam, inherenets à tendência autocrática do brasileiro, herdada de Portugal e transmitida, de geração em geração, pelo trato diário e secular com o escravo. A seleção natural das massas eleitoraes, a que equivalia o regimen da escravidão, e o papel altamente moderador representado pela figura serena do soberano, proporcionando ao Brasil, ainda que artificialmente, condições idênticas às de todos os paizes onde vigorava cheio de prestígio, o parlamentarismo, permittiram aquella estabilidade política, que por dilatados tempos fizeram de nós um caso a parte no conjunto dos paizes sul-americanos. Essas condições instáveis por sua natureza própria, deixaram entretanto de existir, desde que, promulgado o decreto de 13 de Maio, entrou a circular no systema arterial do nosso organismo político a massa impura e formidável de 2 milhões de negros, subitamente investidos das prerrogativas constitucionais (MESQUITA FILHO, J., O Estado de S. Paulo, 15 nov. 1925, p.2).

 

Mesquita Filho continua sua análise, afirmando que o nível moral da nação se retraiu tão logo aboliu-se a escravatura:

 

Já agora, decorridos alguns lustros depois que a lei da libertação do elemento servil fora assignada e os seus beneficiários haviam transposto definitivamente os portões das senzalas, desceu o nível moral da nacionalidade na proporção da mescla operada. O contato do africano, oprimido e aviltado, sem uma sombra sequer de sentimento cívico, além de quebrar a unidade psychica indispensável ás vibrações da multidão, preparou o terreno para o advento dos costumes político a que até hoje estamos sujeitos MESQUITA FILHO, J., O Estado de S. Paulo, 15 nov. 1925, p.2).

 

Além disso, o fim da monarquia teria quebrado a unidade nacional e repartido o País em pequenas regiões oligárquicas.

A autoridade da opinião pública, em crise lithurgica resultante do traumatismo sofrido, via-se assim, substituída pela autoridade das famílias de mais prestígio nas diferentes regiões da República. A política se pautaria dahi por diante, não mais pela orientação que lhe imprimia a vontade popular livremente manifestada, mas pelos caprichos de um número limitado de indivíduos, sob cuja potecção se acolhiam todos quantos pretendessem um logar nos congressos estaduais ou federeas. Era o advento da olygarchia, única forma de governo compatível com o estado geral da nação, que, por um prazo indeterminado, se integrara na categoria daqueles povos que “preferem um governo qualquer a se governarem por si mesmos” (MESQUITA FILHO, J., O Estado de S. Paulo, 15 nov. 1925, p.2).

No entanto, é importante destacar que Mesquita Filho via o processo de imigração de europeus para o Brasil, iniciado logo depois da Abolição, como fator negativo para a formação da civilidade brasileira. Ainda em A Crise Nacional, ele argumenta que:

 

Outro elemento de capital importância para o esclarecimento do problema actual, é a influência exercida pela corrente immigratoria, que para aqui se canalisou logo após a libertação do elemento negro. A sua primeira consequência foi a de retardar ainda mais o despertar da opinião pública. Movido por interesses puramente materieas, o estrangeiro penetrava em nosso meio no proposito inabalável de fazer fortuna sem preocupação alguma de ordem cívica. Á medida que o seu número augmentava e que o meio lhe proporcionava maiores lucros, maior era a indifferença que manifestava pela vida publica e, portanto, mais nefasta a sua influencia sobre o brasileiro nato. Este, por sua vez, impellido pelo surto econômico e pela concorrência do braço vindo de fóra, voltava a sua attenção para os novos e promissores horizontes, que lhe deparavam, pautando a sua attitude pelo exemplo que lhe oferecia o esforço bem succedido do immigrante ((MESQUITA FILHO, J., O Estado de S. Paulo, 15 nov. 1925, p.2).

 

Mas, em sua leitura, mesmo essa “perniciosa” influencia era preferível a continuar proliferando o elemento negro. Afinal, segundo Mesquita Filho,

 

se a acção do elemento branco, oriundo do ultramar, se tornava perniciosa enquanto se não dava a sua integração na nacionalidade, a sua presença em determinadas regiões ia afastando a toxina africana, de todo em todo incapaz de participar da nova phase de atividade em que entraramos. Factor de primeira importância do período estático por que passou a nacionalidade, elle se mostrava incompatível com o ciclo dynamico recentemente inaugurado (MESQUITA FILHO, J., O Estado de S. Paulo, 15 nov. 1925, p.2).

 

Sendo assim, por causa de sua homogeneidade étnica, o Rio Grande do Sul não teria passado por toda essa crise apresentada no resto do País. Ali, segundo Mesquita Filho, foi o único lugar em que se manteve “uma organização política digna desse nome: – o Partido Federalista, encarnação republicana do partido liberal da monarchia” (MESQUITA FILHO, J., O Estado de S. Paulo, 15 nov. 1925, p.2).

E Mesquita Filho não deixa de comparar nosso estado de desenvolvimento político e social, do Brasil de então, com o período de formação dos Estados Unidos da América como nação independente. Destaca, no entanto, as diferenças que, em sua leitura, permitiram aos EUA se tornarem uma nação desenvolvida, enquanto nós, brasileiros, ainda nos encontrávamos em “estágio primitivo”. Mas ele afirma que,

 

Guardadas as devidas proporções e as differenças impostas pela época e pelo meio, a simples adopção dos princípios que tão grandes resultados conseguiram na maior república do universo, nos levará á solução do caso brasileiro. Basta, para tanto, que procedamos agora, após trinta annos de regimen mais ou menos constitucional, como procederam os autores do pacto de Philadelphia no dia seguinte á emancipação “yankee” ((MESQUITA FILHO, J., O Estado de S. Paulo, 15 nov. 1925, p.2).

Todas essas ideias, que aparecem bem no começo de sua vida como jornalista e como intelectual – no sentido gramsciano – o acompanharam ao longo de sua trajetória. Tomemos como exemplo o prefácio à segunda edição de Ensaios Sul-Americanos, Mesquita Filho (1956) se mostra atento à evolução do conhecimento no campo das ciências humanas. Ele diz que

 

Hoje tudo mudou. Passou-se a exigir dos que se atrevem a tratar dos problemas atinentes à evolução da sociedade que os portuguêses constituíram às margens do Atlântico Sul um mínimo de cultura especializada, que os habilite a interpretar a evolução dessa coletividade com a isenção e objetividade de que nos fala o sociólogo e que em substância se resume em manter o estudioso do problema pôsto pela adaptação do luso-brasileiro ao território por êle conquistado à natureza e a coroa espanhola, a impassibilidade emocional com que o físico se coloca ante o comportamento dos prótons e nêutrons, por exemplo, no interior do núcleo atômico. Em outras palavras: deixou a História de ser entre nós um ramo da literatura pròpriamente dita para integrar-se, uma vez por tôdas, no grupo das chamadas ciências sociais… (MESQUITA FILHO, J., 1956, p. 3 – 4).

