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Tudo bem, o Brasil todo tá cansado de saber que ministério é apenas moeda de troca política; bons tempos em que servia só para alavancar os assuntos, prioridades e planejamento de cada pasta. Hoje é puro interesse, mas também não precisa exagerar, Torquato e Luislinda.

Semana passada o ministro da Justiça, Torquato Jardim, fez uma declaração bombástica, mesmo para brasileiros, acostumados aos caos eterno: Afirmou que a cúpula da Polícia Militar do Rio de Janeiro tinha (tem?) vários comandantes ligados ao narcotráfico, e que milícias e comércio também estavam sob um manto de “proteção” mafiosa dirigida por eles, tudo ao comando da batuta dos grandes traficantes da área. Como era de se esperar, a PM do Rio reagiu com ênfase, pedindo explicações e provas; o ministro alegou ter “informações” sobre isso e confirmava a denúncia. O governo fluminense exigiu que as tais provas fossem apresentadas, e Torquato recuou, alegando ter externado apenas uma “posição pessoal” sobre o tema. Como se estivesse num concurso de dança ou no Masterchef. Taspariu. Ministro não dá opinião, malandro.

Resumo da ópera do malandro: O ministro acusou, os acusados chiaram, o ministro recuou, e ficou tudo por isso mesmo. Uma acusação gravíssima, que num país decente levaria à queda do acusador ou dos acusados num instante, mas aqui vira assunto de rodapé e deixa-pra-lá.

Ou Torquato tinha razão e se calou por medo, ou não tinha razão e se fingiu de morto quando percebeu o tamanho da besteira cometida. Significa que há mais dois motivos fortíssimos para investigar isso até o final. Ou nos rendemos de vez ao crime, seja velado ou exposto.

E a coleginha de Torquato, Luislinda Valois, ministra da Igualdade Racial, esse utilíssimo ministério, do qual todos conhecem as enormes, gloriosas conquistas? Em qualquer país decente, essa pasta seria mera secretaria adjunta ao ministério da Justiça e fim de papo. Mas aqui, quando Caetanos e Sabatellas exigem, tudo é dado, divino e maravilhoso, painho. O presidente tem medo até de Gisele Bundchen, como ficou claro no caso Renca (Reserva Nacional de Cobre e Associados), quando a bela deu mostra de total ignorância em geologia e outros assuntos, mas saiu vencedora.

Enfim: Luislinda, mais Luis que linda, resolveu reclamar do mísero salário de somente, apenas, R$ 33 mil. Alegou ser esse montante insuficiente pra pagar sua maquiagem e suas roupas (não, não é brincadeira), e comparou sua vida sofridíssima à de um escravo do século retrasado; afirmou que deveria receber dois salários agregados (de desembargadora aposentada e de ministra, algo totalmente ilegal) e que quem trabalha sem receber é escravo – sim, ela se classifica como escrava -; candidamente, numa petição de 200 laudas, solicitou aumento salarial para R$ 62.000,00, valor que ela considera “justo”, mesmo sendo totalmente ilegal. Pois é.

Luislinda fez uma coisa tão feia que ninguém, mesmo seus mais aguerrido defensore, deu a cara a tapa. Se fez de coitada (novamente) e, à guisa de desculpas, se fingiu de bobinha, classificando o caso como mero “requerimento”. Não, minha senhora; foi uma senha para a ilegalidade. É inacreditável que a ministra de uma pasta que traz no nome a palavra “igualdade”, exija para si uma barbaridade dessas diante de uma população carente de tudo e que, em boa parte, sobrevive com um salário mínimo. E não conta com carro de luxo, motorista, seguranças armados, jatinhos, empregados, assessores, secretárias, cartão corporativo, despesas pagas e outras regalias nababescas das quais a autodenominada “escrava” goza sem nenhum peso na consciência. Ainda teve o desplante de reclamar que as pessoas ficam se preocupando com “miudezas”, como seu salariozinho pretendido de 62 paus. Pelamor.

Bom lembrar que não foi a primeira derrapada grave da desembargadora aposentada; em fevereiro, ela anexou à sua biografia o título de “embaixadora da paz na ONU”. O problema é que o cargo não existe, e ficou tudo por isso mesmo. Bom, num país onde Dilma inventou um mestrado e um doutorado pela Unicamp e ninguém disse mais nada, pode tudo. Até dobrar meta sem meta.

A imediata demissão desses dois desastres ministeriais é uma medida necessária, mas que Temer não tomará, juntando-se às outras dezenas de medidas que ele esquece no porão imundo.

A não ser que a política de interesses e compadrios, que muda como a maré, exija. Aí, lembrarão desses escândalos num instante – não como motivo de demissão, mas como álibi. É de lascar.

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