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Bruno Garschagen - Ciência Política -

vídeo que o brasileiro Jonatan Diniz gravou dos Estados Unidos, no conforto e segurança que o país lhe oferece, foi um escarro na face de cada um dos brasileiros que se mobilizou pela sua libertação. Na semana passada, quando o brasileiro não se comunicava com a família havia três dias, escrevi que ele era preso político do regime socialista venezuelano. Pela justificativa do governo de Nicolás Maduro, Jonatan era, de fato, preso político, acusado que foi de trabalhar para a CIA para derrubar o regime.

E o que fez Jonatan, o Tolo, depois de solto e, repito, a partir do conforto e segurança oferecidos pelo país onde vive, os Estados Unidos?

“Aqui é Jonatan, o rapaz que foi preso (risadinha) pela ditadura (risadinha)… Não vou falar ditadura porque esse é um apelido dado pela oposição e os dois lados estão errados, e eu não estou aqui para defender nenhum dos lados e não vou me envolver em política. O que eu vou falar aqui é bomba e mensagem positiva.”

Bom, da mensagem positiva só ficou a bomba, que explodiu na mão de todos os que de boa fé se preocuparam com o destino do “rapaz que foi preso (risadinha) pela ditadura (risadinha)” que ele não ousa chamar pelo nome.

No vídeo de pouco mais de cinco minutos, Jonatan reclamou da imprensa, que, segundo ele, ficou perguntando da prisão, da tortura, em vez de falar das crianças venezuelanas. “Não foquem em notícia ruim, não falem que eu fui torturado, não falem que o regime é ruim, foquem em notícia boa!” Mesmo que Jonatan só cite a imprensa, o que ele diz afeta a todos os que compadeceram do que achavam ser um drama.

Pois bem:

Jonatan, o Tolo, acha que os problemas do mundo resolvem-se se focarmos nas coisas boas.

Jonatan, o Tolo, acha que, se não chamarmos as coisas pelos nomes, a realidade será magicamente transformada.

Jonatan, o Tolo, acha que, se falarmos que não existe crise humanitária na Venezuela, crianças, adultos e velhos venezuelanos não passarão mais fome nem serão presos, torturados ou mortos.

Jonatan, o Tolo, acha que, se todo mundo só falar das crianças e das pessoas que salvam as crianças, o regime socialista de Nicolás Maduro deixará de violentar as crianças e o povo venezuelano.

Jonatan, o Tolo, é incapaz de perceber a ligação entre as ações do regime socialista de Maduro e as suas consequências diretas na vida da população, dentro da qual as crianças são tão vítimas quanto todos os venezuelanos.

Jonatan, o Tolo, acha que é possível salvar as crianças venezuelanas e ao mesmo tempo manter o regime socialista que faz delas parte de suas vítimas.

Jonatan, o Tolo, é incapaz de perceber que, se não fosse o regime que ele não ousa chamar pelo nome, seu trabalho de ajudar crianças talvez não fosse tão necessário e ele poderia ajudar crianças aqui no Brasil.

Jonatan, o Tolo, parece ignorar que tenha sido preso político mesmo tendo admitido que foi lá “para ser preso” e com isso chamar a atenção para a sua causa.

Jonatan, o Tolo, parece ignorar que as ditaduras prendem as pessoas que tentam expor a brutalidade do regime.

Jonatan, o Tolo, acha que os “fins justificam os meios”, declaração de princípios maquiavélica com a qual Nicolás Maduro e seus asseclas concordariam em gênero, número e grau.

Jonatan, o Tolo, como nos versos de Augusto dos Anjos, fez da “Ingratidão — esta pantera” a sua “companheira inseparável”. Ao ser apoiado em seu país, respondeu com escarro e apedrejou as mãos que o afagaram.

Jonatan, o Tolo, acha que, se ignorarmos a maldade, o bem vencerá.

Jonatan é o tolo cuja credulidade fantasiosa corrompeu qualquer traço de inocência

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