 

Há aí uma observação de que os tempos são outros, que o conhecimento humano progrediu e que – subtende-se – certas posições não podem mais ser defendidas. Além disso, o velho liberal justifica que esse estágio só foi possível – aqui no Brasil – graças a fundação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo.

 

Ora, a que atribuir-se essa verdadeira mutação brusca por que vem passando os estudos da realidade brasileira? Se tivéssemos que apontar as causas de tal mudança seríamos tentados a chamar a atenção dos estudiosos principalmente para duas delas: a fundação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, em primeiro lugar, e, em seguida, a divulgação no país das teorias referentes ao materialismo histórico (MESQUITA FILHO, J., 1956, p. 4).

 

Isso pode dar a impressão de que houve mudança na linha de pensamento do autor. Entretanto, Mesquita Filho conservou esses valores durante toda a sua vida. Em 1964, cinco anos antes de sua morte, o jornalista proferiu uma conferência para a Federação e Centro das Indústrias e do Estado de São Paulo, intitulada A Democracia e o Fenômeno Brasileiro. Nesta conferência, ele argumenta que a República rompeu com o único aglutinador que nos permitiu existir sem a fragmentação típica da América Espanhola, e agora tínhamos destruído a única “estrutura que havia permitido ao país evitar à antiga colônia portuguesa o fracionamento do seu imenso território em republiquetas sem a menor condição de viabilidade” (Forum Roberto Simonsen, Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo, 1964, p. 25). Mas tudo isso foi feito por falta de consciência daquilo que seria realmente o Brasil.

 

Já na propaganda republicana se patenteara uma ausência total de conhecimentos do meio brasileiro por parte de seus líderes. Eram republicanos, segundo afirmavam, porque sendo a América toda constituída por republicanos, não se podiam conceber que o Brasil se mantivesse fiel à Monarquia. Não tomaram a elementar precaução de verificar se não era na realidade esta forma de governo a que melhor correspondia ao estado amorfo e indiferenciado que então caracterizava a nacionalidade (FRS, 1964, p.10 – 11).

 

Em resumo, aquilo que os republicanos, incluindo seu pai e seu avô, viam como sendo um novo degrau na escala evolutiva, para Mesquita Filho, não passava de atraso e retrocesso.

Derrubando a Monarquia, supunham fazer-nos dar um passo à frente no sentido de que acreditavam ser um progresso, quando, na realidade, o que resultaria dessa maneira de conceber o que melhor convinha à nossa Pátria era a destruição […] da única forma de governo democrática que até então vigorara na América do Sul (FRS, 1964. p. 25).

 

Teria então, seu pai e seu avô, se enganado? Por que eles defenderam durante tanto tempo a ideia republicana. Será que a experiência não foi o suficiente para fazê-los entender que aquela era uma ideia sem chances de se desenvolver por essas bandas? Para Mesquita Filho, os primeiros presidentes republicanos, formados no regime anterior, fizeram um trabalho vigoroso por serem frutos de uma outra situação política.

O primeiro deles, Marechal Deodoro da Fonseca (1889-1891) – Alagoano, exerceu dois mandatos, sendo um provisório (de 15 de novembro de 1889 a 24 de fevereiro de 1891) e um constitucional (de 25 de fevereiro de 1891 a 23 de novembro de 1891). Foi eleito indiretamente. A Constituição de 1891 determinava que o presidente seria eleito pelo voto direto; mas estabelecia que, após a promulgação da Carta Magna, o primeiro presidente seria escolhido excepcionalmente pelo Congresso Nacional.

O segundo, Marechal Floriano Peixoto (1891-1894) – Alagoano, veterano da Guerra do Paraguai, havia sido eleito pelo Congresso vice-presidente do Brasil. Nove meses depois, com a renúncia forçada de Deodoro da Fonseca, ele seria o presidente efetivo. Restabeleceu o Congresso e suspendeu o estado de sítio. Foi considerado como o “consolidador da república” e lançou as bases de uma ditadura de “salvação nacional”.

Pudente de Morais (1894-1898), o terceiro, – Paulista, advogado, reatou as relações diplomáticas com Portugal, rompidas com o auxílio dos portugueses aos marinheiros da Revolta da Armada; conseguiu a paz no Rio Grande do Sul, em 1895; e enfrentou a Campanha de Canudos, entre 1896 e 1897.

A respeito desse quadro, Mesquita Filho argumenta que,

 

Os três primeiros quatriênios da República, que tanto fulgor deram àquele período da vida republicana, só foram possíveis porque os seus três presidentes haviam formado a respectiva personalidade no seio do único regime político compatível com o estado embrionário em que até hoje se acha a nacionalidade. E, à medida que as figuras que nos vinham do Império iam desaparecendo, elas seriam, por um determinismo inexorável substituídos por homens cada vez mais representativos daquele “monarca com mil cabeças” de que fala Aristóteles e que acabou por dominar o Brasil. Esse o fruto inevitável da prematura implantação da República entre nós (FRS, 1964, p. 25- 26).

Foi por isso, na sua leitura, que a ideia de avanço perdurou durante as primeiras duas décadas republicanas. Buscou-se implantar no Brasil aquilo que havia dado certo nos Estados Unidos, mas a conjuntura brasileira era completamente diferente. Não tínhamos aqui a ideia de nação já definida e inculcada, diferentemente de lá.

Eram os norte-americanos de 1776 um grupo social perfeitamente definido que já havia atingido aquele grau de heterogeneidade definida e coerente de que nos fala o evolucionismo spenceriano, enquanto o Brasil de [18]91 – como aliás a maior parte do Brasil de nossos dias – permanecia numa fase embrionária, naquela homogeneidade indefinida e incoerente que caracteriza todo o ser vivo no seu período inicial de evolução. E isso foi de consequências catastróficas, para o futuro da República. Conceder autonomia a regiões onde vegetavam populações cujo estado de atraso até hoje horroriza todos quantos os visitam, já em [18]91, era um despropósito cujos frutos não poderiam ser senão aqueles que todos conhecemos (FRS, 1964, p. 27 – 28).

Aos americanos não recaiu a tarefa de construir um país com predominância de negros que, na concepção de Mesquita Filho, aqui possuíam, pelo menos em alguns aspectos, os mesmos direitos que os brancos. O jornalista desenvolve um argumento que lembra, em alguns pontos, A Democracia na América, de Alexis de Tocqueville, de 1835. Tocqueville argumenta que o indígena norte americano, ao contrário do escravo negro, era orgulhoso ao ponto de se considerar superior aos brancos, de maneira que nunca esteve disposto a se integrar na sociedade americana e a adotar os meios de produção dos invasores, como a agricultura, a organização religiosa e a indústria. Os negros fizeram exatamente o oposto dos indígenas, porque desde o início adotaram as práticas das populações europeias, mas sempre sofreram porque mesmo tentando ser como os europeus, nunca foram vistos como iguais (TOCQUEVILLE, 2014).

Mesquita Filho argumenta que

 

Se percorrermos os anais da Constituinte de [18]91 dar-nos-emos conta de que nela os debates se processavam quase sempre em torno do aspecto formal do problema, com total despreocupação pelo fenômeno brasileiro em si. A consequência disso foi a impossibilidade prática, verificada no decorrer da primeira República, da adaptação da Carta Magna de [18]93 ao Brasil real, ao Brasil fato social da mais alta complexidade e sem nenhuma afinidade com a nação norte-americana. Esta nada apresentava de comum com a nossa, uma vez que era constituída, pelo menos se nos ativermos ao aspecto jurídico da questão, apenas pelo elemento branco, com exclusão total da sua vida política dos milhões de negros que dentro dos limites nacionais se vinham multiplicando. Aqui, ao contrário, concomitantemente com a transformação dos trabalhos constituintes na Carta Presidencialista, eram concedidas ao elemento africano as mesmas franquias que nos cabiam a nós, brasileiros de origem europeia (FRS, 1964, p. 11).

Sendo assim, é necessário perguntar o que, afinal de contas, ele entendia como nação? A resposta se mostra um tanto elástica e, ao mesmo tempo, limitante. Para ele, nação é

[…] uma categoria do pensamento de que se podia lançar mão para definir qualquer comunidade homegenea, constituída por determinada maneira de ser dos seus habitantes, falando uma ou mais línguas mas obedecendo sempre a certo número de princípios gerais que a maioria dos seus membros, tacitamente, aceitava. (FRS, 1964, p. 13).

Curiosamente, sua ideia para o desenvolvimento do Brasil ia muito além da simples ideia de nação. Mesquita Filho falava primeiro em império. Talvez, por estar pautado na extensão continental do País, ele pensasse o Brasil em sua grande vastidão. Sendo assim, a monarquia talvez nos servisse melhor, ao menos até que nos tornássemos mais organizados.

É a palavra Império e não termo Nação que nos impõe recorrermos para darmos do Brasil uma idéia capaz de nos trazer ao espírito a imagem que melhor o define se nos ativermos à sua singular complexidade. É ao Império Francês e mais propriamente ao Império Inglês a que a nomenclatura política se referia até há poucos anos atrás, que devemos ir buscar a figura de uma organização de natureza política que nos proporcione uma visão, embora vaga e longínqua do que é o Brasil (FRS, 1964, p. 15 – 16, grifos do autor).

 

Ao Brasil faltaria essa homogeneidade para que fosse enquadrado como uma nação. Sua vastidão territorial contribuía para que a “civilização” se mostrasse em diferentes estágios nas distintas regiões.

 

Sociologicamente, o Brasil nada tem de comum com uma Nação, no sentido preciso do termo, pois em seu seio coexistem grupos sociais cujas estruturas profundas aberram fundamentalmente umas das outras. Haja vista, por exemplo, o que se passa no Norte do País onde, numa área de alguns quilômetros quadrados, coabitam tribos autóctones naquele estado de pureza primitiva que a ciência moderna define como inerente a populações de mentalidade mística, com uma psique que nada, absolutamente nada, tem de comum com a dos povos evoluídos (FRS, 1964, p.21 – 22).

Também nos estados do Nordeste, o analfabetismo e a falta de infraestrutura demonstrava, dentro da sua leitura, que não existia um único Brasil, mas vários.

Ao lado dessas comunidades neolíticas, alguns milhares de homens vivem esparsos em territórios imensos. Quase todos analfabetos, são eles portadores de uma mentalidade resultante do choque entre três grupos de culturas – a indígena, a africana e a branca – de cujo contacto são o produto. Outro não é o estado que caracteriza na sua quase totalidade os 22 milhões de brasileiros que arrastam a existência miserável de todos conhecido no chamado Poligno das Secas. É o Nordeste, no seu aspecto tristemente humano. Ali, numa proporção de analfabetos que o otimismo das estatísticas oficiais avalia em cerca de 70%, mas que no Estado de Pernambuco, por exemplo, atinge na realidade os 80%, reina uma mentalidade das mais estranhas e que foge a qualquer das classificações que a sociologia nos oferece. Oriundos do cruzamento de três grupos de culturas e psiques antagônicas, nelas se misturam, em indescritível confusão, resquícios de catolicismo com crendices africanas e um longínquo totemismo (FRS, 1964, p. 22).

É claro que grandes lideranças e personalidades surgiam do Norte e Nordeste do País, mas estes eram as exceções que comprovavam a regra. As diferenças culturais eram tão grandes que, na sua opinião, impossibilitariam uma unidade nacional.

Certo, daquelas longínquas regiões do Norte nos vieram alguns dos grandes espíritos da nacionalidade. Isso entretanto não nos impede de reconhecer a existência de uma incompatibilidade visceral entre aqueles grupos humanos – onde impera o sincretismo religioso o mais confuso e o analfabetismo numa proporção de 80% – e a homogeneidade psíquica que apresentavam a Atenas de Péricles e Aristóteles e a República Norte-americana dos constituintes de 1776. Os países do Ocidente Europeu há mais de um século atingiram aquela fase da evolução social em que a democracia é hoje um imperativo orgânico. Mas, enquanto não haviam alcançado ainda tal fase, passaram primeiro pela Monarquia absoluta e depois por uma monarquia em que o absolutismo se foi paulatinamente atenuado até apresentar as características de uma democracia real (FRS, 1964, p. 28).

Atingimos o status de democracia muito antes de termos condições para tal.

 

Democracia, é essencialmente uma determinada fase da evolução social não de todos mas de certos povos apenas. É intencionalmente que nos referimos a determinada fase e a certos povos, porque é realmente no decorrer da evolução de algumas sociedades humanas que se verificam aquelas características que se enquadram nas definições que da Democracia nos dão Péricles, Aristóteles e Lincoln e que se nos deparam hoje em países como a Inglaterra, a Dinamarca, a Holanda, a Bélgica, a Suécia ou a Noruega (FRS, 1964, p. 19 – 20, grifos do autor).

No entanto, os estados mais ao Sul, que demonstravam melhor desenvolvimento social, político e de infraestrutura, também padecia dessa falta de harmonia. Aqui e ali, principalmente nos aglomerados periféricos, era possível perceber situações análogas àquelas do Norte e Nordeste.

Em direção ao Centro e ao Sul, as coisas modificam-se, mas nas famosas favelas da ex-capital da República amontoam-se seres humanos quase idênticos, socialmente falando, aos moradores dos mocambos do Recife e de Fortaleza. Espantoso paradoxo: num aglomerado humano de grandes proporções coabitam os primitivos dos morros com as frações ultracivilizadas de uma grande cidade, o que não o impede de ser o verdadeiro centro da política do País, onde ainda são inúmeros os monumentos culturais que nos legou essa fase aurea da evolução político-social do nacionalismo que foi o II Reinado. E se descermos mais um pouco em direção ao Sul, depararemos com São Paulo e os seus 14 milhões de habitantes, todos eles representantes de uma fase cultural praticamente homogênea e muito próxima do estado superior de evolução a que tendem as sociedades do grupo de nações a que pertencemos (FRS, 1964, p. 23).

Na apresentação do livro Irredutivelmente liberal: política e cultura na trajetória de Júlio de Mesquita Filho, de Roberto Salone (2009), Ruy Mesquita Filho escreve que teve

 

o privilégio de ser procurado, há cerca de dois anos, pelo jovem diplomata Roberto Salone. Queria conversar sobre uma tese de mestrado que estava fazendo sobre meu avô. Na verdade, ele já possuía muita informação, mas queria mais. Algumas de suas perguntas me incomodaram. Uma delas, sobre o pretenso racismo do meu avô, me desconcertou (SALONE, 2009, p. 15)

Então, vejamos: ao seu modo, Júlio de Mesquita Filho era monarquista, acreditava na supremacia do branco sobre o negro, com uma visão de sociedade pautada em Spencer; com uma concepção de desenvolvimento com foco na industrialização e crédulo de que a educação poderia ser a ferramenta de unificação do “império brasileiro”. Em sua complexidade, era um homem que transitava entre diferentes espectros de percepção.

Entendia que era preciso educar, principalmente, para formar lideranças. Era esse tipo de educação que, em sua leitura, ainda não existia no País.

A conclusão do Inquérito de 1926 foi de que a educação precária seria um dos maiores problemas que atravancava o desenvolvimento do Brasil, então, era preciso educar o cidadão brasileiro.

No entanto, é importante lembrar que esse “cidadão brasileiro”, para ele, era o branco, filho de família abastada, com condições de interferir de forma efetiva na política, na economia, nas relações sociais. Sua argumentação deixa claro que ele não acreditava que o processo educacional fosse de grande serventia para negros e índios. Em determinado trecho dos seus Ensaios Sul-Americanos, quando aborda a educação jesuítica, o jornalista diz que, o máximo que o jesuíta poderia conseguir de um discípulo indígena,

 

dada a absoluta ignorância em que estava da heterogeneidade das suas orientações mentais, era o que Westermann observou na África, em condições absolutamente idênticas e que nos relata em sua preciosa obra já por nós citada, “Noirs et blancs em Afrique”. Procurando dar um balanço do que até aqui tem conseguido a educação ministrada pelas missões evangélicas naquele continente e explicar as razões do pessimismo com que é geralmente visto o imenso trabalho daqueles abnegados defensores da doutrina cristã, escreve o diretor do Instituto Internacional das Línguas e Civilizações Africanas, que “uma das mais importantes causas da incapacidade de tantos alunos realizarem as esperanças que nêles eram depositadas, provém do fato que êles são separados de seus grupos naturais desde a sua primeira mocidade. São, então, condenados a viver entre dois mundos, o de seus pais e de sua comunidade, não se sentindo na própria casa nem em uma, nem em outra. Na escola ensinam muitas vêzes aos alunos a olhar com desdém a vida antiga. Aquilo que era sagrado e intocável é aqui acoimado de superstição absurda; e aquilo que era para os pais uma realidade religiosa é considerado, pela escola, como não existindo ou como trabalho do diabo. Um conflito violento se levanta dentro dêle, do qual nem sempre consegue libertar-se. Não encontra, no mundo novo que lhe abrem a civilização e a religião, terreno sólido em que assente os pés. A escola não faz as vêzes do que perdeu, isto é, a faculdade de membro de um grupo com seus valores próprios e obrigações. Corre, assim, o risco de se tornar um indivíduo isolado, pelo qual ninguém responde. Poderá comportar-se com destreza enquanto permanecer sob a proteção do missionário, mas, embora tenha adotado o cristianismo, isso não significa, necessariamente, que se apóie com fôrça suficiente nos princípios cristãos, para pôr em prática o que lhe ensinaram na escola quando se encontra entregue a si mesmo” (MESQUITA FILHO, J., 1956, p.333 – 334).

 

Portanto, a instrução clássica e formal seria – para o não branco – algo mais prejudicial que benéfico. Mas o jornalista vai além. Ele argumenta que o africano difere dos ameríndios, afinal, a África, desde tempos imemoriais, vem recebendo influência estrangeira. Gregos, romanos e fenícios já visitaram o continente em busca de ouro, escravos e marfim. Sendo assim, os povos africanos deveriam ter absorvido parte da cultura dos invasores. Mas não foi isso o que aconteceu, o negro africano manteve preservada sua cultura.

 

Esta resistência às influências exteriores, ou melhor, essa incapacidade de modificação peculiar às organizações sociais dos não civilizados é a consequência do desnível existente entre a mentalidade primitiva e a organização psíquica dos povos ocidentais (MESQUITA FILHO, J., 1956, p. 335).

 

Em compensação, ele entende que algo diferente aconteceu na educação e catequese dos indígenas, principalmente com aqueles,

 

nas reduções da província paraguaia, dificilmente se poderia definir melhor o que se passou às margens do Atlântico Sul, da data em que pela primeira vez pisou terras americanas um discípulo de Loiola, até 1750, ocasião em que a política de Pombal baniu definitivamente do hemisfério ocidental a Companhia de Jesus. Com efeito, o que ali se deu foi que o guarani se emancipou de suas crenças, usos e costumes mais reais para adotar da religião católica o que esta possui de mais material e superficial. Aliás, aceitos os princípios básicos que procuramos estabelecer no decorrer destes capítulos, a natureza concreta do pensamento primitivo e a sua impossibilidade de raciocinar por abstração, e, acima de tudo, a sua submissão passiva ao pensamento coletivo – tornar-se-á impraticável a conciliação da doutrina do livre arbítrio, base de tôda a filosofia da religião católica, com a falta absoluta de noção do Eu individual peculiar a todos os povos de mentalidade primitiva (MESQUITA FILHO, J., 1956, p. 335 – 336).

 

O jornalista apresenta um catolicismo que valoriza o individualismo, semelhante à análise do protestantismo feita por Weber (1996), sugere ainda que, por estar incapacitado para esse tipo de convívio, o indígena aceita os valores superficiais do catolicismo, nunca atingindo as questões mais profundas. Sendo assim, sua conversão jamais deixaria de ser externa ao seu sistema psíquico.

É desse modo que o jornalista vai excluindo qualquer etnia, que não seja a branca, de seu planejamento para o futuro do País. Em sua leitura, aqueles que ele considera como não civilizados, assim o são por uma impossibilidade intrínseca.

O projeto de educação pensado por Mesquita Filho era, portanto, voltado para a elite paulista. Ele pretendia formar um grupo de intelectuais que dirigisse o País pelo processo civilizatório e industrial. Até então, aqueles que buscavam melhores formações estudavam em universidades de outros países. Mesquita Filho pensou que seria uma boa ideia trazer professores de lá para que formassem uma primeira remessa de professores aqui. Estes dariam continuidade ao trabalho de formação de lideranças, enquanto os mestres estrangeiros seriam gradativamente substituídos.

O jornalista ergueu a bandeira da reforma educacional no Brasil depois de ter sido influenciado pelo “ideário da Liga Nacionalista (SALONE, 2009, p.97). Sua intenção era criar uma universidade moderna, nos moldes das que já existiam na Europa e nos EUA.

 

Tentativas prévias haviam fracassado em nossa História: a Colônia havia se mantido intelectualmente esterilizada por conta do pensamento obscurantista da contrarreforma lusitana. Durante o Império, a despeito de a nação ser governada por um “rei filósofo”, inconsistentes foram as iniciativas de criar instituições universitárias, como há tempos existiam na América Latina; naqueles tempos, o máximo a que se chegou foi a fundação de cursos jurídicos (Decreto de 11 de agosto de 1827), de medicina e engenharia (SALONE, 2009, p.97).

Mas, ao que parece, durante as décadas de 1920 e 1930, o Brasil já possuía os requisitos necessários para fomentar essas mudanças estruturais. No prefácio da obra A comunhão Paulista, de Irene de Arruda Ribeiro Cardoso, Alfredo Bossi escreveu que:

 

Poder, idéias, um jornal e uma universidade, tudo se imbrica e se aclara mutuamente quando a análise sabe cortar fundo um momento determinado de nossa história. Saímos da leitura do texto convictos de que os valores nunca se conservam, a longo prazo, anódicos: eles movem os grupos sociais para as lutas bem concretas e a sua força construtiva ou destrutiva não se contém nem se oculta indefinidamente. Os valores, mais cedo ou mais tarde, agem. E, quando lastreados por uma base econômica estável. Reproduzem-se por lapsos de tempo cuja longa duração chega a nos surpreender (CARDOSO, 1982, p.11).

 

É a partir do ano de 1925 que Júlio de Mesquita Filho passa a publicar, em seu jornal, editoriais – sempre em formato ensaístico – com foco nos debates educacionais. Tudo começa com a crítica desenvolvida ao sistema de reformas implementadas pelo Ministro João Luiz Alves, com a Lei 16.782-A[1], que na opinião de Mesquita Filho, era insatisfatória e insuficiente para atender as demandas do ensino no Brasil.

É nesse mesmo ano que O Estado de S. Paulo publica um editorial defendendo a implantação de um Liceu de Ensino Secundário aos moldes franceses, ou seja, que preparasse o aluno não somente para o ensino técnico, mas também o iniciasse nas práticas da mais alta cultura. O editorial não está assinado, mas coaduna com algumas produções de Mesquita Filho. Em determinado trecho podemos ler que,

 

por maiores que venham a ser os resultados deste ensino orientado com a preocupação de se lançarem bases firmes à cultura especializada, não é tudo o que de póde esperar do Lyceu Franco-Brasileiro, que, modelado pelos lyceus francezes, se propõe também a collocar o ensino de cada matéria a serviço da formação e desenvolvimento das intelligencias. O ensino do Lyceu se transformara, por este modo, num verdadeiro agente da educação moral e intelectual, pela “criação de hábitos mentaes”, com que se solicitam, no estudo de cada disciplina, as forças do espírito, convidado constantemente pelo professor, hábil e sagaz, á curiosidade investigadora, ao gosto da observação e á segurança do raciocíno. Não se restringindo exclusivamente á cultura formal, mas, ao contrario, dando a maior importância a essa “função educativa” do ensino secundário, geralmente tão descurada entre nós, o Lyceu contribuirá. Por methodo eficaz, não somente para a “instrucção”, mas, sobretudo, para o desenvolvimento do espírito scientífico (LYCEU, 17 mar. 1925, p.3).

 

Mas, a maior contribuição de Mesquita Filho para o debate sobre a educação, naquele ano, foi a publicação do texto A Crise Nacional: reflexões em torno de uma data, em 15 de novembro de 1925. Nesse editorial, que foi logo depois publicado em livro com o mesmo título[2], ele apresenta inúmeros pontos que contribuem, conforme sua visão, para a manutenção da crise política pela qual o Brasil vinha sofrendo. Entre os problemas apontados, está a deficiência do sistema de ensino, principalmente o superior. Ele argumenta que,

Reestabelecido o jogo natural das instituições constitucionais pelo advento da opinião pública, restarnos-ia dar início a construção do organismo concatenador da mentalidade nacional, representado, em todos os países de organização social completa, pelas Universidades. Sem o concurso dessa instituição secular a que a humanidade deve o melhor de suas conquistas, inútil se torna qualquer esforço no sentido de conseguir a nossa emancipação definitiva. Ao mais superficial observador não escapará, realmente, a insufficiência intellectual das chamadas classes cultas do país. Nada existe entre nós que se pareça com essas admiráveis legiões de estudiosos desinteressados, que no ambiente sereno das bibliotecas e dos laboratórios indicam, em todas as nações cultas do universo, as diretrizes seguras por onde trilham confiantes os homens de acção. Essa falha lamentável a que devemos attribuir, em última anályse, a situação crítica que atravessamos, se evidencia na pobreza inacreditável da nossa produção intellectual (MESQUITA FILHO, J., 1925, p.3).

Júlio de Mesquita Filho segue em sua argumentação, explicando o motivo pelo qual, na leitura que ele faz do País, a criação de uma universidade para o Brasil não é somente necessária, mas emergencial. Ele compara a política brasileira com a de países como Inglaterra, França, Japão e nossa vizinha, a Argentina.

Na Inglaterra, como no Japão, na França, como na Itália, nos Estados Unidos, como já se vae verificando na Argentina, o político, o jornalista e todos os que directa ou indirectamente intervêm na direção dos negócios públicos, actuam no terreno das realizações práticas sob as vistas vigilantes das elites intelectuais, que num trabalho incessante de investigações e estudos preparam a solução dos problemas infinitamente complexos com que lutam as sociedades modernas, impedindo, ou melhor, reduzindo ao mínimo as possibilidades de erros irreparáveis (MESQUITA FILHO, J., 15 de nov. 1925, p. 3).

O jornalista expõe que as elites intelectuais desses países contribuem de forma significativa para a compreensão das demandas sociais e para a correta adaptação das ações públicas a essas, minimizando assim, possíveis danos causados por erros de implantação dos projetos institucionalizados, tornando assim as práticas políticas mais harmoniosas às demandas nacionais. Num dos pontos em que analisa o caso específico do Brasil, afirma que,

Entre nós nada disso existe. Impera em todos os meios alarmante anarchia, sem que se consiga perceber, na inextricável confusão intellectual que se debate a nação, um systema de idéias, de princípios, um ideal, em suma, que insufle o enthusiasmo indispensável às realizações coletivas. A reação que esboça contra o regimen oligárchico é a única manifestação palpável da vitalidade nacional. Concretizada no movimento incipiente em torno do voto secreto, ella nos revela o vácuo imenso em que nos arremessou o descaso tradicionalmente votado pelos dirigentes do país ao problema da educação nacional (MESQUITA FILHO, J., 1925, p.3).

 

Mas é também em A Crise Nacional que o jornalista demonstra seu lado mais controverso. Um dos assuntos abordados nesta primeira obra é a abolição da escravatura, que ele interpreta como sendo algo negativo, já que possibilitou a entrada da “massa impura e formidável de dois milhões de negros, subitamente investidos das prerrogativas constitucionais” (MESQUITA FILHO, J., 1925, p.9). Mas ele não para por aí. Acrescenta à sua tese que,

A esse afluxo repentino de toxinas, provocado pela subversão total do metabolismo político e econômico do país, haveria necessariamente de suceder grande transformação na consciência nacional que, de alerta e cheia de ardor cívico, passou a apresentar, quase sem transição, os mais alarmantes sintomas de decadência moral ((MESQUITA FILHO, J., 1925, p.10).

 

E mais adiante, acrescenta que,

 

Já agora, decorridos alguns lustros depois que a lei da libertação do elemento servil fora assinada e que os seus beneficiários haviam transposto definitivamente os portões das senzalas, desceu o nível moral da nacionalidade na proporção da mescla operada. O contato com o affricano, oprimido e aviltado, sem uma sobra sequer de sentimento cívico, além de quebrar a unidade psíquica indispensável às vibrações da multidão, preparou o terreno para o advento dos costumes políticos a que até hoje estamos sujeitos (MESQUITA FILHO, J., 1925, p.13).

Em resumo, a entrada do negro no jogo político teria servido, segundo ele, para impedir, ou atrasar, o avanço da nação.

Mas, voltemos à USP. Em 25 de janeiro de 1937 acontecia a festa de formatura da primeira turma de licenciados pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da Universidade de São Paulo. Mesquita Filho foi o paraninfo. Seu discurso esclarece algumas questões sobre a criação da instituição. O jornalista explica que ao saírem da

 

revolução de 32 tínhamos a impressão perfeitamente nítida de que o destino acabava de colocar São Paulo em posição idêntica àquela em que se achava, após Iena, a Alemanha, o Japão no dia seguinte ao do bombardeio dos seus portos pela esquadra norte-americana, e a França depois de Sedan. E se atribuíamos a série infinita de gravíssimos erros praticados dentro das fronteiras do nosso Estado pela ditadura à mentalidade primária dos seus prepostos, não nos parecia menos evidente que só uma reforma radical do aparelhamento escolar do País e a instauração de uma vigorosa política educacional poderiam evitar a catástrofe final que os movimentos de 1922, de 24, de 30 e 32 nada mais faziam do que prenunciar. Para os males que nos acabrunhavam, a história daqueles países nos apontava o remédio. Sabíamos por experiência própria a que terríveis aventuras nos tinham arrastado, de um lado, a ignorância e a incapacidade dos homens que até 30 haviam discricionàriamente disposto dos destinos tanto do nosso Estado como da Nação, e, de outro, a fatuidade vazia dos escamoteadores da revolução de outubro. Quatro anos de estreito contacto com os meios em que se moviam as figuras proeminentes de ambas as facções em luta leraram-nos à convicção de que o problema brasileiro era, antes de mais nada, um problema de cultura. Daí a fundação da nossa Universidade e consequentemente a criação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (MESQUITA FILHO, J., 1969, p. 164).

 

Como fica claro, para que houvesse um “avanço” na direção de um estágio mais “civilizado”, era preciso educar o povo. Começando, é óbvio, pelo povo do Estado de São Paulo. Mesquita Filho cita vários movimentos ocorridos durante a década de 1920, dando a entender que seus planos para a criação de um centro universitário vinham desse período. Fernando de Azevedo explica que ele e Mesquita Filho já lutavam “por isso desde 1923” (AZEVEDO, 1971 p.119), ou seja, havia pelo menos dez anos que a ideia estava sendo maturada.

E Azevedo (1971) ainda descreve que, após um telefonema de Mesquita Filho – que acabava de voltar do seu primeiro exílio – em que este pedia para que aquele elaborasse o projeto de decreto-lei, com o qual se criaria a Universidade de São Paulo, começou a trabalhar na proposta e, em quatro dias, concluiu o trabalho.

Estávamos em dezembro de 1933, e como o Júlio de Mesquita me comunicara a disposição de Armando Sales de assinar o decreto naquela semana, solicitei ao Armando, por intermédio do Julinho, que não o fizesse, dando-lhe razões de minha opinião (AZEVEDO, 1971 p.120).

A razão era que, Azevedo queria comunicar às escolas de formação profissional superior antes de baixar o decreto. Queria, com isso, diminuir as possíveis resistências que pudessem existir. Além disso, como a universidade era parte de um projeto de nação que começava em São Paulo, Azevedo achou que seria melhor assinar esse decreto em 25 janeiro, aniversário da cidade de São Paulo. E assim foi.

Anos mais tarde, em seu discurso de paraninfo, Mesquita Filho professava a missão da Universidade:

A vossa escola surgia, assim, como o molde indispensável onde se fundiram os futuros modeladores da juventude nacional. Nela se formariam os espíritos em condições de criar e praticar uma doutrina educativa que tivesse vista, acima de tudo como queria grande espírito francês, assegurar a seleção de capacidades, alevantar, no verdadeiro sentido da palavra, todos os espíritos, só pensar naquilo que moraliza, que não traduz lucro imediato, que leva o olhar a fixar-se alto e longe. Esperavam os seus fundadores que dêsse foco ardente de ambição desinteressada se irradiasse para todo o País uma concepção nova das coisas e que, combatendo sem desfalecimento a velha e desagregadora idéia do saber pelo sentimento do sacrifício pelo bem da comunidade. Procurando dar consistência material à idéia universitária, tinham em mente os que conceberam dotar o País de um cérebro poderoso e coordenado que, a coberto da transitoriedade dos governos, pudesse gerar os sentimentos, a vontade, a organização e a disciplina intelectual a que os povos verdadeiramente fortes devem as suas melhores vitórias (MESQUITA FILHO, J., 1969, p. 164 – 165).

Era no modelo francês que Mesquita Filho se inspirava. A cultura francesa era a principal referência mundial daquele período.

Se a cultura francesa teve um grande impacto em todo o mundo neste mesmo período, é preciso lembrar que na América Latina tal trânsito de idéias esteve amparado por um sólido suporte institucional, principalmente no que diz respeito à cooperação científica. Em 1908 se reunia pela primeira vez, em Paris, o comitê fundador do Groupement des Universités et Grandes Ecoles de France pour les relations avec l‘Amérique Latine, visando desenvolver as relações intelectuais entre a França e a América Latina de modo geral e, em particular, promover a Universidade e a ciência francesas no exterior (MASSI, 1991, p. 29).

 

Após a assinatura do decreto, em 25 de janeiro de 1934, definiram Reynaldo Porchat de Assis, então diretor da Faculdade de Direito, como primeiro reitor da Universidade.

Os escritos de Mesquita Filho deixam claro que ele acreditava em duas formas distintas de educação. A primeira, uma educação técnica, voltada para as massas, com a função de gerar mão de obra para as indústrias. Mas dessa quase não há menção em seu trabalho. A segunda, uma educação para a formação de uma elite preparada, que pudesse conduzir a nação por caminhos mais vantajosos. E, com base nisso, fazer o País se nivelar às nações mais desenvolvidas. Foi por essa que o jornalista militou.

Em 26 de dezembro de 1945, durante uma palestra feita na sessão de formatura dos licenciados pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, da Universidade de São Paulo, Mesquita Filho, ao falar de Armando de Sales Oliveira, explica que,

uma universidade não era nem podia ser uma simples justaposição de faculdades e institutos. A idéia que tinham dêsses organismos, a que a civilização ocidental deve as suas mais belas conquistas e as nações líderes de hoje a sua fôrça, esconde algo mais complexo e mais amplo.

Procedia em linha reta das suas próprias origens históricas e etimológicas, da remotas eras em que o saber humano era um todo perfeitamente coerente e harmônico. Para eles, como para os que professavam nesses famosos institutos que tanto lustre e renome emprestaram a cidades como Bologna, Paris, Oxford e Salamanca, um mesmo espírito deveria animar tôda a comunhão, assim como uma mesma doutrina deveria orientar o ensino das diferentes disciplinas (MESQUITA FILHO, J., 1969, p. 169).

 

Ali estava Júlio de Mesquita Filho, explicando aos formandos, o papel que as universidades têm para o desenvolvimento das civilizações[3] ocidentais. Sales Oliveira havia falecido em 17 de maio daquele ano e o jornalista queria ressaltar a sua importância para o projeto de criação da Universidade de São Paulo.

O jornalista atribui a Sales Oliveira a inconformidade “com o triste espetáculo que oferecia o nosso ensino superior, subdividido em escolas profissionais, muitas vêzes inimigas entre si” (MESQUITA FILHO, J., 1969, p.169). No entanto, é o próprio Mesquita Filho quem afirma que, sem a proposta trazida pela USP, “poderá existir, como temos dito, um excelente ensino. Não haverá entretanto, jamais ensino universitário pròpriamente dito” (p.171). Afinal, continua ele, os que tiveram essa formação

poderão vir a ser razoáveis técnicos de laboratório, ou bons pesquisadores em qualquer ramo do saber. Só por acaso, porém, tornar-se-ão possuidores daquele alto espírito que a consciência dos que participam de um esfôrço coletivo e indivisível em benefício da comunhão a que pertencem e do progresso geral das ciências concede aos que a êle se dedicam. E é êsse generoso sentimento – ia dizer, êsse generoso orgulho, que constitui o verdadeiro espírito universitário de que tantos falam e tão poucos compreende (MESQUITA FILHO, J., 1969, p. 171 – 172).

 

É importante lembrar que, em 1925, quando publicou A crise Nacional, Júlio de Mesquita Filho já defendia esses valores e já demonstrava preocupação com a formação das classes dirigentes. Seus argumentos eram que, se continuássemos a depender apenas do estudo das ciências aplicadas, o Brasil jamais atingiria seu potencial.

Numa aula inaugural, pronunciada em 21 de março de 1958, na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Mesquita Filho, falando sobre o pensamento diretor e os objetivos visados pelos fundadores da Universidade de São Paulo, explana que,

Para bem compreendê-los, para que avalieis na sua verdadeira medida os esforços despendidos para alcançar a meta visada, seja-nos permitido remontar às suas fontes, à já longínqua fase da formação do nosso espírito, em que chegamos a compreender o papel decisivo que as universidades sempre desempenharam na evolução dos povos cultos e, mais particularmente, na determinação do sentido que a civilização a que pertencemos adquiriria (MESQUITA FILHO, J., 1969, p. 181).

 

Está aí, mais uma vez exposta, sua posição sobre o papel da universidade como ferramenta de evolução e norteadora de civilizações. E é exatamente por isso que ele segue dando exemplos de nações que se beneficiaram com o investimento no ensino superior.

 

Nesse tempo, atingia a Alemanha o apogeu do seu prestígio. Tanto na capacidade de expansão da sua política e da sua economia como nas ciências, era incontrastável o seu poder. E quanto mais decisivas se iam mostrando suas conquistas, tanto mais acentuada se tornava a convicção geral de que às suas universidades devia a posição de hegemonia a que pudera guindar-se (MESQUITA FILHO, J., 1969, p.181).

 

Contudo, o jornalista relembra da situação brasileira nos anos que antecederam a criação da Universidade de São Paulo:

 

Cêrca de uma década apenas antes da fundação da nossa Universidade, escrevia Amadeu Amaral que, “entre os assuntos que agitavam a opinião pública em nossa terra, os problemas gerais do ensino, as questões de orientação filosófica, de programas, de métodos, de finalidade, não são absolutamente familiares ao público, ainda que só nos refiramos ao público das camadas cultas e influentes. E para melhor caracterizar o quadro em que ia definhando o ensino, acrescentava: “basta notar-se a raridade, se não a ausência absoluta de livros e publicações sôbre problemas gerais de cultura”. Para permanecer dentro da realidade poderia ter o ilustre poeta e ensaísta acrescentado que se passavam anos sem que na imprensa surgissem quaisquer comentários sôbre êsse relevante aspecto da vida nacional (MESQUITA FILHO, J., 1969, p.186).

 

Depois de passado tanto tempo, qual seria a leitura que o jornalista fazia da Universidade? Teria ela cumprido sua função? Teria ela se desenvolvido do jeito que planejara? E, a pergunta que norteia esta pesquisa, o que faz com que um jornalista, empresário, que nunca lecionou, tome para si a missão de fundar a Universidade de São Paulo? É o próprio Mesquita Filho que esclarece todas essas questões ao final de Política e Cultura:

 

Vencidos pelas armas, sabíamos perfeitamente que só pela ciência e pela perseverança no esforço voltaríamos a exercer a hegemonia que durante longas décadas desfrutáramos no seio da Federação. Paulista até a medula, herdáramos da nossa ascendência bandeirante o gôsto pelos planos arrojados e a paciência necessária à execução dos grandes empreendimentos. Ora, que maior monumento poderíamos erguer aos que haviam consentido no sacrifício supremo para preservar contra o vandalismo que acabava de aviltar a obra de nossos maiores, das bandeiras à independência e da Regência à República, do que a Universidade? Atribuíamos à incapacidade dos que se haviam apossado dos destinos da Nação os erros sem número que nos levaram, com a fatalidade das leis incoercíveis, da proclamação da República à revolução de 30 e, desta, ao levante constitucionalista. Para não faltar ao compromisso que havíamos assumido com o grande movimento, lançamo-nos à tarefa que, não fora essa epopéia com que São Paulo reassumiu o seu papel histórico no quadro da Federação, jamais lograríamos tornar uma realidade. E ela aí está. Não quiseram tal qual a ideamos. Nem por isso, entretanto, estamos certos, deixou o decreto de 25 de janeiro de 1934 de assinalar nos fatos da Nacionalidade o maior acontecimento cultural da sua história (MESQUITA FILHO, J., 1969, p.198 – 199).

Hegemonia cultural e política, era isso que ele buscava, ou ao menos é o que ele declara. A sua universidade pode não ter ficado exatamente de acordo com os seus desejos, mas nem por isso, deixava de ter sua importância. Ele a qualifica de “maior acontecimento cultural” da história de São Paulo. Seus delírios de grandiosidade o fizeram se autodenominar como descendente dos bandeirantes, sendo que o primeiro membro da família a chegar ao Brasil é o tenente Monteiro, em 1807, com a comitiva de D. João VI.

Sua universidade se tornou, como ele desejava, um grande centro de pesquisa e formação de docente, mas, na maior parte das vezes, defendendo interesses bem diferentes daqueles planejados.

O instrumento epistemológico para a busca dos valores deve ser a razão, não emoções irracionais e avulsas. O homem é livre para fazer sua própria escolha, e esta pode ser a errada, mas ele não está livre de suas consequências. Ele pode se esquivar da realidade, pode seguir cegamente um curso ou a estrada que quiser, mas não tem como evitar o precipício a frente que ele se recusa a enxergar. Em resumo, ele é livre para escolher não ser consciente, mas não consegue escapar das penalidades de sua inconsciência.

Júlio de Mesquita Filho, em sua complexidade, transitava entre diferentes “espaços de sociabilidade”, apresentava certas inconstâncias conceituais, mas passou sua vida lutando para defender sua posição e seus interesses.

Nunca se afastou, de fato, das crenças evolucionistas, demonstrando seu apego ao pensamento spenceriano do século XIX. Suas concepções, tortas e mal-ajambradas refletiam os ideais de sua classe. E ainda hoje, essas mesmas concepções ecoam sub-repticiamente no debate público.

Mesquita Filho, assim como o próprio Gramsci, entendia que a constituição de uma hegemonia é um processo historicamente longo. Mas é importante ressaltar que as formas da hegemonia nem sempre são as mesmas, elas variam de acordo com a natureza das forças que a exercem. Na perspectiva gramsciana, a hegemonia pode (e deve) ser preparada por uma classe que lidera a constituição de um bloco histórico que articula e dá coesão a diferentes grupos sociais em torno da criação de uma vontade coletiva – que Gramsci (2000, p. 17) define como “consciência operosa da necessidade histórica”.

E é por isso que, para consolidar sua influência ideológica, o bloco hegemônico precisará conservar os apoios às suas orientações.

A prisão e o exílio, em 1932, haviam dado a Mesquita Filho a noção de que o mundo estava mudando. Os interesses de sua classe já não eram mais a expressão da realidade. Sendo assim, ele compreendeu que uma direção ético-política eficiente não depende apenas da força material que o poder confere. Deve ser alcançada também através de estratégias de argumentação e persuasão, ações concatenadas e interpretações convincentes sobre o quadro social. Pressupõe modificar mentalidades e valores, abrindo caminho a novas premissas éticas e pontos de vista, capazes de agregar apoios e consensos e, assim, afirmar-se perante o conjunto da sociedade.

Foi com base nessa leitura de mundo, estranhamente gramsciana para um liberal como Mesquita Filho, que o jornalista concebeu a ideia da Universidade de São Paulo. Seus ideais, no entanto, foram progressivamente sendo substituídos dentro da própria instituição.

O intelectual era, como já foi dito diversas vezes, um homem do século XIX. O que ele não contava é que, a formação do consenso para a transformação da ordem vigente depende da capacidade das classes subalternas de se converterem em força política efetiva, forjando uma unidade de objetivos que resulte na coordenação de iniciativas e princípios ideológicos.

Essas conversões, que aconteceram bem aquém do esperado pelo marxista sardo, foram fundamentais para que o mundo se transformasse. Esses ideais eugenistas e elitistas ainda sobrevivem em nossa época, é verdade, mas são menos tolerados a cada dia.

Fica o registro de um homem que se professava liberal, mas que condenava a Abolição da escravatura e a proclamação da República. Algo relativamente comum no universo brasileiro.

 

José Fagner Alves Santos

 

 

Referências

 

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Notas de rodapé

[1] No dia 16 de janeiro, de 1925, o jornal O Estado de S. Paulo publicava, em sua página 5, o texto: A reforma do ensino: Exposição de motivos apresentada pelo Sr. Dr. João Luiz Alves, Ministro da Justiça, ao Sr.Dr. Arthur Bernardes, Presidente da República, em novembro do anno findo, sobre a Reforma do Ensino.

[2] Para esta pesquisa, as duas publicações (jornal e livro) foram consultadas.

[3] O sociólogo alemão Norbert Elias, o conceito de civilização expressa uma cadeia de lentas transformações dos padrões sociais de auto regulação (2006). Trata-se, essencialmente, de um processo de longa duração – o processo civilizador – que caminha “rumo a uma direção muito específica” (ELIAS, 1993, p. 193), não de forma linear e evolutiva, mais de modo contínuo, com impulsos e contra impulsos alternados.

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